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Olá, [música] minha gente. Está no ar mais um ponto de vista. No programa de hoje, nós vamos conversar com o escritor Torres Carreira. Ele está lançando um novo livro. O nome é Nascer já era assim. Sejam bem-vindos. Seja bem-vindo, senhor Torres. Muito obrigado. É uma satisfação estar aqui para falar desse novo trabalho. E esse trabalho já vem com o título que é bastante provocativo, né? Sim. Não só título, como todo livro, ele é bastante provocativo, por ser um tema muito importante, que requer debates, ampliar os conceitos, para trazer consciência, eh ele é um livro interativo. Aproveitamos que a tecnologia hoje nos permite eh fazer o que fizemos, usamos e colocamos um que reconde no final de cada capítulo, onde o leitor, ao final da sua leitura, poderá espelhar o seu celular para ouvir a opinião de um outro leitor sobre aquele mesmo tema. Uhum. Ah, e no final do livro vem um outro QR code que ele poderá falar sobre o livro, ele poderá deixar mensagem dele e assim a gente vai ampliar o debate, né? E como é que surgiu essa ideia do senhor eh colocar esse Porque é uma ferramenta nova, né? Pra gente que começou a comprar livro lá na lá atrás, não vou falar a data porque senão fica chato, né? [risadas] Mas isso é uma ferramenta nova, esse car code, isso traz uma interação maior. Como é que surgiu essa ideia pro senhor? Bom, eh, a ideia surgiu eh esse ano eu participei da de um congresso da Câmara Brasileira do Livro em no Guará. Uhum. E lá estavam presentes todos os grandes editores, autores. E eu não vi nada de novidade. Não obstante a tecnologia avançou muito, que o o livro é uma ferramenta fundamental, mas no mundo de hoje ela é uma ferramenta eh parada, né? Eh, a pessoa lê, o autor não sabe, não tem o feedback do do que o leitor achou, né? a gente pode ter opiniões divergentes naquilo que que a gente escreveu, mas o debate ele amplia a matéria, né? Traz mais consciência, mais participação e conexões, né? Então isso é importante. Então eu imaginei que eu já estava trabalhando esse livro, eh, transformá-lo num num veículo interativo. E aí fomos buscar tecnologia, porque você vai imprimir o livro, você tem um Qcode ali. Normalmente o Qcode ele tá ligado a um linkado a a um endereço, né, chamado link. Uhum. e você só pode colocar aquele. E aí nós contratamos técnicos que desenvolveram um QR code dinâmico, de maneira que eu posso ter em um capítulo 100 opiniões diferentes sobre aquele texto. Uhum. Então, a a eu nós pretendemos ter lançamos com uma uma vídeo em cada capítulo, mas pretendemos ter três. Depois no site eh eh torrescarreira.com, lá nós vamos ter todos. Uhum. Então, a qualquer pessoa pode acessar e eh ler o livro e ouvir a opinião dos outros. Torres, o livro ele foi lançado recentemente, então ele ainda está pouco, aliás, está visível nas prateleiras, mas poucas pessoas ainda tiveram acesso, né? O senhor já teve alguma, algum feedback, algum retorno de algum leitor justamente por conta dessa tecnologia? Olha, eu tenho tido muito feedback porque nós convidamos eh 34 pessoas para participar, ler o livro e comentar sobre um capítulo, né? E também mandei para alguns amigos e eu tenho um amigo, um empresário do Espírito Santo que está nos Estados Unidos. Ah, e mandei para ele o livro virtual. Uhum. E hoje eu li umas 20 laudas que ele mandou pelo pelo WhatsApp com a opinião dele. Então, a repercussão tem tem sido eh muito grande, como também em relação aos temas, aos capítulos, eh eu diria que 95% das pessoas elas estão de acordo com o Torres Carreira nas questões apresentadas, mas também tem opinião divergente. Eu eu convidei um amigo aqui de Campinas que é advogado, jornalista, dono de um site de futebol, uma pessoa muito inteligente, porém sempre foi polêmico, né? E e ele gravou o vídeo, né? No qual ele ele dá a opinião dele sobre o livro, elogiou muito o trabalho, mas naquele capítulo em si, ele foi divergente a a minha ideia colocada. é que ah, e eu como matemático a eu procuro colocar os meus textos e para reflexão utilizando eh a lógica matemática. Com a lógica matemática não há argumento. Uhum. né? ou é ou não é, porque ele não é um livro ideológico, ele é um livro que ele retrata o Brasil hoje, como é o Brasil hoje e porque ele é assim da forma que ele está hoje. Eh, não tem nenhuma ideologia política, porque tudo que é colocado é incontestável. Eu disse, a gente usa a lógica matemática. Uhum. E mas as pessoas sempre colocam a emoção também, né? Não só a lógica, mas colocam a emoção, coloca as suas experiências, né? E quando a gente fala assim, por exemplo, eh, no livro o senhor fala muito sobre nascer dentro do absurdo. O que que o senhor quer dizer com essa frase? Qual o significado dela? Então, vou vou dar alguns exemplos. Eh, o ser humano ele já nasce por natureza, ele já é, ele já nasceu livre. Você, você pensa Uhum. e você faz o que você quer fazer. Você está aqui hoje trabalhando, está aqui porque você quer estar, eu também. Então, nós temos a liberdade de escolher aquilo que nós queremos, né? A constituinte, ela diz que o cidadão nasce livre, né? Eh, e há uma contradição dentro da própria da própria Constituição de 88. Pela lá diz que nós somos livres. Mas na verdade, se a gente for eh verificar todos os fatos que envolvem a nossa vida, nós vamos constatar que isso não é verdade. Por exemplo, eh você vive sem respirar? Não, todos nós precisamos respirar. Então, a natureza já nos deu, né, o oxigênio paraa gente poder respirar e viver, mas nós precisamos nos alimentar. Então, a natureza, ela colocou a terra e o sol que produz alimento, né? Uhum. Mas eh nós hoje o absurdo é que uma necessidade básica como a alimentação, nós temos que pagar ao estado para se alimentar. Então no quesito alimento e bebida, eh o estado nos leva 30% do valor que a gente coloca lá no supermercado. Então você está pagando, você está pagando para se alimentar. Sim. Então essa é uma coisa. A constituinte diz que temos a liberdade de ir e vir, né? Podemos ir e vir para qualquer lugar no Brasil, desde que seja pé e descalço, porque qualquer outra forma que você escolher para se locomover, para ir e vir, você vai ter que pagar. Então, experimento pegar seu carro, ir para São Paulo sem nenhum centavo na bolsa, sem cartão, sem nada. O que vai acontecer no primeiro pedágio, você vai ficar impedida de prosseguir, certo? Mas antes disso, você abasteceu seu veículo, foi no pós gasolina, colocou R$ 200 no abastecimento, R$ 100 ficou para o estado. Então você tá pagando para se locomover. Você pagou R$ 100 naquele momento para poder se locomover. Então você tem o direito de vir, desde que você pague. Uhum. Eh, eh, quando você comprou aquela máquina que é o automóvel, 50% na aquisição dele foi imposto. Então, você quer se locomover com automóvel? Pode, desde que você pague, né? Aí todos os anos vem lá o IPVA. Exatamente. Então, o veículo é seu, mas você tem que pagar. que eu me recordo muito bem, isso na década de 60, era adolescente ainda, eh, o estado de São Paulo tinha pedágio. Depois o governador Carvalho Pinto aboli o pedágio, que eu dizia que o pedágio existia para fazer a manutenção da estrada. Uhum. E Carvalho Pinto resolveu acabar com o pedágio e criou um imposto do carro que hoje é o IPVA. esse imposto exatamente para manutenção das vias, né? Uhum. Estradas e ruas nos municípios. E aí o tempo passou, né? O o IPVA se consolidou e voltaram os pedágios. Então, aquela liberdade que diz para você ir vir, ela existe desde que você pague. E um outro ponto também, os pedágios voltaram e o IPVA não caiu, continua.Então, Eh, eh, exatamente. Continua. E você sabia que 37% que é arrecadado no pedágio é do estado? Então, você tá passando ali, pedágio foi R$ 10, R 3,70 é do estado. Então, desce milhões de carro no final de semana praia, né? R$ 33, se me fala a memória, o pedágio, né? R$ 10 você tá pagando pro estado. Então, tudo o que a gente quer fazer no sentido de ir e vir, ou a trabalho, a lazer, seja lá por motivo for, tudo é pago. E eu digo no digo no livro que eh você tem o direito de ir vir sem pagar nada se você for a pé e descalço, porque se for de tênis, o tênis é 40% são impostos. Então você já pagou para usar o tênis ou o sapato, entendeu? Então a é uma contradição a constituinte falar que você tem liberdade e você não tem. Então você paga para comer, 40% para vestir, mobilidade em torno de 50 é o seu veículo. Eh, farmácia e de 21 a 26%. Eh, e por aí vai. Agora, o mais absurdo é você depois de de tudo isso, tudo que você for fazer na sua vida, você vai pagar o estado. O absurdo é ainda você pagar para trabalhar, porque você já vai pagar para uma necessidade básica, que é o alimento. Vestir é outra necessidade básica, mobilidade é outra. Uhum. praticamente. E aí paga tudo isso e na para quem é assalariado vem lá o desconto do imposto de renda todos os meses. Então já é descontado na fonte, né? E o mais absurdo é quando você vai fazer a conta, você fala: "Bom, me recolheram 50.000 imposto, mas eu devo 30". Uhum. Então você emprestou 20. Então além de pagar tudo isso e pagar para trabalhar, ainda você tá emprestando aquele dinheiro que vai ser restituído na na sua conta. É um dinheiro que você emprestou pro estado. Uhum. Então não podemos dizer que que nós somos cidad cidadãos livres. E como é que surgiu, né? Como é que foi despertado essa percepção de todos esses detalhes, tanto pagar para trabalhar, para se vestir, para se locomover? Como é que isso foi despertado na sua vida, na sua mente? Houve algum momento específico? É, houve. Eu gostaria que tivesse despertado com 15, 20 anos de idade, né? Infelizmente se despertar foi recente, porque eu atuei no mercado segurador eh durante mais de 30 anos. Então eu trabalhava com riscos, né? Analisava os riscos econômicos das pessoas e das empresas. Eu passei a vida analisando os aspectos dos riscos humanos. como era um estudioso no assunto eh e respeitada no mercado. Por isso já eh já tinha escrito um livro sobre esse assunto, mas a minha bagagem nessa área era tão grande e como tinha mudado em 2010 eu migrei pro setor imobiliário, atu atualmente na na no segmento de desenvolvimento imobiliário. Eu achei que aquelas informações elas não deveriam ser perdidas. Eu resolvi colocar no papel. E ao voltar a refletir sobre riscos, aí eu cheguei a tudo isso. Ou seja, viver, a gente vive gerenciando riscos. Antes de nascermos, a partir do momento da concepção, a gente já entra na fase do risco. Por quê? Porque poderemos nãocer, né? Houve a concepção, o feto, mas aquele feto já começou no risco, porque pode acontecer acidente com a com a mãe dele. Ah, pode um medicamento, às vezes acontece que o médico passa para gestante, acaba afetando o feto, né? Então, concepção, dali paraa frente, o risco, no momento que respiramos pela primeira vez, opa, chegamos aqui, né, onde estamos. Eh, aquela criança inocenta, ela nem imagina o que vem pela frente, né? Ah, vai ter uma linha do tempo aí que ela vai passar administrando o risco. Até atravessar a rua é um risco, não é? Descendo uma escada, o risco. Quantos acidentes? Até dois cantores famosos recentemente, eles morreram acidente dentro de casa, né? batendo a cabeça. Teve o famoso caso do Gugu também, não é? Sim. Então, ah, a gente vive vive gerindo riscos, que são os absurdos, né, que o senhor comenta no os absurdos é você pagar para comer, pagar para vestir, pagar para se mover. Isso é um absurdo. Eu eu pelo menos acho agora tem algum absurdo que acontece, que existe no nosso cotidiano e o brasileiro ainda não se tocou, que é um absurdo? Eh, o maior deles eh, é aquele que na nossa constituinte nos garante o voto direto. A constituinte diz que o cidadão, né, que é um eleitor legalmente, ele tem o direito de escolher seus parlamentares e os executivos, municipal, estadual e o a presidência da República. E isso não é verdade. é uma contradição da da nossa constituinte, porque nós não escolhemos ninguém, nós só vamos às urnas referendar quem já foi escolhido. E escolhido por quem? Pelos partidos políticos. Os partidos é que escolhem. E a gente vai lá referendar dali paraa frente, a partir do momento que o cidadão foi eleito, ele deve obediência ao partido. O partido que o escolheu, ele deve obediência ao partido. Recentemente, vocês devem ter acompanhado eh naquela votação lá paraa blindagem dos parlamentares. Uhum. aí opinião pública e a mídia foi em cima, eles recuaram, mas teve candidato, teve deputado que se desculpou perante as câmaras, eh, dizendo que não era a opinião dele, mas que ele foi obrigado porque era a posição do partido. E se a pessoa eh não acompanha o partido, ele pode até ser expulso. Uhum. Então, isso é um grande absurdo, eh, dizer que nós escolhemos quando não escolhemos ninguém. A gente só vai lá referendar. Isso é uma massa de manobra para dizer que nós estamos numa democracia e que o povo tem direito ao voto direto. Porque a na um pouco antes de encerrar o o a ditadura militar, ah, havia um movimento muito forte das diretas já. Sim. E o povo se mobilizou, grandes artistas, jogadores de futebol, lembro do Sócrates, Casagrande, houve um movimento muito forte. Então, a expectativa do povo era escolher seus governantes e a maior traição de quem fez a constituinte de 88, que eh tirou essa esse direito do cidadão, iludindo-o, né, através dos partidos, né, eles eles escolherem e a gente só referendar. Então eu acho que isso foi isso é um grande absurdo. Quando o senhor fala de de democracia, como é que o senhor vê a nossa situação hoje? Existe democracia no Brasil? Não. Eh, diz que nós temos uma constituinte democrata, né? Mas não vivemos numa democracia. Eh, nós estamos num um verdadeiro absurdo. Imagina o seguinte, eh, se você assou o presidente de uma empresa, né? Então você assume, tem todos os departamentos que você vai comandar, é planejamento, produção, logística, eh, enfim, você comanda aquela empresa, todos devem obediência a você e todos seguem um planejamento previamente discutido e elaborado antes do ano terminar. Então vamos imaginar o país, né, o Brasil deveria ser uma grande empresa. Então o chefe do executivo, ele deveria ter todos os seus departamentos, que hoje a gente chama de ministérios, né, e você criar um projeto paraa nação e toda aquela turma, todos aqueles departamentos trabalharem em prol daquele projeto para desenvolver a nação. Mas isso não acontece. Por quê? Porque o executivo não consegue governar, ele não escolhe nem quem são os vão ser os seus ministros. Sim. Eh, quem escolhe os ministros? Os partidos. só vai conseguir porque o o executivo é refém do Congresso. Aí para ele conseguir governar, então um partido escolhe o Ministério do Trabalho, outro escolhe o Ministério da Fazenda, outro escolhe eh do Transportes. E tem dois patinhos feios que ninguém escolhe. Uhum. Sabe? geralmente vai pros partidos pequenos, que é o ministério do esporte e o ministério do turismo. Sim. Por que será? Porque as verbas são são menores. Ninguém lembra que existe. Verbas, ninguém quer. Aqueles eles acham que até um castigo, né? Sobra para os partidos pequenos. Então o executivo é refém do Congresso. O Congresso é refém de quem? Dos partidos. queimar no Congressão os partidos e além do do o executivo ser refém no Congresso, Congresso dos partidos, ainda vem uma outra força paralela que impede qualquer tipo de planejamento, que é o Banco Central. O Banco Central ele não é, ele não tá integrado na administração do país. Teria que tá integrado, não tá? Uhum. Ele é um órgão independente que e esse órgão independente, quem manda nesse órgão independente chamado Banco Central? O mercado financeiro, mercado financeiro manda no país. Isso é outro absurdo. Então, quando ele sobe a taxa SELIC 0,5%, o Brasil vai rolar uma dívida de 1 trilhão em cima desse juro que foi levado pelo Banco Central. Quem ganha com isso? Os bancos. Uhum. que pega o dinheiro lá fora 4% e empresta pro governo brasileiro a 15. Sim. Então tá tirando de quem? Tá tirando do povo brasileiro. E eles justificam, né? Eles justificam isso, que é que eles elevam o juro para segurar a inflação, não é isso? Sim. Mas eh existe uma lei chamada lei da oferta e procura. Então, como é que você segura a inflação? Produzindo mais. É, se você tem mais produção, os preços caem. E para ter mais produção, você tem que financiar mais máquina pra indústria, tem que fazer uma série de coisas. Então a a mais pessoas é e eu o o próprio banqueiro falar o governo não economiza. Pô, mas se você pegar o que o governo paga de juro para eles é é um absurdo. É uma coisa. Tem um outro ponto também que assim como é que a burocracia e o modelo estatal moldam a consciência do cidadão, porque isso acontece desde o nosso nascimento, né? Sim. Nós nós chegamos já era assim, né? Como molda, eles não moldam porque o estado ele fica cada vez mais gigante. E tudo vem dos partidos. Porque quando o partido escolhe um ministro, por exemplo, transporte, não vai só aquele ministro lá. Uhum. Vão 20 diretores e vão a uns 500, 600 que eles são de pelegos, né? Que são aqueles que militantes dos partidos. Uhum. e vai engordando, vai engordando os ministérios de gente sem fazer nada, sem ter preparo para aquilo. Então, o o os partidos, os políticos, eles não querem eh conscientizar o povo. Ah, a situação do Brasil hoje está assim, né? Isso é o efeito, mas as causas para mim está muito claro, ela vem da existência do partido político. Ah, eu me lembro durante o regime militar que quando houve golpe 64, Castelo Branco, ele pretendia sanear o país e chamar eleições. Uhum. voltar estado democrático. Aí ele morreu, aí veio Costa Silva, ficou doente também morreu. Em seguida veio o Emílio Garrasta Azul Medes. E eu trabalhei na década de 70, eu fui dirigir um uma instituição chamada eh Mombras, eh, Montip dos militares do Brasil. lá conheci o general Muracot Silva, que era irmão do Gberi, que foi um dos homens mais poderosos durante a todo o período da revolução de 64. era o chefe de gabinete do do MS, depo foi do Gaiso e por último do João Figueiredo. Eh, eles eles queriam devolver o o Brasil para que o o povo pudesse escolher seus dirigentes, mas eles não confiavam nos partidos, nem confiavam nos políticos. Vi muitas conversas, não acreditavam, não acreditavam. Tinha um político da época, foi prefeito de São Paulo, governador, que era um tremendo puxa-saco do governo militar. E eles detestavam isso, a bajulação desse governador paulista com o flirtime militar. Ah, e demorou para eles devolverem. foi no governo Figueiredo, que eles já cansaram de resolveram então eh chamar eleição direta, que não era direta, né? E depois veio a constituintes. Uhum. Então foi assim que a coisa aconteceu. O senhor propõe também, o senhor comenta no livro, né, sobre uma nova forma de participação do público. Qual seria essa forma de participação do público? Porque a gente acha, né, [roncando] que existe uma participação do público, por exemplo, nas eleições, é que é uma participação que não tem efeito nenhum. Exatamente. Eh, referendo aos nomes que os partidos escolheram, não é? E que eles vão se reportar aos partidos e não a ao povo. Ah, eu pergunto o porquê da existência dos partidos políticos? Porque nós precisamos dos partidos políticos. Eu, sinceramente, eu acho que não. Ah, quando a democracia nasceu na Grécia, não existiam os partidos políticos. Os partidos nasceram porque a elite daquela época achou que ia perder o poder. Então inventaram esse negócio do dos partidos políticos e que perdura até hoje. Então, hoje com a tecnologia existente a o povo pode se organizar melhor e o próprio povo escolher dentro da sua base, né, quem vai ser os parlamentares e quem seria, quem serão os executivos. Como é que eu vejo essa estrutura? Eu vejo que a estrutura política, a menor unidade é é a família. Eh, normalmente o brasileiro ele vota e acha que aquele salvador da pátria vai resolver os problemas. Uhum. Cada vez vai piorar mais. Então, o cidadão ele tem que assumir a responsabilidade e começa em casa. Então você tem a casa, a casa está numa rua, a rua tá num quarteirão. Eu me lembro aqui no Taquaral, onde eu cresci, que naquela época eh existia uma figura chamada Inspetor de Quarteirão. Era um cidadão ali daquele quarteirão, daquele bairro, que cuidava de tudo, visitava as famílias, tinha alguém doente, tinha alguma criança sem escola, tinha algum buraco na rua. iluminação, algum problema de segurança. Então ele ele cuidava ali do do quarteirão. Veja que naquela época não existia celular, rede sociais, não existia nada, né? Se fosse hoje aquele inspetor de quarteirão, ele teria todo mundo num grupo do WhatsApp, né? E conversaria, sim, né? Então eu vejo que tudo tem começado da família e a base é, vamos pô, quarteirão, que eu chamaria de distrito. Uhum. Então, seria um distrito eleitoral aquele aquele quarteirão e teria um delegado chamado delegado de vizinhança. Esse delegado de vizinhança é aquela pessoa que que é ali do quarteirão, que se sobressai, que é interessado, pessoa que tem vocação para isso, né? para para o coletivo. Aí você juntar 40 quarteirões, aí você tem um território, aí você teria um delegado territorial. Uhum. ser delegado territorial, ele substituiria o que hoje é o vereador e desses delegados territoriais que fariam o papel de do que é o governador hoje, de um deles sairia o o prefeito, o executivo, né? Seriam os votos qualitativos? Eh, não, não seriam votos qualitativos. Os os votos são e igualitários, né? Hum. Na divisão dos estados, sim. Aí teria que ser o voto qualitativo, porque hoje nós temos São Paulo, três senadores com 43 milhões de habitantes. E o AC tem 500.000 habitantes, tem os mesmos três senadores. Então o cidadão acriano ele vale 70 e poucas vezes mais do que o eleitor paulista. Uhum. Então aí tem que ser isso aí é uma coisa que tá errada, né? Também é um absurdo esse número, né? Também é um absurdo, porque o o estado que arrecada 40% do PIB, exatamente o mesmo número de deputad de senadores do Acre, não é menospreisando o Acre, mas se não, mas é que a fecha, né? Se o constituinte diz que os brasileiros são iguais, não são. Mas o do Acre não é igual a nosso. É, ele tem 73 vezes mais força que a gente na lá em Brasília. Uhum. É, então mesmo, porque se a gente pensar, principalmente na questão profissional, qual desses dois estados recebe mais pessoas procurando emprego, procurando melhores oportunidades de vida? Estado Paulo, não tem como. O estado que traz mais oportunidades, sem dúvida. E os demais estados, né, tem estados aí que estão crescendo bastante. O Brasil tem um potencial extraordinário. Cada região tem uma característica. todos poderiam se desenvolver de acordo com o perfil de cada região, não é? Se se houvesse o interesse, né, da da dos políticos. Mas ah, infelizmente, um absurdo é que 30 e poucas pessoas mandam no Brasil. Se os partidos mandam, quem manda nos partidos? Partidos tos. Eu semana passada estava com um grande empresário de São Paulo, ele é da colônia judaica, um homem muito poderoso. Ele tava falando de um nome, eu não vou citar aqui, de São Paulo que é dono um partido, ele parece que manda no Brasil, pelo menos em São Paulo ele manda. e se manda em São Paulo, né? Ele manda em boa parte do país. Em boa parte do país. E são essas pessoas que estão escolhendo, estão se degladiando para escolher o candidato a presidente na para o ano que vem, não é? Sim. 202 escolhem. Uhum. Eles estão brigando, né? é a família, eh, é o Tarcísio, eh, o Caiado, Ratinho Júnior. Então, tá a maior briga, né, para saber quem vai ser o candidato. Mas ninguém pergunta para nós, né? Exatamente. Aliás, no livro o senhor rejeita a polarização. O senhor acha que não estamos polarizado? Não. Eh, foi criada no Brasil uma polarização que nunca existiu antes, né, de esquerda e direita. Eh, na verdade, eh, no universo não existe esquerda e direita. Uhum. Isso foi invenção de políticos. Sim. Você tem a perna direita, eh, sem a perna esquerda você não anda ou anda e a esquerda, sem a perna direita, você não anda. Uhum. Então o equilíbrio vem de você usar as duas pernas. Claro. Então, quando o nosso corpo foi criado, não foi pensado de esquerda e direita, foi pensado uma forma de haver o equilíbrio, que a natureza busca o equilíbrio em tudo. Eh, então se você pudesse representar direita e esquerda por cores que já existem, você, se aquilo fosse um pó que você colocasse dentro de um tacho cheio de água, o que vai acontecer? Se você misturar tudo ali, vai aparecer uma terceira cor, né? Uhum. Que é que é o equilíbrio da composição química. Então vai aparecer uma terceira, não é nem esquerda, nem direita, é uno. Tudo procura o Uno no universo. Então essa polêmica, ela só serve para dividir as pessoas. Então, se não se não houvesse partido, imagine o seguinte, se não existisse os partidos políticos, o que as pessoas estariam discutindo hoje? Elas estariam discutindo projetos pro país. Essa é posição de um ou posição do outro. Estaríamos discutindo projetos e isso que não acontece. Não discutimos projetos, aliás, o país não tem projeto. O o último presidente que teve um projeto pro país foi Jcelino Cubicheque de Oliveira. Olha quantos anos. É, ele fez um projeto para desenvolver o país em cinco. Ele cumpriu a meta dele e ele ia voltar em 64, que não tinha reeleição, ele não pode ser reeleito, mas ia voltar em 64 com a agricultura 50 anos em cinco. Ele já tava trabalhando para nesse projeto agricultura 50 anos em cima, que é aquilo que hoje é a força do agronegócio. É aquilo que Justilino pensava em 1960 e que ia fazer. De lá para cá, nunca mais eu eu vi nenhum nenhum governo ter um projeto pro Brasil. O senhor acredita que a polarização continua e é por isso que a sociedade discute ainda e vai começar a discutir cada vez mais mesmo porque o ano que vem tem eleição. Discute pessoas, partidos e não projetos. É porque todos esses querem ser candidatos, nenhum tem projeto. Se vê alguém que chega, olha, a minha ideia pro Brasil é essa, essa ninguém apresenta projeto. Aliás, tem uma outra coisa que eu absurdo é que quando ah existe os debates, né? Primeira coisa, nos debates deveria ser proibido um candidato falar do outro. Sem dúvida. O debate deveria ser em termos de projetos. Ele chegaria lá apresentando, ó, meu projeto pro Brasil é esse. O outro chegaria também com seu projeto. Então vamos discutir projetos. E isso eles são de casa, né? A gente aprende na escola, né? Quando o professor fala: "Olha, vocês vão apresentar um trabalho", né? Era isso que nós éramos ensinados, né? Você vai apresentar o seu projeto, o seu trabalho e não falar do colega se ele fez ou não o projeto. Exatamente. Eh, então não é um absurdo total. Nenhum candidato ter projeto. Eles não tem projeto. Aí vão usar o horário eleitoral que custa, né, para Uhum. E para um falar do outro até a ponto de um, como se diz, atacar a honra do outro e levar uma cadeirada na cabeça, né? Sem dúvida. Isso não é absurdo total. É absurdo total. Ah, aqueles horários onde os políticos se apresentam no rádio e na TV Uhum. Para falar bobagem, né? Se não existisse os partidos, esses horários poderiam ser utilizados para falar: "Ó, em Brasília estamos com esse projeto e tal, vamos eh vamos se manifestar através do endereço tal. dê a sua opinião, se é favor, se você contra, discutir ideias, né? Não. E alguns usam até para fazer piada, né? Para brincar com fal falar falar piada. Eh, acho que foi esse ano que foi discutida a reforma tributária e aí chegaram na discussão da o imposto das bebidas. Uhum. É uma das coisas que o brasileiro mais gosta. O brasileiro trabalha muito e chegar no final de semana tomar cervejinha com os amigos, fazer um churrasquinho e tal. Uhum. Então o aqueles homens que foram escolhidos, né, pelo povo para estar lá no parlamento discutindo o projeto, chamaram o imposto da cerveja de imposto do pecado, cometer um bullying contra quem os elegeu. Quem são eles para julgar as pessoas, né? Ah, imposto do pecado. Ah, então você tomar cerveja é o pecado. E taxar a cerveja em 75%, hoje é 60. Então, uma coisa que o cidadão não sabe, né? Quando ele toma a cerveja, ele paga R$ 20, 12 é imposto. É imposto e vai para 15. Uhum. Depois da com essa reforma tributária. E ainda fomos chamados de pecadores, né? Tomar cerveja é pecado. Então, aquilo que você diz, eles ainda brincam com a nossa cara, né? Torres, o livro é extremamente provocante, fica aí como como uma dica de leitura pro final [roncando] de ano. Quem tá entrando em férias, acho que é um livro importante para ler antes das eleições até, né, Torres? Sim. Para que quem sabe, né, ajude a ter, inclusive o senhor fala sobre um novo pacto social, né? Como é que a gente poderia [roncando] desenvolver ou fazer esse novo pacto social? pensando até nas próximas eleições que está chegando. Isso seria um sonho, né? Eh, não ter eleição e ter um manifesto um plebiscito para mudar a nossa constituinte. Eh, existe um artigo na constituinte porque os políticos que fizeram essa constituinte, o o povo veio naquela ansiedade para as diretas já. Então, fizeram uma constituinte toda torta, né? Uhum. E fiz uma constituinte parlamentarista. Fizeram plebiscito em 94. Pelbicio deveria ter sido feito antes de montar constituinte. Não, fizeram constituintes parlamentaristas, que alguns queriam o parlamentarismo. Uhum. Fizeram plebiscito em 94, 6 anos depois, o povo escolher monarquia. presidencialismo parlamentarismo. Aí ganhou o presidencialismo. Só que a constituinte ela foi moldada pro parlamentarismo. Por isso que o presidente ele é refém do Congresso e o Congresso refém dos partidos. E aqueles aquele era um outro momento também da vida, porque não existia essa tecnologia de comunicação que nós temos hoje, não existia o celular, não existia redes sociais. Então, e os políticos que fizeram a constituinte, eh, o mais novinho da turma era o Fernando Henrique Cardoso. Então, era um mundo totalmente diferente. Imaginem você nascer sobin foi feita em 88 por pessoas que já eram velhas num mundo totalmente diferente de hoje. Então, não bate não nada com nada. É por isso que nós estamos nessa crise. E eles achavam que a constituinte era para sempre. O Brasil teve cinco constituintes, nenhuma durou mais 35 anos. [roncando] Ah, eles acharam que era para sempre e eles fecharam muito. Eles não permitiram que o povo se reunisse e fizesse uma nova constituente. Você tem que ter uma etapa anterior que vai depender dos políticos. Que é que etapa é essa? você recolheu 1.650.000 assinaturas, 1% do eleitorado dividido pelo menos 3% em cinco estados. E aí você tem o direito de fazer um plebiscito pra sociedade dizer se quer mudar constituinte, ou seja, quer continuar assim ou quer mudar. Eu acho que todo mundo quer mudar, né? E para quem quer mudar e participar, para quem quer mudar e participar, leia o livro Nascer já era assim que vocês vão descobrir como poderemos mudar esse país. Dá para mudar e depende da gente. Tudo começa eh por nós mesmos. A gente tem que ter a responsabilidade, assim como eu tive quando fazendo aquelas reflexões, tá contando, né? Fui descobrindo essas coisas e na na idade que eu tenho quatro dois filhos e quatro netos. Falei: "Bom, eu poderia ficar quietinho em casa, né, fazer nada, mas e a responsabilidade, porque quando você não tem a consciência, a responsabilidade não vem. Porque agora quando você descobre as coisas e você está consciente, aí tem que entrar a responsabilidade. Não, eu tenho que fazer pelos meus filhos, pelos meus netos, mas não só por eles. No Brasil nascem 2.800.000 crianças todos os anos, né? pensar que essas crianças estão chegando nesse Brasil, nessa situação. Então, acho que a gente tem que começar o movimento para mudar isso. Então, no na Cara assim tem essa proposta. Muito obrigada pela sua presença, o senhor ter vindo até aqui compartilhar esse livro com a gente, essas reflexões tão importantes e que casa aí com esse momento que nós estamos vivendo. Sim, eu eu que agradeço a oportunidade de estar difundindo essas ideias e eh o espectador poderá eh se aprofundar nelas através do nosso livro, que pode ser comprar na livraria leitura ou então na nossa plataforma torrescarreira.com. Poderá, pessoa poderá adquirir tanto o livro virtual quanto o livro físico, tá? Então, acho que é uma forma da gente conectar as pessoas, trazer consciência, discutir e mudar o Brasil. Esse é o propósito, tá? Ótimo. Muito obrigada. Obrigada a você também que nos acompanhou pelas telas. Eu conversei com o escritor Torres Carreira. Ele lançou um livro aí que eu acho que já está nas plataformas, né, como ele bem disse. E pode ser, quem sabe, o seu presente de fim de ano. Até o próximo programa. Ciao [música] [música] [música] [música] [música] la