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PONTO DE VISTA - HETEROIDENTIFICAÇÃO
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PONTO DE VISTA - HETEROIDENTIFICAÇÃO

167 views Publicado 11/11/2024 HD · 47:14

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[Música] Olá estamos começando o nosso ponto de vista e o assunto de hoje é heteroidentificação para conversar conosco nós convidamos a gestora do centro de referência em Direitos Humanos na prevenção e combate ao racismo e discriminação osa a Jaqueline da seja muito bem-vinda obrigada Rúbia obrigada aí aos telespectadores que estão com disponibilidade de ouvir um pouquinho sobre essa temática que é tão importante para o Brasil muito bem então pra gente começar nos explica o que é a heteroidentificação heteroidentificação é um procedimento adotado pelos Concursos pelos vestibulares a partir do momento que nós tivemos as cotas raciais Uhum E na verdade é um segundo procedimento porque o primeiro a gente sabe muito bem que o candidato ele se autodeclara e a gente precisa desse momento da heteroidentificação para atestar essa autodeclaração feita então é um procedimento que na maioria das vezes a gente prima para que ele seja feito presencialmente mas com o a única intenção o único objetivo é é coibir fraudes nas cotas faciais eh que a gente tem aí desde 2014 importante né agora Como que funciona eh todo esse processo como que é realizada essa essa avaliação né a identificação através da heteroidentificação como a gente tem no próprio prenome aí hétero significa o outro né então é um momento em que por mais que o candidato tenha se auto declarado nós precisamos da leitura do outro para atestar realmente se ele é uma pessoa negra e a gente entende também que esse segmento negro da população eh abrange pardos e pretos então na heteroidentificação nós temos avaliadores que são preparados por um curso de minimamente 30 horas e essas pessoas elas têm condições a partir de o Arsenal teórico e prático que a gente oferece de avaliar única e exclusivamente os traços fenotípicos Então quais seriam esses traços avaliados cabelo densidade do cabelo a textura a cor da pele os olhos a cor dos olhos formato dos olhos o nariz a base nasal a boca né E também a corporal muito bem e a aprovação das cotas raciais né provocou e ainda provoca um intenso debate na sociedade brasileira alguns argumentos a favor como o Brasil tem uma dívida histórica com a população negra por conta da escravidão E aí como as cotas raciais promovem convergências entre vários grupos étnicos isso pode ajudar a diminuir o racismo também tem argumento S contra n como aqueles os cotistas roubam a vaga daquele que não fo contemplado por esse sistema ou então as cotas vão contra a meritocracia e favorecem o racismo ao invés de suprimi-lo gostaria de saber Jaqueline o seu ponto de vista sobre esses argumentos nós temos que levar em consideração a história do Brasil né E essa reparação que não existiu Eu costumo trazer paraas pessoas a questão do 14 de Maio que foi o 14 de Maio para cerca de 720.000 escravizados eh para eles não foi oferecido nenhum programa de reparação nemum programa de inclusão então a gente tinha naquele momento pessoas sem lugar para morar sem estudo porque até 1844 as pessoas não poderiam os negros não poderiam estar nos Bancos escolares então a gente não tinha trabalho também dentro dessa visão eh a gente sabe que a dívida ela é acumulada né e a gente também sabe que a herança ela é acumulada então nós tivemos um incentivo muito grande para que os europeus viessem para cá a imigração europeia acabou eh fazendo muitas as vezes eh eh o a vez que o que o escravizado deveria fazer né então nós tivemos eh esse incentivo e a partir desse incentivo Nós também tivemos pessoas que deixaram de ter o lugar ao sol no momento do pós-abolição quando a gente teve ali situações muito voltadas pro não trabalho para homens e mulheres no caso das mulheres elas conseguiram conseguiam muitas das vezes continuar trabalhando enquanto trabalhadoras domésticas né por isso hoje a gente tem aí se a gente olhar o cenário Quem são as trabalhadoras domésticas no país com certeza ainda são mulheres negras cerca de 80% então a gente sabe que essa questão que é muito bem colocada por alguns de que existe uma dívida histórica né E essa dívida ela é financeira e quando a gente tem nas cotas saciais aí 20% a gente tá falando que os outros 80% ainda continua sendo da população eh não Negra né E nem todo negro também faz parte quer e deseja participar das cotas sociais e por situações muito próprias né olhando pra própria história se foi uma história de Privilégio se foi uma história em que ele teve condições de estudar em escolas particulares mas é uma minoria a gente sabe muito bem então a gente sabe que nesse país eh as vulnerabilidades sociais Elas têm cor e a gente sabe muito bem Onde encontrar as pessoas negras da do nosso país então a gente pensa na diversidade que e no serviço público ou numa própria Universidade ou mesmo nas empresas que estão adotando as vagas afirmativas a diversidade que as pessoas negras tariam para essa relação de trabalho muito bem agora eh falando das cotas né e falando também da questão eh desse esse debate que tem da sociedade brasileira referente às cotas eh qual que é o seu ponto de vista sobre esse debate e e muitas vezes vão colocar uma aspas aí a não aceitação né da desse desse espaço que é determinado para pessoas eh eh negras pretas o país está se revendo né em relação à sua identidade Então é só nós olharmos pro Censo você vai ver que o número de pessoas se autod declarando pardas tem aumentado o nosso país Ele é muito está sendo e a gente sabe muito bem há anos que ele vai ser muito menos Branco muito menos preto e muito mais Pardo Essa é a tendência do Brasil né a partir das próprias relações eh interraciais mas também levando em consideração eh a nossa história de Brasil que é uma história em que essas situações sempre foram negadas né quais situações que foram negadas a questão da identidade racial quais outra situação que foi negada essa questão da gente se entender enquanto país que tem dificuldade de olhar paraa Nossa cultura paraa Nossa identidade e essa cultura e essa identidade Negra está cada vez mais presente as famílias estão cada vez mais explicando para os seus filhos quem eles são de onde eles vieram Quem foi o avô Quem foi a avó o bisavô e a bisavó e a gente tem trazido com muito mais naturalidade toda essa relação que a gente tem para o Pardo no Brasil né quem que é essa população parda na medida em que eu tenha um pai Preto uma mãe Branca eu tenho aí não uso mais o termo mulato né hoje a gente usa o termo Pardo então eu tenho aí uma criança parda eh o indígena com uma pessoa preta também nós temos uma pessoa parda o amarelo se relacionando aí com uma pessoa preta também tenho mais uma vez uma pessoa parda então a maioria do nosso país ela é constituída de pessoas pardas certo agora eh nós estamos falando da heteroidentificação né isso envolve Claro está ligada à questão das cotas né e agora eu queria saber quem é que decide quem pode concorrer às cotas e quem não pode quem tem esse poder da decisão é a partir é da banca que faz a escolha mas essa banca ela é escolhida por quem de onde vem esse poder quem quem são essas pessoas no ato da inscrição o candidato já faz o apontamento se ele vai querer participar ou não uhum das cotas saciais que a gente sabe que aqui em Campinas desde 2019 nós temos aí 20% das vagas tanto na administração direta quanto na administração indireta ele faz o apontamento de que ele vai participar da heteroidentificação por todas as vezes que ele fez o apontamento que ele quer participar significa que ele precisa estar presencialmente eh no momento no do procedimento que é depois da prova feita depois da prova objetiva feita por ele quando esse candidato essa candidata é convocado para esse momento nós teremos aí uma situação em que a uma uma comissão que que é constituída por cinco servidores públicos municipais é uma comissão que tem ali a sua diversidade de gênero e também de pertencimento racial e essa comissão já teve um treinamento anterior para verificar os traços fenotípicos Como eu disse para você anteriormente então assim a composição do cabelo a textura do cabelo os olhos o nariz a boca a tonalidade da pele e a complexão corporal o candidato ele vai receber no momento da chegada dele uma preleção Na verdade essa preleção é para contextualizar esse momento que a gente tá fazendo né Então ele recebe ali algumas orientações e explica eh nesse momento eh da da pré-eleição que é Tudo muito tranquilo no sentido de queê em nenhum momento nós vamos colocá-lo em situação vexatória eh de que um momento ele vai ter ali a decisão ele vai ser questionado nós não trabalhamos com entrevista então ele vai receber ali a identificação dele enquanto candidato ele vai entrar na sala vai ser acolhido com bom dia boa tarde você está bem e a partir daquele momento ele vai se posicionar de frente e de perfil porque nós temos a foto tirada a foto tirada por um fotógrafo profissional tem para nós a função de caso esse candidato seja invalidado tanto é que a gente não usa o termo aprovado ou reprovado não ele é validado ou invalidado se esse procedimento de é identificação for invalidado esse candidato tem direito a recurso no recurso Ele vai ali coletar e vai enviar para nós todos argumentos que ele tem na defesa de que ele é um candidato preto ou Pardo e também nesse recurso cabe lembrar que nós teremos outros avaliadores então essa comissão primária não é mesma que a comissão recursal são cinco membros da comissão e pro candidato tendo a maioria Ampla três contra dois ele já está dentro do procedimento três votos a favor significa que ele está validado três votos contra significa que ele está invalidado E aí ele entra com recurso e vai ser avaliado por uma outra comissão num outro momento a partir daquelas fotos que foram tiradas muito bem enquanto a Jaqueline falava que eh no nosso telão na nossa tela né E algumas fotos de algumas pessoas artistas né mas que tem aí uma algo especial eu gostaria que você comentasse já aqui pra gente então essas fotos que vocês trouxeram pra gente poder trabalhar aqui no programa Bom a partir das colocações que eu fiz eh que a população negra de 56% O que que a gente já pode ter em mente cerca de 44% da população 43% é de pessoas pardas né Eh a população negra tá em cerca de 13 14% a população Preta tá cerca de 13 14% vocês vão perceber que nas fotos idas por nós o centro de referência e teremos candidatos pardos na sua maioria por quê as pessoas pretas é de muito mais fácil identificação né as pessoas pardas que tem aí uma uma uma ascendência branca provavelmente mas também uma ou amarela mas também uma ascendência preta vai trazer para nós um pouco mais de dificuldade Então a partir desses candidatos colocados vocês vão perceber que nós temos vários elementos muito evidentes então no caso aqui da Camila Pitanga eu tenho aí vários traços por exemplo o cabelo né então por mais que a gente fala olha esse cabelo da Camila não é um cabelo liso não é o cabelo de uma mulher europeia é um cabelo que tem aí os seus cachos né a tonalidade da pele dela também a mesma coisa a gente tem o né é um homem e a gente fez o possível de trazer aí alguns famosos para que vocês tem ten a noção exata eh de pessoas que trazem aí nas suas características fenotípicas vários aspectos então assim tonalidade da pele todos esses apontados TM eles não são pessoas brancas né Eh o formato dos olhos diz também diz a cor dos olhos também a gente pode ter o Neymar tem os olhos claros inclusive os olhos um pouco mais claros mas nem por isso essa característica dele vai ser insuficiente porque nós temos o cabelo do Neymar sendo o cabelo crespo né a gente usa esse termo cabelo crespo a gente não usa o termo cabelo ruim ou cabelo duro é cabelo crespo né Eh a base nasal por exemplo do gabigol não é o nariz extremamente afilado né ele você percebe que ele tem uma base nasal mais alargada os lábios mais protuberantes mais cheinhos a tonalidade da pele também é um elemento extremamente importante agora o que que vai lembrar também a partir por exemplo do que vocês têm visto aqui com a Dira Paz a ascendência indígena ela também é muito presente nos pardos então a gente sabe que as pessoas pardas no Brasil muitas das vezes tem ascendência indígena e não necessariamente ascendência africana certo isso é importante por quê para as pessoas se localizarem também né Eh e existe o vestibular aqui na Unicamp do para o indígena mas fora essa questão nos nossos concursos por exemplo a gente não faz aí não tem nenhum segmento próprio para o indígena por para essas pessoas atestarem eh e participarem por exemplo no vestibular na Unicamp ela precisa do hani que é um certificado na verdade é um registro administrativo do nascimento do indígena Então esse esse registro ele não é não é tido para pessoas que TM só uma ascendência essas pessoas esses indígenas Precisam fazer parte e serem ali eh terem um atestado de toda a comunidade indígena então por isso que a gente não leva em consideração que a questão do Pardo quando tem ascendência indígena eh pro nosso caso ele não precisa ter o ranim né ele só vai ser aí entendido enquanto alguém que tem esse segmento indígena muito bem explicado agora seguindo por aqui como evitar casos eh como aquele rapaz que foi declarado negro teve direito a concorrer a uma vaga né pelo sistema de cotas mas o irmão dele que é gêmeo né Eh não não teve né como o que acontece o por aconteceu que são gêmeos um passou né e e e o outro não foi não é provado que você disse né é validado invalidado ou invalidado então aconteceu que são gêmeos um foi invalidado e o outro foi validado o que o que surgiu nessa situação na verdade eles não são gêmeos idênticos Ah muito bem né Eu estou imaginando que você esteja se referindo ao caso lá atrás da UnB né na verdade o que fica pra mídia são todos os casos de insucesso da ret identificação né Eu acho que por isso é a necessidade do programa ex uhum é porque todos os sucessos que a gente tem na heteroidentificação geralmente não aparecem Uhum mas quando UnB o NB vem com essa situação eh de um irmão que passa e outro não passa ou um irmão é validado outro não é validado eh a gente tem que entender a primeira coisa que temos aí comissões diferentes fazendo a avaliação e o segundo momento é que eles não eram gêmeos idênticos Então você tinha lá um menino que tinha tona qualidade da pele mais clara o cabelo mais liso uma base nasal não tão alargada Realmente esse menino ele não teve a leitura de ser um menino Pardo pra sociedade no caso ali representada por esses membros da comissão o outro menino que já tinha a tonalidade de pele mais escura o cabelo crespo a base do nariz um pouco mais alargada ele teve uma leitura social de que ele era realmente um menino Pardo E aí essa informação é tem muito a ver com as figuras que nós trouxemos né com essas imagens por quê Porque são pessoas que estão dentro de uma situação em que vive um certo limite inclusive para determinadas pessoas que não t o letramento racial que não participaram de uma formação específica vai olhar pra Camila Pitanga vai falar assim ai mas eu não acho ela tão escura assim né para mim ela é branca uhum né E aí nós vamos ver que realmente quem deixa o grande nó na questão quem traz a grande interrogação são as pessoas pardas perfeito então assim existe até um termo que o pessoal usa Pardo que tenha passabilidade que que é esse termo passabilidade é o termo utilizado para as pessoas que têm muito mais a presença de traços europeus traços eurocentral então é uma pessoa que em alguns determinados momentos ela tem ali o cabelo um pouco mais crespo e ela fizer uma escova ou um alisamento esse cabeço vai esse cabelo vai ficar liso e e esse cabelo liso a gente vai levar para esse lugar que ela tem passabilidade ela vai ser lida como uma pessoa branca muito bem Olha estamos aqui falando com a Jaqueline Damázio o tema do nosso ponto de vista é heteroidentificação né um algo assim bem interessante para você que não sabe do que se trata a Jaqueline está repassando pra gente trazendo informações sobre o que é a heteroidentificação e também e sobre a questão aí das vagas Porque como a Jaque disse a é identificação foi criada a partir do momento em que e eh as vagas né Eh estiveram presente aí no nosso cotidiano né E então um depende do outro é isso né é o que que a gente pode dizer que a heteroidentificação é um procedimento complementar à autodeclaração daquele candidato que se colocou como negro ou seja preto ou parto então a gente precisa desse momento para evitar fraude para evitar qualquer situação em que a pessoa não tenha essa leitura social enquanto uma pessoa negra muito bem nós vamos para um breve intervalo daqui a pouquinho nós Voltaremos com mais Jaque e com mais esse tema muito importante para você que tá assistindo o nosso ponto de vista que é a heteroidentificação é já já depois intervalo esperamos por [Música] [Música] você de volta com o nosso ponto de vista agradecemos a sua audiência a sua companhia nós estamos aqui no estúdio da TV Câmara conversando com a Jaqueline damazio sobre étero identificação seguimos então para o nosso mais um bloco né E olha algumas universidades como a Universidade de São Paulo adotaram um sistema diferenciado né o de bônus de até 12% no vestibular da instituição para estudantes egressos de escolas públicas além de prever aí a criação de uma prova que atesta a qualidade de ensino da rede estadual e confere pontos à escola e estudantes de maior desempenho eh no seu ponto de vista essa é uma alternativa mais sólida e menos polêmica do que as cotas essa é uma alternativa eh utilizada que leva em consideração o desempenho dos alunos mas também leva em consideração toda a a a população escolar eh que está aí né no numa escola pública e quando a gente puxa essa questão e fala um pouco das ações afirmativas para a população negra a gente tem um outro viés né que é de garantir aí minimamente 20% dessas pessoas tanto no serviço público quanto nas universidades porque a gente sabe quais são as dificuldades da população negra para chegar nesses espaços né e a gente sabe que também não é só chegar a manutenção delas nesses espaços também precisa acontecer então não é só ingresso eu preciso pensar na permanência eu preciso pensar no sucesso seend no serviço público eu preciso pensar inclusive nessa promoção que deve existir né porque a gente tem uma diversidade muito maior de pessoas pessoas negras acendendo outros cargos né pleiteando outros espaços inclusive espaços de poder e de decisão né É essa a diferença que a gente precisa pontuar para uma sociedade que é de 56% de população negra então a gente precisa ter minimamente aí né garantido que não é nem proporcionalmente mas 20% nesse lugar também de de de colocar suas questões e de fazer referência à sua população aos seus demais irmãos e e enfim né pessoas que estão na mesma condição e porque a gente sabe de onde vem e quais são as dificuldades que essas pessoas para chegar certo agora falando de escolas né eh Há uma vantagem da pessoa preta de escola privada e da pessoa preta de escola pública tem alguma vantagem ou o racismo ele vai eh infelizmente continuar existindo independente eh eh de escolas né porque quando a gente fala de de escolas eh eh públicas nós falamos das cotas né E na escola particular não tem as cotas Então mas tem a pessoa preta e aí quando se diz sobre racismo Qual é o seu ponto de vista dessas duas vertentes é o racismo ele é estrutural e está em todos os espaços né ele se faz presente nas escolas públicas e ele também se faz presente nas escolas particulares o que nós temos aí nas escolas públicos é um número muito maior de crianças negras e um número muito menor de crianças nas escolas particulares Isso é fato eh e a gente tem também a questão das bolsas né de ensino que são oferecidas pelas escolas particulares mas para Além disso O que que a gente precisa ter em mente é a questão da diversidade e o respeito dessa diversidade que se estabelece a partir das relações étnico-raciais estabelecidas nos ambientes escolares né então o racismo se faz presente em todos os espaços se faz presente entre as as crianças se faz presente também entre os adultos que que estão vivendo esses momentos também se faz presente nessa relação assimétrica do adulto com a criança Ah agora o que nós temos vivido vivido na sociedade eu acho muito positivo é um letramento racial uma consciência racial muito maior em que os pais das crianças negras têm educado seus filhos para não serem mais vítimas do racismo e não fazerem mais aquilo que se fazia no passado de ficar quietinho calado porque a gente sabe que adoece que machuca que magoa Então hoje nós vivemos o seguinte momento os pais os familiares de crianças negras ensinando pros seus filhos né quem eles são qual origem e também ensinando a denunciar as práticas racistas que eles possam vir a sofrer eh quando você pergunta assim dessa diferença que existe né e entre crianças pretas uma escola particular crianças eh e pretas numa escola pública vai muito daquela relação que essa escola estabelece com uma lei que é de 2003 que é a lei 10.639 essa lei é de extrema importância para nós para nós enquanto país não só para nós pessoas pretas ou só para nós pessoas negras ou só para nós pessoas brancas é importante pro país eh essa questão do racismo é uma questão do país não é uma questão de única e exclusivamente do segmento branco ou única e exclusivamente do segmento negro é uma vergonha nacional que a gente faz com pessoas essa desumanização das relações e quando a gente Traz essa questão da lei 10639 que a dificuldade é enorme ainda de se trabalhar mas é uma lei de 2003 é uma lei federal que ela trata para nós aí tanto da história da Cultura Africana e afro--brasileira mas ela traz para nós também as possibilidades de mostrarmos pros nossos jovens negros e também pros nossos jovens não negros Quem são os nossos heróis e heroínas nós estamos aqui no mês de novembro né Eh e mês de novembro a gente sabe que as escolas transformam Eu costumo dizer assim olha chega novembro as escolas transformam escola no quilombo E aí ressuscita zumbi dandá co tiene nós não podemos fazer isso un exclusivamente no mês de novembro lembro nós precisamos retomar toda essa história ao longo do ano de maneira pulverizada trazer outros heróis e heroínas luí maim luí Gama Teresa de Benguela são personagens que precisam transitar no nosso dia a dia com toda a potencialidade e com todo o orgulho que a gente tem né por essa luta eh de humanização de copos negros né que a gente vê hoje assim muitas das vezes sendo relativizada sim no seu ponto de vista né você fala quando você diz da educação que os pais hoje estão repassando aos seus filhos e contando a história né do Povo Preto né Eh antes vamos colocar assim na minha época na sua época eh os pais eles eram mais um pouco Eh vamos colocar assim eh reprimidos em falar da história do Povo preto e qual no seu ponto de vista o que trouxe essa mudança né Essa mudança e essa essa aceitação da própria pessoa preta de falar sobre a história da sua origem eu acho que a gente tinha outras prioridades né sobrevivência por exemplo tem algumas famílias até hoje que esse não vai ser o assunto ali da mesa o assunto da novela porque ela tem outra prioridade né você precisa sobreviver você precisa pensar no que você vai comer né ah quando a gente tem essa essa ligação muito forte com a nossa ancestralidade ela também vai se fazendo presente de uma maneira que você começa a observar que toda a sociedade tá vivendo esse momento de mudança então assim movimento os movimentos negros porque a gente pode né unificar o movimento negro mas quando eu Drago assim os movimentos negros eles também trabalharam muito para isso e hoje a gente tem o próprio estado se colocando então quando a gente diz aqui olha que a nossa lei complementar Municipal 250 foi em 2019 é uma mudança muito grande porque eu tô falando de um procedimento que tá relacionado não a uma política de governo porque na época nós estávamos governo Jonas as cotas continuam no Dário né no governo Dário eu tô falando de uma política de de Estado então eu tô falando aqui que a situação veio para ficar por 10 anos e depois desses 10 anos nós vamos rever né eh e aí a gente precisa trazer para as pessoas essa dimensão da potencialidade que se tem em se assumir negro nesse país Porque até então era algo vexatório era vergonhoso eh e também não era muito trabalhado para as pessoas nós não tínhamos isso presente na M as pessoas tinham vergonha dos seus cabelos né Então hoje você tem todo um Arsenal aí voltado para que se sinta orgulho para que você se coloque enquanto uma pessoa negra e aí com todos os direitos e de uma maneira muito altiva né o mês da consciência negra ele tem esse papel de marcar isso de você trazer pessoas negras que estão numa colocação num posição em que demonstrem orgulho de quem elas são e a gente precisa trazer isso não só para esse mes a gente precisa trazer isso de uma maneira muito mais focada nos nossos Outdoor nas nossas mensagens no espaço que a gente tem dado para essas pessoas negras e não precisa ser única e exclusivamente em novembro né a gente tem datas de extrema importância por exemplo dia 21 de Março 25 de julho dia da mulher negro latinoamericana e caribenha dia de Teresa de Benguela a população precisa saber dessas datas né porque a maneira que a gente tem de conhecer a verdadeira história do Brasil né não a história que nos foi contada e a gente sabe que quem contou onde estava quem era e qual era a intencionalidade de passar aquela realidade mas a gente tem outras realidades aparecendo porque nós temos inclusive pessoas negras na universidade e fazendo a pesquisa e através dessa produção acadêmica trazendo outras realidades que para nós sempre foi negada muito bem agora falando né você falou Universidade a gente continua falando sobre escola e do medo né Eh é Real o medo de muitos alunos estudiosos de que eh o profissional né ven a sofrer discriminação no mercado de trabalho por ter sido cotista na universidade isso acontece isso tem chances de acontecer qual que é seu ponto de vista sobre eh eh essa essa situação eh existe eh todo um cuidado quando a gente trabalha pelo menos aqui em Campinas né nas autarquias e nas Fundações que TM cotas raciais que já fizeram o concurso nós fazemos o uma um momento de sensibilização né Eh dess dessa dessa instituição levando em consideração que ali nós teremos cotistas ali nós teremos pessoas que fizeram opção de ter ali o seu direito garantido através das cotas aais é uma legislação então em nenhum momento a gente pode é deixar se levar por essas considerações que são considerações racistas porque se eu chego e faço uma piadinha ah entrou pela porta de trás ou algo do tipo eu estou sendo racista assim como é racista aquela pessoa que é com outras cotas é uma reprodução do racismo estrutural por quê Porque não é nenhum demérito na verdade a gente tá aí aí eh tendo a garantia de um momento que para nós não foi extremamente significativo como a gente coloca que foi Abolição né porque não se preveu eh não não tinha nenhuma previsão naquele momento em em estar colocando as pessoas em condições melhores muito pelo contrário elas foram ficando em condições muito mais eh sofríveis né em condições muito mais eh dignas de de de e não terem ali o respaldo do próprio Estado então se a gente tem aí hoje essa situação eh que é muito bem colocada que tá muito bem respaldada por lei cabe aos gestores desses espaços cabe aos servidores desses espaços assim como a gente sabe que cabe na universidade toda uma discussão dizendo que não é uma questão de Privilégio é uma questão de direito é uma questão inclusive que vai trazer uma diversidade muito M grande eh que é uma diversidade que a gente não tinha antes representada nos Bancos das Universidades principalmente das Universidades públicas né então como é que você entra numa sala e vê ali uma sala que tenha lá 70 alunos e você tem um ou dois alunos negros não traz a representatividade do país então é muito tranquilo esse debate para nós né Acho que já está superado Inclusive eu sinto que hoje você tem uma população muito mais ciente mais favorável às cotas raciais pensando nesse lugar de que a pessoa que está ali ela tem o mesmo conhecimento a mesma capacidade do outro ela só vai ser alçada dentro dos 20% que lhe cabem então se você tem por exemplo uma lista de ampla concorrência eh 10 vagas você sabe que duas vagas serão ocupadas pelas pessoas negras certo e as outras continuam sendo ocupadas pelos outros não negros ou mesmo negros que não quiseram se autodeclarar muito bem Ah e a gente continua falando né aqui sobre eh essa heteroidentificação e eu gostaria de saber de você Qual que é a relação que você faz entre ProUni e o programa de cotas você acha que o proon ele tem eh eh o a a as pessoas elas têm se aproximado mais da Universidade Elas têm buscado mais esse pro uner tem ajudado Essa questão aí e que de repente a pessoa entra e eh nessa na para concorrer né participar das cotas não consegue por um motivo ou outro aí tem a opção do ProUni você qual a relação que você faz entre ProUni e as cotas a questão do acesso né Rubia porque se eu tenho aí é uma família com muito mais dificuldade financeira e essa família tem a oportunidade eh de ter seu filho ver seu filho numa universidade através do Pr un você tem um acesso que tá presente e tá levando em consideração as suas condições financeiras né porque esse aluno tá naquela situação a gente sabe que a universidade desde desde que chegou aqui no Brasil né Eh sempre foram as pessoas com muito mais privilégio social que faziam parte desses espaços né a gente sabe muito bem que a cota do boi existiu lá no passado e ninguém fala nada eh a gente sabe muito bem que os os militares até então também tiveram cota ou seja as cotas se fazem presente na sociedade e tão aí ainda até hoje por quê o segmento não negro nunca fez parte e nunca pleiteou fazer parte desses D dessas desses espaços né do espaço acadêmico por exemplo ou mesmo no serviço público mas se hoje a gente tem aí né uma legislação que garante as cotas sociais essas cotas raciais elas eh incomodam por ter inclusive esse nome raciais nós vivemos num país que nega né Eh o seu racismo estrutural se você sai perguntando pras pessoas olha Vivemos num país racista todo mundo vai concordar com você Vivemos num país racista eh você se acha racista não Eu não me acho racista é essa a resposta que a gente tem mas como é que a gente vive num país racista e tem uma grande dimensão de pessoas que se colocam eh nesse ponto de vista que o nosso país é racista e porque um número diminuto de pessoas se colocam enquanto sendo não sendo racistas então o racismo d na árvore como é que é essa relação uhum as pessoas confundem muito racismo com injúria racial não é pelo fato de eu não chamar o outro de macaco por exemplo que é um termo injurioso mas é um termo extremamente usado quando eu me sinto eh eh perturbado ou passado para trás ou numa condição em que a pessoa negra ela precisa ser ferida eh na sua estrutura e no seu emocional então assim a gente sabe que é um termo injurioso né E aí eu vou falar assim olha eu até tenho amigos negros quando eu uso esse até já tá dizendo que você tá deixando o seu preconceito a sua discriminação vira tona porque eu tenho amigos você não diz eu até tenho amigos brancos Eu até tenho amigos amarelos Você tá entendendo então o nosso país Ele Vive eh numa situação em que a gente tem caminhado a Passos largos mas as práticas fascistas ainda se fazem presentes né Eh e E assim a reprodução dessas práticas racistas também se fazem presentes O que que a gente quer a gente quer coibir né a gente quer na verdade que as pessoas tenham condições de serem antirracistas né que tenham condições de saber que aquela prática que ela acabou de de fazer é uma prática não não Interessante não aceitável que ela foi racista E é só levantar mão Opa aqui olha cometi uma prática racista peço desculpas preciso me rever muito bem bom gente a a lei de cotas é fruto da Luta dos movimentos negros e de outros movimentos sociais né pelo acesso ao ensino superior ao longo dos anos eles se uniram a pesquisadores parlamentares e órgãos de controle para garantir que no devido tempo a revisão da Lei de cotas se efetivasse né para melhorar para aprimorá-la eh o ano passado 2023 foi sancionada uma nova lei de cotas ficou diferente um pouquinho né e assim a gente vai aprimorando a gente já tá quase Encerrando o nosso bate-papo aqui no ponto de vista você vi que passou muito rápido eu gostaria que você deixasse aqui as suas considerações finais e se puder também falar desse dessa desse aprimoramento que vem acontecendo no decorrer dos anos né a gente vai ajustando aqui pega a lei dá uma olhada vê o que que pode ser ajustado vai se ajustando qual que é o seu ponto de vista sobre esses ajustes que vê acontecendo e as suas considerações finais para os nossos telespectadores e em primeiro lugar agradecer o espaço né ru eu acho que muito importante quando a gente traz temas como esse que são temas polêmicos né em relação às cotas saciais e o procedimento de hter identificação eh e não é o momento que as pessoas precisam lá e mostrar que elas são negras muito pelo contrário é um momento que a gente assegura que realmente esses 20% de vagas serão destinados a pessoas pretas e partas eu acho que isso precisa ficar pra população de uma maneira geral entender mas também eh trazer pra gente eh que nós só temos ganhos com essas com advent das cotas sociais né então a gente vê nas escolas um número maior de professores o número maior de agente de educação infantil trazendo toda a sua contribuição pessoal histórica cultural para essas nossas crianças que muitas das vezes se vem ali identificadas naquele tio naquela tia naquele Professor naquela professora que tem a tonalidade da pele parecida com a sua sim que tem o seu cabelo crespo e gosta do seu cabelo crespo enfim o ganho que a gente traz quando nós temos um ambiente muito mais diverso né e levar em consideração à diversidade desse país eh eu sempre digo paraas pessoas que assim eu sou professora de Formação né então a gente sempre viu nos Espaços eh as pessoas chegando as famílias chegando as mães chegando e nós tínhamos os espaços destinados e não é nenhum demérito mas o tio da cozinha eh a tia da cozinha a tia da limpeza o tio do portão sempre pessoas negras que tem ali sua referência não pelo nome inclusive e sim pela sua função é o tio do portão e o tio do portão tem o nome e esse tio do portão é uma pessoa geralmente Negra preta ou parda E aí a gente vai para outras instâncias mas também nesse mesmo espaço escolar você tem a coordenadora o diretor a professora enquanto pessoas brancas T dos seus nomes citados né Isso faz uma diferença enorme então quando a gente tem também naquele espaço é que você tem ali uma gestora uma equipe gestora é que tenha uma pessoa negra ela vai trazer um diferencial para aquela para aquela escola para aquele ensino para aquela maneira de olhar a comunidade para que ele trato com a comunidade porque é um pertencimento que lhe cabe né E ali também tem é a questão da representatividade se a gente quer realmente mudar o país a gente precisa ter uma noção exata de que precisamos trazer essa representatividade pras nossas crianças e pro nosso futuro de um país muito mais justo e muito mais equânime muito bem essa foi Jaqueline Damázio a Jaqueline ela é gestora deixa eu ver aqui gestora de referência em Direitos Humanos na ão e combate ao racismo discriminação religiosa também Nossa que bom ter você com a gente aqui e Que rico né o nosso ponto de vista além de você expor o seu ponto de vista você também trouxe aí informações riquíssimas pra gente levar para essa vidona Tá bom então quero agradecer você obrigada pela sua participação tudo de bom e foi muito bom conversar contigo aqui no nosso ponto de vista É isso aí gente ficando por aqui e claro né a gente sempre se vê aqui na TV Câmara Campinas se você quiser rever este ponto de vista pode acessar lá está no YouTube tvcâmara Campinas tudo de bom para você um ótimo dia [Música] [Música]
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