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[Música] Olá, Muito bom dia para você. Seja bem-vindo. TV Câmara Campinas. Estamos começando o nosso estúdio Câmara nesta segunda-feira, 7 de julho. E o tema do estúdio Câmara de hoje é: Quando o filho vira paz dos pais e os papéis se invertem, né? Isso a gente fala na saúde física e também na saúde mental. Como é que a gente deve agir para nos ajudar com o programa de hoje? Já estamos recebendo os nossos convidados aqui no estúdio e daqui a pouquinho a gente inicia a nossa conversa. Enquanto isso, você manda pra gente a sua mensagem, né, o seu depoimento, a sua dúvida. Nosso WhatsApp está na tela para você. Manda aí. Nossa produção está apostos 1997829377. Diga pra gente, você está preparado para cuidar ou para ser cuidado? Enquanto você manda as suas as suas perguntas, nós vamos atualizar algumas informações. A Câmara Municipal de Campinas atualizou a área de receitas e despesas do portal da transparência. Gente, essa atualização tem o objetivo de ampliar o acesso à informação pública e também facilitar a navegação dos cidadãos. A iniciativa foi realizada em parceria com a Prefeitura de Campinas por meio da IMA Informática dos municípios associados e também contou com o desenvolvimento técnico da Diretoria de Tecnologia de Informação e Telecomunicação da Câmara. Entre as principais melhorias está a automatização dos dados que agora são atualizados diariamente por meio de integração com os sistemas da prefeitura. Com isso, qualquer cidadão pode acessar relatórios atualizados sobre movimentações financeiras do legislativo. A nova versão do portal também traz avanços na navegabilidade com novos filtros e mecanismos de buscas que tornam mais simples e intuitiva a consulta às receitas e despesas públicas. A Câmara Municipal já havia sido reconhecida nacionalmente pela sua transparência. Em 2024 obteve a nota 95,18% no Programa Nacional de Transparência Pública, conquistando o selo diamante, a mais alta classificação do programa. Essa atualização faz parte de um conjunto de aprimoramentos do legislativo para atender integralmente os critérios do Programa Nacional de Transparência Pública. Muito bem, mais uma informação chegando para você. O Centro de Convivência Cultural de Campinas terá acesso livre para a população campineira. Após o lançamento oficial, o espaço já estará aberto, então, todos os dias, das 8 da manhã às 7 da noite, marcando uma etapa da reconstrução do complexo que foi finalizada nesta sexta-feira, né, a implantação de novos gradiis de proteção. Após 7 dias de trabalho, o objetivo do cercamento é evitar que a praça volte a sofrer com fogueiras sobre o piso, pichações, uso de entorpescentes e abandono. O cronograma de reabertura de e funcionamento será divulgado nos próximos dias. Após o lançamento oficial, a programação detalhada vai orientar o público sobre horários de atendimento, eventos e serviços disponíveis, garantindo a organização e acolhimento na retomada plena do complexo. Muito boa notícia. Agora vamos com a previsão do tempo para esta semana. Para quem está se programando aí para sair de casa, né? Previsão do tempo hoje tá boa. É, segunda-feira já tem um solzinho lá no céu, né? O céu tá azul, alguns lugares entre nuvens, mas hoje a previsão diz que foi de mínima 10º e a máxima poderemos chegar aos 24º. Então, céu azul entre nuvens e um dia bem gostoso aqui na metrópole. Agora sim, nós vamos ao nosso tema central. Vamos falar sobre cuidados com o avanço da idade. Crescem também os casos de doenças neurodegenerativas, como a demência. E aí quando um pai ou uma mãe se torna totalmente dependente, a vida dos filhos muda, né? E nem sempre a gente está pronto para isso. A gente sabe que cuidar exige mais do que uma rotina e paciência. Tem toda uma estrutura emocional, tem tempo, tem escuta e muitas vezes um recomeço, né? E como lidar com tudo isso? Para esse bate-papo tão necessário, eu recebo aqui no estúdio dois convidados muito especiais. A psicoterapeuta Luciana Souza, ela trabalha com foco em vínculos familiares, envelhecimento com dignidade. Seja muito bem-vinda. Bom dia para você. Satisfação recebê-la. Bom dia, Rúbia. Bom dia, Fernando. Bom dia a todos que estão nos assistindo. Bom dia. É uma alegria. Agradeço esse convite, especialmente nessa manhã que eu cheguei aqui geladinha, né? E a gente vim aqui conversar sobre cuidados, né? Cuidar é uma expressão de amor e sobretudo amor aos nossos pais. Então, muito obrigada por essa oportunidade. Acho que vai ser um um horário bem gostoso de uma conversa muito proveitosa. Ai, eu tenho certeza. Olha só, a gente tá recebendo também, além da Luciana, o médico generalista com foco em saúde mental, Fernando, né? O Dr. Fernando, seja muito bem-vindo. Obrigada pela sua participação. Satisfação em recebê-lo. Muito obrigado pela primeira vez aqui no programa. Agradeço o convite. Tive já o prazer de conversar um pouco lá com a Luciana e realmente falar sobre o cuidado com os nossos pais que deram pra gente o nosso maior dom, que é a vida, né? Eles não deram a vida e aí a gente tem a oportunidade de devolver para eles todo o cuidado, carinho que eles foram dando pra gente. É verdade, né? E às vezes esse cuidado e esse carinho a gente precisa aprender a fazer. Os pais eles têm um cuidado e um carinho automático. Mas e aí quando a gente precisa retribuir esse cuidado e esse carinho? Quando um filho adulto assume responsabilidades que seriam naturalmente dos pais, a gente tá diante de uma inversão de papéis conhecida como parentificação, né? Isso pode acontecer em vários motivos. Uma doença degenerativa, um acidente que incapacita, problemas psicológicos, dependência e até fragilidades financeiras, né? Então, assim, tudo isso gera um impacto. E aí eu pergunto pra Luciana, eh, como que faz, né? Como que a gente, que que acontece quando a gente precisa colher essa inversão de papéis? A gente tá preparado para isso? Porque pode acontecer em qualquer momento da vida, não só pela doença, né, Luciana? Sim, sim. Eu acho interessante você tocar nessa nessa questão da inversão de papéis, eh, no que me toca, né, profissionalmente, que é a terapia sistêmica. Bert Hellinger, que foi um psicoterapeuta alemão, que criou a metodologia da constelação familiar. Ele fala um tanto sobre a hierarquia, né? Isso é tão importante a gente ter eh em nossa alma muito sedimentada, né? Eh, obviamente os pais vieram antes dos filhos, né? Os pais individualmente, depois os pais como casal e depois os filhos. E essa ordem, ela precisa acontecer, precisa ser respeitada. Eh, esse momento em que os pais ou envelem ou adoecem e precisam do cuidado desses filhos, é importante que esses filhos eh se debruçem nesse cuidado lembrando dessa hierarquia, respeitando essa hierarquia. Diante dos nossos pais, como Bert Hellinger dizia, sempre seremos pequenos. Eles sempre grandes, nós sempre pequenos. Nessa ordem dessa hierarquia que Ber conta para pra gente. Então, temos os nossos pais que são os doadores da nossa vida, como bem lembrou o Fernando. Esse é o maior presente que a gente pode receber, né? A maior dádiva que a gente pode receber é a nossa vida. Então, eles são os doadores da nossa vida. Então nós recebemos, é uma relação que a gente costuma dizer que é uma relação onde os pais dão e os filhos recebem. Dentro da constelação familiar, a gente observa que talvez muito provavelmente e quase exclusivamente é a relação onde sempre um dá e o outro recebe. Relações de casal, de irmãos, tem lá a sua certa eanimidade. Mas muito bem. Então nossos pais envelheceram, nossos pais adoeceram. Não vamos doar? Sim, vamos doar. Lembrando desta ordem. Então, eu vou cuidar do meu pai, eu vou cuidar da minha mãe, eh, com o respeito à posição que eu ocupo, o lugar que eu ocupo e que eles ocupam. Eh, na minha vida pessoal, eu tenho uma história pessoal sobre isso. Eu fui, eu cuidei dos meus pais, né? Tanto da minha mãe quanto do meu pai. Então, eu me lembrava a todo momento que eu sou a filha. Eu cuido, mas eles são os meus pais. Eh, a gente não pode perder isso de perspectiva, porque muitas vezes os filhos se colocam numa posição que a gente usa uma palavra que pode ser até um pouco forte dizer isso, arrogante do Salvador. Eu sei o que é melhor pro meu pai, eu sei o que é melhor paraa minha mãe, eu escolho o tratamento, eu escolho e conduzo. Não é bem assim. Não deve ser assim, na verdade, né? Eu me coloco no lugar de filha, eu vou prover, né? né? Vou sustentar, vou ser o suporte, mas há um pai, há uma mãe que é o grande nessa relação e que vai realmente determinar. No meu caso, por exemplo, a minha mãe, ela teve câncer, mas a todo momento ela esteve lúcida, então ela determinava e eu era o suporte. No caso do meu pai, como você citou aqui, ele tava ficou demenciado depois de alguns AVCs. Então ele já não respondia por si. Mas a todo momento, quando eu tinha que tomar alguma decisão, eu me lembrava o que meu pai faria. Eu sou filha dele nessa situação, como seria? Eh, então eu acho que se a gente vai para esse cuidado com os pais, que realmente é um cuidado que a gente deve ter com os nossos pais, se a gente for para esse lugar com respeito, lembrando qual é o nosso lugar nessa ordem, nessa dinâmica, é uma relação harmoniosa e saudável. Muito interessante. Agora pergunta então pro Fernando, essa inversão, né? né? A gente tá falando de inversão e e a Luciana explicou muito bem aqui a questão da hierarquia, acho bem interessante. Eh, um dia parecia distante, né? Mas aí vai chegar assim esse cuidado, independente da situação, né? Mas também chega a uma sobrecarga. Qual que é a sua avaliação sobre eh essa sobrecarga que pode chegar mediante esse cuidado que a gente precisa ter com os nossos pais? Agora eu tenho a minha avaliação mediante o que a Luciana falou, né? Mas eu gostaria sim da sua posição, da sua avaliação e eh do seu ponto de vista sobre essa sobrecarga que muito se fala de pessoas que cuidam, né? Muito muitos relatos temos de pessoas que que precisam cuidar e que reclamam dessa sobrecarga. Sim. É igual aquela pergunta assim: "Alguém nasce pronto para ser pai? Alguém nasce pronto para cuidar dos seus pais? Ninguém tá pronto. Mas esse momento chega. E quando ele chega, a gente vai ter que lidar, então, pouco a pouco entendendo qual é o meu lugar. Eu acho que respeitar a história dos seus pais, respeitar que eles construíram uma vida, eles tiveram só autonomia. E é muito difícil pro idoso, pras pessoas, mesmo os jovens, né, quando eles perdem a sua autonomia, isso é como se fosse arrancado um pedaço deles. É muito difícil. E aí vem os filhos querendo ditar regras, colocar as normas, novas regras. Você tem que fazer assim, você tem que fazer assado. Gente, essa pessoa viveu 60, 70 anos daquela forma. de repente vem alguém querendo falar que não é não é assim mais, vai ter que fazer assado assim, toma decisões que às vezes eles não participam. Então é muito sutil essa mudança. E a sobrecarga vem porque também os filhos às vezes é a geração sanduíche que eles falam, né, que eles são pais dos seus filhos, né, geralmente pega naquela fase que os filhos já estão começando a crescer, ficar mais independentes, mas ao mesmo tempo ainda dependem dos pais. Então eles estão formando seus filhos e ao mesmo tempo entra o cuidado com os pais e isso sobrecarrega, né? Hoje no Brasil 70% dos cuidadores são mulheres e as mulheres já têm todos os os outros funções que elas já a eh trazem para si do cuidado, né? Muitas mães solos. E tem a questão também daqueles dos irmãos que, ah, eu já tenho minha família, você não tem família, você que cuida. Não, tem que ser um cuidado compartilhado entre a família, entre os irmãos, quem pode ajudar mais financeiramente, quem pode ajudar mais no cuidado mesmo, quem tem mais disponibilidade de tempo. Tem uma outra questão que às vezes você tem que diminuir a sua carga horária de trabalho para poder cuidar dos seus pais e isso vai gerar o quê? menos renda num momento que às vezes você vai ter que investir em cuidadores, reconhecer que às vezes você vai precisar de ajuda profissional para cuidar dos seus pais. Eu acho que é uma é um ponto importante para não ter essa sobrecarga. É, gente, olha assim, a gente eh eh vocês falando, né, passa um filme na cabeça, eu acho que minha e de todo mundo, porque na verdade a gente não está preparado para cuidar, eu acredito, né? Como eh você falou, Fernando, a gente ninguém nasce sabendo e se acontecer a gente vai precisar, né, nos adaptar. Às vezes o cuidado é físico, mas às vezes é um toque no ombro, a presença e nem sempre a gente tá pronto, porque cuidar também eh encarar uma fragilidade, né, de quem sempre protegeu a gente. Então, o aumento da expectativa de vida é um avanço, mas a gente eh está preparado como sociedade para lidar também com os avanços das doenças degenerativas, né? às vezes e do dia paraa noite você se depara com uma situação, né, Luciana, e que aí vem a pergunta: "E agora, né, como é que eu vou fazer?" Existe uma preparação para isso? Você que trabalha, né, com essa questão de de eh constelação e de sistemas, né? Existe uma preparação para que a gente possa encarar isso com mais leveza? E eu quero ressaltar aqui que a gente tá falando de cuidados, mas não eh específicos, né? Porque nós tivemos um programa anterior que nós falamos de cuidados, mas aqueles cuidados que a mãe o pai tá acamado e aí a gente precisa ser o cuidador, mas de alguma doença específica. Hoje não, a gente fala do cuidado, mas às vezes um um cuidado, igual eu falei aqui, um abraço, um carinho, às vezes a pessoa ela tá com uma depressão e ela precisa de um cuidado diferenciado, né? Como que a gente faz essa preparação? Se do dia paraa noite a gente precisa ser esse cuidador, não deveria ser uma preparação do dia paraa noite, né? essa construção das relações, elas já deveriam, né, teoricamente, né, ser eh no no dia a dia. A gente fala tanto também de tomar pai e mãe, né, da gente olhar paraos nossos pais e e receber os nossos pais como eles são. Uhum. Porque às vezes no lugar de filhos, nós exigimos que os nossos pais ou nos deem mais ou sejam diferentes, né? Quando a gente tem essa relação de tomar o pai e a mãe tal como eles são, eh, aquilo que eles nos oferecem, isso já dá um alívio pra gente, né? E quando a gente vai chega nesse lugar, eu compartilho isso que você diz, que é muito difícil a gente ter que lidar com o pai ou a mãe, que foi aquela figura que doou a nossa vida, que cuidou a nossa da nossa vida, que nos orientou nessa vida. E aí a gente vê, se depara com a fragilidade física. muitas vezes, né, acometidos por uma doença, uma fragilidade emocional, acometido por umas uma doença de saúde mental. É difícil esse lugar pro filho, é muito muito difícil, né? Eh, mas sempre lembrar, eu tomo meu pai e minha mãe como eles são e como eles estão. E eu estou neste lugar de filha muito grata pela vida que eu recebi quando a gente tem irmãos, né? Eh, a gente também tem que lembrar dessa ordem. Eu acho muito bonita essa frase que Bert falava, né? A ordem reúne, o amor flui. Ordem e amor trabalham unidos. Uhum. Então, se eu tenho irmãos, eu vou também lembrar dessa ordem, né? Eh, se eu sou a segunda filha, se eu a sua terceira filha, se eu sou a primeira filha, se eu sou a a última filha, né? Então, eu também tenho a quem recorrer neste momento. Se eu sou a filha mais nova, eh, e cuido dos meus pais, e isso é um indicativo, né? Normalmente, até pela visão sistêmica, são os mais novos que normalmente cuidam dos seus pais, né? Porque se a gente lembrar de novo da ordem, a gente colocar aqui uma fileira Uhum. Então, os pais deram pro mais velho, que deram pro segundo, que deram pro terceiro, o último teoricamente foi o que mais recebeu. Então agora ele volta para esse lugar de cuidador. Então se a gente fizer o exercício aqui, vocês estão nos assistindo, pensar quem é que cuidou da minha avó, quem é que cuidou do meu avô, foi meu tio mais novo, foi a minha tia mais nova, né? Interessante. Aham. Vai quase que bater numa totalidade que são normalmente acontece assim. Hum. Pois bem, mas a gente tem aquele irmão mais velho que a gente pode recorrer, né, meu irmão, você que veio antes, você que sabe mais, você que viveu mais, que que você me aconselha? Então, é esse compartilhar que o Fernando falou também, né? Eh, idealmente seria que funcionasse dessa forma. Nem sempre é possível, mas a gente pode buscar ser possível. Então, a gente pode buscar tomar o nosso pai e a nossa mãe, tal como eles são, o que exatamente eles nos deram, são os melhores pais que a gente poôde escolher. A gente usa muito essa frase: "Você é a melhor mãe para mim. Você é o melhor pai para mim. Vocês são os pais certos para mim do jeito que vocês são com o que vocês me deram. Com esse sentimento aqui bem organizado já fica mais leve, não fica? Uhum. Então a gente vai para esse cuidado com essa certeza. Eu só eu ganhei a vida desses pais, são os melhores pais para mim. Eu estou no meu lugar certo e eu vou com respeito para seu cuidado. Nossa, que que maravilhoso ouvir você falar, viu, Luciana? Porque assim, a gente ouvindo, né, eh, é o natural, seria, era para ser assim, é leve, é leve, mas infelizmente, no cotidiano, né, no dia a dia, às vezes as coisas não andam dessa forma. E aí um passo importante foi dado pela Câmara dos Deputados com o marco regulatório da responsabilidade filial que prevê o dever dos filhos estado de sociedade em garantir cuidados e dignidade, né? A a gente fala aqui da pessoa idosa, quando o vínculo com os pais foi marcado por mágoas, distanciamento, como, né? Eh, eh, e aí a gente faz como para construir essa relação de cuidado sem se perder emocionalmente. Pergunto para você, Fernando, que também trabalha com saúde mental, e aí a gente faz aí um um uma conexão, né, com esse marco regulatório da da Câmara, que poxa vida, precisa est na lei, que eu preciso cuidar, né, dos meus pais. E aí a gente vem para esse lado, nem todo mundo foi feliz, né? É, a gente precisa ser realista aqui. E aí eu tive uma infância não muito boa, tive mágoa do meu pai, da minha mãe, eles não foram presentes. E aí chega o momento de eu cuidar, mas eu não quero cuidar. Daí eu vou pro outro lado, vejo que a justiça juridicamente eu preciso, né? Tá escrito lá que eu preciso cuidar. E aí, como é que eu vou fazer isso sem me perder nas emoções? Porque vamos e convenhamos, é difícil lidar com essa situação. Não passei por isso ainda, mas eh é uma situação bem constrangedora e difícil de a gente poder ajustar todas as emoções e prestar esse cuidado da forma com que ele tem que ser. Sim, é bem é é complexa essa questão porque as pessoas elas trazem as mágoas e aquilo vai sendo perpetuado de gerações para gerações. Então é importante que em algum momento seja quebrado esse ciclo, né? Por isso que não pode deixar pra última hora, né? Como a bem a Luciana falou, você tem que ir se preparando para isso. Se você tem essas mágoas já dos seus pais, é importante você ir lidando com essas mágoas, trabalhando elas para que elas não te machuquem mais. A responsabilidade, o Estatuto do Idoso já traz isso há muito tempo, da responsabilidade para com os pais dos filhos. Os pais têm direito inclusive a à pensão alimentícia dos filhos, se for necessário, né? Mas é tão melhor quando isso acontece de forma fluída que os filhos querem. E tem que pensar uma coisa importante. Exemplo, os filhos desses desses filhos, né, os netos desses avós, eles vão aprender com exemplo dos pais. Então, como que eu quero que os meus filhos me tratem quando eu tiver na minha velice? da forma que eu estou tratando meus pais ou da forma que eu vou mostrar que eu posso tratar meus pais independente do que eu recebi, né? Tem que saber diferenciar. E os filhos vão aprender com os exemplos, né? Os netos, no caso, ali vão aprender com os exemplos dos pais de como eles vão tratar os seus avós. Então é importante tentar quebrar esse ciclo de mágoas. Acho que a consolação familiar ela é algo que fica muito pesado quando a gente para para pensar, porque a gente fala do cuidado, né? Bom, vamos lá, vamos colocar o cuidado como algo natural que deveria ser, né? E aí as pessoas falam assim: "Ah, mas você não pode ter filho pensando que ele vai cuidar de você, então já começa por aí". Então, daí, poxa, eu não vou você, eu tenho, você é minha mãe ou meu pai, você tá achando que eu vou cuidar de você? Não, não é assim, tá? deveria ser algo natural, porque o cuidado faz parte eh acho que do ser humano. A gente cuida, precisa era para ser assim, né? Mas aí aconteceu algumas intercorrências e veio uma mágoa muito grande. E aí quando você se depara com o ter que cuidar, né? Se não foi de forma natural, então vamos colocar lá o ter que cuidar, mas um peso que você carrega de uma mágoa muito grande que você não ressignificou. E aí eu pergunto para você que que pode explicar pra gente como é que a gente faz, porque a necessidade de uma ressignificação, ela é constante. A gente ressignifica tudo, a gente pode ressignificar, mas a gente precisa fazer um trabalho muito grande para isso. Então explica pra gente aí colocando nessa questão de cuidar, mas com mágoas e frustrações. Eu acho que o eu entendo isso que você traz que é dificuldade. Às vezes a gente não teve a relação que a gente desejava, né? E filho, tem um tanto disso, né? Se a gente olhar para nós aqui, a gente vai ver que a gente pede mais do que a gente, né? Tá sempre querendo mais, exigindo mais, não foi desse jeito, eu queria que fosse assim, né? A gente tem esse lugar. Eh, e eu entendo que pessoas passaram por situações difíceis nas relações. Compreendo isso. Mas se a gente também ter aquele exercício que eu falei inicialmente, nós somos, ganhamos a vida. Eu estou aqui hoje, vocês estão aqui hoje, vocês estão aí porque ganharam a vida dos nossos pais. Então isso de largada para mim já é muita coisa, é tudo, né? Então esse já é um ponto de partida pra gente olhar. Então se eu tenho, se eu tenho uma cobrança em relação a minha mãe, se eu tenho uma cobrança em relação ao meu pai, se eu exigir mais do que eles me deram, deixa eu olhar isso para mim. Esse é o trabalho da psicoterapia, né? Deixa eu olhar para que nesse lugar que eu ocupo, qual é a dinâmica que eu estabeleço nessa relação? Então é um exercício individual, né, que a gente pode olhar, a constelação olha isso dentro de um sistema, a psicoterapia olha isso eh no setting terapêutico para um exercício individual, pra gente fazer essa ressignificação que você chamou. Mas isso é primordial, né? Porque a minha primeira relação de amor, a minha o meu primeiro a minha primeira relação, né? Porque a gente cresce a partir da relação com o outro. Uhum. a minha primeira relação com quem é. Exato. Então é importante a gente ressignificar. Se eu tenho uma relação conturbada na minha família de origem, isso tem vai reverberar na família que eu vou construir depois, né? Então tudo vai se ligando nessa história. É melhor que a gente trate isso eh a partir do no reconhecimento da dádiva da vida e do respeito. E aí sim eu vou procurar um trabalho individual para ressignificar, seja constelação, seja psicoterapia, enfim, e vou para uma vida numa outra qualidade. Nossa, a gente pensa assim, né? É fácil, não, não é. É desafiador. Muitas vezes a gente quer cuidar bem, mas daí eh não sabe como. Daí vem uma dor, vem uma frustração, vem culpa, vem luto antecipado. Fernando, como é que a gente lida com essas emoções, né? Porque eu acredito que todo mundo lá no fundo, por mais que tenha aí uma eh um peso, por mais que carregue uma mágua, né? Mas eh quando você vai cuidar, você quer fazer bem feito. Sim. E e o que fazer bem feito gera frustração, porque é difícil achar o que é perfeito, qual é a o conceito de que eu estou fazendo tudo que eu posso, mas não tá ainda do jeito que eu queria. Eu queria dar mais para eles. Isso ou então ai, não queria, tô tendo o que fazer e não dou conta. Tenho todas as minhas meus afazeres do dia a dia também. financeiramente não tô conseguindo pagar os remédios, os medicamentos, porque isso também é um peso. Vou colocar um cuidador e o medo do cuidador não tratar bem os meus pais. Então fica e você falou uma questão também que me veio agora do luto antecipado, né? Quando a pessoa tá no com uma doença terminal. E aí entra a questão que a Luciana falou do respeitar a autonomia também, a decisão dos pais. Muitas vezes eles não querem fazer todos aqueles tratamentos que as pessoas eles não querem passar por uma químio e ficar mal, sendo que isso vai aumentar às vezes a perspectiva de vida em se meses, mas eu vou viver esses se meses mal porque os efeitos colaterais, tudo é muito difícil pros filhos às vezes aceitarem que os pais estão num momento de eu quero viver bem esse esse final que resta, né? É o Ericson, né, junto com a esposa, Eric Ericson junto com a esposa, ele definiu oito fases da da vida, né? E ela colocou depois que ele faleceu o acima dos 80, né, que foi se tornou a nona fase, vamos dizer assim, da do desenvolvimento psicossocial. E nesse daí ele fala muito dessas questões de ressignificado, o quanto que o o idoso pensa depois dos 80 anos, ele se dissocia muito dos valores materiais que ele tem. É quando ele se permite mais liberdade de viver, se desprende dos preconceitos. Quantas vezes a gente já não ouviu alguém mais velho falando assim: "Ah, agora eu falo o que eu penso. Não tenho mais que me preocupar com o que vão pensar". Então, deixa os seus pais viverem isso, deixa eles falarem o que eles pensam. Aprendam com isso, aprendam com o que eles têm a oferecer nesse momento. E tem uma outra questão também, eles começam a perder alguns pudores no sentido de os idosos também, as pessoas mais velhas também têm vida sexual. Isso pros filhos é um tabu muito grande. E não deixam que eles vivam isso, que eles, né, namorem com outras pessoas. Ai, mas vão vão vem aquela preocupação também de ah, vai cair em golpe, vai sofrer extorção. Pode até ser que sim, mas seja próximo, seja amigo, né? Nesse sentido de respeitar essa autonomia e liberdade deles, inclusive de viverem novos relacionamentos depois às vezes de uma vive ou de uma de uma separação ou pessoas que não tiveram os seus eh cônjuges juntos, né, na criação dos filhos. E aí chega uma hora que eles tão libertos, vão dizer assim: "Ah, eu já criei meus filhos, agora eu posso me envolver com outras pessoas". E os filhos têm muita dificuldade em aceitar que os pais voltem a namorar, voltem a ter vida. Ou então os pais que começam querer sair mais, né? Agora eu tenho tempo, aposentei, vou sair. E aí os filhos ficam: "Mas vai voltar tarde? Onde você vai? Com quem você vai?" Aí tem toda uma preocupação, mas é importante ter um diálogo e e mais uma vez, como o Luciano falou, respeitar quem eles são, né? Respeitar a autonomia deles, as vontades deles. Nossa, muito bom, muito boa fala, porque a gente vai lá pra internet agora, pra rede social, né? Porque a gente vê muitos vídeos de de pessoas assim falando, né? Poxa vida, agora eu tenho que ficar cuidando ver a hora que o meu pai ou minha mãe chega, né? Eu tô indo dormir para trabalhar amanhã, mas eles foram tipo para um baile, enfim, e eu tenho que ficar cuidando. Mas quem disse que precisa cuidar? Quem disse, né? Eh, eles pediram para você cuidar. Então, é, é a questão da autonomia, né? Eh, eu acredito que a gente precisa ficar bem atento a isso, porque aí a gente tá colocando um bloqueio e isso pode desencadear uma uma questão de saúde mental. Sim. Eu, você sabe que eu conheço um senhor eh a família dele optou por para que ele fosse para uma casa de repouso, né? Porque ele estava sozinho em casa e ele já ele não não queria muitos cuidados, ele não aceitava muitos cuidados e ele tava triste entrar em depressão. Mas o que acontece quando ele foi paraa casa de repouso, o seu João, ele tá indo pro baile e a gente, o pessoal chega lá, ele tá feliz da vida. Ele voltou com o brilho nos olhos. Então assim, em casa, o que que tava acontecendo? Ele tava entrando em depressão, saúde mental, né? Tava zerando total. E a família não entendia muito, tipo assim, que que tá acontecendo? O que tá acontecendo? E aí o que que acontece depois? A família decide para uma casa de repouso, ele aceita também. Aí outras pessoas da família, poxa, mas você tá colocando, né, na na casa de repouso ou é um asilo e tal. E agora eles foram ver depois de dois meses que o seu João ele ele eh renasceu, ele ele reviveu, ele ele ficou mais jovem pelo simples fato de estar conversando, estar com outras pessoas, curtindo a vida da forma, né, que ele gosta. E aí veio o comentário da família: "Poxa vida, como pode? O que que aconteceu com o seu João? Seu João não tem mais depressão, ele só tá vivendo. É isso, né, Fernando e Luciana? É, o seu João tá fazendo as suas próprias escolhas. O seu João é autônomo. Seu João veio antes, gente. Seu João pode escolher ser feliz, pode escolher sair no baile, pode escolher dormir a hora que ele quiser. E em casa ele tava o quê? Sozinho. E de vez em quando os filhos iam visitar. E aí o seu João na cama, seu João acamado, por favor. Talvez o seu João estivesse ali na casa dele de acordo com as regras que os filhos colocaram pro seu João. É verdade, deveria ser o contrário, né, Fernando? Exatamente. E uma coisa que é muito importante é é muito legal quando a gente tem casas de repous que proporcionam isso. Infelizmente não é a realidade de todas as casas de repouso. E aí é que cabe o não abandono dos pais em uma casa de repouso. O que a gente vê muito em casas de repouso são principalmente idosos com alguma demência, né, com questões psiquiátricas que dão mais eh dão mais trabalho, tem mais dificuldade no trato, no dia a dia, precisam de mais cuidados e atenção. E aí os filhos acabam colocando numa casa de repouso qualquer, muitas vezes a mais eh com menos estrutura, mas é a que menos vai pesar no meu financeiro, inclusive. Hum. E simplesmente deixam eles lá, não vão mais visitar, esquecem que eles estão lá. E isso é muito ruim. Então, quando as pessoas falam de casa de repouso, existem muitos modelos e e opções. O mais importante não é o quanto ela custa, o qual é o valor. O importante é não abandonar os pais lá. Uhum. É você continuar indo lá com frequência, criar uma rotina para eles, porque inclusive ver como eles estão lá, se eles estão realmente conseguindo viver bem lá ou se eles são largados em em áreas onde ficam todos ali paradisa ficar jun. Não é porque está numa casa de repouso, é que você vai abandonar. Às vezes, de repente precisa de um cuidado especial que você não consegue fazer em casa, mas você precisa continuar fazendo esse monitoramento, porque é diferente você colocar eh eh entrar em comum acordo com a pessoa que vai para a casa de repouso, né? Aí você deixa lá e e larga. Não, daí não, daí você tá abandonando. Uhum. E aí tem uma um outro ponto que eu acho interessante a gente falar sobre as doenças na as várias doenças nas casas de repouso. Então, seu João, que bça, seu João, que o senhor tá indo pra festa, pro baile, continue se divertindo. Mas há casos em que as pessoas estão lá demenciadas. Exato. Exato. Em outras condições e que os filhos, por falta de recurso emocional ou financeirom, acabam optando por isso. Esses filhos precisam também aceitar esses destinos dos pais, né? Porque as doenças elas estão a serviço de alguma coisa. Uhum. Né? Então, a gente não pode olhar para essa doença praguejando, eh, deprimindo ou abandonando. Ai, tá tão difícil que eu nem quero olhar. Vou colocar meu pai lá, fica aí e vai embora. Precisamos aceitar os destinos também difíceis dos nossos pais, lembrando qual é o nosso lugar nessa ordem, né? Exato. Eu sou filha e eu preciso aceitar o destino que foi estabelecido aqui para ele e vou oferecer esse suporte da melhor maneira possível. Muito bem. Segunda-feira a gente falando aí de cuidados, né? Eh, já parou para olhar assim como que tá? Quanto tempo faz que você não visita a mãe, o pai, né? Quanto tempo faz que você não cuida e exerce isso que tem dentro de você? Acho que todo mundo tem aquele cuidado, a mulher mais, né, porque a gente é é do feminino, né, mas o homem também cuida. E aí, que tal? Eh, você dá uma olhadinha na família e vamos lá, vamos cuidar juntos, porque uma rede de apoio é importante, né? Alivia e eu acho que faz a família de repente entrar naquele naquela, naquele conforto que é necessário quando a gente fala de cuidado, né, Luciana? De harmonia, né? De harmonia. Exatamente. E é tão gostoso cuidar, né? É bom, né? Gostas cuidar, gostou de ser cuidado, né? Dá, dá um quentinho, não é? É bem isso, gente. Agora 8:48, a produção tá avisando que a gente tem participação de telespectadores. Vamos ver então o que que o pessoal de casa tá pensando desse nosso bate-papo e o que que eles estão compartilhando com a gente. Pode colocar a produção na tela para nós. O Antônio do Jardim Chapadão. Quais os sinais de alerta de que meus pais já não podem mais morar sozinhos? Hum. Hum. Tenho medo de intervir cedo ou tarde demais. Nossa, Antônio, bem pertinente a sua questionamento aí, porque a gente precisa saber. Mas como é que a gente faz para saber isso, Fernando? Eu acho que eu tenho formação também em arquitetura e urbanismo e eu enxergo isso a forma aí eh essa pergunta também com uma questão das limitações que as casas, os perigos que as casas trazem para o idoso, né? tanto degraus, tapetes. Então, antes de você tirar a os seus pais da casa deles, você vai ter que começar a arrumar a casa para que ela fique mais segura para eles. O idoso, ele tem mais, ele ele tende a andar arrastando mais o pé. Então, tapetes podem ser perigosos, né? Quinas é igual quando a gente tem crianças, a gente muda a casa inteira. Por que que a gente não muda também quando a gente tem um idoso que começa a ter limitações físicas, ele tem mais dificuldade para se levantar, colocar uma barra no banheiro para ajudar levantar do vaso sanitário. Ah, mas ele não aceita. coloca na sua casa, o dia que ele for lá, ele vai ver como aquilo facilitou a vida dele. Então, a gente dando um exemplo, trazendo isso para ele de uma forma não impositiva, mas ele viu o benefício daquilo e ele quer aquilo, já começa a melhorar, ele já aceita melhor, porque tem muitos idosos que eles realmente eles têm mais dificuldade em aceitar que estão envelhecendo. Acho que é natural de qualquer pessoa perder a sua autonomia. É difícil. Uhum. Então, fazer primeiro essas adaptações no ambiente, né? Tentar postergar o máximo com segurança câmeras, mas isso é uma coisa que tem que ser conversada também com o idoso, explicar hoje, né? Quem quem tem acesso hoje tem relógios que detectam quando o idoso cai já, né? Já lança um sinal de alerta para quem tá programado para receber. Então tem mecanismos que você pode colocando que você consegue postergar um pouco mais isso, porque é muito difícil pro idoso aceitar essa mudança às vezes e tem que ser respeitado a autonomia deles. E é importante que seja feito em conjunto com eles, quando eles percebem que realmente é melhor quando eu estou fora. Em alguns casos, quando você tem a demência, a pessoa começa já a ter mais dificuldade de de criação do juízo. E aí tem que pensar como Luciana falou, o que que meu pai gostaria, né? Muitas vezes ele assim, não vou morar, sair da minha casa nunca, mas e se a casa dele agora for outra casa, ele não tá saindo da casa dele, mas fazer que aquela casa onde ele vai não é um, ele não é um convidado, aquilo ali também é a casa dele, né? Ele tem que se sentir parte, né? Então acho que isso é bem desafiador, né? né? Até porque se a gente parar para analisar, igual o Antônio tá colocando aqui, os pais, eh, vamos lá, um casal, né, teve seus filhos, criou os filhos, os filhos foram embora, aí um dos dois se vai também e aí um fica sozinho, o outro fica sozinho e aí ele não quer se desprender porque é uma é um lugar de histórias, é um lugar de vida. E aí, como o filho vai intervir para tirar essa pessoa daquele lugar de vida? Mas ela quer ser retirada. Exatamente. Essa e você viu aqui a dúvida, ele tem medo de tirar cedo e também medo de tirar tarde. E aí faz como, Luciana? A gente pergunta: Aham. Pai, mãe, o que que você precisa? A resposta sempre vai ser que ela não quer sair de lá, não é? O que que você precisa então para ficar aqui melhor? É verdade. Porque senão a gente vai pro lugar da imposição. Eu determino que agora você sem minha mãe ou sem meu pai aqui não pode mais morar aqui. Porque eu filha não dou conta, porque eu filha acho que não é bom. E aí eu retiro. Pai, mãe, o que que você precisa de mim para sua vida ficar mais confortável, mais segura? Como é que eu posso te colaborar na sua autonomia? Nossa, quanto ensinamento, né, em pouco tempo. Isso é bom demais, gente. É tão gostoso quando a gente pode aprender. E aqui a gente aprende todos os dias, sabe? Isso é maravilhoso. Eu tenho certeza que a gente lança a nossa sementinha aí e alguém tá captando, tá puxando, essa sementinha vai florescer e a gente fica muito feliz com você aí do outro lado, tá? Vamos lá. 8:53. Pode colocar, produção. Tem mais perguntas pra gente? Se tiver pode mandar. A Beatriz do Swift, como iniciar a conversa sobre a inversão de papéis com os pais sem que eles se sintam invalidados ou ofendidos com essa situação? Ô Beatriz, tudo bom? Bom dia. Obrigada aí pela sua participação, que a gente tá falando aqui, né? Não seria uma inversão de papéis, né? Seria um conforto. É, explica, seria ofertar, né, né, aqui um pouco daquilo que nos foi dado. Uhum. Sabe, a Beatriz, eu acho que a gente pode sempre abrir, sobretudo com os nossos pais, o nosso coração, a nossa verdade, a nossa vulnerabilidade, né? Então, se você tá diante de uma situação em que você tá percebendo que seus pais estão com uma dificuldade, né? Essa conversa é muito sincera, muito honesta. Sabe, mãe, sabe, pai, eu sou filha de vocês, né? Eu recebi muito amor de vocês. Eh, e agora eu sinto que vocês estão precisando de uma ajuda. Uhum. Humum. Como eu posso me colocar nesse lugar, com todo respeito, à figura que vocês representam na minha vida, né? Ao lugar que vocês ocupam na minha vida. Então, eu acho que as conversas que eh acontecem a partir do nosso sentimento com verdade e transparência são as melhores conversas em qualquer relação, seja com os pais, seja com amigo, seja com filho, seja com parceiro. Eu eu acredito que as conversas que se iniciam a partir do nossos sentimentos, elas são as conversas mais proveitosas e mais construtivas. Então eu acho que se eu puder te dar uma sugestão, Beatriz, eu acho que esse é um caminho, você se colocar em seus sentimentos em relação a isso. É, é algo que que nos desafia, né? E a gente precisa aprender. E aqui você está tendo dicas e sugestões de aprendizado, de como eh você cuidar, né? né? E eu acho que isso a gente vai passar por isso em algum momento da vida e é bom que a gente possa aprender, né? Se não vem natural, sim, a gente pode aprender sim e aperfeiçoar ainda mais. 8:55 tem mais acho que duas, né? Vamos lá, produção. Pode mandar as outras. Vamos ver. O Ricardo Mansões Santo. Sinto que minha vida pessoal e profissional parou para cuidar dos meus pais. Como reencontrar o equilíbrio e não me anular nessa fase? Ah, vamos lá, então, Luciana. É, eu acho que anular em nenhuma situação é uma alternativa, né? Eu acho que a gente precisa é acomodar, a gente precisa lembrar qual é o nosso papel nessa nessa família. Eh, eu não sei qual é o seu papel aí na sua hierarquia. Se você tem irmãos mais velhos, eu acho que você deve sim recorrer a esses irmãos. Se você não tem, eu acho que deve ter outras figuras na sua família que podem ter esse apoio. Mas nenhum pai, nenhuma mãe deseja que seus filhos se anulem por nada, sobretudo por eles próprios, né? Então, eu acho que esse não é um bom caminho. Eh, não acredito que seus pais vão ficar felizes e sem te ver infeliz por ter se anulado por eles. Então, um bom caminho é buscar em irmãos mais velhos, né? Eh, no na sua família, se você tem tios, se você tem pessoas mais velhas que podem te ofertar essa rede de apoio. É, a rede de apoio, a rede de apoio, Fernando, ela ela faz a diferença, ela é muito importante, né? faz a sem a rede de apoio você hoje a gente tem um problema de saúde pública que é o burnout do cuidador, que é justamente quando entra nessa situação de se anular, de não se se enxergar mais como uma pessoa que não é mais o cuidador dos pais. Aham. Né? E e essa estafa que gera começa a gerar um sentimento muito grande de culpa, inclusive, porque em alguns momentos você começa a desejar que aquilo acabe e ao mesmo tempo você não quer que eles se vão. E isso gera um conflito interno ali que é muito perigoso, né? Por isso que assim é fundamental a psicoterapia, entender qual que é o meu papel com os meus pais, quem sou eu nesse papel, né? Não, não se perder no processo. Eu acho que o principal é isso, porque uma hora eles vão e você vai ficar e você vai perder quem você era. E aí você vai ter todo um trabalho de se ressignificar, mas você ainda precisa deles, mas eles não estão mais ali. E isso também é difícil você deixar isso acontecer, chegar lá pra frente. É, como foi dito lé, é, tem que ser fluído, tem que ser uma coisa contínua, um processo e nunca se anular vai ser algo produtivo, nem para você, nem pro para quem é cuidado. Exato, né? Vai, chega num ponto de desgaste, né? De de eh você não vai conseguir. E daí se você não tá legal, como é que você vai cuidar? Para cuidar a gente precisa estar bem conosco pra gente poder, né? é fazer com que o outro sinta bem, se sinta bem também, a gente transborda, né? Então, se você não está bem consigo, você não vai conseguir e repassar essa essa questão, não vai conseguir deixar o outro bem também. Por mais que você faça e dê o melhor cuidado, né? Vai ter alguma coisa ali que não vai se encaixar. Então, precisa se cuidar sim, né? Antes de cuidar do outro. Eu penso que seja assim, né? É, é o que eu disse no início, se a gente tá bem firme no nosso lugar, se a gente ocupa o nosso lugar com consciência e presença, a a chance da gente adoecer, entrar no burnout ou em outra doença é muito menor, né? Porque eu sei do papel que eu ocupo e nele eu vou fazer o meu possível melhor. Muito bem. 8:59, mais uma pergunta. Vamos lá, produção, pode colocar na tela, por gentileza. Fernanda do Bom Fim. Meu pai sempre foi muito independente, agora se sente inútil. F, bom dia. Pois é, como é que eu posso ajudar a encontrar um novo propósito nessa fase? Eh, essa questão de se sentir inútil, eu tô passando por isso também. A minha mãe, ela tá eh sempre trabalhou, tá parando de trabalhar agora e a gente vai ter que trabalhar em família para poder e ressignificar. Eu tô explicando para ela que você, eu falo para ela assim: "Mãe, você precisa se cuidar, você já cuidou de todo mundo, agora é momento de você se olhar com compaixão e tá tudo bem". Mas essa fase ela é bem delicada, porque sempre trabalhou, sempre trabalhou, sempre foi independente e agora eh se parar de trabalhar vai se sentir inútil. Acho que não só os pais, mas a gente também, todos nós. E nesse caso da pessoa com mais idade, como é que a gente faz para eh ajudar a encontrar um novo propósito, né? A pergunta da Fernanda minha e acredito que de muita gente que tá vivendo nesse momento de transição dos pais. Eu acho que é fundamental que primeiro assim quando você fala que você vai cuidar, você vira o apoio emocional, inclusive às vezes dos pais. Então é validá-los. eh encorajá-los a fazer novas coisas, por mais que eles fal assim: "Ah, eu não consigo fazer mais nada". Consegue? Vamos achar o que que você pode fazer, o que que você pode ajudar, né? Eu tenho exemplos assim, minha mãe ia aposentar, ela ia parar de atender. Não, não vai parar. Ela vai começar a atender o quê? voluntariamente. Então, ela continua fazendo o que ela fazia com outro propósito. Ela ressignificou a profissão dela. Então, acho que de alguma forma tentar trazer utilidade, trazer coisas que eles podem fazer, participar. A vó de uma amiga minha, ela tá com 100 anos, vive viajando, adora viajar. Ela começou a viajar depois que viu o vô, depois que já chegou, né, numa idade mais avançada, todo ano ela quer fazer um uma viagem diferente, né? Ela gosta do futebol dela. É, é mostrar que assim, muitas vezes eles também se sentem, né? O Ericson falava muito isso de quando ele não teve isso durante a vida, chega uma hora que ele ele se sente frustrado com o que ele não construiu, com o que ele não fez. E isso torna, agora eu não tenho mais tempo para fazer. Uhum. E sempre há tempo, né? Talvez não vai fazer tudo que ele gostaria, o que ele fazia, mas tem muita coisa que pode fazer. E uma questão muito relevante para as pessoas mais velhas é que elas vão perdendo seus seu círculo social, né? Os amigos vão morrendo, vão se distanciando por porque já não conseguem mais sair, fazer as coisas que faziam. Isso também vai deixando mais sozinhos. né? E aí que entra o os trabalhos sociais, trabalhos que as pessoas possam sair e fazer ou mesmo em casa fazer trabalhos manuais. Ah, não tem mais habilidades manuais ou comida, né? Ah, fazer a comida, a comida não fica mais tão boa, mas aí ninguém mais quer comer a comida. Ali às vezes a gente tem que respeitar, entender a dificuldade, né? E n vamos comer, tá? tá boa, porque eles precisam também desse dessa parte, desse esforço nosso também de reconhecimento. É reconhecimento, é incentivo, né, para que a pessoa possa continuar bem e e ressignificar o momento, né? Então, está parando de trabalhar, se aposentou, continuou trabalhando, né? Normal. Aí depois chega um momento que vai precisar parar de trabalhar. Mas que tal então em viajar? Vai, vai passear na casa dos filhos, né? vai visitar as irmãs, vai fazer alguma coisa que te faça se sentir bem, que te faça se sentir viva. Não precisa estar assim somente trabalhando para se sentir bem. Então é uma ressignificação de momentos, não é, Luciana? Agora é, mas lembrando que a decisão é isso é da sua mãe, do pai, enfim, né? A gente coloca como facilitador, a gente pode trazer ideias, a gente pode ser um suporte, mas essa decisão é muito individual. Aham. né? Porque essa sensação de estou inútil, não tenho um propósito, isso não é eh exclusivo do dos idosos, isso passa na nossa faixa de idade, pessoas mais jovens. Isso ao longo da vida a gente tem essa sensação, né? Mas com os nossos pais eu acho que a gente como filho fica naquele lugar, ai como assim o o meu herói, a minha heroína é tá se sentindo inútil? Não pode, não, não dou conta de sentir que eles estão sentindo isso, né? Sim. Então, vamos voltar pro nosso lugar, vamos respeitar a decisão e vamos nos colocar ao lado, né, como suporte, como alguém que pode viabilizar, que é alguém que pode trazer ideias, mas a decisão nunca é nossa, né? Sim. Ideias, né? Tipo, sugere e deixa a ideia fluir, né? Ideia. Exatamente. Posso viabilizar. Ah, quer viajar? Eu sei um roteiro, eu conheço uma agência. Você gostaria que eu conduzisse essa essa negociação com a agência de turismo ou numa marcar uma aula de alguma coisa para você? Eu gostaria que eu fizesse? Faz toda a diferença essa comunicação, né, Luciana? Sim, porque aí eu não estou à frente, eu estou ao lado. Olha aí, tá vendo, né? Uma comunicação assertiva também faz toda a diferença para uma aceitação de mudança de rotina dos nossos pais, que mostra que você tá ali como um suporte, né, reconhecendo todo o valor, toda a capacidade, mas você não está mandando, ordenando os seus pais, né? você não tá conduzindo a vida deles. É, você está no seu lugar de filho e eh simplesmente dando uma sugestão e que o pai e a mãe decida da melhor maneira que eles encontrarem para que seja decidida a situação. Muito bem. Nossa gente, 9:6 já. Uau! Nós falamos sobre inversão de papéis, né? Quando os filhos cuidam dos pais, sobrecarga do cuidador, importância da rede de apoios, os desafios emocionais. sociais do cuidado familiar, né? Quando chega o momento de cuidar, não só na terceira idade, não, né? Não só 60 mais, 70 mais, não, não, não. Isso pode acontecer de uma hora para outra, né? Isso pode acontecer em um momento, simplesmente um momento, e depois isso passa. E aí cuidar dos pais na velice pode ser sim uma forma de retribuição, mas nunca deve ser um fardo, né? Eh, e principalmente um fardo solitário. Se você está assistindo a gente e é cuidador ou convive com alguém que que vive nessa posição, pedir ajuda não é fraqueza, né, a humanidade. E cuidar também é é um é um direito, sabia? É isso mesmo. É um direito. Você tem o direito, né, de cuidar, mas você precisa entender que essa pessoa, ela deve se sentir bem com o seu cuidado e ela deve querer ser cuidada. Então, a gente tem que nos colocar no nosso lugar, tem que respeitar a hierarquia sempre e a comunicação precisa ser assertiva e de uma forma assim bem tranquila para que as coisas possem se possam se ajeitar. Eu gostaria de agradecer a participação dos nossos convidados. Eu acho que nós tivemos aí um bate-papo bem gostoso e e que contribui bastante com o nosso dia a dia, porque tem muita gente que tá assistindo e que vive esse momento. E é tão importante quando a gente tem profissionais assim que que podem trazer pra gente eh alguma alguma dica, alguma fala que a gente tava precisando justamente agora. Então assim, agradeço demais, Luciana, quero agradecer então a sua participação. Considerações finais, por favor. E foi assim de eh muito muito gostoso ouvir você falar. Eu que agradeço. Foi uma delícia de manhã. Passou tão rápido essa uma hora, não é? Muito gostoso. Agradeço por vocês estarem aqui compartilhando esse conhecimento de vocês também comigo. Eu agradeço as pessoas que perguntaram, que estão atentas a isso. E eu queria dizer que cuidar é uma manifestação maravilhosa de amor. Uhum. Né? O cuidar é a relação com o outro. E quando a gente cuida do outro, de certa maneira, a gente tá cuidando da gente. Eh, então continue cuidando de vocês, dos seus pais, dos seus filhos, da sua família, dos seus amigos. Cuidem, porque isso é amor. Cuidar é servir a vida. Ai, que delícia. Muito bom. Obrigada, Lu. Fernando, gratidão pela sua participação, compartilhamento de de informações e acredito que sim, a gente consegue lançar a sementinha e que bom que você aí do outro lado consegue captar e de repente fazer um um dia transformador, né? Mudar a forma de olhar o que é o cuidado. Obrigada. Posso fazer uma indicação de uma série? Tem uma série que eu gosto muito que chama Grace Frank. Acho que ela tá no Netflix. é uma série de duas senhoras que aos seus, depois dos 70 anos, elas se separam dos seus maridos e e elas têm que se redescobrir. é uma série que trata todos esses assuntos que a gente trabalhou aqui, conversou de uma forma muito bem humorada, muito didática e que faz a gente refletir, mostra as relações com os filhos, com os amigos, a relação da vida sexual, de empreendedorismo, de se redescobrir da casa de de repouso, como que os filhos falam para eles, vão vão, né? questões da demência, escolhas de não fazer um tratamento e como que isso impacta na vida das pessoas que que estão ao redor dessa de quem toma essa decisão. Então é uma série muito divertida, um elenco maravilhoso. Recomendo Grayson Frank. Olha aí, super dica então pra semana, né? Vamos maratonar a série e aprender um pouquinho mais. Obrigada mais uma vez vocês dois, viu? Valeu mesmo. Gratidão. Obada. Muito obrigada. Muito obrigada você também aí de casa. Obrigada pela sua companhia, pela sua audiência. Semana só tá começando. Programação da TV Câmara Campinas, como sempre feito com muito carinho, muito especial para você que tá aí do outro lado, tá? E amanhã, gente, nós temos o nosso estúdio Câmara ao vivo novamente. Amanhã a gente fala sobre os novos nomes, novos jeitos de se relacionar. O que que você é hoje no seu relacionamento? Você sabe? conversante, ficante, crush, um rolo, um namorado ou você nem sabe mais o que que tá acontecendo aí. É, as relações mudaram e os rótulos também. E a confusão virou regra. Pois é, vamos entender o que está por trás dessa nova dinâmica afetiva, né? E como é que isso mexe com a forma de se envolver, de se cuidar e de se machucar também. De repente você entrega tudo e descobre que você era só um ficante. Ou então você acha que já tá quase casando e descobre que você era somente um crush. Gente, esse vocabulário tá diferente demais. E a gente conversa amanhã sobre essa questão de relacionamento, quem você é no seu relacionamento. E você, claro, né, eh eh vem participar com a gente, vem conversar conosco e com os nossos convidados amanhã ao vivo a partir das 8 da manhã aqui na TV Câmara Campinas com mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Lembrando que o nosso programa fica sempre no YouTube, já tá disponível lá o programa de hoje, tá? Nós estamos ao vivo no YouTube também. Importante que você repasse paraa sua família, pros seus amigos aí, porque tem informações assim de qualidade que com certeza você vai usar no seu dia a dia, tá bom? Beijo grande, fica muito bem, uma semana linda para você. Se cuide e cuide também, tá? É a forma que a gente mostra que realmente a gente ama de verdade, é o cuidado, tá certo? Beijão, gente. Valeu. Obrigado aos nossos convidados mais uma vez. Fiquem com Deus e se cuidem. Meio-dia tem Câmara Notícia com informações do Legislativo Campineiro e de toda a nossa metrópole para você. Não perca. Até amanhã. Valeu, [Música] [Música] [Música]