[Música] Olá, bom dia. Estamos começando mais uma edição do Estúdio Câmara aqui na TV Câmara Campinas, meio da semana, quarta-feira, dia 26 de março de 2025. E olha, no estúdio Câmara de hoje nós vamos falar sobre bateria social. Você conhece esse termo? A bateria social? Um termo que se popularizou nas redes, é a energia emocional, mental e física para a interação e está ligada à disposição e ao conforto que se tem para estar em ambientes sociais, como em reuniões de trabalho, saídas com amigos ou família. E é sobre isso que nós vamos conversar daqui a pouquinho com os nossos convidados, o psicólogo Lucas Cavalcante. E pelo Zoom também nós vamos falar com o neurologista e psiquiatra Dr. Luiz Mário Duarte daqui a pouquinho. Olha eles, hein, os nossos convidados para falar com você. Agora pensa aí, como está as suas eh emoções, né, situações, eventos que impactam os seus níveis de energia? Quais são eles? Pensou? Agora manda pra gente a sua pergunta, o seu depoimento sobre a sua bateria social. WhatsApp tá na sua tela, 1997829377. Entre em contato com a nossa produção, já manda o seu depoimento, sua pergunta, porque enquanto você já envia sua mensagem, vamos atualizando as notícias. Hoje é quarta-feira e quarta-feira é dia de reunião ordinária no legislativo campineiro. A Câmara de Campinas realiza hoje, a partir das 6 da tarde, a 15ª reunião ordinária do ano de 2025 e deve votar em primeira discussão o projeto de lei de autoria do executivo que propõe a concessão de direito de uso de uma área localizada no loteamento residencial Reserva Dom Pedro para a Sociedade Brasileira de Pesquisa e Assistência para Reabilitação Crânio Facial a Sobrapar. Essa concessão vai possibilitar a ampliação das instalações da Sobrapar, entidade reconhecida por seu trabalho assistencial, sem fins lucrativos na correção e redução de deformidades crâniofaciais, especialmente em crianças. O projeto vai permitir que a área seja utilizada para novas construções, novas instalações voltadas ao atendimento na área de psicologia, pedagogia, fonoaudiologia, odontologia, ortodontia, odontopediatria, otorrinolaringologia e serviço social. Além do atendimento multidisciplinar, a entidade também planeja criar no local um espaço lúdico e uma área de lazer aberta à população, destacando o compromisso com a inclusão social e o bem-estar comunitário. A reunião ordinária será aberta às 6 da tarde no plenário José Maria Matozinho, com entrada pela Avenida da Saudade, 100, bairro Ponte Preta. Quem não puder comparecer, claro que pode assistir aqui pela TV Câmara Campinas. Tem como acompanhar no 11.3, tá? No canal 4 da Net também o nove da Vivofibra, além da transmissão simultânea no canal da TV Câmara Campinas no YouTube. Seguimos com mais notícias para você e essa notícia é fenomenal. Eu adorei. A prefeitura está selecionando atletas 60 mais que disputarão aí o 27º Jogos da Melhor Idade. A Secretaria Municipal de Esporte Esportes e Lazer seleciona então os atletas com 60 anos ou mais para representar Campinas nesses jogos da melhor idade que vai ser realizado entre 13 e 18 de maio em São João da Boa Vista. As seletivas vão ser feitas nas modalidades de buraco, damas, dominó, tênis de mesa, truco e xadrez. As inscrições devem ser feitas pelo e-mail coordenadoria
[email protected] ou então pelo WhatsApp, tá? 198 112 2329. interessados em participar, os competidores de 60 a mais devem se apresentar a um grupo de professores que vai fazer a avaliação de cada um nas respectivas modalidades. A partir de hoje, às 10 horas, tá? Os meses devem se dirigir ao Clube da Bosch, na rodovia Anguera, 98, no período da tarde, às 14 horas, tá? Quem pretende representar a cidade no jogo de buraco deve se apresentar no Centro de Vivência dos Idosos, na Lagoa do Taquaral, acesso pelo portão quatro. Ainda no Centro de Vivência dos Idosos, sexta-feira, dia 28 de março, às 14:30, vai ter a análise da modalidade dominó. A observação para quem compete na categoria damas acontece no dia 29 de março, sábado às 8:30 e em abril, dia 2, quarta-feira, às 2:30, será a vez dos jogadores de truco. Sábado, 5 de abril, às 8:30, os enchadristas fecham a fase de análise. As inscrições devem ser feitas pelo e-mail. Vamos lá, de novo. Atenta aí, faça sua inscrição.
[email protected] [email protected] ou telefone 998112329. Uma ótima oportunidade para você eh fazer um social bem legal com a turma. Vamos lá. Previsão do tempo aqui para Campinas nesta quarta-feira. Qual a previsão do tempo, hein? Sol com algumas nuvens, chuva passageira durante o dia. Nós estamos no outono, né? E sempre temos aí aquela chuva no final da tarde, mínima 19, máxima 32. Essa é a previsão do tempo, de acordo com o Cepagre, de acordo com climatempo, sol com muitas nuvens e chuva passageira hoje aqui na cidade de Campinas. WhatsApp na tela 199829377. E agora vamos falar sobre bateria social. manda já pra gente a sua mensagem, porque a minha bateria social está carregadíssima. Na infância, gente, a bateria social é geralmente alta, pois as crianças tendem a ter uma energia natural para interagir, brincar e explorar o mundo ao seu redor. Os adolescentes, no entanto, enfrentam uma série de desafios emocionais, sociais e cognitivos, enquanto navegam pela transição da infância para a vida adulta. E já na idade adulta, a bateria social pode variar amplamente de acordo com o estilo de vida, as responsabilidades, né, as responsabilidades profissionais também e as relações interpessoais. Vamos desvendar os mistérios da bateria social. Para isso, nós temos nossos convidados especiais. Apresento a vocês o nosso convidado psicólogo Lucas Cavalcante, que vai nos ajudar a entender sobre a bateria social. Seja bem-vindo. Bom dia. Bom dia, Rúbio. Bom dia, doutor. Obrigado a todos. Obrigado pelo carinho, pelo convite. Ah, é um tema, é um tema bem interessante e eh infelizmente pensar a bateria social com uma disposição, ela é sim uma possibilidade. O problema é que nós estamos num contexto chamado aí de pós-modernidade. E aí eu respeito os recordes que cada um vai fazer sobre esse período cultural que nós estamos. há uma h a uma certa há um imperativo de que você esteja disponível. Então, eh não se respeitam mais as pausas. A bateria hoje é pensada, essa bateria social, essa disposição para o outro é pensada sempre a partir de uma ausência da pausa. Então eu estar lá disponível, eu ah negar qualquer tipo de pausa, de desligar, digamos, porque isso já é encarado com uma falha, uma falta, um problema. E aí, então essa exigência que eu percebo tanto na cultura como vindo do outro, né? Então essas pessoas me passam isso, mas o próprio a própria cultura me exige isso. Bateria. E aí eu tenho um grande problema com relação a isso. Vamos lá então, porque quem também interage com a gente pelo Zoom é o neurologista psiquiatra. Seja muito bem-vindo, Dr. Luiz Mário Duarte. Bom dia, doutor. Nos ouve. Bom dia. É, né, eu acho que temos uma falha de comunicação. Nós estamos tentando pelo Zoom. Seria muito bom se a gente conseguisse falar com o nosso Dr. Luiz Mário Duarte, se disponibilizou para estar com a gente. Produção já tá tentando resolver este pequeno probleminha, mas enquanto isso a gente vai conversando aqui com o nosso psicólogo, né? Olha só, eh, nossa energia é um dos recursos mais escassos que possuímos e saber como gerenciar isso é um grande desafio, né, nessa sociedade que eh exige que a gente pareça bem o tempo todo, que a gente esteja engajado o tempo todo. Como é que a gente define então, Lucas, eh a nossa bateria social, né? você eh fez uma introdução bem legal referente a esse tema e eh esse tema bateria social, ele teve eh uma ele explodiu, ele teve um boom, você acredita que foi no momento da pandemia assim, porque não se falava tanto disso antes, né? Não, não se falava, mas também tem um pouco, um pouquinho antes, na verdade, né? Por conta do advento das redes sociais. Uhum. Ah, se a gente pegar nas redes sociais, você tem o termo ali feed, né? Que esse negócio do feed de notícias. Sim. Então, se a gente vê essa introdução maravilhosa, que que eu tô super eh tô super admirado com a introdução, como você faz a perfeição, né, da transmissão, da mensagem, entra numa coisa, num assunto da cidade, entra numa coisa relacionada ao tema, depois a temperatura, etc. Eh, essa ideia de uma mensagem passada sem muito respirar, isso faz sentido para um estúdio, uma TV. Quando eu penso as redes sociais, elas trabalham sobre a mesma lógica. Ah, eh, a gente não aceita ficar numa pausa da mensagem, então as pessoas pegam o dedo no celular e vão passando aquilo porque tem que gastar, tem que saber, tem que interagir, tem que estar presente, tem que estar doando. Quando vem a pandemia, a gente entra numa saída abrupta, né, quase que uma eh nós somos decepados quase que da relação social, uma mutilação quase. E essa entrada no mundo da casa, né, de uma hora para outra, nós não soubemos lidar porque não foi feita uma transição, não avisaram para nós que era interessante a pausa, que era interessante às vezes desligar a bateria. E nesse sentido nós tivemos vários problemas, aumento de violência doméstica, aumento de divórcios, assim, várias questões de transtornos psicológicos e psiquiátricos. O doutor certamente vai falar sobre isso. Então, assim, eh foi aí que nós descobrimos. Ah, então existe essa disposição, então existe essa essa exigência e agora nós estamos estudando um pouco disso, né, e tentando lidar agora com a possibilidade de me de estar disponível ao outro, mas ao mesmo tempo saber assim qual é o momento de pausa, qual é o momento que eu desligo essa bateria. Essa talvez seria a pergunta do século. Legal, Lucas. Daqui a pouquinho a gente continua. Agora eu acho que a gente eh nós conseguimos reconexão com o doutor, então seja muito bem-vindo eh pelo Zoom, neurologista, psiquiatra, né, nosso doutor, que vai falar sobre a bateria social. Dr. Luís Mário Duarte nos ouve agora. seja bem-vindo. Bom dia. Eh, produção, eu acho que ele não nos ouve, hein. Ai, quero muito falar com o doutor. Mas é assim, gente, internet, quando a gente depende da tal da internet, a internet é maravilhosa, né? Essas conexões, né? Elas são muito boas, mas quando resolve deixar a gente na mão, uma falhazinha aqui, outra ali, acaba deixando. Mas os nossos técnicos já estão ali tentando ver se a gente consegue restabelecer essa conexão, porque seria muito interessante, muito bom que nós tivéssemos a participação do Dr. Luiz Mário. Mas enquanto isso, a gente vai batendo o papo, falando aqui com o Lucas, porque eh o Lucas tem uma visão bem apurada e também pode trazer para você eh resposta paraa sua pergunta sobre bateria social. A sua tá acabando, como é que você recarrega isso, né? Então eu pergunto, quais são os principais sinais, Lucas, que mostram pra gente que a gente tá chegando no momento em que a nossa bateria tá no fim? É, um do talvez uma das grandes marcas, né, o esgotamento social estafa. A gente eh hoje se fala muito, por exemplo, do Bornout, que são essas patologias organizacionais, né, da da vida do trabalho, a vida profissional e tal. Eh, é uma das das mostras desse problema, né, de um excesso. Então, pessoas que estão o certamente a gente vai conseguir aí, se Deus quiser, falar com o doutor, né? Eu quero muito entrar na área dele, mas a esta nalho, a questão assim da ah do aumento da ansiedade, o aumento da angústia, as questões das dos núcleos depressivos, os episódios de depressão, a pessoa quando ela está assim com aumento de estress assim muito grande, onde ela vai pegar alguma coisa que é muito frágil, quebra, por exemplo, onde ela não sabe dosar mais a força dela, ela não sabe dosar a altura de voz, então o pouco para ela é muito, muito é pouco. Nossa, isso aí a gente tá dentro de uma de uma ideia assim de uma possível estafa da bateria, de um esgotamento da bateria social, né? Vamos lá então tentar novamente falar com ele, nosso neurologista, psiquiatra, Dr. Luís Mário Duarte me ouve agora, doutor? Bom dia, seja bem-vindo. Bom dia. Ai, que beleza. Que bom. Obrigado pela oportunidade pra gente poder conversar sobre um tema tão tão frequente hoje em dia, né? Verdade. Nós estávamos aqui conversando, estamos com o Lucas, ele é psicólogo, né? E eh enquanto estávamos tentando aí ajustar a nossa conexão, o Lucas falava que a bateria social é algo que se fala muito hoje em dia e que a gente precisa estar atento, né, a esse esgotamento na na visão eh na questão eh da neurologia, né, da neurociência, da neurologia. Ah, o que que representa essa esse termo esgotamento, eh, bateria social? Até quando isso a gente pode, quando a gente precisa acender o alerta de que esse esgotamento, esse fim da bateria pode nos levar aí a uma patologia, doutor? É, o a demanda social até agora é muito grande. Então, nós não fomos selecionados pela natureza para tantação social. Nós somos animais sociais. Eh, nossa sobrevivência dependeu de interação, da leitura, da mente do outro, da percepção do do outro, eh, qual o comportamento dele em relação a nós. E nós tínhamos grupos pequenos na S. Então o o que aconteceu o com o desenvolvimento da sociedade, as interações sociais, né? E hoje no trabalho, na em convenções sociais, em em no dia a dia, no trânsito, a quantidade de de estímulos e de demanda eh de de encontro é muito grande e nós temos que ler a as intenções e a percepção do outro sobre nós, a nossa resposta ao outro. Nós utilizamos muitos circuitos eh cerebrais para poder manter a conexão e a interação social e isso esgota. Teu cérebro é órgão com outro qualquer. Assim como um músculo se cansa com muito exercício, né? coração com uma demanda eh eh muito grande de atividade também corporal. O cérebro que recebe mais ou menos 20 25% de toda a energia do corpo, né? Eh, ele se cansa, né? A a neurotransmissão começa a falhar. Então, existem vários circuitos que compõem o que a gente chama de um cérebro social, né? O lobo frontal, a parte medial do lobo frontal, a amídala temporal. a região parietal eh eh inferior e posterior, né? Eh, essas áreas todas vão sendo integradas com com giro do símbolo anterior e compõe o o as nossas respostas que a gente tem que receber o ambiente, processar esse ambiente, entender o que tá acontecendo e dar uma resposta. Eh, isso tem um um prazo. Se demora muito, se se a se a as conexões, a interção é muito longa ou ou muito intensa ou ou muito frequente, né, a gente começa a perder autonomia, perder capacidade de de neurotransmissão. Aí vem a sensação de cansaço, estabilidade, paciência. E isso acontece com qualquer pessoa, ela não precisa ser eh ter alguma doença, mas se se prolongar, ele pode desenvolver um burnout social e abrir um quadro, né, de eh patológico, uma doença cíclica. Muito bem. Eh, você vê, né, o doutor falando sobre a possibilidade de desenvoltura de um burnout social. Quando a gente fala em burnout, o pessoal pensa: "Ah, coisa de trabalho só", né? Mas tem aquele burnout que é geralzão, né? Que acendeu o alerta e deu pane e precisa parar, recetar para poder continuar. Doutor, nós falávamos aqui com o Lucas eh referente à questão da pandemia, porque a pandemia nos trouxe uma questão de nos recolher, né? E aí ficamos reclusos por quê? Dois anos. É, por um pouquinho, até um pouquinho mais. Um pouquinho mais. né? E aí essa essa reclusão eh no no seu ponto de vista de de eh psiquiatra, ela tem a ver com eh a evolução desse tema bateria social, essa essa reclusão que nós tivemos durante a pandemia, ela hoje eh tem eh o resultado é essa eh bateria social, essa energia que nos é consumida muito rapidamente? É, é interessante a a colocação do Lucas e a sua, porque eu, por exemplo, no meu consultório, eu atendi muita gente em na social, né, por causa da do contato eh extenso, intenso, frequente com a família. Quer ver uma coisa? Eh, quantos casais ou casamento só entram em crise porque o homem se aposenta, né? O casal tá ele tá equilibrado, equalizado, né? O homem vai pro trabalho, a mulher vai pro trabalho, eles voltam, eles têm um um tempo de interação, eles se adequam a isso. Quando tem que ficar muito tempo junto. O que aconteceu na pandemia eh entre as famílias? todo mundo recluso, todo mundo em lockdown. Eh, houve muito muitas muitos divórcios, muitas separações. algumas famílias conseguiram, né, eh, desfrutar desse contato e outras famílias, muitas, eh, ruíram, né, exatamente pela dificuldade de, de manter um contato frequente, intenso, durante o dia inteiro, conversando e e buscando pistas eh eh cognitivas do outro e oferecendo uma demanda. É, é, é muito difícil mesmo. É delicado, né, Lucas? Eh, a questão da, da pandemia. E aí agora, falando em pandemia, me remete a zona de conforto. E a bateria social, ela tem a ver com zona de conforto. Por quê? Porque tem muita gente que já não tem mais paciente de conviver, paciência de conviver com o outro e aí se sente melhor no seu cantinho, né? Às vezes tem situações, você em casa, manda pra gente aí a sua o seu depoimento, né? o seu questionamento. Às vezes você recebe convites para sair, principalmente final de semana, tal, ou um happy hour, bater um papo com amigo, aí você chega em casa, você não sai mais, porque eu eu sou dessas, tipo assim, ó, se eu tiver que tudo que eu tiver que fazer, eu tenho que fazer antes de eu chegar em casa, porque se eu chegar em casa, eu olho pro meu conforto, meu cantinho, não quero mais sair, né? É, então essa essa zona de conforto, qual que é a relevância? O que que tem a ver a zona de conforto com a bateria social? Então, eh, pensando zona de conforto como uma possibilidade de pausa, né, como uma possibilidade de eh de digamos aí na metáfora de recarregar alguma coisa, isso é muito interessante. O problema é quando essa zona de conforto, eu vou usar um neologismo aqui, ela se torna um confortismo, digamos, no sentido de eu não quero mais sair por alguma fobia que eu tenho agora, né? alguma alguma coisa assim que cria em mim um medo de voltar essa interação, quando na verdade a interação ela se torna, né, um uma exigência, se torna, portanto, uma regra, uma lei, uma uma imposição. Isso, voltando aí à questão da pandemia, isso que o doutor falou interessante. Quando nós voltamos eh eh fomos obrigados a ficar em casa, a gente viveu sobre a mesma lógica que tava antes. Se antes era obrigada a estar no social, agora vem uma nova obrigação que agora você vai ter que interagir dentro de casa, você vai ter que ficar lá. Nesse sentido, aquilo que era conforto se torna novamente uma regra do ficar, uma regra do estar, uma imposição. E aí eu não vou querer mais sair. Então, muitos, inclusive pós pandemia, não conseguiram se reorganizar socialmente. Eh, eh, quiseram ficar em casa, não se restabeleceram no trabalho. Por exemplo, a gente sabe que muitas empresas pediram agora para voltar, né? estão pedindo para voltar ao trabalho. Muitos, eu tenho uma clínica assim vários casos que as pessoas não estão conseguindo voltar. Isso é um fato, porque agora a lógica que era anterior, à pandemia foi aplicada dentro de casa. Então, embora a estética mudou, a essência do problema continua a mesma, esse excesso do estar, do ficar. Portanto, conforto em casa e é importante esta zona do conforto como uma um equilíbrio com o que eu fazia lá fora, mas se eu não souber lidar lá fora, o conforto se torna também um novo problema, porque eu vou ter que ficar agora. Eu não quero mais sair, não me convindem, porque eu não quero sair daqui. Só saio se for uma regra, só saio se eu tiver que sair. E aí eu também eh eh eh isso também acaba se tornando um novo problema e a gente não sai desse desequilíbrio. Poxa vida, é um desequilíbrio bem interessante de paraa gente poder estudar, né, doutor, porque assim, eh, a até que ponto eu consigo entender se é a minha bateria que está descarregada ou se é a bateria do outro que está descarregada nesse nesse mundo de convivência, nesse mundo sociável, o mundo que a gente precisa eh estar atento, principalmente hoje a gente tem que cuidar eh eh até no local, na vírgula que você coloca em um momento de fala, porque senão a gente pode causar aí um desconforto muito grande, gerar um burburinho. E aí quando eu consigo mencionar, entender, qual é a bateria que tá descarregando, é a minha ou é a pessoa que eu tô convivendo, doutor? Eh, a questão é se as duas baterias estão alteradas, porque o que acontece, o que acontece comigo pode acontecer com outro, não é isso? Então, eh, imagina no trabalho, se você tem um trabalho que você tem contato com outra pessoa o tempo todo, né? Eh, aí você entra num jogo outras variáveis como o temperamento daquele indivíduo, a estrutura de personalidade dele, se ele tem ou não algum um alguma doença, algum transtorno psiquiátrico, tudo isso vai fragilizar. no fundo, né, eh, mesmo uma pessoa normal, ela acaba se comportando como um um alguém do espectro autista, né, se dependendo da da quantidade de informações que ela ela tenha que processar de interações, porque, não, eu tô em contato com as pessoas, mas as pessoas estão em contato comigo, né, eh, elas estão sendo submetidas ao mesmo estresse, a à mesma fadiga eh mental, a sensação de exaustão. pelo excesso de contato. E cada pessoa tem um um padrão de de comportamento, de resposta. Existem baterias eh atômicas, existem baterias de car e de milha, né? Então, eh algumas pessoas esgotam mais rapidamente, outras pessoas esgotam eh mais lentamente, mas todo mundo esgota dependendo da da quantidade de estímulos. Muito bem, né? É, é aquela igual aquela música, né? Down, down, down. Cada vez mais down viver no High Societe. Menino, como é que tá sua bateria aí de casa? Conta para mim, hein? Você já recarregou? E por que que tem vezes que a gente chega do trabalho ou enfim da sua atividade diária cansadíssimo mentalmente? O corpo, ih, você consegue correr sete léguas. Agora, a mente não funciona para mais nada, literalmente dá um pane. Aí você tem aquela a aquela expressão, né? A minha mente tá acabando comigo, eu tô cansada. Daí você deita para dormir, você não consegue porque a sua mente continua trabalhando, né? E aí mesmo com cansaço, você continua ali, você não consegue desligar. Que nível de bateria é esse, Lucas? Não, assim, é uma o que a gente tava dizendo, é uma estafa total. Aliás, um dos sintomas, inclusive aí seguindo essa lógica que você construiu, é quando o sujeito vai dormir. Uhum. E aí ele aparece na clínica depois, certamente que o doutor deve acontecer isso quando ele vai contar os sonhos que ele teve. Então assim, geralmente são sonhos onde eh isso aparece muito na clínica, ele tá voando numa velocidade muito ah eh ah extrema, onde não há eh por exemplo, ele tá assim nu no sonho, onde ele tenta gritar, não sai a voz e ele fica ansioso no sonho, ele tá com vergonha, ele tá com raiva, ele e aí quando você vai analisar aquele sonho, eu que eu sou psicólogo, na clínica eu faço a psicanálise, né? ah, ah, tradicional. E ali na análise do sonho, você vai perceber que o sujeito, ele está dizendo o seguinte: "Eu não tenho pausa alguma. Eu não tenho assim, eu estou literalmente com o excesso de informação". Então, talvez até o o doutor vai ele ele vai poder falar melhor, que é assim, quando eu chego à noite, as existências físicas elas tendem a baixar porque eu tô em casa agora, né? E aí, por isso que a questão, o fator emocional, ele sobe, quando eu tô lá na cama, as vozes não eh não param. E aí, como esse sujeito ele está aprendendo na cultura, na no em todos os signos que ele vê à sua volta de que o cansaço e a pausa é sinônimo de fraqueza e por ele ele não pode ser fraco, ele não pode ser o tal do antifrágil, essa cultura do eu não posso em hipótese alguma estar assim numa falta, num cansaço, numa perda. Ele vai paraa cama, ele vai nesse mesmo ritmo, ele acorda no outro dia no mesmo ritmo. Aliás, eu vou tomar café, eu tomo café para acordar, eu tomo café à tarde, eu tomo café à noite, eu tomo remédio para dormir, eu tomo remédio para acordar e e eu falando aqui, a gente fica até sem ar. Aham. Isso também é um dos eh sintomas para se pensar essa a a na hora do dormir. Eh, como que esse sujeito tá se percebendo nessa eh ali à noite, né? como que ele se percebe nesse momento? Eh, o que a gente tá falando aqui, eu acho que no geral, e aqui eu queria pensar a ideia de bateria, eu sou músico, né? Eu toco bateria, então, por ser baterista, né? Eh, dá para pensar a seguinte ideia de bateria enquanto quantidade, quando a gente fala bateria de exames, né? Enquanto quantidade, bateria enquanto quem não gosta de bateria, né? O vizinho lá que tem um baterista enquanto muito barulho, né? Mas bateria como instrumento musical. Então, talvez a bateria, né? essa energia social, a bateria como uma harmonia entre som e pausa para que eu faça o ritmo. Hum. Porque bateria, né? Eu eu brinco, eu sou baterista, mas eu odeio barulho. Porque a ideia da bateria ela não faz barulho, ela faz música, porque ela tem uma interação entre pausa, entre nota musical de pausa, entre nota musical sonora. Esse ritmo entre que horas eu paro, não acho que já tá bom, não. Agora eu faço um barulho, eu volto. Isso daí dá, né, esse ritmo, né, esse swing que faz com que a gente consiga sambar de uma maneira melhor a nossa vida. Uau! Ufa! Você sabe que eu até cansei. Se a gente for parar para pensar, ô doutor, como que funciona o nosso cérebro quando a gente dorme? É realmente a gente consegue recarregar a nossa bateria, né, diária? eh, nesse período que a gente dá aí essa essa descansada e realmente a gente consegue mesmo descansar ou tem um pessoas que a cabeça não para, igual eu tava falando com o Lucas, a cabeça não para quando dorme e aí eh você continua dormindo, continua sonhando e acorda cansado. Como é que faz na hora de dormir pra gente conseguir ter aí ah um uma bateria bem recarregada no outro dia? Bom, eh, o sono é um é um artifício da natureza, né, que recarrega a bateria da gente. É uma um dos artifícios, né, é uma da dos recursos que nós temos para quem não tem insônia, obviamente, né, e a exaustão pívica produzida pela pela por essa fadiga eh social pode manter o indivíduo ativo, como o Dr. Ah, deixa eu te falar. Eh, tenta ficar mais retinho. Ah, tá. Desculpa. Tá, tá. Oi. O não. Então, eh, o sono é fundamental para uma, paraa saúde mental, viu, né? Nós passamos 1/ dormindo e existe uma função eh absolutamente necessária para sono, né? Se você a pessoa não dorme bem, ela pode produzir uma série de de problemas durante o dia e ao longo da vida ela po ela é muito mais vulnerável à depressão, parkson, uma série de de outras doenças degenerativas. Então, eh, essencial dormir e o sono vai recuperar essa bateria, vai recarregar essa bateria, né, metaforicamente. Por quê? porque os circuitos cerebrais estão tão sobrecarregados e e há uma exaustão da da neurogmissão. E durante o sono há toda uma recomposição eh cerebral, onde a gente guarda memórias e onde a gente aumenta também a quantidade de de neurotransmissores dentro do neurônio para eles serem emitidos depois na na sinapses e e gerar o todos os comportamentos humanos. Então, dormir é essencial. Muita gente eh exausta, não consegue dormir. Mas é eh o Lucas tava falando algo interessante, né, da pausa e e da e da música, né, da da ação de bateria. E isso é fundamental, esse ritmo, né, é um bioritmo, que é um ritmo psíquico, né? Aí o sono ele é ativo, ele não é passivo, então eh o sono recarrega, mas há outras coisas também, como oração, meditação, exercício físico, silêncio, uma leitura enobrecedora, né? Tudo isso pode gerar um um um descanso, né? Então, quando você volta do trabalho ou de uma festa e chega em casa, é como você trocar o prato salgado, né, do jantar pela sobremesa, né, a fome volta, não é verdade? Então, eh, quando você chega em casa, se a demanda social é muito grande dentro da comida, muitos, muitas pessoas ou tem uma discussão ou ou o ambiente tá pesado, problema para você resolver, né, o sono vai ser vai ser atrapalhado e e o a pessoa vai continuar com problema, né? Então ele vai acordar cansado, vai acordar, o sono dele vai ser muito ruim e esse círculo vicioso vai se manter e provavelmente essa pessoa vai adoecer e vai ser eh um cliente do Dr. Lucas. Eh, Dr. Lucas, com certeza. É, a gente precisa, a gente precisa cuidar muito, né, dessa questão da bateria social. É um termo novo, né? Antes não falava muito sobre isso, há uns 6, 7 anos atrás, né? Não se falava muito sobre bateria social, mas hoje a gente fala e é importante falar e às vezes a gente acaba curando com o simples fato de falar, né? Fala: "Olha, não estou bem aqui, não estou me sentindo bem, ah, minha bateria acabou, preciso me recolher para recarregar, amanhã é um novo dia e tudo bem. É sobre isso, a gente precisa falar. Falando em falar, o pessoal tá falando com a gente agora. Eh, nós temos aqui as pessoas que participam, os espectadores que estão acompanhando o nosso eh programa ao vivo aqui pela TV Câmara. E pode colocar na tela a produção, porque agora o Lucas e também o Dr. Luiz é respondendo os nossos espectadores, né? Vamos lá. O Pedro do Nova Campinas. Tem noites que eu durmo, mas sonho que estou trabalhando, brigando ou em situações estressantes. Acordo mais cansado do que quando fui dormir. Isso tem a ver com bateria social ou pode ser outro tipo de esgotamento? É o que a gente falava agora a pouco, né, Dr. Luiz? Eh, o Pedro relatando que ele ele dorme, mas ele sonha com as coisas do dia a dia. Tá trabalhando, tá brigando, tá subindo uma ladeira e quando acorda sem energia nenhuma. É verdade. O existe um uma realidade do cérebro. O cérebro não distingue o que é externo do que é interno. Por que que a gente chora num filme ou ri ou toma susto num filme de terror? Porque pro cérebro aquilo está acontecendo. Uhum. Então nossas experiências oníricas, o sonho, a tudo aquilo que o Pedro tá sonhando, o cérebro tá trabalhando, tá acontecendo mesmo de verdade com sério. Então ele ele continua a a se desgastar, né? E por isso que ele acorda com a sensação de de esgotamento. E é muito ruim isso. Eu tenho que tratar insônia dele. Existem técnicas eh de higiênio do sono, não precisa necessariamente medicar, mas eh chega-se a a um momento em que há um disturbo do sono e essa pessoa precisa de de medicação. Muito bem, doutor. É uma questão bem delicada essa do sono, né? Eu já passei por isso algumas vezes, de você dormir e simplesmente no outro dia parece que você não dormiu nada. Daí, poxa vida, e agora como é que eu vou levar o dia? E aí você não recarregou a bateria, a bateria tá zerada e olha, tem que ter muito discernimento, muita ousadia para seguir o dia, né? Vamos lá, Lucas, agora tem mais uma pergunta. Essa direciono para você. Vamos simbora. Tem mais perguntas agora. 8:42. Pode colocar na tela. Produção Fernanda do Taquaral, bom dia. Olha aí, eh, do ponto de vista neurológico, eh, o que acontece no cérebro quando nossa bateria social se esgota? Bom, do ponto de vista neurológico, a gente passa pro Dr. Luís, né? Vamos responder então. Doutora, Fernanda do Taquaral, quer saber o que que acontece no nosso cérebro quando a bateria chega ao fim. É, é interessante isso pode acontecer com qualquer gênero em qualquer idade. Adolescentes tem fadiga social, tem essa essa queda da bateria social também. Existem circuitos eh que eh trabalham com alguns neurotransmissores. Por exemplo, eu preciso de dopamina para me motivar num ambiente social e que me recompense nesse nesse ambiente. Se eu ficar eh eh muito exposto, eu posso perder a ativação dopaminérgica e eu fico desmotivado. Eu preciso de noradrenalina para manter minhas funções executivas funcionando, né? Interagindo, conversando, percebendo o outro. Eu preciso de serotonina para controlar, regular minhas emoções, né? Eu preciso de ositocina para fazer vínculo, estabelecer conexões com outro, né? Eh, todos esses neurotransmissores juntos, né? Eh, eles acabam dentro de um de um sistema que é do hipotálamo, que percebe nossas eh atividades vegetativas, que age sobre a hipófise e sobre a suprarrenal. E isso é o estresse, né? Então, toda essa essa essa circuitaria cerebral, não sobre o corpo. Daí a sensação física de cansaço, né? Então, esses são esses são os principais neurotransmissores e circuitos envolvidos, né? E e a gente pode tratar deles, né? Ou através da psicoterapia com o Dr. Lucas, ou através de medicamentos, ou de de pausas sociais, onde a gente se recomponha fazendo coisas que a gente gosta, ou descansando, relaxando, dormindo, né? Para poder se recuperar. Importante, importante a gente lembrar desses momentos da pausa, né? A gente precisa parar, não adianta, tem que parar. É aquele negócio que o Lucas falava agora a pouco. Você quer ser o super homem, a super mulher? Guarda a capa. Guarda a capa, descansa, porque você precisa continuar. A Camila do Jardim Londres, trabalhar com atendimento ao público drena minha energia social. Isso é comum, Lucas? Então, ah, ainda mais assim no no eh, dependendo do serviço público, ela trabalha, sem dúvida, sem dúvida que vai drenar assim a a energia social. É uma até somando a pergunta dela que acho que é do Pedro, que foi a primeira, né? Essa eh essa eh estafa, né? né, a questão do sono e tal, ela eh o que eu o que eu mais questiono de tudo isso assim eh é quando o excesso quando como o sonho dele, quando estar eh eh dormindo e pensando no trabalho e tal, quando isso é é uma beleza, quando isso é bonito, quando isso é legal. E e parece que eh a gente vê muito isso nas crianças quando elas vão imitar o pai, cara, pega o celular, começa a brigar no celular. Tem muito vídeo assim na internet. Sim. que a que a criancinha imita e tal, porque parece que existe uma beleza em ter minha agenda cheia. Parece que é legal assim hoje, né? Essa ideia do eu trabalho bastante, eu cheguei em casa corrido, não deu nem tempo de de fazer nada, já estou aqui no computador. Eh, hoje é legal falar que eu tenho um escritório na minha casa, transformei um quarto num escritório porque afinal de contas eu tenho o meu home office e tal. Então, parece que existe uma beleza quando ele fala do sonho. E a mesma questão dessa drenagem, né, que se dá, Sim. Ela eu me fez lembrar do Freud quando ele diz que o sonho é uma representação de um desejo inconsciente. Uhum. Né? Então o quanto que para ele também e para eh é uma é uma certa beleza assim, é no sentido de estar sempre neste excesso. Então está no trabalho, por exemplo, dizer assim: "Olha, eu não, ó, gente, eu estou cansado, estou muito estressada". As pessoas usam essas palavras hoje, sabe, no léxico, digamos, eh, social, são é absolutamente romantizado. Há uma certa beleza, há uma erotização dessa ideia do muito, né, do eu não estou aguentando mais, eu preciso, preciso de um spa e tal. E aí eu também tenho uma questão, eu tenho um problema com relação a isso, que é não, nós não podemos normatizar isso. Eh, o próprio termo bateria social, a gente deve lembrar que ele é usado como a metáfora do celular. Exato. Esse termo começa porque nós começamos a olhar celular, ó, meu celular tá acabando a bateria, então existe uma certa ideia de que eu sou um celular, então eu não posso parar. Isso é muito legal e na verdade não é, não posso normatizar isso, né? A pausa, ela é, sem dúvida assim uma das grandes belezas que nós temos. Nossa, olha essa comparação com o celular agora foi sensacional, né? Você carrega o seu celular quando você deixa o seu celular descarregar. É isso que eu i perguntar. Até eu queria perguntar a quem tem e eh a quem tá em casa nos vendo, quando que o seu celular realmente ele foi desligado? É, nós não desligamos. Quanto tempo que você não desliga o teu celular? Literalmente, aliás, a própria eu eu acho que até tem uma marca de celular famosa que, se eu não me engano, a própria orientação é: "Não deixa acabar". Chegando ali 5, 10% você coloca de novo. Então nós o celular hoje ele é uma extensão do nosso eu, do nosso ego. Eu me vejo no celular, o celular se vê em mim, uma espécie de uma relação espelhar. Então eu tenho eu tenho uma bateria, eu não posso parar. Não é, aliás, o bom celular aquele que não acaba a bateria, né? Então, pois é, né? Você já viu, doutor, que isso? Essa comparação com o celular é surpreendente, não é? É, a analogia é perfeita. Que coisa, gente. A gente precisa de repouso, né, de descanso, né? Qualquer máquina precisa. O celular, eu acho que é é icônico, emblemático nisso. No nosso corpo também, o nosso cérebro. E o o que é interessante também notar é que o silêncio ele não é produzido, a gente cessa ruídos, repouso, né, tranquilidade, ele não é produzido, cessa movimentos, né? Então a gente precisa dessas pausas sociais, elas são fundamentais. Veja que uma população de monges, dees, de pessoas eh eh que têm uma uma abertura transcendental, elas fazem muito silêncio e quando elas interagem socialmente, elas são muito efetivas e saudáveis e tranquilas, né? E elas se recarregam rápido, né? Porque elas aprenderam a fazer isso no repouso. Como a nossa espécie era muito rarefeita, a quantidade de gente era muito pequena lá atrás, né? Então o nosso cérebro foi desenhado para interações mais tranquilas, né? Eh, mais espaçadas, né? E mais simples. Então, eh a sociedade ficou muito complexa. Então, todo mundo tá em contato o tempo todo, né? a gente precisa de uma bateria muito forte para manter. Então, a cultura hoje, a sociedade, ela ela ela é um ela tem um efeito seletivo natural sobre as pessoas, produzido por nós mesmos, mas são eh é uma seleção darviniana, né? Quem tem uma bateria mais forte resiste mais tempo dentro dessas interações e tem um desempenho melhor. Mas todo mundo vai precisar de um de um descanso em algum momento e e a gente recarrega o celular. mais facilmente quando ele tá desligado ou quando ele não tá em atividade, não é isso? Se você tiver fazendo alguma coisa com celular, ele carregado, muitas vezes ele incendeia, ele explode, né? ou então você não carrega tão rápido. E é o que acontece com o Pedro quando ele tá sonhando o tempo todo, ou com as pessoas que tem uma demanda diária diária diária de de interações, como no serviço público, como na medicina, como o próprio Dr. Lucas, imagina o Lucas atendendo pessoas com uma demanda emocional alta todos os dias, 5, 6, 7, 8, 10 pacientes, né? E isso descarrega, isso gera uma uma fadiga social, uma queda da bateria social. E o Lucas deve ter, né, como um profissional de saúde mental, a a os recursos para se recuperar e tá tão cedo aqui hoje, né, bom humor conversando conosco sobre isso. É verdade. É verdade. A já bateria, né, Lucas? Ô, produção 8:51, gente, tá passando rápido demais. Que bate-papo gostoso, cheio de informação, né, cheio de de compartilhamentos aí, de experiências. Nós estamos com o nosso eh o doutor neurologista, psiquiatra, o Dr. Luís Mário Duarte. Nossa, que maravilha. Gratidão. Muito. Eu fiquei muito feliz de conseguir restabelecer contato para ter o senhor conosco nesta manhã. E com a gente também o psicólogo Lucas, né, o Lucas Cavalcante, eh, trazendo informações do nosso dia a dia e a gente pontuando e questionando essa situação de bateria social. O pessoal tá participando, a gente agradece a sua participação. Vamos lá, pode mandar a pergunta aí, aproveita essa manhã de quarta-feira para falar e recarregar a bateria. Wesley, do Jardim Campo Belo. Existe alguma forma de treinar a mente para aguentar mais tempo em ambientes sociais? Ai, ai, ai. Ô, Lucas, olha a pergunta que que o Wesley tá fazendo pra gente. Me ajude a ficar mais tempo em algum lugar em contato com o outro, né? Verdade. E agora que eu que que o que que a gente diz? Tem então, ah, tem uma eh assim, tem um jeito subversivo, né? que é o que a gente já faz hoje, que vem um exemplo que a gente faz para aguentar mais tempo em ambiente social. E aqui ambientes enfadões chatos, aquele aquele passeio, aquela visita que você faz que não é legal, é aquele aquele chefe que você não gosta tanto, aquela cena que é muito enfadonha. O que que nós fazemos? É verdade, vou até sacar aqui. Você pega o celular, eu tô sendo bem subversivo aqui, e você fica ali para cima e para baixo. Olha, você vai ficar um tempão ali na na sua no seu contato social. dessa forma, sem interagir, só ali, só a presença, o corpo. E quanto que nós vemos isso? Você vai hoje num restaurante, o que você mais vê hoje, mas isso é assim, é tira e queda, pessoal. Vocês vão lá, lembrem-se do que eu estou dizendo aqui. Você vai ver se muita gente, o casal, a família, cada um com seu celular em mãos e todos ali e interagindo sem interagir. Na verdade, há um corpo presente, mas a alma tá em qualquer outro lugar que não se sabe. Então, assim, essa ideia, novamente, essa ideia do poder eh aguentar esse espaço social de maneira mais saudável seria falar e se permitir ouvir. e eh não entrar nessa de e desse produtivismo de ter que produzir, ter que falar, eu tenho que fazer acontecer, eu tenho que fazer dar certo, eu tenho que colocar, eu tenho que essa ideia do eu tenho que fazer alguma coisa, né? Eh, novamente, essa ideia e imperativa nunca é bom. Então a ideia, Wesley, é você estar ali no espaço social e aqui novamente usando essa ideia do descanso, encontrar pequenas possibilidades de descanso do ouvir, do falar, do beber uma água, do estar ali assim mais contemplativo, mais reflexivo e depois intervir novamente. Essas são ideias de encontrar pausas no meio do contato social. Pois é. Eh, contato social não é excesso de estar presente. Essa é a ideia. Bom, agora eu pergunto para o Dr. Luiz, né, essa essa esse questionamento do Wesley, eh, como conseguir, né, eh continuar em um espaço que você não tá com vontade de ficar. Existe alguma forma de treinamento para aguentar mais tempo em ambientes sociais? Eu cheguei numa fase da vida, vou dar um depoimento aqui, que eu tenho maturidade e acho normal. Se eu não estou me sentindo bem no local e não tenho vontade de ficar ali, eu simplesmente falo, gente, muito obrigada, né? Valeu a interação até esse momento. Asal vista baby, eu estou indo para casa, minha bateria social tá precisando recarregar e eu vou para casa. Isso que eu faço eh é o correto, tá? errado. Até que ponto? Porque você precisa, ã, tipo assim, ir ao extremo para você estar em um local onde você não quer estar. Doutor, você tá, o Lucas tá correto e você também tá correto, né? Eh, se você tá numa situação social que você pode sair, você possa sair, né, que você não é uma exigência estar ali, né, você tem que conhecer seu limite e se retirar. É uma é uma estratégia extremamente eficaz. Uhum. Né? Deu, já deu. Tá ali na festa, tá ali numa reunião, você não precisa estar ali, ninguém vai te cobrar nada. Você sai, sim. Eh, sai de preferência francesa. Olha só, eh, existem situações que você não pode sair. Exato. Nã obrigado a ficar na interação com uma pessoa ou várias pessoas, num reunião profissional ou um ambiente social, na escola, um adolescente, na mídia. Imagina. É, hoje tá muito difícil. Então, o o Lucas falou algo que eu eu considero muito importante. Eh, você o o importante é você tá presente no esposo. Quando quando eu estou numa situação que eu não quero estar, né, eu começo a entrar em conflito, em luta com a situação. Eu entro no modo eh de rede padrão cerebral, autobiográfico. Então eu começo a pensar com meu meus botões, eu não devia estar aqui, por que que eu estou aqui? Esse emprego é horroroso, essa festa é uma porcaria, por que que eu tenho que estar com essas pessoas? Que droga, coisa horrível, né? E e nessa luta, né? Eu não consigo sair e eu pioro a minha situação. Então o segredo, o Lucas já deu, eh, a gente ficar calpo, tranquilo, né? Não não reagir, mas interagir, né? deixar a pessoa falar, não é? Você, se você tiver entediado, cansado, você começa a perguntar para si mesmo por que que você tá naquele estado você não pode sair. Fica atento à respiração, né? Quer ver um um exercício pro É Wesley, eu eu esqueci o nome do do seu é Wesley Wesley, né? Observa sua respiração enquanto todo mundo tá lá agitado, conversando, falando, não é? você volta paraa sua respiração, né? Observa uma coisa interessante. Você inspira contando, né? Eh, por exemplo, um, 2, 3, 4. Você inspirou, solta sempre no dobro do tempo. Se você inspirar em três, solta em seis. Se você insirar em quatro, solta em oito. Isso é uma técnica de vifeedback que o cientistas ocidentais aprenderam com os iogs, né? sua mente fica muito calmo, muito tranquilo, entende? Então você é uma forma de você estar no ambiente, tá ali na interação, né? Mas as pessoas não sabem o que você tá fazendo. Você tá com a mente relaxada, tranquila, sem resistência. Jesus ensina uma coisa interessante. Não resistais ao maligno. Muito bom. Então você relaxa, fica tranquilo, né? Deixa as coisas acontecerem, se torne uma testemunha do que tá acontecendo, né? e fique atento à respiração. Você vai ver que a sua mente vai ficar tranquila, você vai recarregar e você vai conseguir suportar mais tempo aquela situação que deixa de ser tão hostil, ofensiva, desgastante para você e você suporta mais tempo, compaixão àquelas pessoas, aumenta sua empatia compassiva, cognitiva e emocional dentro daquela sensação, dentro daquele contexto do qual maravilhoso. Gente, 8:59 já sabe, né? A gente precisa partir pras considerações finais. Eu não tô acreditando que tá acabando. É muito rápido e assim é um papo, é uma conversa tão gostosa, tão envolvente e a gente vai aprendendo. Olha só, Dr. Luiz, passando pra gente técnica de respiração. Vou viver respirando. Que delícia, né? Você respira, né? Solta e é uma belezinha. Aí você fica tranquilo, recarrega a bateria. É isso que a gente precisa, né? a gente não precisa estar em estaff o tempo todo, você precisa se permitir estar bem. E estar bem a gente a também adquirir conhecimentos de como a gente pode fazer pra gente poder estar bem nos locais que a gente precisa estar. Então nós vamos já para as considerações finais. Quero agradecer a participação do Lucas, né, o Lucas Cavalcante, psicólogo, se dispôs tão cedo, né, como diz o Dr. Luiz, a gente sabe da sua agenda super corrida e bem pesada, mas tá aqui com a bateria recarregada, né, trazendo pra gente eh as suas contribuições. Então, gratidão. Considerações finais, por favor. Eu agradeço a todos a o o convite a estar aqui. Eu hoje eu vou até à noite na clínica. Isso é verdade, como o doutor tava dizendo, Dr. Luiz, mas é um prazer tá aqui. Na verdade eu deixo a todos, né? Eu vim aqui, eu trouxe para você, Rúbi, para para te presentear o meu livro lugar de falta, que inclusive tem a ver com o que a gente tá falando aqui, né? Olha, gente, sensacional. É um trocadilo com essa ideia do lugar de fala, como todos hoje falam muito de eu quero falar, eu quero colocar alguma coisa. E é importante a gente pensar o eh essa importância do lugar de falta. São várias reflexões que tem aí. Acho que uma delas eu encerro dizendo isso. Obrigada. O doutor citou a Jesus, eu cito o o rabino Newton Bonder, né, um grande intelectual do do judaísmo no Brasil. Ele faz um texto lindo chamado Quem quiser ler depois. É um texto que você lê rapidamente na internet, se chama Os Domingos precisam de feriado. E ele fala da importância da pausa. Então ele diz que ah as praias estão cansadas. Ele fala: "As montanhas estão cansadas porque a gente entra de férias e consegue voltar cansado". Por esse excesso? Então ele termina o texto dizendo uma frase linda que ele diz o seguinte: "Sabe por que o criador criou todas as coisas em seis dias e descansou no sétimo? Porque mais importante do que eh construir uma grande obra é dá-la como concluída. E uma um dos sintomas dessa fobia que nós temos hoje é que a gente não consegue concluir nada. Eu tenho, eu preciso de, é como a pergunta do Wesley, eu preciso de mais tempo, de mais, porque eu não sei concluir. Concluir é necessário, nós vamos descansar quando a gente souber da conclusão e se não concluiu como queria, na próxima a gente consegue. As pausas são importantes. Maravilha. É um dia de cada vez, né? Eu quero agradecer a participação também do nosso doutor neurologista, psiquiatra, trouxe uma contribuição maravilhosa pra gente nesta manhã de quarta-feira. O Dr. Luís Mário Duarte. Doutor, muito obrigada pela sua participação. Fiquei tão feliz quando a gente restabeleceu a nossa conexão que você nem imagina. Obrigado. Eh, o Wesley citou o Newton Con, né? E como ele citou a tradição judaica, eu vou vou citá-la também. P. Então, eh, o Senhor repouso, né? Tudo, tudo que existe em tempo de movimento vem do repouso, vem desse silêncio, né? E volta para ele. Então, existe a criação e o Senhor repousa no Shabat, né? no no no sétimo dia. Olha que interessante, Jesus diz uma coisa eh que eu gosto muito, é por isso que eh meu pai trabalha até hoje. Quando você junta o Novo Testamento com o Antigo Testamento, do ponto de vista psicológico, psiquiátrico, a gente descobre que Deus eh trabalha em repouso. É isso. Que que a gente dizia, não é verdade? Então, a acho que a grande eh ciência e sabedoria disso é a gente exercer todas as nossas atividades, né, em repouso, em tranquilidade e respeitando os próprios como você sugeriu, eh aprendendo a dizer não algumas situações das quais nós não precisamos eh viver, né, e buscar o apoio terapêutico, né, profunático do Dr. e eventualmente de profissionais como eu, quando nada resolveu. OK. Maravilhoso, doutor. Muito obrigada pela sua participação, uma excelente quarta-feira e só gratidão mesmo, né, de ter vocês dois contribuindo com a gente com um assunto tão importante que faz parte do nosso dia a dia, gente. Então, olha, eh, quero lembrar você que daqui a pouquinho, às 10 da manhã, no plenário José Maria Matozinho, tem aí um debate público sobre o tombamento da Fazenda Santa Elisa. você pode participar, tá bom? Então, fique à vontade. E lembrando também que ao meio-dia nós temos eh o jornal Câmara Notícia trazendo informações do legislativo campineiro que aconteceu ontem na reunião ordinária e também assuntos do cotidiano da nossa metrópole. E amanhã nós vamos falar no nosso estúdio Câmara sobre baixa estima. Infelizmente, muitas pessoas têm dificuldade em perceber o seu próprio valor, tendo aí uma imagem distorcida, né, de si mesmo. Você sabia que isso pode ser perigoso paraa sua saúde mental, paraa sua saúde emocional? Como você tem se visto no espelho? Essa pergunta você vai fazer pra gente amanhã, porque amanhã, a partir das 8 da manhã, se Deus quiser, nós retornaremos ao vivo com o nosso estúdio Câmara falando sobre a abaixo autoestima, combinado? Enquanto marcado, então eu já vou me despedindo por aqui, agradecendo a você pela sua audiência, pela sua companhia, agradecendo também aos nossos convidados que trouxeram informações maravilhosas pra gente levar paraa vida. E claro, lembrando você que a programação da TV Câmara Campinas continua recheada de muita informação e também tem entretenimento porque você merece estar com a gente. Valeu, um abraço grande, uma ótima quarta-feira. Fica com Deus, se cuide. e recarregue a sua bateria. Tchau tchau. Fica com Deus. Até amanhã. [Música] [Música] Tranquilo, fica tranquilo. Ele já foi.