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Olá, minha gente. Começando com mais um ponto de vista. O meu convidado de hoje é o professor João Paul Gisel. Ele vai falar sobre leitura. Como é que tá o seu hábito de leitura, hein? Olha, um país onde mais da metade da população não leu nenhum livro nos últimos 3s meses, o topo da lista de livros mais vendidos, o que ocupa espaço são os livros de colorir e autoajuda. Professor, muito obrigada pela sua presença. Eu acho que a gente já pode começar justamente com essa abertura, né? O que que esses números têm revelado? Porque assim, no topo estão os livros de colorir e autoajuda. Será que as pessoas estão mudando o gosto pela leitura? Então, obrigado pelo convite. Eh, o que eu acredito é que a gente tá vivendo numa sociedade que tá cada vez mais carente de autocuidado, mais carente de atenção, né? Então, as pessoas estão vendo nesses livros de autoajuda uma possibilidade de se encontrar, né, de talvez diminuir a sua ansiedade colorindo livros, né, ah, talvez entendendo um pouco esse processo que acaba se passando na própria saúde emocional. E muitas das vezes são pessoas que querem construir algum negócio, acabam adquirindo algum livro de autoajuda dedicado à administração, dedicado ao comércio, né, a a empreender. Então, acho que esses livros, os de autoajuda, tanto no hábito no âmbito mais comercial, quanto no âmbito mais psicológico, tão ligado justamente a essa fase em que a gente vive, que as pessoas estão entendendo que precisam procurar algum tipo de ajuda e que para além de uma ajuda terapêutica ou ajuda médica, acabam encontrando nos livros um meio de se entender e de se desestressar, assim como a gente tem também essas pessoas que buscam conhecer um pouco mais do nicho em que querem empreender, como se tornar líderes, como falar melhor em público. E aí esses livros de autoajuda mais dedicados à área da comunicação ou a questão comercial acabam se sobressaindo também. Eu acho que as pessoas têm buscado eh nesses livros a parte técnica para aquilo que ela quer empreender, por exemplo, profissionalmente, né? Sim. A gente vê nesses livros de autoajuda dedicados à parte comercial. Muitos deles são, tem títulos como como se comunicar melhor, como falar bem em público ou então como se tornar um líder, né? E são realmente essas chavinhas que por mais que a pessoa estude, que a pessoa eh tenha uma um curso de formação naquilo, traz algum tipo de informação que pode agregar o seu conhecimento, né? Então, muitas pessoas acabam buscando esse tipo de livro justamente para saber se o autor ali tá trazendo alguma novidade, alguma questão que ele não aprendeu nesses cursos de formação ou algo da da vida pessoal desse autor que ele gostaria de compartilhar e que ele compartilha nesse livro e que a pessoa pode apropriar para montar o seu negócio, para falar melhor com o seu público. Os números também mostram que perdemos mais de 7 milhões de leitores em 5 anos. E a maioria da população brasileira tem se declarado não leitora. Acho que é uma uma afirmação talvez um pouco grave, né? A gente a gente sabe que o Brasil é um país onde as pessoas não têm muito hábito de ler, né? Por muitas vezes foi inclusive questionado o preço dos livros, né? O acesso à literatura, mas hoje tem a questão do gosto também, né? As pessoas não se sentem à vontades em ler, não têm interesse pela leitura de um modo geral. Isso é grave, não é? Sim. Eu acho que aí já tem uma entra numa problemática que mais do que ah, a pessoa não gosta de ler, né, do do gosto ou da da questão pessoal do dinheiro, enfim, eh, da formação mesmo, porque eu acho que desde crianças a gente tem, né, na educação infantil, educação, eh, pública no geral, ah, tem uma questão muito deficitária, tem um baixo incentivo à leitura ainda, né? Eh, as famílias hoje também têm um baixo incentivo à leitura dos seus filhos. Então, a gente percebe que as famílias que incentivam os filhos a lerem ou as crianças que tortivando a leitura ou fazendo alguma contação de histórias, fazendo uma mediação em sala de aula, né, propondo alguma questão teatral, ã, tende a adquirir esse gosto pela leitura desde de novo e consequentemente com os ensino fundamental médio, acaba aprimorando esse gosto da leitura e se tornando um adulto que lê. hoje que a gente vê no Brasil, eh, é justamente uma grande parte da educação que não tá eh criando ali políticas ou programas de leitura, não tem incentivado tanto o as crianças a lerem e depois quando essas crianças se tornam adolescentes, a questão fica ainda mais difícil, né? Porque se lá no ensino infantil com, sei lá, Monteiro Lobato, Rute Rocha, a leitura não é fixada, consolidada, quando ela chega no ensino médio para ler um canono em Machado de Assis, uma Barreto, ela não vai ter tanto interesse, ela não vai ter repertório cultural, ela não vai ter vocabulário, ela não vai ter o hábito da leitura e isso acaba desmotivando, né? Então, que tipo de adulto é esse que vai ser formado depois? E a gente tem um ponto eh nesses dados que é o seguinte, um dos livros, né, que está no topo é justamente um livro que não é livro, me desculpe autores, mas assim é para colorir, sim, né? Não tem aquela troca, né? Você não tá não está lendo ao mesmo tempo que você não consegue desenvolver a criatividade, que é o que a literatura, por exemplo, proporciona, né? Sim, isso é um retrocesso. Eu não sei se seria um retrocesso ou se seria uma realidade e um registro da realidade atual que a gente vive, né? Eu acho que teve alguns anos atrás que os livros de colorido explodiram, né? aquelas mandalas que as pessoas compravam para pintar e colorir. Houve uma queda e agora com esse Bobby Goods, né, que é uma uma coleção nova aí com os ursinhos, né, para para colorir, tem explodido bastante, né, voltou aí a explodir os livros de colorir. Então assim, a gente percebe que, como eu mencionei anteriormente, as pessoas tão estressadas e buscando caminhos para desestressar, encontram no livro de colorir uma forma terapêutica de arteterapia, talvez. Mas o que você mencionou, se não há literatura, não há uma ficção, não há uma poesia, dificilmente ela vai desenvolver a criatividade, vai desenvolver o senso crítico, né? Vai desenvolver o seu repertório cultural, vai ampliar o seu vocabulário, né? vai ser apenas um livro ali que ela vai adquirir como, não diria nem um passatempo, mas como um elemento a mais da vida dela para um hobby, né, para um divertimento, entretenimento, do que propriamente paraa leitura em si, para estudo, para ampliação mesmo da da questão artística e cultural. Quando a gente fala de livros de autoajuda, em que temos ali aqueles que são da linhas da das linhas mais espiritualistas, outros mais técnicos, né, voltados à área comercial, à profissão, enfim, a gente consegue buscar ali receber daquela daquela troca, né, pessoa e livro, um certo conhecimento, né, você consegue se desenvolver. Agora, quando a gente fala dos livros de colorir, que há tempos atrás era apenas para as crianças, hoje os adultos, né, a partir dessa fase aí dos livros de mandala, né, Jardim secreto, então agora é um hobby também pros adultos. Isso. Será que isso pode implicar no comportamento das pessoas, no cotidiano? Porque a gente não acaba não adquirindo tanto conhecimento. A pintura, claro, é bom, é importante, né? Acaba ali tendo a sua função terapêutica, mas e o conhecimento? Não, exatamente, né? E nesse ponto a literatura acaba sendo fundamental. Então, buscar os livros literários acaba eh permitindo essa abordagem do conhecimento, seja por uma ficção, seja por uma biografia, né, um relato de jornalístico, enfim. Mas quando você trabalha com a literatura de fato, seja ela ficcional, seja ela lírica, seja ela eh realista, você de fato está conhecendo um universo, você tá adquirindo conhecimentos linguísticos, culturais, muitas vezes históricos, né, políticos que estão ali envolvidos. Então você, mais do que somente estar em relação do conhecimento das palavras, você tem um conhecimento de mundo, um conhecimento contextual. nos livros de colorir, infelizmente, isso acaba se perdendo um pouco, né? As pessoas que só consomem livros de colorir, eu quero acreditar que elas não estão apenas escolhendo isso, mas estão, né, trazendo algo a mais pra vida delas, acabam de fato não tendo esse repertório muito mais contextual do que somente textual, que no caso ali é mais imagético e que é limitado ainda, porque a pessoa não vai ilustrar, né, criar a sua ilustração de acordo com o que ela eh sente, o que ela imagina, o que ela gostaria de ilustrar. ela vai apenas preencher os espaços em branco de uma ilustração eh automatizada e em ampla escala, né? Então, de fato, aí há uma uma certa perda de aproveitamento mesmo do conteúdo. Quando a gente fala desses desses livros, né, de um modo geral, como nós citamos, né, os o de mandalas, jardim secreto, foi uma febre. Sim. E depois Uhum. O pessoal esqueceu, agora vieram esses dos ursinhos. Será que é uma fase? Pode ser considerado sazonal e de repente isso vai passar ou é algo que deve ser preocupante, por exemplo, na escola primária, em casa, pensando justamente na educação, na alfabetização das crianças e adolescentes? Uhum. Olha, eu acredito que é uma questão sazonal mesmo, não é um livro, um tipo de livro que vai perdurar aí como a literatura perdura, né? Machado de Assis, né? quase 200 anos aí e tal. Então assim, não é esse tipo de de produção que de fato vai se perpetuar e os nossos, sei lá, daqui 5, 6 anos, né, nossos parentes mais novos vão ter acesso a a esse tipo de conteúdo. Talvez sejam outros livros de colorir, né, mas não esses. Eh, mas a questão de eh ter um livro de colorir eh como eu falei, eu não vejo como algo prejudicial, desde que não seja só isso, não se limite a isso. Você pode muito bem adquirir o seu livro de colorir, na sua hora livre você vai lá, pinta sua casinha, seu ursinho, né, e tal, sua mandala. Mas é bom que você dedique um tempo também paraa leitura e não apenas a leitura dos livros de autoajuda, né, que de fato tem aí um um boom, né, muito grande, sobretudo ã livros religiosos que você comentou também, né, muitos espirituais ali, até pro caso dos líderes religiosos, de muitos influenciadores que trabalham com essa questão da religião também, né, que acabam aí sendo uma oferta talvez de cura, de conforto, de tentar muitas vezes entender o que ainda não está muito claro pro ser humano, que a ciência não explica, as pessoas acabam sendo despertadas por essa vontade, essa crença, né, e acabam indo trazer esses livros, né? Então, além desses, é importante que a gente tenha um espaço na nossa vida para se dedicar a à literatura. A ideia seria então mesclar, né? Sim, é possível colorir quando quando tem ali um tempinho de folga, mas de repente de repente mesclar com um machado de Assis, por exemplo. Já me lembrei de Capit aqui. Exatamente. Tá vendo Dom Casmurro ali? Capitu traiu ou não traiu? Bom, né? É, então a discussão, aliás, essa discussão acho que durou mais do que quem matou o Death Hitman, né? Muito tempo. Cerza. Mas assim, eu acho que quando a gente coloca esses dados diante do dos alunos, principalmente em escola pública, Uhum. a gente precisa lembrar que nós vivemos um momento das telas, né? Uhum. Eu acho que isso tem interferido também, porque eles vivem em função das células, inclusive a a o próprio ensino estadual e municipal usa muito, né, o celular, o tablet, o computador da escola para fazer exercício. Então, será que isso também é uma forma de desconectar um pouco? Ah, eu não aguento mais tela, então eu vou pintar para relaxar? Acho que pode ser uma uma válvula de escape, sim. Uma boa abordagem, né? uma um bom pensamento, um bom raciocínio. E essa questão das telas também tem muita questão que atrapalha, mas também tem muita questão que ajuda a literatura. A gente tem que trabalhar com esses dois meios também. Eu eu gosto muito de encontrar o ponto de equilíbrio, porque ao mesmo tempo que de fato a tela, sobretudo vídeos de TikTok, animações muito saturadas de de cor, né, acabam aprisionando a pessoa ali, acabam agitando a pessoa, acabam de fato ã não estabelecendo um algo confortável com a pessoa e a pessoa precisa, de fato buscar um livro de colorir para tentar relaxar. A gente tem também algumas eh técnicas de literatura eletrônica ou que a gente chama de literatura digital. A gente tem hoje uma grande parcela de livros que sai especificamente online, né? Então a muitos autores, você, por exemplo, pode escrever um livro e publicar sem ajuda de editora, né? Você cria sua conta na Amazon, lança um Kindle com seu texto e compartilha com o seu público, com leitores que você nem conhece, que eles vão te conhecer por causa disso, né? Então assim, a a tecnologia, sobretudo as telas, elas têm essa questão de atrapalhar de fato a literatura, a o conhecimento, né, a apreciação do livro, mas ao mesmo tempo se ela souber ser utilizada, a gente consegue tirar bom proveito disso, né? E qual seria a técnica para para tirar esse proveito? Sim. É um uma uma dica que eu considero assim bastante importante é a gente observar esses programas ou editoras que trabalham pensando no público infantil na escola, né, que trabalham com livros infantis preparados pro digital, que é diferente do livro físico apenas fotografado ou digitalizado. O livro eh digital voltado paraa infância ou paraa juventude, ele acaba tendo algumas questões mais interativas. Então o leitor pode interagir com a história. Então ah, você cria, sei lá, a história da Chapeuzinho Vermelho e ela andando na floresta. O leitor tem que decidir se ela vai pelo caminho mais curto, distraída pela borboleta, se ela vai pelo caminho mais longo. Aí depois é o lobo ma. Que tipo de voz vai ter esse lobo? Que tipo de urro vai ter esse lobo? Vai poder sair um som, né? E a gente tem de fato algumas editoras e alguns programas culturais que trabalham sobre essa perspectiva, né? Eh, de observar o livro infantil. dentro desse cenário do digital, afinal de contas, a criança quer queira, quer não, vai estar ali com o tablet, com o celular. É muito difícil hoje você criar um filho ou educar um aluno longe da tecnologia. É, não tem. Então assim, é mostrar que também existem livros, né, nesse universo. Não é apenas as dancinhas do TikTok, não são apenas os joguinhos de Minecraft, mas que tem também um potencial ali para você enquanto se diverte também ir enriquecendo o seu vocabulário, ir enriquecendo a sua percepção de mundo, né? Lá na instituição que eu trabalho, né, na PUC, a gente tem um projeto que é justamente de trabalhar com livros digitais interativos. Olha, hoje a gente tá com uma equipe de alunos de de letras que t trabalhado com a literatura canônica, então Machado de Assis, Lima Barreto, né, Júlia Lopes de Almeida, entre outros autores aí já consagrados, que estão fazendo o processo de tirar do livro físico e levar pro digital, não apenas convertendo em PDF, como a gente vê em muitos casos aí, né? Não é por essa pela perspectiva mesmo da interação, de clicar numa palavra e logo abrir o significado dela, de você colocar o mapa do Rio de Janeiro, por exemplo, para você entender onde se passa aquela história do Machado, né, de você trazer informações extratextuais sobre o autor, né, e o adolescente, que a gente tem pensado muito no público do ensino médio, que é essa fase pré-vestibular, poder interagir com a obra mais do que somente tendo esse livro físico, porque pensando naquilo aquilo que a gente comentou anteriormente, se a formação em literatura lá atrás foi deficitária, né, quando a gente chega no ensino médio, a gente não tá preparado pro livro físico ali, sem nenhum apoio, sem nenhum contexto. Então, é, trabalhando sobre essa perspectiva e sobre a questão das múltiplas leituras que a gente faz no digital, que a gente tem feito essa proposta de trabalhar com a literatura canônica e oferecendo, mantendo o texto integral, né, sem ferir a a criação ali do autor, mas trazendo elementos extratextuais, muitas vezes imagéticos, né, com a imagem, muitas vezes com som, muitas vezes com vídeos, para ajudar a contextualizar essa história, para tentar facilitar, não sei se facilitar a leitura, mas oferecer novas formas de leitura daquela narrativa. Maravilha. Olha, separa o seu marcador de livro que a gente vai tomar uma água e volta daqui a pouquinho. Tomar uma água. Voltamos com mais um ponto de vista. Eu estou com o professor João Paulo Ergesel, professor de letras, né? Isso. E é justamente o que nós estamos falando, né, sobre literatura, né? Os números têm mudado um pouco no Brasil e eu acho que é importante a gente ressaltar que assim, claro, sempre que surge algo novo, as pessoas vão atrás, querem conhecer o novo, experimentar, mas tem aqueles que ainda não conseguiram tomar um gosto pela literatura, a literatura brasileira, por exemplo, mas tem ali um interesse. Quais seriam as dicas? O senhor tava comentando antes, né, do intervalo sobre uma proposta, um projeto de livros interativos. Isso é bastante interessante e acho que aguça o interesse das pessoas, né? Sim. A a a nossa expectativa é justamente que o público que gostaria de ser leitor, né, mas que não tem o hábito de ser o que a gente chama de leitor contemplativo, que é aquele que vai pegar o livro ali com as suas 300 páginas, sentar no seu silêncio do quarto e ler ali com afinco, né, ele consiga se interessar pela literatura por meio de elementos que estão presentes na sua, no seu dia a dia, na sua comunicação cotidiana. Então, quando a gente pensa em trazer o texto escrito do autor juntamente com elementos sonoros, visuais e audiovisuais, é justamente para tentar motivar e ajudar na compreensão dessa obra, né? Eu tava falando do leitor contemplativo, né? a gente trabalha eh alguns teóricos da da leitura trabalham com essa ideia de que a gente vai eh com vários tipos de leitores. Tem o leitor contemplativo, que é esse de fato que vai buscar o livro, vai ler no seu momento ali e tal. Tem o leitor movente, que eu acho que você deve ter sido muito e também eu na época lá da da adolescência, que aquele leitor que lê no ônibus, que lê no trem, que lê enquanto anda de carro, né, e que acaba levando o livro para todos os lados, por isso é movente. Tem o leitor imersivo, que é muitas das crianças que t nascido de 2000 para cá, que é esse leitor que está conectado à à internet e e domina muito bem a ida de um site para outro, de uma rede social para outra. E a gente tem o leitor ubico, que é que a gente vem trabalhando hoje em dia com a questão da ubiquidade, que é esse que tá presente em todos os lugares. Então ele tá presente no livro físico, mas também tá presente no digital. Eu acho que é a partir dessa ideia da ubiquidade que a gente vem desenvolvendo esse projeto. É entender que o livro físico ele não morreu, ele é está presente, ele é importante, mas que a gente hoje se pensar sobretudo nas novas gerações, tá muito conectado à telas. a gente não pode deixar isso eh passar despercebido. Então, qual é o melhor meio ou qual é um dos meios possíveis de chegar a esse público? Indo pelas telas. E como é que eu faço o livro físico passar pelas telas? Pela adaptação do digital e propondo essa interatividade em que o leitor vai poder, de fato, acionar elementos dentro da esfera textual que vão despertar outras modalidades linguísticas que podem dialogar e reforçar a sua leitura. E eu acho que o curioso desse projeto, isso faz lembrar que assim, você comentou, né, que algumas palavras você pode clicar na palavra e descobrir, né, eh, identificar o cenário através de mapas. Eh, Jorge Amado tinha umas palavras muito diferentes, né, até por conta da região, né, lá do do Nordeste, né, Bahia. Então eu fico imaginando essa literatura hoje como seria até mais prazerosa. Sim, né? Porque você poder descobrir ali, imagina, eu demorei muito tempo para saber como que era o cacau, só que nos livros dele já tinha sido falado, né? Exatamente, né? Então acho que isso acaba até trazendo a pessoa para um universo mais próximo do que tá escrito ali na história, né? Examente. Eu acho que pensando por esse caminho também, mesmo que a gente tenha um celular na palma da mão, né, um tablet ali do lado, se eu tô lendo um livro físico, eu vejo a palavra cacau, eu não vou parar para abrir um Google e buscar a imagem de um cacau naquele momento. Se eu estivesse lendo na tela, automaticamente eu já consigo uma ilustração daquilo muito mais rápido, né? Isso acaba motivando até esse reforço à leitura. E para as crianças, essa tem sido uma boa estratégia para para que elas tomem esse gosto pela leitura? Então, quando a gente lida com criança, a gente tem ali um um vespiro, vamos dizer assim, porque a criança ela, muitas delas estão de fato conectadas, elas querem ver ali a Galinha Pintadinha, querem ver o Mundo Bita, né? Querem assistir youtubers, querem ver TikTok. E como é que você leva a a leitura para elas? A gente sabe que o excesso de telas é prejudicial. A gente sabe que o o correto seria você dar o livro físico pra criança, mas a gente também sabe que o acesso ao livro físico muitas vezes é difícil para algumas famílias questão de renda, que são de acesso e tal, mas que a o online tá ali presente de algum modo, né? Ele acaba sendo mais barato, né? Enfim, eh, e também se a criança tá muito atrelada à tela, você fazer essa troca da tela pelo livro físico, ela vai achar que é um castigo. Então, eu acho que tem que ser paulatinamente, né, devagarzinho. Então, qual é a estratégia? é você utilizar a literatura infantil, trazendo essa ideia da interatividade, da digitalização do livro infantil para que a criança, a partir da brincadeira, do lúdico, da ativação de som, possa ir conhecendo a história, adquirindo interesse por aquilo e entender que aquela obra que está ali no digital, que permitiu que ela brincasse, que ela se divertisse, também está no livro físico. Então, opa, vou conhecer agora o livro físico, né? é trabalhar com esse processo, talvez de a partir do que ela tem hoje estimular a leitura do outro, né? Eh, eu tenho agora uma outra equipe que vai começar a trabalhar nesse projeto também, que aí é dedicada à literatura infantil. Então, nessa primeira etapa, a gente trabalhou com o com uma ideia de um público mais voltado de ensino médio, né, adolescentes aí, pré-vestibulanos com literatura clássica. E agora a gente vai trabalhar com crianças, de fato, com a literatura infantil. E nós selecionamos algumas obras que são da história da literatura infantil que foram apagadas. Então, muitos autores, João Copk, a Adelina Lopes Vieira, a a Zalina Rolim, enfim, vários autores do início, finalzinho do século XIX, início do século XX, que acabaram se perdendo com o tempo, enfim, né? Questões aí políticas, culturais, econômicas, enfim. Eh, e aí nossa ideia então é resgatar esses livros, ver o que ali de fato contém literatura, né? Fazer uma análise disso de qual é o teor, a qualidade ou o teor poético dessa obra e propor a reedição. Essa reedição para além do impresso, a gente pensa no digital, porque quando você traz essa obra pro digital, você atinge essa criança com muito mais velocidade, né? eh em em várias regiões do Brasil, outros países usófonos também. Professor, e essa tendência eh pensando até dentro desse desse projeto, dessas novas práticas, é uma reflexão apenas por conta do mundo atual que nós vivemos hoje bastante tecnologia ou tem também um peso do mercado editorial, porque as pessoas precisam lucrar, né? Pessoas vivem disso, né? né? Eu acho que a palavra mercado editorial diz muito, né? A gente ainda trata a literatura como, ah, é uma obra de arte. De fato, a literatura ela nasce nas artes. Se a gente for fazer uma análise aí dos livros, sobretudo literatura clássica, ou de alguns autores super premiados do contemporâneo, a gente vai ver ali uma qualidade poética e tal, artística muito eh embasada, né? Mas a gente tem que entender e buscando aí a lista dos mais vendidos, que os livros mais vendidos hoje que aquecem o comércio editorial não são esses, né? Então assim, ah, então vamos parar de fazer literatura? Não, de forma alguma, né? A gente tem que encontrar de fato, entender que mercado editorial não é necessariamente literatura. Então assim, ah, obviamente que a editora que publica eh livros de colorir também pode publicar literatura. Então, se eu publico um livro de um autor que acaba não vendendo, essa publicação foi um erro? Não, porque ela esteve, ela teve ali todo o teor artístico, ela cumpriu uma função cultural, uma função artística. Mas como é que a editora vai lucrar com isso? aqui nos livros de colorir, nos livros de autoajuda. Então, existe uma uma espécie de equilíbrio também dentro do mercado. Por mais que a editora tenha uma uma vontade muito clara de trabalhar apenas, vou trabalhar apenas com autores da literatura clássica, mas aí encontra essas, né, esses obstáculos de como é que eu vendo isso, né? Quem é o público que vai ler? Eu vou ter, obviamente, aqueles que se interessam por literatura, alunos de letras e tal, que vão se interessar por isso, mas e o grande público? Ah, então eu vou criar aqui um livro assim para vender e com esse dinheiro desse lucro suportar essas vendas aqui, fazer a máquina girar, fazer a máquina girar. Mas obviamente que a gente também tem as editoras de nicho, né? Então tem editoras, por exemplo, que trabalham muito com literatura afrodescendente. Então são editoras que só vão publicar autores afros, literatura afro e que tem um público afro muito forte. Uhum. Tem as editoras que vão trabalhar com uma linha editorial LGBT e aí vão ter autores LGBTs, histórias LGBTs e um público muito forte LGBT que vai fazer economia gerar. Então, tanto as editoras eh propõem esse equilíbrio, literatura mais o que vende, quantas editoras trabalhadas em nicho, são estratégias de mercado editorial. E aí, com essa eh nova modalidade de de leitura, né, vamos dizer assim, eh essa leitura mais interativa, né, que mesmo sendo através da tela, as pessoas podem adentrar mais na nas histórias, não só por meio da mente, né, da da criatividade. Eu acho que isso acaba aproximando então as crianças, os adolescentes da literatura, porque é justamente um período que eles precisam ter esse contato já pensando no pré-vestibular, né, que é um momento que vai ser exigido, né? Exatamente. Sim. É, então pensando pelo lado funcional, tem esse do prévestibular, mas também pensando pelo lado formativo, né, ele é um cidadão. Se ele ler, ele vai desenvolver a leitura crítica do mundo. Então, de fato, a a fase da infância e da adolescência, né, as duas fases ali, é o ponto que a gente tem que de fato formar leitores, né, ter aí programas eh culturais, políticas públicas que incentivem a leitura. A gente tem acreditado que com as telas isso vai dar resultado. Como o projeto ainda não tá concluído nessa primeira etapa ainda tá a gente tá finalizando os livros para daí fazer a a experiência com o o público, a gente ainda não tem os resultados concretos, mas assim, pela percepção que a gente tem de redes sociais e literárias que se destacam, Watchpad, por exemplo, que é uma rede literária, tem muitos adolescentes lá que escrevem histórias, que leem histórias uns dos outros, né? Tem autores que nascem da Watpad, né? Eh, antigamente a gente tinha aí Orcut, Facebook, que também a gente escrevia lá e muitos autores saíam de lá, né? Hoje a gente tem autores do mercado editorial, né? Que escrevem em livros, que se destacam, que ganham prêmios, que são indicados para Jabuti, que um dia eram autores de redes sociais, que escreviam fanfix, que estavam lá presentes, né? Então, assim, é um universo também que pode ser trabalhado, né? E então, de fato, quando a gente pensa na literatura digital hoje a gente tá tentando adequar pra realidade que existe, né? Agora, um outro ponto também que eu vi bastante pessoas questionando nas redes sociais sobre literatura é o seguinte: "Mas literatura é só ficção, são apenas histórias eh inventadas, né? não é a realidade. E alguns até comentaram: "Poxa, eu não me interesso porque é ficção, não é o que acontece no dia a dia. Então, nesse caso, eu prefiro um autoajuda ou então eu prefiro ler um portal". Qual é a necessidade da literatura na vida de uma pessoa? Como que ela eh ela tem um um papel de formar cidadão? Isso eh contribui? Uhum. É, eu acredito que assim eh depende muito também do que a gente trabalha, do que entende como literatura, né? Tem de fato alguns mais puristas que vão falar: "Não, literatura é só romance, conto e poesia". Ponto, né? Eu já tenho uma visão um pouco mais ampla de que uma biografia ou autobiografia é um tipo de literatura. Um jornalista que vai eh cobrir algum fato de guerra, por exemplo, escreve esse relato, é uma literatura, né? E são literaturas do mundo real, né? são literaturas o que de fato está existindo na sociedade. Então, se a pessoa se interessa por eh temáticas do real, temáticas que acontecem, tal, busca esse tipo de literatura, né, que tem ali essa abordagem mais realista. Agora, se a pessoa quer dar oportunidade para a ficção, a ficção ela propõe muito eh do do cognitivo, né? Então, ela permite que a gente imagine cenários, que a gente imagine personagens, que a gente imagine ações. E a partir desse imaginário, a gente movimenta o nosso cérebro, movimenta a nossa criatividade, a gente se torna mais comunicativo, a gente se torna mais criativo, a gente pode desenvolver melhor até no âmbito de trabalho, né? Seja um professor que vai conhecer melhor as palavras e vai dialogar melhor com os alunos, que vai ter brincadeiras lúdicas na brincadeiras lúdicas é um até planasmo, né? Mas que vai ter uma ludicidade maior na hora de lidar com o ensino, né? seja um profissional de escritório mesmo, que vai ter ali uma maneira melhor de eh vender um produto, que vai ter uma maneira melhor de se comunicar com o cliente, seja por e-mail, seja por telefone. Então, a ficção ao motivar a criatividade, né, ela também nos nos faz crescer mesmo nesse potencial comunicativo. Agora, quando a gente pensa em associar, por exemplo, eh, o ebook Uhum. Eu posso ali ler e ao mesmo tempo ouvir. É uma boa dica? É uma estratégia para aquela pessoa que quer se inserir nesse nesse momento de se tornar um leitor? Eu acredito que o audiobook sim. O audiobook tem crescido bastante também. A gente tem agora plataformas que se dedicam ao audiobook, né? Uhum. E de fato vejo alunos mesmo de letras que falam: "Ai, professora, me concentro melhor quando eu estou lendo com o audiobook, porque daí não é apenas ouvindo a história, mas ela vai lendo e a história vai porque permite um foco maior para essas pessoas, porque a gente sabe que tem pessoas que vão ser mais visuais e tem pessoas que são mais sonoras, né? Tem pessoas que ouvem muito bem e que acabam gravando, memorizando ou adquirindo conhecimento por aquilo que ouvem, né? Então, para essas pessoas o audiobook pode sim ser uma solução, né? Seja como uma entrada no mundo da literatura ou seja como uma forma de consolidar mesmo enquanto leitor. E eu vi uma pergunta, tenho certeza que é de algum aluno assim que ainda não se adaptou muito à leitura. Ele perguntou assim na internet: "Professor, o livro para ser bom, ele precisa ser muito grande, precisa ter muitas páginas". Acho que assim, eh, na verdade, pensando na escolha, né? Como é, qual, qual a dica a pessoa deve seguir para escolher o livro e começar ali o seu momento de de leitura? Eh, bom, eu acho que para você escolher um livro, você tem que saber do que você gosta e a partir do que você gosta, você vai afunilando ali as informações para chegar na obra que mais vai te agradar. Então, se você tem uma facilidade de se identificar com histórias adolescentes, romances ali, primeiro amor e tal, eu vou na literatura juvenil, né? Sobretudo Tik Lit, que vai trabalhar com essa questão mesmo da dos romanzinhos ali entre ah, eu gosto de aventura, gosto de de tentar descobrir mistério e tal. Ah, então eu vou buscar um livro mais voltado ao mistério, romance policial, Magat Crist da vida. Então assim, é você tentar identificar aquilo que você gosta, porque a partir daquilo que você gosta, você acaba indo até um livro ali com que você vai ter uma identificação. E quanto a questão da grossura do livro, se o livro tem que ser grande para ser bom, hoje a gente tem autores muito premiados que são microcontistas, né, que escrevem ali histórias de 140 caracteres, né, na na época do Twitter isso surgiu como uma febre também, que como o Twitter ele limitava 140 caracteres, hoje no ex é um pouco mais, né? Mas o Twitter quer 140 caracteres. Os muitos autores se sentiam desafiados a contar histórias completas em 140 caracteres. E hoje a gente vê muitos autores que de fato desenvolveram essa estratégia. Alguns falam que é muito difícil, eu também acho muito difícil, mas que desenvolveram essa estratégia de contar histórias completas com o mínimo de palavras, né, sendo concisos. Agora tem gente que vai gostar do máximo do detalhe, né? Senhor dos anéis lá com token que vai falar da pedra, fica seis páginas escrevendo a pedra na sua dimensão, na sua textura, na sua cor, etc. Então, as pessoas que gostam desse tipo de eh narrativa mais detalhista, né, mais aprofundada, não se dinheiro aprofundada, mas mais detalhada mesmo, acaba indo buscar esses livros mais grossos, né? Mas não é porque o livro é grosso que ele vai ser bom, mas também não quer dizer que vai ser ruim. Depende muito ali do autor e do contato que você vai ter com a obra. E aí, nesse caso, um livro de autoajuda que tem a ver, por exemplo, com o momento que a pessoa está vivendo, acho que ele pode ser plausível, né? Total, né? Eu acho que teve um tempo aí que um dos livros mais vendidos era sobre ansiedade, né? Como controlar a ansiedade, porque era um momento ali, é ainda, né? Um momento em que todo mundo tem algum um uma quantidade ali de ansiedade que precisa ser controlado. Obviamente que alguns têm isso de forma médica, né, diagnosticada, mas todo mundo tem um pouco de ansiedade ali para tentar controlar no dia a dia, né? Eu vindo para cá, por exemplo, encaro um trânsito, putz, não vou chegar no horário, meu Deus, o coração começa a acelerar, como é que eu controlo isso, né? Então assim, se a gente de fato desenvolve esse tipo de comportamento e precisa de ajuda, o livro de autoajuda pode dizer: "Respira fundo, pensa que vai dar tudo certo, não pensa nas questões negativas. Eh, olha, teve uma experiência que aconteceu em tal lugar que foi assim". E essa troca, né, acaba funcionando pra pessoa, né? A gente vai chamar de livro funcional, né? ele acaba sendo muito mais funcional do que propriamente artístico, de deleite. Bom, o que não dá para negar é que a literatura, né, o gosto pela literatura forma pessoas e ser humanos de formas diferentes, né? Eh, as pessoas passam a ter ali, acho que até comport comportamento diferente, porque elas se identificam ali às vezes com personagem ou às vezes situações da vida e elas começam a retratar o seu cotidiano de uma forma um pouco talvez até mais leve, né? Consegue driblar o momento de ansiedade, por exemplo, né? Sim. É, eu eu acredito também que assim como muitas vezes a gente assiste uma série e a gente fala assim: "Não, a minha vida é uma série, né? tentar emporar. Estou agora na minha 30ª temporada. Agora vai dar tudo certo. Isso daqui é só um conflito. Até o último episódio. Isso daqui vai melhorar. O livro é a mesma coisa. Eu posso ler e encarar que a minha vida é como um livro. Hoje eu estou num capítulo, amanhã estou em outro, né? E me identificar com os personagens, né? Né? Você mencionou aquela hora da Capitu com o Bentinho, né? Ai, a Capit, aquela filha da mãe. Ou então a Capitu, pobre coitado, Bentinho tão doido e tal. Então assim, você acaba se identificando com o personagem, criando, né, a sua relação afetiva. Acho que uma associação muito interessante de ser feita também. A gente tem muitos filmes, séries que surgiram a partir de livros, né? Então acho que a partir do momento que a pessoa assiste a série ou o livro e se identifica, ela pode, de repente se interessar em ler o livro, porque o livro, é claro, vai est mais completo, né? Vai ter mais detalhes, né? Examente. É, a gente fala que e muita gente julga, né? Ah, porque a séri o livro é melhor que a série, o livro é melhor que o filme. Eu falo que não dá para trabalhar com comparativos, porque são mídias diferentes, obras diferentes, propostas diferentes. O livro teve um escritor, passou por um editor, né? Teve uma um pensamento que era é para funcionar como livro. A série, teve um roteirista que nem sempre é o mesmo autor, teve um diretor que geralmente não nem faz parte da parte editorial e vai ter uma outra um outro pensamento para você assistir e ouvir, né? Então assim, são obras diferentes, mas de fato se você se identifica com uma série, muitas vezes você vai buscar o livro para tentar conhecer um pouco mais esse personagem, um pouco mais desse autor. Tanto que, por mais que muitos livas séries e filmes sejam derivadas de livros, hoje a gente vê alguns casos de movimento inverso, que é o filme faz sucesso, a série faz sucesso, eu lanço um livro baseado naquela série, uma naquele filme. Exatamente. Professor, muito obrigada pela sua presença. Agradeço sua participação e considerações finais aí diante desses números da literatura. Quem sabe animo o pessoal a resgatar um pouco esse gosto pela literatura brasileira. Ah, com certeza. Bom, eu acho que o que eu posso dizer é que leiam. Independente se vai ser um livro de autoajuda ou um livro religioso, é muito importante que a gente leia, que a gente tenha essa esse hábito de estar em contato com as palavras. né, de exercitar a nossa mente, a nossa cognição e nosso olhar a a respeito do mundo, mas que, se possível, eh, dê preferência aí ou dê um espacinho, separe um momento na sua vida paraa literatura, seja ela ficcional, seja ela lírica, né, da poesia, mas que permita ali mergulhar por universos, por mundos que estão ali muito bem trabalhados, com questões poéticas, com personagens bem construídos e que também trazem contextos políticos, culturais, históricos que vão ali ativar o nosso raciocínio, a nossa leitura de mundo e a nossa criatividade. Maravilha, professor. Muito obrigada. Obrigada a você também que nos acompanhou pelas telas e viu que a literatura vai muito além dos livros, né? Ela pode também ser um caminho para entender, por exemplo, o mundo em que vivemos. Muito obrigada. Até o próximo programa. Tchau. [Música] [Música]