Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
Olá, minha gente. Começamos mais um ponto de vista e desta vez nós vamos abordar a progressão continuada nas escolas. Quem está com a gente é a pedagoga Maib Fernanda Mascarenhas. Seja muito bem-vinda, Maibe. Muito obrigada pela oportunidade. Estamos aqui para debater essa política pública de tamanha relevância. Exatamente. Eu acho que assim, olha, a comissão de educação da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que veda a promoção automática de alunos do ensino médio e também do ensino fundamental e do ensino médio que não obtiveram nota para passar de ano. Ressalva situações relacionadas à saúde do estudante. Se essa medida virar lei, as escolas serão proibidas de adotar o chamado regime de progressão continuada. Então, primeiro a gente precisa entender o que é essa progressão continuada. Maibi. Muito bem. A progressão continuada é o aluno poder seguir os anos letivos, tanto do ciclo do ensino fundamental quanto do ensino médio, sem necessariamente ter atingido as notas das disciplinas, o que automaticamente gera essa promoção automática pros anos letivos seguintes. Então, a proposta é que seja alterada a LDB. que é a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, proibindo que haja essa progressão continuada. O aluno precisa atingir as notas mínimas de todas as disciplinas obrigatórias. E essas notas mínimas têm variações de acordo com prefeituras, estados, escolas particulares. Tem escolas, por exemplo, que a média é cinco, seis, sete ou conceito. Então, teria que atingir o mínimo colocado no regimento daquela instituição. Isso envolve aquela questão que antigamente nós tínhamos eh aquela clássica frase, né? Ah, se você não for tão bem assim durante o ano letivo, não tem problema, porque você não vai reprovar. É mais ou menos isso assim de de não reprovar o aluno, mesmo que ele não tenha obtido a nota mínima. Sim, essa PL é justamente na intenção de evitar essa questão. O aluno teria que atingir métricas, né, apresentadas via notas para que pudesse passar de ano. Não haveria, por exemplo, a possibilidade de, se não atingiu as notas, ir para o ano seguinte ou até mesmo para o ciclo seguinte, porque alguns anos são finais de ciclo. Então, ele teria que se manter na reprova e cursar novamente aquele ano letivo. E aí não seria aplicada a promoção automática. É isso. Isso, exatamente. Não haveria uma promoção automática porque teria que atingir as metas escolares e de acordo, seguindo, claro, com as métricas das avaliações e das notas. Hoje em dia, quais são as formas de ensino aqui no Brasil? Quais são as metodologias? Metodologias pedagógicas são diversas. Nós temos metodologia tradicional, nós temos socioemocional, sócioativa, nós temos algumas específicas, como por exemplo Waldorf, Montessori, construtivismo, tem diversas metodologias e com formas de avaliações diferentes. Tem escolas, por exemplo, que até um determinado eh nível de ensino ou ano letivo, algumas, por exemplo, construtivistas, não oferecem provas. são avaliações de habilidades, projetos, seminários, outras ferramentas de avaliação. Na Montessório, por exemplo, há uma série de metas dentro das atividades montessorianas que o aluno precisa conseguir realizar dentro daquele período letivo, comprovando que ele tem algumas habilidades, o que não impede de ter avaliações. Também tem alguns métodos escolares que são mistos e tem o ensino tradicional com as avaliações mensais, bimestrais. Outras escolas optam por avaliações semanais, dependendo do ciclo e do nível de ensino. Então, há uma variação enorme metodológica, pedagógica e diversas formas de registrar essa aprendizagem. Não necessariamente é com uma prova com 10 questões dissertativas e outra prova com 10 questões alternativas. uma possibilidade muito grande aí de trabalhos em grupo, projetos, projetos e outras opções. Mas Bid da sua experiência, né, como como professora, como pedagoga, você consegue definir para nós se tem diferença no aproveitamento do aluno, se for, por exemplo, uma metodologia dessas que tem as tradicionais provas ou se for aquelas avaliações mais de conceito, você acha que isso faz diferença pro aluno? ele consegue aprender mais de uma forma em que as provas, em que ele vai ser avaliado por provas tradicionais, né, alternativas, dissertativas, ou fica mais adequado, mais fácil pro aluno quando são avaliados de forma mais moderna, talvez, né, de forma mais conceitual. É muito importante frisar que cada aluno é um aluno. Tem alguns alunos que se ajustam muito bem e preferem a metodologia tradicional. alunos que são conteistas focados mais na quantidade de conteúdo, enquanto há alunos que têm uma aprendizagem maior pelas ações concretas, pelo uso da criatividade, pela relação entre áreas. Então, depende muito do perfil do estudante. Algo que eu percebo muito nessa geração, que é uma geração de nativos digitais, que é questionadora, que muitos têm sim a dependência de tela e que, por outro lado, tem muito acesso à informação, inclusive falando de ESG, de melhorias do planeta, é que eles se engajam mais quando aquela informação faz sentido. Eles aprendem melhor primeiro. Se eles tiverem um vínculo com o professor, isso já tem diversas pesquisas que comprovam que aquele professor que é engajado, que realmente se preocupa com o aluno, que se aproxima dele, permite uma aprendizagem muito mais profunda e que aquele aluno quando vê sentido na aprendizagem não é só uma informação técnica, mas relaciona com algo do dia a dia, algo que ele materializa o uso daquele conteúdo, consegue entender muito mais, compreender, memorizar e o principal, saber como utilizar no seu cotidiano. Porque uma informação que fique só para que você passe numa prova não é transformadora paraa sua vida. Ela simplesmente vai ser usada para um momento em que você precisa realizar um documento formal. Mas se você tem um aprendizado que impacta quando você vai cozinhar, quando você vai fazer seu imposto de renda, quando você aprende física e sabe que tem tudo a ver, por exemplo, com direção de veículos, isso realmente tem uma aplicação. Eu vejo que eles têm uma conexão maior quando eles entendem a utilidade de acordo com a linguagem e a faixa etária deles. Qual a intenção de dividir o estudo em ciclos e limitar essa repetência? ciclos tem uma conexão muito grande com as fases do desenvolvimento e com os tipos de conteúdo. Então, por exemplo, nos anos iniciais da do ensino fundamental, o foco principal é na alfabetização. Isso tem justificativa cerebral, porque por volta de 7 para 8 anos, a gente tem um fechamento de algumas áreas cerebrais e ali a gente precisa potencializar a aquisição da linguagem. Então é uma faixa etária fundamental para que seja trabalhada a alfabetização. Quer dizer que não vai conseguir depois, não. Mas o registro fica em áreas diferenciadas do cérebro que não são tão potentes, até porque tem a ver com a expansão, o crescimento cerebral. Então, eh, quando a gente fala de de divisão de etapas, é porque tem o desenvolvimento do ser humano dentro dos marcos padrões de desenvolvimento. Claro que para quem tem uma deficiência, um transtorno, isso tem alterações muitas vezes, né, no desenvolvimento, mas vai de acordo com as habilidades e as necessidades. e o amadurecimento também. Alguns graus de abstração não vão ser obtidos nem exigidos na educação infantil, mas ali no quinto ano, no sexto ano, com certeza vão ser ah já eh momentos de serem trabalhados e aplicados. Nós já temos a a progressão continuada, né? Ela já foi implantada, ela já tem autorização dentro da LDB. E justamente a ideia é que se o aluno não atingir, imagina que ele tem esse ciclo, ele não conseguiu cumprir, aí não conseguiu adquirir as habilidades, não no sentido de cumprir para punir, mas ele não conseguiu adquirir aquelas habilidades. Ele vai para um próximo nível e vai ter mais dificuldades ainda, não vai conseguir acompanhar o conteúdo. Então a ideia da PL é que ele tenha que atingir, mas a gente tem que tomar um cuidado muito grande. como foi trabalhado até esse período, foi identificada as dificuldades, a gente ainda tem efeitos da pandemia, por exemplo, na na alfabetização, em que muita gente ficou sem aula ou ficou no ensino remoto, sem o acompanhamento ali presencial do professor, porque não era possível. Então, é importante ter um direcionamento para que não haja uma progressão continuada no sentido de só ir passando o aluno sem se importar de fato com eh se ele está adquirindo as habilidades ou não, o que eu não vejo com professor. Então, os professores geralmente são super preocupados, eles realmente pensam no melhor paraos seus alunos. Mas o que a gente vai oferecer, né, de fato, para chegar nessa etapa tentando minimizar esse risco, né, de de reprova, porque tem um impacto emocional também, né, como como isso vai ser trabalhado num todo, como a gente vai explicar para uma sala extremamente diversa hoje em termos cerebrais, a mesma importância de um mesmo conteúdo. Você tem ali a criança com atraso intelectual, muitas vezes com dificuldade de aprendizagem, com transtorno do espectro autista, com TDH, a criança que tem estimulação em casa, a criança que não tem estimulação em casa, a criança que não gosta, por exemplo, do ambiente escolar, até às vezes por questão de trauma. E é um professor o mesmo conteúdo e evitando a reprova. Eu acho que a gente também tem que fornecer mecanismos para fomentar as práticas do professor, para potencializar as escolas no sentido de variedade de materiais mesmo e formações para que se nós não vamos ter uma progressão continuada, precisa ser feito todo um fortalecimento dessa etapa para que as práticas consigam ser mais efetivas. E por último, mas não menos importante, nós temos que falar da parceria com as famílias, que entendam que a escola é um espaço único, que nada se compara, que se a nota é um registro, não quer dizer que seja punitivo, mas é uma métrica de uma dificuldade daquele aluno, que a ideia não é entrar num embate familiar, mas sim demonstrar que algo está acontecendo naquele campo, até para pedir ajuda para estudos em casa, rotinas das tarefas, família precisa ter essa parceria pra a gente conseguir caminhar em favor daquele estudante. Agora, quando a gente fala dessa diversidade de pessoas, diversidade de alunos, a gente precisa considerar também que existem salas super lotadas. Sim. Então, assim, isso pode ser também um problema que deve ser revisto caso essa lei seja aprovada. É algo que na minha concepção, enquanto professora, enquanto professora de pós-graduação, coordenadora também, que tenho muitos alunos e alunas que são professores, é algo que precisaria ser revisto imediatamente, independente dessa PL, porque a gente não tem um advogado que recebe 30 clientes ao mesmo tempo, cada um com a sua demanda. A gente não tem um médico que recebe 30 pacientes, 40 pacientes ao mesmo tempo cuidando da saúde de cada um durante 4 horas seguidas ou mais. Tem escolas que os professores atuam em tempo integral. é só o professor dentro de uma sala diversa em que ele tem também as interferências dos maiores de idade que educam esses menores de idade que são fruto dessas suas condições, lidando com tudo ao mesmo tempo. Então, com 12 já pode ser desafiador, mas você consegue dar uma atenção maior para cada um, olhar de uma forma mais individual, até por uma questão logística de tempo. Quando você tem 30, eu tenho alunos hoje que lecionam pra turma de de, como dou aula pra gente do Brasil inteiro com 30, 34 alunos de primeiro ano, idade de alfabetização. Então como é que você personaliza e atende as demandas individuais? Então para muito além dessa PL, é algo que precisaria ser revisto, inclusive pela saúde mental do professor. Uhum. que aquele professor que se cobra, que quer fazer o melhor pelos alunos, ele fica frustrado muitas vezes por não conseguir atingir. E aquele aluno que está numa etapa de desenvolvimento a todo vapor e que precisa de um suporte mais específico. Sem dúvida. Até porque assim, a gente tem também aqueles que são mais tímidos, né, que t vergonha de levantar a mão, perguntar e ele fica ali esperando que algum colega tenha a mesma dúvida que ele, faça a pergunta, porque ele tem vergonha, ele não vai perguntar. E muitas vezes isso não acontece. Então ele naquela eh até ansiedade dele de saber, ele acaba se fechando porque falando, não vou perguntar uma hora, alguém vai perguntar essa dúvida que eu tenho também. E o professor acaba não explicando porque não dá, é muita gente, é muita criança, né? Ou muito adolescente também em alguns casos. Sim. Você tocou num ponto que é bastante relevante, eu acho que mudou muito a nossa educação, que foi a pandemia. Sim. A pandemia muito rapidamente trouxe o ensino de forma online, que para muita gente não foi tão favorável assim, porque muitos não tinham celular em casa ou tinham o celular, mas não tinha internet, não conseguia aprender, né, como deveria ser aprendido se estivesse em sala de aula, por exemplo. Mas por outro lado veio também esse vício, né, nas celas, né, a gente tem visto que inclusive algumas escolas já proibiram o uso. Isso também pode ser um agravante quando a gente fala de reprovações? Sim, porque já existem algumas pesquisas que dizem que a ausência da tela gera uma crise de abstinência e numa crise de abstinência a pessoa fica irritada, desfocada, mais agressiva, só que a criança nem sabe que ela está numa crise de abstinência da tela. Então isso interfere-se na questão da reprova. Por quê? é uma pessoa que já teve, né, um contato aí, se a gente pensar na na maior parte da dos alunos de hoje da da educação básica, eles já são nativos digitais, eles já nasceram, como a gente brinca, apertando o botão e correndo a tela touch com às vezes não tinha nem nem tamanho formado exatamente de um dedo. Eles já estavam ali aprendendo, né, as articulações já todas trabalhadas na psicomotricidade fina, mas já estavam eh eh movendo a tela. Então eles vêm desse impacto potencializado pela pandemia. Os vídeos são muito rápidos, são justamente para que você fique preso neles. Os jogos também tem toda uma programação em cima, não só técnica, mas de descargas no cérebro para que façam a pessoa assistir anúncios, querer realizar compras. Tem todo o sistema por trás para manter a pessoa na tela. A gente molda uma geração. Eles recebem influências de vários tipos de pessoas. pessoas essas que muitas vezes são pagas para influenciar desse ou daquele jeito, para estimular o consumo, para ditar tendências. E na escola, sendo proibido o uso de celulares para inclusive frear essas questões, eles têm esse impacto de muitas vezes só ali ter o limite da tela, dependendo de como for o perfil da família, eles vão ter o acesso sem freio em casa, mesmo havendo aplicativos gratuitos de controle parental. para verificar o que seu filho tá assistindo, mesmo tendo uma série de diretrizes, isso vai impactar na reprova, por se está na escola sem concentração, sem atenção, irritar disso, não vê conexão com o conteúdo no dia a dia, ele vai ter muitas vezes dentro dessa dispersão uma dificuldade muito maior de entender o conteúdo, de parar para ler um texto que é processual, não é um short, não é um não é o real, não é o story, então ele vai ficar com muito mais dificuldade de acessar aquele conteúdo E pode gerar sim uma condição de reprova. E esse é um desafio que os professores têm enfrentado diariamente, né? Porque não tem mais aquela questão de olha, vai até a biblioteca, escolha um livro, faça a leitura, depois vem e conta pra sala sobre o que não existe mais isso, né? Porque as crianças não têm mais esse hábito. Os alunos, de uma forma geral, não t mais aquela coisa de folhar, né? De parar, escrever, né? ficar olhando na lousa e escrever, né? Eu já tô entregando minha idade aqui, ó, do tempo que eu estudei, mas mudou muito, né, a forma de ensino, a forma de aprender e de procurar informação. Então, isso acho que também talvez seja mais um agravante para essa questão das repetições. Com certeza. Porque antes nós tínhamos todo um processo para caminhar também vou entregar a minha idade sem problema nenhum. Eh, nós tínhamos um processo, a informação não era tão acessível. Claro que isso tem muitos benefícios de você poder se informar rápido, às vezes até por uma questão de ah, eu eu precisaria entender algo melhor, eu queria saber uma receita. Você não tem que ir no caderno da avó ou ligar para alguém na época que a gente tinha o telefone que ficava preso num determinado lugar, né, para perguntar uma informação da receita. tem muitos benefícios, né? Toda a questão de localização, tecnologia, mas não tem mais o processo. Muitas vezes, muitas escolas buscam fazer isso, sim, tem as suas bibliotecas, levam as turmas até as bibliotecas, mas esse cultivo da leitura tem que vir muito de casa. Eu vejo o professor nessa questão da progressão continuada, da reprova, da aprovação, muito pressionado por diversas frentes, porque quem deixa o aluno desenfriado na tela não é o professor, mas é o professor que tem que lidar. Quem tem a pressão para conseguir fazer esse aluno atingir as metas, tentar evitar uma reprova, inclusive por ele, é o professor. Só que ele tem o sistema todo por trás com seus 30, 35 alunos. Falando de professores que são de fato comprometidos com as suas tarefas, né? Tem as questões comportamentais, como você disse, que não foi ele que criou, mas ele tem que lidar com as várias criações. Então, é uma categoria extremamente pressionada. E aí talvez ele pense: "Ah, esse aluno aqui ele tá quase atingindo, podia fazer uma progressão continuada para esse caso específico, porque se tiver nas aulas de apoio, no contraturno, ele vai atingir e talvez haja um bloqueio." Então, é muito sensível de pessoa para pessoa. Só que as normas em geral falam da maioria, né? Falam de um um direcionamento para todos. algumas normativas entram com exceções, né? Mas eh é muito sensível lidar com a educação porque ela fala de pessoas e não tem uma pessoa igual à outra. Uhum. A gente ainda é aplicado a recuperação, por exemplo, no final do ano ainda tem que era, eu não me lembro quanto tempo, mas acho que tinha uns 15 dias que era para retomar aquelas disciplinas que a gente não tinha ido tão bem, então fazer uma prova, um trabalho para poder se atualizar e alcançar a a nota mínima, né? Isso ainda existe. Existe tanto a recuperação final quanto tem as escolas que promovem as recuperações bimestrais, trimestrais, de acordo com o ciclo avaliativo para fazer uma retomada dos seus conteúdos. Dependendo da escola, a recuperação tem partes separadas. Recuperação feita em sala, uma prova mais feita em sala, um projeto feito nas férias. Então tem tem várias possibilidades para tentativa de recuperar esse conteúdo. E alguns que têm dificuldade, alguns alunos, eu trabalho muito com a área de de educação inclusiva, que é inclusive a posse que eu coordeno, alguns alunos conseguem nessa época de recuperação que a maioria dos colegas já foi dispensado, já tá em casa, tem menos barulho na sala, uma atenção mais individualizada, conseguem ter um desempenho diferenciado positivamente durante a recuperação. Aí é um ponto que a gente pode recorrer à família, né? Porque acho que é relevante a família participar da educação desse aluno, né? Não é só levar até a escola, o aluno vai lá, estuda, chega e não não repassa o que ele viu durante as aulas. Isso é importante, né? ter essa essa reatividade, ver o que ele estudou durante a manhã ou durante a tarde em casa, rever isso, de repente com o apoio do pai, da mãe, justamente para não cair numa reprovação, né? E parece que essa participação nem sempre acontece. Uhum. Exatamente. E está na nossa Constituição que a educação é um dever do Estado, da família e da sociedade, a educação formal. Então, essa parceria com as famílias é essencial. Esse acompanhamento precisa acontecer de perto, porque muitas vezes a própria criança acha que ela entendeu e quando vai fazer uma tarefa de casa, quando vai fazer uma retomada, ela percebe que não compreendeu todas aquelas etapas, né? E e sem nenhuma maldade. Simplesmente ela achou que tinha assimilado. Muitas vezes isso é identificado em casa naquele momento um a um, que é totalmente diferenciado da escola. Então, precisa ter esse acompanhamento para perceber se o filho tem uma dificuldade, se ele precisa de um apoio extra, precisa de uma aula particular, de um atendimento psicopedagógico ou até mesmo de uma avaliação na área de saúde para verificar se há algum diagnóstico e quais os procedimentos para auxiliar. Mas a educação escolar não pode estar desassociada da família, porque esse suporte é fundamental e a família conhece melhor aquele indivíduo que é o seu filho e pode notar nuances para falar paraa escola. Vi que o meu filho tá com muita dificuldade na parte de percepção de imagens em geografia. Vocês perceberam isso aí? Percebemos? Estamos trabalhando de tal jeito. Pode ser a resposta da escola. já estamos tentando ou a escola enviar uma mensagem, porque a escola também precisa avisar quando percebe alguma diferenciação. E aí todo esse passo a passo pode evitar sim reprovas e não só reprovas, mas dificuldades emocionais, inseguranças que vão se perpetuar dependendo dos resultados. Não quer dizer que a criança não possa se frustrar. Qualquer pessoa tem que aprender a se frustrar. Mas se a gente vai trabalhando durante o ano letivo, tem uma chance muito maior de aprovação no sentido de que aquele aluno conseguiu aprender aquele conteúdo. falo muito criança, mas isso envolve adolescentes diretamente que no sexto ano começam a ter um professor por disciplina e dependendo do de como for a escola tem um ensino técnico junto, então vão ter uma batelada muito maior de de avaliações e notas e por isso também deve entrar a participação dos pais e responsáveis em relação aos celulares, à telas, né? Porque é importante então ter esse controle em casa para que quando o aluno chegar na sala de aula, ele não tenha essa abstinência, né? Não sinta essa falta. Exato. E porque existem danos neurológicos, danos de desempenho, sem contar os riscos, né, que a gente tem na internet. Tem tem um caso de uma de uma menina que ela tava utilizando o computador e ela saiu perguntando pra mãe e pra tia se ela tinha uma roupa íntima, muito colorida, muito bonita. E a mãe perguntou por quê? Ela disse porque tem um tio, aspas usam muito a terminologia, né, de tio, eh, que me achou na internet e falou que a menina que tirar foto com a roupa íntima, ela não usou esses termos. Claro, uma criança. Eu que estou, né, e colocando a terminologia aqui mais adequada. Eh, a menina que tirar a foto com a roupa íntima mais colorida vai conseguir encontrar com uma determinada artista. E ela, com seus sete anos de idade acreditou completamente. Então, é extremamente arriscado não acompanhar. E muitas vezes as famílias pensam, já é adolescente, não vai perceber. Não necessariamente. Eu tenho uma filha de 15 anos de idade, quando ela estava com 13, recebeu uma mensagem estranha, veio me trazer. Eu sou uma mãe que tem aplicativo de de controle parental. Ela tem limite de horário na tela, sim. Acompanha, às vezes é uma série até que eu não gosto, mas eu acompanho o que ela tá tá vendo para entender. E ela me falou: "Olha, tem uma mulher numa mensagem estranha me mandando aqui". Aí eu respondi para essa mulher e a minha filha, que é totalmente orientada na área, falou: "Mãe, mas será que não é mãe de algum amigo meu que eu não tô lembrando o nome?" Ela, com toda a orientação que tem pensou em continuar a conversa. Então nós temos que estar perto, porque o que são 15 anos de vida não é uma grande experiência, ainda não percebe alguns perigos. Então isso pensando no que pode impactar em casa, que depois pode gerar efeitos na escola. Vamos supor que uma pessoa manda uma foto íntima, isso vaza na internet, os colegas acessam de alguma forma, ela pode vir a vítima de cyber bullying, vai impactar o rendimento dela na escola e vai impactar nas notas também, porque quando ela for pra escola, ela vai apavorada que vão eh falar coisas negativas, tá exposta. Então é um universo muito complexo para lidar. Então, além de ter muito cuidado com a quantidade de tela, é entender o que acessa, conversar e não achar, não supor que aquela pessoa entendeu os riscos e que isso pode impactar na aprendizagem, porque tem várias estruturas que cercam o entorno. Legal. E aí, pensando nas escolas aqui de Campinas, todas elas eh fazem uso, né? Tem a progressão continuada ou não? Isso parte de cada escola. Por enquanto, a decisão é da escola. de cada uma de de cada escola ou não. Hoje, se eu não me engano, a gente tem progressões durante o ciclo e finais de ciclo tem reprova, até preciso confirmar se continua nesse mesmo perfil, mas uma das últimas diretrizes tinha sido nessa linha, continuava-se no ciclo e tinha anos que não havia a reprova. Então, pontos com reprova e pontos sem reprova. Agora, a gente tem também o universo das particulares, que tem as aprovações e reprovações dentro do sistema padrão de um ano letivo após o outro. Mas pensando em Brasil, a gente encontra muitas possibilidades até nas questões avaliativas também, mas tem é uma realidade muito diversificada muitas vezes nas escolas em que vai ter uma reprova sim ou que não vai ter uma progressão para alguns e para outros não. E deixando claro também que tem pontos específicos, como a questão que tá na na PL sobre a saúde. você tem um aluno que passou meio ano internado, então ele vai ter uma outra adequação curricular, ele tem direito acesso ao conteúdo, mesmo que ele esteja, por exemplo, num hospital e ele esteja em condições de acessar, mas dependendo do que ele tem, ele não vai conseguir cumprir. Então tem variações dentro das escolas, entre as escolas e também caso a caso de alunos. é uma realidade muito vasta nossa escolar por entrar naquela questão da individualização e de algumas autonomias diferenciadas, por exemplo, que a escola particular consegue realizar. Não todas, claro que é normativas gerais, mas existe quem não faça. Dentro desse projeto de lei, quando eles falam sobre a saúde, são casos bastante específicos, né? Não é, por exemplo, qualquer atestado de gripe, aí o aluno tem lá 5, 10 faltas durante o mês. Não, são casos mais graves, né? Sim, exatamente. São casos mais graves, comprovadamente graves, que impedem muitas vezes daquele aluno acessar o conteúdo. por exemplo, o caso da internação, mesmo que tenha o envio de conteúdos durante o determinado período, ele pode não conseguir atingir aquelas metas porque teve que fazer uma cirurgia de emergência, aí passou um mês eh em coma, por exemplo, tem situações gravíssimas, então tem um direcionamento nesse projeto que é diferente. Inclusive você tocou num ponto muito importante que além dos atestados a gente que tem as faltas, tem as pessoas que faltam sem atestado. E no a partir do ensino fundamental passou de 25% de de faltas, isso vai gerar uma reprova assim, se não tiver uma justificativa. A partir de um determinado número de faltas, a escola tem que comunicar o Conselho Tutelar, inclusive. Então, as famílias têm que estar atentas, eh, porque esse aluno precisa cursar. é diferente dele ter justificativas de ausência, mas isso também pode e vai impactar na aprendizagem do aluno, porque se ele não está lá, ele não está vendo o conteúdo, ele não tá acessando. Isso pode gerar uma reprova porque não foi enviado pra escola. Uhum. Claro. Volto a dizer, são questões de saúde, é uma outra tratativa. Agora, sem essa comprovação, aí a família realmente eh pode de fato eh ter uma comunicação vinda de um órgão específico, porque a escola tem que pontuar. Uhum. Né? O correto é pontuar. E aí aciona o Conselho Tutelar e eles decidem da melhor forma. Isso. Geralmente o que a gente faz enquanto escola é ir avisando antes. Primeiro, quando as escolas que trabalham seriamente, elas vão se preocupar primeiramente com o aluno. Então tá faltando, sem justificativa o que que tá acontecendo. O aluno pode estar numa situação de violência doméstica, pode estar com alguém na família com uma doença grave, não tá conseguindo levar pra escola. Então, a escola séria não vai esperar chegar no limite para simplesmente buscar uma notificação com órgão específico. Ela vai tentar descobrir o que que tá acontecendo com aquele aluno e se oferecer para ajudar. Mas eu já tive casos de alunos de escola que simplesmente sumiram. Ninguém sabe onde tá até hoje. Então nós não sabemos se está vivo, se não está, o que aconteceu com a família. Abandono escolar e acabou. E a gente tem que notificar justamente porque às vezes não vai ficar só no conselho, às vezes outros órgãos vão precisar ajudar, por exemplo, localizar essa família, localizar esse menor de idade. Então é um universo muito amplo, surpreendente, com aprendizado constante. Assim, é, para nós, por exemplo, enquanto profissionais de educação, não existe progressão continuada no sentido de de aprendizado. A gente tá cada dia fazendo uma prova nova, sendo aprovado em habilidades novas ou reprovados em coisas que a gente ainda tem que aprender, porque são muitas possibilidades de acontecimento. Professora, a situação gera insatisfação de alguns pais e professores. Uma pesquisa realizada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, a PESP, em 2017 mostrou que 90% dos pais de estudantes matriculados na rede eram contrários à progressão continuada. Além deles, 78% dos estudantes e 87% dos professores tinham a mesma opinião. O ato de não reprovar é desleal perante a atuação do professor, perante ao conhecimento que o professor tem e disponibiliza ali para os alunos? Não somente ao ao professor, mas ao conhecimento em si. Lembrando, frisando novamente, estou falando aqui daqueles professores que realmente investem naqueles alunos que conseguem, apesar dos desafios, olharem um a um e promovem técnicas variadas para auxiliarem aqueles indivíduos. realmente é uma uma afronta, um desrespeito no sentido de que nós temos muitas realidades familiares. Nem sempre a criança ou adolescente tem a referência de liderança em casa, de respeito. Nós temos uma geração aí de de famílias em que uma parte não impõe o limite pros filhos. E eu jamais estou me referindo a limites agressivos, mas diretrizes do que deve ou não ser feita. a família precisa balizar. Se a criança ou adolescente não tem isso em casa, com as referências de adultos principais das suas vidas, dificilmente ela vai ter na escola. Então, tem um impacto ali de muitas vezes se negar a fazer uma atividade, de não respeitar o professor, professor tentando passar os conteúdos que são obrigatórios, independente de serem todos utilizados no cotidiano ou não, é obrigatório que ele passe aquele currículo. E muitas vezes essa falta de liderança ocasiona que o aluno não não gerecar as suas melhorias na sala de aula e com a progressão aí que naturalmente ele não vai. é eh se empenhar mesmo. Concordo que teria que ter uma atualização de currículo, com certeza que se conectasse mais com a realidade daquele estudante. Mas essa parte do respeito, do empenho, do esforço que as pessoas vão ter que ter a vida inteira nas suas carreiras, nas suas vidas pessoais, é um aprendizado na escola. Então, simplesmente não reprovar o famoso passar de ano não trabalha a conquista, o esforço daquele aluno. E claro que sempre tem conteúdos que vão ser importantes, principalmente aí educação infantil, primeiro a quinto, se usa muito no dia a dia, eles são essenciais, né? E vários outros, fundamental dois ensino médio também. Então, eh, e concordo que seja um desafio aí grande com relação a ao empenho do professor. O que precisa ser feito no ensino de um modo geral no Brasil para que a gente tenha melhoras e não tenha tanta reprovação? Essa é uma pauta que daria um programa, uma série, creio eu, só sobre isso. Mas tem alguns eixos que precisam de de investimento e de direcionamento específico. Formação docente é muito importante, é fundamental para metodologias ativas, para práticas lúdicas, para trabalhar a sala de uma forma mais diversa. É preciso instrumentalizar as escolas também. É fundamental que a gente tenha um olhar paraa saúde mental do professor para que ele consiga lidar com os diversos desafios e se manter equilibrado. Seria necessário todo um trabalho de conscientização de pais, comunidades, penso na atualização curricular também e um diálogo que seja mais claro aos alunos. Por que que você tá na escola? Por que que ela é importante para você? No que que ela se liga com a sua vida, com a sua futura carreira, para que haja um entendimento que não são forças que estão competindo entre si, disputando o poder, e sim que é uma rede de preparo e de suporte para aquele estudante. Então, acho que precisa de toda uma conscientização filosófica, mexer no currículo, ensinar e a as ferramentas, oferecer muito mais recursos materiais também. E claro, o ideal seria reduzir a quantidade de alunos por sala. O ensino por ciclo deveria ser mudado. Isso entra muito numa questão de de opinião. Eu particularmente vejo que se ele tem um um currículo bem elaborado, contínuo, com objetivos claros, não necessariamente. Mas aí a gente tem variações também de acordo com os métodos pedagógicos. enquanto professora, meu pensamento tá funcionando paraa turma, podemos seguir porque cada turma é única também e cada aluno é ele tem uma forma de aprender, né? Uma forma de colocar aquilo que ele aprendeu em prática. Então, assim, eh, embora seja uma classe às vezes lotada, cada um tem ali o seu o seu jeitinho, né? É muito individual isso de cada aluno, né? Exatamente. E é desafiador lidar com essa questão quando você tem uma sala superlotada. Aprovação automática. Então, por enquanto, existe no país e não deveria existir. Existe em alguns casos, a gente não pode pontuar que existe em todos. E na minha concepção, se você tem uma proposta toda coerente, ela deveria existir apenas em alguns casos que realmente tem uma extrema necessidade. Uhum. Na maioria dos casos não, até para estimular essa conquista, que é diferente do que a gente vê nas telas. Na tela é tudo pronto, você não precisa conquistar basicamente nada. Professora, o que é preciso rever e mudar para que os alunos aprendam e o ensino não esbarre nessas reprovações? Porque o problema tem sido esse, né? as reprovações. Então, acho que precisamos unir forças, alunos, professores, pais, com certeza tem toda uma estrutura que precisa de melhorias. Então, desde a formação desse professor para atuar com mais metodologias ativas, mais práticas, com a diversidade do aluno, nós temos inclusive uma faixa etária muito variada de professores. A gente tem pessoas aí com 40 anos de carreira lecionando, que tiveram que se adaptar a muitas questões e alguns têm dificuldades tecnológicas, por exemplo. Então, ensinar a instrumentalizar esses professores, ter mais materiais diversificados em escolas, explicar para esse aluno para que que a escola serve, por que que ele tá na escola, o que que ele vai aprender ali, como isso se relaciona com a vida dele, por as habilidades que ele tá conquistando ali são importantes num todo, porque é na escola que a gente aprende a andar muitas vezes numa fila e respeitar essa fila. Uhum. Isso vai impactar no trânsito, isso vai impactar quando você for num banco não digital, não médico, é o que você aprende num todo para além do conteúdo, porque que é importante estar na escola, né? Então, instrumentalizar o todo, conscientizar as famílias, conscientizar os professores, trabalhar a saúde mental deles é essencial. E claro, o ideal seria não ter turmas tão lotadas e a gente pensar que a realidade brasileira é gigantesca. Então a gente, enquanto a gente tem escolas em municípios que t escolas públicas lousa digital, a gente tem escolas públicas com o ventilador de teto arriscando cair e machucar uma criança ou um professor. Então tem muitos pontos a serem trabalhados num todo, mas a conscientização seria um primeiro passo de por que não é uma disputa de poder tá todo mundo junto numa rede de proteção através da escola para aquela criança e para aquele adolescente. Considerações finais para esse o seu ponto de vista em relação a essa progressão continuada, essa PL que está em discussão. O principal é a gente se preocupar com a qualidade da educação, muito além de notas, muito além de em que ano letivo o aluno está, mas nós nos preocuparmos na educação, sobre a educação global daquele indivíduo, desde ele aprender que se ele não tirou uma nota, isso não é uma punição e não deve ser usado como punição, porque muitas vezes é utilizado, né, por famílias e por professores. não é uma manipulação e sim é um registro que é um estímulo para ele melhorar, para ele entender que de fato pode errar e tem ferramentas para melhorar. Então, a gente precisa pensar na educação num todo, não só trabalhando, minimizando as possibilidades de reprova ao longo do processo, mas entendendo que conquistas fazem parte, que dificuldades fazem parte, que o esforço é importante, a geração de muita tela muitas vezes é mais sedentária, até por questões de segurança, dependendo do lugar, não é mais possível brincar na rua, né? Então vai ter uma autonomia diferenciada, tudo vai trabalhar na escola. nas questões emocionais, que antes tinha famílias com muitos irmãos, brincava na rua com muita gente, não. A socialização muitas vezes acontece na escola. Então, entender que a magnitude vai muito além do registro de notas, mas que é um preparatório para o dia a dia, paraa vida, e que a aprovação é mais um ponto, mas que o trabalho para que se conquiste essas habilidades e esses conhecimentos para que não sejam só informações perdidas e sim situadas no seu dia a dia, tem valor. A vida não é um vídeo de um minuto, não é uma opinião de outra pessoa. você constrói a sua trajetória e para construir a sua trajetória tem que ter esforço, tem que ter autoconhecimento. Isso precisa ser trabalhado desde a base. Ma, eu agradeço sua participação, agradeço por você compartilhar o seu conhecimento com a gente. Eu que agradeço pela oportunidade. Espero que todos valorizemos a educação como ela merece. Bom, então é isso. Nós conversamos com a pedagoga. Agradeço você também que nos acompanhou pelas telas. Esteve aqui comigo a nossa pedagoga Maibi Fernanda Mascarenhas falando sobre essa questão de reprovação nas escolas. Continue agora com a nossa programação. Ciao [Música] [Música]