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[Música] Olá, bom dia. Estamos, está no ar o estúdio Câmara ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas. Muito obrigada por nos acompanhar nesta manhã de sexta-feira, 6 de junho. E eu te pergunto, você já se pegou preso a um cheiro? um lugar, uma música e de repente percebeu que estava emocionalmente ligado ao passado, mesmo quando o presente já mudou completamente. É disso que nós vamos falar hoje, a prisão da memória afetiva. Nós vamos refletir juntos sobre como essas lembranças, que muitas vezes aquecem o coração, também podem nos impedir de seguir em frente, de experimentar o novo e de construir novas vivências. E para enriquecer esse debate hoje, nós recebemos aqui duas especialistas em terapia cognitivo comportamental, a Somaira Nogueira, psicóloga com ampla atuação clínica e a Natália Brandão, também psicóloga com foco em comportamento e saúde emocional. Elas já estão com a gente aqui no estúdio. Daqui a pouquinho a gente inicia o nosso bate-papo e aí eu quero incluir você também nesse bate-papo de hoje. A gente quer te ouvir. Manda mensagem pra gente. O WhatsApp tá na tela 1997829377. Aí você conta pra gente, você sente que está preso à memória de algo ou alguém e por isso tem dificuldade de seguir em frente ou de viver novas experiências? conta pra gente, daqui a pouquinho você tem a oportunidade de interagir também com as nossas entrevistadas, tá bom? E agora a gente atualiza notícias, a previsão do tempo e já já a gente volta com o nosso tema. Olha, gente, Campinas contra o Mosquito, 10º Multirão visita imóveis em oito bairros. A Secretaria de Saúde de Campinas realiza hoje, sexta-feira, dia 6, o 10º mutirão municipal de 2025 contra a dengue e outras arboviroses em oito bair oito bairros da cidade, tá? Parque Residencial Vila União, Jardim Santa Lúcia, Jardim Ieda, Vila Palácios, Núcleo Residencial 2 de Julho, Jardim Bordom, Jardim Márcia e Jardim Novo Campos Elíos. A mobilização ocorre das a já está acontecendo, né, das 8 às 5 da tarde para visitar residências e comércios com o objetivo de remover criadouros do Aedsa Egipte, o vetor da dengue, Zica e Chicungunha, tá? E também orientar a população sobre a prevenção. E nessa ação, gente, estão participando pelo menos 150 pessoas, tá? Então você pode encontrar aí nesses bairros agentes de saúde, trabalhadores de serviços públicos, funcionários da empresa Impacto Controle de pragas, integrantes do comitê de enfrentamento das Arboviroses e Zoonoses. O grupo será dividido em 14 equipes e um drone também será usado para localizar grandes criadouros, como piscinas e caixas d'águas e também imóveis identificados como desocupados em situação de abandono. Tá bom? Caso sejam constatados no sobrevoo pontos com descartes irregular de materiais, a Secretaria de Serviços Públicos será acionada. A ação é multissetorial e conta também com o apoio das secretarias de Habitação, Educação, Desenvolvimento e Assistência Social, também trabalho e renda, clima, meio ambiente e sustentabilidade, além da Guarda Municipal, Defesa Civil, SANASA e Endec. A saúde reforça, gente, o alerta com objetivo de tentar reduzir casos e óbitos por arboviroses. A melhor forma de prevenção, a gente sabe, é evitar, né, eh, e eliminar o acúmulo de água que possa servir de criadouro para o mosquito, principalmente em latas, pneus, pratos de plantas, lajes e calhas. É importante ainda vedar a caixa d'água e manter fechados vasos sanitários inutilizados, tá certo? Bom, atenção você que utiliza o transporte coletivo aqui em Campinas. Linhas 117, 125 e 190 vão circular com novos horários a partir de hoje, tá? Então, quem utiliza aí a Dick 4, que é a 117, terminal Ouro Verde Shop e Guatemi, que é a 125, e Jardim São Domingos, que é 190, deve ficar atento aos novos horários de operação que começam a valer hoje, sexta-feira, em dias úteis. A medida adotada pela EEC envolve adequações na frota em operação, eh, que a frota que está em operação, né? A linha 125 está recebendo cinco novos ônibus hoje com ar condicionado, tomadas para USB, para recarga de celular. A frota em circulação passa de quatro para seis veículos em dias úteis. Com isso, a 125 vai circular com intervalos reduzidos, tá? de 27 para 19 horários de pico. As partidas do terminal Ouro Verde vão ocorrer entre 4:50 da manhã e 10:30 da noite e o do terminal Shopping e Guatemi entre 5:54, aliás, da manhã e 11:20 da noite. Para informar os usuários sobre as mudanças, a INDEEC distribuiu cartazes informativos nos veículos e os usuários também podem consultar a programação eh horária, né, no site da INDEC, tá? O endereço dac é portal.endeec.com.br/consultalinha. Combinado? Então tá certo. Consulta lá o horário do seu ônibus, tá? E não se atrase. Previsão do tempo para o final de semana. E aí, sexta-feira, hoje que que nós temos? Um dia com abertura de sol, né? Mas isso à tarde, porque agora pela manhã podem sim ocorrer pancadas de chuvas isoladas, tá? E pancadas de chuva à noite também. Mínima 17, máxima 24 para hoje. Sabadão, previsão do tempo para sábado é de sol, com muitas nuvens e pancadas de chuva à tarde e à noite. O tempo passa para chuvoso, tá? Então, sábado à noite já tem uma chuvinha a mais. Aí, mínima 17, máxima 26. No sábado e para o domingo, previsão de tempo é com sol, muitas nuvens e a tarde tempo chuvoso novamente. Mínima domingo 26, opa, mínima 16, máxima 26. E a semana que vem todo mundo já sabe que tá vindo uma frente fria aí, mas isso a gente fala na segunda-feira. Agora nós vamos direto ao tema. Isso mesmo. Olha, a memória afetiva tem um poder incrível sobre nossas emoções. É aquele cheiro de bolo, né, que dá água na boca, a música que nos lembra um grande amor, um momento especial. A casa dos avós, então, nem se fala. Mas quando essas memórias, essas lembranças se tornam prisões emocionais e dificultam o nosso presente e paralisam o nosso futuro, a gente tem um grande problema. A pergunta que a gente faz hoje é: por que é tão difícil se desprender de memórias que nos marcaram emocionalmente? E mais, como transformar essas lembranças em combustível para o crescimento e não em âncoras que nos impedem de evoluir? Quem nos ajuda com as respostas são as nossas psicólogas que já estão aqui no estúdio e a gente dá as boas-vindas para elas, né? Sou Mara Nogueira, muito bem-vinda, muito bom dia, obrigada pela sua participação. Muito obrigada pelo convite. Eu estou muito feliz aqui de podermos conversar de um assunto que eu gosto muito, que eu acho que a pessoa que está do outro lado vai se identificar, porque todos nós temos alguma memória afetiva. Isso mesmo. E com a gente também a Natália Brandão, também é psicóloga, e as duas são especialistas em terapia cognitivo comportamental. Seja muito bem-vinda, Natália. Obrigada pela sua participação. Bom dia. Bom dia. Muito obrigada pelo convite. Também acho que é um tema muito valioso, um tema muito fácil de chegar na pessoa que tá em casa, eh, de ser dividido e da gente falar sobre aspectos psicológicos de uma maneira muito simples, por ser algo que acontece dentro da gente o tempo inteiro. Maravilha. E é por isso que nós trazemos esses temas, né, aqui no nosso estúdio Câmara, porque isso acontece comigo, com você que tá em casa e também com as nossas psicólogas, porque é algo natural, é algo que acontece no nosso dia a dia, só que elas têm uma visão psicológica e vão nos ajudar aí a entender qual o melhor caminho pra gente poder trabalhar as nossas memórias afetivas. Mas pra gente iniciar, eu pergunto pra Somaira o que exatamente é a memória afetiva e como ela se forma desde a infância. Uhum. Tem uma frase que eu levo muito para minha vida, não como prisão, mas como uma forma de olhar que nós somos histórias, nos carregamos histórias e o cérebro ele é lindo nesse sentido, porque ele guarda aquilo que mais nos impactou, aquelas emoções eh muito mais intensas que nos impactaram naquele momento e ficam ali guardadas naquela memória afetiva. Então, a memória afetiva é aquele registro que nós temos na nossa história, especialmente na nossa infância, daquilo que mais pode ter nos marcado e que hoje perante alguns estímulos ali do nosso ambiente, uma música, um cheirinho, aquelas sensações, elas ativam essa parte também de nós. Então, eu acho que a memória afetiva para mim, ela é como se fosse o chão pelo qual percorremos durante a vida. E às vezes, eh, ela está ali constantemente nos lembrando que ela existe, que somos história, que o nosso presente ele está construído também por aquelas experiências que nós temos passado. Maravilha. Muito bem explicado o que é memória afetiva, né, pela Somai. E agora pergunto então pra Natália, por que algumas pessoas ficam mais presas ao passado do que outras, né? Tem a ver com insegurança, medo do futuro? O que que acontece com a gente em relação à memória afetiva? E essa, entre aspas, não sei se poderia ser essa palavra, mas prisão ao passado. É, tem tudo a ver com o que você disse, né? Como a Saira bem falou, é um caminho que nós já percorremos. é um caminho que nós já traçamos, que nós já conhecemos. Então, é muito mais fácil eu conseguir me alinhar ao que eu já sei e o que eu já conheço. E é muito difícil de se desprender do que eu já conheço para dar novos passos que eu não sei quais serão as consequências. Uhum. Então, em nome desse, dessa segurança, eu muitas vezes me prendo sim a caminhos gostosos, caminhos bonitos e felizes em que eu já estive. E às vezes eu tenho medo de dar um passo à frente que talvez me leve para uma experiência ainda melhor, mas que eu não tenho esse conhecimento. Exatamente. Tem algo que que tu falou que acho que me que me que me faz refletir. Não sei se se vocês já perceberam também que eu tenho um sotaque aqui. Sim, né? Eu sou peruana e moro no Brasil há uns 8 anos já. Olha que legal. Então gostei dos assuntos porque também me lembro quando eu ouço uma música e a maioria é brasileiro e aquela música marcou a minha infância. Sim, eu lembro. E a minha emoção de ouvir aquela música é muito diferente, por exemplo, das pessoas que não viveram essa parte da minha infância. Uhum. Mas aqui eu fui criando novas memórias e esse processo de abertura, como você falou, de dar um novo passo, pode ser muito assustador para nós como seres humanos, porque o nosso cérebro ele ele ele não vai gastar muita energia, então ele vai ir pros padrões que a gente já conhece, ele vai nem sempre para aquilo que possa ser melhor pra gente, mas o desconhecido é muito mais difícil do que o conhecido. O conhecido a gente já sabe, a gente já conhece o nosso cérebro, sabe qual caminho ir, né? E muitas vezes nós vamos repetindo e acho que muitas vezes sim, sem perceber. Eu acho que muita gente está ali repetindo algumas coisas e não se abrindo para novos caminhos às vezes porque nem sabe que existem novos caminhos também, né? Verdade, né? E essa questão da nostalgia, né, ela ela tem esse poder de nos reconectar com quem fomos. Mas quais são assim os perigos de viver preso a essa nostalgia, né? Isso eh pode afetar a nossa saúde mental? Com certeza. Uhum. né? A nostalgia é um sentimento muito bonito, é um sentimento eh que nos remete à infância, que nos remete aos nossos princípios, a quem nos ensinou as nossas bases. E ele parece essencialmente bom, mas nada é essencialmente bom. Tudo dependendo da dose, como qualquer Aham. coisa, pode ser veneno ou pode ser antídoto. Então, um excesso de nostalgia pode nos prender em padrões eh repetitivos e podem fazer com que nós não que a gente não acompanhe outras pessoas, que a gente não chegue no lugar esperado pro momento em que nós estamos. Vou dar um exemplo muito simples. Sim. Não existe lugar mais seguro do que o colo de mãe. Uhum. Se você tem 10 anos, mas se você tem 35 anos e você precisa resolver um problema importante, o colo da sua mãe não vai te ajudar a resolver o seu problema. Pode ser uma delícia estar lá, mas ele não vai resolver o seu problema. Muito bom, muito bem explicado, né, que eh essa essa sua colocação eh a gente consegue analisar, né, e visualizar mesmo esse exemplo e vira uma chavinha mesmo da gente, né? E eh como que a gente diferencia então uma lembrança eh gostosa de uma memória que de repente vai nos paralisar, sim. Eh, eu gostaria que todos aqui pensassem em lembranças muito boas, porque eu acho que todos nós temos. Uhum. Por isso que eu falei que a memória afetiva ela ela pode ser um tesouro, porque mesmo que passou, às vezes você pode voltar lá quando você tá precisando às vezes lembrar de algo que hoje tu não está mais vivendo, um ser querido que se foi e que você lembra ao ver alguma coisa que ele comia contigo, que vocês compartilhavam, né? Então ela ela pode ter muita potência porque ela nos lembra do que nos passamos. Por outro lado, eh, quando nós ficamos pressos a só aquilo que a gente viveu, me parece que ali pode ser que há algo que nos dentro da gente ainda não temos olhado, acolhido, entendido e até processado, como coloquei aqui, por exemplo, um luto, eh, ou pessoas que se foram da nossa vida ou mudanças que aconteceram ao longo da vida, mas que ainda às vezes só estamos lembrando muitas vezes nos deixam essa sensação de conforto e segurança no sentido porque a gente conhece, mas em alguns momentos pode não nos permitir nos abrir a novas experiências, a novos relacionamentos. Às vezes ficamos muito pressos naquela relação que foi muito boa lá no início e é tão difícil se abrir a relações até às vezes mais saudáveis, eh lugares ambientes de trabalho que nos ajudam no nosso potencial, porque justamente ficamos às vezes só olhando para aquilo que foi seguro naquele momento. Então, quando a gente se sente paralisado, quando afeta a nossa qualidade de vida, quando a gente começa a não dar passos para aquela vida que nós queremos construir com os valores que nós queremos, uma vida boa que eu acho que todo ser humano de alguma forma queira experimentar ao mesmo tempo. Não uma vida sem sofrimento. Uhum. Eu acho que como seres humanos às vezes temos tanto medo do sofrer, mas quem sabe porque o sofrer hoje em dia tem sido colocado como algo errado, como algo fraco. E mudanças vão nos trazer um desconforto, às vezes vão nos trazer um sofrimento e estarmos acompanhados, quem sabe, nesse processo pode nos ajudar a dar outros passos. Muito bem. Agora, Natália, essa memória afetiva é um baú de sensações que que nos conecta com a nossa essência, né? Ela pode trazer algo de bom, mas também pode despertar gatilhos. E como que a gente percebe que a gente de repente eh eh acionou um gatilho e que essa memória afetiva não vai nos fazer bem? Qual que é o momento em que a gente de repente precisa buscar ajuda? Porque aqui a gente tá falando de memória afetiva e quando a gente fala disso, a gente lembra de coisas boas, né? Mas nem todas as pessoas têm memórias afetivas boas, né? Então quando é bom é maravilhoso. Agora, quando desperta um gatilho que nos paralisa, qual é o momento de buscar ajuda? Qual é a o momento em que o corpo pede socorro? O que aciona esse alerta? É uma ótima pergunta. Entretanto, eu acredito que o melhor momento de buscar socorro é antes deste gatilho, antes do corpo pedir socorro. Sim. Se o corpo tá pedindo socorro, procure ajuda. Uhum. Mas a gente consegue identificar antes. O ideal é que a gente consiga identificar ainda antes. Uhum. Eh, você falou a palavra paralisia, o sinal de que uma memória não tá nos fazendo bem. de que existe um gatilho emocional, de que existe alguma coisa, é justamente essa paralisia, a estagnação, a evitação de lidar com alguma coisa referente à aquele sentimento, àquela lembrança. Então, eh, eu tenho uma dor e eu evito estar em lugares que me remetam a essa dor. Esse comportamento ele está indicando que existe algo naquela memória que eu preciso rever, que eu preciso compreender além da experiência que eu tenho tido. E buscar ajuda é o caminho para que a gente possa flexibilizar essa esse pensamento, essa memória, olhar de outra forma para ele. Eh, como a Somária, Somária, Somaira, Somaira, desculpa, como a Somaira explicou agora a pouco, eh, durante a nossa vida a gente traça um caminho. É como se nesse caminho, a cada memória, a gente fosse colocando uma plaquinha. Nessa plaquinha, a gente diz: "Aqui foi bom, aqui foi mais ou menos. Aqui foi ruim". como se a gente deixasse pistas para caso a gente volte, a gente se lembre que aquilo aconteceu. E isso é para nos ajudar. A gente nunca vai voltar nesse caminho. A gente não volta no passado. O que a gente faz é ter momentos no futuro na nossa vida que nos remetam à história que nós já tivemos. E então a gente volta lá naquela plaquinha e lembra como foi. E o ideal é que a gente use isso de referencial. para seguir adiante, para continuar nessa nova experiência que estamos tendo. Esse é o esperado. Quando eu olho pra plaquinha e eu fico com medo do que de dar um novo passo, porque aquela plaquinha me diz que aqui é perigoso, que aqui é ruim, ali eu vou paralisar, eu vou me esconder, eu vou evitar, eu vou fazer outra coisa antes de fazer isso. Então aqui eu tenho um comportamento de esquiva em que eu posso entender que esta lembrança, esta memória afetiva está me trazendo uma experiência ruim. E é o caso de avaliar e talvez sim procurar ajuda. E e algo que tu comentou também que acho que eu acrescentaria é tanto comportamentos evitativos. Então a gente às vezes tem medo de dar passos algo que que é bom. A gente sabe que é bom, mas a gente não consegue, né? Nem tudo eu sou querer. Eu quero, mas eu travo. Eu não vou. Eu sei que faz bem para mim, mas eu não consigo dar esses passos. Porque entre o nosso comportamento e o nosso pensamento, há uma parte, né, eh, realmente da memória afetiva, é aquela que está no meio, às vezes é aquela que vem mais rápido. Então, reações que às vezes são muito intensas perante o contexto que a gente está. Eh, vou dar um exemplo. Se vocês nunca passaram porque um cachorro mordeu vocês, vocês olham o cachorro, vocês passam pela frente. Mas se eu fui mordida por um cachorro, aquilo foi tão dolorido, tão traumático para mim, eu olho pro cachorro e minha reação emocional naquele momento pode ser evitar. Uhum. Ou pode ser eu começar a gritar aqui no meio do estúdio e vocês não entenderem o que tá acontecendo comigo e eu ficar muito ansiosa. Eu posso até começar a respirar rápido e a minha reação não está congruente com aquilo que está acontecendo agora. Uhum. Uhum. A minha reação está sendo muito mais intensa. O meu namorado não me mandou uma mensagem num momento que eu desejava e minha reação é me desesperar, é mandar muitas mensagens. A minha reação muitas vezes é de achar que tudo acabou. essa reação não está congruente com aquilo que está acontecendo. Então, muito provável que ali há alguma coisa, há uma memória afetiva, há situações traumáticas, que eu acho que há muitas memórias afetivas que podem ser traumáticas para muitas pessoas que às vezes muitas delas nem se lembram porque o cérebro faz isso, ele nos protege também de algumas questões. Então ele meio que desliga de algumas de algumas memórias, mas elas aparecem nas nossas reações perante as situações que nós passamos. Nossa, gente, que importante, né, esse bate-papo. São duas profissionais, são duas psicólogas eh eh terapia cognitiva e comportamental. Cada um segue uma linha, né? Cada uma segue uma linha, mas as duas se conectam aqui trazendo informações sobre essa questão, né, da nossa memória afetiva. E quando a memória afetiva nos trava pra gente viver coisas novas, né, pra gente viver o novo. E aí você tem medo, você eh dispara gatilhos e aí não sabe como lidar. E a gente é que tá começando a entender como que funciona essa questão da paralisação por conta da memória afetiva. Agora, é importante a gente salientar, eh, Natália e Somaira, é que a memória afetiva alguém constrói e o papel do pai e da mãe, né? Porque a memória afetiva, ela é construída desde a nossa, o nosso nascimento, quer dizer, desde quando somos concebidos, desde o útero, né? a memória afetiva, ela venha desde ali. Então, eh, o papel do construtor e a responsabilidade, né, dessa mãe e desse pai na construção da memória afetiva de cada um de nós. Gostaria que vocês pontuassem para mim essa essa colocação, né? Pode começar pela Natália, e depois a Soma completa. Pode ser, pode ser. Tá bom. Bom, qualquer pessoa que esteja no no função desse cuidado vai ser responsável sim pela estrutura que vai fornecer a esse a essa pessoa de que de quem ela está cuidando. Uhum. Então, uma mãe, um pai, eles vão formar aquela primeira noção de de família, de pertencimento, de lugar, de segurança daquele bebê, né? E a segurança a gente já viu que é muito importante. Quanto mais seguro a gente se sente no caminho, mais a gente consegue dar novos passos. Então, construir um ambiente seguro, com experiências afetivas, seguras, em que a criança tem a possibilidade de talvez errar, talvez expressar uma emoção que seja não seja mais legal, pode ser um pouco inadequada e ser acolhida dentro disso, é a construção de uma segurança para que ela possa se colocar no mundo em outros momentos, né? Mas não são apenas o pai e a mãe que são cuidadores. Nós temos os professores, temos crianças que não são criadas dentro desse mesmo tipo de ambiente. E dessa forma qualquer um de nós que esteja em posição de cuidado é responsável pela experiência que tá construindo com aquele outro. Uhum. Uhum. Eu eu vejo muitas vezes os pais querendo fazer o seu melhor e quando eles percebem que que aconteceu, às vezes se dão conta que repetiram aquilo que aprenderam das próprias experiências que eles tiveram. É verdade. Então eu acho que o papel do pai e da mãe não é de ser um pai e uma mãe perfeita, porque nenhum de nós é Uhum. Eu eu brinco às vezes para os meus pacientes, eu não sou uma terapeuta perfeita, mas eu sou uma terapeuta real que vai falhar porque eu estou num papel de cuidador e eu toco muitas vezes em as memórias afetivas daquele paciente que está em comigo, que é um adulto agora, mas que ele traz umas memórias afetivas que dentro da da minha abordagem que fala terapia de esquema, eu coloco como se fosse uma criança também está na minha frente. criança que não foi acolhida, a criança que não soube lidar com as emoções, porque às vezes falaram para ela: "Não chora, isso é fraqueza". A criança que foi super protegida e hoje às vezes tem medo de dar novos passos, a criança que não teve limites e que chega atrasada às vezes na sessão ou tantas outras coisas ali que vão junto além das experiências com a sua própria personalidade e o seu temperamento. Então, o cuidador em si, seja o pai, seja a mãe, seja uma família que eh não é convencional, tem um papel importantíssimo numa criança que está conhecendo o mundo através de uma relação. As relações eh são a parte mais importante que que nós levamos como seres humanos. Elas vão criar o chão seguro na nossa vida e ela vai ficar, é o chão pelo qual vamos percorrer provavelmente o resto das nossas vidas, mas de adultos vamos aprender a refazer aquele caminho. Só que aquela ainda existe, ela nunca vai ser eliminada. Nunca passei por isso. A gente só vai criar uma forma de nos atender hoje como adultos eh para aquela criança que às vezes não teve aquilo que ela precisava. Muito bem. Olha só, né? Duas profissionais, terapia cognitivo comportamental, duas psicólogas nos ensinando, né? Como é que tá a sua memória afetiva aí? Do que que você se lembra e que você eh gosta, né? que te arremete uma coisa boa do que você viveu. Manda pra gente a sua pergunta agora. 8:40. Produção, a gente tem pergunta aí para nós eh eh começarmos a responder, por gentileza? Se tiver, já coloca na tela, por favor. Olha aí, temos sim, ó. Então, a gente faz assim, tá? Eh, cada uma responde uma e a gente faz um pingpong e aí a gente vai conversando com o pessoal que tá em casa. Essa câmera aqui você fala direto com quem tá em casa. Então vocês fiquem atentos que elas vão falar com você, né? Essa que tá do lado aqui e vão falar direto com você que tá mandando aí a sua pergunta, tá bom? Vamos lá. O Caio do Taquaral, bom dia para você, Caio. Obrigada pela sua participação. Ele diz assim, ó: "Tem época da vida que parece impossível desapegar de certas lembranças. Isso melhora com o tempo ou a gente precisa de ajuda?" Vamos lá, Natália. Oi, Caio. Bom dia. Bom, Caio, depende, sempre depende. Ah, tem época da vida. Que época é essa? O que aconteceu nessa época? Eh, é um período em que se repete anualmente e aconteceu alguma coisa ruim. E nesse período do ano, você decide que você decide não, mas você se vê pensando muito em uma coisa com uma ferida eh dolorida. Imagino, talvez a perda de um ente querido. Eh, eu não acho que seja uma coisa para você pedir ajuda, mas vai depender muito do seu nível de sofrimento em relação a isso. É natural que a gente tenha lembranças e a lembrança é uma homenagem ao quanto aquilo foi importante. Mas se isso te paralisa, se isso faz com que você não consiga executar as suas tarefas diárias, ir ao trabalho, se sentir bem consigo mesmo, ser feliz também, apesar daquele momento ruim, talvez seja a hora de procurar ajuda. Muito bem, Cair, obrigada pela sua participação, viu? Obrigada aí pela sua pergunta. Uma ótima sexta-feira para você. 8:42. Vamos lá, produção, manda mais pra gente que agora a Somaira responde o Felipe do Jardim Nova Europa. Sempre que volto na casa da minha avó, sinto um vazio depois. A memória afetiva também mexe com o luto. Sou, que linda pergunta. Me identifico com você. Cada vez que eu volto na minha casa, eu saio de lá com uma sensação de vacio também. volta aqui e aquele vacio fica com outra cor. Que linda pergunta. Sim, a memória afetiva pode também mexer com o luto. Quando uma pessoa vai ou quando a gente finaliza um ciclo também é um luto. A experiência que nós tivemos com aquela pessoa, ela fica dentro da nossa memória, especialmente se aquilo foi muito significativo, se aquela pessoa foi muito importante na tua vida, especialmente se ela foi mais ainda na tua infância, né, e nos nossos avós, mais ainda. A gente lembra alguns assim, quem sabe não todos, Aham. com muito carinho assim sobre essa face. Então, mexe-se com a nossa memória afetiva e isso eu não acho que seja um erro. Eh, saber lidar com os nossos vazios também é importante. A vida não está só nos sentirmos bem o tempo todo. Sentir um pouco de vacio também fala que em algum momento da tua vida aquele lugar foi importante para ti. No meu caso também pode ser às vezes eu ir para minha casa e saber que eu saio de lá para a a vida que eu formei aqui me dá um vacio porque me lembra de muita coisa. a questão que aquilo não me paralisa, a gente consegue sair, ficar com aquele vazio, nos permitir sentir aquele vazio, ver o quão importante foi ter ido lá e vermos outras formas de conectar muitas vezes com a casa dos nossos avós, com estar com eles, sem que aquilo nos paralise. Então tem tem relação sim. Muito bem. 8:44, quando a gente fala de memória afetiva, é impressionante como a gente arremete a casa dos avós, né? Eu acho que a maioria das pessoas, né? é casa dos avós. E aí eu vi, eu, eu lembrei, eu lembrei de um eh de um post que eu vi na internet, eh quando a casa dos avós fecha a porta, né? É algo assim que E daí tem o desenho lá da casa, mas já envelhecida, é uma casa solitária, porque o avô e a avó eles já se foram e aí vem mais aquela questão da memória afetiva, uma receita da avó, né, que você uma comida que a avó fazia e que você hoje faz na sua casa. Não é a mesma coisa, nunca é, né? Mas a gente tenta porque para arremeter lembrança, para trazer aquela coisa boa, aquela coisa gostosa. Essa é a memória afetiva maravilhosa, né? E é isso que a gente gosta de sentir, mas tem aquela memória afetiva que não é tão boa de sentir. Então, a gente precisa ficar atento eh quando a memória é afetiva paralisa, né? E a essa questão da abordagem do programa de hoje, eh, a gente lembrar as pessoas que a memória ela faz parte da nossa vida, porque nós somos seres humanos, né, e a gente vive de história. E histórias são memórias, mas que a memória ela não pode paralisar e não pode impedir você de seguir o seu caminho e de repente de de viver algo que vai mudar a sua vida, né? E tem muitas pessoas que hoje elas sentem medo de seguir adiante, de repente uma nova proposta de emprego, né, de mudar de profissão, de mudar de cidade, de seguir algo que está ali eh proposto por conta da memória afetiva. Aí eu pergunto é pra Natália, tem algo que a gente possa fazer além de buscar, claro, ajuda de uma terapia, mas assim, algum exercício, porque já que a gente tá falando de memória, é algo que vai trazer e vai paralisar. E aí você tá diante do melhor momento da sua vida e poxa a vida, você quer tanto, mas tá te paralisando. Como que a gente trabalha esse cérebro para que ele entenda que a gente pode seguir? Bom, muito boa pergunta, um pouco difícil. Vamos lá. H, o que acontece? Uma coisa que se precisa lembrar sempre, que a gente tá falando de memória, é que memória é referência. Uhum. Não é ação. Memória é um lugar em que eu volto para buscar as minhas referências para continuar na vida que eu estou seguindo. Mas a gente viveu agora. A gente não mora na memória, a gente mora aqui. Então, se eu tenho uma experiência de trabalho no hoje e eu tenho memórias que vão me remeter a momentos traumáticos, a med, a momentos em que tudo já deu errado, eu posso fazer o exercício de entender que momento foi esse e o que eu aprendi naquele momento e diferenciá-lo do momento atual e pegar o que eu tenho na minha memória de referência para ter cuidados, mas não para ter medo. Porque a situação é outra. Eu sou outro. O eu que está nesta nova experiência de emprego é outra pessoa. Ele não precisa repetir o passado. Então, um exercício que a gente pode fazer é entender, acolher. A memória existe, ela veio, ela me disse coisas. Eu li aquelas plaquinhas no caminho e elas me dizem coisas. Eu leio, eu respeito que aquela informação ela é relevante e eu olho pro meu panorama atual. Esse é o principal exercício. O que está acontecendo agora, o que está acontecendo de verdade. E então eu pego as minhas referências e tomo uma decisão, né? O remedinho que a gente toma para paralisia se chama decisão. Quando a gente decide, a gente continua. Que maravilha, né? É isso, é decisão e guardar as memórias na caixinha. E tem memórias que a gente precisa deixar guardada na caixinha, né, Sam? Eh, sim, tem memórias que a gente precisa guardar na caixinha. Eu queria dar uma recomendação para vocês que estão do outro lado. Hã, todos nós temos eh emoções que vão ser desagradáveis, temos medos. O novo não se assusta. Eu fico um pouco nervosa aqui no começo. Agora já tô tranquila, ó, viu? Porque já já fica confortável. Sim. Tudo que a gente faz de novo é assustador. Ele é a primeira vez. Eh, não se cobrem muito para mudanças rápidas na sua vida. Eh, o teu passado, ele faz parte sim do teu presente. Não vamos apagá-lo, mas ele pode ser um lugar onde a gente aprenda quem nós já fomos. Então, um exercício que eu poderia assim, quem sabe fazer, que me veio assim na criatividade agora, seria, olha para uma foto tua de criança, ela vai te evocar emoções. Quando eu olho paraa minha, eu pergunto: "Que será que eu tava sentindo naquele momento? Você vai se emocionar? Você vai lembrar? acolhe aquilo naquele momento. Quando você olhar para essa foto dessa criança, coloca assim: "Ela em alguns momentos me visita hoje". Em alguns momentos, essa criancinha com medos, com questões ali, com cobranças excessivas, com tanta coisa que aconteceu, hoje ela me visita. Quando eu estou num novo lugar, ela se assusta. a minha memória afetiva ali junto comigo. Como que eu faria com aquela criança hoje sendo um bom cuidador? Como que eu ensinaria ela que agora estamos num lugar? como eu teria paciência comigo para poder dar esse passo. Quem sabe hoje adultos nós somos cuidadores um pouquinho daquele passado também e ter esse olhar compassivo, cuidadoso conosco nos ajuda. que acho que muitas das nosas decisões nós não percebemos, mas elas vêm do nosso límbico e às vezes pouco a gente vem pro nosso lado racional e o nosso límbico ali também é uma potência sempre quando nós sabemos cuidar muito bem até aquilo que nos faltou. Muito bem. Olha só, nosso programa de hoje fechando com chave de ouro a semana. vocês duas eh deixaram o ambiente tão tão gostoso. O ambiente aqui sempre é muito bom, mas eh a gente tá falando de um assunto e tá todo mundo meio que flutuando aqui. Delícia, né? As duas bem tranquilas, trazendo uma calma, é uma calma, uma tranquilidade, explicando pra gente de uma forma bem bem sucinta, né? Como que a gente pode trabalhar as nossas memórias afetivas. Em memória afetiva é delicioso, mas tem umas que não são e a gente precisa entender que elas ficarão aqui para sempre. A gente precisa ressignificar essas memórias e entender que nós precisamos seguir. E eu percebo que as duas falam muito da criança, né? Da criança, aquela criança resgatar aquela criança. Todos nós temos uma criança interior. Você aí, né? Toda durona, guerreira. Esse negócio de mulher guerreira já era, né? Porque eu não tô numa guerra não, eu preciso descansar. Hoje é sexta-feira e a gente precisa guardar a capa, né? Guardar a capa e parar de querer ser a Mulher Maravilha. Isso é algo bem importante de ser dito e todo mundo tem a sua memória, mas a gente precisa lembrar que a memória vem da criança, né? E nós temos a nossa criança interior e essa criança ela vive na gente, a ela tá aqui, entendeu? Então é sobre isso que a gente tá falando, é sobre resgate, é sobre ressignificação, né, Natália, e é sobre cuidado, porque de repente a gente tem uma memória que nós, se a gente resgatar ela nesse momento, a gente pode, de repente acalentar essa memória e ressignificar ela. Isso é possível? Uhum. Né? Uhum. Então, então eu acho que é importante a gente eh trazer isso para você que tá aí do do outro lado, para você que tá em casa e dá uma olhadinha, né, nas suas fotos, na sua memória, aproveita esse final de semana para fazer aí uma se conexão, é uma conexão e fazer um um ressignificar, né, das suas memórias, tá bom? 8:54. Mais duas perguntas e a gente já vai paraas considerações finais. O programa tá tão gostoso que eu falo que eu continuarei conversando com vocês hoje aqui até meio-dia. Maravilhoso. Vamos lá. Tem mais perguntas pra gente? Pode mandar. Tem gente que vive mais no passado do que no presente. A gente precisa ressignificar e viver o hoje, né? Porque o hoje é o nosso presente. Vamos lá. Viviane do Jardim Eulina. Porque o passado parece mais fácil e leve, mesmo sabendo que não era tudo perfeito. Hum. Será que é um problema meu? Ela pergunta, né? Ô, Viviane, responde ela, Natália. E aí depois também a Saira também pode eh eh complementar. É uma pergunta bem interessante, né? É, Viviane, hã, porque a gente não mora lá, por isso que parece mais fácil, porque a gente conhece, a gente sabe, é como um livro que a gente já leu. A gente pode ter achado até a história meio ruim, mas a gente já leu, a gente conhece a história. Então o passado ele sempre parece mais seguro porque já passou, eu sei o que aconteceu. Eu consigo tirar conclusões daquilo, eu consigo tirar boas experiências, tomar decisões para o futuro a partir daquilo. E o futuro é o desconhecido. O futuro, eu não tenho nenhuma referência, nenhum spoiler do que vai acontecer. Eu só consigo olhar para o futuro a partir das minhas referên minhas referências do passado. Então não, não é um problema seu. Todos nós nos sentimos mais seguros e tranquilos em em relação às referências que nós temos. Uhum. Muito bem, né? Eh, coloca de novo, produção, por favor, a pergunta aí na tela, que agora a Somária vai complementar. Estou aqui com o óculos social querendo ler a pergunta. Que bom que eu tô com óculos. Lá Viviane Jardim Olina. Somária. É somaira, né? É porque o passado parece mais fácil, leve, mesmo sabendo que não era tudo perfeito. E aí ela pergunta se é um problema dela. A Natália disse: "Não é problema só seu não, V meu também é nosso, né? É nosso. É nosso." Vê, vamos, vamos colocar o passado. Vamos colocar o passado como criança, que eu acho que vai ser mais fácil para tentar te explicar. Uhum. Hã, todos nós temos uma criança, todos nós fomos criança, todos nós fomos adolescentes, todos nós tivemos experiências. É o lugar mais importante de desenvolvimento da nossa vida. É ali que se forma a nossa personalidade. Então, imagina aquela face, é a mais importante. Ã, mas muitas vezes, para não lidar com algumas questões difíceis que a gente passou, a nossa criança aprendeu a se iludir e a idealizar para tentar olhar para aquela realidade de uma forma até, como tu colocou, mais fácil e leve. Então fiquei aqui quando quando eu lia perguntar, me veio duas coisas ali. Hum. Será que todo naquele passado foi mais fácil e leve? Ou será que a tua experiência, a tua criança, eh, quem sabe idealizou um pouco mais esse passado para passar por ele, né? Que tu falou: "Eu sabia que não era tudo perfeito, mas parece que tu era muito fácil e muito leve". É uma pergunta ali para tu refletir. E uma segunda coisa aqui que eu acho que também seria importante, o presente é a nossa vida adulta. E a vida adulta, ela tem muitos desafios que vão ser sim muito difíceis. termos sido criança, teve algumas facilidades ali dos nossos pais, das coisas que a gente passou, as nossas necessidades básicas, tanto emocionais como físicas, vinham deles. Então, nós éramos mais cuidados por essas pessoas que eram os adultos, né? Só que hoje quando nós somos adultos, às vezes somos nós fazendo tudo isso. Uhum. E eu acho que sim, a vida, a vida adulta dá um super trabalho. Não temos nem que idealizar. né? Dá muito trabalho. Quem sabe hoje essa vida adulta e quem sabe até relacionando um pouco com a tua história, pode estar teando um pouco mais, que é a gente não mora no passado, mas ele faz parte da nossa vida, é a nossa criança. A nossa criança não é errada, ela nem é certa, é só uma parte nossa e quem sabe ali mora a nossa essência também. Eh, mas hoje como adultos, nós podemos também nos responsabilizar por cuidar dessa criança e que hoje nós somos capazes de lidar também com algumas coisas da nossa vida adulta que dão um baita trabalho, mas que a gente não tá sozinho, que a gente pode pedir ajuda, que a gente pode ter grupos, de que a gente aprende as coisas aos poucos. Eh, todos podemos ser iniciantes em algo em algum momento da nossa vida. E está tudo bem. Muito bom. Agora, eh, nós adultos somos responsáveis por nós mesmos, inclusive criar as nossas memórias que serão afetivas quando estivermos eh um 80 a mais. É isso, né? Então, como é que a gente faz para criar memórias afetivas para nós mesmos hoje? As memórias que serão afetivas lá na frente, Natália, valorizando o presente, valorizando o momento, né? Até queria retornar um pouquinho na pergunta da Viviane, mas respondendo essa também. Eh, como a Saira falou, as experiências infantis elas são muito importantes. A gente precisa entender que faz parte de quem nós somos nos construiu, mas a gente está no nos construindo, né? E como na pergunta dizia, o passado parece mais leve, o passado parece mais bonito, porque no passado não tem mais chance da gente errar. Ou a gente já errou, ou a gente acertou, ou não. E no final das contas, tudo bem, deu, a gente passou por isso. Isso. Então, como imagina que a gente vai fazer uma prova de matemática. Quando a gente tá na quinta série fazendo frações, aquilo parece a coisa mais importante do mundo. E a gente sofre e a gente chora, e a gente leva bronca do pai porque não estudou direito. E aquilo é muito importante e tem muito sofrimento. Hoje, quando a gente olha para trás e lembra da quinta série fazendo frações, a gente entende que era importante sim, mas que existiam coisas muito mais difíceis com as quais nós íamos eh percorrer o nosso caminho, com as quais lidaríamos na nossa vida. É isso que nós não temos no presente e que nós temos quando olhamos pro passado. Essa clareza de que aquilo que parecia tão importante era muito importante naquele momento, mas não era a coisa mais importante da nossa vida. Haviam outros momentos mais importantes que passaríamos, dores mais relevantes, desafios ainda mais complicados. O que a gente pode fazer no hoje é valorizar os desafios que nós temos atualmente, valorizar a história que nos trouxe até aqui, não nos comparar com outras pessoas que viveram outras histórias, que t outras memórias. não ser honesto com nós mesmos, com qual foi o caminho que me trouxe até aqui, o que é esperado dessa pessoa que chegou até aqui e como eu posso percorrer a a minha vida. Como eu posso percorrer a minha vida de uma forma memorável, de uma forma que eu me orgulhe? Qual é a história que eu quero contar quando eu tiver com 80 mais? É pensando nisso que a gente consegue construir novas memórias e principalmente vivendo novos afetos, né? a gente tem memórias afetivas porque houve afeto. É não se eximindo de ter afeto. Então, quando eu tenho medo, quando eu fico revivendo eternamente o mesmo momento da minha vida, eu tô me poupando de sentir novas emoções em relação à aquilo, de construir uma história nova que eu possa me orgulhar em relação àquela situação. É isso. Bora construir novas histórias todos os dias, né? Se reinventar. começar, recomeçar e e seguir. A gente precisa seguir. Nada de ficar paralisado por conta de uma memória que não te fez bem, né? Busca ajuda, procura. Tem gente que eh olha, tem gente especialista nisso, você tá vendo aqui no programa, né? Então a gente consegue sim e a gente precisa ressignificar e viver o nosso presente, mas também construir memórias com afeto, como disse a Natália e a Somária. Gente, que delícia. esse programa, né? A gente falou de memória afetiva, a gente fala de nostalgia, quando ela impede da gente viver o presente. Eu acho que deu paraa gente começar a entender, né, a importância que são as memórias afetivas. Então, você que tem aí a sua família, né, eh busque viver mais memórias, né, eh são coisas que a gente vai levar paraa vida, né? A memória é o que a gente leva paraa vida. Às vezes você quer comprar um presente caríssimo, mas você não dá um abraço, né? Então, o que vale mais? Será aquele presente? De repente pode ser utilizado hoje, mas ele vai ficar no cantinho do guarda-roupa depois, mas o abraço ele vai ser carregado na memória por toda a vida. Então, a gente precisa assim entender a importância das memórias afetivas. Nossa, gente, que delícia. 9:4 meninas, a gente precisa encerrar. Eu quero muito agradecer a participação de vocês. A gente fecha a semana com chave de ouro. Agradeço os nossos telespectadores. Eles eh ajudam, né, a gente a completar essa missão que é de informar, é de levar conhecimento e a nossa produção que conseguem trazer pra gente eh eh abordar aqui assuntos especiais e profissionais maravilhosos. Que delícia. Muito obrigada, Natália. Considerações finais, por favor. E obrigada pela sua participação mais uma vez. Hã, eu quero agradecer a oportunidade. Eh, sempre muito bom. É bom a gente saber que tem um espaço em que a gente possa falar sobre conteúdos tão relevantes, tão importantes e saber que tem pessoas realmente preocupadas com isso. Eh, eu acho que para finalizar, o que eu posso dizer é que a gente, se não ficou claro, eu vou repetir, o que a gente precisa é parar de ter medo de viver, né? a gente precisa olhar paraa nossa vida com carinho, porque só nós somos responsáveis pelo que estamos construindo com ela, né? Então, se existem aí memórias que estão reprimidas, que estão guardadas, traumas, medos, eh, tente olhar para isso com os olhos que você tem hoje, com a idade que você tem hoje, e pensar, tá, o que que a minha criança, como como a Somaira tanto trouxe, o que que a minha criança viveu ali, que história que ela tá me contando e como é que eu posso acolher isso? como é que eu posso ressignificar isso para minha vida, né? Então, a memória afetiva, ela pode ser num lugar muito especial de referência, de identificação, de identidade, de saber quem eu sou e como eu me formei. Mas é importante que a gente entenda que ela sempre será referência, que a vida está no agora e que ela vale muito a pena ser vivida. Ai, que coisa mais linda. Muito obrigada, Somária. Somaira Nogueira. Olha só, né? Somai um nome bem diferente, muito bonito, imponente. A gente agradece a sua participação, brilhante participação de vocês duas aqui no programa, Somaria. E eu quero agradecer mesmo a sua presença, porque eu sei que, gente, o trânsito hoje tava terrível, né? Agora pela manhã e é muito cedo, né? Então vocês tem que levantar bem, todo mundo levanta cedo, claro, mas aí é para vocês é algo bem diferente. Então assim, se disponibilizar para poder est aqui, para poder passar informação, o conhecimento, gente, é maravilhoso. Obrigada, obrigad, muito obrigada. Muito obrigada, viu? Muito obrigada pelo convite. Eu fiquei pensando aqui que que eu posso fazer, tenho muitas ideias na minha cabeça. Então, vou dar um exemplo. Ah, voltando paraa nossa criança, h, ela tá presente mais do que você imagina na tua vida. Ela está no sofrimento que tu passa hoje. Ela está nas coisas que hoje tu paralisa. Não paralisa porque você não quer, paralisa porque algo já aconteceu e te assustou muito. E eu acho que hoje nós podemos ser adultos mais compassivos conosco, sermos pessoas que conectem com essa parte. A emoção só se trata com emoção. A memória afetiva só se trata com novas memórias afetivas, com experiências emocionais, não só racionais dentro da nossa vida. Um copo pode ter sido quebrado. Hoje na nossa vida adulta, com muito carinho, acho que até um uma frase ali oriental, eles vão juntando aquelas peças com o que o que cola essas pecinhas é uma parte de ouro. Então aquela caneca ou aquele copo fica muito mais bonita quando isso acontece. Esse é o poder que nós hoje temos de nos refacermos. Então, o meu convite é ali. Se tu tá sentindo que tá pressa, não se cobre por aquilo, mas olha para dentro de você o que já aconteceu contigo. Procura uma ajuda, não se desconecta, presta atenção nas tuas emoções e tu mereces uma vida colorida, não só com as cores que a gente conheceu, que parecem ser as únicas. a uma vida com vermelho, amarelo, branco, a uma vida extensa, a novos amores, novas experiências, novas conexões. Eu acho que a vida está muito mais nessa humanidade compartilhada. É ali que criamos experiências muito mais significativas. Uau, parabéns. Muito bom, gente. Que delícia o programa, hein? Nossa, eu preciso encerrar. Vamos encerrando, agradecendo a sua audiência, a sua companhia e é isso. A memória afetiva nos forma, mas também pode nos deformar, né, se não for bem compreendida, ressignificada, tratada. Então, eu gostaria de agradecer demais a presença da Somaira e também da Natália por trazerem um olhar tão cuidadoso sobre esse tema, né? A gente agradece muito a presença de vocês aí de casa, das nossas psicólogas. E eu quero chamar você pra segunda-feira. Segunda-feira, eh, nós temos estúdio Câmara a partir das 8 da manhã e nós vamos falar sobre uma dor silenciosa, muitas vezes invisível, o luto interrompido. A gente vai falar de famílias que perderam entes queridos, principalmente na pandemia, né, sem poder se despedir, de pessoas que aguardam há anos notícias de desaparecidos, tragédias naturais que tiram vidas e deixam corpos soterrados sem a chance de um adeus. O que acontece com o coração de quem não teve o último momento? Como elaborá, elaborar o luto sem um ritual de passagem? É difícil, né? É só quem vive para saber contar. Um programa para refletir sobre dor, sobre a ausência e a importância do direito de se despedir. É na segunda-feira que nós vamos abordar esse tema, hein? E olha, na última abordagem sobre luto, eu não aguentei, né? Vamos ver se na segunda-feira eu tô com o meu psicológico mais preparado aqui. E a gente, claro, precisa abordar, né, temas eh eh que nos remetem à alegria, temas que nos arremetem à tristeza, porque a gente precisa aprender a conviver com as nossas emoções. E é por isso que a gente fala de comportamento no nosso estúdio Câmara. Valeu, gente, pela semana. Valeu, produção pelo apoio, sempre a nossa equipe, né? Tem uma galera que trabalha para fazer esse programa ir ao ar e todos os programas da TV Câmara Campinas. Quero convidar você para ficar ligadinho com a gente. Nós temos eh estreias de programas e quadros no final de semana, gente, espetaculares, tá? Então, fique ligados na TV Câmara Campinas. Hoje, sexta-feira, nós temos jornal eh, Câmara Notícia, a partir do meio-dia, com informações do legislativo campineiro e de toda a nossa metrópole. E a programação da TV Câmara Campinas é diversificada e feita com muito carinho, especialmente para você. Combinado? Um beijo grande para você que tá em casa, uma ótima sexta-feira, um ótimo final de semana. Valeu. A gente fecha a semana feliz da vida com chave de ouro, levando conexões, informações, produto de qualidade. A gente sabe que a gente tá lançando uma sementinha e eu espero que sim, ela germine e floresça aí na sua vida. Um beijo grande, fica com Deus, ótimo final de semana e a gente se encontra na segunda-feira a partir das 8 da manhã ao vivo com mais uma edição do nosso estúdio Câmara aqui na TV Câmara Campinas. Valeu, gente. Tchau, tchau. Fica com Deus. [Música] [Música] [Música]