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Ponto de Vista | Adultização Infantil e os riscos da exposição precoce nas redes sociais
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Ponto de Vista | Adultização Infantil e os riscos da exposição precoce nas redes sociais

100 views Publicado 23/08/2025 HD · 40:24

Descrição do vídeo

O termo “adultização infantil” tem dominado debates nas redes sociais e até no Congresso Nacional. O assunto voltou à pauta após o youtuber Felca publicar um vídeo denunciando a exposição precoce de crianças em conteúdos de internet e a suposta exploração sexual de menores pelo influenciador Hytalo Santos, investigado pelo Ministério Público da Paraíba desde 2024. No Ponto de Vista, conversamos com o psicólogo Lucas Prado sobre os impactos da adultização na vida das crianças e como a sociedade pode enfrentar esse problema. 📌 O que é adultização infantil? Segundo a Fundação Abrinq, a adultização ocorre quando crianças são expostas precocemente a comportamentos, responsabilidades e expectativas típicas do mundo adulto. Alguns sinais incluem: Uso precoce de roupas e maquiagens sexualizadas; Repetição de falas, gestos e coreografias de teor erótico; Acesso livre a músicas, vídeos e influenciadores com conteúdo sexualizado; Pressão para “parecer mais velho” e ser aceito socialmente. 📌 Quais são os impactos? Os efeitos da adultização podem ser profundos e duradouros: ✔️ Problemas emocionais, como ansiedade e depressão; ✔️ Dificuldades na socialização e na construção da identidade; ✔️ Fragilidade na autoestima e autopercepção; ✔️ Maior vulnerabilidade a situações de exploração e violência. 📌 Felca e a repercussão do tema No vídeo que viralizou, Felca denuncia o fenômeno da adultização, critica pais e responsáveis, e alerta para os riscos da manipulação dos algoritmos das redes sociais, que aumentam a exposição de crianças a conteúdos sexualizados. O youtuber relaciona a prática ao contexto da pedofilia, chamando atenção para o perigo da exploração digital. O caso do influenciador Hytalo Santos é usado como exemplo: vídeos exibem menores de idade em situações de conotação sexual, com falas e perguntas impróprias. Segundo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), esse tipo de exploração é crime, sujeito a pena de seis meses a dois anos de detenção. 📌 O papel das redes sociais e da lei O juiz Iberê de Castro Dias, da Vara da Infância e Juventude de São Paulo, alerta: sem a cooperação das grandes plataformas digitais, a responsabilização desses casos é “praticamente impossível”. Ele defende que as big techs sejam obrigadas a fiscalizar e bloquear conteúdos que envolvam exploração de menores, já que lucram diretamente com eles. A psicóloga e pedagoga Ana Cláudia Favano acrescenta que a adultização não é um fenômeno novo — já ocorria na TV com artistas mirins —, mas ressalta que a internet potencializou o alcance e a velocidade dessa exposição. Hoje, com um celular na mão, qualquer pessoa pode postar conteúdos que atingem milhões em segundos. 📌 Como proteger as crianças? Entre as medidas apontadas por especialistas estão: Uso de ferramentas de controle parental para filtrar conteúdos; Oferecer experiências adequadas à idade, como brincadeiras e convivência social saudável; Conversar abertamente com os filhos sobre riscos da internet; Estabelecer limites claros de tempo e tipo de uso das telas. 👉 Este episódio do Ponto de Vista discute de forma clara e profunda os riscos da adultização infantil e a responsabilidade compartilhada entre pais, sociedade, Estado e plataformas digitais. 🔔 Inscreva-se no canal da TV Câmara Campinas, curta este vídeo e compartilhe com familiares e amigos. E deixe nos comentários: você acha que os pais expõem demais as crianças nas redes sociais? Quem deve ser responsabilizado quando há exploração infantil online? Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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[Música] Olá, minha gente. Começa agora mais um programa Ponto de Vista e eu convido você a ficar atento ao diálogo de hoje. O meu convidado é o psicólogo Lucas Frado e nós vamos falar sobre adultização, um crime denunciado brilhantemente pelo youtuber Felka ou conhecido também como Felipe Bressani. Lucas, muito obrigada pela sua participação. Seja muito bem-vindo. Agradeço a oportunidade de falar sobre esse tema tão importante e relevante nesse momento. Muito obrigado, Carl. E assim, pro público de casa que ainda não entendeu o que é esse termo, né? Adultização infantil. Como que o senhor explicaria? Adultização infantil é você atribuir às crianças comportamentos, falas, modo de ser e de estar de adultos, ou seja, antecipar a forma do adulto viver em sociedade, interagir em sociedade para as crianças. Eh, olhando pro pro vídeo do Felca especificamente, a gente olha muito a questão da erotização da infância, que também é uma forma e uma forma muito perversa de adultizar as nossas crianças e adolescentes. E aí a gente chegou nesse contexto, acho que muito por conta da internet, né? Isso do avanço que a tecnologia trouxe, que assim, a internet é excelente para muitas coisas, só que se não souber usar Uhum. periga cair em situações como essa, né? Crianças sendo usadas da pior forma possível, né? Que foi o que nós vimos nesse caso aí que envolveu um também youtuber Ítalo, né? Ítalo Santos. É. Uhum. E aí assim, qual é qual vem a ser a gravidade da adultização na vida dessas crianças? Porque elas estão ali naquele momento, parece que é tudo muito legal, né? Olha, eu tô numa posição de adulto, né? Mas isso futuramente na consciência dessa criança, que peso isso pode ter? Tem pesos no aspecto cognitivo e também comportamental das crianças. No cognitivo é a percepção que a criança tem de si mesma, do próprio corpo, do corpo do outro, né? Das interações sociais que ela pode estabelecer com o outro, né? Então, a percepção de mundo dessa criança fica muito prejudicada. Por se a gente olhar pra psicologia do desenvolvimento, a criança ela interage com o mundo através do lúdico. Uhum. Né? das brincadeiras, da dessas interações um pouco mais, digamos assim, brincantes, né? Ela consegue interagir com o mundo dessa forma. A partir do momento que ela é adultizada, ela pula essa etapa tão importante do desenvolvimento e ela passa a ter comportamentos também que não dialogam com a capacidade cognitiva que ela tem de compreensão do mundo, de compreensão de si, de compreensão do outro. Isso fica muito prejudicado. Quando a gente fala de adultização, eu acho que é importante a gente ressaltar o que vem a ser pontuar melhor, né? Porque, por exemplo, eh, esse caso que foi denunciado pelo Felka é um tipo de adultização, né? Erotização, né? Sim. Exato. Mas a gente tem também casos de crianças fazendo eh mini palestras. Aham. Como se fossem coaches. Coaches. Uhum. Né? Se posicionando ali, se colocando na posição de um adulto. Aham. E isso eh já foi para além de palestras, tem podcast, né, de crianças que estão ali falando na qualidade de de adultos, né, na na no lugar que deveria ser de um adulto. Aham. E muitas vezes isso, doutor, é apoiado pelos pais. Exato. Acho que esse é um ponto também que a gente precisa ressaltar, né? Sim. Bastante importante, porque assim, quando a gente tá se referindo aos pais, os pais eles estão em dois lugares distintos. Primeiro deles são os pais que não conhecem sobre a temática, que muitas vezes são ignorantes em relação a isso e que precisam de mais informação, precisam acompanhar os filhos, né? Por isso eu quero deixar um recado pros pais, olhando nos olhos de vocês, que vocês investiguem, que vocês saibam, que vocês conheçam os sites em que os seus filhos estão entrando, com quem eles estão interagindo na internet, porque também é papel dos pais esse aspecto fiscalizatório das redes sociais dos cílios. Esse é um ponto. E tem os pais também que acabam incentivando, Carla, que os filhos façam isso exatamente por um ganho financeiro secundário, né? Então os pais eles recebem por essa monetização, eles recebem por isso e acabam incentivando os cílios. E não é papel dos pais incentivar os filhos nesse sentido. Muito pelo contrário, é importante que os pais ajo, eh funções ou como papéis de proteção da infância e da adolescência saudável. E você falando sobre os coaches mi? Esses dias eu tava vendo um podcast de crianças falando sobre mercado financeiro. Ou seja, é totalmente um disparate entre o papel de uma criança, a percepção de uma criança e de um adulto, né? Ou seja, você colocar numa criança, você permitir que uma criança tenha acesso a esses conteúdos, ainda que não sejam eróticos Uhum. mas que são de adultos, você prejudica o desenvolvimento psicossocial dessa criança? Eu acredito que até pro convívio social isso dificulta um pouco a vida dessa criança. Por quê? Uma criança que fala sobre questões financeiras, ela não vai discutir com com o amiguinho o preço, sei lá, do carrinho, do material escolar. Não, ela vai pegar pontos ex mais importantes de maior destaque, porque certamente o pai e a mãe discute isso em casa. E aí, como que fica essa criança na sociedade, né? Como é que você coloca essa criança que fala de investimento, por exemplo, em um parquinho? Aham. Em um parque de diversões no recreio ali, né, durante o período escolar, parece que destoa, né? Desta, totalmente. Porque isso criança com outras crianças precisam ter assuntos que são relacionados à idade, interações sociais que são relacionados à idade, brincadeiras que são relacionadas à idade e e falar de mercado financeiro não é próprio de uma criança, ainda que não seja ruim. Uhum. Mas cai naquilo que a gente tá conversando de antecipar algo bom, que pode ser potencialmente bom, mas para uma criança que não tá na idade de compreender sobre isso, de falar sobre isso, então não é adequado. É até curioso, né? Porque assim, na minha época o que, como que era, né? A nossa interação com o dinheiro, era aquela história de passava ali por um shopping, uma loja, falava: "Mãe, compra". A mãe falava: "Não tenho dinheiro". É, e a gente se achando muito esperto, a gente falava dá cheque como se fosse resolver todos os problemas do mundo. Mas agora eles estão muito avançados, né? Por que que essas crianças têm tido esse avanço? É a tecnologia responsável por isso? É a tecnologia responsável por isso. Com certeza. A geração deles é extremamente tecnológica e não dá para brigar contra a tecnologia. Não dá para brigar. né? Eh, a gente orienta os pacientes e pais e tudo que até 2 anos a criança não tem acesso a nenhum meio social, nenhuma mídia, nada nesse sentido, né? Mas a gente sabe que a partir de uma determinada idade, na adolescência, isso fica praticamente inviável. Uhum. Porque você proíbe o teu filho, só que ele tá na escola e o coleguinha tem, né? É. Então, o que que eu, novamente me dirigindo aos pais e mães, que que eu quero dizer? Não adianta simplesmente querer reprimir esse comportamento da criança e do adolescente. Não adianta. Fiscalize, olhe, conheça. Reitero isso, porque isso é importante que se diga. Não adianta querer que o seu filho não tenha acesso aos meios digitais, mas que ele tenha acesso sabendo que você saiba onde ele está entrando, com quem está interagindo. Esse fenômeno, ele parece novo nas redes sociais, mas acho que de certa forma ele já existia, né? Talvez um pouco mais escondido, porque nós não tínhamos as redes sociais. Isso. E aí, assim, quando a gente eh fala das redes sociais, é importante a gente citar também que essa adultização não caminha só pro lado erótico. Aham. Eu penso, por exemplo, em casos assim, aquelas meninas muito jovens que querem fazer aqueles tutoriais de automaquiagem. Ah, ah, aquelas fotos mais sensuais. Aham. Vem danças que muitas vezes são mais sensuais, querem replicar. Isso também pode ser um problema, um caminho paraa adultização. Total. Pode ser um caminho para adultização. Por quê? Porque a criança ela não tem a mesma forma de enxergar o mundo que o adulto tem. E aí a maquiagem ela acaba também, de certa forma adultizando a criança nesse nesse sentido, né? Porque a criança às vezes olha a mãe, olha uma tia, olha uma professora e fala: "Nossa, eu quero me encher de maquiagem, eu quero ficar bonita, eu quero ficar eh eh formos. Eu quero mudar aquilo que de fato eu sou para atingir aquele ideal de beleza, né? Mas é isso, vai ter um momento para isso, né? Eh, e talvez essa coisa da da maquiagem, ela possa assim eh eh trazer um aspecto não só de adultização, mas em alguns casos de erotização também, né? Por quê? porque ela fica mais bonita, mais vistosa e e as pessoas que estão na internet e alguns pedófilos e pessoas que não tem escrúpulos acabam se utilizando muitas vezes dessas imagens, entre aspas bonita para ter algum tipo de ganho, né, de de interesse, enfim, nesse sentido, né? Então, também é bastante perigoso, tem idade para tudo. Roupas também é algo que chama bastante atenção, né? Hum. Que eu me lembro, por exemplo, na quando teve aquele fenômeno, né, do Aché Music, surgiu o El Chan. Aham. A meninada queria ficar com o shortinho da Carla Perez, o topinho. Mas às vezes me dá uma impressão que naquela época, eu não sei se a gente não tinha tantos casos ou não tinha informação dos casos que ocorriam. Aham. E hoje isso tá muito mais, né? Eh, eu até vi uma criança outro diaando, uma criança de 12 anos falando o seguinte: "Tá, mas assim, na época do El TAN, Uhum. a criança podia usar a roupinha do Elchan e hoje a gente não pode dançar o funk. Então, assim, e como é que fica, né? Porque parece que mudou, né? De uma geração para outra as coisas se tornaram mais Sim. Uhum. perigosas e chamam mais atenção. Uhum. Porque ganhou visibilidade e ainda bem que ganhou visibilidade. Sabe, Carla, que enquanto eu escutava dizer, eu tava me lembrando de programas de televisão que incentivavam meninas e meninos crianças a dançar com aquelas roupas de Sim. Sim. Tinha o concurso, né? Tinha os concursos, exatamente. O funk na época também, né? Então assim, com aquelas roupas, com aquelas maquiagens, com aquela forma de eh de dançar e de colocar o corpo, né? E isso é muito prejudicial. Mas respondendo a tua pergunta, eu avalio que hoje ganhou maior visibilidade, né? Hoje não é mais naturalizado esse esse tipo de comportamento e interação social. E ainda bem, porque isso possibilita que nós estejamos aqui hoje problematizando isso e falando a respeito para conscientizar o pessoal. E essa vitrine é importante justamente pro desenvolvimento emocional da criança. Ou seja, eh esse essa exposição precoce pode atrapalhar o desenvolvimento dessa criança? Pode atrapalhar o desenvolvimento dessa criança. A criança não está para ser exposta, né? A criança está para crescer, para interagir, principalmente junto com outras crianças. Evidentemente que mediado pelos adultos, né? Mas é o que eu digo sempre, sabe, Carla? Criança se torna criança com crianças. Uhum. Né? Então assim, a criança precisa estar num ambiente psicologicamente muito seguro e saudável, emocionalmente muito seguro, para que ela possa interagir com outros de maneira saudável, com os recursos emocionais que ela tem, com os recursos comportamentais que ela pode exercer. E através da brincadeira, ela vai desenvolvendo criatividade, autonomia, autoestima, que é algo, esse aspecto todo autoestima também é algo muito prejudicado no processo de adultização, né, autopercepção. Então são todos aspectos que na exposição dessas crianças e adolescentes fica prejudicado. E aí quando a gente pensa na educação dessas crianças da forma mais adequada, né, eh, o que liberar, o que não liberar, a partir de qual idade o senhor julgaria ideal uma criança, um adolescente ter acesso às redes sociais? Tá, isso é muito complexo. Isso é muito complexo, porque como eu disse agora a pouco, não adianta só suprimido o teu filho e sabendo que o coleguinha vai ter, né? Eu acredito muito, eu sou muito pelo diálogo, eu sou muito pela construção conjunta, né? Então, evidentemente que até determinada idade, né? Como eu disse, antes dos 2 anos, a gente aconselha que nada de rede social seja permitido, né? Mas na infância e adolescência, eu acho que as coisas precisam ser muito bem conversadas, né? Então, os limites eles precisam ir sendo estabelecidos. Então, aos poucos, o pai e a mãe vai sentindo, percebendo no teu filho até onde ele pode liberar, até onde o teu filho pode ir. Mas, evidentemente que na infância e na adolescência até esses pequenas essas pequenas liberdades, entre aspas, precisam ser monitoradas pro bem e proteção do filho. Essa questão da exposição precoce, a gente vê muitas crianças assim que eh se interessam por esse meio aqui, por esse universo da televisão hoje, muito mais as redes sociais, né? televisão para elas quase é diferente. Mas tem muitas que já querem, né? Querem ser modelos, querem ser fotografadas, querem ser artistas e receber likes, né, que é a moda da das redes sociais. Mas assim, eh, como que o pai pode controlar? Porque a gente vi já vimos esse essa situação acontecendo, né, de crianças crescendo com TV. Bruna Marquezini, por exemplo, foi uma atriz super jovem. Angélica também, né? Ela ganhou o prêmio ali de criança mais bonita do país. Só que assim, acho que tanto o pai quanto a mãe, as próprias empresas, né, souberam deixar elas crescerem como crianças, né? Sendo ali divulgadas, sendo expostas, mas como criança. Esse é um ponto também que os pais precisam estar atentos, né? ainda que eles precisem desse dinheiro, né? Porque muitas vezes, como o senhor disse no início, eles acabam liberando e até investindo, né, para que essa criança seja um retorno também paraa família, né? Exatamente. Mas é importante que o pai e a mãe conheça, por exemplo, a agência de modelo, eh, que tá recrutando o filho ou a filha, sabe? Esteja lá, tenta conversar com o dono, conheça a política da empresa, né? eh, verifica a idoneidade dessa empresa, né, com como é que eles trabalham, como é que é o funcionamento deles. É importante eh de maneira até exaustiva você conhecer, por quê? Vai tá expondo a imagem do teu filho ou da tua filha. Uhum. Então, a partir do momento que expõe a imagem dessa criança, desse adolescente, o pai e a mãe precisa ter 100% de segurança na empresa que está fazendo isso e no tipo de trabalho que está sendo ofertado e oferecido por essa empresa. Então, também é função do pai e da mãe fazer esse acompanhamento. É importante também os pais entenderem que a internet ou as redes sociais é um ambiente propício, né, para essa tanto paraa adultização, para despertar esse interesse em ser adulto mais cedo, né, que isso acaba despertando na criança, mas é uma vitrine para quem está mal intencionado, né, também. Exatamente. Por isso o pai e a mãe precisa conversar, conscientizar. Conscientização é tudo, sabe, Carla? Então, sentar com o filho e dizer dos riscos, dizer das dificuldades. Por vezes a criança, principalmente o adolescente, vai se recusar a compartilhar muitas vezes a senha, sei lá, do celular. Ontem mesmo eu conversei com uma mãe, eh, a mãe de um paciente meu, um pacientinho, que ela disse: "Lucas, eu não sei o que eu faço porque a partir do eh ao mesmo tempo, na verdade, que eu sei que eu preciso acompanhar o meu filho, ele não deixa eu ter acesso ao celular dele, as coisas dele e tal". Uhum. Então, talvez tenha uma resistência inicial, né? Mas é importante que os pais rompam com essa bolha e compreendam, né, em que universo digital o filho está inserido. Porque muitas vezes, antigamente, sabe, Carla, as pessoas se perdiam fora de casa. É o que eu digo sempre, antigamente as pessoas se perdiam fora, precisavam sair pra balada e, né, tudo mais. Hoje é dentro do quarto. É, hoje é sobre uma falsa proteção do lar. Uhum. Ah, meu filho tá bem, tá ali com os coleguinhas, tá interagindo, tá jogando, tá, né? E tá se perdendo. A gente sabe que esses jogos virtuais também são muito complicados, porque pessoas mal intencionadas, pedófilos, se fazem passar por criança, se fazem passar pelo pelo sexo oposto, ou seja, homens se passando por mulheres para entrar em contato com essas crianças e ter delas aquilo que eles querem de forma perversa, né? Então, os pais precisam acompanhar a vida digital dos seus filhos. E não é porque eles estão isolados que eles estão protegidos, muito pelo contrário. Às vezes o perigo está no isolamento. É um ponto de atenção que os pais precisam ter. Percebe que o filho está mais isolado, quer ficar mais no quarto do que ir pra rua, por exemplo, para encontrar os amigos. Precisa, é um alerta. Isso. É um alerta. Mudanças comportamentais são alertas. isolamento social, irritabilidade, comportamentos erotizados, dificuldades ou mudanças no sono, na alimentação. Então, toda mudança comportamental, ela precisa ser olhada, investigada pelos pais. Legal, Lucas. Assim, a gente percebe que os algoritmos eles recomendam os conteúdos, né? Então, cada vez mais vão recomendar conteúdos parecido com o que essa criança busca. Aham. Isso pode acontecer ou piorar a exposição desses menores. Uhum. pode levar ao encontro de um pedófilo, por exemplo. Total, porque o logaritmo ele é ele é estruturado exatamente para prender atenção. Isso gera um vício. Quanto mais você consome, mais você joga pro teu corpo e pro teu cérebro aquela sensação de prazer e você vai consumindo aquilo, consumindo aquilo, né? Então, tem esse aspecto de contato com possíveis pedófilos, porque a criança vai ficar entrando naquilo e cada vez mais. E tem também o aspecto que tá sendo muito discutido ultimamente, que é o vício nas redes sociais. Uhum. Que também muitos adolescentes e crianças estão enveredando por esse caminho. A gente tem um ponto também que é a questão jurídica, né? Hum. É possível responsabilizar judicialmente essas plataformas porque muito tem se falado sobre a regulamentação da internet. Isso. Uhum. Eu acho que não há nada mais importante do que esses casos. Exatamente. É necessário. Eu acho que esse vídeo do Fel, ele trouxe isso a à tona, exatamente também no aspecto jurídico pra gente eh discutir possibilidades de leis, né? de aprovação de leis que possam proteger as nossas crianças e adolescentes. Isso é muito necessário. A regulação das redes sociais é muito necessário. E nesse aspecto, Carla, eu entendo que precisa ser um olhar e um diálogo multiprofissional. Então, profissionais da área do direito precisam olhar para isso, profissionais da área da saúde mental precisam olhar para isso, profissionais eh eh vários atores sociais, por assim dizer, que trabalham com crianças adolescentes, precisam estar nesse diálogo. Mas eu acho que é muito importante eh vir à tona esse aspecto também de proteção jurídica às crianças. Lucas, quando a gente olha para esse cenário, as pessoas pensam da seguinte forma: "Ah, mas tem gente usando do sensacionalismo para, né, aproveitar aí essa situação, essa notícia, né, que está quente no momento, então usa como sensacionalismo." Outras pessoas não já usam de uma forma mais diferente, que é justamente para dar esse alerta à sociedade. Você acha que chega a ter um pouco de de sensacionalismo nesse assunto? ou não. Então, eu não vejo como sensacionalismo, né? Assim, todas as postagens que eu vi, tudo que eu presenciei, assistir na íntegra o vídeo do Felka, acho que foi um vídeo muito bem feito, muito bem elaborado. Ele chegou a fazer uma entrevista com uma psicóloga, uma colega psicóloga. Eh, eu acredito que toda a intenção por trás foi bastante benéfica no sentido de jogar luz em cima de uma temática que até então estava obscura. Inclusive ele mesmo comenta que ele começou cedo, né, ali por volta acho que dos 12 anos, tentou ir pra internet e os pais falaram: "Não, não é este o momento". Então ele já teve uma experiência em casa, né? Acho que ele percebeu agora já mais velho, falou: "Opa, pera aí, isso tá errado da forma que está acontecendo". Exatamente. E depois as denúncias foram aparecendo cada vez mais, né? is tava envolvendo bebidas, drogas, sexo, um monte de coisas, né? Isso. Exatamente. É, é. Eu acho muito interessante essa lucidez que o que os pais dele tiveram de dizer: "Não, não é o momento ainda, espera um pouco, vai chegar a hora, né? Vai chegar o seu momento, mas não é agora. Você precisa experimentar, experi outras coisas pro desenvolvimento ser saudável. Então isso é muito importante. Então acredito que não tenha assim, Lucas, tem pais que ficam recios, né, quando precisam controlar algumas algumas atividades que as crianças praticam, por exemplo, o uso de internet. Isso para alguns pais fica aquela situação assim: "Ah, mas se se eu proibir meu filho, ah, se eu falar isso, ele não vai gostar, ele vai sentir que eu tô invadindo a privacidade? Qual é o o meio termo, né? Qual é o o lugar ideal para esse pai se colocar e ser ouvido por essa criança? Porque precisa ter muita psicologia para ser pai para, né? Aham. Sabe o que acontece? Muitos adultos acham que os filhos precisam entender a linguagem deles, a forma deles e o jeito deles interagirem. E não é assim. As crianças não têm os recursos emocionais que nós adultos temos. Isso não quer dizer que são piores ou melhores do que a gente, não. Pelo contrário, eles só estão em o momento do desenvolvimento anterior ao nosso, né? Então, primeiro, a primeira dica que eu dou é: entenda o mundo do seu filho a partir do seu filho, tá? Que que ele gosta, que que ele escuta, que que ele assiste, né? Por que que ele fica tanto na internet? Que que tá acontecendo? Será que a gente pode substituir o uso da internet por uma outra coisa? O que acontece muito, Carla, é que alguns pais eles colocam as redes sociais como babá eletrônica, chegam cansado do trabalho, não querem ter essa responsabilidade de interagir com cílios, joga o celular, tablet e qualquer coisa para que eles fiquem entretidos e não encham as paciências. E a gente sabe que não dá para ser assim, né? A vinculação humana nada substitui. Então, por mais que o pai e a mãe dê muitos presentes, nada substitui presença. É ser pai, ser mãe, exige tempo, né, e dedicação. Exato. Exato. E tempo de qualidade. Uhum. Tempo de qualidade. Acho que a sociedade tem refletido isso, né? a gente tem percebido que a maioria desses casos esbarra justamente nesse tipo de criação que entrega um tablet paraa criança. Uhum. Deixa ela ali que é o momento que ela, né? Ah, eu vou aqui assistir minha novela, meu meu jornal, você fica aqui, ó, com seu tablet e assim eu tenho um momento de paz. Mas é aí que está o perigo, né? Exatamente. É aí que está o perigo. Por quê? Não tem esse aspecto da relação humana que é tão fundamental pro desenvolvimento. E também você não sabe 100% o que que o seu filho tá acessando, com quem tá interagindo. Mesmo porque nesse momento que ele está interagindo com alguém, essa pessoa pode perceber que essa criança não tem atenção em casa. Exatamente. Uhum. E é aí que eles aproveitam, né? se aproveitam da situação. Uhum. dessa carência, né, da criança, que é um momento frágil. Então, acho que eles falam: "Opa, aqui eu posso investir porque alguma coisa eu vou conseguir". Exatamente, porque as crianças e os adolescentes gritam por atenção. Muitas vezes o comportamento um pouco desto que o adolescente e a criança tá apresentando na clínica acontece várias vezes da gente investigar aquele comportamento e no fundo é uma forma de pedir atenção. Uhum. No fundo, é uma forma de gritar: "Ei, eu estou aqui, eu sou seu filho, eu quero o seu olhar, eu quero a tua presença, né?" Então, os pais não podem negligenciar uma presença afetuosa e realmente presente na vida dos filhos. E como a sociedade pode controlar ou até fiscalizar essa exposição dessas crianças? Porque a maioria dos adultos hoje t pelo menos uma rede social, então acaba esbarrando ali com uma outra criança. É possível fiscalizar isso? É importante que a sociedade abra os olhos para isso, não só os pais? Toda a sociedade precisa abrir os olhos para isso e denunciar, né? É importante nas redes sociais, algumas delas eh tem a possibilidade de você denunciar alguns tipos de conteúdos. Então é importante fazer isso. A gente não pode se omitir, né? A gente não pode se omitir porque como eu disse no início, alguns pais endossam. Então, ainda que os pais endossem, é uma violação de direitos, é uma violação à saúde mental dessas crianças. Então, os demais adultos da sociedade precisam estar na proteção dessas crianças e adolescentes também. Nas escolas é importante que os professores também tenham essa atenção, converse com os alunos, porque hoje em dia é muito comum o professor falar pro aluno: "Olha, pegue o celular, visite tal página, vamos falar sobre determinado assunto, porque isso faz parte do dia de hoje, né? Faz parte desse mundo que nós vivemos." Sim. E acho que a escola também pode cooperar nisso, né? Total. A escola é o lugar onde os nossos pequenos ficam a maior parte do tempo. A gente sabe disso, né? Então assim, na ninguém ou nada é melhor para observar mudanças de comportamento, mudanças de humor, mudança de atitude, mudança de rendimento escolar do que a própria escola. Então, percebeu que o aluno tá apresentando comportamento diferente, né? percebeu que o aluno tá mais adultizado nas falas, nos comportamentos, nas brincadeiras, é sinal de alerta e precisa ser olhado e precisa ser dialogado com a família, enfim, trazer também os outros adultos eh que estão relacionados à vida dessa criança adolescente para conversar. E quando nos deparamos com casos eh de pais, mães, né, responsáveis que incentivam essa adultização por uma questão financeira. Uhum. Porque aí às vezes o problema não é só a duização da criança, né, mas uma irresponsabilidade dos pais. Uhum. Que pode ser por uma questão de necessidade. Aham. Então é um ponto bem delicado, né? Exatamente. Muito delicado. Mas eu orientaria esses pais que procurem outras formas de conseguir o recurso financeiro, né? Que não seja explorando a criança e o adolescente, até porque a gente tem o ECA Uhum. que protege, né, a infância e a adolescência, né? E lugar de criança não é trabalhando, não é se expondo, não é sendo exposto. Isso é uma violação de direito. É bom e é importante que os pais saibam que ainda que seja por um benefício financeiro, isso é uma forma de crime. É crime fazer isso. Então é importante deixar claro, procurem outras formas. Quais políticas públicas os municípios, eh, ou até mesmo o estado poderia propor para frear um pouco esse tipo de exposição, esse movimento que tem acontecido de forma até muito rápida na internet. Muito propício falarmos isso na Câmara Municipal, sem dúvida. Muito importante. Exatamente, né? Eu penso que eh toda a sociedade, principalmente as autoridades que estão em eminência, precisam ter eh um olhar um pouco mais rígido para isso, para essas ações, porque muitas vezes o sistema de garantia de direitos é a única coisa que a criança tem para protegê-la. Eu eu tava conversando, né, com você um pouco antes. Eu trabalhei no sistema de garantia de direitos por 9 anos como psicólogo social, né? E muitas vezes, Carla, a família negligenciava, a comunidade negligenciava, a sociedade negligenciava. Quem precisava fazer o papel? poder público. Então, o poder público precisa fazer leis, precisa fazer cumprir as leis de maneira até muito assertiva, porque talvez o poder público é o único que realmente tá preocupado com o bem-estar dessa criança e desse adolescente. Então, esse olhar do poder público também é fundamental para intervir e interagir em momentos que são necessários. E acredito que até sendo um pouco mais rígidos na questão da presença nas escolas, né? Também é eh tanto em em ter vagas, né, para essas crianças, porque às vezes tem crianças que não conseguem vagas. Uhum. E tem aquelas que tem a sua vaga, mas que quase não frequentam. E aí, criança fora da escola. Exatamente. É, exatamente. É uma caixinha de surpresas, né? A gente não sabe o que pode acontecer. Exatamente. E para além disso, que é importante essa presença na escola e fundamental pro desenvolvimento, mas também ações de conscientização nas escolas. Uhum. Ações de conscientização em organidades da sociedade civil, em organizações, né, da sociedade civil. Então é importante também que o poder público possa promover essas ações, conscientizar funcionários, conscientizar pais, conscientizar de repente profissionais que trabalhem nessa área sobre questões comportamentais, sobre questões de proteção, né, dos direitos da infância e da adolescência. Sem dúvida. Um outro ponto também, eu acho que a gente pode, na verdade, ressaltar, né, o que nós já falamos aqui, quais são os principais erros e quais são as principais causas dessa adultização que vem acontecendo, tanto na parte erótica quanto na parte de crianças querendo já serem coaches, né? Enfim. Uhum. a adultização como um todo, o que de pior ela pode trazer, seja pra infância, pra adolescência ou até mesmo pra vida adulta dessa criança? Uhum. No aspecto da saúde mental, vários danos, vários danos, né? Aspectos de estress, ansiedade, transtornos de ansiedade estão muito relacionados a isso. Alguns casos de depressão, transtorno do stress póst-traumático em algumas situações, né? Uhum. Porque é isso, a criança ela tá lidando com realidades que ela não tá eh internamente preparada para absorver, para lidar, para vivenciar, né? E isso pode trazer malefícios psíquicos também para essas crianças, né? E aí é o isolamento social e aí são os comportamentos um pouco mais agressivos, né? Eh, insônia ou às vezes hipersonia também, né? e dorme muito ou dorme pouco, come muito, come pouco. Essas mudanças precisam ser observadas porque pode causar questões eh no aspecto psíquico, sim, nas crianças. E aí também relacionado, como eu disse, a autoestima, a autoimagem, isso precisa ser tratado e olhado. E a gente precisa pensar também nas próximas gerações, né? Isso. Como nós podemos preparar as próximas gerações para que elas não precisem lidar com essas situações tão tão difíceis? Uso responsável das redes sociais, porque como eu disse, já tá impossível dissociar a geração de hoje e principalmente as futuras, né? Sim. Das mídias sociais, cada vez mais, né? Vão estar inseridas. Então, a gente brinca que parece que a criança já nasce com o tablet grudado na mão. É. e sabe mexer muito mais do que a gente é adulto, sabem, já nascem sabendo, já nascem sabendo praticamente. Isso vai ser uma tendência cada vez maior. Mas aí é que tá o aspecto humano, né? Os adultos da relação precisam ser os fatores de moderação do acesso a esse uso digital. Então, paraas próximas gerações, cada vez mais eles vão estar inseridos a isso, mas cada vez mais os humanos adultos precisam estar preparados para lidar com essas questões. Doutor, para finalizar, então, o seu ponto de vista sobre esse tema, sobre tudo o que a sociedade tem enfrentado diante das nossas crianças, tá? Eu penso que esse tema é muito importante de nós falarmos a respeito. A sociedade precisa sim dialogar sobre isso, não só no âmbito macro, no âmbito social, mas também no micro, dentro da família, com os filhos, entre o casal, né, pra gente eh fazer com que esse acesso às mídias sociais seja um acesso responsável, né, e que essas crianças elas não tenham o seu processo de desenvolvimento psíquico. atravessado por uma adultização. É importante que elas vivam a infância, é importante que elas vivam a adolescência com toda a inteza que esses períodos do desenvolvimento possam oferecer. Perfeito, Dr. Lucas. Eu agradeço sua participação, agradeço por compartilhar seu conhecimento, por todas essas dicas, né, que é importante deixar claro aos pais, né? Sim, exatamente. Eu que agradeço a oportunidade e vamos continuar dialogando e discutindo sobre isso também. Valeu. Muito obrigada a você também que nos acompanhou pelas telas e continue atento na nossa programação, no ponto de vista e, é claro, né, sempre uma programação nova para você continuar aí acompanhando a TV Câmara de Campinas. Ciao. Ciao. Ja. [Música] [Música] [Música]
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