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[música] Olá, mãos solidárias no ar. Nessa edição vamos conhecer o Instituto Sidas, Centro Integrado de Desenvolvimento em Apoio Social. que desenvolve um trabalho, atividades também socioeducativas para todas as idades. Vamos entender tudo sobre esse instituto com o Sandoval Donizete de Brito, ele que é presidente e fundador do Instituto Sandoval. Qual foi o momento, né, [música] que você pensou em criar esse instituto? Então, Cane, a gente iniciou os trabalhos em 2016. Eu tava vendo de uma, tava iniciando uma uma depressão muito forte. Aí minha esposa Adriana, eh, eu já tinha a ideia de fazer um projeto social e nós tínhamos três adolescentes que em minha casa ficava cheio de de garotadas, eram três homens e os amiguinhos deles ficavam o final de semana inteiro em casa. Tanto é que às vezes eu tenho três, amanhecia 13, 12. E com isso a gente viu que aqui no território nós não temos nenhuma oferta nem da área de cultura. nem lazer para esses jovens, eles não têm o que fazer. E nós iniciamos então um trabalho de sentei com esses jovens falando: "O que que vocês acham da gente fazer uma atividade, começar a fazer alguma coisa para trazer eh algum sentido para vocês aqui no território?" toparam a princípio e nós iniciamos essa conversa com esses jovens e nós a eh iniciamos fazendo algumas atividades, algumas ações, fizemos muitas ações juntamente com a Fundação FEAC naquele momento e a gente iniciou também um trabalho de combate ao bullying nas escolas juntamente um programa que era da piloto da Secretaria Municipal eh de educação. Nós embarcamos de cabeça e fizemos atividades por Campinas inteiro. Para além disso, né? O pessoal convidava a gente, a gente ia ia com a garotada e iniciou. E no nessa, no início a gente conversou qual o nome que a gente vai colocar, que nós estamos um coletivo. Sim. Aí surgiu, ã, eu passei a ideia e eles acataram porque tem aquele momento porque a gente trabalhava o protagonismo, então tudo que a gente ia fazer, a gente discutia com os jovens, com esses adolescentes, [música] se eles interessavam, se queria, se queria, qual o caminho que eles queriam seguir. Uhum. E aí surge o dit Rum, escreva sua história, que era o era o nome do nosso coletivo. Isso de 2016 a 2019 pendurou e a gente começou eh eh esse eh essa esse grupo de esse esse grupo de adolescentes coletivos começou a ser conhecido nos quatro cantos de Campinas. Todo mundo que era da área social, às vezes tinha uma atividade, nos convidava para ir pra gente animar e a gente levava ah uma pegada de resgate de brincadeiras antigas. Então ela levava coda, bambolê e uma série de outras coisas para brincar com aquelas comunidades e os jovens já iam instruído, eles como instrutores dessas crianças, desses jovens. E a gente fazia essas atividades. Então vocês se deslocavam até um certo ponto, até um certo bairro. Isso. E a gente fez isso por Campinas inteiro. Você desde a região do São Gabriel, região Campo Belo, região Campo Grande, ali, Ouro Verde, Barão Geraldo, a gente foi para Campinas como um todo. E nessa movimentação que a gente fez, a em 2019, a Fundação FEAC nos convida a se transformar em uma ONG, em uma OSC. ela eh tinha um programa piloto lá também e que ela iria investir na para nessa formalização do nosso coletivo. E nesse processo de formalização Uhum a fundação, nós precisávamos de um nome e aí a gente pesquisou, conversamos e não chegava nenhum nome em consenso para colocar na instituição. E aí, ah, minha mãe que é falecida, que é a dona Maria Aparecida, mas que todo aqui no território, todo mundo conhece dona Cida, a gente mora aqui desde 1977 no São Martim. E ela sempre ajudava muitas pessoas, tanto que nós somos em quatro irmãos, homens de sangue, ela adotou mais três e toda a dificuldade ela criou sete filhos. E aí eu falei, por que não fazer uma homenagem à dona Cida, né? Uhum. Então, aí a gente pegou e colocou e aí eu acrescentei um S no final, por isso que é sidas, porque se transformou num numa sigra que é sempre integrado de desenvolvimento em apoio social, que diz tudo aquilo que a gente queria eh executar pro território. E aí a gente iniciou a como uma OS com um estatuto, com CNPJ, só que a documentação horário de funcionamento quando ele sai foi em março de 2020, a gente tinha iniciado a pandemia. Então isso foi um balde de alga fria. A gente não poderia mais aglomerar, não fazia sentido a gente ir para uma sede. Foi um desafio nesse momento quando veio a pandemia. Tremendo. Tremendo. Porque pensou em desistir em algum momento, não falou: "O que que a gente, o que que nós podemos fazer agora? A gente tá formalizado. O que que a gente pode fazer para essa comunidade, para esse entorno? A partir daí, isso começou a surgir alguns problemas com esses jovens que a gente atendia, que a gente ficou sabendo, olha, ã, o pessoal tá com dificuldade de comprar comida mesmo, de de comprar uma cesta básica, porque o pai é pedreiro, a mãe é doméstica, de repente não tinha emprego, tava parado em casa, pagando aluguel. E a gente iniciou o o fomos atrás de conseguir ser alimentação. Seesta, fizemos a a cadastro noía, cadastro no banco de alimentou a pegar alimento do banco de de alimentos de Campinas e montar cesta, entregar para esses jovens. A princípio eram 10, 12 e o negócio foi pegando um assim um uma velocidade muito grande que no final de 2020 nós já távamos entregando entre 180 e 190 cesta básica a mês. Então ali a minha casa, a gente desmontou sala, a copa, virou eh e eh eh depósito de de alimento e chegava, a gente não sabia nem da onde. Olha, a gente tá sabendo que vocês estão atendendo as a a a demanda local. e foi chegando e a gente abraçando e fazendo esse atendimento. Tudo para não parar nesse momento, né, de pandemia e continuar ajudando essas famílias que já estavam dentro do projeto, né? Exatamente. Exatamente. Então aí a gente eh demo damos como demonos a continuidade, entramos nessa área assistencial, né, naquele momento. Só que chegado meados de 21, mais ou menos, eh, final de de maio de 2021, eu fui acometido pela COVID. Aí, mais um desafio aí pela frente. Mais um desafio. E eu e fui logo naquela quando chegou aquela nova onda que era o a ôicum. Então ela era muito agressiva aquele vírus naquele momento. Então em 4 dias eu tava internado com 86% do meu pulmão comprometido. Passei, precisava serado, fiquei mais de dois dias no hospital porque a a junta médica tava avaliando, porque não valeria a pena me entubar, utilizar um um leito, porque eu não teria sobrevida. Eu só tinha 14% do pulmão funcionando naquele momento. Mas aí uma médica do SUS, uma residente, uma médica dessas nova, ela eh eh eh enfrentou essa batalha e falou: "Não, vamos entar". E ela converseu a a equipe, eu fiquei, passei por uma intubação de 20 dias, quase 2 meses de internação. Eh, eu peso 106 kg, saí com 51, só movimentando a cabeça. Meu Deus, mas que vegetano, mas aí com muita força, principalmente da parte da minha esposa, que de duas em duas horas ou era remédio ou era comida, porque o estômago tinha ficado muito eh eh contraído, então não cabia muita alimentação. E aí a gente foi um tratamento ã meio complexo para mim naquele momento. E nesse período como que ficou um instituto? Ficou completamente porque aí todo todos que estavam em volta e eles se dedicaram na minha recuperação. Então aquele foi um ano e meio que eu fiquei totalmente com a gente ficou com tudo parado naquele momento. Foi o tempo que eu ainda tava andando de bengala. ficou várias sequelas, né? Então, mas ao mesmo tempo também teve o apoio de todo o pessoal que que fazia parte desse [música] desse projeto quando foi iniciado, Sandoval. Sim. Ah, aí o pessoal ficaram todos aguardando esse retorno, mas aguardando que eu comandasse esse retorno. Mas por outro lado, a gente tivemos muito apoio para nessa minha recuperação, porque eu sou autônomo, de repente vi sem trabalho, com uma lista de remédio infinita e e suprimento para pr me manter. E aí eu tive apoio de alguns ah de alguns amigos que eu sou formado em justiça restaurativa. Então teve alguns promotores, juízes, eh professores que fazia parte desse desse meio e que eles faziam todo o aporte para que eu conseguisse recuperar o quanto antes. Então tive oportunidade de pagar uma fisioterapia, fisioterapia em casa, toda a alimentação. Então, em pouco tempo eu consegui já estar de pé e tá andando novamente muito rapidamente. E como que foi depois então a retomada pro projeto, pro instituto, como que foi pensado depois, eh, nas atividades mesmo, né, para pras pessoas aqui do São Martim, não só do São Martim, como que é feito o mapeamento para trazer as pessoas [música] para dentro do instituto? Então, aí a gente fomos pra rede social, né, que na verdade a gente precisa precisou fazer uma rede social e por morar há muitos anos aqui no território, muita gente conhece, a gente ficou muito conhecido Gabriel. Então, a gente quando eu retorno aí a gente já retorna, eu já loco um espaço, né? Loco um espaço aonde a gente poderia fazer oficina e iniciamos com oficina. Na primeira oficina que nós fizemos foi de a argila, foi de cerâmica. Então aí a gente começou aquelas atividades que a gente tinha interrompido. Uhum. E aí o pessoal veio chegando e aí a nós conseguimos também uma outras parcerias como a Good Brasil, aonde a gente faz a entrega de art frut para as famílias. Hoje a gente não atende tanto mais cesta básica. Cesta básica elas chegam muito pontual. a gente trabalha a segurança alimentar das famílias, que aqui no território gira em torno de 120 famílias atendidas, né, eh, semanalmente. E, eh, nós temos também um um algumas famílias que são atendidas pela gente uma vez por mês, que é em torno de 70 a 90 famílias lá na Itaguaçu, na região do Campo Belo, certo? a gente tá para iniciar um outro núcleo de atendimento nessa a a a segurança, trabalhando essa segurança alimentar lá na satélite 4, no alto. Então, a gente tem feito essa essa eh retornando aquilo que a gente teve, que é a sobrevida, né? Então, enquanto a gente tiver a oportunidade de fazer alguma coisa em pró essas famílias, independente se vai ter alguma coisa em retorno ou não, a gente vai est trabalhando. Então, esse é um lema que a gente leva, é fazer a diferença, não importa de que forma, nem que for a partir de uma de uma escuta, de uma fala, de um gesto, mas a ideia é que todo dia a gente faça a diferença na vida de alguém. E a gente tem feito isso, tem feito isso. E vocês têm também esse retorno das famílias, né, principalmente, [música] né, Sandoval, qual que é o principal objetivo então do instituto, né? Qual que é a missão de vocês e também quais são as principais atividades que são realizadas aqui além dessas outras, né, que vocês saem daqui do bairro também e vão para outros locais, né? É, hoje, eh, sistematicamente a gente tem feito, eh, no bairro algumas oficinas. [música] A gente no, até o ano passado a gente tinha oficina de eh manutenção em conserto de computadores, informática, que a gente vai retomar. Uhum. Tivemos, trouxemos com parceria com o Sebrai, eh, curso de empreendedorismo, importante, porque nós temos muitos pequenos microcomércios e microempreendedor aqui no território que precisa dessa capacitação e a gente acabou sendo um veículo, um canal dessa captação capacitação no território. Então, a gente tem feito dessa forma. Perfeito. E Sandoval, qual é o [música] principal desafio de vocês hoje? para manter o instituto. Olha, do mais variado possível, a gente tem dificuldade financeira altíssima. Ah, nós hoje a a o espaço eu pago do meu bolso, eu pago todas as despesa, eu eu pago no meu bolso, não temos ajuda, desde o aluguel do espaço que é uma sede locada, eh, luz, água, internet, isso tudo, é eu que faço esse apó, eu que faço esse e esse pagamento em nome da instituição para que ela permaneça no território. Então, a gente precisa muito de ajuda, muito de principalmente e eh financeiro e também de voluntários. De repente, alguém que queira tocar uma oficina, olha, eu quero, o espaço tá aberto para isso. A gente tá sempre acolhendo essas pessoas aqui. E está aberto também para todas as idades, né? Desde jovens, crianças, adultos, idosos, as atividades estão abertas aí para quem quiser conhecer também o trabalho, né? Tem o site do instituto, né? Val, tem tem o site do instituto é Instituto Sidas, né? Tem a o Instagram do Instituto que é @institutidas, a página do Facebook que é Instituto Sidas também. Então, procura o Instituto Sidas na rede social vocês vão encontrar a gente, tá certo, Sandoval? A gente gostou muito, né, de conhecer um pouquinho da história do instituto, mas ainda não acabou. Tem muito mais por aí. Esse é só o primeiro passo, mas daqui a pouquinho, no segundo bloco, a gente vai trazer algumas atividades que são realizadas aqui e também a gente tem uma reportagem [música] especial com as pessoas, né, que participam desse projeto. Então, segura aí, não sai daí que a gente volta já já. [música] [música] Mãos solidárias de volta. A gente vai conversar agora com a vice-presidente do Instituto Sidas, Adriana Gomes de Araújo. Adriana, fala um pouquinho agora pra gente sobre as atividades aqui do instituto, quais são as principais atividades realizadas, vocês têm oficinas, como que é todo esse processo com o pessoal aqui da comunidade também fora da comunidade, né? Olha, Cassiane, é uma é um é um movimento muito gostoso de de levar aprendizado e ganhar muito aprendizado. Ah, eu tinha uma vontade muito grande há muitos anos, de formar um grupo de mulheres. E esse ano eu tive, o ano passado nós tivemos essa possibilidade. Minha amiga Zuleide procurou meu marido, que é o Sandoval, perguntando se ele conheceu algum grupo, né, que ela pudesse ir para distrair um pouco a cabeça. se livrar um pouco da canceira do dia a dia, né? E ele falou: "Olha, Zul, eu até conheço, mas fica fora da região e tal, mas a Dri tem muita vontade de montar um grupo de mulheres e nós duas já nos nos conhecemos há muitos anos, há uns 20 anos já. E par temos as mesmas dificuldades mentais que quem hoje em dia não tem, né? Uhum. E aí nós duas sentamos, começamos a conversar e da ideia surgiu o café com elas. O que vem a ser o café com elas? É um grupo só de mulheres, só luzinha, não tem bolinha. E por que a gente fala não tem meninos, né? para as para nós mulheres termos um momento, um momento para poder falar à vontade dos nossos sentimentos, das nossas mazelas, das nossas alegrias, de ser mãe, de ser companheira, às vezes de ser solteira, sozinha, de ser uma boa tia, uma boa irmã. Sim. e poder escutar, levar uma escuta com respeito, com amor, sem julgamento. Nós temos poucas, nós temos uma filosofia básica no nosso café com elas. Eu vou peguei até uma copinha aqui. Aqui nós não julgamos ninguém. Sim. Nós não saímos daqui comentando o que foi conversado de maneira nenhuma. Acolhemos com respeito e amor a todas. Nós não usamos a palavra igualdade, nós usamos a palavra equidade. Equidade. Porque a equidade realmente dá uma igualdade legal e real. No café com elas não tem a vice-presidente, não tem o presidente, tem um grupo de mulheres que decidem o que vamos fazer no café com elas. É tudo em conjunto decisões. Tudo em conjuntas decisões. Às vezes surgem eh convites. Eu primeiro eu falo para pessoa, eu vou convidar minhas meninas, vou conversar com elas, [música] se elas esverem dispostas, disponíveis, nós faremos esse encontro. E nós também temos um objeto de fala, porque você mulher sabe como que funciona, né? Quando junta duas mulher, uma já fala em cima da outra. [risadas] Então imagine 5, 6, 10. Aí nós temos um objeto de fala. Esse objeto de fala é um polvinho daquele que tem carinha de sorriso e a carinha triste. Sei. E aquela que tiver com objeto de fala, todas é com humor. Se ela tiver triste, ela usa a carinha triste. Se ela tiver feliz, ela usa a carinha feliz. Aí ela traz semana o que ela viveu, o que ela passou. Nós já acolhemos luto de filhos, foi o meu caso. Nós acolhemos luto de companheiros, nós acolhemos acolhemos lutos emocionais de cada uma de nós, frustrações do dia a dia, doenças que tivemos e [música] tivemos que passar por cima disso. É um espaço realmente de acolhimento, de muito amor, sem julgamento. Aqui a gente brinca, aqui a gente chora, aqui a gente pensa e fala o que quiser. Deste momento que as meninas começaram a achar que era pouco tempo para ficar junta, que a gente começa às duas e termina cinco. E uma vez na semana só muito pouco, não dava tempo, né? Não dava tempo conversar tudo. Aí elas falaram: "Ai, Tri, vamos alongar, não sei o quê". Falei: "Gente, não dá para alongar, nós saqui 10 horas da noite". Aí eu combinei com elas. Então vamos fazer assim, vamos dividir. Como a gente gosta de fazer um fuxico fuxico, vamos dividir. Vamos fazer a tarde do fuxico e a tarde do do da reflexão, da conversa, que nós também lemos textos, refletimos, né? E aí a gente começou a oficina criativa, foi um desejo delas. E dessa oficina criativa começou com o feitil de fuxico, que é aquele puninho redondinho que a gente faz a florzinha. Mas a gente descobriu através da lei de que aquele paninho redondinho se transforma em tantas coisas lindas. Dali sai flores, dali sai canetas, dali sai tapetes, bolsas. Nós tivemos uma semana aqui que a Azul cortou acho que 20 bolsas e nós decoramos. linda. Inclusive nós temos a surpresa o pessoal que tem uma mesa ali recheada de trabalhos feito por nossas meninas. E é graças a esse esses momentos que a gente consegue se aproximar da comunidade. Como o Sandoval falou, nós somos um instituto aberto para todas as idades. Na nossa, no grupo de mulheres, no café com elas não, mas na nossa oficina criativa, nós temos até crianças, meninas de 11, 12, 8 anos, que elas se interessam em aprender a fazer as coisas. E também temos mulheres que nunca pegou numa agulha. E hoje se sentem, que aqui é um momento também de aprendizado, de troca de experiência, né? Justamente. E assim fomos trabalhando as nossas ideias e surgindo vários momentos dentro desses dois dias e fora também. E quantas pessoas participam assim dessas atividades, [música] né? Vocês têm aí a oficina criativa que participam crianças também e o café com elas que é só focado, como o nome já diz. em mulheres que é o momento de virar a chave, né, de descanso. Ao total, quantas no total, né? Quantas pessoas participam das? Olha, nós já tivemos 12, 15 mulheres numa terça-feira, que o café com elas é de terça-feira. Uhum. Mas muitas voltaram a trabalhar, outras conseguiram emprego e no começo a gente teve assim muita demanda de depoimentos fortes. Hoje nós temos uma realidade que gira entre seis, cinco, sete mulheres por terça-feira. Eu costumo falar aqui fica quem realmente descobre o significado do café com elas. Sim. Sim. Aí as quintas-feiras também gira bastante movimento, que é o dia da oficina criativa. A gente gira em torno de 5, 8, 9, às vezes explode, vem 10, mas depende muito da época do ano. pega férias. Tem muitas meninas que vêm aproveitando as férias. Aí o mês que tá em férias em casa, elas pegam dois de dois, três dias no mês, né, que calha e vem para ficar com a gente [música] também para aliviar o estress, porque a demanda hoje de ser de ter dupla jornada ou de ser uma dona de casa é muito pesada. Só quem vive a demanda de ser do lar sabe o que é isso. Só quem vive a demanda da dupla jornada, que é a mulher que cuida da casa, cuida do filho, vai pra igreja e trabalha fora, fora tudo, né? Que a mulher é um ser humano assim muito múltiplo, de muitas facetas, né? Só nós mulheres sabemos o peso dessas demandas e o que essas demandas nos acarretam. E nossa preocupação aqui [música] no instituto é realmente a o peso mental que cada uma de nós carrega hoje. Sim. Porque infelizmente ou felizmente deram-se nomes, né, a problemas que as mulheres tinham e homens também há um tempo atrás que até então não se tinha, né, a tão conhecida ansiedade, a depressão que muitos homens não admitiam, né? E essas essas doenças trazem acarretam muitas outras, acarretam hipertensão, acarretam diabete, acarretam eh obesidade. Então a gente se preocupa muito com isso. A ideia é trazer no café com elas nutricionistas, psicólogos, sexólogos, a a sala lilás, que é para falar sobre o feminicídio, a violência contra a mulher, todos esses assuntos a gente já conversa, mas a gente quer trazer profissionais para nos dar uma orientação. Nós temos uma advogada que vem aqui às terças-feiras, a ETI, que faz um trabalho maravilhoso voltado mais para aposentados, né, que querem resgatar aposentadoria ou querem fazer tempo de serviço. Mas o escritório que ela trabalha trabalha com um todo, então todo e qualquer assunto que trouxer, ela dá uma orientação. E a gente é é esse tipo de coisa que o Instituto Sidas quer levar. Todo tipo de orientação e trabalho voltado pra comunidade crescer. ter mais sabedoria dos seus direitos, da do que ele pode fazer por si mesmo, aonde procurar o o que eles precisam, que precisa, além de ser então o ponto de encontro para as atividades, [música] né, se torna também algo para cuidar da mente, para que a pessoa tenha aquela descoberta, porque muitas pessoas acabam vindo aqui, mas não sabe exatamente o que vai fazer, né? E a partir desse momento, com o apoio, com a troca, que daí elas descobrem habilidades que elas nunca pensaram que pudessem ter. Então, vai muito além de ser um encontro de mulheres, né? Com certeza. Desse encontro de mulheres já surgiram assim coisas maravilhosas. Nós temos uma das nossas participantes que ela teve uma COVID muito grave, como meu marido também teve, de ficar internado, entubado, e rendeu a ela um um AVC. E a gente tem quase como uma parceria com o centro de saúde. E o pessoal do centro de saúde falou para ela: "Fulana, vai até o Instituto Sidas e procure as meninas lá, elas estão com um trabalho legal". Ela chegou aqui, a gente tava fazendo uns quadrinhos, uma decopagem. Uhum. Ela falou assim, muito assim aborrecida, né? Ai, mas eu não vou dar conta, meu braço não tem mais força, não sei o quê. Falei, você dá conta? Sim. Pois ela saiu daqui com o quadro feito. Olha, tá vendo? A outra aula que outro dia que não acreditava. Aí ela começou a ver as dificuldades que ela tinha, começou a fazer fuxico. Ah, mas com a mão eu não consigo puxar agulha. O marido foi lá, comprou um alicate. Eu sei que essa menina já vendeu não sei quantas almofadas pro marido. [risadas] Ai maior comprador dela é o marido. Canetas. Ela fez canetas trabalhadas que a gente montou aqui também. Já vendeu uma porção pra família. Sabia que ela tinha esse menina. Ela empreendedorismo, né? Nossa, ela é uma graça. Ela, a gente, eu falei para ela esses dias, você é uma inspiração pra gente, porque se você faz, se a gente não fizer, safadeza. [risadas] E torna, tornou-se um exemplo também, né, de resiliência, de sabedoria, né? Tem todas essas outras questões também, todas essas facetas, todas essas facetas de de repente a pessoa acha que ela não pode dar conta, mas não, ela vai, faz e faz e acontece, né? Acontece, ela acontece mais às vezes do Eu eu inclusive eu falei para ela, você faz mais e acontece mais do que a gente que não passou o que você passou, porque cada uma aqui tem sua história, né? E as nossas histórias são diferentes, mas todas concluem. no mesmo no mesmo final. mulheres que sofreram muito e que se reergueram, são resilientes, são se renovam a cada dia. E uma coisa muito boa que aconteceu é essa eh rede de apoio que a gente consegue oferecer pro postinho. A psicóloga já veio conhecer, a assistente social já veio conhecer, então eles sabem que pode encaminhar as pessoas para cá, acaba indicando o instituto que eles vão ter um apoio a mais. Sim. E e assim a gente vai trabalhando com muito carinho, com muito amor. Ah, nosso, falando assim bem amorosamente, nossa maior preocupação é o bem-estar dos outros. Muitas pessoas olham pra gente e fala assim: "O que vocês ganham com isso?" Nada. Financeiramente eu não ganho nada, mas o que eu ganho de retorno emocional? O que eu ganho de acolhimento? O que eu ganho de reconhecimento que nem eu, a gente mesmo, eu mesmo tenho um problema muito sério. Eu não sei ganhar um elogio, eu não sei ser elogiada. Então, quando uma companheira com certeza Então, quando uma companheira olha para você e fala: "Dri, você faz toda a diferença na minha vida. Zu, você faz toda a diferença na minha vida. É nessas horas que a gente olha uma pra outra e fala assim: "Vale a pena. Vale a pena fazer tudo correndo na quinta-feira. Vale a pena fazer tudo correndo na terça-feira. Vale a pena a gente ficar aqui fechada nesse forninho com esses ventiladores, trabalhando, brincando e rindo. Eh, como o Azul falou no dos primeiros encontros, eu estou aprendendo a exercer a escuta. Foi daí que surgiu exercer a escuta, ensinar pras nossas companheiras e nós aprendermos quando uma falar, a outra escutar. E eu acho que isso é o ponto chave do que a gente [música] faz. E não há nenhum valor, né, nenhuma quantia que pague realmente esse retorno que vocês têm, né, esse calor humano, essa troca. Então, né, além de tudo, esse eu acredito que seja [música] aí a melhor mensagem, né, que vocês têm para passar do que é um instituto. Certeza. Com certeza. E agora falando de um assunto [música] que é muito triste para nós, por exemplo, nós fazemos n coisas, [música] vocês vão ver nossos trabalhos, vão mostrar paraos nossos ouvintes, só que tudo isso é tirado dos nossos bolsos e todas nós somos mulheres simples. Muitas dependem dos companheiros, outra depende de uma aposentadoria pequena. Como o Sandoval falou, ele trabalha e banca tudo. Ele não banca só a instituição, ele banca a oficina de trabalho dele. Ele banca o aluguel água e luz da oficina de trabalho dele. Nós temos uma casa, nós temos filhos. Hoje nossa realidade aqui no no Instituto Sidas e na oficina dele é muito triste, porque eu acredito assim, um homem que faz o trabalho que ele faz e sem esperar nada de ninguém e não tá dando conta de pagar a água e a luz do dos dois dos dois prédios onde ele exerce os sonhos dele, que o sonho de sustentar a casa e o instituto e o sonho de levar tudo que ele pode para o outro. Para o outro. É, a gente hoje não tem apoio nenhum e nós estamos com a nossa água cortada, com a nossa internet cortada, o a oficina dele, a mesma coisa. Então, eu gostaria de aproveitar, eu sei que ele não falou, mas eu vou falar, gostaria de pedir um apoio, pedir que quem escutasse a gente através das nossas, através das nossas redes sociais nos apoiassem, ajudassem a gente a manter o Instituto Sidas. A gente deixa de fazer muita coisa aqui, tanto na oficina criativa, quanto no café com elas, quanto na oferta de de hort frut, oferta de várias coisas que a gente já várias outras oficinas por falta de dinheiro. Infel, infelizmente o nosso lado financeiro está muito precário. Eu sei que para todo mundo hoje é muito difícil, mas a gente precisa muito de quem está nos escutando, de quem está nos vendo hoje. E essas doações, eh, tanto a ajuda financeira e as doações, elas podem ser realizadas aqui mesmo na instituição, aqui no São Martim. Então, fale aí o site, né, da da do instituto, [música] Instagram, pro pessoal conhecer melhor o trabalho também. É, como Sandovaló falou, o site e o e o Instagram são todos @stitutidas, é só procurar que vocês encontram. pediu @instituto vocês encontram todos os caminhos para poder fazer doações, visitas. Nós temos uma biblioteca aqui comunitária, nós fizemos uma biblioteca muito grande, muito variada. Podem vir ler, emprestar nossos livros, trazer outros. Nós também já fizemos bazar, nós temos muita roupa aqui para doação. Então é só entrar Instituto Sidas procurou lá tem como doar, como visitar, como conhecer nossa nossa instituição. Perfeito. Bom, como a Adriana mencionou aqui, tem várias ações, né, que acontecem aqui no instituto e daqui a pouquinho então você vai conferir uma delas com as meninas que fazem parte também do café com elas. Então, aproveite aí, curtam um pouquinho, uma palinha só do que acontece aqui no Instituto Sidas. Gente, esse é o momento da oficina criativa de artesanato e as meninas aqui, olha só, estão fazendo um portapanela. A gente vai conversar agora com a Maria José, ela que veio fazer uma visita hoje aqui no instituto, né? Isso, isso é porque eles, eu tenho tanto respeito por eles e eles por mim, que eles são meus neto. A partir conheci os dois, eu fiquei apaixonada pelos dois e eu tenho maior respeito por eles e eles por mim, entendeu? E o que a senhora acha aqui do instituto? O que representa esse instituto pra senhora? Para mim é tudo, porque ver essas meninas trabalhando, fazendo essas coisas aí, é muito orgulho que a gente sente, né? Porque eu já fiz de tudo, né, na minha vida. Hoje em dia eu só quero sombra e água fresca, entendeu? Mas assim, for para mim fazer alguma coisa, eu tô disposta. E a senhora vai colocar a mão na massa, então, e fazer esse porta-panela? Sim, vou sim, com certeza. Moro no CDHU do São Martim. Afinal de contas, eu tava passando por uma situação muito difícil na parte da alimentação, como viúva, né? Eu não tive benefício do meu falecido. Aí me chamaram para ir buscar uma sacola de verdura, de frutas, né? Aí eu fui, aí foi aquela filona lá brigando por causa de um alimento, né? Todo mundo faltando. Aí de repente comecei a conhecer o Sodoval, né? e depois Adriana. Aí ela falou que tinha esse lugar para ajudar as pessoas de idade de depois dos 55, 60 anos, né? E que justamente para memória, eu tive uma depressão muito profunda, eu fiquei muito ruim, mas não tinha aquele apoio de alguém para ajudar, que muitos lá precisa também. E o que eu recebi, eu tô oferecendo também pelas pessoas. Então, quando eu vim para cá, pelo convite dela na quinta-feira, porque na terça eu não posso vir, que eu tenho pilates na lá no São Marcos, né? Então, aí eu amei, gostei do jeito delas brincar, do jeito delas trabalhar, do jeito da Adriana ensinar também e aquelas coisas sempre da pessoa humana, né? Então, aí foi através disso que ela falou: "Vai lá fazer visita". Eu falei: "Tá bom, eu vou". Aí começou a envolver bastante coisa na mente da pessoa, né? Então, como a gente fica sozinha aqui, aqui para nós foi um excelente trabalho de que aprend nunca e eu que eu não aprendi umas coisas noutras igrejas evangélicas. Aprendi sim, mas essa daqui dela é divertida, sabe? de ver de todo mundo. Então, através do convite dela que eu cheguei até aqui. Eu amo vir aqui. Para mim é a coisa mais legal que aconteceu comigo, porque eu vivia dentro de casa muito deprimida, com dor. E depois que eu vim, que eu comecei a participar do começo, eu comecei, eu para mim foi a coisa mais melhor que aconteceu. Olha só, gente, a responsável pela oficina de artesanato é a Zuleide, que está aqui comigo, vai contar um pouquinho da história dela, da trajetória até conhecer um instituto Sidas, como que o instituto entrou na sua vida? Então, o Instituto Sidas entrou na minha vida por uma necessidade de estar fazendo alguma coisa, né? Então eu conversei com o meu amigo Sandoval, perguntei para ele se tinha se ele conhecia, né? Porque conhece muita coisa, sempre tá saindo e tal. E ele falou: "Olha, tem um espaço, né? Tem um espaço lá do Sidas, né? Conversa com a Adriana, que já é uma vontade dela. Eu já sabia também que era uma vontade dela, né? E aí a gente se juntou e estamos aí, né? Nessa luta, né? Com bastante dificuldade. Tem dias que tem material, tem dias que não tem. Aí eu saio por aí. pedindo, né? E e aí a gente consegue faz uma vaquinha entre nós mesmo, né, para comprar material e aí a gente consegue tá fazendo algumas atividades aqui, né? O que representa essa sua posição dentro do instituto, né, hoje sendo também uma rede de apoio, uma inspiração para outras mulheres? Ah, eu fico muito feliz, né? Fico muito orgulhosa de cada uma delas. né? Tem meninas que chegou aqui e não sabia colocar uma linha na agulha, né? Que nem eu falo, a gente só não faz quando a gente não quer, que aí não tem condições de fazer, né? Porque você não quer, você não vai fazer. Então, do resto você pode aprender, né? E eu fico muito orgulhosa das meninas que todas elas eh a acata assim que o que eu trago para fazer. Eh, às vezes eu peço sugestões para elas, porque às vezes ela quer fazer alguma coisa também, né? E elas dá as sugestões do que poderia ser feito. E a gente faz com muita com muita felicidade, com muita gratidão, cada uma aprendendo um pouquinho mais cada dia e eu fico muito feliz com isso. O que representa um instituto Sidas na sua vida? Um acolhimento para mim. Eh, eu sou técnica de enfermagem, eu trabalhei na linha de frente do COVID. Eh, fiquei com alguns problemas e eu tive um AVC e o Instituto Sida me acolheu, me deu apoio e me ajuda até hoje. E eu tenho que agradecer muito a Azuleide, ela é uma pessoa maravilhosa e ela ajuda muito a gente, tanto psicologicamente como na, como eu posso dizer, no ensinamento. Ela é uma pessoa maravilhosa. Eu acho que se não fosse Azuleide, eu acho que hoje eu não estaria aqui, porque Azuleide representa tudo para mim aqui dentro do Instituto Sida, [música] um trabalho incrível que o Instituto Sidas, né, oferece aí para todo mundo, pessoas de todas as idades, né, principalmente eh pessoas em situação de vulnerabilidade também, que acabam procurando bastante aqui um instituto E é qual é a mensagem, Adriana, que fica então diante, né, de tanto desafio também que o instituto acaba eh deixando assim para vocês, né? Porque é um desafio de manter, já que vocês não têm tanta ajuda, você e o Sandoval não tem tanto recurso assim, mas que não pode deixar morrer esse sonho e algo que já foi concretizado, né? Olha, o que eu posso dizer diante disso é só gratidão às pessoas que estão sempre com a gente, as nossas meninas do Instituto Sidas, a aos nossos colaboradores, as pessoas que a gente ajuda, a gente tem que agradecer essas pessoas. E é muito simples o que eu tenho a dizer. Se você tem um propósito, eu não vou falar sonho, é glichê. Se você tem um propósito, se você tem um objetivo na sua vida de fazer alguma coisa pelo outro, pelo bem-estar do outro, por amor incondicional, aquele amor que Deus manda a gente ter mesmo no coração, nunca desista. Não, não tem dificuldade financeira, não tem dificuldade de saúde, não tem nada disso que impeça a gente de continuar. Então, se você tem um objetivo na sua vida de se doar, faça. Não, não, não pare. Sempre faça, porque o retorno que a gente tem espiritual e de amizades reais é maravilhoso, maravilhoso. Não percam essa oportunidade. É isso, mãos solidárias fica por aqui com essa mensagem da Adriana. Parabéns pelo trabalho. Boa sorte no nesse ano, né, que tá se iniciando. Diz que vai ser um ano muito bom, muitoor, né, que vocês consigam aí realizar. E é isso, gente. Continue acompanhando a programação da TV Câmara Campinas, esse episódio também no YouTube. Entra lá nas redes sociais do Instituto Sidas, conheçam um pouquinho do trabalho deles, indique pras pessoas também conhecer esse trabalho incrível e se conseguir ajudar de alguma forma vai ser com certeza bem-vinda a essa ajuda. Mãos Solidárias, então [música] encerra por aqui. Até a próxima edição. Gratidão. [música] [música] [música] [música]