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[Música] Olá, no mão solidárias de hoje nós vamos conhecer o trabalho da associação Alimentos para Todos, que começou em 2014 com o Felipe de Oliveira. José Felipe, seja bem-vindo. Hoje a gente tá aqui, inclusive no Jardim Campos Elíos, em Campinas, que é a sede. Mas esse trabalho começou de uma forma bem diferente. É isso mesmo, Felipe. Me conta essa história, como que surgiu? Olha, vou distribuir alimento, que tipo de alimento? Como foi essa ideia? O que que tava acontecendo em 2014 quando você decidiu começar esse trabalho? Bom, primeiramente, bom dia. Obrigado aí pela oportunidade a gente poder falar um pouco desse trabalho nosso. Na verdade, assim, a gente tinha um, eu tinha um, uma vontade de poder contribuir de alguma forma com a nossa sociedade. Eh, não sabia ainda onde e como, mas eu tinha muito para mim que era através de alimentos, principalmente em famílias que tinham situações emergenciais, eu não sabia como ajudar. Eu entendia que existia muitos, muitos projetos que às vezes acaba contribuindo. Isso é muito bom com eventos sazionais, né? Então assim, Natal, Dia das Crianças, isso acontece muito e é muito bom. Mas eu ficava me perguntando assim: "Mas e o dia comum? E o dia a dia? E o resto do ano? E o resto do ano, como que essas famílias eh acabam sendo ajudadas, contribuídos de alguma forma?" E aí eu comuniquei com alguns amigos, falei no trabalho, falei: "Eu quero arrecadar alguns alimentos, quero poder ajudar famílias, né, que estão passando por alguma dificuldade, necessidade". Sempre era pergunta: "Para quem, para onde?" Falei: "Eu não sei ainda, vamos arrecadar, depois a gente vê". Aí eu comecei a arrecadar alimentos no serviço de alguns amigos sozinho ou com alguns amigos? No começo comecei a arrecadar sozinho, tá? E aí quando eu vim em casa já tinha assim muitos quilos de alimentos. E aí eu comecei a entrar em contato com as prefeituras, Campinas, Virtolândia, Sumaré, para poder pegar contatos de ONGs, instituições sociais, tudo. E eu comecei a visitar essas instituições. Então ia no meu horário de almoço do trabalho, ia depois do trabalho, ia de final de semana entender o que que essas ONGs, esses projetos fazem para poder de alguma forma mostrar também o meu interesse, falar: "Eu gostaria de contribuir com famílias que estão passando por necessidade hoje, que tem necessidades emergenciais de alimento. e a gente conseguiu encontrar algumas ONGs que de fato poderiam casar eh esse trabalho. Então assim, muitas ONGs já tinham seu seu trabalho bem desenvolvido, as necessidades eram outras, obviamente, dinheiro, às vezes estrutura, física, tal, e não era o nosso intuito. E aí foi quando através do da primeira ONG que a gente identificou que poderia casar, eh, o que eu gostaria de ajudar é através da cidade dos meninos, a on de cidade dos meninos lá no Campo Bel. Exato. Eles falaram, tem um casal que saiu daqui e a gente não consegue mais contribuir e assim eles estão passando necessidade. Talvez a sexta que você de alguma forma quer ajudar pode suprir sua família. E aí foi quando eu chamei, então na minha época era minha minha namorada, hoje é minha esposa e dois amigos. E a gente foi fazer essa visita junto com com assistente social na época. E a gente foi visitou. Foi a primeira vez que a gente entrou na casa de alguém desconhecido, que não sabia como seria. De fato, é diferente, né? Você tá entrando na casa de uma outra pessoa, você tá vendo dificuldades que às vezes você não tá acostumado a ver, ouvindo histórias de uma realidade totalmente diferente da sua. Mas naquele momento, quando vocês foram com a assistente social, ela fez aquele meio de campo para vocês entenderem em contexto. É isso, exatamente. Ela por ela conhecia, ela tinha esse relacionamento com a família e foi uma um momento também de experiência pra gente entender como que é esse trato, como que é entrar na casa de uma outra pessoa, ter essa experiência. E pra gente, quando a gente saiu de lá, era uma moça grávida, tava com meses já, pronta para dar luz, não tinha o que comer em casa, o marido também estava em casa, mas o marido tinha algum problema em relação com a com a justiça na época, então tava um clima meio hostil ali. Sim. E a gente saiu de lá, ajudou com a cesta, a gente montou a cesta com os alimentos que a gente tinha, né, recebido e a gente saiu com a sensação de é isso, é isso que a gente quer fazer, dessa forma que a gente quer ajudar. E aí começou e aí depois teve outra família, depois teve outra. No começo, então, Felipe, as onges que identificavam, isso foi por muito tempo ainda através das ONGs ou não? A partir de que momento vocês começaram a, como que é essa referência? Olha, alimento para todos precisa chegar na família A, na família B, na comunidade A e B. Como é isso? Legal. Nos primeiros seis meses a gente foi só por indicações de ONGs, porque a gente não tinha esse não não tinha nenhum relacionamento com famílias diretamente. Então as ONGs indicavam e começou a expandir da cidade dos meninos foi para uma ONG Hortolândia, outra em Sumaré e eles entenderam esse propósito nosso e a gente acaba fazendo um favor pra comunidade local por existem algumas ONGs que realizam trabalhos ali e por exemplo com crianças que fazem contra de escola. Sim. que é o sistema de vínculo afetivo, né? Exato. E aí, por exemplo, se a família tá passando necessidade em casa, a criança às vezes vai optar por trabalhar ou pro tráfico de drogas. Então, a gente ajudando, contribuia para que a a criança não saísse do instituto. E aí por uns por um ano mais ou menos, a gente teve muito eh relacionamento com OGS nesse sentido, mas depois de seis meses, a gente criou a nossa rede social e a partir da nossa rede social a gente já teve pedidos diretamente e aí a gente começou a dividir. Então algumas famílias eram de forma direta. Então, e isso foi muito pra gente foi um choque na época, né? A gente fala primeira vez sem um assistente social junto, como que vai ser? Como foi isso? Você lembra? Lembro, lembro. Essa primeira visita. Ah, a gente fica um pouco com receio. Foi em Campinas. Foi em Campinas. A gente fica um pouco com receio. Eu não vou te lembrar agora o bairro, tá? Eh, porque foram muitas já, mas foi em Campinas e a gente, você vai com um pouco de receio, mas você já vai com uma lembrança de como que é, do que você deve falar, do que não deve. o o e fala até pouco para não se comprometer muito, até para deixar a família mais confortável. É porque apesar deles assim naquele momento são estão em extrema vulnerabilidade, você está na casa do outro, você tem que respeitar aquele território, não é isso, Felipe? Total. E isso faz até parte do nosso treinamento para nós voluntários, porque assim, a gente tá lá só pelo fato de ajudar, não para julgar, não para questionar, porque a gente vai ver realidades ali que a gente não concorda, vai ver histórias ali que a gente morre de vontade de dar um pitaco, fala: "Não, não faz isso". Mas assim, não é o intuito do projeto. O intuito é ajudar, é contribuir, dar um suporte e assim a família de alguma forma ela vai ter que lidar com seus próprios problemas, né? Sim. E esse suporte, ele essa família é cadastrada, por quanto tempo ela recebe o suporte da associação? Legal. a gente não faz assistencialismo, então assim, a gente ajuda, o nosso modelo é a ajuda emergencial, então a família se cadastra e a gente visita para atender, entende a realidade. Obviamente tem uma pré-visita, uma ligação para entender, vai visitar na casa e a gente atende. A gente pede no mínimo 90 dias para que essa família se cadastre novamente, peça novamente caso ela tenha uma necessidade recorrente. Então vamos lá. Ela se cadastra, recebe no primeiro mês essa cesta básica. Ela recebe por quantos meses no máximo? Depende da avaliação. Depende da avaliação. Como? Me dá alguns exemplos. Por exemplo, eu tenho uma família que a gente atende há 9 anos. Há 9 anos. E assim, só que são casos bem específicos que a gente avalia internamente, entende? Eu vou dar um exemplo dessa família em específico. Eh, era uma era uma senhora, uma avó de vó de cinco, seis filhos e a filha era muito viciada em craque e ela foi morar na rua, essa essa filha dela e abandonou as crianças e ela foi obrigada a virar mãe novamente, né, não mais avó e ela passou a ser tutora legal das crianças como mãe de fato. E ano, após ano, essa filha com que viciada, aparecia com uma criança na na porta da sua casa, no primeiro, no segundo, no terceiro. E ela teve que inclusive doar para outros membros da família essa criança, deixar tutela com outros, pr outro, para tio, porque ela não dava conta. E assim, ela é uma senhora já uma estrutura física mais cansada, tudo, ela não consegue trabalhar, não, a gente não apoia ela mensalmente, mas a gente vai suprindo emergencialmente no decorrer dos meses. Então, quando a coisa aperta um pouco mais, a gente vai lá, a gente ajuda com um alimento ou a gente dá um outro tipo de suporte. Ela virou meio que já uma família meio que apadrinhada. Sim. Mas porque que é diferente do intuito do projeto que olha, eu vou te ajudar por um x tempo até você arrumar um trabalho. Como que é esse outro lado? Porque na prática é o seguinte, a família é atendida, ela tem no mínimo 90 dias para se cadastrar de novo, a gente atende uma segunda vez. A partir da terceira solicitação, a gente tem observações dos voluntários nas visitas, né? Então a gente também tem a questão da nossa mentoria profissional. Então, como que funciona a mentoria profissional? a gente vê famílias que têm eh idade e condições de trabalho e se oferece uma uma ajuda do projeto para se recolocar no mercado de trabalho. Então a gente tem um grupo focado nisso para melhorar currículo. Ah, então não é só entregar alimento. Na verdade isso foi uma extensão no decorrer da pandemia que a gente viu que o projeto poderia atuar em outra fim. É o foco sim, mas por que que essa parte do projeto surgiu com as recorrências de solicitação, porque senão fica assim, eu quero mais uma sexta, eu quero mais uma sexta, eu quero mais uma sexta e aí foge do nosso escopo que é entrega emergencial. Então, se a família precisa de uma sexta todo mês, a gente entende que o trabalho pode ser a via para fechar um pouco essa torneira. Sim. E aí a gente durante a pandemia desenvolveu essa frente de mentoria e assim perdiu a terceira vez, a gente vai olhar pra mentoria. Essa família se enquadra na mentoria, se enquadra. Então a gente algum membro consegue trabalhar ex quando tem questões de saúde, como no caso dessa senhora que você explicou aí é um outro tratamento. É um outro tratamento. Ela sabe que a ajuda não vai ser mensal porque a gente não faz esse vínculo, mas assim, a gente nunca vai deixar passando uma necessidade extrema. Então, a hora que a coisa aperta muito, a gente ajuda, contribui visita e às vezes a ajuda também não é só do alimento. Então a gente realiza visita, vai ver como é que a família tá, entende algumas outras frentes, não necessariamente o projeto, mas eu entendendo alguma dificuldade da família, onde o projeto em si não consegue ajudar, mas eu consigo direcionar para outro projeto, consigo eh indicar uma outra pessoa para ajudar também. Um como eh cidadão, a gente pode contribuir dessa forma. Você falou inclusive dessa questão da dessa mentoria de profissionalização durante a pandemia e a gente sabe que na pandemia foi o ápice, infelizmente, da fome, onde muitas pessoas perderam o emprego. A gente tem aí grande parte da população, diarista, pedreiro, e esses serviços simplesmente não puderam ser executados. Como foi atuar nesse período lidando? Claro, com a questão da fome, com a questão do medo de morrer, que tava todo mundo em alvoroço, olha, tem que usar máscara, tem que usar álcool, como eu vou até as comunidades? Como vocês se organizaram nesse período, Felipe? Eu diria que a pandemia foi um divisor de águas pro nosso projeto e o nosso projeto ele tá sempre bem eh de alguma forma, indiretamente a gente acompanha a movimentação econômica do país, né? Então a gente entende quando o país dá uma oscilada e a gente acompanha isso nas nas solicitações, nos tipos de profissão das pessoas e a pandemia ela atingiu a remuneração variáveis total. Então assim, o que a gente visitou de quem era cabeleireiro, manicure que trabalhava de segurança, de de auxiliar de limpeza, então assim porque fechou o shopping, fechou os estabelecimentos, então a gente visitou muito, só funcionário de shopping, eu acho que eu visitei mais de 100 de limpeza, principalmente auxiliar de limpeza. E para você ter uma ideia, o nosso projeto quando tinha um mês que a gente atendia muita família, que a gente falou: "Nossa, esse mês foi demais". A gente atendia 80 famílias mês, mas a média era 30, 20 famílias mês. No primeiro ano de pandemia a gente atendeu mais de 3.000 famílias. E no primeiro momento foi assim: Lockdown total, o que que a gente vai fazer? Hora que a gente abriu a lista lá de pedidos, mais de 3.000 pedidos de sexta, recebemos a lista mais de 3.000 famílias solicitando sexta, gente, que que a gente vai fazer? Lockdown, tudo. A gente sa, né? O mundo não sabia como agir. E aí teve um casal de de voluntários que botou luva, máscara, falou: "Ah, vamos atender, vamos atender assim, não vamos entrar nas casas. A gente tem como comportamento, a gente entra, conversa com as famílias. Então assim, vamos atender do portão com alguma distância, pedir pras famílias colocarem máscara também, eh, e fomos atender. E aí a gente foi pra rua. Como é, diferentemente do que a gente faz de ter um relacionamento, uma visita um pouco mais demorada, elaborada, na pandemia não era assim. Era uma coisa mais automática, meio que automática, estamos deixando no portão, busquem no portão, fast food assim. Exato. Chamava, conversava ali a distância, entregava sexta. O que a gente entregava, às vezes visitava três, quatro famílias no sábado, eu passei a visitar 40, então saía de manhãzinha. Mas vocês estavam em home office no trabalho? Porque enquanto isso cada um de vocês tem uma profissão, tem uma vida, tem um trabalho. Como que foi reunir tudo isso? Total. É, a gente meio que se dividiu. Eu trabalhava, eu estava de home office também, então eu dedicava muito minhas entregas aos finais de semana. Tinha voluntários que conseguiria, que conseguia na época fazer durante a semana. Então a gente meio que entregou todos os dias da semana a gente estava visitando famílias. Então era segunda, terça, sábado, domingo. Então não tinha dia. Os voluntários que tinham disponibilidade durante a semana ia. Aqueles que tinham disponibilidade à noite iam. E a gente encerrou o primeiro ano de pandemia entregando mais de 3.000 seestas. Quantos voluntários vocês eram na época? Na época foi a época que também que o projeto dobrou de em termos de voluntário, doações mais quadruplicou. Então a gente era em torno de uns 20 voluntários. Encerramos o ano com mais de 50 e hoje, mas tivemos mais de voluntários por um dia, mais de 50 também. Então a gente voluntários assim pontuais, pontuais. Exato. Pontuais. Tivemos muitos voluntários pontuais nessa época. Hoje a gente tá em torno de uns 50 voluntários fixos, certo? E passado esse momento de lockdown, de um ano de pandemia, como foi então de novo se reorganizar numa nova realidade? As pessoas voltam em tese a trabalhar? Claro que não foi rapidamente, né? Muitos ainda dependeram de alguma ajuda e de benefícios inclusive do governo. Como que foi então reestruturar tudo isso? Ó, eu diria que o resquício da da pandemia para nós como projeto durou até o fim de 23, porque o projeto ficou conhecido praticamente em toda a região. Então a gente atendeu famílias praticamente todos os bairros possíveis aqui. Então isso vai se espalhando. Resquis que eu digo o seguinte, porque qualquer dificuldade as famílias procuravam a gente. Foi quando a gente precisou criar mais esses mecanismos de bloqueio no sentido de já foi visitada. Ah, eu tenho uma família que foi atendida. Eh, eu tenho 100 solicitações, mas eu também tenho, eu dependo das doações. Então, assim, eu tenho 100 famílias precisando, eu tenho 80 cestas, eu vou por exclusão. Então, as famílias que já foram visitadas mais de três vezes vai pro final da fila, eu vou atender quem nunca foi atendido. Então, a gente começou a criar esses filtros, focar na mentoria também como um como um mecanismo de de selecionar, né? É, obviamente a prioridade é sempre emergencial para quem nunca foi atendido. E aí que famílias que já tiveram mais atendimentos, a gente vai colocando nessa seleção de tá na mentoria, não tá, tem necessidade, não tem. A gente também vai olhando internamente para voluntários que já visitaram, que pode fazer algum tipo de de resumo, falar: "Não, essa família de fato tem uma situação que ela precisa". Então a gente precisou criando adaptações e o projeto bem conhecido em todas as comunidades aqui. Então é algo comum as famílias recorrerem para nós. Mas eu digo assim, resquícios da pandemia, porque até o final de 2023 ainda tinha famílias que estavam se estabilizando e agora e a gente entendeu que 2024 virou um pouco essa chave, falou aí o o principalmente os benefícios do governo deu uma normalizada e aí a gente conseguiu equalizar um pouco essa lista e hoje a gente trabalha com uma lista de espera um pouco melhor, tá? Hoje vocês atendem em média quantas famílias mensalmente? Tomamos um padrão aí entre 50 e 80 famílias. 50 80. A gente tá falando inclusive aqui da sede da associação que fica no Jardim Campos Elízios, mas você já mencionou na entrevista que tem Hortolândia, Sumaré, como que é esse trabalho não só na cidade de Campinas, mas nessas cidades conurbadas também. No nosso histórico de 11 anos, nós já atendemos 27 cidades. Então assim, a gente já praticamente todas as Então as cidades em volta aqui, a gente já forem praticamente todas elas, região Piracicaba, Limeira, tudo. Mas como vocês vão? Tem um voluntário nessa cidade ou não? Pedido chega de lá e vocês vão até lá, a gente se desloca. Hoje os nossos 100% dos nossos voluntários estão concentrados em Campinas, Ortolâ, Sumaré. Esses são, mas já tivemos em Paulina, então, mas hoje Campinas Ertolâ Somaré. Então, se tem alguma solicitação a gente se desloca, mas 90% das solicções, elas se concentram aqui nessas cidades. Monte, é porque é onde tem concentrada a maior população, mas também maior número de periferias. Então, a gente acaba se deslocando muito por aqui, mas assim, se tem uma solicitação, não tem porque a gente negar. Se a família tiver precisando de fato, a gente se desloca. O futuro da associação, que que vocês querem? Bom, sinceramente, que não exista mais, que ninguém precisasse, ninguém precisass Exato. O nosso o intuito do projeto é que ele deixasse desistir um dia, falar: "A gente cumpriu o nosso propósito, eh, e mas infelizmente a gente sabe, mas que a realidade é outra." A realidade é outra. Mas o que que a gente tem em mente que a gente possa ser ter uma estrutura que consiga atender de forma rápida e eficiente de fato essas famílias? Ter um time que consiga identificar e fazer essas divisões. Eu acho que é importante de selecionar as famílias para focos, para que a gente entenda o que é foco do alimento para todos e o que pode ser foco de um outro projeto, que isso acontece também. e a gente ser um mantenedor, não só dessas famílias, mas também de projetos que tenham esse mesmo intuito e a gente utilizar a nossa nossa experiência, o nosso nosso rotamento de doadores para poder manter e uma estabilidade, quem sabe com uma economia mais equilibrada, eh programas sociais melhores e uma estrutura de sociedade mais adequada, o projeto possa ir perdendo um pouco a importância, porque de fato as famílias estão bem equilibradas, é o nosso principal objetivo. e a gente atuar bem mais paticamente ali, tá certo? Então, Felipe, parabéns pelo trabalho e a gente com certeza, olha, nós vamos mostrar no próximo bloco uma das voluntárias contando sobre essa experiência, como se envolveu com o projeto, como ela se vê no projeto e claro, a gente vai mostrar Felipe e o pessoal dele na prática fazendo a entrega dessas cestas básicas. A gente volta já já com mãos solidárias. Não saia daí. [Música] De volta com Mãos Solidárias, que hoje mostra o trabalho da Associação Alimento para Todos. Eu já conversei com o Felipe, que é o fundador da associação no bloco anterior, e agora eu vou conversar com a Isadora, que é uma das voluntárias, que anos depois veio pro projeto e olha, tá aqui já tá 9 anos. É isso, exatamente. Me conta então como foi esse esse flirtar, esse primeiro, você já tinha feito algum trabalho voluntário antes ou não? Como você conheceu o projeto e a partir de qual momento você disse: "Quero fazer parte? Eu conheci o projeto através de um colega da faculdade. Eh, a gente estudava junto, eu tava vendo que fazia umas ações legais. Comecei como doadora. Eu fui convidada a fazer uma entrega. A primeira entrega foi bem impactante. A gente foi num uma casa que tinha muitas galinhas. Foi muito em Campinas mesmo. Foi em Campinas. É, foi muito memorável, né? Sim. E aí logo depois me convidaram para uma reunião para apresentar um pouco mais sobre o projeto e me convidaram para ser voluntária. Tá. Você falou desse impacto dessa primeira entrega. Até então você não tinha noção dessa realidade eh social que tá tão perto de nós? me fala um pouquinho desse sentimento. Vamos lembrar, porque eu vi que inclusive você ficou um pouco emocionada de lembrar dessa questão de pensar que aqui em Campinas a gente tem uma situação bem diferente do nosso dia a dia. Me conta. Sim. Eh, às vezes a necessidade tá tão perto da gente, a gente é tão fechado no nosso mundo que a gente não consegue ver ao redor como como as coisas são realmente, né? Eu não fazia ideia da de como era, porque o que eu via do projeto era fazendo as entregas. A gente sabe que a necessidade existe, mas não sabe que às vezes tá tão próximo da gente, não sabe que às vezes eh a família é tão grande que precisa tanto de um apoio, um auxílio, né? Tinha muitas crianças nessa casa, se eu não me engano, tinham três crianças. Três crianças. Três crianças. Era uma mãe solteira e os avós das crianças. Sim. E umas 50 galinhas. Sim. E aquilo te impressionou? Aquilo me impressionou. Foi sim. E quando você saiu de lá, que foi que você disse: "Posso fazer mais?" Foi essa sensação de, nossa, é um egoísmo da nossa parte, fica tão fechado no nosso mundo, por que não dá o meu tempo que não que a gente tenha tempo sobrando, mas a gente consegue fazendo um esforcinho a mais, ajudar outras pessoas. Aí foi assim que começou. Aí foram, essa foi a primeira entrega de muitas que vieram depois, depois da reunião então e dessas entregas, como foi então o seu desenvolvimento? Eh, hoje você faz mais parte das entregas da organização, o que que você foi desenvolvendo e se envolvendo também cada vez mais com a associação? É, no começo o projeto era bem pequeno, a gente, eu acho que na época a gente tinha 12 voluntários, então eu ficava mais nas entregas, mas com o decorrer já passei pela integração de novos voluntários. Hoje eu sou da comunicação do projeto, então faço parte das redes sociais que faz vídeos, publica, responde as famílias e os doadores que vem através das nossas redes sociais e continuam nas entregas. Sim. E recentemente eu soube que inclusive vocês fizeram aí uma festa de aniversário. Como foi para você fazer parte de tudo isso, né? Você, ela já me contou que é engenheira de produção, né? E como como é para você dizer, olha, eu tô dando um pedacinho de mim para ajudar em algo maior com esse? É, é muito bom. cada ano que a gente comemora do projeto, é, é muito bom saber que mais um ano a gente conseguiu eh pelo menos tentar combater a fome. A gente conseguiu ajudar muitas famílias e é sempre um prazer, né? Além da alegria de poder ter comunhão com os voluntários, mas eu sempre muito bom. E a pandemia como foi para você na pandemia? Na época eu trabalho numa área de que era que não parou, né? Sim. Então continuei trabalhando e a gente continuei com as entregas. Aí a gente viu muita gente que trabalhava, que tinha uma vida financeira estável até a pandemia. No começo ainda foi uma época que a gente recebia muitas doações porque o pessoal eh se solidarizou muito com os outros, né? Mas aí com o tempo a gente foi vendo que outras pessoas que antes ajudavam estavam precisando ser ajudadas. Aconteceu isso então também aconteceu. A gente visitou lugares que você falam: "Nossa, mas aqui a pessoa precisa de ajuda". Aí a gente soube da história que os o casal perdeu o emprego, tinha criança pequena e acabou desestabilizando financeiramente as famílias, né? Sim. Naquele momento precisava de você. Muito. Sim. Mas também logo depois aconteceu de pessoas que foram ajudadas, chegaram a ser voluntários junto com a gente. Olha que interessante. Então essas pessoas, eu fui ajudada, agora eu estou bem, agora eu estou bem, agora eu vou ajudar. Muito legal. Como que é também pensar nessa mudança de chave e de transferir? você um dia foi picada pelo voluntariado e depois pensar que outras pessoas podem também ter essa esse sentimento, essa vontade colocar essa vontade em prática. a gente tem a sensação de que a gente tá fazendo bom trabalho, porque se a gente inspirou uma pessoa a ser voluntário também, é porque o nosso papel tá sendo importante. Então, é muito legal ver gente que foi ajudado ter não só a consciência de nossa, posso ajudar, mas ter a vontade de querer não só doar, mas doar o seu tempo, que às vezes é muito mais importante do que o financeiro. Sim, a gente fala das doações e nesse bloco você pode ver que a gente tem algumas cestas aqui no fundo. Eu já até conversei com a Isa que além dos itens de alimentação, também tem itens de higiene e limpeza. Como que é o critério para vocês montarem cada uma dessas cestas? É, a gente tem uma cesta padrão, né? E com o tempo a gente foi incrementando ela, a gente foi vendo que a necessidade a gente, as pessoas também precisam lavar uma louça, também precisa tomar banho, escovar os dentes. Então a gente foi colocando esses itens e nos últimos anos a gente entendeu também a necessidade de incluir o absorvente que com estudos, reportagens que a gente viu, crianças deixavam de ir na escola em período menstrual porque não tinha absorvente em casa. Então a gente é um problema é um grande problema. Então a gente foi incluindo isso durante o tempo e elas têm, apesar de muitas escolas inclusive terem esse programa governamental do absorvente, elas têm vergonha de ir até a secretaria para pedir o absorvente. Tem vergonha. Então, é uma, é ajudar de uma forma, é uma dignidade. Dignidade. Exatamente. É da dignidade de a pessoa não ter que se expor a esse nível de ter que pedir fora de casa para ter o mínimo, o básico. E hoje como é a sua rotina como voluntária de faz, você falou de rede social, que você faz os pedidos, como que você consegue encaixar tudo isso na sua vida? durante o dia, a gente que é da rede social, a gente até brinca que a nossa escala é 7x7, a gente não tem tempo livre, porque não não é só postar, a gente também tem as pessoas que chegam até o projeto e para pedir cestas através das redes sociais, para querendo ser doadores. Então, a gente tem todo esse trabalho de planejamento de conteúdo, de postagens, de respostas às pessoas que chegam até nós. Então não tem, todo dia tem alguma coisa para fazer. Sim. E você ainda participa das entregas ou não? Participo das entregas também. Sim. Aí as entregas normalmente faço a cada 15 dias para conseguir conciliar com outros. Mas tem entrega todos final de semana todo final. É, são sempre final de semana ou tem algumas no meio da semana? Para quem tem disponibilidade também pode fazer o meio da semana, mas a maioria dos voluntários como trabalham, então fica mais fácil, mais viável os finais de semana. Sim. E hoje como esses alimentos chegam até vocês? A gente observa, por exemplo, nas cestas que cada uma tem uma marca, então, ou seja, vocês tiveram que mobilizar várias pessoas para conseguir montar uma cesta. Que trabalho é esse? Como é agregar e sensibilizar outras pessoas para fazer essa doação? Porque não é uma não é uma empresa que doa é isso? Não, nós não temos vínculo com nenhuma empresa. Nenhuma empresa doa mensalmente pra gente. A gente tem voluntários mensais, mas a vai muito da nossa divulgação também, do nosso trabalho. Então, acho que as pessoas vendam, nossa, o trabalho realmente acontece, então elas sentem confiança em fazer a doação. Então, a nossa maior mobilização é pelas redes sociais e pelo boca a boca dos voluntários. Recentemente a gente também fez uma corrida solidária que também arrecadou eh alimentos pra gente. Então, às vezes a gente tem esses eventos pontuais que também traz alimentos e possíveis doadores, sim. Que chegam depois através do dos eventos que foram feitos, correto? E aí depois desse material, eh, por exemplo, vocês fizeram a corrida, foi no local, no dia a dia, as pessoas trazem até a sede da associação ou elas deixam o endereço, vocês buscam, quem quiser, por exemplo, doar algum alimento, é alimento não perecí, alimentos não perecíveis. Como chegar até vocês? Eh, a gente tanto recebe aqui na sede durante a escala de montagem, que é as quintas-feiras a partir das 7:30 da noite, e aos sábados nosso plantão, que é a partir das 9 da manhã, das 9 ao meio-dia, mas se a pessoa não tiver disponibilidade para trazer até nós, a gente também mobiliza os voluntários para ir fazer a retirada da doação. Aí pode entrar em contato com a gente através do nosso Instagram que é alimenta, alimenta pontpara. todos que lá a gente combina a retirada da dos alimentos também. Tudo é Instagram, rede social, tem Facebook, tem Facebook, mas o Instagram é mais tem algum WhatsApp da associação? Não, não, não. Então, a @alimento. Todos isso. E ou então quinta-feira a partir das 7:30 da noite, sábado a partir das 9. Das 9 ao meio-dia. Qual é o endereço? Rua Conselheiro Antônio Carlos 1785. Jardim Campos Elízios, Campinas, São Paulo. Agora a gente vai, daqui a pouquinho a gente inclusive vai mostrar esse trabalho de montagem, de entrega e mostrar essa questão do emergencial para essas famílias. Como é fazer então, Isa, com que essas famílias entendam que não é algo para sempre? Isso fica muito claro para elas. A gente tenta deixar isso bem claro, porque a nossa ideia não é que a pessoa dependa de nós, mas que é que ela cresça na vida. Então, por isso é tão importante o papel da mentoria profissional. A gente sabe que tem casos que a pessoa realmente não consegue trabalhar, mas eh tem casos que as pessoas podem trabalhar. Então é um outro grupo, vai, vocês vão lá, doam, tem essa constatação e passa para um outro grupo. Ó, essa pessoa precisa de mentoria. a gente passa e também passa pras famílias, elas fazem o cadastro. Aí a gente vê nesse momento o interesse delas em fazer em querer crescer, né? Em E essa mentoria é o quê? Um curso de qualificação. Como que funciona na prática? A mentoria profissional é um grupo de auxílio que faz a captação de vagas. env eles têm um grupo, envia essas essas vagas eh nesse grupo, ajuda na melhoria de currículum. Então, se a pessoa tem marcou uma entrevista, tem alguma dúvida, entra em contato com o pessoal da mentoria para dar dicas. Eh, faz esse trabalho, esse meio de campo. Aí já teve alguém falando: "Olha, eu consegui um emprego". Já através da essa sensação? Pra gente é muito gratificante, né? que a gente conseguiu não dar só o alimento, mas a gente tá conseguindo é que a pessoa construa uma vida melhor pr ela e pra família dela, que tá, talvez essa seja virada de chave na família, não só para ela, mas pros filhos ver como exemplo, porque a gente sabe como a rotina dos pais impactam na no futuro dos filhos. Sim. Então é, foi muito bom pra gente ver esse, é, a gente inclusive teve recentemente eh falando sobre a questão do mapa da pobreza, né? Infelizmente nosso país tá aí ainda nesse fazendo parte desse mapa. De acordo, né, com o último, a gente tem aqui, olha, as pessoas tinham em média de 6.85 5 por dia. Hoje elas têm um rendimento em média de 2.15 por dia. E quando a gente pensa no Brasil, o Brasil a gente pensa que é só Nordeste que tem essa questão, mas não. Aqui da região Sudeste, tanto que o trabalho de vocês é uma prova disso. Como que você acha que a gente ainda precisa lidar com essa questão de ajudar? Claro, olhar para quem tá em situação de vulnerabilidade, mas ao mesmo tempo tentar mostrar um outro lado que é possível tentar sair desse mapa, tentar sair dessa condição. Como é isso? Assim, eh, acho que é importante as pessoas, todo mundo saber que essa realidade existe e existe muito perto da gente. Realmente não é só no Nordeste. A gente entrando um pouquinho mais a fundo aqui em Campinas, a gente vê que às vezes é muito mais difícil que o Nordeste, a realidade. E através do nosso trabalho, a gente tenta mostrar que até por isso que o projeto não é um projeto assistencialista, que dá uma assistência mensal, porque não é isso que a gente quer pr as pessoas, não quer que elas vivam com o mínimo, a gente quer que elas progridam na vida, né? Então, todo o nosso trabalho é voltado para isso, pras pros doadores entenderem que existe essa necessidade e que a gente não tá aqui para sustentar as famílias, mas que é uma ajuda pontual. E para as famílias também, que elas não precisam ser sustentadas, elas podem melhorar de vida sozinhas. A gente é um apoio, mas não é essa a nossa missão. Nossa missão é apoiar que elas cresçam na vida, tá certo? Então, olha, daqui a pouquinho a gente volta mostrando então esse trabalho, essa entrega e o quanto é importante cada alimento para essas famílias. [Música] E a gente tá aqui no Jardim Rosália para entender um pouco mais desse trabalho na prática. Eu vou conversar agora com a Clara, que é uma dessas pessoas beneficiadas que então o pessoal do Alimentos para Todos tá aqui. Vocês vão ver. Clara, me fala um pouquinho quanto tempo você mora aqui no Rosalia e qual que é a importância de receber essa cesta de alimentos do pessoal, do alimentos para todos. Ah, é, eu moro aqui no Rosálio há mais de 15 anos, desde os 15 anos. E é muito importante a ajuda do Felipe do alimentos para todos para nós, porque teve vez, eu mesma, vou falar de eu mesma, não tem o alimento na minha, no meu armário, na minha mesa e a cesta dele ajudar bastante. Você tá trabalhando no momento ou não? No momento não, só fazendo bico. Você tem filhos? Conta um pouquinho mais para mim. Ah, eu tenho três filhos. Tenho a minha filha e tenho dois meninos. Aí tô sozinha e é bem difícil às vezes. Aqui nós é muito precário. Aqui você divide a moradia com outras pessoas além de seus filhos? Não, graças a Deus não. Só com eles. E todo mês quando vem essa sexta, eu percebi que inclusive quando a gente estava chegando, eles falaram: "Ah, o tio Felipe tá chegando". Tem essa expectativa mesmo de esperar que eles cheguem aqui para trazer todo o alimento para vocês? Tem sim, tem. As crianças ficam muito feliz porque nós sabe, né, como que é sofrido deles também. Sente um pouco na pele. Nós é um pouco esquecido, sabe? Aí a cesta do Felipe ajuda bastante. Vocês são um pouco esquecidos. Como assim? Me explica melhor como que você acha que é esse esquecimento. Ah, tanto por recurso, sabe, do governo, assistência social. Então esse trabalho d dos dos voluntários ajudam vocês a ter um pouco mais de tranquilidade e dignidade. Bastante. Eu recebo a ajuda deles desde a época do meu primeiro filho. Cheguei a ganhar enxoval do primeiro, do segundo também. E a gente vai ia sempre lá pro projeto de final de ano, né? E até as crianças já fica louca, fala: "Mãe, a gente vai tio Felipe esse ano?" Aí aí a gente conversa com as crianças. Mas tipo assim, é uma bção de Deus mesmo. Chega tipo na hora certa, no momento certo para ajudar. Você disse que inclusive tava trabalhando e hoje tá desempregado. Quando você tá trabalhando, você pensa assim: "Olha, agora tá tudo bem". Mas sabe que quando aperta a coisa, pode contar com ele, pode contar. Sim. É bem isso. Tá acabando o sempre vem um leite, vem alguma coisa assim. Meu Deus, tá acabando. Aí sempre chega na hora certa, no momento certo. Agora eu vou conversar com a Juliana também, que é uma das pessoas que recebe essa cesta aqui e que ajuda muito na economia da família dela. Juliana, conta para mim quando chega a cesta básica, os produtos, como que é que você, ou às vezes você já chegou para ele, fala: "Olha, esse mês eu tô precisando, esse mês eu não preciso". Me fala um pouquinho dessa história. Ah, ele sempre quando ele pode, ele vem trazer aqui para mim. Mora você e quem? Aqui em casa mora eu, meu esposo, meus dois. Minha filha não mora mais. A outra, meu filho mora, o Lucas e a minha mãe. E de, e de que forma essa cesta ajuda a sua família? Me conta. Bastante quando a gente tá bem apertado, no bem no bem nas necessidades mesmo. Ele vem aqui e ajuda nós. Quando eu preciso, eu ligo para ele, ele vem e traz uma cesta para mim. Já chegou o mês de você falar: "Ah, esse mês eu não tô precisando." Já chegou essa situação? Ah, faz tempo assim que eu não peço mais. Só cont, mas quando precisa sabe que pode contar. Posso contar com ele. Daí eu mando mensagem para ele vem traz para mim. Qual que é a importância desse trabalho pra sua família? Ah, bastante, porque eu já tive momento muito mais difícil quando meu filho teve um acidente, foi o Felipe que me ajudou bastante também, né? Meu filho teve um problema que ele caiu da árvore e trincou o fêmeo e ficou de cadeira de roda. Então assim, eu tive muita ajuda dele nesse momento, sabe, da minha vida. Então assim, eu só tenho que agradecer a Deus pela vida dele e pra equipe, né, dele também. Felipe, a gente conversou lá na sede da associação, acompanhou hoje essa entrega e a gente percebe desde o momento que nós chegamos aqui que todo mundo, as crianças já falavam: "Tio Felipe tá chegando, todo mundo nessa expectativa." Me fala desse sentimento cada vez que você vai na casa de uma família como dessas mulheres aqui maravilhosas que nós conversamos. Na verdade, eu acho que a sensação ela a gente encerra um ciclo aqui que começa lá atrás com os doadores, a montagem de cesta, toda a estrutura. E aqui a gente encerra um ciclo de o trabalho valeu a pena, o alimento tem um destino e vai fazer diferença na vida de uma família. Acho que essa é a sensação que fica para nós. Ser uma mão solidária vale a pena? Muito e é um convite para que todos possam ser também. Seja você também então uma mão solidária. E a gente encerra o programa por aqui. Até uma próxima. [Música] [Música] [Música]