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Olá, minha gente. Hoje o ponto de vista traz um tema que mexe com a mobilidade urbana e também a economia da cidade. Nós vamos debater as corridas de moto por aplicativo. Eu estou com Luís Vicente, que é professor de engenharia de transporte, né, Senhor Luiz? Isso. Seja muito bem-vindo. Muito obrigada por comparecer aqui no nosso estúdio. Obrigada. Obrigado pelo convite. Foi muito bom. Luiz, esse tema já movimentou muitas opiniões, né? O governador Tacísio de Freitas sancionou uma lei que condiciona a liberação do serviço de transporte de moto por aplicativo, autorização e regulamentação pelos municípios. Ou seja, cada cidade fica responsável por liberar ou suspender esse tipo de corrida por aplicativo. Essa lei sancionada pelo governador, ela ela trouxe alguns impasses jurídicos, inclusive, né? Perfeito. Ah, o primeiro ponto relacionado à lei sancionada é que importante, cada município tem sua particularidade. Então, é importante realmente que cada um faça a sua legislação local, né, municipal. O outro ponto que aí é divergente está relacionado à prefeitura permitir ou não aplicativo de transporte por motocicleta, porque nós temos uma lei federal da política nacional da mobilidade urbana que desde 2018 ela permite a utilização desse transporte. Então, é conflitante uma lei federal com a lei estadual neste momento. E aí, assim, eh, a gente sabe que tem algumas questões que envolve eh é claro que hoje assim o táxi se incomoda um pouco menos com a questão da da moto, porque mototáxi quase não teve sucesso, né, em cidades como São Paulo, Campinas. Mas ainda assim é preocupante, por exemplo, nessa questão de de concorrência. Exato. A concorrência sempre ocorre. E agora, eh, precisa deixar claro que existe um ponto que foi muito pouco debatido, que é o mototáxi e o moto por aplicativo. Porque quando nós temos o mototáxi, é uma lei desde 2009 que a prefeitura ela tem essa possibilidade de permitir ou não. É aquela famosa placa vermelha como nós temos no táxi comum. Uhum. E quando nós temos a moto por aplicativo, é a moto como se fosse o aplicativo do automóvel. Então o que que acontece? Ele não tem uma placa vermelha e ela está subordinada à política nacional de mobilidade urbana federal, da lei federal, né? Então isso que é interessante, eh, esse ponto relacionado ao transporte. Quando nós estamos falando da concorrência, exatamente isso, é a concorrência entre o o transporte principalmente público. Uhum. Em relação ao outro meio que não é por automóvel, mas um aplicativo de motocicleta. Luí, nessa situação, né, caso as cidades qualquer que seja cidade sancione também essa lei, quais serão as responsabilidades de cada município? Porque assim, a gente sabe que são transportes por aplicativo, então de uma certa forma não sabe quem está pilotando a moto. O veículo é uma moto que para algumas pessoas é muito arriscado. O município vai ter alguma responsabilidade nesse sentido assim do do transporte mesmo da pessoa caso ocorra um acidente, alguma coisa nesse sentido? Sim, esse é um ponto bem interessante, porque o que acontece, nós já temos municípios que já regulamentaram e já criaram leis. Então, assim, se nós pegarmos a cidade de Fortaleza, no Ceará, ela já tem há muitos anos essa regulamentação. E o que que ela fala? Ela fala que o motociclista ele precisa ter no mínimo 2 anos, ele precisa ter um seguro, que é um ponto bem interessante. Você precisa ter um treinamento, porque andar com duas pessoas é diferente de andar sozinho na motocicleta. A motocicleta é um veículo leve, ela muda a forma de pilotagem e a pessoa que vai, que contratou o serviço, não necessariamente tem uma prática em andar com a motocicleta. Algumas pessoas sim, outras não. Então, como que o motociclista, o contratado, ele vai eh conversar com essa pessoa para entender a dinâmica da motocicleta? Por isso que é importante essa regulamentação, o ano da motocicleta também. E assim nós temos na cidade de Fortaleza, nós temos em Salvador, em Manaus, Rio de Janeiro e Goiânia, cada um com regulamentações algum com algumas particularidades. Salvador e Manaus aí já é mototáxi, porque a a o veículo, a motocicleta precisa ter a placa vermelha, que é relacionado realmente à aquela permissão que a prefeitura dá para essa contratação. Então, por isso que a regulamentação ela é tão importante, porque é o modo com que o órgão público, no caso de Campinas, por exemplo, a INDEC, vai poder eh fiscalizar, porque existe uma regra relacionada a esse meio de transporte. Aqui em Campinas já existe algum projeto em relação a a esse exemplo de fortaleza? um treinamento, eh, o ano do veículo, se tem um algum tipo de seguro. É, aqui na cidade de Campinas, particularmente, não tem. Houve já algumas discussões se poderia ou não. força de lei. É, a cidade permite o uso de aplicativo por motocicleta, esse serviço, mas é importante, na verdade, essa regulamentação, porque aí sim você vai poder, inclusive, algo que nenhum dos outros municípios teve, que seria uma obrigatoriedade de, por segurança, que as motocicletas tivessem freio ABS, que é aquele aquele que não deixa travar a roda, que reduz os riscos de acidentes, principalmente em dias chuvosos. Então isso é importante nós termos essa essa regulamentação, esse critério de quem vai utilizar. Eh, outro também que é bem interessante, a pessoa não pode ter antecedentes criminais para ter o aplicativo. Isso está no nos decretos dos municípios, na maior parte deles. Então isso facilita porque quando você contrata a pessoa, você não sabe quem ela é. Então, por isso que é importante você ter todo esse critério relacionado a quem está, quem você está contratando. E isso é bom tanto para o a pessoa que tá prestando serviço, né, o motociclista, quanto para quem está contratando, né, dá essa segurança, né, mesmo que seja via aplicativo, eu falo porque eu uso muito, eu posso não conhecer, não, nunca ter visto aquela pessoa, mas o aplicativo me dá essa segurança, né, de que essa pessoa ela está apta, ela é capaz de fazer esse esse percurso. Exato. e até um treinamento, porque ele vai ensinar a pessoa a colocar o capacete corretamente, afivelar o capacete e deixar preso. Porque quando você não afivela o capacete, a primeira coisa numa queda é o capacete sair. Então perdeu toda a função. Por isso que o treinamento dessas pessoas que está estabelecido nessas regulamentações em alguns municípios faz parte para exatamente mitigar, minimizar qualquer tipo de risco de acidentes. Quais são então as principais regras da nova regulamentação para que as pessoas possam andar com segurança, para que o motociclista não perca essa oportunidade, porque às vezes é uma oportunidade de emprego ou uma segunda renda e as pessoas consigam continuar usando esse tipo de transporte. Exato. Esse é o ponto primordial. Quando você tem essa parceria da prefeitura com a empresa privada que vai fazer essa intermediação da pessoa que vai fornecer o veículo com a pessoa contratada que vai pegar a motocicleta, isso vai facilitar bastante esse meio. E outro ponto também que já é feito em outras cidades é criar também zonas onde pode circular o a motocicleta. Então, aquelas áreas que têm maior risco, maior conflito de veículos pesados, você tira de cena para mitigar qualquer tipo de acidente. Então, também isso é importante. Então, é essa conjunção de critérios que é possível fazer vai facilitar tanto para quem está contratando como aquele que está conduzindo o veículo para realmente não ter aquele impasse de pode ou não pode, vai aumentar o cente, vai aumentar a questão eh da saúde pública com os gasos. Não é isso. Quer dizer, quando você cria, quando você determina regras e essas regras obrigatoriamente vão ter que ser cumpridas e fiscalizadas pelo órgão de trânsito, isso vai facilitar bastante para ambos os lados. Quando o motociclista decide fazer esse tipo de serviço, ele precisa ser habilitado na categoria A. Essa exigência é é óbvia, né? Porque exige para qualquer motorista. E além delas, então, antecedentes criminais. E o que mais é exigido? Ele precisa ter um capacete extra, não é isso? Um capacete extra. Muitas vezes um tempo também já ele não pode ser um recém habilitado na motocicleta, porque aí ele mal consegue pilotar a motocicleta e já vai levar uma pessoa. Então esse é um lado conflitante também. a pessoa precisa ter uma experiência relacionada a conduzir a motocicleta e, por isso também a saber conduzir com uma um garupa, que no caso é o contratante. Sim. E é uma regra importante também, né? Porque muitas pessoas têm procurado como um segundo emprego ou para investir mesmo, né, nessa carreira de motorista por aplicativo. E aí pensa, bom, eu vou tirar minha habilitação de moto, né, na categoria A. para poder fazer essas corridas. Mas então ela precisa ter um tempo de experiência. Isso vai depender de quem? da da do da empresa do aplicativo e vai depender também da regulamentação do do local, no caso que ele está fazendo esse serviço. Lembrando que nós estamos aqui numa região metropolitana, então não necessariamente é de um município, então você tem esse lado, né, Valinhos e Campinas, ele tá dividido ali numa rodovia. Então é muito é muito dinâmico isso. Então essa integração, ela precisa ser feita não somente numa cidade específica, mas em toda a região metropolitana, para que as regras sejam as mesmas e a segurança independe da onde a pessoa esteja. Esse é o cuidado que nós precisamos ter com a população, independentemente da onde ela esteja e para onde ela vai. Professor, tem um outro ponto que quando a gente fala sobre segurança, as pessoas pensam assim, é claro, até pelos números de acidentes com motos, então pensa assim: "Nossa, mas você vai andar de moto, é muito inseguro, né? Você não pilota e você vai lá atrás, corre o risco de você cair, se acidentar". Mas esse não é o único ponto que envolve segurança, né? Tem outros pontos. Exatamente. E esse é um ponto bem interessante, porque o maior público, pelos dados da cidade de São Paulo, quando foi divulgado, era o público feminino. Por que o público feminino? Porque aquele que pode sofrer mais riscos de assédio moral, assédio sexual no transporte público, assaltos, furtos, é a população fragilizada que nós temos na mobilidade urbana. Então ele acaba sendo um público que acaba contratando para ficar livre. Então, quando você tem um rigor na questão da segurança voltada a a possíveis acidentes, você tá livre também de riscos, principalmente naquela última etapa, quando você chega no terminal de ônibus e precisa ir na sua casa, só que seu trabalho foi um trabalho até tarde e você precisa ir alguns quarteirões sozinha e isso é um risco muito grande que a motocicleta pode realmente contribuir bastante nesse nesse caso. Campinas tem o segundo pior índice de excesso de velocidade entre motociclista da América Latina. Por que estamos nessa posição tão preocupante? Porque e assusta porque nós estamos muito próximo de São Paulo e São Paulo também tem esse serviço. Exato. E São Paulo ficou para trás nessa pesquisa. Nós só perdemos, a cidade de Campinas só perdeu pra cidade de Guaiaquil, no Equador. E isso por eh essa velocidade das motos, ela está diretamente relacionado aos riscos de acidentes. Então, quantas vezes a gente eh essa essa forma acelerada, ela acaba, na verdade, aumentando os riscos. Não necessariamente os acidentes ocorrem e não necessariamente quem causa o acidente faz parte do acidente. Também precisa lembrar disso. A pessoa pode se safar de um acidente e causar um transtorno enorme. Então não quer dizer que ele está isento de toda esse ponto. E como que nós precisamos fazer para reduzir isso? Primeiro ponto é um trabalho muito forte de conscientização público masculino jovem, que são, na verdade, aqueles que estão abusando principalmente do do excesso de velocidade. E Campinas, pela própria geografia, pelas pelas vias muito bem estruturadas, sinalizadas, dá um certo conforto e acelerar. Por isso que é importante trabalhos de conscientização aliadas com a fiscalização. Entre as vítimas fatais de trânsito, 80% são motociclista, pedestres ou ciclistas. Isso coloca em cheque a segurança desse tipo de serviço do do aplicativo. Esse é a questão principal que alguns municípios estão negando o transporte por motocicleta por causa desse dado estatístico. Uhum. E esse é é a questão que não foi muito debatido, é que quando nós temos um aplicativo por entrega de alimentos ou encomenda, você como contratante não vai reclamar se vai levar 10 minutos e ele chega em cinco. Ah, tá ótimo. Mas por que que ele chegou na metade do tempo? Provavelmente ele não cumpriu nenhum o excesso de velocidade e nenhum cuidado semafórico em respeitar as leis de trânsito. Quando nós estamos num aplicativo eh de transporte, o cliente é o garupa. Então, quem vai avaliar o piloto se ele está andando corretamente, se ele está cumprindo as leis de trânsito, se ele está andando numa num limite, é, na verdade, a pontuação vai ser do garupa, que é a pessoa que contrata. Então, nessa forma, se a gente pensar da questão do equilíbrio, eh, a pessoa que vai avaliar é a pessoa que está na garupa. Isso vai contribuir exatamente para não ocorrer esse excesso de velocidade, que é um ponto principal para que não seja regulamentado o transporte por motocicleta. Professor, por outro lado, nós temos uma situação que assim, aqui no Brasil, eh, se a gente separar os os motociclistas, né, de aplicativos, nós temos dois grupos, aqueles que fazem as corridas para ter uma renda extra e aqueles que em algum momento perderam seu emprego e decidiram ir pro aplicativos justamente para não ficar sem nenhuma renda. Ou seja, esse cenário ajuda economicamente o município, porque ele já tira ali da fila de desempregados algumas pessoas. E por outro lado, aquelas pessoas que se sentem desconfortáveis e em ficar, seja no terminal, na rodoviária, em qualquer ponto de ônibus, esperando horas o ônibus, ela tem essa vantagem de ter o aplicativo. Então, acho que por um outro lado, se a gente olhar de certa forma, é uma vantagem pra cidade. Exato. Você está aumentando o número de pessoas que estão atuando, trabalhando. Você está abrindo o leque de opções para as pessoas decidirem a utilizar o aplicativo para automóvel, motocicleta, transporte público, para quem não tem um veículo próprio. Então isso facilita bastante. Claro que ele acaba muitas vezes sendo concorrente com o transporte público e muitas vezes a questão relacionada ao acidente, o acidente acidente está na verdade querendo falar: "Não quero motocicleta porque eu estou perdendo muitas passageiros nos ônibus". Mas de fato nós precisamos é ter o maior número de opções, porque são as opções que fazem essa essa mobilidade ser mais eficiente, porque muita coisa relacionada à produtividade da pessoa no dia de trabalho está relacionado ao tempo de viagem de casa até o trabalho. Quando você tem uma viagem muito prolongada, você já chega cansado e você reduz muito a sua produtividade. Então ele melhora a economia, você dando mais opções, melhora esse leque para a os passageiros optarem por formas diferentes e favorece também a economia eh local em função desse número de pessoas. Agora, quando a gente fala, né, em em regulamentar o serviço, regulamentar consiste em ter novas regras que deverão ser cumpridas para que essas pessoas possam continuar contratando o serviço do motociclista e o motociclista prestando esse serviço. Dessa forma, a gente pode considerar que essa regulamentação ajudaria na diminuição dos casos de acidentes? Exato. Ela pode sim, desde que na regulamentação tenha, por exemplo, que os dados que os aplicativos têm do número de viagem e os locais sejam fornecidos também para o órgão de trânsito, porque o órgão de trânsito vai poder saber, opa, é aqui que as motocicletas estão andando, é aqui que nós precisamos, na verdade, ter um rigor maior na segurança e pode criar também regras onde a motocicleta pode circular e onde ela não pode circular, porque isso também faz sentido na questão da segurança. Quando nós temos uma regulamentação bem feita, isso favorece. Agora, se for feita de uma forma muito simplória, vai ficar igual e os riscos realmente de aumentar o número de acidentes pode ocorrer que fragiliza, na verdade o transporte por aplicativo. Tem um ponto também que as pessoas questionam que é o seguinte: eu como cliente, se acaso eu me acidentar, quem deve ser o responsável? Esse motorista do aplicativo ou a empresa qual eu pedi, seja 99 ou a Uber? Esse também é um ponto bem interessante, porque quando o o aplicativo ele acaba sendo um intermediador e a pessoa é um prestador de serviço, ele é um MEI, né, um microempresário individual. Isso já foi muito debatido, inclusive se tinha algum vínculo trabalhista ou não relacionado com a empresa do aplicativo, mas isso juridicamente já caiu que não. E entrando na questão do passageiro, que é o contratante, ele está subordinado, na verdade aquela pessoa que está pilotando a motocicleta. E esse é aquele ponto que nós já falamos da regulamentação, que é o seguro. Então, muitas vezes pode ocorrer algum acidente e você não tem, na verdade, qualquer tipo de amparo para você se reabilitar de uma possível queda. Por isso que o seguro também é tão importante na hora de uma contratação. Isso tem que estar relacionado à regulamentação deste aplicativo no município. E esse seguro, ele deve ser de responsabilidade da empresa ou do motorista? A empresa deve cobrar do motorista, do piloto motociclista a ter esse seguro que vai fazer parte, na verdade, do do da contratação. Quer dizer, para ele estar naquele aplicativo, ele precisa de fato ter esse seguro que está relacionado com o aditivo eh no valor da tarifa, do valor da, melhor dizendo, do valor do percurso, porque é dinâmico, eh, desse valor por aplicativo. Então, ele tem uma porcentagem em cima do seguro para que tenha, na verdade, essa segurança relacionada eh ao piloto e ao garupa. Lembrando que pode ser também que o piloto esteja naquele momento sem o passageiro na garupa e pode sofrer um acidente. Ele também precisa de um amparo porque ele pode perder a renda de uma hora para outra, que é um caso extremamente possível de acontecer, principalmente na motocicleta, sem dúvida. E principalmente em cidades grandes, né, onde tem muito aquele aquela disputa de espaço entre ônibus, motocicleta, caminhão, carros. A disputa é sempre maior, né? E eles acabam até por conta do ponto cego que alguns carros têm, né? Alguns veículos. Então isso acaba prejudicando muito, né? Exato. Exato. E os congestionamentos que tem nas grandes cidades favorecem o uso desse aplicativo, mas aumenta os riscos também relacionado ao número de acidentes, porque ele tá andando numa velocidade superior aos outros veículos que estão numa velocidade pequena comparada, uma velocidade média comparada. Então, por isso que a habilidade desses motociclistas é importantíssimo para adesão e ter essa essa contratação e não ter esse vínculo relacionado à à questão do associar acidentes com a contratação de motociclistas por aplicativo. Quando a gente fala em habilidades, acho que vale ressaltar também a questão do garupa, né, da pessoa que contrata o serviço. Por tem pessoas, aquelas pessoas que são mais medrosas, que quase não andam de moto, eu acho que acabam demonstrando esse medo pro pro motorista, né? E você precisa estar tão atento quanto o motorista quando você está na garupa, porque se ele faz uma curva, né? Tem tudo isso que é importante ter essa atenção também do do passageiro, né? Exato. E essa e esse treinamento que a pessoa que está conduzindo a moto precisa ter exatamente para orientar a pessoa que contratou o serviço, para ela saber como sentar, como posicionar, onde segurar, porque o que que como que eu identifico uma pessoa na rua que está utilizando contratou aplicativo? geralmente do sexo feminino, existe uma pequena distância entre o o motociclista e quem está na garupa e a pessoa está tá segurando aqui na parte, né, na lateral. Então assim, é muito claro e eu já vi casos onde o capacete não está fivelado e é um risco muito grande. Quer dizer, você não pode sair de um de um trajeto sem verificar que o capacete esteja fivelado, porque é uma questão de segurança. E essa questão de segurar nas laterais, nem todas as motos têm aquela aquele espaço para segurar, né? Depender da moto não tem. E aí você tem que segurar no próprio motorista mesmo. Não tem saída. O melhor local realmente é no motorista. É, é. Eu já, inclusive eu ando bastante e tem motorista que já fala: "Eu prefiro que você segure em mim". Então assim, a gente vai subir, ele já passa essa informação, inclusive essa questão de afivelar o capacete, né? Deixar fechadinho, certinho. Alguns até preferem ajustar, que é uma segurança, né, deles e nossa também, né? Uhum. Exato. Então isso é um ponto bem interessante, essa esse nível de orientação. E eu já vi também pessoas eh usando blusa com gorro, que elas se sentem mais confortável quando vai colocar o capacete, ela pega o gorro, coloca e põe o capacete. Então isso também já foi um artifício dentro dessa dinâmica na contratação dos aplicativos. Mas aí essa questão do gorro seria favorável ou não? Favorável. favorável, porque a pessoa se sente melhor, né? Porque é um ponto ainda que não tá muito claro, que pode ser colocado uma toquinha, porque, né, aquele capacete ele vai ser compartilhado, né? o ideal eh que o capacete fosse realmente de cada pessoa, como se fosse uma luva, por exemplo. Mas como isso também não há uma regulamentação, a gente vê, nós vemos aí artifícios utilizados no dia a dia em função dessa necessidade. Mas inclusive eu já ouvi motorista, né, motociclista falando o seguinte, que seria favorável para eles. Ele falou: "Nem que a gente desse um desconto para aquela pessoa que tivesse o próprio capacete." Por quê? Justamente para ele não ficar nessa preocupação se a pessoa corre o risco de pegar alguma coisa, né? Porque passa de de cabeça para cabeça. Imagina, ele começou a rodar de manhã às 5 da manhã, às 5: da tarde, quantos quantas pessoas já usaram o capacete, né? Exato. Exato. E aí entra outra coisa, porque o capacete também tem número, é igual um calçado. E o que que o a pessoa da do aplicativo faz? Ele acaba tendo um capacete grande. Uhum. porque aquele que vai servir para todas as pessoas, mas não necessariamente é o mais seguro para um tipo de uma pessoa. Esse é um ponto também que precisa ser ainda discutido, aprofundado e a questão do estímulo realmente, né, que seria o ideal que quem contratasse eh o aplicativo por motocicleta tivesse o seu próprio capacete. Isso seria o melhor dos mundos se nós pensássemos na segurança e na questão de riscos de alguma doença infecciosa. O estudo mostra que 60% dos motociclistas em Campinas trafegam acima da velocidade permitida. Então isso revela mais uma vez que assim a cultura de trânsito do trânsito aqui em Campinas eu acredito que até assim por ser interior as ruas são mais largas, tem bastante carro, mas ainda não é como São Paulo. Então isso parece que dá pro motorista uma certa liberdade, né, de assim, eu posso acelerar mais aqui. É uma sensação e acaba sendo uma questão cultural, né? Porque isso foi medido em muitas cidades, isso foi pegado numa faixa de um mês e verificado em três anos diferentes do mesmo local, medindo na mesma época e fica claro que aumentou realmente a velocidade. Então isso precisa realmente um trabalho muito grande de conscientização, mas focado no público. Se for uma conscientização que eu já vi falando de motociclista na rádio, realmente não tem eficácia alguma, porque a pessoa que tem que ouvir não é aquela que está ouvindo rádio numa motocicleta. Ele está, na verdade, é o momento é diferente, é no momento que ele para, no momento que ele tá no posto lá aguardando um cliente ou aguardando a entrega de um alimento ou nas empresas que utilizam muito a motocicleta. A pesquisa identificou as avenidas Norte Sul e John Boyd Lope como os pontos críticos aqui na cidade de Campinas. Quais medidas poderiam ser tomadas então nessas avenidas? Pensando nessa questão de motocicletas, talvez uma velocidade diferente para motocicleta seria viável? É uma questão bem interessante, porque o limite de velocidade também tá relacionado a esse excesso de velocidade. O que nós vemos é que as cidades que t as avenidas, o limite máximo deveria ser 50 km/h. E nós vemos aqui em Campinas 60 km/h muitas vezes. Uhum. A própria expressa aqui da BAN, ela é 70 km/h. Então da pessoa passar acima desse limite é muito alto. O tempo de reação de qualquer mudança ali existe realmente esse risco de acidente. Então a redução do limite de velocidade, trabalho de conscientização e a fiscalização, esses três pilares fecham para que mude a cultura de uma cidade. Professor, quais são as considerações finais, o seu ponto de vista em relação a este tema? Bom, eu sou uma pessoa sempre favorável a ter opções. A motocicleta vem para mais uma opção, só que nós precisamos sempre ter uma regulamentação. As regras precisam ser muito bem claras, porque isso fica importante para quem está contratando, fica importante para quem está pilotando e fica importante para a sociedade em si, porque quando há algum acidente, o impacto não é para duas pessoas que estão na motocicleta, é todo o entorno que você tem. Então essa conjunção de fatores é que vai favorecer nessa nova modalidade de transporte nas cidades. Perfeito. Agradeço sua participação mais uma vez e vamos torcer para que as coisas funcionem, flua da melhor forma possível no trânsito, né? Não só para motos, mas para carros também, né? Perfeito. É isso mesmo. Obrigada. Obrigada mais uma vez pela participação. Obrigada a você também que nos acompanhou pelas telas e fique aí aguardando a nossa programação, acompanhando a nossa programação e aguarde o próximo ponto de vista. Ciao [Música] [Música] [Música]