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Estúdio Câmara | Por que estamos sempre com pressa?
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Estúdio Câmara | Por que estamos sempre com pressa?

27 views Publicado 07/08/2025 HD · 52:23

Descrição do vídeo

⏱️ Vivemos com pressa — mas para onde estamos indo? A nova edição do Estúdio Câmara, exibida nesta quinta-feira (07/08/2025), convida você a refletir sobre a cultura da pressa e seus impactos na saúde mental, nos vínculos afetivos e na forma como vivemos o tempo. Em uma sociedade que valoriza a produtividade a qualquer custo, estamos cada vez mais acostumados à urgência: queremos respostas imediatas, resultados rápidos e rotinas cheias de tarefas — mesmo que isso nos custe equilíbrio emocional, qualidade de vida e bem-estar. Mas afinal, estamos correndo por necessidade ou apenas repetindo padrões impostos pela lógica da produtividade extrema? 👉 Nesta conversa profunda e necessária, recebemos duas especialistas para nos ajudar a entender melhor esse fenômeno: Mirelli Oliveira de Souza Nunes, psicóloga com abordagem humanista, que traz uma reflexão sobre como desacelerar pode nos reconectar com o presente, com nossas emoções e com uma vida mais significativa. Rafaella Fiori, psicóloga e psicanalista, que analisa os aspectos emocionais, sociais e inconscientes dessa urgência constante que nos consome. ✨ Ao longo do programa, debatemos questões como: A pressa como sintoma de uma sociedade adoecida. Os efeitos psicológicos do excesso de produtividade. Como a ansiedade pelo futuro afeta o agora. Estratégias reais para desacelerar e cuidar da saúde mental. A importância do ócio criativo, da pausa e da escuta interior. 📺 Assista ao episódio completo para refletir: estamos vivendo ou apenas reagindo? Apressar a vida pode nos fazer esquecer o que realmente importa. Vamos juntos desacelerar e aprender a respirar? 📢 Deixe seu comentário! Você também sente que vive no modo automático? Compartilhe sua experiência, curta o vídeo e envie para alguém que precisa desacelerar. Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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Olá, [Música] muito bom. Bom dia, seja bem-vindo. Estamos chegando com mais uma edição do nosso estúdio Câmara aqui na TV Câmara Campinas. Como você está? Tudo bem por aqui? Tudo ótimo. Quinta-feira, 7 de agosto. Vamos embora, vamos conversar, vamos debater a tal cultura da pressa, né? Você tá com pressa, já correu hoje? Pois é, como a urgência constante influencia nossa saúde mental, nossas relações e também a nossa capacidade de viver com qualidade. Para isso, a gente já está com as nossas convidadas aqui no estúdio e com você aí de casa que pode participar conosco mandando sua mensagem através do nosso WhatsApp que já está na sua tela. Conta aí pra gente, você já saiu correndo hoje? Já se atrasou, né? Tem que entregar tudo de uma vez. Olha, é complicado. Por que será que a gente vive com tanta pressa? E a nossa qualidade de vida como fica? Conta pra gente aí o seu depoimento, a sua dúvida, se é natural todo mundo estar com pressa e o que que acontece na nossa cabecinha quando a gente faz tudo apressado. WhatsApp na tela para você e a gente conta com a sua participação. E vamos com informação. Você aí de casa, já pensou em concluir o ensino médio indo à escola apenas uma vez ao mês? Ah, essa é a proposta, gente, do novo modelo de ensino flexível que acaba de chegar em Campinas, né? A Escola Estadual Professor Nelton Pimenta Neves foi escolhida para participar da fase piloto do programa que faz parte da modalidade EJA, que é a educação de jovens e adultos. Voltado para quem precisa conciliar os estudos com o trabalho ou responsabilidades, o modelo exige frequência mínima de apenas uma aula presencial por mês em cada disciplina. O início das aulas está previsto para o dia 25 de agosto, no período noturno. Atenção, para se matricular basta apresentar RG, comprovante de residência e histórico escolar. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas diretamente em escolas estaduais, nas unidades poupaempo ou online pela plataforma sed, tá? Se o aluno não tiver documentos que comprovem a escolaridade anterior, será aplicada então uma avaliação para identificar o nível de conhecimento. Também é possível aproveitar matérias já cursadas anteriormente. O novo formato está sendo testado em 20 escolas da rede estadual de São Paulo e promete facilitar o acesso à educação para quem não conseguiu concluir os estudos na idade regular. Então esse é o momento, essa é a hora, bora estudar, porque quem diz que você precisa, né, de um tempo certo para iniciar alguma coisa? Vamos lá, aproveite a oportunidade. Previsão do tempo paraa cidade de Campinas. Vamos. Bom, todo mundo falando de uma frente fria que vai chegar no final de semana, mas por enquanto tá tudo certo. Mínima 12, máxima 24. Hoje nós temos eh algumas nuvens no céu, sem chuva, mas a previsão do tempo indica que nós teremos aí um dia muito gostoso, né? Um céu azul de brigadeiro e um solzão brilhando lá em cima, apesar das nuvens no nosso céu de Campinas. Essa é a previsão do tempo para você para hoje, quinta-feira. Vamos lá, então, ao nosso tema central do estúdio Câmara. A chamada cultura da pressa é marcada pela ansiedade em concluir tudo rapidamente, mesmo que isso não comprometa a qualidade, o bem-estar e as relações pessoais. Mas será que essa urgência, gente, ela é necessária mesmo? Ou a gente apenas repete padrões impostos por uma logística de produtividade extrema? Essa pauta propõe refletir sobre a aceleração, como essa aceleração afeta a nossa saúde mental, nossos vínculos e a nossa capacidade de estar no aqui e no agora. Afinal, o que a gente deixa para trás ao viver um mundo automático e acelerado, hein? Já parou para pensar nisso? Vamos dar as boas-vindas, então, às nossas entrevistadas. Recebemos a psicóloga humanista Mirele Oliveira de Souza Nunes. Seja muito bem-vinda. Bom dia. Bom dia, Rub. Eu agradeço o convite. Esse tema muito relevante. É um prazer conversar com você a respeito dele. Maravilhosa. Para completar o nosso time desta manhã aqui do estúdio Câmara. Rafaela Fiore, psicóloga e psicanalista. Seja bem-vinda mais uma vez aqui ao nosso estúdio Câmara. Rafa. Muito obrigada. É um prazer estar aqui de novo, né? E com vocês aí de casa também. Maravilha, gente. Olha, vamos lá. Compressa. Você tá Hoje eu levantei apressada, carro não pegou de manhã e aí eu fiquei com muita pressa, muita pressa, muita pressa. Mas depois o que que eu fiz? Eu respirei, falei: "O pao lá, né? A pressa é a inimiga da perfeição, né?" Já dizia a minha avó. Então, precisamos respirar porque tudo dá certo. No final tudo dá certo, tá bom? Alguns dados que têm relação com a pressa. Olha só, em 2024 foram concedidas 472.000 licenças. 472.000, tá? Licenças por transtornos mentais, o maior número em 10 anos, cerca de 67% a mais que em 2023. os afastamentos relacionados à saúde mental, mas que dobraram em 2022 e 2024 com o aumento de pasm 134%, destacando ansiedade 27,4% e episódios depressivos 25,1% são dados da Organização Mundial da Saúde. Gente, o que que é isso? Tá todo mundo parando por quê? Por conta da pressa. É, dá um contraponto aí, né, Mirele? Vamos lá. Olhando pelo ponto de vista da psicologia humanista, né, como é que essa pressa cotidiana interfere na nossa qualidade de vida e no nosso bem-estar emocional? Bom, eh essa pressa, ela vai interferir muito nessa qualidade de vida que a gente vai ter, né? Porque assim, a pessoa do ponto de vista humanista, você precisa estar muito em contato consigo mesma. existe essa necessidade de você passar assim, entender o que que você precisa. Então assim, quando a gente não está em contato com nós mesmos, eh eh essa essa cultura da pressa, ela vai atrapalhar muito as nossas relações, né? É, então é necessário uma busca constante sobre o que você precisa, o que que você gosta, quais são os seus objetivos para você não ser influenciado pela cultura da peça, porque senão você pode ir pro lado do adoecimento, né? É impressionante, né? a gente para para refletir. Eh, estaremos apenas repetindo um ritmo imposto, né, pela sociedade ou a gente se tornou cúmplice de uma sociedade que privilegia o fazer em detrimento do ser. Vale a pena a gente parar para pensar, né, Rafaela, na perspectiva da psicanálise. Tem raízes emocionais e sociais que alimentam essa sensação de urgência que permeia no nosso cotidiano, que qual que é a avaliação que você faz? Sim, com certeza. Eh, quando a gente fala, né, eh, de uma pessoa com agenda lotada, com inúmeros compromissos, eh, que não tem tempo para si, não tem tempo para saúde, não tem tempo para bem-estar, a, a gente fala de uma pessoa que de alguma forma também tá fugindo de si mesmo, de alguma forma não constrói esse espaço eh de relação interna consigo e aonde também isso vai gerando prejuízos em todos os âmbitos da vida, porque é uma vida, né, que que a agenda tá cheia, mas não tem espaço para si. É uma vida vazia, na verdade. Nossa, que forte que você disse agora, Rafaela, uma vida de agenda cheia é uma vida sem espaço para si. Você aí de casa, né, eh, já parou para pensar, a sua agenda tá cheia, mas aí surge uma outra oportunidade e você coloca na agenda também e aí a sua agenda, a agenda fica abarrotada. E aí, como é que tá a sua emoção? Como é que tá o seu tempo? Às vezes a pessoa fala: "Não tenho tempo nem para comer, não tenho tempo nem para para assistir um filme, para ler um livro". Gente, será que isso é normal mesmo? Até que ponto a gente vai correr assim? Nós fomos eh obrigados e nos forçados a parar na época da pandemia e a gente percebeu que nós não estávamos tão bem quanto parece. Isso por quê? Porque nós vivemos no automático e a gente não tem tempo eh de sentir as nossas emoções. Então isso leva a gente pensar, será que a gente não está adormecendo as nossas emoções para viver nesse automático, né? Aí eu pergunto pra Mirele, né? O que que essa a psicologia eh humanista ela sugere como ferramenta pra gente romper esse ciclo de aceleração interna? Porque é uma aceleração interna que existe, né? Porque o externo tá aí exigindo que você esteja acelerado o tempo todo mesmo. Agora, se o meu interno está tranquilo, eu não vou ficar acelerada. E aí, como é que a gente faz essa autoobservação e uma reprogramação pra gente poder desacelerar? Mas tem que ser internamente? Sim, Rúbia, é muito bem colocado, porque essa cobrança externa, ela sempre vai existir. O mercado de trabalho sempre tá exigindo da gente, né, que que eu tenho um posicionamento que é entregue resultados. Então, que eu busco muito na terapia, muitas pessoas chegam adoecidas, estressadas, é buscar de novo a pessoa a consciência, né? Elas t que estar consciente, tem que ter muito claro de novo quais são os objetivos da vida dela. O primeiro passo, então, é esse, fazer a pessoa buscar retomar a sua consciência. Esse trabalho tem identificação para mim, né? A vida que eu tô levando hoje tá fazendo sentido para mim, porque o que acontece é isso. Eu vivo no piloto automático e eu não presto atenção muito bem em como as coisas estão acontecendo, né? Então assim, eh, o primeiro passo é essa retomada de consciência e também eu vou sempre buscando fazer perguntas para mim, né? O o que eu tô vivendo aqui hoje tá fazendo sentido para mim, né? Eh, buscar realmente essa questão do sentido e também a gente pode usar as técnicas de mindful, então para eu estar aqui com a minha atenção plena no momento presente, né? no aqui, agora, no hoje. Então, essas são algumas ferramentas que tem como a gente usar para buscar, né? É, gente, nós precisamos estar no aqui agora, né? Muitas vezes as pessoas estão nesse momento fazendo algo, então a sua atenção deveria estar claro, plenamente no que você está fazendo, mas não, a pessoa tá fazendo aqui, mas ela tá pensando ali, tá pensando lá, tá pensando lá. E aí o que que acontece? a sua respiração, ela fica mais acelerada, vem a ansiedade, uma confusão mental que é impressionante. Eu já passei por isso também. Às vezes a gente quer resolver tudo de uma vez e enquanto você tá resolvendo um, você tá pensando no outro. Gente, a ansiedade faz você parar, né? Vai chegar um momento que você vai parar ou sim ou sim. E aí a gente tem a respiração consciente, a gente tem a autoobservação para olha no espelho, sabe? fala: "Poxa vida, mas eh qual que é a minha prioridade?" "Ah, tudo é prioridade." Não, não é, não é. A gente precisa aprender a colocar prioridades na nossa vida. E mesmo com técnicas simples, né? Como a respiração profunda, eh, tem outros pontos que podem ser assim magníficos pra gente poder desacelerar. E é isso que você acompanha agora aqui no nosso estúdio Câmara. Quero convidar você para participar, tá? Eh, manda pra gente seu depoimento, fala conosco como é que você tá, você tem corrido demais? Você está sem tempo para almoçar de repente, né? Você sabia que isso pode atingir a sua saúde mental? E aí depois é bem complicado ajustar tudo isso, né? Então, vale a pena. 199729377. Vale a pena, sim, você fazer aí uma reprogramação de si mesmo, sabe? e ver qual é a sua prioridade. Agora eu pergunto paraa Rafaela, os efeitos psicológicos, eu acabei de falar de de ansiedade, mas eu gostaria que você falasse sobre ansiedade, a dificuldade de concentração e a desconexão emocional que essa pressa exacerbada causa pra gente? Eh, eh, a gente pode adoecer mesmo? Isso é é comprovado cientificamente? O que que a psicologia traz pra gente sobre o adoecimento mediante essa pressa no cotidiano? Rafaela? Sim. é algo que a gente observa muito, tanto no contexto clínico quanto no contexto social, eh, que aquele sujeito que tá ali com muitas tarefas, que tá ali vivendo para outras pessoas, vivendo uma vida que não é dele, eh, ele passa por níveis de estresse muito grande, porque eh aquela pessoa, né, que ela é amada por aquilo que ela faz, por aquilo que ela entrega, tem medo de não ser amada por aquilo que ele é. Então ele vai se desencontrando de si. E é um cenário perfeito para um adoecimento, porque o cortisol tá alto, o estresse tá alto e aí vai tendo as manifestações fisiológicas. Como assim? Eh, então aquilo que ele não tá falando, que ele não tá elaborando, que ele não tá pensando sobre si, começa a virar sintoma. dor de cabeça, eh, dor no estômago, insônia, estress, eh, ou até o cansaço excessivo. E aí toda aquela produtividade que ele tava entregando para tudo que era de fora começa a cair também. Hum. E aí vem aquele vazio, nem para isso eu estou conseguindo, nem isso mais eu tenho. E aí é onde força, né? E esse adoecer, apesar de ser ruim de sentir, é um mecanismo do corpo de de defesa. Então quando a pessoa adoece, ela é trazida de volta para si. Agora você tem que olhar, agora você tem que sentir. Gente, mas será que a gente precisa adoecer, né? Será que a gente não pode entender que o corpo está gritando, o corpo está falando? A gente precisa observar que o nosso corpo ele fala, né? ele dá sinais e a gente tem que estar atentos a a esses sinais, porque como a Rafaela muito bem colocou aqui, vai chegar um momento que você vai ter que parar e de repente se você não parar eh eh dando atenção aos sinais, o corpo vai entrar em colapso. Aí você vai ter que parar mesmo. Agora, eh, Mirela, conta pra gente o seguinte, eh, essa cultura da pressa, ela está enraizada na nossa, no nosso seio familiar? Você tem uma visão de que isso vem desde a infância? A forma com que a gente cria os nossos filhos tem a ver com o comportamento que a gente está presenciando hoje referente a essa cultura? Sim. Eh, Rúbia, tem muito a ver, sim, porque assim, eh, nós somos criados muito a ter um elogio, a ter valor, por exemplo, a ser amados, fica muito condicionado a quando eu estou entregando algo, né? muitas vezes fica eh se eu sou uma criança boazinha, se eu faço aquilo que é esperado de mim, aí eu tenho amor. Eu não sou amada simplesmente porque eu sou a Rúbia, simplesmente porque eu sou a Mirele. Então o amor ele ficou muito acondicionado a uma entrega. Então assim, e a sociedade hoje é toda assim, eu tenho valor enquanto eu estou produzindo. Se eu não estou produzindo, eu não tenho valor, né? muitas pessoas ficam até perdidas em relação a isso. Então, sim, é uma cultura que vem desde lá da infância que a gente vai aprendendo isso. Então, na terapia é muito importante a gente trabalhar essa questão de que muita que o meu valor ele está relacionado a às minhas qualidades e não o que eu posso oferecer ao outro. Olha isso, gente. Então, eh esse bate-papo rápido que nós tivemos aqui, a gente pode analisar da seguinte forma. Eh, essa pressa, esse entregar, esse eh estar pronto, eh tem a ver então com a necessidade de autoaceitação. É isso, Rafael. A gente faz tudo para que o outro nos aceite e isso tá condicionado à pressa. É isso mesmo. Isso mesmo. Eh, quando eu também não me aceito, né, não chego nesse lugar, é, de intimidade comigo mesmo, eu vou buscando na outra pessoa. Então, assim, eu preciso provar o meu valor o tempo inteiro. Eu preciso provar que tem um motivo para eu existir o tempo inteiro. é como se a minha vida, né, tivesse relacionada a isso. Eh, e um bom exemplo, por exemplo, é a aposentadoria, né, quando o sujeito se aposenta, né, que ele se vê eh longe do trabalho, longe dessas relações sociais, eh, e aí finalmente vem o descanso que ele almejou a vida inteira, ele adoece, né, porque não teve esse contato, essa proximidade consigo durante todo esse período. Então ali começa uma nova descoberta de novo, né? uma vida sem esse servir, mas uma vida pautada em si mesmo. Seria tão bom, né, se a gente pudesse eh nos redescobrir a todo momento e ter aí uma autoconsciência e e cuidar da gente com mais carinho, né? ter uma auto paixão, uma auto uma autocompaixão, aliás, porque a gente, o que a gente tem mais visto diante desses dados que nós passamos aqui no início do programa são pessoas adoecendo, né, por conta dessa pressa, esse viver no automático. Agora, quando a gente tira a pressa, vamos lá, pressa na rua, pressa no mercado, pressa para tomar banho, pressa para comer, come, engole, não come, né? E pressa para chegar no trabalho. Chega no trabalho, pressa para entregar. O que que é essa pressa? no ambiente profissional, ela pode causar, Mirella, com a gente, ela pode desencadear, como que você avalia essa questão da pressa no ambiente profissional? No ambiente corporativo, ela pode levar pessoal ao adoecimento, né? a eh ela vai ficar tão estressada se ela tiver entregando muito mais do que ela consegue dar ali, se não tiver sentido. Essa busca de sentido é muito importante paraa vida da pessoa, porque ela começa a entrar num nível de esgotamento que ela não dá conta mais de estar aqui naquele ambiente. Ela começa a pagar um preço muito alto por est vivendo eh fazendo aquelas escolhas. E é interessante, Ruber, que muitas vezes as pessoas não têm consciência, né, de que elas estão nesse modo tão automático e se perdem até. Por que que eu tô vivendo essa vida? Eu levanto, eu tenho que trabalhar e eu chego ao final do dia, eu nem sei o que eu fiz, né? Fica aquela aquela correria de chegar a sexta-feira para eu aproveitar o fim de semana, né? Então, e aí chega no fim de semana, não aproveita o fim de semana porque tá com cansaço extremo e aí não tem energia, sabe, para ir num parque, para eh eh conversar com um amigo ou para sentar numa roda de conversa, bater papo com as vizinhas, enfim, quer ficar só deitado, só deitado. Aí é hora de que acende um alerta, né, Rafaela? porque e esse cansaço mental que nós estamos tendo por conta dessa pressa, porque eh a maioria das pessoas elas hoje eh o cansaço é mental, né? E e a pressa está ligada a esse cansaço mental, mas daí quando chega o final de semana, se você tá sem energia nenhuma. Então a gente precisa estar atento, porque me chama atenção o seguinte, você trabalha de segunda a sexta no automático, naquela pressa, parece, sabe, o ratinho e eh correndo na rodinha ali e e quanto mais ele corre, mais ele quer correr e ele vai vai pega uma velocidade imensa, de repente ele cai e aí ele cai estafado, na estafa. É mais ou menos isso que que eu vejo, né, na maioria da vida das pessoas que vivem nesse mundo frenético e e na pressa. Agora, final de semana, não consigo fazer nada, estou com cansaço, exacerbado, só esperando a segunda-feira para recomeçar. Tá na hora de rever os conceitos, não é? Sim, pode falar pra gente, Rafaela, o que que a gente tem que se atentar eh quando chega a sexta-feira? Eh, eh, sexta-feira eu acho que tá amplamente associada, né, a um descanso para quem descansa no sábado, no domingo. Eh, mas eu acho que isso precisa surgir e existir, né, esse descanso, esse repouso, esse lazer, principalmente costurado com a semana. Como assim? Tem um tempo eh de silêncio, um tempo de meditação, eh um tempo de lazer, um tempo de qualidade com as pessoas que ama, eh se permitir estar em outros ambientes, porque senão eh ah, é do trabalho para casa, da casa pro trabalho, eh, e aí aquele estress aumentando. E quando eu tô em casa também, eh, tem a casa para limpar, tem a comida para fazer, às vezes as crianças para cuidar. Então aquilo vai gerando, né, um ambiente extremamente desgastante até para repouso. Então quando a gente fala, né, do que que a gente precisa olhar para isso, a gente precisa olhar para dentro, né, o que que tá faltando perguntar ali dentro de si, eh, quais são os interesses? Quais são os desejos, né? O que que pulsa naquele sujeito, eh, que o motivo é estar vivo também, né? Porque não não é só aquele salário, não é só aquele emprego, é às vezes não é só aquela relação, é muito mais, é o eu interno. Uau! Adoro. Vocês são magníficas, né? Toda manhã aqui a gente tem lições, né? Lições, explicações, eh conhecimento e tudo compartilhado com você. Então, é, é muito bom que a gente consiga pegar um pouquinho do que é dito aqui. Eu te conto que eu faço terapia todo dia, né? Sou privilegiada. Terapia está em dia, viu? É maravilhoso escutar essas profissionais eh explicarem pra gente eh como que a gente deve seguir, né, nos orientar. Olha só, eh, uma pesquisa da IPSUS revelou, gente, que 45% dos brasileiros relatam sofrer ansiedade com prevalência maior entre as mulheres, 55%, e jovens, 65%. Outra avaliação mostrou que mais de 40% dos brasileiros já enfrentaram ansiedade e os transtornos mentais são a terceira causa de perícias médicas no INSS. Um estudo da consultoria WTW indica que 43% dos trabalhadores no Brasil apresentam sintomas de ansiedade e depressão. Agora vamos falar das mulheres, porque a gente tá falando do mundo automático, da correria, né, de todo mundo com pressa. E as mulheres, essa pressa ela triplica, né? Porque Mirele, mulher tem trabalho, tem casa, tem filho e tem ela. Como faz? O porquê, né? Que ainda para as mulheres é mais desafiador viver o dia a dia, ainda mais nesse mundo acelerado. Sim. Então, eh, Rúbia, as mulheres elas têm realmente uma carga a mais, né? Eh, culturalmente ainda as mulheres são responsáveis por muitas demandas e aí é eh é muito necessário que ela também tente administrar essas demandas com o seu parceiro, com uma rede de apoio, né, para que ela não venha ficar, não venha a adoecer também, né? Porque essas demandas realmente elas eh se você deixar ela o dia todo fazendo alguma coisa, né? Eh, ela tem uma agenda ali super complicada, mas mesmo as as mães que eu atendo, as donas de casa, eu sempre busco quais são as atividades de prazerosas que você gosta de fazer para você adicionar também a sua rotina, porque a sua agenda não pode estar lotada somente com eh demandas que não te de nenhum prazer, porque senão inevitavelmente você vai também aí um estado de adoecimento. É porque a mulher na verdade ela tem um recultura, né? A gente olha sempre para o outro, né? A gente está para, entre aspas, a gente servir, né? Orientar, coordenar. Mas e aí a gente como é que faz, né? Então aí fica a voltamos lá no ratinho rodando na rodinha sem parar. Aí você pergunta pra mulher: "É, o que que te faz feliz hoje?" Ah, meu filho tem um emprego maravilhoso. Ah, meu esposo, eh, ele foi promovido. O que te faz feliz hoje não é as pessoas, é você. O que te faz? O que você gosta de fazer, né? Você gosta de dançar? Quanto tempo faz que você não dança? A gente precisa se ter uma uma conexão com nós, gente, porque tá difícil. O negócio tá difícil mesmo, cada dia que passa tá mais automático. E eu acredito que com a chegada de fim de ano isso tende a ficar pior ainda, né, Rafaela? Deixa aí algumas dicas para nossas nossas nossos telespectadores, aliás, referente a essa chegada do fim de ano, que é uma loucura, porque aí todo mundo tá trabalhando mais, as crianças vão entrar em férias novamente. Existe uma expectativa de um planejamento agora nesse segundo semestre para umas possíveis férias. Vem conta, vem planejamento para janeiro, fevereiro. Olha isso, gente. Tudo isso na cabeça de um ser humano, mas a pressa do dia a dia, a correria e tendo que entregar. Como é que a gente consegue coordenar tudo isso? A gente precisa de um planejamento, a gente precisa pontuar isso eh eh anotando, a gente faz uma, sei lá, um uma planilha, como que a gente deve fazer pra gente se relacionar com a pressa do dia a dia, a correria agora nesse segundo semestre que a gente já tá aí, o agosto já tá assim e daqui a pouco é dezembro. Sim, esse período, eh, acho que até um ponto importante de trazer é que ele carrega simbolicamente também eh, muitas frustrações de certa forma. E aí lá em primeiro de janeiro eu fiz vários planos, eu fiz várias metas e agora é agosto e eu não realizei aquela ou essa não vai dar certo ou isso fugiu do meu controle. Então, quando entra nesse período aqui, é um período que vai correndo contra o tempo. Então, agora eu tenho até dezembro para fazer isso, para fazer aquilo, para atender aquilo, para eh e ali há um período também em que os gastos são muito alto, né? tem um movimento muito grande ali na economia nessa época de final de ano. Então, ao mesmo tempo tem férias, algumas pessoas que trabalham em áreas comerciais trabalham o dobro, o triplo e aquilo vai expandindo. Acho que a melhor forma de lidar eh com esse período é principalmente alinhando as suas expectativas. Por quê? Porque eu acho que a gente também é acessado o tempo inteiro com essas comparações. Ah, o fulano, ah, na internet assim, ah, a pessoa viu assim. E aí a gente deixa de olhar pra nossa vida, a gente acha que consegue ou que quer uma vida que na verdade a gente nem sabe o que que acontece, porque quando as pessoas trazem, elas trazem eh fragmentos, né, do que realmente é a vida dela. Então, quando a gente olha para dentro, quando a gente alinha as nossas expectativas, quando a gente realmente descobre o que a gente quer, como a gente quer, como a gente pode, eh, em quanto tempo, eh, a gente vai vivendo esse mesmo trajeto com menos peso, porque o que o que leva assim em consideração é a leveza com que a gente vai construir a vida. Porque parar a gente não vai mesmo. Mas com que leveza, com que propósito e com que significado? Importante, né? Tá vendo só quantos conselhos? E agora a gente ali a a a pressa, a cultura, né, da pressa com a rede social, com o celular. O que que você traz pra gente, Mirele, referente a isso, né? essa conexão, esse mundo imediatista. Acho que a a rede social, a internet, ela nos inseriu nessa cultura da pressa, não foi? Não. Sim, com certeza, Ruben, porque também existe essa essa questão da comparação, que é agora antes eu me comparava só com o meu vizinho, por exemplo, agora eu me comparo com aquela artista lá do estrangeiro, né? A, ficou global agora essa essa questão, né? E isso traz muito sofrimento, porque como a Rafaela trouxe isso, frente na rede social são fragmentos da vida da pessoa, né? E aí a gente fica nessa questão da comparação e também essa questão de você já não tem tanto tempo ali no seu dia. E esse tempo que você tem, qual é a qualidade de tempo que você dedica ali para você? o tempo de qualidade, porque ficar somente na rede social e no celular, que tempo ali essa rede normalmente ela vai te trazer benefício mesmo? Você tá aprendendo alguma coisa ali que realmente te traz satisfação ou eu tô ali num estado em que eu estou nessa comparação só me sentindo inferior, né? Até que parte aquilo ali é verdade mesmo. É. E é um sabotador imenso, né? Porque você fica no celular, gente, o tempo passa rápido demais. rápido demais. E quando você vê, você perdeu lá uma hora, duas horas no celular, que é o tempo que você tinha de repente para estar com você mesmo, para fazer uma caminhada, para conversar com alguém que você ama, para desacelerar. E o que que você fez? Só acelerou a sua mente, porque já é comprovado, né, que fica lá na repetição, né, do celular, a gente tem um apodrecimento mental. É, a gente já falou sobre isso aqui, sem falar do problema de visão, da ansiedade, né? Aquela coisa que dá na gente. Quanto mais você vê, mais você quer ver. E daí no final das contas, se perguntar o que que você viu, você não sabe falar o que que você viu. Então, e é rolar esse celular, ele dá uma desconexão no nosso cérebro impressionante, né, Rafaela? Sim, totalmente. Hoje, né, eh, cada vez mais os vídeos estão mais curtos, você consegue acelerar e aí você vai rolando de um pro outro, de um pro outro, de um pro outro. E assim, um minuto às vezes lendo um livro, né, fazendo uma atividade física, fazendo uma prancha na academia, eh, não tem o mesmo peso que esse minuto ali no celular. é muito rápido, né? em onde a pessoa vai sendo consumida ali por por essa demanda que nunca parou de chegar. Ela é rápida, ela atrai e aí ela precisa de outra e aí começa de novo vários ciclos, coisa que numa atividade normal eh a gente demora para se conectar e aí a gente vai sentindo o nosso corpo e aí a gente vai sentindo como que a gente tá naquele exercício, naquela atividade e aí vem a conexão. Então é algo muito mais instantâneo também. Eh, a gente tem que tomar cuidado com a cilada, né? É uma cilada, literalmente essa questão aí das redes, dessa aceleração, né? E e tudo muito rápido, tudo muito rápido. Acontece uma coisa do outro lado do mundo em questão de 5 minutos chega aqui e você vê aquela notícia e você quer ver outra e quer ver outra e quer ver outra. Então assim, tá todo mundo exigindo de todo mundo que se tenha celeridade nas coisas. Onde que a gente vai parar desse jeito, hein? Conta para mim. Na ansiedade, né? Vai ter que parar, vai cair da rodinha uma hora dessa e aí, ó, ou sim ou sim, para. Aí fica difícil, gente. Então, a gente precisa respirar. Isso vale para mim, para você, né? Pra mãe que tá lá em casa, eh, eh, pro marido tá trabalhando. É para todo mundo, inclusive para as crianças, porque a criança, a nossa criança é o nosso reflexo, né? né? Então, se você tá na no mundo acelerado, na vida acelerada, pode prestar atenção que a sua criança também está nessa aceleração. E pras crianças, essa questão de acelerar desde a infância vai trazer aí algo muito ruim para quando ela se tornar adulta. É o que a gente tá vendo hoje com a gente, não é? Sim, Rúbia, né? Porque as crianças também, da mesma maneira que o adulto, né? Ele fica viciado naquele vídeo que passa rápido, na tela que vai viciando ele também. Ele vai, a questão é que cada vez menos você tem vontade de se relacionar. Uhum. Né? Você fica ali naquele fluxo e tem dificuldade de sair dali. E as crianças vão ficando cada vez mais nervosas, estressadas e ele vai crescendo. Um adulto que vai tendo dificuldade de socializar. É, gente, saúde mental, né? Saúde mental. Olha, se nós pudéssemos falar de saúde mental, como nós falamos hoje há tempos atrás, seria muito bom, mas é legal a gente deixar o tempo que passou e começar a partir de agora e criar uma nova forma de ver as coisas e de viver também. Eu falo isso para você, mas eu eu pego isso para mim também. Sou acelerada, quero entregar tudo, né? Vivo correndo, é para lá e para cá, para lá e para cá. Não pensa que eu tô de boinha assim, não. Terapia tá em dia, tá? Mas eu preciso, ó, todos os dias fazer o movimento e lembrar que a gente não é robô, que a gente é um ser humaninho e que a gente precisa parar, porque senão você vai ser obrigado a parar de uma vez e aí vai dar um ruim. Gente, olha, é delicado demais. Então, eh, vamos dar uma respirada. Que que você acha? Respirou para mandar sua mensagem pra gente? Agora a gente atende você que tá aí do outro lado. As nossas psicólogas eh vão conversar com vocês, responder a sua pergunta. Pode mandar, tá bom? a gente vai atender o que a gente conseguir aqui e a gente já agradece a sua audiência e a sua companhia. Hoje aqui no estúdio Câmara a gente fala dessa cultura da pressa, dessa aceleração exacerbada que tá destruindo com muita gente. Vamos lá. Eh, pode colocar a produção pra gente na tela. Amanda Silveira da Vila Marieta. Tem dias que me sinto culpada por descansar. Isso é reflexo de uma cultura que desvaloriza a pausa ou que maravilhosa sua pergunta. Porque às vezes você vai descansar e aí alguém olha para você, fala: "Tá, nossa, tá descansando, gente, né, Mirela?" Sim, é uma ótima pergunta essa daí e ela tem muito a ver com essa questão da gente cultural e social de que eu só tenho valor quando eu estou fazendo algo. Às vezes até lá na infância, quando eu tava descansando, assistindo uma TV, minha mãe estava me cobrando para est fazendo alguma coisa, né? Eu não tinha permissão para descansar. Então assim, isso tem tudo a ver com a nossa sociedade e essa cobrança. Muitas vezes hoje adulta, mesmo eu tendo consciência, eu tenho dificuldade de estar em paz, né, descansando na tranquilidade. Então, fazer uma pausa pode ser muito difícil. E como é que a gente faz para tirar essa culpa aí de descansar? Oxe, você pode descansar. Quem que diz que não? Onde tá escrito isso? né? E você não tem que se culpar por isso. Sim. Você tem que buscar essa retomada de consciência, né? Porque assim, a pausa ela é uma necessidade até para que eu produza melhor, né? Você tem que se dar essa permissão que hoje em dia você pode sim descansar, mas você tem que tá fora do piloto automático, senão você não consegue, né? É. Desliga aí o pilotinho automático e vamos, ó, começar viver na realidade, hein? 8:43. Tem mais perguntas pra gente, produção? Pode colocar aí, por gentileza. Vamos lá. Pedro José do Cambuí. A rotina acelerada pode afetar a forma como a gente se relaciona com o outro sem que a gente perceba? Pedro, a Rafaela vai responder para você esse tal de automático. Rafaela, responde o Pedro pra gente. Sim, totalmente, né? Quando a gente fala eh desse estado automático, desse estado acelerado, eh de uma cultura que prioriza a produção, a pressa e etc., a gente também fala de relações sociais, eh, que estão implicadas a isso, como assim, falta de paciência, eh falta de conexão, eh dificuldade até de entender o que quer ou não quer naquela relação, eh, e não só afetiva, né? nas relações de amizade também é tudo muito rápido, tudo muito instantâneo, não tem tempo de resolver, não tem tempo de lidar, de olhar no olho, então perde a espontaneidade do que é o se relacionar e passa a ser bom próximo, né? Essa amizade não serve mais para mim, então vou embora. Essa relação não dá, então vou embora. Então não tem tempo de construir, porque eu estou com pressa, porque eu tenho que casar com tal idade, porque eu tenho que ter filho em tal idade, porque isso aqui eu é uma prioridade, a outra não é. Então a gente vai descartando, a gente vai se desconectando das pessoas assim como estamos desconectados de nós mesmos. E é uma queixa assim muito comum clinicamente, né? E isso não tá acontecendo com uma pessoa, acontece com várias, com inúmeras. É verdade. Quando você fala que é uma queixa muito comum, é importante a gente parar e analisar, porque assim, eh, não é sobre mim, não é sobre você. Isso é global. É global, gente. Eu não sei o que que tá acontecendo, mas tá todo mundo perdendo a linha, perdendo a noção, tá todo mundo no automático e isso não é bom. E é por isso que a gente traz aqui eh temas como esses, né, que que faz a gente parar e falar: "Opa, pera aí, eu tô assim também e tá tudo certo, você tá assim, só não está legal, né? Não tá tudo bem se você continuar assim". Que bom se você puder aproveitar uma frase que foi dita aqui, levar pro seu dia, em algum momento você parar, respirar, descansar, falar: "Opa, isso aqui não é prioridade, fica para amanhã. Não, não vou aceitar isso porque eu não vou dar conta, porque se eu fizer isso, eu vou perder o momento comigo. Então fica para amanhã também, a gente ajusta a agenda e assim você vai seguindo, porque senão você vai entrar numa estafa que não vai ter jeito. E a gente tá vendo isso acontecer todos os dias. Todos os dias. E é importante que a gente busque sim, né, eh, um acompanhamento, uma análise mais profunda, porque às vezes a gente nem sabe quem a gente é, né? Aí é aquela, aquela pergunta, né, que que que os profissionais de saúde mental fazem pra gente, ó, eu dou spoiler de consulta aqui, fazem pra gente quando a gente vai ao consultório. Quem é você? Responde para mim. Você sabe quem é você? Então, eh, a maioria das pessoas elas têm dificuldade, né, Mariele, de responder quem ela é. Então, por que essa dificuldade, né? O que que acontece nesse mundo da pressa? Ninguém nem sabe de nada. Não sei quem é você, não sei quem é você, nem você. Eu só quero passar e quero fazer e acontecer, né? Então, essa dificuldade de de saber quem a gente é também eh eh faz a gente parar para analisar que a gente precisa diminuir o ritmo. Sim, Rúbia. Eh, a questão no consultório é muito recorrente isso, porque assim, quando você faz uma pergunta simples pra pessoa, do que você gosta de fazer, o que que você faz hoje que tá na sua agenda, que você realmente gosta de fazer e a pessoa não consegue responder? Porque assim, isso mostra o nível de desconexão que as pessoas têm hoje, né? Eh, a gente tem que buscar muito, porque a pessoa, o pessoal hoje vive muito no que foi vendido. O que que é uma pessoa bem-sucedida? Uhum. Né? É uma pessoa que tem um emprego legal, que tem dinheiro, que tem uma família ou que tem mulheres, né? O que que é isso? É um valor muito pessoal. Você vai ter que ir em busca disso. E muitas pessoas nem têm essa ideia. Ela já, ah, para eu ser legal, para ser bem-sucedido, eu tenho que ter isso. Então, ela nem pensa, né? Eu já vou atrás do que me foram, que me foi dito que é, né? Então, o movimento na terapia vai ser esse, o que para você é importante, né? O que faz sentido para você. Uhum. Esse emprego, porque assim, tem muitas pessoas que estão num emprego legal, tem um cargo de liderança, mas ela tá doente. Uhum. Né? para ela não tá legal aquilo, aquela pressão que ela vive, ela não consegue muitas vezes aproveitar a família. Exato. Então vai ter que vir esse movimento de consciência de você parar para refletir o que que é valor para você, o que que é importante para você. Que eu acho que o movimento da pandemia fez isso, né? Muitas pessoas tiveram que parar para pensar sobre isso. Para mim, de repente estar com a família tá tendo mais valor do que continuar naquela vida alucinante. Uhum. Exatamente. E é pessoal, né? É cada um, cada um é cada um e a gente é diferente. E aí a gente precisa ter essa essa autoconsciência. Mas para ter essa autoconsciência também tem que ter um pouco de frieza, não é, Rafaela? Porque senão se a gente ficar pensando e se e se você nunca vai sair do mesmo. Concorda? Totalmente. E quando a gente fala de um processo de análise, de um processo de psicoterapia, não se aplica no mesmo tempo que aqui fora. Não se aplica cultura da pressa, não se aplica eh resultados rápidos, porque a gente não é uma máquina. O tempo que corre no consultório é um tempo interno daquele paciente. Então ele vai precisar parar, ele vai precisar elaborar. E aí a gente vai caminhando junto e lá ele vai ter o sustento, né, clínico de conseguir chegar em alguns lugares, mas eu não tenho poder. Então quando vocês falam de consultório, né, eh é claro que tipo assim, não precisa responder eh realmente tudo que acontece lá. Mas me pintou uma dúvida agora, é uma curiosidade, aliás, pessoa acelerada, né, ela vai em busca e eh de uma ajuda psicológica. Ela chega no consultório acelerada, acelerada. Vocês deixam ela acelerada até ela entender que ela precisa parar. Chegam assim mesmo ou chega assim, falar: "Ah, tô acelerada, precisa acalmar". E já calma. Não, né? Chega chegando mesmo, né? Gente, olha isso. A pessoa, ela é mesma em vários lugares, né? Ah, chega chegando mesmo, né? Que que já pensou chegar no consultório, hein? Nossa, é, chega acelerando, gente. Vamos pisar no freio, né? Puxa o freio de mão, usa o freio motor, faz qualquer coisa, mas dá uma desacelerada. Vamos lá. 850. Ã, temos mais duas e aí a gente já vai para considerações finais. Pode ser, produção? Pode. Então, se puder, me ajuda aí, galerinha. Lúcia Camargo de Barão Geraldo. O quanto nossa forma de criar crianças aceleradas pode impactar em adultos ansiosos no futuro? Lúcia, bom dia. Rafaela, pode ajudar a gente com essa essa resposta da Lúcia. Uhum. Eh, na verdade, né, já começou ali atrás, acho que houve muitas mudanças eh socioeconômicas, né, que mudaram a forma de trabalhar, a mulher teve que sair de casa e aí foi criando-se essas urgências sociais e econômicas, eh, em que hoje também a gente vê já adultos, eh, extremamente ansiosos. E aí quando a gente fala no contexto hoje, esses adultos ansiosos criando outras crianças, né? A gente fala de crianças eh que como o pai também está cansado, a mãe também está cansada, a rede de apoio é o tablet, é o celular, é o joguinho, é o YouTube. E aí aquela criança vai consumindo aquilo, né? Eh, e para ela, né? aquilo é pesado. Então assim, quando a criança está sem estímulo, ela é agitada porque ela é uma criança, mas todo mundo tá cansado ali para colher, eh, para conseguir construir aquele espaço ali contínuo, eh, com aquele com aquela pessoa que está surgindo ali. Então é onde também ela vai entendendo a necessidade de cumprir tudo aquilo que tá de fora, né? E pouco aquilo que tá dentro, porque não é perguntado, é anulado, começa a chorar, para de chorar, né? Aqui não é hora e aí vai reprimindo e vai reprimindo. E aí quando ela chega adulta, eh, ela tem pouco repertório sobre si mesma. Ela só sabe o que foi dito, ela só sabe o que é de fora. Eh, e aí ela vai e reproduz de novo isso nas relações, na própria maternidade, na própria paternidade e acaba sendo um ciclo enquanto alguém não torna esse processo consciente. Muito bem explicado, hein? Passou um filme na minha cabeça agora. Muito bom, muito bom, gente. Vocês são demais. 8:53, então a gente tem que entregar 9 horas. Então, vamos lá. Vamos na corrida contra o tempo. Ó a gente na pressa, ó. Ai ai ai. Tô falando de pressa e tô acelerando, né? Vamos lá. Isabela Lopes. Eh, Isabela Lopes do Castelo. Existe alguma prática simples para simples para nos ajudar a desacelerar inteiramente mesmo em dias caóticos? Vamos lá. Eh, Mirele, vamos responder. Ela respira, vai. É essa questão de de ter a atenção plena do Infons, né? de vocês ficar muito também no aqui e agora, nesse momento, o que que tá acontecendo aqui, observar o ambiente que você tá, observar a sua respiração, é uma maneira de você sair desse estado ansioso. Muito bem, respira, né? Seja consciente. Vamos lá, gente. Conseguimos perceber hoje que essa cultura de urgência da pressa não é apenas um problema individual, não, viu? É isso mesmo. É um sistema que se agrava e isso acontece com milhões de pessoas. É isso mesmo, milhões de pessoas, porque a gente tá falando de algo global. Então, que bom que a gente pode virar uma chave e tentar respirar, né? Tira um compromisso da agenda hoje, coloca para amanhã, reagenda, dá uma respiradinha, vai dar uma olhadinha no céu, sei lá, vê um passarinho, desacelera, tá certo? Quero agradecer vocês, meninas. Muito obrigada pela participação. Sempre muito bom estar com vocês aqui, porque são magníficas. Mirele, obrigada, viu? Gratidão. Muito obrigada pelo convite, Rúbia. Foi um prazer estar com você e falar sobre esse assunto. Maravilhosa. Rafaela, muito obrigada mais uma vez pela sua participação, sempre trazendo eh eh assuntos, né, e falas que agregam no nosso dia. É muito bom receber vocês. Muito obrigada. Ô gente, seguinte, vamos lá, vamos encerrar o nosso programa agradecendo você pela audiência, pela companhia e olha só, amanhã, opa, sexamos, né? Amanhã é sexta-feira, gente. E amanhã a gente vai falar sobre um fenômeno que cresce e em silêncio, mas afeta aí milhões de pessoas. Ansiedade coletiva tem tudo a ver com o programa de hoje. A gente falou da pressa. A pressa gera ansiedade e essa ansiedade é coletiva. Isso mesmo. Amanhã a gente fala com você sobre esse tema. E em instantes nós temos eh direto da nossa central e a Íria, né, trazendo na programação informações do legislativo de Campinas e também eh eh do Brasil e do mundo. E lembrando você que ao meio-dia tem Câmara Notícia com informações também do legislativo e de toda a nossa metrópole. E claro, continue com a gente ligadinhos aqui na TV Câmara Campinas, porque amanhã, você já sabe, 8 da manhã ao vivo, nós temos mais uma edição do Estúdio Câmara e vamos falar então sobre essa questão aí dessa ansiedade, né, global. Tá todo mundo ansioso? Será? Então, dá tempo de parar, respirar e levar o dia com mais leveza, combinado? Beijo grande para vocês, as nossas convidadas. Mais uma vez, muito obrigada. Valeu, equipe, valeu turminha. Ninguém faz nada sozinho, né? Essa galera é nota 10. E vamos simbora tentar levar o dia com mais tranquilidade, com mais leveza. Respira e solta. Beijo, gente. Até amanhã, se Deus quiser. [Música]
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