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Ponto de Vista | Racismo estrutural no trabalho: o custo da desigualdade no Brasil
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Ponto de Vista | Racismo estrutural no trabalho: o custo da desigualdade no Brasil

56 views Publicado 29/11/2025 HD · 38:23

Descrição do vídeo

O racismo estrutural ainda marca profundamente a sociedade brasileira — e um dos espaços onde ele mais se manifesta é o mercado de trabalho. Mesmo representando 56% da população, pessoas negras seguem enfrentando barreiras invisíveis, salários menores, menos oportunidades e discriminações que afetam suas trajetórias profissionais e sua saúde mental. Segundo dados do IBGE, negros ocupam apenas 30% dos cargos de gerência e menos de 5% dos postos de liderança nas grandes empresas. A diferença salarial também é alarmante: em funções semelhantes, profissionais negros chegam a receber 40% menos do que trabalhadores brancos. No vídeo de hoje, você vai entender como esse cenário se constrói, como opera o racismo nos processos seletivos, os impactos emocionais, os efeitos na economia do país e o que especialistas apontam como caminhos para mudança. 🔎 Racismo no processo seletivo: a barreira invisível Relatos de discriminação são frequentes, como o de Renata Souza, que disse ter sido descartada em três entrevistas antes de conseguir emprego quando seu currículo foi indicado sem foto. Episódios assim mostram como estereótipos raciais ainda influenciam decisões de contratação — muitas vezes de maneira implícita, mas sempre injusta. 🎓 Cotas e ações afirmativas: avanços reais, mas insuficientes As políticas de cotas raciais ampliaram o acesso da população negra ao ensino superior e a setores mais qualificados do mercado. No entanto, a permanência e o crescimento desses profissionais ainda dependem de políticas corporativas mais sólidas. Empresas como Magazine Luiza e Bayer já adotam programas de trainee exclusivos para pessoas negras, reconhecendo a necessidade de enfrentar desigualdades históricas e promover diversidade real em posições de liderança. 🏢 Pesquisa global revela: o racismo é a principal forma de discriminação no Brasil De acordo com um estudo da empresa internacional CEGOS, o racismo é apontado como a forma mais comum de discriminação no ambiente de trabalho brasileiro: 75% dos participantes no Brasil afirmam que o racismo é o principal fator de discriminação. Globalmente, 82% dos profissionais já testemunharam algum tipo de discriminação no trabalho. Nos demais países pesquisados, a aparência física (46%), a idade (42%) e o racismo (41%) lideram o ranking. Esses números comprovam que, apesar de leis de proteção e políticas internas, a discriminação permanece forte e silenciosa. 👩🏾‍⚕️ Mulheres negras: os desafios ainda maiores Uma pesquisa realizada com 155 mulheres negras, todas com ensino superior completo, revelou dados preocupantes: 86% já sofreram racismo no trabalho. Mais de 90% tiveram a saúde mental afetada. 70% disseram que seu cabelo virou assunto no ambiente profissional. 63% relataram ter sido confundidas com a “tia da limpeza”, mesmo ocupando cargos qualificados. O depoimento analisado pela consultora Juliana Kaiser mostra como o racismo se expressa em microagressões cotidianas: uma participante relatou receber ordens para limpar a própria mesa e o chão, embora colegas brancos na mesma função jamais fossem submetidos ao mesmo tratamento. 📉 O custo salarial da desigualdade racial: Brasil perde R$ 103 bilhões por mês Um estudo do Núcleo de Estudos Raciais do Insper revelou que profissionais negros deixam de receber R$ 103 bilhões todos os meses devido à desigualdade racial — sendo R$ 14 bilhões decorrentes exclusivamente de discriminação. Isso significa que: Homens negros deixam de receber R$ 61,67 bilhões; Mulheres negras perdem R$ 41 bilhões; A renda total poderia ser R$ 102,63 bilhões maior com igualdade salarial e de oportunidades. Ou seja: superar o racismo não é apenas uma questão social — é também uma questão econômica, estratégica e urgente para o desenvolvimento do Brasil. ✊🏾 Por que falar sobre isso importa Combatendo o racismo estrutural, empresas ganham inovação, diversidade de pensamento e produtividade. Pessoas ganham dignidade. A sociedade ganha justiça. O caminho passa por: Políticas afirmativas sérias; Treinamentos antirracistas contínuos; Ambientes seguros para denúncias; Programas de liderança para profissionais negros; E, principalmente, a desconstrução diária de preconceitos. Assista ao vídeo completo para entender em profundidade esse cenário e contribuir com a construção de um Brasil onde todas as pessoas tenham oportunidades reais, independentemente da cor da pele. 👉 Assista, comente e compartilhe. Esse debate precisa alcançar mais pessoas. 👉 Deixe seu like e conte sua experiência nos comentários — cada relato importa. 📌 Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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Olá, [música] sejam bem-vindos a mais um ponto de vista. Eu recebo novamente, com muito prazer, Raíça Camargo. Ela é advogada trabalhista. Raíça, muito obrigada por você comparecer aqui no nosso estúdio novamente. Eu que agradeço a oportunidade e espero conseguir contribuir para um tema que é bastante urgente e relevante. Exatamente. É, é até difícil, né? Mas assim, a gente pode iniciar eh com você explicando um pouco mais e até de uma forma mais sucinta o que é o racismo estrutural e como ele tem se manifestado no mercado de trabalho brasileiro, certo? O racismo que a gente fala no dia a dia, que é o mais comum no imaginário brasileiro, é a prática de um ato racista ou de um xingamento contra uma uma pessoa, né? Esse é o o racismo que é imaginado aqui. Quando a gente fala de racismo estrutural, a gente tá falando de todo um conjunto de fatores históricos que marginalizam a pessoa negra, independentemente da conduta individual de cada ser humano, né? Então, eu não tô falando somente daquela pessoa negra que ela é impedida de entrar em um lugar ou que ela é xingada, humilhada em razão da cor da pele. Eu tô falando, por exemplo, de da normalização da ausência de pessoas negras, por exemplo, em alguns postos de trabalho, em cargos de liderança. Nas instituições, né, como, por exemplo, no judiciário, a gente tem um índice muito pequeno de pessoas negras e de mulheres negras que ocupam esses espaços. Então, o racismo estrutural é você olhar muito para além da conduta de um indivíduo, mas enxergar a sociedade, entender todos os fatores históricos que marginalizam a pessoa negra ainda nos dias de hoje. Eu acho que é importante a gente ressaltar que assim, quando a gente pensa em racismo, mais ou menos ali nos anos 90, o que a gente não via era, por exemplo, uma recepcionista negra, né? Eh, a gente não via tantos atores negros. Eu recebi um ator aqui esse mês falando sobre isso. Então, assim, eh, parece que a época o negro ele tinha espaço só, por exemplo, eh, na portaria de um prédio, na cozinha, né? Exatamente. E algumas pessoas pensam que isso mudou um pouco, porque hoje a gente tem mais pessoas negras na TV, por exemplo, eh, nas recepções, no serviço, linha de frente, vamos dizer assim, mas ainda falta muito para dizer que está igual, né? Hum. Dizer que eh essas pessoas conseguem ocupar o mesmo espaço que o branco. Exatamente. E isso é uma discussão interessante porque se falou muito nos últimos anos em representatividade, que é uma coisa muito importante. por exemplo, eu chegar, me me dá uma palestra em um lugar e uma garota negra me vê ali e se sente representada, se enxergar nesse mesmo lugar que eu ou quando uma criança vai no médico e é atendida por um médico negro e ela consegue se ver como um médico no futuro, né? ela começa a acessar um novo mundo de possibilidades ali para ela dentro do do mercado de trabalho, que é o recorte que a gente tá fazendo aqui hoje. Isso é importante, só que a representatividade quando ela é apenas, né, para para marcar ali um ponto, né, uma representatividade, vamos falar que esse lugar é diverso, então a gente coloca aqui uma pessoa negra e e essa uma pessoa negra, ela é o suficiente para de fato tornar aquele espaço diverso. Infelizmente não é, né? Então, por mais que a gente tenha pessoas negras na linha de frente, como você colocou hoje, eh, por exemplo, como uma recepcionista, isso ainda é muito insuficiente pra gente falar numa sociedade efetivamente com igualdade de oportunidades, como inclusive manda a nossa Constituição. A gente precisa que isso vá muito para além da porta da recepção, né? que isso chegue também nas salas de liderança, nos espaços de tomada de decisão, porque são nesses cargos que muitas vezes o futuro da sociedade é decidido. Então, se eu tenho esses espaços de tomada de decisões ocupados por pessoas negras ali, efetivamente as pessoas negras vão ser representadas, porque terá alguém ali olhando, né, sob essa perspectiva de uma pessoa negra e enxergando eh como que a sociedade pode melhorar como um todo, quais os tipos de serviços podem ser aprimorados, inclusive em questão de saúde pública, tendo ali pessoas negras que sabem de fato qual é a vivência de uma pessoa negra, quais são as necessidades ou por exemplo no judiciário, né? Quando a gente tem um juiz decidindo o futuro de um trabalhador que tá ali disputando uma uma ação trabalhista, litigando, eh ele vai conseguir enxergar com um olhar muito mais eh abrangente o que que aquela pessoa negra passa no ambiente de trabalho, que provavelmente um juiz, homem branco, que é o a o, né, o perfil majoritário de um de um juiz no Brasil, por exemplo, muito mais do que ele consegue. acessar ali apenas, né, olhando numa neutralidade pra situação sem saber as características individuais daquele trabalhador. É, porque daí ele fica apenas com a informação que tem no processo, ele não tem a vivência. Exatamente. Exatamente. O IBGE e o Insperem dados que mostram a disparidade. Negros ocupam menos cargos de liderança e tem rendimento médio de até 40% inferior aos brancos. como o direito do trabalho enxerga e pode atuar diante dessa desigualdade salarial. Quer dizer, a gente percebe que assim são dados, né? Não é só comentários de no espacinho do café, né, que tem toda a empresa que fala: "Ah, não, aqui tem menos". Não, é uma constatação porque tem dados assumindo essa questão, né? negros não têm ocupado lideranças como deveriam ou como poderiam, né? Sim. E até interessante você comentar sobre esse espaço do café, porque o que eu percebo, por exemplo, é que em muitos lugares isso nem é discutido. Então essa é uma realidade, não tem os dados, tem a realidade concreta. Dentro daquele espaço, não tem pessoas negras em outros cargos que não sejam da limpeza, da copa. E ainda assim eu vivo isso, eu pude perceber isso ao longo dos anos, que na maioria dos espaços isso sequer é discutido, né? Então, eu acho que tem uma disparidade muito grande ainda na sociedade entre a gente levantar esses dados e perceber e entender que isso é um problema, né? Então, às vezes, os dados eles ficam só ali no ficam aqui no jornal, eles eles vão paraa TV, eles são noticiados, mas tem uma dificuldade grande de absorção desses dados para partir para um para uma problematização mesmo, pro enfrentamento, para tentar falar como que a gente pode melhorar esse espaço aqui nessa empresa ou, né, dentro desse local. Uhum. Infelizmente, Raíça, ainda se discute muito com razão, a diferença salarial entre homens e mulheres, mas isso também acontece entre os negros. Existe essa diferença salarial. Aí eu quero entender se se acontece apenas entre negros e brancos e se dentro eh de um grupo de negros acontece entre homens negros e mulheres negras. Infelizmente sim. Se a gente olhar inclusive esses últimos dados disponibilizados pelo IBGE há poucas semanas atrás, eh existe e não é um dado isolado, né? Isso vem sendo analisado pelo BG ao longo dos últimos 10 anos. Esse comparativo, ele permanece o mesmo. A gente não teve um avanço nessa cadeia que é primeiro lugar os homens brancos são os que têm os maiores rendimentos. Isso comparando mesmas faixas de instrução, inclusive. Então, eh, os homens brancos têm rendimento muito maior que das mulheres brancas. Por sua vez, os homens negros têm rendimentos menores que as mulheres brancas e as mulheres negras dentro dessa pirâmide t os menores salários, né? Isso comparando o salário hora do trabalhador. E aí foi levantado dados, foram levantados dados inclusive quanto ao nível de escolaridade. Então mesmo falando de ensino superior completo e incompleto, essas disparidades continuam as mesmas. E aí assim, quando a gente fala desse desse racismo, né, essa diferença salarial também é um um comportamento, um ato racista. A pessoa que percebe, o trabalhador que percebe isso dentro do seu local de trabalho, como ele deve agir? Porque ao mesmo tempo que ele percebe que ele está passando por uma injustiça, ele precisa se manter no emprego. É, eu acho que esse é uma a maior problemática que eu enxergo hoje falando enquanto advogada trabalhista, né, que sempre estuda e acompanha eh esses litígios, mas também como uma mulher advogada que já tem alguns anos de carreira. é uma situação em que a pessoa ela acaba se culpabilizando muito por não conseguir, por exemplo, uma sensão profissional, né? Isso a gente enxerga, já escutei inúmeras mulheres negras falando sobre, nossa, o que que tem de errado? Eu não consigo entender, todo mundo é promovido ou fui a primeira a ser demitida. E e aí o trabalhador ele fica numa situação vulnerável, porque primeiro o trabalhador ele já é o a parte hipósuficiente da relação, né? Então ele não tá em mesmas condições de negociação que o seu empregador. Então como que ele vai disputar isso? Ele vai exigir um salário maior? Por exemplo, patrocinei uma ação, né? Patrocinei, digo, sou advogada em um caso. Uhum. Não vou citar nome nem da instituição, nem da pessoa, onde a mulher tinha um cargo de liderança dentro da instituição, uma mulher negra, mas ela descobriu que o salário dela era diferente de todas as outras pessoas brancas tinha o mesmo cargo. E ela foi conversar com a superior, eh, tentando entender e, eh, questionando isso. Ela foi demitida imediatamente. Esse é o ponto, né? Porque assim, eh, é um risco que a pessoa corre, porque ela percebe a injustiça, como eu coloquei na pergunta para você, ela percebe a injustiça, mas se ela tenta entender o porquê, ela já corre o risco de perder o emprego. Exatamente. Por isso que é complicado falar o que que o trabalhador deve fazer, porque ele não é a parte que tem o poder de negociação, né? Eh, eu continuo acreditando que a melhor saída é a gente continuar batendo nessa tecla e tentando conscientizar os empregadores e a sociedade para que eh consiga entender esse tipo de problema, porque não é um problema que isoladamente um um trabalhador que depende daquela renda, quando a gente fala de emprego, a gente fala necessariamente de salário, de sobrevivência, sem dúvida, que ele ele não vai poder ficar negociando isso, né? Se ele não quiser, tem uma fila. Infelizmente a gente ainda tem um índice de desemprego. E nem sempre é fácil saber quanto o colega ganha. Exatamente. Ainda tem isso, né? Se eu tô falando das situações em que ele consegue ter acesso a essas informações. Porque muitas vezes eh, não sei, mas acho que eu chamaria isso de racismo velado, né? Exatamente. Você não consegue descobrir, mas tem ali o seu colega fazendo a mesma coisa que você, ou fazendo menos ou fazendo menos, só que a cor dele é diferente e aí ele ganha de forma diferente também. Sim. Tem um estudo recente do Insper que aponta um custo salarial de mais de 100 bilhões perdidos por mês devido à desigualdade racial. Qual que é o seu a sua opinião, o seu ponto de vista em relação a isso? Olha o que eu não é uma não é só um ponto de vista meu. Se a gente pegar, por exemplo, os dados, a gente vê que as mulheres negras na sociedade brasileira, na maioria das vezes, elas são a rimo de família. Então, são as mulheres que sustentam seus filhos, que pagam as contas, que que fazem eh a economia do Brasil girar também, né, enquanto a pessoa ali que mantém a casa. E aí, se a gente coloca essas mulheres justamente no lugar das pessoas que menos recebem, que tm menor salário, hora, é, é também um disserviço à própria economia brasileira, porque essas mulheres, se tivessem poder de aquisição, elas também fariam a economia do Brasil girar, né? são justamente as mulheres que poderiam dar melhores condições paraos seus filhos, eh, para que fossem trabalhadores que no futuro pudessem colocar eh sua força de trabalho em outro lugar que não seja necessariamente o da portaria, né, mas que possa dar condições dignas da pessoa ocupar outros cargos de liderança. Então, a gente tá falando de uma cadeia de desigualdade que ela é contraprodutiva até pro que a gente quer, né? A gente precisa entender que projeto de Brasil que a gente quer ter uma sociedade desenvolvida, com alta tecnologia, com melhor qualidade de vida, de serviços. Então a gente não permite que boa parte dessa população consiga se desenvolver já na raiz, né, que é impossibilitando uma melhor qualidade de vida para essas famílias a partir da remuneração, da má remuneração da mulher negra. Eu imagino que eh um ponto também é que assim, não é só o Brasil que a gente quer, mas para quem a gente quer. Sim, porque existe essa desigualdade também, né? Então isso, esse é um ponto que afeta muito, sim. Justamente por a gente ver que tem mulheres negras que se esforçam, que vão atrás e nunca, como você deu um exemplo, né? Elas nunca conseguem eh subir um degrau ou dois porque tá sempre sendo passada por uma outra pessoa de outra cor. Sim. E muitas vezes é uma pessoa que se dedica muito, né, àquela área, aquela função, que estuda, que se especializa e ainda assim não consegue alcançar, né? Exatamente. E aí você trouxe essa pergunta para quem que a gente quer esse Brasil e falou do racismo velado agora a pouco. E aí eu lembro da Lélia Gonzales, porque ela fala isso, né, do racismo brasileira. Então, é um país que todo mundo admite que tem racismo, mas sem racistas. É um é um é um Brasil que tem racismo, mas sem racistas. Então, a gente fala: "Nossa, o racismo existe mas quem é racista?" É, você já foi racista? Não, eu nunca. Então, fing ninguém nunca é. fica muito naquela coisa, nossa, mas eu nunca xinguei, eu não confendi ninguém, mas também nunca deu oportunidade de trabalho para uma pessoa negra, mas também nunca conseguiu olhar a pessoa negra para além do do visual, porque, por exemplo, se eu chego numa sala, independentemente do meu currículo, o meu corpo vai entrar, meu corpo, meu cabelo, ele vai chegar antes do meu currículo, antes da minha graduação, das minhas pós-graduações. A primeira coisa que a pessoa vai ler é que eu sou uma mulher negra. Então, quando automaticamente isso cai, né, na na isso que a gente fala do racismo estrutural, isso vira uma prática cotidiana sem que se pensem como a minha empresa está sendo racista, por exemplo, ao invés de, ah, não recebi aqui nenhum boletim de ocorrência de caso de racismo, então tá tudo bem, mas não, será que a minha empresa está sendo racista? Como que tá sendo a contratação de pessoas negras? Sem esse olhar crítico, a gente não consegue sair do lugar, infelizmente, que aí é esse racismo brasileiro. Tem racismo, mas não sei bem onde, nunca fiz, nunca vi acontecendo na minha frente, mas a gente olha pros dados, eles apontam outra coisa, né? E você falando nisso, eu acho que é importante você trazer até uma orientação jurídica para as empresas, porque muitas vezes, como você disse, acha que não tem racismo ali no seu chão de fábrica. E é uma coisa que, infelizmente, acontece. Você como advogada trabalhista recebe casos, né, envolvendo situações que ocorrem empresa. O que você acha que as empresas precisam começar a trabalhar para enxergar essas dificuldades e esses atos racistas e melhorar isso? Eh, eu acho que é muito urgente que as empresas tenham um treinamento, um letramento racial, um treinamento de equipe, começando pelo próprio RH. Eh, pouquíssimos dias atrás eu falei sobre treinamento para equipes de segurança, por exemplo, em estabelecimentos para, né, evitar que ocorra um caso de discriminação com clientes para ter esse olhar, porque o trabalhador muitas vezes terceirizado que tá lá, ele não vai ter esse treinamento, né? Então é o estabelecimento que que tem que investir nisso e da mesma forma, né, olhar a equipe de contratação, levantar esses índices, como que é a composição da minha empresa, quantas pessoas negras têm aqui, quais os cargos elas ocupam, há quanto tempo elas estão aqui, tiveram uma promoção, quem teve promoção. Fazer esse estudo, ele exige uma um ato, né? Isso não vai acontecer naturalmente. É preciso que o o empregador ali, ele olhe pra situação da empresa dele. Ah, tiveram caso de discriminação. Como que a gente lidou com isso? Tem ouvidoria? Se uma pessoa negra sofreu um caso de racismo aqui dentro, ela tem a quem procurar? Inclusive, porque a responsabilidade da empresa, ela é objetiva caso aconteça alguma coisa. Então, de qualquer forma, aquele empregador ele vai ser responsabilizado por não agir, evitando que isso aconteça, ao invés de só ser responsabilizado depois quando algo vier acontecer. E aí, infelizmente, o a chance aumenta muito, né, de uma pessoa negra ser vítima de racismo dentro do ambiente de trabalho se ela é a única pessoa negra ali. Essa chance, ela aumenta. E aí, para quem que ela vai reclamar? tem alguém na ouvidoria que tem esse olhar mais crítico ou vai ser uma pessoa que também fala: "Ah, não, é todo mundo da mesma cor, aqui é todo mundo igual, o racismo não existe". Então assim, são muitas camadas para se pensar e é procurar, tem inúmeros eh profissionais hoje que trabalham com isso, né, no Brasil, de trazer essa leitura para dentro das empresas, de trazer essa formação. Eu acho que é um investimento que vale a pena até pensando na saúde da empresa como um todo, né? Sem dúvida. na saúde da empresa. E eu acho que eu vou além, a gente tem visto muitos casos de saúde mental também na saúde mental dos funcionários. Sim, porque quem sofre esse tipo de preconceito, esse e outros, eh, muitas vezes a pessoa não tem para quem recorrer. Ela não tem um RH que que possa entender a situação dela, que se coloque no lugar dela. Sim. Então, como é que ela vai reclamar? não vai e a pessoa acaba adoecendo justamente por essas questões que acontecem dentro de uma empresa. Uhum. Esse ano, inclusive, o Brasil teve o maior índice registrado de pessoas afastadas por questões de saúde mental, né? Então, nossa, nosso sistema previdenciário hoje ele conta com um número muito grande de pessoas afastadas. E aí a gente entrou, isso já está em debate, né, desde a pandemia, saúde mental, burnout. Eh, mas aí tem uma questão que vai para além disso, que assim, a gente tem esses registros oficializados de pessoas que conseguem, por exemplo, fazer uma perícia médica, ter um laudo e colocar ali o nexo causal da relação de trabalho e o problema de saúde que ela teve, que ela adquiriu. Mas e quando a gente fala das pessoas negras que não conseguem nem ser ouvidas, como que é o burnout para essas pessoas? É, você sabe que me veio até uma sugestão de pauta aqui, viu, produção, você falando sobre isso, mas é, eu pensei exatamente isso, como que é o o burnout eh nesse grupo de pessoas, né? Porque a gente escuta falar muito de uma forma abrangente. Sim. Mas assim, quem mais tem sofrido burnout? Quem são essas pessoas? E e geralmente se há uma, e a gente faz o recorte aqui, vamos pegar o perfil da mulher negra dentro do mundo corporativo, a figura no geral, né? Eu sou exceção, infelizmente, mas no geral vai ser a funcionária que tá ali na num serviço, né, subalternizado. Uhum. Eh, ela não tá muito mais exposta à exploração, a alta carga, né, de trabalho do que um funcionário médio. E a gente tá falando da população média afastada, isso nem tá nem tem esse recorte ainda, né? Então é uma questão de saúde pública mesmo, de política pública. Falar de saúde pública tem que ter um recorte racial e de gênero. Raí, agora pra gente conhecer um pouquinho mais assim dentro da lei, qual é a diferença entre os termos racismo e injúria racial? Existe uma diferença ou o significado é o mesmo? Porque às vezes a gente escuta falar, né, principalmente nos corredores das empresas, ah, isso é racismo. Ah, não, isso é injúria racial. O que é o quê? Olha, por muito tempo isso foi uma questão no Brasil e aí eu vou fazer até um contexto histórico para vocês entenderem. Eh, a nossa Constituição, ela proíbe toda a prática de racismo e fala que é um crime inafiançável, imprescritível, né, a prática do racismo. E aí racismo, de forma geral, sendo que o que era entendido por racismo é todo ato de discriminação por raça ou corpo. Uhum. Eh, só que um pouco depois dessa lei da nossa constituição, veio a lei caó, que é a lei 7716 de 89. Ela definia os define ainda os crimes de racismo. E pouco depois no nosso Código Penal foi inserido o crime de injúria e injúria qualificada, né? Então, a injúria é o ato de ofender alguém e a injúria qualificada ofender alguém com base na sua raça ou corpo. E aí, como na Constituição o racismo é um crime imprescritível, inafiançável, surgiu a abertura da injúria racial. A injúria racial não era um crime imprescritível, inafiançável. Então, a pessoa negra, ela sofria esse crime, essa violência. Isso chegava na delegacia, chegava no Ministério Público, isso não era lido como um crime de racismo, era só injúria racial. Então, tudo bem, não é prescritível nem inafiançável. Você pode pagar uma multa aqui paraa sua casa, a gente faz um acordo de um acordo aqui dentro do processo para isso não prosseguir para uma condenação criminal. Isso foi sendo arrastado ao longo dos últimos anos no Brasil, né? Eh, para você ter uma noção, a gente tem um país majoritariamente negro. Os dados apontam isso, unindos índices de raça e cor. Uhum. Como pretos e pardos. Mas o primeiro caso de racismo que foi parar no STF foi um caso de racismo contra judeus aqui no Brasil. Por quê? Porque os crimes de racismo contra pessoas negras não chegavam até essa instância no judiciário. Eles eram todos uns todosos crimes de injúria racial. Tudo era tipificado como injúria racial. Isso nem chegava a ser apreciado pelas Cortes Superiores. Agora, em 2023, lei 14.532, 532, se eu não me engano, ela equiparou esses crimes finalmente, dizendo que o crime de injúria racial, ou seja, eu ofender você por sua raça ou por sua cor, isso também é racismo, assim como, por exemplo, impedir você de entrar em estabelecimento por causa do seu raço cor, ou seja, o grau de eh profundeza e o grau de violência, ele é o mesmo, né? Isso. Só tinha uma diferenciação, no meu ponto de vista, que era simplesmente para que esses crimes não fossem levados, tratados com a seriedade que eles mereciam, né? Então, tudo caía como injúria racial e falava: "Não, mas isso é só injúria você só xingou alguém porque é pessoa negra, só xingou de macaco, por exemplo. Isso não é um crime de racismo." E agora, né, na lei, finalmente é a mesma coisa. injúria racial e racismo são crimes de racismo necessariamente. A lei foi alterada, lei 7716 e enfim a gente pode falar que a Constituição agora ela tá eh sendo respeitada pela lei. Raíça, houve uma época que as pessoas quando procuravam emprego levavam o currículo. Não é minha época não, tá? é que eu li no Google isso, mas as pessoas iam procurar emprego e imprimir o currículo com foto. Inclusive era a exigência de muitas empresas, né? Olha, o currículo tem que ser com foto, tal. E aí isso mudou depois de um tempo, porque as pessoas começaram a entender que assim, por que com foto você vai me escolher pelo meu pelo conteúdo do meu currículo ou pela minha foto? Mas embora já não exista essa prática do currículo com foto e também a gente as, né, quando as pessoas vão procurar emprego, é tudo virtual agora, né? Não tem mais aquela aquela prática de levar o currículo na empresa. Porém, esse racismo, esse preconceito, ele pode não estar ali na hora que você faz o contato com a empresa, mas na hora da entrevista ainda acontece. Com certeza. né? São Hoje as pessoas não se expõem tanto a essa situação porque é muito mais fácil inclusive denunciar um ato desse. Mas a gente tem ali inúmeros registros de mulheres negras que não conseguiam empregos e também isso foi um caso que foi levado a julgamento internacional, porque o Brasil não reconheceu como um crime de racismo uma mulher negra que não foi que ela foi rejeitada numa entrevista. Isso foi dito para ela por ela ser uma pessoa negra que não fazia o perfil que a empresa precisava naquele momento. E aí isso foi legado para fora do país. Teve um julgamento e foi reconheceu que o Brasil tava, né, eh, sendo velando os olhos ali para uma prática nitidamente racista. Então isso é uma situação que acontece muito e por mais que isso não seja dito, os dados mostram, né? Se a gente vai dentro de um ambiente corporativo e vê a quantidade de pessoas negras que tem ali, com certeza não é porque essas pessoas negras não estão se candidatando ou não são qualificadas, pelo contrário, né? A gente vê pessoas negras muito qualificadas, tendo que disputar cargos menores para os quais elas estariam preparadas por falta de acesso nesses espaços, né? por ainda não ser eh vista como uma pessoa que possa representar aquela empresa, aquela instituição. Eu conversei com uma pessoa negra uma vez que ela me disse o seguinte e até eu gostaria da sua palavra justamente como advogada trabalhista. Ela falou: "Carla, às vezes a empresa contrata negros, nordestinos, mas assim, é aquele número exigido pela cotas". Ela falou: "Se é aquele número, eu já sei que a empresa só faz por uma questão de obrigação, não porque ela valoriza. Esse também é um ato racista também. Eh, a gente tem o o Estatuto da Igualdade Racial, que é de 2012, salvo engano, e ele previu ali, ele teve o intuito de incentivar as empresas e entidades públicas, inclusive, a contratarem mais pessoas negras, né? Então ele propôs ali alguns incentivos, eh, inclusive tributários para que, assim como a gente faz, também existe hoje para contratação de pessoas com deficiência, eh, mesmo com esses incentivos, as empresas não atingiram a a quantidade, se você olhar nos dados, né, elas não atingiram a quantidade de pessoas negras mínimas ali para conseguir fazer parte desse incentivo. Então assim, tem é uma dificuldade cultural muito grande, né? Isso é de uma herança de um país escravista. Sim. Que só enxerga pessoas negras nesse trabalho braçal, num trabalho que não exige um uma intelectualidade muito grande, né? Uhum. E aí assim, eh, considerando que nós estamos em 2025 e ainda enfrentar problemas como como esses, eh, o que você acredita que precisa ser feito? Como as empresas precisam começar a agir? Quais políticas públicas precisam ser eh feitas para que a gente mude essa história, para que a gente mude esses dados? Olha, pensando, né, em vários pontos do ponto de vista jurídico, para que a gente consiga primeiro, né, coibir as práticas de racismo dentro do ambiente de trabalho, eh, o CNJ, que é o Conselho Nacional do Judiciário, ele fez um protocolo muito interessante, que é um protocolo para julgamento com perspectiva de gênero. tem como perspectiva de gênero e como perspectiva de raça. Hum. Que é fazer com que os magistrados eles tenham esse estudo, né, desses índices de como é, quais são os marcadores de vulnerabilidade das pessoas dentro do ambiente de trabalho. Então, se é uma mulher, que tipo de violências ela pode estar exposta? Será que mesmo a gente pode pegar aquela letra fria da lei e exigir essa quantidade de provas para ela provar que foi assediada, quando na verdade tem que entender um contexto, como que essa mulher estaria exposta? Tem também protocolo para julgamento com perspectiva de raça, que é entender, né, a realidade de trabalhador negro no Brasil e olhar a empresa para além daquela prática aquele ato racista que f ali e olhar a situação como um todo, como a gente disse, né? tem pessoas negras nessa empresa, eh, enfim, todos esses outros fatores. Isso é um ponto, né, mas é muito insuficiente pra gente falar em igualdade. Agora, paraa inserção de pessoas negras dentro do ambiente de trabalho, em todos os postos, que é o que a gente tá discutindo aqui, eu insisto na na tecla do letramento racial e na formação. É, seria muito, é assim, seria uma ilusão achar que o empregador ele por si só vai acordar no dia seguinte e conseguir mudar a cultura da empresa, sendo que sempre foi assim, sendo que talvez ele mesmo não tenha tido acesso a esses debates durante a vida, que ele não tenha tido contato com esses dados ou teve de uma forma muito superficial, né? É preciso enxergar que isso é um problema, né? Se a gente não enxergar que isso é um problema e que você é parte desse problema, que você tem o poder de mudar esse problema, nada vai ser feito. E também mudar a cultura da população, porque como a gente falou agora há pouco, para cada pessoa que ela é renegada no ambiente de trabalho, tem alguém sendo privilegiado. Para cada pessoa negra que não é contratada para um posto de trabalho onde ela seria uma perfeita candidata, tem alguém que às vezes nem é um tão bom candidato assim e que consegue aquela vaga. Então, reconhecer esses privilégios, né? Reconhecer que o o tirar o racismo só do foco do negro e colocar ele também no foco das pessoas brancas para que elas se entendam como privilegiadas por esse sistema. é muito importante para que a gente consiga mudar a cultura do país, né? Enquanto a gente tratar como algo muito distante, longe da gente, que não tenho nada a ver com isso, infelizmente esses dados não vão mudar. E as pessoas negras no Brasil há muitos anos, né, continuam firmes e fortes na luta para mudar essa realidade. Mas eh a gente precisa da sociedade como um todo comprando essa luta, né? E aí, assim, quando você fala de letramento, eh, o que que as empresas precisam entender e colocar em prática? Precisão entender o que é o racismo em todas as suas vertentes. Por exemplo, aqui eu expliquei sobre o racismo estrutural. Precisa entender quais são as práticas de racismo, que é racismo estrutural, que é racismo institucional, né? Então, como que uma empresa ela é racista sem mesmo quando ela não quer ser, né? Primeiro você precisa entender isso para daí enxergar e fazer um mapeamento como que a minha empresa tá funcionando, como são, como é o perfil dos meus empregados, como que estão sendo feitas as promoções aqui dentro. Tem uma um espaço realmente confortável para as pessoas fazerem denúncias de eh eventuais violências. Uhum. Isso assim, até para além de de raça, né? Violência de gênero também. eh fazer esse mapeamento, entender o que é o racismo, eh treinar os seus funcionários, principalmente dos cargos de gestão e de recrutamento, né? E aí, claro, né, se a gente falar de estabelecimentos, principalmente também da segurança, que é um é uma questão grande, né, essa questão de perseguir uma pessoa negra quando ela tá ali dentro de um de um espaço, é ter um olhar racializado, né, no sentido de tirar essa discussão de uma coisa muito teórica e conseguir colocar ela na prática dentro da empresa. Eu acho que assim, o racismo, então, ele não é uma a discriminação, na verdade, né, ela não é apenas uma questão social, é uma violação de direitos, né? Com certeza. Com certeza. É uma violação de direitos e que, infelizmente, na cultura do nosso país foi muito naturalizado que as pessoas negras sofram violências. Por exemplo, quando eu falo de empregados terceirizados que não têm tanta proteção de segurança do trabalho, né? Se a gente pegar os índices de acidentes de trabalho, empregados terceirizados, qual o perfil dessas pessoas? Em geral são pessoas negras, né? Eh, quando a gente fala de precarização do trabalho, de redução de direitos trabalhistas, as pessoas mais afetadas que ocupam os cargos que são mais afetados pela redução dos direitos trabalhistas são essas pessoas negras. Só que isso foi naturalizado. Uhum. Né? Então isso não é mais visto como um problema de raça, no máximo ali um problema de classe ou um problema da economia do Brasil. Só que foi foram se naturalizando essas violências e essa redução de direitos para pessoas negras. Então, por mais que formalmente a nossa lei ela não seja discriminatória, se a gente pegar e fazer um estudo, fizer um estudo histórico, né, da da composição do do mercado de trabalho, das pessoas ocupadas, dos cargos elas ocupam, dos salários que elas que elas possuem, de quais direitos elas têm ou não têm, a gente vai ver que as pessoas negras são super afetadas por todas as reduções de direitos trabalhistas dos últimos anos e isso é um é uma questão urgente. né, de ser resolvida, porque eu fico imaginando onde isso vai, onde isso vai parar, né? Se a gente continuar nesse ritmo, é, a gente precisa, como você disse, né, é urgente que a gente reconheça essas falhas e organize, né, as empresas, o os funcionários, para que a gente aprenda a não ter mais esses atos, né, a não praticar esses atos e respeitar todos de forma igual. Raissa, muito obrigada por você comparecer aqui novamente, compartilhar o seu conhecimento. Eu que agradeço. Fico muito honrada enquanto advogada e enquanto mulher negra também de ser ouvida e de contribuir. Parabéns pelo seu trabalho. Muito obrigada. Obrigada a você também que nos acompanhou pelas telas. Continue com a nossa programação. Ciao [música] [música] [música]
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