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PONTO DE VISTA - EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA
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PONTO DE VISTA - EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA

585 views Publicado 02/11/2024 HD · 46:55

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Olá estamos começando o nosso ponto de vista e Hoje vamos falar sobre a educação antirracista para conversar com a gente expor o seu ponto de vista nosso convidado de hoje é o historiador professor Natanael dos Santos seja bem-vindo Professor Obrigado estou muito honrado de estar aqui com você com todos discutindo a respeito da educação antiracista é um prazer falar sobre esse tema muito bem vamos lá olha não ser racista é importante mas será que basta para educadores escritores e artistas é preciso ir além e combater o racismo estrutural a para isso seria a educação antiracista aqui no Brasil no dia 9 de Janeiro do ano de 2003 foi publicada no Diário Oficial a lei que mudaria as diretrizes e bases da Educação Nacional estabelecendo a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas primeiramente aprovada no ano de 99 a lei foi proposta como uma das Ferramentas para se construir uma educação antirracista no Brasil de forma a resgatar a contribuição da população negra na história do país mais tarde em 2008 foi publicado o texto que incluiria também o ensino de cultura indígena Professor concorda que o racismo no Brasil é um sujeito oculto Ou seja a maioria dos brasileiros reconhece o racismo mas não se diz racista com toda a certeza o brasileiro ainda não conseguiu assumir que o nosso país é um país preto ou negro como queiram porque o IBGE ele deixa muito claro 56% da população brasileira é afro-brasileira os que se declaram porque tem muita gente que é descendente de Africanos de pretos de de negros e diz claramente que não é se todos nós declará-la do continente africano Ou seja afro-brasileiro é a gente sabe que o racismo está enraizado nos sistemas sociais e a educação antirracista ligada ao processo de ensino e aprendizagem também então qual que é o ponto de vista do professor sobre a abordagem da história dos negros em sala de aula né as referências visuais que a gente tem os materiais disponíveis no ambiente escolar reforçam o fato reforçam de fato Aliás a inclusão né mas será mesmo que existe essa inclusão qual que é o seu ponto de vista sobre essa inclusão que é de H muito tempo atrás mas que não tem sido visto Principalmente nos livros de história pois bem eu creio num caminho que é um caminho muito tranquilo muito fácil e Libertador Por que Libertador porque a informação liberta e nós os afros brasileiros o povo brasileiro inform ação de quem somos nós nós os negros que viemos oriundos do continente africano a nossa perspectiva no Brasil não foi de escravo foi de escravizado pelo nosso conhecimento Além Mar o continente africano é rico com datas importantes para o mundo datada de 5 10 20.000 anos antes de Cristo Então a primeira coisa que a educação antiracista deveria propor é informação de quem somos nós e trazer um papel assim o negro no Brasil ele veio para ser colonizador intelectual porque quando você fala em plantação do café sistematizado lá pelo ano de 1700 quem plantava quem fazia todo o processo do plantil e do enxerto o negro Quando você pensa em Minas de ouro pelo Brasil afora quem estava na frente o negro quando você fala em navegação e pesca quem estava na frente o negro então o negro Ele veio para cá como colonizador intelectual isto a gente não fala e a gente também determinou que ele era escravo nunca foi escravo foi escravizado pelo seu conhecimento do momento que eu me menino negro na escola o professor negro ou não negro recebe uma informação dessa que começa a mudar o conceito e o olhar por exemplo eu sou menino preto fui o menino preto e na escola eu tinha apelidos apelidos horrorosos meu cabelo por exemplo era chamada de palha de aço só que na verdade o meu cabelo é um diferen porque no idioma banto o meu cabelo é Carapinha na língua portuguesa crespo mas por quê Porque no continente africano 45 50 g o cabelo crespo que enrola no couro cabeludo faz uma proteção natural e hoje os cientistas que trabalham na área do cosméticos atestam é o melhor cabelo do mundo por um acaso é o meu assim eu não aprendi isso na escola e nem na minha casa a minha formação nasal sempre foi motivo de chacota brincadeiras Horrorosas mas eu não tenho a formação nasal chata eu tenho a formação nasal Baixa porque continente Africano 45 50º a formação nasal baixa possibilita eu transformar o ar de 50 g na temperatura ambiente do corpo em frações de segundo isto me dá uma respiração perfeita e uma explosão muscular fantástica que é a prova disso os maiores velocistas de todos os tempos negros foram ação nasal baixa explosão muscular fantástica se eu tivesse aprendido isso na escola ninguém ia falar do meu nariz assim como minha boca se eu tenho a boca grande mas por que você tem a boca grande porque no continente africano faz 45 50º mas tem regiões que chega a fazer exatamente 10 5º negativo por isso que eu tenho a boca grande porque aqui ó tem uma gordura térmica faz frio fica frio faz calor fica quente não sofre em temperes e a minha pele eu sou preto gente mas por que eu sou preto excesso de melanina a melanina que me deixa Preto o preto não reflete a luz do sol ou não absolve a luz do sol queima menos eu tenho 69 anos eu estou brigando com as rugas pequenas que está aparecendo agora você percebeu que essas informações lá na escola lá dentro daquele ambiente escolar ia fazer uma grande diferença para a minha criação para a minha educação você percebeu só que nós não temos essas informações Então eu tenho o cabelo na minha época era palha de aço veio meu filho Bomb briu meu neto agora é Assolan por isso existe preconceito eu não tenho dúvida mas ele tá lincado muito mais à falta de informação e que a nossa diferença não faça a menor diferença desde que se recebemos informações informações essas tão preciosas que nós estamos recebendo aqui no ponto de vista conversando com o professor e Historiador Natanael dos Santos quanta informação né olha as referências visuais e os materiais disponíveis no ambiente escolar reforçam de fato a inclusão a igualdade e o respeito dessas diferenças como o professor falou também havia dito antes né A questão dos livros eu vou dar um exemplo aqui pra gente poder contextualizar Professor muito bem essa sua fala anterior né Eh você já reparou que em alguns livros né de de início aí de Educação de escola né de aula as crianças elas encontram figuras que mostram uma criança negra na praia é isso mesmo você já viu em algum livro Uma Criança negra na praia é equívoco meu ou as abordagens são em situações que mostram nós negros na maioria das vezes em situação de Sofrimento tenta fazer aí uma linha do tempo lembra do seu livro de escola então se o modelo que a história traz é negativo como que se tem rendimento de Educação antirracista na escola Professor seu ponto de vista sobre os nossos livros sobre a a a educação de base né o que vem na escola Senhor me corrija Se eu estiver errada eu me lembro na escola sim que quando tinha a figura de negros era sempre nessa situação eh de tristeza de sofrimento e o senhor acabou de falar aqui pra gente uma situação maravilhosa de ser negro né e uma posição diferente do que a gente aprende na escola então sobre os livros sobre a base da educação seu ponto de vista por favor eu sempre ao foliar os livros dos meus netos dos meus filhos eu sempre questionei como você pode educar uma criança preta trazer autoestima para a criança preta ou negra se ela não está inserida no contexto do material didático ela não tá inserida na matemática ela não tá inserida na educação física ela não tá inserida aonde no momento de lazer a praia ou um shopping tudo que você vê tudo que você observa para a formação para o aprendizado para o letramento o menino preto não tá o menino negro não está tá sempre distante qual referência eu tenho para meu fortalecimento para o meu entendimento eu não tenho porque eu não sou referência vou repetir de novo oficialmente 56% da população é preta pois bem se 56% é preta no mínimo 30% do material didático teria que aparecer eu como protagonista não como o bicho feio o patinho feio tudo feio tudo negativo referente a mim por exemplo você quer ver qualquer coisa referente ao gari tem um caminhão com um monte de gari preto não estou dizendo que ser gari é humilhante não é mas vamos equilibrar dois gari negro dois branco não só negro Quando você pensa que você olha lá no seu livro falando sobre o meio ambiente sobre as comunidades você vê quem lá menino preto você não vê o equilíbrio meio a meio isto dificulta o meu entendimento para ser um ser humano com dignidade com aprendizado me deixa muito distante de quem eu sou e tem uma outra coisa muito importante mesmo os nossos heróis os nossos heróis nos nossos livros não são negros é Duque de Caxias é tira dente tudo gente Branca os bandeirantes as homenagens que os materiais didáticos fazem Aos Bandeirantes é imensurável e não cita preto não cita por exemplo Machado de Assis não falam de jeito nenhum de Adalberto Nascimento não falam de maneira alguma de uma mulher preta a mulher que transformou a educação uma a primeira deputada negra da nossa história Antonieta de Barros os nossos livros não citam ela como uma mulher que deu uma guinada na educação do Brasil Então a menina preta também não tem referência o menino preto não tem referência aí dizem para mim assim Natanael você tá reclamando à toa no livro Tem sim gente preta tem o Pelé sempre aparece tem os cantores de rap tem os cantores de samba tá ótimo gente isso é maravilhoso mas eu quero os cientistas eu quero os intelectuais sabe que eu quero olhar lá no meu livro e ficar Maravilhado com o cara que escreveu a independência do Brasil Lima Barreto Cadê esse cara da minha referência então eu não tenho André Rebolsas eu não tenho gostaria de ter também porque eles existem eles existem eles existiram eles transformaram em algum momento a história do país e eles não aparecem no meu material didático e como fazer né no seu ponto de vista professor para se trabalhar essa educação antiracista que já tem mais de 20 anos que foi inserida aí por lei se trabalhar ela se na história tem momentos maravilhosos do Povo preto que foram deixados de lado eu tenho uma solução que eu falo isso constantemente primeiro eu acho que o poder público precisa começar a olhar olhar para quem Para a população de um modo geral aí fazer um foco um filtro professores eeducação fazer o que com esses professores formações muitas formações E aí você trabalhando o professor O professor vai começar a olhar o material didático que temos ele vai falar eu não quero eu não quero porque eu fiz uma formação de africanidade eu fiz uma formação de letramento e cadê o povo Preto para eu dar aula a respeito não tem então o próprio professor vai começar a pedir uma material que fale que contribua que faça a educação melhor nós precisamos que os prefeitos os secretários de educação des desse pontapé inicial pensando não em nós agora mas pensando no futuro nas crianças trazer uma autoestima trazer informações através do quê da educação porque a educação ela é Libertadora a educação Ela traz informações que possibilita você se entender melhor e se enxergar Eu acredito na formação para professores primeiro e depois o material didático à altura e que não fale só de negros precisa falar de negros indígenas e ciganos porque a lei determina isso sair da zona de conforto que o professor tem de pegar o material quadradinho e fazer aquele arroz com feijão todo dia precisamos ampliar mas primeiro nós precisamos de dar ferramenta para o professor e essa ferramenta só vem do poder público é uma pesquisa promovida pela plataforma digital nova escola no ano de 2022 evidencia que a educação é uma peça essencial para combater o racismo estrutural em direção à construção de uma sociedade com mais Equidade 98% dos educadores acreditam que a educação antiracista é importante essa pesquisa também mostra que 85% dos educadores sabem que desde 2003 existe uma lei que tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira mas 60% não sabem ou afirmam que não tem nenhum investimento que apoia o professor a levar o tema para a prática a pesquisa também ouviu 1847 profissionais de educação em todo o país dos quais metade respondeu que se que presenciou aliás ou foi vítima de situações de racismo nos últimos 5 anos na escola onde trabalha Professor qual que é o seu ponto de vista sobre o resultado dessa pesquisa é algo que casa muito tem um gancho um gancho aí com a sua resposta anterior né mas os professores que também são vítimas né do racismo agora precisam trabalhar com o conteúdo antirracista como é que fica a questão da Saúde Mental desses professores que viveram todo esse tempo sendo vítima de racismo e agora eles precisam trabalhar Os Pequenos aprendizes na estão aí da educação antirracista um pouco controverso é é difícil né o psicológico pira e entra em conflito Mas o que o que ocorre de verdade eh a gente tem que est sempre lincado a linha do tempo esse professor que sofre eh ou sofreu preconceito ele precisa sempre olhar a linha do tempo para falar pro colega para falar na classe que só tem 136 anos da Abolição só 136 anos da Abolição por exemplo um exemplo vivo aqui eu 69 anos papai estivesse vivo teria 89 o vovô pai do papai 12 26 anos o meu bisavô 150 escravo é simples assim só que a gente não faz essa linha do tempo por isso que o preconceito Ele só poderá ser combatido com informações eu não estou falando que você tem que ficar eh refletindo e pensando no período da escravidão não é isso que eu tô falando tô falando trazer informações sent de 36 anos pois bem eu sou a quarta geração se você quiser me chama de quinta geração livre pois bem aí em 1945 o negro teve direito à liberdade total para ir até a escola estudar livremente sem carta de apresentação tivemos uma outra lei que o negro poderia também estudar mas só que essa lei foi em 1885 ia estudar o quê hum impossível mas o que nós precisamos tá sempre nessa nesse fio da linha do tempo é quanto tempo o povo negro o povo preto do Brasil tem direito a e com outro detalhe tudo tudo tudo tudo foi negado para nós engraçado que quando vem o O imigrante ele vem com apoio do seu governo apoio do Brasil e eles se põem aqui no Brasil como colonizador e nós que viemos com a tecnologia com todo o conhecimento nosso escravo aí você quer o que de mim pense bem Me responda o que que você quer de mim em 136 a quinta geração de homem livre que que você quer de mim eu não tive terra não tive eu não tive escola todos os outros imigrantes tiveram escolas para os seus filhos cita para mim uma escola assim escola para filhos de escravizados aonde você viu não tem então a nossa lida é muito é difícil então como você pode me discriminar Como que você pode fazer qualquer brincadeira pejorativa ao meu respeito se você não consegue compreender que a liberdade chegou para o meu povo só faz 135 6 anos mas sem nada ninguém me deu escola ninguém me deu terra ninguém me deu emprego não se simplesmente Liberdade rua rua rua aí nós temos o quê os mucambos as favelas as comunidades o subemprego aí tem essa lei 10.639 que é para mudar mas você que me discrimina você não percebeu que você filhos de imigrantes bisnetos de imigrantes você teve direito à Terra Ah mas meu vô perdeu não é problema meu sabe por quê Porque o meu avô não teve terra o meu tataravô não teve terra não teve nada o seu teve incentivo então você tem que olhar pensar que você tá sabe aonde entre uma Muralha do saber aonde você tá mesmo numa comunidade de escola você pega um diamante bruto e vai lapidar ele como que você vai lapidar dar um diamante bruto preto se você não gosta de preto Então eu acho que a educação não é o seu lugar quem discrimina um professor Preto um aluno preto na área da Educação Eu costumo dizer tranquilamente eu acho que não é o seu lugar você tem que procurar outra função porque você está lapidando vidas historiador e professor Natanael dos Santos que aula nós estamos tendo aqui no nosso ponto de vista estamos falando da educação antirracista uma lei que já perdura aí por mais de 20 anos e que pouco se vê e pouco se fala nas escolas tanto estaduais municipais ou escolas par particulares também nós vamos para um breve intervalo professor e daqui a pouquinho nós Voltaremos falando é de como a família pode ajudar nessa reestruturação e também na explicação da vida na explicação dos antepassados na explicação do que é ser o povo negro daqui a pouquinho depois intervalo mais ponto de vista para você [Música] [Música] nós estamos de volta com o nosso ponto de vista hoje falando sobre a educação antiracista algo que já é lei há mais de 20 anos e você tem visto na escola do seu filho essa educação Então quem está debatendo esse assunto com a gente é o historiador e professor Natanael dos Santos que está aqui expressando seu ponto de vista e também trazendo informações preciosas pra gente e informações essas que às vezes a gente não aprende na escola viu É isso mesmo para reforçar o que o professor falava no bloco anterior um dado que chama atenção é que em seis em cada 10 professores não sabe ou afirmaram não ter nenhuma referência da pedagogia africana ou afro brasileira na sua prática escolar e apenas um em cada 10 profissionais citam eh referências pedagógicas isso naquela pesquisa que nós falamos na na no bloco anterior e isso também reforça né e o que o que o professor eh disse também no bloco anterior Porque nós não temos aí eh referências pedagógicas do povo negro né da história eh africana agora nós vamos falar dos educadores né Como incluir uma educação antiracista nas escolas Você concorda que esses professores precisam passar por uma formação específica mas professor para que os educadores passem por uma formação específica é preciso investimento em um novo sistema ou um uma nova forma de educação que seria a educação antirracista a lei diz vamos aplicar a educação antirracista mas para aplicar esse educação é necessário investimento no seu ponto de vista essa lei perdura há mais de 20 anos por ela ainda não foi aplicada por inteiro em todas as escolas primeiro eu é até repetitivo o poder público não olha com um olhar verdadeiro para os afros brasileiros não olha tanto perceba você lei 10.1000 e um decreto do Tribunal de Contas ó o Tribunal de Contas está cobrando a ação afirmativa dos Municípios do Estado a respeito da aplicabilidade da Lei 10.000 mas não cobra assim que é que é documento que está acontecendo essas formações agora se um povo 56% é preto ou negro você acha que precisa de dessas instâncias todas cobrarem não precisava mas também tem uma outra questão o o o convívio do professor ele sempre fala que não tem racismo Ele sempre fala que somos todos iguais Ele sempre fala que está tudo certo mas ele não consegue olhar o outro ele não se coloca no lugar do outro quando ele é afetado aí ele se coloca porque assim você quer ver se você é racista de verdade a sua filha que nem na escola pública estudou Porque você quer que ela estude na escola particular você que dá aula na escola pública sua filha estuda na escola particular aí ela chega com o menino negro na sua casa para namorar aí você vai ver aí você vai sentir você vai falar não para mim não vai ter problema ótimo Pago para ver por quê Porque aí te afetou aí pense bem que o seus netos vão ser afro brasileiro pense bem aí você vai ter que se mexer porque você não vai querer que os seus netos passam por dificuldade como o seu gerro você vai mudar mas não precisa disso não precisa disso O que precisa realmente é Nós seres humanos tomarmos consciência que nós somos seres humanos e que a minha etnia não muda nada que a minha pele não muda nada você educador precisa focar nisso não que você Eu estou aqui profetizando que a sua menina muito branca muito loira os olhos azuis vai encontrar o negro mas pode encontrar e a sua humanidade não pode ser a partir de tem que ser muito antes porque você é educador você é formador você precisa estar inserido no contexto eu tenho uma imagem minha de menino forte mas muito forte eu estudei no distrito de Joaquim Egídio numa escola rural multiserial a minha irmã nunca carregou os livros e a bolsa da professora muito menos eu só as crianças brancas que que é isso e nas creches que eu ando por esse Brasil afora eu tenho relato de mulheres cuidadoras de criança de bebê que não lava criança preta não penteia o cabelo da criança preta que que é isso eu tô falando do Brasil que que é isso então a gente não precisa chegar nisso para se tornar isso a gente nós somos seres humanos nós temos que começar a trabalhar isso agora já no nosso interior porque a educação transforma e a educação liberta educadores poder público a su cidade não é de europeu a sua cidade tá inserida com os afros brasileiros também os asiáticos os europeus todos mas tem um olhar para o povo preto que precisa precisa da compreensão e do discernimento do poder público para melhorar essa situação tão diferenciada não adianta você falar eu Natanael dos Santos sou um dos fundadores do núcleo de estudo afo brasileiro da Unicamp não não é isso não é não é o Natanael tem muito outros Natanael que não teve a possibilidade de estar na Unicamp eh da com a a a objetivo de ajudar a criar o núcleo de estudo afro-brasileiro da Unicamp Isso foi em 1987 fui discriminado a bessa mas não deveria né Afinal de contas uma universidade pública não é mas a falta de informação para nossos educadores nos leva a isso A discriminar em função da minha cor muito bem Professor Historiador Natanael dos Santos com a gente aqui no ponto de vista Hoje nós estamos falando né sobre a educação antirracista nós estamos falando dessa educação antiracista que por lei ela precisa ela deve ser inserida nas escolas lamentável né ter uma lei para inserir uma educação antiracista nas escolas e mais lamentável ainda mais de 20 anos essa lei e ainda não temos aí 100% das escolas com essa educação antirracista mas a gente sabe que a educação dos filhos não depende só da escola educação dos filhos começa na nossa casa Professor gostaria de saber o seu ponto de vista referente a educação dos filhos eh de acordo com a veracidade do Povo preto o que se explica como se con o que se diz em casa a gente leva pra vida no seu ponto de vista os pais eles vamos colocar um aspas erraram ao omitir a história real história do povo negro ou eles contaram o que eles aprenderam menina isso é muito polêmico sabe por porque eu ouço muito menino eh aquela história assim é coisa de preto eu sou filho de um pastor evangélico e e o papai não me ensinou as coisas que eu precisava aprender as coisas de preto do Samba do Pandeiro do banjo do Bandolim do reco-reco das Letras das Poesias que você encontra na música de preto de Clementina de Jesus Geraldo filme você você não aprende isso porque é coisa de preto e tem uma outra coisa que me preocupa muito é por ser coisa de preto está inserida no contexto da vulgaridade que falam do preto o pai prefere que o que o filho faça coisa que não seja de preto por quê Porque não sabe o que é coisa de preto não sabe a história do Samba não sabe a história da cuica não sabe a história do Povo Preto a nossa contribuição para a sociedade é algo infinitamente gigante por exemplo o papai não sabia que o semáforo invenção de preto papai não sabia o papai também não sabia que o ar condicionado é coisa de preto papai não sabia papai também não sabia que o melhor e o maior pneumático da da humanidade que são as rodas do trem a perfeição absoluta é coisa de preto então é muito difícil a gente lidar com a coisa de preto porque só mostram a coisa de preto negativa quer ver serviço mal feito serviço de preto eu não quero ser preto cabelo ruim coisa de preto quero alisar meu cabelo sabe não tem uma uma uma alusão firme Coesa da nossa capacidade Universal primeiro transplante de coração do Brasil não do mundo preto OB bisturi Preto então a gente não tem essas informações tão maravilhosas da nossa contribuição então é difícil você lidar com uma criança e um pai que não tem essas informações para trazer a autoestima para o teu filho capoeira capoeira é algo Fantástico é maravilhoso mas na minha faixa etária era coisa de vagabundo E na verdade a capoeira é uma junção de duas danças africanas zebra e nango e aqui no Brasil não tem o nome nem de zebra E nem de nango por quê Porque o negro quando fugia ele ficava deitado na capoeira a tradução da palavra capoeira do Tupi para a língua portuguesa é matur ralo então pai não sabe então o pai tem medo de deixar o filho jogar capoeira brincar capoeira Aprendeu o toque do birimbau mas o que que é o birimbau o papai não sabia assim como milhares não sabem também e não sabem hoje então meu filho não vai jogar capoeira meu filho vai pro judô meu filho vai pro karatê gente então a falta de informação ela ela nos destrói de uma maneira tão grande tão forte porque a gente fica margens quem eu sou eu não sei quem eu sou agora se lá dentro da minha casa o papai soubesse do meu cabelo o semáforo a navegação a o ar condicionado o refrigerador de preto só isso já já me daria um fôlego monstro Ah mas não é só o meu do menino preto o menino branco ia olhar para mim e falar nossa como vocês Preto São importante Ele só tem referência minha negativa e que eu sou bom de bola ah e também tá acabando hein tá acabando aqueles meninos negros que explodiam que já não tá mais por quê tem uma indústria levando outros outras etnias para o futebol indústria forte em função do dinheiro e o menino preto tá FIC cano para trás quer ver eu canso de encontrar no Brasil professores de educação física brancos dando aula de capoeira dentro das melhores escolas por quê Porque ele fez educação física o menino preto não conseguiu fazer Educação Física então nós temos que entender esse contexto que coloca o negro um contexto marginalizado e na verdade nós não somos fecha os olhos educador fecha os olhos pai e pense na cidade de Campinas sem semáforo e toda vez que você abriu o olho você pensa que foi o negro que fez porque foi o negro que fez foi o negro que inventou pense bem você que está no ar condicionado pense bem se não fosse um negro nós não teríamos você que gosta de tomar sua cerveja seu refrigerante você abre a sua geladeira tá lá estupidamente gelado fo o negro que inventou isso S então nós temos que ter essa essa transparência da contribuição do negro para a sociedade brasileira não Mundial nós não temos Nós não sabemos então fica muito difícil um pai virar pro filho e falar filho usa Black não corta o cabelo corta esse negócio esse negócio tá ridículo por quê Porque a sociedade não fala que o nosso cabelo Carapinha no idioma manto tradução para a língua portuguesa crespo é o melhor cabelo do mundo segundo os cientistas que trabalham na área do cosmético se o pai soubesse disso seu papai soubesse disso ah vá é E aí nós temos Em contrapartida uma lei que obriga né a educação antirracista nas escolas esse ponto de vista fica com ponto de interrogação para você pensar parar um pouquinho e pensar um pouquinho Será que precisávamos de lei para isso não é professor Já estamos no final foi muito rápido Adorei a nossa conversa eh muito importante esses esclarecimentos né Muito obrigada por dispor aí do seu tempo para passar por aqui na TV Câmara Campinas participar do nosso ponto de vista e falar de um assunto que precisa ser debatido e esclarecido muito obrigada Eu que agradeço essa oportunidade de estar aqui com vocês de estar falando para Campinas e região e deixar uma outra informação eu em 2019 ganhei um livro um título um livro chamado Black Box eu ganhei o leão de ouro em canes em duas categoria se eu fosse um homem branco ganhando isto aqui em Campinas esse prêmio é considerado considerado o Óscar da literatura eu seria a capa de todos os jornais daqu eu estaria em todas as TVs de queia e eu não fui ninguém falou mas eu ganhei leão de ouro em canes em 2019 se eu não fosse Preto seria diferente com um detalhe o livro se chama Black Box a tradução caixa preta procura esse livro e também se me permite entre no meu Instagram Natanael Professor Muito obrigado Natanael Professor passando por aqui no nosso ponto de vista mais uma vez gratidão Professor agradecemos você pela sua audiência pela sua companhia um grande abraço e a gente se vê sempre aqui na TV Câmara Campinas [Música] [Música]
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