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Ponto de Vista | Vira-latismo cultural: por que o Brasil demora a valorizar SUAS obras?
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Ponto de Vista | Vira-latismo cultural: por que o Brasil demora a valorizar SUAS obras?

4.9k views Publicado 17/01/2026 HD · 42:26

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No Ponto de Vista desta edição, o debate mergulha em um tema provocador e urgente: o vira-latismo cultural no cinema brasileiro 🇧🇷🎥. Por que o público nacional costuma valorizar filmes brasileiros apenas depois do reconhecimento internacional? Por que produções premiadas fora do país ainda enfrentam resistência dentro do próprio Brasil? Para essa conversa profunda, reflexiva e necessária, o programa recebe Hamilton Rosa Junior, cineasta, professor e crítico de cinema, que analisa as raízes históricas, culturais, econômicas e estruturais que moldam a relação do brasileiro com o audiovisual nacional. 🎞️ Ao longo do programa, são discutidos pontos essenciais como: A formação do público brasileiro e o consumo massivo do cinema estrangeiro A ausência de uma indústria cinematográfica sólida no Brasil O impacto do marketing internacional na valorização dos filmes A dificuldade de financiamento e distribuição do cinema nacional A lógica dos editais, leis de incentivo e produção independente O papel da educação audiovisual desde a infância A importância dos cineclubes, cinemas de rua e espaços culturais públicos A desigualdade de acesso à cultura nas periferias O cinema como ferramenta de educação, reflexão social e transformação 🎥 O debate também aborda exemplos concretos de produções brasileiras, festivais, premiações internacionais e iniciativas locais que mostram que o cinema brasileiro é potente, diverso e necessário, mas ainda enfrenta barreiras para alcançar o grande público. 💡 Mais do que uma crítica, o programa propõe uma reflexão: como democratizar o acesso ao cinema, romper bolhas sociais e culturais e fortalecer a identidade audiovisual brasileira? 👉 Assista ao episódio completo, reflita sobre o seu papel como público, valorize o cinema nacional e compartilhe essa conversa com quem acredita que cultura também é cidadania. 👍 Curta 💬 Comente 🔁 Compartilhe 🔔 Inscreva-se no canal para mais debates do Ponto de Vista Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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Olá, [música] minha gente, sejam bem-vindos a mais um ponto de vista. Hoje nós vamos debater sobre o cinema nacional e o viralatismo cultural. Ao meu lado está Milton Rosa, é cineasta e crítico de cinema. Seja bem-vindo, Milton. Obrigado, Carla. Muito obrigado. Viralismo é um termo tão feio, né? Eu sei que é, ele vem lá do Nelson Rodrigues, né? Aquela coisa de todo brasileiro é vira lata, né? A gente gosta mais de ver as coisas, né? Que falam da gente lá no exterior, né? Tudo que vem do exterior é sempre muito melhor do que o que a gente tem. Exato. E no cinema a gente a gente se comporta muito assim, né? É, o brasileiro valoriza mais o sucesso do exterior. Aham. E aí ele começa a valorizar, por exemplo, o filme Ainda Estou aqui. Aham. Quando é indicado ao Oscar. Por que que a gente é assim? Eu acho que a grande questão que a gente tem sobre o público brasileiro é o seguinte, é formativo, tá? a questão formativa, porque assim, eh, desde pequeno, né, o que que chega massificado pro público é o cinema americano. É, então assim, desde pequenininho você tá lá, você tá vendo os desenhos da Disney, você tá vendo todo o mundo, os filmes de superheróis, né? Você tá vendo uma série de coisas que assim que elas não são eh da nossa indústria, né? E na verdade nós não temos indústria. Essa é a questão. O cinema brasileiro não é uma indústria, né? Ao contrário, por exemplo, do dos Estados Unidos que você você tem lá, você tem a Warner. Uhum. A Warner é uma empresa privada que produz filmes. A Disney é uma empresa privada que produz filmes, né? Só que eles têm uma penetração que é uma penetração que ela não ela não ela não ela não tá só no país, ela vai para todo lugar. Uhum. Né? Desde se você pensar desde lá do começo, né? E a Segunda Guerra ajudou muito depois aora quando acabou a Segunda Guerra, o que acontecia? Você queria ver entretenimento, ele vinha da onde? Dos Estados Unidos. Uhum. Né? Então assim, e não existe filme americano que não dê lucro. Se a gente pensar na questão da do inglês, né, que é uma língua universal Uhum. Isso é é também por esse motivo assim, ah, o inglês é uma é uma língua universal, então em todos os países, em todos os cantos, alguém vai entender o que o americano escreve. Não, porque na verdade não, porque na verdade o grande público assiste o filme dublado, começa por aí. Ele não vê o filme em inglês. O grande público mesmo brasileiro assiste o filme dublado, né? O filme é dublado. Ele chega dublado aqui. Agora a grande questão é que, como eu disse, esses filmes eles chegam aqui e assim existe todo um investimento, toda uma consolidação que faz com que a hora que que esses filmes cheguem aqui, eles sejam aceitos de uma forma que sem resistência nenhuma, né? Não existe uma política de reserva de mercado, né? E, por exemplo, pros exibidores, eu sou um exibidor, eu tenho um cinema. O exibidor ele ganha metade do que o do que que é do que é a bilheteria do filme, tá? Né? O filme chega para ele, metade do que do que der é dele e a outra metade ele, né? Ele ele manda e volta pros Estados Unidos, tal, porque o filme veio de lá. Uhum. Né? Só que aí o que acontece, eh, o americano ele chega já com todo o marketing, com tudo pronto, com todo esse combo, esse combo preparado com filminho, né? Vem um filminho de, sabe que não tem assim, né? Nem um, né? Um sei lá, um um filminho, sei lá, um filme de terror, por exemplo, de segunda categoria, chega aqui, faz muito mais sucesso do que um filme nacional. Por quê? Porque o filme nacional o que acontece já é uma dificuldade para você conseguir fazer. Se aonde que você vai encontrar, por exemplo, indústria privada, vou dar um exemplo para você, ó. Quer ver? Eh, eu tô com dois projetos que foram aprovados agora pelo pela leianê. Uhum. Tá. Um é um desenho animado, né? E o outro é um é um um longametragem, um documentário em longametragem. Os dois para para começar lei Ronê não é assim, você chega lá e fala assim: "Ó, eu tô com um projeto aqui e eles aprovam e você vai atrás de captação". Tem o espírito de um edital. Você passa por uma peneira para conseguir Uhum. entendeu? conseguir o direito a ir nas empresas, né? E levantar o dinheiro junto, captar o dinheiro junto às empresas. Que que a empresa ganha com isso? Ela ganha duas coisas. Uma é a isenção de imposto de renda e a outra é a exposição da marca dela. Uhum. Mesmo assim a assim não é facilitador, porque quando você ganha uma lei ruan, você tem um ano de prazo para conseguir levantar o dinheiro. Se você não ganha, se você não consegue em um ano, você tem que renovar, você tem que fazer de novo, passar e passar de novo para conseguir no ano seguinte. Uhum. Né? E aí, ó, vou dar um exemplo para você, ó, para você ver como que, né, a coisa, né? Eu tô com esse desenho que eu vou fazer, chama uma florzinha chamada Maia. É um desenho ecológico. É a história de uma flor, de uma margarida. Essa margarida, ela sonha que ela anda pelo jardim e joga sementes dela pelo jardim. Essa é uma história, como eu sou professor, foi uma história que eu inventei para contar pras crianças para falar sobre polinização. Uhum. Né? Por quê? Porque a gente sabe que a polinização é feito pelas abelhas, pelas, né, pelas formigas, porque a flor ela não tem ela não tem como se mover para espalhar. Sim. Como que ela espalha? Ela só pode espalhar pelo vento ou pelas ou pelas os os bichinhos que vem ali, entendeu? A formiga tal que que que fica toda polinizada e anda e espalha sementes. Só que quando ela sonha, ela tem perna e quando ela acorda, ela vê que ela não tem. E aí ela quer, ela quer ter pern. Ela fala pra mãe dela, a mãe dela fala: "Você nunca vai conseguir". Ela fala: "Mas mãe, você explicou para mim que tudo que a gente quer muito a gente consegue, né? E aí assim, essa história é maravilhosa. Eu conto pras crianças, assim, as crianças, professora, e depois que aconteceu com a Maia, na aula que vem você vai contar, né? Então assim, é um é você fala assim: "Nossa, que história legal, que bacana", né? Para falar de polinização, você criou uma historinha, né? Uhum. E só que aí, ó, o detalhe, para chamar, atrair ainda mais o o o produtor, né, o o financiador, o que que eu fiz? Como eu sou professor, eu fui na delegacia de ensino oeste aqui. Aqui em Campinas, a cidade é dividida em delegacia de ensino leste e oeste. É o o é o grupo estadual, estatal, tá? Você tem municipal, estadual, né? E aí eu trabalho na delegacia o eu falei com o pessoal da delegacia oeste, eles falaram: "Cara, vamos pegar esse desenho seu e vamos exibir na rede de uma vez só, na pré-estreia". A pré-estreia vai ser, né? 97 escolas, 37.000 crianças vão assistir ao desenho na pré-estreia. Não é atrativo? Opa! Eu acho que é super atrativo você ter sua marca, claro, né? você ter sua marca ali no mesmo assim você tem eh investidor que fica na dúvida se vale a pena, sabe? Você pode fazer um um livro de colorida da Maia, sabe? Você pode dar um caderno de colorir paraa Maia e, sei lá, ver com uma empresa, né? Então, quer dizer, e tem muitas possibilidades. Se fosse nos Estados Unidos, você conseguia facinho, mas aqui não é facilitador o audiovisual. Eu acho que existe um certo preconceito que a gente tá tentando quebrar. Eu acho que tá sendo quebrado. Era exatamente isso que eu te perguntava, porque assim, eh, às vezes me dá a impressão que a cultura no Brasil, por mais que, né, o Brasil tenha uma cultura muito diversa, me parece que ela fica como superficial quando as pessoas pensam em, "Ah, não, não vou gastar dinheiro com isso." A gente tem um um valor de cinema, né, que não é 100% acessível. Agora tem tido algumas promoções, né, algumas salas de cinema t feito aí propostas bem interessantes, mas ainda assim não é totalmente acessível ao público. Teatro, por exemplo, nem se fal ainda. Pior ainda. Será que essa é uma questão financeira também que faz com que o brasileiro também não valorize? Porque de repente ele pensa assim: "Pô, eu vou lá assistir um filme brasileiro que fala de muitas vezes, né? Ah, vai falar de política ou então vai falar, ah, de coisa que eu já sei, eu vou gastar para assistir um filme de fora que é mais interessante. Será que tem essa? Então, mas aí, ó, olha só, é uma questão complexa, tá? A gente não não pode chegar assim e dar uma receita, falar: "É isso e a gente resolve." Se fosse assim, já tinha sido resolvido, né? Eu acho que primeiro já primeiro que acontece é o seguinte, como eu falei, eh você tem que ter um trabalho formativo com o público, né? Eh, vou dar um exemplo. A gente, a maioria das pessoas vai assistir filme por passatempo, por entretenimento. As pessoas não vão assistir filme por cultura. É, para pegar a cultura. É verdade. Elas vão para entretenimento, para passatempo, né? Ah, é um passatempo que eu vou ver, entendeu? é um entretenimento que eu vou ver, né? Então aí já é um préonceito que a gente tem. Sim. Uma outra coisa é que assim, uma coisa meio até insensata e que eu falo direto isso com com os educadores, eu converso muito com os educadores sobre isso, eu falo assim: "Olha, a o nosso ensino hoje tá errado porque a gente ainda continua na escola acreditando que o mais importante pro aluno é aprender a ler e escrever. É importante aprender a ler e escrever. É, é importante a ler, escrever, mas hoje em dia é importante também você ser educado a ver. Todo mundo hoje tem celular. Todo mundo hoje vê mais do que lê. Nós todos a gente é você tá lá o tempo inteiro, você tá vendo, né? Agora existe uma existe a educação para você ler e escrever, né? Existe uma educação para você aprender a ver. Deveria existir nas escolas, inclusive educação para isso. Devia ter a matéria de audiovisual desde pequeno para as crianças. Uhum. Sabe por quê? Porque o audiovisual, o ver é importante. É, mas você você tem que ser educado também, aprender a ver para não ser manipulado. Exatamente. Porque assim, o ver sem educação, você não tem educação para ver, para entender o que existe por trás daquela imagem, você é muito mais fácil. é muito mais fácil de manipular. Então assim, que nem, por exemplo, marketing consegue fazer isso muito bem, é muito hábil. Uhum. Tá? E aí, veja, eu não estou falando mal do marketing porque eu, por exemplo, eu dirijo comerciais. Eu dirijo comerciais, dirigiram centenas de comerciais, né? E aí quando a gente tá preparando comercial, o que que a gente vê? A gente tá vendo como é que a gente vai atrair essa pessoa, o que que vai tornar isso interessante para ela, qual é o atrativo que a gente tem que procurar. O cinema tem que fazer a mesma coisa, né? Uma coisa que que eu fiz, por exemplo, recentemente, eu fiz uma amostra na Unicamp, lá na Dunicamp, tá, né? Qual que era o objetivo de fazer a amostra da Dunicamp? Era de reunir o maior número de diretores daqui da região de Campinas para exporem o trabalho lá, né? para mostrar que a gente tem um trabalho que é consolidado aqui e que muita gente não sabe que a gente tem, né? Então o que que eu fiz? Eu levei 17 filmes, foram 20 diretores, né? E a gente exibiu os curtametragem dessas pessoas, né? Desses diretores, desses cineastas. Tem muita gente que faz filme em Campinas, eu não sei se você sabe disso, eu sou dos do da câmara temática do audiovisual, que é a CTA V. Uhum. Faço parte da camp, a nossa mala direta de cineastas daqui da cidade de Campinas. Nós temos 245 cineastas na grande Campinas. 245 com uma produção anual de 100 filmes, sem curtametragens por ano, né? Aonde que esses filmes estão sendo exibidos? Uma boa parte faz o filme e põe na gaveta. Nossa, entendeu? Porque ele vai exibir o filme onde, né? Ele consegue exibir no miss, né? No cinema ele não consegue porque ele tem que pagar. Exatamente, né? Um aluguel de cinema para você fazer uma sessão é R$ 2.000. Caramba. Tá. Não. E e assim, dependendo do lugar, é mais caro ainda. Uhum. Entendeu? Agora, como é que você vai recuperar isso? Você vai levar um curtametragem, você vai cobrar das pessoas. Você vai cobrar das pessoas para ela ver um curtametragem de 15 minutos. E aí são dois pontos, né? Você vai cobrar, vai ter alguém para pagar também. Também, também é isso. E aí, então, que nem, por exemplo, o que que eu faço com os meus filmes? Eu cobro, mas sabe o que eu faço? Eu vou de eu vou de lugar em lugar, bato na Sabe, é bem assim mesmo, sabe? Eu faço é trabalho de formiguinha, mas aí o que que eu faço também quando eu tô fazendo o filme? Eu já tô fazendo campanha do filme na nas redes sociais. Uhum. Aí começa a escrever matéria a respeito. Gente, olha, esse filme vai falar da nossa comunidade, vai falar a respeito disso e disso e disso. Uhum. Né? Venham assistir, ó. Eh, tá vendo essa atriz? Ariz ela é daqui da região. Ela pode ser sua vizinha, sabe? E você vai ver um filme que é genuinamente feito aonde? Esse filme é feito aqui na sua cidade. Uhum. Sobre problemas que você vive na sua cidade, né? Eu loto, duas, eu loto duas salas, sabia? Cada vez que eu vou fazer o filme, eu loto duas salas e todo mundo paga. Olha que interessante, porque você é que assim, eu passo o filme, normalmente eu passo making off junto, então não é só o filme, né? Tem o filme, tem o makingof e depois tem o debate com os atores, com o elenco, com com a equipe que que tava envolvida com o filme. Então, que é um ponto interessante também, né? O brasileiro gosta disso, né? Que é uma coisa mais próxima. né, de quem está ali, quem exato, no dia a dia do filme, né? E aí agora vamos falar assim, como você estava falando assim, ai para ver um filme brasileiro, tal, por que que o Alto da Compadecia foi um Auto da Compadecida foi um fenômeno? Foi um fenômeno. Levou o grande público. Uhum. Né? você vai falar que ainda estou aqui ou você vai falar o agente secreto são film quem tá indo assistir esses filmes é é um pessoal que tem que tem informação e que tem uma certa cultura ali e que tá envolvida com os jornais e tal, mas o grande público, o grande público não sabe que se perguntar o agente secreto por eh na periferia, ninguém conhece, ninguém sabe. Agora você perguntar quem que é o Superman, qual que é o próximo filme de superherói, todo mundo sabe qual que é. Examente. E por que que todo mundo sabe? Porque o filme vem e já vem com todo um marketing envolvido. Quando quando, por exemplo, o cinema americano, quando ele vem e vocês falam assim: "Ah, o filme custou 200 milhões." 100 milhões foi o dinheiro do filme, os outros 100 milhões é o marketing. É, é pra promoção do filme. Sim. Não é com o filme, entendeu? Eles já põe que o budget do filme ele já coloca esse valor, né? Agora nós aqui, você vai fazer filme, como que você faz? Você tem que concorrer em edital, né? Você tem que concorrer na no Proac. Aqui em Campinas você tem que concorrer no FIC. Uhum. Né? são os locais onde você vai encontrar eh subvenção pro seu trabalho. Ou então você faz uma vaquinha e faz um filme independente, filme de guerrilha mesmo. Uhum. Sabe, às vezes assim, cada um ganha um simbólico, só aluga os equipamentos, entendeu? E faz o filme. Acabei de fazer um filme assim. Sim. Foi na vaquinha. Hamilton, por que que o público ainda espera que um filme seja aclamado lá fora, que foi o que aconteceu com Ainda estou aqui? Aham. Para daí começar a valorizar? Eu imagino que o mesmo pode acontecer com agente secreto, porque foi assim também. Sim. Central do Brasil. Sim. Quando começou Central do Brasil, ninguém dava muita importância. Ninguém, né? Mas ele ganhou, ele ganhou, ele ganhou Berlim. Então, quando ele ganhou Berlim, se tornou um filme que todo mundo queria ver. Eu acho que é nesse ponto que que as pessoas aindam comentam, né? Ainda comentam sobre essa questão do viralatismo, que é um termo ruim para nós, né? Não acho nem saudável, mas infelizmente a impressão que dá é essa. O brasileiro meio que espera ele se destacar, o filme brasileiro se destacar para dar aí falar: "Opa, pera aí, tem um monte de gente vendo lá fora, estão comentando do filme, então significa que presta? É, não é uma é falta de cultura no Não, não, eu não sei se é falta de cultura. Eu acho que é é a próprio, a própria curiosidade. Quer ver? Eu vou dar um exemplo para você daqui da nossa que aconteceu essa semana. Tem um filme brasileiro feito aqui em Campinas chamado A que a gente respira. Ele ganhou cinco prêmios essa semana, inclusive melhor filme no festival, entendeu? O filme daqui agora já você já fica curioso. Claro. Você já fica, pô, pera aí, o ar que a gente respira ganhou cinco prêmios, ganhou melhor filme, melhor diretor, melhor ator, né? Melhor direção de arte, melhor roteiro. Pô, esse filme deve ser bom, né? A Lu Chagas, que é a produtora, que que ela vai fazer? Ela vai tentar surfar nesse nesse momento. Claro, ela vai tentar surfar, né? Ela tinha exibido o filme lá na Dunicamp e o filme foi bem, foi muito bem exibido lá. Fez duas exibições lá, assim, teve público, tal, não sei o quê. Agora, se ela fizer uma nova exibição, vai lotar de novo. Vai lotar de novo. Então, veja, o negócio do do da arte, ela sempre ela tem que ser envolvida com alguma atração. Uhum. Antigamente, por exemplo, os os teatros, antigamente na frente dos teatros, os atores ficavam na frente e faziam algum número para chamar as pessoas para dentro do teatro. Era assim que era assim que era o trabalho que era feito. E aí a pessoa tava passando, pô, deve ser interessante, tal, pô, fiquei curioso, vou entrar lá para ver, né? Então assim, tem que ter alguma coisa que chame a pessoa para isso. No caso do Walter Sales Júnior e também do Cléber Mendonça, né? Conheço os dois, tá? Eu trabalhei em São Paulo, né? O Cléber inclusive é jornalista. Uhum. Ele é jornalista do Recife, né? Era crítico de cinema, tudo. E eu conheço os dois e assim, o que que eles sempre fizeram? Eles sempre não, assim, eles eles começaram com os longametragens deles. Nos curtas não, os curtas faziam por aqui mesmo, iam nos festivais. Mas os longas desde que começou eles eles exibiam primeiro lá fora. Eles exibem primeiro lá fora. Exibe o filme lá fora e depois traz para cá. Por quê? Assim, mesmo que o filme não ganhe prêmio, só a exposição internacional já dá um é uma estratégia. É uma estratégia. É uma estratégia. Se o Kéber tivesse feito o agente secreto e jogasse ele direto no mercado brasileiro, ele ia morrer na praia. O filme não ia. E tem um monte de filme brasileiro muito bom, muito bom. Talvez até melhor do que o agente secreto e o e o Ainda estou aqui. Talvez até melhor e que assim que passa pelo nosso circuito, a gente nem presta atenção. Então, e aí eu te pergunto, eh, até assim, nesse momento eu pergunto para o professor Hamilton, não, para o cineasta, será que falta um pouco? Quando eu falo falta de cultura, é assim, de ensinar o que você disse no começo, ensinar os alunos, as crianças de desde pequeno mesmo, a ver, a entender o que é importante, a conhecer o nosso produto, o nosso trabalhoum, porque às vezes mostra só o que é lá de fora. Na minha época de infância, tudo bem, eu só tinha Disney. É, mas hoje não. Não, até porque hoje a gente tem Netflix, a gente tem um monte de stream que facilita muito também, né? Sim, sim. Mas tem um outro, uma outra coisa que a gente faz, eu sou curador lá no Ms, né? Eu trabalho, faço uma, tenho uma curadoria dentro do Miss chamado Pérolas Escondidas do Cinema, né? A minha curadoria é uma curadoria de trazer o quê? Só filme estranho para cá. Então eu trago filme estranho assim, no sentido de forasteiro, né? Né? Então, tipo assim, filme da Ucrânia, filme da Grécia, sabe? Filme do Egito. Uhum. Eu faço isso. Filme, filme lá da região da Arábia Saudita, né? Filme japonês, filme irlandês, né? Então, assim, eu vou pegando filme canadense, filme mexicano. Ess a semana passada eu exibi um filme de terror mexicano lá na na minha sessão, né? E aí assim, aí você fala assim: "Nossa, mas quem vai querer ver isso? Quando acabou a pandemia, o Miss estava fechado, né? A gente voltou pro Miss e falou assim: "Gente, será que a gente vai conseguir trazer de novo o público para assistir filmes?" Que o público desacostumou, né? E aí a gente começou, né? A gente tinha uma sala em cima, ficava aqui no primeiro andar, era uma sala de 32 lugares, né? E aí assim, a gente foi na Secretaria de Cultura e o pessoal falou assim: "Olha, eu acho que meou, vocês não vão mais conseguir". E sabe, né? A gente falou: "Não, vamos nós vamos nós vamos tentar e nós vamos, né?" E a gente acha, aliás, que vocês têm que reformar, vocês tm que pegar aquela sala Glober Rocha que tem ali embaixo, né? E restaurar, restaurar não, eh, terminar ela, porque era uma sala que tava em obras, mas não tinha sido terminada. E era uma sala de 96. Só para que que eles vão construir uma sala de 96 se a sala de 32 tem dois, duas pessoas que vão, três pessoas que vão? Para que construir essa se já tem essa aqui? Ah, aliás, fechar essa aqui, diminuir em dois porque, né? É porque, né? Porque aí o que que a gente fez? Não tem a a o movimento cineclubista de Campinas envolve 25 curadores. Eu sou um, tem mais 24. Aí o que que a gente resolveu fazer? Cada um na sua sessão. A gente começou a pôr os filmes, fotografar e colocar o número de pessoas que iam e começou a crescer. No primeira semana foi três, na segunda semana foi sete, na semana, terceira semana foi 10, na quarta semana foi 20, sabe? Então assim, interessa pra comunidade, interessa. Se a comunidade sabe que tá acontecendo, ela vai, né? Chegou um ponto que começou a lotar a sala. Daí a gente começou sabe fazer o quê? Duas sessões. Porque porque só tinha 32 lugares, fazia uma, terminava, fazia o outro, né? Já tinha aquila lá esperando aí assim, ó. Ó, precisa fazer, precisa fazer a Glauber Rocha funcionar. E é o que que a gente tem hoje. Hoje a gente tem a sala Glauber Rocha de 96 lugares lá. Esse é um ponto que também interfere porque assim, no Brasil não tem tantas salas de cinema, né? de salas e o número de pessoas. Sim, sim. Falta bastante sala, né? Sim. O que é preciso é você horizontalizar, né? Você permitir que todo mundo tenha acesso, né? Mas que nem o cara que lá do Campo Belo, o cara do satélite íris, ele tem dificuldade até de pegar o ônibus para vir aqui pro centro. Com certeza, né? Pro centro não, né? Porque no centro não tem cinema. Sim. Você tem cinema no shopping só. Exatamente. E era isso que e é um ponto também, né, que a gente precisa considerar. Essa pessoa do Campo Belo, nem sempre ela vai ter condições, tempo. Uhum. Uhum. E talvez ela nem se sinta confortável em, por exemplo, frequentar um cinema do Iguatemi. Também tem esse detalhe também, né? Porque e a gente sabe que os shoppings acaba sendo dividido por públicos também. Sim. Filtra. Filtra. É um filtro, né? É, então para essa para essas pessoas precisaria ter também. Por isso que você tem que horizontalizar, você tem que dar um jeito de horizontalizar. Se não dá para você, se não dá para ele vir, você tem que fazer lá. E de que forma? Então tem as, tem os céus, né? Os céus é uma possibilidade, né? Os espaços dos céus que tem. Por exemplo, o um bairro como Campo Grande. Sabe quantas pessoas tm o bairro do Campo Grande? 30.000 1000 pessoas moram no Campo Grande. Olha o público que você pode ter aí. Olha o público, né? Então assim, e tem que buscar formas dentro do miss. Você falou de criança, a Claudinha faz a sessão pipoca de domingo. É. Então o que que ela faz? Ela exibe filmes no domingo para para que e o que acontece? Os pais não tm onde levar as crianças. Aí vê que tem a exibição do filme, ela faz o quê? vai lota, lota a sessão e ainda ganha pipoca, sabe? Então assim, para a criança fica maravilhada de ver um negócio desse. É muito diferente de você ir num num cinema, num lugar que tem uma tela e que você tem um um grupo de pessoas que tá compartilhando aquela energia, né? Porque no cinema a gente compartilha uma energia, né? A massa toda fica emotivamente, né? ligada naquilo que tá acontecendo. Eh, dá uma sensação diferente. Diferente de você ver um filme, por exemplo, no na televisão. É totalmente diferente. É totalmente diferente, né? No cinema você, né? É um neguzes, né? Você fica ali, você fica assim virado diretamente para aquilo. O diálogo é direto, né? Em casa não. Em casa você levanta, vai na geladeira, entendeu? Vai fazer não sei o que e tal. Depois volta, você perde um pedaço do filme, mas tudo bem. Não tem, não é a mesma coisa. E sabe que assim, o o filme ele também pode ajudar, principalmente se a gente considerar crianças, né, a moldar as personalidades. Sim, né? Claro que cada filme, os filmes inclusive t, né, a a indicação etária justamente para isso, né? Sim, sim. Mas como isso é interessante, né, você mostrar pras crianças até um filme que seja um pouco mais político. Uhum. justamente para para ensinar mesmo. Hoje hoje eu tava conversando com uma professora na PUC, ela falou assim para mim: "Amilton, mas você não acha?" Olha, outro dia eu exibi, né, para um grupo de de crianças aqui na PUC, né, de de filhos de de, né, eu exibi um chapeuzinho vermelho e no final o lobo não foi castigado, o lobo foi perdoado. Você não acha que isso daí tá vai afetar os valores do Eu falei assim, eu acho que você tá enganada, sabe por quê? Eu vou te falar, eu acho que esse esse tipo de coisa, essa transformação que tá acontecendo, ela é importante pelo seguinte. Antigamente a gente viu o lobo e o lobo no final ele era punido, era, né? Só que todos nós temos um lado sombra. Aham. Todos temos. Então o que acontece quando quando o nosso lado quando a gente faz alguma coisa que é uma coisa errada, entendeu? O que que acontece com você? Você acha que você tem que ser punido e você além de ser punido, você se sente culpado. Uhum. Só que assim, nós somos seres humanos. Exatamente. Humanos erram. Seres humanos. Então, por que Colobo não pode errar, entendeu? E aonde fica aquela história da segunda chance, né? Exatamente, né? Aí vamos partir então pra questão do, por exemplo, dos dos presos, os presidiários. Hum. O cara tá lá na cadeia, meu, ele vai pagar a pena dele e depois ele ele vai tentar se reintegrar na sociedade, ele vai conseguir. É como é que é isso daí para existe uma culpa que fica em você e que você não consegue, se você ficar, entendeu, com essa percepção de de punição, existe uma culpa que vai ficar com você pro resto da vida, que você não vai superar. Uhum. Né? Então, eh eh essas coisas, eu acho que são evoluções, são evoluções de você entender que assim, todos nós temos esse lado. E aí, o que você entende, né? Qual é o seu ponto de vista quando a gente se depara com um Brasil que ele espera ainda um certo tempo para valorizar as suas obras? Como tem acontecido essa estratégia? primeiro exibe o filme lá fora, depois o filme chega aqui, então aí ele já chega com uma certa fama. Aí que o brasileiro fala: "Opa, vale a pena?" Porque lá tão comentando bem: "Ah, foi indicado ao Oscar". Como é que você julga esse comportamento mesmo do brasileiro de parece que a gente é estrutural? A gente tem que mudar a estrutura. A gente tem que mudar a estrutura das coisas, porque como eu disse para você, por exemplo, ano passado ainda estou aqui, ganhou o prêmio lá fora. O melhor filme brasileiro que eu vi o ano passado foi Malu, que foi um filme que nem passou em Campinas no cinema. Não passou no cinema em Campinas. Para mim, o Malu foi o melhor filme que eu vi, brasileiro. Oeste outra vez, outro filme que é maravilhoso, entendeu? E que assim não chegou aqui em Campinas. Você só vai ver no streaming quando ele sai no streaming. O Malu, por exemplo, não tá no streaming ainda. Uma coisa assim, sabe? Filme é maravilhoso. É melhor que eu ainda estou aqui, entendeu? Então assim, é é é estrutural, porque a gente tem que mexer nessa sociedade de tal forma em que a gente democraticamente horizontalize isso. E por onde a gente começa na política? seria na na na questão de de de criar, né, políticas públicas, políticas públicas para você desenvolver, que nem, por exemplo, a gente tem aqui o Wagner Romão. Uhum. né? Que ele entrou aí aí e que que ele tava que que ele uma das coisas que ele tava fazendo era o quê? Discutindo a possibilidade um estudo de se ter um cinema, né? Um cinema de rua no centro da cidade. Sim, né? Ele tá discutindo, isso é um estudo. Claro, esse estudo obviamente eles estão deliberando e tudo mais, mas assim, quem que pode investir nisso? Como poderia ser feito isso? Uhum. Entendeu? Então são coisas desse tipo. Da mesma forma que tem que ter um cinema no centro, tem que aproveitar de repente os céus e começar a exibir filmes nos céus. Isso. Até porque Campinas é muito grande, né? Campinas cresceu demais. periferia, olha só, na periferia tem cineastas, né? Aqui no Oziel tem o Pec. O Pec eu levei um filme dele lá no no na doicamp. Ele olhou para mim e falou assim: "Cara, que gratidão que eu sinto por você". Eu falei: "Por que, Pec? Cara, você você me trouxe aqui na Unicamp, olha, sabe? Você me trouxe na Unicamp para mostrar um, sabe, um filme que eu que eu fiz lá e e, né, lá no Uhum. E e assim, o nome do filme dele é F O D A F O D A S E. Eu não vou traduzir para você, mas é isso aí que tá. Se você pegar isso, você vai ver o que que é. E é um filme que o que que ele faz? Ele tem um monte de palavrão. Ele fala um monte de palavrão. A revolta da pessoa que tá lá e que não é assistida é a região dele. É a realidade da região que ele mora, que ele vive. Tem um lugar aqui chamado Gleébabê. Hum. Que é do lado do Oziel e fica a 500 m do Royal Palm. O Royal Palm é o lugar mais luxuoso de Campinas, extremamente dois opostos, né? É, é luxosíssimo. Isso é o Brasil luxosíssimo. Vai ver uma diária para você ficar lá no Royal Palm para você ver, né? Aí do lado tem a gleba B. Na gleba B eles não têm saneamento básico. Pior do que não ter saneamento básico. A o o caminhão do lixo não sobe para pegar o lixo. Eles têm que descer a ladeira 300 400 m para depositar o lixo lá embaixo pro caminhão passar e pegar, né? Eu tô te falando isso pelo seguinte, conhecimento de causa. Por quê? Porque eu acabei de fazer um filme lá, sabe? Eu acabei de fazer um filme naquele lugar. E aí não tem como você fazer um filme daquele lugar olhando apenas para o Royal. Sim. Falando só das histórias do Royal. Não tem como. Então não tem como. Sabe como, né? Como? E é assim, é curioso porque aqui você vê, né? Toda criançada, tudo brincando assim, né? Assim, muito. Eles são assim a comunidade, né? Uma comunidade muito, sabe, ali lutando, sobrevivendo. E lá no fundo você tem aquilo lá que é um obelisco, sabe? É um E aí é o Brasil e a gente não é o Brasil que tem muros. A gente precisava derrubar esses muros. É tudo muito hierarquizado. Uhum. As pessoas mesmo eh você vê pessoas que assim, a não vou me misturar, é eu não vou me misturar. Como assim você não vai se misturar? Nós somos todos iguais. ao mesmo tempo que exige que esse público ou o público de um modo geral vá até uma sala de cinema. Como é que essa pessoa vai como essa pessoa vai se não tem nem ônibus que não tem nem ônibus que leva ela, ela vai ter que ir, entendeu? Para chegar lá. Então é uma Então, então aí como é que como você é estrutural, como é que a gente precisa resolver estruturalmente, né? Um país só avança, Carla, só avança se todo o povo avança. Não existe esse negócio. Ah, nós somos subdesenvolvidos, somos e vamos continuar. Por quê? Porque existe uma mentalidade coronelista. Uma mentalidade coronelista. Porque assim, tem a elite, depois tem a classe média e depois você tem 80% da população que é pobre, que mora na comunidade, né? E não, e não, e não se dá chance de ascensão para essa Uhum. né? Vai ver a educação como é que tá no estado e no município para você ver a educação é é pública. É muito difícil porque tem que ter investimento, tem que ter muito investimento, né? Então, se não tiverem esses investimentos, se não não não se pensar nisso, entendeu? A gente nunca vai crescer, a gente nunca vai avançar como país, como sociedade e como pessoas, né? Porque a gente vai estar sempre olhando aqui a nossa volta. Como pessoas, como pessoas, só onde? Exato. Só na sua bolha. Só na sua bolha. Você tem que, sabe, você tem que que que é, sabe que que é isso aqui? Que que é esse mundo em que a gente vive? a gente tem que sabe, eh, veja, não é isso não é não é uma não é uma corrente, não é de uma corrente política que eu estou falando, é de uma sensatez, sabe? É a natureza. A gente para pra natureza evoluir, tudo tem que entender, tudo tem que tudo tem que ter água. Uhum. Né? Onde não tem água, vai ficar não vai não vai crescer, né? Não vai crescer. E aí o cinema tá nessa daí também. Como a gente usar o cinema como arma para educação? Exatamente. A o o a as pessoas que estão em determinados pontos, elas não têm nem ideia que um filme pode, sabe, educar. Ela pode educar, pode contar histórias que ela não conhece ou que ela conhece por um prisma e não por outro. Ex. Exato. Porque o filme ele traz isso, traz, né? Ainda estou aqui também. É, é isso. É uma história política que alguns viam de uma forma e passaram a ver de outra. Sim. Sim. Não. Então, mas tem muitos outros temas. A história que eu falei do Maia para você. Uhum. Né? A como explicar a polinização para uma criança. Exatamente. Você chega pra criança e fala assim: "Se não existissem abelhas, não existiriam flores". É. Mas explica para ela por que não existiriam flores. Uhum. Né? Por que que não existiriam flores? mostrar, né, a natureza que é tão importante, né, entendeu? Né, porque assim, a planta ela não sai andando, é, ela não fica jogando as coisas. Então, quem que faz esse trabalho para ela? É um trabalho coletivo. Sim, sim, né? E, e, e então são coisas assim que você mostra divertindo, entretendo, né? Mas por trás disso daí você tem os desenhos da Pixar, por exemplo, né? Os desenhos da Pixar são muito bons porque eles colocam questões eh educativas muito importantes. Sim, né? Um filme que nem, por exemplo, como Up. Up é um filme que fala sobre o etarismo, né? O senhorzinho velhinho lá, né? A a a sociedade vê o velho como um estorvo. É. E lá mostra, né? E lá mostra que não, né? Sabe a importância, né, que que ele acaba tendo na vida daquela criança que é uma criança carente, aliás. Sim, né? E e aí outro outros filmes, né? O o o como é que chama? O aquele da da da das consciências, o divertidamente sentimentos. Divertidamente é super importante. Super importante, né? Mudou o conceito de muita gente. Sim. a própria ideia de que assim, ai tem aquela que é a pessimista e tem a otimista, né? Todo mundo fica do lado da otimista. É a raiva, né? Porque as pessoas se sentem monstros. Ai meu Deus, eu tô com raiva e agora sou monstro. Exato. Então é a culpa, [risadas] a questão da culpa, né? E aí e aí que você pega e aí que acontece no final do desenho e é maravilhoso porque assim, no fim ele mostra que você precisa ter a pessimista. É para ter alegria, porque se não existia, se não existia o pessimismo, se não existia o negativismo ali, entendeu? Como é que a alegria vai aprender? Uhum. Então, precisa ter, né? Você precisa passar por certas coisas, por certos, certos obstáculos para você aprender, porque senão você não aprende. Uhum. Então assim, é é é maravilhoso isso, maravilhoso. Hamilton, te agradeço. Gostaria de ficar mais um tempo aqui. Teria vários temas, né, pra gente comentar tudo relacionado a filme, né, porque tem filme bomessa por aí, viu, gente? Tem, tem, tem sim, tem sim. Muito obrigada, viu, por você compartilhar seu ponto de vista, por trazer essas informações e parabéns pela forma que você lida com seus alunos. Ai, obrigada, obrigada. Disponha. Obrigada. Muito obrigada. [risadas] Obrigada a você também que nos acompanhou pelas telas. Esse foi mais um ponto de vista. Continue acompanhando a nossa programação. Ciao [música] [música] [música] [música]
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