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[Música] E no Mão Solidárias de hoje, a gente vai conhecer o trabalho do Centro Regional de Atenção aos Maus tratos na infância, o CRAME, mais conhecido como CRAME, que há 40 anos trabalha aqui na cidade de Campinas impactando esse território e trabalhando com os maus tratos e com a violação de direitos de crianças, adolescentes e hoje em dia também expandiu esse trabalho. Quem vai contar essa história pra gente de como tudo começou é a Daniele Esquitetini, que é atual presidente da entidade. Muito obrigada por receber a gente aqui nessa sede. Muito obrigada a vocês pra gente poder apresentar um pouquinho do CRAM, né, que é uma instituição que tá 40 anos em Campinas. Eh, ela foi criada por um médico há 40 anos atrás, onde ele detectava casos de abusos sexuais, né? Era um pediatra e ele criou o CRAM. E o CRAM vem nesses 40 anos expandindo, né? Hoje a gente atende, além de crianças, mulheres, idosos, né? E a gente atende duas regiões de Campinas. Nós temos toda uma equipe capacitada eh de psicólogos, assistentes sociais, educadores e a gente trata essa criança desde a denúncia, né, aos órgãos públicos. Elas são direcionadas pra gente, esse idoso, a gente faz todo o tratamento assistencial, psicológico, eh, até o final. Então, a gente e a gente tenta manter no berço da família esse assistido, né? E é um trabalho muito voltado para inserir de volta essa essa criança ou esse adolescente na sociedade. São duas unidades, então, né, atendendo duas regiões de Campinas, que é muito grande, ou seja, existe demanda para mais. É, hoje nós atendemos na a leste e a noroeste, mas nós atendemos um pedacinho. Nós não conseguimos atender 30% de Campinas. E a gente tem uma demanda muito grande, né? A prefeitura tem uma demanda, uma parte dos nossos recursos hoje, ele vem da prefeitura pra gente fazer esse trabalho. E a gente tem sempre uma procura, né, pelos órgãos públicos, pelo pelo CRAS, pelo centro de saúde também. Isso. E a gente não consegue atender. Hoje nós temos nós atendemos 30 famílias, né? Cada cada psicólogo atende 30 famílias e a gente poderia atender mais se a gente tivesse mais recurso, né? Então a gente tem um valor que vem da prefeitura, um outro valor que nós arrecadamos aí na com eventos, com doação pessoa física. Uma grande parte da nossa arrecadação é a nota fiscal paulista. E se a gente conseguisse mais recursos, a gente conseguiria atender mais. Como que é nosso trabalho hoje? Nós temos um assistente social, um psicólogo e um educador social para cada família, para cada 30 famílias. E a gente faz uma visita a essas famílias semanalmente, né? E trabalha toda a parte psicológica e assistencial. Então, ah, se você olhar hoje, toda a nossa equipe tá na rua, né? Então, às vezes a gente atende na casa, às vezes no posto de saúde, às vezes na escola. a mesma equipe vai trabalhar com essa família por um determinado tempo para que crie esse vínculo de confiança e tudo mais. Isso. A gente trabalha todo esse psicológico, a gente conhece bem a família, a gente, o nosso principal papel é tentar recuperar o psicológico e o assistencial desse eh eh dessa criança que teve o o seu direito violado, inserir ela eh reinserir ela dentro dessa família. que ela possa ter uma continuidade na vida sem levar esses traumas paraa frente, trabalhando de uma forma mais, né, eh, para quem tá assistindo, por exemplo, é uma violação muito grave de direito, né, e essa criança geralmente ela volta pro a gente quer manter o vínculo na família, mas é claro que existe também uma investigação para saber se essa criança tem se essa família tem condições de receber essa criança de volta. É, o nosso principal foco é recuperar a família, é que ela consiga ser mantida no seio dessa família. Quando não é possível, quando a gente não consegue tirar o agressor ou quando ela corre o risco de ser eh de sofrer de novo esse abuso ou esse mau esses maus tratos, aí sim a gente direciona ela para uma casa de passagem, que ela vai ficar um tempo, para uma família acolhedora e em último caso para uma adoção, né? E aí ela já vai para uma outra complexidade. Então, eh, essa é a natureza da média complexidade, então, né, que a gente fala muito no mão solidárias, eh, de atenção básica, né, que são aqueles contraturnos onde a criança fica em segurança e tudo mais. Aqui já é um serviço de um segundo nível, então que é uma média complexidade. Isso quando a criança tá no eh no contrafluxo, quando uma uma outra osc detecta que ela tá sofrendo algum abuso, alguma violação de direito, algum ma os maus tratos, né, ela vai ser direcionada ou pra gente ou para uma outra que faça um trabalho parecido. Então daí a gente vai cuidar desse psicológico, desse social. E a gente e eu brinco, né, que a gente tem o sonho de que a gente não tivesse mais isso, né? E aí algumas pessoas me perguntam: "Ah, mas Campinas, né, Campinas, uma metrópole, né? Existe isso? Existe?" E isso são os casos que chegam para nós, né? ainda existem muitos casos que a gente não sabe e hoje a gente tá conseguindo dar uma capacitação pros profissionais de escolas de eh de educação infantil para detectar isso, para que eles consigam detectar se essa pessoa está sofrendo uma violação, né, pra gente tentar prevenir. Então, poxa, ele chegou lá, a criança ela tá muit muito quieta, ela não é uma criança quieta. Então, a gente dá toda essa capacitação para esses profissionais dessas escolas pra gente, opa, acendeu a luz, a gente tem mais gente para cuidar e tentar inibir isso, né? Porque assim, se a gente conseguiu, ah, hoje essa criança apanhou, ã, a gente consegue chegar e educar essa família, porque tem muita família que não sabe que não pode. Uhum. Entendeu? Então esse trabalho também é muito importante do CRAM. E a gente tem dado essa capacitação. Nós capacitamos no primeiro semestre mais de 500 pessoas. Multiplicadores. Multiplicadores. Que legal. E aí durante esse a Dani tá aqui há 20 anos, né? É a metade da vida do CRE, né? Eu sou voluntária aqui a 20 anos, né? Quando eu tinha uma época da minha vida, a minha mãe sempre muito voluntária, eu falei: "Ah, eu quero ajudar em algumas instituições". Eu fui conhecer algumas e um amigo me apresentou o CRAM e eu me encantei. É uma instituição onde as pessoas, a diretoria é 100% voluntária, né? São pessoas que querem cuidar do outro e a gente e é muito séria. Hoje nós somos auditados por uma das principais, pela Grand Torton. Então todo o nosso recurso ele tem entrada, tem saída, auditada. Então assim, uma transparência impecável para que a gente não corra eh não encorra, né, na falha, porque às vezes não é o problema, mas em qualquer falha que possa deixar qualquer dúvida pra sociedade, principalmente porque a gente usa uma parte de dinheiro público, né? A prefeitura eh manda um recurso pra gente fazer esse trabalho, esse trabalho de assistência social, né? E aí vocês foram percebendo então que não era só crianças e adolescentes, né, nessa trajetória desse médico que teve esse olhar sensível, né, de não dá para cuidar só no hospital depois que já aconteceu, tem que prevenir tudo isso. E aí entrou então o atendimento também a mulheres e idosos. Isso. Na verdade, a a nossa equipe, ela já faz a nossa equipe de psicólogos, de assistentes sociais, nós já temos uma capacitação para prefeituras externas, nós pelo conhecimento e pela expertise. E com a nos últimos anos a gente tem acompanhado muito abandono de idosos, os maus tratos, né, as mulheres, né, a gente vê toda hora caso de de feminicídio, tudo isso. E e as mulheres, a a algumas mulheres conhecem poucos direitos, né? Então, há 4 anos atrás a gente criou um projeto que chama Florescer, que a gente cuida dessas mulheres que sofreram maus tratos. E a gente tenta capacitá-las para passar isso pra sociedade, pra sociedade que elas vivem. E e tem sido muito gratificante porque elas se sentem, esse conhecimento traz vida, né? Eh, elas conseguem reviver. Então, então elas não sabiam que elas teriam direito a algumas coisas. Elas não sabiam que não poderiam maltratar o filho. Elas não sabiam que o companheiro não pode tratá-las dessa forma. Então tem sido muito importante e essa capacitação nessas mulheres, elas se sentem valorizadas, então elas conseguem levar paraas outras. Então é um projeto que tem tido muito sucesso, muito sucesso, maravilhoso, né? Mas é possível então resgatar essa família, esses vínculos através desse trabalho? Não é? E a gente tem casos aqui, né? Depois a nossa psicóloga vai contar, mas de irmãos que sofreram, né, o abuso e hoje eles estão super bem. A irmã mais velha assumiu o cuidado desses irmãos e hoje ela tá formada numa universidade, ela tem a profissão dela e eles estão super bem. Então assim, dá para fazer, dá para cuidar, né? O ideal é que não tivesse, mas dá para cuidar. a gente com a gente tem um conhecimento técnico muito profundo para isso, maravilhoso, né? A pessoa conseguir eh criar uma outra um outro caminho, uma outra rota para além dessa dor profunda que ela vivenciou, né? Isso realmente deve incentivar esse trabalho e realmente buscar novas formas de atuação, né? É, a gente, né? Eu gostaria de dizer que é difícil pro CRAM chamar um uma pessoa fala assim: "Vem conhecer meu trabalho". Porque eu não posso expor essas crianças, esses adolescentes, esses idosos, eles já estão expostos à sociedade. Então, pra gente é muito mais difícil, né? Que o nosso sonho é crescer, conseguir atender mais. E é difícil porque eu não posso mostrar e o que não é visual é mais difícil de arrecadar. Então hoje o nosso sonho é crescer e para crescer a gente precisa de verba, né? Então quem me conhece sabe que organiza alguns eventos, a gente ã faz uma feijoada, faz uma noite alemã e mais alguns eventos, mas hoje o que nos ajuda muito é a nota fiscal paulista. Então se quem quiser participar e ajudar o CRAM, né, e conhecer a história, são 40 anos muito sérios. Então pode entrar no nosso site, lá tem o passo a passo. A nota fiscal pra gente não volta nada, né? E pra instituição vem um recurso muito bom. Então a gente tem conseguido elaborar alguns projetos novos com dinheiro da nota fiscal. A pessoa tá tirando do bolso dela, não. Ela simplesmente tá doando a nota fiscal dela pra gente. Ela já ia pagar esse imposto, só que ele vai direcionado. Eu ia perguntar justamente para quem tivesse dúvida de como fazer essa doação. Então tem no site lá. lá a gente tem o passo a passo. Nós temos doações de empresas, né? Nós temos empresas super parceiras que estão lá no nosso site que nos ajudam muito. A gente tem a doação pessoa física, né? Depois tem os 6% do imposto de renda, os 3% nas épocas de doação e a nota fiscal. Mas a nota fiscal é uma coisa que você não sente. Você entra lá, né, no seu, na sua nota fiscal paulista, cadastra o nosso CNPJ e vai vir. E o sorteio, se você for sorteado, é seu. Uhum. Então é só aquele para você vai vir dois e R$ 1, para nós vem 10. Então é um diferencial muito grande. Faz toda a diferença. E que bom que tem lá o passo a passo de como fazendo. Se tiver dúvida também dá uma ligadinha, né? Pode chamar, pode chamar a instituição, pode nos chamar na rede social que a gente vai responder na hora. Perfeito. E para quem quiser seguir também Instagram, vocês têm para acompanhar os eventos, CR Campinas, né? Lembrando que o CR, a marca CRAM é do Crame Campinas há 40 anos. A CRAM Campinas no Instagram, no site é cramcampinas.org.br. do BR. Maravilhoso. Daniele, muito obrigada por compartilhar essa história com a gente. Vida longa, que não precisa existir, que ele possa ter uma outra natureza daqui uns anos, né? E a gente vai falar um pouquinho agora com a Mauri, que também tá aqui há alguns anos e trabalha ali no coração da entidade que é o financeiro, né? Também voluntário, né? Obada. É, também voluntário. Obrigada pela oportunidade e pelo carinho com Crâme, porque é muito especial. Obrigada. Com certeza. A cidade agradece, né? E agora a gente vai falar com a Mauri Rossi, que é vice-presidente financeiro da entidade. É uma função muito importante para que ela possa executar o seu trabalho com excelência. E o Amauri vai falar também como é que ele chegou até aqui, por que você resolveu ser um voluntário, que é uma coisa tão importante pros programas que a gente cobre aqui no Mão Solidário. Mauri, um bom dia para para você, bom dia pra equipe. Eu tenho uma história familiar de voluntariado. os meus pais hoje falecidos, mas trabalharam durante muitos anos e em Jundiaí, que é onde eles moravam, com diversos tipos de voluntariado, entidades que cuidavam de entidades que cuidavam de de pessoas carentes, eh gostavam de organizar eventos para arrumar recursos, etc. E eu falei, um dia eu vou vou tentar trilhar essa esse caminho. Eu conheci o CRAM através dos eventos, né, Feijoada, Cram Fest e um hoje ex-presidente, ele falou: "Você precisa ser voluntário do Creme". Falei: "Assim que eu me aposentar, a primeira coisa que eu vou fazer vai ser isso." E assim aconteceu, né? Eu me aposentei em fim de 2018. Fiz carreira no mundo corporativo. Trabalhei muitos anos numa grande multinacional americana em Valinhos e ia começar porque para aprender esse setor. Esse setor é tremenda novidade para para mim, né? E eu iria ser conselheiro naquela chapa. E que a gente precisa tomar cuidado quando quando a gente é convidado para comer uma pizza. E naquela uma semana, 10 dias antes da eleição, eu fui convidado para para conversar com presidente da época, o novo presidente que iria assumir e o vice-presidente. E eles colocaram que eles estavam com problema na área financeira, que a pessoa que iria assumir tinha desistido. E de repente eu comecei o meu voluntariado nessa função tão importante tão tão eh com muita responsabilidade, né? E foi assim, tudo começou em pizza. Começou em pizza. E a gente, eu sempre comento isso para porque tem um lado até de de até engraçado, né? Mas sempre teve com essas pessoas que me convidaram. Nós somos amigos há muitos anos e continuamos amigos e e assim eu comecei. Então já estava no seu DNA, né? Veio dos pais e muito interessante porque as pessoas pensam: "Vou aposentar, eu vou viajar, eu vou fazer curso de marcenaria de, né? E você já quis se dedicar logo e compartilhar com as pessoas o seu saber e aprender novas coisas, né? Sem dúvida nenhuma. E, e, e veja, eh, a minha formação não tem absolutamente nada a ver com a o expertise, e a competência requerida para fazer esse trabalho. Eu sou engenheiro de formação, mas aprendi um monte de coisa no mundo corporativo. E o que a gente tenta fazer é não é ir a campo, porque nós não temos essa, como eu falei, nós não temos essa competência que eu entendo um pouco de criança por por ser pai e avô, mas eh é completamente diferente das exigências que o trabalho que o CRAM faz requer. Então, eh, o que eu, o que eu, eu e os outros voluntários fazemos é trazer o que a gente aprendeu no mundo corporativo, tentar estabelecer processos robustos para que a gente tenha compliance, para que a gente tenha governança, para que a gente possa bater na porta de uma empresa, por exemplo, e tentar eh ofertar um serviço para aquela região, para aquela comunidade. É, então a gente estabeleceu processo de planejamento estratégico. A gente quer ser referência na nossa missão, ser referência nacional. Eh, como a Daniele comentou, o CRAM nasceu há 40 anos, muito antes do Estatuto da Criança do Adolescente, né? Quer dizer, tem umal muito, o CRAM tem publicações eh sobre o tema nesses 40 anos. Então, a gente eh se preocupa com a governança, embora o CRM seja uma entidade sem fins lucrativos, ela tem processos de compras, processos de negócio, processos de recursos humanos, processos de como tratar com com um banco, como tratar com a prefeitura, como tratar com as as prestações de conta, como tratar com a contabilidade. A gente tem sido auditado desde 2019 para garantir que caso a gente tenha eh cometido alguma falha, isso seja identificado e a gente possa tomar ação corretiva no sentido de que a gente possa eh atrair parceiros. E nós usamos hoje bastante dinheiro público, então a gente não quer ser, em hipótese alguma, eh página policial. Quer dizer, nós queremos ter orgulho do trabalho que a gente faz e e sustentabilidade, né? Exatamente. Sustentabile. Hoje são 31 funcionários que vocês têm. São 31 funcionários CLT e 14 voluntários. Voluntários que eh existem outras pessoas que fazem eventualmente algum algum trabalho, mas dentro do estatuto nós somos com 40 com 14 voluntários frequentes, né? para atender. A a Daniele explicou pra gente, né, que uma equipe atende uma família por um tempo, mas são quantas pessoas alcançadas pelo trabalho do crâni? É, são nessas 300 famílias que a gente atende, isso chegam a quase 2.000 pessoas, uns 800 a 900 crianças adolescentes. Depois às vezes a a a própria, por exemplo, a mãe acaba sendo atendida, idosos. Então, no total aproximadamente umas umas 2000 pessoas. É muita gente sendo impactado, né? É muita gente. E a maioria hoje você sentiria que o CRAM conseguiria até eh oferecer consultoria para outras osques que precisassem desse desenvolvimento, dessa noção mais estratégica? Sem dúvida. A gente já fez qualificação para várias outras entidades que usam. A gente como como a Daniele falou, isso é marca registrada de Campinas, CRAM é marca registrada. a gente ainda não estabeleceu uma, qual seria melhor a estratégia para abordar essas outras entidades que também fazem um bom trabalho em outras cidades. Eh, e o CRAMD já por muitas vezes ele presta serviço de qualificação das equipes, né? Porque o noow que a nossa equipe tem, sejam eles os psicólogos, os assistentes sociais e os educadores, eles eles acumularam muita experiência e eles podem podem dividir, multiplicar esse noralo. E como a gente já falou, então hoje vocês têm estrutura, expertise para crescer com mais recursos, vocês poderiam atender mais pessoas e existe demanda reprimida, né? Sem dúvida nenhuma. Sem dúvida nenhuma. Cidade de Campinas. E isso faz parte do nosso plano geral estratégico. Uhum. Então, querem crescer, a gente gostaria que não precisasse realmente, né, que fosse um uma outra demanda, que fosse uma academia, que fosse uma outra coisa, né? Mas ainda precisa, infelizmente, e tem que ter esse apoio da sociedade também para poder expandir, né? Exatamente. Veja, quando a gente fala em maus tratos, eh, a primeira coisa que a gente vem vê na vem na nossa mente é um abuso sexual, é uma surra, um espancamento, mas a gente vivencia muitos problemas a começar por negligência. Então, crianças que são colocadas no mundo e são negligenciadas com relação à saúde, com relação à educação, com relação alimentação, alimentação. Então, eh, são seres humanos indefesos, né, que são colocados no mundo e são negligenciados e geralmente essa negligência é são dos pais. Então, a o maus tratos começa com negligência. Uhum. E às vezes está do nosso lado, né? Às vezes a gente acha que negligência acontece só lá na periferia, não. Mas negligência existe em todo lugar. É, é, seria um maustrato, uma maiva e ativa também, né? Exatamente. É. Aí é uma um ponto importante que você tocou e eu ia até perguntar é sobre isso. A gente tá vincula muito as regiões mais periféricas, onde as pessoas não têm informação, eh não tem acesso a equipamentos públicos com facilidade, mas isso acontece em todos os níveis sociais, classes econômicas e vocês atendem a todas as pessoas. É, nós atendemos hoje eh a região leste, que tem aqui onde nós estamos, né, atrás da Ípica. um traz o shopping, eh, tem Souzas, Joaquim Egílio, que são bairros eh nobres da considerados bons, né? Considerados de de classe média para cima, mas atendendo também a região noroeste, que é que é um um são bairros mais periféricos, mas os problemas acontecem por diversos motivos, inclusive, né? E do nosso lado, sim. Bom, a maioria agradeço demais você ter compartilhado sua história com a gente. Eh, sucesso, né, na sua gestão, que o CR possa realmente cumprir esse papel e ampliar os seus serviços enquanto for necessário, né? Nós que agradecemos. Reforçando o que a Daniele falou sobre a nota fiscal paulista. Eh, quando a gente cadastra a entidade, a entidade, você basta quando for no supermercado, fala o seu CPF para gerar a nota, o o recurso vai automaticamente da da captação daquele ICMS que foi arrecadado por aquela por aquele comércio e vai direto diretamente pro crânio numa relação muito maior do que viria pra gente. Então isso é uma forma de ajudar sem colocar a mão no bolso. É, não é honerado, mas tá ajudando e muito, né? E muito, sem dúvida nenhuma. Maravilhoso. Muito obrigada, Mauri. Obrigado para vocês. Obrigado pela oportunidade. Obrigada. E no próximo bloco a gente vai saber um pouco mais das atividades que acontecem, como é que as pessoas chegam até o crame. Não perde, a gente volta já já. [Música] Volta pro segundo bloco do mão Solidárias de hoje, falando do Centro Regional de Atenção aos Maus tratos na infância, o CRAME, que funciona há 40 anos na cidade de Campinas, trabalhando com a violação dos maus tratos a crianças e adolescentes. Agora a gente vai falar com a Alessandra Saldenha, que é coordenadora, e vai explicar como é que as pessoas chegam até aqui, que atividades acontecem. Muito obrigada, Alessandra, por receber a gente aqui na sede. Prazer é nosso de estar recebendo vocês e o quanto é importante a gente poder divulgar, falar um pouco desse nosso trabalho no CRAM, né? Nós estamos aqui há 40 anos, né? Então, os casos no CRAM como chegam hoje? Eles chegam através do Creas, né? O Creias, ele tá ligado diretamente à secretaria de assistência, né, que é o centro de referência especializado da assistência social. Dentro de lá, eles fazem triagem dos casos que chegam. Então, dentro dessa triagem, esses casos são encaminhados para as instituições, né? Fora o crâmio, a gente tem outras instituições também que desenvolvem o trabalho na média complexidade. Então, cada equipe aqui que a gente trabalha, assistente social, psicólogo e educador, eles trabalham com 30 eh famílias. Dentro dessas 30 famílias, uma família aí às vezes chega com 10 pessoas, com 12. Então, uma família a gente tem esse número aí. Então o CRIAS ele encaminha pro CRAM e isso o CRAM ele só recebe quando ele tem uma vaga dos 30 casos. Então eu preciso ter vaga para receber um caso. Eu não posso ter o caso 31 hum na minha planilha porque nós somos pagos por por receber 30 casos cada equipe. Então os casos chegando, então eles chegam para coordenação técnica, né? Nós temos duas coordenadoras técnicas, uma na leste e uma na noroeste. Elas recebem esse caso, né? Elas fazem leitura, elas tomam conhecimento do, né, o motivo que o caso chegou e aí eles elas encaminham pra equipe, né, para assistente social, pro psicólogo, pro educador. Hoje eles chegam através de e-mail, não vem mais o físico, porque antigamente a gente tinha muito físico, então vem aquela tonelada de papel, então hoje vem, né, toda a parte física. E aí ela senta com essa equipe para fazer a leitura, para fazer o direcionamento, o que que eles entenderam ali da entrada do caso, né? Dentro desses casos, então vem violência física, negligência psicológica, eh violência sexual, tem chegado também bastante pra gente, vem os casos de da mulher vítima de violência, o idoso, né, a criança com deficiência. Então a gente acaba atendendo como um todo essa família quando chega. E aí eles sentam e eles vão pensando, né? Ah, eu vou primeiro pra visita. Ah, não. Primeiro vamos fazer uma reunião com a rede para entender o que que essa rede tá trazendo, o que que está falando dessa família. Então, a equipe em si, ela tem a liberdade de ver qual que é o melhor melhor trajeto ali naquele momento a seguir com aquela família, né? Dentro dessas famílias, já que, né, das 30 famílias. Então, tendo as 30 famílias, a gente tem as atividades que a gente desenvolve, né? Então, eh, eu tenho visita domiciliar, né, que todos os técnicos têm duas duas vezes por semana o uso do carro manhã e tarde. Então, ele tem que, né, tem que fazer essas visitas para as 30 família. Eu tenho o atendimento social, que às vezes só o assistente social senta para fazer aquela avaliação social, para ver o que que a família tá precisando ali. O atendimento psicossocial, né? Porque os nossos psicólogos, eles não podem atender fazer o atendimento clínico, então eles fazem um atendimento psicooccial com a família, né? Aonde eles vão também avaliar ali junto com o assistente social, com o educador, o que que precisa ser feito com essa família, né? o que dá para fazer os encaminhamentos necessários para essa rede, né? Essa rede da educação, da saúde, a saúde mental, né? Que a gente tem bastante casos que as famílias precisam ser encaminhada paraa saúde mental, no caso os CAPS, né, que a gente tem em Campinas. E aí tem as oficinas. Então, eu tenho uma oficina de balaio de memória, que é uma é uma oficina para idosos, né? eh onde o educador, o assistente social, o psicólogo, eles saem para visitas, eles vão até esses idosos e fazem uma entrevista, como nós estamos fazendo aqui, onde o idoso conta um pouco da sua história, onde o idoso conta como, né, como está sendo hoje, as dificuldades que eles passaram lá atrás e qual a diferença de hoje. E aí esses essa comissão que acaba sendo, né, o assistente social, psicólogo e educador, eles vão registrando dentro de um período, porque a gente, né, fica com essa família por um período. E aí eles eh já fizeram livros com os idosos, já fizeram eh eh vídeos, né, que a gente tem no YouTube falando, né, dessa história do balai de memórias, tudo. Então isso com os idosos aí eu tenho com criança e as mães que é o fazendo arte, que é onde a gente trabalha com a mãe e com a criança junto, porque a gente teve muitas mães trazendo que assim, a criança não fica quieta, ela só dá trabalho, a escola me chama toda hora. Então criou-se essa oficina fazendo arte da mãe com a criança, aonde eles trabalham atividades lúdicas, atividades artísticas, esporte também, né? Às vezes sai, faz um pedaço ali, jogam bolas as mães junto com as crianças para ver essa dificuldade mesmo que essa mãe tem. Será que é essa mãe que tem dificuldade? Essa criança, né, que não realmente precisa de um atendimento maior ou essa mãe que precisa, né, desse outro atendimento por não conseguir tá dando conta desses filhos? Mas aí são com as crianças. o grupo de adolescente também que acontece, né? Acontece toda semana aqui, toda terça-feira à tarde e na noroeste acontece toda segunda-feira, né, quinzenalmente lá. e aonde é feito também atividades com os adolescentes com temas, né, relevantes que a gente precisam ser trabalhados, conversados naquele momento, né, e os adolescentes também trazem um pouco desse dessa vontade de conhecer outras coisas, de conversar, então fica bem aberto também com os adolescentes, né? A gente tem um grupo interativo aí de mulheres e homens também, que é o grupo Viver Bem, onde o início era só mulheres. E aí a gente viu que a gente também tinha homens, pais responsável por essa família que, né, pai solo também, né, a gente tem as mães solo, mas a gente tinha esses pais responsável também e a gente chamou na qual eles também participam dessas atividades, né? Então vem, traz em temas também que a gente precisa trabalhar, às vezes questão de emprego com uma dificuldade, não consegue, como que faz o encaminhamento. Então a gente trabalha, trabalha também a questão de ah, como ir para uma entrevista de emprego com eles que apresentam essas dificuldades. Nós temos o jugitsu, que acontece somente na região noroeste, né? a gente usa um espaço cedido lá que é o Céu Florense e lá a gente atende tanto o público do CRAM como a comunidade porque a gente tá usando o espaço emprestado. Então a gente fez essa parceria com o céu e são a gente no início só tinha crianças e adolescentes. Hoje a gente conseguiu abrir mais um dia. Então a gente faz de quarta e quinta lá o jitso e aonde as mães e os pais também tão indo, né, para fazer, né? Então às vezes eles falam: "Ah, mas é que meu filho tá na escola, posso vir nesse horário então pro jitos?" Então a gente conseguiu trazer. Então a gente também tem esse público adulto também fazendo parte e sempre a gente eh trabalhando com eles essa questão do jito social, né? Não mais não a questão somente da luta, mas a questão social mesmo, como que a criança pode se defender, né? Então a gente tem um número bem grande de crianças e adolescentes e acho que é a oficina que dá um boom maior, né? E e aí a gente tem o educador que no caso que cuida dessa parte, né? Ah, mas dentro do jitso, mesmo sendo da comunidade, trouxe uma demanda, tem essa troca com, né, com a o pessoal que fica lá, o Cras, que também fica no no espaço ali, de levar para eles, olha, essa pessoa da comunidade trouxe essa demanda, né? O CRAM não consegue porque a gente consegue atender somente os que chegam pra gente, né, que são aí as 30 famílias, tudo, mas a gente não consegue atender o outro, né? Aqui a gente tem muita demanda espontânea da comunidade que vem aqui, então a gente atende, a gente orienta e encaminha aonde a família precisa ir, mas nós mesmos não podemos atender, né? Ou seja, é um braço que o poder público não consegue, né? tá mais do que provado já tanto pela expertise que é um processo, né? São 40 anos fazendo isso, tanto pela questão de recurso, de estrutura. Então essa parceria é muito necessária do terceiro setor, né? Às vezes as pessoas não têm noção do que o terceiro setor impacta para principalmente as pessoas que não têm condições de de acessar os serviços, né? muito. E e aqui acho que o número de demanda eh essa demanda que bate aqui no CRAM é bem maior do que lá na Noroeste, né? Eu acho que hoje o espaço que nós estamos na Noroeste, a comunidade é um pouco diferente e aqui já não. Aqui a comunidade reconhece os nossos espaços e bate mesmo. Eles batem para pedir informação, para pedir uma ajuda, uma orientação, né? Então, ultimamente tem chegado bem próximo daqui, porque a gente tá com o centro de saúde que agora inaugurou, né? vizinho nosso ali na esquina descendo. Então eles batem aqui para saber informação o que que é o crâme, que que tá fazendo. Então acho que assim a gente começa a aumentar também uma parceria aí, né, dentro da região leste, mas na noroeste também a gente tem um, né, tem a gente tem de 210 famílias lá, né, então chega aí em torno de umas 800, 900 pessoas passando pelo Crâme, alcançadas. Alcançadas. E vocês trabalham muito também com essa escuta do que vem, né, de qual é a necessidade. E a partir disso vocês vão pensando na estratégia. É quase uma alfaiataria social. Isso sobre a estratégia é sobre demanda mesmo, sobre a demanda que chega, né? E a demanda nossa e ela é grande que a gente sempre conversa para dentro da equipe nas reuniões, né, nas supervisões que a gente tem de que eh nunca chega um caso bom pra gente, né? quando chega é sempre um caso assim, vamos cuidar, vamos, mas nunca tem. Porém, tem casos que saem com sucesso, né, que a gente consegue reconhecer de, né, quando aquela família ela vai, como a gente fala, para ter alta, né, do serviço, é uma família que a gente conseguiu, né, ressignificar aqueles vínculos, a gente conseguiu trabalhar, né, e pra família seguir e ter sucesso. Tem casos que a gente a gente nem precisa eh encaminhar novamente paraa proteção básica, porque a família vai dar conta, né? Agora tem casos que a gente reencaminha novamente pra proteção básica para voltar a cuidar daquela família. É, é muito, é um trabalho realmente de formiguinha, né? E as famílias ficam em média quanto tempo com vocês? Por volta aí de uns do anos. Uns dois anos. Isso. E aí vocês sentem que esses dois anos é um tempo? É, para algumas famílias a gente avalia que sim, né? Que conseguiu, mas tem famílias que às vezes a gente fala: "Não, ainda não dá, precisa de um tempo maior". Aí estende um pouquinho isso, principalmente quando a violência vem maior, né? A violência física, né? Negligente, a gente sabe que assim, a negligência ela é grande também, né? A gente trabalha com essa questão, a gente tem um cuidado muito grande, até mesmo quando discute casos, casos de negligência, que às vezes não é caso já de acolhimento, porque aquela mãe não tem uma cesta básica, não tem uma comida, não, não é um caso, né? Vamos trabalhar, vamos ver o que que a rede pode dar de suporte ali. Mas tem casos que nem a violência física, onde às vezes a criança chega a marcar da mulher, né, que aí o trabalho é maior, né, o atendimento tem que ser, né, aquele atendimento que poderia ser uma vez por semana, não dá, às vezes é três vezes na semana que eu preciso atender aquela família. Então, das 30 famílias, a gente sempre fala que tem, né, o equilibrismo do prato, porque você tem uma aqui, tá, deixa rodando e vamos paraa outra, né? A gente vai rodando, porque assim, ao mesmo tempo que ela tá tá tranquila, outras não estão, outras não estão ou ela volta com alguma coisa, com uma demanda maior, né? Então a gente faz e assim, né, de segunda a sexta a gente, né, tá aí atendendo essas famílias, né, eh, os contatos telefônicos acabam sendo aí diário com elas também para saber, né, o atendimento presencial também é muito importante. Então, a gente pede para essas famílias virem para conhecer o nosso espaço também, o nosso trabalho, né? A visita domiciliar ela se torna importante, porque às vezes quando eu faço o contato pelo telefone, tá tudo bem e a hora que eu chego no presencial, eu vejo um outro olhar, eu vejo uma outra realidade. Então a gente trabalha muito com isso. Eh, a não dá para ficar sem fazer visita para Samiras. Você tem que fazer, né, pelo menos duas visitas para que a gente possa ver, né? A gente teve esse retrato da pandemia onde as famílias ficaram para dentro e a gente não conseguia ter esse olhar para ver, né? Então, quando a gente retorna é, né, com esse daí é o atendimento presencial, vamos convidar, vamos chamar para vir, né? E também tem as eh a gente também eh tem a os parceiros que, né, contribuem com doação de cesta básica, né, pra gente entregar para essas famílias, né, que contribui aí a gente teve uma festa junina que, né, teve um parceiro grande aí que bancou a festa junina pro CRAM e a gente pôde atender essas famílias, né, fazer alguma coisa diferente, porque tem famílias que não sabem. Às vezes a gente chama eh dentro das oficinas, vamos fazer um lanche diferente. Eles não sabem o que é um lanche diferenciado, o que é uma Então a gente cuida muito disso, né? De trazer essas famílias para aqueles que conheçam realidades, né? Eh, tanto as crianças, os adolescentes, a gente faz passeios também com eles, né? Tem família que não conhece o bosque, né? Que tá lá na região noroeste, não sabe o que é o bosque, não sabe o que é lagoa coral. Então a gente faz, né, esse contra essa essa parceria, a gente procura parceiros que possam também nos contribuir para que eles possam conhecer, porque às vezes nem eu tenho famílias que estão lá no Bassole, que a gente levou paraa Lagoa Taquar, que falou: "Eu não sabia que isso existe, eu não sabia que existe isso em Campinas, que eu posso trazer meu filho no final de semana". Caramba, né? Então são famílias, a gente tem famílias assim de da classe A até a classe C aí bem diferenciado que não conhece. E a gente tenta fazer essa, né, essa vivência, ouvindo você falar assim, parece quase uma prática de ensinar a viver mesmo, né, as famílias, como é tanto na questão estrutural quanto na questão emocional, né? Sim. Alessandra, a gente falou então das oficinas e a gente acompanhou então a oficina de Gigits, vai compartilhar com o pessoal como é que é a importância desse trabalho e a gente já volta. Professor Alexandre Alves é meu xará, né? Ele é o professor educador social do CRAM e há 9 anos tá com projeto de jitso aqui no CEL Florence. Vai contar pra gente que é um sucesso, né? teve que ampliar a turma, abriram paraa comunidade e todo mundo caiu para dentro do tatame. É isso. Eu acho que foi uma das questões que o CRAM identificou, né, junto com a sua equipe de educadores, psicólogos e assistentes sociais, a esse tão vasto que é esse território da Noroeste e todas as vulnerabilidades. pensando nessa estratégia de como ofertar para essa comunidade uma atividade que não tem no território, que seja gratuita, que favoreça o acesso, a gente pensou no Jitso como uma estratégia de intervenção para falar de violência, falar de diversidade, falar de bullying, falar dos aspectos que acometem a nossa população, principalmente a população periférica desse território, né? E dentro desse espaço, eh, a gente tem um público diverso, de crianças de cinco, adultos, mães, pais, tem avós que estão vindo fazer atividade com seus netos também pensando que o tatame é o o grande ponto de encontro para melhorar as relações, olhar para aquilo que não tá dando certo e fortalecer aquilo que também tá dando certo, né? Eh, também explorar um pouco dessas potências que estão guardadinhas, né? Sim. E o que que a arte marcial traz para quem pratica? Eu sei que não é só para dentro do tatame, né? Vai muito além do tatame. Uma das coisas que a gente fala muito aqui, que é um jitos para além do tatame, né? Um jitos paraa vida. Então aspectos como organização do espaço, né? Cuidado do espaço. Então hoje essa turma chega, eles mesmos montam os tatames, eles limpam, eles cuidam. Se você observar, tem todos os chinelos organizados, uma regra muito simples dentro do também não se fala para palavrão. Então é algo que aos poucos a gente vai conseguindo modificar. E um dos detalhes também que a gente já logo de cara, para quem vem pro nosso espaço aqui, pro nosso projeto de jugits é a questão da higiene. Então a gente vai, é uma das primeiras regras, cuidado com com a higiene e ao longo do processo a gente vai podendo trazer essa família para esse espaço, para poder olhar o que que tem de bom dessa criança que às vezes tá muito eh eh esquemmatizada ali, né, um garoto problema. E a gente traz e tenta reverter um dos aspectos que a gente tem uma boa interlocução com a escola. Então, a gente recebe muitos encaminhamentos da escola pro espaço do jugito, eh, tendo a a possibilidade desse garoto ou dessa garota ou desse participante eh refazer a sua relação com o espaço escolar, que às vezes estava um pouco difícil, vem pro tatame, consegue controlar os seus impulsos. um dos aspectos que é da questão da saúde mental, muitas muitos meninos e meninas com questão de ansiedade, transtornos do sono. E dentro desse aspecto, o jitso vai dar essa essa boa condição para que melhore, né? E ao longo do do processo, a gente também vai vendo os impactos que é para dentro da família, melhora a relação com o pai, melhora a relação com a mãe, com as pessoas que são de liderança, que é uma das questões que a gente trabalha aqui com as temáticas durante todo o ano. É o poder do tatame, né? Poder indireto do tatame, né, professor? Exatamente. Eh, a gente faz coisas maravilhosas, brilhantes dentro desse espaço e com um recurso muito simples, que eu acho que é uma iniciativa, é uma ação muito afirmativa que o CRAM vem investindo em cima disso e tem colhido muitos dos frutos que essa molecada que hoje sai daqui, vai pra faculdade, vai pros cursos técnicos, né? Eu eu falo que o o jitso aqui é um grande banquete, vem se serve um pouquinho, se alimenta, se fortalece, né? fica mais confiante paraa vida e vai paraa vida. E o legal de estar 9 anos no mesmo horário, no mesmo espaço, que ele pode ir e voltar o tempo que quiser. Um espaço aberto sempre. Maravilhoso, né? E a gente vê que as mães, os pais e as mães, elas torcem muito junto, inclusive praticam às vezes, né? Exatamente. Eu falo que é uma das um dos termômetros é saber que o Jites invadiu a casa das famílias, né? Eh, a mãe se preocupando, olha, você hoje tem dia de treino, professor, meu filho não vai conseguir hoje porque tem tal compromisso. Então, essa comunicação é sempre muito direta, né? E os impactos também. Nossa, professor. Eh, eu tava desistindo do meu filho e com o Jits eu vi que eu mudei a minha ideia. Hoje eu tô investindo mais no meu filho a partir de uma de uma estratégia metodológica dentro de um território vulnerável que é o jugito. Eu tô a vi meu filho de uma outra maneira. Então, coisas brilhantes que a gente tem que essas mães, o trabalho eh com elas também é muito significativo. A potência que elas devolvem para dentro desses para dentro do tatame e torcendo pros seus filhos, fazendo vamos lá, você consegue sair dessa posição, não aceite, né? Isso é são palavras de incentivo ao longo do tempo. Isso fortalece muita autoestima, né, para essa molecada dar muita confiança para que eles estejam no mundo, né, fazendo faculdade, fazendo curso técnico, trabalhando, se relacionando de uma forma mais saudável com as pessoas e o e se alimentando um pouquinho do que o juízo tem de melhor para entregar para esse povo, né? Virou um mantra, né? Então vamos ver um pouquinho como é que é. Vamos, vamos embora. Vamos mais um pouquinho. Acho que vai. Fica atento aí, gente. Tem mais, tem mais. Agora a parte da graduação, que é o processo de reconhecimento do da evolução de cada um, que não é só evolução para dentro do tatame, né? É uma evolução para fora dele, pra vida. Então, como que tá na escola? Eh, como que tá em casa, melhorou? Tá ajudando mais? Tá sendo mais participativo? É professora que de tempos em tempos bate aqui para conversar, né? Então, a o jits é uma é um grande ponto de encontro para todas para todos os serviços do território. Centro de saúde encaminha a pediatra encaminha as crianças para cá que precisam fazer uma atividade física que tá com questão de de sobrepeso, de ansiedade, tá com dificuldade de se regular e o Jits tem essa ferramenta para entregar para esse povo. Obrigado. Estamos junto. Valeu. A Silmária Mesquita é mãe aqui de dois praticantes de jitso, mas ela também praticou, por isso que ela fica ali, ó, inquieta, torcendo para todo mundo. É isso mesmo, Silmara. Chegou a praticar um pouquinho? Eu fiquei, eu acho que mais quase três anos com o Maribonda no projeto aqui. E que que você achou do projeto? Foi bom? Por que que você parou? Teve que parar, né? O projeto é maravilhoso. É maravilhoso. Assim, eh, é autocontrole, né? A gente entra aqui, a gente acha que não consegue. Aí depois a gente vê que consegue, a gente vê que pode ir além. É isso. Todo mundo tem o seu nível de jito. É só começar. É. E como ele ensinou hoje e você também fazia. Também fazia. Conta pra gente como é que você gosta de praticar, porque que você deu uma paradinha. Eu teve umas paradinhas para fazer alguns e eu já derrubei o professor uma vez. Como é que foi essa emoção? A gente tava lá na outra sala, ele tava treinando comigo, eu tinha derrubado ele. Você gosta de Gil? Amo. E na escola te ajuda assim a ficar mais tranquilo, mais concentrado? O que que você achou que ajudou assim a ficar mais calma? Mais calma. E você fez amigos aqui? Fiz. Os amigos que era da minha mãe virou mês, virou amigo de todo mundo, né? É, recomenda jits para todo mundo. Então, sim, independente se é aqui no projeto social ou fora, pratique. Além de ser uma defesa pessoal, eh, como o professor sempre ensina, a gente é autocontrole, é convívio, é, é pra vida. É pra vida. É um estilo de vida. É um estilo de vida. Gilitso, obrigada. Eu que agradeço, Alexandro. A Andreia também é mãe do Artur que pratica jugitso e ela já tá sendo picada pelo bichinho, já tá querendo vir pro projeto também, né? Conta pra gente. Eu gosto muito do projeto. O Artur se desenvolveu bastante, né, que o professor é ótimo, mestre bom. Ele era uma criança que não tinha muito contato e como é uma luta de contato, ele tem mudado muito. Foi muito importante para ele. É um amadurecimento emocional também, social. Muito, muito bom mesmo. Foi. Tá praticando há quantos anos? Ele vai fazer dois anos já do projeto. Então já dá para ter um bom parâmetro aí, né? Já já tá tá até mudou de faixa, já tá com a faixa laranja, que é a última da categoria dele da idade, né? É um orgulho pra mãe, né? Muito orgulho. Tenho muito orgulho. E ela tava ali assistindo, mas tava participando, né, dando um toque daqui e vibra junto, de repente vai fazer parte do projeto também. Sim, eu sou aqui mais do trabalho que eu tenho a dificuldade de estar olhando e é empolgante também, né? Fica imparcial é difícil, né? Não tem como. Você participa. Obrigada, Andreia. Obrigada. Nada, viu? Sofia, você estava lutando bravamente no tatame. Eu vi. Conta pra gente quanto tempo você pratica jit, se você gosta. Já tô vendo por esse sorriso lindo aí que você gosta muito, né? Eu pratica quanto tempo? Hum, não sei. Eu acho foi já 2 anos, 3 anos por aí. E você gosta? Conta pra gente. Hum, eu gosto muito porque ele ensina como ficar forte. Depois eu venho aqui falar com o pro, né? Aí ele fala que vai ter luta. Aí eu amo de lutar. É, aí quando eu luto, é eu venço todas as batalhas. E aí você participa de campeonato já ou ainda não? Ainda não. Ainda não. Mas tá se preparando para isso? Tô. E as meninas são legais do Gil? Sim. E você quando você vai lutar, você se concentra naquele momento, esquece tudo em volta. Sim. E só ouvindo as dicas do professor, né? Sim. Obrigada, Sofia. De nada. Então, tchauzinho pro tio. Você sente quando você tá praticandoits gosta? Que que você já aprendeu de legal? Eu me sinto mais leve e eu gosto de fazer. Eu já aprendi muita coisa aqui a a ser amado, amar as pessoas e também não fazer isso nas escolas e se proteger também. Se proteger também. E fez amizade. Como é que é a galera do Gil? Eu fiz amizade. A galera do Gil é bem legal também. E o prof é legal? Ele te dá um incentivo, te corrige quando precisa corrigir? Como é que é? Professor muito legal mesmo. Ele sempre me ajudou e sempre falou para mim dar o meu melhor. Então vai levar isso aí pra vida, né? É maravilha. Obrigada. Tá. De nada. Víor pratica um tempo já e vai falar pra gente o que que ele acha doigo, do projeto, da galera, né? Que que você acha disso tudo, Víor? Muito legal. É, cada um tem um apelido. É, o meu é Bob Esponja e é muito legal, cara. Porque assim, quando eu chego em casa, eu chego eh cansado, eu dormo muito bem. Antes eu não dormia, agora eu tô dormindo ótimo. E por que que é Bob Esponja? Fiquei curiosa. É porque no dia que eu cheguei no aqui, eu eu o professor me chamou de B esponja porque meu cabelo tava no formato de quadrado, aí pegou e nunca mais soltou o apelido. Aham. E que mais que você gosta aqui no Gil? Você aprende a se concentrar mais? Porque quando tá no chão dá para pensar em mais nada, né? É verdade. E você já lutou com vários colegas ou eles sempre separam por nível de faixa? Como é que é? É, é legal. Eu luto. Tem que praticar já aqui no tatame, né? E você pretende competir mais pra frente? É, sim. Experienciar, né? Uhum. E na escola te ajuda o Gil, você fica mais tranquilo, dorme melhor, né? Você contou pra gente. É, eu eh eu fico muito mais feliz lá na escola. Eu estudo muito. Muito bom, né? Uhum. Aconselha quem tá assistindo, se tem vontade, vai pro Gil. É, aconselha, né? Aham. Obrigada. Tá, Vitor, tá. Tchau. Então, a gente viu a importância dessas oficinas, como você disse, né? até os pais se interessam em frequentar, porque para quem não tem nada, o que chega também é muito de valor, é muito interessante e as pessoas abraçam isso com vontade, né? Para quem quiser acompanhar, eu queria que a gente repetisse então o site, o Instagram para poder acompanhar o trabalho, ajudar da forma que for possível, né? Isso. Nós temos nosso site que é o CRAM Campinas, né? Eh, acessar lá. Ele tem, né? tem toda a nossa história, tem todos os projetos que nós fizemos, que estamos fazendo, né, o nosso trabalho, né, pelo CESF também, né? Então, conta também, né, do nosso apoio aí que a gente faz, né, as as os dois eventos grandes aí, que é a feijoada, né, e o a festa alemã. Isso que são du, né? São duas eh eventos eventos chefes, né, do Cram. Então tem lá, tá tudo divulgado, tudo, até a última que aconteceu em maio, já tá atualizado, tem fotos, tudo. A gente também conta com o apoio das pessoas pra nota fiscal paulista, porque eh é um dinheiro que hoje, né, pra pessoa física não tem muito, né, é recebe muito pouco em troca, mas pra instituição isso, né, nos ajuda muito, porque é aquela contrapartida onde a gente vai fazer uma reforma, que a gente vai comprar alguma coisa, até mesmo às vezes ajudar pras oficinas, que às vezes a gente não tem a cobertura 100% aí com a secretaria de assistência dentro dos projetos, né? E tem o site, tem a nota fiscal paulista, Instagram, o Instagram também que também tá na rede, tá tudo divulgado lá, né? Aí dá para vir pros eventos e ajudar. É, o Crâ agradece muito e acho que assim, uma ajuda sempre é de bom coração. A gente recebe, a gente dá devolutiva de tudo que a gente recebe de doação, tudo a gente sempre, né, dá uma devolução pra pessoa, falando para onde foi, o que que a gente tá utilizando. Mas é muito importante sim ajudar, realmente. Obrigada, Alessandra, por compartilhar com a gente. Agora a gente vai falar um pouquinho com a Fernanda para saber desse atendimento a miúde aí psicológico, né? ela vai trazer aí para vocês um pouquinho também. Obrigada. Obrigada a você. E agora a gente vai conversar então com a Fernanda Torres, que é psicóloga aqui do CRAM, e vai explicar pra gente como funciona esse desafio de chegar até a casa das pessoas, entrar na vida das pessoas num momento que geralmente é delicado, né, Fernanda? Já agradeço também pela sua participação aqui com a gente no Mão Solidárias. Obrigada. Obrigada pelo convite. É importante, né, assim, o trabalho que a gente desenvolve. Quanto mais externalização, melhor, né, para compreender. Eh, é complexo, né? Muito complexo mesmo. Bom, falar um pouquinho, né? O trabalho é um serviço especializado de proteção social à família, né? Eh, dentro do SUAS, que é o Sistema Único de Assistência Social. Nós somos um equipamento complementar do CREIA. Então, logo, eh, todas as inclusões das famílias vem a partir dessa referência do Creas, né? Eh, quando você fala da complexidade, eh, de fato, assim, é um trabalho que diariamente a gente precisa pensar com muito cuidado, com muita ética, técnica, né, sobre como eh chegar nas famílias mesmo, né, porque não é um trabalho, eu costumo dizer que as famílias elas estão aqui involuntariamente, né, elas não estão porque elas querem. Sim. elas estão porque houve alguma violação, alguma situação que elas precisam desse acompanhamento, né? O trabalho do CESP, ele é de extrema importância, assim, geralmente eu eu também penso de que eh talvez tirar um pouco dessa centralidade só do psicólogo, né? Porque há uma tendência de que de que a gente fala, ai o trabalho do psicólogo, mas é um trabalho que existe porque tem uma equipe multidisciplinar mesmo, né? junto com o assistente social, da importância da educação social, porque é um trabalho que nós temos essa referência de equipe, então não é um trabalho da dupla, é um trabalho dessa equipe, né? Eh, então, tanto nos atendimentos, das visitas, o o CESF como um todo, ele tem por atribuição também, né, de ofertar grupos. Então, a gente tem uma estrutura, todos esses grupos são pensados dentro das demandas, né, do do que a gente vai identificando. Então, a gente atende de zero a 100, né, que que eu costumo dizer 100 mais, é mais é isso, né? Eh, de todo todas as violações, né? Acho que tem um trabalho histórico do CRAM e da grande referência também da violência sexual, mas a partir, acho que de 2014, se eu não me recordo, né, precisar, a gente inicia com todas essas essas violações mesmo, né, com todos esses públicos, inclusive. Então, a gente atende criança, bebê, eu digo, né, adolescente, pessoas com deficiência, eh mulheres vítimas de violência de gênero, idosos. Então é uma é um todo, né, de abrir. É muito. Você acha que a vulnerabilidade ela tá sendo mais mostrada, mais ela tá mais explícita, até porque a gente tem rede social, então hoje todo mundo fica sabendo de tudo, basta uma publicação e aquilo ali a gente não sabe onde vai parar ou aumentou mais. Eu penso que o acesso é diferente, né, assim, talvez na época da minha avó, né, assim, que talvez tivessem outras outras informações, outro acesso a tudo isso, né, eh, não se tinha muito essas essa divulgação, né, a própria estrutura da política de assistência, né, acho que a gente também vem numa construção onde os serviços eles foram eh eh se organizando, legitimando, venham numa construção política mesmo, né? Então isso faz com que os encaminhamentos, né, sejam mais diretivos mesmo, mais assertivos, eu diria. Então, eh, sem contar, né, a gente vê que qualquer coisa na na mídia tem uma uma super repercussão. Então, isso isso faz com que também a gente tenha muito mais acesso, né, a muito mais coisas, assim. Então, eh, houve uma qualificação dos serviços, então, para dar conta daquilo que chega e chega melhor e chega mais hoje em dia, é da política mesmo, né? Assim, da assistência social. Sim, sim, né? O CRAM ele ele chega antes até dessa estrutura mais organizada do EC. Então, a gente vem ao longo de todos esses anos num processo de legitimação mesmo, né, assim, dessas estruturas necessárias para que a gente possa atender toda essa violação, né, que sempre teve, né? Sim, sempre existiu. Sempre existiu. E quando você chega, eu eu penso, né, você falou, as famílias vêm involuntariamente, geralmente por uma denúncia, por alguma identificação, né, da violação. E como é que elas recebem lá? em loco. Vocês conseguem quebrar essa barreira? Com certeza. Sim, né? Há 40 anos fazendo isso, dando certo. Como é que é quebrar essa barreira? Ah, é, nem sempre a gente é bem recebido, né? E é compreensível. Uhum. Eh, e quando eu quando eu penso no trabalho que a gente faz, da importância de que a gente pense diariamente assim, como estruturar uma ação, eh, entendendo essas especificidades também, né? assim, quando as famílias elas chegam por esse por esse encaminhamento do CREAS, né, por alguma denúncia, seja da escola, do centro de saúde, eh, é até assim, é importante poder dizer isso de que qualquer sujeito pode fazer uma denúncia, né? Não é, não são só os serviços, então diz que tem canais que que a gente pode acessar isso, qualquer indivíduo, né? E aí quando a família chega, a gente geralmente tem alguns processos de trabalhos que a gente senta, faz a relatura, a a leitura desse relatório, né? Eh, e aí a gente vai pensando dentro a equipe de referência. Então, não é só o psicólogo, não é assistente social, mas o educador também. Então, sempre nós três, né? Uhum. E aí a gente pensa nessas ações, o que, qual vai ser a abordagem, se é necessário antes uma, um trabalho intersetorial, porque o trabalho do CES, ele não é, não pode ser solitário, né? A gente faz um trabalho além dessa multidisciplinaridade das da dos indivíduos que trabalham aqui, dessa intersetorialidade, né? Então, a gente faz essa articulação com a educação, com a saúde, eh às vezes até antes de fazer uma visita pra família. Então, depende muito desse caso, assim, do caso especificamente. Eh, já teve situações, a gente fazer visita e a família fala: "Olha, eu não quero que vocês venham, eu não vou falar com vocês, né?" E a gente tem que repensar sobre como é como será essa abordagem. Eh, às vezes a gente demora, é difícil precisar, né? Mas eu diria assim, não vai ser na primeira, na segunda, na terceira visita domiciliar, né? Então isso depende muito de como também essa receptividade, né? Eh, na maioria das vezes, eu diria que a gente pensa em possibilidade de tentar quebrar um pouco, né, essa resistência assim, porque é natural, né, gente? A família ela já tá fragilizada por toda a dinâmica, né, do que que acontece. Daí chega pessoas que ela nunca viu e aí e a gente não costuma, eu eu brinco assim, né, que a gente não costuma chegar ditando regras, porque a gente precisa entender também, né? Então, há uma sensibilidade assim desse dentro desse trabalho que é diariamente também a gente pensar sobre o nosso juízo de valor, porque é muito é muito tênue, né, assim, de você ver uma situação de uma violência sexual com uma criança e de repente você vai fazer visita com a genitora e o abusador tá no mesmo espaço. Então, é um trabalho que desafia a gente diariamente também, né, com a nossa com os nossos próprios monstros. Sim. É porque eh eles precisam sentir essa escuta sem o julgamento para poder quebrar essas barreiras e tudo mais. E eu queria que você contasse um caso pra gente de como foi do começo até o fim. Tem algum caso que você tenha se destacado e que você fale: "É, realmente essa essa metodologia foi bacana, deu certo aqui?" Uhum. Eh, tem números, né? Que bom, né? Eu poderia ficar aqui o dia todo assim conversando assim. Eh, tem um um caso assim que talvez seja que bem interessante numa perspectiva psicológica, né, de uma adolescente muito jovem, eh, que foi violentada. E tem uma questão, né, um ponto que que a maioria dos abusos é intra familiar por um tio e ela engravida e quando entra eh quando chega, né, paraa inclusão no CESP, eh já tava já tinha um envolvimento de outros serviços da escola, de um serviço de fortalecimento de vínculo que ela frequentava. Então, a coisa tava bastante intensa, assim, era recém descoberta a gravidez dessa jovem também, tinha uma irmã de duas irmãs, uma de sete, uma de 10 anos. Eh, e aí teve todo um processo junto com a rede, né, para pensar numa proteção imediata, porque nessa ocasião ainda eles moravam vizinhos e aí acontece o acolhimento dessas meninas. Eh, e aí eu eu prezo de como foi a continuidade, assim, de como a gente continuou acompanhando essa mãe, uma mãe solo, uma mulher eh pobre, preta, né, assim, da periferia. Eh, e aí a nós, né, como como CESP, a gente permaneceu no acompanhamento para fazer alguns algumas alguns redirecionamentos mesmo assim, né, do que ela entendia, do que tinha acontecido, sobre sobre o risco que as meninas, né, o motivo inclusive delas terem sido acolhidas. E foi um trabalho muito interessante assim, né, porque não é um trabalho rápido. Uhum. Não é um trabalho imediato, né? Às vezes a gente tem famílias que estão na terceira geração dentro da assistência social. Então como pensar em romper o que é essa violência, né? O trabalho do CESP é de poder fortalecê-los para que não se tenha essa essa esse rompimento, né? E aí nós ficamos em muitas articulações, né, com a com a rede nesses atendimentos, assim, na na reorganização inclusive financeira dela, né, do que era possível. E depois de 7 meses, relativamente pouco, né, eh, as crianças voltaram, o adolescente voltou paraa mãe e foi um trabalho que eu digo qualitativamente foi bem interessante assim, né, da possibilidade da gente reorganizar junto com essa mãe, né, de de outras compreensões também do que era violência, do que era desproteção, que ela estrutural também passava, né? Então foi um caso bem interessante, mas tem um monte de coisas. Tem o bebê e tudo. Teve o bebê assim, logo que volta para casa, aí vem outras demandas, né, assim, da da de recursos. Então a gente também foi mobilizando a essa mobilização, né, de tentar eh suprir uma necessidade que era urgente, né? Sim. Mas tem casos super desafiadores assim de de violência de gênero, né? de de mulheres que sofrem há 10 anos, enfim. Eh, mas há é no mínimo, né, assim, e tem uma rede, assim, eu entendo de que Campinas também tem uma uma estrutura que possibilita de que a gente faça esse trabalho mais interdisciplinar mesmo, né, da intersetorial, na verdade, é porque tem uma estrutura para quem é, né, de violência de gênero, para crianças. Então é é um trabalho muito coletivo mesmo, né? Pensando é um time, não dá para chegar sozinho de peito aberto, né? Você fala CESP são as as equipes que vão pra rua, pras visitas. É, CESP é o serviço especializado de proteção social à família, né? Então o CRAM ele executa, é um é um serviço eh complementar do CREIA. Então, eh, tem o CRAM, tem outros, outras osques, né, que também executam esse tipo de trabalho. E aí dentro do CF, hoje o CRAM, nós atendemos 210 famílias, dá muito mais de 12 pessoas, né, que tem famílias que têm mais filhos, outros menos filhos. E aí a gente faz esses atendimentos, eh, cada equipe de referência do psicólogo, assistente social e o educador social, nós atendemos 30 famílias. Uhum. Eh, e às vezes tem famílias que t filhos, outros, né, seis filhos. Então a gente que faz todos esses encaminhamentos pra rede, né, essa e essas discussões, essas organizações mais objetivas às vezes até de documentos, coisas mais eh que requer menos complexa, eu diria, né? Sim. Uma burocracia administrativa ali que todo mundo precisa fazer, né? E às vezes não sabe por onde, né? Hum. Ou seja, é um trabalho, cada cada família é um universo novo que você abre para vocês, embora com situações muito similares às vezes, né? Sim. Do fenômeno da violência, né? Mas é é interessante, né? Quando você diz isso assim, como a gente diariamente vai pensando mesmo nessas especificações mesmo, né? Dessa dessas unidades familiares. Eh, porque o atendimento que eu faço para uma família não necessariamente é o mesmo que eu vou fazer para uma outra família. mesmo que se tenha esse fenômeno da violência, da negligência, né? Eh, é um outro processo. Nós estamos falando de indivíduos distintos, né, de necessidades, que às vezes é muito parecida, né, estruturalmente, mas, eh, historicamente, né, é diferente assim. Então, pensar no nosso trabalho é pensar nos nossos processos diários, é pensar na nas nossas relações, assim, a partir do do que é possível para mim também, né, como como psicóloga. Eh, não é um trabalho psicoterapêutico, né? Eh, mas desse olhar dessa equipe assim que é muito muito relevante, né? Imrescindível. Sim. É um time mesmo que tem que ir junto para poder dar conta de tamanha complexidade. Sim, sim. Fernanda, agradeço demais você compartilhar a sua expertise com a gente pra gente ampliar nossos horizontes do que acontece na cidade, né? Uhum. Campinas tem muito realmente esse olhar assistencial e precisa ter mesmo uma cidade que cresceu muito, vem muita gente de fora, a gente já tinha as vulnerabilidades históricas aqui e a gente recebe também diariamente por ser uma cidade de grande referência de uma região metropolitana, né? Então, parabéns pelo trabalho de vocês e que vocês possam dar conta de atender mais e mais pessoas. a gente conversou sobre isso, tem estrutura, tem expertise que vem os recursos para que a gente rompa com esse ciclo de violência, né? Sim, sim, né? Constru um outro futuro, né? É da possibilidade, né? Assim, de muitos ressignificados, né? E de que a gente realmente assim eh entenda a importância, né? do do que é uma política de assistência social, assim, né, como do SUS, mas da essencialidade disso para as famílias, né, pra sociedade, uma sociedade saudável. É, a gente espera, né? É, é um trabalho de formiguinha. Muito obrigada. É, obrigada a você. E para você que assistiu esse programa, teve essa aula de assistência social, gostou, quiser compartilhar ou rever, é só acessar o YouTube da TV Câmara Campinas e buscar por mãos solidárias. hoje aqui no CRAM. Muito obrigada pela sua companhia e até o próximo sábado. [Música] [Música]