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2ª reunião ordinária da comissão permanente da mulher
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2ª reunião ordinária da comissão permanente da mulher

17 views Publicado 15/04/2026 HD · 1:54:25
Resumo editorial

A Comissão Permanente da Mulher da Câmara Municipal de Campinas realizou a 2ª Reunião Ordinária do ano com tema central no evento Mulheres e Meninas Vivas, Campinas Contra Misoginia. A iniciativa parte de uma parlamentar campineira e busca discutir o fenômeno crescente da circulação de ideias red pill e discursos misóginos que têm incentivado a escalada de violência contra a mulher e feminicídios no Brasil, muitos com características de crime de ódio e casos em que mulheres são assassinadas junto com seus filhos. A reunião contou com a presença de uma professora do Núcleo de Estudos de Gênero da Unicamp, conhecido como Pagu, e da pós-graduação em Multimeios, pesquisadora que se dedica há anos ao estudo da extrema direita e do discurso de ódio analisados a partir das teorias feministas. O encontro buscou ser espaço de formação política para aprimorar leituras sobre o fenômeno e construir estratégias coletivas de enfrentamento à misoginia em Campinas.

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Vídeo do acervo da TV Câmara Campinas.

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TV Câmara, Campinas. Boa noite a todas, a todos. Eh, quero cumprimentar todo mundo que tá aqui. Vou dar início, então, à segunda reunião ordinária da Comissão dos Direitos da Mulher. Quero já de antemão agradecer a toda a equipe da Câmara pelo suporte, pelo apoio, de sempre, dizer da importância desse evento. esse evento, a gente convidou com a a temática das mulheres e meninas vivas, ã, um para discutir eh Mulheres e Meninas Vivas, Campinas contra Misogenia e tem o objetivo de discutir especificamente um fenômeno que não é novo, né, mas que tem ganhado grande projeção, que é a circulação de ideias redill, eh ideias de misogenia, ideias que inclusive tem incentivado aí uma escalada nos casos de violência contra a mulher e feminicídios. A gente tem visto um aumento dos casos de feminicídio, eh, e cada vez mais feminicídios com características de ódio, muitos casos também de assassinato de mulheres acompanhada dos seus filhos. Então, por isso tudo, a gente resolveu chamar eh paraa noite de hoje a professora Iara Belelli, que é professora do PAGU, professora pós-graduação multimei professor Pagou, professora da pós-graduação e multimeios da Unicamp, pesquisadora do PAGU, que é o núcleo de estudos de gênero da Unicamp, é uma parceira, estamos sempre aí, né, professora? é uma uma parceira e a professora tem se dedicado já há alguns anos a pesquisa sobre a extrema direita, o discurso de ódio analisados a partir das teorias feministas, né? Então a gente achou muito importante trazer a professora para esse evento, até para que a gente possa ser um espaço sobretudo de formação, para que a gente vá aprimorando leituras e pensando estratégias de como esse fenômeno que nós estamos lidando no cotidiano, né? Quero já agradecer a professora imensamente por aceitar o convite. E quero cumprimentar também a Cristiane Ferreira, que é assessora da de comissões da presidência, a Sibele Rodrigues, que é assessora aqui representando o gabinete da vereadora Guida Calisto, a Débora Pereira chefe de gabinete da vereadora Paula Miguel, a Virgínia Baldã parlamentar representando o gabinete da vereadora Fernanda Solto. a Silvana de Souza Pereira Silva, coordenadora do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, a E a Anália Lavras, Anália Lavras, Lauras e o Elvis Fernandes, que são conselheiros tutelares. Obrigada a todo mundo pela presença. Tá aqui também a Carol e a Cíntia do Coletivo Juntas. Estou vendo aqui eh muita gente que disse, né? a gente convidou várias pessoas, algumas pessoas não puderam estar presentes, mas nós estamos gravando esse evento. A ideia é que a gente possa replicar, fazer formação, inclusive, né, pra gente eh multiplicar os temas aqui que a gente debater no dia de hoje. Eu quero de início, eh, e entendo que é muito importante falar sobre uma situação particular que nós estamos vivendo aqui na Câmara Municipal, que foram uma série de ataques que aconteceram, ataques contra a vereadora Guida Calisto e contra as assessoras da vereadora Guida Calisto por pessoas eh que têm circulado aqui na Câmara, eh homens, rapazes que nós caracterizamos como reds, que vem vem eh mirando contra nós, mulheres, vereadoras, nos intimidando, né, intimidando a assessora assessoria da vereadora Guida Calisto, fazendo filmes, publicando as redes sociais. Isso, claro, numa, é claro que existe um elemento muito forte de racismo, né? Porque num primeiro momento em que a assessoria da vereadora foi confrontada, eles inclusive trouxeram à tona aquela HQ é uma HQ muito importante, HQ Territórios Negros, que a vereadora Guida Calisto promoveu para discutir a história da negritude na nossa cidade. A nossa cidade tem uma história difícil, né? Eh, mas uma história muito bonita de luta do povo negro que construiu essa cidade. Uma história difícil porque nós somos da terra dos barões, né? Mas nós temos aí muita resistência negra, né? E a vereadora Guida Calisto trouxe essa questão do resgate da negritude por meio do HQ e também eh tem sido tacada por conta de políticas de combate à violência, né? Então, acho que é muito importante colocar de antemão isso. Nós estamos exigindo da presidência da Câmara que a presidência da Câmara impeça a entrada desses sujeitos na Câmara. Na sessão passada eles estavam aqui dentro. Eh, a presidência eh discordamos e aqui como presidenta da Comissão da Mulher acho importante colocar a discordância com relação à interpretação do presidente da Câmara, porque o presidente interpretou que só poderia barrar a entrada por mediante medida protetiva e eh claro, a vereadora Guida Calisto fez o boletim de ocorrência, solicitou medida protetiva, tudo mais, mas nós sabemos que essa é a realidade de muitas mulheres que sofrem a violência. Nós ficamos atrás das medidas, atrás do estado para que o estado dê uma resposta e enquanto isso a violência vai acontecendo. Na sessão passada, eu li a o a lei que foi aprovada, que torna crime a violência política de gênero. E nessa lei diz que eh faz parte, né, da lei a exigência de que as autoridades tenham uma uma pronta resposta para impedir a violência política de gênero. Então, acho importante deixar registrado aqui que nós estamos uma batalha interna aqui na Câmara para impedir, no mínimo, impedir a entrada dessas pessoas que estão praticando a violência política de gênero que tem vista impedir que nós mulheres vereadoras, que nós mulheres das equipes das vereadoras eh possamos desenvolver o nosso trabalho, né? Então, é importante deixar registrado. Eh, nós estamos, inclusive, conversei com a vereadora Guida, vereadora disse que não podia estar presente, mas eu conversei com a vereadora que eu entendo que nós precisamos aprovar isso como uma posição da Comissão da Mulher, né? Nós não vamos ter quórum aqui, mas vou conversar depois com as demais vereadoras e que a gente inclusive chame algumas entidades para assinar um documento dirigido ao presidente, a presidência da casa, ao vereador Luiz Carlos Rossini, para que empeça a entrada desses sujeitos aqui na Câmara. Bom, eh, já vou passar a palavra paraa professora Iara, que vai fazer a sua exposição e depois a gente vai abrir pro público. Nós vamos, né, fazer um debate. Acho que a ideia é que a gente possa, inclusive aprofundar aqui sobre esse fenômeno do discurso de ódio da extrema direita. professora, a palavra é tua. Eh, eu de fato gostaria mais, tão me ouvindo, né, de fazer uma fala curta para que a gente pudesse conversar, porque eu acho que o debate é algo que nos ajuda a pensar a partir de campos muito distintos, né? né? Vi ali os conselheiros tutelares, a experiência que vocês têm, né? Eu gostaria de saber, né? Porque a gente fala muito de misogenia, né? A misogenia, misogenia. E aí quem sabe o que é misogenia para além de nós que estamos aqui interessadas no tema. Eh, fala-se muito das feministas, como se fosse também tudo um bloco só, que é como os governos, o o pensamento conservador, e aí tô me referindo ao pensamento eh da extrema direita, gostaria que fôssemos, né? E a gente sabe que a história do feminismo, ela tem eh para fazer uma para saber o que que é ou como o as feministas se moveram no Brasil e no mundo, mas vou falar particularmente do caso do Brasil. Eh, nós tivemos uma importante, eu diria até fundamental, participação do movimento negro, das feministas negras, né? Porque também nós tínhamos antes essa coisa das mulheres. Ah, os partidos políticos na minha década de 70 não gostavam que a gente falasse das questões específicas das mulheres, porque achavam, né, achavam e diziam que quando viesse o socialismo, essas questões não iam acontecer. Irmão, nós tivemos poucos países no mundo de fato socialista, mas as diferenças, mas as diferenças eh entre nas relações de poder, e eu não tô falando nas diferenças entre homens e mulheres, mas é nas relações de poder, que é disso que se trata que se trata a questão de gênero. elas permaneceram. Então depois veio essa coisa das mulheres, né? O ano internacional da mulher, 1975. Eu não gosto muito de participar eh dos eventos eh do 8 de março, não porque eu acho que não seja importante, acho que é muito importante, mas é que de lá para cá muita água rolou debaixo dessa ponte. A gente foi percebendo as diferenças entre as mulheres, né? Então você tem a a as experiências de mulheres brancas de classe alta, eh, que no geral tem algumas mulheres que ajudam a criar os filhos, a limpar sua casa, geralmente negras, eram muito diferentes. Bom, então acho que o movimento negro, o movimento das mulheres negras, ele veio para mostrar que essa categoria, ela não era uma categoria única, nem universal. Você não pode pensar ou falar de mulheres se não você não dizer de que mulher que você tá falando, né? Porque de que mulher eu tô falando, né? Eu tô falando das mulheres mais pobres. Eu trabalho muito com cinema e audiovisual, né? Então, eu faço muitas análises e oriento muitas pesquisas nessa área. E é muito interessante como o próprio cinema ele vai dando essa essa dimensão eh passa pro audiovisual aquilo que foi histórico, né? Mas eu queria voltar, eu tô um pouco atrapalhada aqui na minha organização, né? Eh, mas eu vou chegar lá e vocês podem me interromper. Quero voltar um pouco paraa questão do feminismo, mas também antes do feminismo, para me voltar paraa questão da ideia das novas tecnologias de comunicação e o que que mudou nas nossas vidas. A gente sabe que mudou muito e vai mudar muito mais, né? Eh, um dos uma das primeiras questões e aqui já começa a aparecer a questão do ódio, né? Eh, para pensar as estreitas relações, e esse é um dos projetos que eu tenho agora entre violência, diferença e intolerância. Tampouco gosto da palavra intolerância, né? Porque quando a gente diz tolerar significa que que eu tolero. Eu tolero que você seja negra, eu tolero que você seja gay. Eu tolero que você seja eh de uma determinada religião. Isso. Por isso eu não gosto da palavra tolerância, mas eu tô fazendo, tô desenvolvendo um projeto para pensar as estreitas relações entre violência, diferença e intolerância. exatamente para abrir e complexificar a ideia do que do significado da tolerância. Bom, [limpando a garganta][tosse] na discussão a propagação do ódio ou aversão às mulheres, eh uma das definições correntes da misogenia aponta para um sujeito que faz a ação, né? Diferente do vazamento de imagens íntimas, que como é muito comum a gente eh ouvir, parece um acontecimento sem sujeito. Vocês já ouviram falar dos nudes? Isso é uma uma espécie de violência, né? Eh, quando você não tem esse esse sujeito, fica muito difícil eh de você enfrentar essa situação, mesmo nos casos de assédio, violência. H, e eu vou dizer, o feminicídio, como disse a Mariana recente, agora a pouco, ele é apenas a ponta do iceberg, né? É o, é quando finaliza, então vai lá e mata. Mas isso tem uma trajetória longuíssima, né, que começa eh porque que você tá usando essa saia curta. Você deu mole? Por que que você tava às 2 horas da manhã ã andando na rua? Por que que você bebeu? Por que que você tava bêbada? Foi por isso que você foi estuprada. Ou seja, tem tudo uma coisa eh de um ódio a um tipo de feminilidade que não é aquela que a gente tinha nos anos 50 ou nos anos 40, enfim. Não é que você não tivesse mulheres que não enfrentassem eh essas questões, mas esse era o lugar, vamos dizer, muito entre aspas da normalidade, né? E aí tem umas coisas que também me parecem um pouco risíveis, né? quando falam, por exemplo, da questão das mulheres, eh, que as, isso é parte do pensamento conservador, ah, que as mulheres, e o feminismo, na realidade ele só atrapalhou as mulheres porque fez com que as mulheres foram fossem trabalhar fora, né, de casa. Então, elas perderam aquele lugar. Aí eu fico pensando quais mulheres? Porque as mulheres negras sempre trabalharam, sempre. Isso diz a Soli Carneiro com todas as letras, né? É uma pensadora negra feminista. eh, sempre trabalharam e muitas das mulheres, eu não gosto também muito dessa coisa da dicotomia negro e branco, mas eu tô dizendo é como isso aparece nas mídias, porque não adianta eu não gostar da da dicotomia. O que aparece na mídia é dicotômico. Então, se você é mulher, eh, você tem determinadas funções, né? Eh, se você é homem, você tem outras outras funções. Mas o que, voltando à questão do embaralhamento on offline, eh, e aqui não não se trata apenas eh se e como as tecnologias refletem ou não a sociedade, mas de pensar em proposições que alertem a sociedade, os operadores do direito, ah, os médicos, os psicanalistas, quaisquer profissões para como as tecnologias nos constituem como sujeitos, de modo que as consequências, né, eh eh jurídicas, psicanalíticas, sociais não sejam pensadas em separado, dado que a que a que liberdade e direitos são acionados no campo jurídico, pressupondo uma certa objetividade, mas o mundo não é objetivo, né? E as historiadoras da Nem o mundo, nem a ciência é objetivo. As historiadoras da ciência já diziam isso, né? Quer dizer, ob não existe uma objetividade assim como não existe. Não é que não exista, mas assim, você não pode pensar uma ideia de verdade, né? Porque, e aqui vem o meu lado historiadora, diz assim: "Se tem um fato acontecendo, ã, uma mulher tá sendo assediada aqui no saguão. Isso cada um de nós vai olhar para aquilo de uma maneira subjetiva, objetiva, mas muito subjetiva também, né? Eh, depende se você sofreu um assédio, se a sua filha sofreu um assédio. Quer dizer, são o fato em si, a narração desse fato e, e eu tô falando tudo isso, ela pode ser muito distinta, dependendo de quem narra, né? E eu tô falando isso porque como eu faço pesquisa com as mídias, eh, é muito interessante você pensar, e aí eu não posso me furtar, eu vou voltar à misogenia, ao assédio, enfim, as questões que estão postas na mesa hoje. Mas eu não posso me furtar a pensar o que aconteceu na maior rede de televisão do país há 70 anos, há 3 dias atrás, que eu só fui ver na madrugada de hoje, porque eu tava impossibilitada de ver, enfim, quando aconteceu, que é a manipulação. Então, a mídia ela manipula, ela vai manipulando. Teve um estupro recente, tô falando do caso da Andreia Sadi, que mostrou aquele PowerPoint que vergonhoso, vergonhoso, porque aquilo é mentira. Então, pensando que a gente não pode falar, né? Isto é verdade, mas a gente sabe o que é mentira, né? a gente sabe o que que é mentira e a gente sabe o que é manipulação. E quando isso vem de uma rede eh de mídia tão importante, né, e tão consolidada como a Rede Globo, né, eh aí por sorte nós temos as redes sociais. Então, as redes sociais, como diria um autor que também gosto muito, o sociólogo Zegmund Balman, dizer, eh, essas novas, a internet, ele diz, né, serve para cortar o pão, mas também serve para cortar cabeças. vide todos os cancelamentos que a gente vai eh tendo e vai tendo todo o tempo e dentre os cancelamentos, as feministas, particularmente no governo Bolsonaro, e reacas, não é, que começou aí já tinha muito antes, né? Milô Fernandes, que era um cara de esquerda do jornal V. Tá aqui, tá aqui. Eu ten uma parte que eu vou falar, mas enfim. Era um cara de esquerda que dirigia o jornal de esquerda e dizia na década de 70 que o melhor movimento das mulheres era dos quadris, né? Parodiando o início de um movimento feminista. Eu tô dizendo isso não é para escrachar com Melor, porque o Melor fez coisas muito boas, né, para ah para o pensamento, vamos dizer, progressista, pensado como progressista. O que eu queria dizer e para continuar e voltando à questão do contínuo, né, desse embaralhamento que é on offline, que eu penso que não tá separado, né? Eh, que eu destaco sempre isso, né, que na horizontalização da produção, isso da produção midiática, isso, horizontalização é isso. Nós, qualquer um de nós pode ir lá e postar qualquer coisa que queira, né? alguns comprometidos com uma um justiça social e alguns comprometidos com eleger este ou aquele candidato e não se importando se tem uma uma com quaisquer provas daquilo que ele tá dizendo, né? Nós, eh, que somos pessoas progressistas, nós sempre estamos ancorados na produção científica, né? Sempre eh pensando o que que é a ciência, né? Porque dá muito trabalho fazer ciência, viu? Quer dizer, a gente não é uma pesquisa que a gente, uma pesquisa que a gente não faz em dois dias. Mas isso eu queria eh eh destacar eh para pensar que liberdade e direitos constituem significados a partir de subjetivações movidas também pelas emoções. De modo que a internet e as redes sociais não são apenas ferramentas, mas se constituem como lugares de experiência. um espaço que nós habitamos e que também nos habita, né? Então a gente faz se faz sujeito a partir até de um certo assujeitamento à própria rede. Bom, aí entramos nos discursos de ódio. É a uma da parte importante dos discursos de ódium, e isso eu descobri muito, descobri muito recentemente na minha pesquisa, é a desqualificação pessoal ou de um grupo, né, que é perpassada por julgamentos morais, associando imagens que oferecem materialidade ao que se imagina eh como corpos e ideias odiosas. a utilização da categoria feminina, né, eh, muito utilizado no período Bolsonaro, que que virou uma categoria acusatória, inculca a ideia do revanchismo das feministas contra os homens, acusando-as de totalitárias, violentas, intransigentes. Esse me parece um ponto central para pensarmos como o ódio mobiliza noções de misogenia a partir da naturalização das diferenças, mas também é endereçado a determinadas mulheres recorrentemente nomeadas deputas, mesmo que não necessariamente exerçam a profissão de prostituta. Quero dizer com isso que o ódio se constitui a partir de moralidades que pautam a divisão entre mulheres que merecem ou não ter direitos. Isso foi uma coisa eh repetida, reiterada pela Damaris Alves, né? Eh, tem mulheres que merecem ter direitos, tem outras que não. Ã, e essa essa coisa do merecimento, né, aparece muito num num guia de análise de discurso de ódio que foi feito pela FGV. E é uma forma também, esse ódio de legitimar a violência. Eu vou além. Essa divisão não se relaciona, isso é o que para mim é o ponto mais preocupante, somente com a extrema direita ou aos percebidos como conservadores, como alerta Marcos Nobre, mas é abraçada por muitos que se dizem progressistas, incluindo médicos, operadores do direito, entre outros. também não atribuo a proliferação dos discursos de ódio. Há uma reação esperada às mudanças na vida cotidiana produzida pela comunicação digital, né? E aqui eu sigo eh uma autora, né, que se chama, esqueci o primeiro nome, o Dupa, eh para dizer que eu enfatizo que a horizontalização da produção de conteúdos e a desordem da informação propiciaram a ampliação dos discursos de ódio como parte de um processo que se escudia no politicamente correto e cada vez mais se canaliza nas infraestruturas afetivas do digital, capilarizando discursos mijógenos, racistas homofóbicos. Nesse sentido, nós podemos encontrar disensões nos variados feminismos, né? Então, tem aquelas que vão eh propor abolição da prostituição. E e isso a gente só consegue com muita pesquisa descritiva, porque é a pesquisa que nos dá o chão para pensar no que querem as mulheres e como elas próprias se articulam com as tantas diferenças, suas dimensões de agência e como isso as constitui enquanto sujeito de direito. Eh, eu tive eh uma experiência e bastante interessante eh na ilha do Marajó. Eu fui fazer uma pesquisa lá, né, na parte acho que é ocidental, que não é a turística. É punk, é muito punk. E ali você vê o assédio narrado, né? As pessoas narram os o assédio a crianças, adolescentes e mulheres. Assédio vai desde o assédio ao estupro e pode chegar no feminicídio. Por que que eu tô pensando na questão da Ilha do Marajó? Porque tem as denúncias, né? E as denúncias são muito parecidas com as denúncias que a gente tem aqui, né? Quer dizer, todo mundo que acha sempre, né, Mariana e Mariana sabe disso melhor do que eu. Ah, que o o agressor, o estuprador, o violador e tá na minha hora, eu posso parar. Deu 13 minutos aí. Não, eu já vou parar daqui a pouco pra gente estabelecer o debate. Vocês perguntam. Bom, que o ele tá longe, ele tá lá e ele não tá lá, ele tá aqui. E a outra coisa interessante, nós temos em termos de lei uma lei que é, enfim, invejada por muitos países, que é a Lei Maria da Penha. acontece isso. Me disse a presidente da ONG MITU Brasil, Marina Gazaroli, eh que muito daquilo que é denunciado não chega ao final. e não chega ao final porque as mulheres retiram. O que chega de fato, o que tem de fato são as medidas de restrição. Só que boa parte das mulheres assassinadas, elas tinham esses homens com medidas de restrição. Quer dizer, paradoxal, mais paradoxal para mim impossível, né? [roncando] Então você tem, como tava dizendo, né, uma coisa é o que a gente eh que estuda esse tema, mas não só na academia, a Mariana que vive aí eh pelas ruas, suas assessoras, ou esse próprio conselho ou o próprio Conselho Tutelar, né, eh que vê, né, que que tem essa materialidade, eh, Uma coisa é o que vocês veem, a outra coisa é o que nós vemos. A outra coisa é o que de fato entra na cabeça das pessoas, o que de fato o senso comum tá pensando, né? No senso comum há uma ideia ainda, e aí eu tô falando a partir das minhas pesquisas com mídia. Eh, há uma ideia de que se esse homem foi agressor, é porque essa mulher merecia, porque ela saiu daquela norma que lhe é designada a partir do seu sexo. Bom, eh, eu não posso me estender muito, mas imaginem também como é eh pras mulheres negras ou pras mulheres eh homossexuais, transgênero, travestis, né, que aí realmente é aquilo que é pensado como não é bizarra a palavra. a palavra é mais é mais do mais popular e que não me vem agora. Só queria terminar eh para falar dos redills muito rapidamente. Esse é um movimento eh muito mais recente se a gente pensar em termos históricos. Mas quando é que ele cresce? Quando é que ele começa a sua ascensão? Justamente no governo eh conservador, né? E cresce no ódio às mulheres que não estão dentro das normas, né? Aquelas que eu, por exemplo, não poderia ser uma sujeito, um sujeito de direito, né? Se eu tô questionando os red pills, eu não, para eles, eu não seria e como feminista muito menos, né? que eu deveria ser ainda a ideia dos anos 70, mal amada, eh, peluda, aquela aquele aquele imaginário que a gente tinha nos anos, quer dizer, a gente, né, tinha nos anos 70. E a e aí essa questão do vitimismo, que é uma crítica muito grande às feministas e do e o ressentimento dessas feministas com os homens, é uma das chaves pra gente atender, para entender esses trolls. Eh, e os red pill são muito mais que uma trollagem, né? Porque agora e esse caso aqui ah, da invasão, teve um caso também na Unicamp, na Calorada e vários outros, né? Eh, eles são termos associados ao mesmo tempo que desqualifica as feministas, como desqualifica as cotas para negros, como desqualifica as demandas LGBTQI. mais eh de forma acionando o medo nas mudanças, nas relações de poder, né, para que tudo se mantenha eh igual. Então, e aí é que eu aciono a questão do medo, né? O medo é parte do fazer do ódio, que não é simplesmente feito no momento da sua articulação, mas produz uma cadeia de efeitos que afetam ao mesmo tempo sua circulação. Em nome de uma ordem estruturada e da boa convivência social, sabe-se lá o que que se quer dizer com boa? Muitas demandas por direitos, entre outras, o reconhecimento efetivo da violência contra mulheres são refutadas por discursos antifeministas, por agentes de estado e também por gente comum, o que utilizam o mesmo modos operante da desqualificação pessoal. Então, ao invés de eu ter um argumento, né, porque para mim argumento você rebate com o argumento, eu digo: "Ah, não, você é feia, você é burra, você é louca", né? Por isso que eu criticava muito eh as pessoas que diziam que a da Maris Alves era louca, porque loucura não é argumento. E quando se fala de red pil e vai se chegar na masculinidade tóxica, eu também tô em desacordo, porque eles não são doentes, eles são fazem parte de uma estrutura que a gente tem que mudar, né? E se ela se criou, ela é possível ser mudada. Então, por isso não é um caso de internar, entendeu? Eles ou porque são loucos ou porque são tóxicos, né? É, é uma questão eh de querer manter essa estrutura eh como anda. Eu vou parar aqui e tem mais coisa para dizer, mas vou prefiro o debate como sempre. Muito obrigada. Ai, eu fui muito mal educada. Eu nem dei boa noite às pessoas e agradeci também o convite da Mariana e Conte e a carona da Maria Fernanda, que foi muito agradável nossa conversa. Obrigada, professor Iara. Eh, acho que é um tema que nós precisamos debater bastante, né? Eh, quero cumprimentar aqui a Domingas Cunha também, que é do movimento Mulheres na Periferia. Muito importante a tua presença aqui. Eu queria fazer alguma uma breve eh fala e depois a gente passa então pro plenário, porque também entendo que a gente precisa, quero muito ouvir as pessoas que estão vivendo isso. E eu digo que nós estamos vivendo isso porque a gente tá vendo isso acontecer. Nós estamos vendo acontecer o aumento da violência eh cada vez mais. A violência acontece. Se a violência, a violência não é uma novidade, né? Desde o meu primeiro mandato, isso [limpando a garganta] já faz, eu tô no terceiro mandato, a gente falava muito sobre a violência, né? Aqui tem mulheres históricas que estavam na luta, né? Na aprovação da Lei Maria da Penha. A violência é uma realidade, né? Porque nós vivemos um uma um país violento, porque o nosso país sempre foi muito violento com as mulheres e a violência contra a mulher sempre teve esse caráter específico que foi é a violência íntima, né? Os autores de violência serem pessoas conhecidas. Mas nós estamos vendo essa violência tanto numa escalada e com requintes de crueldade. O caso daquela moça que foi arrastada na marginal era uma coisa assim impressionante, né? um requinte de curiosidade. E nós estamos vendo também uma e isso a gente fala, né, eu acho muito importante aqui o Conselho Tutelar, mas a gente conversa com muitos professores, pessoas que estão lidando. A gente tem visto que a esse discurso Redpill, o discurso da desqualificação das mulheres, que o discurso de que apresenta as feministas como inimigas, o discurso que tenta moldar, agora tem a palavra, né, a esposa troféu, mulheres troféu, né, que os homens ficam fazem muitos vídeos, né, colocando as caixinhas e ai, a mulher boa é essa, mulher boa mulher que não presta. É, é isso aí. vão colocando as características, né? Todo esse discurso e essa essa conjunto de ideias tem capturado a subjetividade de meninos muito jovens. Eu acho que essa é uma característica que nós estamos enfrentando, meninos muito jovens mesmo, né? Isso é o relato que existe, que existe inclusive uma polarização de gênero nas escolas, né? Não sei, acho que vocês poderiam dizer, mas eu tenho ouvido muito isso. As meninas muito, né, paraa frente. Eh, meninas, meninas. E aí, e que eu falando, meninas e meninos, é claro que são categorias muito absolutas, né? quer dizer, na sua diversidade, na sua complexidade, né, tem meninas trans, meninos trans, enfim, né, na toda essa complexidade, mas a gente tem visto que meninos muito jovens t capturado essa subjetividade e isso inegavelmente existe uma questão que é a questão das redes sociais, né? né, as redes sociais. E eu fico pensando que é uma geração, né, a minha na minha geração, geração, talvez na maioria de vocês, talvez algumas pessoas mais jovens, não, mas nós somos de uma geração que a rede social veio depois, né, de uma certa forma a sociabilidade dessa juventude já é muito permeada por rede social, né? A rede social faz parte da constituição do próprio sujeito, né? Se e se isso é uma questão para nós, porque assim, nossa, eh, quando a gente se a gente não pode tá sem rede, às vezes dá até paniquito, né? Como assim? Tô sem rede, não vou conseguir, né? Quer dizer, com nos capturou e que tem capturado essa juventude dessa forma eh muito específica. E e aí eu acho que até coloco aqui uma questão que aí depois gostaria até de ouvir a professora sobre isso, a questão das redes sociais, mas a gente quando a gente falando em redes social, a gente tá falando de algoritmos que são pensados, formulados por sujeitos também. Também não existe uma neutralidade nessa técnica, né, na programação, né, que são controlados e elaborados por pessoas. E aí eu tenho dito muito isso, né? Quer dizer, os os donos das redes sociais, né? El Musk, o Mark Zuckerberg, é o Marqu, o Jeff Bezos, o Elon Musk tá, né, enfiado até o pescoço no caso do Steve Benon, do Steve Ben do do Epste, do Epstein, né? Então assim, eh, existe, e aí eu penso, né, nisso, quer dizer, nessa, nesse no conservadorismo, nessa no red pill, nesse, nesse movimento, como também uma um movimento que que hoje disputa poder e tem disputado poder, tem sido elemento de disputa de poder. A gente tem visto o que tá acontecendo, a reação com relação à nomeação da Érica Hilton como presidenta da Câmara. Uhum. Né? E é engraçado que a Érica foi a única candidata. Eles nunca deram muita bola para pra presidência da da da comissão da mulher na câmara. Aí quando uma mulher transacende, isso vira um elemento de disputa. É mais pela disputa do que pela presidência. Eles nunca deram bola para isso. Verdade é essa. Então aí é um é um elemento de disputa, né? E virou uma grande E aí eu acho o Brasil é um país tão complexo, porque é isso, né? Eh, eh, de um lado o conservadorismo, a transfobia, eh, agora mesmo tá tendo um ato lá na Assembleia Legislativa contra aquela deputada Fabiana Bolsonaro, que fez um black face, né, eh, com falas transfóbicas, o movimento nossas companheiras, o Juntas, tá lá também, acabei de ver aqui no na na no grupo dos juntas que tão lá fazendo um ato, um protesto, é necessário, mas a gente vê que isso virou um elemento, porque virou um ativo. seja um ativo econômico, porque se monetiza, né? E tem e e aí que tá, né? Como tem alcance, né? Aquela aquela trinando, se ela disser não, teve milhões de visualizações, milhões, né? treinando se ela disser não. Ou seja, uma apologia explícita a violência ao feminicídio teve milhões de visualizações. E hoje eu vi uma coisa no ônibus, voltando do ônibus da Unicamp, é assim, é, se ela disse não, é a sede. Achei fantástico. Tá no ônibus de Campinas. Bom, que vai paraa Unicamp, né? É a linha que eu tomo. Só queria fazer um comentário da Érica Hilton. Posso? Não, porque você disse, eles nunca deram bola para isso. Só que eh se fosse o problema deles, talvez não seja essa, até porque não deram bola, é porque ela não é uma mulher. Para eles, o discurso, né? Discurso. Não, para eles, né? pra câmara como um tod porque ela é uma trans. Então, se ela não é uma mulher, mas isso é uma coisa que tá na rede social explodindo essa discussão, explodindo, porque como eu digo, você tem grupos feministas que também não aceitam, as radicais não aceitam, por exemplo, né, que as trans entrem para grupos feministas. Então é só pra gente não, eu acho que aí tem uma questão moral que é muito pesada, né? Não se trata da Câmara, como você bem disse, dessa comissão, porque nunca deram bola para ela. Mas eu fiquei me perguntando se fosse uma mulher que eles consideram mulher, se teria toda essa celuma? É, não é, na verdade é uma forma, é a transfobia como um instrumento de luta política, né? E e virou um ativo monetário e virou um ativo político, porque com a visualização isso também dá voto, né? Então, nós temos visto que uma das estratégias de pré-candidatos que vão ser candidatos nas eleições desse ano e que vão ser candidatos a deputados, a vereadores, uma das estratégias é fazer ataque às mulheres. O ataque que acontece aqui contra nós mulheres é exatamente isso, buscando likes, buscando aumentar a sua a sua propagação para ter eh se posicionar para uma candidatura que eles querem contaminar os parlamentos com red pills. Eu tô falando isso. Eh, e é claro que uma que uma uma ideia ela para ela se propagar, ela precisa ter um chão, né? Uma ideia nunca se propaga sem o chão, né? precisa ter um meio, as redes sociais são meio, tem um sério, uma série de um conteúdo, uma narrativa. E aí eu acho que a professora trouxe muito bem elementos dessa narrativa numa confusão também, porque nada, né, isso aparece meio de uma forma confusão, né, mas precisa ter um chão. E aí a gente estava conversando que eu acho que eh eu queria trazer esse tema e queria muito ouvir vocês, né, para concluir aqui a questão da crise das masculinidades, porque eu acho que nós feministas, professora dizia, a gente conversava antes, ela falou: "Isso não é novo? Não é novo, né? Mas em que medida isso? Também a gente tem que dar respostas em relação a isso para esse momento contemporâneo, né? Que eu acho que é uma questão que eu tenho me perguntado muito enquanto feminista, né? Nós precisamos dar uma resposta feminista a essa crise das masculinidades, né? Eh, para terminar, nós, eu fiz aqui, a gente tem elaborado bastante, nós apresentamos hoje um conjunto, um pacote de mulheres e meninas vivas, Campinas contra Misogenia. Quero apresentar para vocês dois projetos que nós apresentamos, né, e queremos também fazer aí disso uma campanha pública. Primeiro, um programa municipal de concentração sobre machosfera, discurso redpill e prevenção à violência contra a mulher nas escolas municipais de Campinas, né? Acho que esse é um uma questão que a gente precisa enfrentar. Depois de muita luta esse ano, a questão da violência entrou como um elemento central nos currículos eh pedagógicos no município de Campinas. Mas eu entendo que é papel nosso, além da questão da violência tratar de forma mais aprofundada esse tema fera, discurso Redpill e tudo. E eu acho que isso é uma coisa que nós temos que elaborar, pensar e debater isso com esses meninos jovens, com as professoras, com os a quem tá na área da educação, com os conselheiros tutelares e tudo mais. E também a gente fez uma uma criação de infração infração administrativa relativas à prática e atos de misogenia no atendimento ao público e na prestação do serviço público. Porque a gente tem recebido relatos que esse ódio tem inclusive aparecido no atendimento ao público privado e no atendimento do serviço público também, né? Então, a gente quer também colocar infrações administrativas dentro do limite do que é uma competência municipal, mas empresas eh que tiverem a a atos de misogenia, que não tiver coibido ato de misogenia, pra gente forçar as empresas também a definirem muito muito políticas internas dessas empresas que seja uma política interna, o combate à misogenia. Essas são questões que nós fizemos. A deputada Semia Bonfim também apresentou um projeto eh anti redill, né, de eh inclusive proibindo monetização, proibindo misogenia nas redes sociais. É claro que a gente precisa regulamentar, a gente conversava sobre isso, né, em como a aprovação da lei não garante a a aplicação da lei, mas eu entendo que aprovação da lei é um passo para que a gente possa lutar, mas para além disso, nós precisamos de organização, né? Até a Maira trouxe aqui para mim um informe que foi aprovado no Senado tornar misogenia equivalente ao racismo. Uhum. Eh, acabou de ser aprovado. Acho que tem leis acontecendo, mas assim, a lei em si é um papel e a gente precisa aqui eh também ter movimentos políticos que respondam a esse cenário. Paro por aqui, quero muito ouvir vocês. O microfone tá aberto pra gente dialogar sobre esses temas. Quem que eu vejo que só um minutinho, seu só pedindo a Ná se inscreveu antes. Pode ser? Não pode. Tá bom. Vai lá. Eu só vou precisar do microfone. Só que fala no microfone pra gente traz gravação. É que eu vejo esse que como a doutora tava falando ali a respeito da pesquisa, né? E uma coisa que foca muito essa essa demanda de violência, como sempre tem comentado aqui, né? quando você levantou essa essa demanda. E aí eu continuei dizendo que é muito importante esse grupo continuar assim firme, constante, fazendo esse debate muito voltado à questão da educação, né, Fernando, começando pelas escolas, né, como ela falou ali, né, começar a atuar com as escolas, levando o perigo que corre essa demanda tão cruel de violência. contra a mulher. Isso já se tornou um fato até assim como como costuma dizer, fato de ódio, né? E esse ódio que alguém provoca lá bestamente assim, ninguém nem sabe até que ponto podemos dizer uma um homem que que vem fazer uma violência tão grande com a mulher, né? Começando como a doutora falou ali um pouco antes, né? no discuto de no a questão de eu acho que não é política o que tá acontecendo é politicagem. Chamar mulher de nomes feio durante uma campanha política é uma coisa ninguém pode admitir, ninguém pode aprovar. Então, o que tem que fazer é isso mesmo, fazer essas reunião, começar a focar a educação em primeiro lugar, que é o que sempre Mariana com a Guida e a Paola tem falado. Eu acho até que a educação em si para divulgar ela tem que ser com trabalho, mostrando o trabalho que as mulheres fazem. Tipo assim, 7 de setembro, né, as mulheres se organizar, dia internacional da mulher, dia das crianças, mostrar as mulher mesmo na rua, como como vocês costumam fazer desc da cultura, an lá na praça, mostrando o trabalho que as mulheres fazem. Desde do de do bordado ante esse trabalho de artesanato, música, hinos de louvores a Deus, como tem tanta gente evangélico, mesmo sem ser evangélico, canta hino de louvor a Deus. Tá escrito na Bíblia que canta a Deus em todos os tempos e fora de tempo. Quem tem fôlego louva a Deus. Tem pessoa que tá fazendo confusão com música e louvor. sendo que a mesma coisa, a diferença da música e o louvor é a palavra e o sentido que vem dentro do sentimento de cada pessoa. Mas o louvor é música também, né? Você que foi comigo lá no seu Geraldo, né? No Bandeira, né? Um senhor de idade que ele tá até prontificando, viu Mariana, para uma vez por semana cantar música, louvor, moças tipo serpanejo, ali no ali de lado onde tem o cafezinho todo que muita gente nem sabe. O que precisa mesmo é divulgar vocês com trabalho focado à educação e à cultura. Aí deixa de homens ficar eh apontando nas mulheres aí falando até nome de feio dentro da Câmara Municipal, como a Mariana enfrentou ontem, como como Golias eh enfrentou Davi enfrentou Golias, viu, doutora? E vamos começar lá no Unicampo também fazer esse trabalho de juntar vocês mulheres e começar a fazer lá no plenário esse trabalho de divulgação de trabalho social, cultura e educação dentro de planejamento educacional. Eh, boa noite. Boa noite, Mariana. Antes de tudo, eu quero agradecer o convite que veio num momento bastante oportuno pro Conselho Tutelar, inclusive numa semana bastante desafiadora para nós em relação à violência de gênero e que nos forçou depois de uma agenda tão intensa quanto foi a de hoje, eh, vir aqui. E eu fico bastante feliz em escutar, né, a iniciativa aí do mandato, fazendo essas provocações pro município, essas colocações, porque elas dialogam diretamente sobre dois pontos assim muito caros, né, para nós como conselho que eu separei para trazer aqui hoje, né, porque quando a gente olha pros nossos dados, pros nossos números, pros nossos atendimentos, eh muitas vezes aquilo que é quadriculado como negligência familiar, né, eh trope peçam nas mulheres, porque a maior parte das famílias são chefeadas por mulheres, né? As crianças e os adolescentes são responsabilizar responsabilidades quase que exclusivas das mulheres, sejam por mães ou por avós, e elas se vê numa condição extremamente desamparada. Então, se tiver essa oportunidade, eu preciso trazer a necessidade da gente dialogar nesse setor de forma intersecretarias, porque hoje não é possível a gente olhar para uma mulher vítima de violência, né, eh, violências graves, severas, com medidas protetivas e você eh identificar uma situação de evasão escolar por conta dessa situação e escutar do município de que não há direito. violado e que, portanto, não existe condição de se ofertar uma nova vaga escolar, eh, porque não existe direito violado da criança, né? Porque dentro das prerrogativas já previstas eh no direito, todos os pontos estão atendidos e daí ignora o fato da condição de violência dessa mulher. A questão da medida protetiva não é considerada ao fazer essa análise nem a negativa pro próprio conselho. E o conselho precisa judicializar uma coisa que envolve justamente a subjetividade da questão e ela é invisibilizada porque dentro da leitura não há direito violado. Mas quais são esses direitos que a gente tá considerando para fazer essa avaliação, né? O que que a gente tá pensando? Então quer dizer que a segurança dessa mulher, ela não tá sendo prevista para caracterizar uma violação de direito. E daí a gente vai mais uma vez responsabilizar essa mulher pela evasão escolar, porque ela tá dando conta de sobreviver, de se manter viva e não garantir esse direito eh escolar dos seus filhos, porque o próprio estado tá eh eh negando uma nova possibilidade, uma nova condição de organização dessa mulher neste novo contexto, né, que ela precisa de um amparo, precisa aí de uma rede de apoio. Então, eh, dialogar sobre essa temática e essa condição intersecretaria no município, ela é mais do que urgente. Infelizmente a nossa realidade hoje é de casos eh judicializados, porque a gente não encontra um suporte das políticas públicas da nossa cidade, considerando a realidade eh de violência da mulher. E o outro ponto que eu queria trazer, vou pegar aqui, senão eu me perco e falo demais. Eh, ele é sobre a violência de gênero nas escolas. Esses números têm nos assustado, ele tem nos chegado em volume assustador e de considerando o território do dois que ele passa, né? região norte, região sul, região sudoeste. A gente tá falando de um território que cruza a cidade e nós temos recebido de todos todas as pontas e são situações que nitidamente se vê legitimada pela por esse contexto, né, da marchafera nesses cyberespaços e [roncando] que vão sendo reproduzidos por crianças, por adolescentes em um contexto de naturalização dessa violência. Perfeito. A palavra é essa que me faltou aqui, [risadas] naturalização. [roncando] E o que mais nos chama a atenção é a relativização pautado na religião, muitas vezes pautado eh naquilo que se considera valores morais das famílias e que quando a gente vai falar sobre e essa conquista, né, que é tratar essa condição no currículo escolar, eh eu penso e fico bastante preocupada sobre a regulamentação disso. Porque a gente também precisa dizer o que o que que conteúdo é esse que precisa ser trabalhado pra gente não cair naquele lugar, né, de só fazer ali um uma passagem muito simplória pelo pelo 8 de março e a gente chegar na essência da problemática, porque por muito tempo eh e daí, gente, quando a gente pega a situação de evasão escolar de uma menina de 13 anos sendo justificada pela família, Porque ela não pretende entrar na universidade pública porque é lugar de Balbúrdia, mas ela está se preparando para ser a esposa troféu. Isso é um problema de saúde pública e não dá pra gente só tratar na condição de segurança. A gente precisa fazer aí o um um uma transversalidade entre as políticas, porque isso precisa ser olhado na sua máxima. E se a gente não olhar nesse lugar da formação dessas crianças e desses adolescentes, a gente só tá dizendo que aquilo que eles acessam nas redes sociais, que que é gravíssimo, isso a gente já sabe, a gente não tem um contraponto da formação como sujeito social. E a gente já escutou isso, né? muitos atores eh conservadores aqui da nossa cidade dizendo que a escola não é para isso. E daí ignora inclusive quais são os objetivos da escola quando ela surge lá, né, na na sua essência lá em 1900 bolinha, que que não era inclusive o primeiro objetivo não é para pro mercado de trabalho, mas é pra sua formação cidadã, né, pra sua vida em sociedade. Então, dizer e e trazer os elementos chaves dessa formação, ela é muito urgente, porque esse discurso de ódio tem se esbarrado em outras situações de direito e não dá pra gente achar razoável, justificável uma evasão escolar, porque a menina de 13 anos está em busca de ser a esposa troféu perfeita, que atende aos os requisitos da caixinha, né, exposta na internet e achar razoável o dentro da da sua eh dos seus valores morais, dos seus princípios e e etc, é aceitável, é justificável. E daí quando você vai fazer um um uma intervenção com essa família, essa família ela chega a utilizar inclusive da própria Bíblia para justificar uma ação como essa que, né, gente, vamos ter aí sérios impactos nessa nova geração. Então, falar sobre este contexto na escola e pautar sobre exatamente do que se do que se deve, né, quais são as preocupações eh nessa agenda escolar, ela é urgente e necessária. Muito bom, muito importante essa fala. Nossa, muito bom, muito bom. Adorei. Até porque eu fiquei me lembrando que eu nós falamos, eu tava com uma amiga fazendo essa pesquisa na ilha do Marajó [roncando] em breves e nós fomos recebidos pela Secretaria de Educação, pelas delegadas. Os únicos que não nos receberam foram conselho titelar. É grave. Por quê? porque tá acomunado com os outros poderes. Então, a tua proposta acho fantástico, Cíntia, quem quiser mais falar, gente, eh, eu queria trazer uma reflexão de uma história que eu acompanhei de violência doméstica, que talvez a Mariana até saiba porque o Edou, que é assessor dela. É, e é um caso que eu acho que é pra gente refletir da dificuldade que muitas mulheres têm de denunciar e dificuldade assim burocrática, não tô falando de do psicológico, que é uma outra questão. E como tem toda uma estrutura misógena. Eh, esse caso chegou para mim porque eu sou do Juntas, do coletivo Juntas e eu faço parte de alguns grupos de mulheres. Então, eh, chegou numa pessoa, ela me pediu ajuda, eu fui ajudar. Mas a história era de uma mulher que primeiro ela é estrangeira, ela não é brasileira e ela veio para cá e ela estava sofrendo violência doméstica por esse brasileiro. Então ela já estava isolada geograficamente. Eu acho que isso já é um alerta, porque isso é muito comum, tá, assim, dos das mulheres, dos caras isolarem, não só das redes de contatos, mas geograficamente mesmo, de levar a mulher para outro estado, para outro país, aí você fica sem recurso. Ela não trabalhava porque o cara não deixava, ela estava vivendo praticamente em cárcere privado. E assim, era um caso que ela queria denunciar. Ela sabia que tava errado, sabe? Já tinha ido toda aquela questão de ter medo de denunciar. Ela queria denunciar, mas ela não tinha para onde ir, porque ela tava sem, sem dinheiro, sem passaporte. Ela não conhecia ninguém, porque ela estava em cárcere. E aí quando daí a primeira vez que ela tentou denunciar e eu não sei nem se foi ela que chamou a polícia ou se escalou e aos vizinhos chamaram, os policiais chegaram lá, eram amigos do marido dela e aí falaram que era melhor ela se resolver com ele porque ela não tinha para onde ir. Já começa a ir, né? você tenta denunciar e você imagina como foi aquele dia para ela depois de ouvir isso e ela, ah, acho que esqueci de falar, ela tem dois filhos, então já complica mais, né? Como que você que não é só ela simplesmente virar as costas embora e os filhos. E aí ela vivia isolada, ela não tinha contato, mas ela conseguiu um contato, se eu não me engano, acho que foi com uma vizinha dela que tava ajudando. E aí eu não sei exatamente como, mas ela conseguiu pegar um celular velho do marido dela para tentar se comunicar com a gente, só que ela mandava mensagem assim só quando ele não tava em casa, então era muito difícil. E aí ela queria denunciar e quando chegou em mim o casa, ela queria ajuda para sair do Brasil, porque era imediato assim, né? Ela tava preocupada em pegar os filhos e sair, ela chegou pedir ajuda com a imigração, só que escalou, foi assim, do dia paraa noite, escalou a situação de violência e ela acab ela, o cara expulsou ela de casa aí, só que ele expulsou e falou: "Estou indo na delegacia te denunciar por abandono dos seus filhos". E aí você já imagina que o cara era amigo do do policial, né? né? Então ele deve ter conseguido, então ele tava ameaçando ela contra com usando os filhos para ameaçar, o que a gente sabe também muito comum, só que aí nesse dia ela ela saiu de casa e ela foi denunciar e aí começou toda uma saga porque ela precisava denunciar e ela precisava de uma casa de acolhimento porque ela não tinha para onde ir. E a gente começou a tentar conseguir casa de acolhimento e assim ela era uma pessoa sem recursos, mas ela conseguiu dar sorte, entre aspas, de conseguir pessoas que tinham mais recursos, que tinham conhecimento. E mesmo assim foi muito difícil. E eu falo que eu fiquei no telefone, acho que o dia inteiro, ligando para seama, ligando para apoio da prefeitura, para tudo quanto é lugar e cada um, cada um me jogava pro outro, falava: "Não, porque isso é na delegacia, não, porque você na seama, não sei o quê". Aí quando ela chegou na delegacia das mulheres, eh, ela conseguiu denunciar, só que falaram para ela que elas, eles só dão abrigo quando a pessoa está ameaça, a vida da pessoa está ameaçada. É. e não entendi o que era isso e que era esse o caso dela. E aí, só que aí a gente insistiu, aí foi o momento até que eu conversei com a Ed, que a S Mariana, ele falou: "Olha, tem que ser na delegacia porque senão a gente não consegue". Eh, daí tudo bem, eu falei para ela, vamos, daí a gente até falou, vamos tentar voltar na delegacia, só que ela já tava lá. Eu falei: "Se não der certo, eu vou juntar uma galera, a gente vai embando na delegacia, vamos fazer dar certo", né? Porque assim, a gente e a gente queria que ela conseguisse o abrigo pela prefeitura porque a gente sabia que assim, se ela trouxesse para ela pra minha casa, não ia resolver os problemas do filho, não ia resolver todos os outros problemas. Então precisava ser pela maneira, né, legal. E aí depois ela conseguiu o abrigo, mas foi toda casa abrigo, né? É. É. E aí ela conseguiu no final, então pelo menos isso. Eu não sei mais o que aconteceu porque quando ela vai para essa casa a gente não tem o endereço, ninguém tem. Então uma casa sigilosa. Mas enfim, mas foi todo um caso. Eu acho que é uma reflexão de como é difícil denunciar, né? Como é difícil. E e assim eu não estou criticando a existência da delegacia da mulher do SEMA. Acho que são órgãos muito importantes, mas de entender como esse tratamento, como a vítima, ela é quase culpabilizada de novo. Ela policial falou para ela: "Você se vira, aceita que você tem aí". Ela não precisaria pra delegacia. O Seamo poderia fazer esse encaminhamento. Então, pois é, eu tenho até todos os prints da mensagem do que o Seama falou para mim, porque eles falaram para ela que tinha que ser pela delegacia. Eu já achei um absurdo, mas ela conseguiu denunciar. E aí, enfim, só que é uma reflexão também de primeiro, eu acho que a Mariana não vai saber falar melhor do que eu, mas que tem um desmonte de verbas também, porque eu entendo que a delegacia também, o governo do Tarciso tirou a verba do apoio à violência eh para as mulheres. Então, eu entendo assim que é horrível falar isso, mas eu sei que eles não têm realmente recursos para ajudar todo mundo. Não deveria ser um problema, mas é, então isso é uma questão, mas tem toda a questão da dessa misogenia tão enraizada. O cara tinha certeza da impunidade, porque ele é amigo dos policiais, ele tava com toda certeza que ele ia denunciar ela. Olha o nível que chega, né? Então eu acho que eu trouxe esse caso mais pra gente refletir e pensar como que a gente pode ajudar essas pessoas, né? E tem primeiro tem o papel do estado, o estado foi falho com ela, né? E ainda assim no final só teve um final feliz, entre aspas, porque ela conseguiu chegar pessoas com recursos, porque se ela não chegasse na gente, que é o caso de milhares de mulheres, ela estaria até lá, até hoje lá, até ela realmente morrer. Então eu só quis trazer essa denúncia aqui, porque eu fiquei muito inconformada. Eu queria fazer alguma coisa e eu não sabia o que fazer. E eu acho que é isso assim, né? Mesmo a gente que tem coletivos, tem contatos, às vezes não tem o que fazer. Eh, a Cibelle, depois a Dafne. Todos vocês estão me ouvindo? Eh, eu sou da assessoria da vereadora Guira Caslista, né? E a gente tem vivido momentos que nos trazem muitas reflexões dentro das nossas vivências, né? Eu sou educadora social, né? Tem uma uma atuação na rua e nas periferias há 9 anos. E todas essas falas, né, me coloca questões muito estruturais, né? Uma crise humanitária eh desumanizada. né? Eh, exatamente um paradoxo, né, de de conceitos da sociedade com eh o com o que é a hipocrisia, né? O que o que é o projeto de sociedade que não se concretiza, né? o que tá previsto na Constituição não é seguido. Então, as meninas são violadas eh nos seus direitos desde a sua, desde o nascimento, né, desde da da violência obstétrica das mães, né, das mulheres negras que não conseguem chegar no se de forma alguma, né? Eu tenho algumas experiências na proteção básica e na alta complexidade da assistência social e de que eu tenho todas as provas cabíveis de que a política pública não funciona, né? Não não não assessora, não acolhe, não acontece de fato, né? E aí eu fico pensando, né? Eu eu eu fiquei muito revoltada essa semana porque a gente tá eh num período em que a gente deveria est falando sobre a PL, né, que a que a vereadora apresentou, eh, de implementação das políticas públicas em combate ao feminicídio, eh, baseada no proposto pelo Pacto Brasil, baseado no que tá sendo proposto na Lesp. Então, é uma proposta pro município, né? E essa reação, eh, a reação dos reds tá maior do que das mulheres, né, no nesse sentido. Então, a gente não conseguiu se mobilizar em prol de estruturar o que tá desestruturado, né? Então, essas são coisas que e quando eles aparecem a gente para tudo, né? A Mariana, então, nossa, virou, ficou uma fera. O que que eu tava discutindo mesmo? Ah, e a Guida também e a Paula também, né? As vereadoras eh são, não tem como, né? não a gente não se afetar, né, com a proposta de um ser de vir até o seu local de trabalho para intimidar, né, para ficar rindo da cara das vereadoras, para ficar e e para ficar cometendo o o pior tipo de violência que é a psicológica, né, que é a a esse de ficar desqualificando as pessoas, né? são pessoas que são eleitas legitimamente. Então, a gente chega num num lugar de estafa mental por ainda mais assim, né? Eu que tenho um uma propriedade em dizer da estrutura, né? Sabendo que a estrutura não funciona, a gente vem pro legislativo para, né, ajudar a formular isso. E aí acontece esse tipo de coisa, você fica, meu, e daqui pra frente, né? né? Acho que a gente só não para, eh, não pensa em parar porque a gente não tem essa alternativa, né? Nós temos filhas, nós temos crianças que estão vindo aí, que a gente, e eu e eu só estou aqui hoje porque eu sou esforço das minhas mais velhas, né? Eh, a gente trabalha desde sempre, né? Nós negras, né? Então eu ontem eu fui conversar com com o mais velho, ele eh falou assim: "Nossa, mas você tá muito tomada por tudo isso e tal". Falei: "Sim, eu tô porque parece que a gente tá nadando, né, e nadando e nadando. E a gente precisa chegar num num denomin a gente precisa criar pautas únicas, né, que nos una nas nossas diferenças. Não é possível que as mulheres, né, lidas como de direita, né, queiram ser mortas? Essas são as perguntas, né? Eu acho que a gente precisa começar a fazer o trabalho de formiguinha novamente, assim como foi, né? Eh, não que o racismo esteja exterminado, mas a gente tem hoje mecanismos de enfrentamentos eh mais politizados, né, em volta de políticas públicas nessa questão das mulheres, né, que é um absurdo também 2026 a gente ter que fazer isso, né, mas eu não vejo outras alternativas que não continuar lutando em volta de políticas públicas, de pautas únicas. que nos coloquem todas, né, em no mesmo lugar, né, mesmo com o feminismo negro interseccional, eh mesmo com todas as diversidades, esta questão do feminicídio é uma questão que nos une. Então a gente não sei, gente, não sei o que que a gente precisa mais, né? Além de paciência, força e coragem. Você falou do trabalho de formiguinha. É isso. Nós estamos tendo às vezes dá uma certa exaustão, não porque tipo assim, gente, eu sou feminista, eu luto pelas pautas feministas há mais de 40 anos. E aí eu fico pensando, não, tá? E o que aconteceu? Claro que aconteceu muita coisa, né? Mas é que a gente, esse retrocesso, eu entendo como retrocesso no período Bolsonaro foi pesado. Isso foi uma porrada, né? Foi uma porrada muito grande. Mas o trabalho de formiguinha é isso. Olha, eu tenho uma para mim, isso aqui não é nenhuma coisa teórica, eh, mas eu tenho para mim o seguinte, né? Educação é algo que a gente tem que investir, né, Mariana? Professora, uma proposta. Vamos deix Vamos ouvir a as depois volta pro retorno. [música] Ah, tá bom, tá bom. Desculpa. Não, tudo bem. Não, eu não queria te cortar. Eu não queria cortar, mas é só pra gente fazer aqui porque aí a gente volta para encerramento, tá bom? Para dar tempo de mais pessoas falarem. Pode ser ali. É a dá a a Débora. Eh, vou ser rápida para dar tempo de todo mundo falar, encerrar, mas eu tenho pensado muito, eh, até pensando nesse trabalho de formiguinha e tudo mais, eu tenho pensado muito sobre o papel dos homens nesse lugar, né? Eu acho que a Mariana colocou que as mulheres conseguiram avançar um pouco nesse senso, apesar de um certo retrocesso no último período, mas as mulheres conseguiram avançar um pouco essa consciência. sobre o papel e tudo mais. E eu fico pensando sobre o envolvimento dos homens nisso, né? Eu acho que desde nossos colegas parlamentares, homens que estão aqui, por exemplo, ou até um homem que não se vê dentro de uma organização política mais profunda, mas que ao mesmo tempo não compactua dessa lógica dos redill, por exemplo. Eu tenho pensado muito sobre como envolver essas pessoas. Eu acho que o o nosso trabalho de formiguinha vai ter que de alguma forma guiar isso. A gente não quer se colocar como as professoras, mais uma vez as mulheres tendo que explicar como que funciona, tendo que guiar o homem em ser menos machista. Mas, infelizmente, eu acho que é um pouco disso. a gente vai ter que nesse trabalho, eu acho que os os projetos, tanto o projeto protocolado pela Guida e agora o projeto que a gente tá colocando, eu acho que são projetos que se propõem a levantar mesmo essa questão da base da educação, de falar com meninos jovens que vão se tornar homens, mas também de tentar de alguma forma retomar e esse trabalho com homens mais velhos também, porque eu acho que tá muito complicado, né? né? Eh, o meu companheiro usa muito o Reddit porque ele gosta de ver coisas de tecnologia e afins. Ele perdeu a conta e criou uma conta nova ontem. É pavoroso porque ele selecionou os interesses dele. Nenhum dos interesses dele envolvia mulher, envolvia qualquer outra coisa. E a cada duas publicações, uma é um post de apelo sexual, colocando uma mulher totalmente em posição de objetificação. Então eu fico pensando, a gente precisa envolver tudo isso de alguma forma, sabe? Então só colocar no ar mesmo, porque eu acho que a gente não pode perder isso de parâmetro de em algum momento a gente vai ter que agir como as professoras de novo, porque é isso, retrocedemos. Débora, eu vou fechar as inscrições na fala da Débora. Quem quiser falar, tá bom? Microfone tá aberto. El, boa noite. Eh, meu nome é Débora, eu sou chefe de gabinete da vereadora Paola. Eh, bom, acho que fiquei pensando um pouco sobre todo todo esse processo assim que a gente vive aqui dentro da Câmara, assim, Mariana que é a decana das vereadoras, porque a que tá aqui mais tempo, já passou pelo processo de ser a única mulher em muitos homens aqui presentes. E a gente tem hoje a Câmara com a legislatura com o maior número de mulheres, né? Cinco em 33. Nossa, super quantidade. [risadas] Mas não fico pensando muito sobre isso, porque todas as vereadoras aqui, de alguma forma já sofreram violência política de gênero. assim, a violência política de gênero se tornou um instrumento do fazer política eh pros homens e um instrumento e não só pros homens de direita, assim, é porque a gente tem uma realidade muito específica aqui na Câmara de Campinas, mas eh virou uma forma de fazer política dos homens. A violência política de gênero, ela é um instrumento, ela é uma forma de você dialogar como os homens dialogam com a gente a partir da lógica da violência política de gênero. Eh, os homens de esquerda também em muitos ambientes. Então, eh, eu fico pensando muito sobre isso, assim, eu que tô falando do lugar de assessoria é muito difícil. É, às vezes eu saio daqui com a minha cabeça, eu não consigo dormir quando eu chego em casa. A Mariana já relatou isso também, que ela passa muito por isso, mas eu chego em casa, eu não consigo dormir, porque a gente ouve tanta coisa absurda. A gente a gente ouve muita coisa absurda no na tribuna, a gente ouve muita coisa absurda também ali nos bastidores, a gente ouve muitas coisas absurdas eh nas na galeria ali no no público. Então é um é um processo muito muito duro assim e e muito violento. E eu acho que a gente é muito difícil pensar como que sai disso. E eu eu não sei se a resposta vai vir daqui, porque eu não acho que essa é uma resposta que tem que ser nossa, porque é muito interessante a gente pensar que nós estamos aqui num ambiente onde talvez eu conheça, não sei se todo mundo, mas boa parte aqui, e nós somos pessoas progressistas de um campo progressista, né? Então as pautas progressistas nos interessam. Então nós estamos dialogando sobre o conjunto das pautas progressistas. Nós estamos falando sobre direito à mobilidade urbana, nós estamos falando sobre direito à saúde, defendendo o Sul. Nós estamos falando sobre eh acesso a políticas públicas na assistência social, educação libertadora, mas na hora e aí somos todos, né, parceiros nessa nessa luta, homens e mulheres, né, do campo progressista. Só que quando chega na hora de falar sobre a pauta das mulheres, essa luta não é dos homens não estão irmanandados com a gente nessa construção e nesse debate de uma pauta que é deles, não é nossa, porque a violência não é uma pauta nossa. Nós não estamos praticando a violência. Nós não somos a responsável pela pelos feminicídios. Nós não somos responsáveis pelo aumento do índice de violência contra a mulher. Não somos nós estamos usando violência como instrumento eh na política. Essa é uma pauta dos homens que nós temos que absorver. Então, a gente fica sobrecarregada eh de novo na dupla jornada da militância, que é a pauta geral e a pauta, né, dos homens, não das mulheres. Então, fico pensando muito sobre isso e pensando como que a gente eh, enfim, sai dessa calacrada, porque não foi a gente que entrou nesse lugar, nós somos colocada nesse lugar. Essa pauta, ela foi empurrada pra gente, ela foi construída pra gente e em todos os momentos, em todos os os momentos decisivos, essas pautas se tornam eh ai essa pauta é secundarizada porque a gente precisa falar daquilo que é central, que é do direito da classe trabalhadora. Eu sei que nós temos que falar disso, mas é que eu também sou uma trabalhadora, também faço parte dessa classe trabalhadora. Então, acho que eu tô querendo falar um pouco sobre como as como a luta essa luta pelos direitos das mulheres como sujeito tem se tornado inclusive subjulgada porque nós temos outros temas centrais para discutir. Nós não podemos falar das questões relacionadas às mulheres trans, porque isso prejudica o debate da esquerda. Nós não podemos falar sobre as questões relacionadas aos direitos sexuais e reprodutivos, porque isso é pauta polêmica. Eu não sei sobre o que que eu posso falar, então, sabe? Então assim, que lugar que nós estamos? Então, acho que eu queria trazer eh também essa reflexão que não é não tem não tenho esperança nenhuma de ter saída, mas acho que é trazer um pouco essa reflexão, porque eu acho que a gente pensando junto a gente constrói saídas, constrói processos, enfim, e de repente a gente muda um pouquinho ali os o chão e o pedacinho que a gente pisa, assim, acho que é isso. o Elvis e depois quem se inscreveu a Virgínia. E aí a gente volta, professoriara e a gente caminha paraa conclusão. Olá, boa noite. Eh, primeiro eu gostaria de agradecer o convite feito ao Conselho Tutelar 2, eh, e também prestar aqui a solidariedade, né, a vereadora Guida e a todas as vereadoras e as assessoras que sofreram violência aqui nessa casa e as mulheres que sofrem violência dia a dia, né, nessa sociedade, principalmente em Campinas. que a gente percebe e vê diariamente. É, com a fala da professora e as falas que foram feitas aqui, eu fui até dialogando com a Anália aqui falando assim: "Nossa, isso me lembrou um caso, isso me lembrou outro caso". Porque no Conselho Tutelar, apesar da gente lidar o dia inteiro com situações de violências com crianças, essas situações de violências com crianças muitas vezes são situações de violências com mulheres, porque as mulheres são a base do cuidado. Então, assim, como foi colocado pela Anáia, que a quem faz o cuidado e a permanência dessas crianças são, em sua grande maioria as mulheres e muitas vezes solo, né? E aí a gente tem situações de violências extremamente graves, né? Então, eh, me recordo aqui de de diversos casos que a a fala da professora me fez lembrar, né? eh, chega do corte de cabelo, raspagem da cabeça, né, numa situação de de colocar a mulher mesmo numa situação em que ela não eh demonstrarse mulher, porque o corte de cabelo na raspagem é para isso, né? Olha, você e a até a situação do feminicídio, né? Hoje mesmo a gente tava discutindo um caso em que a situação levou ao feminicídio, né? E assim, eh, são situações que batem diretamente e o tempo todo com a situação da criança. E aí isso quando não leva a violência vicária, que é a situação onde o homem pratica violência para atingir a mulher, né? Eh, pratica violência contra a criança para atingir a mulher. Ué, o caso daquele cara que matou que matou os filhos. Exatamente. É muito mais comum. Então assim, quando a gente pega isso, a gente pega de monte e e a gente tá falando de, como foi colocado pela Mariana, né, numa cidade como Campinas, né, que vem trazendo esses rastros dos barões que que a cidade marca. E agora um movimento muito forte de Redpill que se desencadeou, como foi colocado pela professora, na campanha contra Dilma, começando de lá a campanha para Bolsonaro, que libertou esse movimento nas redes. E hoje, né, quando a gente fala disso, a gente fala que nós adultos já temos aí alguma mentalidade sobre isso, algum posicionamento, algum ponto de vista. Quando a gente pega com crianças, ainda eh dia 17 agora passou a valer a lei Felca, né? Então, a lei, né, sobre os meios digitais, o ECA digital passou a valer. Então, mas quando a gente pega eh o condicionamento disso nas crianças e nos adolescentes, ele é muito forte, porque a gente tá naturalizando o comportamento dentro das redes sociais e as crianças e os adolescentes passam a maior parte do tempo nas redes e não nas ruas. E quando isso chega naturalizado nas escolas, a gente vê comportamento eh de agressões sexuais dentro das escolas, praticadas por meninos contra meninas. Eh, a gente vê a indução de meninas para que se prostituam, né? Então isso é muito forte nas redes sociais e o comportamento dos meninos agressivos quanto as meninas. Então assim, eh, a questão da educação, quando a gente discute aqui na Câmara Municipal para que se tirem eh diretrizes paraa política municipal, a gente precisa falar da educação municipal. Eh, e a e essa é uma situação que vem ocorrendo e muito. Acredito que a lei Felca agora, o ECA digital vai contribuir com isso, porque acaba eh restringindo alguns conteúdos. Mas Campinas, acho que vai ter um debate também sobre a lei Felca aqui no município puxado por outra comissão, mas Campinas precisa tirar diretriz para poder eh conduzir o comportamento dessas crianças e desses adolescentes, porque a situação que tá chegando é uma situação de naturalização, como foi colocado aqui, porque a vida dessas crianças ela migram, elas passam muito mais dentro das redes do que fora. E quando vai para fora, quando externiza, ela não sabe fazer outra coisa, a não ser agredir ou a não ser agir, como aprendeu dentro das redes sociais. E os pais muitas vezes se sentem limitados em corrigir, em apontar como é que vai fazer. às vezes não sabem como fazer, como lidar com isso. E o melhor ambiente para ensinar e para conduzir isso seria a escola, porque a escola vai mostrar a diretriz da da cidade. Eh, é basicamente isso, gente, que eu queria fazer o apontamento. Muito bom, Elvis. Virgínia. [limpando a garganta] Bom, eu primeiro queria me solidarizar com você, né, aí assessora da Guida e acho que a gente tá vivendo um momento de polarização novamente. Eu acho que é muito importante que a gente lembre, né, do que foi em 2018 e a partir de 2018 com a eleição do Bolsonaro. E agora o o a polarização é do Lula com o filho do Bolsonaro, né? Então me parece que assim as estratégias vão ser muito parecidas, né? E se lá a gente sofreu, eu como professora sofri perseguição em sala de aula por abordar a luta das mulheres, né, por cuidar das meninas na escola, orientá-las, reprimir os meninos quando eles agiam de uma forma inadequada. A gente vai ter que fazer isso de novo. Isso de novo. Nós eu entendo assim que ah, nós vamos precisar cuidar das professoras, porque essa perseguição, as ameaças, o cancelamento, ele gera uma autocensura também. a gente passa a pensar duas vezes antes de abordar um determinado tema, né? E acho que eu aposentei já alguns anos, mas eu percebo e entendo que nós vamos ter aí professores constrangidos, né? E como é que nós vamos trabalhar isso, lidar com isso? É uma categoria que tá extremamente oprimida pelo governo estadual. Eu fui professora de Funde um, né? Na verdade, fund educação básica, mas o fundamental dois. E foi ali que a situação de perseguição se deu. Viemos, tivemos até um, né, uma atividade aqui nessa câmara, nessa mesma sala. Mas eh o que que a gente percebe e hoje revendo o material, revendo alguns vídeos, a fala do Miguel Nagibe, né, Miguel, primeiro nome dele, que foi quem criou esse projeto do Escola sem partido, ele ele dizia o seguinte, pro Glober Braga, que a maioria dos professores era filhada ao pessol, né? E eu fiquei pensando, falei: "Ah, quem dera, né, quem dera, a gente ia ter, quer dizer, assim, até uma distorção da realidade para justificar algo que era uma censura, uma violência, né, e uma luta por poder." É aí que tá, é o poder. Esse rapazinho quando vem aqui, ele não faz isso em cima da Débora, da vereadora Débora. Ele tá indo para cima da Guida, né? Porque ele é de direita, ele vai agredir uma mulher de direita ou de centro direita. Eu acho que isso é muito importante que a gente tenha, né? A polarização tá aí, vai continuar e a gente vai precisar combater, não é? E assim, convencer pessoas de do que que é melhor, é aquilo, é a misoginia, é o incentivo ao ao fascismo. O que que é que a gente quer de sociedade? A gente tem aí uma história recente, né, que que nos desvela tudo isso, assim, toda essa essa luta por poder que sempre teve aqui no nosso país, né? Então, acho que é esse o nosso papel aí. E paraa luta, professoriada, para suas conclusões. Nossa, eu não posso concluir porque eu tô aqui refletindo, não, tô refletindo e aprendi um monte de coisas com as falas das pessoas, né? Mas eu queria retomar só a coisa da formiguinha, né? Eu acho que nós retrocedemos de um tanto que o trabalho de formiguinha vai ter que ser refeito. E eu sempre penso eh que nós temos três áreas eh paraa formação de uma criança, de um adolescente e até de um adulto, né? Nós temos a escola, que acho que é é o que se salva ainda. Hoje nós temos as a mídia, mas as redes sociais, né, que a gente achou no começo, vários pesquisadores achavam que no começo ia ser bom, é a democratização, todo mundo vai e fala o que quer. inclusive as mentiras todas que estão sendo ditas, né? E nós temos a família. E aí, eh, isso tudo, dizer, se juntar esses três, eh, eh, blocos é muito complexo, porque como a professora tava dizendo, né, tomara todos os professores fossem eh progressistas, né? E a gente sabe que muitos são conservadores e os que não são podem eh sofrer sanções. Isso eu eu tenho notícias, por exemplo, da PUC de Campinas. [roncando] Na família você tem toda uma constituição, né, que vem de longa data, mas que também tá perpassada. por uma outra categoria super importante que é a questão religiosa, né? Então não é para ser, porque na educação a gente pode defender o estado laico. Na política pública a gente pode defender o estado laico, mas na família não, né? Porque então a depender de como essa conversa entre esses três se dá, é o que vai ser a formação. Então agora eu acho que a coisa mais importante pra gente pensar e em debater com criança é essa coisa das masculinidades, dos red pills, do discurso de ódio, porque essa criança também tá sofrendo esse discurso de ódio. se ela é gorda, se ela é feia, se ela não tem o cabelo loirinho, dependendo da escola onde ela tá, eh, mesmo que ela esteja numa escola de periferia, aqui tem o cabelo loiro, suponho eu, que vai ser privilegiada. Então, é um, são esses debates que eu acho que a gente eh pode, deve fazer com as crianças para poder mudar eh o futuro eh com os adultos também, mas acho que alguns adultos já tão, né? Agradeço imensamente. Aprendi muito com vocês, com as conversas e a tua narrativa me lembrou uma série que chama Verônica. É uma série brasileira, né? Tá da Netflix. É, muito obrigada pelo convite, Mariana. E muito obrigada a vocês que escutaram aí pacientemente, gente. Eh, só fazer algumas conclusões e propor algumas coisas, né? Eh, primeiro eu acho que a Sibell matou a charada. Sibell, você deu uma frase que para mim resumiu muita coisa que eu tenho pensado e atuado, que é uma crise humanitária desumanizada. É porque nós vivemos uma crise humanitária, o apagão das políticas públicas proposital. Proposital. A gente aqui a gente luta, né, que as meninas do conselho, a gente luta, lutou pela vara de juizado de violência doméstica, luta pelo seamo, luta, mas é cada vez que a gente luta uma barreira se põe, né? Eu falo que é corrida de obstáculos. A gente vai corrida de obstáculos. A ideia é que assim, a política pública não é para funcionar, porque para você fazer a política pública, você precisa de dinheiro, de gente e de eh vontade de vontade e de e de um olhar, né? Um olhar. Então a política é um olhar, um olhar que essa não e essa coisa que ela falou a Cíntia, né? Eh, de a humanidade, como que é o direito desumanizado, desumanizada, tá gente? Desumanizada. Desumanizada. Por quê? Porque não vai me dizer que a política pública é feita da mesma maneira com olhar se é para brancos ou se é para negros. Você olha nos bairros. A justiça, quando nós, a justiça ela é extremamente bom, a gente viu o caso dos [música] desembargadores, pois pois quando a gente tava presidindo, a gente fez, teve uma CPI antifascista aqui em 2018, era presidenta, a Guida era a relatora. Naquela ocasião nós duas sofremos ameaça de morte, nós entramos com uma medida protetiva, nós sabíamos quem era o cara. O cara também circulava aqui, circulava nos gabinetes. Nós entramos com a medida protetiva para que ele não pudesse entrar nos gabinetes, porque em determinado momento a gente saiu aqui de uma reunião, acho que uma reunião da comissão da mulher descendo, damos de cara com o cara no corredor, entramos com medida protetiva, a justiça negou medida protetiva. Pois, Verônica é a porque a justiça ela é uma justiça machista. Mas o que eu quero dizer assim, a na verdade o desmonte completo da política pública, o desmonte da escola, atacar os professores, a militarização das escolas, todo esse desmonte da política pública proposital que agrava a crise humanitária e que leva eh e aí ela vai sendo naturalizada. Uhum. Porque nós temos primeiro porque vai se construindo essa ideia de que ah, as mulheres, isso é culpa das mulheres, porque professor é ideológico, porque não sei o quê. Então você naturaliza inclusive a completa destruição de qualquer política pública. E isso é um fenômeno internacional, gente. Não é só no Brasil, é um fenômeno internacional. está acontecendo em vários lugares do mundo. É o fascismo, é o imperialismo. Quando a a essa coisa, né, eu falo, digo muito, né, a partir da experiência lá na na Palestina, né, que eu a gente fez aquela experiência da ação humanitária. Para mim o que o genocídio contra o povo palestino é um laboratório. É meio que assim, se a gente chega até aqui, o a gente pode fazer qualquer coisa no mundo, a gente pode mais. a gente pode mais. É um laboratório, é um, é uma assim, é, para mim é a síntese da desumanização que nós chegamos aí. Sei que falamos muitas coisas ruins, mas eu quero aqui trazer um contraponto, porque eu acho que assim, ao mesmo tempo que existe essa crise humanitária desumanizada, isso tá em disputa e nós temos sinais, tem sinais acontecendo de que a humanidade vai resistir contra isso, né? a a ação que nós fizemos é que o Brasil o Brasil a gente tem temporalidades, né? O Brasil às vezes eh o um pouco da experiência, né? Tipo 25 anos de luta de luta política, né? A gente sempre vê que no Brasil as coisas chegam um pouco mais atrasada, sabe? demora um pouco mais para chegar, mas no mundo todo tá acontecendo processos extremamente importantes. A solidariedade com a Flotilha foi assim uma coisa impressionante. Mudamos a correlação, mudamos o entendimento do mundo sobre o que tá sobre o genocídio. O genocídio continua, não foi suficiente para parar a máquina de guerra, o imperialismo continua, mas o mundo hoje entende as coisas de outra forma. o processo de luta contra a polícia política, o nos Estados Unidos e as grandes mobilizações que estão acontecendo é um indício disso, é a resistência, a defesa do imigrante, né, que é é é a luta contra o racismo. Aqui no Brasil nós também temos temos sinais. Eu quero lembrar aqui do criança não é mãe. A gente emparou a extrema direita. A gente obrigou eles, eles estavam com medo. O Artur Lira teve que chamar uma reunião com todas as deputadas para dizer que ia arquivar o projeto. Na época a Sâmia, né, a Sâmia, eu sempre sigo o que a Sâmia tá falando, né? A Sia falou: "Não, não tem que arquivar, não. É só hora de votar. É votar agora, porque se a gente votar a gente enterra. Se arquivar eles vão eles vão coloc eles vão deixar na gaveta, né? E aí? E aí? Só que o Artur Lida teve que chamar uma reunião com as deputadas para dizer que arquivar o projeto porque ficaram com medo de votar porque a gente ganhou maioria social. Então gente, eu tô dizendo isso porque é um pé no saco. É assim, é um, né? A gente sai daqui, a gente luta, a gente enfrenta. É isso mesmo, né? a gente tem que enfrentar da do dos estupradores. É, exatamente, exatamente. Mas assim, a gente vai ter que enfrentar esse processo. Vamos ter que enfrentar. Eh, precisamos de estratégia, mas o que muda a correlação de forças é gente na rua. É gente na rua. Nós vamos ter que, eu acho, eu acho que a gente precisa se preparar e lutar por um novo levante. Talvez a gente tem que construir o ele não number two, [risadas] ele nós temos que nos preparar segunda temporada, segunda temporada, né? E ao mesmo tempo ir construindo, né? Então, tem a lei do Pacto Nacional, que é uma lei muito importante. A gente participou da do giro da ministra Márcia Lopes. Nós temos aqui em Campinas, a verdade é o seguinte, esse cenário que a Cíntia fala, tá tudo errado. As políticas públicas, nós, assim, a gente sempre reivindicou uma Secretaria das Mulheres. Qual era o nosso sonho, né? O nosso sonho era você ter uma secretaria que articula as políticas para implementar as políticas para, né, trazer o judiciário. Nós conseguimos a criação do Centro de Responsabilização do Autor de Violência aqui que tava parado. Conseguimos voltar agora, vamos conseguir voltar por meio de emenda parlamentar, vamos conseguir voltar, sabe? Mas assim, é só que a secretaria, a secretaria corrida de obstáculo, é corrida de obstáculo. A secretaria das mulheres não faz esse processo de articulação da de para salvar a vida das mulheres. Não faz. Não faz porque o governo, se a gente for pensar, Dário é alinhado de Tarcísio, que é alinhado assim, não é para acontecer, não é para acontecer, mas eu acho que a gente precisa dar respostas em relação a isso, né? Precisamos fortalecer as professoras, os professores, né? Precisamos, porque eu acho, gente, assim, a gente, para nós chega muita coisa, muita coisa assim, gente, problema, mas problema, problema, pipoca, problema, pipoca, às vezes dá até uma sensação ruim às vezes. Eu sempre tratia que dá uma sensação de impotência porque a gente não consegue resolver. A gente não consegue, a gente não tem, não tem força humana para resolver tudo, né? Não tem força política para resolver tudo. Mas eu acho que o que a gente precisa, a gente precisa construir que as pessoas tenham as suas as ferramentas ideológicas para resistir com relação ao que tá acontecendo. Nós precisamos as pessoas precisam de ferramentas políticas ideológicas para resistir. E nós vamos resistir, gente. Nós vamos resistir. E agora gosto desse otimismo. [risadas] É, é, na verdade não é tão otimismos, não. Eu acho que é mais a eh a ideia da contradição. Eu acho que eu sou eu me movo pela contradição e agora eu acho que a gente vai precisar debater assim, acho que esse é um início de um debate. Nós queremos propor essa discussão sobre o debate dos redillossosfera na rede municipal de educação pra gente fortalecer as professoras, pra gente discutir isso nos movimentos feministas, pra gente debater isso no movimento negro, em todas as coisas. a gente vai precisando construir as ferramentas ideológicas pra gente resistir com o Conselho Tutelar, a gente ir formando isso, porque isso para mim é preparação do levante que nós vamos ter que fazer e vai acontecer, nós vamos fazer, nós vamos, eu tinha, eu tinha uma vontade muito grande, sabe do quê? Que era ir para uma escola e fazer o debate com Redpill. Eu queria entender. Não é sério, porque não adianta a gente dizer: "Ah, são todos doidos". Eu já falei isso no começo, né? Mas eu quero saber qual é o argumento. Isso é um vício de pesquisadora. Sim. Qual o teu argumento? E aí e construindo com ele, né? vendo qual é o argumento dele e fazendo com que ele ouça o meu contraargumento. Eu não sei se isso é possível. Eles não vão te ouvir. É, eles vão te provocar para tirar você do sério. [risadas] Ah, muito difícil. É, mas eu acho que Olha, professora, eu acredito muito na antropologia, acredito muito na pesquisa de campo. Eu acho que a a a observação participante é fundamental. Eu também acho. Eu acho que assim, a antropologia consegue inclusive trazer elementos que a ciência, as as o conjunto das ciências não quer ver, né? E eu acho que é importante. Eu eu eu não, eu acho que uma junção da antropologia com a história também é interessante, né? Porque daí você vai entendendo aquele contexto, né? Primeiro você precisa saber qual é o contexto e depois saber como que se argumenta. Já deixa a proposta aqui, professora, da do PAGU, da Unicamp, organizar algumas coisas sobre esse tema, convidar os movimentos. a gente ajudando a convidar porque a gente tá precisando. É, mas é aquilo que eu te falei, eu acho que talvez seja mais fácil a gente ir pras escolas do que as escolas virem até nós. Claro, porque é isso, né? A gente vai lá uma passa uma tarde. Queria muito conversar com os réus. [risadas] Vamos lá, gente. Caminhando aqui pro final, quero agradecer todo mundo. A gente vai informando e e o que eu acho que assim a nossa proposta assim, vamos vamos debater sobre isso, vamos debater, vamos pensar estratégias, vamos elaborar, vamos testar algumas coisas, porque para mim política também é teste, né? A gente precisa testar. Hum. dá certo, que não dá certo, né? Eu me coloco à disposição, a Comissão da Mulher tá à disposição. Nós, eu conversei aqui com a Guida, a gente pede o apoio de das de entidades, conselho, né? Nós vamos fazer uma carta pra presidência, para em nome da comissão da mulher paraa presidência impedir a entrada desses caras aqui. Eh, e pedimos o apoio também da do conselho, porque aí é uma questão simbólica, né? Tem uma simbologia, né? Para que é uma afronta a todas as mulheres, né? esses caras ficarem aqui dentro tirando sarro, dando risadinha, eh, e nos afrontando, né, na nosso, no nosso espaço de trabalho. Eles nos querem fora. E o vereador Benelima, o vereador do Pele, disse isso na tribuna ontem. Eles nos querem fora, eles querem nos tirar daqui, mas pois bem, nós não vamos sair. É isso. Obrigada, gente. Ah, vamos tirar uma foto? TV Câmara, Campinas.
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