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Ponto de Vista | Direito de morrer: ética, dignidade e escolha do paciente
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Ponto de Vista | Direito de morrer: ética, dignidade e escolha do paciente

80 views Publicado 16/08/2025 HD · 54:34

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No Ponto de Vista desta semana, abordamos um dos debates mais complexos e sensíveis da bioética contemporânea: o direito de morrer, também conhecido como direito à morte digna. O tema envolve questões como eutanásia, suicídio assistido e outros procedimentos que têm como objetivo respeitar a vontade do paciente, especialmente em casos de doenças terminais que comprometem não só a saúde física, mas também a dignidade e a qualidade de vida. Para essa conversa, recebemos Giovana Zaparoli, especialista em psico-oncologia, que traz uma análise profunda sobre: ✅ O que significa, na prática, garantir dignidade no fim da vida ✅ O papel da vontade do paciente e seus limites éticos e legais ✅ Como doenças terminais afetam a autonomia, a esperança e a estrutura familiar ✅ Avanços biomédicos e a possibilidade de prolongar ou encurtar a vida ✅ O dilema entre salvar vidas e respeitar escolhas individuais Vivemos mais, mas também enfrentamos novos dilemas: como lidar com o prolongamento artificial da vida e com a dor persistente? O que significa “viver bem” até o fim? 💬 Deixe seu comentário: você acredita que o paciente deve ter o direito de decidir sobre o próprio fim? Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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[Música] Olá, minha gente. Está no ar mais um ponto de vista. E no programa de hoje nós vamos mergulhar em uma das questões mais delicadas e profundas da saúde, da ética e da dignidade humana, o direito de morrer. A nossa convidada de hoje é a psicóloga especialista em psicooncologia, Giovana Zaparoli. Seja bem-vinda, Geovana. Muito obrigada, Geovana. Eu acho que a gente já pode começar explicando o que é esse direito de morrer. Eh, quando quando eu penso em direito de morrer, eu penso muito na questão de viver também. Da mesma forma que a gente tem o direito de escolher as as questões que a gente quer na nossa vida enquanto a gente tá vivo, a gente tem o direito também de escolher as questões referentes à nossa morte. O que é qualidade de vida pra gente? como a gente quer encerrar essa vida, de que forma eh os tratamentos são ou não invasivos e até que ponto eu aguento. E tudo isso referente à nossa vida tem a ver com a nossa dignidade de morrer. É a partir do que a gente tem vontade em vida que a gente decide o que a gente quer pro nosso momento de falecimento. Mas quando a gente fala assim, o direito de morrer, eh, se a gente pensar, por exemplo, em dados que, infelizmente cada vez aumentam no Brasil, por exemplo, e no mundo, a questão da depressão, muitas vezes a pessoa quando ela está deprimida, quando ela está passando por algum problema assim de saúde mental, ela tem ali alguns casos, né, ela tem essa vontade de morrer. Por quê? Porque normalmente ela quer acabar com aquela dor que tem no íntimo dela. Isso também daria às pessoas o direito de morrer. Em alguns países no mundo é liberada a o suicídio assistido, porém aqui no Brasil isso é completamente eh antiético inaceitável para nossas paraas nossas leis, principalmente por ser uma questão de saúde que tem eh um controle possível através de medicação, através de terapias. Apesar do sofrimento ser intenso, é uma proposta de tratamento que pode ser eficiente. Então, pela bioética brasileira, não faz sentido você eh acelerar um processo de falecimento, sendo que você tem uma possibilidade de cura, você tem como lidar com isso. Nem sempre é fácil. Eu não tô falando de facilidade nesse processo, até porque ansiedade, depressão, são tratamentos muito longos e às vezes muito desgastantes para própria pessoa, pra família, mas é um tratamento que tem perspectiva de tratamento, então não não é aceitável que esse tipo de coisa aconteça, legalmente falando, principalmente porque tem proposta terapêutica. Então é um pouco diferente do mesmo eh e algumas pessoas eh principalmente se tá no início, né, logo que foi diagnosticado, algumas pessoas lutam em aceitar, né, que elas precisam dessa ajuda. Sim, né? Então eu acho que por isso tem essa essa consciência, né? Nesse caso é até uma consciência de não dar a essa pessoa esse direito, porque ela pode eh voltar a ter uma situação de vida mais prazerosa e querer viver novamente, né? E é normal que num processo de depressão, eh, a, devido a tamanha dor, tamanho sofrimento, que a gente tenha pensamentos negativos, isso também faz parte do dos sintomas da depressão, mas a depressão tem tratamento. Eh, existem inúmeras tratativas terapêuticas paraa depressão. Então, eh, fazendo um bom acompanhamento médico, fazendo terapia, buscando outras estratégias, a gente consegue manejar esses sintomas que são tão aversivos. E por exemplo, uma questão muito muito comum, a dor é um grande desencadeador de depressão. Então, às vezes, a dor física pode tá causando uma depressão no paciente. Se ele consegue manejar essa dor de maneira satisfatória, isso também vai diminuir a a o desejo de de falecimento, a ideiação suicida e assim por diante. Em que momento o cuidado ele deixa de ser um ato de salvação para se tornar uma forma de sofrimento? Eh, eu eu penso principalmente nas questões de possibilidade de tratamento curativo. O paciente, ele tem direito de abdicar do tratamento a qualquer momento. Inclusive, existem termos médicos que são assinados quando o paciente decide interromper o tratamento. É, porém, normalmente tem a ver com o sofrimento pessoal daquela daquele indivíduo, não necessariamente com o final de tratativas terapêuticas para aquele caso. Eh, por exemplo, eh, uma mulher jovem que descobriu um câncer e que quer interromper esse tratamento, pode escolher e fazer esse tratamento de uma maneira mais paliativa, tirando sintoma, sem fazer o tratamento curativo. Porém, eh, em questão médica, em questão hospital, isso é muito aversível para os profissionais, porque a gente não foi educado para não tratar, para abdicar o tratamento, sabendo que aquilo lá, aquele tratamento tem uma proposta terapêutica possível. Então, muitas vezes tem a ver com o como aquela pessoa vê aquela situação. De novo, eh, como profissional de uma equipe multi, eu sempre penso em questão de dor. Esse paciente tá com dor? Porque o paciente que tá com dor, ele tem mais dificuldade de de aceitar as tratativas possíveis. Eh, esse paciente tá se sentindo acolhido por essa equipe? Ele tem sido escutado ou ele tá sendo só tratado? Tem tem diferenças. Então, tem muitas coisas que podem ser feitas antes dessa decisão efetiva para que esse paciente consiga fazer o tratamento com dignidade. Uhum. Da mesma forma que é aquilo que eu que eu tô te falando, a dignidade para morrer, ela existe, mas ela existe também uma dignidade no tratamento. Esse paciente tá tendo dignidade enquanto vivo? Porque senão é mais fácil você ir lá e e interromper todos os tratamentos e só deixar a situação acontecer. Ele provavelmente tá com baixa expectativa, não se sente eh capacitado para suprir essa situação, tá muito aversivo para ele e existem inúmeras formas da gente lidar com isso. A gente precisa avaliar esse paciente como um todo antes de até mesmo permitir que ele tome essa decisão. Ele precisa saber de todas as consequências, porque o momento que ele interrompe o tratamento, pode ser que seja tarde para ele retomar no futuro. Sem dúvida. Até assim, eu imagino que a questão financeira muitas vezes é um peso também, né? Porque a gente sabe que existem tratamentos caríssimos e muitas vezes a pessoa não tem essa condição. Então ela fica ali, ela tá no hospital se tratando, mas ao mesmo tempo ela tá pensando como isso está sendo pago. Isso acaba gerando uma dor também, né? Sim. A gente chama isso de estress financeiro. Eh, é algo muito estudado na na área da psicooncologia, porque a questão financeira ela gera um estress emocional significativo. Então, se a pessoa é a a pessoa responsável ali da família pela questão financeira, isso pode gerar um stress gigantesco. Eu não tô conseguindo trabalhar, quem que vai colocar comida em casa? Quem que vai pagar as contas? e e isso e se tornando, apesar da gente ter eh investimentos públicos em questão de manter os pacientes de forma geral nos tratamentos, não é muitas vezes o suficiente para conseguir estabilizar uma família. Hoje tá tudo muito caro e isso acaba estressando ainda mais. Sim, doutora, como a psicooncologia, que é a sua especialidade, né, eu gostaria que a senhora explicasse um pouquinho como ela funciona, como ela aborda esses temas, né, essas situações diante dos pacientes em casos terminais. Bom, a psicologia de forma geral, ela vem como um profissional extremamente honesto com o paciente. Normalmente essas temáticas elas vêm do paciente. O paciente sabe exatamente o que tá acontecendo com ele. Apesar de muitas pessoas tentarem não comentar, não nomear, não falar, o paciente sabe exatamente aquilo que tá incomodando ele e sabe exatamente qual é o processo. O medo de morrer desde o primeiro momento às vezes nem é uma possibilidade real, mas quando o paciente recebe um diagnóstico oncológico, esse esse paciente já é colocado de frente com a morte. Às vezes não é nada sério, às vezes é algo super tratável, o paciente vai ficar bem, ele vai sobreviver, vai ficar ótimo, mas aquele momento do diagnóstico para ele já é um contato direto com a morte, com a finitude dele. Então, desde o primeiro momento, o paciente oncológico já traz essas questões de morte. Tenho medo de morrer, o que eu vou fazer da minha vida? O que meus familiares vão fazer? E às vezes não é é às vezes é algo que tá só na fantasia, ainda não chegou a algo concreto de fato. Porém, quando o paciente vai desenvolvendo negativamente nesse tratamento, ele pode sim perceber que ele tá com mais dor, que o tratamento não tá tendo resultado positivo. Isso vai aproximando ele dessa realidade. E na tratativa do psicooncologista com o paciente, a gente aborda medos, inseguranças, o que vai fazer, o que ele quer que seja feito, é diretivas antecipadas de vontade. Então, eu não quero ser entubado, eu não quero mais eh fazer cirurgias ou propostas muito invasivas para esse meu tratamento. Ai, essa quimioterapia não tá tendo efeito positivo e ela tá me fazendo muito mal. Eu quero interromper a quimioterapia. Isso tudo é conversado entre paciente e psicólogo, até para abordar as questões de de inseguranças, medos, receios. E normalmente o psicooncologista, ele também funciona como mediador entre a relação do paciente, da família e da equipe. Então, eh, a gente varia entre os sujeitos que estão sendo envolvidos ali naquela situação e aborda todas essas vontades de maneira clara. a gente traz em reunião com equipe quais são os desejos desse paciente. Eh, muitas vezes a gente funciona ali como advogado do paciente na hora de difícil, momentos difíceis, porque é ali que a gente consegue manejar esse paciente para que as coisas fiquem positivas para ele também, para que as vontades dele sejam atendidas. É claro que sempre ir avaliando o que é possível, que não é possível, né? E precisa ali de um bom senso, porque a gente é um profissional da saúde também. Sim. Então, tudo isso precisa ser conversado. Eh, o psicooncologista, ele ajuda o paciente a entender melhor as suas vontades e suas necessidades. Agora, nesse nesse universo, né, quando vocês estão diante dessas situações, porque assim, a gente sabe que existem culturas diferentes, religiões diferentes. Isso é pautado também, porque a gente sabe que a depender da religião tem algumas algumas regras, né? Alguns quereres que são diferentes de outra religião, por exemplo. Isso também é levado em consideração? Sim, com toda certeza. Eh, a subjetividade, a singularidade de cada paciente, ela deve ser valorizada acima de qualquer coisa. É ele que decide o que ele pode, o que ele aceita, o que ele necessita. Eh, apesar de algumas religiões serem um pouco mais rígidas do que outras, a gente vê a espiritualidade como algo extremamente protetivo pro paciente. Eh, e existem muitos estudos que falam da importância da espiritualidade pro tratamento. Os pacientes que têm uma espiritualidade, eles costumam lidar melhor com o tratamento de forma geral. Então, eh, a gente vai validar essa espiritualidade, seja ela qual for. Porque em nenhum momento tem a ver com a minha espiritualidade, tem a ver com a espiritualidade do paciente. Então, se naquela religião a espiritualidade tem a ver com aquela regra, a gente vai respeitar aquela regra que limita o paciente e tá tudo bem. A gente vai conseguir fazer o tratamento pensando em outras transivas. Doutora, a gente tem alguns termos, né, quando a gente fala em direito de morrer, os principais são eutanásia, ortotanásia e suicídio assistido. Qual é a diferença? Qual é a particularidade de qual de cada um? a eutanásia, a de maneira bastante resumida, claro, eh, vou só citar os as questões, a eutanásia seria o o suicídio também, mas provocado por uma equipe médica. a equipe vai lá e disponibiliza essa medicação pro paciente fazer o suicídio. O suicídio assistido tem uma equipe, mas é o próprio paciente que vai efetivar essa essa questão. E a ortutanásia tem a ver com deixar o paciente seguir no processo natural do adoecimento. É, é muito importante dizer que a sedação paliativa não tem nada a ver com isso, porque o os tratamentos de suicídio assistido, eutanasia e tudo mais, eles têm a ver com um processo de provocar ou antecipar o processo de de falecimento. Quando a gente pensa em sedação paliativa, a gente tem eh fala muito mais no sentido de tirar aquele desconforto que o paciente está sentindo, porque não tem mais muito que ser feito. Então a gente pode aliviar o sofrimento dele durante esse processo de falecimento, porque ele já está em processo de falecimento. Você não vai sedar um paciente que tá eh no auge do tratamento. Então assim, eh, ele já está num processo, ele está muito desconfortável e a gente vai tirar o desconforto dele para que ele possa fazer uma passagem eh serena. Basicamente aqui no Brasil é isso que a gente tem por lei permitido. A gente tem permissão para fazer sedação paliativa, a gente, os médicos no caso, e o os demais não, a o suicídio assistido não é permitido no Brasil. Nós perdemos recentemente uma cantora e compositora, né, uma artista da Bahia, Preta Gil, que vinha tratando um câncer já há muito tempo, né? O caso dela a gente pode considerar como como esse caso de sedação paliativa. Sim. Eh, a a Preta Gil foi uma influencer, vou nome ela assim, que trouxe muitas possibilidades de cuidado e de antecipação de vontades significativas. Ela conseguiu fazer todo o processo de falecimento de maneira serena e da forma que ela desejava. a gente não tem muitas informações referentes do qual processo que foi feito pro falecimento dela, mas a gente sabe que ela faleceu com os amigos, com a família, entre as pessoas queridas dela, eh tendo todas as suas vontades assistidas. Isso tem muito a ver com dignidade de de morrer. Ela participou até da escolha eh das músicas que tocariam no funeral, né? Uhum. Então eu acho que isso talvez assim, apesar de de parecer muito fúnebre para quem está nos ouvindo, mas para quem está passando pela situação e para quem quer acabar com aquela dor, com aquele sofrimento, eu acho que tem um significado ímpar, né? Sim. Isso ajuda o paciente a encontrar um sentido na morte dele. Eh, de fato, é algo muito difícil. É difícil a gente pensar no que a gente quer, em que roupa a gente quer vestir, o que a gente aceita, o que a gente não aceita. É, é desconfortável pensar nisso. Provavelmente muitas pessoas que estão assistindo essa entrevista tão tão sentindo esse desconforto, porque falar sobre morte é desconfortável. É, a gente vive em uma sociedade que valoriza a vida, que prioriza tudo lindo, rede social, melhor viagem, melhor roupa, melhor jantar. E aí a gente tá falando de um tema fúnebre, sim, só que isso dá dignidade, isso dá potência pro paciente, isso dá um significado para esse paciente conseguir passar por isso. E apesar de ser muito desconfortável ter essas conversas, eh isso ajuda o familiar a conseguir concretizar e passar pelo processo do luto de uma maneira mais saudável. Não, não significa que ele não vai sofrer, não significa que não vai ter dor, que não vai ter sofrimento, mas eh possibilita que esse esse paciente, esse familiar consiga ter aquela sensação de eu fiz tudo que eu podia fazer por ele, eu consegui resolver as questões que ele queria. Uhum. Isso alivia. Isso, por exemplo, quem quem já passou por isso, a escolha de uma roupa no para enterrar uma pessoa é extremamente sofrida. é extremamente sofrido, isso gera muita angústia. Então, se o paciente já escolheu antecipadamente, isso te tira uma preocupação. É muito comum, por exemplo, nesse nesse processo, eu tenho vários pacientes que já fizeram esse esse processo de escolher e organizar absolutamente tudo do que acontecer, como foi o caso da Preta Gil, que escolheu até as músicas do velório dela. Então, eh, isso tira das costas de quem tá vivendo um luto e que tá sofrendo muitas preocupações no Brasil. como é que a legislação atua, né? Porque aqui de frente dos Estados Unidos, por exemplo, onde a a Preta Gil estava, as coisas funcionam de forma diferente, né? Até pela cultura, né? Até pela forma que o brasileiro encara a morte. Como que deve ser a atuação aqui? Em em qual sentido? No sentido assim, o que é permitido por lei aqui, o que não, o que vocês médicos podem ou não fazer quando a escolha do do paciente é morrer? Eh, normalmente é dado um documento, os médicos fazem um documento que tira a responsabilidade do médico frente à aquela situação, porque o o paciente muitas vezes interrompe o tratamento e e ele precisa ser informado sobre todas as consequências dessa interrupção. Então, legalmente a gente tem que respeitar o paciente. É isso que a nossa lei preconiza. Uhum. E ao mesmo tempo a gente precisa eh cuidar para que esses profissionais não sejam prejudicados futuramente pela escolha do paciente. Então os dois lados precisam ficar assegurados nesse nessa situação. Uhum. as diretivas elas são possíveis e normalmente isso é protocolado, isso precisa ser feito com advogado, eh, de preferência ser, eh, vai pro cartório, tem todos os trâmites legais, assim como um testamento legal, um testamento de passagem de casa, enfim, as diretivas elas também são feitas dessa forma. e tem muitos profissionais que trabalham única e exclusivamente com diretivas antecipadas de vontade. É claro que eh isso precisa ser informado pra família, porque não é só o paciente que que vai decidir com a equipe. Na hora que eh, por exemplo, se o paciente chegar desacordado no hospital, quem vai tomar as decisões são os familiares. Então, os familiares precisam estar informados e precisam estar de acordo. Uhum. Porque na na hora do desespero é natural e esperado que a gente tente fazer o nosso familiar sobreviver a qualquer custo, porque a gente não quer aquele sentir aquele sofrimento. Sim. Então é é importante que todo mundo dessa relação esteja informado, que isso esteja protocolado e que de preferência isso seja levado no hospital em qualquer em qualquer situação, eh, já com as documentações escritas. tem alguma determinação, por exemplo, assim, eh, pacientes oncológicos existe essa essa normativa, eles podem se dar ao direito de morrer, eles podem participar de algum desses processos que que acelere, né, esse processo de morte ou não. Isso não depende do tipo de enfermidade que a pessoa tá vivendo. Não, não existe nenhuma lei no Brasil que antecipe qualquer vontade que seja feita. Eh, bioeticamente falando, a gente tem que encontrar o equilíbrio entre fazer o que é possível sem gerar mais sofrimento no paciente. Então, a gente precisa achar ali o a equipe médica precisa encontrar um limite entre fazer mais do que deveria e fazer menos do que deveria. precisa est exatamente no no meio desse caminho. O paciente, ele precisa ser cuidado sem que esse cuidado gere sofrimento para ele. Ele precisa ser cuidado, mas sem que esse tratamento eh seja só por um v financeiro, por exemplo. Legalmente falando, a gente eh tem muitos tratamentos que podem estimular demais um paciente sem uma perspectiva de cura. Será que isso faz sentido? Então, eh, a gente precisa chegar nesse, nesse nível equilibrado do tratamento, mas dentro do que o corpo, do que o tratamento, do que o paciente tem ali, não é nem incentivar Uhum. Mais do que o paciente aguenta e nem desestimular e e tirar o as tratativas quando há possibilidade de cura. Doutora, a gente vai tomar uma água. você também aí das telas, mas a gente volta rapidinho para falar sobre o direito de morrer. Daqui a pouquinho a gente volta. [Música] Voltamos com mais um ponto de vista. É, o tema de hoje, como eu disse no início, né, é um tema delicado, mas extremamente importante que envolve a saúde e a dignidade humana. Ao meu lado está a Dra. Geovana Zaparoli. Nós falávamos sobre alguns casos, né, o que vem a ser ou não permitido aqui no Brasil. Até que ponto a gente pode considerar que existe essa liberdade, esse direito de morrer aqui no Brasil ou não existe de forma nenhuma? existe o direito de morrer com dignidade, mas a as questões de cuidados paliativos ainda são uma construção diária no Brasil. Então, a gente consegue, por exemplo, eh, disponibilizar tratamentos satisfatórios, tratamentos que evitam essa dor, essa malaficiência do paciente, porém a gente não tem nada que seja permitido que antecipe ou eh tire o direito desse paciente de de, por exemplo, adiantar o processo dele, ainda que ele saiba que ele tem uma afinitude próxima. E existe algum tipo de debate, algum tipo de discussão para mudar um pouco essa lei? Porque a gente vê casos de pessoas que estão vegetando, pessoas que estão acamadas, já tiveram ali a morte encefálica, mas ainda estão ali eh vivendo por aparelhos. Muitas vezes o sofrimento é ainda maior paraa família e eles não podem fazer nada, né? A família às vezes até pede, né, para que faça alguma coisa, mas a medicina não tem essa autorização. Já foi discutido algum avanço nessa nessa decisão? Todas essas questões de cuidados paliativos, de direito de morte, são debatidas diariamente na nas no nos conselhos médicos, nos congressos. Eh, é sempre muito difícil tratar essas questões, porque a gente tem limitações eh legais de fato que impedem, por exemplo, o desligar um aparelho quando há, por exemplo, um movimento cerebral daquele paciente. Então, eh, muitas vezes é conseguido, é conquistado esse direito, mas é algo muito longo, muito demorado, algo que precisa de muitas avaliações, em que é feita uma avaliação médica extremamente eh aguçada. É, é preciso muito para conseguir, por exemplo, desligar um aparelho e aí tem que estudar cada caso, caso a caso, caso a caso. E isso é equipe médica quem quem faz de maneira exímia. A gente vê assim, até nós comentamos no intervalo, né? Às vezes tem muitos casos de pessoas que voltam para casa, mas ali elas continuam na mesma situação, né? Não, não progride. Sim. em termos de saúde não progride em nada. E isso acontece justamente porque o próprio hospital, o próprio governo não conseguiria manter a pessoa. Exato. Então assim, eh talvez um pouco de avanço nesse sentido, nessas regras, poderia ajudar inclusive o financeiro do governo, né? A questão financeira do governo e das famílias, né? Porque é muito caro manter alguém acamado, né? Sim. a gente tem eh tanto pelo SUS quanto pelos convênios as assistências domiciliares. Isso é feito, mas isso tem um custo. Eh, a gente, por exemplo, existem casos onde a pessoa fica anos em casa. Eh, será que aquela assistência que tá sendo feita, ela tá sendo, ela ela consegue suprir todas as necessidades? O que que a família precisa colocar ali? ao mesmo tempo, eh, é até e interessante a gente pontuar isso, existem muitas famílias que não só não sofrem por isso, como preferem ter esse familiar acamado, esse familiar nessas condições, eh, porque a esperança ainda existe, porque esse paciente não é um paciente que faleceu, como por exemplo, eh, um paciente que sofreu uma morte encefálica. Ele é um paciente que tá vivo. Então, muitas vezes a família até deseja que esse paciente fique por mais tempo ali com eles, mesmo que seja acamado, mesmo que seja sedado. Uhum. Então, aí tem que ser avaliada essa questão, né? Se mesmo que não exista avanço para cura Uhum. Mas eles ainda assim preferem porque é uma pessoa ali da família e de certa forma ou não permanece ali no naquele elo, né, naquele sítio. Sim. Nós temos uma cultura latina. As culturas latinas, elas têm um apego, um desejo de estar com a família, eh, vivendo, vivenciando aquela situação toda. Então, eh é normal e esperado paraa nossa sociedade, pros brasileiros, que a gente tenha um apego grande, que a gente se vincule fortemente com os nossos iguais, com os nossos parceiros e a gente não quer se despedir deles em nenhuma situação. Isso nunca é fácil. Esse processo nunca é fácil. Seja algo que você conseguiu pensar e e trabalhar até mesmo em terapia, mas é sempre muito difícil. Então, mesmo com com essas questões de dignidade, vontades antecipadas, seja um paciente que tá acamado, seja um paciente que tá em tratamento, é sempre sofrido. Ninguém quer se despedir. Doutora, para quem está em casa, o que vale considerar, o que é considerável também, tanto por lei quanto pela medicina, uma morte digna? é um um processo onde não haja malefícios para esse paciente. A gente tem que pensar sempre na qualidade de vida, nos benefícios pessoais. Eh, o tratamento ele precisa ser eh satisfatório em todos os pontos. É claro que ninguém quer morrer, é claro que ninguém quer passar por isso, mas a gente tem limites pessoais, a gente tem necessidades pessoais e todos esses limites e necessidades precisam ser respeitados. Quando a medicina ultrapassa o limite do cuidado e entra no terreno de prolongamento útil da vida útil, quando é feito mais tratamentos do que aquele paciente precisa, eh, então, por exemplo, aquele paciente não tem mais proposta curativa num num caso oncológico e aquela equipe médica começa a propor novas tratativas, novos novas quimioterapias, novas intervenções que não vão proporcionar nenhum benefício para esse paciente. Eh, inclusive isso é uma questão ética da questão ética médica muito significativa. Eh, isso não é legal, isso é um é um grande problema. É claro que não são todos os casos que isso acontece, mas isso ainda acontece. E isso isso tira a dignidade do paciente, isso traz malefício pra saúde desse paciente, da família, gera sofrimento, gera desconforto e e aquela tratativa não vai funcionar. Então, eh, você tá inserindo um sofrimento na vida dessa pessoa. Por exemplo, uma pessoa que ela tem, ã, um tipo raro de leucemia, ela vem há bastante tempo fazendo esse tratamento, mas num determinado momento ela cansa, porque os tratamentos são difíceis, né? muitas vezes causam dor, malestar e ela decide não continuar com tratamento. Isso é aceitável? Isso é permitido no Brasil? Sim. Sim. É ela que diz o ponto final. O paciente tem direito de escolher a hora que ele quer começar e a hora que ele quer encerrar o tratamento. É claro que as consequências que vê a partir dessa decisão também eh precisam ser trabalhadas com esse paciente. Ele precisa saber de todos os todas as possibilidades disso. Porque, por exemplo, se ele tá muito cansado e ainda tem uma perspectiva de cura, pode ser que ele seja curado. Então, se ele interrompe esse tratamento antes de alcançar ali um processo de cura, pode ser que se daqui um mês, dois meses ele quiser retomar, as consequências sejam muito mais graves para ele. Por exemplo, eh ele pode ter uma metástase, no caso do do paciente oncológico. Uhum. Ele pode ter uma evolução da doença onde ela não se torne mais tratativa e ela se torne algo muito paliativo. É controle. não voltado mais para um para uma remissão do câncer. E não dá para saber, né, quanto tempo a pessoa vai durar, né? Às vezes o o câncer está evoluindo, a pessoa não tem mais opções de tratamento, mas não significa que se ela não tratar por um mês, em um mês ela morre. pode ser que ela fique sofrendo por outros meses, né, outros tantos meses. Eh, no início do tratamento oncológico, eh quando você descobre que você tem ali um tumor, alguma célula que tá querendo, é uma célula oportunista que tá querendo desenvolver, o o crescimento celular, ele não é tão rápido, exceto doenças onde o desenvolvimento celular é muito muito acelerado. Nesse primeiro momento é difícil manejar, é, perder o controle do tratamento. Conforme o tratamento vai desenvolvendo, eh, pode se tornar muito rápido. Então, em questão de um mês, pode ser que aquelas células elas se procriem muito rápido e a gente perca o controle desse tratamento. Não tem como saber. a gente tem a tem a subjetividade de cada caso. Mesmo um paciente tendo o mesmo tipo de câncer que o outro paciente, um vai encaminhar de um jeito e outro vai encaminhar de outro, porque tem a ver com a subjetividade, tem a ver com qual com o estilo de vida, tem a ver com a forma que aquele corpo tá reagindo ao tratamento, eh tem a ver com inúmeras questões. Então, a gente tem que avaliar todos esses fatores para ver o que que é possível e o que não é possível dentro daquele caso. Pode ser que um mês de descanso para aquele paciente faça ele retomar o tratamento com muito mais energia, perspectiva positiva, expectativa, esperança. E um mês pode não afetar tanto. Mas tudo isso precisa ser conversado com a equipe médica, porque tá tudo bem você ficar cansado durante o tratamento e precisar respirar, precisar de um tempo para criar um, dar uns passinhos para trás para tomar um fôlego e tá tudo bem. Mas é importante a gente entender o passo a passo, porque nem sempre isso é possível. Às vezes aquele tratamento se não for feito daquela forma, a devolutiva vai ser negativa. Doutora, agora tem um um outro ponto também que assim para a medicina, para os médicos, né, a equipe que está envolvida nesses casos também deve ser uma tensão muito grande, né? Como é que vocês lidam com essa atenção entre eh buscar a saúde, a cura desse paciente, né, que eu entendo que a medicina muitas vezes faz isso a qualquer custo. Uhum. Mas ao mesmo tempo tem ali o sofrimento da família e tem a decisão, a escolha do paciente, que muitas vezes ele não quer mais continuar. Como é que vocês lidam com essa pressão toda? A, os profissionais da saúde, de forma geral, eles não foram treinados para fracassar. É, a gente estuda, principalmente os médicos, eles foram treinados para curar. Eles entraram na faculdade de medicina para salvar pessoas. Os enfermeiros, os técnicos entraram na faculdade para salvar pessoas. E aí às vezes eles entram em contato com casos extremamente delicados, casos que às vezes mexem até com com o emocional deles, pacientes que são semelhantes ao a alguém da família, pacientes que vivem algo próximo ao que a a algum amigo deles vive. Uhum. E rola uma transferência, a gente transfere com os pacientes também. Então, a gente sente tudo isso que que eu tô passando para vocês. Nós da saúde também sentimos, mas é extremamente importante que a gente entenda o nosso limite como profissional. Também a gente tem novas crescentes em questão de tratativa, por exemplo, nessa visão dos cuidados paliativos, os médicos, os profissionais da saúde estão se aprimorando em tratar o final de vida também da mesma forma que a gente trata o começo da vida. Então, eh, as tratativas estão migrando para algo mais humanizado, para algo mais possível. É importante os profissionais da saúde também se cuidarem. Então, eh, muitas vezes é necessário a gente sair do dos atendimentos e ir pra nossa terapia pessoal. Sim. Ou buscar auxílio profissional de de que forma seja, ter as nossas válvulas de escape também, porque isso mexe diretamente com com o nosso ser. Sem dúvida, né? Quem cuida também precisa ser cuidado, né? Sim. Uhum. Agora, quando nós falamos em tratamentos paliativos, quais são as opções que existem aqui no Brasil e como as famílias reagem diante dessa dessa situação? Olha, de imediato, quando se fala de tratamento paliativo, gera um desconforto. A princípio, o primeiro contato é desconfortável, porque acredita-se que que tá ali porque o paciente vai falecer de imediato, não necessariamente. O cuidados, os cuidados paliativos feitos de maneira adequada, eles iniciam desde o primeiro momento onde em que você teve um contato com uma finitude, seja ela qual for. Se você tem uma doença que ameaça sua vida, por exemplo, diabetes. Uhum. Diabetes mata. Sim. Se você não cuidar, você pode falecer por conta de uma diabetes. Por que não inserir o cuidados paliativos se você tem essa ameaça de morte? É que a gente fala de câncer, fala de de tratamentos bastante aversivos e isso acaba vindo com uma entonação mais perjorativa, mas os cuidados paliativos eles buscam basicamente te dar direito de decidir o que a sua vida vale para você. Quais são as suas necessidades? O que que você busca? Uhum. Ah, eu não quero sentir dor, eu não quero ficar desconfortável, eu quero ter dignidade no meu tratamento, eu quero ser escutado, eu quero ser validado. Os cuidados paliativos de forma geral, eles faz basicamente isso, além dos controles de sintomas, mas tem muito a ver com dignidade de tratamento. E pode ser uma boa opção, eles podem ser eh podem mudar a experiência desse tratamento desse paciente. Eu sou suspeita, né, porque eu trabalho diretamente com cuidados paliativos. Mas ao meu ver, um paciente que é acompanhado e assistido pelos profissionais de cuidados paliativos, eles têm um tratamento muito mais sutil e leve. Não significa que não vai ter sofrimento, mas você vai ter sofrimento dando a mão para alguém, entende? Sim. tendo alguém cuidando e te escutando e te acolhendo durante todo esse trabalho. Agora, quando a gente pensa no luto, é difícil para qualquer um, por mais espiritualizado que, né, que seja a pessoa, por mais que que ela entenda que a passagem, que a morte tenha sido o melhor remédio para aquele paciente, né, muitas vezes um ente querido, eh, ainda assim é doloroso, né? Agora tem diferença, você que lida muito próximo, né, desses desses casos, tem diferença quando é uma morte assistida, uma morte eh quase que prolongada, vamos dizer, eh quando antecipada, né, e uma morte que acontece de forma repentina. Tem diferença pros familiares esse luto? É um peso diferente? O luto ele é muito individual também. O luto tem muito a ver com o a forma que você amou aquela pessoa. Eh, o luto ele é ele é outra face da moeda do amor. A gente não sente luto por algo que a gente não ama. Às vezes a gente sente luto por algo que a gente eh visualiza empaticamente do outro, mas o luto ele tem tem a ver com o amor. Então, eh, você ter essa compreensão de que o seu familiar faleceu, mas ele foi extremamente bem cuidado, que você conseguiu ter uma qualidade de vida ali com ele, que você conseguiu se despedir, que você conseguiu ser cuidado, ser assistido, ser amparado, que você conseguiu amparar e cuidar dele também. normalmente faz com que esse luto seja um pouco menos sofrido. É claro que existe o caso a caso. A algumas pessoas ainda que tenham todo esse esse cuidado, vão ter um sofrimento significativo conforme o luto vai acontecendo. Porém, é muito diferente a forma que os pacientes chegam pra gente no consultório quando tem um uma preparação para esse falecimento, do que, por exemplo, quando chega após um acidente que não foi planejado, não se sabia. O o ser pego de surpresa faz o luto normalmente ser um luto mais complicado. Isso inclusive tá ali nos fatores de risco para desenvolver um luto um pouco mais complicado. Agora, em uma sociedade latina, onde a gente celebra a vida a todo instante, qual é a melhor forma de promover o diálogo sobre a morte, sobre o fim da vida? Porque a gente sabe que em algum momento isso vai acontecer. A gente luta contra, mas a gente sabe que em algum momento isso vai acontecer. Mas o ideal é que aconteça de uma forma leve para todo mundo. Então, como abordar, né? Como dialogar sobre a morte? Olha, pergunta difícil essa. Eh, eu acredito que extremamente leve não é possível, não, né? exceto entre psicólogos que trabalham com morte e luto, que a gente já costumou falar disso na mesa de jantar, mas em outros contextos, eh, o mais importante, ao meu ver, é valorizar a vida. Porque eh se a gente for pensar nos casos familiares, amigos que a gente tem na nossa vida, eh que que partiram, a gente consegue pensar, por exemplo, eh na naqueles velórios que a gente foi, que apesar de serem muito sofridos, a gente consegue pensar: "Essa pessoa viveu, essa pessoa foi feliz, essa pessoa tinha amigos, essa pessoa eh aproveitou a vida, foi um ótimo profissional, foi um ótimo pai, foi um ótimo amigo. Isso muda a forma que a gente constrói o luto. Não tem como a gente pensar em morte e não pensar em sofrimento. Até porque, eh, eu acredito que esse seja o maior sofrimento da humanidade, a finitude. É a única coisa que a gente não tem controle. A gente não sabe quando vem, quando vai, é como vai ser. Se a gente perguntar para um grupo de pessoas como ela quer morrer, provavelmente ela vai falar: "Dormindo". sem dor, sem sofrimento, sem angústia. Quantas pessoas conseguem falecer dessa forma? poucos e bons. Não é assim que funciona a nossa realidade. Então, o quanto a gente consegue valorizar a nossa vida, valorizar as coisas positivas que a gente tem, valorizar momentos positivos, alegres, de potência, a gente consegue validar que talvez tenha chegado a hora daquela pessoa, que não, infelizmente, às vezes é um pouco antecipado, às vezes a gente quer ficar mais com aquela pessoa, mas que a gente conseguiu valorizar tudo que a gente tinha de bom para fazer com aquela pessoa e aproveitar todo todos os minutos que a gente tem com as pessoas que a gente ama, porque a gente nunca sabe quando vai ser o último. para quem vive, né, uma situação, eh, em que tem um familiar que está acamado, que está num período mais difícil, fazendo sim tratamentos, mas que a gente sabe que que é difícil, é importante esse esse contato com a terapia, com a psicologia para se, eu digo isso por parte dos familiares, porque às vezes a pessoa fica tão ali preocupada em cuidar do enfermo que ela esquece de cuidar dela. Sim. Então, eu imagino que seja muito importante ter esse contato também, esse cuidado com aquele que possivelmente vai ficar na hora da partida de quem está doente. Nem sempre é possível. Eh, a gente sabe que as tratativas terapêuticas são bastante caras paraa grande parte da população. Sim. Eh, ao mesmo tempo, a gente pode pensar nas possibilidades que a gente tem em questão de governo. Eh, existem muitos grupos terapêuticos, centros de atenção psicossocial, às vezes até mesmo no hospital onde a pessoa tá fazendo tratamento, ela consegue buscar ajuda. Então, eh, apesar de ser muito difícil, eh, é possível buscar tratativas terapêuticas. Você ser cuidado pode mordar completamente a perspectiva que você tem no tratamento. Então, você ser assistido, você ser acolhido, você ser escutado também te dá potência para conseguir seguir nesse nesse tratamento do seu familiar. Pode ser muito difícil. Pode ser muito difícil. Então, às vezes, valida a possibilidade de conseguir ter uma qualidade de tratamento, ser cuidado, ajuda. Eh, a gente não consegue cuidar do outro quando tá em reserva. Se você tá muito desgastado, se você tá muito triste, se você tá muito preocupado, pode ser que você não consiga cuidar do seu familiar. Você precisa minimamente est bem. minimamente que eu digo é ter momentos de qualidade. Então, vai paraa sua casa, toma um banho, procura alguém para dividir esse peso. Uhum. Vai tomar um café com amigo, vai eh dar uma volta, vai caminhar um pouquinho, vai refrescar a cabeça, pede ajuda. Às vezes não é nem só uma questão de terapia, é uma questão de conseguir validar que você também tem necessidades. É pedir ajuda mesmo, né? às vezes e essa questão de sair um pouco ali daquele daquele núcleo, né, de seja um quarto todo equipado, seja o próprio hospital, mas a pessoa às vezes precisa sair para respirar, né, respirar um outro ar, sim, ver outras coisas que não seja o doente ali naquela cama, né? Uhum. Porque tem momentos que são difíceis e a gente precisa aprender a respeitar os nossos limites também. Geovana, o avanço da medicina aumentou em relação à vida, né? As pessoas vivem mais, mas também a possibilidade de uma morte artificial prolongada, né? Como é o caso, alguns casos que nós comentamos. E aí, como entra então o papel da psicologia nesse contexto para pras pessoas que que enfim decidem, né? Claro que no Brasil isso não é permitido, mas fora. Existe também esse cuidado terapêutico para as pessoas que decidem morrer? Deveria se ter. Deveria se ter, até porque eh se a gente tá falando de dar qualidade de vida pro paciente, da qualidade de decisão, qualidade de e dignidade de vida e morte, Uhum. Às vezes ele precisa ter acesso ao que vem antes disso, se ele tá lidando bem com essa situação, como que tem sido para ele, de que forma ele vai fazer esse tratamento, o que ele aguenta, o que ele não aguenta, o que ele merece, o que ele precisa respeitar de necessidades e de vontades pessoais. Então, ter uma tratativa terapêutica, ter um psicólogo especialista, que ainda é muito raro, aqui no Brasil, extremamente raro, eh, daria uma dignidade para que ele pudesse fazer essa passagem de maneira mais tranquila. Hoje em dia a gente não tem esse acesso, por exemplo, em hospitais normalmente tem um, dois psicólogos por hospital, nem sempre é possível. E aí dentro desses desses casos, muitas vezes esse psicólogo tá trabalhando em outras demandas e não nos cuidados paliativos. Então tudo isso é muito importante de ser trabalhado. A gente precisa pensar no no no na de que forma a gente tá cuidando da nossa saúde mental. A saúde mental ainda é gigantesca no Brasil. O Brasil tem índices terríveis de saúde mental. e o quanto a gente tá conseguindo disponibilizar de cuidado para essas pessoas. É muito possível que se as pessoas tivessem acesso a terapêuticas das mais diversas, não só psicologia, mas, por exemplo, as terapias integrativas dentro do hospital, os cuidados de espiritualidade dentro do hospital, eh profissionais que fossem mais capacitados dentro dessas questões de cuidados paliativos, os pacientes tivessem mais dignidade. Agora falando assim, né, uma parte mais de orientação, né, como o público pode se informar melhor sobre o direito e situações em casos de terminalidade? Eh, existem muitas diretivas que são disponibilizadas para pacientes. Eh, eu vou falar da da oncologia principalmente, que é o local que eu mais trabalho. Existe uma ONG que chama oncoguia, que eles eh disponibilizam todas as diretivas, todas as leis, todos os direitos pros pacientes oncológicos de maneira gratuita, inclusive assistência profissional, inclusive assistência advoca advocária, esqueci, não sei se fala assim, sim, é direito familiar, familiar, tudo mais e eles fazem todas essas esses cuidados com pra população. Existem muitos sites, por exemplo, eh se você escrever no Google diretivas antecipadas de vontade, você vai ter todas as diretivas que você possui, o que você tem direito a, mas até em questão legal, acho que atualmente a gente consegue acessar tudo isso de uma maneira mais ampla. Quais são as considerações finais para o ponto de vista de hoje, falando sobre direito de morrer? Eh, nossa, que difícil. Acredito que quando a gente fala de direito de morrer, assim como eu falei no início, a gente fala muito sobre direito de viver. Então, a gente precisa entender as necessidades, as as importâncias pra gente e pros nossos familiares para conseguir dar uma dignidade para eles nesse processo de de passagem. Maravilha. Eu agradeço sua participação, agradeço por você compartilhar seu conhecimento. Tenho certeza que foi muito válido, né, para muitas pessoas que estão vivendo nessa situação e precisam passar por essa situação da melhor forma possível, né, de forma digna, de forma humana. Muito obrigada. Obrigada. Agradeço você também que nos acompanhou pelas telas e continue acompanhando a programação da TV Câmara de Campinas. Até o próximo programa. Ciao [Música] [Música] [Música] [Música]
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