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Olá, minha gente, sejam bem-vindos a mais um ponto de vista. A nossa convidada de hoje é a professora Mônica Garbim. Ela que é da Faculdade de Educação da Unicamp. Obrigada, Mônica, por vir até aqui. Obrigada pelo convite. Olha, o assunto de hoje é EAD. O Ministério da Educação assinou no dia 19 de maio o decreto com a nova política de educação à distância, proibindo a modalidade para os cursos de medicina, direito, odontologia, enfermagem e psicologia. Mônica, vamos entender então quais são os pontos positivos e os pontos negativos desse novo decreto. Bom, vamos lá. Primeiro, eu acho que seria importante a gente relembrar um pouquinho a história da educação à distância, né? Então, a educação à distância vem pro Brasil e é e também no mundo, né, como uma forma de levar a educação para mais pessoas, né, que é o que a gente chamava de eh educação para as massas, né? Então, desde sua vinda, né, desde sua criação, ela carrega com si alguns preconceitos, né, eh, justamente porque nesses nessa nessa sua trajetória, né, na sua história, o ponto principal era levar uma educação que pudesse de alguma forma dar um emprego, enfim, que pudesse formar essa pessoa para que ela pudesse atuar no mercado de trabalho, né? Então, quando a gente pensa em educação à distância, a gente vai lembrar eh que ela começa com uma com processo de eh de de imprensa, né, de de de educação, eh, por correios, né, que quem não lembra do do Instituto Universal Brasileiro, né, nas nas histórias em quadrinho. Então, eh, e depois ela vai pro rádio, vai pra televisão, né, Telecurs 2000 é um outro exemplo, né, que a gente tem, que é bastante conhecido. Eh, e aí com as novas tecnologias, né, com a internet, enfim, com toda essa possibilidade de interação, ela vem se modificando, mas ela carrega consigo todos esses preconceitos, né, que que foram eh criados em cima dela, especialmente pela falta da presença, né, que é um dos pontos eh que mais foram eh modificados nessa nova nesse novo marco, né, da da educação à distância. Então, eh, eu diria que é importante lembrar, né, que tem todo esse conceito, esse, esse contexto histórico, né, e esse conceito da educação à distância quando a gente vai ler essa, essa legislação. E a gente não pode deixar de ler sem lembrar de tudo isso, né? Então, quais são os pontos positivos, né? os pontos positivos dessa dessa legislação, eu acredito que sejam mais voltados pra possibilidade agora da gente olhar pra educação à distância e tentar eh eh produzir cursos, né, enfim, criar cursos com mais qualidade, né, material didático com mais com com maior qualidade, né? Ali a gente tem ali alguns alguns pontos que é a diversificação dos materiais didáticos, né? Ou seja, não servem mais apenas aqueles cursos que são apostilados, por exemplo, né? Eh, outro ponto que eu que eu acredito muito no potencial da da educação à distância é essa possibilidade dela chegar a mais pessoas, a mais lugares, em lugares que essas pessoas, né, que que que estão em lugares mais isolados, talvez não tivessem eh acesso se não fosse pela educação à distância. Então, a gente precisa considerar esses pontos eh relevantes, né? Eh, com relação ainda, né, aos pontos positivos, a gente vê ali, eh, uma valorização do papel do professor dentro dessa legislação, que eu acho que é importantíssimo, né? Todo mundo sabe aí que e já faz essa relação, né? Educação à distância, tutor. Educação à distância, tutor, né? E e cadê o professor nesse processo, né? E muito tinha tem se discutido sobre o tutor como uma de alguma forma uma precarização do trabalho docente, né? porque você tem ali o docente e depois você faz essa essa massificação por meio dos dos tutores, né, que agora os tutores são apenas algo eh tem um papel, né, mais administrativo, enquanto os mediadores têm um papel eh pedagógico, né, mais de de de orientação. Eh, outro ponto também que eu vejo importante nessa que é importante demarcar nesse nesse processo é com relação à volta dos polos, né? Eh, e também um pouco de alguma forma essa necessidade do presencial, né? Porque mesmo nas nas nessas na na nas nos cursos, né, que não que estão não estão autorizados a a a serem implantados, como você citou, né? ainda tem a licenciatura que que pode, mas eh ainda tá tá em processo, né? Eh, a gente tem a porcentagens, né? Então, a gente tem aí na nos mesmos nos cursos que não são à distância, ou seja, que são presenciais, né? Agora também surge, né, o semipresencial, né? Exato. Mas a gente tem eh no caso da desses cursos que não estão autorizados, né? Eh, eles permitem uma porcentagem à distância, a gente não pode desconsiderar isso, são 20%, né? Então, na carga do presencial, dos cursos presenciais, a gente tem os 20%, né? Porque não dá para negar que as tecnologias estão invadindo, né, a nossa vida. Enfim, tudo eh é se se se torna mais digital hoje em dia, né? Eh, claro que nessa minha fala eu tô aqui generalizando, mas a gente precisa considerar também que existem desigualdades, então a gente tem aí muitas pessoas sem acesso ainda. Então, eu destacaria alguns desses como sendo pontos eh positivos, né? e os pontos negativos, né, eu diria que eh a gente precisa eh enfim, precisa repensar um pouco mais nesses cursos que tão, né, que foram que não foram autorizados e discutir mais também as licenciaturas, né, porque a formação de professores é um tema tão caro pra gente na educação, né, e que a gente precisa, enfim, eh, de alguma forma eh criar esses cursos, né, para que a gente para para ter mais professores. professores bem formados, né? Acho que esse é o principal. Professor, eu acho que para quem está em casa e não tem muita familiaridade com a educação à distância, esclarecer um pouco mais. Na educação à distância, não é o professor que acompanha todo o curso e sim um tutor. Eh, dessa forma que acontece. Perfeito. Vamos lá. Eh, o mais, o interessante dessa, dessa legislação, dessa nova, desse novo marco, né, é que ele estabelece esses papéis, né? Então, a gente tem ali o professor, que é o professor, o aquele que produz o material didático, aquele que faz a a unidade a unidade de eh a a unidade didática, né, acontecendo, né? Então, eh, ele ele é esse professor que que planeja, que monta os conteúdos, eh, ou que faz a curadoria desses conteúdos, que a gente tem esses modelos também na educação à distância, né? Não precisa se produzir tudo, considerando a quantidade de de materiais que a gente já tem produzido. Eh, e a gente tem a figura dos tutores. Então, agora eles fazem um eles têm um papel mais eh administrativo no polo. O que que isso significa? ah, papel de secretaria, eh, de ajudar os estudantes, por exemplo, no uso da biblioteca, no uso da sala de informática, eles têm mais esse esse papel administrativo mesmo. E a gente tem os mediadores pedagógicos, que agora são eh a partir daquele conteúdo, daquela daquela disciplina, daquela unidade curricular que foi planejada pelo professor, esse mediador vai eh fazer toda a mediação, né, o processo de orientação, de facilitação com os estudantes desse conteúdo. Eh, inclusive agora também o nesse marco, a gente tem ali eh são 70 alunos para um facilitador, para um mediador, né? Isso é importante porque a gente vê eh nesse processo todo, né, de pontos positivos e pontos negativos, né, ainda retomando um pouquinho isso, a gente viu, né, nos últimos anos, a uma expansão gigante da educação à distância, inclusive, eh aumentando aí esse número, né, de de mediadores, de de facilitadores por eh por estudante. Então, a gente tinha, já vies que o modelo é 1000, 2000 estudantes para um facilitador, né, para um mediador. Isso é muito complicado, né, porque atenção esses estudantes estão recebendo. Exatamente. Então, nesse novo marco, a gente tem aí um eh são 70 alunos, né, 70 estudantes para um facilitador no mínimo, né? Então isso também eh modifica um pouco esses esses modelos pedagógicos que a gente tem em educação à distância nas faculdades, universidades, enfim, nas instituições que ofertam essa modalidade. as graduações de medicina, direito, odontologia, enfermagem, enfim, essas que foram citadas no início do bloco, elas deverão ser ofertadas exclusivamente no formato presencial ou poderão ter algum percentual, por exemplo, talvez uma parte mais teórica do curso, aí poderá ser de forma à distância ou não? Então, o que dá a entender na legislação é de que essas essas esses cursos podem ofertar até 20% do conteúdo, né, do seu conteúdo, e aí imagino que seja teórico, né, eh, no formato de educação à distância. Eh, eu eu penso também que é importante lembrar, né, que hoje a gente tem eh tem eh hã operações que são feitas por robô, robotizadas, pessoas que eh profissionais, né, médicos que operam nessa nessa modalidade. Então, não dá pra gente eh descartar que esses cursos, né, ainda que sejam de de saúde, que é importante ter ali o presencial, isso é isso é innegável, né, sem dúvida. Mas a gente tem aí esses esses esses momentos em que eu penso que seja possível utilizar as tecnologias, mas pensando nessa perspectiva, né, de muito cuidado e não descartar a importância da relação humana, né, afinal de contas, a gente viveu aí uma pandemia e que trouxe muitos malefícios pra gente em relação ao uso de tecnologias. As pessoas depois da volta, né, algumas tiveram crises de pânico, crises e eh enfim, que que precisam ser tratadas. Então, é importante a gente ter esse esse esse essa essa troca, né? e não deixar de lembrar, né, que a educação é um processo puramente humano, né, ela se faz com seres humanos e a gente precisa do contato físico. Então, eh, o que dá a entender na legislação é de que e mesmo essas esses cursos eles podem eh ter ali os 20% eh não presencial, né? Que que que seja professora, tem um ponto que não dá pra gente negar ou passar batido, que é a questão do preço, né? Principalmente aqui no Brasil, a gente sabe que não é acessível para todos, só que o EAD trouxe essa possibilidade, né? trouxe esse acesso paraa população. Muitas pessoas preferem, por exemplo, fazer o estudo EAD justamente por conta do preço e também não só o preço da mensalidade, mas o custo que ela teria, né, com transporte, com Sim. Eh, é claro que assim, quando a gente está presencialmente em uma universidade, sempre tem aquelas indicações de livros, né? Hoje também já tem um pouco mais assim de livros em PDF, né? Isso facilitou muito a renda. Mas como é que vai ficar? Porque quando o curso é EAD, o espaço que a instituição, que a instituição precisa é menor. Agora, trazendo pro presencial, elas vão ter que movimentar um espaço maior para poder receber esses alunos. Então, você toca num ponto que eu acho que é essencial e que também eh personifica um pouco essa essa esses preconceitos que se tem contra essa modalidade, né? Eh, a gente tá num mundo em que a educação, de modo geral, ela virou uma mercadoria, não é? Então, eh, nos últimos anos, o que a gente viu foi uma abertura assim quase que, eh, eh, enfim, sem sem não dá nem para trazer números, né? Assim, a gente viu que no senso de de de educação superior, as modalidades à distância já tem muito mais, já supera eh o o índice, né, de de vagas do ensino presencial. a gente vê cursos presenciais sendo fechados para serem abertos na modalidade à distância. Então assim, eh não há não havia fiscalização, eu espero que agora comece, né? Então a gente viu um processo em que havia mesmo uma precarização da da educação no sentido em que ela virou uma mercadoria e que precisa ser comprada e que precisa gerar lucro, né? E aí a gente viu, por exemplo, os modelos que eu que eu mencionei, né, de um aluno, ou melhor, um mediador para mais de 1000 alunos, não é? Isso é uma questão de eh que vai mexer certamente no bolso das universidades eh tanto privadas quanto públicas, né? Porque as públicas também precisam contratar para para atender os alunos, né? Mais professores, enfim, tem tudo tem toda essa questão. Então, certamente vai modificar. Eh, e um outro destaque da sua fala que eu queria trazer também, eh, essa modalidade ela permite, e eu tive muitas alunas assim, né, que eh estavam grávidas, que não podiam sair das suas casas, que eh tem filho pequeno e que essa modalidade dá uma oportunidade para essas pessoas de terem uma formação, mas a gente precisa garantir que a formação que é dada para essas pessoas seja uma formação de qualidade. Então, não adianta eu abrir o curso, é aquilo que eu digo, né, da democratização da universidade, né, da e do ensino superior por meio da educação à distância. Eh, não adianta a gente abrir 50.000 vagas, 40.000 1 vagas, ã, quando na verdade a gente não dá suporte, não dá apoio para que esses estudantes, essas estudantes, possam fazer o seu curso com qualidade. Então, não adianta abrir um monte de vaga, não adianta ofertar um monte de oportunidades se eu não tô garantindo qualidade e sobretudo eh meios, né, para que essas pessoas consigam concluir, né? Isso vale tanto pro presencial quanto paraa distância, né? Isso, isso até uma discussão bastante grande com o pessoal da que que tá atuando hoje na na educação à distância, né? Eh, ah, a educação presencial também tem problemas, com certeza tem muitos problemas, mas a abertura de cursos na educação à distância foi muito grande, né? E agora o processo que a gente tá vendo é de vamos parar, vamos respirar e vamos agora eh perceber, né? Eh, vamos analisar como é que tá esse cenário e produzir aí, né? cursos com maior qualidades, uma oferta de educação com maior qualidade. Eu espero sinceramente que esse seja o seja o foco, né, dessa dessas modificações todas que vão que vão afetar certamente o valor dos cursos. Sem dúvida. É, minimamente precisa ter uma fiscalização. A gente vai tomar um copo d'água e volta daqui a pouquinho. Não sai daí. Voltamos com mais um bloco do programa Ponto de Vista. Quem está comigo é a professora Mônica Garbim. Professora, vamos retomar então a questão da da porcentagem, né? Eh, qual é a porcentagem que pode ou não ser presencial, que pode ser EAD? Como é que ficou essa questão? Então, vamos lá. Eh, nos cursos presenciais, a gente precisa no máximo eh ter eh ou melhor, né, 70% presencial e 30% eh na modalidade à distância. Então, é possível trazer ali algumas tecnologias, né? Então, são os 30%. Na modalidade semipresencial, que foi essa nova que foi foi criada, né, com esse marco, a gente tem ali eh 30% de atividades presenciais necessárias e e mais 20% da carga horária total do curso em atividades síncronas ou presenciais, né? Então ali nesse semipresencial a gente garante ao menos 50% presencial, tá? Tá? Nesse nesse semipresencial já foi definido quais são os cursos que poderão eh entrar nessa nova regra? São todos os cursos. Como é que vai ficar essa situação? Bom, o semipresencial, esses eh os cursos que você já mencionou, não podem, né, nem ser presencial e nem nem a distância. as licenciaturas, ao que parece, poderão ser eh semipresenciais, mas a gente ainda não tem uma esse esse novo marco, né, essa nova eh vai vai ter um complemento nessa marco da IAD novo eh sobre as licenciaturas, porque havia uma discussão muito grande da possibilidade de a gente ter eh 40% da carga eh teórica das licenciaturas sendo ofertadas de maneira presencial. Então tinha uma discussão muito grande e é importante a gente lembrar, né, que nas licenciaturas a gente tá formando eh alfabetizadores, a gente tá formando pessoas que vão lidar ali com a educação infantil, né, vão lidar com a com a com a educação fundamental um e dois, eh, um melhor, né, um e dois, na verdade, e ensino médio. Quer dizer, a gente tá falando da nossa educação básica, né, que é o coração da educação. Então é muito importante que a gente olhe isso com muito com muito carinho, né? Porque é um tema muito caro mesmo pra educação a formação de professores. Exatamente. Quando a gente fala da formação de professores, eh eu imagino que tem aí que é ter uma atenção maior, né, como você bem disse, porque é o básico, né? ninguém chega ao mercado de trabalho ou à universidade, por exemplo, se não passar por essa, né, por esse primeiro ensino. Justamente. E e o que a o que assim mexe muito, né, com com essa questão da da formação de professores na educação à distância é a ideia de que a gente vai formar essas pessoas, né, esses profissionais eh de maneira a distância e eles vão atuar presencialmente, né? Então, como é que isso como é que isso acontece, né? Eh, um só um adendo importante, né, que a gente não pode desconsiderar, por exemplo, que nos cursos de licenciatura a gente tem as 400 horas de estágio, né, a gente a a EAD segue, né, de de igual no no presencial, tal como no presencial, as diretrizes curriculares nacionais. Então, são são 400 horas de estágio que são presenciais dentro das escolas, né? Eh, então a gente tem essa carga presencial dos estágios, mas ainda assim eh, como fazer discussões, né, na na esse esse ponto é essencial, assim, como é que a gente faz essa troca, como é que a gente vai criar, né, o o sonho, né, do professor pesquisador, do professor que ajuda os estudantes a ter uma emancipação intelectual mesmo, né, a entender o seu, a, a sua história, entender o lugar onde onde da onde ele vem e como ele pode de alguma forma modificar a sua história. Então, eh, tudo isso tem que ser levado em consideração, porque a gente, de novo tá falando da nossa, do coração da educação, que é a educação básica. Então, cuidar dos nossos professores, formá-los com qualidade, eh, se torna algo, enfim, essencial, necessário e e enfim, é importante olhar com carinho para essa formação. A professora Mônica Garbim, ela considera viável essa regulamentação pensando principalmente na formação de professores? Olha, eh, essa é uma pergunta complexa. Eu ainda não não acho que é é muito recente essa legislação. Eu ainda não consegui pensar eh se se é possível ainda, né, porque eu não estou mais atuando na educação à distância. Eh, eu acredito que seja e eu vejo esse marco como um marco importante pra gente começar a olhar paraa educação à distância, eh, como uma modalidade e tentando trazer pontos que façam com que ela tenha a tenha qualidade, né? E aí aqui de novo, né, quero fazer um paralelo que a gente sabe que tem cursos presenciais que também não tem qualidade e que precisam ser ser fiscalizados. Eu não tô falando só aqui dessa questão da da educação à distância, né? O a ideia de que se é educação à distância não tem qualidade. A gente precisa começar a quebrar um pouco isso, né? Mas eu acredito que seja importante a gente começar a discutir sobre essa sobre essa modalidade e considerá-la como uma modalidade mesmo e que pode eh ser utilizada de alguma forma, né, para para formar as pessoas, né? Eh, é importante também mencionar que a gente vê pouca produção, e aí falando um pouco agora da academia, né, do ponto de vista da academia, pouca produção científica que analisa de fato, né, eh, a a a o impacto da da IAD, ou melhor, analisa de analisa de fato, né, como estão sendo criados esses cursos, como estão eh funcionando seus modelos pedagógicos. O que a gente tem muito é assim, ah, estudos, estudos muito muito concentrados na eh na em ferramentas variadas ou ainda eh em eh em ambientes virtuais ou ainda eh na questão da da evasão, que também é é mais costuma ser mais alta na nessa modalidade. Eh, mas de fato nos processos pedagógicos, né, eh a gente vê pouca produção, né? Eu tive uma aluna que fez um um trabalho agora eh sobre isso e a gente pesquisou nos últimos 5 anos quais eram os trabalhos acadêmicos que tratavam justamente desses modelos pedagógicos e a gente encontrou pouquíssimas referências. Então, eh, eu confesso que eu eu espero que seja possível colocar essa essa legislação em eh em funcionamento. Existe um prazo para que isso seja seja feito. Eh, eu acredito também eh que essa possam surgir outras outras modificações nesse marco para que possa adequar justamente as a os modelos, né, de educação a distância em funcionamento. É, mas eu vejo como algo importante no ponto de vista da gente parar, olhar, analisar e verificar agora também como é que a gente pode eh fazer esse controle, né? Talvez controle não seja a melhor palavra, mas eh essa avaliação constante, né, do que que a gente tá do que tipo de educação, né, qual a qualidade da educação que a gente tá ofertando isso tanto pro presencial quanto pro a educação à distância e agora também no modelo semipresencial. Então, eh, eu diria que ainda é algo a ser muito bem pensado e discutido com as instituições que que ofertam. Professora, no decreto foi citado também, a senhora também citou aqui, sobre as atividades eh sincronas, né? Gostaria que a senhora explicasse um pouquinho o que são essas atividades, quais são as regras, tá? As atividades síncronas, elas são atividades que são desenvolvidas em tempo real. Então, ah, sabe quando a gente usa o Google Meet? eh, enfim, essas plataformas que a gente tem aí de de de conferências, né? Isso é o síncrono, né? É o tempo real. Então, essas atividades síncronas são atividades que são realizadas de maneira virtual, mas eh com a presença, né, não física, mas virtual de um de um mediador, de um professor, enfim. E isso eh também é esclarecido na isso é isso é muito importante também nessa nesse marco, porque ele traz ali uma um esclarecimento do que que é do que que é o síncrono, o assíncrono, eh, e todas essas essas essas nomenclaturas que a gente costuma usar, né? E então a atividade de síncrona é em tempo real e a atividade assíncrona é, por exemplo, quando eu peço pros estudantes eh, sei lá, lerem um texto ou mesmo participar de um fórum ou fazer alguma atividade que não seja não seja eh em tempo real com a presença de um professor. E talvez isso tenha citado também, professora, porque a gente sabe que, infelizmente, tem aqueles alunos que até por uma, talvez, por falta de disciplina mesmo, né, de aptidão para estudar EAD, ele está online, mas a câmera desligada, o professor não sabe o que ele está fazendo, talvez ele não esteja 100% focado no que o professor está explicando e isso pode também interferir na aprovação dele, né? Sim. Eh, esse a a esse marco também traz a questão da da presencialidade, né? Então, agora a a os cursos precisam aferir a presença, né? Porque os cursos de educação à distância muitas vezes não não necessariamente contabilizavam a frequência para a aprovação do estudante. Agora é preciso contar contar essa essa essa essa frequência, né, essa essa participação. É, os professores na época da pandemia, né, e aqui não tô tô fazendo paralelo com ensino remoto emergencial, sofriam muito, né, assim, os professores com quem eu conversei e mesmo eu, né, nesse processo todo, a gente sofria, a gente ia pr pra sala de aula virtual e a gente eh via ali as câmeras todas fechadas, aquele a, aquele m ou aquela foto, né, e a gente não sabia de fato quem eram essas esses rostinhos, né, ali com a gente, né? Eu lembro muito de uma fala de uma professora que dizia para mim que eh a maior dificuldade dela era de não saber se os estudantes estavam aprendendo ou não, porque quando ela tava no presencial, ela sabia, ela olhava pros estudantes, pelo menos eles estavam olhando para ela ou estavam presencialmente ali, né? Quando a gente foi pro virtual, a gente teve essa dificuldade mesmo das câmeras fechadas e eh sei lá, tô cozinhando e tô escutando a aula. O que o que é e de alguma forma não também não é não é tanto problema, né? Exceto quando a gente tem uma aula ali que é mais interativa, mas se a gente tá falando de uma aula teórica, por exemplo, não tem problema o estudante tá lá no metrô escutando o professor falar e enfim, mas eh quando a gente tem uma aula que é mais interativa, né? Eu acho que esse é um ponto também que precisa melhorar eh nessas nesses modelos de educação à distância, eh essa possibilidade da gente utilizar novas tecnologias, outras tecnologias, tecnologias digitais para eh para melhorar essa interação. Como é que eu posso transportar, né, não sei se é exatamente essa palavra, mas transportar a sala de aula em que eu tenho, por exemplo, um grupo eh de alunos trabalhando? Por que que eu não faço isso no virtual? Hoje as plataformas permitem isso, né? Então é também olhar para esse para essas possibilidades, né? O MEC justifica que tem necessidade a realização de atividades práticas, laboratórios presenciais e estágios para sim tornar a formação compatível, o que não acontece em alguns casos da educação à distância. Então assim, é que é justamente isso que nós estamos debatendo aqui, né, professora? tem alguns pontos que precisam ser realinhados para que essa educação à distância seja realmente válida, né? E me lembrei agora de uma, tem um, nós temos um quadro aqui na TV Câmara que se chama Se Liga na profissão. Fiz um Se liga na profissão com um contador e o professor de contabilidade ele comentou que naquele registro que o contador precisa tirar, que é como se fosse a OAB, né, do advogado, os alunos que fazem ensino à distância t mais dificuldade em ser aprovados. O mesmo acontece também no caso de direito. Então acho que é justamente essa questão, né? Então assim, melhorar esse ensino à distância, como a senhora disse, é claro que o presencial também tem ali alguns pontos a ser melhorados, mas falando aqui da educação à distância, regulamentar alguns casos até para que esse aluno não tenha perdido o tempo, né? pensou que estava ali aprendendo e quando chega numa prova, por exemplo, ele viu que faltou muita informação. Exato. Eh, mas aí eu eu quero trazer até um contraponto para isso. A gente tem casos de universidade, de faculdades que eh vão bem no ENAD, os seus cursos à distância vão melhores do que os cursos presenciais. Eh, já tem alguns casos sobre, né, que que mostram isso. Eh, tem universidades que a nota do do ENAD chega quatro, cinco. Eh, então assim, é realmente pensar nesses modelos que que estão sendo ofertados, né? Eh, tirar um pouco a educação desse desse modo mercadoria, né? E aí, de novo, isso vale pro presencial, isso vale paraa distância, isso vai valer pro semipresencial também. e trazer um pouco mais eh de desse olhar paraa qualidade do ensino que eu tô ofertando, né? Eh, é o que eu que eu costumo dizer para todo mundo quando alguém me pergunta: "Ah, mas você acha que você me fez essa pergunta até, né? Você acha que a educação de ciência funciona?" E aí eu digo o seguinte, eh, quando a proposta pedagógica e a finalidade pedagógica não são sobrepostas por interesses econômicos e até políticos, eu diria, eh é possível que a gente comece a pensar para para nesse nessa perspectiva de funcionamento. O problema é que isso ainda eh acaba sendo muito difícil, né? Porque a gente tem ainda olha, né, para para essa educação ainda como uma grande mercadoria, né, enfim. e e ela não é, né? A gente não pode vender o nosso bem maior, né? A gente vê aí países que estão super bem quando a gente olha pros pro pros testes, né? Pro pras avaliações. A Finlândia, por exemplo, né? Um modelo de educação muito muito conhecido. Eh, o que que é bom lá, né? O que que eles o que que eles fazem de diferente? Eles valorizam o professor, professor ganha bem, ele não precisa fazer três turnos para conseguir eh sobreviver, né? Uhum. Eh, enfim, eh, a atenção que é dada dentro das escolas, as propostas que tem ali dentro e o que a gente vê aqui no Brasil, pelo menos, é o oposto disso em alguns lugares. Então, eh, a gente precisa começar a olhar com mais cuidado paraa nossa educação. Então, eu diria que talvez o problema nem fosse a modalidade, né? É claro que a modalidade carrega, como eu disse, né, tantos preconceitos e e tantas questões, mas eh a gente tem tem algumas alguns modelos de educação à distância que funcionam de alguma forma, que dão esse resultado, né? Não sei, não posso dizer que que isso tudo é verdade, né? Pra gente da educação específica é só um número, né? Mas, ã, enfim, é importante a gente pensar na educação e ofertar um modelo que de fato os estudantes não tenham depois de formados, né, essa dificuldade em executar sua profissão, em realizar eh, enfim, eh, enfim, o que precisa, né, para professora, seria um caso também de perfil, porque, por exemplo, o meu perfil, eu acho que não daria certo o IAD, eu já tentei, por exemplo, inglês, para mim não vai. Então, será que tem essa essa questão também de perfil de cada aluno? Pode ser que tenha. Eu acho que tem uma questão que é perfil de estudante precisa eh ter aí uma uma certa organização pessoal, né, para você, afinal de conta, você tá ali na na educação à distância, você não tem o compromisso de estar todos os dias ali na sala de aula, né, como é na como acontece na presencial. E aí você vai deixando, vai deixando, né, aquela história do eh mas ao mesmo tempo, eh, a gente tem ali alguns, algumas questões importantes na educação à distância sobre isso. Então, é o apoio dos professores, por isso a importância ali do um para 70. Eh, a gente tem a a o apoio do polo presencial, né, a a do tutor agora dentro dos polos. Então, ã, eu diria que sim, tem que ter um perfil, tem que ter uma organização para fazer o curso à distância, assim como no presencial, mas a gente precisa no curso à distância ter toda essa essa essa esse suporte ao estudante. Mesmo dentro dos ambientes virtuais, por exemplo, algumas alguns modelos de AD trazem eh cursos de ambientação, né, em que você pode ali eh mostrar pro estudante onde ficam as coisas dentro do ambiente virtual. eh de repente propor até um um roteiro de estudo para que ele possa se organizar, eh, enfim, trazer ali algumas ferramentas, né, nesse sentido de de organização pro estudante, né, que tem essa dificuldade, eh, e sobretudo ter um apoio, né? Então, se você vê que o estudante tá eh demorando para entrar no ambiente virtual, que ele, né, chamar alguém para olhar isso, né, olhar, por que que ele não tá entrando, deixa eu falar com ele, né, porque no presencial o que que a gente tem, o estudante que não vai. E aí quando ele não vai, que que eu faço? Eu mando mensagem para ele, eh, peço pr pra secretaria ligar para esse estudante para ver o que aconteceu. E no a distância a gente não tem isso, mas a gente precisa começar a olhar para esse para esse todo, né? eh fazer essas intervenções nesses casos em que os estudantes têm dificuldade mesmo, porque alguns têm facilidade, como eu disse, né, melhora eh até a questão financeira, né, não tem a o deslocamento até eh esse até até o lugar, né? Então isso envolve e de e termos financeiros, não só, né, mas a gente também dá o nosso tempo, né? Quanto tempo eu demoro para chegar na universidade, quanto tempo eu demoro para chegar no lugar. Então, eu tô ali gastando dinheiro de ônibus ou de gasolina. Ao mesmo tempo, eu tô cedendo meu tempo nesse nesse nesse nesse nessa nesse deslocamento. Eh, eu, enfim, tudo isso precisa tá muito bem contabilizado e muito bem planejado para dar certo, né? Então veja, eh, todo mundo fala tanto da da educação à distância, mas a gente tem ali muitos elementos que precisam ser ajustados para para que essa educação comece, né, a fazer sentido. E aí fazer sentido em todos os em todos os contextos, né, eh, sempre trazendo aqui, né, que a gente tem contextos em que em que ela funciona, em que ela em que ela de fato é ofertada com qualidade, mas a gente precisa fazer isso ficar geral. E pensando eh no no ensino IAD, né, para quem já está cursando o EAD, mas ainda está ali no primeiro, segundo ano de alguma graduação, isso deve mudar ou é esses alunos que já estão matriculados, que já estão cursando no formato ED, podem continuar? Existe já algum alguma determinação em relação a isso? Normalmente o que se tem é que os alunos que foram eh admitidos na modalidade seguem na modalidade até concluíem os cursos, né? Então, eh imagino que deva ser algo nesse sentido. Até mesmo, por exemplo, as licenciaturas, né? Eh, não podem não podem ser abertos novos cursos, mas os estudantes que estão cursando vão terminar seus cursos normalmente e e vida que segue. Maravilha. Eu acho que a gente consegue fazer então, professora, os principais pontos positivos da educação à distância e o que vale de atenção desse decreto para melhorar essa esse formato de ensino? Sim, eu acredito que é é um avanço, né, esses pontos que a gente tem no decreto é é um avanço e em essência, assim, eu acho que só por terem valorizado eh os professores nesse processo, eu acho que é essencial. a gente precisa valorizar os nossos professores, não só do ensino superior, né, no caso da educação de mais da educação básica também. Eh, e eu acredito que que sim, que a gente tem ali um início de uma discussão. Espero que agora a gente tenha também uma um acompanhamento, né, desse processo todo de de abertura de cursos, de funcionamento, né, e uma um acompanhamento mais efetivo mesmo do de do de parte, né, do do Ministério da Educação, né, para que a gente possa formar profissionais que sejam aptos a atuar nas nas suas profissões, né? Perfeito. Agradeço sua participação. Muito obrigada por compartilhar seu conhecimento. Eu que agradeço e pelo espaço pra gente poder discutir algo que é tão caro pra educação e tão importante, né? Maravilha. Esse foi mais um ponto de vista. A gente fica por aqui. Até o próximo programa. Ciao [Música] [Música]