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[Música] Olá, muito bom dia. Seja bem-vindo, seja bem-vindo Estúdio Câmara no ar aqui pela TV Câmara Campinas. Hoje, quarta-feira, 2 de julho, e é sempre muito bom ter a sua companhia aqui com a gente. O tema do programa de hoje é daqueles que nos faz pensar a forma como a gente educa as nossas crianças. Afinal, será que a gente tá protegendo ou sem perceber estamos limitando os nossos filhos? A super proteção pode parecer, à primeira vista um gesto de cuidado, mas os especialistas alertam. Esse comportamento, quando exagerado, pode impedir o desenvolvimento da autonomia e transformar crianças em adultos inseguros, com dificuldades para decidir e lidar com frustrações. Vamos conversar sobre isso com as nossas convidadas que já estão aqui no estúdio. Eu estou recebendo uma convidada aqui no estúdio ao vivo e outra pelo Zoom e daqui a pouquinho a gente apresenta e conversa com elas. Se você é aí de casa, manda sua dúvida pra gente, o seu depoimento referente à criação, né, dos filhos. Você super protege o seu filho, a sua filha. Ah, eu vou te falar que eu passei por isso e é bem desafiador. O WhatsApp tá na tela 19972937 76. Enquanto você manda a sua mensagem pra gente, vamos atualizando as notícias, né? Mês de julho é mês de férias. A Lagoa do Taquaral está ampliando o funcionamento de atrações nessas férias de julho. Então, as atrações pedalinhos e caravela na Lagoa do Taquaral passam a funcionar de quarta a domingo durante este mês, a partir de hoje, viu, gente? de pedalinho tá funcionando das 9 às 5 da tarde com o intervalo do meio-dia à 1 da tarde. Os ingressos custam R$ 5 você pagando em dinheiro, 5:10 para pagamento no cartão de débito e R,20 no crédito. A venda de ingressos para o pedalinho é das 9 às 4:40 na bilheteria do próprio parque, tá? A visita à caravela, a réplica de uma das embarcações de Pedro Álvares Cabral é gratuita das 9 às 5 da tarde, sem intervalo. Então, aproveite essas férias e vá curtir aí esse momento tão especial lá na Lagoa do Taquaral, que tem eh Caravela, tem o pedalinho e outras atrações. Tá bom? Vamos com mais informação. CP Procamp abre 1595 vagas em cursos gratuitos no segundo semestre. Olha que beleza, as inscrições começam na segunda-feira. O Centro de Educação Profissional de Campinas, o CPROCAMP, está com essas vagas abertas para cursos gratuitos de qualificação profissional para o segundo semestre. Então, segunda-feira, dia 7 de julho, você pode se inscrever. As inscrições devem ser feitas presencialmente, diretamente na unidade onde o candidato deseja estudar, tá? ao todo. São 20 opções de cursos distribuídos em 10 unidades da cidade. Aí você vê qual que é mais compatível eh com eh a sua vida, né, com o seu dia a dia. No centro, no Campo Belo, no Campo Grande, José Alves, Ouro Verde, Cambará, Vida Nova, Padre Anchieta, Monte Cristo e Vista Alegre. As aulas ocorrem nos períodos da manhã, das 8 até às às 11:40, à tarde da 1:30 até às 5:10 e à noite das 6:50 até às 10:20, tá? Entre os cursos oferecidos pelo CPOCAMP estão padeiro e confeiteiro, cuidador de idosos, informática básica, auxiliar de logística, marketing digital, desenvolvimento de aplicativos, criação de websites, também operador de empilhadeira, entre outros cursos. A duração varia de 10 a 20 semanas e para participar é necessário ter 15, 16 ou 18 anos ou mais, né? Conforme a exigência do curso escolhido, você tem aí a o seu perfil, a sua faixa etária, além de você precisar estar cursando ou ter concluído o ensino fundamental. Eh, na hora da inscrição, o candidato deve apresentar RG com CPF, comprovante de escolaridade, comprovante de endereço e também uma foto 3x4, todos com cópia e original. As vagas serão preenchidas por ordem de chegada e o edital completo está disponível no site fumec.sp.gov.br/cprocamp e aproveite para se qualificar uma oportunidade imperdível na sua vida. Previsão do tempo. Vamos lá. Olha, tem a frente fria aí chegando. A gente percebeu que ontem tava mais frio, à tarde, né? É a temperatura invertida, né? E aí começa com uma temperatura e vai diminuindo no decorrer do dia. E a previsão para hoje, quarta-feira, é de céu parcialmente nublado. Temperaturas entre 13 e 22º, ventos moderados a forte ao longo do dia. E olha, pode ocorrer aí chuviscos, tá? Leve e isolado a qualquer momento. Então a tendência é que na daqui até à tarde possa esfriar ainda mais, tá certo? Agora sim, notícias. OK. Previsão do tempo também. Vamos ao nosso tema central. Proteger os filhos é um instinto natural de qualquer pai ou mãe. Mas quando esse cuidado vira controle, o que era proteção pode se transformar em obstáculo. Como a gente faz para encontrar aí o equilíbrio entre proteger e permitir que a criança cresça com autonomia? É isso que a gente vai discutir agora com as nossas convidadas. Quero dar as boas-vindas para a Bruna Esquiavo. Ela é psicanalista e neuropsicanalista. está ao vivo com a gente aqui no estúdio. Seja muito bem-vinda. Que prazer te receber, Bruná. Obrigada. Obrigada. Bom dia a todos. Prazer tá aqui também. Maravilhosa. Temos muito para falar hoje sobre isso, né? Ah, temos. Muito bom. E olha só, além da Bruna, a gente recebe pelo Zoom a Janete Smith. Ela é doutora em educação pela Unicamp e psicopedagoga. Vai conversar com a gente sobre essa questão aí da criação, né? É muito importante. Todo dia a gente aprende uma coisa nova. Seja muito bem-vinda. Obrigada pela sua participação. Eu que agradeço, viu? Um prazer estar aqui. Bom dia a todos. Maravilhosa. Então, já sabe, né? Tem dúvida, manda pra gente aí a sua mensagem. 8:30, 8:40 a gente começa a responder a sua dúvida, a sua pergunta ou então a a passar, a compartilhar aí eh o que você vive no seu dia a dia. Se você quiser passar o depoimento pra gente, sinta-se à vontade. Agora sim, vamos lá, então, com a nossa primeira pergunta, que eu já direciono essa pergunta para a Bruna, né? Eh, eu, na verdade, não é uma pergunta, eu gostaria que você comentasse os efeitos emocionais. da super proteção, porque quem é mãe e pai super protege, né? E o filho que está recebendo essa super proteção sente os efeitos dela. Então tem o efeito da mãe e do pai que está super protegendo, e o efeito sobre o filho também. gostaria que você conversasse, explicasse pra gente sobre isso. Eh, antes de mais nada, eu acho que a gente precisa entender assim, quando a gente fala sobre super proteção, eh, acho que não é sobre um excesso de amor, mas sim de nós, da dificuldade de nós pais de eh colocar não limite, mas de conseguir passar para criança essa independência. essa eh dizer para eles que eles conseguem, porque quando a gente super protege, a gente eh inconsciente, a gente tá tentando eh proteger no sentido de, né, de falar assim: "Olha, eh calma aí que eu faço por você". Mas essa essa esse direcionamento paraa criança chega de uma forma de de uma maneira que a criança entende assim: "Não consigo". Perfeito. Não consigo fazer não, né? Então assim, eh, a criança sempre está no sentido de alerta, porque como os pais estão fazendo por elas, eh, elas acabam entendendo que elas ficam limitada, na verdade. E aí, emocionalmente a gente acaba não desenvolvendo, a criança acaba não desenvolvendo, né? Então, eh, é um processo complicado que a gente não consegue, eu como mãe posso falar que é difícil porque a gente acaba indo no automático. Exatamente. Nessa questão de proto, gente, isso é incrível. Quando você vê, você já fez que deveria. É, é isso mesmo. Eh, e a gente depende de fatores também. externos. Então, a gente fala de um mundo eh muito frenético, assim, de muitas informações, de muitas coisas acontecendo, eh, de informações rápidas e aí a gente acaba realmente indo no automático para querer proteger, mas é uma informação ruim que chega paraa criança. Acho que a nossa eh amiga consegue falar também um pouco sobre isso, né, nessa questão pedagógica. Mas eh a criança acaba não eh desenvolvendo, então limita um pouco, né? Limita, né? Então, Janete, eu gostaria que você eh completasse a fala da Bruna e destacasse pra gente o impacto emocional, né, educacional no desenvolvimento da criança com essa super proteção que às vezes a gente faz no automático mesmo, como a Bruna disse. É. Eh, na verdade, né, criança não vem com manual, né? Então, assim, quando você compra qualquer aparelho, você vai ler o manual, vai se apropriar dele, né? E a criança não vem. Então, assim, por exemplo, para mim, que sou da área, já tenho um outro eu tenho um outro olhar, né, para um filho, tudo e mesmo assim a gente erra, porque mãe é mãe, profissional é profissional. É super importante saber, né, que eh como Inicot coloca, né, da mãe suficientemente boa, né, a mãe suficientemente boa eh não é aquela que super protege, mas é aquela que permite que a criança se desenvolva, que a criança cresça e que a criança se constitua como um sujeito, um sujeito que é separado dela. Então assim, papel da mãe não é fazer tudo pelo filho, né? é ensinar o filho a fazer sozinho para que ele desenvolva autonomia. E a autonomia do fazer, né, do fazer a coisa na, por mais simples que seja, coisas pequenas. Por exemplo, um bebê comer sozinho, mesmo que ele faça sujeira, que você tenha que limpar depois, que ele pegue com a mão, eh, uma criança escolher entre uma coisa e outra, é que vai propiciar o desenvolvimento da autonomia do fazer e posteriormente vai ser fundamental paraa autonomia intelectual, para ele saber responder uma pergunta, para ele saber dizer sim ou não, para ele saber fazer boas escolhas. Muito bem, né? acho que foi bem explicado aí pelas nossas eh duas convidadas a questão dessa super proteção. E algo que eh é automatizado, a gente faz sim no automático, mas a gente precisa nos atentar, né? O que define de fato uma criação super protetora, na sua visão, Bruna, uma criação super protetora, eh eh como que você avalia isso? Porque tem situações do dia a dia que a gente pode colocar como uma proteção, mas a superproteção é aquela que ultrapassa o limite da proteção. E aí o que vai eh quando ultrapassa o limite da proteção, vai acontecer o quê? Vai limitar a criança. E acontece aquilo que você disse também, que vai deixar a criança entendendo que ela não é capaz de fazer. Mas esse não sou capaz capaz de fazer pode vir para uma zona de conforto, porque se eu não sou capaz, ela faz por mim, né? Então vamos lá, vamos definir de fato aí uma uma criação superprotetora na sua análise. Eh, como a Janete disse, eh, uma questão super protetora, vou dar exemplo que eu acho que fica mais fácil também, né? Eh, então vamos lá. É uma mãe que no dia a dia, assim, gente, muita correria, preciso fazer as coisas, preciso fazer acontecer. A mãe hoje está no mercado de trabalho, então tem a casa, tem o trabalho, tem 100 tarefas no dia. E então, eh, como é que ela vai super proteger? O filho, como a Janete disse, precisa eh sujar as mãos, precisa comer sozinho, precisa fazer isso. A gente no dia a dia, pra gente poupar isso, eh paraa gente, eh poupar tempo, né, na verdade, que que a gente a gente faz no automático? Filho, pode deixar que a mãe faz por você. Toma comida e e dá a comida paraa criança e não pode deixar que eu te ajudo, pode deixar que eu faço. Não, você não vai conseguir. E aí nesse automático da mãe e fazer as coisas para eh administrar o tempo e e incluir tudo isso dentro do tempo dela. Uhum. é aonde a gente super protege, porque daí a criança começa a entender que é, como você falou, eh, bom, tem alguém que faz por mim, então eu não preciso fazer e aí acaba eh impactando diretamente no desenvolvimento da criança e gerando consequências que depois a mãe vai olhar e vai falar assim: "Poxa vida, mas eu a criança não, um exemplo, né, eh, comer e levar a louça na pia, ó, OK? No dia a dia tô super protegendo, não precisa porque se eu deixar comer vai sujar. Então vamos alimentar a criança e vamos fazer tudo para ela. Só que daí essa criança vai crescer e ela vai crescer já se acostumando com essa zona de conforto e aí a mãe ou o pai vai cobrar depois dessa criança, né? Então a gente tem que tomar muito cuidado para não confundir essa questão e depois a gente ser eh viver as consequências do que nós mesmos, né? Eh, fizemos, né, o caminho que a gente fez, ele vai ser contra a gente depois. Então, Janete, até que ponto essa super proteção, ela pode ser confundida com afeto, né? Porque às vezes a gente eh fala: "Não, vamos lá, eu vou acolher, mas pera aí, não podemos confundir uma coisa com a outra. Eu gostaria que você explicasse pra gente e também pontuasse esse nosso comentário aqui, meu e da Bruna referente a essa questão, né, da mãe super proteger, mas depois ela pagar ah pelas ela ter as consequências dessa superproteção e querer cobrar a criança de algo que ela mesmo fez. Uhum. É, é bem comum porque na verdade os pais não tomam consciência daquilo que eles estão fazendo, até porque eles não fazem por mal, né? Eh, vou até me colocar como nesse papel também, né, nesse papel de mãe. Muitas vezes nós fazemos, temos algumas atitudes e depois quando você estuda sobre isso ou quando alguém faz um comentário, né, eh você vê como estava fazendo errado. E é muito comum essa questão de você não ensinar e depois cobrar, como se a criança fosse aprender por osmose, né, fosse aprender sozinha. Então, tem uma determinada idade, então ela já é capaz de fazer isso. Tem até livrinhos, né, que que representam isso paraa criança que fala assim: "Ah, você é muito pequena para fazer isso. Ah, você é grande para fazer tal coisa". Então, a criança fica meio perdida. Ela é pequena para determinadas coisas, mas já é grande suficiente para fazer outras que os pais querem que faça, né? Então é é uma questão difícil essa questão da superproteção, porque é aquela coisa do da agitação de manhã, então muitas vezes você coloca a roupa do seu filho, ele tá na cama ainda, ainda mais nesse frio, não permite que ele coma sozinho porque vai demorar muito, né? Tem tem pais que verbalizam isso, tem pais que nem verbalizam isso, vão colocando na boca da criança. E aí assim, até os 6 anos, o cérebro da criança dá 80% formado, né? Isso até é uma descoberta muito recente, né, se a gente for pensar, porque veio desde a da dos estudos da década do cérebro, né? Então, aquilo que nós queremos ensinar paraa criança, esses primeiros se anos, eles são fundamentais. Tanto que a gente tem como exemplo, né, a a escola, o colégio Régio Emílio, que ele trabalha a casa como se fosse uma comunidade. Então, assim, a escola, né, a escola é como uma comunidade com classes multiseriadas. Então, as crianças aprendem a fazer as coisas, né? Então, a colaborar, por exemplo, tirar a mesa, quando eles já são capazes de ajudar a mãe a colocar a mesa, né? Que além de desenvolver intelectualmente, tá desenvolvendo uma autonomia. E assim, nunca falar pra criança: "Ah, você não sabe fazer ou você não vai ser capaz de fazer isso, né?" né? Ajudá-la nesse sentido. Se tiver ela for uma coisa que ela não consegue, vão pensar carregar uma melancia, tent ajudar a mãe a descarregar as compras e aí ela pega e a mãe fala: "Não, você vai quebrar não, vai lá dar um suporte para encorajar atos de autonomia nessa criança como escolha. Escolha de um brinquedo, lógico que dentro daquilo que é acessível, né? não deixar a criança para não chegar naquele reizinho mandão. Mas a super proteção, ela pode criar reizinhos mandões, né? Então é assim, tem um limite muito têno entre a ausência de cuidado, né, e o excesso de cuidado, sendo que ambos são danosos para crianças. Então, a gente precisa encontrar um equilíbrio para que ela possa crescer, né, para que possa desenvolver aquele aquele indivíduozinho que tá ali, né? É verdade, né? O ponto de equilíbrio faz toda a diferença. A gente sempre conversa aqui no estúdio Câmara sobre comportamento, sabe? E aí a gente sempre cai no mesmo lugar. Equilíbrio, gente, como é desafiador manter o equilíbrio. E a Janete falou um negócio bem interessante que é o tal do reizinho mandão, né? Tem que tomar muito cuidado, né? Porque essa super proteção pode sim eh trazer para você um reizinho mandão. E aí, como é que você vai fazer? É sua criança, é é o seu filho, ele não vem com manual de instrução e a gente também não. Mães e pais também não. Então é um aprendizado contínuo, né? E a gente precisa tomar cuidado porque essa superproteção pode sim virar um bloqueio, né? um bloqueio emocional no crescimento dessa criança, né, Bruna? Sim. Eh, esse reizinho mandão é inevitável pra criança também, porque a gente não pode esquecer assim, a gente tá falando de automático, então eh eh movimentos automáticos que nós pais eh fazemos, equilíbrio que a gente acaba não tendo, mas quando a gente vai no automático, a gente faz um movimento de controle. Perfeito. Exato. Né? Porque a gente quer controlar. da forma que a gente imagina v e quer que seja assim, né? Exatamente. E aí a gente acaba esquecendo que as crianças não têm maturidade para isso, né? Para entender esse controle, para entender que elas conseguem. E aí, como a Janete falou, precisa ser eh mostrado, precisa ser numa forma de educação. Olha, tem que fazer isso assim. com muito diálogo e uma coisa que a gente tá perdendo hoje é o diálogo. Não dá mais tempo de conversar. Não dá mais tempo de conversar. Coisa mais absurda, não é? Exatamente. Então, olha quantos fatores, né, que a gente acaba esquecendo que assim ela é só uma criança. E aí como é que eh a criança vai entendendo de uma forma extrema eh vai entendendo de uma forma que a gente não quer, não é não é o que a gente quer passar. E aí ela entende de uma forma diferente da gente, não tem diálogo sobre isso, ela vai entendendo da forma que ela consegue, porque ela não tem maturidade para isso. E a gente nesse automático acha que a criança é adulta como nós, né? Então assim, vai, faz, tem que fazer. Como é que você não escovou o dente? Mas como é que você não fez isso? E a mãe quer falar uma vez paraa criança fazer sempre. E não vai acontecer isso. Verdade. Não vai acontecer. Então, eh, acaba realmente criando uma um bloqueio, né? Um bloqueio pro crescimento, né? Sim. E por quê? Porque quando a criança chega num estágio de adolescência, adulto, a liberdade paralisa porque ele só teve controle a vida inteira. Hum. Interessante. Quando ele tem liberdade, quando ele consegue fazer as coisas, quando ele tem idade para fazer as coisas, ele paralisa. Olha só como é interessante o caminho que a gente traçou, né? Aí a gente eh eh chega nesse ponto eh da adolescência e aí que o adolescente ele paralisa e de repente deve ter um turbilhão dentro daquele adolescente que quando ele explodir aí perde totalmente sai totalmente do nosso controle, né? Então, é importante a gente se atentar nessa questão eh dessa super proteção, uma super proteção que a gente não critica porque mãe e pai, a gente sabe disso, a gente faz isso sem perceber, mas a gente tem que tentar manter sim esse equilíbrio, né? Porque isso pode ter impactos na vida adulta, né, Janete? Uma criança super protegida, eh, qual que é a sua avaliação aí? Vamos colocar fazer um um uma cena, né? Uma criança super protegida durante toda a sua infância e aí chega no momento da adolescência, vai pra faculdade, vai pro mundo. A gente não pode esquecer que a gente cria os nossos filhos para o mundo, né? Porque ele vai ter que sair, ele, o nosso ninho vai ficar vazio. Qual que é o impacto, Janete, de uma criança super protegida quando ela vai para esse mundão aí, esse mundo da universidade, esse mundo de de descoberta, né? E pro mundo profissional também. Na sua visão, o que que você traz pra gente? É assim, eh, não é só na minha visão também, né? Vamos ver até fatos, né? assim, a, a gente tava até debatendo esses dias com o grupo, eh, sobre as crianças que saem, né, os adolescentes que saem do ensino médio, né, que são preparatórios para vestibular, por exemplo. Uhum. Então, no, vou dar um exemplo, né? Os materiais pro vestibular são apostilados, tudo é dado assim, um estudo dirigido, né? Eles sabem aquilo que eles têm que estudar, fazer aula dada, aula estudada, eh responder as questões dos exercícios. E quando eles chegam na faculdade, não tem mais isso. Professor não vai dar pronto. O professor vai dar uma bibliografia, o aluno tem que ir à biblioteca, o aluno tem que buscar sozinho. E por mais que eles mexam na internet, né, que é outro ponto polêmico, eh, o saber buscar não tá ali, porque eles entram para entretenimento, né, e não para, basicamente pesquisa. Eu tô falando assim no geral, né, lógico que a gente tem casos individuais. Então, o que que acontece? Eles não têm iniciativa, eles não sabem buscar, eles têm uma timidez excessiva para, por exemplo, ir na biblioteca e conversar e falar sobre aquilo que ele precisa, né? Muitos no dia a dia não sabem fazer suas compras, eles vão estudar em uma outra cidade. E o pior é que eles ficam a mercê de mais más influências porque eles não eh não sabem fazer escolha, sabe? Porque a importância da autonomia, né, que a gente constrói desde lá pequenininho, como eu falei da autonomia prática, eu até marcou muito a minha vida um livro do Isamitiba, que é Seja feliz meu filho, sabe? Eu li quando meus filhos eram pequenos e mudou muita coisa em mim em casa, né? Porque ele falava que o que o filho a gente educa na cozinha, na hora que você vai preparar uma refeição, vamos pensar a vida corrida. Tem muitas vezes tem pais que não conseguem nem fazer uma refeição por dia com cílios, mas muitas famílias conseguem jantar juntos quando eles são pequenos, né? Então que todos ajudem naquele preparo. Isso é você tá preparando eh para que que se que a criança seja capaz de viver em sociedade, de participar. É onde cada um faz uma parte e lógico, você vai ensinando, depois eles vão ter autonomia de de pegar sozinhos. A mãe não precisa ficar falando, olha, põe isso na mesa, põe aquilo na mesa, né? Eh, teve uma coisa assim que a que a colega falou, né, sobre eh a questão, né, da criança que ela vai eh quando ela tava falando da questão da criança pequena, que vai fazer tudo no automático, né, é importante a gente pensar que a gente costuma reproduzir, mesmo que seja no inconsciente, mesmo que não seja, por exemplo, às vezes, às vezes eu me pego falando: "Nossa, falei igual minha mãe, né?" Isso vem numa tomada de consciência, né? Mas a gente reproduz aquilo que a gente aprendeu na infância, porque fica no nosso inconsciente. Então, por isso que é super importante e o a forma como os paisagem, porque a criança não vai ver a fala, a criança vai observar, por exemplo, falou, não vai prestar atenção na fala, se a fala do pai ou da mãe não condiz com o comportamento, com as ações do pai e da mãe. Então, a leitura que ela faz no ambiente, ela vai reproduzir depois. né? Então, por isso que é importante a gente ter essa clareza, né? Eh, no dia a dia daquilo que a gente faz. E eu falo assim, eh, posso dar um exemplo de do meu filho, vou dar um exemplo do meu filho, né? Eh, quando ele tinha mais ou menos uns 10 anos, eu percebi e pensando nessa questão da autonomia que ele era muito envergonhado, muito tímido. E aí eu já tinha minha outra filha mais velha, né, que já tava caminhos para para entrar na faculdade. E aquilo me preocupou, porque eu comecei a dar pequenas tarefas, por exemplo, às vezes tinha um lugar que era de feira limpa, eu comecei, eu parava o carro e dava, eh, pedia para ele ir comprar as coisas. No começo ele dava a volta na loja inteira e não tinha coragem de chegar na mulher e pedir, né, o que ela queria. Então foi um exercício, né? Aí eu comecei, por exemplo, no mercado a falar, ó, você pode gastar R$ 20 naquilo que você quer escolher. Sabe aquela coisa que mãe, posso levar isso, posso levar aquilo? Eu falava, você tem R$ 20. E aí era bonitinho porque ele começou a desenvolver autonomia de pegar uma cestinha e fazer mais ou menos uma estimativa, lógica, já tinha 10 anos, do que ele conseguiria levar e fazer escolhas. Então assim, não são coisas muito trabalhosas que nós temos que fazer no dia a dia para construir essa autonomia da criança dela conseguir fazer escolha entre uma coisa e outra. Eu pego crianças aqui na clínica que não tem essa autonomia e eu sempre ofereço, por exemplo, dois tipos de jogos, eh vários tipos de livros que para mim eu vou estar trabalhando mesma mesma coisa, vou estar atingindo meu objetivo, mas a criança tem que escolher. Eu até brinco que aqui não tem tanto faz, não tem qualquer um, porque eles são habilitados a escolher. Então assim, são pequenas escolhas, né, que nós temos que levar nossos filhos a fazer para que eles estejam autônomos e saibam fazer escolhas no futuro. Que maravilhosa, Janete. Que maravilhosa, que fala preciosa que ela trouxe pra gente, né, Bruna? Porque depende de nós, né? E são detalhes, detalhes do dia a dia. Essa super proteção, eh, a criança, né, super protegida, ela pode ter dificuldade em construir vínculos na escola, né, social. E aquela questão da autonomia que a Janete trouxe pra gente. Eh, eu gostaria que você explanasse, Bruno, essa questão da da dificuldade na vida social de uma criança, de um adulto hoje, mas que foi uma criança super protegida, né? Porque a Janete bem pontuou a a vergonha, a inibição, né? O filho dela começou nesse movimento, mas começou com muita vergonha. Eu se eu ela falando aqui, eu vim para mim e e lembrei que a minha filha também, ela tinha vergonha. Por quê? Porque a gente ah não sabia lidar com aquela situação. Então, para que ela não passasse por aquilo, eu ia fazer. Até o momento que eu entendi que ela precisava fazer. É igual ensinar o filho a atravessar a rua, né? Ele não sabe as cores do sinal e o que ele deve fazer, parar, esperar, enfim. E aí quando chegar o momento de você soltar aquela criança para poder atravessar a rua, é um perigo iminente e você precisa entender. Então a gente tem que ensinar, a gente precisa dar autonomia para eles, né? Então, eh, pontua pra gente essa questão, eh, da socialização quando a gente chega na fase adulta, a, a vida profissional, né, de uma criança super protegida. É criança, eu digo criança porque foi criança, foi criança super protegida. E aí vai chegar no momento da da profissionalização, né? Vai ter que ter uma vida social, vai ter dificuldade, muita dificuldade. Uau! Estamos falando, né, Jonia. Então, quando não se dá essa autonomia na infância, mostra pra criança o quanto ela é capaz, o quanto ela consegue das pequenas coisas, né, na no nos nas pequenas atitudes, quando eu não tenho isso na infância, como é que eu vou fazer isso na fase adulta? Então, né, é um bloqueio, exatamente, acaba eh dificultando tudo. Então, assim, se a gente olhar do ponto de vista neurobiológico, quando a gente fala de eh super proteção, proteção excessiva, a gente tá falando de um controle. Tá? A criança quando ela tá nesse ambiente de muito controle, eh, na parte neurológica, sende um movimento de alerta. Preciso estar em alerta e vigilância em todo momento, porque se eu não sei fazer, como é que eu vou fazer? E aí, eh, acaba de impactando diretamente na área frontal, que é a área de planejamento, a área de eh desenvolvimento. Como é que eu vou desenvolver? Eu não sei, né? Eu não sei planejar. E aí, na fase adulta, nossa, olha, vou como eu vou lidar com isso, né? Como é que eu vou? Eh, por isso que hoje a gente tem uma porcentagem aí de adolescentes adultos que estão migrando, né, para fase adulta, que que se chamam neném. Verdade. Neném, né? os que são eh eh adultos que t muita dificuldade com o mercado de trabalho, com a socialização, com eh essa interação, porque eles cresceram entendendo que eles não conseguem, que eles não são capazes. E aí diante de uma dificuldade, de uma autonomia, eu preciso ter autonomia para fazer, eu preciso eh fazer acontecer, eu não consigo. E não consegue, realmente. É muito difícil mesmo, porque eh a gente pulou etapas. Uhum. Né? E aí, como você disse no início da nossa conversa, aí a gente quer que eles fazem de uma hora para outra, se isso não lhe foi ensinado, né? Co, porque se a gente fez para eles, como é que eles vão fazer depois? Porque nós que fizemos. E aí, faz agora? Como se você não me ensinou? Exato. Não é? É. Agora, eh, Janete, os pais, né? Porque a gente tá falando aqui das crianças e tal. Eh, os pais, o que, como que os pais podem trabalhar no dia a dia para se atentar nessa questão da superproteção? Você já citou exemplos, né, que você fez? Eu achei super válido, muito bom, me arremeteu à época eh da minha filha criança também. Eh, a gente precisa confiar, né, que os nossos filhos são capazes paraa gente poder soltar, deixar eles um pouco mais livres para executar ações difíceis. E mas a gente precisa estar presente. Como é que a gente faz esse equilíbrio? Como é que a gente desenvolve isso em nós pais, né, para poder eh dar mais autonomia para os nossos filhos? Eu acho que tem uma uma questão assim bem que que a gente tem que resgatar, né? E que às vezes está muito fora daquilo que a gente tem de consciência, né? Uhum. A gente pensar um pouquinho que nós também fomos crianças, né? E nessas coisas que nós na na adolescência queríamos que nossos pais fossem, sabe? Hum. Ah, se meu pai tivesse me preparado para isso, meu pai não daquela forma eh exagerada de fazer causar essa superproteção paraos filhos hoje. Porque muitas crianças ou de dar muita liberdade, porque muitas adultos que tiveram pais severos hoje em fat criam crianças aquele lece fer, né, que deixar fazer, deixar ser sem dar uma orientação e as crianças precisam dessa orientação, né? Mas esse essa questão assim de também buscar saber conhecer um pouquinho as fases da criança, por exemplo, né? Eh, quando até quando a Bruna falou alguma coisa sobre as tarefas que a gente quer que a criança faça depois, né? Então, assim, eu não ensinei, mas eu quero que meu filho saiba fazer. Eu não tenho a consciência de que eu não ensinei. Então essa tomada de consciência pelos pais, e eu vejo aqui muitos aconselhamentos que eu faço, orientações que eu faço aqui para pais, né? e sempre pensando, né, que os pais fazem daquela forma, porque eles não sabem, eles não tomaram consciência daquilo. Então, assim, conhecer essas etapas, saber que, por exemplo, uma criança de 7, 8 anos e até um pouquinho mais, não adianta você chegar no quarto e falar assim, ó, guarda o brinquedo, pega sua roupa pra escola, faz a lição da tarde. Não é uma demanda de cada vez, é um pedido de cada vez, porque eles ainda não são capazes de gerenciar tudo isso, né? Então assim, se os pais puderem, e hoje nós temos aí na internet tanta coisa disponível sobre desenvolvimento, sobre as fases importantes da criança, se os pais puderem também se apropriar desse conhecimento, né? E se eles puderem, foi falado também da importância da conversa, né? e que hoje não se tem. E essa troca é que permite eh uma ampliação daquilo que a criança aprendeu. Então assim, na medida em que o pai participa do que a criança está aprendendo na escola, ele conta suas histórias, resgata suas histórias, não tem nada que a criança goste mais de ouvir do que de quando o pai era criança, né? Então que o pai conte, o que ele brincava, o que ele fazia, o que ele aprendia, né? eh é super importante para criança. Então, essa vivência está faltando, né, para que a criança também eh cresça de uma maneira mais saudável, né? E é o mais saudável, tô falando nesse sentido, dessa super proteção exagerada que muitas vezes causa ansiedade. Então, por exemplo, quando a Bruna falou, né, da da neurobiologia, né, eh dessa questão da da criança super protegida, eh, o que que ela vai fazer? Ela vai, como ela acha que o mundo é super perigoso, porque se eu sou super protegida é porque o mundo é perigoso, né? Não que não tenha os perigos que a gente sabe, mas não é dessa forma, né, assim, exagerada, que aí vai trazer pânico, vai trazer ansiedade. Por quê? Porque a gente vai tá liberando aquele estress que é o estress mais primitivo que nos protege eh contra os perigos. Então assim, se eu tenho muitos perigos, eu vou liberar mais estress e vai me trazer mais ansiedade. Nós temos pegado eh adolescentes muito ansiosos, adolescentes que se machucam, adolescentes que não dormem, que precisam eh ser medicados, né? Então é uma questão muito séria. Uma outra coisa que eu queria levantar com vocês é a questão da iniciativa, né? Quando a gente fala assim, olha, eh, o adulto, a criança vai lá, adolescente, ela vai pra escola, ela vai pra faculdade, ela vai fazer o estágio, ela vai, eh, eh, entrar na, num ambiente profissional. O que acontece com a criança super protegida é que aquele adulto lá não vai ter iniciativa, porque ele vai esperar que o quê? o chefe, figura paterna ali que ele vai pedir, ele vai mandar ali, ele vai gerenciar tudo e ele não vai ter iniciativa. E aí o que que vai acontecer? Ele não vai ter bons empregos, muito provavelmente ele vai perder o emprego. Então assim, é uma situação bem bem complexa, por isso que nós temos que prestar bastante atenção na infância. Maravilha, né? Muito bom, muito bom mesmo. E ela me lembra e com tudo isso que a Janete falou, Bruna, me traz aí a mente a dependência emocional, né? Porque tem a ver, né? A super proteção na infância e a dependência emocional na vida adulta. Sim. Eh, tudo a ver, né? Tudo, né? Dependente de tudo e de todos. E aí, como faz, né? Sim, porque na verdade quando a gente eh faz esse movimento de super proteger desse controle, eh como tudo a gente falou aqui, sem autonomia, a criança não consegue ter autonomia, não consegue entender que ela consegue fazer, né? Então assim, ela acaba eh criando uma dependência de fatores externos. Então eu preciso de fator externo, eu dependo de alguém ou de algo para conseguir fazer, porque eu não consigo. É isso mesmo. Então é é muito complicado. E e trazendo uma uma linha de raciocínio que a Janete falou dessa dessa questão dos pais, a gente saiu de a gente não o equilíbrio está longe disso, né? É assim, a gente precisa entrar num equilíbrio, porque quando a gente fala de pais eh que super protegem, que já passaram, que já foram eh crianças também, a gente saiu de um extremo e foi para outro, porque os pais, os nossos pais tiveram ex pais rígidos, rígidos e aí a gente foi para uma super proteção, então a gente saiu de um de um extremo e foi para outro, não teve um equilíbrio, não teve um equilíbrio, né? Por isso que a gente tá encontrando, encontrando tantos adolescentes dependentes emocionalmente. Nossa, olha só, né? Como que a gente consegue traçar uma linha do tempo e entender o que acontece. Por isso que é bom conversar, né, principalmente com profissionais assim tão especiais aqui nessa quarta-feira de manhã no nosso estúdio Câmara. Olha, é super verdade o que foi dito aqui, né? Se a gente for ver o equilíbrio bem longe de tudo isso, porque nós não tivemos aí o meio termo. Eh, quantas vezes você já falou ou já ouviu, né, alguém dizer assim: "Eu vou fazer tudo que não foi feito para mim, eu vou fazer pro meu filho. Tudo que eu não tive, eu vou dar para o meu filho." Mas será que esse tudo ele tá certo, né? Será que é assim mesmo? A gente precisa de um equilíbrio e o equilíbrio é desafiador e a gente vai tentando. É assim, um pouquinho a cada dia, um pouquinho a cada dia, quem sabe, né? Um dia você tá assim, outro dia você tá assim, outro dia você tá equilíbrio e a gente vai conseguindo, né? Então a gente precisa entender que as crianças conseguem e que nós pais também a gente pode conseguir sim. Agora 8:45. Vamos então, produção tá me avisando, eh, Janete e Bruna, que nós temos algumas perguntas, então vamos interagir com nossos telespectadores. Eu já mando aquele bom dia especial para você. Falando nisso, eu quero mandar um bom dia especial para uma pessoa que eu encontrei lá no São Marchê no sábado lá no Iguatemi. Gente, ela me surpreendeu porque eu tava lá e aí ela eh olhou para mim e falou assim: "Ah, você, né, que apresenta aquele programa na TV Câmara, eu quero parabenizar toda a equipe. Eu vou passar isso pra nossa equipe aqui, porque eu acho bem importante." Ela disse: "Eu quero parabenizar toda a equipe e também parabenizar os profissionais que vocês trazem para conversar com a gente." Ela falou: "Eu não tinha o costume de assistir tão cedo assim a TV Câmara, sempre assiste as reuniões ordinárias, enfim, mas tão cedinho assim, 8 horas da manhã, ela falou que não." Mas um dia passando de canal, trocando de canal, tomando um café em casa, essa pessoa que me encontrou eh lá no no shopping, ela disse que chamou atenção a fala de uma entrevistada que tava aqui no estúdio com a gente e a partir daquele dia ela começou a assistir o estúdio Câmara todos os dias e repassar paraas colegas também. Então, eh, isso reforça ainda mais, né, a qualidade, a qualificação, eh, e a importância de profissionais como vocês aqui, eh, no nosso estúdio Câmara e também, eh, a persistência, né, da nossa produção que vai atrás de vocês e que bom que consegue trazer vocês para trazer pra gente informações tão preciosas. Então fica aqui meu registro, a nossa telespectadora e tantas outras aí que a gente encontra e que já se acostumaram a assistir o estúdio Câmara logo cedinho, porque nós temos sim informação de qualidade e informações precisas de coisas que fazem parte do nosso dia a dia. É tão natural, mas que a gente precisa aprender a lidar com tudo isso. Tá bom? Feito o registro 8:47. Vamos lá, produção. Pode colocar pra gente a nossa primeira pergunta é o Carlos do Bom Fim e ele diz: "Existe diferença nos efeitos quando apenas um dos pais é super protetor enquanto o outro promove liberdade?" O que prevalece na experiência da criança? Eu não entendo muito, né, da psicologia assim, mas eu posso falar que é uma confusão, porque a mãe é mais rígida, o pai é mais solto. E aí, como faz? Vamos lá, Bruna, fala pra gente que que acontece na cabecinha dessa criança. O que que prevalece na experiência desse filho. Você tem essa falta que eu falei? Ah, mas Pois é. É isso, né? É, é isso. É conflito, né? uma confusão, uma confusão, porque assim, vamos pensar nessa super proteção, então eu não sou capaz. Uhum. Aí o meu pai fala assim: "Não, você é capaz, sim. E aí eu sou ou eu não sou capaz, gente." Então é muito difícil pra criança, né, Janete? Essa questão assim, eh, de entender, a gente precisa entender que não tem maturidade. Nossa, né? A criança. E aí ela tem uma super proteção e uma liberdade. Como é que eu faço isso? como é que eu administro isso? Então, isso é muito complicado e nós pais temos sim responsabilidade de ter diálogo entre nós adultos. Uhum. Para entrar num consenso nessa nessa questão de educação da criança. Ô, ô, Janete, essa questão que o que o Carlos levantou pra gente acontece muito, né? Porque se a gente for parar para analisar, eh, tem aí um perfil eh eh eu não sei se em todas as famílias, mas tem sempre o perfil, né? De repente, a mãe ela é eh mais rígida, como eu disse antes, e o pai ele é mais solto ou vice-versa. Aí a criança entra numa confusão, né? É isso que acontece. Então, eh, eu costumo vou costumo pensar que às vezes numa num casal assim, um perfil assim, é melhor paraa criança do que se os dois fossem super protetores, né? Porque assim, ela pode vivenciar algumas situações de em que ela tenha que não seja uma liberdade eh sem responsabilidade, né, mas que ela saia um pouquinho daquela situação repressora. Agora, é muito danoso paraa criança que os pais discutam ou que se contra digam, né, no sentido um permite, outro não permite e ela fica naquele jogo que no fundo, no fundo lá nos pais é uma briga pelo amor, né? Então assim, quem que minha filha vai amar mais, né, gente? É uma coisa assim que parece que a gente vai estar voltando numa questão assim infantil, né, mas é uma questão que muitas vezes não está. Eh, nós o fazemos conscientemente, mas fica aquela assim: "Ah, ela vai gostar mais de mim porque eu sempre deixo ela fazer o que ela quer, né? E a mãe vai ser aquela que exige, né? Ou o pai, né? Pode ser o pai que seja super protetor e a mãe como libertadora. E aí fica aquele joguinho, né? Então eu vou pedir pro meu pai e não vou pedir paraa minha mãe se a mãe for a quem não deixa nada e o pai quem permite tudo ou vice-versa, né? E isso é danoso paraa criança. Eu falo que que muitas vezes é melhor do que a super proteção, que a criança apresenta, a criança vivencia duas realidades, né? E aí esse pensamento que ela tem, que no quando ela é pequena, ela não consegue diferenciar, mais tarde ela consegue pensar um pouquinho sobre isso, muitas vezes em terapia, tá gente? Porque assim, maioria das vezes o adolescente ir pra terapia. É isso mesmo. Nossa, que legal, né? O nosso telespectador trouxe aí uma situação que pode acontecer, que acontece na maioria das vezes, né? Você já ouviu a criança falar: "Eu não quero, eu vou com o meu pai, né?" Ou então não. Ô mãe, olha, o pai tá fazendo isso. Então a gente precisa cuidar também para, igual ela falou, né? A Janete falou, né, Bruna? Não. Eh, o pai falou sim. Aí a criança vai pra mãe e diz: "Mãe, olha o pai". Não é sim. Sim. Não, não. E aí depois quando a criança não tiver perto, pai e mãe sentam e conversam. Sim. Porque senão também a gente causa outro problema, não é? Exatamente. Por isso que a Janete falou, muit das vezes, se a gente não tem isso, a criança vai precisar sim de terapia. Pois é. Vamos lá. 8:51. Mais uma pergunta chegando pra gente. Vamos lá. Quem tá conosco? Renata do Flamboian. Percebo que projeto tanto minha filha única que ela tem projeto não, gente, desculpa, protejo. Percebo que protejo tanto a minha filha única que ela teme dormir na casa das amigas. Hum. Como equilibrar afeto e liberdade sem gerar dependência emocional lá na frente? É delicado, hein, Renata? Tá. Vamos lá então, Janete, essa questão aí da proteção, né, e o medo que essa super proteção eh acaba causando na nas nossas crianças, por gentileza. Vamos responder a Renata. É, é difícil essa questão. Seria legal saber a idade, né, da criança, mas são questões assim simples. Eu acho que até a Bruna, né, eh, capaz de de falar até com mais propriedade dessa fase, que é uma uma questão que eu lido muito aqui na clínica, que são as crianças que dormem durante muito tempo com os pais, né? E aí essa criança fica tão dependente daquele afeto, ela não cria, não desenvolve a sua subjetividade, né, que a importância de estar no seu quartinho, a importância dele, essa elaboração do complexo de ético. E ela não eh cria estrutura para ir dormir na casa de uma amiga. Ela tem medo, ela tudo aquilo que não seja ali junto com os pais, esse caso aí da mãe, né, eh, vai trazer um medo e uma falta de oportunidade dela vivenciar uma experiência rica que é dormir na casa de uma amiga. Lógico que a casa de uma amiga cuja mãe conhece os pais, né, e coisas assim, tem que ter essa esse conhecimento eh de quem são, das amigas, tudo. Mas é super importante essa vivência da filha. ter essa autonomia de poder passar uma noite ao longe da mãe, né? Às vezes é um final de semana, um aniversário, elas vão fazer festinha de pijama, vão brincar, mas assim, isso é super importante para ela construir o círculo de amizades e muitas vezes caminha até a adolescência. Eu não sei qual é a faixa etária da menina, mas começa desde lá pequenininha. Deixar a criança dormir no seu próprio quarto, sabendo que dormir é um ato solitário, não precisa ser rígido, né? Quer dizer, de vez em quando a criança pode dormir com a gente, pode ali, pode, de vez em quando pode. É uma, vamos fazer um acampamento, vão fazer uma noite de filme. É legal até esse carinho, né, dos pais com a criança, ainda mais nessa vida corrida que a gente tem, que as crianças vivenciam um pouco, tem uma vida em comum pequena, com os pais. Você vão pensar em criança que fica o dia inteiro na escola, né? Mas é importante que ela e assim numa primeira vez, se ela tá com medo, deixar aquela questão assim, olha, mamãe tá perto, qualquer coisa você pode ligar pra mamãe e aí se a criança ligar falar assim: "Olha, filha, não tá tudo bem aí?" não ir primeiro e buscar na primeira na primeira ligação, mas ir tirando, já que ela é uma criança que é super protegida e tirando essa proteção aos poucos, esse excesso de proteção aos poucos para que esse percurso seja corrigido e que ela seja forte para viver outras experiências, experiências novas para pais e filhos, né, Bruna? Exatamente. Exatamente. Assim como a Renata falou dessa super, né? Eu protejo a minha filha que ela não consegue ir à casa dos amigos para dormir. E aí e é voltando, se a gente olhar pro nosso papo de hoje, é sobre isso, né? Então assim, essa proteção talvez esteja dando essa criando essa dependência de no sentido não consigo, não consigo estar lá na casa do meu amigo. Então, eh, acho que foi muito legal essa pergunta da Renata pra gente entender o que a Janete acabou de falar, né, de eh ir aos poucos falando: "Consegue sim, filha, tá tudo bem". Que maravilha, né? E com essa pergunta da Renata, a gente consegue fechar o o nosso bate-papo? Claro que tem muito mais para conversar, mas aqui é só uma pincelada, é só uma viradinha de chave para você se atentar no que você está fazendo aí na sua casa, como que você está cuidando eh dos seus filhos, né? O que que você está limitando eh eh para o seu filho. Acho que a gente precisa aprender e a gente aprende todo dia. E errar, gente, eu vou falar: "Ah, tá tudo bem, né? Tá tudo bem errar. Nós somos seres humanos, a gente aprende. É por isso que nós estamos aqui tentando eh repassar algum tipo de informação que se você pegar um um pouquinho do que foi dito aqui, eu tenho certeza que você já vai conseguir mudar alguma coisa. Isso serve para mim, para você, para todos nós, né? E é muito bom a gente ter profissionais assim, eh, como a Bruna e a Janete conosco e saber que a gente consegue interagir e levar uma uma informação de qualidade que vai fazer a diferença aí na sua vida para você que tá aí do outro lado. Então, eu já quero agradecer para as considerações finais. Claro que a gente tem muito que conversar, mas a missão de hoje foi cumprida. a gente conseguiu eh eh trazer informação que vai deixar a mãe e o pai aí eh um ponto de interrogação para pensar para poder continuar, né? Eh sobre essa esse tema, em casa, estudar e de repente procurar profissionais para que a gente entenda que a super proteção ela é boa até um certo momento e que a gente precisa ter equilíbrio na vida, né, Janete? Muito obrigada pela sua participação, considerações finais. Já agradeço muito você com a gente aqui, viu? Eu que agradeço a oportunidade, né? É muito importante pra gente poderia ficar muito tempo mais, né, conversando aqui, porque é um assunto tão assim, tão pertinente, né, eh, muito importante, né? E o que eu queria falar, posso fazer uma consideraçãozinha rápida, por favor? Eh, eu queria falar de um tema assim que a gente de um de um ponto que uma palavra assim que a gente não falou, que é a importância da frustração, da gente deixar nossos filhos se frustrarem, sabe? Hum. Por quê? Porque a frustração, que muitas vezes a gente quer impedir que eles tenham, né? Eh, é o que vai trazer a resiliência, né? Que é a capacidade da criança superar uma frustração e sair dela mais forte. Então, a gente não precisa impedir que nossos nossos filhos vivenciem tudo, porque eles precisam vivenciar, né? Lógico que com o apoio dos pais, com o carinho dos pais, né? com esse amor que protege equilíbrio. E a gente tá aprendendo, né? Eu falo que a gente aprende a ser mãe sendo, né? E a gente vai aprendendo até os nossos filhos sendo adolescentes, nossos filhos sendo adultos, cada fase a gente vai aprendendo conforme a gente vai vivendo. Então sempre é possível. Maravilha. Ô Janete, muito obrigada pela sua participação, pela sua fala, sua contribuição. Que legal, né? Tem o conhecimento, contribui um pouquinho com a gente. A gente fica super feliz. Obrigada mesmo. E a mesma coisa eu digo a você, Bruna, que legal ter você conosco, né? Muito obrigada pela sua participação tão cedinho aqui, mas trazendo aí falas e e deixando a gente com ponto de interrogação pra gente pensar, né? Até que ponto a minha super proteção vai ser benéfica para a criação do meu filho. Obrigada pela sua participação, viu? Foi show. Eu que agradeço. Eu que agradeço a todos a vocês. Foi muito bom mesmo. É sempre bom a gente conversar sobre isso, né? Porque o óbvio tem que ser dito. Sempre a gente acha que, nossa, mas isso é tão óbvio, mas tem que ser dito, porque é muita informação e a gente acaba realmente se perdendo. Eh, se permitam a errar, né? Nós pais, a gente erra e tá tudo bem. A gente erra e vai aprendendo a cada dia. Eu queria deixar uma frase aqui. Posso? Por favor, vamos, vamos lá. Gente, isso é tão bom, sabe? Isso é tão gostoso. Lembrando, enquanto você vai vendo aí, quero lembrar pessoal que pode assistir no YouTube, já tá lá disponível, a gente entra ao vivo na TV, no YouTube também. E aí, se aproveita e repassa pra sua amiga, pro seu amigo, os nossos programas. Tenho certeza que eles vão adorar. Vai lá, B. É isso mesmo. Crianças super protegidas não aprendem a escolher e a liberdade sem preparo pode paralisar. Autonomia se constrói com presença, não com controle. Hum. Acho forte. Muito forte, né? Muito forte. Preciso nesse programa de hoje. Obrigada mais uma vez, tá? Obrigada a vocês. Legal, gente. É isso mesmo, né? Proteger é necessário. Super super proteger não. O equilíbrio entre o amor, limite e liberdade é o que forma adultos mais confiantes e preparados para os desafios da vida. Agradecendo você que tá aí do outro lado, agradecendo as nossas entrevistadas, nossas convidadas de hoje. E lembrando que amanhã o Estúdio Câmara, a partir das 8 da manhã ao vivo, nós temos aí um bate-papo sobre escolhas. Hum, difícil escolher, né? Quantas escolhas a gente faz por dia? Mas sobre essa escolha específica, eu pergunto para você, investir em experiências ou pensar no futuro financeiro? O que pesa mais na sua balança aí? A memória de uma boa viagem ou a segurança da conta bancária? Amanhã, a partir das 8 da manhã, eu vou te falar que vai ser delicado, porque vai ser desafiador. Conta pra gente aí. Já vai pensando e já vai anotando o WhatsApp aí pr você mandar é a sua mensagem. Você prefere fazer uma viagem ou guardar dinheiro durante um ano? Você vai guardar dinheiro para você o ano que vem entrar o ano, o ano verde, né, bonitinho, no azul, aliás, no azul com um dinheirinho guardado. Ou você prefere iniciar o próximo ano com uma memória de uma viagem magnífica. que era o sonho da sua vida. Ai ai ai. E agora faz como? A gente descobre amanhã a partir das 8 da manhã no nosso estúdio Câmara, agradecendo a sua audiência, a sua companhia. Lembrando, ao meio-dia tem Câ na notícia e a nossa programação que está impecável, feita com muito carinho, especialmente para você, tá bom? Beijo grande, fica com Deus. Obrigada aí. Valeu, super valeu mesmo as nossas convidadas. Valeu também. E amanhã a gente se fala a partir das 8 da manhã ao vivo com mais uma edição do nosso estúdio Câmara aqui na TV Câmara Campinas. Tchau, tchau. Fica bem. Cuidado, não super protege, não. Deixa atravessar a rua, deixa ir no mercado fazer uma comprinha, mas acompanhe, esteja presente. Valeu, gente. Ciao [Música] [Música] [Música]