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Olá, sejam muito bem-vindos aqui ao nosso ponto de vista. Eu recebo hoje a Isabela Brunose. Ela é psicóloga, especialista em psicopedagogia e vai falar com a gente sobre controle parental. Isabela, seja bem-vinda. Muito obrigada. Olá a todos. Bom, então eu já começo aí pedindo para você compartilhar com a gente o seu conhecimento, né, justamente por conta da sua especialidade, né, em psicopedagogia e falar pra gente esclarecer ao nosso público o que é o controle parental. Controle parental é uma medida de atuação que os pais têm para acompanhar, estabelecer ali regras, limites para o dia a dia das crianças, seja das crianças e adolescentes, seja isso no mundo digital ou no mundo eh cotidiano dessa criança. E aí assim, a gente escuta falar, é interessante, mas e quando estamos em casa, como é que isso tem que funcionar na prática? Hoje a gente tem diversos tipos de aplicativos pensando no mundo digital que favorecem o controle parental. Então os pais têm a possibilidade de instalar aplicativos ali no celular da criança e acompanhar como esse jovem, como esse adolescente tem usado aí as mídias sociais, as redes sociais. Mas isso não substitui o papel da família nesse acompanhamento, né? Quando a gente fala de controle parental, a gente tá para muito além de ferramentas que são oferecidas para facilitar esse controle dos pais, mas há um lugar que somente a presença deles pode ajudar o adolescente a se desenvolver de uma forma saudável. Isabela, por algum momento a palavra controle, ela pode soar de uma forma muito rígida, né? Principalmente em algumas fases, né? aquela fase da adolescência que eles querem ter mais autonomia, querem ser dono de si, dono da razão, a gente sabe que é uma fase mais delicada para os pais, para os filhos também, mas aí precisa sim haver um controle, mas de forma que esse jovem, que esse adolescente aceite, porque é uma fase que ele não quer aceitar as regras impostas pelos pais, né? Então, eh, tem como você trazer um exemplo prático para nós, porque a gente entende também que tem muitos, eh, adolescentes que estão ali no seu mundinho virtual e não querem, por exemplo, compartilhar com os pais a senha do celular. Uhum. Sim, com certeza. Na verdade, a gente tem que entender que o controle parental é só uma nomenclatura. Eh, a rede social, o uso da internet, ele é um mundo, na verdade, muito amplo. E a o adolescente, a criança, eles podem usar isso tanto pro bem ali, pro estudo, para adquirir informações, como também eles estão expostos a um lugar muito perigoso. Então, quando a gente fala do controle parental, por mais que a gente eh precise ali trabalhar com a criança, a autonomia, o desenvolvimento da responsabilidade, entender que a nós estamos criando os nossos filhos para o mundo, é preciso que os pais entendam também qual é o papel deles dentro dessa criação. Então, os pais eles não estão num lugar de amigo, né? Eu não sou amigo do meu filho, mas eu preciso ser uma porta de comunicação aberto. Então, meu filho precisa ter confiança e me procurar sempre que necessário, né? e eu preciso estabelecer esse diálogo. Então, o controle por si só ele não funciona. O controle junto com o diálogo, com a parceria e esse relacionamento saudável entre pais e filhos, aí sim ele possibilita que esse jovem, que esse é adolescente se desenvolva de uma forma saudável e esteja mais distante dos riscos da das redes sociais. Inclusive, né, a gente pode até relembrar aqui de uma de uma série que fez muito sucesso, né, a série Adolescência. foi muito comentada e é uma das uma das cenas demonstra exatamente isso, né? A falta de diálogo, né? Então assim, eh muitas vezes o pai pensa: "Ah, meu filho não dá trabalho, ele fica ali no quarto, só fica na internet, então tá tudo certo". Mas não, o problema pode ser exatamente ali, né? Então por isso essa tensão, né? esse diálogo e até o controle mesmo para poder saber em que esse filho está dedicando tempo. Sim. O fato do jovem estar dentro de casa no quarto não significa que ele tá 100% em segurança. Na verdade, o celular, o computador, né, os jogos online expõe essa criança a um mundo que não é muito difícil ter o controle, né? ele pode ter contato ali com pessoas de diversos lugares, com as mais diversas intenções. E é importante quando a gente fala desse diálogo entre pais e filhos, também a gente entender eh a a diferença entre as gerações. Então, a linguagem dos adolescentes hoje é diferente da linguagem que nós tínhamos quando nós éramos adolescentes. E os recursos que eles têm hoje de comunicação são muito mais amplos do que aqueles que nós tínhamos, né? Eh, um exemplo, né, você eh dá ali acesso ao WhatsApp para uma criança, né? Hoje a maioria das pessoas está inserida nesse contexto do WhatsApp. O WhatsApp ele tem uma função, né, que por mais que você fale assim, ai eu olho o celular do meu filho, eu sei o que ele tá falando no WhatsApp, a criança pode apagar a mensagem, apagar a mensagem que tá dizendo ali que ele apagou uma mensagem, você não sabe o contexto daquela história, daquele histórico de conversa, né? Então, é preciso ter essa porta, esse canal aberto para que a criança entenda o que é seguro e o que não é e ela saiba pedir ajuda, né? Eh, como é o exemplo da série adolescente, né? Eles se comunicavam ali de uma forma que para os adultos eram muito muito inocente através de emojis, né? E os adultos ali daquela série não entendiam qual a mensagem que tava sendo dita, mas entre eles era muito claro. Por isso que a gente precisa tá bem eh inserido dentro desse mundinho em que eles vivem para entender o que que eles estão vivenciando. Eh, e muitas vezes pros pais não fica claro. Agora, Isabela, a gente pensa eh no controle parental, é muito comum a gente pensar mais nos adolescentes. Uhum. Será que não é um, não tem um momento antes da adolescência que seja importante ter essa atenção, ter um olhar diferente justamente na infância para que na adolescência essa criança, esse filho não dê trabalho, não dê dor de cabeça e também não se sinta ali naquele relacionamento distante, né, de pai e filho. Não tem aquela coisa, porque muitas vezes a gente percebe que o filho olha pro pai como se fosse assim: "Não, ele é meu pai, ali eu não posso ter um diálogo, ali eu não, né, não posso brincar". Então assim, uma questão hierárquica mesmo, né? Sim. Na verdade, quando eh se fala de crianças, né? A primeiro ponto que os pais precisam considerar, qual é o objetivo de se oferecer para uma criança acesso às mídias sociais, né? Porque geralmente uma criança ela não sai sem o acompanhamento dos pais, né? Então o que eu quero? Porque eu quero que o meu filho tenha um celular, qual vai ser o objetivo? E desde pequeno, caso o pai escolhe, né, o que não é indicado, que essa criança tem acesso a a um aparelho eletrônico, né, eh já ir explicando e conversando sobre essa com essa criança sobre o mundo digital, né? E eu acho importante, Carla, sempre gosto de trazer essa reflexão pros pais. Nós tivemos uma educação muito eh punitiva e muito fechada, em que muitos de nós não tínhamos acesso aos pais para falar sobre os nossos problemas, sobre as nossas dúvidas, sobre aquilo que nos angustiava. E hoje a gente tem uma geração que é mais aberta e mais permissiva nesse relacionamento, o que é muito positivo, mas é eh os pais não podem confundir esse lugar entre pai e amigo, né? Você ser receptivo ao seu filho não significa que você precisa eh ser 100% permissivo. Você precisa exercer esse papel de autoridade, esse papel de dizer pra criança: "Olha, aqui é o limite, até aqui você pode ir. a não estar na hora ainda de você ter acesso ainda a isso e explicar, né? Porque paraa criança eh o o melhor jeito da gente trazer ela para paraa realidade compreender é sanando toda a curiosidade. Então ela vai perguntar: "Mas por que eu não posso?" Não adianta você falar assim: "Ah, porque você não é todo mundo, né?" É explicar pra criança. Você não pode porque você ainda não tem maturidade para isso. Porque essa rede social, por exemplo, ela só é permitida para maiores de 13 anos. Então, quando você tiver 13 anos, vai fazer sentido você ter um celular? Por enquanto ainda não. E assim você vai estabelecendo uma relação de confiança, mas também mostrando pr pro seu filho quem é a autoridade ali dentro da casa de uma forma saudável e respeitosa. É aquela velha frase, né, que assim, na época que nós usávamos aquela questionava o pai falando assim, mas por que não é uma resposta? A gente aceitava. Uhum. E tudo bem, as crianças de hoje não, não, eles querem saber não, mas por que não me deu um motivo, né, para você não me deixar, sei lá, assistir determinada série. Então, as crianças de hoje em dia, a gente tem que entender isso também, né? Acho que muito por conta da tecnologia também, as informações chegam mais rápidas e elas acabam se desenvolvendo mais rápido também, né? Sim. E elas têm a onde buscar. Eh, se você não sana a dúvida da criança, do adolescente, ele vai buscar isso em um outro lugar. Ele pode buscar com um amigo ou ele pode buscar isso dentro da internet. E dependendo do que ele digitar ali, do que ele tentar eh compreender, ele vai ter acesso a coisas que são muito impróprias paraa faixa etária. Por isso que é importante esse canal de comunicação, que a criança, que o adolescente entenda que qualquer dúvida que ele tiver, por mais difícil que seja falar sobre o tema, é pro pai, é pra mãe que ele deve perguntar. Primeiramente, a gente tem um outro cenário também, Isabela, que é um pouco contrário, né? Eh, não são os pais que não conversam, que não tem diálogo, mas aqueles pais que super protegem. Uhum. Né? Que ficam muito em cima também, né? Talvez, claro, né? É, talvez não. Eu imagino que todo pai e toda mãe sempre faz alguma coisa pensando em acertar e às vezes isso acaba vindo com uma certa dose de exagero. Como que o pai e a mãe pode agir para ter esse para saber controlar, equilibrar esse diálogo, essa aproximação com o filho? Sim. É, é normal, né? O pai querer blindar o filho, o pai e a mãe quererem blindar, blindar os filhos. das do sofrimento do da vida, né? Porque eh é isso, se desenvolver, crescer, traz eh situações ruins e é importante, por mais difícil que seja, que essa criança, que esse jovem passe por isso. Então, quando um pai toma uma decisão por um filho, um pai não permite que o filho faça nada, crie ele ali, a gente fala, né, dentro de uma bolha, realmente, né, eh, você tá privando essa criança de experiências que vão fazer falta para ela, seja na adolescência, seja na vida adulta. Um exemplo muito claro sobre isso é a vontade, o desejo que muitos pais têm de que o filho não passe por um sentimento de frustração. E a frustração é importante, né? Por mais dolorido que seja ver a criança chorando, a criança magoada, por uma coisa que talvez você pudesse oferecer para ela, é um sentimento que é importante porque ela ensina eh a ter habilidades socio-emocionais que vão ser importantes para a vida adulta, né? E quando eu tenho um comportamento super protetor de não deixar que esse adolescente, por exemplo, saia com os amigos, porque eu tenho medo de que na rua aconteça alguma coisa, ou eu não deixo em hipótese alguma o meu meu filho de 16 anos ter acesso a um celular quando todos os amigos têm, eu também tô criando uma forma de excluí-lo do mundo, porque por mais que a a a internet tenha seus riscos, essa geração é uma geração digital. Isso a gente não pode negar. Então, os pais precisam entender esse limite entre não ter uma educação permissiva, mas também não ter uma educação 100% protetora, em que a o adolescente, o jovem não esteja exposto a situações que fazem parte do desenvolvimento humano. E tem como o pai perceber que ele está super protegendo os filhos? Tem alguma dica para ele se atentar mais? Porque normalmente o pai que tá ali na, né, exercendo essa função de proteger, a função de pai, claro, mas algumas vezes ele não consegue perceber, né? Ele acha que aquela forma é a forma correta de educar e para ter um filho cada vez melhor. Mas nem sempre é dessa forma, né? Sim. Eu eh a avaliação pode ser feita da dessa forma. É, o seu filho pediu algo ali para você, você disse não porque você e e trazer essa reflexão de eu disse não porque o meu filho ainda não está preparado para isso, porque não é a faixa etária adequada ou eu disse não, porque eu tenho medo do que vai acontecer pro com meu filho quando ele vivenciar essa situação. Se a resposta for a segunda, é, é importante trabalhar também essa confiança e é através da orientação, né? E aos poucos ir soltando esse jovem pro mundo que você vai conseguindo perceber até onde ele pode caminhar ou não. E o mesmo com as redes sociais. Então você vai permitir que o seu filho tenha acesso a um Instagram. Então você faça ali uma conta própria para adolescentes, você monitore isso e você vá conversando com essa criança diariamente, com esse jovem, com esse adolescente para ver o que que ela vai te trazendo, observando sempre mudanças de comportamento, né? Se ela se o jovem ficou mais acuado ou não, se tá passando muito tempo no no celular. Mas é importante que os pais tenham essa reflexão através do comportamento que é o próprio jovem mostra para ele, daquilo que ele dá ou não conta de fazer. Isso tem pais e mães, né, responsáveis que defendem eh, por exemplo, eu vou instalar um aplicativo para eu poder monitorar o comportamento dele nas redes sociais e decide fazer isso escondido. Uhum. Você acha que é válido? O melhor não seria não, eu vou sim instalar um aplicativo que é pra sua segurança, pra minha segurança, porque isso faz parte do diálogo e da transparência, né? Se você esconde isso, como é que fica, né? A relação é uma relação que se quebra e é o que eu o que eu disse anteriormente, os pais eles têm muito medo de assumir esse lugar de autoridade dentro da educação dos filhos e aí eles têm uma postura muito mais às vezes muito mais como amigos do que como os pais. Mas o jovem ele precisa saber, ele não é ainda um adulto, ele não tem eh as habilidades socioemocionais 100% formadas, ele não tem maturidade para lidar com aquilo. Então ele precisa ser supervisionado. Assim como nós temos leis, né, que só permitem que certas coisas sejam feitas a partir dos 18 anos, o adolescente ele é ainda um menor de idade que precisa da supervisão. Então sim, os pais têm que falar: "Olha, você vai ter rede social, mas você vai ter rede social dentro dessas condições e eu vou monitorar isso." Mas o que que é importante os pais saberem? Cada vez mais os adolescentes têm recursos para lidar com para borlar ali as regras da supervisão. Então, existem eh muitos adolescentes que têm a conta oficial do Instagram, que é aquela conta que o pai eh monitora, mas ele tem uma conta paralela em que ele adiciona só os amigos e muitas vezes os pais nem fazem ideia que ele tem essa conta. Por isso que é importante, mais do que entregar o celular e controlar por um aplicativo o que que esse jovem tá acessando, a conversa. Então, por que você precisa de uma conta em que seu pai não esteja? O que que você quer postar lá que seu pai não pode não pode ver, né? Então, a conversa, a orientação, o diálogo são fundamentais para essa para esse relacionamento entre pais e filhos. Isabela, a gente vai tomar uma água, você continua ligado que a gente já volta com mais informações para você e paraos seus filhos. Até já. Seja bem-vindo novamente à segunda parte do nosso ponto de vista. Nós estamos aqui papeando, debatendo sobre controle parental, mais precisamente tomando um pouco do conhecimento da psicóloga Isabela Brunose. Isabela, conta pra gente aqui, eh, além de tudo isso que nós falamos no primeiro bloco, envolvendo rede social, o comportamento dos adolescentes, a gente não pode esquecer que tem um momento que eles vivem que é dentro das escolas, né? Uhum. Então, acho que é importante ter essa atenção também, porque ali na escola ele também vivencia diversas situações que é sim do interesse dos pais, né? Pelo menos deve ser, né? Sim. Além, a adolescência por si só é uma fase muito complicada do desenvolvimento em que a o jovem ali ele vivencia diversos tipos de conflitos internos e externos. E quando a gente pensa ali na questão da vivência em grupos, com os pares, com a mesma faixa etária, eh os conflitos eles são intensos nessa faixa, nessa faixa etária e eles acontecem com bastante frequência. E quando a pensamos ali no no fator rede social, isso vem potencializado, porque muitas vezes ali na internet eh os adolescentes têm a sensação de que porque eu tô atrás de um celular, eu tô 100% protegido e eu posso falar e fazer o que eu quiser sem me preocupar com o quanto isso vai afetar o outro, né? Então, a gente tem hoje uma nova modalidade de bullying, que é o cyber bullying, que é aquele que acontece dentro da das redes sociais e ele acaba sim respingando dentro ali na escola, né? Porque muitas vezes os conflitos começam online e como eles se encontram ali no dia seguinte eh dentro da escola, acaba tendo um impacto até no desenvolvimento pedagógico, na aprendizagem desse jovem. Por isso que é importante estar atento e entender que eh os mundos estão conectados, né? Por isso que os pais precisam estar muito próximos também da nesse relacionamento com a escola. E aí, com tudo isso acontecendo, né, seja via internet ou presencialmente, a gente precisa cuidar muito da nossa mente, né? Já acho que eu acredito nisso, que esse cuidado com a mente deve ser aí desde a infância, né? Mas na adolescência acho que tem que ter uma atenção especial, né? Porque pode sim deixar até algumas marcas, né? Uhum. Como eu falei, né? A adolescência por si só é um período complexo. E aí quando olhamos pra questão das mídias sociais, paraas principais plataformas, né, de eh sociais, um movimento que é muito intenso entre os os jovens é a comparação eh com uma vida, na verdade, que não é a vida real, né? Então, a gente tem ali diversos influencers, diversas eh figuras públicas que mostram uma vida perfeita, uma vida eh uma aparência física perfeita. Então eu acordo já super bem, maquiada, super disposta, quando na verdade a vida, né, o cotidiano para muitas pessoas não é assim e cria ali no jovem uma expectativa, uma autocobrança além do que é saudável, né, e pode trazer ali, eh, baixa autoestima, eh como eu falei, a frustração que às vezes o adolescente não sabe lidar, pode trazer sinais de depressão, né, e até baixa expectativa. A gente tem muitos adolescentes nas redes sociais, muitos influencers que são adolescentes que falam sobre a a escola não ser importante, é não ser importante você fazer um curso superior, que desestimulam eh os estudos e mostram que a vida ali é em casas de aposta e em outras outros lugares traz mais retorno, né? Retorno fácil. E aí isso vai contaminando ali o adolescente, colocando ele num lugar muito complicado, né? Outro ponto importante, a gente vive uma geração agora e muitos estudiosos têm falado sobre isso, que é a geração que assiste os vídeos curtos, né? Os famosos vídeos curtos, né? Então eu não busco, antes a gente fazia pesquisas em enciclopédia, depois passamos pro Google e agora a maioria dos dos adolescentes, quando você pergunta onde você faz buscas, eles procuram no TikTok. porque o vídeo é curto. Eh, isso também impacta no tempo atencional desse adolescente. Então, eles não conseguem mais assistir um vídeo de com duração de 5 minutos, porque eles não conseguem sustentar essa atenção. Então, sim, o mundo digital ele tem seus benefícios, ele tem uma uma facilidade de acesso, mas ele acaba impactando também em vários aspectos cognitivos e do funcionamento humano, né? Isso pode ter alguma relação com aqueles momentos que a gente pensa que é preguiça, né? Que é aquele momento que eles não querem fazer nada, só quer ficar olhando pro celular. E às vezes não é porque está conversando com alguém ou assistindo algo, não. Eles só estão ali rolando o dedinho. Sim, né? E ao mesmo tempo acabam não vendo nada, né? Porque só vai passando, passando e não querem fazer mais nada. Isso acaba interferindo, né? Porque quanto menos você faz, menos coisa você vai querer fazer. Você fica num, né? Sim. Você fica num ciclo vicioso ali e você não tem realmente muitas vezes energia para fazer coisas que sejam produtivas, né? Então eu fico o dia inteiro no sofá rolando. Muitas vezes eu não tô nem prestando atenção no que eu tô vendo, mas eu tô naquele lugar e não consigo me desprender. Por isso que é indicado que os adolescentes não tenham livre acesso eh ao celular, que eles tenham ali um determinado horário em que eles possam eh verificar o celular, conversar com os amigos, interagir ali numa rede social, mas preferencialmente depois que ele tenha cumprido todas as obrigações. Então, fiz, fui pra escola, fiz a minha tarefa de casa, estudei e aí sim eu vou ter um tempo, um tempo de de lazer, né, um tempo livre para fazer o que eu quero mais um tempo determinado, né? muitos adolescentes não conseguem mais, por exemplo, praticar um hábito de leitura, não tem mais interesse em praticar um esporte, né, até por conta dessa autocobrança. Então, a gente vê dentro das mídias sociais um mundo eh que idealiza o corpo perfeito, né? E a cobrança que esse jovem se coloca às vezes deixa de ser saudável. Então, eh, é preciso ter muito cuidado com isso e é interessante que quando o adolescente esteja no celular, no tempo dele de celular, os pais estejam em casa, que não seja um momento, por exemplo, em que ele esteja sozinho e de preferência também num lugar que tenha circulação dos pais. Essa questão de eh do celular, ela foi parar na casa de leis, né, justamente porque estava atrapalhando o desenvolvimento escolar, né? Uhum. eh, do aluno, atrapalhando também a vida do professor, que queria lecionar, queria explicar, mas não conseguia a atenção do aluno porque ele ficava no celular. E foi até determinado, né, que que não que não se leve mais o celular pra escola. Eh, essa é uma prática que pode ajudar a a equilibrar essa relação, esse desenvolvimento do adolescente, de entender que ele pode usar a internet, mas num determinado tempo, em outro tempo, ele tem que estudar, ler um livro, praticar esportes. Sim. E eu acredito que essa essa lei ela seja muito benéfica por conta disso. Era muito comum dentro dos intervalos de escola eh os adolescentes estarem sim em grupos, né? Não não isolados, mas cada um no seu próprio celular, sem ter ali uma interação eh saudável, uma interação verdadeira, né? Então eu fico ali isolado junto, mas isolado no meu mundo e no celular. E muitos adolescentes quando saem da escola passam à tarde já dentro do celular, né? Então utilizar o os momentos que são próprios pra socialização para isso, não só na escola, né, que hoje é um ambiente que eles não podem mais utilizar o o celular, mas também em casa. Então, o momento do jantar em família, se possível que ninguém esteja com o celular, porque não adianta eu falar e não dar o exemplo. Meu filho tá falando comigo e eu tô ali mexendo no celular e não tô ouvindo, né? É um hábito, na verdade, Carla, que precisa ser mudado em toda a família. Não só a gente fala dos adolescentes, mas nós adultos também temos o costume de não dar devida atenção, porque a gente tá ali eh respondendo uma mensagem muitas vezes sobre trabalho, né? Mas é preciso ser o exemplo, porque as crianças e os adolescentes eles aprendem pelos exemplos. Eu não posso falar e fazer o contrário, né? Então, eh, se eu privo o meu filho, se eu deixo o meu filho ali só com 2 horas de uso de celular, eu também preciso monitorar o meu uso, né, para que ele entenda, eh, com o exemplo e e perceba que a vida tá muito além da do mundo digital. A gente entende que dentro do controle parental é importante em algum momento dar a essas crianças, esses adolescentes, uma certa autonomia até para que eles comecem a amadurecer, né, eh, cooperar com esse desenvolvimento deles. Como é que esse momento pode começar, né? Como se deve iniciar essa prática de dar autonomia a eles? Na verdade, é sempre preciso analisar eh em que momento o a criança, o adolescente está. Então, eh, e isso com práticas do dia a dia. Então, o meu filho já consegue, por exemplo, se ele vivenciou um problema dentro da escola, né, ali um conflito com um amiguinho dentro da escola, com um colega dentro da escola, ele consegue perceber o que é certo, o que é errado, ele já consegue ter esse julgamento, ele consegue buscar ajuda, eh, e sempre ir conversando sobre essa importância. A partir do momento que a criança entende ali isso é certo, isso é errado, ele consegue perceber eh para quem ele busca ajuda caso ele vivenci uma uma situação assim, a gente pode começar a falar um pouco sobre essa essa entrega da das redes sociais, né, do celular, dos aparelhos eletrônicos e aí os pais precisam aos poucos sentir como tá indo essa relação. Então, entreguei um celular pro meu, pro meu filho, né? E ali quando eu tô monitorando, eu percebo que ele escondeu alguma coisa de mim, né? Então ele escondeu por quê? Ele escondeu porque ele tá com medo de você, porque ele ou porque ele sabe que ele tá fazendo alguma coisa errada ou na verdade ele ainda não percebeu que aquele movimento está errado. Estou dentro de um grupo de WhatsApp, grupo da sala, né? E ali aconteceu uma situação de cyber bullying que não, na verdade não foi o meu filho que praticou, mas ele tá dentro do grupo. Seu filho vai ser conivente. Ele ficou quieto ou ele te trouxe que aquilo tá acontecendo? Então a partir do momento que o pai percebe que a criança já tá fazendo essas leituras sociais, a gente pode ir falando um pouco mais sobre autonomia, porque ele tá desenvolvendo um senso de responsabilidade em relação ao uso do celular. Eh, eu já vi na internet, né, pessoas comentando o seguinte, eh, fazendo comparações, né, claro que são épocas diferentes, pessoas são criadas de forma diferente, mas eu acredito até que essa pergunta veio de uma mãe falando o seguinte: "Eu posso responsabilizar o meu filho, por exemplo, pela arrumação do quarto, organizar as roupas?" Então, aquela situação, né? chegou da escola, tira o uniforme, se tiver que lavar, põe na máquina. Se tiver que guardar, guarda. Isso ajuda no amadurecimento, na criação de responsabilidades, até para ele ter algumas atividades para fazer e não só ficar pensando no celular. Sim, sim. E existem atividades em casa que são estão de acordo com cada faixa etária, né? Os pais têm tm muita facilidade para encontrar esse tipo de estudo eh na nas pesquisas que eles fizerem, né? E é importante trazer paraa criança esse senso de responsabilidade e importância também, até porque nós estamos trabalhando com um desenvolvimento para que eles se tornem adultos funcionais, né? Se eu resolvo tudo pro meu filho, se ele ele chega em casa, a roupa dele tá dobrada em cima da cama, se eu não deixo que ele e às vezes, na verdade, a Carla acaba sendo um movimento automático. Então, a criança tá ali demorando para colocar o tênis, você vai lá e você coloca o tênis nela porque você precisa sair. Mas eh é esse tipo de tarefa é importante para que para que eles entendam que cada um tem o seu papel dentro da sociedade, né? Então, eh, nós moramos na mesma casa. Eu não sou a única que sou responsável pela organização. Nós moramos na mesma casa, o quarto é seu. Quem vai organizar o quarto é você. Se você não organizar o quarto, alguma consequência em relação a isso vai ter. Mas você tem um papel importante aqui dentro desse eh contexto social que é a nossa família. E sim, eles dão conta de fazer, por mais demorado que seja, eles fazem. Eu acho que até gostam, né? Porque assim, principalmente se começa cedo, né, que a gente vê, por exemplo, crianças que se interessam em ajudar na cozinha, né, querem fazer o almoço, o jantar, né, às vezes tentam ali fazer uma receita, justamente porque acho que o pai e a mãe pega pela mão e vai mostrando, né, olha, é assim, é assado, vem me ajudar. Acho que isso acaba incentivando e até aproximando essa relação, né? Sim. E muitas atividades domésticas estão relacionadas também com o desenvolvimento cognitivo. Então, eh, para nós parece coisa simples, coisa do cotidiano, mas o fato de você pedir para uma criança estender uma roupa num varalzinho, ela tá trabalhando ali um movimento de pinça que vai ajudá-lo no processo de de escrita da letra cursiva quando ele for alfabetizado. Então tá tudo relacionado, né, para para nós que somos estudiosos da área, né, tudo tem uma função. Então sim, é importante deixar, é importante trazer esses desafios, é importante que eh o jovem entenda que tem coisas que só ele vai fazer, né? Então não adianta, por exemplo, eu o meu pai investia ali em uma boa educação, só que eu chego em casa, eu fico o dia inteiro no celular e não estudo, porque na hora de fazer a prova é ele que vai estar ali sozinho fazendo, né? Então, cada um tem o seu papel e é importante passar essa responsabilidade para eles. Sim. Quais são os outros pontos que você acha relevante a gente compartilhar com o público sobre controle parental? Eu acho importante dizer que os pais não precisam ter receio de supervisionar seus filhos. Eles precisam disso. Eles precisam que vocês estejam perto deles acompanhando. Eh, pro jovem, pro adolescente, é importante sim ter limites. E quando você diz não pro seu filho, você não tá sendo um pai ruim, uma mãe ruim, pelo contrário, você tá fazendo ali o seu papel de pai de protegê-lo, mas é importante dosar a situação. Então, converse, oriente, mantenha eh a porta sempre aberta para que esse jovem procure por você em qualquer situação que ele vivencie, traga ali, de acordo com a faixa etária, a real situação das redes sociais, o quanto isso pode impactar positivo e negativamente e seja eh o conforto que seu filho precisa para caso ele vivencie algum algum problema, procurar ajuda. E caso a criança entre em algum sofrimento emocional por conta de alguma situação que ela vivenciou, a criança ou adolescente vivenciou dentro da rede social, clarista. Isabele, quando a gente percebe, né, eh, comportamento, comportamentos diferentes, aquela tristeza, aquela vontade de ficar sozinho, tem fase da adolescência e adolescentes que quando começam a crescer começam a querer esconder o corpo, não que é para mostrar, mas eles começam a ficar muito retraídos, né? Esse é um momento de aumentar o diálogo. Você acha que vale uma visita ao psicólogo, conversar de repente na escola? Porque isso envolve, né, tanto a vida escolar, a vida dentro de casa. Será que um psicólogo seria o ideal para ajudar nesse momento? Sim. Qualquer mudança de comportamento que um adolescente apresentar para além da da normalidade daquilo que ele sempre foi, é importante já liga um sinal de alerta, né? como você falou, realmente é comum que eles escondam o corpo. Eh, pode ser que diante de uma situação de conflito que ele não esteja conseguindo pedir ajuda, ele se feche. Então, os pais precisam estar atentos a tudo isso e também as considerações que muitas vezes a escola vai fazer, porque em casa ele pode tá normal, mas na escola ele ele mudou completamente comportamento, né? As notas começaram a cair, ele tá se isolando, né? E isso sim é um indício de que tem alguma coisa errada, né? ao mesmo tempo que, por exemplo, uma criança que sempre foi muito retraído, um jovem que sempre foi muito retraído, de repente está super expansivo e um expansivo para além daquilo que a gente eh considera eh adequado para determinados ambientes. Isso também pode ser alguma coisa que tá acontecendo, ele teve acesso a alguma alguma coisa que não seja muito legal. Então, sim, conversar com a escola, ver se é o caso de buscar uma ajuda profissional e estar aberto, porque alguns pais têm receio quando a gente fala da da psicologia para adolescentes, mas é um um uma ferramenta importantíssima paraa construção de habilidades socio-emocionais, para que a criança tenha ali uma uma estrutura para lidar com esses desafios da do desenvolvimento. Vale também nessa fase uma aproximação dos colegas de classe e dos colegas talvez do bairro, talvez até dessas famílias, porque a gente é de uma época que você falava assim pr pra mãe ou pro pai: "Ah, eu vou na casa da Ana, quem é Ana?" Uhum. De quem ela é filha? Onde ela mora, né? A gente passava por um interrogatório. Hoje quase não tem isso porque tem ali na rede social e tal. Então, entende-se que conhece. Você acha que vale também? Não. Então, chama seu seu amigo, vem aqui, vamos fazer uma sessão de cinema, vai até a casa dessa família para conhecer quem são. Você acha que vale essa aproximação? Sim, sim. É muito importante saber quem são as relações da do seu filho, né? Com quem ele conversa, com quem são os amigos, com quem ele fica, eh aonde ele vai, qual é quem é a família, né? dessa desse jovem com quem ele se relaciona e trazer, né, eh quanto mais o o seu filho se sentir acolhido dentro de casa e sentir que ele tem esse lugar para estar com os amigos, um lugar gostoso, um lugar que ele queira ficar, mais próximo ele vai estar dos pais, né? Muitos adolescentes buscam as saídas porque em casa eles não têm essa sensação de de liberdade e acolhimento, né? Então, torne a sua casa um ambiente que o seu filho queira estar com os amigos, né? ele ele queira ficar ali, porque também é importante pros pais dentro desse relacionamento. Estou com um grupo de amigos do meu filho em casa, prestar atenção no que eles estão conversando, sobre o que eles estão falando, porque assim eles vão se os pais podem se inteirar do mundo daquele adolescente. E para aquela família que ainda não entendeu ou não conseguiu colocar em prática o controle parental, quais são os riscos que essa família pode vir a ter diante dessa criança, desse adolescente? Muitos, né? Quando um adolescente tá 100% livre dentro de uma rede social, é como se você pegasse o seu filho e deixasse ele ali no centro. de uma grande cidade, completamente sem orientação e esperasse para ver o que vai acontecer, né? Quando você não supervisiona o que tá acontecendo no celular, o seu filho pode estar exposto aos mais diversos riscos, né? eh, envolvendo outras pessoas, tendo acesso a coisas que ele não deve, participando de desafios, eh sem saber os riscos que isso isso traz paraa saúde e para pra vida dele. Então, não tem como eh a gente falar de eh rede social para adolescente sem falar de controle parental. as duas coisas estão juntas, precisam caminhar juntas e os pais precisam ter esse esse controle sobre o que os adolescentes estão fazendo nas redes sociais. Ou seja, é preciso cuidar, é preciso proteger, mas sobretudo ter um diálogo, né? Uhum. Respeitar a individualidade de cada um, mas ter um diálogo. Sim. O controle por si só é você vai conseguir ali monitorar, mas ele não vai ter a efetividade do que se propõe, né? Então o controle é só uma palavra, né? O que tá por trás de tudo isso que é importante. Então é a formação desse adolescente para o mundo digital, que é o mundo que a gente vive hoje, né? que eles vivem eh hoje e ele entender quais são os riscos, o que que se deve, o que que não se deve fazer, quais são os limites do uso dessa rede social para que ele possa então se desenvolver e tornar-se então um adulto funcional. Quais são as considerações finais para esses pais que estão aí pensando em começar a colocar em prática esse controle parental? Não, como eu disse, não tenham medo, né? vocês não vão eh atrapalhar o relacionamento de vocês com os filhos. Pelo pelo contrário, isso é um ato de amor, é um ato de cuidado e é muito importante que vocês façam, né? Não sabe por onde começar, não sabe o que fazer, peça ajuda para outras pessoas, fale com um psicólogo, converse na escola do seu filho, porque muitas escolas têm esse trabalho, né, de orientação parental. Eh, e leia sobre o assunto, né? Nós temos muitos materiais aí na nas redes, nos internet, nas redes sociais, direcionando os pais em relação a isso, mas é importante que se entenda que as duas coisas precisam caminhar juntos, né? Então, controle parital e a rede social. Não existe rede social para o adolescente sem o controle dos pais. Maravilha, Isabela. Muito obrigada por participar, por compartilhar aí o seu conhecimento. Eu que agradeço a oportunidade. Obrigada você que nos acompanhou até este momento. Continue com a nossa programação e até o próximo ponto de vista. [Música]