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[Música] Olá minha gente mais um ponto de vista no ar e hoje nós vamos falar sobre o mapa da fome com a d Bruna Gomes ela é membro do grupo de pesquisa políticas públicas sustentabilidade e proteção de vulneráveis do CNPQ Campinas Doutora muito obrigada por vir até aqui por comparecer participar né desse programa com esse assunto tão importante pra nossa população Eu quem agradeço muito obrigado pelo convite é essencial a gente falar sobre ess sobre esse tema sobre essa discussão é uma das etapas inclusive né da educação para alimentação e Nutrição Sem dúvida O Brasil esteve fora do mapa da Fome em 2014 permaneceu até 2021 com a alta da pandemia da covid-19 evento que afetou muitos brasileiros com o desemprego por exemplo Eis que o país retornou ao mapa da fome no ano de 2021 Doutora a gente pode considerar eh eu acho que na verdade primeiro a gente pode começar explicando esclarecendo melhor o que é o mapa da Fome isso exatamente o mapa da fome é como ele é conhecido no Brasil né o mapa da fome é um relatório que a gente chama de relatório SF ele é feito pela ONU através de principais de algumas agências a gente considera f né que é o órgão principal da ONU para agricultura e alimentação no mundo e a Unicef tem mais alguns órgãos mas esses são os dois principais que ajudam até na coleta de dados né então o mapa da Fome que é o que a gente conhece ele vem dessa dessa abrangência dessa pesquisa que é feita em 169 países no planeta né então a gente pega esses dados a ONU ela condensa esses dados ele é feito dentro de um triênio o último que a gente tem é 2020 2022 a gente tá no outro trieno já né 23 24 que vai acabar agora em 2025 e ele aloca essa questão da fome da insegurança alimentar porque insegurança alimentar na verdade ela é muito mais Ampla né a gente tem insegurança alimentar em três níveis que a gente fala que é insegurança alimentar leve a insegurança alimentar moderada e a insegurança alimentar grave que é exatamente onde está a fome então a gente pega esses três dados como é que o Brasil contribui com esses dados né como é que a gente envia como é que a ONU ela ela capta aqui no Brasil principalmente através do sisvan que é o sistema de vigilância para alimentação e Nutrição que é feito no SUS então quando a gente vai eh num num postinho de saúde quando a gente vai até o hospital a gente o os médicos tem essa capacidade e deveriam ter acesso a esse sistema para poder inserir esses dados a gente também tem o IBGE né que faz essa coleta através da escala ebia que é a escala brasileira para insegurança alimentar e a maior parte da coleta dos dados vem através do vigitel que é o sistema de vigilância telefônica então algumas famílias recebem suas ligações porque a insegurança alimentar ela é analisada dentro do contexto familiar quando a gente fala insegurança alimentar a gente pensa em que exatamente a forma com que a pessoa se alimenta a quantidade de vezes que que ela se alimenta Que tipo de alimento ela consome exatamente então assim quando a gente fala de insegurança alimentar da leve até a grave vamos começar pela grave que é quando a a alimentação da do núcleo familiar está absolutamente comprometida a ponto de ficar às vezes um dia dois sem se alimentar então ali a gente tem realmente a fome que vai impactar na na parte de de desnutrição na parte até da obesidade e problemas crônicos de doença principalmente nas crianças na primeira infância quando a gente consegue detectar na insegurança alimentar moderada normalmente um indivíduo ou outro não tem acesso a esse qualquer tipo de alimentação pula uma refeição pula duas refeições e aí a gente pensa já em mais de um indivíduo Então a gente tem dois três indivíduos às vezes a família toda na insegurança alimentar leve normalmente é o adulto que deixa que pula uma duas refeições então ele pula a primeira refeição café da manhã Deixa pro filho então e assim e assim por diante e a gente ainda tem uma dificuldade de encarar isso do aspecto nutricional então a gente quando faz essa coleta de dados hoje no Brasil a gente não pergunta que tipo de alimento ele tá consumindo exatamente não estou ah hoje hoje hoje eu me alimentei Do quê Ah foi uma coxinha né então a gente não não não ainda não consegue adentrar nessa Seara porque a gente ainda tá discutindo o acesso à alimentação como um todo né então esse caso de de 2021 né quando o Brasil voltou pro mapa da Fome foi a alta da da covid né então foi um momento de difícil não só pro Brasil pro mundo todo mas pensando aqui no Brasil pensando na nossa região a gente teve muitos casos de desemprego acredito que isso também seja uma das causas né que afeta a alimentação da pessoa porque nem sempre a pessoa tem condições de colocar os melhores nutrientes à mesa exato o direito à alimentação ele é um tripé de de possibilidades pro ser pro ser humano como um todo né um direito humano então a gente fala de saúde de alimentação e de educação quando um deles falta a gente tem uma dificuldade na construção do próprio ser humano e de como ele se representa frente à sociedade eh o relatório sof que é o relatório do mapa da Fome que nem eu falei para você ele tá em a ONU atua em 169 países através da fu dos 169 países 111 estão no mapa da fome então se a gente olhar no aspecto Global pouco menos de 60 países não estão nesse mapa é muito pouco Considerando o quanto está no mapa da fome o Brasil hoje ocupa a 9ª quarta posição nós estamos no número 94 então a gente tá quase efetivamente saindo Mas o que aconteceu em 2020 2021 na verdade foi demonstrar o quanto a alimentação é vulnerável a agentes externos é um sistema complexo então muita coisa atinge né então eh a gente teve a covid então a gente teve um problema na produção de alimentos e também na forma que isso foi distribuído a queda da renda então dificultou o acesso né E aí a gente também teve guerras concomitantes então a guerra da Rússia com a Ucrânia com quando ela eclodiu ela impactou por exemplo na produção de milho no escoamento de milho já que o crânio é um dos países que mais produz milho então vários agentes externos agindo ao mesmo tempo num sistema que é tão delicado que é o sistema alimentar a insegurança alimentar é a falta de acesso regular aos alimentos basicamente a pessoa não sabe quando será sua próxima refeição como a senhora disse então a gente teve esse caso né Eh da pandemia e assim após a pandemia porque ainda é recente né se a gente pensar eh na recuperação do que tinha antes da pandemia do que a pandemia levou né em termos de de estrutura estrutura financeira também então será que ainda leva um tempo pro pro Brasil sair dessa desse mapa da Fome se reestruturar a gente já tá em queda né a gente já tá quase lá a gente fala que para sair do mapa da fome o país tem que estar em 2.5 média móv abaixo da do do nível de de fome na população mundial a gente hoje tá em 3.9 então a gente já desceu a ideia é que até 2 até o final do ano até 2025 a gente consiga sair mas as projeções mais mais mais calmas elas dizem que emem 2030 a gente consegue sair novamente do mapa da Fome isso se não acontecer mais nada né a gente que nem eu falei é um sistema complexo e muitas coisas ocorrem a gente falou da pandemia covid a gente falou da guerra mas a gente tem um outro sistema que vem impactando a produção de alimentos e que pode dificultar com que a gente saia do mapa da fome e pior colocar outros países nesse mapa que é a questão da emergência climática né então a indústria agropecuária a a o sistema alimentar ele é muito ele é realmente muito muito vulnerável e a produção de alimentos ela vai ser impactada ela já está sendo impactada com a emergência climática então a gente fala que em 2030 conseguiremos sair se a gente não tiver nenhum outro desses fatores eh prejudiciais mas a gente ainda tá sentindo efeito né econômico a forma de distribuição a produção que foi afetada lá ela ainda não se recuperou ainda tem essa dificuldade a gente tem estabilidade em nível internacional no cenário internacional da forma de acesso tarifa daqui tarifa dali tudo isso dificulta né a a captação desse desse recurso que é o alimento a gente tem sentido essa questão da emergência climática no mercado né porque por exemplo a alta do café em alguns períodos é o tomate em outros é o arroz as verduras Então tudo isso também acaba sendo um um fator para para esse mapa da fome né porque as pessoas passam a não conseguir também comprar até porque o produtor não consegue entregar esse esse alemento exato Qual é a nossa dificuldade hoje em relação ao mapa da fome a gente atinge a fome em si a gente consegue através de ações combater a fome que é o o principal foco a nível Federal só que a gente não consegue efetivamente tirar a população da do mapa da insegurança alimentar então eu tiro da fome mas eu aloco em algum outro dos níveis de insegurança seja leve seja moderada E aí para ele voltar para o nível da fome é muito rápido não é É muito mais fácil então a nossa dificuldade é essa hoje a tirei da Fome Ok e agora vou trabalhar questão nutricional a gente ainda não consegue discutir a questão nutricional para a o combate à fome e ins segurança alimentar essa questão nutricional Ela atinge só as classes menos favorecidas e pessoas com com salários mais reduzidos ou não porque às vezes eu tenho a impressão que assim é aquela questão né às vezes na correria do dia a pessoa prefere comer um biscoito comer uma coxinha ex porque tá mais rápido porque tá mais perto e de fato Às vezes o valor é mais acessível então a pessoa vai nisso primeiro a gente vem acho que primeira primeira coisa que a gente tem que pensar é numa educação para alimentação e Nutrição Então a gente tem alguns algumas iniciativas para que a gente comece a discutir isso nas escolas né em postos de saúde a nível um pouquinho mais amplo para que a gente possa primeiro rever a nossa relação com a comida né então a gente aqui a gente fala que a o direito à alimentação Ele entrou na nossa Constituição em 2010 só é muito jovem só que o Brasil discute desde 1940 Então a gente tem pesquisas eh mais profundas sobre essa relação do indivíduo comida eh esse é o primeiro ponto o segundo é entender que a gente não escolhe mais nada né então a gente vem numa ideia numa teoria mal an de que eu preciso produzir muita comida porque eu tenho muita gente no planeta e não é isso na verdade a nossa maior produção não é de alimento não é de comida a gente produz gênero né que vai virar ração que vai virar eh cosmético vai virar combustível uma infinidade de coisas mas eu não consigo produzir efetivamente alimento que chega na mesa das famílias nisso eu favoreço a indústria porque eu aumento a a condição de ultra processado e quanto mais valor eu agrego mais barato fica o produto Em contrapartida eu tô produzindo menos comida né a agricultura familiar ela tá defasada ela não tem fixação ela não tem eh subsídio que efetivamente chegue até eles fica difícil essa competição nós comentamos aqui antes de começar o programa o quanto isso vem eh eh vem sido mudado né No decorrer dos anos por exemplo a questão da padaria né antigamente quase toda a esquina tinha uma padaria feira livre por exemplo a gente tinha toda semana em todos os bairros hoje essa realidade mudou T completamente eu sei que é difícil a gente às vezes olhar e falar assim eu preciso me reconectar com o meu com a minha comida isso demanda tempo e a gente vive numa sociedade imediatista eu quero tudo rápido isso ampliou o fast food isso ampliou o ultraprocessado embora na minha opinião desembalar e descascar seja muito próximo seja muito parecido né mas a gente a gente se desconectou aquilo que a gente efetivamente precisa fazer que é parar um tempo minuto e aí Antigamente eu me lembro de com os meus pais em padaria né sentar no balcão comer um pão até a qualidade do pão era outra né além da da alta do preço do da matériaprima a gente não a gente não vai mais até eles na prática você acaba abrindo espaço para que nessa nova dinâmica Urbana você tem a prevalência de estabelecimentos que que ofertam esse ultraprocessado muito mais rápido e num custo muito menor do alimento hoje o mercado oferece por exemplo o o o pão francês né o nosso pão comum do dia a dia congelado para você comprar em grande quantidade leva PR cas exatamente exato fala assim não mas eu poderia deixar esse momento para um final de semana sentar com a minha família na mesa comer Ah não isso é uma Utopia Isso é Um Mundo Ideal não é o quanto a gente se desconectou desde que a gente eh monopolizou a produção do Trigo Né desde que a gente saiu daquela condição de Sapiens falou assim agora eu vou dominar o trigo agora eu vou não serei mais eh vou vou me tornar um ser humano sedentário né isso atrapalhou a nossa própria conexão então a gente quer tudo rápido prático eu quero tudo simples eu quero consumir em excesso eu quero isso como ele tem uma deficiência nutricional deficiência calórica né na prática Você vai continuar com forma e vai continuar comprando e vai continuar abastecendo e fazendo com que essa indústria cresça ainda mais então a gente fala a nossa classe a classe média a classe alta ela acha que escolhe ela acredita que tá escolhendo entre a e b porque essa escolha veio um pouco antes que era que a gente comentava mas a minha escolha impacta aquele que não pode escolher né porque eu tô alimentando a indústria do ultraprocessado tem um ponto que assim eh e a gente escuta muitas pessoas falarem sobre a qualidade da alimentação em fazer uma reeducação alimentar é mais comum para pessoas que estão pensando em começar uma dieta em começar um treino Será que talvez é por isso que outras pessoas pensam Ah não eu não eu vou nesse aqui que tá já pronto É só colocar no microonda esquentar porque é mais fácil é mais rápido Claro tem a questão do valor também bem mas às vezes eu ten a impressão que assim esses diferentes grupos porque esse grupo que consegue ter uma alimentação mais saudável obviamente ele tem uma condição de vida melhor sem dúvida quando a gente pega os dados a o público por exemplo que tem o acesso à reeducação alimentar que busca produtos mais em Natura que a gente conhece como orgânico né que sempre era para tudo ser orgânico Vamos pensar dessa forma mas não a gente tem aí a prevalência muito muito grande né da da indústria dos fertilizant mas esse público é a mulher branca jovem na casa dos 30 Anos Em contrapartida o público que mais sente fome é a mulher preta mãe solteira então você percebe a disparidade realmente de dados né questão de escolha sim um outro ponto também Doutora que eu acho bastante relevante né quando a gente pensa assim no no Brasil tem eu não sei se isso entrou na sua dissertação Mas eu acredito que tenha regiões que ten mais pessoas passando por isso e outras menos né se a gente pensar mais aqui na nossa região Sudeste Talvez o número seja menor se a gente pensar mais pro interior do Nordeste eu acredito que a situação seja um pouco mais grave é é a gente tem uma um limba uma dificuldade que é na captação desse tipo de dado porque assim é uma é uma discussão nova que é quando a gente fala no acesso ao alimento no ambiente alimentar né então a gente tem tipos de ambiente alimentar e aí a gente vai alocar se aquilo a gente considera um Pântano ou um deserto aliment vamos fazer só um adendo o que que seria um Pântano que seria um deserto né alimentar o pântano alimentar é quando eu tenho e a prevalência de estabelecimentos que ofertam Ultra processado em determinada região então a gente fala uma distância de 400 a 800 m da residência então se tiver uma maior oferta de ultra processado Em contrapartida a estabelecimentos que ofertem né produtos minimamente ou em Natura a gente considera uma região potencialmente de Pântano alimentar deserto é quando eu não tenho nenhum tipo estabelecimento para acesso alimentar Isso dificulta porque a pessoa já tem que se já tem já tem a baixa renda ela tem que se deslocar mais ainda gasto com transporte para conseguir chegar eh no no alimento então a gente tem por exemplo aqui em Campinas a gente tem das 18 macrorregiões nove são consideradas e Pântano e deserto só que quando a gente olha a qualidade desse dado a gente percebe que Talvez possa ser muito maior o número porque eh o dado Quem coloca é o próprio estabelecimento então se você entrar em determinada rede de de atacado de varejo e ela se colocar como eu vendo produtos em Natura ou min minimamente processados ainda que seja um pedaço de gengibre ela vai ser considerada um desses estabelecimentos se você às vezes olhar na prática e entrar no estabelecimento Não é bem assim né a gente tem algumas legislações por exemplo do direito consumidor que protege o consumidor daquela oferta eh agressiva de produto então aquele aquelas gôndulas cheias de doce perto da criança né Então coloque num outro lugar né a o tabaco a bebida alcoólica já um pouco mais distante a gente sabe que na prática quando a gente eu eu sou como dona de casa eu entro no estabelecimento Eu sei que não é real sim né você tem a legislação mas você entra você ver que não é então a gente já começa da da dificuldade da Captação desse dado para que daí a gente possa ter tomar partido e ter ações efetivas para mudar essa dinâmica mas são é é uma agenda de muitos conflitos de interesse né de como você vai produzir de como você vai distribuir de como o consumidor final vai acessar esse esse alimento isso que a gente nem chegou a falar da estabilidade uh né que seria você efetivamente ter eh programas que estabilizem essas políticas de produção de Distribuição e de acesso para que eventos como covid ou guerras ou emergência climática não impactem tanto na oferta do alimento quando a gente olha para essa situação né de de pântanos eh Pântano alimentar deserto alimentar a gente tem essa questão da da do Fast Food né que é muito comum cada vez mais comum né atrativo inclusive né eles eles vendem de uma forma muito atraente mas é como a questão da coxinha que nós comentamos Nem sempre a pessoa vai consumir porque ela quer às vezes é a necessidade tá mais rápido tá mais rápido tá mais prático né não necessariamente mais barato né alguns casos Acredito até que não né dependendo da da rede mas assim é algo que interfere também por exemplo nos casos de obesidade né alteração de peso isso tem afetado bastante o Brasil antigamente a gente pensava isso só ah nos Estados Unidos é muito fast food Então tem muito obeso tal mas hoje no Brasil isso também é uma realidade né também aumentou o número é uma realidade Mundial tem um núcleo de pesquisa na USP São Paulo chamando pens que é núcleo de pesquisa em nutrição e saúde e eles estudam uma coisa que a gente chama de sindemia global que é uma aliança entre três eixos que é a emergência climática a obesidade e a desnutrição a gente chegou Teve uma época que a gente achava que a desnutrição estava muito longe da da obesidade né falou assim Ah isso aqui não tem nada a ver é cada evento é único mas a gente já começou a perceber que eles estão interligados se aumenta a minha desnutrição aumentam meus fatores de também de obesidade porque eu tô falando do acesso ao nutriente então se eu tô aumentando a o fator de desnutrição tem alguma coisa naquele acessa ao alimento e que ele não é localizado então ele também vai impactar no fator obesidade e a gente pensar por exemplo o relatório esse relatório sof do mapa da famía é um relatório bem amplo que ele fala mais do que a fome só e o de 2000 o relatório parcial de 2023 que eles elaboraram já demonstrou pra gente que o quanto a gente fatura né a nível mundial com a produção de alimentos da forma que a gente produz hoje é menor do que a gente gasta com saúde então se eu tô ganhando na casa dos bilhões eu estou gastando na casa dos trilhões pelo Impacto dessa forma produtiva do alimento que eu tô ofertando do que os nossos consumidores estão acessando com gastos em saúde hoje 72 das mortes no mundo elas são causadas por doenças crônicas não transmissíveis e as três primeiras são hipertensão diabetes e o câncer então esses três primeiros estão diretamente ligados com o fator alimentar Sem dúvida né e assim quando a gente fala acho que é preciso separar né quando a gente fala em nutrição como a senhora disse são nutrientes alimentos que são favoráveis ao nosso organismo importante pra nossa saúde não necessariamente comer porque se eu comer um um biscoito se todo dia eu almoçar um biscoito você não vai estar nutrida você vai vai acabar impactando na sua saúde vai impactar no sistema de saúde porque você vai acabar por lá né não tem não tem como você e se dissociar disso daí eu falo aqui de biscoito mas como nós falamos da dessas redes né fast food importante a gente falar né porque tem gente que comenta assim ah mas o hambúrguer tem a carne tem a salada mas não necessariamente não o problema da indústria de alimentos é o tanto de aditivo que a gente coloca o tanto de coisas já que estão naquela naquele rótulo que também não é fácil de ler né então a a a legislação sobre rotulagem ela tá melhorando agora tá evoluindo agora Ah você não pode ter determinada informação na frente se aquela informação falsa mas quem é que entende rosul quem é que sabe ler Rot daí que vem a par de você realmente estudar para isso e conhecer o que você efetivamente tem então o que a gente consome como deveria consumir como comida vem a maior parte da Agricultura Familiar quando eu falo de Agricultura Familiar não tô falando do Pequenos Sítio São grandes produtoras às vezes né Mas elas tem um modo de produção sustentável modo que não impacta no meio ambiente que gera emprego né que fixa aquele aquele produtor rural efetivamente eh no campo só que a produção deles é pequena é a gente da porcentagem de terra no no no Brasil 80% tá na mão de oligopólios monopólios né Então as grandes produtoras que produzem o quê principalmente aqui no Brasil soja cana de açúcar né então é isso que a gente tá produzindo isso sem contar do da área que é destinada para o pasto para o gado que aquele gado grande abate e que vai paraa grande parte de exportação o meu agricultor familiar Ele tá em um pouco mais de 20 30% da porcentagem de terra para produzir mais de 80% do abastecimento de comida efetivamente pensar em em alimento e ainda vou acessar o fato de que a gente a gente não conhece tudo que a gente tem de comestível a gente consome só 700 espécias aproximadamente entre plantas e animais é muito pouco perto do tanto de espéci que a gente tem mais de 2.000 então a gente precisa se reconectar conhecer o que tem o que não tem e começar a divulgar isso e entender que nem sempre também Ai aquele aquele determinado profissional que tem o conhecimento me passou então Aquilo é bom Teve uma época que a gente teve o bunda aqui nua tudo era aqui nua vamos consumir Aqua só pra gente entender como a gente acaba uma escolha impacta na outra Uhum eraa Então você ia num profissional habilitado nutricionista as fal não quin é bom vamos colocar nas dietas daquela daquela margem né de pessoas que podem escolher só que aqui no o Brasil não produz a gente não produz não é Nossa né e ela é muito próxima é um tipo de grão a gente tem o arroz vários tipos de arroz então o que que a gente começou a fazer vamos começar a exportar de um país que produz que no caso era Bolívia na Bolívia aquilo é um produto é tipo O arroz é tipo para eles é o nosso arroz então é aquela economia diária é consumo diário ficou mais vantajoso vender Já que eu estava exportando câmbio é dólar é uma commodity né produção agrícola é uma commodity eles começaram a vender o que que aconteceu o povo boliviano começou a passar fome aí para eles teve um impacto significativo porque eu acreditei aqui no Brasil que a quinua era essencial eu não poderia viver sem ela sendo que tem algo parecido né eu posso ajustar dentro então assim a educação para alimentação e Nutrição hoje ela é essencial pra gente entender o fator nutritivo Será que eu preciso disso daqui o açúcar ele é viciante né éé os aditivos são viciantes Mas eles são também são potencialmente cancerígenos eles causam obesidade causam desnutrição desequilibram o corpo como um todo e no final das contas é a gente mesmo quem acaba pagando o preço é e essa questão né do do açúcar ser viciante agora com essa situação com o preço do café as pessoas têm comentado isso né e agora eu vou ter que tomar o café sem açúcar mas né agora é o café que tá porque tem horas que é o açúcar que tá mais caro não mas agora é o café que tá caro e aí como é que até para isso né Na hora de consumir o brasileiro tem que pensar tem que fazer conta como eu vou comer exatamente eu eu falo que o que a gente come muda o mundo e a forma que a gente come também muda o mundo e eu sei que às vezes pessoal fala assim ah mas tá muito caro a gente precisa de políticas que diminuam eh diminuam o valor mas uma das ações que ajuda Inclusive a equilibrar esse mercado é a nossa própria escolha é a gente ir ao mercado e entender que a uva não é um produto de não é um produto de Janeiro ela não vai ser vendida em janeiro se ela está ali sendo vendida em janeiro é porque ela não veio de um processo de uma produção sustentável ela não veio de uma distribuição de cadeia curta então ela não veio aqui do do cinturão Agrícola de Campinas ela veio de mais longe nesse meio do caminho eu tive um desperdício isso tudo encarece o produto mas não eu como consumidor eu quero que aquele produto esteja disponível mesmo sem a sazonalidade dele ele tem que estar bom aí entra até uma questão assim eh de ilusão do público quando a gente pens pensa nossa Antigamente você não encontrava uva o ano inteiro hoje tem não é que melhorou né a gente tem essa questão da exportação mas que gera toda essa problemática isso é exatamente o oposto né fala assim eh a o alimento ele é ele é vendido na bolsa né Ele é vendido a São vendas que a gente chama de vendas futuras por isso que o preço às vezes oscila tanto né por isso que não é bom quando o dólar tá muito alto porque quando o dólar fica muito alto pro nosso produtor é mais interessante vender lá fora do que vender aqui dentro na mesma forma é interessante quando resolvem tarifar os nossos produtos aqui no Brasil porque vai obrigar a vender aqui dentro né então isso ajuda além da necessidade de gente reestruturar algumas políticas né Por exemplo eh Renascer O penai que é o programa nacional de alimentação escolar que a gente tá conseguindo reestruturar o programa de aquisição de alimentos e melhorar as centrais de abastecimento ass asas no país porque Isso facilita a compra do produto pelo governo pra redistribuição para cozinhas solidárias né para programas eh que façam com que essa segurança alimentar seja e tivamente aplicada né então você comer uva em janeiro não está atendendo a regionalidade a zonalidade dela ah eu não posso não é essa essa que é a nossa questão você pode mas você deve né você precisa disso se você for numa feira que a gente conera feira orgânica que deveria ser muito mais divulgado um pouco mais ampliado mais pessoas deveriam ter acesso e você vai ver que você tem um número fechado de alimentos Então você tem eh ah você tem três quatro tubérculos luminosas né uma salada ou outra algumas frutas que são da época mesmo que foram produzidas próximo então você toda sua cadeia da essa As feiras orgânicas elas são a demonstração de uma cadeia que funciona desde a produção até a estabilidade dela né Então ela foi produzida de uma forma equilibrada você teve a disponibilização sem perdas no meio do caminho a gente fala até do combustível né do transporte o acesso também fica mais facilitado porque tá perto né tá um outro hoje a gente pensa em Produtores Rurais que já t que vivem em cooperativas né que tem startups que ajudam você a fazer o pedido a forma que vai chegar em você também se adequaram e a estabilidade da produção é um pouco maior porque ela é intercalada né uma produção agroflorestal por exemplo ela pensa em vários corredores produzindo coisas diferentes mas que coexistem num equilíbrio do ecosistema de Farma harmônica Doutor a gente vai tomar uma água ou um café dependendo do preço e a gente volta daqui a pouquinho tá bom [Música] [Música] Voltamos com mais um ponto de vista o assunto deste programa é o mapa da Fome toda a questão alimentar que envolve o nosso país que envolve o mundo todo mas a gente tá pensando aqui no nosso país na nossa região né dout bruna exatamente eu tive a oportunidade em 2023 2023 de participar da conferência Municipal de segurança alimentar que aconteceu aqui em Campinas as conferências elas são jornadas então a gente para criar políticas efetivas e descobrir o que precisa eh no Brasil para combater a fome para tratar a segurança alimentar nutricional de forma Ampla a gente faz pequenas conferências então a gente faz primeiro uma conferência Municipal todos os municípios que possuem o órgão que a gente chama de concea né que é o conselho de segurança alimentar Campinas tem Campinas tem foi um Pioneiro eh em políticas desse desse sentido e aí a gente esses municípios fazem passa ser a uma rodada Regional então depois a gente faz a nível Estadual né cada estado faz o seu e depois uma de nível Federal nessas conferências vão sendo construídas propostas né então a gente tem Ampla participação da sociedade civil eh membros do Ministério Público membros do dos órgãos públicos para ajudarem nessas propostas Por que que ela é importante porque a gente vislumbra né a gente visualiza Quais são os problemas Quais são as deficiências partindo de três eixos né equipamento público saúde nutrição daí a gente vai construindo Então você começa a a visualizar Quais são os principais eficiências para ir você construir um projeto então a gente fala por exemplo o combate à fome aqui no Brasil a gente tem um projeto grande ele não foi construído à toa sozinho são pequenas políticas que vão se somando né algumas delas nasceram inclusive aqui no município de Campinas né a gente tem pesquisadores na Camp eh que tentam fazer essa construção e a gente percebe em Campinas Quais são as principais dificuldades talvez a a maior de todas a maior reclamação que a gente precisa discutir é a questão da Agricultura Familiar né da gente facilitar a gente tem não é a nível Federal o Pronaf que é o programa nacional de Agricultura Familiar que tem incentivo que tem subsídio na prática a gente tem essa dificuldade Será que eu tenho o acesso Será que eu será que ele foi feito da melhor forma a se a se construir mesmo quem tem o acesso à terra a gente fala em regularização fundiária né a gente fala em em melhorar esse essa fatia de melhorar esse fator produtivo então a gente consegue através dessas conferências eh visualizar essa situação e entender como está a minha atual cadeia produtiva porque a gente não pode pensar eh fatiado mas também é difícil você pensar de forma globalizada principalmente pensando num país como o Brasil com as dimensões que possui e com as particularidades que possui então será que a minha política no Nordeste é igual a minha política no sul por Óbvio que não né então eu não consigo produzir a mesma coisa lá e nem deveria a nossa dificuldade é que a gente acaba tentando atender principalmente o mercado externo e aí a gente produz coisas que interessem para o mercado externo é mas aí Eh aí você fica com um problema dentro de casa né exatamente você porque vai pensar na venda obviamente no que vai lucrar com essa exportação E aí dentro de casa a gente passa a ter problemas que inclusive eu acredito que vem impactar na saúde por exemplo exato a oferta de alimento já tá comprometida a gente tem uma uma um um comprometimento significativo da oferta de alimentos do quanto eu tenho do quanto ele custa né e a a produção também acaba impactando na qualidade do alimento então a gente lá atrás quando a gente criou a engenharia de alimentos ela tinha uma ideia que era o quê produzir melhor não era produzir mais a ideia inicial de uma faculdade de é produzir melhor com investimentos de indústrias interessadas por exemplo uma uma indústria que investe muito pesada engenheiria de alimentos é a Indústria Farmacêutica E aí a gente cria o transgênico E por que que a Indústria Farmacêutica investe tanto dinheiro porque ela é uma das principais produtoras de fertilizante Então eu preciso de alimentos mais resistentes mas é o quê hoje não é mais resistente ao ambiente externo é resistente é o próprio fertilizante sim só que ele ele ele entra de uma forma na molécula que ela Altera a molécula do alimento então acaba tendo essa dificuldade mas como é que eu vou sair de uma indústria de fertilizantes Ah vamos então colocar aí a osar os B insumos né uma agricultura mais mais equilibrada mas o meu produtor local ele vai competir com uma grande fazenda do lado dele que utiliza pulveriza esse fertilizante para ele é difícil competir porque ele não produz tanto não vai conseguir é impossível produzir Além do fato daquele fertilizante alterar o equilíbrio dele mesmo foi o que aconteceu com as abelhas recentemente que a gente viu no Mato Grosso então você vê um como é complexo sistema alimentar uma ação de um determinado tipo de produtor vai impactar no outro de de forma direta mas por uma ação indireta uhum qual seria acho que as as principais soluções pra gente melhorar pra gente eh não só pensando em sair do mapa é claro que isso é importante mas em ter uma alimentação mais saudável para todos a gente precisa que os gestores olhem pra segurança alimentar nutricional de forma Global eu a minha principal crítica até hoje é que o sistema de alimentação não possui um órgão próprio não existe o ministério da alimentação não existe uma secretaria normalmente elas são encaixadas em determinados órgãos se a gente pensar no Ministro Wellington Dias que é o ministro da Assistência Social da família e do combate à fome a fome tá na assistência social Então a gente vai alocando uma hora tá na assistência social out a gente tem políticas do Ministério da Agricultura e Pecuária né então você vê que ela atende a interesses diversos aí você tem gestões antagônicas gestões que vão atender determinados tipos isso impacta até na forma que os outros olham pro combate à fome né Será que determinados tipos de população realmente acham que precisa combater a fome assim eu não estou eu não estou no mapa da fome por que que há essa política pública Por que que isso aqui existe isso aqui não precisa mas precisa porque atinge a gente então primeiro a gente precisa olhar isso sim depois a gente precisa fazer Essa gestão pensando no que a gente chama de Pilares porque a segurança alimentária tem quatro pilares que é o Pilar da produção o Pilar da distribuição o Pilar do acesso E o Pilar da estabilidade estabilidade o último ele ele serve para deixar esses três de uma forma alinhada nada que eles não não sofram tanto né não não se não sejam tão impactados quando a gente pensa na produção a gente pensa nela na produção na escala Global mesmo então qual alimento eu vou produzir de que forma eu vou produzir e como eu vou incentivar uma transição eh a gente tem uma forma produtiva que ela não se sustenta mais por mais que a gente gostaria que ela se permanecer ela não se sustenta mais por diversas razões a indústria agropecuária ela é terceira indústria que mais polui no planeta ela fica só atrás da de combustíveis fósseis e da texo só que qual que é a diferença da indústria agropecuária para essas outras duas é que os efeitos dessa poluição elas voltam diretamente contra ela o que não acontece naé de combustível fóssil não acontece na texo a agropecuária ela polui muito em todas as suas escalas na forma produtiva só que o que ela causa volta contra ela então afeta a própria produção dela mas ela aí ela investe ainda mais em fertilizante na forma menos sustentável possível que a gente fala então por que que a indústria pecuária polui agropecuária polui porque ela desmata a gente tem a produção de fertilizantes que não é uma produção eh digamos assim limpa é uma produção a maioria delas vem de do próprio combustível fóssil da exploração né então não não é limpa a gente acaba desmatando a gente produz de uma forma que empobrece o solo empobrece o nutriente Então embora eu tenha uma produção Ampla e que se retroalimenta ela não é sustentável Então a primeira coisa que o primeiro olhar que a gente tem que voltar tá é a forma produtiva então a gente precisa pensar numa transição eh de produção da sair dessa dessa desse alimentação por fertilizantes químicos e passar para uma uma produção pelo menos menos poluente Esse é o Esse é o primeiro aspecto né essencial promover situações para que mais pessoas se tornem produtores e isso né precisaria envolver muitas questões isso ajudaria ajudar a gente tem uma dificuldade na fixação do campones na zona rural né eles foram sendo deslocados porque eles não conseguem a gente fala Exatamente isso é ele não consegue competir com os grandes produtores Por mais que você dê acesso a investimento a BNDS eu vou investir no Pronaf ele vai pegar ele vai se endividar só porque não tem quem compre isso dele a gente teve uma um desmembramento das nossas políticas principalmente do pen e do do PA recentemente que era da onde vinha a maior oferta de alimentos então assim o produtor é pequeno produtor ele tinha a certeza que o governo compraria dele né como a gente teve essa quebra essa dificuldade nos últimos anos isso fez com que expulsasse ainda mais se a gente pensa em Campinas 80% da população é urbana A gente tem 20% da população na zona rural Será que ela tá produzindo também às vezes ela não tá conseguindo produzir porque ela não consegue concorrer com um produtor maior então a gente precisa igualar eles e para igualar não necessariamente aumentar a produção do pequeno produtor a gente precisa igualar que o vizinho dele Produza de uma forma compatível com a dele uhum e Produza em menor escala porque a você aumenta a produção do outro né então a gente sempre fala assim eu preciso aumentar minha produção mas às vezes eu preciso só igualar essa produção criar algum mecanismo com que a produção do vizinho maior não impacte na dele pelo contrário que ajude que se alimentem né de uma forma positiva e equilibrada para dar espaço para todos né e facilitar o acesso quanto mais gente produzindo eh quanto mais gente fixa nas Rural menos na zona urbana você tem você tem menos esse trânsito você consegue alocar melhor o sistema de saúde o sistema de educação O saneamento básico Então veja a fixação do camponês no campo ela é essencial hoje mas não só colocar ou deixar ele lá ele não consegue ficar ele não consegue gerar renda para ele pra família dele e na maioria das vezes é vem da própria alimentação dele então a gente precisa apoiá-lo de fato depois da produção O que vem vem a disponibilidade vem como esse alimento vai ser distribuído a nível nacional E aí repito quanto mais distante está o alimento na produção do Consumidor mais caro é esse trajeto então se eu tô trazendo alimentos do norte nordeste para su sudeste vai ficar mais caro esse escoamento não tem como ele ficar mais barato se eu tenho uma produção de gado grande no centro oeste mas não tem produção de alimentos da onde tá vindo meu alimento Ah o maior produtor de arroz no Brasil é do Sul né o rio Grosso por isso que a gente ficou tão eh foi a primeira coisa que surgiu quando a gente teve as enchentes lá ele vai distribuir pro país inteiro as ingentes não vão impactar só a produção vão impactar também principalmente como ele Vai disponibilizar isso e pro resto do país né porque embora ele seja o maior produtor a gente não produz o tanto de arroz que a gente consome então a gente produz aproximadamente 200 milhões de toneladas mas precisa de mais de 500 milhões de t a gente a gente também acaba importando muito produto então assim eu preciso de políticas da do fator produtivo que fixem um camponês mais perto né do Consumidor Isso facilita a forma de escoamento da da alimentação Então eu tenho a centrais de abastecimento tem o CEASA que tá bem organizado e ele vai distribuir para toda a região mas o meu pequeno produtor ele não chega ali ele não consegue chegar dentro osas para distribuir pro resto do país então normalmente ele fica mais perto né na disponibilidade dele que é o que a gente chama de cadeia curta então quanto mais curta essa cadeia de produção mais fácil Essa disponibilidade mais fácil o escoamento do produto e aí torna-se difícil também para ele vender para outro público Porque como NS comentamos né As feiras orgânicas estão cada vez menores e cada vez mais distantes sim né assim em locais que honestamente a população não vai chegar e eu tenho dificuldade porque às vezes aí eu vou entrar no acesso determinados eh aglomerados de oferta de alimento eh os H frut granjeiros Os Pequenos V eles não querem chegar em determinados bairros por conta da da insegurança por conta do transporte por conta do da renda básica daquelas daquela população então assim eu não eu não não quero ofertar meu produto lá não vou me fixar lá porque eu não vou ter a demanda Então eu preciso do quê eu preciso reorganizar meu sistema Urbano e a e facilitar com que esse produtor efetivamente esteja lá ou por exemplo criar cotas mínimas dentro de mercado para que ele tenha determinado produto lá e que ele venda com preço mais acessível então ah você tem 20 corredores no mercado um inteiro vai ter que ser de produto local e com valor mais acessível e quando eu falo de produto loccal eu falo de um café de produto local de produtor local eu falo de frutas de produtores locais e que tem essa cota que tem essa facilitação fal assim olha você pode ter aqui mas aqui vai ser local e a mesma coisa nas regiões privilegiadas fal assim você tem toda essa essa essa região mas um determinado nicho aqui do seu mercado do seu estabelecimento vai ter que ser de produtor local porque senão ele vai ficar aglutinado em pequenas feiras orgânicas distantes do público porque para eu tenho tenho linhas de transporte que chegam aqui mas não vai cruzar a cidade para vir comprar produto orgânico né a gente sabe que na a realidade isso é impraticável temos uma terceira escala não é isso a aí vem a estabilidade que seria a a quarta né a gente vai falar já e do melhora um pouquinho do acesso Mas seria a estabilidade que é criar políticas que efetivamente sejam implementadas e a longo prazo elas com você visualize que elas estão sendo e praticadas que ela é é é possível né então você não tem num política que você analisa em um do anos são coisas de 5 10 anos e normalmente é um conjunto só que hoje eu não consigo visualizar porque falta dado porque eu atendo determinados determinadas agendas né então a gente foca muito o Brasil foca muito no fator produtivo então a gente sempre tá tentando aumentar essa produção sendo que não necessariamente seria essa parte que a gente teria que olhar e aí a gente acaba impactando na parte do acesso o acesso o último é sempre o que sofre mais né que é o consumidor final exato né E e esse consumidor final ele é um reflexo de um sistema muito maior de sistemas alimentares maiores a gente não fala no Brasil do sistema alimentar a gente tem essa dificuldade de discutir de pesquisar isso né mostrar que o Brasil tem cinco sistemas alimentares bem definidos e um sistema alimentar ele envolve os aspectos sociais econômicos culturais e fatores do meio ambiente então quanto mais equilibrado esses fatores mais definido é aquele sistema alimentar e eles interagem entre eles e ao nosso redor no final da cons a gente tem os ambientes alimentares que é o que a gente no final consumidor vê é o que tá acontece né ao nosso redor é a gente sair do nosso portão e ver o que a gente tem de oferta de alimento Ah eu vou ter o quê não meu bairro ele tá permeado por fast food Então você pegar uma avenida de Fora a fora eu vou ver todas os as gigantes todas as grandes marcas mas não vou ver mais uma pequena mercearia não vou ver mais pequena el as pequenas padarias resistem é difícil você ver mas às vezes você consegue encontrar mas assim antes era a maioria porque a oferta de produto era maior ao nosso redor é e E isso tem acontecido cada vez mais né assim mais oportunidades para abrir um fast food uma loja de conveniência mas não tem normalmente no espaço onde era uma padaria onde era uma mercearia uma kitanda lembra a época da Quitanda exato não tem mais você tem feiras mas As feiras também já diminuíram sim e não necessariamente As feiras ofertam que elas dizem que ofertam você pega por exemplo As feiras noturnas exatamente se você for lá tem tudo menos produto natural não tem até show mas produto em Natura você não tem mais isso é um desestímulo ao abastecimento né a gente vai entrar por exemplo falar de pequenos empreendedores os mês at isso quando ele tá na formalidade mas a gente tem aqui aa aquelas famílias que fazem pão que a mãe faz pão e sai para vender sai para distribuir ele também tá contribuindo Então você tem Às vezes o seu vizinho que faz E você não enxerga na correria do dia dia nessa Nesse Agito a gente querer tudo muito muito rápido fala assim ah mas eu tenho 15 minutos de almoço é mais bem mais fácil ir naquela gigante Dourada do m e comprar um sanduíche que às vezes custa no dia r$ 9 é muito mais barato que uma refeição tá mais barato que uma refeição né E aí a gente entra na questão da saúde né que sem perceber a pessoa economiza de um lado mas futuramente ela pode gastar gasta do outro o o próprio sistema de saúde né o governo a gestão tem que visualizar isso por isso que você estudar discutir trazer o tema num programa desse desse nível pra gente poder tratar é demonstrar pra população Olha você tem que olhar para algo a mais do só estou comendo né eu sei que assim é difícil mas às vezes são questões de você olhar ao seu redor E ver que é bem mais simples do que parece né que você tem mecanismos de acesso você tem às vezes ao seu redor de formas Mais facilitadas porque assim se a gestão não começar a prestar atenção que ela gasta muito com saúde por problemas decorrentes da Alimentação a gente não vai enxergar a necessidade de discutir um sistema de alimentação que seja potencialmente nutritivo que seja que favoreça né o ser humano como um todo desde a primeira infância né a gente tem que nem eu falei lá no começo a gente tem o sisvan mas a gente ainda não tá capacitando os nossos profissionais para alimentarem esses dados às vezes chega lá o médico ele vai colocar o dado no sistema se ele foi habilitado se ele foi capacitado Mas normalmente só dos beneficiários bolsa família porque primeiro porque é obrigatório então ele vai e a pessoa vai lá às vezes só para isso ele vai vai fazer mas ele poderia fazer isso em todos os atendimentos entende ele poderia colocar de todas as pessoas que que ele atender colocar no sistema mudar a rotina do consultório desculpa a rotina mudar a rotina do consultório pensando que o médico poderia fazer uma anamnese mais detalhada perguntando o que a pessoa comeu Porque assim ah você se alimentou Ok mas do quê n exato A ideia é Inicial é essa né A ideia do do sistema é fazer essa annese mais completa mas eles não conseguem às vezes não conseguem nem fazer simplificada Se você pegar o relatório ebia e fazer pelo pelo vigitel também não é detalhado né então a gente ataca muito muito frente assim a fome mas a gente não tá olhando para nutricional porque não também não interessa tanto pra agenda às vezes né para para essa agenda política não às vezes não tá interessante quando agora a gente Tom uma ideia da alimentação de como ela ela é é fluida né como ela evolui a gente tá falando agora da do suplemento a gente tá no mundo do mercado suplemento sim não é por quê porque alguma fatia da população olhou PR para esse fator não olha é interessante eu olhar pra suplementação suplementar médico indica em consultório embora ele não seja profissional capacitado para isso nutricionista indica só que esse suplemento que é criado pela Indústria Farmacêutica também o para ele para chegar Naquele monte de ingrediente natural eu passei por um desperdício gigante de um ingrediente inteiro para colocar uma pequena parcelinha dele naquela cápsula que nem tem um impacto significativo na sua vida mas eu tenho uma propaganda grande eu não vejo propaganda grande de feiras orgânicas Nossa quase z ou essa divulgação né Vamos falar de cesta Verde desse projeto de cesta Verde vamos conversar sobre como é que eu vou destribuir isso então a gente acaba ficando focado o quê nessa fatia nessa nesse aspecto de assistência social da segurança alimentar então a gente fica preso nisso E aí assim a gente pode falar também das academias né que toda academia hoje em dia tem ali aqueles potes de de tudo quanto é tipo de suplemento né virou uma coisa de louco e assim não tem estudo sobre eles a gente brinca fal assim não tem estudo sobre a gominha que cresce o cabelo não tem estudo sobre a gominha que cresce não tem você tem alguns suplementos que são mais seguros mas veja você tem que saber se ele é indicado para você Uhum E eu você consumir isso de uma forma desenfreada você estimular essa indústria faz com que aquele outro em situação de vulnerabilidade encontre um café a mais de r$ 3 no mercado ou não consiga consumir determinados produtos mais tem produtos que nem chegam mais Antigamente eu vi uma infinidade de verduras no mercado hoje por mais ainda que você vai em mercados bons que ofertem que tem essa esse abastecimento regular tem determinadas verduras que você não encontra mais né porque ela ela sofreu tanto já né Essa produção dela foi tão descontinuada que você não encontra E aí com relação a a essas emergências climáticas que a gente tem vivido e por hora parece controlável né porque às vezes incontrolável porque às vezes a gente fica pensando poxa é a é da natureza né Eu li muitas coisas causadas por nós mas da natureza eu li ontem uma uma uma coisa que é muito real é o dia mais quente sempre será o de amanhã agora então se a gente acha que tá quente hoje espera pro dia de amanhã as projeções de que a gente chegasse no 2,5º mais quentes só em 2050 já foram antecipadas Porque os cientistas previam já a emergência climática Então a gente vai ter problema com o clima e vai impactar diretamente a alimentação isso não não há menor dúvida isso daqui para frente só vai piorar e o que não se previa era essa aceleração o fator da aceleração eu acho que não tava previsto como como como uma emergência ia retroalimentar a outra Qual que é o problema o que é um o que o norte Global faz impacta na produção do Sul global que é a gente né não à toa a maior parte dos países que estão no mapa da Fome entre os primeiros colocados são do Sul Global Então eu tenho países africanos países da América Latina né e poções importantes no mapa da Fome só que o que um faz lá impacta aqui diretamente e vice-versa por isso que é importante a gente falar de que a emergência climática ela impacta no fator nutrição né especificamente desnutrição e no fator obesidade então é um outro aspecto que a gente vai precisar olhar para pro o gestor vai precisar olhar de como ele vai trabalhar isso nasce da onde das pesqu pesquisas científicas né que as faculdades consigam fazer mais pesquisas a gente tem pouquíssimas faculdades que fazem pesquisas sobre seguranç alimentar e nutricional e que o gestor também consiga ouvir porque é realmente é que você falou incontrolável uhum ência climática ela não é mais controlável não é uma coisa que a gente vai conseguir definir E se a gente não mudar a forma produtiva a gente só vai aumentar essa necessidade de fertilizante uso de água a gente usa água demais para poder fazer comida indústria do Ultra processada ela usa muita água sim não muito eh lá atrás bem recente saiu uma reportagem sobre a a uma grande né uma grande empresa de bebida Açucarada e gaseificada que acabou com a água de uma determinada cidade do tanto de água que ela usou só que quando a gente enxergou isso ela já tinha esgotado aquele recurso hídrico que é uma outra coisa também que a gente tem que estudar né Essa distribuição essa emergência hídrica essa necessidade de trabalhar a segurança hídrica porque tá tudo no fim tá tudo interligado sim né tá tudo são é uma indústria é realmente um sistema bem complexo e ela só produz essa quantidade né desenfreada porque as pessoas consomem e existe um estímulo para essa indústria que não existe na contrapartida Então realmente a gente quando a gente olha que a gente fala que é uma agenda de conflito a gente às vezes não tem determinadas ações no campo de segurança alimentar e nutricional porque nós estamos atendendo outros interesses que e não da segurança alimentar nutricional não ter um órgão que trabalhe só segurança alimentar nutricional mostra como a alimentação atende diversos fatores mas dificilmente ela é olhada de forma a se construir uma agenda pensando nela mesmo né Uhum que deveria ter né esse esse olhar pensando mais na na saúde da população né Sim vamos olhar paraa alimentação como alimentação primeiro depois eu olho a alimentação como commodity né como esse esse produto tão tão caro no cenário internacional né que essa negociação em Bolsa de Valores né quando você começou a transformar eh olhar para pra alimentação antes mais nada como moeda né como como pagamento a partir daquele momento você começou a enxergar a o impacto diretamente no consumidor final que somos nós nós somos pequenos paraa Indústria de Alimentos então a gente é o último Elo Ah vai ter alguém vai chegar até você mas como vai chegar e o pior o que que tá chegando pra gente o que vai chegar né E nem é tão barato ali dentro daquele pacote né O que tem ali né O que você o que você tá pagando né Às vezes você consome se às vezes você compra você paga caro num pacote de arroz quando você abre você já percebe que ele já não tem a qualidade que era antes você tá quebrado né às vezes ele tá e já não é aquele tipo um tipo dois já você nem sabe mais que tipo que é o café já já não é mais café você paga cara por um café que quando você bebe tem gosto queimado por isso que a gente investe no açúcar né porque você tem que tomar sem açúcar é você ser confrontado com a realidade pelo amor de Deus é assim este café não é bom eu estou pagando caro por uma coisa que não é mais boa e aí você dá voz quando você dá voz quando você educa a população para isso você dá voz para ela fica difícil depois você controlá-la que é nesse ponto que a gente tem que chegar é o cidadão saber entender o que ele tá consumindo entender que ele não tem que entrar em determinado estabelecimento porque não vai ter por mais que aquele estabelecimento diga eu vendo produtos minimamente processados ou em Natura em Natura você vai encontrar na feira se você tem que Marc já percebe que você vai encher mais o seu armário do que sua geladeira tá porque é mais barato Doutora e como que a sociedade civil como a gente pode cooperar para mudar essa realidade para melhorar essa situação efetivamente para tirar o povo da da do mapa da Fome para tirar o Brasil do mapa da fome é a sociedade civil quem colabora né Então as as as ações do do governo em termos de políticas públicas elas são eh elas atingem numa escala muito maior mas quando eu olho para Pequenos Grupos vulneráveis é a sociedade civil que ajuda né ela ela tem que estar primeiro organizada eu acho eu falo que assim a maior sociedade civil hoje é a menos organizada que é de consumidor o consumidor ele é uma sociedade gigante mas ele não se organiza Então a primeira coisa é a sociedade civil ela ajuda ajuda com doações ajuda com estímulo eh com a fixação do camponês no campo quando eu consigo colocar por exemplo a gente tem uma cooperativa acho que é o O Vale das das Garças aqui em Campinas que agora tem essa ideia de você ajudar o produtor rural Então você compra cestas retira em determinados pontos né mas é do produto feito por eles e aí você pode pagar determinadas cotas a eu vou pagar só a cota só pelo produto ou eu vou pagar essa cota mais um valor para também ajudar no salário do produtor rural eu vou ah não mas vou pagar mais um pouco ainda para ajudar num fundo para eles caso tenha alguma emergência caso tenha algum problema e eu quando eu olhei Eu já percebi que só o valor ainda que você paga o valor máximo não é o que você gasta no no mercado hoje e vai chegar para você um produto local feito por produtores locais você ajudou você contribuiu com a fixação do campones campo veja como consumidor uma cidade pequena Então a primeira coisa é a gente quando a gente for ao mercado com os nossos filhos ensiná-los a olhar com mais cuidado com alimento trazê-los também pra cozinha falar assim olha como que como é feito Olha esse alimento tem is porque a gente às vezes investe muito nisso nos primeiros 1000 dias de zero a 2 anos depois a gente esquece a gente acaba esquecendo da gente mesmo sim sabe que tem uma questão também que eh Inclusive tem agricultores que T feito isso porque o que acontece quando algum produto vai pro mercado por exemplo uma batata se ela não está bonita Ela não fica na prateleira então Eh o mercado nem compra né esse esses produtos que não tem uma boa aparência uma batata um chuchu que não estão bonitos aí monta-se uma uma cesta o próprio agricultor para vender num preço mais acessível porque ele não consegue vender pro mercado Então acho que essa também é uma ideia né exato mas eu também eu fico olhando de forma mais Ampla o alimento não importa o formato dele éo de qualquer jeito exatamente Ah ele não é padrão exportação Ah porque mas por quê Porque ele tem que estar perfeito em perfeito estado porque no meio do caminho ele já vai se perder vai perder alguma coisa então quando eu colocar ele dentro de contêiners para atravessar o oceano pro outro lado ele tem que tá num padrão exportação aqui porque ele vai chegar mais ou menos perto do que a gente conhece por aqui ai machucou um pouquinho essa fruta já não consigo vendê-la a gente quando vai no mercado a gente quer escolher o mais bonito ou a gente quer escolher o maior ou a gente quer escolher o menor para dar um peso menor para ficar mais barato no fim das contas mas esse esse olhar de fator exportação ai tem que tá brilhando ai tem que tá perfeito ele vai est desse jeito porque ele tá feio por dentro Vamos colocar assim porque tá cheio de fertilizante ele tá cheio de estabilizante tá cheio de produto para deixar daquele jeito porque se você olhar um produto orgânico que deveria ser o convencional para um produto hoje da da atual produção você vai perceber a diferença entre eles e vai ser assim qual deles é melhor no fim das contas o orgânico o primo feio sabe que a gente come costuma falar o primo feio nutricionalmente falando é o melhor é o que a gente deveria consumir que vai tá você você vai olhar fala assim eu não quero comprar isso tá feio e tá mais caro por quê a gente tem que se perguntar por exatamente por que ele tá daquele jeito exatamente né por que será considerações finais sobre o mapa da fome a nossa posição diante dessa situação no Brasil o Brasil é um país que produz bem produz bastante a gente consegue ainda atender a população a gente tem esse olhar é um país Pioneiro no combate à fome a gente tem vários modelos que são implementados né Eh fora do país Então po exemplo pacto contra fome a gente levou para outros lugares para ensinar exatamente essa essa política pública que é tão tão importante e tão cara pra gente então acredito que até o final do ano a gente efetivamente consiga sair mas a gente precisa começar a trabalhar a insegurança alimentar leve e moderada porque quando eu conseguir tirar da Fome para moderada da moderada para leve fica mais difícil voltar pro mapa da fome a gente volta em pequenos curtos espaço de tempo exatamente porque a gente não consegue sair da insegurança alimentar essa acho que esse tem que ser a nossa maior fonte agora de esforços de pesquisas de investimento Doutora muito obrigada mais uma vez por comparecer aqui participar trazendo esse assunto tão importante esclarecer né ensinar pra gente um pouquinho de como a gente deve se comportar né Exatamente é mais ou menos isso vamos vamos voltar olhar pra gente vamos a primeira coisa é se reconectar com alimento acho que isso já já ensina muito pra gente mesmo tá ótimo bom ponto de vista fica por aqui eu espero que você tenha gostado na próxima semana tem mais e agora você continua com a nossa programação tchau [Música] [Música]