[Música] Olá, bom dia. Seja bem-vindo. Estamos começando mais uma edição do Estúdio Câmara aqui na TV Câmara Campinas. Meio da semana, metade do ano, quarta-feira, dia 4 de junho. E vamos trazer para o programa de hoje, gente, o tema quem cuida de quem cuida. É, cuidar de alguém é um ato de amor, mas também uma jornada desafiadora. O cuidado com a ente querida adoecido, seja por uma condição física ou emocional, exige tempo, energia e muitas vezes renúncias pessoais. É uma responsabilidade que impacta diretamente a saúde física e mental de quem cuida, os chamados cuidadores. E a pergunta que precisa ser feita é: quem cuida? De quem cuida? A sobrecarga do cuidador pode levar ao esgotamento, à solidão e ao adoecimento. Por isso, é fundamental que a sociedade olhe com mais atenção para essa figura essencial no processo de cuidado. O apoio psicológico, social e até institucional é fundamental para que esse cuidador também tenha qualidade de vida. E para falar sobre esse assunto, nós já estamos recebendo dois especialistas em saúde mental aqui nos estúdios, uma psicóloga com abordagem um guiana que vai trazer uma perspectiva simbólica e profunda sobre o ato de cuidar e um psicólogo especialista em terapia cognitivo-comportamental que vai abordar os impactos mentais e comportamentais sobre os cuidadores, além de estratégias práticas de de enfrentamento e prevenção do esgotamento. Então, a gente vai falar sobre esse cuidado de quem cuida. E você participa com a gente, você já cuidou de uma pessoa? Você cuida de alguém? Já parou para pensar quem vai cuidar de você caso você necessite de cuidados? Já parou para pensar como é a vida, a rotina de quem cuida? Então, manda pra gente a sua mensagem, envia pra gente o seu depoimento, né? Nós estamos com WhatsApp na tela, tem QR Code, tem WhatsApp para você. Entra em contato com a nossa produção. 1997829377. A gente quer te ouvir também. E hoje, quarta-feira, gente, vamos atualizando as notícias porque a partir das 6 da tarde acontece a 34ª reunião ordinária no plenário da Câmara de Campinas. Entre os projetos que devem ser analisados e votados, está a primeira discussão, em primeira discussão, aliás, um projeto de lei complementar de autoria do executivo. Esse projeto propõe a doação de um terreno público localizado no bairro Nova Campinas para a Arquidiocese de Campinas. A área já abriga a atual igreja Santa Rita de Cásia e teve sua descrição atualizada. A proposta estabelece um prazo de até 5 anos para que o uso da área esteja regularizado de acordo com a finalidade religiosa, sob pena de revisão do imóvel ao município. De acordo com o executivo, essa adequação se faz necessária para refletir com precisão o espaço atualmente ocupado pela igreja. O projeto também substitui o beneficiário da doação de forma que o Bispado Campinas seja atualizado para Arquidiocese de Campinas, entidade que atualmente representa a divisão territorial da Igreja Católica no estado de São Paulo. Você pode acompanhar a reunião ordinária no plenário de forma presencial. É só você ir até o legislativo campineiro. A entrada é pela Avenida Engenheiro Roberto Mange 66, bairro Ponte Preta. Agora, se não der para ir assistir presencialmente, você pode assistir pela TV Câmara Campinas. Estamos no sinal digital 11.3, 4 da Claro e da Vivofibra e também no canal da TV Câmara Campinas no YouTube. Não esqueça, a sua presença é fundamental. E olha, o CP Procamp terá 240 vagas nos cursos técnicos gratuitos para o segundo semestre. O edital marca o período de inscrições de 9 a 22 de junho pelo site da Fumec. Ao todo, gente, são 240 vagas distribuídas entre quatro cursos, tá? Administração 120, segurança do trabalho são 60, meio ambiente 30 e química 30 30 vagas também. As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pelo site, tá? Então, fumec.sp.gov.br/cprocamp br/cprocamp no período de 9 a 22 de junho. A maioria das turmas serão disponibilizadas para as a unidade do centro, tá? com exceção do satélite IRIS, que terá cursos de administração e segurança do trabalho, e do CPOCAMP Campo Grande, que terá uma turma de administração. Importante salientar que ao final da inscrição será enviado um protocolo e senha para a consulta da classificação final, que vai ter uma divulgação aí que pode está prevista, aliás, eh do dia 2 para o dia 2 de julho, tá? Então, as inscrições são agora e a divulgação da classificação é 2 de julho. Os classificados serão convocados para a realização da matrícula de forma presencial nas unidades do CPROCAMP. As aulas têm início previsto para o dia 23 de julho e vão ocorrer em três turnos, manhã, tarde e noite. E dependendo eh do curso, você vai escolher aí o seu período, né? No processo são asseguradas 10% de vagas para pessoas com deficiência e 10% de vagas para afrodescendentes, conforme o sistema de cotas. Os cursos oferecidos pelo CProcamp são gratuitos. Para mais informações, você pode conferir o edital completo no site, né? Acessa lá fumec.spsp.gov.br/cprocamp. oportunidade, né, para você se atualizar, fazendo cursos aí que podem te levar ao mercado de trabalho e até uma mudança de profissão. Previsão do tempo, quarta-feira, tira casaco, bota casaco, você tá nessa também. É previsão para hoje, gente, é um dia ensolarado. Instabilidade se afastaram da região metropolitana de Campinas e o sol volta a aparecer entre nuvens. Olha, de acordo com a previsão, hoje ainda podemos ter chuva fraca, chuviscos, né, de forma isolada agora no período da manhã, mas à tarde e à noite, tempo firme em Campinas. A mínima foi de 15, máxima de 28º. Aproveita porque a previsão do tempo diz que lá para o final de semana, sexta, sábado e domingo, a gente já tem uma nova frente fria, combinado? Então, agora sim, a gente aborda o nosso tema, a gente apresenta os nossos convidados. Eu pergunto para você, quantas vezes você já ouviu alguém perguntar, como está o seu parente doente? Mas quantas vezes alguém parou e perguntou: "E você como está?" Cuidadores, sejam familiares ou profissionais, muitas vezes enfrentam esgotamento físico, emocional e até abandono. Hoje a gente fala sobre isso, o peso invisível do cuidado e a emergência de olhar também para quem cuida. E para esse papo necessário, profundo, a gente eh convida dois profissionais, né? Nós estamos aqui com a psicóloga especialista em eh psicologia unuiana, a Tamara Sioser. Esquoser. Esquioser. É esquioser. Gente, que nome difícil, mulher. Difícil e bonito. Tâmara, eu sabia que eu ia. Eu falei ela, olha só, vou contar antes de você falar. A gente tá ao vivo, né? E ser humano é assim mesmo. Eu eu perguntei para ela, nossa, será que eu não vou errar o seu sobrenome? Aí ela falou: "Olha, lembra de algo que você vai vai conseguir". Eu lembrei, fiz confusão. A Tâmara esquioser. Esquoser. Ah, agora sim. Então, apaga tudo. Apresento de novo. Com a gente a psicóloga especialista em psicologia Tâmara Esquer. Seja bem-vinda. Obrigada. Bom dia. Bom dia para todo mundo. Prazer. Meu nome é Tâmara, então Tâmara Esquioser. Eu sou psicóloga clínica yunguiana, trabalho com adolescentes e com adultos. E também eu sou a precursora do espaço Uber, que é um espaço multidisciplinar, onde a gente tem especialistas que trabalham com diversas áreas paraa saúde mental e também pro corpo, né? Eh, que prazer hoje conversar com vocês, conversar um pouco sobre esse tema tão importante. Apesar da gente ter falado sobre o cuidador de pessoas, né, que estão adoentadas, a gente tem vários tipos de cuidador. E que bom que a gente vai falar das mães, dos cuidadores profissionais, dos cuidadores de pessoas idosas e e abrir um pouquinho mais esse tema. Muito bem. É isso mesmo, né? a gente fala de de cuidados e aí a gente eh dá o exemplo do cuidador, mas tem sim vários tipos de cuidado. Você que tá aí em casa preparando o café da manhã, né, já preocupado o que que você vai fazer de almoço, você é uma pessoa que cuida e quem cuida de você. para debater com a gente também para completar o nosso time. Nós estamos com psicólogo, especialista em terapia cognitivo comportamental, Abelardo Bosco, que vai conversar com a gente e trazer eh à tona, né, alguns fatos e situações do dia a dia de pessoas que cuidam, mas estão e não estão sendo cuidadas, né, Abelardo? seja muito bem-vindo. Bom dia. Bom dia. Muito obrigado pelo convite. Bom dia, Rúbia, Tâmara, telespectadores. Eh, é um tema bastante importante e contemporâneo, né? Eh, nós vivemos um momento da nossa civilização em que a longevidade aumenta, eh, graças aos avanços tecnológicos da medicina, dos cuidados com o ser humano, né? Mas a pergunta é eh o quão acompanhada de qualidade de vida acontece a longevidade, né? Então, imersos, estamos em um punhado de fatores, eh, que podem prejudicar a nossa saúde, o nosso bem viver, né? A gente chama tecnicamente de fatores teratogênicos, o ar que respiramos, o que alimentamos, como nos alimentamos, nossos hábitos de vida, né? Eh, e qual que é o impacto disso? eh na nas nossas atitudes e comportamentos de cuidado, tanto pessoais quanto em relação aos outros. Imagino que esse momento, por exemplo, eh, início da manhã para os cuidadores, eh, de pessoas que demandam uma atenção especial, né, adoentados, idosos, eh eh esteja sendo um momento inclusive de eh eh grande exigência, né, final da manhã, cuidado com com vestimenta, banho, alimentação, etc e tal, né? né? Eh, sou um profissional já com mais de 30 anos de exercício, eh dentre os quais eh 1/3 deles passados nos ambulatórios e enfermarias de neurologia da do HC da Unicamp, onde eu eh me formei mestrado e doutorado em neuro em ciências biomédicas com área de concentração ação em neurologia. Então, eh, estou um pouco habituado a lidar com pessoas eh que inclusive por conta da idade eh passam a manifestar eh doenças eh degenerativas, né? Eh, como mal a de Alzheimer, dentre outras, né? Gostaríamos de conversar um pouquinho sobre isso com quem quem tiver interesse hoje. Muito bem, obrigada aos dois profissionais, né? E eu acredito que é um tema que a gente precisa falar, porque muitas vezes a gente só se preocupa com o cuidado do outro, mas a gente precisa também de nos preocupar conosco, porque uma hora você não vai mais dar conta. E aí o que vai acontecer? E olha, sim, o Brasil ele está envelhecendo e os dados mais recentes do IBGE mostram que essa tendência está se acelerando. A população com mais eh de 60 anos eh quase dobrou entre 2000 e 2023. Então, a gente já começa perguntando pra Tâmara eh por ainda é tão raro se preocupar com quem cuida. Parece que toda a atenção vai para quem está sendo cuidado e o cuidador vira pano de fundo. Qual que é o impacto disso na sua avaliação? É muito interessante quando a gente pensa no cuidador, porque todos nós um dia vamos envelhecer. E com esse envelhecimento, a primeira pergunta é: quem vai cuidar da gente quando a gente ficar velhinho? Né? Geralmente essa responsabilidade vira meio que um sorteio dentro das famílias. a gente pega ou a pessoa que tem uma rotina menos corrida, ou aquela pessoa que é mais amorosa, aquela pessoa que é mais cuidadosa. E o complicado é que a nossa cabeça, ela é uma cabeça que esquece. Então, no começo, quando a pessoa começa a ser um cuidador, todo mundo se preocupa com ela. Pensa: "Então, ah, como que tá a rotina? Você precisa de dinheiro para alguma coisa, você precisa de algum cuidado, mas em questão de alguns meses a gente esquece que aquilo é uma rotina que vai ser para sempre, né? Até a pessoa que é cuidada eh for embora, falecer ou alguma coisa assim. Então hoje o impacto é que realmente a gente enxerga mais as pessoas que são adoecidas ou as pessoas que são cuidadas do que o cuidador. E uma coisa que a gente precisa aprender é que o cuidador, como nós psicólogos também somos cuidadores, a gente precisa lembrar do nosso autoconhecimento. O que que significa isso? A gente conhecer ferramentas que vão tirar a gente daquela rotina contínua. Se a gente cuida de um idoso, por exemplo, a gente tem rotinas de médicos, de remédios, de roupas, de banho, de tratamentos. Então isso consome realmente muito tempo nosso, né? Uhum. Então, para que a gente possa não entrar nessa coisa, a gente não pode esperar que os outros enxerguem a gente, porque realmente os outros eles vão parar de enxergar o cuidador depois de um tempo. A gente vai ter que começar a enxergar a gente. A gente vai ter que começar a fazer um resgate realmente do eu para que o eu possa se cuidar. Eu gosto muito de falar que a gente não pode esquecer todas as pessoas, cuidadores, não cuidadores, a gente não pode esquecer da nossa humanidade, que minimamente pra gente estar bem, a gente precisa lembrar de dormir, a gente precisa lembrar de respirar, a gente precisa lembrar de beber água, a gente precisa lembrar de se alimentar, a gente precisa lembrar de se movimentar e sociabilizar. E isso só é possível pro cuidador se ele se lembrar que ele também é um ser humano e se ele fizer rede de apoio, né, que é uma coisa muito importante. Então, uma rede de apoio pode ser desde as pessoas que são os familiares como outras pessoas que não são os familiares, como cuidadores também eh particulares, né? Então, a gente pode, por exemplo, um dia por semana contratar uma pessoa para cuidar daquela pessoa, para que a gente possa respirar, para que a gente possa sair, para que a gente possa ir num parque, para que a gente possa dormir. Às vezes um cuidador, ele precisa apenas descansar, 8 horas de sono para retomar, como se a gente fosse um mercadinho. Imagina um mercadinho que todo mundo vai fazer compra lá. Se aquele mercadinho ele não tiver um reabastecimento, chega uma hora que não vai ter mais mercadoria. Então o cuidador, ele é um mercadinho que precisa constantemente tá repondo ali a sua carga emocional, sua carga física, sua carga intelectual e até mesmo a sua carga espiritual em diferente de religião. Espiritualidade pode ser uma conexão com a natureza, pode ser uma conexão com a religiosidade, pode ser uma reconexão com si mesmo para que aquele mercadinho sempre possa dar pro outro. A gente só dá aquilo que a gente tem. Perfeito, Tâmara. Perfeito. A gente só dá aquilo que a gente tem e aí você se preocupa tanto em cuidar. Será que o seu cuidado ele está sendo realmente aquele cuidado que você desejaria que fosse, né? Se você não está se cuidando, como que você vai conseguir cuidar de alguém? Agora, Belardo, a sua experiência clínica com eh com cuidadores, né, que você tem uma vasta experiência. Então, eh, o que mais te chama atenção no sofrimento dessas pessoas, das pessoas que cuidam? Elas sofrem, elas demonstram? Ou isso é é maquiado pela necessidade de sempre estar bem, precisar estar bem para que ela possa desempenhar a sua função, que é cuidar do outro? Olha, eh, a panorâmica que a Tâmara deu a respeito dos autocuidados, muito importante, né? E, e eu acrescentaria também que eh eh a existência de cuidadores, né, é um fenômeno psicossocial relativamente recente, né? E a definição de quem ocupa esse papel, né, pode variar muito. Em geral, eh, num primeiro momento, familiares se mobilizam, amigos, né? Eh, eventualmente no momento seguinte ocorre a necessidade de eh da participação de outras pessoas além das da família. E hoje em dia existe um mercado de eh profissionais, vamos dizer assim, amadores, né, que aprendem com a prática a cuidar, eh, e são contratados assim como se fosse um bico, né, eh, uma oportunidade eh importante, inclusive para quem precisa de trabalho, né, mas também as pessoas que têm uma formação, uma preparação, eh, especializada para cuidar eh de pessoas adoecidas, né? Eh, e vale ressaltar, inclusive que mesmo as pessoas que não tenham uma formação eh eh eh muito formal, né, no sentido de de específica para exercício da atividade, eh na internet é facilmente localizável. eh cursos gratuitos, inclusive a Fiocruz oferece o curso gratuito para formação de cuidadores, né? E há personalidades importantes na nossa cultura que escrevem a respeito disso tudo que a gente tem tá tá conversando aqui, né? eh o o que que aspectos considerar como relevantes na escolha do cuidador, né? E aí valem desde as das condições de vulnerabilidade eh da saúde, do cuidador, de quem se propõe a cuidar, né? até como aspectos eh afetivos, né, do vínculo entre o cuid entre quem recebe o cuidado e quem eh oferece o cuidado, né, de que oferece e de quem recebe, né? Eh, com frequência é comum a gente observar eh que sentimentos desconfortáveis com frequência movem os cuidadores na tentativa eh do cuidar eh diminuir, né, ou amenizar sentimentos como culpa, eh impotência, né? Eh, e que muitas vezes isso acaba conduzindo as pessoas, os cuidadores, eh, para atividades que vão além dos limites que elas poderiam suportar, né? Importante essa colocação. Isso, isso, isso é uma coisa muito interessante. Eh, eu poderia mencionar um exemplo que me ocorre agora de uma senhora que atendi no consultório já na faixa dos 50 anos. e que foi encaminhada para a psicoterapia justamente porque ela sofria de obesidade mórbida, precisava fazer uma dieta para então marcar uma cirurgia de, né, de bariátrica. Mariátrica, né? Mas ela não queria fazer a dieta porque isso implicaria em ela fazer a cirurgia bariátrica e não poder mais cuidar enquanto isso da sogra dela que sobreviveu eh por 12 anos com Alzheimer. Poxa vida. Uhum. Então, ela abriu a mão da vida dela completamente, doenças, artros, artroses, doenças metabólicas relacionadas ao sobrepeso, né? Quando finalmente a a a sogra de quem ela cuidava faleceu depois de 12 anos de cuidados intensos, né? Eh, pensei, poxa vida, chegou a oportunidade agora pra gente cuidar melhor dessa cuidadora, né? Mas ela já estava num num ponto de desgaste grande e eh afortunada e pelo infortúnio, né? Ela também tinha uma doença hereditária que acabou se manifestando precocemente após a morte da da sogra de quem ela cuidava e que levou a óbito seis meses após a morte da sogra. Poxa, então, quer dizer, eh eh embora ela tenha procurado psicoterapia, auxílio técnico, fazia esportes, atividades físicas, aprendeu a cuidar da própria alimentação, acionou recursos, inclusive a Prefeitura Municipal de Campinas dispõe de um serviço muito bacana, eh, de atendimento domiciliar, médico, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, acolhem famílias inteiras, não só a pessoa adoecida, né? Eh, isso é uma possibilidade, né? Mas eh eh ressaltando também que eh cuidar não implica só em comportamentos eh para produzir bem-estar e qualidade de vida. Implicam também em mudanças de atitudes. Perfeito. É verdade. Esse Tara, esse exemplo que o Abelardo deu agora, eh, faz a gente parar para pensar, né? até quais são os sinais que um cuidador começa a a mostrar quando tá chegando ao limite? E esse exemplo que ele passou agora pra gente, que ele deu agora pra gente, faz a gente parar pensar e analisar eh a dedicação, né, de um cuidador. E aí depois que a pessoa que estava sendo cuidada não está mais entre nós, esse cuidador ele ele deixou, ele só cuidou de outra pessoa, ele deixou de se cuidar e agora ele tem aquela sensação de que que eu tô fazendo aqui? Sim. e acaba definhando, né? Eu gostaria que você, na sua visão eh eh da da terapia em guiana eh passasse pra gente, né, a importância de estar cuidando, mas de se cuidar também e e pra gente também não não ficar, eu não sei se a palavra é correta, mas dependente de estar cuidando de alguém, porque se você cuida, cuida, cuida e aí essa pessoa depois não está mais precisando do seu cuidado, o que que você vai fazer? E tem gente que não não tem a resposta. Sim. Nossa, maravilhosa essa pergunta, Rúbia. Então, infelizmente, dentro da nossa cultura, a gente é criado para cumprir funções, né? Tanto que a nossa pergunta para as crianças sempre é: "O que você vai ser quando crescer?" E é uma função que a gente quer que ela responda, ela quer que responda: "Vai ser astronauta, você é médico, você professor." E é muito interessante que isso então fica eh entrelaçado a nossa existência, né? Ter uma função. Quando você é um cuidador, você tem uma função. A sua função é cuidar, né? E e esse cuidar ele muitas vezes ele você abdica de se casar, de terminar uma faculdade, de se profissionalizar ou às vezes você faz tudo isso, mas com uma carga emocional, um peso muito maior do que deveria. Você perguntou quais são então as coisas que começam a pontuar que ali tá demais, né? Primeiro que a gente tem realmente uma sobrecarga e a pessoa ela vai se isolando, então ela vai assumindo cada vez mais funções. Então, por exemplo, ela se sente culpada se tem uma enfermeira que vai ajudar a dar banho. Ela se sente culpada se um dia ela precisa pedir para que alguém leve no médico porque ela tem uma outra atividade. Então, a primeira coisa é que ela começa a assumir outras funções por culpa, tá? Culpa também é uma coisa que é muito arragada dentro da nossa cultura, né? Então a gente a gente tem que trabalhar constantemente sobre essa questão da impotência, que é uma uma das culpas que a gente tem, essa coisa da gente sempre achar que a gente não está fazendo o suficiente. Então começam a aparecer sintomas também físicos, né? A pessoa às vezes pode aparecer com uma alergia, um câncer, uma gastrite, uma insônia. Então começam a aparecer sintomas também físicos, né, emocionais e físicos e sociais também, porque ela começa a recusar todos os convites. Não, não posso porque eu tenho que cuidar da minha mãe, não, não posso porque meu pai tá adoecido. Ah, nunca mais conseguir viajar porque eu tenho meus pais velhinhos, né? E uma coisa muito interessante que dentro da nossa cultura também a gente aprendeu a ser cuidado. Como que é isso? A gente sempre tem ali uma figura adulta que cuida da gente quando a gente é criança, quando a gente é adolescente. E a nossa adolescência tem ficado cada vez maior, né? Então assim, a gente vai até os 25 anos, 30 anos, 40 anos, 50 anos morando na casa dos nossos pais ou convivendo com a rotina muito muito próxima. E uma coisa que ajuda muito os cuidadores é quando a gente aprende a ser os nossos próprios pais. Como que é isso? Eh, a gente em algum nível, a gente precisa descobrir esse lugar dentro de nós, que quem vai nos acolher somos nós. Quem vai encontrar ferramentas para lidar com as nossas dificuldades somos nós. Quem vai ter que se justificar e se responsabilizar pelas nossas ações também somos nós. Então, olha como pega. A gente tem a cultura da culpa e ao mesmo tempo a gente precisa aprender a ser pais de nós mesmos. O que pode fazer com que a gente se sinta ainda mais culpado, ou por est priorizando nós e se sentir egoísta, ou porque nós não estamos conseguindo fazer isso e se sentir culpado porque deveria estar fazendo. Então é uma linha muito tênue realmente dos sintomas que aparecem, né? Eh, como que a gente consegue identificar? É muito claro. Se assim você pede ajuda, ninguém te ajuda, você tá sobrecarregado. Começou a adoecer, começou a aparecer sintomas, você tá sobrecarregado. É muito engraçado porque cuidadores muitas vezes têm doenças de autoexecutivos pelo nível de estress e carga emocional, eh eles acabam adoecendo como pessoas que estão em empresas tendo que fazer responsabilidades com performance, com todas essas coisas. Então é muito difícil realmente, né? Então, quando começam a aparecer, aliás, nós deveríamos parar antes de começar a aparecer esses sintomas, né? Eu gosto de lembrar sempre como funciona um metrô, um trem. Ele tem aquela faixinha amarela que a gente precisa ficar antes da faixinha amarela para ficar protegido. Se a gente fica depois da faixinha de amarela, não significa necessariamente que a gente vai cair no trilho do trem, mas pode acontecer de o trem sugar a gente quando ele passar, né, o vácuo. Então, o ideal é que quando a gente começa a se tornar um cuidador, que a gente já possa fazer uma rede de apoio para que possa. E uma rede de apoio não necessariamente precisa ser uma pessoa que vai cuidar da pessoa que a gente tá cuidando, tá? Pode ser um amigo que a gente vai para chorar nossas pitangas, um amigo que a gente pode conversar. Eu gosto de dizer que a gente sempre tem que ter três tipos de pessoas quando a gente é um cuidador. A gente precisa ter uma pessoa que é do coração, que é aquela pessoa que a gente vai para conversar sobre as nossas dores mesmo, né? uma pessoa estratégica, então é aquela pessoa que vai nos ajudar com rotina mesmo. Então assim, hoje não consigo levar essa pessoa no hospital, você pode me ajudar? Posso. E um que são umas as pessoas do rolê, aquelas pessoas que vão trazer uma nuance paraa nossa vida que a gente não precisa pensar, que a gente vai esquecer um pouco daquele peso que a gente tem no dia a dia, né? Então nossa rede de apoio, ela precisa ter pessoas nesses três níveis. uma pessoa que vai cuidar das nossas emoções, que pode de novo, ser um psicólogo, por exemplo, ou pode ser um amigo. A gente vai precisar, não que não que eles façam as mesmas funções, tá? Mas eles vão ter aquele acolhimento do nosso coração, a p as pessoas estratégicas que vão nos ajudar com a rotina de quem tá sendo cuidado e as pessoas que vão tirar a nossa cabecinha daquele problema diário, tá? Infelizmente a gente não pensa muito sobre isso, então a gente acaba levando a carga sozinho e adoecendo. Mas se a gente puder pensar nesses três tipos de pessoas dentro da nossa vida, a gente consegue dar uma fugidinha dos nossos problemas, a gente consegue olhar pra gente, a gente consegue, hoje em dia a gente quando fala de cuidado também a gente pensa, né, em academia, salão de beleza e outras coisas. E como eu disse, às vezes a gente pode querer dormir. Sim, exatamente. Então, se você tiver alguém que vai cuidar da pessoa que você tá cuidando para você dormir meia horinha, às vezes aquela meia horinha ela é restauradora. Ou se a pessoa vai levar no médico e naquele dia você consegue você ir na sua consulta, é restaurador. Então é muito importante a rede de apoio para dar esse suporte, não só emocional, emocional e físico, né? Eh, para que a gente não tenha esse problema sobre sintomas, aparecer os sintomas, correr para pedir ajuda. Essa é é a coisa que a gente precisa fazer. São sintomas físicos, vamos no médico fazer um checkup geral. São sintomas emocionais, vamos no psicólogo, no psiquiatra. são sintomas não identificados, então vamos fazer uma batelada de exames. Mas é importante que a gente se cuida, porque o adoecimento ele começa primeiro dentro das emoções, vai pro físico, depois se torna crônico ou às vezes, aliás, muitas vezes o cuidador morre antes da pessoa que tá sendo cuidada. Nossa, que forte, que forte essa sua fala, né? Porque você, o cuidador, ele se dedica tanto e ele tem essa renúncia eh não elaborada, né? Porque ele não elaborou, ele só vai, ele só vai, né? Então, quando você vê, você renunciou a tudo e essa renúncia gera uma culpa e a culpa gera tristeza e a tristeza você vai maquiando ela porque você precisa cuidar, cuidar, cuidar. Chega uma hora que, infelizmente você não consegue mais, né? Então, a gente precisa entender aí os sinais de quando um cuidador tá chegando no seu limite. A Tâmara explicou muito bem, né? E a gente fala que quando a gente fala de cuidador, nós estamos aqui colocando o cuidador de pessoas, né, que que estão em um leito, mas a gente precisa lembrar que eu posso ser uma cuidadora, você pode ser um cuidador, a gente cuida, a nossa cultura é de cuidado, né? A nossa cultura é de cuidado e nós cuidamos de tudo e de todos o tempo todo, se a gente for parar para analisar. Sim. Então, é por isso que a gente precisa de olhar para nós mesmos e primeiro ter o nosso autocuidado. Sim, para depois a gente poder cuidar isso. Ô, Rubi, tem uma coisa muito interessante que quando nós somos cuidadores, a gente sempre fica esperando que o outro enxergue que a gente precisa de cuidado. E como eu falei lá no começo, a gente as pessoas esquecem, tá? Eh, então quando a gente é um cuidador, a gente tem que se lembrar que o movimento muitas vezes vai ter que ser nosso. Uhum. A gente vai precisar ligar para aquele amigo que fala com a gente, que conversa com a gente. A gente vai ter que que ligar para as pessoas, falar: "Gente, ó, vamos fazer uma jantinha aqui na minha casa, vocês trazem os pratinhos, eu tô aqui a casa". E e eu sei que é desgastante pensando que a nossa carga emocional já tá toda voltada pro para pro pros cuidados da outra pessoa, né? Mas daí eu acho que esse é esse movimento da gente ser pai e mãe da gente mesmo, a gente correr atrás das nossas necessidades também. E a gente vai levar muitos nãos, tá? A gente vai levar muitos nãos, mas existem 8 bilhões de pessoas no mundo, então, tipo, a gente também vai encontrar muitos sins pelo caminho, né? Então, a gente tem que se lembrar realmente de que apesar da gente tá fragilizado, apesar da gente precisar ser olhado, a gente vai precisar se fazer ser visto e com clareza, porque se se eu só disser assim: "Ai, nossa, tô tão cansada, o outro não vai saber o que que eu preciso". Às vezes eu tô tão cansada e eu preciso dormir. Às vezes não, eu preciso encontrar os amigos. Às vezes eu preciso eh desconectar, então eu preciso ser muito caro. Nossa, estou tão cansada, queria tanto que você viesse conversar comigo hoje. Ai, eu estou tão cansada, queria tanto comer um pastel, vamos comer um pastel junto. Então, a gente precisa ser muito clara sobre o tipo de cansaço que a gente tá, o tipo de sobrecarga e o que especificamente a gente precisa, tá? E se a gente pensar que a gente é um bom cuidador, a gente vai saber o que a gente precisa também, que a gente sabe o que o outro precisa. A gente sabe que o outro precisa de remédio, que o outro precisa de descanso. Então, a gente pode fazer esse mesmo olhar pra gente, para que a gente possa lá no mundo buscar o que a gente precisa mesmo, tá? Muito bom, né? Dois profissionais aqui na psicologia e trazendo pra gente alguns pontos em que a gente precisa se atentar, né? Virar a chavinha. Quem é que cuida de você? Você precisa se cuidar. Olha só, 8:41. A produção tá avisando que nós temos algumas perguntas. Então, eh, Tâmara e, eh, Abelardo, nós vamos responder alguns dos nossos telespectadores e aí, assim, a gente faz um pingpong. Um, um, o Abelardo responde uma, a Tâmara responde outra, combinado? Então, vamos lá. Você que tá com a gente, muito bom dia, obrigada pela sua audiência e pela sua companhia. Estúdio Câmara ao vivo aqui na TV Câmara Campinas. Nós estamos falando de quem cuida, de quem cuida, com dois profissionais, dois psicólogos que agora começam a responder, você que tá aí do outro lado mandando pergunta pra gente. WhatsApp tá na tela, tá? Pode mandar. O Vinícius Nova Campinas. Cuidadores informais e profissionais enfrentam os mesmos riscos emocionais ou o impacto psicológico é diferente? Vamos lá, Belar. Ótima pergunta. É, eh, acho que não há diferença, né? Eh, primeiro lugar, acho que eh é relevante eh eh discernir que eh dificuldades muitas vezes são derivadas de ignorância, de desconhecimento, de desinformação, né? Então, buscar informações a respeito de como cuidar, que inclui eh eh uso de equipamentos e materiais eh mais apropriados para para pro caso que você tá cuidando para que vá beneficiar a pessoa e vá facilitar a sua vida também, né? Esse caso que eu acabei de mencionar aqui agora a pouco da senhora que faleceu logo após a a pessoa de quem ela cuidava morrer também, né? Eh, imagine só que ela tinha um cuidado eh eh tão tão eh um zelo tão extremado no cuidar da sogra que ela nem aceitava que a cunhada e outros parentes e sequer higienizassem uma o material de de de que a que a pessoa ia usar para se alimentar, né? Eh, então lavar lavar o o catéter que vai levar a comida, né, alimentação eh nunca estava boa o suficiente, né? Então, o nível de exigência muito grande. Ah, ela precisa, para, minha sogra precisa de maior suprimento de colágeno. Bom, eu vou na Solg e vou comprar uns 2 kg de pé de galinha. Vou cozinhar, derreter, tirar o tutano, colocar em copinhos de café, botar na geladeira para todo dia acrescentar um pouquinho na alimentação. E veja que que que é é quase uma linha de produção de cuidados, né, que uma pessoa só executa, né? E tudo isso, eh, não me não me não me lembro o nome do nosso da pessoa que fez a pergunta, né, se há diferença. É o Vinícius Nova Campinas. Ó lá, ele pergunta se cuidadores informais profissionais enfrentam os mesmos emocionais. É muito, né, Vinícius? Uma coisa que a gente deve estar atento são os danos colaterais, né? Isso serve para profissional, isso serve para familiar, para quem faz bico. E dentre eles, o que a Tâmara muito bem lembrou aqui, né? Eh, as doenças relacionadas ao estresse, né? Uhum. O estresse eh, eh, trocando em miúdos é uma, eh, são reações emocionais naturais do nosso organismo que nos preparam eh para lidar com ameaças, né, com aquilo que percebemos como eventos ameaçadores, né? Isso é bom. Eh, tem o bom estresse, né, que a gente chama de strress, que nos mobiliza para cuidar, para realizar alguma coisa com sucesso. E por outro lado, a gente também tem o distresse, que é o mau estresse, aquilo que vai ser eh acabar produzindo no organismo desde sintom sinais e sintomas psicológicos ou psiquiátricos, né? eh como transtornos de ansiedade variados, transtornos de humor como depressão, fadiga extrema, como a Tâmara mencionou aqui, doença de executivo pode acontecer em cuidador, acontece, né? A gente tem a síndrome de burnout, que é conhecida inclusive como síndrome do cuidador para esses casos hoje em dia, né? as pessoas desenvolvem uma sintomatologia que as colocam em escanteio, né? E quem ocupará eh o o lugar da pessoa que se esmerou tanto em cuidar, mas não eh se esmerou em preparar alguém que fosse um colaborador e trabalhasse em conjunto como uma equipe, né, para pra pessoa que cuida. Perfeito. Perfeito, Belardo. Perfeito. 8:46. Nós estamos aqui falando de cuidados, né? Quem cuida de quem cuida e o pessoal de casa participando com a gente. Muito bom saber que você tá aí do outro lado, viu? Completando a nossa missão de informar. Pode colocar mais uma pergunta, produção? Vamos lá. Vamos lá. Quem tá com a gente? A Suelen do Jardim Santa Cândida. Como a sobrecarga emocional do cuidador pode impactar negativamente o cuidado oferecido ao paciente? Tâmara, bem importante essa pergunta, porque você tá sobrecarregado e você precisa cuidar. E aí, será que o seu cuidado está sendo da forma que ele precisa ser feito? Excelente, Suelen. Boa pergunta, né? Então, a pergunta, eh, o que acontece? A gente só dá mesmo que a gente tem. Então, se a gente esver cansado, estressado, a gente não vai ter tanta paciência com a pessoa que a gente tá cuidando. A gente não vai conseguir ter muita atenção. Se a gente tiver com sono, se a gente tiver, né, com algum tipo de dificuldade emocional ou física, a gente não vai conseguir realmente oferecer o melhor dos cuidados para essa pessoa. Por isso que é muito importante a gente intercalar, né, entre cuidar da pessoa e cuidar de nós mesmos. Uma coisa que pode nos ajudar nesse nessa questão é o cuidador ter algum tipo de hobby, tá? Por quê? Porque às vezes a gente não consegue sair de casa, então a gente pode escolher um hobby em casa se ela gosta de fazer bolo. Então a gente tirar alguns momentos do da vida para fazer bolo, para ficar bem, para se realinhar novamente, para poder oferecer aquele cuidado pra pessoa. Ah, atualmente tem aquela, nós estamos na cultura de pintura de desenhos, né, os Bobby Goods e outras outros desenhos. Essa é muito interessante porque pode ser uma atividade que o cuidador pode fazer e que ele também pode oferecer pro seu cuidado, né? Então, ah, a gente pode escolher atividades que vão tirar um pouco da carga emocional e do peso do cuidador para que ele esteja leve e bem, para que ele possa oferecer isso também, né, como cuidado. Então, impacta totalmente. Se a gente está bem, a gente consegue cuidar bem do outro. Se a gente não está bem, a gente só consegue cuidar não bem do outro. Perfeito. Agora, uma pergunta minha, mas que eu acredito que isso muita gente tem curiosidade, né? Eh, a gente fala aqui muito sobre saúde mental, nosso programa é um programa sobre comportamento e a gente traz aqui especialistas. Então, a gente trabalha com eh neuropsicólogos, eh psicólogos, eh eh várias pessoas que trabalham com a saúde mental. E vocês como que você, porque vocês são cuidadores. Uhum. Quem cuida de vocês? Adoro essa pergunta. É uma curiosidade minha e de muita gente. Quem é que cuida de vocês? Primeira coisa que por questões éticas todo psicólogo ele deve fazer terapia, tá? Por quê? Imagina que a gente trabalha 24 horas ouvindo e acolhendo problemas. Sim. E a gente não pode misturar isso com os nossos problemas também. Então, é importante que a gente tenha um psicólogo que cuide de nós. Como nós somos seres humanos, nós precisamos também ter hobbies, nós precisamos também termos tempo de descanso. Nós precisamos fazer uma agenda de forma que a gente tenha um tempo para ter a vida particular e um tempo para ter a vida de trabalho, né? Mas se você perguntar especificamente para mim, eu gosto muito de eh conversar. Então eu tenho um clã de amigos que são esses amigos que a gente se acessa, nem sempre, todos os meses, todas as semanas, mas que a gente se acessa para se encontrar, para conversar. Uhum. Porque isso é uma forma que me regula. Então, eh, todo psicólogo, ele tem que ter o psicólogo, pode também fazer tratamentos com psiquiatra, que são tratamentos com remédios, né? Mas é muito importante que ele saiba o que regula. Tem pessoas que se regulam, por exemplo, com os esportes. O que que seria se regular? Tá bom? É a gente conseguir eh preservar o nosso ambiente interno sem misturar com o externo, tá? Nossa. Então, cada um tem um jeito de se regular. Ol, menina. E o que te regula, Belardo? É, o negócio é é tenso, porque assim, vocês estão o tempo todo trabalhando com pessoas e com pessoas que vem e traz uma carga muito grande para vocês e vocês são cuidadores. E aí, como é que faz para se regular? O que que te regula? Bom, acho que o que nos o que nos teoricamente seria bom que na prática todos os colegas profissionais também tivessem, né, fosse informação para cuidados preventivos, né? Uhum. Então, acho que a prevenção é algo que a gente como cuidador, né, profissional, a gente tem mais consciência, talvez, né? Então, a gente busca além de de cuidados técnicos, né, psicoterapeuta que nos oriente eh a a distinguir nossos sentimentos no nosso trabalho e nos orientar a condução técnica de cada caso, né, também ter eh cuidados preventivos afetivos conosco, né? Então, eh eh o que de melhor eu posso dar para mim mesmo, né? O que que é desejável eh que eu me ofereça? Cada um terá uma resposta, não é? Eh, particularmente, no meu caso, eu gosto de esportes e tem uma cachorra que eu amo cuidar, né? Então esse é um cuidado que tem um retorno, né, afetivo importante, né, estabelecer vínculos afetivos é uma medida de autorreeneração, inclusive, né? Muito bom, gente, muito bom. É importante a fala de vocês porque a gente tá falando de pessoas que cuidam e vocês são pessoas que cuidam e aí eh vem aquela aquela pergunta, aquela curiosidade: "Poxa vida, vocês cuidam tanto, né? E quem cuida de vocês, na verdade vocês se cuidam, né? E vocês eh buscam aí mecanismos para que esse momento de autocuidado seja satisfatório e regenerativo. Acho isso muito importante e que fique como exemplo para mim, para você, que nós precisamos nos cuidar, né? A gente precisa dar ali um um "io bem, né? Eu tô aqui." Então, se cuidar, né? Se olha no espelho e se cuida. 8:53. Eu acho que dá tempo para mais duas. É isso, produção? Mais duas perguntas. Então, então vamos lá. Eh, pode mandar pra gente, por favor. O Marcelo do Taquaral. A síndrome de burnout pode atingir cuidadores informais, mesmo que eles não tenham vínculo empregatício. Ah, mas olha, eu vou falar um negócio para você. Independente de ter vínculo ou não ter vínculo, pega, né? Pega, né, Belard? É uma epidemia, né? O burnout, né? né? A síndrome do burnout é uma epidemia contemporânea, né? Eh, muitas pessoas são eh desligadas eh formalmente ou se autodesligam das atividades, né? Aquela história de, nossa, como eu gostaria de eh ter uma eh vou largar tudo isso daqui e vou vender picolé na praia, né? Sim. É o que mais a gente ouve por aí, né? fantasias dessa natureza, né? Eh, mas o burnout é uma coisa séria, é um é eh eh é uma uma patologia ligada a um estresse extremo, né, que produz vários quadros disfuncionais cognitivos, eh afetivos, eh eh psicossociais também, né? Então você encontrará cuidadores que eh nos seus momentos livres, quando eles conseguem constituí-los, né, eh não tem sequer a menor ideia do que fazer com eles com esses momentos livres, né? Exato. Então acho que eh eh ter criatividade, né? o eh eh a a o abalo na criatividade que permite a pessoa variar o comportamento, buscando alternativas para cuidar de si próprio. Estamos falando dos cuidadores, né? Deve ser um exercício eh contínuo, né? Eh prevenirá burnout e outros transtornos relacionados ao estresse. Muito bem. 8:56. Dá tempo para mais uma e depois a gente já vai pras considerações finais, né? Então vamos lá. Pode colocar a produção pra gente. Quem é que está conosco? Deixa eu me ver. Existe algum indicador usado na psicologia para medir o nível de exaustão, estress cuidador? Juliana, a Juliana da Vila Industrial, bom dia para você, obrigada pela sua participação. E aí, existe, eh, Tâmara, esse indicador que pode ser usado na psicologia, na psicologia para medir o nível de estress e exaustão desse cuidador? Sim, hoje, na verdade, existem muitos testes psicológicos, tá, que podem ser aplicados para isso, mas a gente também pode fazer aquela aquela medição nossa, né? Hum. Então, ah, antes da gente buscar um teste psicológico, a gente pode avaliar como que a gente tá. Se hoje, eh, nós somos feitos de quatro coisas basicamente. A gente tem o nosso intelecto, a gente tem as nossas emoções, a gente tem o nosso corpo físico e a gente tem aqui o que está fora de nós, né? Então, a gente precisa sempre verificar como tão esses quatro setores dentro da nossa vida. Se você já não consegue mais pensar, se você já não consegue mais prestar atenção nas coisas, se você não consegue mais se dedicar a alguma atividade, ali a gente já tem um um indício que o estress tá alto. Se as nossas emoções elas estão mais paraas emoções negativas do que as emoções positivas, ou pior, a gente já nem sabe mais o que a gente sente. Ali tem um indício também que tem um alto índice de estress. começou a ter coceira, começou a ter eh eh alergias, contágio de pele, qualquer tipo de doença que pegue a nossa parte física, gripes, eh ali já tem também um indício de que pode estar um alto nível de estresse. Não quero mais me comunicar com as pessoas, não quero mais fazer as coisas que eu fazia, não quero mais nos lugares que eu ia. Ali também tem um indício que tem um alto nível de stress. Então, a gente não necessariamente precisa do teste psicológico para dizer, estamos muito acima do nível de stress, porque realmente a as marcas, né, os símbolos, eles vão aparecendo no corpo ou na vida emocional. Então, a gente precisa estar muito atento, né? Uma coisa que é importante é que a gente tem que lembrar que saúde ela não é curar doença. Saúde é a gente não adoecer. Então, a gente precisa estar atento porque é a linha do trem. Se a gente já ultrapassou, é a hora de voltar. Mas se a gente não ultrapassou, é bom a gente ficar ali. Maravilha. Olha só quanto conhecimento a gente ganha, né? Eh, em uma hora de programa, segunda a sexta aqui estúdio Câmara trazendo especialistas pra gente falar de situações que acontecem no nosso dia a dia, às vezes na minha casa, na sua casa. E aí você não tem oportunidade de conversar, de abordar esse assunto. E aqui esse é o propósito do nosso estúdio Câmara. E a gente fica tão feliz porque a gente consegue lançar uma sementinha, né? A gente consegue, de repente, fazer com que alguém que tá aí do outro lado possa virar a chave e começar fazer uma autoanálise e no caso de hoje ter um autocuidado, né? começar a a pensar em você com mais carinho, claro, se dedicar sim àquela pessoa que tá do seu lado, aquela pessoa que você precisa cuidar, né? Independente se a pessoa está doente, acamada ou não, se é eh eh um filho, um esposo, todo mundo cuida o tempo todo. Mas até que ponto você precisa se dedicar a esse cuidado, né? Você precisa cuidar de você também. a gente transborda daquilo que a gente está cheio. Então, se a gente está cheio de amor, de tranquilidade e isso a gente consegue passar pro outro, então a gente precisa cuidar sim de nós mesmos, né? Importante a gente lembrar disso todos os dias. A gente já vai para as considerações finais. Eu quero agradecer primeiro você que tá aí do outro lado, que eh mandou a sua pergunta. Se não deu tempo da gente responder, fica tranquilo, porque no decorrer da programação da TV Câmara Campinas, todos os dias a gente coloca os nossos entrevistados respondendo a sua pergunta, porque essa galera aqui fica para responder depois a sua pergunta, eles gravam a resposta e a gente vai passando aí no decorrer da programação da TV Câmara Campinas. Então, a gente agradece muito a sua participação, tá bom? você é muito importante e ajuda a gente completar a missão. Agora, importante também são essas pessoas que dividem com a gente esse conhecimento, né, tão tão maravilhoso que trocam experiências. Eu quero agradecer, Tâmara, muito obrigada pela sua participação, obrigada por compartilhar conosco e por estar aqui tão cedinho que a gente sabe que é desafiador, né? E eu fico feliz que vocês estão aqui com a gente. Então, obrigada mais uma vez. Obrigada também pelo convite, muito gostoso estar aqui com vocês. Então, fazendo um fechamento, a dica que eu tenho para dar para todos os cuidadores é: tudo deve ser feito com equilíbrio. Então, se você tá se cuidando demais e não pensando no outro, é excesso. Se você tá cuidando demais do outro e não tá se cuidando, é excesso. Então, tudo deve ser feito com equilíbrio. Sempre pensar que a gente só dá aquilo que a gente tem. Se você não tá se cuidando, não tem como você cuidar do outro. Muito bem. Olha só, gente, quanta informação. Eu fico ouvindo vocês falarem, eh, e a câmera mostra só vocês. Ainda bem, porque senão eu fico assim, ó, de boca aberta, né, e aprendendo todos os dias. Isso é maravilhoso. Abelardo, obrigada pela sua participação, por compartilhar com a gente eh conhecimento, né, experiência. a gente fica muito feliz com isso. Gratidão. É uma satisfação poder compartilhar eh o que a gente tenta produzir de melhor para fazer a nossa existência valer a pena, né? Eh, essa dica também eu passo pros cuidadores. E aproveitando a dica que você deu, muito apropriada, né, de que nós somos semeadores, né, jogamos sementinhas que vão germinar, florescer, eh, e, e, e, e, e, e, e nos fazer, eh, eh, sobreviver da melhor maneira possível. Eh, quem gostar de ter mais dicas sobre saúde mental e análise do comportamento, eu gostaria de convidá-los para visitar a minha página profissional no Instagram, que é @abelardopsicólogo, e também tem o meu site pessoal, www. eh,
[email protected]. Hum. Se quiserem podemos manter contato através desses canais também. Será um prazer. Muito obrigado pela audiência de todos vocês. Maravilha. É, eu segui você. Já tô seguindo você também. Tâmara pode deixar seu ar também aí pro pessoal. Legal. O meu então é @ubar220 e @tamara. Eh, esquiozer é shi, tá? para para as pessoas saberem como escreve também, tá? Vai ser muito bom vocês nos seguirem, né? E eu estou à disposição também, caso queiram conversar. Gente, vou dar uma super dica para vocês. Sigam, tá? Acessem lá, sigam, porque é muito importante. Eh, eles postam conteúdos diários e e conteúdos assim que são eh primordiais, sabe? assim, quando é é coisa de conhecimento, sabe, para você levar pra vida, pro seu dia. Às vezes você tá ali, de repente vem um vídeo, você fala: "Nossa, era isso que eu precisava ouvir". É muito bom, é bom demais a gente contar com esses profissionais e que compartilham com a gente todos os dias aqui no estúdio Câmara. Eu quero agradecer a sua audiência, a sua companhia, a nossa equipe. Ninguém faz nada sozinho, né? Tem uma galera que trabalha para esse programa acontecer e para todos os programas da TV Câmara Campinas, né? todo o pessoal da produção ou jornalistas, o pessoal da técnica, eh, tem uma turma nota 10 que faz acontecer. Então, essas pessoas que estão aí do outro lado cuidam da gente, que tá aqui, né, na linha de frente, mas eles cuidam da gente, que a gente tá tentando cuidar de você aí do outro lado também que tá em casa, passando informações preciosas para você levar pro dia. Você tá vendo que é uma roda, né? Uma coisa puxa a outra. Então, gratidão aí a toda a nossa equipe, a você do outro lado e hoje a gente falou de quem dedica a vida a cuidar dos outros, profissionais de saúde, cuidadores, eh professores, mães, pais, familiares, gente que carrega o mundo nas costas com amor, mas muitas vezes se esquece de olhar para si. Precisa, tá? Dá uma olhadinha para você, porque você é importante. Obrigada aos nossos profissionais maravilhosos que compartilharam conosco. E amanhã, gente, nós temos mais estúdio câmara a partir das 8 da manhã ao vivo, né? E a gente vai falar sobre o impacto de um nome. Uhum. Você já parou para pensar o impacto que um nome pode ter na vida de uma pessoa? Alguns nomes diferentes, raros ou com sonoridade em comum podem virar alvo de piadas e apelidos cruéis. Já parou para pensar? Eu particularmente quando era criança não gostava do meu nome não. Só vim gostar do meu nome quando eu participei de um time de voleibol e eu comecei a ouvir o meu nome de uma forma diferente. E é por isso que eu comecei a gostar do meu nome, especialmente na infância, na adolescência. tem essa pressão por conta de o nome ser diferente. Então, amanhã a gente vai conversar sobre a influência dos nomes na formação da identidade, autoestima e convivência social. Será que certos nomes expõe mais ao bullying? E como lidar com essa situação? Vamos conversar com psicólogos e aí você já sabe, né? você vai estar com a gente, vai mandar a sua mensagem e participar conosco em mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Eu agradeço a sua audiência, a sua participação. A gente entrega então o nosso programa de hoje, feliz da vida porque conseguimos semear, lançar mais uma sementinha para você que tá aí do outro lado. Valeu, gente. Agradecendo aos nossos nossos eh convidados mais uma vez pela participação. A você aí de casa, muito obrigada. Fiquem com Deus. Aproveitem a programação da TV Câmara Campinas que tá a nota 10. Como sempre tem jornal Câmara Notícia a partir do meio-dia com informações do legislativo campineiro e de toda a nossa metrópole. Às 18:06 da tarde tem a nossa reunião ordinária. Você é convidado especial. Então participe com a gente, fique ligado. TV Câmara Campinas. Amanhã tem mais estúdio Câmara a partir das 8 da manhã. Valeu. Tchau. Tchau. [Música] [Música] [Música]