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No mão solidárias de hoje, a gente vai mostrar o trabalho do Instituto A Esperança, uma jornada de transformação que há 21 anos funciona aqui na região do Parque Eosiel. Quem começou tudo isso lá atrás foi o Robson Gondini, que não começou aqui inclusive, né, Robson? É uma longa história, né? Conta pra gente o que que despertou você para trabalhar com essas pessoas. Não foi com crianças a princípio, né? É, na verdade eu comecei trabalhando com pessoas em situação de rua, né? A gente já tá trabalhando com pessoas em situação de rua já há mais de 30 anos. E aí naquelas festas que a gente faz dentro de comunidade que leva um pula pula, uma pipoca, eu vim fazer um trabalho aqui com as crianças do Parque Oziel, não conhecia aqui, fui convidado pelo um amigo, vim com ele e aí terminou a festa, eu olhei aquele monte de criança que tava na rua e na hora de me despedir eu falei: "Não tem como se despedir de desse tamanho de de criança que tem aqui". E aí foi que a gente, um amigo nosso, né, emprestou um um espaço para nós, uma casa comum, simples, que a gente com o passar do tempo foi transformando num instituto. E aí foi quando a gente começou a trabalhar com as crianças aqui dentro do Parque Uzial e a gente tá aqui até hoje. Caramba. E hoje essa estrutura que vocês estão vendo aí, uma estrutura, a gente tá aqui num silêncio porque as crianças vêm depois das 6 horas, né? Quer explicar como funciona? É, a maioria das das escolas da nossa região, ela é em período integral. Então, a gente faz o contraturno dessa escola, mas o contraturno dela é já é o período da noite. Então, as crianças saem 6 horas da da aula da escola, né? E elas vão paraa casa, elas trocam de roupa e vem para cá, para long, aquelas tomam lanche, né? E aí elas iniciam as aulas entre 6:30 e 15 para 7. E as aulas vai até às 22 horas com todos os dias, todos os dias. No sábado, como elas não têm aula, não tem per integral, aí elas vêm para cá de manhã às 8:30, toma café aqui com a gente, aí começa as aulas, almoça e aí as aulas vai se prosseguindo até às 17 horas. E é um serviço de convivência e fortalecimento de vínculos, né? Porque não é um serviço da educação, eles já tes garantida e aí eles vêm para cá e olha só quanta coisa eles podem cursar aqui, né? Eu fiquei impressionada, confesso. É bastante coisa. A gente, a gente, na verdade, o que que a gente faz? A gente tenta entender o que a comunidade precisa e o que que as crianças vão ter mais apego, né? E aí, como passar dos anos, a gente foi adquirindo essa experiência dentro da comunidade, a gente foi formatando os nossos cursos de uma maneira que a gente pudesse atrair as crianças para dentro da instituição para elas fazerem o que elas fazem aqui com prazer, com gosto e aquilo ali talvez até dá um destino na vida delas, né? Tem que ser atrativo, então para elas tem que ser atrativo, né? As crianças não podem vir aqui, elas ficarem no cantinho, ficaram moada ali só esperando o tempo passar. A gente tem uma fala que a gente fala que é eh eh manda ela para um espaço para ela ocupar o tempo dela, né? Aqui essa palavra é proibida. Aqui a gente não ocupa tempo de criança, aqui a gente forma criança. Então a gente, a todo nossas aulas, todas as nossas formações são para que essas crianças elas tenham um futuro. Pode ser na área do esporte, pode ser na área da educação, pode ser na área da tecnologia, mas que elas saiam daqui formadas e garantir um sonho para elas. Abre a a o leque de possibilidades, né? E também convivendo com pessoas, com amigos da mesma idade. São crianças de quanto a quantos anos aqui? Então, a gente tem aqui, a gente tem, a gente tem três abas e serviços aqui. A gente trabalha com esporte, com tecnologia e com educação e com curso profissionalizante. Então, a gente atende criança de 6 a 14 anos. Eh, dentro da área de fortalecimento de vínculos. São todos os cursos que tem aqui na área de esporte, eh, educação e tecnologia. E a partir dos 14 anos, ele já vem para um projeto que a gente tem de imersão no mercado de trabalho, que a gente já tem uns cursos profissionalizante que a gente trabalha junto com os jovens de 14 a 20 anos e com os pais de todas as idades, ou seja, são várias famílias afetadas, né, positivamente. São quantas crianças mais ou menos hoje em dia? Hoje a gente tem em torno de 270 crianças que a gente atende aqui. G. Maravilhoso. E aqui a gente tá numa sala aqui, ó, tem hip hop, teatro, música. A sala de informática é de TI, né? Ou seja, uma programação, não é só o básico do básico, né? Não, a gente a nossa sala a gente a gente tem a sala de informática e aí a gente viu que assim, a informática hoje ela é muito básica, tá em qualquer lugar. Hoje você usa informática até dentro de uma quitanda, né? Você digita o que você compra, digita o que você marca. Antigamente a gente não tinha isso, só que só que a tecnologia ela vai avançando cada vez mais e aí os jovens da periferia vão acabando ficando para trás, porque não tem essa possibilidade de sair daqui no centro, pagar um curso de R$ 300, R$ 400 dentro de um curso de tecnologia avançada. Então a gente fez parceria, trouxe esses cursos aqui para dentro da comunidade e hoje a gente forma os jovens na aula de TI, tecnologia da informação. Junto com essa aula de tecnologia da informação, a gente tem uma aula de inglês empresarial. que o a tecnologia de informação ela vem muito no inglês, né? As e aí a gente já prepara o aluno dentro dessas duas áreas e aí a gente envia pro mercado de trabalho. E tem alguns que já estão até em grandes empresas, né? Tem, tem, eu tenho pessoas aí que tá, eu tenho crianças, jovens nossos que começou com 6 anos, aí foi até 14 anos, 14 anos entrou no curso profissionalizante e hoje já tá trabalhando em empresas. E Robson, o que que você percebe na autoestima dessas pessoas que entram aqui jzinhas, vão crescendo, vão convivendo, vão se fortalecendo enquanto indivíduo, né? Como é que é ver depois de de uns 5 se anos aqui dentro? Olha, eu eu a gente tem uma experiência muito gratificante na área de esporte. O esporte vem mudando a vida dos nossos jovens da comunidade. Vem mudando. A gente há dois anos atrás eu tinha 50 crianças no esporte. Hoje eu tenho 200 crianças no esporte que pratica jits, maiti, box, karatê, taikandu. Então essas crianças elas foi se achando no esporte e não só se achando, elas crescem como comunidade porque elas ficam tão próximo uma das outras, elas treinam junto, elas vêm pra escola junto, elas vêm para onde junto, elas vão pra escola junto, elas formatam um treinamento da outra. Então vamos supor, tem um que vai disputar um torneio e o outro não vai, mas eles vêm treinar junto para fortalecer aquele que vai pro torneio. Ontem a gente teve um torneio de Juigitson e aí um foi disputar, mas foram todos os amigos que fazem a aula participar, incentivar, tá junto no torneio. Então uma motivação de um motiva ou outro e isso a gente vai crescendo aí como indivíduo, né? Cresce o filho, cresce a mãe, o pai, os irmãos e cresce a comunidade. É um pertencimento, né? Tem até torcida organizada. E mais cedo eu perguntei aqui pro Robson como é que é a participação das meninas no esporte. E pela minha, para minha surpresa, 60% mais ou menos. Grande, grande, grande. Elas são, elas são bem ativas no esporte. Sou muito apaixonada pelo esporte, apaixonada de verdade. A gente teve agora, essa semana eu tive uma declaração de uma mãe que ela falou assim: "Robson, minha filha chegou chorando em casa". Eu falei: "Chorando, mas aconteceu alguma coisa na ONG?" Porque aconteceu na hora chegou chorando porque o professor avisou para ela que ela vai ser a próxima a competir agora. Uhum. Então, gera na criança aquele anseio de mostrar tudo aquilo que ela aprendeu, mostrar tudo aquilo que ela desenvolveu. Então, a gente realmente o esporte na vida de uma criança, na vida de uma de uma comunidade, ele é um combustível imenso, maravilhoso, né? E aí você tem também o trabalho lá de acolhimento, que é onde tudo começou lá no centro, né? conta pra gente um pouquinho como é que funciona lá no sentido de abordagem das pessoas em situação de rua, que é uma outra realidade, né? Mas também é um é o serviço de onde tudo começou. Como é que começou lá? Então lá começou a gente, eu comecei fazendo um trabalho nas madrugadas, né, de aquilo que acho que todo mundo começa, levando comida para eles, pros moradores de rua na calçada, indo lá batendo um papo e aí me formei. Eu sou terapeuta em dependência química, me formei nessa área e aí montei um albergue aqui dentro do parque, meu primeiro albergue foi aqui. Eu ia lá no centro, buscava eles de carro, trazia pra nossa on aqui que tinha um espaço para eles dormir e e aí atendendo, atendendo no centro. Só que o atender um morador de rua na calçada, né, no meu caso, para mim tava muito pouco, né? Eu via aquela situação, depois eu virava as costas embora, ele ficava ali e foi na onde que a gente começou criar alternativas, a gente alugou um espaço, aí começamos servir comida três vezes na semana nesse espaço. Então eu já não atendia mais eles na calçada, atendi eles nesse espaço. E aí a gente foi evoluindo como projeto, eh, pensando no que a gente poderia fazer para as pessoas em situação de rua. a gente começou a dar curso profissionalizante, começou a pegar pessoas capacitadas em algumas áreas e começamos montar sala de cursos profissionalizante. E a gente viu que aquilo tava dando muito certo, muito certo. E a gente começou a formar marcineiros e esses marcineiros começaram a fazer casinhas de boneca. a gente começou a formar eh eletricista, esses eletricistas começou a trabalhar empresa e aí a gente viu que tava certo. Aí a gente teve teve um edital da prefeitura, a gente participou desse edital e a gente eh cederam pra gente o espaço no onde que é a Casa da Cidadania. E a gente fez uma proposta pra prefeitura que se a gente poderia mudar a história do espaço, sair de um espaço de dar alimento para um espaço de dar oportunidade. E aí a prefeitura topou, a gente montou um projeto de de cursos profissionalizantes lá dentro e agora e a gente tá em junho. Em julho faz um ano que a gente tá lá. E aí a gente já conseguiu eh já conseguiu formar duas turmas. E a gente tá muito feliz porque a gente entende que tá dando certo. Tem empresas que estão comprando a ideias e estão vindo, chegando mais próximo da gente para dar oportunidade de emprego para eles. Então o trabalho lá tá tá a gente tá saindo daquela perspectiva de só ficar dando uma marmita, dando uma marmita, dando um cobertor, dando um cobertor e na verdade introduzindo cada vez eles mais na calçada. Então a gente tá tentando agora formatar outra maneira que é realmente dar uma nova história para eles. E Robson, aqui você já tem parceiros, né? Tem. A gente, a gente eh quando a gente fala de curso profissionalizante de oportunidade, a gente tem um parceiro que sempre foi um sonho da gente trazer ele para cá e graças a Deus a gente conseguiu, que foi o Sebrai. E aí junto com o Sebrai, a gente o Sebrai trouxe o Senai, trouxe o Senac e o Sebrai tem fortalecido demais a nossa região. O o Parque Oziel hoje ele tem muito agradecer a todo o trabalho investido do SENAI, do Sebrai aqui dentro, porque ele trouxe diversos cursos profissionalizantes aqui para dentro do parque Oziel da nossa comunidade. Então, a gente tem mães aqui que já se formou em confeiteiro, em padeiro, em em manicure, em cabeleireiro. Já teve mãe que se formou em massagista. Então, a gente tem a gente tem eh vários pontos positivos de mães que se formaram e hoje tá no mercado de trabalho eh por essa parceria com com o Sebrain. E quais são os desafios que o Instituto A Esperança tem hoje? O desafio hoje é colocar uma nova cultura eh dentro das comunidades que sejam de capacitação e de oportunidade, trazer para dentro das da das comunidades carentes as empresas para que elas possam ter uma visão eh das pessoas que estão aqui dentro, que são muito capacitadas, tem um potencial muito grande. Essas pessoas precisam ser vistas, precisam ser enxergadas. Essas precisam, essas pessoas precisam ter oportunidades e é o é assim, os nossos jovens hoje eles estão cada vez mais se introduzindo na área da tecnologia, estão cada vez mais se introduzindo na área do esporte. Então, a o nosso maior desafio é fazer quem tá lá fora ter visão para aqui dentro da comunidade, acreditar nesse potencial que tá aqui, porque e existe uma frase de um amigo meu que favela não é carência, é potência. Então, existe muitas potências aqui dentro que precisam ser vistas, que precisam ser investidas na vida delas, porque vão dar muitos frutos ainda. É, furar essa bolha, né? Porque a oportunidade então não é só para quem tá aqui, mas é para quem tá fora também acessar essas potências, né? Essas potências. E aí eu falo aqui dentro da comunidade e eu falo pras pessoas em situação de rua. A gente hoje tem um mercado de trabalho um pouco transformado, né? A gente falta muito mão de obra e aquelas mão de obras antigas, né? Que a gente fala o pedreiro, marcineiro, o serralheiro, isso tá em escassez. Os bons, né? É. E tem muito desses bons que estão na calçada. Tem muito desses bons que estão ali desempregados e falta só uma oportunidade para eles e eles não têm. E o único jeito é estar na calçada. E quando você dá uma oportunidade, como você começa a gerar dentro dele aquilo que um dia já foi o mais prazeroso para ele, que é a profissão. Quantos quantas pessoas que tem na rua que já construíram tantas casas, que já construíram tantos prédios? Então não tem muito prédio hoje que moram pessoas ou que pessoas trabalham que uma pessoa que tá na rua, quem foi que construiu? E essas pessoas que estão nesses prédios, nessas casas, às vezes tem desprezo e nem lembra e nem imagina que na onde ela mora ou na onde ela trabalha às vezes foi construído por uma pessoa que tá em situação de rua. E aí se gerar de novo oportunidade para essas pessoas, se der uma oportunidade, se balançar elas de novo e mostrar para elas que assim aquele pouquinho que tá dentro delas ainda tem como virar potencial, a gente vai mudar o mercado de trabalho de novo. Maravilhoso. Robson queria agradecer demais você compartilhar tudo isso com a gente. Queria que você passasse as redes sociais para quem tiver assistindo acompanhar o trabalho. A nossa rede social, nosso site é phprojeto.com.br e as nossas redes sociais é Instituto A Esperança. Maravilhoso. Uma visita lá, vai conhecer um pouco do nosso trabalho. Eh, às vezes você pode ser um voluntário, às vezes a gente tá falando aqui para uma pessoa que pode contribuir. Às vezes a pessoa pensa que é só no lado financeiro, não é? Mas às vezes você pode contribuir com a sua profissão e multiplicar com a sua profissão vai multiplicando na vida de pessoas aí que estão esperando uma oportunidade. Maravilha. E no segundo bloco, então, a gente vai lá pro centro da cidade, né, para conhecer esse trabalho de acolhimento dos moradores de rua. Vai conversar com a Roberta e saber como é que funciona lá. É, lá agora vocês vão conhecer trabalho nosso onde que a gente e faz o acolhimento para com os moradores de rua. Tem os cursos profissionalizante morador de rua e agora a gente tem um projeto novo lá que é um abrigo na onde que a gente tem tá abrigando 90 pessoas, 90 moradores de rua do frio. Eles dormem agora no quentinho, no cuidado. Então vocês vão conhecer todos os nossos projetos voltado para as pessoas em situação de rua. Muito obrigada, Robs. Obrigado você. Deus abençoe. Amém. A gente volta já já. [Música] De volta pro segundo bloco do mão solidárias de hoje no Instituto A Esperança. Hoje a gente vai conhecer um outro braço do Instituto que é o trabalho com pessoas em situação de rua que funciona aqui na Casa Esperança, na Vila Industrial de Campinas. E quem vai falar hoje pra gente é a Roberta que é coordenadora técnica aqui, né? Roberta Dantas. Muito obrigada por nos receber aqui, Roberta. Eu que agradeço, Roberta. A gente já conheceu um pouquinho das dependências. Agora vamos compartilhar com as pessoas que estão assistindo esse trabalho que é tão importante, né, que é acolher as pessoas que estão em situação de rua. A gente tá num período bem frio, né? Embora hoje esteja quente, né? Eu tô aqui com frio, a Roberta tá com calor. Mas assim, a noite tem feito muito frio. Sim. E tem uma série de coisas que funcionam aqui, né? Além do acolhimento do albergue, depois vocês vão ver também onde as pessoas podem passar a noite em segurança, acolhidos, como é que funciona o trabalho? Eh, a Casa Esperança já tem um nome muito sugestivo, né? Eh, o Instituto A Esperança é um instituto que já tá mais de 20 anos em Campinas e atuando em frente com criança e adolescente e especificamente com com pessoa em situação de rua, né? Eh, o serviço aqui para pessoa em situação de rua, adultos, eh, foi reinaugurado em agosto do ano passado, né, agosto de 2024, eh, para atender essa população que tá vulnerável, que tá nas ruas, eh, mas não é só um local de convivência, um local para tomar banho, se alimentar, mas para trazer dignidade. E a gente tem um grande objetivo, né, que é novamente trazer autoestima para eles, inserir no mercado de trabalho. Então, hoje aqui na Casa Esperança, eh, a gente tem oficina de confeitaria, de elétrica, eh de barbearia, né, eh, de informática. Eh, esse esse mês a gente formou 15 pessoas, né? E assim, no universo de 200 pessoas que a gente atende por dia, as pessoas podem estar se perguntando, né, mas só 15 dentro dessa população em pessoa em situação de rua é um grande avanço, né? Então assim, eh, foi uma vitória mesmo, a primeira vitória, né? A gente vai fazer aniversário agora, eh, em agosto de um ano da da renugeração da casa e a gente já comemora com esses formandos, né? Então é um tempo assim muito precioso que eles passam aqui. Eh, a gente às vezes a gente não tem muito até o que falar, né? Mas só o olhar, só a mão estendida, o ombro, o ouvido para ouvir, né? Eh, pessoas que estão tão vulneráveis, que estão longe da sua família, que os vínculos eh familiares já foram rompidos. Então, a Casa Esperança é uma porta, né, de esperança para essa população, que a gente tem falado assim que muitas vezes é tão invisível, né, que as pessoas passam, já se acostumam com o cenário da pessoa em situação de rua e o Instituto, a Esperança, a gente nunca, nunca a gente vai se acostumar com esse cenário, nunca, né? Ah, é normal, todo município tem pessoa em situação de rua. A gente não se conforma com isso, né? A gente tem o desejo e a missão de resgatar essas pessoas, né? para que elas voltem mesmo para pro seio da sua família, dos seus familiares, dos seus filhos. Esse é o nosso essa nossa missão, esse é o nosso desafio, né? E tem várias oportunidades, seja pela barbearia, pela informática, né? Qual é o maior desafio de das pessoas que estão em situação de rua? É resgatar a autoestima, a confiança. O que que você percebe? Eh, assim, Alexandra, eles têm muito desafios, né? Mas a questão da saúde mental hoje é uma questão eh desafiadora e muito importante. Então assim, nós temos as oficinas, nós eh investimos nas oficinas em bons professores, os educadores sempre acolhendo, motivando. Eh, mas a gente precisa, em contrapartida, ter um trabalho com a saúde mental, porque o comprometimento com uso da droga, do álcool é muito grande, né? Então, a gente eh tem hoje, por exemplo, pessoas que estão há 20 anos em estação de rua, que a gente tem recebido. Então, assim, há toda uma organização anterior a recolocação no mercado de trabalho, a recolocação nos vínculos familiares. Então, toda essa abordagem, esse cuidado com a saúde mental é muito importante. Então, assim, a assistência ela tem que tá andando junto de de mãos dadas com a saúde, né? Então, a gente tem um grande desafio que é a saúde mesmo, né? Vocês fazem essa essa abordagem também para sentir como é que tá a saúde mental? Tem roda de conversa? É, aqui dentro da do da nossa casa a gente tem, né, alguns voluntários que pontualmente vem eh ter um trabalho, mas a o trabalho constante e o trabalho sistemático teria que tá mesmo assim, tipo caps. Ah, tá, né? assim, a gente precisa eh ter mais parcerias com a questão da da saúde mental mesmo, né? Eh, hoje a gente tem eh um parceiro que são os CAPS, mas embora tenha essa parceria ainda assim é muito restrito o número pro atendimento, né? Eh, não tem braços para que para que essa população possa ser atendida. Então, assim, eles vêm com comprometimento mesmo mental por conta do uso abusivo da droga, né? Então eles precisam eh ser cuidado, precisa ter um tratamento, a gente precisa de mais vaga em casa de de centro de terapêuticos, né? Eh, para que a gente possa eh ter um trabalho mais eficaz, né? Mais efetivo, mais efetivo. E ele já tem como referência, então, aqui a Casa Esperança para vir tanto para tomar o banho, para se alimentar, mas para ter um lugar em segurança, né? Isso, exatamente. Eh, a Casa Esperança, ela funciona de segunda a segunda que a gente não para. Sábado, domingo, a gente tem grupos de voluntários que eh continua oferecendo o almoço, o café da manhã, o jantar. Eh, as atividades, as oficinas acontecem de segunda a sexta. Eh, a gente tem feito essa parceria com a saúde, com a educação, porque uma das coisas que eles eh pedem muito é voltar, estudar. Olha que legal. para conseguir acompanhar as oficinas. Por exemplo, a elétrica é uma oficina que precisa ter noções básicas de matemática e português, Uhum. né? Principalmente de cálculos. Então, a gente precisa ter essa parceria com as outras áreas, né? Eh, então assim, a tem essa questão, né, da educação, tem a questão da saúde mental, que a gente precisa estar lado a lado com a saúde, a gente precisa desenvolver mais políticas públicas na área da saúde para poder atender essa população, porque é uma população, Alexandra, que ela não chega nos hospitais, por exemplo. Exato. Uhum. Né? Não chega. Eh, e quando chega, muitas vezes eles não são recebidos da maneira adequada, né? A gente não precisa ir muito longe. A gente sabe que a saúde como no todo no Brasil tem uma dificuldade muito grande, né? Pra pessoa que tá em situação de rua sem documento, que muitas vezes chega numa situação que não consegue nem falar o seu nome, não tem endereço, endereço fixo, então ela chega uma porta de um pronto socorro, como já aconteceu várias vezes aqui com usuários nossos, e não são atendidos, né? Acham que só tão alcoolizado, que não dão muita importância. Então, eh, o nosso desafio hoje é também ter essa parceria e com a saúde, né, para poder dar um atendimento mais específico. Exatamente. para que a gente possa atender de forma integral esse ser humano, né, esse indivíduo que tá numa situação tão complicada e que minimamente a gente precisa oferecer condições mínimas, básicas, né, que é a saúde, a alimentação, é a higiene, para que a gente possa então recolocar eh recolocar eles no no mercado de trabalho, né? Tem uma perspectiva, né? Sim. E aqui na frente também faz parte do projeto, né? Funciona o alberg. Sim. onde eles podem passar a noite em segurança. Os os dormitórios são separados de meninos e meninas, né? Sim, eles podem ter uma noite tranquila, porque quem tá em situação de rua não tem noites tranquilas, né? Eles estão sempre estão em alerta, o risco, né? Tão muito vulneráveis, seja por conta da violência entre os pares, seja por conta do frio, né? A gente tá falando que agora vai entrar, tá entrando o inverno, então é uma demanda muito grande porque eles ficam vulneráveis, principalmente os idosos. A gente tem muitos idosos, infelizmente, em situação de rua, tem idosos, são bemativos, tem idosos. Eh, então assim, é complicado, né? Muito complicado mesmo nessa quando chega nesse período do ano para essa população. Mais ainda, né? É, durante todo o ano é complicado, mas no inverno a gente tem muitas eh situações complicadas de comprometimento mesmo respiratório, enfim, né? Ah, tem tudo isso. E a gente viu lá no albergue, acho que vocês estão vendo aí as imagens, que deixaram até a lavanderia como um quarto extra, caso o frio eh se agravasse nesse período, né? consegue, é, a gente consegue atender eh de 60 a 70 pessoas, mas com a operação inverna a gente precisou aumentar a as vagas e aí todos os cômodos do albergue virou também dormitório, né, para que a gente possa atender todo mundo, para que fique menos pessoas e eh em situação vulnerável na rua, né? E Roberta, para manter tudo isso funcionando, ontem a gente viu a parte das crianças lá no Parque Eziel, que é um projeto que tem suas parcerias já aqui. Vocês têm parcerias, vocês conseguem e abarcar todo o custo dessas dessa obra, dessa dessas atividades? Terceiro setor é sempre um desafio, né? Embora a gente viver perigosamente. É, é uma aventura é se aventurar. Às vezes as pessoas chegam e falam ass: "Ah, eu queria abrir uma OSC". Eu falei: "Boa sorte". Porque é uma aventura mesmo, né? A gente tem aqui na na parte da da Casa da Cidadania, que é a unidade da Casa Esperança, a gente tem o cofinanciamento da prefeitura. Então, a gente consegue custear a nossa folha de pagamento, os funcionários, uma parte da alimentação. Por que uma parte da alimentação? Porque hoje eh o edital que a gente concorreu e o que é cofinanciado é para 120 pessoas, mas já nós já atendemos mais de 200 diariamente. Então isso implica eh mais materiais de higiene, mais alimentação, a mão de obra, né? Porque uma coisa é você atender eh 120 pessoas, outra coisa 200 poucas, né? Eh, então assim, a gente tem eh uma rede de parceiros, né? O Robson, que é o fundador do Instituto A Esperança, ele tem um bom relacionamento na rede, com o parceiro, com os empresários, mas ainda assim o desafio financeiro sempre é maior, o maior, porque e pro alberg vocês não têm cofinanciamento. O alberg foi, o espaço foi cedido pela prefeitura. Eh, mas a gente não tem confinanciamento, então tudo que é feito é fruto de eh doações, de oferta, da boa vontade voluntária eh dos amigos e parceiros, né, eh de Campinas. Então, quem tiver assistindo e quiser fazer uma doação de cobertores, colchão, é só entrar aqui no site que a gente tá colocando no Instagram e entrar em contato com vocês. Sim, vai ser muito bem-vindo qualquer doação, não só doação em espécie, mas o trabalho voluntário também, né? Eh, às vezes a pessoa fala assim: "Ai, eu não tenho eh não posso ir todos os dias mais uma vez por mês, vir fazer uma roda de conversa. Há tantos profissionais, né, tantas pessoas que tm tantas habilidades que pode vir ouvir eh essas histórias, conversar, dar o ouvido, estender a mão, né? Eh, então assim, é sempre muito bem-vindo aqui na nossa casa. Legal. E a gente conversou mais cedo com o professor de informática, né, que ia ter uma oficina, está tendo nesse momento. A gente vai ver como é que funciona então aula de informática e já volta. Sim. Felipe Mora é o oficineiro de informática aqui do projeto, vai falar pra gente como é que funciona, o que que eles aprendem aqui, né, Felipe? Isso. Boa tarde. Primeiramente aqui a gente a gente ensina para eles eh todo o básico de computação, desde como ligar o computador, como usar o mouse, como compador funciona e depois a gente passa para uma parte de mexer mexer no computador, criar arquivo, editar arquivo, navegar na internet, criar um e-mail pessoal para cada usuário, onde eles possam usar para buscar vagas de emprego, para ter é eh acesso a a a sites do governo, a também a família e amigos. E a gente ensina o pacote Office, que aí eles conseguem editar texto, produzir slides, usar planilhas. E no final ainda tem o módulo de IA, onde eles aprendem as ferramentas como o chat GPT, o Gemini, onde eles possam usar junto com o que eles eh com todo o curso para usar uma uma ferramenta única. Legal. Oi, Felipe, eh, o pessoal chega aqui geralmente com alguma noção de informática ou a maioria começa aqui com do zero mesmo? É, tem alguns que é nunca usaram, mas tem alguns que é conhecem um pouco, eles é usam celular, eles utilizam outras ferramentas. Aí a gente adapta o que eles l o o que eles trazem com o que eu ensino sobre os novos os novas ferramentas e assim eles se desenvolvem melhor. E dura quanto tempo essa oficina de informática? São deito a a é 10 semanas, depende da turma. Se for uma é a turma avançada, oito semanas. Tem vezes que a gente faz mais uma aula de reforço ou duas aulas de reforço. Depende e dessa turma, do público. Então vamos ver o que que eles estão achando da oficina, né? Isso. A gente a gente já pergunta para eles. O Cléder tá fazendo aqui a oficina de informática. Vai falar pra gente o que que ele tá achando do curso. Tá aprendendo muita coisa nova, Cléder? Sim, muita, muita coisa nova. E a gente tem que mais da idade, a gente tem que se atualizar, né? A gente tem que estar por dentro do que que tá acontecendo no mundo aí, né? E você já sabia um pouquinho de informática ou começou aqui? As noções básicas, né? Até porque em questão do teclado mesmo, eu fiz ailografia quando era quando o menino era office boy, né? E começou por aí, né? Mas e aí agora com o tempo que eu acabei eh é uma necessidade hoje em dia, né? Você saber informática, né? Tudo gira em torno da informática. Você tá curtindo aqui a oficina? Já aprendeu muito? É, é, a gente estamos na sexta aula, ele disse. Eh, mas eu procuro ser assído sim, é porque eh vai servir para mim futuramente não só um canudo, né, para você deixar na estante lá, e sim o conhecimento, né, para você tá e que você adquire, né, com informática, que hoje é gráfico, ó. né? Então, eu já vi que você gosta de estudar, né? Não, eu gosto de informática. É interessante, muito interessante. Hoje em dia se usa muito, é até no no ramo, qualquer ramo, trabalho, no caso, é, você precisa ter, né? Você precisa ter noções básicas, né? Então isso vai pro currículo. E você gosta de vir para cá? Como é que você sente aqui o trabalho do da Casa Esperança? Ah, sim. É muito bom, né? Eh, porque a gente tá por outro lado, não é só eh vir participar lá, né? Porque você pode notar que, né, uns é artesanato, né, outros. Então, mas aqui você acaba aprendendo, né? Não é só se divertir e vir para cá e ficar com a mente vazia, né? Falou tudo agora. ocupar mente é maravilhoso, né? É maravilhoso. E com o tempo às vezes a gente acaba se sentindo útil também, né? Que nem o aprendizado que eu tiver aqui, eu posso estar passando por uma outra pessoa que é leiga também, não tem noções, né? Que nem hoje em dia tem muito o negócio do celular, né? Então muitas pessoas de idade eles ainda não têm noções de como manipular um celular, né? Então eh aqui não deixa de ser um também, né? que as informações, né, tem o Google, né, são muitas funções que a gente acaba fazendo aqui que tem no celular. Tem gente que tem um celular, só sabe ligar e e atender a ligação, né? Mas e a gente acaba aprendendo fazendo muitas coisas, né? É um baixar músicas, fazer contas, eh, pesquisas, pesquisas, ficar por dentro, né? que nem eu gosto muito de geografia, gosto de dar aquela viajada, né? Eh, eu acho bom, eu acho muito bom. E uma que a a única coisa que eu acho ruim um pouco é que tá bastante do nosso tempo, a gente acaba ficando tão interagido que, né, você acaba que eh o tempo vai passando rápido demais, né? Não dá para conciliar tudo, né? Obrigada, Claed. Nada. É, boa sorte aí no curso. Vai dar certo. Vai dar certo. Mais um canudo. Roberta, e dessas pessoas que frequentam aqui, tem uma porcentagem de mulheres e homens, mais homens do que mulheres e são todos aqui de Campinas? Eh, a maioria são de Campinas. A gente, num universo de 200 pessoas, a gente atende eh 180 homens. Então, a gente a quantidade maior é de homens. mulheres a gente atende de 20 a 25 que são fix aqui do eh do nosso serviço. Eh, vem boa parte, vem de fora também. A gente tem um um uma camada que vem das das cidades aqui próxima. Eh, e pessoas de outros países também, tão como a Bolívia, Argentina, Colômbia. E pras pessoas que que são aqui da região, vocês continuam atendendo ou vocês orientam que voltem? Como é que essas pessoas chegam até aqui? como aqui é um serviço de porta aberta, né? A gente tem todo um atendimento, acolhimento, passa pelo serviço social, eh sempre a ideia, né, o objetivo é sempre eh orientar essa pessoa para que ela volte pra família, mas não há uma obrigatoriedade. Isso a gente não pode fazer. Olha, você a gente não vai te atender e você tem que voltar que você é de outro município. A porta está sempre aberta para atender, né? Mas tem essa orientação que o nosso serviço social sempre faz, se há o desejo deles voltarem pra família, tem eh o reco, né, que a gente encaminha pro pro Centro Pop, que é um serviço da prefeitura. Eh, então tem toda essa orientação, mas a porta é aberta, a gente atende a todos que que precisam, né, e que chegam até nós, porque é um desafio, né, você ter uma um cofinanciamento para um tanto, aí chega mais um tanto todo dia, né? Sim. E até para dar um bom atendimento para essas pessoas, né? Exatamente. Então é é mais um desafio, né? É mais um desafio. Então fica esse convite, né, Roberta? Para quem quiser conhecer, vocês também estão abertos, né, para as pessoas conhecerem o serviço. A gente colocou os canais aqui também. Eu queria agradecer então você compartilhar toda essa história e eu queria que você falasse o que te motiva a trabalhar com desafio tão grande como esse, né, que é dar a oportunidade das pessoas ressignificarem a própria vida. É, nós que agradecemos, né, eh, essa oportunidade da gente falar um pouco do nosso trabalho, né, do Instituto A Esperança. Eh, o que me motiva é trabalhar com pessoas, né? Eh, quando eu escolhei, quando eu escolhi fazer serviço social, eh, eu poder olhar pro outro e dar uma outra perspectiva de vida, né, eh, de buscar uma mudança, uma transformação social, isso não tem preço, né? Eu falo que eu gosto, eu sou uma pessoa que gosta muito de ouvir histórias e aqui é um lugar que eh tem muitas histórias, histórias de pessoas que passaram por tantos desafios, né? E que chegou aqui na nossa mão. E o que que a gente vai fazer com essa história? Então, se a gente puder um pouquinho mudar, às vezes é só um banho, né? É só um banho. Ai, mas que que é um banho? Né? Para nós é uma coisa que tá na nossa rotina que é tão simples, né? Mas há pessoas que estavam tanto tempo, né? 10, 15 dias sem eh tomar um banho quente. Então, assim, é trazer um pouco de dignidade, né, para essas pessoas. Então, assim, eh, a gente brinca aqui, a gente fala que se deixar, a gente também dorme aqui um pouco, né, porque é assim, é muito gratificante, né? São muitas histórias, a gente aprende muito. Eh, a gente vem para estender a mão, mas na verdade quem sai transformado somos nós. Há muita resiliência nessas pessoas. Eh, há muita solidariedade. Uma coisa que eu tenho aprendido muito, né? Eh, é que há muita solidariedade na rua, né? Às vezes eles têm eh uma blusa de frio e aí o outro tá com mais frio do que ele, então ele vai ceder a sua blusa de frio, sabe? Então, a gente vê muita solidariedade na rua. Então é isso que me motiva, né, a continuar esse trabalho, eh, e tentar transformar, né, eh, um pouco a história dessas pessoas. E para você que assistiu esse programa, quiser rever, compartilhar, é só acessar o YouTube da TV Câmara Campinas e buscar por Mãos Solidárias, Instituto A Esperança. Muito obrigada pela sua companhia e até sábado que vem. [Música] [Música] [Música]