TV Câmara Campinas
TV Câmara
Campinas
Ponto de Vista | Pele, poder e preconceito: como o colorismo molda o Brasil hoje
Em destaque · HD Vídeo · PONTO DE VISTA

Ponto de Vista | Pele, poder e preconceito: como o colorismo molda o Brasil hoje

49 views Publicado 01/11/2025 HD · 43:11

Descrição do vídeo

No episódio deste sábado do programa Ponto de Vista, o tema é tão necessário quanto urgente: Colorismo — as diferenças de traços e tons de pele e seus impactos sociais, culturais e econômicos. 💬 A conversa é com o advogado Ademir José da Silva, presidente da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil (OAB Campinas), membro do Conselho Superior do NEAB Unicamp, acadêmico da Academia Campinense de Letras, diretor da Associação Nacional da Advocacia Negra Brasileira e ex-diretor do Procon Campinas. O termo colorismo foi popularizado pela escritora Alice Walker nos anos 1980, no ensaio “Se o presente parece com o passado, como será o futuro?”, e descreve uma forma de discriminação baseada na tonalidade da pele dentro da própria comunidade negra. Segundo Walker e pesquisadoras como Alessandra Devulsky, autora do livro Colorismo, trata-se de um “subproduto do racismo”, que cria hierarquias de valor e privilégio entre pessoas negras com diferentes tons de pele. 📚 Como o colorismo surgiu A origem do colorismo remonta ao período da escravidão. Segundo o historiador Guilherme Oliveira, mestrando em História Social da África pela Unicamp, os senhores de escravos incentivavam rivalidades entre pessoas negras de tons de pele diferentes, especialmente entre os descendentes de mestiçagem e os africanos recém-trazidos ao Brasil. Esse mecanismo impedia a união e a cooperação entre grupos escravizados, enfraquecendo a resistência coletiva. Mesmo após a abolição, os privilégios simbólicos concedidos a negros de pele mais clara persistiram, alimentando o mito da “mestiçagem harmoniosa” e mascarando as desigualdades raciais que perduram até hoje. ⚖️ Colorismo no Brasil contemporâneo O colorismo reflete uma herança de exclusão que se manifesta em diferentes esferas — da mídia e publicidade às oportunidades de trabalho e representatividade política. Pesquisas mostram que quanto mais retinta a pele, maior é a probabilidade de sofrer discriminação, menor a renda média e menor a visibilidade nos espaços de poder. O advogado Ademir José da Silva destaca que, para enfrentar o problema, é preciso reconhecer a diversidade dentro da negritude, sem deixar que o sistema racista continue a promover divisões internas. “O racismo estrutura as relações sociais e o colorismo é uma de suas engrenagens. Precisamos falar sobre isso para transformar a forma como a sociedade enxerga e valoriza as pessoas negras”, afirma. 🌎 Colorismo é um fenômeno global Embora mais evidente na realidade afro-brasileira, o colorismo também afeta povos latino-americanos, asiáticos e árabes. Em países como Índia, Coreia do Sul e China, cremes clareadores com substâncias tóxicas são vendidos com a promessa de uma “pele mais aceitável”. No Brasil, o fenômeno se expressa na busca pelo alisamento de cabelos crespos, na falta de representatividade de pessoas retintas e na tendência de autodeclaração como “pardos” ou “morenos”, uma tentativa inconsciente de afastar-se da identidade negra. A filósofa e escritora Djamila Ribeiro relata ter levado anos para aceitar sua negritude e o cabelo crespo natural. “Eu alisava o cabelo porque queria ser aceita. Só adulta percebi que não precisava mudar minha aparência para ser valorizada”, conta. 💼 Colorismo e mercado de trabalho Nas empresas, o colorismo pode impedir o avanço profissional de pessoas com pele mais escura, limitando-as a cargos de base e afastando-as de posições de liderança. Essa exclusão silenciosa impacta a autoestima, a produtividade e o clima organizacional. Por outro lado, companhias que valorizam a diversidade e implementam políticas de inclusão racial efetivas, reconhecendo as diferenças dentro da própria comunidade negra, tendem a ser mais criativas, inovadoras e éticas. A chave é combater o tokenismo — a inclusão simbólica de pessoas negras apenas por imagem — e promover oportunidades reais com base em competência e representatividade. 🧠 Como combater o colorismo O diálogo conduzido por Ademir José da Silva ressalta que o combate ao colorismo exige educação, conscientização e compromisso coletivo. Entre as ações práticas estão: ✅ Reconhecer que o colorismo existe e causa danos reais; ✅ Educar sobre o tema em escolas, empresas e instituições públicas; ✅ Valorizar a diversidade de tons de pele e traços nas campanhas e na mídia; ✅ Combater ativamente qualquer forma de discriminação, inclusive a que ocorre dentro dos próprios grupos raciais; ✅ Celebrar a beleza natural e a identidade afrodescendente em todas as suas formas. Continue assistindo conteúdos transformadores em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

Transcrição completa do vídeo

28 mil caracteres · transcrição automática

Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.

[música] Oi, gente. Está começando mais um ponto de vista. No programa de hoje, nós vamos falar sobre um tema essencial, colorismo, as diferenças de traços e tons de pele e como ela influencia a forma como as pessoas negras são vistas e tratadas no Brasil. Nosso convidado de hoje é o Dr. Ademir José da Silva, advogado e presidente da Comissão da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil. também é membro superior do conselho do NEAB da Unicamp. Seja muito bem-vindo. Muito obrigado. É um prazer muito grande e uma alegria, né, poder contribuir com esse programa tão importante, né, para a sociedade brasileira, para a sociedade aqui regional, mas também para, né, até onde o programa alcançar. Exatamente, professor. Eu acho que a gente precisa começar esclarecendo para o nosso público o que é o colorismo, porque é um termo relativamente novo, né, perto de quando a gente fala sobre racismo. Acho que é um termo que vem há muito mais tempo. O colorismo ainda não chegou ao conhecimento de todos. Então, como o senhor definiria esse termo? É, na realidade, eu acho que para falarmos, para chegarmos nesse ponto, nós temos que fazermos uma regressão na história. E regressão na na história, nós vamos regredir a 1452, quando foi editado uma bula papal chamada Dun diversas. E eu quero, né, eu vou nessa oportunidade eh ler aqui o teor dessa bula para Uhum. Que foi que deu a origem ao que nós vamos, né, que nós vamos falar aqui hoje. Tá bom, fique à vontade. A bula papal é um é um documento, na realidade é uma autorização que o Papa Nicolau V outorgou. ao rei Afonso V de do de Portugal. Uhum. E agora eu vou dar aqui colocar a o os o inteiro teor do dela, né? O inteiro teor que que mais é o que mais eh adequa ao que nós vamos tratar hoje. Então, o que que dizia? O que que dizia essa e que essa autorização? Nós lhes concedemos por esses presentes documentos, com nossa autoridade apostólica, plena e livre permissão de invadir, buscar, capturar e subjugar serracenos e pagãos e quaisquer outros incrédulos e inimigos de Cristo, onde quer que estejam, como também seus reinados, ducados, condados, principados e outras propriedades. E mais, e reduzir suas pessoas à perpétua escravidão e apropriar e converter em seu uso e proveito e de seus sucessores os reis de Portugal em perpétuo, os supravencionados reinados, ducados, condados, principados e outras propriedades e possessões e bens semelhantes. Nicolau V, papa em 1452. Em 1500 o Brasil eh os portugueses chegaram aqui no Brasil. Uhum. E em 1534 nós já temos notícias da dos primeiros eh negros chegado ao Brasil produto de um sequestro que teve aproximadamente 350 anos. esse espaço de tempo e com essa autorização. Então, até então nós não tínhamos eh a chamada escravidão por eh escravidão por etnia. Uhum. Né? ou por religião. Neste caso, nós tivemos eh esse processo, essa autorização e a partir daí nós tivemos uma legislação. Quando se fala de serracenos, são os eh escravizados fora do do do Europa. Ou seja, são as pessoas que ex que existiam fora da Europa, que não fossem convertidos ao ao catolicismo, né, e que não estivesse na Europa, poderiam ser. E naquele caso específico dessa autorização foi direcionada ao continente africano. 100 anos depois, essa autorização foi chegou a foi estendido à Espanha. Uhum. que nós a razão de termos os espanhóis também temos Américas, né, portuguesa, América espanhola. Então, a partir daí nós tivemos e as legislações que era aplicada fora da do do continente fora do continente europeu, os portugueses aplicavam, trazia essa essa estratificação e aplicado a esses povos. Uhum. E dentro do da da história desse chamado colorismo, nós temos aí o que chamou, quer dizer, foi um uma um espécie de um de uma acomodação, porque o que que o que que aconteceu? teve muito a messigenação a partir desse, né, desse processo, porque os portugueses que vieram para o continente americano, que vieram para o continente americano e a América do Sul, Brasil, eram mais homens, né? Mais homens. Então, e através disso aí tiveram essa missigenação, tanto com os povos originários também com o os negros. Uhum. né? E a partir daí, dentro de uma de uma de um de uma ideologia de que esses povos eram povos inferiores, então foi aplicado esse processo que nós denominamos e depois através de estudos foi identificado como o racismo, né? esse racismo que ao longo do tempo foi se aperfeiçoando os estudos e chegamos hoje no chamado racismo estrutural, racismo institucional ao, né, espalhado na nossa sociedade e nas na nossa eh na nossa sociedade e nos no e no meio ambiente, né? Uhum. nos nas entidades, né? Nas entidades em geral. E dentro desse processo aqui eu chego à sua pergunta, né, que é mais recente. Quer dizer, utilizei esse caminho para esse fio, né, para entendermos, né, do que que estamos falando e de onde veio, de veio isso. Então, aí dentro de hoje daquilo que nós discutimos, né, e muito se negou esse essa questão do da identidade no Brasil. Então, sempre disse que o Brasil eh tiveram várias teorias aí. Primeiro foi uma teoria de tentar eh fazer com que os o Brasil se tornasse uma nação branca. Uhum. Né? Uma nação branca. Inclusive eu trago aqui, né, esse livro que chama chamado identidade, né? Uhum. o tempo como senhor da da história, sagas e raízes. Eu tenho uma ten um artigo meu nesse nesse livro que chama O negro na legislação brasileira, porque das três eh raças majoritárias, né, das três etnias que formam o Brasil, os povos originários, os europeus, o branco descendente de europeus e os os negros. Os negros não são eh considerados imigrantes, não tem esse estato de imigrante. Se os negros quiserem fazer um um retorno para a sua terra de origem, não consegue porque não sabe de onde veio. Não tem não tem como poder fazer a sua árvore genealógica e chegar até os, né, de onde vieram, da sua origem. Então esse esse capítulo ele trata exatamente, primeiro que não são imigrantes, segundo que são eh a legislação que foi utilizada ao longo desse tempo para eh naturalizar isso, formalizar isso, né? Isso ainda é assim. Estamos em 2025. Ainda é assim. Aí a nossa as nossas constituições, nós temos eh sete constitivemos sete constituições, todas as constituem, eu vou falar aqui de um artigo que é o o artigo principal que trata que quando se fala do negro trata da igualdade, né? liberdade e igualdade. Em todos os esses eh essas constituições, nós temos esse artigo tratando de liberdade e igualdade. No entanto, os negros passaram à margem desse tanto dessa liberdade quanto dessa igualdade. só a partir da Constituição de na Constituição de 1890, que já foi a primeira Constituição da República, nós tivemos uma Constituição em 1824 e mas aí ainda vigia o regime de escravidão. Aqui só em 88 que nós tivemos, 1888 que nós tivemos a abolição da escravidão. E também continuou praticamente isso porque não, o artigo, a a lei aura tinha apenas teve apenas dois artigos. Uhum. Né? A partir dessa data estão estão estão libertos escravizados no Brasil, né? Cumpram-se as, né? Cumpram-se a as determinações. Então, eh, o que que acontece? somente a Constituição de 88, 18, 1988, que nós chamamos de Constituição Cidadã, que trouxe eh uma busca de uma igualdade material. O que que é igualdade material? Quando você tem, você tem uma igualdade eh formal que é a igualdade da lei. Então em todas as outras constituições nós tínhamos essa igualdade e essa liberdade na lei, mas não era materializado. Que responde a sua pergunta de somente agora em 2025. Não, não somente agora, mas eu vou posso afirmar que de 88 para cá, né? E aí assim, quando a gente olha para esse termo colorismo, a gente pode identificar que historicamente ele surgiu na época da escravidão ou como algumas pessoas pensam, esse termo colorismo surgiu a partir da da missigenação. Tem alguma relação com isso? tem tem algum tem alguma relação, mas eh mas é é um é uma metodologia, né, de classificação. Isso aí vem do norte no nos Estados Unidos, né, que tem e e existe uma diferença também, uma diferença eh entre a classificação das pessoas, né, das das pessoas, das etnias para os americanos e para nós na legislação americana e na nossa legislação, né? Na legislação americana o negro ele é partido a partir do gênero, entendeu? Então lá na constituição deles, no nos processos deles, se você tem uma gota de sangue, né, de negro, você é considerado, né, negro. Sim. Aqui no Brasil é não é o gem, é o fenótipo, é aquilo que se vê, entendeu? é o fenotipo. Então, aí que entra essa que materializa mais essa essa questão de da de do que você vê. E quando você vê, como eu disse anteriormente, que é uma das estratifica o o colorismo é uma das estratificações do do racismo. Uhum. Então, se é uma das estratificações do racismo, é uma é um tipo é um degrau discriminação. Sim. você tem uma discriminação um pouco maior e uma uma a mais a menos. E isso com a nossa experiência, né, tanto na advocacia quanto na militância e na sociedade civil e também em sindicatos, né, em associações. nós e ao longo desse tempo trabalhando com essa questão, inclusive buscando eh quebrar essas, né, quebrar esse essa essas barreiras. Uhum. Nós temos, deparamos com casos muito, por exemplo, você dizer caso prático, eu tive um o caso que através da nossa comissão na na Ordem dos Advogados do Brasil aqui de Campinas, nós fomos eh foi um processo de uma moça que ela foi demitida de uma empresa aqui aqui em Campinas, uma empresa de importadora de carros e a moça foi demitida porque ela estava na recepção do foi foi demitida na recepção e quando chegou um dos diretores, ele eh passou por ela, ela cumprimentou, ele não cumprimentou, chegou lá, foi no RH e falou que que que aquela moça estava fazendo no Aí essa moça e falou: "U, ela foi ela foi admitida nos processos normais". Mas eu não quero essa moça. Sei que dois dias depois ela foi foi demitida, foi demitida e através de um processo, um longo processo judicial, esse processo foi primeiro na justiça eh justiça cívil, depois foi para para a justiça do trabalho e no final da no final do processo a empresa foi condenada, Mas o que que eu quero te contar eh e contar para o nosso público? Ao longo do processo, nós fomos eh convidados para participar como testemunha, né, encontro órgão, a comissão que trabalhava com a questão, com essa questão racial. E na defesa da empresa, ela trouxe uma série de eh funcionários que eram funcionários negros para dizer que ela não discriminava. Mas investigando, nós descobrimos que aqueles funcionários que trabalhavam na empresa não trabalhava na linha de frente. O famoso assim, não, eu contrato, mas deixo ele escondido. Então, eh, e, e, e nesse sentido a gente ainda depara, né, com empresas que tem, que tem esse caso, mas nós temos trabalhado bastante aí no âmbito da comissão em parceria com, né, o Ministério do Trabalho, Ministério Público do Trabalho, né, desenvolvido trabalho, trabalhado com empresas, né, trabalhado com empresas para buscar essa essa essa igualdade, né, que a nossa o nosso o nosso ordenamento jurídico formal, ele não admite. Ele não admite um ponto que assim, eu ouço muito as pessoas falarem eh na questão do colorismo, fala-se muito, por exemplo, do pardo. E aí nós temos aquela pessoa da cor parda que ela fala assim: "Não, mas eu não sou negro, eu sou pardo". E tem aquele que fala assim: "Não, eu sou negro". "Não, mas você é pardo". Não, mas o pardo é negro. Como é que a gente leva luz para esse problema? Porque é uma confusão, né? O IBGE também já se manifestou em relação a isso. Olha, na realidade eu vou trazer e não vou contar minha idade aqui, mas eu vou trazer para você uma questão que veio à tona em 1999. 1999, eh, foram os primeiros, eh, momentos em que nós tivemos na história do, né, do Brasil, do mercado de trabalho, é a implantação, é a discussão e formalização dessas políticas. Voltando um pouquinho atrás, né? Nós tivemos em 1000 eh, você vê como é que é complexo a questão. Até 1993, o Brasil não admitia que era um país que tinha problemas raciais. É verdade. Não admitia. Foi a partir daí que nós tivemos uma, né, uma conferência em AIA, né, em que o Brasil foi questionado lá e vou retornando pro Brasil, né, foi conversado essa questão e o governo da época começou a discutir e admitiu as políticas de a partir dali o Brasil começou a criar algumas políticas que reconhecia que tinha eh problema de eh problema racial no Brasil e que iria trabalhar. Em em 1999, o Ministério do Desenvolvimento Agrário eh instituiu cotas de 10% de 10% não, 20% de negros numa contratação que eles que eles estavam fazendo lá de estagiários, né? E trino, três meses. E foi muito questionado. Foi muito questionado. E aí, porque no Brasil não sabia essa essa questão, as pessoas não sabiam o que era, se ela era preta, se ela era era parda ou o que que ela era. E a pergunta que o que o o ministro fez foi o seguinte: as cotas são para aquelas pessoas que se identificam, aquelas pessoas que se identificar que são, né, que elas são porta, elas são aptas a pleitear, então são essas. aquele que acha que independente de como ele é lido, né, porque tem essa confusão também, né, às vezes você faz uma leitura de uma pessoa e ela mas ela não se identifica com essa com essa leitura, sim, né? Então, nós tivemos aí inclusive uma palheta, teve um um dos do dos censos do IBGE que foi feita essa pergunta, né, de qual que era a cor da pessoa e apareceram lá mais de 100 eh tonalidades de, né, das pessoas. Mas aí, mas na realidade o que o que existe realmente, o que se pauta é o é branco, né? O o negro que é preto e parto ou preto ou parto. Uhum. Né? E os e amarelo. Sim, amarelo. Que aí a gente classifica como os indígenas, né? Que é mais é os indígenas, né? Os asiáticos. Aiáticos, né? São esses aí. Então são esses. Isso é o quê? Aí isso é o que se que se tem. E aí assim, como o senhor enxerga o impacto desse conceito na construção da identidade negra aqui no Brasil? Como eu digo para você, eu entendo, né? É um ponto de vista, o programa chama ponto de vista. Exatamente. Esse eu tenho o meu ponto de vista é que e aí não é só o meu ponto de vista, né? Já já está comprovado que é uma estratificação do do racismo, né? É uma aplicação. Ele ele prejudica, né? ele prejudica quando a pessoa eh ela não se identifica, porque isso aí esse isso é um problema que acontece às vezes até na família, porque como nós temos famílias missigenadas, nós temos aí, né, um casal que às vezes tem uma um filho ou uma filha que é puxou mais por uma etnia e o outro puxou mais por outra etnia. Exatamente. Entu. E aí, quando seria um problema, né, na nossa eh aplicação das políticas afirmativas, né? Primeiro um problema pra pessoa, né, que ela fica ali, não sabe para onde que ela ela se identifica. E o outro seria nas na aplicação eh material da da da das ações afirmativas, que como que a pessoa se classifica. Então, nós colocamos e aí aparece essa questão, como é que você é lido na sociedade? como você lido na sociedade e os estudiosos do assunto, pesquisadores, dizem o seguinte, né? A nossa polícia sabe muito bem, né, identificar quem é preto, quem quem não é. Hum. Né? Então, quer dizer, existe essa questão também que é aquela da do da sociedade, né? Às vezes classificar. Eh, e aí é um lado um lado negativo de, né, da da questão, mas eh que existe, que que nós temos que temos que enfrentar. Pesquisando sobre esse tema, eu vi muitos negros falando da seguinte questão. Para alguns dá a impressão que esse colorismo é uma forma de valorizar, de dar oportunidade para aqueles negros com pele mais clara. E aí teve até uma uma pessoa, uma ativista que ela falou o seguinte, ela falou: "Gente, o nosso problema, ainda que seja um negro com um tom de pele mais claro, ele continua sofrendo racismo, discriminação, às vezes no próprio emprego, como o senhor citou um exemplo, né? Então assim, às vezes a pessoa pode até ser mencionada como não, ela não é negra, ela é parda, mas ainda assim ela não vai ter a mesma oportunidade, ou talvez não sempre, a mesma oportunidade que um branco. Não vai, não vai. Exatamente. É, esse esse é o problema que é o a é uma, como se diz assim, um disfarce, um disfarce do da tecnologia, né, racista, racismo que é que opera na nossa sociedade, né, que opera de uma maneira que não ajuda ninguém, porque na realidade está comprovado que todo mundo perde, né, todo todo mundo perde. E hoje, eh, eu até faço um alerta, porque se nós temos uma sociedade em que nós temos eh somado eh aí pretos negros, né, negros pretos e partes, a população negra hoje no Brasil ela é majoritária. Sim, ela é mais de 50%. Ela é mais de 50%. Se você é uma empresária, qual de qualquer ramo que seja, você quer este, você quer esse público ou não? Sim, deveria querer. Você deveria querer, né? E se você não E se você não quer esse público, você tá jogando contra o seu próprio negócio, não é isso? Sim, sim. seu próprio negócio. Então, até por esperteza, né, por interesse de negócio, eh, eu entendo que a sociedade brasileira precisa repensar isso, né? Mas isso não esbarraria, por exemplo, na questão das cotas, como por exemplo, a empresa não seria uma vantagem para ela ela ter um número de negros como existe, né? Precisa ter negros, precisa ter uma pessoa com alguma deficiência física. Isso fala-se muito também sobre pessoas que que são obesas. É, na realidade, exatamente. A nossa Constituição, ela traz esses princípios, né? É o que é o princípio da igualdade. Uhum. O princípio da oportunidade para todos. Então, eh, se você não aplica isso, então existe também, nós trabalhamos no sentido de, eh, é um mal que afeta a toda a nossa sociedade. Então, é de elucidar, né, de conversar mesmo, de conversar. Uhum. conversar porque mostrar que estão né, aquela pessoa, aquela empresa que está ignorando essa realidade, ela está eh fadada, né, a partir do momento que nós tivermos uma consciência de classe, uma consciência enquanto consumidor, né, eu nas minhas nas minhas no meu meio de, né, que eu procuro e nas minhas palestras né, e discussões. Eu digo assim, eu gasto meu dinheiro onde eu me vejo eh representado, né? Então eu eu digo que o dinheiro é, sabe, eu tenho o controle, né? O controle do meu dinheiro e cada um de nós tem o controle do seu dinheiro, né? Então é muito importante que quando você, né, a sociedade como um todo, né, para nós melhorarmos, nós temos que a admitir a a boa convivência, né, e que existe lugares e oportunidades para todos, sem dúvida, independente de onde nós viemos, de como nós viemos e como estamos aqui, né? Porque eu sempre falo que trazendo o o princípio da nossa da nossa entrevista, né, dessa conversa nossa aqui de ponto de vista, eh o processo em que eh os negros chegaram ao Brasil, o processo de contribuição para a qual os negros contribuíram para a formação das riquezas do nosso país. e consequentemente da Europa, né? Porque muito daqui das das riquezas foram paraa Europa. Uhum. Eh, a dívida é impagável. Não existe, não existe eh um pagamento não só só do se a gente fosse avaliar só o trabalho, mas avaliar também as vidas, as perdas que tiveram, né, que foram pessoas que foram arrancadas dos seus berços familiares e vieram como mercadoria. Exatamente. Vieram pessoas que tinham condições de trabalhar, de produzir e aqui trabalharam de sol a sol. Tem um hino a negritude, né, que aqui na Câmara você já deve ter ouvido, né, de autoria do professor Eduardo de Oliveira, que fala, né, brasileiro de scol luta de sol a sol, né, para o bem do nosso país. Então, esse povo em passadas intrépidas criaram e continuam criando esse país e ainda não tem o reconhecimento. Se você analisar hoje as nossas eh as nossas periferias, as nossas comunidades, né, a ausência do estado nesses lugares, né, e quando o estado vai lá e chega de uma maneira que não sabe que não vai ajudar, não vai colaborar, né? Então, é uma, é isso aumenta o crédito dessa população, né, dessa população. E o o trabalho que eu acho que é de todos nós, todos nós é refletirmos sobre isso, sobre essa realidade, né? sobre de onde viemos, como viemos, quais são eh as raízes, né, dessa dessa sociedade nossa e como nós podemos, né, a partir da da da de agora trabalharmos para um Brasil melhor, igual e mais igual para todos, com oportunidade para todos. E de que forma a gente pode fazer isso? Porque a gente percebe que ainda existem muitos preconceitos, muita discriminação em todos os setores, né? Seja no trabalho, seja nas escolas, né? Às vezes as crianças ali tão novinhas, sem entender direito, são recriminadas ou recriminam, né? Como é que a gente pode elucidar isso, trazer isso pra população, fazer parte dessa desse movimento pra gente acabar com essas diferenças, com essa desigualdade? Como eu disse para você, eu tenho, né, estou há muito tempo, há muito tempo nesse, nesse trabalho, trabalho diariamente, né, eu, isso eu tenho materializado e trago a a fala de uma presidente, eh, presidente não, foi secretária da Comissão Nacional da Verdade sobre a Escravidão Negra no Brasil, professora Sueli, que faleceu o ano retrasado faleceu, ela era professora, eh, secretária da comissão e ela dizia o seguinte, e através dela, de uma pesquisa dela, foi eh a primeira mulher no Brasil, foi que foi reconhecida como a primeira advogada do Brasil chamada Esperança Garcia. Uhum. Né? Esperança Garcia. E a professora Sueli, ela dizia o seguinte: "Todos os dias quando eu vou deitar, eu pergunto: "O que eu fiz para contribuir, para diminuir o racismo no meu país. Quando levanto, eu pergunto: "O que eu vou fazer?" E eu tenho isso sempre em mente. Eu levo isso sempre em mente, essas palavras da professora Sueli. E deixo aqui para o nosso, né, os nossos telespectadores, né, para o nosso público. Vamos refletir, né, como nós podemos trabalharmos, cada um de nós, refletirmos, analisarmos que nós não vivemos eh por nós somente. Nós vivemos numa interdependência. Uhum. E que nós temos, nós devemos muito, muito aos que primeiros aqui chegaram, aos nossos ancestrais. Uhum. Quer sejam eh os povos originários, né? Quer seja os negros que vieram para trabalhar, né? E continuam trabalhando. Uhum. Né? Outros não tendo oportunidade de trabalhar de de trabalho, né? e nem de moradia que uma busca de territórios. Então, eu entendo que o Brasil eh tem grandes possibilidades de vai depender da nossa capacidade de resiliência de dialogar, de dialogar mesmo com quem não queira dialogar, né? Mas é, acho que tem, temos que partir para isso. E por outro lado também, eh, muitas das vezes nós temos que auxiliar pessoas que têm menos condições do que de do que nós, que nós encontramos essas pessoas em situação de vulnerabilidade. Sim. E que às vezes elas não têm nem capacidade de entender o que estão ac estão fazendo com elas, né? E aí cabe a cada um de nós dar a nossa contribuição com o conhecimento de, né, da nossa legislação, dos nossos, né, do dos processos que existe hoje, né, tá? Tanto a legislação nossa nacional como a legislação internacional hoje que de proteção de direitos humanos, né, proteção da dignidade da vida, dignidade da pessoa humana. Eu entrevistei uma pessoa uma vez e ela fez o seguinte comentário. Ela falou: "Carla, muitas vezes o branco faz ou fala alguma coisa que ele nem percebe e porque ele não tem essa dor. Então ele nem se toca que isso é um racismo." Tem alguma coisa, algum momento na sua vida que aconteceu algo nesse sentido que o senhor sentiu que aquilo ali era uma forma de discriminação? Mas o senhor também percebeu que paraa pessoa que estava fazendo, para ela não era, ela não tinha esse conhecimento. Percebi. Teve, teve, teve, teve momentos que eu tive a oportunidade de não naquele momento, porque dependendo do do do momento, às vezes não sabe, não não funciona, né? não funciona, mas num outro momento você conversar, conversar com a pessoa e teve eh a partir disso ter muitos aliados, ter muitos aliados, né? Porque ninguém, como diz o nosso Mandela, né? Ninguém nasce discriminando. Exatamente. É, ninguém nasce discriminando. É, as pessoas aprendem a discriminar. É, né? Aprende. Então, se você encontrar as nas escolas crianças, eu já tive oportunidade de dar palestra para para crianças, né? e também mediar conflitos, né, de de famílias em escolas, né, que que aconteceram com as crianças, mas que elas não aprenderam aquilo na escola, elas aprenderam em outro lugar. É, né? Em outro lugar. Viu alguém fazendo, né? Exatamente. Exatamente. Então tem isso. Eu entendo que eu digo que o o Brasil nós deveríamos ter eh uma oportunidade de fazer com que todo brasileiro e de quando eu falo nós tô falando, né, os quem tem competência para isso, os órgãos governamentais. Uhum. oportunidade de todos os brasileiros poder eh ir para fora, conhecer lá fora para valorizar o nosso país. Eu entendo que brasileiros que não conhecem lá fora e falam muito mal do seu país, sabe? Não é quando vão tem essa oportunidade de querer voltar e saber que isso aqui é um é um lugar muito bom, um lugar muito bom de se viver. Mas temos que precisamos melhorar as nossas relações, precisamos eh buscar a diminuição das desigualdades, do preconceito, né, e da discriminação. E isso em vários, né, de gênero, de etnia. Uhum. né, de de obesidade, de, né, de então pessoas portadoras de deficiência. Então nós nós temos então e que cada um tem a sua tem como contribuir contribuir e muito para a nossa nação. E Deus, professor, como o senhor disse, né, o nome do programa é ponto de vista e eu gostaria das suas considerações finais para este programa, este ponto de vista em que nós falamos sobre o colorismo. Meu ponto de vista, eh, primeiro é parabenizar a TV Câmara, né, parabenizar a Câmara Municipal de Campinas por oportunidade, né, regional, nacional e até internacional, né, onde o programa eh a alcance de trazer temas tão relevantes para discutir, né, para discutir não ter eh censura, né? Então, trazer esse e acredito que essa conversa nossa teve nós tivemos oportunidade de dar uma contribuição para a sociedade. Uhum. Espero que sejam feito outros programas semelhantes, né? Tendo outras oportunidades. Quero voltar aqui, né? para tratar também de assuntos que julgarem pertinentes, já está convidado, julgarem pertinentes e dar a nossa contribuição e fechando, né, convidar a nossa sociedade, né, a dialogar. Nós somos um povo bom, nós somos um povo que lá fora todo mundo gostaria de conhecer o Brasil. Todo mundo quando se fala do Brasil, né, querem, né, conhecer o Brasil, fala das das nossas belezas naturais, falam dos nossos ídolos e falam, né, que gostariam de vir para cá, né? Então, primeiro, né, aguçá-los a ir lá fora para sentir melhor como é o Brasil e voltar com esse sentido. E que possamos cada um de nós pensarmos, né, o que que o como o tema hoje que nós tratamos foi um tema que chamado colorismo, mas que nós eh sabemos que é uma estratificação do racismo. Uhum. Né? desse racismo que tem operado nas nossas instituições e que eu particularmente tenho trabalhado dioturnamente, dialogado, sabe, buscado conversar mesmo com quem é dial diametralmente contra a o meu pensamento, né? Mas eu sempre falo é que é o seguinte, né? É importante nós termos oportunidade de dialogar, né? Exatamente. Vamos dialogar. nós não podemos é perder essa capacidade do diálogo, né, e de pensarmos num bem comum, na dignidade da pessoa humana, né, nos direitos humanos e de que todos nascemos iguais em direitos, né, e deveres. Dr. Ademir José da Silva, agradeço sua participação. Muito obrigado por o senhor vir aqui compartilhar o seu conhecimento, o seu ponto de vista. O agradecimento é todo meu. Muito obrigado. Muito obrigada a você também que nos acompanhou pelas celas e continue nos acompanhando que você vai saber de temas tão relevantes quanto esse. Até o próximo programa. [música] [música] [música] [música]
A seguir

Continue assistindo

Próximas horas na grade ao vivo
Programação completa →
Ao vivo
Plenário · 13h

Câmara Notícia — Edição da Tarde

13:00 - 14:00 · Ao vivo
28:32
Matérias · 14h

Matérias — Especial da Semana

14:00 - 14:30
58:12
Perfil · 15h

Perfil — Entrevista da semana

15:00 - 16:00 · T03:E18
45:08
Bairros · 17h

Meu Bairro na TV — Vila Padre Manoel

17:00 - 18:00 · T05:E12
Estreia 1:32:00
Especial · 19h

O Ano em Plenário — Ep 1: Mobilidade

19:00 - 20:30 · Estreia
Ao vivo
Plenário · 20h30

Sessão Ordinária da Câmara Municipal

20:30 - 23:00 · Ao vivo
Mesmo programa

Mais do PONTO DE VISTA

Edições anteriores do programa
Todas as edições →
48:42

Ponto de Vista | Cultura: produto de consumo ou direito de todos?

33:31

Ponto de Vista | Banalização do TDAH

37:20

Ponto de Vista | Coaches mirins: riqueza rápida sem estudar?

36:07

Ponto de Vista | Guerras, Oriente Médio e impacto na indústria de Campinas

34:10

Ponto de Vista | SUS precisa acabar ou melhorar?

46:10

Ponto de Vista | Normalização da violência e indiferença na sociedade moderna

35:03

Ponto de Vista | Cinema brasileiro, roteiros e os bastidores da criação nacional

38:52

Ponto de Vista | Inclusão, esporte e os desafios das pessoas com deficiência

36:39

Ponto de Vista | Machismo e misoginia nas escolas: como proteger as meninas?

35:01

Ponto de Vista | Jornada 4 Dias x 36h: empregos + saúde? UNICAMP analisa PEC

36:14

Ponto de Vista | Misoginia digital e redpill no Brasil

44:58

Ponto de Vista | 3ª guerra mundial? Análise do conflito EUA-irã

37:46

Ponto de Vista | Crise hídrica e ciclos climáticos

33:20

Ponto de Vista | PL 5990/2025 (PL dos Influenciadores): o que muda, multas e fiscalização

41:09

Ponto de Vista | ECA e redes sociais: regras para menores, fiscalização e riscos online

40:35

Ponto de Vista | Enamed expõe falhas na formação médica

50:35

Ponto de Vista | Jovens detonam CLT? Futuro do trabalho em xeque!

52:14

Ponto de Vista | Streaming deve pagar imposto no Brasil?

34:12

Ponto de Vista | Misoginia e violência de gênero: como o ódio se organiza na sociedade

42:26

Ponto de Vista | Vira-latismo cultural: por que o Brasil demora a valorizar SUAS obras?

Recomendados

Você pode gostar

Outros vídeos selecionados a partir do conteúdo que você acabou de ver
Mais recomendações →
1:05:42

Estúdio Câmara

16:38

Câmara Na Copa | Copa do Mundo FIFA 2026: Tudo Sobre a Maior Edição da História

4:22

Câmara Notícia | Parlamento Jovem 2026

8:59

Notícias da Metrópole

16:39

Notícias do Legislativo

2:43

Agora é Lei | Semana da Força Expedicionária

10:27

Agenda Cultural Campinas: Shows, Teatro, Cinema e Exposições para o Fim de Semana!

56:15

Câmara Notícia