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Mãos Solidárias | Associação Cornélia promove inclusão e renda na saúde mental
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Mãos Solidárias | Associação Cornélia promove inclusão e renda na saúde mental

109 views Publicado 28/02/2026 HD · 37:04

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🤝 Está no ar Mãos Solidárias. Na edição de hoje, você vai conhecer a Associação Cornélia, uma organização de Campinas que atua na inclusão social de pessoas com transtornos mentais, por meio do trabalho, da convivência e da geração de renda. É uma história que atravessa décadas e mostra como a dignidade também se constrói com oportunidade, rotina, pertencimento e cidadania. 🎙️ Para contar essa trajetória, o programa conversa com Cleusa Ogera Cayres, diretora da associação, e também com Angélica Quartaroli, gestora do núcleo de oficinas e trabalho. Juntas, elas explicam como a Cornélia nasceu, como funciona a rede de apoio e por que o trabalho é um instrumento essencial para pessoas em sofrimento psíquico — especialmente diante do estigma e do preconceito que ainda dificultam o acesso ao mercado formal. ​ 🧩 Como a Associação Cornélia surgiu e por quê A Cornélia está ligada ao movimento de reforma psiquiátrica e ao processo de desinstitucionalização, criando caminhos para que pessoas que antes viviam longos períodos de internação pudessem retomar a vida em liberdade, com suporte e perspectivas reais. O projeto se fortaleceu com oficinas, capacitação e estrutura para produzir com qualidade e vender, transformando atividade em renda mensal para os participantes. 🛠️ Oficinas, produtos e inclusão pelo trabalho No episódio, você conhece o modelo de oficinas (artesanato, marcenaria, vitral, costura, gráfica, horta, jardinagem, gastronomia e outras frentes) que funcionam de forma cooperativa, com acompanhamento técnico e suporte em saúde mental. O trabalho é coletivo, dividido por habilidades, e os produtos/serviços são comercializados no Armazém das Oficinas, em feiras e também para empresas (brindes, eventos e demandas corporativas). 🌿 Um destaque do programa é a oficina agrícola, com horta orgânica e jardinagem, mostrando como o aprendizado é construído no dia a dia — e como o trabalho ajuda a organizar rotina, vínculos e autoestima. ​ 💳 Bolsa-oficina: renda que vira autonomia Uma parte do faturamento das vendas retorna para a sustentabilidade das oficinas e outra parte vira a bolsa-oficina, que impacta diretamente a vida de cada participante: ajuda com moradia, alimentação, contas e o direito de escolher, comprar e planejar. Essa renda também reforça o reconhecimento social — “sou trabalhador”, “faço parte”, “tenho um lugar”. 🏅 Reconhecimento e credibilidade institucional A Associação Cornélia é reconhecida como utilidade pública (em diferentes esferas) e possui certificações e documentação institucional que fortalecem sua atuação e parcerias. No programa, isso aparece como parte da estrutura que sustenta o trabalho social e a continuidade do atendimento. 📍 Visite e apoie O episódio convida você a conhecer de perto: loja, oficinas e até o restaurante aberto ao público, fortalecendo a economia solidária e ajudando a manter essa experiência viva e ampliada. 💬 O que você achou desse modelo de inclusão pelo trabalho? Você acredita que a sociedade ainda tem muito a avançar no combate ao estigma em saúde mental? Comente aqui embaixo 👇 👍 Curta, compartilhe e se inscreva para acompanhar mais histórias inspiradoras no Mãos Solidárias. 🔔📺 Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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Olá, começa agora Mãos Solidárias. Na edição de hoje, vamos conhecer a Associação Cornélia, que desenvolve um trabalho e que atua aí na inclusão social de pessoas que sofrem de transtornos mentais. Vamos conversar então com uma das diretoras aqui da associação, Cleusa Oira Caires. Muito obrigada, Cleusa. Boa tarde. Eu que agradeço a oportunidade participar aqui do Mãos Solidárias. vai contextualizar um pouquinho pra gente sobre a fundação mesmo da associação, quando que ela foi criada, pro pessoal de casa entender a importância desse trabalho. A associação foi criada há 33 anos atrás, foi uma fundação a partir de uma necessidade eh no processo de inclusão e de desinstitucionalização das pessoas que eram internadas aqui no Cândido. É, tinha uma grande demanda dessas pessoas que moravam aqui por longos anos por retomar a vida e retomar o trabalho. Eh, então começa lá em 1990 um processo de dar oportunidade para essas pessoas de desenvolverem trabalhos de profissionais mesmo, né? Então, eh, começa a partir da terapia ocupacional com pequenas iniciativas de oficina de culinária. E aí em 93, eh, esse esse trabalho tá ficando mais potente, encorpado e surge a necessidade de ter uma uma associação, uma cooperativa, uma personalidade jurídica que desse suporte para esse trabalho eh que tava começando a ser desenvolvido. E aí, nesse contexto que foi fundada por familiares, profissionais que estavam aqui na época, eh essa associação eh para dar esse suporte paraas oficinas que começavam lá muito incipientes ainda. A gente tinha na época cerca de 40 pessoas que começaram a a participar das atividades. Eh, e depois isso foi crescendo, passou a abrir a passou as oficinas passaram a receber pessoas que vinham encaminhadas da rede de saúde mental de Campinas, né? Eh, e a gente começou a perceber que era uma grande demanda das pessoas que sofriam de qualquer transtorno mental eh a questão da inclusão social pelo trabalho, né? O trabalho para nós é importante, eh, para qualquer pessoa ele é importante. Para as pessoas que têm algum sofrimento psíquico, algum transtorno mental, isso é mais importante ainda, porque ela acaba se reconhecendo enquanto sujeito, enquanto cidadão, de o ir e vir, ter um local para desenvolver alguma atividade, ter colegas que fazem a mesma coisa e que estão no mesma na mesma situação. No início da associação, as famílias e nós também enquanto profissionais tínhamos o o sonho ou a utopia, né, o desejo de que fosse um processo de passagem, de que pouco tempo as pessoas ficariam nesse processo de reabilitação, de aprendizado, das regras de trabalho, que recuperasse isso e que conseguissem ir pro mercado formal de trabalho. Isso não foi um fato. preconceito da sociedade com as pessoas que têm algum sofrimento psíquico ainda é e até hoje, né, acho que 30 anos depois, ainda é muito grande. Então, ainda existe a discriminação, né, e o preconceito. Infelizmente, sim. as pessoas eh tem aquela coisa, né? Ah, mas ele é louco, faz tratamento ou porque teve alguma crise. Então assim, eh muitos usuários quando saem, tão aqui e vão levar um currículum, ficam animados se falar que faz tratamento em Caps, que tem algum transtorno, algum alguma algum problema, eh, é dispensado assim quase que automaticamente, né? A gente teve várias experiências de pessoas que vão e falam: "Ah, mas eu faço o tratamento do CAPS". Ah, tá. Então, mas mesmo eles fazendo parte aqui das oficinas, mesmo tendo esse conhecimento e essa iniciativa, ainda assim lá fora tem essa dificuldade, é um desafio diário. Então, para vocês é um desafio diário. Eh, mesmo tem a inclusão pela lei de cotas, que em alguns casos as pessoas têm alguma comorbidade e aí é um pouco mais fácil, mas também não é tranquilo eh de conseguir eh a vaga assim no mercado formal. E por conta disso a gente foi eh as oficinas foram crescendo, a demanda foi aumentando, isso do núcleo de oficinas de trabalho do Cândido e a associação foi acompanhando esse esse projeto, profissionalizando as oficinas, então buscando capacitação para essas pessoas, buscando equipamentos para essas oficinas. Hoje a gente tem 12 oficinas, serralheria, marcenaria, vitral, equipadas, né, com a gente foi buscando financiamento e possibilidades de que a produção fosse qualificada, né, e que a gente pudesse ter produtos de qualidade, que pudessem ser vendidos e que a renda para essas pessoas fosse gerada através da venda desses produtos. Sim. Então, a gente vendia para logistas, fazia vendas nos vendas no atacado, faz ainda, né? Vendas, sim. eh brindes, todas as formas de eh de capacitação e de promover a geração de renda eh como um negócio, né, para que essas pessoas possam ter aí a sua renda todo mês, porque as contas vêm todo mês. Então são pessoas que recebem da Associação Cornéli aí esse valor todo mês, que é referente ao que eh foi produzido em cada grupo e foi vendido, né? os grupos trabalham eh de uma maneira cooperativa e e a produção é coletiva, não é um produto daquela pessoa, é o produto do grupo. Cada um faz a parte que tem mais habilidade, quem tem menos faz o que pode, quem tem mais faz a finalização. Enfim, a as tarefas são divididas, eh, sempre acompanhadas por um profissional que sabe fazer a monitor, alguém que sabe da área e um profissional da área da saúde mental. E e quantas pessoas trabalham no total aqui dentro da associação? Aqui nas oficinas a gente tem 300 pessoas que tão que trabal aqui nas oficinas no serviço de geração de renda do Cândido, que tem aqui e tem na na a casa das oficinas que é na região noroeste. Eh, hoje aqui são 250. A gente já chegou a ter até tem 300 pessoas, 250 aqui e 50 lá, eh, que tão aí divididas nessas oficinas, agrícola, vitral, costura, papelaria, mosaico. Eh, para muitos aprende um ofício. Algumas pessoas, a gente atende também pessoas que têm ah problemas relacionados ao uso abusivo de álcool e outras drogas. Essa população consegue se reorganizar. né? E voltar pro mercado formal de trabalho ou o bico contém um pouco menos de dificuldade, né? É um pouco mais fácil para eles, né? Terem essa integração lá fora. Pou porque o tratamento é menos intensivo em alguns casos, né? consegue parar de fazer o uso, embora tenha algumas recaídas às vezes, mas consegue com um pouco mais de facilidade manter o o trabalho, os vínculos de trabalho. Aí a associação eh em 2002 eh começa a ter parcerias também com a Prefeitura de Campinas. Eh, então a gente tem um serviço de convivência e fortalecimento de vínculos que fica aqui em Souzas, né? eh que atende a comunidade hoje tem 180 eh metas lá, né, que atende a 180 pessoas por mês, oferecendo atividades de eh artesanato, de cunho artístico, esportivo, de de bem-estar, cuidado com corpo, eh pra comunidade em geral e também para pessoas que tenham alguma algum sofrimento aí, né? a gente tem atendido muitos idosos com depressão. Aí é um trabalho mais preventivo que de tratamento, né? Diferente das E essas pessoas são daqui mesmo de Souzas ou tem de outras outros locais? No centro de convivência são só de Souzas. As oficinas a gente atende ao município de Campinas como um todo. É, aí tem um o Cândido tem a o convênio com a prefeitura e as oficinas a gente tem uma parceria com o Cândido, certo? E aí é feito um mapeamento dessas desses usuários. Isso. Os usuários vão nos serviços de saúde mental, demonstram lá o desejo, a necessidade de de participar de alguma atividade de trabalho e são encaminhadas para cá. Eh, e também nós temos enquanto Associação Cornélia, né, que tem outros serviços além das oficinas, eh um serviço de abordagem social de rua, que também atende o município de Campinas em parceria com a prefeitura, que atende a pessoas em situação de rua. Esse serviço fica, a sede dele é na no centro, na RUR Uruguaiana. E esse trabalho é vocês que desenvolvem aqui entre os as pessoas que trabalham aqui. Esse trabalho do SOS Rua ele é um trabalho, tem uma equipe especializada que faz a abordagem na rua, então é um outro serviço, tanto o S for da fora das oficinas. É um serviço da Cornélia que é a gestão é associação Cornélia em parceria com a prefeitura. O o centro de convivência também é uma política de assistência social, ter serviço de abordagem, ter centros de convivência e fortalecimento de vínculos. A gente tem esse essa parceria para o distrito de Souzas, né? Souzas e Joaquim, o nosso centro de convivência e a população adulto, idoso, é intergeracional. E as oficinas, a gente tem a parceria com Cândido, que já é desde o início foi o que eh de onde nasceu, né, a Fundação da Cornélia teve esse eh eh essa necessidade, né, surge dessa necessidade e depois a gente foi fazendo outras coisas aqui nas oficinas a gente também recebia pessoas que estavam em situação de rua, muitas vezes alcistas e tinha um um sucesso aí com relação a essas pessoas de de sair da rua, de se reorganizar, tanto que foi a própria secretaria que nos solicitou abrir eh montar o serviço e ser parceira no por conta dessa demanda que tem a população em situação de rua e enfim, acho que e é um trabalho que é em conjunto também com as outras secretarias, porque existe essa triagem, né? Sim, vocês acabam conversando, né, com as secretarias também, justamente para entender como que tá a situação dessas pessoas, situação de vulnerabilidade e acaba também trazendo esses trabalhos aí de inclusão. E como que é para você, né, acompanhar de perto também o resultado, eh, e também o desenvolvimento dessas pessoas, né, que atuam aqui nas oficinas, cada um com o seu perfilum, eh trabalhando e se identificando com uma oficina. para vocês também esse resultado e esse desenvolvimento é de grande valia para vocês saber que tem dado o resultado, né? Eh, eu acho que estar com essas pessoas no dia a dia e ver eh o o quanto eles se reconhecem na vida, no mundo através da atividade desenvolvida, através do trabalho, é o que nos motiva a seguir e nos faz acordar e dizer: "Nossa, tenho que fazer alguma coisa hoje". e tem que trabalhar. E isso é o é é um grande é uma grande alegria, assim, nem sei expressar, mas é muito gratificante. Você vê que você eh tá ali fazendo às vezes alguma coisa burocrática, mas é em prol daquele trabalho e de ver as pessoas e você vê o resultado no sorriso das pessoas, na satisfação de dizer: "Tchau, tô indo embora hoje", né? Aquela coisa de dever cumprido, eu vim, trabalhei, agora eu tô pegando o ônibus, tô indo paraa minha casa e ou de levantar, vim chegar aqui, bom dia, né? O pessoal chega geralmente muito animado e fazem com muito prazer. Acho que você teve oportunidade de conversar com algumas pessoas e eh a satisfação e o ânimo é é muito gratificante para quando a gente vê o é é o que mostra o resultado do trabalho, né? Então, às vezes a gente tem assim, é, é difícil você vender produtos, produtos artesanais, não é uma tarefa simples, né, a gente colocar a produção no mercado. Eh, mas é isso motiva, né, ver a alegria das pessoas verem, ai eu quero comprar tal coisa, vou juntar o dinheiro para fazer isso. É o que nos motiva, né, de vamos tentar vender, vamos fazer contato com uma empresa, ver se eles estão precisando de brinde. Acho que é o que nos move a tá na luta e nessa nesses desafios, né? A gente tem muitas pessoas que os profissionais não são da área da de vendas, de comercial, né? Uhum. Eh, e aí a gente acaba tendo que aprender isso. Eu sou minha formação é eu sou assistente social. Sim. E aí você tem que aprender muito, né? Porque o mundo, capital, comércio é é muito diverso. Transformação, né? é muito diferente da sua formação. Então é um é um desafio a cada dia, né? E é um aprendendo com o outro, trocando experiência, fazendo essa troca que no final é gratificante mostrar também que todo mundo pode fazer aquilo que deseja, né? Isso, sem dúvida. E aí você vê isso concretamente, quando tem o desejo, a vontade de fazer, flui e geralmente as pessoas conseguem, né? E é um espaço de trabalho protegido, vamos dizer, porque a gente assim errou uma vez, vamos lá, vamos tentar de novo, agora vai dar certo. Tem coisas que às vezes tá desenvolvendo um produto que a gente muitas vezes os produtos são desenvolvidos na própria oficina, né, com a a ideia de um, a ideia de outro. Vamos tentar de novo. Quem sabe desse outro jeito dá certo. Então é um é um movimento que motiva e e é isso, né? As pessoas se sentem incluídas e com autoestima elevada, né? Por por essa desenvolver esse tipo de atividade, de estar nesse no mundo desse jeito, né? E é essa mensagem, né? Que a Associação Cornélia tem para passar então pro pessoal de casa. Olha só, gente, ainda não terminou. Tem muito mais pra gente mostrar, mas isso vai ficar pro segundo bloco. Então não saia daí que o Mãos Solidárias volta já já. Mãos solidárias de volta. Falei que era rapidinho e agora a gente vai continuar o nosso bate-papo falando um pouco mais sobre a associação e também das oficinas. Por isso aqui ao meu lado está Angélica Quartaroli, ela que é a gestora do núcleo de oficinas e trabalho. Olá, seja bem-vinda. Obrigada. conta pra gente. Então, a a Cleusa falou um pouquinho, né, sobre as oficinas, mas a gente vai entrar um pouquinho mais aí nessa questão, como que foi pensado trazer as essas oficinas e também os produtos que são eh inéditos, né, partem assim do conhecimento deles mesmo. Então, traz pra gente todas essas informações. Sim, as oficinas elas foram criadas eh há 35 anos, esse ano faz 35 anos. Elas nasceram junto ao movimento da reforma psiquiátrica no Brasil aqui em Campinas, junto com o apoio, incentivo da Secretaria de Saúde. E aí nós criamos as primeiras oficinas, os primeiros usuários eram moradores e pessoas internas, né, numa época que ainda existia internação psiquiátrica aqui na na instituição. E aí nós iniciamos então em 1991. Eh, logo em seguida, eh, nós vimos a necessidade de criar a Associação Cornélia em 1993 para dar o suporte financeiro, administrativo, comercial dos produtos que eram produzidos aqui, né? Então, o projeto foi dando muito certo, as experiências foram se expandindo, a gente foi aprimorando as técnicas, o jeito de comercializar, o jeito de apresentar o produto, né, junto à sociedade. E aí é, hoje nós temos 10 oficinas, temos a agrícola, que tem a frente de horta e de jardinagem, temos ladril hidráulico, temos um restaurante comercial que funciona de segunda a sexta, nós temos uma oficina de eventos que faz coffee break corporativo, temos também vitral, temos marcenaria, temos costura, gráfica e papel. Eh, todas as oficinas atende pessoas encaminhadas da rede de saúde mental de Campinas. Então, eles vem encaminhados de CAPS, de centros de saúde, ambulatórios, porque apresenta uma demanda para o trabalho, uma necessidade por uma renda. Então, eles chegam aqui com esse encaminhamento, fazem uma triagem e eles escolhem a oficina que mais se identifica, que mais se aproxima da história de vida, enfim. Eh, muitos chegam desacreditados que não tem potencial, não tem capacidade, não tem habilidade para desenvolver uma atividade. Mas esse não é um impeditivo, né? Porque quando eles começam, a gente oferece todo o suporte, todo treinamento, aproximação da do da matériapra, a gente aproxima eles das ferramentas, eh a gente vai trabalhando a inclusão deles no grupo e aí é muito interessante todo esse processo de chegada e de desenvolvimento deles nas oficinas. Eles vão tomando gosto também daquela oficina. Isso vai muito do perfil deles. Isso acaba auxiliando no tratamento também. Angélica, sem dúvida, as oficinas elas possibilitam não só o aprendizado de uma técnica, de uma atividade, né, de mosaico, de vitral, de costura, mas eles aprendem a manusear o instrumento, desenvolve habilidades manuais, eh desenvolve habilidades na relação com o outro, na interação social, e que isso reflete em casa, reflete na comunidade onde eles moram, eh impacta na autoestima, porque eles se vem, passam a se ver como trabalhadores, né? E aí é uma outra apresentação enquanto trabalhador, né? Acordar cedo, pegar um ônibus, sabendo da responsabilidade do compromisso. Então, isso também promove muito a autoestima deles. Eh, trabalha muito também a conscientização para o tratamento. Sim. Eh, então a questão de de ir nas consultas médicas, fazer o uso regular da medicação, passar por terapias e outros tratamentos, isso a a participação deles nas oficinas promove também essa conscientização. E aí o que a gente percebe é uma estabilização do quadro, né? Eh, enquanto eles estão frequentando as oficinas, estão trabalhando, estão se relacionando, produzindo, a gente percebe que diminuem as crises, em alguns casos diminui a quantidade de medicação ou o uso total de medicação. E é muito importante porque aqui a gente trabalha o tempo todo com promoção de vida, promoção de saúde, então a gente vê melhora em todos os aspectos da vida dele. Eh, além das oficinas daqui, do núcleo de oficinas de trabalho, também conhecido como armazém das oficinas, nós temos também uma outra unidade que funciona no campus Elíse, que chama Casa das Oficinas. Lá tem mais três oficinas ao todo. Somos em 13, eh, assistidas, né, gerenciadas pelo Cândido Ferreira, mas com todo suporte, né, paraa gestão comercial e administrativa. Eh, tudo que nós produzimos é discutido em roda. é outro benefício, né, que é é trabalhado com esses usuários, o trabalho em roda, a discussão eh do que vai ser produzido, de quanto vai ser cobrado, para quem a gente vai vender, prazo de entrega. Então essa essa a gente fala em roda, é porque a gente senta em roda mesmo e a gente coloca o problema e a gente discute como que a gente vai resolver. Isso desenvolve muito o raciocínio, a percepção. Então eles têm essa autonomia também de decidir algo em conjunto com vocês que atuam aqui. Sim. Esse esse jeito de trabalhar em roda do modelo participativo tem a ver com os princípios da economia solidária, do cooperativismo social, onde todos são altos gestores eh do projeto, do serviço, da oficina. Isso é muito importante, eh, a gente trabalhar a capacidade de discursar, de pensar, de fazer críticas, de avaliar, eh, faz parte também do trabalho que as oficinas proporcionam. Angélica, queria que você falasse um pouquinho pra gente também sobre a bolsa oficina, como que é na prática aqui na associação. Sim. Eh, todos os produtos e serviços que são confeccionados e produzidos aqui é comercializado aqui na loja, no Armazém das Oficinas. Também participamos de feiras, eventos, atendemos a pedidos de empresas para brindes corporativos, eh atendemos clientes em condomínios, onde fazemos serviços de jardinagem, né? Fornecemos cestas de alimentos orgânicos. Então, todos esses produtos e serviços eles voltam paraas oficinas. todo o faturamento, né, as vendas voltam para as oficinas, paraa autosustentabilidade da oficina. Então, uma parte é para reposição de matériapra, de insumos, eh manutenção dos equipamentos, maquinários e uma outra parte é destinada ao pagamento de uma bolsa oficina de acordo com as horas trabalhad oficineiro. Então, todos eles ganham uma bolsa e isso é muito importante, tem um impacto muito positivo na vida de cada um. Essa bolsa permite que eles tenham uma moradia, eh, seja uma casa financiada, seja uma pensão, seja um aluguel, eles passam a ter uma alimentação mais adequada, com qualidade, eles ajudam nas despesas, muitas despesas familiares, conta de água, luz. Então, tem um significado muito importante que passa pelo terapêutico, porque eles passam a ser vistos como pessoas produtivas que contribuem, que têm um lugar hoje eh na família, um lugar no bairro, que eles possam ir até o mercado e ter o poder de compra, escolha. Então eles passam a exercer eh eh a cidadania mesmo, né, de compra, venda e enfim, é bastante interessante que é o reconhecimento mesmo e a inclusão, né? Exato. Exato. Essa é a mensagem que a associação passa. E falando também um pouquinho da associação reconhecida aí como uma utilidade pública, tem até um certificado também, né, Angélica? Sim. A Associação Cornélia tem o CEBAS, né, o certificado das entidades brasileiras de assistência social. Nós temos também, né, o certificado de utilidade pública, inscrição municipal, inscrição estadual. Estamos com todas as documentações em ordem, tá certo? Olha só, pessoal, a gente não terminou ainda, então, esse nosso bate-papo, porque agora eu quero que vocês acompanhem toda uma programação, uma pequena palinha das atividades que são realizadas aqui na associação. Muito legal. Confere aí, gente. Uma das oficinas é a agrícola, que tem três frentes de trabalho: horta de orgânicos, alimentos processados e também jardinagem, onde nós estamos agora e vamos conversar com o Paulo Antônio Escudío, ele que é coordenador aqui da oficina, vai trazer algumas informações pra gente, né, Paulo? queria que você contextualizasse então quando que iniciou o seu trabalho aqui, né, essa sua atividade junto aqui com a horta e com os demais membros. Boa tarde. Eh, eu estou no Cândido há 25 anos, né, na Agrícola, exatamente na Agrícola desde 2017, né, sou como coordenador da oficina. Na oficina aqui nós temos eh 60 oficineiros e essas três frentes de trabalho. Na verdade, são quatro frentes de trabalho. Temos mais uma que é da limpeza ambiental, que é um espaço que a gente fica limpando todo o cânido. E essas folhas a gente usa para fazer compostagem, forrar canteiro. Pessoal da horta, nós temos aproximadamente 25 vagas. Eh, temos 25 vagas, hoje ocupadas umas 22. Eh, esses oficineiros eles vêm eh encaminhados dos serviços de da rede de saúde mental. Eles fazem uma triagem. Toda quinta-feira nós temos triagem. Eles fazem uma triagem e escolhem as oficina. E escolhendo a horta, a gente tendo vaga, a gente vai chamando essas pessoas. Pessoal da horta, eles trabalham de segunda à segunda, né? Eh, de segunda a quarta eles entram às 6 da manhã e saem às 16. Esses dias são de segunda a quarta nós temos colheita. Hoje a gente fornece paraas quatro lojas do Galace. Temos um ponto de venda pela internet de cestas orgânicas. Temos um ponto de venda na loja e dois pontos de venda, um de terça-feira e outro de quarta-feira fora daqui do Cândido. Temos um grupo também de 25 pessoas na jardinagem. Temos um contrato com condomínio aqui em Souzas e vai todos os dias para lá 11 pessoas, né? Eles vão de segunda a sexta, esse contrato é anual e vai se renovando automaticamente. Eh, aí nós levamos almoço para eles, eles retornam só à tarde. O outro grupo de umas 15, 17 pessoas vão fazendo os outros clientes. O Cândido é um dos nossos clientes. Aí a gente faz todos os CAPs, moradia, residência terapêutica, própria sede. Aqui é um contrato que nós temos com o Cândido. E aí a gente tem outros clientes aqui em Souzas que conforme vai precisando a gente vai fazendo esse essa jardinagem. Eles passam por algum tipo de treinamento? Como que funciona? Ele passa no dia a dia, o próprio monitor vai ensinando essa pessoa, ela vem para cá, ela não precisa saber de jardinagem, mas se ela eh se interessou pela jardinagem ou pela horta, qualquer eh grupo da gente aqui, a gente ele não precisa saber, a gente vai ensinando no dia a dia e aí ele vai aprendendo na prática mesmo. E tem outras opções também, né? De acordo com que essa pessoa mais se identifica, vocês vão conseguindo, abrindo essas vagas também. Exatamente. E aí nós temos eh as outras oficinas, né? Eh, no dia da triagem ele faz toda essa apresentação, a gente vem, faz uma visita, a gente apresenta todas as oficinas, aí ele vai escolher essa oficina que qual ele mais se identificou. E aí, se é horta, se é jardim, se é o processado, enfim, as outras oficinas de de artesanatos, é o que ele mais gostou. Agora nós estamos na oficina de vitrais, a gente vai conhecer um pouquinho desse trabalho e o Rubens vai explicar pra gente o que ele está fazendo nesse momento e como que ele se identificou com essa oficina. Rubens, conta pra gente. Bom, a oficina do Vitral foi quando eu passei pela triagem aqui no Cândido, né, que a gente passa por uma triagem quando entra, né? E olhando as oficinas eu vi que a Vitral era um lugar que eu gostaria de trabalhar por conta das peças serem muito bonitas e o modelo de peças também, todas elas, uma diferente da outra, né? Então eu vim para cá, escolhi aqui, escolhi outra também que é mosaico, só que quem me chamou foi o Vitral e aí eu vim para cá, vim contente, né? Já tinha trabalhado com isso anteriormente ou conheceu e aprendeu tudo isso aqui? Não, foi aqui mesmo. Aqui eu aprendi a cortar o vidro com a vídeia, né? e aprendi a cortar em vários formatos, né, que precisa ter várias maneiras de cortar o vidro. E e fui aprendendo a fazer as peças de acordo com os desenhos que é imprimido aqui pra gente, né, os desenhos. Aí vem pra gente todo tipo de desenho e a gente vai fazendo vários tipos de peça. E o que representa essa oficina para você? Ah, representa muito, viu? Isso aqui para mim foi maravilhoso isso aqui, porque eu vim para cá numa fase de eh que eu tenho problema de esquizofrenia e eu vim para cá numa fase muito ruim, né? E chegando aqui eu ocupei minha mente com o trabalho, né? Devagarzinho eu fui aprendendo, fui aos poucos me identificando com o trabalho e e foi melhorando o até o meu problema de esquizofrenia, né? Que hoje, graças a Deus, com a medicação que eu tomo, passo com psiquiatra, tomo uma medicação e venho aqui, ocupo a cabeça durante o dia aqui. Isso para mim é ótimo. Foi ótimo isso aqui, o lugar aqui, viu? Me arrealizei muito bem. Muda muita coisa porque eu eu cheguei aqui sem saber nada, né? Aí eu fiz o treinamento, passei no treinamento e tô fazendo, tô fazendo minhas peças. E o que que você tá fazendo hoje? Qual que é esse acessório? Olha, já terminei, ó. A caixinha porta joia, ó. É esses vidros aqui, ó. A gente ganhou doação e a gente procura eh usar tudo, usar tudo que a gente ganha. E tem tem vidros também que é que é que é a gente faz com garrafa que vai pro forno para aí no forno derrete e a aí o vidro fica plano. Aí dá pra gente fazer usar os vidros, aproveitar os vidros. Aqui a gente tenta aproveitar o máximo possível. Aí eu já fiz, ó, esse joguinho porta porta porta joia. Ó, tem essa caixinha também que eu faço que já fiz maior. É, é. Tem aqui também outra caixinha. E essa daqui? E essa da essa daqui é pra costureira, né? Para colocar bobina de de linha. Tem a gavetinha aqui. Aí eu só fiz esse detalhe aqui só com vidro. E Rogério, você se identificou então com essa oficina? Nossa, bastante, bastante. A gente trabalha aqui do com MDF, né? Aí para você ver, ó, tem várias coisas. Tem porta joia, porta-chá, porta retrato, tem bastante coisa, porta-chave, tudo de MDF. Aí a gente vem e faz o mosaico com os vidros. E é isso. Minha atividade é essa. Eu já trabalho aqui, tô quase para 8 anos agora em maio, né? Eh, para mim é muito rico trabalhar com primeiro que eu gosto de trabalhar com pessoas e segundo que trabalhar com pessoas eh dentro da saúde mental é muito enriquecedor, é desafiador, eh eh é muito gratificante para quem gosta de trabalhar com pessoas, para eh a gente vê que a gente pode fazer a diferença dia a dia deles, eh, tanto com acolhimento, um tanto de atenção, a bolsa acho Acho que assim, eh, a gente procura sempre, eh, fazer o dia deles o o melhor possível, o mais especial possível. a gente acaba formando uma família aqui, né, com eles. E eu acho que vai muito o que o Rogério falou, né, que representa muito para eles, representa pra gente também, né, o tanto que faz a diferença na vida psíquica deles, a vida social, o ganho que eles têm por trás de tudo isso, né, não só a questão do dinheiro, mas eh a questão de serem valorizados, serem reconhecidos como cidadãos, como pessoas, né? e não serem estigmatizados como eles são por aí fora, né? Então é muito gratificante trabalhar com eles. Eu queria que você passasse uma mensagem falando um pouquinho dos desafios e para quem quer conhecer de perto a associação Angélica. Eh, nosso desafio é fortalecer, dar visibilidade e ampliar essa nossa experiência para esse município e para outros municípios, outros estados, porque a gente já tem, né, ao longo desses 35 anos de história, eh, experiências muito positivas. Eh, e convido a todos a conhecer o nosso trabalho, a nossa loja. Ela fica aberta de segunda a sábado no horário comercial. Eh, eh, temos também o restaurante aberto ao público, uma comida maravilhosa, caseira, feita pelos nossos oficineiros, acompanhada por nutricionista. Então, fica o convite para as pessoas virem conhecer e apreciar e fortalecer a nossa experiência. Muito obrigada, Angélica, por trazer todo esse seu conhecimento e mostrar um pouquinho mais desse trabalho que é desenvolvido aqui. E você aí de casa, se quiser conhecer um pouquinho mais, também tem esse episódio no YouTube da TV Câmara Campinas e também você pode acessar as redes sociais da associação e conhecer um pouquinho mais desse trabalho incrível. com Mãos Solidárias. Fica por aqui. Até a próxima edição.
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