TV Câmara Campinas
TV Câmara
Campinas
Estúdio Câmara
Em destaque · HD Vídeo · ESTÚDIO CÂMARA

Estúdio Câmara

70 views Publicado 24/01/2025 HD · 1:02:16

Sobre este vídeo

Vídeo do acervo da TV Câmara Campinas.

Transcrição completa do vídeo

53 mil caracteres · transcrição automática

Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.

[Música] Olá boa tarde 2 hor E5 minutos desmantelar estereótipos nas masculinidades negras transceder debates virtuais promover ações coletivas colocar a lupa sobre a maneira como os homens negros experimentam sua masculinidade não é uma tarefa simples um lema que passa pela hipersexualização do corpo negro a idealização do negão bom de cama o racismo e o machismo a violência o homossexualismo como é pensar o papel do homem negro em nossa sociedade o estúdio Câmara de hoje Traz essa temática e aqui com a gente para falar sobre esse tema pra gente debater um pouquinho bater esse papo Leonardo Rodrigues Cardoso que é psicanalista sociólogo pela Unicamp especialista em escuta psicanalítica pela sociedade brasileira de psicanálise de São Paulo e membro do adoráveis masculinidades negras também aon Júnior que é mestre em educação pela unicam professor de educação física e faz parte do grupo de Pesquisas di diferenças de subjetividades em educação e do grupo de estudos negres ambos da Unicamp ele é conselheiro tutelar em Campinas e faz parte do nuu que é o movimento negro unificado de Campinas e também do afoché e logum e o André Gomes que é educador físico graduado na Metrocamp pós-graduado pela Unicamp e atua como personal trainer 15 anos e também ele é um importante eh membro que discute inclusive nas redes sociais com opiniões muito ponderadas quando a gente trata desses vários aspectos aí da masculinidade sejam todos bem-vindos Leonardo vou começar com você primeiro como quando eu falei da sua descrição aqui você me contou que é membro do adoráveis masculinidades negras eu dei uma olhadinha já na internet mas eu gostaria que você compartilhasse com quem tá em casa o que é masculinidades negras o que que trata qual é a temática quem são as pessoas que fazem aí esse esse coletivo seja bem-vindo perfeito muito obrigado pelo convite mirina adores é um coletivo que surge aqui em Campinas e surge para poder discutir em masculinidades e também para servir como um espaço de acolhimento para homens negros seja de Campinas da região e mais recentemente pelos encontros onl online A gente tem conseguido abraçar pessoas de qualquer território o masculinidades negras né o adoráveis ele surgem com a ideia de fazer essa discussão em um primeiro momento em um encontro Pro lançamento de um livro na Casa de Cultura Tainã aqui em Campinas e a partir dali a gente sentiu a necessidade de fazer com que esses encontros acontecessem mais vezes até por conta de muitos desses homens negros não conseguirem encontrar espaço para poder compartilhar sua experiência sim e a partir dessa necessidade a gente começa a fazer essas reuniões abordar esse tema das masculinidades e fazer esse debate crescer fomentando seja em outros espaços e eh graças a convites como esse tornando cada vez mais popular a discussão Tá certo então olha agora a gente vai fazer uma pergunta a todos eu vou começar com a resposta pelo André e terminando com Leonardo que já explicou sobre o coletivo Olha eu dei aqui na abertura né alguns temas que permeiam quando a gente fala desse papel do homem negro eu quero que cada um de vocês diga hoje o que mais te incomoda quando se pensa nesses estereótipos quando se fala do homem negro no Brasil André seja bem-vindo muito obrigado pelo convite vamos lá eu observo que o que mais incomoda eh é o sentido da gente ser descredibilizado muitas vezes né da gente ter aquele estereótipo de quando a gente atinge um certo patamar na carreira eh a gente é visto com uma certa desconfiança muitas vezes né E a gente tem que parece que sempre tá provando provando provando muito mais do que outros indivíduos Esse é um ponto que incomoda a gente sabe li dar mas é é um ponto de atenção pra gente tá sempre tendo que fazer duas vezes mais duas vezes mais daqui a pouco a gente volta então nessa questão profissional também agora meu boa tarde Airton Júnior e já peço a sua resposta seja bem-vindo Obrigado Mirna mais uma vez né pelo convite Boa tarde a todas as pessoas que nos assistem eh eu fiz uma um bate-papo uma vez com adolescentes numa ONG e falando sobre masculinidades né E ali tinha adolescentes negros e num determinado momento quando foi falar do corpo o alguns adolescentes começaram a tirar sarro com um outro adolescente eles disseram que as meninas só olhavam para ele por conta do pênis Então quando você traz essa questão da hipersexualização né do nosso corpo do corpo do homem preto que também acontece que isso também acontece com o corpo de mulheres negras eh muitas vezes dentro do grupo que eu também faço parte do adoráveis né tô junto com Léo com i com rubes com Davi com outros homens pretos Que tipo de afeto Eh esses meninos e esses adolescentes vão poder E como que eles vão como que é esse afeto para com outras pessoas tendo em vista que seu corpo é visto somente pelo pênis sim né como como qu é trocar afetos com alguém então naquele momento quando eu falo quando a gente começa a fazer essa discussão ali com os adolescentes então todo mundo começa a dar risar os adolescentes dão risada o adolescente Ó ficou constrangido eu falei então gente mas e aí mas é isso então homens negros ou meninos negros adolescentes negros são pênis é isso então só tem um pênis né e o e o e o que ele pensa o que ele faz o que ele sente os seus desejos não são não são de não é somente sexo né é um corpo é um menino que ele quer é um adolescente que quer andar pela rua tranquilamente mas pensando nesse nessa questão do afeto não é só sexo sim é carinho é respeito então quando você trouxe isso na hora me veio essa questão que é bastante eh complexa para nós porque em alguma medida as pessoas quando olham pros nossos corpos A primeira coisa que que que vê é então é a questão do tamanho do pênis e isso também vindo desde a adolescência com com pessoas brancas né homens brancos em especial Sempre dizendo Ah o negão pausudo e assim por diante Então isso é bem bem complexo e para você Leonardo qual desses temas também é algo que te incomoda bastante quando a gente pensa no homem negro na atualidade aqui no Brasil em especial né O que me toca muito é a questão da subalternidade né Como que essa existência Negra ela vai sendo resumida alguns tipos de aprisionamentos isso que o aon trouxe é um grande exemplo como que a gente consegue construir uma autoestima um orgulho a partir desse lugar de ter que enfrentar um discurso que te coloca nessa experiência subalterna nessa experiência periférica e como que a gente consegue contrapor isso olhar para uma criança e um adolescente dizer você é muito mais que isso que estão te dizendo como que a gente produz esse orgulho e e a gente sabe né o quão importante é esse período de infância e de adolescência para construir não só o caráter dessa pessoa mas como ela olha para si mesma como ela olha pro mundo pros iguais a ela Então essa subalternidade é uma coisa que me atravessa bastante e que dentro da própria prática da da psicanálise eu vejo o quanto esse desdobramento tem sido violento muitas vezes e e se torna um cenário muito preocupante sim e a gente tem aí três aspectos importantes e nós né como afrodescendentes eu acho que é importante a gente não esquecer de falar de Nesse contexto do homem negro até eu fiz um pouco algumas pesquisas falando justamente sobre a questão de quanto também no caso do Brasil né em especial a escravidão tem muito a ver com isso olha o negro escravizado era avaliado a partir de seus dotes físicos e sua robustez anatômica que seriam úteis nos serviços agrícolas ou de mineração ainda que seja difícil encontrar documentos oficiais a histórias de homens que tinham como função gerar os filhos que seriam os novos escravos eram conhecidos como reprodutores escolhidos pelo porte físico na opinião de vocês isso contribuiu para quando a gente fala por exemplo nesse homem negro objeto Júnior tem um intelectual não vou me recordar o nome agora mas que quando faz fala um pouco sobre a história do negro norte--americano e quando pensa n corpo quando nós tínhamos lá no sul dos Estados Unidos né e homens negros sendo enforcados Queimados para você tem uma noção de como essa questão corporal e do pênis né porque fica parendo gente po falar de pênis mas não é isso né que é para poder fazer essa esse recorte também um pouco do recorte histórico né e que não é dos anos 60 tá eh para que um corpo de um homem fosse realmente dado como morto você tinha que castrar você tinha que retirar o pênis então é como se aquilo tivesse muito Ligado ao ao ao espírito de uma pessoa tá certo mas enfim do desse homem então isso tinha que acontecer eh na Europa nós tínhamos pênis colocados como bibelô ão expostos em museus enfim essa animalização do corpo do homem negro não só na parte do sexo mas gera esse corpo Marginal esse corpo eh subalterno Como o próprio Léo trouxe essa subjulgação que o que o André traz tem que provar muito mais que qualquer outro homem branco né E aí que você tem que provar a todo momento que é algo que nós escutamos sempre dos nossos mais velhos né Olha você vai ter que sempre fazer o dobro né os nossos mais velhos sempre trouxeram isso para nós né E aí a gente vem com esse sentimento Pô a gente tem que sempre fazer mais tem que sempre fazer mais e não a gente também eh é fazer o nosso possível é fazer aquilo que a gente dá conta porque isso também nos adoece indo também agora na direção daquilo que o Léo traz sobre a questão do do adoecimento ou do que significa esse corpo né que também adoece sim essa cobrança de sermos mais do que os outros também é adoecedor tá daqui a pouco a gente vai falar dessa questão de ter que fazer duas vezes mais que o André já apontou aqui que agora nós vamos com uma notícia Olha acontece nesse momento feirão de emprego e oportunidade lá no passo uma movimentação muito grande aconteceu lá pela manhã mais de 1000 empregos além de cursos profissionalizantes que estão disponíveis e a Rúbia está aqui vai falar com a gente agora para lembrar que ainda dá tempo porque o feirão vai até 4 horas da tarde com uma oportunidade bem importante para quem quer já começar 2025 pensando em uma oportunidade no mercado de trabalho é isso mesmo Rubia Boa tarde vamos lá isso mesmo boa tarde Mirna pessoal do estúdio Câmara muito boa tarde movimentadíssima o saguão aqui do Palácio do jebas Prefeitura de Campinas notícia boa chegando na sua telinha porque hoje está acontecendo Então o primeiro feirão de emprego e oportunidades aqui do cpat parceria com a Secretaria de Trabalho e Renda aqui da cidade de Campinas ao meu lado está a coordenadora do sep Camila Garrido a gente sabe que quando ela vem quando ela chega com a gente é porque tem oportunidade de trabalho é porque tem a oportunidade de você ter aí uma qualidade de vida um pouco melhor com a oportunidade de emprego boa tarde para você seja muito bem-vinda ao Estúdio Câmara conta pra gente Camila que movimento foi esse que aconteceu na prefeitura logo pela manhã de hoje boa tarde a todos Boa tarde mina Rúbia é muito obrigada pela oportunidade deesse um serviço muito importante então para nós eh eu só tenho que agradecer né esse espaço bom eh hoje iniciando essa agenda esse calendário de de eventos de feirões né de emprego e oportunidades iniciando então o primeiro com mais de 1000 vagas 1.68 vagas e a gente teve um movimento muito grande Ainda temos né tem pessoas aqui procurando acho que é importante dizer que nós vamos até às 16 hor da tarde iniciamos às 9 mas eh a gente trabalha com atendimento com senha mas ainda temos disponíveis a gente espera o número Grande para ofertar essa essas mais de 1000 vagas né Eh então a expectativa É ainda de receber você trabalhador aqui no no no Passo Municipal e estamos já muito felizes com o movimento com o acesso dessas pessoas às oportunidades e quem também está feliz é a turma que nós conversamos dá só uma olhadinha a gente conversou com as pessoas que passaram por aqui algumas delas claro né e Elas disseram como que estava a situação né e qual é a expectativa para esse ano de 2025 vamos conferir juntos Faz quanto tempo que você tá desempregado já faz desde Abril faz um pouco tempo é Mas mesmo sendo pouco tempo é uma uma questão que preocupa né é o Tá muito caro o custo de vida hoje né então o dinheirinho que entrar é é bem vindo Tá certo como que você avalia esse verão assim Logo no início do ano com mais de 1 vagas né como é que é para vocês ah ajuda muito né pessoa que tá mais tempo tem pessoa que tá mais tempo desempregado fazendo bico catando reciclagem essas coisas na rua aí então ajuda bastante é uma ótima oportunidade é para quem tá precisando é beleza sucesso para você boa sorte obrigado é uma ótima oportunidade para todo mundo que tá procurando emprego né E estabelecendo a vida financeiramente e você que que você tá fazendo aqui agora você já passou e por alguma seleção como é que tá ainda não tô no aguarda tô esperando ser chamada Maravilha boa sorte Obrigada viu eu tem uma carinha que a caminhamento pro dia 27 aqui no seate para trabalho do Pag mino lá do bfin e você sai daqui com esperança Com certeza né anima um pouco né porque a gente tá desempregado del do ano passado né não arruma nada e qual que é a sua função O que que você faz a minha vida inteira eu trabalho em mercado repositor conferente e agora graças a Deus aí já tem mais uma oportunidade para começar bem o ano graças a Deus graças a Deus eu tenho eu vou rear bastante quando chegar em casa bom eu estou desempregada há um mês estou à procura consegui agora no momento uma cartinha para auxiliar de serviços gerais aí tô esperando me chamarem para poder passar pela empresa para fazer a entrevista Que legal né Que bom no início do ano você já bom você tá desempregada Há apenas um mês mas isso já preocupa né E aí no início do ano você já consegue também eh eh uma carta né de recomendação Como que você avalia esse feirão já começando junto com ano de 2020 bom eu avalio ele é uma boa oportunidade para quem tá à procura de emprego né e tendo a esperança para aqueles que estão desempregado há bastante tempo ou pouco tempo e é um uma boa opção trabalho e renda também oportunidade de qualificação é com sepat Campinas hoje aqui no saguão da prefeitura até às 16 horas agradecemos a sua participação com a gente mais uma vez Olha nós a Secretaria de Trabalho e Renda toda a equipe do sepat agradece a oportunidade Muito obrigado a gente que agradece É isso aí pessoal acessa lá o site do sepat e fique de antena ligada porque é existe alteração aí de vagas a todo momento com certeza uma delas combina com você de volta ao estúdio contigo aí Mirna bril Obrigada ruia e olha eu já olhei aqui no site do cpat das Mil e tantas vagas que estavam disponíveis de manhã teve uma atualização nós temos agora 861 vagas Então até 4 horas o cpat tá com esse feirão lá no Passo da eh a gente tem além das vagas de trabalho também oportunidades para quem quer fazer algum curso e também informações a respeito de trabalho de microempreendedor individual você que quer formalizar o seu trabalho como mei pode ir até o cpao a página é cpat.campinas.sp.gov.br o sepat do centro fica na Campos Sales 427 só que hoje o feirão é na Avenida ancheta número 200 ali bem na entradinha da Prefeitura e a gente continua aqui falando com esses meninos a respeito aí da questão dos estereótipos né quanto se fala no homem negro André você comentou sobre essa necessidade e o Júnior também falou que tem né os nossos mais velhos sempre falavam Olha você tem que provar Sempre Mais você tem que fazer mais que o outro e você disse no início que é algo que te incomoda muito você já passou por uma situação nesse sentido e como você naquela ocasião eh Resolveu a questão ou na época você fez de uma maneira que hoje você faria diferente ah as as situações são diversas né Eu acho que é que às vezes muitas vezes eu vejo quando um homem negro quando uma mulher negra fala que nunca passou racismo eu acho que é é praticamente impossível se ela não não se ela diz que não sofreu porque ela não percebeu né o que acontece muitas vezes é que uma situação que aconteceu vezes atrás hoje a gente consegue lidar diferente hoje eu digo que eu tento ser menos combativo e eu escolho mais as guerras que a gente vai realmente entrar pra gente ser um pouco mais estratégico né eu penso muito que a gente tem que fazer duas vezes melhor mas como se a gente tá 10 vezes atrás né a gente sai muito atrás Então realmente é muito difícil então eu acho que eh a gente tem que pensar muito na questão da educação pra gente dar o primeiro passo e conseguir buscar lugares que a gente consegue se qualificar e se colocar no lugar melhor né porque atrás a gente tá mesmo a gente sabe pela história do Brasil pela situação econômica social do Brasil a gente tá muito atrás e um dos pontos pra gente conseguir chegar em situações melhores é pela educação agora Leonardo quando você falou dessa questão de subalternos né e por outro lado a gente também tem por exemplo a questão que ainda é colocado como um estereótipo a questão do machismo que ela passa bem ali eh também em relação muitas mulheres inclusive mulheres brancas e mulheres negras principalmente reclamam desse viés também quando se trata do homem negro Qual é a sua visão sobre isso olha é um tema bastante importante de ser abordado e importante também ressaltar o quanto que o machismo ele tá relacionado a um projeto de sociedade tá um projeto de sociedade que exclui violenta mulheres mas que também tem as suas mazelas voltadas para alguns homens dentre esses homens os homens negros importante a gente dizer que para uma sociedade funcionar pautada em alguns desses estereótipos como a nossa funciona isso precisa estar muito bem amarrado existe uma intelectual da da psicanálise que ela diz que um um desses uma das coisas que amarra Essa sociedade é um pacto narcísico entre pessoas brancas e recentemente dentro do adoráveis o Júnior tem trazido a discussão eh de um pacto narcísico também entre homens né um pacto narcísico da masculinidade e o machismo ele aponta para essa direção importante a gente dizer o quanto que o machismo ele também afeta Homens Num sentido de criar o que é que esse homem deveria ser e como ele deveria se portar então por exemplo esse homem provedor dentro da casa esse homem que dá conta de tudo esse homem até mesmo o mais básico esse homem que não chora que não olha paraos seus próprios sentimentos eu acho que vai naquele discurso eu acho não sei se algum de vocês já ouviu isso quando lá na adolescência ou quando ainda era menino chorou Em algum momento ou alguém da família até falou um negão desse tá chorando Deixa de ser mole ex Com certeza ex né Tem tem isso também e aí você cresce com aquilo Gente eu tenho que ser duro eu senão eu vou ser considerado o quê Eu acho que começa a permear também nesse âmbito né com toda a certeza e aí depois com o tempo passando você se vê adulto com alguns Sofrimentos que a vida adulta te traz e você não consegue nem acessar o seu sentimento nem entender o que ele tá pedindo de atenção para você e o que a gente faz com isso né como que a gente produz saúde a partir desse discurso que foi te colocando cada vez mais para dentro né o quanto que isso adoece mas também te coloca numa posição inacessível e esse é o debate que as masculinidades negras têm tentado trazer à tona ou do quanto é importante falarmos dessa experiência do que é ser homem e de como isso nos atinge e também colocando em perspectiva como fazer com que isso reduza os impactos para todos aqueles que estão ao nosso redor nossas famílias nossas companheiras companheiros outras mulheres com quem a gente convive crianças Sim agora quando a gente pensa em números né os dados estão aí porque os dados da do Atlas da violência de 2024 indicam que 46.49 pessoas foram assassinadas no Brasil esses apesar do Atlas do ano passado os dados são referentes a 2022 tá gente e pelo estudo do ipia em parceria com um brasileiro de Segurança Pública desse total aí que eu falei 76,5 eram de pessoas pretas e pardas E além disso no nosso país os jovens representam metade das vítimas de homicídios como que a gente dá pra gente falar sobre isso complementar os números e uma pesquisadora em uma pesquisadora da Unicamp em 2024 ela fez uma pesquisa para entender Aonde era a maior a percepção do racismo para as pessoas negras e esse espaço era educação tá né então isso contribui com os números que você trouxe infelizmente um outro número nos últimos 10 anos 150.000 homens negros morreram vítimas de de armas de fogo a gente tá falando aí eh o qu de um distrito dentro de Campinas então a gente tá falando do genocídio em massa de uma população eh que é uma estratégia né quando a gente pensa em poder né falando um pouco sobre masculinidades né Eh a conel que é uma uma uma intelectual ela fala sobre masculinidade hegemônica subalternas marginalizadas e tem outras masculinidades que ela também eh acaba citando no livro dela não vou me lembrar agora o nome do livro mas que ela fala dessa manutenção que a masculinidade hegemônica faz essa masculinidade hegemônica são homens brancos Sis étero então eles a a para eles manterem fazerem a manutenção dos seus privilégios ele precisa Então a partir da Detenção de poder fazer com que essas outras masculinidades que aí a gente tá falando de homens negros gays e outras masculinidades por isso o nome masculinidades né porque a gente tá falando de n masculinidades eh para fazer essa manutenção você precisa também da Morte desses corpos Sim eles precisão ser ou mortos ou encarcerados um outro número 60% da da massa carcerária no Brasil ou 65% Salvo engano são de homens negros então Eh essa masculinidade hegemônica para fazer com que ae para manutenção do seu privilégio ela precisa disso de mortes de controle né então para ter controle sobre esses corpos então é através do genocídio através da precariedade também naquilo que a gente fala de da saúde né quando o Léo traz por exemplo a questão da Saúde Mental Sim quantos meninos negros que a gente é é de masculinidades que a gente tá falando né Qual é o acesso dentro do SUS de meninos negros tendo atenção à sua saúde o quanto isso é danoso e o quanto isso inclusive faz com que meninos saiam da escola mais cedo porque também isso é um outro número porque a evasão escolar em sua maioria está com eh são meninos negros que evadem então tudo esses números e os políticos né a sociedade precisa olhar para esses números e opa pera aí que que tá acontecendo já que é não é um país democrático não é uma democracia que a gente vive então a gente precisa fazer com que as pessoas consigam viver Não digo nem sobreviver porque eu não falo mais de sobrevivência eu falo de vivência eu quero viver e a cada 23 minutos pessoa homens negros morrem no estado brasileiro nós somos estamos aqui já mais de 23 minutos então nós somos três Sobreviventes Ok entendi agora quando a gente entra inclusive nesse ponto que fala sobre a a questão do que passa pela educação como que a gente vai conseguir porque a gente tá agora já na fase adulta e desde o começo vocês falaram sobre né como que a gente vai conseguir fazer com que os nossos meninos e nossas meninas tenham oportunidades ou vivências diferentes das nossas uhum né já que por exemplo você citou por exemplo o problema da educação que já começa já na escola e tudo mais como que vocês acreditam André que a gente pode trabalhar você que inclusive apesar de trabalhar a questão eu percebo né que eu acompanho nas redes sociais como personal Trein tem uma questão mental muito importante também de tudo que é envolvido nesse trabalho sim eu acredito que o racismo o racismo ele afeta de uma forma mais incisiva principalmente a questão da autoestima dos negros das mulheres negras e eu vejo uma melhora nesse sentido de homens e mulheres negras Eu percebo que a gente tá se cuidando mais a gente tá mais empoderado a gente tá se gostando mais a gente tá se amando mais né Isso incomoda muito incomoda demais isso e Mas eu sinto que é preciso Um próximo passo então eu vejo por exemplo um grande exemplo que eu vejo que eu converso com com com jovens eh quando essa esse homem negro essa mulher negra começa a acender socialmente ele vai querer consumir ele vai querer consumir ele vai querer um tênis ele vai quer crier uma roupa eh eu acho que são fases a gente já tá chegando nessa fase mas é preciso olhar um pouco mais atrás qual nosso próximo passo contra o racismo é investir em educação é comprar uma casa é dar um segundo passo de uma forma mais sedimentada não fica só na questão estética não fica só na questão eh eh de conseguir bens materiais mas conseguir algo pra próxima geração sim porque o racismo é uma relação de poder né os meninos disseram uma relação de poder então a gente tá inserido nisso e é é difícil sair Então a gente tem mas mas aí também a gente que inclusive eu digo eu também porque eu também vim da Periferia não tem aquele negócio Poxa você não anda mais com a gente pô negó tá falando disso entre a própria comunidade como que a gente consegue é falar não gente não é assim como que é ISO você não sei a opinião dos meninos Mas eu acho que não existe acho que a primeira coisa é consciência racial consciência de classe vem depois né e e entre a própria classe entre a própria raça existe conflito de classes quando o negro acende socialmente me pô tá metido é a primeira fala verd primeira fala você tá metido e muitas vezes não é eu já enfrentei muito isso você tá metido você não vem mais aqui por que que você tá indo nesse lugar né já enfrentei muito isso mas eu acho que é a questão de expandir isso a gente conseguir ter um olhar um pouco mais abrangente a única forma de amenizar isso é a gente alcançar um patmar melhor com educação pra gente ter com mais acesso à educação pra gente ocupar mais espaços que a gente não vem ocupando acho Nossa cultura linda a gente tem uma visibilidade muito boa mas a gente tem que ocupar espaços penso muito nisso podem ficar à vontade de opinar discordar e concordar viu Leonardo não tô pensando no no quando traz sobre a questão da educação e no ao encontro do que o André trouxe Eu Tenho pensado muito no que significa cuidar de meninos ou cuidar de hom dentro da educação ou fora da educação vamos pensar na violência de gênero né óbvio que majoritariamente são homens que cometem violência os feminicídios quanto a esses números não há não é sobre isso tá que eu tô eu quero pensar na educação infantil eu quero pensar no fundamental um no dois e no ensino médio na base na base como é que nós conseguimos fomentar dentro das escolas roda de conversa com meninos eu tô falando da prevenção porque você pode colocar hoje 500 delegacias da mulher uma em cada esquina homens infelizmente alguns homens vão continuar cometendo feminicídio eles vão continuar cometendo violência porque você não trata você não educa e você não faz o o processo inverso de olhar pro pra criança junor mas eu acho que entra bem numa coisa olha eu vou te explicar Olha eu li uma frase outro dia da feminista norte-americana Helen acho que é lobanov que se fala o nome dela ela diz o seguinte é difícil para o homem negro se desconstruir porque o machismo é o único poder que ele tem dentro dessa sociedade hoje que foi construída até nos moldes atuais e eu digo por você tá falando da questão da violência doméstica Outro dia eu conversei com uma pessoa e a pessoa falou assim nossa você viu que horrível você assistiu foi a época que o Chris Brown esteve no Brasil e você já o documentário do Chris Brown que ele batia na Rihana depois ele bateu numas outras parceiras tal tal tal como pode não sei todo falei ué mas você lembra quando você fez isso isso isso e bateu também numa pessoa qual é a diferença Porque ele é o Chris Brown e ela é também um artista e você não é um artista e a pessoa que você bateu também não é então quer dizer às vezes e é um homem negro Às vezes o homem negro acha um absurdo o outro mas ele não percebe que ele também faz parte disso talvez por essa exigência ou essa Educação de que você não pode ser mole de que você tem que ser machista você acha que permeia por isso ou não é o machismo Leonardo tá tá ali ó é que o machismo ele não tá ele não é é para todos os homens a gente não tá falando somente de uma do branco ou do negro mas não tem essa exigência maior pro negro não eu acredito que não porque eu acredito como eu tava falando anteriormente é nessa educação desde a base que é para você fazer com que menino e adolescentes consigam eh performar uma outra masculinidade diferente dessa que tá dada então o que que acontece a violência ela vai continuar Infelizmente vai continuar acontecendo para ha a diminuição no que que eu acredito você pode ter delegacias eu não tô dizendo que não é para ter delegacias V até aqui porque senão alguém Ah mas que que é ele tá querendo que não não é sobre isso que eu estou falando é sobre trabalhar na antes de que isso aconteça Então eu preciso trabalhar com esses meninos dentro da escola então fomentar rodas de conversa com meninos para que eles possam colocar suas questões porque as meninas elas já têm feito isso H muito tempo mulheres já têm feito isso há muito tempo óbvio que alguns meninos eles fazem as Suas rodas de conversa mas pautado pelo machismo ele vai falar sobre outros assuntos tá e ele vai querer fazer a manutenção desse poder que tá dado pelo patriarcado que ele tá na nossa estrutura agora quando a gente consegue promover dentro das escolas rodas de conversa com meninos sobre masculinidade é a possibilidade da diminuição dessa violência uma outra questão que o Léo vai trazer inclusive políticas públicas voltadas para homens eu não tô aqui dizendo não é passar pano para homem violento porque eu já vi alguém escutar isso falar vem ele quer passar P PR não se trata disso porque eu sei do meu machismo L sabido dele o André sabido dele quanto a isso eu tenho plena consciência disso O que eu tô querendo dizer é como que você vai promover uma política aonde onde homens possam ser atendidos não só pela justiça rodas reflexivas que homens possam refletir as suas atitudes O que que significa ser mais respeitoso o que significa ele ser mais companheiro ou mais parceiro da sua parceira ou parceiro né enfim é sobre isso então eh não é volto a dizer não é aqui querer passar pano para homens violentos não é sobre isso porque existe o lugar certo para onde homens que cometem violência você vai buscar Justiça sim agora na Para não acontecer isso na minha opinião a gente precisa trabalhar na base A base é a educação em em ons enfim mas como promover isso aí o Léo Quando eu trouxe isso o Léo trouxe a questão da saúde né Léo uhum sim acho importante a gente partir do pressuposto que não não haverá sociedade sem homens e a gente tem que fazer alguma coisa com esses homens que estão aqui os violentos e os não violentos né a gente precisa trabalhar com esses homens porque é uma parte de é uma parte da nossa sociedade uma parte que tem as suas questões e produz também questões pras outras e partindo desse pressuposto acho importante a gente colocar que a violência é algo inerente a toda a sociedade Humana o Michel Foucault que é um filósofo francês ele diz que a violência ela é uma expressão Só que mais importante que a própria violência é o que tá por trás da violência o que legitima ela quando a gente olha por exemplo vou tomar como exemplo que você trouxe do próprio Chris Brown o que tá por trás da violência desse homem Esse é um homem da Periferia de Los Angeles né que cresceu em todo um contexto de gangs da década de 80 e 90 E que provavelmente a principal linguagem de poder que ele aprendeu foi a da violência sim é natural que esse homem reproduza a principal linguagem que ele aprendeu de poder e de existência ele possivel mente sobreviveu na periferia que ele cresceu por conta da violência também ele precisou ser mais violento que um outro violento para poder persistir para poder se manter vivo onde a gente toca quando a gente começa a discutir sobre masculinidades exatamente num processo que eu talvez não seria nem de desconstrução mas de construção Talvez esse homem ainda não se construiu enquanto um sujeito ele só reproduziu aquilo que tava ali colocado para ele e nessa perspectiva de construção é poder apresentar que existe um outro caminho para além da violência que também fere ele sim e isso é difícil de acontecer por exemplo eh tem um dado que eu acho que ele é fundamental para olhar pra nossa cidade de Campinas eh foi produzido o boletim de saúde da população negra de Campinas no ano de 2023 os dados foram observando de 2018 a 2022 lá se constatou que Dent que os dados de violência que foram colhidos né ali de pessoas entrando em hospitais sejam de urgência ou unidade básica de saúde dando queixa de violência o que produziu um dado de que 46% desses casos eram de pessoas negras dentre esses 46% por volta de 20 a 22% não me lembro exatamente eram homens negros de de 19 a 29 anos ou seja homens negros jovens são os principais alvos de violência na cidade de Campinas que buscam os aparelhos de saúde e aí é importante destacar que são os que buscam os aparelhos de saúde porque boa parte desses homens não buscam os aparelhos de saúde a gente tem uma defasagem nesse número por quê Porque inclusive os espaços de saúde não são espaços incentivados a esses homens negros Então pensa se esse homem ele tá evadindo do espaço de educação quando ele necessita de um espaço de saúde seja de urgência e emergência em um momento de violência ele também não acessa uma saúde preventiva também foi dado lá que o menor o o percentual menor tá entre homens negros de 19 a 29 e entre mulheres negras da adolescência Sim essas pessoas não acessam a esses serviços sim ainda a respeito da Saúde ment tal a gente eu abri aqui olha dados do anuário brasileiro de segurança pública de 2023 apontam que os homens representam os homens negros representam 75% dos suicídios masculinos no nosso país que foram aí olha 2023 4500 homens negros dos PMs também e PMs negros dentro da própria Segurança Pública você tem um contingente grande de homens negros morrendo pela questão da masculinidade né passa pela questão da masculinidade a gente vai agora com uma notícia atenção você que usa as linhas de ônibus 116 119 134 210 211 2112 220 230 a 231 240 241 e a 289 o ponto de ônibus localizado na Rua Joaquim vilque ali na Vila Teixeira vai receber obras de implantação de pavimento de concreto que é aquele piso rígido a partir das 8 horas da manhã deste sábado e a indec vai sinalizar um bloqueio parcial na faixa direita no ponto que fica entre as Ruas Brotas e Boituva em frente à escola religiosa Instituto Campinas as obras devem prosseguir até o dia 2 de Fevereiro a depender Claro das condições do clima o trânsito vai fluir normalmente na faixa da esquerda nesse período caso seja necessário pode haver momentos de bloqueio Total com desvio sinalizado pelos agentes da mobilidade urbana o ponto de ônibus impactado deverá ser desativado temporariamente e os usuários deverão utilizar as próximas paradas então se você aí é o usuário de uma dessas linhas de ônibus ali na Vila Teixeira atenção e o nosso bate-papo aqui continua com os meninos que a gente fala sobre a questão da masculinidade agora eu queria passar por um outro por um outro ponto quando a gente entra eh também sobre o preconceito em relação ainda à homossexualidade de homens negros né a gente eu peguei aqui alguns Alguns né temas aqui inclusive uma frase do cineasta Bruno Victor que roteirizou dirigiu curta à Fronte né Ele fala o seguinte nós somos sofremos dois preconceitos por sermos negros e por sermos Ele usou até esse termo a produção conta a história se afronte né curta de um personagem negro e gay que mora na periferia do Distrito Federal e ele foi na época viabilizado graças a uma grande adesão de uma campanha de financiamento coletivo na internet a gente percebeu que até para essa produção teve que ser de uma forma independente Como que tá a gente pensar ainda nesse recorte Quem quer queer ser o primeiro a falar olha eu sou um homem hétero né então nós temos eu tenho contato com homens gays tenho contato com homens trans negros negros tá então homens trans por exemplo eles têm as suas dificuldades a população trans já tem as suas dificuldades por exemplo para acessar o mercado de trabalho imagina então para um homem negro ou para uma mulher negra eh para homens gays tem muito a questão da hipersexualização desses corpos tava lendo um artigo inclusive esses dias que falava sobre a questão de como o homem negro gay tem que performar a partir de um outro parceiro e que inclusive de exigências de homens brancos para performance desse homem negro então é então e tudo isso é muito triste eh mas a gente dentro do grupo que é o que o próprio nome diz né adoráveis masculinidades pretas então nós acolhemos todos os homens ali dentro do grupo mas eu vou tomar bastante cuidado porque o ideal seria o o homem gay estar aqui para poder um homem gay Preto poder est aqui para poder falar eh el passa né É isso que ele sente o que ele passa porque a partir desse acolhimento eh eu como homem hétero os o racismo nos atravessa Mas sendo já colocando aqui uma questão né o racismo o atravessa mas não tem só racismo tem a questão de ser um homem gay ou tem a questão de ser um homem bi tem a questão de ser um homem trans então assim é um duplo né ou até triplo porque a gente pode falar também do racismo religioso Uhum que também afeta eh homens gays pretos TRANS e assim por diante então você acredita que no caso do racismo religioso ele é ele é mais forte contra os homens negros do que contra as mulheres negras ou não nesse nesse esse e a cobrança é igual é igual é o mesmo atravessamento não tem distinção Você pode ter eh duas pessoas negras dentro da escola com o seu fio de conta e o que significa duas pessoas brancas com o seu fio de conta dentro da escola é diferente o tratamento é outro né então Eh de literaturas que trazem meninos dizendo que são atacados por outras pessoas dizendo ah essa religião de preto que é aí que tá o o o racismo religioso uhum tá também há uma questão que é outra muito delicada que é o relacionamento interracial que se fala aí justamente de que há uma aceitação maior quando um homem negro por exemplo está com uma mulher branca do que quando uma mulher quando uma mulher negra está com um homem branco qual é a visão de vocês a respeito disso Léo é um tema complexo porque a gente tá dentro agora do universo dos afetos né Sim sim e é exatamente por ser dentro do tema dos afetos do universo dos afetos que isso se torna ainda mais complexo importante a gente colocar aqui uma coisa que a construção da nossa nação foi uma construção baseada nas interações raciais ou seja H um h um sociólogo Gilberto freir que ele diz que o Brasil foi construído na cama e aí o que que ele tá dizendo com isso ele foi construído a partir de uma interação sexual forçada isso teve como alvo majoritariamente as mulheres negras né dada essa interação forçada a gente teve um processo de missena no Brasil que ele aconteceu baseado seja na violência seja também num processo de exclusão né E aí aqui a gente chega em um ponto que é esse do relacionamento interracial que ele é atravessado principalmente pela ideia de ascensão sobretudo pela ideia de ascensão o quanto que o relacionamento interracial é um meio para ascensão social ou uma forma de legitimar A Ascensão que já aconteceu com esses sujeitos a gente pode cair até mesmo num lugar muito comum e muito eh apontado que é o homem negro que se torna famoso ou que é um jogador de futebol e que isso se valida a partir de um relacionamento interracial aqui é um ponto que na construção de afeto somos atravessados seja pelo racismo seja pela pela classe e seja também pela violência e aí como construir esse afeto né de uma forma que permita que você olhe para outras pessoas igual a você enquanto um sujeito que pode ser objeto não de desejo mas um objeto de amor aquele com quem você se identifica e esse é um processo que voltando no que a gente estava colocando anteriormente tem a ver também com o que a gente discute so autoestima muitos desses homens e eles não olham para si enquanto um sujeito de amor enquanto um sujeito de afeto e aí valida isso a partir do outro que olha para ele dessa maneira Mas porque nesse caso você acredit então que a cobrança é igual porque muitas mulheres falam por que eu mulher negra quando porque os homens quando tá com uma mulher branca muitas vezes fala assim ah esse cara é palmiteiro tal e as pessoas acham agora quando é uma mulher negra com homem branco Nossa existe um preconceito maior Ou você acredita que isso não existe não sei se acham graça Talvez seja o recorte de um de um grupo e do qual eu pertenço onde esse apontamento é um apontamento que tem desdobramentos muito difíceis entendi muito difíceis e aqui acho que Vale ressaltar uma coisa que é é os relacionamentos interraciais eles acontecem aqui por uma série de questões por uma série de questões e que não necessariamente está relacionado a a deixar de enxergar o outro tá né acho que isso é importante de aparecer é e quando a gente pensa nisso André André inclusive tá aqui com com a noiva dele né é Lindíssima Vocês estão vendo aqui ela tá aqui com ele fala um pouquinho dessa questão da como que é para você essa questão do mundo dos afetos eh eh eh foi citado sobre os jogadores de futebol no Brasil né Eu acho que vai muito da questão da consciência racial porque quando a gente faz um recorde por exemplo pros americanos jogador de basquete atletas americanos Claro que não é uma totalidade mas a grande maioria deles se envolve com mulheres negras né E não tem como a gente não se espelhar de certa forma nos negros americanos é uma é uma uma cultura que influencia muito a gente que influenciou muito e eu vejo que de certa forma de forma lenta aqui no Brasil isso se reflete na questão dos relacionamentos hoje um termo muito usado relacionamento afrocentrado né Eu já me relacionei com mulheres brancas Mas eu sou muito mais feliz hoje entendeu depois de entender uma série de conceitos depois de de adquirir um grau de de consciência racial e é importante também igual o Léo falou muitas vezes esse homemo ele tá inserido num lugar que ele não vai ter acesso também a outras mulheres negras ele vai ter acesso a mulheres brancas né então não é só aquela questão eu acho de eh de carregar uma mulher branca como um troféu da Ascensão social dele né de repente é o lugar que ele tá inserido e e você falou da questão do Futebol André realmente até falaram Por que que os jogadores de futebol dificilmente tem uma uma esposa Negra sempre aparece com uma Branca tem tem isso você acha que nesse caso aí tem tem a ver com essa questão de de acesso tem a ver com essa questão do de que ele saiu de um lugar comum e foi para um lugar diferente E aí passa permeia por essas questões também sociis acho que depende muito do caso acho que tem alguns que sim Acho alguns que não olhando para esse recorde é muito individual é muito individual e assim eu consumo esse meio eu eu tô eu tô próximo e o posicionamento infelizmente de jogadores de futebol quanto a questão racial é muito limitada a gente vê muito isso nos Estados Unidos com atletas eles se posicionam eh eh não tem medo de se expor agora aqui no Brasil infelizmente e a coisa é bem limitada né eles muitas vezes recuam quanto a isso são casos muito pontuais de jogadores que se posicionam e tem um entendimento um pouco maior Então acho que são casos individuais entendeu Sim eu gosto muito do que os dois trouxeram mas eu eu escutei uma vez a thí Araújo num no podcast do Mano Brown onde ela disse uma frase que eu gostei muito ela disse assim é muito mais fácil se relacionar com uma pessoa preta dentro de uma frase que ela que ela trouxe né eu também já me relacionei com mulheres brancas e acredito que é muito mais fácil se relacionar com pessoas pretas e não que nós não tenhamos as nossas dores os nossos atravessamentos eh quando se fala muito eh borbulhou né teve uma explosão amor Preto né O que que significa amor Preto então falar de amor preto é falar dessa relação bonita que eu tenho com o Léo e com esses outros homens pretos dentro do grupo essa relação que eu vou passar até agora com André essa relação que eu já tenho com você porque a gente não se conhece só daqui dessa entrevista a gente se conhece e que o que me deu essa o que me ajudou também a ter essa consciência foi um grupo de masculinidades foi o estudo a pesquisa e aí quando fala de outros homens pretos ou mesmo mulheres negras é como a gente olha pro individual que é pra história de cada um porque cada um traz a sua história cada um traz a sua dor ou sua alegria a partir das relações afetivas que constroem mas ao mesmo tempo da educação o que se sempre foi posto como Belo o que sempre foi posto como bonito ou Salvador foi sempre essa pessoa branca então em algum momento da nossa sociedade nós tínhamos por exemplo mais velhos dizendo para mulheres para não se casarem com homens negros que era para se casarem com homens brancos sim mas ela pensando muito no futuro vamos dizer assim dessa mulher OK mas aquilo para aquele momento e agora então eh a gente precisa ter um que podemos fazer daqui pra frente né e e mais do que isso menna eu penso no Cuidado que a gente tem que ter para isso como que eu olho para isso no seguinte sentido você tá falando de três homens negros aqui e cada um tem a sua história o racismo nos atravessa e tem muita coisa que se a gente parar numa roda de conversa não só agora mas depois que a gente vai trocar e que são coisas muito da vários programas e são coisas semelhantes a pauta é grande mas a minha dor individual não pode ser do coletivo como um todo Então qual é o cuidado que eu tenho Quando eu digo isso é porque eu eu falo assim não são todos os homens são alguns como eu não posso apontar por exemplo para todos os os religiosos evangélicos que todos eles são racistas religiosos tô falando de alguns então eu venho tomando esse cuidado a parte do mestrado de como olhar a história individual de cada um não colocar todo mundo no mesmo bolo e poder olhar para para cada uma dessas pessoas e dizer assim Opa espa um pouco essa pessoa Ela traz uma história o que que isso significa e o porque que ela acabou e eh tendo esse relação afetiva ou tendo essa atitude assim por diante isso isso é fundamental principalmente no que se trata eh eu gosto da do termo que a Suele Carneiro traz né que é o mercado afetivo o mercado afetivo no Brasil ele é um mercado de validação de existência é só a gente olhar o quão comum é se referir a uma mulher como esposa de fulano ou ex-marido de tal pessoa o mercado afetivo ele valida enquanto existência essas pessoas e aí tem um recorte no meio disso o Fran fanon ele coloca que esse mercado afetivo ele é para além de uma validação de existência um objeto de desejo e aí quando a gente olha para esse relacionamento interracial o que tá sendo buscado por trás disso muitas vezes essa validação de existência a partir do outro que se enxerga enquanto tá Qual que é o lugar de desejo que a gente tem dentro de uma sociedade o que a pessoa branca acessa E como eu vou acessar isso sendo negro talvez através de um companheiro de uma parceira Negra e agora com a internet que que vocês acham a internet tá melhorando piorando essa contextualização desse papel do homem negro a gente tem inclusive aqui olha lá quando quando foi feito um documentário a 13ª emenda e a gente tem a diretora executiva da Center for media Justice lá dos Estados Unidos Ela disse o seguinte a construção midiática historicamente carregada de desumanização alimenta a representação distorcida e exagerada de homens negros por exemplo como criminosos por outro lado também a gente tem a questão do estigma que eles eh falam sobre Minimizar acusações de violência com mulher por outro lado também se fala que ultimamente as redes sociais por exemplo muitas vezes alguns memes inclusive falam ai hoje você quer chocolate assim assim ou assado também tem aquela questão lá do começo que a gente falou da hipersexualização desse homem negro como objeto de desejo como que a gente faz isso agora com tempos de rede social como que é possível lidar com isso eu acho que a rede social ela vem cada vez mais para polarizar muito né ainda sobre essa questão do estereótipo Particularmente eu tenho uma preguiça imensa hoje pô negão negão forte negão é isso negão aquilo esse tipo de abordagem me dá uma preguiça imensa assim né de ver pessoas brancas principalmente se referindo a homens negros assim eu confesso que teve um momento na minha vida que isso massageava o meu ego mas quando você adquire um certo grau de consciência é isso dá dá realmente preguiça e quanto a rede social eh eu digo que a gente tem que saber lidar uma forma a pensar na nossa saúde mental certo né porque senão isso causa doença né se você ficar entrando em Bates em Bates sempre isso vai te fazer mal né porque a internet ela deu voz né para muita gente que não tá preocupada com nada e e infelizmente né não é terra de ninguém mas parece que é né porque as pessoas falam e lançam as palavras e ão muito preocupados né com po acontecer internet a internet hoje tá esse agora os grandes da internet resolveram abrir a caixa de pandora e seja né o que for agora vai poder ser dito tempos sombrios os tempos sombrios E aí como que a gente fica né Acho que essa é uma pergunta também né será que é essa rede social que eu quero Será que a gente teria que ter uma outra rede social que minimamente vai vai vai regular coisas como por exemplo agora a questão de diversidade onde grandes empresas no eh nos Estados Unidos Agora não vai ter mas esse tipo de programa é porque volta a questão da educação a ela vai vir ao e encontro justamente tudo aquilo que você faz uma roda de conversa Ah não a rede social diz que que não é assim como que você vai depois levar isso para um adolescente você tá competindo com com algo grande né sim sim sim tem um pesquisador chamado Pedro colle que ele tem um livro que se chama mau-estar na civilização digital Acho que ali ele traz uma discussão que a gente vai começar a observar cada vez mais o quanto que esses algoritmos Em alguns momentos ele ele é responsável por produzir o desejo de um produto Mas também de nos afastar daquele produto e da pessoa com quem a gente interage sim dado dado os acontecimentos dessa última semana a partir da posse do trump da gente vê o que tá sendo pensado quem é o sujeito eh final para quem tá sendo pensado essas redes sociais quando a gente tem naquela posse o dono do Facebook do Twitter da Amazon e do Google a gente sabe para quem tá sendo pensada essas plataformas essas plataformas Com certeza não estão sendo pensadas para pessoas negras e a gente acessa esse lugar tenta criar de alguma maneira uma forma seja de produzir conteúdos de entretenimento de trabalho de diversão ou até mesmo de interação social que tá sendo cada vez mais atravessada por perspectivas que nos excluem né então fazer esse debate acontecer dentro da rede social ao mesmo tempo que possibilita atingir mais pessoas você tem um recorte muito grande de invisibilidade dessa discussão A gente sabe o quanto hoje produzir um conteúdo com a palavra racismo faz com que você caia em um recorte da rede social que não entrega entrega uhum não entre isso não chega para nenhuma outra pessoa e como que a gente vai falar de uma consciência racial sem usar essa palavr sem poder destacar isso e sem apontar que essa é uma produção de violência constante dentro da nossa sociedade Tá certo então Gente olha o nosso tempo infelizmente acabou Passou rapidinho porque ainda tem muito bate-papo a respeito desse tema aí que tem vários né vários aspectos e a gente encerra agradecer a todos vocês e até uma próxima oportunidade viu gente que Agradecemos muito obrigado obrigado e eu vou dar aqui uma última notícia porque domingo tem jogo aqui em Campinas porque a indec realiza uma operação de trânsito para a partida entre Guarani e noroeste de Bauru no Estádio Brinco de Ouro da Princesa o jogo será no domingo às 8:30 da noite O Confronto é válido pela quarta rodada do Paulistão 2025 as ações operacionais da indec começam já na madrugada do domingo com a reserva de vagas em trechos da Avenida Imperatriz Dona Teresa Cristina também na rua Roberto Gomes Pedrosa na rua coneu e em trecho da Rua Avelino do Amaral nas proximidades da Avenida Princesa do Oeste onde vai ser o desembarque dos jogadores os bloqueios viários começam então efetivamente a partir das 6:30 serão fechados ao tráfego de veículos em trechos que ficam no entorno do Brinco de Ouro a previsão é que toda a operação termine em torno de 11:30 da noite e a gente fica por aqui espera que você tenha aí um bom fim de semana estúdio Câmara também volta segunda-feira 2 horas da tarde eu espero você na segunda-feira Um bom fim de semana [Música] k [Música]
A seguir

Continue assistindo

Próximas horas na grade ao vivo
Programação completa →
Ao vivo
Plenário · 13h

Câmara Notícia — Edição da Tarde

13:00 - 14:00 · Ao vivo
28:32
Matérias · 14h

Matérias — Especial da Semana

14:00 - 14:30
58:12
Perfil · 15h

Perfil — Entrevista da semana

15:00 - 16:00 · T03:E18
45:08
Bairros · 17h

Meu Bairro na TV — Vila Padre Manoel

17:00 - 18:00 · T05:E12
Estreia 1:32:00
Especial · 19h

O Ano em Plenário — Ep 1: Mobilidade

19:00 - 20:30 · Estreia
Ao vivo
Plenário · 20h30

Sessão Ordinária da Câmara Municipal

20:30 - 23:00 · Ao vivo
Mesmo programa

Mais do ESTÚDIO CÂMARA

Edições anteriores do programa
Todas as edições →
1:03:23

Estúdio Câmara

1:06:59

Estúdio Câmara

1:07:37

Estúdio Câmara

56:39

Estúdio Câmara

1:04:35

Estúdio Câmara

1:08:02

Estúdio Câmara

1:04:24

Estúdio Câmara

1:04:33

Estúdio Câmara

55:29

Estúdio Câmara | Por que precisamos beber para socializar?

54:46

Estúdio Câmara | O medo do erro e a relação com fracassos e frustrações

54:23

Estúdio Câmara | Food noise: o ruído alimentar que invade a mente

1:03:46

Estúdio Câmara | A Geração Z e as dificuldades emocionais do mundo acelerado

59:55

Estúdio Câmara | Autoanulação: quando agradar os outros vira esgotamento emocional

1:01:04

Estúdio Câmara | Por que gritamos com quem amamos?

1:01:16

Estúdio Câmara | Whey e creatina para crianças: até onde vai a busca por performance?

56:39

Estúdio Câmara | Convivência com animais transforma a vida na terceira idade

1:02:39

Estúdio Câmara | Fadiga da decisão: o cansaço de escolher o tempo todo

1:00:26

Estúdio Câmara | Psicologia da ambição: quando o desejo vira prisão emocional

1:03:52

Estúdio Câmara | Veganismo antissocial? Verdade ou mito?

1:01:12

Estúdio Câmara | Dormindo com desconhecido: casais sem conexão emocional

Recomendados

Você pode gostar

Outros vídeos selecionados a partir do conteúdo que você acabou de ver
Mais recomendações →
16:38

Câmara Na Copa | Copa do Mundo FIFA 2026: Tudo Sobre a Maior Edição da História

4:22

Câmara Notícia | Parlamento Jovem 2026

8:59

Notícias da Metrópole

16:39

Notícias do Legislativo

2:43

Agora é Lei | Semana da Força Expedicionária

10:27

Agenda Cultural Campinas: Shows, Teatro, Cinema e Exposições para o Fim de Semana!

56:15

Câmara Notícia

9:55

Central I.A | Notícias de Campinas, Brasil e Mundo