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Mãos Solidárias | Fraternidade sem Fronteiras: solidariedade que transforma vidas
Em destaque · HD Vídeo · MÃOS SOLIDÁRIAS

Mãos Solidárias | Fraternidade sem Fronteiras: solidariedade que transforma vidas

157 views Publicado 17/11/2025 HD · 37:01

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No episódio de hoje do Mãos Solidárias, destacamos o trabalho emocionante e profundamente transformador da Fraternidade sem Fronteiras, uma organização humanitária internacional reconhecida por atuar onde a vulnerabilidade social é extrema e onde a esperança precisa ser fortalecida todos os dias. Com presença em nove países, a FSF desenvolve ações que mudam realidades, constroem oportunidades e resgatam a dignidade de milhares de pessoas. Neste programa, mostramos como essa organização impacta vidas no Brasil, na África e nas Américas, incluindo o trabalho realizado aqui mesmo, em Campinas (SP), por meio da Central de Doações e do Bazar Beneficente. A Fraternidade sem Fronteiras atua em regiões como Madagascar, Moçambique, Malawi, Burundi, República Democrática do Congo e Senegal, levando alimentação, moradia digna, saúde, educação, atividades culturais e profissionalização para comunidades inteiras. Também apoia uma escola no Haiti e mantém ações humanitárias no Brasil e nos Estados Unidos, acolhendo crianças, famílias vulneráveis e pessoas em situação de rua. Com 11 projetos humanitários em andamento, a organização mantém centros de acolhimento adaptados às necessidades de cada local. Entre as ações, estão a perfuração de poços artesianos, agricultura sustentável, pecuária, reflorestamento, alfabetização infantil, formação de jovens e capacitação profissional. Todo esse trabalho busca sempre promover autonomia, desenvolvimento sustentável e fortalecimento comunitário. Aqui no Brasil, o acolhimento chega a crianças com condições neurológicas, famílias em vulnerabilidade e pessoas que precisam de inclusão social, apoio emocional, moradia e reinserção no mercado de trabalho. Nos Estados Unidos, o foco está no acolhimento de pessoas e famílias em situação de rua, muitas delas enfrentando dependência química e desafios emocionais. E em Campinas, a FSF mantém um trabalho essencial: 📌 Bazar Beneficente Amigos da Fraternidade sem Fronteiras O bazar arrecada recursos para manter os projetos da organização e também oferece suporte direto à população local em situação de vulnerabilidade, com doações de roupas, alimentos, itens de higiene e cursos de capacitação. 📌 Central de Doações A Central recebe doações de todo o Brasil: roupas, alimentos, itens diversos, além de materiais médico-hospitalares e medicamentos, que são encaminhados às Caravanas de Saúde e aos projetos humanitários. Tudo é catalogado com cuidado, organizado por voluntários e enviado por caravaneiros para as regiões que mais precisam. Um ponto fundamental desta história é que a Fraternidade sem Fronteiras não recebe recursos governamentais. Todo o trabalho só existe graças à mobilização do público, doadores, padrinhos, voluntários e pessoas que acreditam no poder da fraternidade genuína e na força do amor ao próximo. Neste episódio do Mãos Solidárias, você vai conhecer histórias reais, entender como funciona o trabalho humanitário, aprender como ajudar e descobrir por que a FSF é hoje uma das organizações mais admiradas e respeitadas do mundo. Assista, compartilhe, divulgue e inspire outras pessoas. A solidariedade só cresce quando atravessa fronteiras. Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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Olá, no mãos solidárias de hoje, nós vamos falar sobre uma organização humanitária que existe aqui no Brasil e que tem um núcleo de voluntariado em Campinas. Hoje nós vamos conversar com o Raniere Dias, que é o vice-presidente da Fraternidade Sem Fronteiras. Raniella, eu inclusive conheci ele num evento em que ele falou aí lá um posicionamento da fraternidade e que eu falei: "Gente, que trabalho legal, por isso que eu acho que é importante você ir de casa conhecer também". Me conta, a gente tá aqui em Campinas, mas você já me disse nos bastidores que você hoje é o vice-presidente da organização no Brasil. Como ela surgiu? A organização nasceu do do coração, né, amoroso do presidente e fundador o Wagner Moura, que lá desde 2005 6 já fazia trabalho na periferia de Campo Grande com distribuição de alimentos nas ruas e motivado lá pelo final da década de 80 naquele movimento de fraternidade We are the World, né, que fez uma campanha para levantar fundo pr as crianças da Etiópia. O Wagner tinha um sonho de um dia também servir na na África. E depois de trabalhar na periferia de Campo Grande, o número de voluntários cresceu demais e ele tomou coragem, teve a oportunidade de botar uma mochila nas costas e em 2008 foi à África conhecer a dura realidade das crianças órfãs e vulneráveis. E de lá para cá botou o pé e não parou até hoje. Saiu de Campo Grande. Como então a Fraternidade Sem Fronteiras chega a Campinas? Eh, passados 3 anos, ela já era 2012, eu assisti uma reportagem na TV aberta que mostrava crianças fazendo bolinho de barro para comer. Aquilo me tocou demais. A a propaganda não era da organização, mas eu incomodado fui no YouTube, digitei a região e cheguei até a fraternidade, uma organização sem fins lucrativos, sem ideologia político-partidária e também sem nenhum envolvimento com religião. E aí eu falei: "É nessa que eu vou". E aí a gente começou, isso foi 11 de eh foi em agosto de 2012, em abril de 2013 eu já fui pra primeira caravana da fraternidade, fui no projeto Moçambique conhecer. Então desde lá como eh eu estou até hoje nessa história. Mas então, mas aí o Raniere ele não foi só até lá, você trouxe parte, né, para cá, como foi esse processo? Por que que você falou? Campinas tem potencial também para ter voluntários, para ter pessoas que trabalham nos mais diversos núcleos, inclusive para participar dessas caravanas. Então, quando eu vou para lá, porque na verdade quando eu fiz o primeiro contato e o e o Wagner que me atendeu na época a organização era muito pequena, eu falei e quem me atendeu por telefone foi ele mesmo. Eu falei para ele que eu queria ser um voluntário e ele falou: "Olha, nós só temos a condição de você fazer o apadrinhamento." O apadrinhamento, para quem não sabe, é a doação mensal e recorrente que você doua uma quantia que hoje varia de 50, 70, R$ 100 para poder manter o projeto lá. Só que na época eu não queria doar dinheiro, eu queria doar tempo de mim. Então eu falei para ele: "Olha, quando você tiver alguma missão, algum trabalho voluntário, eu quero ir até lá e aí passa seis meses, então eu vou." Quando eu chego lá, eu eu sou impactado de uma situação que eu jamais tinha visto. Apesar de saber um pouquinho do drama do continente africano, da pobreza, eu fui apresentado por uma miséria que nós aqui no Brasil nós não conhecemos, a miséria do continente africano. É verdade. Inclusive, só fazendo aí um adendo, que a gente conhece, nem que seja pela televisão, a miséria de núcleos habitacionais, favelas e os rincões do nosso país e que mesmo assim, ainda em relação ao que tem lá na África, esses lugares podem ser considerados até abastados em relação ao continente africano. Nesses lugares que você foi, foi exatamente isso. O que eu encontrei em Moçambique foram pessoas passando c se dias sem comer nada. sem tomar uma água potável. Os locais onde a fraternidade trabalha até hoje não existe água potável. Nós chegamos, perfuramos poços que nem o governo desse país tem condição de fornecer água pro pó aprovo. Então, quando eu fui, eu fui impactado por uma realidade que eu jamais tinha visto até na televisão. Pessoas comendo farelo de milho uma vez por semana, misturado com uma água salobra, uma água barrenta. Então, quando eu volto dessa primeira viagem e eu chego aqui em Campinas e todo mundo sabe aqui em Campinas é uma das referências do nosso país, né? talvez o quarto, quinto maior PIB, eu fico indignado e eu falo: "Não, eu vou semear, eu vou compartilhar desse dessa minha vivência, porque o pouco que a gente tem aqui lá faz muita diferença". E começa a divulgar, começa a divulgar na família, nos vizinhos, no trabalho. E aí naturalmente as pessoas começaram a chegar. Hoje nós temos aqui em Campinas e região uma média de 300 a 400 voluntários, que não é o maior núcleo de voluntariado. Sim. Ó, e você que tá assistindo pode perceber que às vezes tem uns barulhos, é porque nós estamos aqui no bairro Botafogo, uma região que inclusive passa bastante veículo aqui, que onde fica a sede da Fraternidade Sem Fronteiras na nossa cidade. Mas você pode, claro, entrar lá no site, procurar a que fica mais próximo aí da sua cidade, do seu estado, porque tem unidades espalhadas por todo o país praticamente tem. Agora, depois de 15 anos, nós estamos aí com vários núcleos de voluntariado, né? Cada estado tem pelo menos um ou dois e dependendo do estado tem até mais. Então, se você entrar no site fraternidadesemfronteiras.org.br, você clica lá em como podemos ajudar. Vai abrir várias abas. Numa delas é voluntariado. Você clicou lá, abre o portal do voluntariado, lá você se inscreve e logo você vai receber um e-mail conectando você a quem tá mais próximo. Essa maneira mais simples e rápida da gente conectar o voluntário a à organização. Agora, Raniel, eu tô aqui com o material já produzido pela nossa produção dizendo o seguinte, que vocês estão em Madagascar, Moçambique, Malau e Burundi. É isso, Burundi. Burundi. República Democrática do Congo e no Senegal. Isso significa o quê? Que de tempo, de tempos em tempos vai uma equipe, uma caravana para esses países ou não. Lá tem núcleos fixos que fazem, por exemplo, essa conexão, olha que a gente tá precisando de tal coisa nesse país e aí quem tá no Brasil se prepara para levar essa demanda. É assim que funciona, não é? Mais ou menos assim. O Wagner foi tocado para conhecer um um uma realidade na África. Ele foi para Moçambique. Depois de 3 anos desenvolvendo a região de Moçambique, nós fomos, tivemos um convite da ONU, né, para ir para pro sul da ilha de Madagascar. Nós não conhecíamos nada. Nós fomos para Madagascar e estamos lá desde 2017, já são 8 anos. Depois disso, no tanto no Senegal, no Malawi como agora na República Democrática do Congo e no e do Lumburundi, nós fomos por chamados. Eh, nós temos muito locais desafiadores no planeta que nem o país dá conta. E quando o Wagner e descobre ou sente a necessidade, nós vamos. Só que a fraternidade até hoje ela nunca foi e saiu de algum lugar. A gente bota o pé e continua. Nós nós vamos aonde tem o a maior demanda, eh estudamos, viabilizamos a necessidade de implantar, implantamos e ficamos lá a até o o dia que a gente puder. Então depois de implantado o inicialmente normalmente vai um grupo para prestar esse serviço ou a cada dois tr meses a gente se revesa. Os projetos da fraternidade, eles são iniciados depois de uma demanda ou da ONU ou que alguém falou que em tal lugar eh existe pessoas que estão abandonadas. Então o Wagner vai, estuda a possibilidade da gente começar e a gente vai e implanta. Normalmente essa implantação vai de um a dois meses. Vai um grupo para implantar, treinar os as pessoas locais para eles mesmos fazer a gestão do seu próprio povo. Depois a gente vai se alternando cada caravaneiro com a sua especialidade, seja saúde, alimentação ou qualquer outro tipo para fazer o revesamento e o acompanhamento. Então, depois de implantado, a cada 3, 4 meses, nós temos caravanas, né, que além de levar doações, às vezes também vai com caravaneiro que vai ficar uns 6 meses, 1 ano, né? Nós vamos trocando as equipes para dar essa esse apoio a aos aos habitantes locais. Você disse que depende da demanda desse local. A demanda é sempre por comida, é sempre por remédio, mistura um pouco, tem coisas. O que que, qual foi a demanda mais diferente que vocês já tiveram? Todos os locais que a fraternidade está, ela foi porque não existia comida nem água. Então nós nós nós vamos justamente onde não tem o básico. Primeiro critério é nós estamos, por exemplo, hoje no sul da ilha de Madagascar, são 850.000 pessoas famintas e sedentas morrendo por dia e a desnutrição infantil muito acima do normal. Então nós chegamos e implantamos e e começamos a divulgar. Nessa divulgação a gente atrai os novos padrinhos, né, novos trabalhadores e mantemos esse esse socorro a de eterno. Agora, a cada 6 meses, 4 meses, vai um grupo e se reveza no apoio a quem está trabalhando localmente. Você falou em alimento e água, que são, né, primordiais, mas há algum momento também que é preciso ter remédios para levar para essa população? Sim, com certeza. Desde o primeiro momento a gente chega em locais que as pessoas estão morrendo literalmente. Então, a água, o alimento e e a medicação muitas vezes até por eh nem é pela via oral, né? Às vezes é pela veia, ela começa num primeiro instante. É óbvio que depois de Mas vocês têm médico, enfermeiro também ou nós temos voluntários médicos que vão e principalmente quando implanta vai um grupo que fica 15, 20 dias até mapear, socorrer os principais desolados, né? E aí depois disso a gente tem então essa esse plano de manutenção, de revesamento de equipes. Sim. Quando a gente pensa nesse termo fraternidade sem fronteiras, qual você foi conheceu a partir daquela massinha, né, que você diz? Eh, o que que hoje você vê como uma maior demanda? Primeiro foi lá na década de 80, quando teve aquele grande, aquele grande musical, né, pelo fim da fome na África. E hoje mudou muito daquele período? Infelizmente mudou. A fome ela se alastrou no continente todo africano. São milhões e milhões de pessoas morrendo. Eh, não se fala nisso, né? Se fala em todos os tipos de guerras, em todos os pontos dos planetas. No continente africano parece que não existe guerra, né? E a gente sabe, todo mundo sabe, todo mundo que tem um smartphone na mão sabe que hoje as grandes guerras são por conta de minerais e de países que os usam o continente africano, os povos para extrair e tirar proveito disso. Então, aonde a fraternidade chega, ela realmente encontra um quadro de abandono, de desolação. E hoje muito pior do que na década de 80. Sim. Inclusive se fala muito, eu ouvi esses dias, né, até por conta de que nós estamos no mês da consciência negra e se fala muito, porque nós somos afrodescendentes, que se fala, por exemplo, da guerra da Ucrânia, mas não se mede, não se fala dos números dos mortos na África. É nesse contexto. Então, exatamente. Hoje para você que tá assistindo, a cada 60 minutos, 937 pessoas morrem de fome no mundo. 937 pessoas morrendo por horas. Se você multiplica 24 horas no dia, você tem 23.000 pessoas morrendo por dia. Então, se você fizesse, não todas na África desse número, é mundo, no mundo todo, mas no continente africano é cerca de 70, 80%, né? Porque é o continente que tá sem a base de tudo, sem saneamento, sem a água, sem agricultura. Então, a as condições de sobrevida na África, os os índices, os ID, o se a gente pegar os IDHs, né, nós estamos em seis projetos da África. Os cinco projetos é de trás para frente os piores do planeta. Então é nesses locais que a fraternidade vai, aonde ninguém foi, aonde ninguém tá indo e aonde tá morrendo muito mais de 1000 pessoas por hora de fome. A gente inclusive está aqui em um ambiente aberto com a passagem de muitos veículos por aqui e ao meu fundo, depois eu vou mostrar uma reportagem que nós vamos fazer, funciona um brechó. Qual que é a importância desse espaço para que vocês também mantenham a saúde financeira do Fraternidade? Esse esse é um projeto de voluntariado local que completou inclusive agora nesse mês 10 anos de existência. Daqui cada real que sai daqui, a gente consegue fazer dois pratos de comida. Eh, o número de de pessoas que foram salvas só por el essa iniciativa é muito grande, é muito. Quem tá assistindo só vindo aqui conhecendo um pouquinho do que a gente faz para ter noção. Então assim, como bazar brechó aqui em Campinas, é a é a oportunidade da gente colocar a mão na massa. No Brasil existe mais algumas dezenas de bazares como esse, né? Mas não é só de dinheiro que a fraternidade vive. Muito pelo contrário, a fraternidade, a missão dela é conectar corações para que a gente vivencie fraternidade, independente de fronteiras geográficas, étnicas e religiosas. Porque a partir do momento que alguém conecta o coração e alguém fala da fraternidade pro outro, pro outro começa a chegar. Então aqui em Campinas, há menos de de 12, 13 anos, não tinha nenhum voluntário. Eu fui o primeiro que erguer a mão, depois veio um, dois, tr, hoje nós somos uma quatro 400 mais ou menos. É dessa maneira, é de coração para coração, tá certo? Então, Ranier, a gente vai dar um tempinho. Vamos para um breve intervalo. Na volta eu vou mostrar como funciona o brechó também. E claro, a gente vai conversar com Raniele para ele contar um pouquinho dessa experiência, o que ele vivenciou quando foi nessas missões lá na África. Não saia daí que o Mons Solidárias volta já já. E a gente abre esse segundo bloco conversando com um casal que chegou aqui em 2017 e atua na central de doações. Aquilo que o Raniere explicou que pessoal separa tudo para levar lá pra África, eles aqui colocam a mão na massa. É isso mesmo, Edmar? É isso mesmo. A gente prepara todas as doações de roupas. material escolar, medicamentos e outros materiais. A gente prepara todos nas malas que os viajantes, os caravaneiros, como a gente chama, eles levam como bagagem pros projetos na África, seja Madagascar, Moçambique, Malaui, agora no Burundi também. Então, onde tiver projeto da fraternidade e tiver caravana, essas malas vão com as nossas doações que a gente prepara, eu e a Sônia. Sônia, como você conheceu o trabalho do Fraternidade Sem Fronteira? foi através de uma amiga, né, que nós na mesma cidade nós nos conhecemos e ela comentou sobre a fraternidade e a gente veio um dia, né, na no bazar e nós gostamos do trabalho e assim foi e estamos até hoje. Vocês já foram pra África, já foram em alguma missão ou a missão de vocês é aqui? Eu já fui, né? A Sônia não foi, então eu já fui cinco vezes paraa África nos nos projetos, né? E dessa vez não só preparando as malas, mas a gente foi junto, né? O que é muito mais impactante, né? Porque é uma realidade muito difícil, muito triste, né? É um tipo de pobreza que a gente não vê aqui no Brasil, né? Então, poder acompanhar esse projeto, a entrega de doações, eh, para aquelas famílias tão necessitadas, assim, é uma experiência muito marcante, né, na na nossa vida, né? Então, uma experiência eh fantástica, né? Dessa experiência fantástica, digamos que do ponto de vista de você pensar o que é possível fazer, porque às vezes a gente pensa assim: "Ah, eu não consigo fazer nada ou eu eu reclamo hoje minha vida não tá boa". O que que você acha que dá para pensar nessas nessas cinco viagens que você fez, Edmar? Eh, normalmente na primeira viagem, na primeira caravana, né, as pessoas que vão e aconteceu comigo também, a gente fica pensando, bom, o que que eu vou fazer, né? Eu não sei cozinhar, eu não sei cuidar de crianças, né? Mas em função da dinâmica, você vai achando seus espaços, né? Então, muitos caravaneiros agora mais novos que chegam, eles perguntam isso, que eu vou fazer, né? E as pessoas acham o seu encaixe, né? vão achar ou um projeto eh de preparar refeição, arrumar uma fila, cuidar eh de crianças na clínica, ou seja, cada um vai achar o seu espaço. Então, qual sua profissão? Eu sou da área de recursos humanos, sou consultor de recursos humanos. Então, geralmente a gente pensa assim, quando vai ser voluntário, eu vou fazer algo ligado à minha profissão. Tudo que você fez parece ser bem diferente. É diferente. Tem alguns trabalhos que a gente faz na fraternidade que tá ligado à minha função. Dou esse esse suporte também na gestão eh aqui no Brasil para algumas pessoas na África, mas a maioria dos trabalhos nas caravanas é totalmente diferente, que eu nem esperava que fosse fosse fazer. Sônia, qual é o critério, por exemplo, quando vocês vão montar essas malas, né? Ai, vai para tal país, tem que usar tal tipo de roupa, tem roupas que vem paraa doação, mas esse tipo de roupa não se usa naquele local. Quais são os cuidados que vocês têm no dia a dia quando separam roupas, alimentos e até medicamentos? Então, nós recebemos essas doações aqui, né, no bazar. Nós pegamos roupa por roupa, dá uma olhada, ver se não estão, não, se não estão rasgadas, sujas. Se elas estiverem rasgad, a gente dá um jeito de costurar. Suja, a gente lava também. E para mandar pra África, normalmente e são roupas assim que não sejam shorts muito curtos, né, coisas discretas, shortinhos a gente não manda mais bermudinhas, esse tipo de coisa. E aí é nesse processo também que vocês acabam fazendo uma espécie de triagem daquilo que vai ser doado na África ou até aquilo que pode ser vendido aqui no bazar. Isso. A gente tem coisas que não vão para lá pelo problema de de ser muito curto, shortinhos, alcinhas, essas coisas. Então a gente manda pro bazar e eles fazem a venda aqui no no bazar. E o que tem sido para você desde 2017 que chegou aqui, tá? Olha, já há tanto tempo, que que mudou alguma coisa? Qual foi o maior desafio? Conta um pouquinho quando você faz essa rememorização, digamos assim. Então, eu era uma pessoa muito consumista e trabalhando aqui na fraternidade, vendo toda essa essa pobreza deles, né, essa necessidade. Eh, eu vi que não vale a pena, né, tanta coisa para outras pessoas precisam muito, né? Inclusive eu comecei fazer um curso de corte e costura para eu poder fazer roupinhas para eles. Então, eu dedico o meu tempo aqui também, né? É, aqui no bazar e também em casa fazendo, confeccionando roupinhas para eles. E quem cuida aqui do bazar é a Edinalva, que tá aqui desde 2016 como voluntária. como você chegou, conheceu o trabalho do Fraternidade sem Fronteiras? Então, eu conheci a Fraternidade através de uma palestra que eu ouvi numa ONG que eu estava, né, numa instituição. E aí aquilo me tocou bastante e aí eu fui procurar saber e bem naquela época eh houve o primeiro encontro da dos voluntários da Fraternidade Sem Fronteiras e foi sediada aqui em Campinas. E aí eu não perdi oportunidade, né? Fui, já tentei entrar em contato e assim foi amor, foi paixão à primeira vista. Me tocou muito, sabe, o trabalho e e desde então não parei mais. Mas esse primeiro amor, esse essa primeira paquera foi o que? Olha, eu vou paraa África, vou já cuidar do bazar ou você nem sabia que existia o bazar. Como que foi? Porque hoje você é quem, eu tô, vejo toda hora. Aqui tem que tá peça tal, aqui tem que tá a peça tal. como que surgiu essa essa missão aqui no bazar? Então, na verdade, a gente quando você sente, né, se a primeira vista, você fala: "Ah, eu vou porque eu quero ir pra África, porque tem um trabalho lindo, maravilhoso". Só que existe um trabalho aqui também, né? Porque precisamos de de ter o trabalho aqui pro trabalho lá existir. E aí eu fui entendendo que que aqui era mais importante naquele momento o meu trabalho, eh, como formiguinha, né, que a gente fala que nós somos formiguinhas, né? trabalho é bem de pouquinho em pouquinho. E aí eu entendi que o meu trabalho seria aqui. Então assim, foi amor pelas pessoas, pelo projeto, por tudo. Então é é imp foi impactante na minha vida. No período da pandemia, como esse trabalho foi organizado? Então na pandemia a gente ficou no primeiro momento assim, né? foi impactante porque fechamos as portas e e a gente ficou sem trabalho. Só que acontece, eh, eu morava perto do centro na época, né? E e aí eu vi as pessoas, tava todo mundo dentro de casa, aí eu liguei pro pro nosso vice-presidente, pra minha coordenadora, falei: "Ai, vamos levar marmita, alguma coisa, né?" E a gente fez um trabalho muito lindo na época. Eh, fomos os primeiros a sair na rua, lógico, né? com todo cuidado. E aí fizemos um ponto de encontro. Aí juntou um monte de de voluntários, pessoas que não conheciam a a ONG, acabou conhecendo também o bazar. Então a gente começou a fornecer refeição pros moradores de em situação de rua. Eh, conhecemos várias pessoas, né? E e aí tinha algumas voluntárias também que separavam eh clientes uma por vez. Aí vinha no bazar com a portinha fechada para poder também arrecadar os recursos, porque a gente dependia também, né? Então foi assim, foi desafiador, mas passamos também essa fase, mas foi assim, eu acho que foi o período que a gente mais teve união aqui na na sede de Campinas, né? Então teve bastante pessoas que conheceu o projeto na pandemia também. E hoje para você, como é fazer parte dessa grande, né, união. Aí tem até o símbolo, né, de vocês, né, que são as mãos que se juntam, que se fortalecem e que cada uma dá o seu quinhão para fazer esse grande trabalho. Então, para mim hoje, eh, a gente não fala nem voluntários, eu chamo as meninas, né, de irmãs, porque assim, viramos uma grande família, né, e além do trabalho, cada uma foi entendendo, chegou por um motivo aqui, cada voluntário chegou por um motivo e a gente foi entendendo, né, nosso o nosso valor aqui, eh, qual o nosso compromisso e viramos uma grande família, família mesmo, de verdade. Às vezes mais do que família de sangue. É, a gente encontrou aqui um um uns nos outros aquele acochego, né? Então, eh, para mim aqui, para mim é muito especial, porque eu passei assim muito, muitos períodos da minha vida, muitos processos que foram assim desafiadores para mim. E eu encontrei aqui o acalento, eu encontrei o amor, eu encontrei a fraternidade, eu encontrei tudo aqui. E você que viu aí o bazar todo organizado, nós temos pessoas que ficam aqui o tempo todo fazendo esse trabalho. Quem não para também é aqui a Maria de Fátima me fala dessa missão de organizar, deixar tudo bonitinho para quem vier aqui. Ah, eu sou a louca do bazar. Eu sou, não fico parada. Você percebeu, né? Eu faço parte da triagem, sou responsável pela triagem. Então eu tô sempre olhando, movimentando. Eu cheguei aqui hoje, não era nem para triar, mas já tô trabalhando. E desde quando você é voluntária aqui? Desde antes da pandemia. Eu conheci já numa outra instituição que eu que eu ajudava, conheci lá e vim para cá e tô até hoje. E o bazar, como que é o critério? Você vai organizando por cores, por modelos, como funciona? Não, eu mesma faço parte da triagem. Então aqui quando eu tenho tempo eu venho de quarta ou às vezes já vim até de domingo sozinha aqui dá uma organizada, mas senão tem as meninas que são voluntários quarta, quinta e sábado que fazem essa parte. E como que você vê esse trabalho voluntário e a importância desse brechó para ajudar no trabalho do fraternidade? muito importante e também não é só um trabalho. Eh, a questão aqui não é só o dinheiro, as pessoas chegam aqui, eu não entendia isso, que o nosso vice-presidente falava assim: "Não, aqui a intenção não é só dinheiro". Fala: "Como assim? A gente tem que pagar aluguel, a gente precisa pagar as contas, a gente precisa de dinheiro." Mas eu percebi que não é só isso. De repente você tá aqui, a pessoa tá vendo uma roupa, ela começa a contar a vida dela para você. Já teve um caso uma moça que chegou para mim e falou assim: "Ai, eu tive um câncer de mama e tal", assim do nada. Então assim, tem um outro propósito, não é só o dinheiro. E então quando você vem, você vem aberta para tudo que tiver preparado naquele dia para acontecer nesse espaço? Sim. Sim. E nós temos aqui muitas pessoas em situação de rua que vem até nós para pegar roupa. Então a gente tem que saber lidar com eles também, né? Porque muitos às vezes estão muito agressivos, drogados. Então a gente precisa saber lidar. Então assim, a gente já v Mas tem também então essa, olha, eu vou te dar uma troca de roupa e ou não? Aqui a gente não faz isso, não. Nós fazemos, nós temos varal fraterno aos sábados e além disso, nós temos aqui uma estante com roupa separada para eles. Eu levo para lavar e às vezes até passa a costura, porque às vezes as pessoas não tm essa noção que as pessoas estão na rua, eles precisam de uma roupa limpa, né? E nós estamos sempre precisando de voluntários, voluntários para poder ajudar nesse trabalho também. O varal fraterno é todo sábado e ele fica à disposição para as pessoas passarem e pegarem as suas peças. É isso. Isso. Todos os sábados nós temos o varal fraterno. Todos os sábados. Qualquer pessoa aqui na sede mesmo. Sim. Fica na praça aqui do lado. Mas eles já estão tão acostumados que eles vêm aqui pegar. Não tem a roupa que eles querem lá. Vem aqui. E se não tem da roupa que tá separada, eu venho até aqui ou qualquer uma das meninas, outras voluntárias vem, pega a roupa aqui mesmo que a gente vai vender e passa para eles. Como que é tudo isso para você? Olha, eu tenho uma, eu acho que eu tenho assim alguma afinidade com essas pessoas em situação de rua, tanto é que a gente já levou marmita por um tempo e eu faço sopa num outro lugar também que atende pessoas vulneráveis. Então assim, eu gosto, eu me sinto bem fazendo isso e para mim assim, eles não tm nenhuma diferença. Para mim não tem nenhuma. É muito bom. Me sinto muito bem. A gente acha que tá fazendo bem, mas eles estão fazendo bem para nós. E você que viu aí como funciona o brechó e como as pessoas trabalham aqui com essa certeza de que estão fazendo a sua parte pelo melhor? Raniere, não tinha como deixar de falar sobre você. Disse: "Olha, eu queria participar e fui por uma primeira vez. me fala de dessas suas experiências nas caravanas. Você só foi essa vez, foi mais vezes? Vai uma vez por ano? Me fala um pouquinho disso. É, a primeira vez foi impactante. De lá para cá já são mais de 12, 13 viagens a todos. Não, não, não. Eh, cada projeto que a gente inicia, a gente vai. Eu poderia falar aqui de todos, mas o tempo não dá. Eu vou falar um pouquinho, inclusive é uma da é uma das ações que lá no nosso site a gente tá pedindo ajuda muito agora nesse mês de novembro. Nós estamos no Malaui, que é o campo de refugiados de guerras de Desaleca desde dezembro de 2018. E lá nós, quando chegamos tinha 18.000 refugiados de guerras. passado agora quatro todos os africanos onde que vieram de vários país todos do continente africano que correm para esse país que é um país bem no centro do continente então ele abriga pessoas da República Democrática do Congo, do Sudão do Sul, de Ruanda, todos os países que estão em conflito. E nós estamos lá desde 2018, são 7 anos. Eh, esse número que era de 18.000, esse mês foi para 60.000 60.000 pessoas. E lá nesse campo de refugiados, a ONU, ela ajudava cada um com Desde o mês passado, a ONU cortou todos os ajuda. Por quê? Porque eh por conta da falta de dinheiro dos países que compõem a ONU eh não tem mais recurso a frater. E aí eles escolhem onde cortar isso. É, então desde 2025 agora em outubro a ONU saiu do campo de refugiados e a fraternidade é o único organismo de apoio. Então nós estamos com a campanha emergencial no site irmão ajuda irmão. E você também pode colaborar com R$ 25 por mês. Você ajuda uma pessoa a passar o mês todo com alimentação digna. São 60.000 pessoas, mulheres com crianças que fogem, né? Hoje eles têm quantas? É uma uma alimentação por dia. Uma alimentação por dia. Do do dos 60.000. Hoje nós só estamos conseguindo ajudar 4.000 pessoas. Então são mais de 55.000 pessoas nesse campo de refugiados literalmente abandonados. E nós estamos nessa campanha emergencial para dar apoio para essas 55.000 pessoas, porque a fraternidade sozinha só tá dando conta de 4.000. Então eles não têm hoje, a realidade é que eles não têm, por exemplo, as três refeições básicas. Não tem nenhuma. Não tem nenhuma. Eles estão vivendo há duas, três semanas pela misericórdia de Deus. Nossa, é até difícil da gente imaginar. É difícil de entender. Por quê? Porque o refugiado quando sai de um de uma zona de conflito e a gente ouve, ah, ele está acolhido num campo de refugiado, você imagina que ele tá acolhido, né? Que ele tem água, comida? Não, não tem. Não tem nem lugar de deitar no chão. Nós temos imagens aí, vocês podem acompanhar no site, eh, de pessoas morando numa área que se chama área de trânsito, que é um local que nem aqui, eh, nem animal aqui onde a gente vive, a gente tem condição de de fazer algum ser humano viver. Então, a fraternidade está nesses locais aonde ninguém está. E qual é o critério? Por exemplo, a pessoa quer apadrinhar, aí de repente ela chega e fala assim: "Ah, mas eu gostaria de ir até a África colocar a mão na massa." Tem algum critério para isso ou basta se disponibilizar? Tem critério. O primeiro critério é realmente a pessoa pedir. O segundo é ela se tornar padrinho ou madrinha com a efetivação da doação mensal recorrente, seja de 25, de 30, de 40. Ela já é uma um padrinho e uma madrinha. O e o último pré-requisito ser maior de 18 anos. Com esses três pré-requisitos embarca, vai pro projeto a hora que quiser. Inclusive você vivenciou aquele momento em que nós tivemos um problema em Roraima, justamente porque se falava, ai são muitos venezuelanos e uma série de coisas. Você estava lá naquele período? Sim, isso foi eh no início de 2018 para 19, inclusive na época do carnaval, né? Teve até um refugiado que foi incendiado na rua eh por brigas, eh porque realmente o número de refugiados de pessoas que entravam ali em Roraima por dia desequilibrou a todo a organização do da capital, né? Uma cidade, uma capital pequena, 400.000 habitantes, que a questão de saúde colapsou, né? Tinha que atender os moradores e também os refugiados. Então, realmente eh desequilibrou a harmonia pelo pelo volume de pessoas que chegavam, mas hoje tá equacionado. Hoje está equacionado, porém o o flagelo ainda continua, né? A a nossa querida Venezuela ainda não tá totalmente eh saneada. As pessoas estão fugindo de lá, não para para ter uma vida melhor, estão fugindo de lá para para não morrer de fome, né? A média de pessoas ultrapassando a fronteira hoje é em torno de 30 a 40, chegou a 500 por dias, né? 500 pessoas por dia. Então hoje tá bem menor, né? Então nós ficamos lá, estamos lá até hoje acolhendo os venezuelanos, trazendo eles pro interior do Brasil. Já interiorizamos mais de 1000 famílias, cada família com quatro, cinco pessoas, aonde eles estão tendo a oportunidade de recomeçar uma nova vida aqui no nosso país. Sim. E aqui mais perto da gente tem alguma ação específica? Nós temos aqui em São Paulo capital o projeto Fraternidade nas Ruas, que é justamente aquilo que lá em Campo Grande a gente faz já há 7 anos. A gente atende pessoas em situação de rua, aqueles que querem sair, que quer, que quer ser puxado, né, pelas mãos, porque a gente sabe que a situação de rua é muito complexa, mas aquele que oferece uma uma vontade de sair das ruas, a gente tem como abraçar e levar para outros lugares de atendimento. Muito obrigada, Raniere. Parabéns por esse trabalho. A gente viu aí um pouquinho eh um pouco dessas missões. Entre lá no site, tente ver de que forma você pode contribuir também. Você pode conhecer um pouquinho desse trabalho. Tem as redes sociais também e claro, siga a TV Câmara Campinas nas redes sociais. Você entra lá no Mão Solidárias e você confere tanto a entrevista com Raniele do Fraternidade Sem Fronteiras, quanto tantos outros trabalhos e organizações sociais que atuam aqui na nossa cidade. Até o próximo. Mãos Solidárias. เ
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