Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
Olá, minha gente. Sejam bem-vindos a mais um Ponto de Vista. Nós vamos falar sobre hiperconectividade com o especialista Daniel Amâncio. Ele é psicólogo e vai trazer aí informações, né, sobre essas ferramentas da tecnologia que fazem parte do nosso cotidiano, sendo muito importante, né, para o estudo, trabalho, recreação, entre outras funcionalidades. E com o avançar da tecnologia, surgiu então essa hiperconectividade, né, caracterizada muito pelo uso constante, né, pessoas que ficam o tempo todo entre as telas, né, olhando muito pras telas. É claro que é uma necessidade, né, existe isso no trabalho, até no meio social de estar conectado, mas parece que as pessoas têm abusado um pouco disso, não é, Daniel? Sim, primeiro, obrigada pelo convite, Carla. É um prazer táar aqui com vocês e espero que quem estiver nos acompanhando aproveite também nossa troca aqui. Eh, sim, acho que as pessoas estão cada vez mais conectadas. Existem os pontos que são positivos e os pontos que são negativos acerca do tema assim que a gente vai explorar mais um pouquinho. O Brasil ele já tá nessa posição em que nós somos hiperconectados, né? em 2021, nós somos o país mais conectado do mundo, eh, em acesso à internet e agora somos o quinto país também que mais acessa a internet. Então, isso já faz da gente uma população hiperconectada. Eh, e aí tem uma série de de pontos assim de atenção pra gente falar acerca do tema. Em 2021, nós estávamos em meio à pandemia, né? Então, eh, era praticamente a única saída de se comunicar, de trabalhar, fazíamos quase tudo pela internet, né, através das telas. Então, acho que estar em primeiro lugar naquele momento até, né, dá aí um tem uma certa desculpa. Mas isso continuou, né? Eh, tudo bem. Hoje estamos em quinto, mas ainda assim essa necessidade de estar o tempo todo conectado continua muito presente na vida de todos. Será que é um resultado assim pós pandemia ou é a questão desse avanço de tecnologia que a gente vem tendo ano após ano? Eh, vamos pensar, acho que como é que ela surge, né, para as pessoas entenderem o que que significa hiperconectividade. Nós podemos compreendê-la como essa disponibilidade e a necessidade também de estarmos disponíveis paraa comunicação em todo o tempo, né, por meio dos dispositivos digitais, são os celulares, né, os smartphones, as redes sociais. Eh, e aí você imagina um exemplo que é você trabalhar o dia inteiro num computador e do lado você tem o seu celular mandando notificações, você tem um relógio digital eh também eh te mandando notificações, uma lexa, ou seja, é passar quase que todo o tempo eh conectado. E ele vem numa crescente. alguns autores vão vão pensar nesse fenômeno social a partir do crescimento inclusive das redes sociais. Então, por volta lá de 2010, com esse com essa ascensão das redes sociais, é que eh vem também o avanço tecnológico dos smartphones e o aumento eh dessa hiperconectividade das pessoas começarem a acessar eh de forma exaustiva até, né, para trabalho, para lazer também, para descanso, tudo isso no mesmo lugar, com os mesmos dispositivos. Segundo o levantamento da Nord VPN, os brasileiros passam mais da metade de suas vidas na internet, ou seja, cerca de 41 anos. Isso corresponde a 91 horas online por semana. Segundo o mesmo estudo, as redes sociais e as plataformas de entretenimento ocupam a maioria, a maior parte do tempo nesse universo digital. Eh, é inevitável falar das redes sociais, né, Dr. Daniel, porque assim, parece que as pessoas se sentem mais atraídas, né, em se informar pela rede social, em fazer contato com às vezes até com amigos, né, pelas redes sociais, quer dizer, perdemos até um pouco daquele contato pessoal, né, daquela coisa mais tete a tete. Sim, tem uma coisa muito curiosa que hã um um professor de vai dizer, o Eduard Tud, que ele vai dizer que só existem duas indústrias que vão considerar os seus clientes como usuários. Uma é a indústria da tecnologia e outra é a indústria do tráfico de drogas. E isso não é por acaso. Eh, quando a gente pensa na usabilidade dos smartphones, dos aplicativos, dos notebooks, eh existem engenheiros e profissionais por trás que vão pensar o que quanto mais tempo você passar ali na tela, é, é melhor. Então, ã, as técnicas que são utilizadas para prender a nossa atenção, elas são inúmeras e elas são similares, inclusive a máquinas caçaniques, jogos de azar, né? Não é à toa que o feed de uma rede social ele é infinito. Então, o mecanismo de recompensa, né? a gente chega no final do feed, a gente faz esse movimento para baixo, a tela gira e aí depois a gente ganha essa recompensa de mais informação. Isso alimenta o cérebro de uma forma em que a gente vai ficando cada vez mais preso. Então, nesse sentido, a estrutura das dessas redes sociais, elas já têm esse mecanismo. Isso não é só com redes sociais, isso é também com jogos infantis, jogos para adultos, né? eles estão cada vez mais eh formatados e pensados para prender a nossa atenção dessa maneira. Eh, e aí no caso das redes sociais tem outras necessidades que são atendidas, como a da gente falar sobre vida pessoal, da gente se conectar com novas pessoas, da gente conseguir trabalho, né, processos de educativos também, mas, né, a gente vai passando do que seria até uma uma indicação da Organização Mundial da Saúde, né, de tempo de tela em frente um celular ou um dispositivo. A gente pode pensar, por exemplo, no Instagram, ele tem até essa essa configuração, né, de você limitar ali o seu tempo de tela, né, o tempo que você vai utilizar o aplicativo. Só que as pessoas têm comentado que elas conseguem burlar isso, porque vem o aviso que o seu tempo de tela está acabando, mas é possivelmente ignorar e você continuar ali, né? eh se informando, curtindo, compartilhando informações. Agora, tudo isso, não só as redes sociais, mas a gente tem e-mails, a gente tem os portais, a gente faz uma infinidade de coisas, né, desde procurar receitas, né, para para fazer um almoço diferente, ouvir música, estudar, enfim, tudo dá para ser feito pela internet. O quanto isso pode ser nocivo pra vida das pessoas? Ó, a gente pode até segmentar um pouco, por exemplo, acho que enquanto profissional da saúde mental, né, a categoria, os colegas, não só da saúde mental, da psicologia, mas acho que da psiquiatria também, da medicina, eh a gente tem ficado em alerta com relação ao que os estudos têm apontado. Tem um estudo muito interessante que foi realizado e publicado recentemente no Ceará aqui no Brasil, que ele faz um levantamento do do impacto do tempo de tela por crianças até 5 anos. Então ele já chama atenção por essa a a idade das crianças a serem observadas, então de 0 a 5 anos. Então eles observam cerca de 3.15 crianças. E o que que esse estudo aponta? que já de cara 69% daquelas crianças já estavam com um tempo excessivo de tela, eh, para além do que a Organização Mundial da Saúde considera eh seguro, né? Eh, e aí é importante destacar que de zero a a 2 anos, a Organização Mundial da Saúde, ela recomenda que não tenha essa exposição de tempo de tela, que dirá excessivo. É, e aí a pesquisa, né, voltando pra pesquisa, ela também aponta que 41% já tinha um acesso eh a a até um ano, assim, já conhecia dispositivos eletrônicos, às vezes já tinha o seu próprio dispositivo eletrônico e aí de 4 a 5 anos sobe para 85% as crianças que tinham esse essa exposição de tela e excessiva. Quais são os impactos? Ainda estamos falando de infância. H, os estudos eles vão apontar um impacto nas habilidades sociais, na comunicação, eh em habilidades motoras, eh, na atenção. Porque o que que a gente tem? Às vezes o o esse dispositivo ele é utilizado como um substituto do papel que um adulto, cuidador ou cuidadora, deveria fazer. Eh, então não é pro pessoal em casa pensar que, Daniel, então não podemos mais deixar as crianças assistir então ao desenho no tablet. E não é exatamente isso, né? Quando eh essa atividade, né, como você deu o exemplo da pandemia, quando ela é mediada e ela é um tempo de qualidade, né, mediada para um adulto, para um cuidador, uma atividade lúdica, né, tem essa intermediação, ela pode ser positiva, como a pandemia mostrou, alguns estudos também olharam para esse dado e o resultado foi positivo. Agora, com a mediação de um adulto, o que acontece, né, e o que chama atenção é quando o dispositivo, o tablet, a TV, ela substitui, né, ela se torna o educador dessa criança e aí se perde a relação tete a tete, olho no olho, esse contato, essa relação cuidador, criança. E aí tem autores que vão dizer que é como se a gente criasse as crianças em Marte, assim, né, alienadas. Então isso sai do nosso controle, tem esses impactos que são bem importantes de atenção e tudo mais. Agora, quando a gente pensa os adolescentes, os impactos são outros, né? O o Jonathan é um tem um psicólogo social que ele vai dizer, ele é autor do livro Geração Ansiosa, ele foi um bestseller lá fora e aí nós já temos a tradução dele. Ele vai apontar que pras redes sociais as meninas, por exemplo, t um impacto específico. A maneira com que a gente sociabiliza eh as meninas, as mulheres, as adolescentes, existe uma cobrança maior, né? Ou seja, a possibilidade de um eh sintomas de ansiedade serem gerados, porque os filtros sociais, a cobrança estética, o corpo perfeito vai atingir as meninas de uma outra maneira. E isso pode estar associado aos sintomas de ansiedade e até mesmo depressão. Existe esse índice pros meninos, o impacto é outro. Ele pode gerar isolamento, ele pode gerar uma exposição à pornografia. e a conteúdos de violência. Então também são impactos negativos, principalmente se não tem essa mediação de um adulto. E para nós, né, adultos que estamos às vezes trabalhando e também é o nosso ambiente de relaxar, de descanso, de procurar uma receita, tudo no mesmo lugar, a gente pode ter o efeito positivo da produtividade, de você conseguir fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Hoje o mercado até exige, né, que as pessoas sejam multitesk, né, capazes de fazer diversas tarefas, mas também pode nos levar a uma exaustão, né, a um burnout da gente não conseguir se desligar dessas tarefas. As pessoas podem se reconhecer naqueles exemplos de você tentar dormir com o celular do lado. Então, você tá pegando no sono, seu celular vibrou, o seu cérebro já, né, eh, faz com que você queira saber o que aconteceu, quem tá te mandando mensagem, que notificação é essa? Então, isso atrapalha bastante impactos no sono, desde a infância, adolescência e para nós na vida adulta. Então, esses impactos, eles são muitos, né? percebe que eles são muitos em todas as as faixas etárias. Daniel, a gente escuta professores comentando, pensando nos adolescentes, que assim, quando o foco é na tela, é no celular, eles focam muito, prestam total atenção. Mas se é para ler um livro, para fazer uma atividade ali em em conjunto, né, em sala de aula, se é para olhar paraa lousa, por exemplo, aí a concentração muda. Então, talvez isso também seja uma parte nociva, né, desse uso da das telas, da internet, porque aqui é muito fácil você se concentrar, né? Você foca aqui, esquece o mundo, mas e depois, né? Exatamente. Eh, esse é um dos prejuízos, né? Acho que o prejuízo da atenção da gente conseguir se manter eh concentrado ali numa atividade. E aí você imagina para essa criança, esse adolescente que desde muito tempo já teve esse acesso eh exacerbado assim com conectividade, eh ali na tela e ele tem total controle de em que momento ele acessa, quando ele acessa, os processos de recompensa eles são muito rápidos. Eh, quando você vai pra vida real, esse adolescente, essa criança, ela tem que lidar com o que a gente chama de princípio da realidade na psicanálise, né? E aí pode ser uma tarefa muito chata, né? Por que que eu vou ficar aqui lendo um livro ou fazendo essa tarefa que vai exigir que eu fique lendo, que eu, né, tenha que esperar e tudo mais, sendo que no meu mundo conectado é muito mais simples, eu que controlo, eu faço no momento em que eu quero. Então, a gente tem eh justamente esse problema que é uma queixa eh na área da educação eh de uma certa característica assim de preguiça. É, tem autores que vão dizer que no caso dos meninos, por exemplo, isso pode aumentar o risco de uma síndrome de Perterpan, né? Aquele aquele adolescente que ele vai demorar para querer lidar com o princípio da realidade, com fazer tarefas, com ter compromissos, com trabalhar. Então esse é um impacto. E na educação isso resulta nessa falta de interesse e falta de eh qualidade para concentração mesmo, né? Na internet. a forma de de se relacionar e de aprender é outra. Daniel, acho que a gente pode fazer uma relação com uma série que tem ganhado muito espaço, né? Foi um sucesso assim que ela foi lançado adolescentes. Uhum. Que o começo de toda de todo aquele drama que acontece na série é justamente a internet, né? é justamente eh a rede social, a forma que os adolescentes usam essa rede social, o menino lá, o protagonista, né, como ele se sente diante das coisas que acontecem no mundo virtual e aí quando vem pra vida real, a coisa muda drasticamente, né? Então acho que é um ponto de alerta importante que os pais e responsáveis devem ter, né? Sim. Eh, o que acontece é que as crianças elas passaram de uma geração, de uma infância aonde a brincadeira era livre para uma infância com esse advento da internet, aonde os pais acham que aquela atividade ela é um campo seguro, né? Ele tá só jogando um jogo, ele tá só falando com amigos das redes sociais, mas não se tem controle, né, nem filtro algum sobre o que tá sendo acessado. E aí essa série, ela é ela é bastante emblemática, né, pela quantidade de temas que ela que ela aborda, que ela contempla. E meus alunos, por exemplo, de psicologia, eles quiseram discutir muito essa série. Muitas pessoas nas redes sociais também, né, ficaram intrigadas. E aí a questão que chama bastante atenção é aquele adolescente e a a surpresa dos adultos em imaginar eh que tipo de conteúdo ele acessava. Então, no caso dos meninos especificamente, existe uma forma de sociabilização que é quase como uma escola, né, que é como a a deve ser a masculinidade dos meninos. Eh, e aí para as meninas isso tem um outro impacto, mas aí eles vão abordar esse perigo da misogenia, do machismo, de incel, né, de ser red pill, como é que esses meninos devem ser, como é que eles estão indo para essa vida de adolescente, para relações interpessoais, eh, sem conseguir dar conta de algumas habilidades sociais, porque estar hiperconectado também pode fazer você perder essa habilidade social da interação com o outro, você já não sabe mais ou nem aprendeu como ter esse contato com o outro. E aí a internet ela oferece coisas boas, mas coisas também que fogem do nosso controle. E a sério mostra isso, aquele desconhecimento do que os pais achavam que tava tudo bem, ele só tava no quarto até 1 da manhã, mas ele tava seguro, ele tá em casa. Então o que que de ruim pode acontecer? Na verdade, muita coisa. Exatamente esse ponto, né? Os pais eh pensam dessa forma, né? Bom, ele está seguro. Que bom para mim, né? Pai, mãe, que ten o meu filho em casa, ele tá ali tranquilo, seguro, então tá tudo bem, tá tudo certo, mas não foi bem assim que que a série mostrou, né? Agora, um ponto que a gente vê é que assim, essa essa cultura digital ela meio que exige uma atualização constante, né? Então, o ideal é que as pessoas estejam sempre conectadas, atualizando, dizendo o que faz, o que não faz. Isso pode ser considerado uma pressão social e por isso as pessoas continuam caminhando por esse por esse espaço? A pressão social ela sempre existe, acho que em diversos aspectos. E sim, as pessoas elas vão sentir essa pressão social, principalmente das redes sociais, né? Eh, pra gente ter uma noção do quanto isso impacta, eu costumo observar o quanto que isso cria não só impactos, mas até subjetividade. A gente vai sendo moldado por essa nova forma de vida de estar super conectado. Algumas pessoas dizem que o celular se tornou uma extensão do corpo. Isso não é um exagero. É, tem algumas síndromes que estão sendo discutidas na medicina hoje, como, por exemplo, a síndrome do talk fantasma, que é quando eu acho que o meu celular vibrou ou eu recebi uma notificação e, na verdade, você não recebeu, mas o seu cérebro ele já tá tão viciado nessa dinâmica que você constantemente fica checando se você realmente recebeu uma notificação ou não. ou quando você recebe uma mensagem, você manda uma mensagem de texto, não recebeu uma resposta e você começa a ter um sintoma de ansiedade enquanto essa resposta não vem e isso começa a impactar eh a sua dinâmica social. Então, esses são alguns dos impactos. Acho que um outro bastante interessante que ganhou as redes sociais nesse sentido de cobrança é o fomo, né? uma sigla fear of missing out, a sensação de que você está perdendo alguma coisa se você não está conectado. Eh, e aí você não consegue desligar, você precisa checar se surgiu alguma notícia nova, se chegou alguma notificação nova e você precisa responder, então você não desliga, você não fica em paz. Como é que você vai pra vida off, né, essa vida desconectada, se você tá com medo de tá perdendo alguma coisa importante, porque toda hora tem uma notícia nova, tem uma bomba nova nas redes sociais, então você precisa saber o que tá acontecendo. Essa é mais uma cobrança social, né, de saber mais e mais. Como assim, né? Você é até julgado socialmente se tá todo mundo sabendo de uma notícia menos você. Você não viu o caso de tal pessoa? Como assim? E aí isso faz com que as pessoas se sintam inadequadas, outras pressões sociais das redes, né? aquele pequeno recorte da vida perfeita, o quanto que isso chega nos nossos consultórios enquanto uma queixa eh que gera sofrimento psíquico, porque parece que tá todo mundo curtindo a vida, mas você tá trabalhando, você tá com contas para pagar, você tá com problemas para resolver, enquanto quando você olha os stories, todo mundo está curtindo a vida, relaxando e parece que é você quem não tá dando conta disso. Então tem alguma coisa errada com você, não com o mundo hiperconectado. Exatamente. Doutor, a gente vai tomar uma água. Você aí da cela, você pode descansar só um pouquinho, mas volta para acompanhar e saber mais sobre hiperconectividade. Até já. [Música] [Música] Voltamos com mais um bloco do ponto de vista falando sobre hiperconectividade. Nós falávamos sobre a pressão da sociedade, né, por conta desse universo digital. Claro que todo mundo quer e ou às vezes precisa estar conectado o tempo todo. Dr. Daniel, eu gostaria de saber assim, em quais quais são os aspectos psicológicos que vão provocar essa essa pressão aí nas pessoas em ficar o tempo todo de olho na tela? Os aspectos psicológicos que vão provocar eh acho que são alguns, né? Primeiro, existe um efeito da coletividade, né, que é todo mundo participando e necessitando e até as utilidades das coisas sendo cada vez mais eh conectadas. Então hoje os nossos relógios, ah, objetos que a gente compra para dentro de casa, né, todos eles estão de alguma forma com uma tendência de ser cada vez mais conectado. É a geladeira que tem Wi-Fi e por aí vai, né? As nossas luzes agora que já acendem assim de forma automática, a inteligência artificial. Então, se você não acompanha e não participa, é como se você estivesse ficando como alguém defasado ou atrasado, né? Você tá ficando fora disso. Se você não se conecta em alguma medida, você acaba perdendo até um acesso a banco, por exemplo, né? Então, essas atividades mercadológicas, elas estão cada vez mais e hiperconectadas. até a nossa experiência de ir ao mercado, por exemplo, ela já tá mudando, né? Hoje você tem carrinhos em que é um autoatendimento, você baixa um aplicativo e aí sem isso, né? Como assim você vai falar que você não tem um celular para baixar o aplicativo do mercado para não ter desconto? Eh, e aí os aspectos psicológicos é um primeiro impacto é você é você começar a ser barrado, né, dessa participação social e também de você se sentir inadequado. Acho que esse é um primeiro ponto. Quando que isso começa a se tornar um problema? Quando eu começo passar tempo demais conectado, né, eh, com essa disponibilidade das comunicações, quando eu começo a ter uma privação do sono para eu ficar mais tempo online, quando ã eu já não consigo mais manter uma conversa com alguém sem interromper a conversa para verificar a notificação que eu recebi, quando eu começo a deixar de fazer atividades importantes para mim também para ficar mais tempo online. Então, todos esses são aspectos e impactos psicológicos dessa hiperconectividade que a gente precisa ter muita atenção. Essa hiperconectividade, ela tem alguma relação com idade? Por exemplo, tem atingido mais jovens, mais adultos, mais crianças? Eh, a gente tem um um índice, né, uma estatística do quanto as crianças cada vez mais cedo estão já tendo esse contato com essa hiperconectividade. Eh, cada vez mais cedo as crianças estão tendo o seu próprio smartphone, tendo a sua rede social. Eh, então, até essa fase jovem adulto, existe esse índice muito maior dessa hiperconectividade, né? uma geração mais velha, eh, existe uma tendência menor de uma hiperconectividade, mas ela também não tá distante e alheia a isso, né? Eh, quanto, na verdade, quanto mais o tempo passa, o que se torna comum é que cada vez mais pessoas mais velhas e até idosos estejam conectados também, mas ele ainda menor essa concentração é infância até esse jovem adulto. Quando a pessoa se cobra para estar online o tempo todo, postar tudo que vivencia, saber o que está rolando na na timeline, é um sintoma de hiperconectividade. É um sintoma de hiperconectividade. Eh, eu eu digo que isso vai criando subjetividade porque isso começa a mudar e fazer parte da nossa experiência de ser estar no mundo, né? Quem sou eu fora das redes sociais? Quem sou eu sem o meu celular, sem a selfie que eu posto, sem eu eu contando as minhas histórias nos stories. Então, esse é um sintoma desse dessa a hiperconectividade quase que fazendo parte da sua personalidade. É assim que as pessoas conhecem você, é assim que as pessoas acessam você. Então, é interessante fazer esse exercício de se perguntar: "Quem é você fora então da hiperconectividade?" As pessoas conhecem, né, o que que você apresenta no off. Você consegue inclusive descansar, ter atividades longe do celular, como ler um livro. Isso é uma queixa, né, que chega bastante também nos nossos consultórios. Eh, as pessoas, eh, é uma dúvida comum ou até uma queixa comum as pessoas chegarem para mim, pros meus alunos que estão começando na clínica escola, eh, já com o seguinte, a seguinte pergunta: será que eu tenho TAH? Porque eu já não consigo mais me concentrar para ler um livro. E aí a gente faz todo um trabalho de psicoeducação e de até entender como é que é a rotina dessa pessoa. Normalmente ela é hiperconectada. Então nessa toada de você ser essa pessoa multitesk, super conectada, né? seu trabalho tá no celular, 11 da noite, você ainda tá vendo o que tá acontecendo no grupo do trabalho e tudo mais, e depois você não consegue mais parar para ler um livro e que não seja em outro dispositivo eh digital, né? pegar o mesmo livro, abrir e ficar ali 40 minutos, uma hora lendo. As pessoas estão perdendo essa capacidade e achando que é um problema com elas, né, que é um transtorno. Então, nem tudo é TDAH, como aparece aí nas redes sociais. Esse também é mais um impacto, sabe, psicológico da hiperconectividade. Eu imagino que a hiperconectividade tenha eh duas situações. Aquele eh aquela pessoa que está hiperconectada por questões profissionais, porque o trabalho demanda muito, então toda hora ela recebe e-mail, mensagem, eh às vezes, né, pessoas que trabalham com aplicativos, por exemplo, precisam estar conectadas ali por um determinado tempo. Mas tem também aquelas pessoas que ficam hiperconectadas por questões sociais, né? Eh, até, por exemplo, em redes sociais, dá para para considerar que as duas formas estão corretas. Você pode se tornar um hiperconectado tanto pelo lado profissional quanto pelo lado social? Eh, sim, sim. Você você pode estar hiperconectado das duas formas. Por quê? às vezes, eh, o seu trabalho é no celular ou num dispositivo digital, mas o seus momentos de relaxamento, de se relacionar com as pessoas, eh, de descansar, de estudar, eles são todos do mesmo lugar, na mesma forma. Então é sempre intermediado pelo estar online, né? Os seus grupos de estudo, eh, eles estão sempre nessa intermediado pela, por um dispositivo eletrônico estar online. Então, sim, tanto no trabalho quanto no lazer ou só social, você vai estar hiperconectado. E aí os riscos eles são os mesmos, né? o quanto que a pessoa tá conseguindo ter momentos não só de trabalho, mas social também fora desse mundo online, né? Qual foi a última vez que você sentou para tomar um café sem tá compartilhando isso com o celular, sem tá ouvindo alguma coisa, um podcast, um filme que seja? a gente perde inclusive uma capacidade de contemplação. Você não faz mais uma viagem eh sem tá olhando pro celular, respondendo mensagens, eh conversando com uma pessoa. Então, quase tudo tem essa intermediação do da hiperconectividade. E é isso é um problema, né? a gente fica quase que 100% do tempo conectado. Tem pessoas que acordam no meio da noite para checar as notificações. Esse é um impacto. Mas aí assim, quando a gente fala, a pessoa acorda no meio da noite, é propositalmente é eh é um hábito já do do organismo dela, acordar à noite e aí ela vai verifica alguma coisa no celular ou quando acontece alguma insônia, precisou levantar para tomar uma água, ela acaba esbarrando ali, dando uma olhadinha no celular. Você tem as duas coisas. Você tem o comportamento que ele vai se tornando viciante, que faz com que você acorde no meio da noite propositalmente para checar essas redes sociais, essas notificações, né? Aquele fear of missing out, né? o medo de estar perdendo alguma coisa, impactando inclusive seu sono. E você tem também o que vai ser resultado disso. É como, por exemplo, né, pro sono, um hormônio muito importante é a melatonina. E aí aquela luz, aquele tempo de tela ali do celular, ele ele barra essa produção da melatonina naquele momento importante que é você pegar no sono para você descansar, né, o corpo se reparar e tudo mais. Eh, e aí você acaba tendo uma insônia ou impacto no sono, uma dificuldade de dormir por conta desse tempo de tela. Então, é quase que uma coisa ligada na outra. você tem eu levantar propositalmente e você tem o impacto de já não conseguir dormir muito bem, porque para você ficar mais, né, conectado, você acaba se privando um pouco do sono e depois às vezes nem conseguindo dormir por conta disso. Então é é uma coisa assim embricada na outra. Independente da situação, as duas são delicadas, precisa de atenção. E aí, como é que faz para equilibrar essa situação, essa esse desejo, essa ansiedade em estar online, estar conectado o tempo todo? Essa é uma régua pessoal e também é a pergunta de milhões, né? Porque aí são muitas receitas. Então, primeiro, o ideal é que a gente olhe para os prejuízos, né? como a gente comentou anteriormente, é o quanto que você tá deixando eh de fazer atividades que são habituais do seu cotidiano, importantes, perdendo compromissos, impactando o sono, às vezes privação até de fome para ficar mais conectado ou unindo as duas coisas, né? É comendo e conectado. Eh, esse é um ponto. Então, tô observando esses prejuízos. Como é que eu faço? E aí eu tenho algumas eh recomendações para redução desse tempo de tela, eh delimitação do horário de trabalho, né, de estar conectado, não limitar os momentos só de prazer também conectado, no caso das crianças, por exemplo, a a criar os momentos e as oportunidades das atividades também para além da hiperconectividade ali com a interação com a tela, as brincadeiras livres, essa interação olho no olho, né? Não deixar perder isso de vista. Eh, tem algumas recomendações desses teóricos que eles vão dizer que hã é importante evitar que as crianças tenham smartphones até o nono ano escolar ou que o ideal seria que as redes sociais eh fosse só a partir dos 16 anos na adolescência, considerando que eh com 16 anos você já tem alguma maturidade para lidar com essas cobranças sociais, noções dos impactos, é um período em que o cérebro das crianças e dos adolescentes eles estão em desenvolvimento. Então, seria muito importante essa mediação. Por que que eu digo que é uma régua pessoal? É porque tá na nossa mão medir esses impactos, né? não vai ser uma régua que ela ela vai dar conta e funcionar para todo mundo como uma cartilha, mas pensar os prejuízos e reduzir o seu o seu tempo de dessa hiperconectividade é fundamental. Acho que eu eu lembrei agora da de uma outra recomendação e que nós tivemos uma alteração no Brasil que foi a proibição do uso do celular nas escolas e que, né, isso gerou controvérsias e muita discussão. As crianças, né, também ficaram revoltadas nesse sentido. É, os adolescentes também, né? alguns alguns territórios com problemas graves, assim, naé, diretora, sendo expulsa, sendo ameaçada, tudo isso porque tirou-se esse lugar da hiperconectividade. Mas teve uma razão de ser, né, de se criar um projeto de lei para isso. E o ponto era justamente o que você comentou anteriormente, os adolescentes, as crianças tendo impacto no processo de aprendizagem, em não querer realizar atividades, em chegar com um atraso até psicomotor para realizar atividades. Você imagina que uma criança, um adolescente, ele digita com os dois polegares e para você chegar e ter a habilidade de fazer um desenho que você utiliza a mão inteira, isso tava sendo um impacto e os professores estavam sofrendo com isso. Então assim, são diversas recomendações pra gente evitar os impactos negativos da hiperconectividade. Os positivos, né, maravilha. Agora, a tensão com os negativos, né, o que que a gente tá tendo de prejuízo? Nesse caso do celular nas escolas, eh, eu imagino que que tenha sido uma boa sacada, uma boa decisão. Inclusive, os pais, né, a grande maioria gostaram dessa dessa atitude, né, dessa decisão, mas a gente precisa entender que esse aluno em algum momento, ele vai sair da escola, ele vai para casa. Então, qual deve ser a participação do pai perante esses alunos, essas crianças, esses adolescentes? De que forma eles podem fiscalizar o uso da internet sem invadir a privacidade, sem tornar uma coisa chata, né? sem criar uma situação ali com o filho, porque em algum momento ele vai precisar usar, seja até para um para uma atividade escolar, ele vai precisar usar esse celular, mas ao mesmo tempo usar com equilíbrio. Sim, é muito interessante o que você traz, Carla, porque são acho que pelo menos dois pontos, né? O primeiro é de ter essa noção de que era importante, como tudo que a gente falou aqui, um momento desconectado. E aí o momento da sala de aula, de algumas horas de aprendizagem, ele tava sendo atravessado pelas experiências, né, dos jogos, das redes sociais, em um momento em que você devia manter a sua concentração em outra coisa. É diferente quando eu utilizo a tecnologia, né, assistida como uma ferramenta para auxiliar no ensino, porque aí eu tenho uma mediação, eu tenho uma proposta pedagógica, então isso é ótimo. Nisso a tecnologia vai ajudar bastante. Agora você imagina você dar conta de ler um capítulo de livro em sala de aula e do lado você tá vendo stories aqui, né? Então esse era o primeiro problema. A outra coisa, né, com relação ao que os pais podem fazer, principalmente com esse receio da de invadir a a privacidade, né, do filho ou da filha, é de que entender o cuidado que ele tem na vida off, né, de saber com quem que o filho ele tá conversando, quem são os amigos, né, tá saindo, vai na casa de quem, que horas volta. Esse cuidado Off, ele também deve acontecer na rede social, que a gente imagina simbolicamente que isso não aconteceria. E é exatamente da mesma forma. Com quem são esses amigos que o filho ou filha tá conversando na internet? eh, quem são esses amigos, conheceu como, por e aí eh nessa de ah, eu não vou invadir a privacidade, a conversa, é onde esses perigos acontecem, né? Eh, e aí os dados eles são alarmantes mais uma vez, porque o que a gente tem de índice é o suicídio, as autolesões. O suicídio ele é ele é o quarto motivo, né, de de maior índice de morte por por adolescentes e jovens, né, de 15 até 29 anos. e as autolesões também que as crianças a partir dos 10 anos de idade. Então, o que que esse mundo hiperconectado, as redes sociais tão oferecendo e impactando de forma negativa para essas crianças que nós adultos não estamos conseguindo observar, captar, né? Depois quando acontece alguma coisa? É aquele susto. Eu não sei o que tava acontecendo. A minha filha estava só na rede social, né? E aí processos de bullying, cobrança, muita coisa tava acontecendo, mas eu nunca quis eh invadir a privacidade, então nunca perguntei, nunca conversei. Esse distanciamento emocional, ele precisa acabar, né? Esse acho que é uma ferramenta importante também, que é algo que a gente pode pensar: "Ah, eu não sei como falar com um adolescente, é muito difícil". Mas é um exercício constante, né? Não tem como, até porque a gente tem visto aí eh os dados, né, apontando a quantidade de adolescentes e crianças que a gente começa a perceber que tão novos, tão jovens, já sentem aquele emocional mais abalado, já começam a ter eh graus de ansiedade. Então tudo isso, claro, a gente, nós já falamos aqui sobre a importância da tecnologia, é válido, é muito bom, mas precisa ter esse controle, essa fiscalização, né, e principalmente essa conversa, porque as pessoas se uniram pela internet, mas se separaram do do pessoal, né? Exatamente. Eh, eu eu tenho esse cuidado, né, de parecer então que, né, o psicólogo que foi lá no ponto de vista, ele disse que a tecnologia e a conectividade é uma grande vilã. E não é só isso, né? O ponto é a consideração, a a correlação que existe entre esse grande aumento de transtornos mentais, como a ansiedade, a depressão, outros transtornos associados e por conta, né, junto dessa hiperconectividade, é um ponto que a gente não pode fingir que não tá acontecendo. Eh, nós somos o país, segundo o mais ansioso do mundo. E isso tem uma correlação com essa hiperconectividade e con esse modo de vida que nós estamos adotando e que ele não pode ser desconsiderado. Então, esse é o ponto. Os impactos eles são para todas as idades. Eu gostaria de saber suas considerações finais em relação a esse tema, né, hiperconectividade, que pode ser eh tanto para adultos quanto para crianças e adolescentes, enfim, a gente tem pessoas aí de várias idades, idades diferentes, enfrentando esse problema, né? Então, como sair desse problema, como se cuidar para não ter que encarar esse problema? Acho que como considerações finais, eu gostaria de dizer, né, para as pessoas que estão em casa, que a tecnologia ela não é uma vilã, mas a a forma com que a gente tem adotado enquanto estilo de vida, né, estar hiperconectado, a gente precisa de moderação, de cuidado, de linhas de fuga, de fazer a essa autoanálise de o que que eu tô tendo de prejuízo. Eu não consigo mais tomar um café sem o celular tá na mesa. Então a gente vai perdendo eh esse processo importante das interações sociais, das relações. Eh, e os resultados, né, dentre muitos outros, é o adoecimento, é o burnout, é essa grande falta de atenção. Então, a tecnologia ela não é uma vilã, né? estar conectado não é exatamente um problema, mas de que forma eu faço isso e observo esses prejuízos? Porque como eu disse anteriormente, o que é positivo me manter em alguma escala produtivo, conectado, conversando com as pessoas, isso é ótimo. Mas os prejuízos, eu preciso estar muito atento. Essa é a mensagem que eu deixo. Tá ótimo, Dr. Daniel, agradeço a sua participação. Chamei de doutor em respeito a ao seu conhecimento. Muito obrigada por trazer esse conhecimento aqui para nós. Espero que venha mais vezes. Obrigado pelo convite. Eu espero que as pessoas em casa consigam fazer aí uma reflexão e ter um aproveitamento dessa troca rica aqui. Então, muito obrigado. Eu que agradeço. Agradeço você que nos acompanhou pelas telas, é claro, sempre com parcimônia. É importante estar conectado, mas também é importante desligar um pouquinho, né, doutor? Manter a mente mais tranquila. A gente volta no próximo programa. Ciao [Música] [Música] [Música]