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[música] [música] [música] Olá, o mão solidária de hoje vai falar sobre uma iniciativa um pouco ousada. Não sei se a maioria conhece. Por acaso você já andou aí na sua cidade ou para quem mora em Campinas, no centro, e viu uma geladeira perto da Catedral Metropolitana, no caso de Campinas? Pois é, é o projeto Geladeira Solidária. E pra gente entender melhor como ele [música] funciona, nós vamos conversar com a Zita Crammer, que é uma das idealizadoras desse projeto. Hoje é a presidente. me conta como surgiu essa ideia de ter uma geladeira que pudesse oferecer alimentos para quem tá ali no centro da cidade, em especial para quem e vive em situação de rua. Surgiu de um uma amiga que me contou que ela mora na Inglaterra, né, que esse projeto já acontecia lá. [música] Aí quando eu pesquisei aqui no Brasil, eu encontrei na época uma que existia em [música] Valinhos, fui lá conversar com o dono, entender. E aí nós fundamos a Nossa, inicialmente num [música] bairro próximo eh da casa da minha mãe ali em Campinas. Ela ficava na área externa de uma farmácia. E [música] aí na época da pandemia a gente viu outra necessidade porque ali passavam moradores de ruas que iam no tratamento do CAPS e [música] a gente foi adaptando a outra necessidade, né? Mas como que é isso de pensar em ter uma geladeira, em dispor esses alimentos? Que tipo de alimentos vocês inicialmente pensaram? Quem foram as pessoas que entraram nessa junto com você? Me conta um pouquinho mais. Ah, sim. Então, despertou na gente essa vontade de ter a geladeira, de colocar em Campinas [música] também, de disponibilizar alimentos para os que eh precisavam passando na rua, alimentos prontos, [música] né? Aí nós fizemos uma reunião com a Anvisa para ver o que que poderia ser colocado. Então a gente entendeu que [música] não podia ser alimentos abertos, eh nada de bebida alcoólica e começamos a difundir no bairro quem podia disponibilizar um bolo, eh uma marmita, [música] uma refeição e quem passava pegava. Então era mais no quem tem para doar e quem precisa tá tá retirando, né? Depois disso, surgiu a necessidade de famílias que procuravam por alimentos para preparar em casa. Então aí a gente começou a visitar essas famílias e hoje nós temos em média 50 famílias que a gente também [música] disponibiliza a cesta básica. E a geladeira física mudou ali pra catedral, né, [música] em parceria com a Catedral de Campinas. E lá nós temos os guardiões que [música] uma vez por semana colocam alimentos, água, lanches, frutas, o que a gente consegue de doação. Sim. Então é quem [música] tem cois. Mas essa parceria lá com a igreja surgiu como vocês foram conversar com o pároco responsável ou ou como que foi chegar até a catedral? [música] Sim, porqueonde ela estava, né, depois da farmácia, ela foi para uma oficina mecânica [música] também ficando aberta 24 horas, a gente viu que a procura não tava mais por moradores de rua e que eles estavam a maioria lá no centro, né? Então a gente conversou com o padre Caio, se ele permitia [música] e ele também, como você falou na na abertura, né, foi muito ousado em nos permitir, porque tem muita gente que é inseguro, né? Sim. Quando a gente estava buscando um local para ela, então tinham várias pessoas, ah, não, vai me trazer problema, vai me deixar deixar [música] sujeira em volta, vai trazer mais moradores aqui, eu não quero, né? Então ele foi assim [música] bem corajoso em nos permitir essa experiência e que tem dado certo com muitos frutos, né? E lá dentro como é essa geladeira? Ela fica fora e depois à noite ela é guardada, ela fica aberta 24 horas. Como essa logística? Isso. Ela fica a assim que a igreja abre, coloca ela para fora e quando fecha as portas coloca ela para dentro. E os guardiões colocam alimento logo cedo. Quando ela é colocada para fora já tem alguma coisa ou é ao longo do dia? Ao longo do dia, quando eles têm disponibilidade da agenda também, porque é sempre voluntários, [música] né? Então, quando eles podem na agenda deles, eles vão lá abastecer ou com doações que [música] a gente consegue ou deles próprios de de est disponibilizando uma vez por mês a gente ter uma escala. Osita, mas deve ser bem rapidinho, né? colocou alimento, porque a gente [música] sabe que, infelizmente, nós temos muitas pessoas em situação de rua, muitas passando fome e viu a geladeira aberta [música] já pega aquele alimento. É bem assim, às vezes a gente não dá tempo de abastecer que já terminou, né? E como que surgiu então a partir, você disse, olha, hoje a gente tem 50 famílias [música] cadastradas com a questão da cesta básica. Como passou para esse segundo passo? Na verdade, ela começou com esse primeiro de disponibilizar alimentos [música] 24 horas, de ficar aberta, né, para quem passasse na rua tivesse precisando alimentos prontos. Com a pandemia que surgiu essa necessidade das famílias procurarem [música] eh arroz para cozinhar em casa, ah, feijão. E aí a gente foi visitando essas famílias. Então a gente mantém essas 50 [música] famílias aí que estavam perto de duas comunidades ali perto da CPFL. E a geladeira física continua, né, sendo abastecida. [música] Só que o que a gente percebeu foi o quê? Que esse abastecimento de atender a necessidade do dia, né, que o assistencialismo a gente sabe que ele não transforma, né? O que transforma é essa vontade de procurar uma ajuda, de procurar um tratamento. E aí que vieram os jantares, que a gente chama de pescaria, [música] né, para despertar neles a vontade de mudar de vida. o gosto pela vida, o amor de Deus por eles. Então, a gente organiza esses jantares não só oferecendo os alimentos, né, mas com música, chamando pelo nome, chamando a sentar à mesa, né? O nosso grande diferencial [música] das outras que oferecem alimentos ali é de oferecer isso, de [música] sentar à mesa, de trazer mais dignidade e eles ao estarem ali [música] envolvidos no jantar eh reverem isso e que e despertar neles essa vontade de de mudar de de vida. E aí a gente faz o convite para os que querem ir pro tratamento. O jantar acontece quando? Sempre, todo mês, toda semana? Como é? os meses no primeiro sábado do mês. No primeiro sábado de do mês. [música] Então, uma mesa que as pessoas sentam e se alimentam diferente, talvez de pegar uma marmitex e sentar lá num cantinho. [música] É isso. É, eles são servidos, né? São convidados a sentar. Aí a [música] gente tem também eh um trabalho de escuta, né? Mas e o jantar como foi? Olha, agora a gente a gente já tem a geladeira, temos as famílias. Em que momento vocês viram que esse jantar, como você disse, tem a pescaria? Como foi essa estratégia de pensar que esse jantar era importante também, claro, para alimentá-los, mas para também trazer essa transformação que você diz? Porque o abastecer a geladeira física ali era muito, é é uma é um momento muito rápido onde a gente não consegue dar essa escuta, entender as histórias, né? [música] eh ter mais voluntários para dar sua assistência, para fazer esse convite. [música] Então, o jantar ele envolve mais, requer mais tempo, eh é um alimento mais preparado, né, um cardápio, tem sobremesa. Então a gente foi para esse lado do jantar para ter mais tempo ali [música] e conseguir pescar mais, fazer esse resgate é mais produtivo, né? Para quem tá em casa, essa pescaria é exatamente o que, Zita? Essa pescaria é a gente tentar tirar eles desse mundo que eles estão vivendo, que perderam a conexão com a sociedade, perderam o gosto pela vida. e despertar eh esse desejo de mudança. [música] Eh, e aí é onde a gente faz esse convite para irem para um tratamento, né, os dependentes ou do álcool, da droga. Tá? E aí em parceria junto com a Esperança e Vida, eles são levados para lá no mesmo dia. Ah, nso, vocês fizeram uma parceria, então sim, porque eh no início muitos tinham desejos de ir, só que quando a gente ia atrás deles tentando, [música] a gente tinha que fazer o cartão recomeço, eh esperar uma vaga e muitas vezes a gente não encontrava mais eles, né? porque não tem nem como entrar em contato, [música] então a gente acabava perdendo. Então na pescaria é os peixinhos que estão ali, que querem ir já vão no mesmo dia, né? No mesmo dia. Então é, então eles já entram na perua, passa pela assistente social, né, da da Esperança e Vida, que faz essa triagem, que às vezes não é caso de dependência, né? Então ela já direciona se [música] é outro tipo de problema, mas os que desejam ir já estão indo. Inclusive Mão Solidária já mostrou também aqui o trabalho da Associação Esperança e Vida. Você pode conferir esse programa está lá no youtube.com/tvcâmaracampinas. Zita, a partir do momento que vocês fazem então essa parceria e faz essa transformação também em quem quer ser transformado, porque também tem esse outro lado, a pessoa tem que querer, né? Sim. E tem muitos que não querem. Sim, muitos querem continuar. E por outro lado também vocês têm que ir naquele dia do jantar livre também de julgamentos, né? Como que é isso para vocês? Ah, esse é um ponto importante, porque sempre aparecem voluntários novos, né? E aí, vem Zita, esse daqui não é morador, esse aqui a gente não deveria dar o número, né, para ele entrar no jantar. E a gente fala assim: "Olha, se a pessoa se sujeita a pegar uma fila e comer um alimento que ela não sabe em quem preparou, é porque tá precisando, né?" E a gente já teve casos em que quando a gente vai conversar, você vê que tá bem vestido, que não é morador de rua. E quando você pergunta: "Ah, tá gostosa a refeição?" Ele fala: "Tá, muito obrigada. Hoje eu não tinha uma marmita para eu levar pro trabalho. É a minha primeira refeição, né? [música] Então, eh, a gente sempre fala, quem julga não ajuda. E já teve casos em que, eh, teve um senhor que na hora que ele ia entrar, né, no e e ser servido, ele falou assim: "Olha, mas eu não quero jantar não". Aí eu falei para ele: "Então o senhor dá o número para outro?" Ele falou: "Não, [música] mas eu queria sentar na mesa". E esse sentar à mesa começa bem antes, há muitas mãos. A geladeira disposta diariamente na porta da Catedral Metropolitana alimenta durante o ano todo quem precisa e passa pelo centro de Campinas. Os chamados guardiões são responsáveis pela higienização, abastecimento e distribuição das doações. Existe um guardião, eu sou uma delas, existe várias que se pronuntificaram em vir abastecer a geladeira. podem trazer frutas, verdas, alimentos, eh que eles possam eh fazer esse lanche rápido, um lanche como um pão, um bolo, um pedaço de bolo, um suco e outras pessoas também da catedral, eles os fiéis também eles se disponibilizam e fazem a sua doação também e deixam aqui na geladeira. No início era tudo um pouco mutuado, mutuado. Eles chegavam querendo se alimentar, querendo pegar um lanche e aos pouquinhos eles foram entendendo a importância que vai existir, né? Iria existir esse momento em que eles iriam pegar. Então hoje é um foi, é super tranquilo. Eles nos ajudam a trazer a caixa pra gente abastecer e ele hoje eles fazem uma fila, eles respeitam, né, o momento certo de vir na geladeira e pegar. A equipe da geladeira solidária traz sempre sinal de esperança de que é possível levar alegria para a vida das pessoas, levar Deus para o coração das pessoas. É claro que a Deus cada qual tem no seu coração, mas o gesto de caridade de de alguém, de um grupo, faz com que a pessoa tenha uma experiência com Deus de maneira diferenciada. Para o jantar de Natal, a preparação começa bem antes, após as doações dos presentes. Aqui as mulheres montam os 250 kits que serão entregues após a ceia. Vocês tiveram uma primeira experiência e agora aqui com tanto carinho estão montando 250 kits. Me conta um pouquinho dessa dessa proposta. Sim, na verdade a ideia surgiu quando nós eh percebemos essa necessidade de fazer o jantar ali na frente da catedral. Esse jantar é oferecido uma vez por mês. Todo primeiro sábado do mês a gente oferece o jantar paraos moradores de rua. Eh, mas o jantar de Natal é um jantar especial que a gente coloca os 250 moradores sentados. Durante o durante o ano todo a gente faz o jantar, leva a mesa, tem música ao vivo e eles jantam sentados, mas não todos, mas no jantar de Natal a gente leva 250 lugares para eles comerem na mesa. E como para você tem sido participar de de todas essas atividades? É muito gratificante, né? A gente percebe que a gente tá tá evoluindo cada vez mais, a gente acaba aprendendo muito mais e a lição é muito mais para nós do que para eles, né? Então assim, é como a gente diz, a fé sem sem servir ao outro é morta. Então a gente tá servindo o outro. Isso pra gente é muito gratificante. A gente doa e quando pode eh dinheiro para ajudar na nas campanhas, nas ações. A gente se doa na distribuição, no acolhimento ou apenas ou principalmente na capela do santíssimo, fazendo oração e intercessão por eles. E o pessoal geralmente joga em todas as frentes. É onde é requisitado, onde é solicitado. Eu tô há uns 4 anos, 5 anos já na época da pandemia e a gente servia lanche para eles. Agora tem o jantar, a gente faz cesta básica também. E aí, enfim, é uma coisa, não tem como descrever a emoção que é isso. Se olhar esse pessoal que tá em situação de rua e que elas bem falou, é cada história é uma história e a gente poder ter contato com eles é a melhor coisa que tem, entendeu? é se desprender do seu próprio julgamento para entender o outro. É isso, exatamente. A gente e assim, você sabe que são seres humanos ali e a gente consegue, sabe assim, conversar com eles, entender a vida deles e, sabe assim, não julgar o fato deles saem na rua. E quando eu atendo, eles ficam muito felizes. Nem me conhecem, eles ficam muito felizes, sabe? E depois eu tento transmitir a fé, porque sem sentido a vida não tem como ver essas almas para ser curada, né? Então acho que é muita emoção. Cada kit montado é finalizado com todo o carinho e recebe uma cartinha com desenhos ou mensagens escritas por crianças de uma escola particular de Campinas. como nasceu essa proposta de levar essa mensagem das crianças e como isso é trabalhado lá na escola. Bom, a Escola de Educação Infantil teve o convite há um ano, anos mais ou menos para fazer parte, né, trabalhar junto com a a geladeira solidária. E o primeiro trabalho nosso foi a arrecadação de caixas de bombom. Então, foi numa Páscoa, né? E nós fizemos todo o trabalho com as crianças, eh, trabalhando a parte da solidariedade, nós trabalhamos projetos, né, com as crianças e o projeto era solidariedade também. Então, foi arrecadado. O ano passado nós também arrecadamos roupas, né, em cima do projeto Solidariedade e já trabalhamos também. É a segunda vez que nós fazemos os cartões de Natal pra geladeira solidária, né? E as crianças ficam muito contentes porque aí as professoras trabalham e é toda essa essa questão para quem vai é quem que vai est recebendo. Então assim, eles se sentem motivados eh a tá fazendo o o cartão de Natal. Agora, professora, me diz como que é mostrar justamente para essas crianças que bem perto da gente, apesar de parecer estar tão longe, existe uma outra realidade e que eles, mesmo pequenos, podem ser sensíveis e participar de uma forma de mudar um pouco essa realidade que existe para para quem mora, para quem vive em situação de rua. É muito gratificante. A gente trabalha toda a conscientização com eles, né, que muitos não conhecem essa realidade, né? Então a gente passa para eles a necessidade dessas pessoas que muitas vezes não tem nem o que comer. E a gente também trabalha com relação ao desperdício, né, que eles têm tanto, né, e aí muitas coisas são jogadas fora e o envolvimento é fantástico, né? Eles se dedicam. Vocês podem ver aí a o carinho que eles tiveram para fazer, os que estão sendo alfabetizados, que são a minha turma, que é a minha turma, né, colocando, né, a letrinha deles, o desejo deles do coração no papel. Então, é muito bacana. Como que é para você participar hoje desse processo, desse mutirão com essas mulheres, organizando aí o presente do Natal? Olha, é uma bção, porque é um momento assim pequeno, é uma centelha, né? ou eu digo, é um centésimo de tempo diante da necessidade, diante da do que a gente vai poder fazer por eles nesse jantar, que é um momento muito lindo, muito bacana e um momento assim cheio de fé e gratidão. Eu vim de uma situação, né, um pouco meio precária, tudo e a geladeira realizou um sonho que eu tinha muito tempo, porque quando eu era pequeno, continua pequena, né, quando eu era criança, eu tava, eu passei fome tudo e lembro que tinha uma senhora que ela fez macarrão e fez eh frango. E aí eu sempre quis fazer, mas sozinha a gente não consegue, né? Então, aí acho que Deus foi preparando e aí eu entrei nesse grupo. Aí eu comentei tudo e por coincidência no primeiro no primeiro ano que a gente fez esse esse jantar do Natal foi macarrão e foi frango, né? Aquela memória infantil da criança lá. E aí a gente foi entregar e para mim foi maravilhoso porque, né, a gente porque eu fui muito ajudada. Se eu estou aqui hoje, é porque tive teve muitas pessoas que me ajudou, então agora eu quero passar também, né? E então isso que eu falo, a gente se a gente se foi ajudada e a gente conseguiu, né, se estabelecer e tá aqui, né, porque poderia ser um deles também, né, mas teve muitas pessoas que me ajudaram a falar: "Não, você não vai ser". E hoje em dia eu tô aqui ajudando, né? Outras pessoas, quem sabe um dia eles vão estar aqui também. Um dia antes, a separação das frutas que serão entregues e no domingo a preparação do menu que já está escolhido. Quem é a responsável é Adriana, chefe de cozinha, que aqui também ajuda na montagem dos presentes. Esse jantar é o jantar mais importante do ano, que a gente chama, né, de Natal, que a gente consegue proporcionar as pessoas que estão na rua e não tem os os familiares próximos. Então a gente pensa com bastante carinho. O cardápio é um cardápio simples, mas feito com muito amor. Então vai ser um strogonof, que é um prato que eles não têm acesso, né? Eh, durante o ano, tal, ninguém serve o strogonof para eles. Então nós vamos servir o strogonof para este Natal. E quando vocês pensam nesse cardápio, aí também tem a questão de, olha, a gente precisa então de quantidade X de suprimentos do arroz, dos acompanhamentos, se for de carne, da carne vermelha, se for de frango, né? Como que é movimentar toda a rede de vocês para conseguir também esses alimentos? É, nós então estipulamos as quantidades, primeiro fazemos um teste, estipulamos as quantidades e aí pedimos as doações. Nós temos um grupo do terço que reza o terço diário e outras redes, né, que a gente vai divulgando e as pessoas participam assim. É incrível como todo mundo se mobiliza. Desde quando você está no projeto? Também desde o início de 2017. Você achou que aquela ideia da geladeira, ah, vamos colocar uma geladeira, vamos deixar ali disponível, ia se tornar algo tão grandioso como é hoje, que olha, 250 pratos de alimento, como que é isso na sua cabeça? Então, e foi crescendo assim com a graça de Deus, né, gradativamente nós fomos agregando projetos e hoje estamos com esse projeto tão maravilhoso e é um projeto que esses jantares nós temos para eh vamos dizer assim, nós somos iscas para eh, por exemplo, trabalhamos em parceria com Robertinho do Esperança e Vida. Ele é o pescador de homens que ele faz um trabalho muito bonito de recuperá-los e nós somos a isca, né? Chegamos lá e eles, os moradores, eh, se sentem tão felizes e ficam esperançosos e pensam em uma mudança de vida. No próximo bloco, o jantar de Natal, que aconteceu na noite do dia 30 de novembro e que foi além do matar a fome de quem vive em situação de rua ou em vulnerabilidade social. [música] Final da tarde de domingo e os voluntários vão chegando. Adultos, idosos e crianças embuídos em um só propósito, servir. Mais cedo, o multirão preparou o menu strogonof de frango acompanhado de arroz e batata palha. Nesta embalagem especial. Do lado de fora, a fila vai se formando. Dentro da Catedral Metropolitana, a oração no santíssimo, com pedido e agradecimento para o trabalho que será realizado logo mais. Aos poucos, a Praça da Matriz de Nossa Senhora da Conceição se torna um grande salão de festa com a montagem das mesas. Toalhas especiais e uma decoração natalina. Os músicos criam um ambiente acolhedor. Quem veio para trabalhar recebe as orientações para os grupos formados por cores e está atento a cada detalhe. É uma alegria muito grande a gente conseguir realizar porque é um sonho, né? Começa com sonho, um projeto [música] e hoje nós estamos entregando muito amor para eles e eles estão muito felizes. Isso enche o nosso coração, né? As crianças voluntárias também falam com entusiasmo deste sentimento de ajudar o próximo. Primeira vez que você vem ou você já veio outras vezes? Minha primeira vez. Como que tá sendo para você? Ai, eu era meu sonho fazer isso. [música] Achei muito legal. Você já tem alguém da sua família que é voluntário aqui? Não. E como que você soube que tem esse trabalho? [música] Com a mãe dele. Na verdade já vim outras vezes em outros tipos, mas nunca vi no negócio deste de Natal. E como foi chamar sua amiga para vir? Vocês estão aí, ó, trabalhando bastante que eu tô vendo. É que a gente foi no, [música] qual o nome mesmo? Macuco. Sei. Aí a gente brincou de piscina e a gente veio que a gente queria ajudar [música] os outros, né? O projeto ganha o reforço das alunas da faculdade de enfermagem da PUC Campinas, que atuam em duas frentes com as pessoas em vulnerabilidade social. A gente faz parte de uma de um tema chamado curricularização da extensão dentro da minha disciplina. E dentro dessa disciplina a gente participa de uma atividade da PUC que chama levanta tianda, né? Então n jantar celário que acontece todo primeiro sábado, hoje é Natal, então a gente tá aqui comemorando num domingo, a gente vem para fazer cuidados com a saúde. Então nós somos, hoje nós estamos divididos em duas turmas, uma turma que faz cuidado com os pés, né? Então, através desse cuidado, a gente tem uma comunicação, né, ativa e também a gente vai fazer uma um pouquinho da parte das doências crônicas, prevenção de hipertensão e diabetes. Os pés estão sempre muito feridos por conta das drogas, das bebidas. Muitas vezes elas, eles nem sabem que os pés estão feridos, nem sabem [música] que tem machucado, descobrem quando a gente vê. Então, a gente vem, se precisar, a gente faz o curativo. Se não precisa do curativo, a gente acolhe, a gente conversa, [música] a gente hidrata os pés deles e vão embora. Acho que talvez mais acalentados. E você, como tem sido [música] essa experiência? Incrível. Hoje é o quinto mês que a gente vem e eu falei que eu eu sou uma nova pessoa. Acho que todo mundo, todo indivíduo, nem só da área da saúde, nem só da enfermagem, mas que todo indivíduo para formar acho que um coração mais amoroso, precisava passar um dia aqui, uma noite aqui, vim uma vez por mês aqui só da vida e ver como como a vida vai além do que a gente vive, como a vida vai além dos nossos olhos, como é diferente a gente ver uma sair da nossa bolha e e vir viver isso aqui, todo esse amor, as músicas, o jeito que eles são tratados, a dignidade, uma mesa forrada, um jogo americano numa mesa, uma marmita com desenho desde a primeira primeira vez que eu vim todos os meses, eu me surpreendo muito, muito, muito. a gente tem buscado adaptar esses trabalhos para essa população e realmente a gente quando a gente vai entrar em contato com eles, a gente fala sobre eh entende a situação deles e fala realmente evitando ali eh trazendo coisas que relatem a realidade realidade deles de alguma forma fazendo assim e falando, por exemplo, sobre a iluminação, de alguma forma quando eles estarem ali na rua, eles colocarem algo sobre os olhos deles para trazerem o relaxamento. e eles poderem de alguma forma eh entrar num sono mais profundo. Também eh falar sobre o conforto ali na hora. Então, colocar um papelão ali sobre o corpo para de alguma forma evitar ali dores ali no corpo durante o sono. Isso tudo é uma maneira de adaptar ali conforme a vida deles. A gente acha que vai vir aqui contribuir, mas na verdade tudo que a gente vê aqui aqui contribui pra gente. Então talvez se não fosse essa a oportunidade elas nunca pudessem enxergar pessoas em situação de rua com essa vulnerabilidade. Segundo dados do Observatório da PUC Campinas, a metrópole concentra a metade da população em extrema pobreza na região metropolitana. Estudos apontam que são mais de 250.000 pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica. E um censo realizado em 2024 identificou 1557 pessoas vivendo em situação de rua. Para quem muitas vezes depende de um prato de comida para matar a fome e está ali para ser servido, aguarda o jantar de fim de ano com curiosidade e muitas expectativas. Para mim é uma coisa diferente que eu tô vivendo meio sozinho, né, nesse nesse mundo aí. Então eu pensei, vou vou participar um pouco. Aí me convidaram, né, participar aqui, eu ver como é que é, mas é a primeira vez que eu venho aqui assim, entendeu? O que que você já tá achando dessa organização enquanto vocês esperam [música] aqui? Não, enquanto o pessoal assim tá achando tudo tá ótimo, tá tudo bem organizado. Tô vendo aqui que muita gente aqui realmente precisa mesmo de alimentar, entendeu? [música] Todos nós precisa, né? Eu realmente não tô numa situação assim tão decadente, entendeu? Mas também tô em situação que eu preciso de alguma algo também para mim. Mas hoje eu tô vendo que isso aqui é uma coisa muito boa para muito que tá aqui, entendeu? E hoje aqui em busca desse jantar, queal que que que você tá achando? Maravilhoso esse povo de Deus, né? Tava comentando com a minha colega aqui agora, eles fazem as coisas tão bonitinha, com tanto carinho, né? Tudo bonitinho, organizadinho, para servir a gente, né? Com certeza. Então, tô na expectativa para ver o que que vai ter de bom. Tô curiosa também para saber o que que vai ter. É a primeira vez que você participa? Não, é a segunda vez. Mas o de Natal do ano passado, você veio? Não, na verdade foi. Eu vim, vim. Só que eu só peguei a alimentação e fui embora. Hoje eu vou ficar até o final. Eu moro atualmente numa pensão, já passei situação de rua, mas hoje, graças a Deus, né, eu tô eu tô num quarto de aluguel. Eu achei maravilhoso, né? Fiquei até meio eh meio abismado, né, com a situação de Campinas tá eh fortalecendo isso a moradores de rua, né, que não tem condições de fazer um jantar. É maravilhoso, é uma bênção de Deus para nós. Pagou aluguel, só isso. E aí quando tem esses eventos, jantares ou entrega de alimentos aqui, a senhora também vem e se alimenta, vem, se alimenta e ajuda muita gente também, entendeu? Sou bem ajudada, bem recebida e e a gente precisa também, né? Apesar de ter o teto, que é uma coisa positiva, essa o aposentadoria nem sempre dá. Tem o teto, tem tudo, mas não tem comida. Vai comprar comida com o quê? Paga lá para não ficar na rua. Já morei aqui também. Morei em meses. Agora eu saí, graças a Deus. Na mesa farta, a certeza de que o atendimento vai além de comida na mesa. Assim como em um buffet, o jantar tem entrada, refrigerantes, comida aprovada por quem a saboreia e uma deliciosa sobremesa, sem contar o bolo que deu água na boca só de olhar. A pescaria mencionada pelas voluntárias começou um pouco mais cedo com a equipe social da Associação Esperança e Vida. Com condições sociais agravadas pelo uso do álcool e outras drogas. Aqui as pessoas ganham esse olhar e quem quer já é encaminhado para um tratamento. O alimento é apenas uma isca, né, pra gente poder ser próximo dessa população. [música] Mas hoje é Natal e o principal alimento é o pão vivo descido do céu. Aqui é Belém. Belém significa casa do pão. Bethalém, casa do pão. [música] Então, hoje aqui é a casa do pão. Hoje aqui é Belém, um lugar onde Jesus deseja nascer. Uma nova oportunidade, né? Uma oportunidade. E eu falar e falar assim pra senhora com todo respeito, eh, tem que aproveitar, né? Tem que aproveitar. E eu vou aproveitar de de eu vou ir hoje, eu vou ir hoje, eu vou aproveitar mesmo, porque assim, tá aí, né? Entendeu? A gente tá vendo aí como que tá o mundo, como que tá a evolução das coisas ruim, a maldade. A gente ainda só conseg só continuar fazendo mais e mais e mais, né, nesse mundo de trevas, né? Eu entendi que eu preciso dessa ajuda. Eu sozinho não consigo. Dessa vez eu entendi isso, entendeu? Eu vou assumir isso de coração e vou abraçar de unhas e dente. Porque ficar nessa vida desastrosa, onde todo dia você tá quebrado, né? Você tá aqubrantado, né? Não, não compensa. Um jantar memorável, com muita conversa, alegria estampada em muitos sorrisos, cuidado, empatia, esperança, dignidade e a certeza de que cada mimo recebido após a ceia vai ficar na memória de quem viveu essa noite, [música] seja como voluntário ou atendido. E você que já viu parte da nossa conversa com a Zita hoje nessa finalização, nesse lindo jantar que a gente mostrou agora a pouco, Zita, fala para mim de toda essa emoção hoje. Ah, é uma alegria muito grande a gente conseguir cumprir com aquele propósito que a gente falou lá no começo [música] de em cada detalhe despertar neles o amor de Deus por eles, a vontade de mudar de vida, a vontade de um recomeço. [música] E então cada detalhe foi feito com muito carinho, com esse objetivo. É isso que a gente deseja, que nessa noite eles sintam, é isso, [música] a presença de Deus, o cuidado de Deus por eles e que sintam a vontade de ir pro [música] tratamento, né? A gente inclusive entrevistou uma pessoa que aceitou o tratamento. Falamos com Robertinho sobre aquela pescaria que você mencionou na nossa entrevista e também conversamos com voluntários, inclusive crianças que estão muito felizes de participar hoje. Como que é movimentar tudo isso? É tudo pela graça, né? É a graça de Deus. [música] No momento em que cada voluntário sente no coração o desejo de servir, ali já tá começando, [música] né? E é isso que nós viermos servir. Então, muitas vezes a gente quer que a cura seja para eles e é para nós. É a gente que se transforma em cada jantar, em cada contato com eles, em cada [música] escuta ativa das histórias de cada um deles. Então, é maravilhoso. E nesse espírito de Natal, né, que Jesus veio pequeno, veio simples e nos ensina cada vez mais a se aproximarmos de quem precisa. [música] Tá certo? Então, muito obrigada. Obrigada a vocês. E assim a gente encerra o Mãos Solidárias de hoje nessa emoção. [música] Eu confesso que me emocionei muitas vezes em muitas falas e você vai aí conferir um pouquinho mais do que foi esse grandioso jantar pra população vulnerável aqui da nossa cidade de Campinas. [música] Até um próximo programa. [música] [música] เฮ [música] [música] [música]