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[Música] Olá, bom dia. Estamos começando mais uma edição do estúdio Câmara aqui na TV Câmara Campinas. Hoje é quarta-feira, estamos no meio da semana, 9 de abril de 2025. No programa de hoje nós seguimos falando sobre adolescentes, né? É a continuação do debate do estúdio Câmara de ontem, onde nós abordamos aí a minisérie da Netflix, Adolescência. Hoje nós faremos um alerta aos pais sobre o uso da internet sem supervisão, como o ambiente virtual influencia na formação dos adolescentes e a responsabilidade das plataformas digitais, além de falar também da responsabilidade penal dos pais em caso de crimes cometidos pelos filhos. Para esse debate, nós já estamos recebendo aqui no estúdio a psicopedagoga e pedagoga especialista em jovens e família, a Luciana Melo, que daqui a pouquinho vai conversar com você que tá aí do outro lado, comigo também, vamos debater este tema. E conosco também o advogado, especialista em direito digital, privacidade e proteção de dados. Ele é vice-presidente da Comissão de Direito Digital da OAB Campinas. Dr. Rodrigo Canguçu de Almeida. Daqui a pouquinho também você pode conversar com os nossos convidados, pode já mandar a sua mensagem através do nosso WhatsApp, tá na tela para você, 1997829377. Manda pra gente aí o seu depoimento, a sua mensagem sobre os seus filhos, a adolescência, como é que tá o pessoal aí da sua casa em relação à internet, né? Como que está o acolhimento? Como está a escuta ativa? Como tem sido o seu dia a dia com o seu adolescente? Mande pra gente então a sua mensagem, a sua dúvida ou o seu depoimento. Enquanto você manda pra gente, eu atualizo as notícias falando que a comissão de legalidade vai analisar e votar parecer sobre o projeto de afetação de área para a implantação de unidade de saúde, eh, presidida pelo vereador Oto Alejandro. A comissão discute e vota hoje às 3 da tarde pareceres sobre quatro projetos de lei. Um dos projetos que será analisado trata da afetação de uma área pública na região do Jardim Chapadão, destinado à implantação de uma unidade de saúde. Os vereadores votarão parecer favorável sugerido pelo vereador Roberto Alves do projeto de lei complementar 11 de 2025, de autoria do executivo sobre a afetação da área. De acordo com o texto da proposta, a área foi identificada como estratégica pela Secretaria Municipal de Saúde para ampliação da rede de atendimento. Também será votado o parecer favorável do vereador Roberto Alves ao projeto de lei 80 de 2021, de autoria da vereadora Paola Miguel, que estabelece diretrizes para a criação do programa Centro de Parto Normal e Casa de Parto, voltado ao atendimento humanizado exclusivamente em casos de parto normal, sem distocia. A iniciativa pretende promover a ampliação do acesso, também fortalecer o vínculo e garantir um atendimento mais humanizado na atenção ao parto e ao porpério. A reunião é aberta à população, será realizada no plenário da casa com entrada pela Avenida da Saudade 1004, no bairro Ponte Preto e Cláudio, transmitida ao vivo através da TV Câmara Campinas e também do YouTube da TV Câmara Campinas. Você é nosso convidado especial. Ainda falando do legislativo campineiro, hoje tem audiência pública na Câmara, hein? O presidente da Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara de Campinas, vereador Carlinhos Camelô, convida você para participar da 12ª audiência pública do ano. A reunião será realizada hoje a daqui a pouquinho, às 9:30 no plenário. Em debate o projeto de lei ordinária 86 de25, de autoria da mesa da Câmara que autoriza a abertura de crédito adicional especial no orçamento de 2025 da Câmara de Campinas, o valor será de 9.200 R$ 240.000 para auxílio alimentação, sendo que a abertura de crédito adicional especial, ela é suportada pela anulação parcial da dotação no mesmo valor referente a outros serviços de terceiros e pessoa jurídica. Então, a 12ª audiência pública pode ser acompanhada online através do link que você pode acessar campinas.sp.lege. De forma presencial no plenário. A entrada é pela Avenida da Saudade 1004 no Ponte Preta. A audiência também será transmitida aqui pela TV Câmara Campinas através do sinal digital 11.3, do canal 4 da Net, do Vivofibra. Tem transmissão simultânea nas fanpages da TV Câmara Campinas e da Câmara Municipal de Campinas pelo Facebook, pelo streaming e também no canal da TV Câmara Campinas no YouTube. E agora nós vamos com a previsão do tempo, porque hoje quarta-feira me parece que vai chover. É, tá nubladinho o tempo. Hoje, quarta-feira, parcialmente nublado, agora de manhã, chove rápido durante o dia e a noite também. Essa é a previsão, tá? Mínima 19, máxima 29. E de acordo com CPAGR, gente, uma área de baixa pressão que se desenvolveu no sul do país avança lentamente em direção ao Sudeste Brasileiro e proporciona aí a condição de tempo instável novamente, favorecendo a condição para chuvas na região metropolitana de Campinas. Essas chuvas podem ocorrer a qualquer momento, embora a expectativa seja maior a partir do final da manhã, né, ou o começo da tarde, podendo ter aí um caráter contínuo, com períodos de chuva moderada e forte, tem chances de temporais entre a tarde e a noite. Muito bem, terminando a nossa previsão do tempo, desejando a você uma ótima quarta-feira. WhatsApp na tela, 19989377. A gente continua então a nossa conversa, né, sobre a adolescência. A série mergulha nos dilemas silenciosos da juventude contemporânea e convida os pais e responsáveis a prestarem atenção ao que muitas vezes não é dito, mas sentido. Por meio de cenas que capturam eh os conflitos emocionais e sociais enfrentados pelos adolescentes. A produção escancara a importância da comunicação não verbal no cotidiano familiar. adolescência cita palavras de uma linguagem virtual que muitos jovens utilizam nas redes sociais e plataformas online, mas que alguns adultos desconhecem. E pra gente conversar sobre isso, eu apresento a vocês, nossos telespectadores, a psicopedagoga e pedagoga especialista em jovens e família, vai conversar com a gente sobre esse assunto. Seja bem-vinda, Luciana Melo. Prazer te conhecer e te receber aqui nos estúdios. Bom dia, Rúbio. O prazer é todo meu. Maravilha. Com a gente também o advogado, especialista em direito digital, privacidade e proteção de dados. Ele é vice-presidente da Comissão de Direito Digital da OAB Campinas. vai falar com a gente sobre a responsabilidade, né, eh, eh, eh, dos pais e de tudo que acerca esse mundo da mundo digital que a gente às vezes nem sabe o que tá acontecendo. Dr. Rodrigo Canguçu de Almeida, muito bom dia, seja bem-vindo, doutor. Bom dia, obrigado pela oportunidade aqui. Muito bem, gente, vamos lá. A gente começa falando do termo incelado na série adolescência e muitos telespectadores questionaram o significado dessa palavra, né? Então vou falar para vocês que esse encéu, essa palavra surgiu na década de 90, referindo-se a pessoas que se identificavam como celibatários involuntários. Hoje é um movimento que consiste em homens afirmando sua incapacidade de se relacionar com mulheres, né? Embora não alegue vínculos com violência ou misogenia, essa ideologia abrange um ódio profundo contra o sexo feminino e também se alinha com crenças, homofobia, racismo, políticas de saúde reprodutiva antimulheres. As plataformas de redes sociais também são responsáveis pelos crimes digitais cometidos hoje pelos jovens. Existe alguma lei para fisc para fiscalizar isso? Como é que o direito digital atua nessa situação? É isso que a gente vai falar. Então, eu já começo eh eh falando e conversando, né, com a nossa psicóloga para saber dela qual que é a avaliação que ela faz eh desse desse dessa minissérie que tem mexido muito com os pais nos últimos dias e a importância da gente estar eh por dentro de tudo que acontece com os nossos filhos. Luciana, Rúbia, é um momento de bastante preocupação, especialmente que os jovens hoje eles possuem pais analógicos e filhos digitais. Poxa vida. Eh, então, eh, a gente, eh, precisa aproximar esse conflito geracional e deixar essa essa esse espaçamento entre as gerações mais próximo. Primeira primeiro passo, né, em relação à série a uma grande discussão eh sobre o que que esse garoto tem, né? Ele é psicopata, os pais ausentes, o que que os pais deixaram de fazer, mas eu acho que a discussão é muito mais ampla. né? Eh, nós devemos refletir e pensar o que aconteceu para chegar nesse ponto. Esses pais aparentemente normais, eu acho que várias pessoas se identificaram ali naquele eh momento, na em várias cenas. E tem a cena também do policial, que ele se vê também como um pai ausente, mas não necessariamente o filho dele eh transitou por esse caminho, era um filho que também sofria bullying, eh também tinha os seus desafios. E aí fica a grande questão, né? eh, porquê, né? Porque aconteceu isso. Então, eu acho que hoje a gente vai ter um espaço excelente para discutir eh vários pontos, né? eh a fragilidade do adolescente, a ao que esse mundo paralelo digital ele ele faz com que eh esses adolescentes percam realmente a sensibilidade de empatia, de pensamento crítico, eh de avaliar o seu comportamento. É um um mundo paralelo realmente quando o seu filho fecha a porta do quarto e pega um celular, é um outro mundo, né, que ele não está seguro. Então, eu tenho tenho situações em consultório em que eh a mãe achando que a filha estava segura, mas é uma situação precoce, muito precoce do uso do celular. E no em um momento ali terapêutico, eu tenho entre os recursos uma casa de boneca que tem os os elementos de uma casa e ela pega o papai e a mamãe e simula uma situação íntima, né? Essa criança pequena de 8 anos. E eu pergunto, eh, onde você viu isso? Ela falou no jogo, no Roblox. Sim. E e eu falei: "Mas eh o que ela falou, eu tenho um namorado". Eu falei: "Mas e entendendo a gravidade, fui com todo cuidado e delicadeza e discernimento, fazendo algumas questões e e realmente era uma situação clara, eh, de pedofilia." Eh, eu falei, "Você conversou isso com a mamãe?", Mas não, óbvio que não coloquei isso para criança, mas falando se você é pequena, a criança não namora. Eh, mas como que namora, né, no jogo? E ela foi dando os passos mesmo de tem um quarto, a gente se abraça, um deita sobre o outro e eu, né, tentando manter toda a serenidade ali do momento. Eu falei, a mãe eh, esperando na sala ao lado. Eu perguntei, vamos chamar a mamãe para ter essa conversa. E assim, e mais um ponto desafio, ela vai brigar comigo. Poxa. Eh, aí aproveitando esse gancho, ela vai brigar comigo. A gente fala assim: "Ah, o diálogo com o adolescente é difícil". É realmente difícil, né? Ele se isola, é um comportamento de isolamento, muita crítica, muita eh muito atrito familiar. Mas esse diálogo não pode começar na adolescência, Rúbia. Ele tem que começar na infância, né? essa conversa, essa essa segurança, eh essa essa diálogo aberto. Minha mãe vai brigar comigo, mas ainda assim eu vou falar, né? Porque é minha mãe ou meu pai é a referência de proteção para mim e isso não começa na adolescência, né? Então eu tenho que mostrar para esse meu filho desde sempre, desde sempre que eu, o pai é o herói, a mãe é heroína, posso discordar, mas eu estou com você. Então, o modelo de proteção daquela criança, daquele adolescente, é o pai e a mãe. Mas um ponto muito importante, isso não começa na adolescência. Fala muito preciosa e com grande peso pra gente iniciar, né, o nosso debate, a nossa conversa referente à adolescência aqui no estúdio Câmara. Agora eu pergunto pro Dr. Rodrigo. Primeiro eu quero perguntar para o pai Rodrigo, né? Pai, Rodrigo, eh, ao assistir o filme Adolescência, qual que foi a sua reação, né, eh tirando, deixando o o advogado de lado agora, porque a gente é profissional, mas a gente é sentimento, né? Então, eu gostaria que você eh eh contasse pra gente eh qual que foi a sua reação e qual que é a sua análise referente a esse filme que hoje é um dos filmes mais miniséries mais assistidas e virou uma polêmica e o debate é muito necessário. Doutor, olha, Rúbia, eu confesso para você que eu quando comecei a assistir a série, eu achei que eu ia assistir com um pouco mais de tranquilidade, porque o tema que é tratada na série, né, resvala muito no que a gente vê no dia a dia no no direito digital, mas aí entra a figura do pai justamente, né, do pai. E o pai já carrega, né, o pai e a mãe, né, os pais carregam já essa esse sentimento de que sempre poderíamos fazer mais, né? E vendo aquele casal, né, a luta daquele casal é muito preocupante porque o direito digital e a tecnologia eles caminham muito rápido, né? Nos últimos anos houve um avanço significativo, né? E como que faz nós pais com todas as nossas obrigações, com todas as nossas dificuldades e correrias do dia a dia para justamente acompanhar essa essa evolução, né? Eh, ah, Luciana acabou de mencionar o Roblox, né? Como que um pai vai fazer para entender a dinâmica de um jogo como Roblox ou tantos outros que tem por aí? Mexeu bastante comigo. Não, eu eu tenho filhos de 12 e 9 anos de idade, né? e pude rever muitas questões que, apesar de trabalhar muito na área, lidar muito com isso, é comum a gente em algum momento ter algum deslize, né? Nós não somos eh perfeitos, né? Mas a gente tem que ter essa consciência. E para ter essa consciência só existe um caminho que é a educação digital. E a educação digital não é mais como era antigamente, né, nos anos 90, né? que você precisava saber como vai mexer no Windows ou vai mexer no Word, né? A educação digital hoje é justamente entender essas nuances do que está acontecendo, o que é Roblox, como que funciona o WhatsApp, qual que é a diferença do WhatsApp pro Telegram, por que um é melhor ou o outro é pior, né? Como que é o Facebook, quais são as regras do Instagram? É um desafio muito grande, mas a gente não pode abrir mão desse desafio de forma nenhuma. E é por isso que a gente precisa debater, a gente precisa conversar, a gente precisa de profissionais para nos direcionar, na verdade, porque é algo eh, acredito que para os pais novo, podemos assim dizer, porque às vezes nós eh deixamos os nossos filhos com o celular ali, você acredita que ele está numa tranquilidade do quarto e não é assim, né? A a vai muito além do que os nossos olhos podem ver, né, doutora? Então, eu gostaria que você explicasse pra gente o que que o que que acontece, qual que é a sua visão eh no no grande acontecimento que a gente debate hoje, né? Eh, aquela questão que nós falamos, os pais não tí acabam deixando os filhos nesse mundo virtual e acabam indo para um caminho que pode muitas vezes não ter volta. Como é que a gente administra esse tempo? Como é que a gente faz para poder resgatar essa criança, esse adolescente que está se perdendo? Uhum. RB, um ponto muito importante, né? Eu vejo que as famílias, os pais, as mães, os pais certamente, mas eu acho que as mães têm um peso maior dessa questão do tempo, né? não tô destinando o tempo que eu gostaria ao meu filho por conta da minha profissão, das minhas escolhas pessoais, profissionais, eh, mas é o novo mundo. Então, eh, eu acho que a gente tem que, eh, deixar esse discurso de lado da culpa, assumir a nossa vida atual e administrá-la. Então, eu tenho tempos, eh, momentos muito preciosos, né? Quando você leva um filho paraa escola, traz o filho da escola, às vezes você vai ficar ali 20, 30 minutos dentro de um carro, eh, que você pode alugar, dialogar, perguntar do dia, como foi, se teve situações com os amigos, quem são seus amigos. Uma orientação que eu faço demais, eh, especialmente pro para pais de de adolescentes, leve e busque, né? A gente fica naquela situação, nossa, mas que horas vai, o aniversário vai começar às 9, mas que horas que eu vou buscar, né? Leve e busque, porque você tá vendo seu filho, você tá entregando e você tá buscando. Outra situação muito legal é você compartilhar a carona. Um pai leva, um pai busca. Seu carro vai est ali com quatro adolescentes eh que você do convívio do seu filho, você tá indo nas casas, você tá conversando com com os pais dessa desses dessas crianças, desses jovens, a mesma coisa. o outro pai que vai buscar, né? Eh, são momentos realmente preciosos e a a integração familiar, né? Nós temos, "Ah, mas eu chego tarde, você chega tarde, mas há tempo de você folhar a lição de casa, você pode cozinhar junto, né? Eh, ontem foi falado da cozinha, que hoje a cozinha é fria e realmente vamos deixar essa cozinha quente novamente, né? Então, de final de semana traga os amigos dos seus filhos, do seu filho para dentro da sua casa. Mãe, quero fazer uma festa do pijama. Fal, ai meu Deus, que trabalheira. Tô tão cansada. Vamos fazer a festa do pijama, né? Vamos, vamos fazer o churrasco com os meninos, vamos combinar uma partida, eh, vamos juntos pro para um para para um campeonato de futebol, paraa apresentação de balé. Então, nós temos sim momentos ricos e preciosos. E um ponto muito importante que você colocou, Rúbia, é a questão da de perder os nossos filhos. é um risco muito grande. Eh, nós estamos aí, como o Dr. Rodrigo falou também da educação digital, eh, o que que sua mãe falava para você quando você ia sair para uma festinha ou com as amigas? Cuidado, não fale com estranhos, não aceite bebida de quem você não conhece. A gente tinha essa orientação analógica. Hoje a gente precisa ter essa orientação digital, né? Então, o que que o que que você tá vendo, né? O que que você tá assistindo? Qual que é o o o a plataforma que você tá utilizando? Que jogo é esse? É apropriado para sua idade? Eh, você sa mande foto, não se sinta ameaçado. Você sabe que você tem uma mãe que é brava, um pai que é valente. Uma questão emocional muito importante desde a primeira infância é você revelar pro seu filho que você é forte e valente. Porque em muitas situações de abuso e pedofilia, o abusador, que não necessariamente é o estuprador, né, que às vezes a gente fala: "Ah, mas não estuprou". Mas o abuso pode ser um olhar diferenciado, pode ser uma maneira de falar, um carinho estranho, né? Então, a criança se sentiu incomodada, é a mãe valente, é o pai valente que vai eh prestar conta disso. Então, a criança precisa saber que o pai e a mãe eles são valentes, independente, então, nesse caso, o no caso de um uma ameaça, um abuso, seja no mundo analógico ou digital, eh, ele, o ameaçador, ele vai falar: "Eu vou matar sua mãe, eu vou bater no seu pai, eu vou expor as suas fotos". A criança, ela tem que ter aquela aquele aquela aquela certeza. Faz isso para você ver. Poxa, você não sabe quem é meu pai, você não sabe quem é a minha mãe. Gente, que assunto, né? que assunto paraa gente conversar nessa quarta-feira, amanhã de quarta-feira, a gente tá aqui com a Luciana falando paraa gente sobre eh como agir diante dessa situação. E agora eu pergunto pro Dr. Rodrigo, né? Eh, essa atualização do mundo virtual, essas coisas novas que vem surgindo, que a gente viu nesse filme, eh, a questão do Incel, a questão de redill, a questão dos coraçõezinhos lá que que pra gente é um coração rosa, é tipo assim, ah, né? Mandei o coração para você, eu gosto de você, né, e tal, meu amigo. É carinho. Poxa vida, eh nesse mundo virtual é tudo diferente. O que que aconteceu no mundo, nesse mundo virtual, doutor? Ou isso é eh já existia, isso é novo? Como é que a gente faz para se orientar diante de tudo isso que a gente tá vendo quando a gente eh diz sobre mundo virtual, mundo digital? Olha, é muito interessante a gente traçar esse paralelo no seguinte sentido, como a Luciana bem disse, o diálogo com o adolescente, não é de hoje, ele sempre foi um pouco complicado, né? O acesso a esses adolescentes, eles têm as linguagem, a linguagem própria deles, eles querem fazer parte de grupos e e isso não é diferente no mundo digital. essa essa troca de mensagens que aconteceu no na série, né, que do Red Pillou, dos coraçõezinhos, eu confesso também que coraçãozinho para mim só tinha só tinha um e um significado. A verdade é que isso muda com muita frequência, né? Todas a a forma de comunicação no mundo eh digital, ela é muito dinâmica, né? Antigamente, né? Para você mandar um e-mail para uma pessoa era uma dificuldade, né? Hoje em dia você tem tudo na palma da sua mão, literalmente, né? O celular tá ali a com muito fácil acesso. Então, eh, acho que mais importante do que se preocupar com o significado de cada um desses símbolos que mudam com muita frequência, é justamente eh entender, né, que o mundo digital tem uma linguagem própria, tem uma linguagem dinâmica muito rápida. Uhum. Por isso que eu vou reforçar aqui a fala da da Luciana, a importância de nós estarmos sempre próximos dos nossos jovens. E saindo um pouco desse diálogo entre pai e filho, né, mãe e filho, que é extremamente importante, o pai e a mãe, eles têm que fiscalizar o que os seus filhos fazem nas redes sociais, né? Eh, é claro que o adolescente e o jovem tem que ter a privacidade dele, a gente entende isso, mas tudo tem um limite, né? Como foi bem dito aqui, né? Antigamente nós brincávamos nas ruas de casa, né? Então nós saíamos para casa eh de casa para jogar bola na rua ou brincar de alguma coisa. Nós estávamos ali em frente à casa. Quando o adolescente hoje ele vai pro quarto dele e ele pega um celular ou ele abre o computador dele, ele não está na rua de casa, ele está no mundo inteiro, né? Eh, então essa dinâmica de diálogo, ele tá conversando aqui com uma pessoa no Roblox ou no WhatsApp, mas e a gente não sabe onde essa pessoa tá, quais são os costumes daquela pessoa, se ela realmente diz quem é, porque a coisa mais comum na internet é você se passar por outra pessoa, falar que tem uma idade, não tem, né? Então assim, além de você ter esse diálogo e prestar atenção no que os adolescentes estão demonstrando, né, muitas muito se diz, né, o corpo fala também, né, como que ele sai da festa, como que ele não sai, mas como que ele sai de quando ele tá jogando um jogo de de videogame ou de computador, aquele jogo tá sendo prazeroso para ele? Tá saindo angustiado? Não tá? E aí vem a questão da fiscalização. Eu brinco, né, com o meu filho de de 12 anos, fala assim: "Eduardo, você tem uma vantagem. Seu pai é da área de direito digital. Então nós temos muitas coisas digitais aqui, né? Uhum. Mas o papai sabe também mexer nessas questões digitais. Isso aí. Então, a fiscalização que eu faço ostensiva do meu filho e da minha filha também de de 9 anos, isso é imprescindível, né? Então, mais importante do que saber o que significa o coração, a cor do coração, é por que que você tá mandando esse coração, o que que você quis dizer, né? e estudar, não tem jeito. Eu nós falamos a a comissão, né, de direito digital da qual eu participo, ela tem enfaticamente falado sobre educação digital. E a educação digital ela é diferente para crianças, para adolescentes, para adultos e para idosos. No caso aqui estamos falando de crianças e adolescentes. Então é isso. A gente tem que entender o mundo onde o nosso filho tá passeando. Não é só mais a rua de frente de casa. Eh, e o celular e a a questão da internet, das redes, é algo sem limite, né? Porque assim, eu digo sem limite porque você não sabe o que está acontecendo ali dentro. A criança tá atrás de uma tela, né? E e pode estar acontecendo coisas que você nem imagina. Então, por isso a educação digital importante para os filhos e também para os pais, porque os pais podem responder eh de repente se acontecer algum crime, alguma situação que eh leve paraa justiça, qual que é a responsabilidade dos pais, doutor, mediante a a crimes digitais que possam ocorrer? O pai ele tem responsabilidade? Como é que funciona isso? Perfeito. Olha, eu vou precisar diferenciar duas situações. Quando a gente fala de crime digital e quando a gente fala de outros atos que geram dano praticados no mundo digital, né? Nem toda conduta realizada por um adolescente no meio digital necessariamente é crime, né? O que que acontece? O pai, quando o adolescente pratica um crime, que na verdade não é crime, né? A gente fala ato infracional, né? Esse quando ele pratica esse ato infracional, ele vai responder pel aquela conduta que ele praticou criminalmente, né? O Estatuto da Criença do Adolescente, ele ele discorre bastante isso. Terá um processo onde vai ser apurado, vai ter participação do Ministério Público, vai ter o juiz envolvido, os pais estarão ali acompanhando tudo isso. Obviamente que toda a parte emocional que esses pais vão sofrer, eh, não preciso nem dizer, eles não vão responder diretamente pelo crime que eles que o que o jovem praticou, a não ser que esses pais tenham alguma participação muito ativa nessa conduta. Infelizmente, né, já hou eh tiveram casos onde filhos praticaram crimes associados a sexualidade, né, a pedofilia, onde os pais conheciam e eram conviventes com isso. Nesses casos, sim, os pais vão responder, mas e aqueles casos onde não são crimes, como, por exemplo, eu ofendo uma pessoa ou ofendo uma instituição, eu denigro aquela imagem de uma instituição, né? Eu, adolescente faço isso. Existe uma responsabilidade dos pais, sim, sem dúvida. E é uma responsabilidade que a gente diz objetiva. O fato do seu filho ter praticado uma conduta contrária ao ordenamento, o pai vai ser processado. E nós temos inúmeros casos já de bullying, cyber bullying, onde além da criança além da criança ter sido eh participado de um processo, né, de de crime, de apuração de crime, os pais também em paralelo foram processados para pagar uma indenização para aquela pessoa que se sentiu ofendida. Eh, então acho que a questão, além de se preocupar com a proteção do filho, da do adolescente, existe também a necessidade do pai entender que o nosso ordenamento jurídico diz que o pai é responsável pelas atitudes dos seus filhos, né? Na concepção do direito, as crianças e adolescentes, elas não são totalmente responsáveis pelos seus atos. quem o são, são os seus pais, então podem sim, sem dúvida nenhuma, serem responsabilizados. Muito bem, Dr. Rodrigo, né, respondendo pra gente aí essa pergunta que é é algo que a gente precisa estar por dentro da da situação, porque pode ser que você tenha que responder aí para uma ação que aconteceu, porque o filho está mergulhado, né, eh, nesse mundo obscuro da internet. Nós estamos aqui com a nossa psicopedagoga Luciana, o Dr. Rodrigo e agora nós estamos também conectados com você que tá aí do outro lado, porque a produção tá me falando que tem muita gente participando, então a gente inicia com as nossas participações dos nossos telespectadores. Eu já vou mandando um bom dia muito especial para você que tá participando com a gente, uma ótima quarta-feira. E vamos lá com a nossa primeira participação. É a Érica do Jardim Auréliia. Ela diz: "Meu filho acha que a internet é terra sem lei". disse que nada acontece com menores, onde os adolescentes estão aprendendo isso. Nossa, Érica. Então, e agora sobre a terra sem lei? A gente pergunta, agora eu fiquei sem saber. Vamos lá. Vamos primeiro paraa psicopedagoga, porque essa esse achar terra sem lei é algo, né, que tem a ver aí com um comportamento, né? Então, por gentileza, você responde a Éca e depois aí Dr. Rodrigo fala sobre essa esse achismo que a internet é terra sem nei. Vamos lá. Isso, Rúbia. A fase da adolescência é uma fase de estruturamento socioemocional do ser humano. Uhum. Nessa estrutura tem alguns pontos interessantes que eu considero os mais importantes. Ser, primeiro a empatia, né? A empatia. Eu não vou fazer com outro aquilo que eu não quero que faça para mim. Sim. Na terra sem lei não cabe eh a questão do con do do da do sentimento de eh autorregulação, né? Que que é autorregulação? Eu eh eh modulo o meu comportamento, o meu pensamento, a minha cognição, a minha reação emocional mediante ao mundo que eu vivo. Qual mundo eu vivo? o real ou virtual. No mundo real, como o Dr. Rodrigo bem falou, temos leis. No mundo virtual obscuro, realmente a até certo ponto não tem, mas a gente já tem toda uma estrutura eh policial, investigativo, de de processos de leis, de lei, sim. Então, não é uma terra sem lei, inclusive de eh de eh a gente tá tendo vários casos, inclusive num programa anterior de de TV foi colocada a prisão de várias pessoas. Então não é uma terra sem lei. A importância é a estruturação desse adolescente eh no mundo, no nosso mundo real, para que ele se fortaleça em relação ao mundo virtual, como o Dr. Rodrigo bem colocou, essa educação digital. Então, é muito importante que quais são os valores da minha família, eh que estrutura eu passo para esse meu filho e para que ele entenda que esse outro mundo eh existe sim, né? que as pessoas analógicas estão invadindo sim o mundo digital e que nesse mundo digital há pessoas também que não estão aceitando eh esse essa questão eh desse mundo sem lei. Então, é uma é um alívio de alguma de um lado, mas de outro a gente não pode eh abaixar a nossa guarda em relação aos cuidados. E uma grande importância nesse nessa nesse mundo eh digital eh validarmos os sentimentos desses adolescentes. Então, para nós um adolescente chorar porque o pretendente ali eh não curtiu a sua foto, eh eh para nós é uma besteira. Uhum. Mas para eles não. É como se nós tivéssemos levado um fora do nosso mundo real. Então aquele nosso paquera da adolescência que deu aquele fora e a gente vai lá e chora e fica mal. É a é o mesmo sentimento, só que virtual. Então a gente tem que validar, tem que ter uma escuta aberta para esse filho, tem que dar importância aos sentimentos dele e mostrar que mesmo nesse mundo eh acelerado, virtual, paralelo, eh há a eh precisa ter esses valores também que é desse mundo real. Muito bem. Agora, Dr. Rodrigo, esse negócio de internet, terra sem lei, né? A gente ouviu muito isso há tempos atrás e hoje a gente acho que já não é mais assim, né? Houve a a ideia de que fosse sim uma terra sem lei, mas hoje as coisas estão diferentes. Olha, a internet não é uma terra sem lei, ela é uma terra com lei e muitas leis, inclusive, né? Eu dedico a meus estudos a ao direito digital já já faz 10 anos, né? Então não é de agora que surgem que existem normas que regulam esse esse mundo. Obviamente o que acontece é que o a evolução do mundo digital ele é muito mais rápido do que o nosso processo legislativo, né? Nosso processo legislativo exige uma série de estudos e impactos, né? Então o que acontece é que muitas coisas, muitas leis demoram um pouco para surgir, né? Então, só pegando o exemplo aqui do bullying, né? A a lei que trata do bullying, ela é de 2014, salvo engano. O cyber bullying veio agora em 2024. Isso não quer dizer que entre 2014 e 2024, se alguém praticasse o cyber bullying, ela não seria penalizada. Ela seria sim penalizada, né? O que acontece é que essas leis vão chegando e cada vez mais eh mostrando e tentando se adequar as novas regras sociais, né? Eh, existem diversas leis, eu vou citar aqui rapidamente só o Marco Civil da Internet, né, que é a principal norma que diz sobre as responsabilidades das atividades na no mundo digital. Tem a Lei Geral de Proteção de Dados, tem a chamada Lei Carolina Dickman, que fala sobre a exposição de fotos. Existem diversas leis, né? É, recentemente o ECA, em 2024, na verdade, o ECA sofreu uma grande mudança legislativa para incorporar mais normas. Eh, então assim, a internet é uma terra de leis e com muitas leis. Essa história de que não existem normas, que nada acontece, isto é uma falácia, né? eh eh é conversa para boi dormir. Por quê? Uma coisa que existe na internet é também a desinformação, né? Eh, então, muitas pessoas hoje, infelizmente, que se dizem influenciadores, né, eles incutem, né, falam sobre, ah, não vai acontecer nada, não vai dar em nada, dá sim. Eu mesmo tenho diversos processos onde a as pessoas foram penalizadas pelas condutas, né? Os pais foram penalizados e instituições foram penalizadas, né? Uma da eh uma das melhores decisões legislativas que tiveram recentemente foi proibir o celular dentro das escolas, né? Por quê? Porque lá era um ambiente de alto risco. Então existem leis muitas e viram mais, né? Porque não pode parar essa evolução legislativa. Maravilha, né? Muito bem lembrado a questão aí eh da proibição do celular nas escolas. E aí no início foi aquele burburinho, mas agora todo mundo já se acostumou e já eu vi uma matéria de a criação de grêmios estudantis, as crianças já fazendo jornalzinho, fazendo evento na escola e todo mundo participando ativamente. E é aquela questão, né? Impõe regra, a regra é para ser cumprida e vamos em frente. Todo mundo se acostuma novamente à importância do acolhimento, de estar junto e estar presente. Vamos lá. 8:45 tem muitas perguntas, então agora eu vou, vamos fazer um um ping-pong, tá? Um responde uma, outro responde outra, porque tem bastante pergunta e a gente não vai dar conta de responder todo mundo, mas já agradeço você que tá participando. É muito importante essa informação que a gente tá repassando aí pras famílias. o Douglas do Cambuí. As plataformas digitais têm alguma obrigação legal de proteger adolescentes contra crimes e discursos de ódio direcionado então para o Dr. Rodrigo, por gentileza. Sim, existe uma existe sim uma obrigação legal sobre a o que as plataformas devem fazer para coibir não só eh todos os tipos de crime, né? atualmente no Brasil está discutindo muito assim qual é a responsabilidade objetiva, até que ponto eu posso efetivamente penalizar aquela plataforma digital. Acho que ano, no começo do ano, no final do ano passado, foi julgado no no STF a questão do do artigo 19 do Marco Civil da Internet, que trata um pouco disso, né? Eh, esse debate entra assim, até que ponto é liberdade de expressão e até que ponto é necessário um uma prática para coibir. Via de regra, as plataformas digitais, de uma forma geral t normas muito claras, impeditivas para que se propague o ódio. De uma forma geral, é essa. Existe sim uma norma que trata sobre isso. Dr. Rodrigo, respondendo você, telespectador, agora nós vamos com mais perguntas ou depoimentos. 18:46, André, do Jardim São Gabriel. A minha filha criou um perfil secreto e começou a seguir influenciadores que fazem apologia a violência. Isso me deixou assustado. Ô, André, vamos lá. O que que o André deve fazer numa situação dessa, né? A filha criou um perfil secreto e aí tá seguindo influenciadores que fazem apologia à violência. da Luciana, é, é uma situação eh de extrema preocupação e eu vou trazer essa questão pro pro nosso mundo analógico, né? O que que porque eu acho que facilita o nosso entendimento e a gente não se coloca numa situação tão distante. Eh, o que eu faria se meus filhos estivessem eh tendo eh caminhando ali com companhias? Qual seria a minha atitude, né? É proibir, né? Não tem outra saída. Então você tem que realmente ter um um diálogo firme, um diálogo próximo, eh, e de e colocar os seus limites e as suas regras, eh, o que funciona dentro daquela casa, a, a situação de de repelir qualquer, eh, a associação a esse tipo de conteúdo e o porquê, principalmente, o porquê do filho ou da filha eh estar com esse perfil secreto que todos eles estão, eu tem, eu acho que a preocupação não é o perfil perfil secreto, mas sem quem eles estão seguindo, eh, porque eles querem, o adolescente tem essa necessidade de de privacidade e de, né? Eh, então acho que a questão maior não é o perfil secreto e sem o que ele está fazendo com esse perfil secreto, né? Eh, então uma um ponto de de alerta, um sinal vermelho realmente pra família e trazer esse adolescente, validar o sentimento dele e colocar os limites, né? Qual que é o limite da sua casa? a gente coloca limite em horário de chegada da festa, eh as companhias que meu filho eh tem ou não, pode criar essa eh esse sentimento de de embate dentro da família. Eh, mas eu acho que as regras de dentro da sua casa tem que ser muito claras, né? Quem são essas pessoas? Vamos associar a esse ponto, né, da quem são, quem é a companhia do meu filho, eu aceito ou não? Isso eu não aceito. Então tem que entrar a parte autoritária ali da família em não aceitar isso. Muito bem, muito bem. Luciana respondendo os nossos telespectadores, você interagindo com a gente, olha só, tem muitas perguntas. A gente segue aí eh respondendo você mandando bom dia pro Rodrigo da Vila Padre Anchieta e ele diz: "Como os adolescentes são atraídos por grupos com ideias extremistas e como a família pode perceber esse risco, né? Tem tem comportamentos, né? Tem sinais, né? Eh, Luciana, eles mostram, se a gente prestar atenção, mostram muitos sinais. Naturalmente o adolescente ele se reserva e e se preserva, né? Então, eh, só que a gente tem que perceber é os sinais, eh, que estão, eh, saindo da linha da normalidade desse adolescente. Se meu adolescente ele é quieto, aí agora eu vou chegar para ele, ah, não, ele tá muito quieto, mas é a personalidade dele. Mas ele está retraído, ele para de eh se de se expor a situações eh sociais. ele não gosta do convívio com outros adolescentes ou com outros pares. Eh, pode ter uma queda de notas na escola, ele pode ter sinais de não querer ir paraa escola. Eh, retomando ao filme, né, o filho do policial logo no comecinho fala assim: "Ah, pai, eu tô com dor de barriga, não quero ir pra escola". Num primeiro momento, a gente imagina assim: "Ah, tá, tá inventando doença, mas aquilo pode ser uma crise de ansiedade, né? Porque ele sofreu bullying na escola também. Então, a gente tem que perceber esses sinais e validar, né, e, eh, buscar ajuda também, né, ajuda do dos profissionais, seja na parte legislativa ou emocional, comportamental, eh a gente nas na questão legal, né, eh eh buscar auxílio quando aquilo quando eu não tiver mais ferramentas de acessar esse meu filho. Importante, né? Importante é a rede de apoio, pessoas que que são especialistas para poder ajudar você a ter um direcionamento, né, na criação dessa dessa criança, desse adolescente. Vamos lá, Luciana do Jardim São Marcos. O que caracteriza um crime digital quando é cometido por um adolesc O que caracteriza um crime digital quando é cometido por um adolescente e quais são as consequências legais disso? Bom, vamos lá, Dr. Rodrigo. Bom, eh, existe um debate sobre o que é crime digital, mas eh o consenso maior, né, o entendimento maior é que crime digital é toda aquela prática contrária às leis, né, brasileiras que se utilizam de meios digitais para eh serem praticadas, né? Então, o cyber bullying é uma modalidade digital do bullying, né? em vez da criança ser eh hostilizada na escola, ela é hostilizada no WhatsApp, por exemplo, né? Então, um crime digital nada mais é do que um ato ilícito praticado através de uma plataforma digital, celular, computador, enfim, né? E a quando um adolescente pratica um um crime digital, e novamente eu falo, segundo o Estatuto da Criança Adolescente, crianças e adolescentes não praticam crimes, praticam atos infracionais. Uhum. Por quê? Porque segundo o ECA são pessoas informação, né? Então o objetivo do ECA é preparar aquela criança adolescente que cometeu um ato infracional para a vida adulta, né, na esperança de que ela não pratique novos ilícitos. E se essa criança ou adolescente ela praticar um crime, ela vai será processada, né? Ela é processada. existe um um rito especial desse processo, de como vai ser esse processo. Esse processo é conduzido por um juiz da Vara da Criança e da Adolescência. existe a participação do Ministério Público a depender da gravidade do crime e das peculiaridades desse desse ato, são chamadas eh assistentes sociais, psicólogos, terapeutas para fazer todo o acompanhamento. O objetivo então desse processo é preparar a criança e ou adolescente para a vida adulta, né? E existem consequências até relativamente severas pros adolescentes que não não que praticaram esses delitos. Importante a gente eh falar desse assunto e quanto mais nós falamos, mais a minha percepção eh de que nós estamos perdendo, né? Nós estamos perdendo os nossos adolescentes. Então, eh, você já parou para pensar como é o seu comportamento diante do seu adolescente, da sua criança aí na sua casa? Faz quanto tempo que vocês não batem um papo, né? Faz quanto tempo que você não pergunta como está seu filho, sua filha? Como foi o dia? Você tá precisando de alguma coisa? Mais empatia, gente, vamos lá. Olha, é uma questão que preocupa, é um debate assim que é polêmico, mas a gente precisa falar desse assunto. A Silvana do Jardim das Bandeiras, minha filha, teve uma crise de ansiedade após ser alvo de ataques virtuais, precisou ser internada por recomendação médica. Esse é um depoimento, né, da Silvana. Silvana, a gente espera que a sua filha esteja bem e é importante sim esse seu depoimento, porque a rede social, a internet gera sim aquela crise de ansiedade, dependendo da situação, até uma depressão e dependendo da situação, infelizmente a gente tem casos de suicídio, né? Eh, gostaria que você comentasse sobre esse depoimento da Silvana, Luciana, isso é mais comum do que a gente imagina. Infelizmente, sinto muito também pela condição da da filha, né, da adolescente. Eh, isso é triste. A gente acha que isso nunca chegará à nossa casa, mas chega. Independente de situação socioeconômica, isso chega. Hum. Eh, não retomando a questão de que tudo agora é culpa da pandemia, mas a pandemia tirou o nosso convívio social, nossa construção socioemocional e eh de fato, e é real, as crises de ansiedade e depressão, especialmente eh nessa faixa etária das crianças e adolescentes, isso teve um aumento eh muito grande. Eh, então a gente precisa ter um olhar eh cuidadoso, criterioso, atento e amoroso em relação a isso. Eh, eu acho que os passos, eu acho que foram dados, né? eh buscar ajuda profissional eh não só na parte emocional e eh psicológica, psiquiátrica, enfim, mas também da parte legal, né? Para que essa adolescente se sinta cuidada, ela foi um alvo, né? Então, a que que a justiça seja feita. A gente não pode deixar para lá, né? Só o fato de ter sido uma situação virtual. Então, hoje nós lidamos com dois mundos. Exato, né? Então, a gente precisa validar as situações desses dois mundos, como a pergunta anterior, ah, minha filha, né, tá numa tá com más companhias, então o que eu faço? O que eu faria no mundo real? Eu corto isso na raiz, né? E a mesma coisa, isso tem que ser feito no mundo virtual. Então, para paraa situação dessa eh ouvinte, né, ela ela que ela eh eu acho que ela deu os passos corretos, buscar ajuda, buscar ajuda profissional e e dar eh todo o acolhimento para essa adolescente e a gente não fazer cortina de fumaça para essa situação, né? O que seria a cortina de fumaça? Não vai passar, tá tudo bem. Isso nem nem faz, é só não mexer no celular. que a situação tá resolvida e não, né? Esse a gente tem que lidar com essas validações e esses sentimentos dos adolescentes nesses dois mundos. Muito bem, 8:56. O programa hoje tá voando, a gente tem muito que falar, muito que conversar. Só lembrando que amanhã a gente continua com esse assunto, né? São três programas para tentar levar para você informação referente a esse assunto tão importante que a gente está abordando aí nesses dias. É adolescência, é a questão desse mundo obscuro da internet, é a questão da saúde mental dos nossos filhos. O Leandro da Vila Boa Vista: "Recebi ligação da escola porque meu filho estava em grupos com mensagens contra mulheres e memes ofensivos. Não sei como agir em casa. Olha isso. Ô Leandro, Rodrigo, Dr. Rodrigo, você viu o depoimento do Leandro, né? Essa questão aí de mensagens contra mulheres e memes ofensivos. É aquela questão que a gente fala, eh, voltando lá pro filme, né? São os Incels, Red Pill e é algo que se a gente não tomar cuidada vai tomar uma proporção muito grande ainda. Olha, eh, realmente essa é uma situação bastante complicada, né? Mas antes de eu responder a pergunta do Leandro, eu queria eh você, Rober, falou uma coisa que que me fez lembrar, né? A gente também precisa entender que criança e adolescente, e a Luciana sabe dizer muito mais sobre isso do que eu, é que elas repetem padrão de comportamento dos pais. Exato. Espelho total. E como que os pais se comportam eh nas redes sociais, né? Eh, será que um pai mente a idade do filho, fala que ele tem 18 anos só para poder ter uma conta no Instagram, né, ou não? Será que o pai ele tem esse comportamento, ele pratica, entre aspas, bullying nas redes sociais, ofendendo pessoas que têm eh pensamentos sobre diversos assuntos diferente dos dele, né? Então, a gente tem que pensar um pouco sobre isso também. Agora, respondendo à questão do Leandro, é uma é um problema muito significativo. O que que acontece nos grupos, principalmente no grupo de WhatsApp, que é o mais comum utilizado aqui no Brasil. todo o grupo de WhatsApp existem os participantes e os existem os administradores desse grupo, né? Os que são administradores desse grupo, geralmente eles têm uma responsabilidade maior sobre o que está acontecendo dentro daquele grupo, né? Eh, então, se esses administradores permitem que que mensagens como essa são trocadas e não existe nenhum tipo de moderação, moderação no sentido de excluir a mensagem, apagar as fotos, né, esses administradores podem vir a ser mais duramente penalizado. Agora, se o seu filho participa, né, passivamente de um de um grupo desse, né, se ele não se ele não fala, se ele não se manifesta, a gente vai muito ao encontro do que a Luciana já falou. né? São mais companhias e os pais devem afastar, né, o adolescente desses grupos. Agora, uma coisa que também é muito importante e que essa pergunta me fez lembrar é o seguinte: existem crimes que não necessariamente o adolescente precisa ter uma conduta ativa para ele tá praticando. O exemplo mais clássico disso é o compartilhamento de fotos e mensagens misógenas, mensagens racistas, mensagens, enfim, né? Eh, por quê? Quando a criança recebe, o adolescente recebe um um chamado nudes, né, no no grupo de WhatsApp, né, se ele armazena aquele, né, automaticamente muita muitos WhatsApp já estão programados para automaticamente armazenar no celular aquela, aquela mídia que ela recebeu. Só o fato dele estar armazenando aquelas imagens já é possível configurar um crime, principalmente se tiver conteúdo sexual e sexual envolvendo menores, né? Eh, então o pai ele tem que entender qual que é a participação do filho naquela, naquela dinâmica daquele grupo. Ele é um administrador do grupo, ele é só um, entre aspas, um telespectador, está ali, né? Como que ele tá participando? Eh, e ele será duramente penalizado. Nós tivemos já exemplos aqui. Eu eu participei de um de um processo onde 12 famílias foram processadas por conta de um grupo de WhatsApp que circulava entre alunos de uma escola, né? Então, eh, ficou sabendo, a, a escola fez o que ela deveria fazer, que é no sentido de avisar, comunicar aos pais. O pai vai ter que agir, vai ter que tirar, vai ter que proibir, afastar, como a Luciana falou, os filhos daquelas más companhias. Não tem outro jeito. É muita atenção, né, na criação, no dia a dia dos nossos filhos. E eu quero eh dar um alerta aqui, principalmente pros pais dos meninos, né? As meninas também, mas é algo meio que cultural assim que a gente tem um cuidado a mais com as meninas. E aí a gente acaba ã não prestando muita atenção nos meninos e acende um alerta para que a gente preste muita atenção nos nossos meninos, viu? Mãe e pai. Vamos lá. Simone do Jardim Miram Moreira. Antes de assistir a série Adolescência já tinha tirado o celular do meu filho e mudado ele de escola. Depois percebi que ele fazia exatamente o que vi na personagem que morreu. Poxa vida, que depoimento, hein, Luciano? depoimento da da Simone, né? Eh, tirou o celular do menino, do filho, mudou de escola, está agindo, né? Está fazendo o movimento correto. A questão de mudança de escola, a gente precisa ter um olhar eh de muito critério. Uhum. Porque às vezes simplesmente mudar de escola, eu só tô transferindo de local o meu problema. Sim. Eh, assim, pode haver a mudança de escola, não sou contra isso, mas antes da mudança, a resolução precisa ser feita. Perfeito, né? Então, a escola precisa aproveitar esse espaço dos jovens para eh colocar esses assuntos difíceis, difíceis e polêmicos eh para para pra comunidade escolar, pros eh pros pais. Então, aproximar, como a gente conversou lá desde o início, aproximar essas gerações, eh, para que situações como essas não não se, eh, não se perpetuem, né? E realmente, como o Dr. Rodrigo colocou muito bem, eh, os adolescentes copiam com as pessoas, né? Nós somos, eh, seres que nós vivemos eh copiando comportamentos, não sentido ruim, né? Então, como a gente senta, como você falou, a questão das meninas, como a gente senta, como a gente fala, isso tudo é uma situação de cópia de comportamento. Então, qual comportamento essa adolescente está seguindo? Eles precisam de espaços de aceitação, de pertencimento de grupo. Então, qual grupo a minha filha está inserida? Então, eu já tive situações de atendimento, orientação aos pais que eles queriam mudar a criança de escola, porque a filha tinha ali uma estrutura familiar legal. mas não conseguia se afastar daquela daquele grupo, né? Eh, que ela não conseguia se encaixar em outros grupos porque el o adolescente precisa desse pertencimento. A minha sugestão foi mudar de sala. Perfeito. Tudo se resolveu. Uhum. Então, a a a criança se conectou a um grupo estudioso de meninas mais tranquilas e tudo mais e se afastou e depois ficou muito revoltada, né? Adolescente, extremamente revoltada. A gente fez todo um trabalho de orientação, acolhimento, escuta. Passado pouco tempo, ela enxergou toda essa situação que aquilo não não estava fazendo bem para ela e que aquilo ele não a representava. Mas como adolescente, eles precisam dessa conexão e dessa representação. Então cautela, né? Às vezes a gente quer, num ato de desespero, a mudança de escola, mas precisa ser realizada uma estrutura e uma resolução da questão. Conhecimento, acolhimento, né, escutativa, muito carinho, muita atenção com os nossos adolescentes. A gente vai encerrando o nosso programa de hoje, porque tem muita coisa para falar, mas a gente precisa entregar então as considerações finais e a nossa gratidão a psicopedagoga e pedagoga especialista em jovens e família, Luciana Melo. Obrigada pela sua contribuição. Você viu como o tempo passa rápido demais. É um assunto que traz tantas abordagens que a gente às vezes não consegue nem falar nem a metade do que a gente precisa, mas a gente já deu uma boa contribuição para as pessoas de casa. Então, agradeço a sua participação. Eu que agradeço, Rúbia. Estou super à disposição para qualquer questão, qualquer tema relacionado e que eu possa eh estar contribuindo. Muito bem. Muito bem. E com a gente também o advogado, especialista em direito digital, privacidade e proteção de dados. Ele é vice-presidente da Comissão de Direito Digital da OAB Campinas, Dr. Rodrigo Canguçu, que deu uma aula aqui eh referente às responsabilidades, né, e mostrou pra gente que a internet ela não é terra sem lei, não. Eh eh tem leis e as leis elas vão se atualizando e se aprimorando cada vez mais, não é, Dr. Rodrigo? Obrigada. Considerações finais, por favor. Eu que agradeço essa oportunidade. Eh, é sempre um prazer para mim falar sobre educação digital. Como eu disse, a Comissão de Direito Digital aqui da OAB Campinas tá empenhada nesse trabalho. Se eu posso fazer alguma consideração final, na verdade é falar de do pros pais mesmo, né? Quais são as atitudes que os pais têm nas redes sociais, né? Como que eles mostram a sua civilidade dentro da das redes sociais pros filhos? E os pais eles têm que fiscalizar, eles têm que entender o que que os jovens estão fazendo, eles têm que perder alguns minutos para ver como funciona o Roblox, para ver como funciona o Fortnite, para ver como funciona o grupo do Instagram. Agora tem o Discord, que é a nossa nova preocupação. Eles têm que ter esse cuidado, tem que entender. E eu agradeço novamente a oportunidade. Eu tô super à disposição para sempre que for possível, necessário tratar desse assunto. Obrigado, Rob. Muito bem. Nós que agradecemos aos nossos entrevistados, agradecemos você de casa. Só lembrando, pessoal, que assim, a produção tá falando que teve muita participação. Então, nós convidamos os nossos entrevistados para continuarem aqui no estúdio, porque eles vão vão gravar a resposta da sua pergunta e nós vamos eh distribuir em toda a programação da TV Câmara Campinas. Então você assistindo a TV Câmara Campinas, você vai ver aí a sua pergunta e a resposta aqui dos nossos convidados do nosso programa de hoje, tá? E o adolescente, o a adolescência eh segue sendo assunto no estúdio Câmara. E amanhã, gente, amanhã, quinta-feira, eh nós vamos falar de dinheiro na adolescência. É, mas a gente vai abordar aquela questão, né? vão fazer um contraponto mostrando casos de crianças e adolescentes que trabalham, casos de atores, atletas, né? Eh, eles já trabalham e já recebem os seus os seus salários. E aí a gente vai mostrar a importância da educação financeira para os pais, para os filhos, né? e dizer, os pais, eles podem usar o dinheiro dos filhos, eles devem seguir regras para proteger os menores, para que não aconteça abusos, como aconteceu no caso da atriz Larissa Manuela. Então, a gente vai falar sobre dinheiro na adolescência, a importância da educação financeira e o dinheiro da adolescente que trabalha, até que ponto os pais podem controlar o dinheiro dos filhos menores? Polêmico também, né? Mas é adolescência é o nosso assunto e nós vamos conversar com você amanhã, mas você pode rever daqui a pouquinho no YouTube para você eh da TV Câmara Campinas. As informações você pode repassar aí paraa sua família, pros seus amigos, que são informações muito valiosas. Bom, vamos agradecendo a sua audiência, a sua companhia, agradecendo também aos nossos convidados. Lembrando que em instantes daqui a pouquinho tem audiência pública na Câmara de Campinas. transmissão ao vivo aqui da TV Câmara Campinas. E ao meio-dia temos também o jornal Câmara Notícia, trazendo informações do legislativo campineiro e da nossa metrópole. E eu vou ficando por aqui, né? Vamos entregando, desejando a você uma ótima quarta-feira. Cuide do seu adolescente, cuide da sua criança, preste atenção, mais acolhimento, né? Esteja junto, participe. Eles dependem da gente, não esqueça disso, combinado? Agradecendo aí o grupo Mais trabalhando pra gente levar para você essa programação legal que você assiste aí na sua casa aqui da TV Câmara Campinas. E amanhã a gente se fala a partir das 8 da manhã, se Deus quiser, com mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Ótima quarta-feira para você, nossos convidados. Mais uma vez, muito obrigada. Valeu, pessoal de casa. Bom dia e até amanhã. [Música] [Música] [Música]