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Ponto de Vista | Streaming deve pagar imposto no Brasil?
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Ponto de Vista | Streaming deve pagar imposto no Brasil?

81 views Publicado 31/01/2026 HD · 52:14

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No Ponto de Vista, discutimos um tema que está no centro do debate cultural e econômico do país: a tributação das plataformas de streaming no Brasil 🎥💰. O programa analisa o PL 8.889/2017, que prevê a cobrança da Condecine sobre serviços como Netflix, Prime Video, Disney+, YouTube e outras plataformas de vídeo sob demanda. A proposta promete fortalecer o audiovisual brasileiro, gerar empregos e ampliar investimentos na produção nacional — mas também levanta críticas e preocupações ⚖️🎬. Para aprofundar o debate, o Ponto de Vista recebe Rodrigo Dias Dias, diretor de cinema, presidente do Conselho Municipal de Cultura e diretor do Instituto Taturana. Ele explica como funciona hoje o financiamento do audiovisual, os impactos da regulação, os riscos para a produção independente e os interesses das grandes plataformas internacionais. 👉 O programa aborda: Como funciona a Condecine O papel do Fundo Setorial do Audiovisual Produção independente x produções “originais” dos streamings A preservação da memória cultural brasileira O impacto econômico do audiovisual no PIB Os protestos do setor cultural e o debate no Congresso 🎙️ Um diálogo profundo, acessível e necessário sobre cultura, economia, soberania e identidade brasileira. 📺 Assista, reflita e compartilhe. 💬 Qual é o seu ponto de vista? Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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Olá, [música] [música] começa agora o programa Ponto de Vista. No final do ano passado, a Câmara dos Deputados aprovou e agora vai ao Senado o projeto de lei de número 8889 de 2017. E em 2002 2022 foi apensado o PL 2331 que prevê a cobrança de tributo sobre o serviço de streaming audiovisual. A proposta prevê pagamento da contribuição para o desenvolvimento da indústria cinematográfica nacional, o condescine pelos prestadores de serviços de acesso ao audiovisual com uso da internet, serviço de streaming, sejam gratuitos ou pagos pelo usuário final. A justificativa do relator, o deputado Dr. Luizinho, é que a medida vai mudar a história do audiovisual aqui no Brasil, que o projeto valoriza a cultura nacional e que vai gerar emprego e renda para os brasileiros. Abro aspas, vai colocar mais de 1 bilhão deais na produção do audiovisual brasileiro, independente de matriz ideológica. Fecho aspas. O texto recebeu críticas. Então, para nos ajudar a entender esta situação, a dar o ponto de vista sobre o que é positivo e negativo deste projeto, eu recebo aqui no estúdio o Rodrigo Dias Dias. Ele que é diretor de cinema, presidente do Conselho Municipal de Cultura, diretor do Instituto Taturana. Então, muito obrigado, Rodrigo, pela disponibilidade do seu tempo, ter aceito o convite para participar aqui do nosso programa. E antes do seu ponto de vista, contextualize para quem está nos acompanhando, né, como funciona hoje essa contribuição de streamings para o desenvolvimento da indústria cinematográfica nacional. Seja bem-vindo. Obrigado, Gabriel. Um prazer poder estar aqui e poder falar um pouco disso, né? Eu acho que tudo que envolve a questão do financiamento, a cultura e da regulamentação acaba sempre sofrendo muito por desinformação, né? a gente sofre ataques por causa da lei ranê e frequentemente a gente vê que os argumentos usados são muito errados, não é o que condiz com a realidade. Então acho que para começar vale vale citar um pouco de do histórico, do que que é essa organização do audiovisual, né? O audiovisual, ao contrário do que muita gente pensa, os recursos que são usados pelo fundo setorial do audiovisual são recursos que são produzidos pela própria indústria do audiovisual. Isso não vem do tesouro, não é não é isenção fiscal, ele é tudo a partir da Condescine, que é essa contribuição. Eh, e não, e todo mundo paga essa condecine em diferentes elos, assim, os produtores contribuem, as TVs contribuem, todo mundo contribui no na sua parte para gerar esse fundo que é o que é usado para financiar a realização do audiovisual, né, basicamente do cinema, mas também de produções audiovisuais voltadas paraa TV. Por exemplo, para ter uma ideia, eh, alguns anos atrás as as operadoras de de telefonia começaram a pagar condensine, porque entendeu-se que com avanço tecnológico os celulares tinham virado telas, então eles também exibem, por conta disso é cobrado também com decine por cada linha ativada. É uma quantia muito pequena, mas pela quantidade de linhas que são ativadas diariamente, né, ou anualmente no Brasil, o valor é significativo. O valor é bem significativo. Na época chegou praticamente a dobrar recursos que tinha no fundo. Então tudo isso é uma coisa que vem sendo desenvolvenda, desenvolvida há 25 anos, desde que a gente começa a reestruturar a partir da do renascimento da da retomada do cinema no fim dos anos 90 e e queria ser a agência nacional do cinema, né, no início dos anos 2000. e começa todo um processo de estabelecer marcos regulatórios dentro da indústria eh do audiovisual brasileira, tanto para como se produz como para como se financia e os mecanismos e as relações entre esses esses agentes. E o que é importante pensar que toda a a essas políticas públicas pensadas pro desenvolvimento do audiovisual são voltadas paraa produção independente. E aí vale também um parênteses importante, porque a gente costuma falar, ah, uma produção feita independente e e muitas vezes a gente vê isso nos cenários mais locais, quando se fala de curametragem e as pessoas usando esse termo independente como se fosse feito sem recursos. E na verdade não. O o o que é estabelecido pelo pelo critério da da agência reguladora é que produção independente é aquela produção feita por uma produtora cujos sócios não participem de uma emissora de televisão ou de de de rádiodifusão, tá? Ou seja, praticamente todo mundo é independente. Ah, e aquelas produtoras grandes que fazem os filmes gigantes são produtores independentes. Sim. Ah, e o e o cara que tá fazendo uma um coisinho curta lá em, sei lá, em Campinas, é produtor independente também. Então, também para tirar a ideia de que produção independente é uma coisa eh ou menor ou amadora ou sem recursos, é justamente o contrário. Eh, no mundo inteiro a produção que se estimular é a produção independente, que é o que garante que a gente tenha diversos pontos de vista. Porque quando a gente imagina, sei lá, a gente vê produções de televisão que são feitas pelas emissoras, podem ser muito boas, mas elas têm sempre um olhar de de onde elas são feitas. Uhum. E isso garante também a marca e por isso a consistência e a qualidade também são resultados disso. Só que são empresas grandes que estão ligadas a a a própria cadeia de rádiodifusão, venda de publicidade, não precisam desses desses incentivos para poder se desenvolver, enquanto as produtoras pequenas, para desenvolverem histórias, para fazerem às vezes documentários que parece que tem que é que são processos longos assim. Então, como a gente estimula para que a gente tenha esse audiovisual sendo feito em todos os lugares e por todos os tipos de olhares. Então, começa aí a ideia de de que tem que se desenvolver. E é natural que com a com a com a existência da das plataformas de de vídeo sobre demanda, né, os streamings, é natural que elas também entrem nesse jogo. Atualmente elas não tão estão fora de qualquer marcor regulatório e muito diferente de vários outros lugares do mundo onde essas regulações já existem, tá? também lembrar, porque às vezes eles fala de regulação como se isso fosse um tipo de censura ou tá amarrando ou tá tirando liberdade. E na verdade não é assim que se organiza para um crescimento industrial. E lembrando que o o audiovisual brasileiro, a produção audiovisual rendeu mais de 71 bilhões de do PIB do ano passado. Ou seja, é uma produção enorme. Ela gera mais empregos diretos e indiretos do que a indústria automobilística hoje em dia. E lembrando que todas as outras indústrias recebem aportes também para se desenvolver. O papel de um de um de um estado é também desenvolver os seus suas cadeias produtivas. Então, tanto a cadeia automobilística, a cadeia dos das energias, a as cadeias dos transportes, o agronegócio, todas esses todas essas partes tem contribuições, tem, digamos, fomento e financiamento e e estímulos eh estatais para que possam acontecer. E é natural que numa numa indústria também tão múltipla e diversa como a audiovisual, isso também aconteça. Rodrigo, eu ia te perguntar, né, que independentemente é do texto, porque tem pessoas que foram favoráveis ao projeto, pessoas que foram é contrárias ao projeto, independentemente deste texto, uma regulação, então, seria algo inevitável, pelo que você falou na sua resposta, precisa de uma regulação e depois vai se discutir o texto, né, na quantidade eh de porcentagem que deveria ir dos streamings, enfim, mas uma regulação inevitável. Isso é e isso eu não diria que é um consenso, porque isso é muito forte para dizer, mas existe uma visão já mais ou menos eh da maioria das pessoas de que é melhor a gente fazer uma regulação independente das críticas, porque tem que partir de algum lugar, é mais fácil você consertar uma regulação e aprimorar a regulação do que continuar num cenário de nada. E isso, por que que essa discussão surgiu? Porque fora esse projeto que que tá na Câmara, que passou agora pro Senado, existia um outro projeto do Senado também. Então, foram dois projetos que surgiram há muitos anos atrás e que demoraram muito para entrar em discussão. Eh, eu digo que nenhum deles era bom para o que a maioria das produtoras e produtores audiovisuais eh entendiam no momento, mas é muito difícil um processo de regular uma questão, uma tecnologia que é nova, eh mesmo o audiovisual com essa trajetória de regulação de de duas décadas, a gente ainda tem pouco conhecimento de como é a regulação específica. Isso gera muitos debates dentro do do circuito político, né, de deputados e senadores. Então, houve esses dois projetos, em algum momento houve essa vontade política que encaminhou que o projeto da Câmara fosse fosse levado adiante. E teve muita discussão, eh, muita pressão da da das produtoras organizadas, né? Existem várias associações que que que trabalham organizadas, né? que ficam lutando pelos direitos dessas produtoras, garantindo que isso aconteça, cobrando, né, da da própria Agência Nacional e do Ministério da Cultura para que tudo isso continue funcionando. Então, houve bastante esse processo de conversa, só que a gente teve um um ataque grande. É importante dizer que nada, nunca quando a gente tenta passar uma regulação ou qualquer lei dentro de um Congresso, as coisas são só bonitinhas assim, né? E obviamente as empresas de streaming que até então não pagavam nada, estavam surfando numa onda de não regulação e sabendo que no resto do mundo inteiro são reguladas. E o Brasil é o segundo maior eh mercado do mundo para esse tipo de de investimento, por causa da quantidade de de pessoas que tem aqui e também pela quantidade da internet como ela como ela realmente tem chegado a todos os lugares nos últimos anos. Então, teve uma pressão muito forte de um lobby dessas empresas, dessas eh empresas de de streaming para ir contra os processos regulatórios. E aí que começou a grande briga, porque o projeto realmente foi, a gente foi perdendo muita força enquanto produção independente para esse cenário. Então, hoje em dia o que a gente vê é que é um projeto que precisa acontecer, a gente vai ter que regular, mas existem muitas críticas e alguns pontos de crítica, eu acho que são mais fundamentais do que outros. Eh, e apesar de que precisa acontecer, a gente acredita que ainda é momento de discutir bastante no Senado, eh, para essas melhorias, né? Já já eu vou querer saber sobre esses pontos, então, né, o seu ponto de vista, o que que está sendo criticado, o que que é negativo, o que que precisa melhorar. Só antes este projeto ele fala sobre produção própria, né, para tirar todas as dúvidas, né, o que que é isso? tem que ser gravado no Brasil, só pode ter artistas brasileiros, a produtora tem que ser e brasileiro, não pode ter vínculo com empresa estrangeira. O que que funciona aí neste projeto para ser considerado aí de eh produção própria? É que é esse esse é o ponto mais crítico, né? Eh, teoricamente o tudo que vai do das contribuições acaba indo pro fundo setorial que investe somente em produção independente. Eh, o texto da lei tá prevendo que além de uma contribuição muito baixa, tá prevendo 4%, enquanto na França, por exemplo, é 20%, nossa, que além disso, grande parte desse desse recurso possa ser usado para produções próprias. E e é isso que a gente não concorda, porque a produção própria não é produção independente. Então você vai fazer, vai fazer um monte de séries ali, tá tudo certo, eles precisam acontecer. Só que, por exemplo, quando a Netflix, que é uma das maiores do ramo, oferece comprar Warner por 72 bilhões de dólares, a gente entende que não é falta de dinheiro que essas empresas têm. Então, por que tá recorrendo a um dinheiro que deveria ser eh para a produção independente? E aí entra um outro fator também que pouca gente entende, que quando a gente vê aqueles famosos originals, que todas as plataformas agora tm as produções originais que são as brasileiras, só que essa é mentira, elas não são brasileiras, elas são feitas por por mão de obra brasileira, feitas por produtoras brasileiras, mas o direito da propriedade intelectual não é brasileiro, porque fica sendo da plataforma. Então, grandes empresas são contratadas para fazer as as produtoras criam, desenvolvem as histórias, os roteiros, produzem tudo aquilo, só que elas não têm direito a nada. Então, se amanhã um executivo dessa plataforma decide que isso precisa sair do ar ou que eles têm que deixar offline por causa de espaço nos servidores, sei lá o quê, isso vai desaparecer. Enquanto tradicionalmente, se a produção é independente, então beleza, a essa grande streaming não quer mais deixar no ar, vai tirar do ar, eu vou ter o direito de vender para um outro canal. Uhum. E vou posso colocar em algum lugar. Existem regras desses desses contratos, só que atualmente isso que a gente chama de originals, que todo mundo acha que é produção brasileira, não é. E isso é um isso é esse é um grande ponto, porque deveria ser, porque a propriedade intelectual também é o que garante a gente de dizer este é um conteúdo brasileiro e como vai ficar na história e a gente fala de agora, do quanto a gente vai ter acesso às coisas. Mas imagina daqui a 50 anos. Então pensar a preservação do conteúdo que a gente produz, das histórias que a gente tá criando, é é patrimônio nosso, é uma relação de pertencimento que muitas vezes a gente tem um orgulho de ver uma série brasileira nesses streamings, mas que, pelo que você tá falando, não é tão brasileira. Exatamente. É super interessante. Só que o que deveria ser é que o direito deveria ser da das empresas. Eu trabalhei uma vez uma dessas séries e depois de uma temporada aqui no Brasil, não sei porque acharam que não era tão boa, decidiram fazer no México. E as toda a produtora que criou, que resolveu os roteiros, o elenco original da primeira temporada, deu de bandeja. Deu de bandeja e tipo, não recebe nunca mais nada, não fica sabendo de nada e a coisa desaparece. Hoje em dia você quer assistir, ela não existe mais. E isso, isso é uma perda, porque é um patrimônio também do cultural o que a gente tá produzindo. Então, antigamente quando o cinema era ainda por cima em película, não tinha como sumir, você tinha que tacar fogo na película. Então a gente tinha como preservar de uma maneira fisicamente a gente enxergava isso. Hoje em dia, né, no mundo digital fica até difícil enxergar onde tá esse patrimônio, onde ele tá sendo guardado. E muitas vezes ele não tá sendo guardado. Então além do acesso que é super necessário hoje em dia, quem quer assistir esses conteúdos, a gente tem uma um grande problema do para onde que eles a gente vai estar perdendo memória, coisas que vão deixar de ser assistidas e não podem não poderão ser assistidas nunca mais. Sem dúvida. E aí vão retornar daqui a pouco as videolocadoras. É um ciclo assim, né? Porque daí tá tudo disponível lá, daqui a pouco volta isso aí. Mas, ô Rodrigo, só antes da gente entrar neste eh projeto eh sobre o ecossistema do audiovisual, porque para quem está nos acompanhando, quando a gente fala de streaming, ele vai pensar em Netflix, ele vai pensar em Amazon, Global Play, Apple, talvez, e vai parando por aí. E é um mercado muito grande, né? Como que você enxerga essas grandes empresas, o serviço que elas prestam, mas tudo o que envolve, tudo o que tá por trás e aí se vira uma concorrência ou se tem como pegar o gancho de uma produção que tá fazendo sucesso nesses streamings? É assim, a gente, justamente como você diz, a gente vê todas essas. A gente esquece inclusive de mencionar YouTube, que é o maior streaming de que de consumo no Brasil atualmente, porque o YouTube é grátis, né? Isso também é uma é um VOD eh que que é grátis você assistir publicidade, você pode pagar ele ou não. Aí tem serviço por assinaturas que aí você paga mensal e tem acesso ao conteúdo. Existem vários maneiras de regular, de modalidades de de oferecer o serviço pelo streaming. Mas além dessas que são estrangeiras, a gente tem um panorama crescente de serviços brasileiros também, que são ainda mais independentes, digamos assim, porque não não vem desses grandes clogomorados empresariais e não estão ligados às bigtechs, que são muitas dessas empresas não são canais de televisão que foram para pra internet, como a Globo, por exemplo, são empresas de tecnologia que estão fazendo esse serviço como tecnologia. Isso é uma briga regulatória também de como encaixar se a empresa é produtora ou não ou difusora, o que que ela é. Tudo isso é tratado também na leis. É super complexo, né? Mas, por exemplo, a gente tem alguns serviços de streaming eh gratuitos que são organizados por fundações, assim, sei lá, o CESC tem um serviço de de streaming, o Itac Cultural Play, que é gratuito, a gente tem o modelo da SPCINE, que é a empresa e de fomento audiovisual de São Paulo, da cidade de São Paulo, que também tem uma plataforma e oferece uma diversidade de títulos. E a gente tem outras mais específicas, né? Tem o tem a a plataforma Todisplay da Apan, que é associação eh dos produtores de Audiovisual Negro do Brasil, que também tem um foco muito mais paraa produção de pessoas negras e de diversidade eh sexual. Então isso traz um outro recorte. Tá para ser lançada uma plataforma que é voltada pra população surda ou ensurdecida, que ela é toda a programação é com Libras. E eles desenvolveram um sistema de se tem duas pessoas conversando com a gente na no quadro geral, vai ter uma pessoa com libras para você e uma para mim, uma vestida com uma camiseta dos tons da tua roupa e outra vestida com os tons da minha roupa. E isso vai durante toda a narrativa. Então às vezes tem vários intérpretes, ou seja, tem muita coisa interessante sendo feita para públicos específicos e não só específicos, não só nichados, mas também nichados e por que não, que também são desenvolvimento de empresas brasileiras que estão ali nesse nesse mercado. E vale pensar que a regulação não é uma coisa ruim que vai atacar quem é pequeno, porque é sempre em cima do teu faturamento. Então, se você fatura pouco, você vai ter menos. Uhum. E essas empresas que estão dentro do Brasil, elas têm o foco na produção brasileira, então elas já disparam na frente numa numa grande exigência, que é o quanto de filmes e produções e séries brasileiras tem que ter em cada no catálogo. Elas já faz isso, então já fazem isso. Então elas já já tem uma parte que já já superaram essa o que é a meta, que também é um ponto crítico do projeto, que estabelece só 10% do catálogo de produções brasileiras. O Reino Unido é 30% do catálogo, tem que ser do Reino Unido. Então a gente vê como outros lugares do mundo tão muito realmente brigam pelo seu proteismo e fala: "Ah, mas esse protecionismo não vale". Gente, todo mundo faz isso. Mas é o que é um receio, é um medo dessas grandes empresas deixarem o país. Por que que o Brasil ele não entra de cabeça e fala: "Não, pera aí, não quero só 4% do faturamento, quero 20% igual na França, não, não quero só 10%, quero 30% de algo aqui nacional". Por que que isso não é feito? é um receio, é um medo dessas grandes empresas. Eu não sei exatamente o que é. Eu acho que tem vários caminhos. A gente tem que lembrar que a gente tá num num congresso extremamente conservador e e existe, tá criou-se essa narrativa de que toda a produção audiovisual e cultural ela é ideologizada, o que não é uma verdade, ela é um reflexo do que tá sendo feito. Existem todos os tipos de visões dentro do cinema, dentro das séries e tudo mais. Então, acredita-se que isso é como se fosse para querer trazer uma agenda diferente e não necessariamente, OK? Eh, poderia ter espaço para todas as coisas. Um ambiente regulatório eh estável permite o desenvolvimento até de coisas que a gente hoje em dia pode não ter e pode querer ter. Então, existe um pouco do medo do que que tá sendo feito, mas é, na minha opinião, é um pouco de ignorância. Se você não observa a a possibilidade que isso tem de gerar tanto recursos quanto empregos e também a força que cria ter um audiovisual eh brasileiro, como agora os filmes vão concorrer a ócar, a tudo isso, ficar todo mundo orgulhoso. Isso só acontece porque tem um tem uma uma infraestrutura que permite o desenvolvimento dessa produção brasileira e é independente. Ótimo. sobre o projeto agora, Rodrigo, ele estabelece uma cobrança, uma taxa sobre o faturamento bruto das plataformas, alíquota prevista de 4% para serviços fechados, como Netflix, Prime Vídeo, Global Play, Disney+ e 0,8% para plataformas abertas como YouTube e TikTok. O governo federal defende que o percentual seja de 3% para todas as empresas. Então não tem essa de 4% para um, 0,8% para outra. Como é que você enxerga esses valores e essa discussão de 0.8, de 4 governo federal querendo estabelecer 3% para todo mundo? Pela sua resposta anterior, muito baixo. É, é baixo. O maior problema é que é de entender de onde vem esses números, né? E hoje em dia a gente percebe que isso tá vindo do lado de lá. Então é interessante para eles investir muito pouco. Quando a gente compara que a França eh cobra 20% e a gente tá em quatro, o Senado quer baixar para três, a meta do governo do do ministério era seis e o do setor da produção independente era de 12%. Ou seja, a gente tinha ali o o setor de produção pleiteava por 12, o ministério já lutou só por seis. O a aí a Câmara vai deixar em quatro e o Senado quer baixar para três. Então isso é desfavorável simplesmente pela por como tá sendo feito. E teve houve muita dificuldade para gerar esses esses esses números porque durante muito tempo a gente não sabia exata. É muito difícil rastrear o que que é o faturamento, o que que não é o faturamento dessas empresas. Não é algo aberto, né? Faturament não é algo aberto. Eles não não divulgam. Então, imagina para quem é do setor da produção independente conseguir ter acesso a isso e poder fazer seus cálculos. Então, é muito mais uma um comparativo do que é praticado em outros mercados, do que é feito em outros países para poder fazer essa proposta. E a gente tem certeza de que isso não é suficiente, digamos. Aí, aí você falou agora, isso vai trazer 1 bilhão, é ótimo. Claro que é bom, é muito dinheiro, só que imagina o quanto a gente estaria fazendo se tivesse mais. Se hoje em dia com o tempo, o que se produz do audiovisual, com os recursos que existem agora, a gente já é responsável por R1 bilhões de reais dentro do PIB anual e gera mais empregos que a indústria automotiva, olha isso. Ou seja, se você coloca mais dinheiro, você tá gerando mais recursos. O dinheiro que você investe no audiovisual, ele multiplica por muito, ele vai para muitos lugares, ele aquece essa economia e quando ele é e quando a gente tem mais recursos, a gente pode jogar ele em todo o território nacional e realmente fazer muito, ter muito mais diversidade de produção. Dá para dizer que esses 3% eles são melhores do que o que nós temos hoje, mas pelo que você tá me falando, o potencial que o país tem é muito maior do que isso e a quantidade de dinheiro que deveria entrar é muito maior. Mas é melhor esses 3% do que nós temos hoje ou não? melhor é, mas assim é muito importante que essa briga continue e que a gente essa conversa a gente oriente esse e a gente tá perdendo uma oportunidade. Isso a gente tá perdendo uma grande oportunidade. Exatamente. E é importante que a gente vá se conscientizando sobre isso e a população entenda que tá perdendo de ter um recurso que faz parte da da sua própria cultura, que faz parte do seu patrimônio brasileiro de ter isso. Se hoje em dia a gente tá indo com um filme pernambucano concorrer o Oscar, é porque tá tendo uma política consistente de de regionalização dos recursos há mais de 20 anos. Uhum. Então a gente tem muitas coisas precisam ser melhoradas, só que uma das maiores é a quantidade de recursos que existe pro tamanho do Brasil, que é continental. Se a gente vê o quanto existe, porque os números brutos enganam, porque a gente fala: "Nossa, mas isso é bastante comparado com a França, mas olha o tamanho da França." É. E e aí se você começa a pensar o tamanho geral de população da França e a quantidade da produção que eles têm, então a gente tá muito pior, porque a gente poderia tá se desenvolvendo muito mais, a gente a gente deveria ter muito mais produções. Hoje em dia a gente comemora quando quando são premiados um filme de Pernambuco, um filme do Acre, que teve há dois anos atrás, percorreu grandes festivais e foi premiado em todos os lugares. E é muito legal lembrar que fora o Ócar, o Globo de Ouro, existem grandes outros festivais no mundo inteiro, eh, às vezes específicos, às vezes só de documentário, às vezes só de ficção, com focos, mas que são grandes referências dentro da indústria. E a gente tem produções de vários estados chegando nesses lugares. Há 20 anos atrás só existia produções do Rio de Janeiro e do Máximo de São Paulo, tá? E hoje em dia a gente tá vendo essa essa essa volta, essa diversidade tá sendo premiada, tá sendo reconhecida. Esses filmes, além de conquistarem prêmios e participação em festivais, muitos deles estreiam em cinemas em outros países, são vendidos para essas mesmas plataformas em outros países ou outras plataformas. Ou seja, é um recurso, é um produto. É um produto. Quando se fala da indústria, é realmente pensar como indústria. Como você faz com que isso gere mais recursos e leve a potência do Brasil e você possa pleitear essas essa essa esses espaços de ocupação. E tudo isso também tem um reflexo anterior. A gente a gente é muito vendido pra pra indústria principalmente norte-americana. Isso porque a gente não protege as nossas telas de cinema. Então, a gente tá acostumado ao conteúdo e estrangeiro. Sim. E a gente tá muito acostumado a a a ver filme com legendas no cinema. Isso e e tá tudo bem. É, eu acho que um cenário bom é que a gente tem acesso a todos os filmes, mas hoje em dia a gente tem acesso, a maioria dentro das salas de cinema só ao conteúdo americano ou majoritariamente ao conteúdo americano, norte-americano, estadunidense, porque não, cadê os filmes franceses, os espanhóis, eh, nepaleses, chineses. E e então a gente, a gente tem que enxergar que existe um mundo muito maior que a gente não tá tendo acesso e a regulação, além de garantir o nosso próprio acesso aqui em casa, permitiria também olhar e desenvolver essa curiosidade por conhecer cinematografias do mundo inteiro. Você tava falando sobre isso, eu tava pensando exatamente sobre isso, né? O tamanho do Brasil comparado com os outros países e o potencial que a gente tem, né? Agora não, porque eu tenho um filho pequeno, então eu tô assindo menos séries, menos filmes, mas até ano retrasado eu comecei a assistir série Dinamarquesa. E aí nesta bolha, na questão do algoritmo, parecia toda hora eu tava assistindo série dinamarquesa ou série francesa, série iraniana, eh, espanhola. E aí pensando agora, né, olha o tamanho do Brasil, quantas séries, quantos filmes são produzidos aqui, mas que a gente fica restrito a essas séries que são oferecidas pra gente, que tem qualidade, que é legal, como você diz, que ótimo, né, que eu assisti um monte de série que teve acesso a isso, mas que muitas vezes a gente não tem acesso a um próprio conteúdo que é produzido aqui, né? Isso é algo muito prejudicial pros produtores, pros atores e consequentemente pro público que fica restrito aí talvez a a uma série de de produções de de um mesmo país. É. Ô Rodrigo, o texto ele permite também, você já comentou sobre isso, mas um pouquinho mais, eh o texto permite que até 60% do valor devido seja investido diretamente pelas plataformas em produções nacionais escolhidas por elas. Dentro deste percentual, 40% pode ser destinado a conteúdos originais próprios. O restante deve ir para projetos independentes e formação de mão de obra. Uma crítica que se faz é que o projeto ele abre espaço para que grande parte dos recursos destinados ao fomento do mercado nacional sejam direcionados a produções das próprias plataformas de streaming e não de produções realmente independentes ou que o dinheiro vá para o fundo setorial do audiovisual. faz sentido. Isso deveria ser mudado, porque como você disse, né, numa resposta anterior, a plataforma ela pega o ator aqui do Brasil, pega diretor do Brasil, mas ela tem o controle, se ela quiser trocar, ela troca rápido. É, é bom lembrar da origem do conceito, né? Ao, ao, ao ao impor a Condescine para essas plataformas, a gente quer continuar na política de desenvolvimento da produção independente e o principal mecanismo para isso é o financiamento através do fundo setorial. Então, a partir disso, já está evidente que deveria todo esse todo esse esse recurso ir pro fundo setorial. Então, já abrir a possibilidade de que eles escolham do que que investe ou pros licenciamentos já é uma colher de chá. E e a plataforma, a a quer dizer, a quantidade de de o percentual que que tá sendo proposto é muito alto e e fica ainda muito disso que eles vão escolher. Então, vai ficar quanto? Sabe aquela produção que é pseudoindependente, que que é encomendada? porque porque tem muito dessa dessa relação estranha ali no meio e o ideal seria que fosse pro fundo setorial, porque aí a gente tem como como realmente pensar eh as políticas públicas que determinam para onde esse recurso vai ser destinado, mesmo que fosse no fundo setorial e que tivesse o combinado de que tanto vai ser do fundo setorial pensado para produções que vão tem como primeira janela o streaming, por exemplo, mas aí não é o executivo de uma de uma empresa estrangeira que tá tá definindo isso, é um um comitê, é é o é o conselho gestor do fundo setorial que e tudo isso também tem críticas e precisa ser melhorado, né? Não tô defendendo que a gente tem um modelo ideal, eu tô defendendo que para funcionar as coisas têm que seguir os padrões que que estão sendo propostos. A gente tem que apostar nessa política que a gente tá construindo, nesses mecanismos e apostar que a gente tem uma agência reguladora. Quando e quando muitas vezes vem críticas, ah, mas é que não funciona tão bem isso, não funciona bem aquilo, então a gente fala, então a gente corrige esses pontos, não é? a gente começa a debandar e criar novas maneiras de regular o mercado. A gente tem uma estrutura muito forte, como eu disse, se a gente tem o filme com quatro indicações ao carcar feito em Pernambuco, com elenco feito de vários estados do Brasil, é porque a gente tem mais de 20 anos de consistência em investimento em política pública, pensando e pensando todo o Brasil. Qual que foi o parecer técnico da Ancine, da Agência Nacional de Cinema sobre o projeto? A gente tá num processo muito, éí por isso que eu digo das críticas Ansineia. A Ancine teve foi, fo foi foi muito prejudicada nos no governo anterior, né? O governo anterior extinguiu o Ministério da Cultura, mudou diretorias da Ansine. Então a gente tem um processo, a Ansine tá, ao nosso ver, tá muito engessada e tá tá deixando muito a desejar, né? A a o nosso grande a grande sorte é de novo, todo esse processo tá institucionalizado, então não é fácil de uma noite da noite por dia destruir tudo, mas claro, a gente passa por várias tempestades. Então, eh, a nosso ver, ANC deveria ter tido um papel muito mais consistente de brigar por esse espaço da produção independente e também o próprio Ministério da Cultura, né? Eh, as críticas quando o ano passado Wagner Moura saiu, fez um vídeo, fez uma crítica super dura que muita gente ficou incomodado com isso, como se não pudesse criticar. Não, tem que criticar. Tem que criticar. A gente tá muito feliz que tem o Ministério da Cultura de volta. Ainda bem que tem o Ministério da Cultura, só que a gente também tem que apontar o que a gente acha que não tá funcionando bem e as coisas que a gente discorda. É um setor extremamente organizado, né? Eu faço parte de uma associação que é a API da produção dos produtores independentes do audiovisual brasileiro e e tem associados em todas as as unidades federativas do Brasil. Então não é que a gente tá discutindo uma ideia que veio de cinco pessoas, é um é um debate super qualificado de quem tá produzindo os filmes em todo o Brasil. é gente que tá vivendo, que tá vendo os anos que se demora para fazer um projeto, você demora de 3 a 10 anos às vezes para conseguir produzir, fazer todo o ciclo de financiamento. Então, como que a gente garante que essa produção possa acontecer de maneira mais consistente, possa ter previsibilidade? E aí o o esses empresários, né, porque as produtoras são empresas e esse empresariado tem que se organizar para quê? para gerar mais emprego, para produzir melhor, para ter melhores resultados, inclusive para quando você tem um uma estrutura sólida, você pega esses filmes, essas séries, esses produtos e você pode colocar eles num mercado de uma outra maneira, vender em festivais e mercados internacionais, fazer as as os outros licenciamentos aqui dentro. E a gente vive esse esse essa escassez de tela. Parece que a gente só tem o streaming ou as salas de cinema que não tem espaço. A gente deveria ter mais plataformas, mais salas de cinema, pensar mais como a gente leva a a a gente para pras levar o audiovisual para as escolas. Então tem tem todo um, as coisas não são isoladas. A gente não pode discutir só o streaming sem ver tudo que significa o que a gente tá fazendo há tanto tempo e o que é esse patrimônio que é o audiovisual brasileiro e essa produção brasileira independente. Cinema de rua em Campinas. saiu um pouquinho dessa rota dos filmes que são blockbuster, né? Exato. Ter esses espaços at alternativa. Só que é muito importante que todo mundo comece a entender desse lado para também poder demandar e entender que não é o que cinema de rua é uma coisa que ficou no passado. Eh, ai não tem mais para ficar no saudosismo. Ué, não tem mais. Por quê? Poderia ter. Por que que não existe mais? Então, por que que a gente não faz? E aí falta muito da de eu falo muito por um lado que eu exerço muito que como produtor, falo muito do lado das produtoras, mas por que tá faltando eh empresários que queiram investir em salas de exibição? Porque hoje em dia a entrada dos grandes conglomerados de de exibição é muito fácil, né? Porque você centraliza a programação, centraliza tudo. Não tem aquele pensamento de eu monto uma sala, eu fomento ou eu ou construo uma audiência que mora ali perto, entendo dos gostos e vou caçando filmes nos mercados para trazer esses filmes que aquela plateia vai gostar, como fazer essa relação com o público. Isso tem desaparecido, mas é uma coisa que pode voltar a acontecer. Não significa, isso não é uma coisa que passou porque já é coisa do passado, não. Tá faltando eh investimento até para que se estimulem que empresários tenham vontade de expor esses ramos. Se você não tem segurança que aquilo vai dar certo, ninguém vai colocar, até porque tá caro hoje, né? E poderia ser bem mais barato, né? Se sair de shopping e não pagar os preços abusivos de de aluguel de sala que de espaço do shopping, com certeza muito desse recurso vai sair, né? Mas é pela facilidade. É muito fácil ter onde circula um montão de gente, mas por que que não vai colocar em outro lugar que também circula e trabalha ali para isso acontecer? Eu acho que isso deveria ter, isso também precisa de estímulos e dentro da do fundo setorial, dentro eh da da regulação também poderia ter esses incentivos. Então é aí que a gente diz, a gente tem muita coisa já avançada, mas muita coisa ainda para acontecer. E o primeira coisa, o que chama atenção é a produção. Então quando a gente pode trazer esse debate quando começa a ter os filmes que aparecem, os grandes sucessos, porque ainda começa a dar vontade, as pessoas começam a falar de novo do cinema e aí de novo, cadê o cinema de rua? E aí é esse ciclo. Então, atacar a produção eh independente é o primeiro ponto para desorganizar todo o sistema do audiovisual, porque a primeira coisa que aparece, a coisa que a gente mais lembra, é o que literalmente está na tela e tá registrado e que é um espelho do Brasil. É, a gente pode ver filmes diferentes de outros lugares e a gente não se reconhece imediatamente, mas a gente sabe que aquilo é Brasil. E essa construção é muito importante, a gente conhecer os outros estados a partir das telas, do que que a gente tá vendo. E não é à toa, não é só o cinema que tá fazendo isso. As produções de televisão já fazem isso, já colocam sotaques de outros lugares, já vão filmar novelas em outros estados. Ou seja, não eh não é à toa essa história. É é uma, é bem uma realidade. Falta a gente ter um pouco mais de coragem de lutar com isso e lembrar que isso também é uma guerra comercial. Vamos brigar com esses grandes empresariado. Quem tem tanto dinheiro deveria est deveria estar contribuindo. São empresas estrangeiras. Todo esse faturamento não fica nem aqui. Não é que a gente tá deixando uma empresa ser feliz aqui, não. Tá tudo indo indo embora. Só essa retirada de recursos já deveria estar sendo taxada. Porque isso é evasão de divisas assim de tipo não é evasão de divisas, não é isso. Mas você tá tirando um dinheiro que poderia est sendo usado aqui. Todos os mercados têm proteção para isso. Você vai explorar o mercado lá fora, o quando você leva o lucro embora, você é taxado. É, você gerou um dinheiro daqui, você tá levando ele embora. É dinheiro produzido, é dinheiro de brasileiros que tá virando dólares e indo para outro lugar. Então aí, né? Como você enxergou as manifestações que ocorreram em frente à sede da Ancine, no Rio de Janeiro, na Cinemaca brasileira em São Paulo, no Cineevalter da Silveira em Salvador, o protesto falou em um risco histórico de desmonte da indústria audiovisual nacional, por contrariar, né, este parecer técnico da ANCINE e os consensos, né, construídos com a sociedade civil em favorecer grandes empresas estrangeiras do setor. Foi algo importante o que aconteceu ou desagregou, desorganizou, essa briga não leva nada? Como é que você viu isso aí? O quanto pode ajudar ou não? Não, foi muito importante. É muito importante quando a gente mostra as pessoas saindo, quando a gente vê, a gente vê eh atores bem conhecidos, produtoras históricas assim que fizeram, estão fazer o cinema há décadas dentro do Brasil, passando por várias vários períodos de produção diferente, quando a gente vê os diretoras e diretores lutando por isso em vários lugares do Brasil, isso é maravilhoso. Isso isso já deveria ser olhado, né? acontece que também tem uma questão de que parece que o o que grande parte do da Câmara lá tá olhando só pro que aparece na internet relacionado a isso, mas isso é mostra que tem gente em todos os lugares e e em muitos desses lugares teve um problema. Primeiro mobilizar em tempo record, as coisas foram quando o processo começou a andar na Câmara andou de um jeito muito mais rápido do que tinha andado em 5 anos. Então como você mobiliza tudo isso? que tem havido essas manifestações é muito importante e precisa ser reconhecido. E se não tivesse chovido em alguns lugares, tido tantos outros problemas, a gente teria ainda maiores manifestações. Eh, mas independente da manifestação ou não, isso serve para como marco histórico, né, esses momentos de defesa. Acho que ninguém vai esquecer de todo mundo que foi em todas essas cidades, frente dessas instituições, seja Ancine, seja Cinemateca, eh, são espaços, salas de cinema, então são espaços que estão dialogando com a gente, né? Então isso faz uma diferença, isso é necessário e espero que seja valorizado também, né? Eu acho que tem bastante caminho ainda na discussão com o Senado, embora eu não acredite que as coisas mudem radicalmente para esse lado, mas pelo menos tem que ficar essa vontade do debate não diminuir e a gente continuar discutindo e e melhorando essa essa relação que a gente tem de quem realmente tá fazendo para quem tá legislando e o contrato e o contato também com a agência que é justamente a regulação de tudo isso. A carta manifesto do movimento diz que o projeto fragiliza o financiamento público, reduz a alíquota da Condescine, coloca o futuro da produção audiovisual, a mercedas estrangeiras, esvaziando o papel da ANCINE e do estado brasileiro. É por aí, é por aí, é por aí. E se a gente tá deixando só 30% que vai pro fundo setorial, você tá criando quase que uma uma coisa paralela, ainda mais com recurso, montante de recursos tão alto que realmente compete, compete com aquilo tudo. Houve algumas empresas para não para não dizer porque existe pensamento diferente em todos os lugares, né? Então, dentro da produção independente também as grandes produtoras saíram para defender alguns pontos bem complicados, porque são as produtoras que estão acostumadas a trabalhar para esses serviços, só que elas estão deixando de olhar esse futuro, então estão garantindo assim uma existência por alguns anos com muitos recursos para fazer as produções, mas não estão pensando em quem realmente tá querendo criar, tá querendo fazer essa diversidade, expandir essa produção em outros lugares. Esse recurso, insisto, ele tem que est dentro do fundo setorial, ele tem que ser trazido para para que essa estrutura que é institucionalizada, que é do nosso estado, porque isso não é uma política de governo, é uma política de estado. Uhum. A, e, e aí a gente toma essas decisões, porque dentro do do regimento do fundo setorial e da Ancine existem os as partes as partes de escolha, eh, os conselhos gestores, existe esse diálogo, a gente sempre pode melhorar essas instâncias, só que isso já tá pensado. Então, é uma afronta querer criar uma regulação que não respeite a própria o próprio sistema que já existe. E é aí que a minha crítica maior Ancine, que deveria ser a primeira enquanto agência reguladora falando: "Não, a coisa tem que vir para cá". Só que fica muito esse medo da dispulsão do que que é ideológico ou não ideológico e na verdade tem uma pressão eh mercadológica muito grande. Essas associações de streaming montaram uma essas empresas montaram uma associação para fazer esse lobby e alugaram um escritório caríssimo em Brasília, tá? Isso que há 1 ano e meio, dois anos atrás. Ou seja, se vem todas essas e botam um escritório e contratam lobistas pagando super caro para fazer esse trabalho, é porque elas estão com medo de alguma coisa. Mas não deveria ter, né? Porque é muito dinheiro, é imoral a a discussão que eles colocam em relação ao porcentagem, uma coisa que é mínima e eles não estão perdendo nada. É em cima de um faturamento ali que, gente, é muito dinheiro. Você disse que não é um projeto de governo, é de estado, mas como é que você enxerga o papel do Ministério da Cultura, da ministra Margarete Menezes, tem uma atuação? O governo federal deveria interferir, tem força para mudar este projeto ou não? E eu acho que justamente pelo panorama político de a gente ter uma composição tanto no Senado quanto da da Câmara, eh, que a oposição é muito maior do que do que governista, eh, é muito difícil essa discussão ir, porque a discussão fica muito rasa em querer prejudicar o governo ou o que o governo quer, o que é um grande erro, porque, de novo, o desenvolvimento dessa indústria é do estado, não é do governo. Isso vai ser bom para todo mundo. Eh, foi um grande tiro no pé o que aconteceu no governo passado de desmontar um Ministério da Cultura. Porque muito se perdeu, mas por exemplo, aquele governo completamente louco conseguiu destruir o Ministério da Cultura, só que ele não conseguiu roubar os recursos que estavam nos fundos, nem no Fundo Nacional de Cultura, nem no fundo setorial. E é por isso que a gente teve, por exemplo, a lei Paulo Gustavo e que foi uma revolução que foi a distribuição disso tudo. Mas isso foi uma vitória tanto do setor que pleiteou por isso, mas pela iniciativa de algumas deputadas e deputados que foram muito fortes para que isso acontecesse. Criaram essa legislação e conseguiram passar por conta porque a gente estava vivendo momento de pandemia. Ou seja, eu tô dizendo isso por que que é o estado? Porque a gente tem essas essas essas instituições tão fortes que os governos têm muita dificuldade de quebrar. Desmontar o ministério é fácil. Mas tirar o dinheiro que tá num fundo, tem uma agência reguladora que justamente as agências reguladoras são para pensar dessa maneira, para que elas não fiquem a mercer do governo. Então, sempre no jogo político é é complicado isso, não é uma certeza, sempre tem que ter muita briga, mas assim, é essa a nossa teoria. A gente deveria, enquanto democracia, tá defendendo essas participações e essa independência dos dos setores e acreditar que o projeto é a longo prazo. Como eu disse, não é um governo que fez o filme do Cléber Mendonça acontecer. São 20 anos de desenvolvimento, de crescimento do setor. Porque quando a gente pensa, não é que não existiam cineastas em todos os lugares, mas como que você consegue equipamento, eh, equipe técnica, cada câmera, foquista, eh, e tudo isso, maquiador, figurinista, toda a equipe que tem para fazer um filme desse, um filme de época incrível. Ou seja, isso é porque foi se desenvolvendo, senão não tem como acontecer. As coisas não acontecem da noite pro dia. É, é realmente um desenvolvimento grande que a gente tem que pensar. E esse é um pensamento de de imposição industrial. E agora tem uma discussão nova entrando, porque o Brasil, o cinema, a gente sempre falou da indústria do audiovisual, mas pela primeira vez eh o audiovisual tá reconhecido enquanto indústria dentro do Brasil e tá dentro do programa Nova Indústria Brasil. Então a gente acredita que a partir disso que tá começando agora, venham novas discussões e possa ter um olhar diferenciado pro audiovisual enquanto essa essa indústria realmente estratégica e olhar realmente pela primeira vez como indústria, porque antes se falava do indústria só pelo tipo de processo, né, pro tipo de produto que você pode vender e comercializar de uma outras maneiras, mas a gente ainda tava muito mais perto do artesanal do que do industrial. Mas a a regularidade de recursos, por mais que na ponta o filme seja bem artesanal da maneira que é feita, mas a escala de quanto coisa tá sendo feita, a possibilidade desses filmes atingirem as telas aqui, serem levados para mercados internacionais e atingirem telas do mundo inteiro, é o que faz a gente crescer. Eh, tem os estudos, saiu um estudo, acho que esses dias ou hoje da da que mostra que da daqui a 4 anos, 3 anos, 2% de todo de todo o que se fatura eh do cinema mundial vai ser relativo ao mercado brasileiro, de tudo que se faz de audiovisual aqui, das exibições até dos estrangeiros. Ou seja, a gente é um mercado potencial muito grande e deixar de ver para onde isso tudo pode acontecer é um grande erro, é um retrocesso, eh é uma é uma perda de oportunidade histórica. No momento que a gente tá, a gente deveria estar induzindo essa produção muito maior. A gente devia estar fomentando as produções regionais, aumentando a o tamanho dos canais regionais, criação de cinemas, porque eh é nesse lugar que a gente realmente encontra todo o nosso território e toda a nossa população que a gente começa a dar oportunidade para tudo acontecer. Tem uma coisa muito louca, né, que o pessoal acha que filme americano é tudo bom, né, porque a gente vê os bons filmes, bons filmes assim num certo critério, as grandes produções que tem grandes bilheterias, a gente é isso que vem aqui. Mas alguém já parou para perguntar quantos filmes não chegam no cinema nos Estados Unidos? Quantos chegam e fazem poucas coisas? São muitos. Então é natural dentro de uma indústria que você faça. A gente fala muito que o audiovisual é como uma indústria de protótipos, porque cada filme é único. Você não tem muita certeza. Mesmo quando você aposta que vai ser um filme de gênero assim, ele é único. Ele aquele filme vai ter que dar certo e pode não dar por várias questões e não por isso você vai achar que não, não dá certo. Você tem que fazer outro e outro e outro e outro. Então todas as indústrias convivem com esse com essa realidade de que os vícios vão sendo feitos. Alguns são muito vistos, outros nem tanto. E parar de de avaliar o a nossa produção somente por quem sai fora da curva. Certo? E deu certo só nesse sentido, né? Então eu acho que a gente tem muito para amadurecer na na nossa própria relação com com a cultura, com a valorização do que desses trabalhos e parar de ser crítico de controle remoto na mão e falar assim: "Ah, isso aqui é uma porcaria". É, não, acho que tem muita coisa ali que que é válida e a gente precisa se assistir. E acho que um grande desafio que também tem, o Rodrigo, é furar essa bolha, porque esse seu pensamento, o que me parece é uma briga e de vocês que estão no meio contra os poderosos. E a, e isso não chega a ter uma opinião pública. Quem tá em casa não tem nem noção nessa disputa se é pouco, é muito, que deveria ser 20, que na França é diferente. Então acho que tem que furar essa bolha, essa informação, chegar até a população para que tenha uma pressão popular de falar: "Não, pera aí, tem recursos que precisa ficar no Brasil. Esse investimento tem que ficar no Brasil. Nós temos atores, nós temos diretores, nós temos uma fotografia aqui que pode fazer o que quiser, porque como você disse, o Brasil é um país continental, então você tem do norte ao sul a todas as possibilidades de fazerem gravações, mas isso fica muito restrito a uma luta de vocês contra os poderosos, né, pra gente poder encerrar. Eh, eu acho que aí a gente eh, como você joga, como que a gente fura essa bolha, na verdade começa aqui, né, de como que a gente começa a dar visibilidade para outros ângulos dessa história, como que a gente pode pautar esses assuntos fora do momento de crise, que é uma briga em termos da aprovação do desse PL de regulação, como que a gente tá chegando? E aí eu acho que a bolha tá furada, a gente só não tá olhando. Eu acho que também falta um pouco de de sair da visão só do que tá sendo coberto ou do que que tá no mainstream ou nas manchetes para ver o que tá acontecendo realmente. Quando a gente aqui em Campinas, por exemplo, a gente tem o Miss que tem um circuito de cineclubes, tem, sei lá, 30 sessões eh mensais de cineclube que passam filmes eh diversos de diversas cinematografias do mundo, que são coisas que não estão no cinema, que não estão na televisão, que não estão em lugar nenhum, são sessões super cheias. Ou seja, tem gente lá que tá valorizando essa experiência de assistir. Sim. Então, e assistindo em situações que são bem precárias, porque a sala é precária, sabe? A gente tem problema de de estrutura mesmo dentro do do Museu da Imagem do Som. É uma maravilha ter esse espaço, mas poderia ser muito melhor. Sim. Então tem muita gente que tá assistindo o filme brasileiro em circuitos de cineclubes, em cineclubes universitários, nesses lugares. No Instituto Taturana a gente faz um trabalho de distribuição comunitária e a gente tem que alguns filmes que foram premiados em Berlim, em vários lugares, saem no cinema documentários e chegam na marca de 2000, 3.000 espectadores e a gente tem no primeiro ano em sessões comunitárias autoorganizadas, mais de 20.000 eh espectadores que nos relatam, né? Porque muitas vezes a pessoa esquece de falar quantas foram, não sabe, ai não contei. Ou seja, a gente tem por um dado que não é medida oficialmente e é uma briga que a gente leva pelo Instituto Taturana é de reconhecimento desse circuito de dessas audiências que não estão dentro da bilheteria porque é onde a gente tá construindo a nossa identidade. Então eu acho que essa pergunta é muito boa. Se a gente reconhecesse, tivesse o sistema de que todo o cineclube reportasse ali, hoje é muito fácil, tira uma foto, inteligência artificial já conta quantação, manter identidade, privacidade, todo mundo. E tem um sistema oficial que fale, olha quanta gente tá assistindo fora do circuito comercial de salas de exibição, já cria uma pressão muito maior. Seria uma pressão muito maior. O governo tá lançando ainda esse ano uma plataforma de streaming que é brasileira, né, e que ela é voltada justamente para que ela, tipo, para todo mundo assistir, mas um dos grandes objetivos é chegar nas escolas para que as escolas possam começar a a cumprir a norma de ter duas horas de conteúdo de produção nacional exibidas eh acho que é por semana ou é por mês, por acho que é por semana. E tem uma lei, mas que nunca foi implementada, porque como regular uma coisa dessas. E aí com essa com esse stream as escolas que estão conectadas já podem começar a fazer essas exibições. Ou seja, tem muita coisa que pode ser trabalhada e a gente realmente começar a ouvir quem tá interessado, porque tem muita gente interessada quando quando você se você vê as televisões, tudo isso, qual quanto de busca tem por conteúdo brasileiro em português? É muito alto. Então a gente tem que apostar nessa história e fazer muito melhor e fazer muito mais. Então, eu acho que abriu um pouco o olho e e acho que entre todo mundo a gente levantar essas discussões e e conversar mais sobre isso, não achar que a pessoa que tá indo no CD Clube, ah, é uma pessoa completamente fora numa bolha e que essas ideias circulem mais para que quem não tá conseguindo ter o acesso também entenda que é possível e que dá para brigar por isso também. E a gente vai continuar brigando e vai continuar mostrando aqui no ponto de vista. Rodrigo Dias Dias, muito obrigado pela aula que você deu aqui pra gente, o seu ponto de vista. sobre este PL dos streamings e também sobre o panorama do audiovisual brasileiro. Já faça um novo convite para você retornar e fica aberto à suas considerações finais. Não, tá ótimo. Acho acho que eu falei tudo bastante, né? Agradeço muito esse espaço. Já aceito os convites. Eu acho que a gente podia muito discutir o que a gente consegue fazer enquanto Campinas, enquanto TV Câmara. Me disponibilizo também a vir conversar aqui, porque eu acho que a gente tem um espaço muito bom. Poucos lugares têm uma emissora estruturada que tá discutindo as questões da cidade, cobrido não só o trabalho legislativo, mas também o reflexo que isso pode ter na cidade. Então, eh, acho que tudo isso é um ciclo e e a gente poder fazer essas experiências, sistematizar e compartilhar esses resultados começa a dar ânimo para outros espaços também. Então já é um grande, eu fiquei muito feliz de trazer esse tema que eu tava tava super esquecido aqui num pensando localmente na cidade e e vê que tem interesse. A primeira pergunta que eu fiz, falei: "Gente, para que que a gente vai falar disso?" E aí eu pensei o quanto isso tudo reflete mesmo nos em todos os espaços. Então, agradeço e tô à disposição sempre que precisar. Nós é que agradecemos. Eu agradeço você aí de casa pela sua companhia, pela sua audiência. Espero que a gente tenha plantado uma sementinha aí, que você busque mais sobre este assunto, se informar a importância e a qualidade que tem o audiovisual brasileiro. Ponto de vista fica por aqui. Até a próxima. Ciao. Ciao. Valeu. [música] [música] [música] [música]
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