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Olá, [música] [música] mais um mão solidárias no ar. E hoje nós vamos trazer o trabalho da casa hacker que foi fundada em 2018. Nós vamos bater um papo com o Davi, que é o diretor da instituição, que vai contar esse trabalho. Para você entender um pouquinho, nós estamos em um local na cidade de Sumaré, no interior de São Paulo, onde a Casa Hacker tem um dos seus projetos. É isso mesmo, Davi? Isso mesmo. Como nasce então lá em 2018 a Casa Hacker? Bom, a casa hacker nasceu na periferia de Campinas, lá na região do Campo Grande, eh, com jovens da periferia que queriam mudar o futuro da internet e levar tecnologia e democratizar tecnologia nas comunidades periféricas de Campinas e região, começando pelo Campo Grande. naquele momento, para que ela fosse instituída, vocês tiveram o apoio de alguma outra organização para que os projetos começassem a nascer e depois ganhar corpo, digamos assim? Uhum. Sim. O nosso primeiro parceiro foi a Fundação Telefônica Vivo, eh onde nós tivemos o primeiro projeto da CASHCKER, o Empreenda, e a partir dali nós tivemos várias outras parcerias com a FEAC e outras instituições da região que nos apoiaram em diversos projetos também. Sim, quando a gente pensa nesse projeto que quer levar o digital pras comunidades periféricas, como que isso passa a pulverizar em nossa região e até para outros municípios, Davi? Bom, a primeira coisa é quando nós trabalhamos com tecnologia nas comunidades, utilizamos uma metodologia que é o ST em Ciência, tecnologia, engenharia e e matemática. Ã, isso dentro de organizações, como aqui onde nós estamos agora ou dentro de escolas. E aos poucos vamos passando isso para outras cidades, ampliando um pouquinho o escopo de atuação através de novas parcerias, através de novos eh parceiros que nós vamos fazendo com instituições que podem financiar a esses projetos ou até mesmo hospedar os projetos da casa hacker dentro de casa, onde a gente vai levar eh a tecnologia, vai levar todo o projeto de educação dentro de organizações já conceituadas na comunidade, já aceitas e que tem um relacionamento prévio também. Quando a gente fala de organizações da sociedade civil, [música] a casa hacker é considerada novinha. Concorda? Concordo. Como que foi então sair lá da região do Campo Grande, do distrito do Campo Grande na cidade de [música] Campinas para como foi esse trabalho de formiguinha? Conquistando os outros espaços, conquistando inclusive esses importantes parceiros [música] que acreditaram nesse projeto? Eu acho que o primeiro ponto que trouxe o diferencial paraa casa hacker e mesmo sendo eh um neném ainda está engateando, eh foi o profissionalismo que a casa hacker sempre teve e principalmente a afinidade com a tecnologia, que é algo que nem todo mundo consegue trabalhar, nem todo mundo consegue ter. E essa afinidade com a tecnologia, não só dos fundadores, mas também de todo o corpo, eh, de colaboradores da Casa Hacker, é o que trouxe essa confiança e mostrou a necessidade das organizações que já existiam em investir em projetos de tecnologia também, não apenas convivência, empreendedorismo de impacto, mas também profissionalismo, profissionalização dentro da tecnologia e cursos que capacitavam não só o estud estudante, o jovem pro mercado de trabalho, mas preparava o mão de obra do futuro e preparava aquele jovem para utilizar a tecnologia a seu favor, utilizar a tecnologia para mudar literalmente o futuro da internet como algo que fosse mais inclusivo para ele também tivesse as coisas que ele precisa. Hoje se fala muito inclusive nesse uso da internet, mas quando a gente vai pensar [música] nas funcionalidades que a tecnologia nos traz, existe uma espécie de [música] analfabetismo digital. Como a Casa Hacker atua nesse nesse contexto de trazer esse empoderamento aquela pessoa que passa a ter acesso de uma forma mais consciente? [música] O primeiro tópico é fazer o trabalho pesquisando qual é a capacidade das pessoas que estão eh dentro desse projeto. Isso nós fazemos com dados, tanto pesquisadores da própria Casa Raca atuando na comunidade, mas em todos os projetos atuando com a o nivel a linha de base, uma pesquisa de linha de base, onde nós conseguimos saber onde todo mundo está para decidir como eles vão chegar, onde nós achamos que seria interessante chegar ali naquele lugar. Então a casa hacker ela não chega em uma comunidade, por exemplo, com projeto já pronto, que funciona para todos os locais, é de acordo com a realidade daquela comunidade, daquele local. É isso. Exatamente. Exatamente. dentro dos projetos, é tanto feito sob medida pra comunidade, pra organização, que às vezes nos contrata para aplicar algum projeto de inclusão digital ou alguma coisa mais avançada em iniciação tecnológica, eh essa pesquisa e tudo isso é feito para poder personalizar a experiência do estudante e também eh as necessidades que nós eh buscamos e descobrimos ali na pesquisa e que o estudante também tem, porque às vezes ele traz uma necessidade, pô, eu quero aprender tal coisa, Eu acho que seria legal isso. E é sempre construído a mais do que quatro mãos, né? Não só a Casa Hacker, seus patrocinadores, mas as organizações que nos hospedam e a comunidade que vive em torno daquelas organizações que nos hospedam também. Você falou do início com alguns projetos hoje, quais são os projetos existentes? [música] Bom, nós temos o Hacker Clubes, que é aqui onde nós estamos agora dentro do São Judas Tadeu. Faz o [música] que o Hacker Club? Oocker Clubes é um projeto de 5 a 6 meses, onde nós atuamos com os jovens de 15 a 29 anos, um projeto de iniciação tecnológica. Eles aprendem desde o nivelamento básico para mercado de trabalho aprender mandar e-mail, documentos, compartilhar arquivo, vídeochamada, ã, e também toda a parte de arte urbana. E após isso, lógica de programação, impressora 3D, modelagem, realidade virtual, desenvolvimento de sites e eletrônica. E no final eles apresentam um projeto, eh, um projeto MVP, alguma coisa para mudar a comunidade dentro de um festival. Qual mais? Nós temos o Inclusão Tec, que ele é um projeto de inclusão digital e ele acontece em vários pontos diferentes aqui em Campinas, eh, entre cinco e sete organizações que contrataram a Casa Hacker para poder educar o seu público e e resolver o problema do analfabetismo digital. É, é para um público interno, digamos assim, de uma organização. É isso. Diversas organizações diferentes. Tá. Tá. Terceiro projeto, temos também o Minas Intec, que atua aqui em Sumaré, ã, também com meninas do ensino médio, na verdade, só com meninas do ensino médio, onde nós temos um projeto que dura ali um ano de iniciação e tecnológica. E ali dentro elas aprenderem robótica, impressora 3D, modelagem, programação e no final do projeto desenvolvem também um produto mínimo viável para resolver algum problema da comunidade. Bom, ele é bem parecido com hacker clubes, mas por que vocês tiveram esse olhar também ligado à questão do gênero quando pensa num projeto como esse? Principalmente porque é uma barreira de entrada no mercado de trabalho, na área de tecnologia. eh, tanto por como ele é hoje, composto majoritariamente por homens, eh, mas também por não ser algo engenharia no geral e todos esses trabalhos técnicos não serem algo muito aceito pelas comunidades, pelas famílias ou até mesmo pelas meninas para trabalharem naquele segmento. Algo como é coisa de menino, é coisa de homem. E a ideia de trabalhar com meninas especificamente é poder aumentar a quantidade de meninas no mercado que trabalha com tecnologia. Quais outros? Além disso, nós temos também o Bartes da Mudança, que ele foi feito toda uma pesquisa em uma região de Campinas para poder levantar as necessidades da comunidade. E dentro disso é feita uma consultoria paraa organização poder desenvolver eh uma própria mentoria, um próprio treinamento, contratando os seus professores e a casa hacker atuando ali numa consultoria para que seja feito um trabalho de inclusão digital, assim como o inclusão tec. Ele tá em que região de Campinas? Hum, não me recordo agora. Faz tempinho por ali. Tá. Vocês continuam com alguma atuação específica [música] dos projetos iniciais ali na região do Campo Grande ou não? Sim, continuamos. Hoje nós temos o Quebrada em Movimento que fica lá no Campo Grande também, continua ali com o nosso público, sempre trazendo mais pessoas. Eh, e a ideia é que seja uma mentoria para lideranças de impacto ali na região do Campo Grande, tá? E um outro que é um pouco parecido, que é o Inova Quebrada, não só ali no Campo Grande, mas também eh que ele vai um pouquinho mais longe, ele vai até a capital de do estado ali em São Paulo, tá? O quilombo da quebr quilombo em movimento quilombo da quebrada que tem no São Marcos também é da Casa Raca ou não? Em algum momento a Casa Raque apoiou na construção. Hoje nós apoiamos pontualmente é com a consultoria pro Quilombo dos Amorais. Sim. E e ali dentro hoje o nosso trabalho é mais pontual quando eles precisam de uma força. Você comentou, Davi, que hoje vocês têm inclusive projetos na capital paulista. Como é sair do interior? Porque geralmente a gente pensa em projetos que vêm de cidades maiores para o interior do estado. [música] Como foi esse processo contrário também quando a gente pensa em terceiro setor? Desafiador e não só São Paulo, mas também Rio de Janeiro, que é onde vocês estão no Rio? Sim, que é onde o Hacker Clubes também está. Campinas, São Paulo, eh, desculpa, Campinas, Sumaré e Rio de Janeiro. Eh, o principal desafio é a cultura, porque são coisas eh diferentes, em velocidades diferentes para poder lidar com todas essas eh questões burocráticas, por exemplo, compras e coisas assim. Mas eu acho que enriquecedor, porque essa cultura e essa diversidade traz pra gente, não só na questão operacional da Casa Hacker, do hacker clubes, do Inova Quebrada, eh novas possibilidades, novos conhecimentos até para poder agregar mais pros assistidos, ã, mas também toda a parte administrativa, todo o conhecimento que nós temos ali com comunidades diferentes, organizações diferentes que nos apoiam. E isso, eu acho que é a parte mais interessante e a parte mais gostosa, poder levar o pessoal que tá aqui no interior para conhecer um espaço em São Paulo que tem uma pegada diferente e vice-versa. pegar o pessoal de São Paulo que tem um universo e trazer pro interior eh para conhecer uma pegada diferente como as coisas acontecem aqui ou até mesmo trocar cartas entre os estudantes, eh, enfim, mais jovens que nunca mandaram uma carta por correio, de Campinas, Sumaré com Rio de Janeiro. Então, para poder conhecer um pouquinho da realidade, conhecer um pouquinho de como são as coisas e deixar mais próximo também, principalmente mais próximo, tá certo? Então, mãos Solidárias vai para um breve intervalo e volta já já. [música] A gente vai mostrar inclusive Hackers Clubes e também o projeto Minas em Tec. Não [música] saia daí. [música] E pra gente conhecer um pouco dos projetos realizados pela Casa Hacker, eu vim aqui justamente na Sociedade Beneficente São Judas Tadeu, que fica na cidade de Sumaré, conhecer o Hacker Clubes. A Nara é uma educadora que trabalha aqui e vai explicar certinho pra gente, Nara, o que, como é e como funciona o Hacker Clubes. Bom, o Hacker Clubes ele é pensado para jovens entre 15 e 29 anos. E aqui em Sumaré a nossa média de idade são de jovens de 16 até seus 17, que é a nossa média. Então eles estão mais ali na linha da adolescência. Então, eh, lidar diretamente com os jovens. Mas aí, o que que vocês fazem aqui? Exatamente, vocês aprendem, aprendem, não passam para eles como é eh trabalhar na internet, o que que hoje, por exemplo, a atividade de hoje, o que que eles estavam fazendo? Eh, o hacker clubes, ele é foi pensado em três módulos. Então, a gente pensou e na arte urbana, nós passamos por diversas formas de fazer arte, nós passamos pela parte eh de nivelamento, então entender como que esses alunos sabem ligar um computador, sabem mexer, quais as ferramentas que eles mexem. E agora nesse aula de hoje, por exemplo, foi sobre ética hacker. Então, conversei com essa meninada de hoje para falar sobre o que que eles divulgam na internet, o que é possível encontrar na internet, eh, o que é a raquinagem, o que é crime, invadir contas é crime. Então, até onde eles podem usar a internet e até onde eles estão cometendo algum crime, dependendo da forma com que utilize a internet. É ser um hacker do bem. É isso. É possível ser um hacker do bem, mas é importante ensinar que existe a possibilidade de ser um hacker do bem e que esse é o caminho que eles deverão seguir. Pelo menos é isso que a gente vai aprender no Hacker Clubes. E quando eu vi, inclusive no que a produção nos preparou, tem um momento que os hackers se encontram. É, o que que é um campeonato? O que que acontece? Me conta. é que existem algumas competições de de hackers, né? Eh, eu nunca fui em uma, então eu não sei te dizer como que funcionam essas competições, mas é possível competir porque eh a ideia de você entender sobre os códigos, quem entende mais, quem consegue decifrar esses códigos e aí a gente tem um vencedor, é a lógica da haquinagem, mas não necessariamente isso seja um crime. Quando a gente pensa em preparar esses adolescentes, esses jovens também para o mundo digital e até com uma possibilidade de pensar em vivência, claro, em cidadania e também em mercado de trabalho, qual é a sua maior missão? O que a gente pensa é que os jovens, geração Z, sabem usar tudo quanto é tipo de tecnologia e não é verdade, né? Eh, nós estamos lidando principalmente com jovens da periferia em que o celular, todo mundo tem um celular, mas não necessariamente tem um computador. Então, pensando que quando esse jovem, esse adolescente ingressa no mercado de trabalho, eh, ele não vai saber ou vai ter um um baixo conhecimento no uso de ferramentas de computador, eh, de como digitar um texto ou do próprio teclado físico, né, na hora de da digitação. Então, dentro do hacker clubes, nós trabalhamos o mundo do trabalho. Então, como que eu faço um currículo? Hoje para você conseguir o emprego, você precisa dominar também inteligência artificial. Eh, e isso foi passado para eles. É importante você entender como funciona uma inteligência artificial, porque isso vai moldar a forma com que você monta o seu currículo. Então, fazer as perguntas certas, fazer as perguntas certas, pensar que a inteligência artificial ela não sabe tudo, ela erra. Então, tem que colocar esse pensamento crítico e tecnológico dentro da vivência da desses adolescentes. Então, essa é a o maior desafio e nós estamos conseguindo porque eles conseguiram fazer tudo. Que a gente aprende muito com o computador, né? Tipo, a gente aprendeu a mexer no docs, no no drive, um monte de coisa que tem no computador. Você já tinha celular? Já. É muito diferente do que mexer no celular. Bem diferente. E aí quando você pensa, olha, eu comecei a trabalhar no Docs, no Drive, você tinha ideia de que a internet tinha tudo isso, tantas nuvens, tantas possibilidades? Não, não tinha ideia não. Até então você mexia o qu no celular? Até então mexia só no Insta, no TikTok só. Aí agora que eu vim aprender que tem mais coisa, mais função. Abriu um leque, um mundo para você, então? Abriu. E e o que que você pretende pensar? Olha, eu ainda quero aprender muito mais. O que que você acha que que seria bem legal para você? Acho que trabalhar com computador, com internet. O Mão Solidárias veio até uma escola estadual em Sumaré, onde existe o projeto Minas Zentec para entender melhor esse universo das mulheres aí no mundo da digitalização, da informática, tecnologia e tudo mais. Amanda é a coordenadora do projeto. Amanda, conta um pouquinho para nós desde que ele surgiu, o que que vocês têm feito. Bom, o projeto Minastec já tá na quarta edição. Esse ano a gente tá aqui em Sumaré, numa escola que chama Maria de Lourdes. Até o momento as meninas já aprenderam programação, eletrônica, impressão e modelagem 3D e estão desenvolvendo projetos para apresentar no final do ano, que a gente chama de produtos mínimos viáveis ali. Aí elas vão apresentar esses projetos para uma banca e uma formatura em que os pais vão, os responsáveis, no caso, a gente aqui que é da casa hacker, a PPG, que é a nossa patrocinadora e também a escola vai est presente. Quem são essas meninas escolhidas? Eh, ensino médio, qual são aí, digamos que os requisitos para fazer parte do Minasc? Ah, bacana. Então, a gente seleciona 20 meninas. A seleção ela é feita com base no interesse. Então, independente ali do rendimento da menina na escola, se ela tira boas notas, se ela não vai tão bem em matemática, se ela vai bem em matemática, pra gente não importa muito. A seleção, ela é feita puramente pelo interesse. Então, a gente faz ali uma dinâmica para apresentar o projeto em que elas aprendem a ligar um LED no início do ano. Depois que elas passam por essa dinâmica, elas escolhem se inscrever. Então, a gente roda um formulário na escola em que elas podem escolher se inscrever. Desde esse momento, né, que ela se inscreve, a gente marca uma entrevista com essa menina e o responsável, conta sobre o projeto, entende o interesse dela e a seleção é feita a partir daí. Então, é nessa forma que a gente faz essa escolha. A atividade é no contraturno escolar ou é durante o turno escolar? É no contraturno escolar, das 2:30 à 5 horas. Quarta edição, você me disse, vamos voltar lá à primeira edição, o que que mudou? Tá tudo igualzinho. Me fala um pouquinho dessa evolução. Bom, o projeto ele mudou primeiro de escola, né? Antes a primeira edição aconteceu lá no né? Que é uma outra escola aqui de Sumaré. Antes a gente também não tinha uma estrutura com tanto acesso a algumas impressoras. Ah, esse kit de robótica eletrônica que a gente usa é um kit mais completo. Então, a gente aprimorou um pouco ali os materiais e nos conteúdos também. Então, ano passado a gente teve a entrada da Patrícia, que é uma professora que tá aqui com a gente, tem a Aliene, que também é nossa coordenadora pedagógica e professora no projeto. E todo ano elas incrementam os conteúdos aí. Eh, esse ano, por exemplo, e no ano passado a gente já colocou o web viar, que é a realidade virtual. Então, a gente comprou os óculos. as meninas hoje, além de produzirem os projetos físicos, elas produzem também realidade virtual. Então, acho que essa foi uma grande mudança aí pra gente. Parece que já tem aí dentro do ponto de vista de mercado, frutos aí no mercado que você me contou em off. Conta para quem tá assistindo também. Ah, bacana. Bom, a gente tem algumas vezes estudantes que estão trabalhando na área da tecnologia, que já estão no ensino superior, então que não necessariamente estão dentro de áreas tec, né, em tec, mas estão cursando direito, eh, artes visuais, entre outras modalidades aí de cursos. E semana passada a gente ficou sabendo que uma das alunas de 2023 foi contratada inclusive pela nossa patrocinadora, eh, para trabalhar como jovem aprendiz. Então, a gente tá muito feliz por aqui e ela tá no terceiro ano ainda do ensino médio, ou seja, ele abre também uma visão dessas meninas que percebem que elas podem ter acesso a qualquer ambiente, a qualquer modalidade, até porque a gente tem uma questão de gênero aí envolvida. Isso. O Minasc tem aí como principal objetivo abrir essas portas, dar essa possibilidade para que as meninas conheçam essas carreiras, essa possibilidade de carreiras em stankon, ciências, matemática, artes, engenharia. Então, a gente quer muito que elas entrem, né, no projeto para conhecer, para ver se interessa, se faz sentido, se elas gostam e se elas não gostarem para sairem com algumas habilidades novas. Qual é a sua missão aqui? Bom, acho que a minha missão aqui tá em conseguir mediar com que as meninas consigam fazer os projetos delas, entender os conteúdos e, além disso, se sentir inspirada para conseguir criar além do que a gente tá fazendo aqui, levar isso para fora da sala. Elas chegam com as ideias do mundo real para passar pelos conteúdos ou são vocês que sugerem, porque parece que tem algumas temáticas envolvidas em cada um dos projetos. A gente tenta mesclar as duas coisas. A gente faz uma discussão sobre sustentabilidade, sobre as ODSs, mas também tem muito do interesse das meninas, porque a gente entende que não faz sentido fazer algo que não tá relacionado com que a gente gosta, nem com a gente vive. Então a gente tenta mesclar isso e também trazer os conteúdos para dentro dessa realidade das meninas para elas se sentirem minimamente motivadas. Essa turma, por exemplo, tá produzindo o quê? Quais são as ideias que foram colocadas aqui e que você teve que pensar? Poxa, como a gente vai conseguir fazer com que tudo isso seja colocado nesse projeto? A gente teve umas ideias mirabolantes e super incríveis. Esse ano a gente tem um abrigo para pessoas moradoras de rua que tem um aquecimento interno em todo iluminado e também avisa a prefeitura se tá ocupado ou não. Então tem toda uma questão de georferenciamento. A gente tem um gato que é um sensor também que protege área de preservação ambiental. Então eu tenho assessor de presença que quando alguém se aproxima, ele alerta que tem chegando perto. A gente também tem um robô de reciclado que tem uma garra e os olhos do robô eles piscam. E a gente tem também o robô, o gato, o abrigo e pode falar aí bueiro. O bueiro. O bueiro é ótimo também, que é uma ideia pras enchentes que ele separa a as coisas sólidas das coisas líquidas e tem um sensor também que mede o nível de água e também avisa. Daí quando o bueiro tiver cheio, essa água, ela é utilizada para resfriar eh data centers, né, que é inclusive uma grande um grande questionamento em relação à inteligência artificial que está provado que apesar de ser algo que vem que é tão importante, que tá mudando uma geração da informática, tem um um grande problema ambiental nisso, né? Isso. E foi uma sacada das meninas, então elas conseguiram entender o universo e conteúdo e transformar isso em projeto. [música] Aqui é tipo uma cúpula. É uma cúpula, né? vai ficar a flor e o gatinho ele vai proteger essa flor e vai irrigar ela. Então a gente vai colocar um sensor eh aqui na flor. Aqui vai ficar água e vai ter uma bomba que quando a flor tiver seca, ela vai, o dispositivo ele vai captar que ela tá seca e vai jogar água para, né, molhar ela. E o sensor de segurança é para não chegar perto. Então, se tiver algum movimento, ele vai começar a tocar. Sim. E é basicamente isso. E como surgiu essa ideia? Olha, teve várias etapas. Mas o inicialmente era o qu, por exemplo? Hum, um sensor de segurança. A gente queria fazer alguma coisa para fazer as pessoas ficarem mais seguras. E como evoluiu para esse projeto? Hã, teve muita discussão. Vocês pensar: "Ah, eu quero isso, eu não quero aquilo". Como foi? Foi bem complicado, tipo, para decidir, né? Eu até nem lembro um pouco para falar a verdade, mas no começo era para ser o gatinho uma caixa de correio de gato. Aí depois virou isso porque deram uma ideia de irrigação, de negócio de planta e a gente juntou as ideias. E o que que tem sido para você participar desse projeto, viver essa experiência? Você já tinha pensado antes nessa possibilidade de construir projetos como esse, ter acesso à robótica, ter acesso a um mundo tecnológico diferente da sala de aula? Olha, sinceramente não, mas assim, eu tô adorando a experiência, é muito bom, eh, a gente aprende bastante coisas novas e também, eu acho que é um ambiente muito bom, assim, divertido e agradável. E tipo, eu acho muito importante porque a gente tá num ambiente, né, bem feminino, o que na sociedade é, né, complicado. E eu acho muito importante isso. A gente fez pensando em moradores de rua, né, como tava fazendo muito frio na época que a gente teve que desenvolver esse projeto, é, não, a gente não pensou como que eles devem ficar, né, nesse tempo e a gente resolveu fazer um abrigo com aquecimento. E quando, tipo assim, a gente desenvolveu assim pra não ficar muito bagunçado, quando tiver alguém, tem dois ledes, o verde e o vermelho. Quando tiver alguém, o LED vermelho vai acender e quando não tiver ninguém, quando a pessoa sair, o LED vermelho vai ligar pr para mostrar que tá disponível, que podem entrar ali no abrigo. E é justamente pensado pra época de frio, época de muita chuva. E é nesse sentido? Sim, é isso mesmo. Quem faz parte do projeto com você? É a Lorane e a Lorá, elas são irmãs, só que a Lorá desceu. E como tá sendo desenvolver essa ideia? Como foi e vocês discutirem cada fase, a opinião de cada uma, testar cada fase, o que não der certo fazer de novo. Como foi tudo isso para você? Ah, foi meio complicado, né? porque a gente era muito nova nesse meio, mas a gente foi se ajudando, foi discutindo. A princípio não ia ser isso. A gente teve que passar por várias ideias para decidir que ia ser isso mesmo. A gente sóou várias coisas, mas afinal a gente decidiu fazer isso mesmo. E tá sendo uma experiência muito boa, muito boa. Eu descobri várias coisas novas assim que eu não sabia que eu tinha interesse. Foi com o curso que eu descobri que eu gostava dessas coisas mesmo. Aqui tem uma, duas, 3, 4, cinco meninas trabalhando nessa ideia. Me fala o que é. O nosso projeto é um bueiro inteligente, onde ele vai separar a água do lixo e a água ela vai ser reutilizada para resfriar os data centers e o lixo. Aí a gente tem os sensores aqui, ó, que eles display que estão ligados nos sensores que vai mostrar quando a água tiver em 100% e quando o lixo tiver em 100% também para poder limpar o bueiro. Você já tinha alguma familiaridade com esses circuitos, com toda essa linguagem ou todo mundo aqui tá aprendendo no projeto? A gente tá aprendendo tudo no projeto. Antes daqui eu nunca tinha tido contato com nada disso, nem realidade virtual, nem os eletrônicos, os eletrônicos, nada. Foi o primeiro contato foi nesse projeto. E o como tá sendo essa experiência? Tá sendo uma experiência muito incrível, porque além da gente estar conhecendo algo novo, a gente se identifica com uma coisa que a gente nunca achou que a gente iria conhecer. E também a gente conhece pessoas incríveis aqui que dá para levar pra vida. Agora me fala dessa experiência de pensar em trabalhar com tudo isso no meio de tantas meninas, um projeto voltado para meninas, para mulheres, como também é esse contexto para você? É algo muito importante na sociedade, né? porque a gente sabe que é muito difícil ter inclusão de mulheres nesse meio. Então eu acho que é um projeto muito importante que ele pode continuar sempre, porque sempre vai ter meninas interessadas em conhecer esse esse ramo. O nosso projeto é um robô com uma garra interativa, que a função desse projeto é a garra separar resíduos. Esse projeto tem sido algo bem desafiador, mas também tem sido muito gratificante pra gente, onde estamos aprendendo bastante coisas. Até então você tinha essa preocupação com sustentabilidade, já tinha essas atitudes no seu dia a dia de separar o tipo de resíduo ou não? Tudo isso começou a surgir participando do projeto? Então, foi algo, eu sempre, por um exemplo, fui aquela criança que não gostava de jogar eh pacotinho de bala na janela do carro, mas essa questão de separar foi algo que realmente me chamou mais atenção no dentro do Minastec com o nosso projeto. E quando a gente pensa e que futuramente a gente pode ter cidades a partir de um protótipo como esse, tendo esse tipo de serviço, vamos falar aqui na sociedade que é Sumaré, quando se pensa em limpeza pública, quando se pensa no solo público, você acha que já é uma importante semente? Sim, com toda certeza. Acredito que futuramente muitas coisas vão ser feitas por robôs. Eu acho que essa é uma ideia muito boa, onde o nosso grupo a gente desenvolveu isso e acredito que futuramente com as e as essas coisas pode ser uma sementinha onde pode acarretar para um algo bem maior assim que realmente aconteça. E essa experiência de viver de certa forma aí essa essa digamos assim essa entrada na tecnologia, essa vivência desse mundo tecnológico, até então você conhecia alguma coisa ou não? Então eu tinha pouco conhecimento. Eu não sabia que eu poderia fazer algo, eu junto com as meninas do grupo, a gente conseguiria fazer algo tão grande assim. Eh, realmente essa entrada na tecnologia foi algo que aconteceu só aqui no Minas, onde eu consegui perceber muitas coisas. E como tem sido trocar essas ideias com as suas colegas? Sempre tá tudo bem ou às vezes tem alguma divergência? Como vocês lidam com isso no dia a dia? Esse grupo foi algo que aconteceu bem do nada no início do do projeto. Muitas aqui não se conheciam ainda, mas a gente conseguiu formar o grupo e acredito que a gente pensa muito parecido, temos ideias muitos muito iguais, mas quando acontece alguma divergência, alguma coisa assim, a gente sempre conversa a base do respeito para conseguir organizar as ideias e ver o que realmente é melhor para o nosso projeto. E profissionalmente, vocês acham que aqui tá um caminho para seguir profissão? Sim, tem algumas meninas, a Isabele, ela é uma menina que pensa em seguir essa área assim da tecnologia. E você que viu aí como funciona um pouco Hacker Clubs e também Minas tec, Davi, me conta aquele sonho lá no início daqueles três rapazes, né, que e hoje [música] que tem esse montante. A gente viu aqui uma pequena fatia do trabalho de vocês. Como que é isso? pensar que hoje são mais assim, cerca de 70 pessoas entre voluntários e colaboradores participando desse grande movimento. [música] Eu acho que inspirador. Ah, o que eu diria, porque começou como algo simples, que nós sempre vimos e ouvimos que tinha muito potencial, eh, mas ainda existir muito acertilhado, porque hoje nós estamos desse tamanho, temos muitas coisas acontecendo, muitos projetos, eh, bastante gente impactada. Mas tendo em vista a quantidade de impacto que ainda é necessário ser causado, o sonho é que em algum momento a casa hacker eh atingja a sua missão e a gente possa falar: "Beleza, agora tá tranquilo, casa hacker pode ficar mais sossegada". É, mas inspiradora eu gosto muito e tem muito a ser feito ainda. A casa hacker tem uma sede em Campinas ou não? Sim, nós temos dois locais em Campinas, um que é o administrativo que fica em Barão Geraldo, e outro onde acontece as ações do Quebrado em Movimento que fica lá no Campo Grande. Sim. Mas todos esses projetos são pensados [música] na na sede administrativa, mas não são realizados lá. É isso. Na verdade, todo mundo hoje trabalha home office, né? Então, o gerente fica no lugar, o educador vai só para poder dar aula todo estratégico é feito ali na casa dele. Tudo muito digital. Tudo muito digital. Exatamente. Justamente nesse propósito, né? Exatamente. Agora você falou de de um futuro em [música] que a casa hacker pode pensar: "Olha, estamos sossegados, mas você não acha que é de certa forma uma utopia pensando que a gente tem aí ainda muitos públicos. Hoje vocês estão falando de jovens, de adolescentes, mas quando a gente olha, a gente tem um público, uma população brasileira que envelhece cada vez mais e que pouquíssimos têm conhecimento aí do mundo digital e tudo mais. Tem muita coisa para impactar ainda, hein? Tem muito trabalho a ser feito. Precisamos de muito apoio para poder fazer esse trabalho. Esperamos que não seja só a Casa Hacker fazendo esse trabalho também. Eh, mas de certa forma a gente pode considerar uma utopia, mas não por isso desistir ou deixar de fazer as coisas, né? Eh, é algo a longo prazo, é algo que nós não esperávamos ou queríamos que fosse a longo prazo. Eh, mas é um trabalho a ser feito e que alguém tem que fazer. A gente quer, gosta, adora fazer esse trabalho. Então, vamos nessa, tá certo? Então, olha, você viu aí as redes [música] sociais da Casa Hacker e tudo mais, imagens de outros projetos também realizados e pode acessar e conhecer muito mais esse trabalho. Aí o endereço aparece no seu vídeo. Davi, muito obrigada e parabéns pelo trabalho, por essa iniciativa [música] que o que a gente percebe é que cada dia cresce cada vez mais. Eu que agradeço pelo espaço. E o Mãos Solidárias fica por aqui. Lembrando que você pode acessar lá no canal do YouTube da TV Câmara Campinas, entra na playlist Mãos Solidárias. Você conhece outros trabalhos também de outras organizações da [música] sociedade civil, iniciativas de solidariedade e muito mais. Até um próximo. Mãos Solidárias. [música] [música] [música] [música]