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[Música] Olá, bom dia. Estamos chegando com o nosso estúdio Câmara aqui na TV Câmara Campinas. Hoje é terça-feira, dia 17 de junho, e hoje nós vamos conversar sobre o medo, mas aquele medo de errar, aquele medo de fracassar, você já sentiu que não era bom o suficiente, mesmo quando todas as pessoas reconheciam suas conquistas? Você já travou diante de uma oportunidade por medo de errar? Hoje a gente vai entender por que isso acontece e como a gente pode superar esse medo. Para essa conversa, nós convidamos duas psicólogas, já estão com a gente aqui no estúdio, a Valéria Bertou Perom Arlete Silva Silva Aciari, tá? E nós vamos conversar com elas pra gente entender de onde vem esse medo. E claro que a gente conta com a sua participação. Conta pra gente aí como o medo de falhar interfere na sua vida. Você já paralisou por conta do medo de falhar? Então manda pra gente 1997829377. Enquanto você manda sua mensagem paraa nossa produção, vamos atualizando as notícias e a previsão do tempo e já já a gente inicia a nossa conversa com os nossos as nossas convidadas de hoje. Vamos lá. Vacinação contra sarampo é a dose zero, viu, gente? A Secretaria de Saúde de Campinas começou a aplicar a chamada dose zero da vacina contra o Sarão. A nova etapa da campanha segue orientação do Ministério da Saúde e é voltada para crianças de 6 a 11 meses de idade. Antes, o esquema vacinal já previa duas doses da vacina, a primeira aos 12 meses e a segunda aos 15 meses de vida. Agora, com a ampliação, o objetivo é reforçar a proteção dos pequenos e evitar a reintrodução da doença no Brasil, especialmente diante do aumento de casos nas Américas. O sarampo é uma doença infecciosa, altamente contagiosa e é transmitida por um vírus e que pode ser fatal. A proteção é garantida pelas vacinas tríplice viral, a tetraviral ou a dupla viral, que também protegem contra outras doenças, como cachumba e a rubéula. Em Campinas, o último caso confirmado de sarampo foi em 2021 e o último óbito pela doença aconteceu em 1997. A vacina está disponível em todas as unidades básicas de saúde. Não precisa agendar, basta apresentar um documento com fotos. Se tiver também a caderneta de vacinação das crianças. E para você ver os endereços das unidades, os horários da vacinação, você pode acessar vacina.ccampinas.sp.gov.br. BR. Vamos lá, gente, mais informação chegando. Campinas poderá ter 15 minutos de estacionamento gratuito em clínicas e hospitais. Os vereadores de Campinas aprovaram em primeira discussão um projeto de lei que garante 15 minutos de gratuidade em estacionamentos de clínicas e hospitais públicos e privados. A proposta é de autoria do vereador Luís Rossini. Ela foi votada na 37ª reunião ordinária que foi realizada ontem à noite. O objetivo é permitir o embarque, desembarque de pacientes e visitantes sem cobrança nesse curto período. Para o autor do projeto, trata-se de uma medida de justiça, já que não há a prestação de serviço durante esse tempo. O texto também exige que a gratuidade seja informada por meio de cartazes visíveis nos estabelecimentos. O projeto vai passar ainda pela segunda votação antes de seguir para a sanção do prefeito. A previsão do tempo para hoje. Vamos lá, terça-feira. Como é que fica a previsão do tempo? Você viu que deu uma esquentadinha, né? Então, olha só, dia lindo lá fora, né? Céu azul de brigadeiro. Tempo para hoje, a temperatura elas devem aumentar, chegando aos 25º com dia ensolarado, sem previsão de chuva na metrópole. Mínima foi de 13, máxima de 25º. Tudo certo? Agora vamos lá. E você conta aí, já travou diante de uma oportunidade importante como se errar fosse mortal? Ah, será que esse medo está ligado à infância? Vamos explicar isso agora com as nossas convidadas. Claro, elas vão explicar pra gente. A gente já dá as boas-vindas. A Valéria Bertou Peres, ela é psicóloga, especialista em terapia comportamental, está com a gente ao vivo aqui no estúdio, vai conversar conosco. Seja bem-vinda. Muito bom dia, Valéria. Bom dia, Rúbia. Obrigada. Eh, é uma satisfação enorme estar aqui, poder falar desse desse assunto que aflige muitas pessoas, né? É um assunto que não raro ele aparece e nas sessões de terapia. Esse medo, é, e sobre e sobre esse medo, a gente vai conversar também com Arlete Silva aar, ela tá com a gente pelo Zoom. Oi, Arlete, bom dia, seja bem-vinda. Oi, bom dia, Rúbia, Valéria, obrigada pelo convite. Bom dia a todos os nossos telespectadores. Realmente é um tema que afeta a vida pessoal, profissional, afetiva, acadêmica e é muito auspicioso vocês estarem trazendo esse tema pros ouvintes. acredito que vai contribuir com muitas pessoas maravilhosas. Vocês vão contribuir com muitas pessoas, com o conhecimento que vocês têm e com esse compartilhamento que a gente inicia a partir de agora. Às vezes, gente, esse medo pode surgir em resposta de uma situação específica, né? Em alguns casos pode estar relacionada a outras condições de saúde mental ou ansiedade também. Então eu pergunto já paraa Arlete, como é que a abordagem transpessoal entende a raiz emocional desse medo de fracassar? Arled, a transpessoal, ela busca compreender o ser humano de forma integral, considerando aspectos físicos, emocionais, mentais, de relacionamento e de cultura. Então, para transpessoal, todo ser humano, naturalmente, ele tem necessidade de ser aceito, acolhido, aprovado, amado. E o medo do fracasso tá muito vinculado a isso, porque quem me diz se eu tive sucesso ou não é o outro, né? é a sociedade. Então, a transpessoal procura compreender a dimensão do indivíduo, mas também dos relacionamentos, da cultura e da coletividade. Então, a gente pensar o medo de fracasso é também pensar história de vida, relacionamentos e como uma sociedade se organiza, porque a pessoa tem a dimensão do afeto dela, mas isso também é construído na relação. Muito bem. A gente vai abrindo, né, os caminhos, os horizontes para que a gente possa entender de onde vem esse medo de fracassar. Eu pergunto para você, Valéria, pra psicologia comportamental, onde está esse medo? De onde vem esse medo do fracasso? Então, eh, não diferente da transpessoal, na comportamental a gente também acessa a história de vida e o que a gente chama de história de contingências de reforçamento, que seria o quê? A interação entre o indivíduo e esse meio, né? Então, quando a gente pensa num indivíduo, a partir do momento que ele nasce, ele começa a ser reforçado, e vou usar a palavra punido aqui, entre aspas, diferencialmente. Então, dependendo da forma como isso vai acontecendo, ao longo da vida, é que esses medos do fracasso vão acontecendo. Deixa eu dar um exemplo. uma criança ã aprendendo a escrever. Então, se ele tem eh um um pai, uma mãe que estão ali e acompanham de forma eh tranquila, no sentido de reforçar sempre, que bom, mesmo que não esteja tão bom, né, ele vai ter menos medo de fracassar e vai ter menos exigência com ele mesmo ao longo da vida. Isso, lógico. Tô pondo o exemplo da escola. Eh, se essa mesma criança ela é não tá bom e a mãe apaga, o pai apaga, a babá apaga, não, vamos fazer de novo. Não, mas não é assim, apaga de novo. Então isso vai gerar essa insegurança. E isso sempre que ele se se confrontar com uma situação assim, ele vai ter medo eh do que o outro tá. Será que eu estou satisfazendo o outro? Será que é isso que o outro espera de mim? Entendeu? Eu acho que é bem essa e esse reforçamento diferencial que vai existindo bem interessante, né? Eh, a gente acaba que a as duas os dois lados aqui, tanto a transpessoal quanto eh eh a psicologia, a TCR, né? Terapia comportamental. elas acabam chegando em um denominador comum, que é a gente sempre pensar o que o outro vai assim pensar de mim, né? Então, a gente percebe que nós estamos sempre ligados ao outro e aí quando a gente volta para si, tem um lado do perfeccionismo, né? Então eu pergunto pra Arlete, o medo do fracasso, ele pode estar relacionado ao perfeccionismo? onde que eu querer ser perfeito, eu eh ser sempre ali perfeccionista, ele ele está ligado com esse medo do fracasso que a outra pessoa eh eh o medo do que a outra pessoa vai pensar de mim, né? Onde que tá essa conexão do perfeccionismo e o medo do fracasso, certeza. Eh, o perfeccionismo, num primeiro momento, ele pode ser apenas um traço de personalidade, mas como todo traço de personalidade que é intrínseco a estrutura psíquica desta pessoa, o ambiente pode reforçar para que ele se potencialize ou não. Então, se a pessoa já tem uma natureza de uma alta exigência elevada e como a Valéria colocou muito bem, o ambiente reforça isso e potencializa, isso tende a se fortalecer. E a gente não pode esquecer que nós estamos, né, vivendo uma época que, embora nós estamos falando muito de liberdade, de individualidade, de respeito, nós ainda temos uma sociedade de resultado, de competências, de habilidades. Uhum. E é muito cedo que a criança percebe que essa dimensão da adaptação é decisiva pro futuro dela. E aí vai se construindo que autoimagem eu terei lá na frente. Então o perfeccionista ele busca, como o próprio nome diz, uma autoimagem de perfeição. Tudo que eu vou fazer, eu preciso ter um bom resultado para ser aceito, ser aprovado, ser incluso e ter o que a nossa sociedade chama de sucesso, não é? E isso no futuro, você citou um pouco antes sobre saúde mental, pode ser a base, sim, por exemplo, de um quadro muito recorrente hoje, que é a ansiedade. Uhum. Porque isso gera medo, gera insegurança e a pessoa vai ficando tensa, ansiosa cada vez mais. É verdade, né? O impacto do medo do fracasso, né, Valéria, pode gerar sim, eh, produzir sintomas emocionais e também comportamentais. Eu gostaria que você pontuasse um pouquinho sobre esses sintomas, né, Arlete? já falou um pouco, mas pontua pra gente pra gente poder concluir o que que esse medo do fracasso pode se transformar, né? Qual a patologia? O que que pode acontecer quando a gente fica ligado muito a esse medo de fracassar? Uhum. Eu acho que a ansiedade, e hoje a gente vê isso claramente na nossa sociedade, eh muitos adolescentes hoje em dia com muita ansiedade, muita crise de ansiedade e dentro da ansiedade, então o medo, a baixa autoestima. Então eu deixo de acreditar em mim, né? Porque eu fico esperando o que o outro está pensando de mim. a autoconfiança. Será que eu vou conseguir atingir o que o outro está esperando de mim? Né? Eu digo muito pros meus pacientes que eh a gente não tem controle sobre o outro, o que o outro pensa da gente, né? Então nós nós temos que nos satisfazer, né? Nos sentirmos bem e arriscar. Só a gente fazendo é que nós vamos saber. se realmente a gente vai ser aceito ou não. É só assim que a gente aprende. Exatamente, né? Tem que ter movimento e tem que ter ação. Exatamente. E eu quero lembrar a vocês, falando em movimento em ação, que em instantes, né, direto do plenário José Maria Matozinho, tem a cerimônia, né, de posse e diplomação dos jovens vereadores que foram eleitos, né, para para trabalhar para poder nesse projeto bem interessante que é o Parlamento Jovem, que já está em sua sétima edição, né? Quando eu digo que trabalhar é que eles vão fazer sim o papel de vereadores, eles vão aprender na prática, né, eh, como funciona uma vereça. Bem interessante. E agora, gente, quero trazer aqui pra gente ilustrar quando a gente fala de fracasso, de medo, de errar, eh, e do que o outro espera, né? eh qual que é a expectativa do outro? A gente tem aqui três fracassos de grandes líderes, que são lições exemplares e inspiradoras. Eu eh a gente vai falar sobre eles e aí depois eu gostaria que vocês duas, né, comentassem sobre porque assim, eh, todo mundo pode fracassar, né? Só que você não pode ficar atento só no seu fracasso. Você precisa tirar lições boas do fracasso que você teve um dia. Porque se você ficar só no fracasso, a sua vida realmente vai ser um fracasso. Bill Gates, quem é que não conhece o Bill Gates? Uma das figuras mais conhecidas na área da tecnologia, né? E ele fracassou. É importante a gente dizer isso, né? O Bill Gates, ele foi responsável pela criação da Microsoft e ele é uma das pessoas mais ricas do planeta. E ele fracassou quando? Quando ele criou um produto com o nome de Trafe of Data, né, que analisava é os tráfegos, os dados dos tráfegos, mas esse produto não funcionou bem, a empresa nunca decolou, né? E aí que aconteceu? Foi a partir desse dessa criação que ele decidiu tentar uma outra coisa e foi a partir de um erro, de um fracasso que ele explodiu. Então é importante, né, a gente salientar e é que a gente precisa continuar tentando. O fracasso, ele vai acontecer na nossa vida, vai fazer o quê, né? O Steve Jobs também foi responsável por ter tornado a eh a Apple na companhia que hoje a gente conhece, né? Todo mundo sabe da maçãzinha, isso é público e notório. Mas passado repleto de fracassos o Steve Jobs tem, né? Contratempos, derrotas. Ele fundou a Apple em 1976 e a empresa foi fazendo seu percurso e tal. Mas essa fundação aconteceu eh depois de um lançamento de um produto que falhou em 1985, gente. Ele foi expulso da própria companhia e hoje a gente reconhece e vê o sucesso dessa pessoa, mas que também sucesso partiu de um fracasso. E pra gente fechar essa essa nossa eh eh essa eh essa nossa ilustração para você, eu trago Walt Disney, né? Todo mundo conhece o Wal Disney, conhece e sabe que olha, o primeiro estúdio de animação da Disney, ele foi dissolvido e aí ele não tinha dinheiro para pagar a renda. Mesmo após a estreia bem-sucedida da Branca de Neve, muitos dos primeiros filmes da Disney não decolaram, né? teve o Pinóquio, eh, a fantasia, foram fracassos de bilheteria. Você sabia disso? Então, é importante trazer essa ilustração para que a gente possa abordar com mais profundidade, de repente, entre aspas, a importância do fracasso, né, Valéria? Sim. Não, com certeza. E aí a gente pega esses três exemplos que você traz, né, Rúbia, e fica pensando que eles tentaram Uhum. eles foram e fizeram. Só que eh eles já eles já tinham uma história de vida, uma história de relacionamento que da qual a gente precisa entender e estudar para poder dizer: "Olha só como eles foram ensinados, o que eles aprenderam e a por que que eles tentaram de novo? Porque eles tentaram de novo, né? E sem e podiam errar de novo. Uhum. E aí não erraram. né? Quantas e quantas pessoas tentam de novo e erram, tentam de novo e erram, né? Então assim, eh, a gente vai falar em sorte, né? Provavelmente não, né? Eles estudaram, eles trabalharam, fizeram, tiveram uma equipe. Uhum. Né? Então, hoje você citou agora o fantasia do Walt Disney, né? Se a gente pega e assiste fantasia hoje, a gente tem uma outra visão, porque é um filme muito bonito, né, que relata sobre a música, né? Então assim, eh, se ele não tivesse tentado de novo, e muito provavelmente nenhum desses três tentou sozinho. Exato. Eles sempre tiveram um apoio, alguém ao lado que incentivou, não, vamos tentar de novo, vamos fazer outra vez. que é aquela mãe que vai lá com o filho, vamos trazer para uma realidade mais nossa, né? Que vai lá com o filho, não, você consegue, vamos lá, vamos fazer de novo. Ah, você foi mal nessa prova, não tem problema. A gente tenta, vamos estudar de novo, né? Vamos sentar, vamos, você fez cinco exercícios, vamos fazer 10, eu fico com você, né? E do mesmo jeito no trabalho, ah, eu não fui bem, eh, não me senti. Eh, às vezes a gente sai da sessão falado: "Nossa, eu não fiz nada nessa sessão, né? Não fui bem, não atendi bem". Mas o cliente chega pra gente na próxima sessão e fala: "Nossa, Valéria, você me aquilo que você me falou, eu fiquei pensando a semana inteira, a sessão foi tão ótima, entendeu? E naquela sessão eu não tinha acreditado no meu trabalho e o outro veio e me disse que foi tão bom, né? E a gente sempre precisa tentar. Se a gente não tentar a gente vai ficar paralisado. Muito bem. E exemplos, né, dessa tentativa de estar buscando, de falhar, de levantar, de continuar, são esses três aí, Bill Gates, Steve Jobs e Walt Disney. E agora a Arlet pontua pra gente eh sobre esse esse exemplo que nós trouxemos aqui da tentativa, né, do continuar. Como é que a gente faz para bloquear esse medo de fracassar? É só tentando que a gente vai saber se dá certo. O não, a gente já tem, a gente precisa ir atrás do sim, não é, Ern? Com certeza, Rúbia. Eh, na transpessoal, nós acabamos nos inspirando muito em alguns conhecimentos do Oriente, em especial eh a forma como aspectos do budismo olha a relação do ser humano e a natureza. Todos os dias o sol nasce e se põe e isso garante a vida no planeta. né? Então, se o sol se recusasse e compreendesse que ele se movimentar e para outro lugar é fracasso, nós não teríamos vida no planeta. A chuva vem e a chuva vai, não é? Então eles usam essas analogias para dizer que nós também temos movimentos. Tem uma frase do Einstein que diz que uma pessoa que não tem medo do fracasso, ela nunca tentou absolutamente nada na vida. Então, o primeiro passo, e aí eu acho que a Valéria coloca de forma muito pertinente, eh, se a gente for pensar a infância e pensar a família, é muito importante essa conscientização que vem acontecendo, eh, de dar à criança a oportunidade de aprender com o erro. Uhum. Porque isso eu diria que é um ponto chave para o sucesso, como mostra a vida desses homens importantes e de tantos outros na vida. Muito bem. Só que às vezes acontece alguns traumas na nossa vida. Eh, nem sempre a gente tem um pai eh que desenvolve esse bom senso, uma mãe, uma professora, um amigo e assim sucessivamente. O problema do julgamento é muito grave nos nos relacionamentos. Uhum. E eu diria que o julgamento ele é muito eh intenso na contribuição para que a gente tenha medo de fracassar, porque junto com ele vem muitas críticas, vem muitas condenações e até situações de humilhação. E quando isso acontece na infância, na adolescência, ficam marcas e esse adulto depois vai precisar curar, vamos assim dizer. Por isso é que hoje a gente tem reforçado e valorizado a importância do autoconhecimento, porque aí a pessoa pode compreender onde que estão as raízes dentro dela, desse medo. E regra geral, passa por histórias de desconforto, de traumas, de vergonha, muito sentimento de culpa, porque em algum momento eh recebeu esse olhar de crítica, de julgamento, de rejeição, de abandono, de exclusão. Então, para quem cuida de crianças é um fator fundamental isto. E para nós que já somos adultos, é um constante olhar-se para se dar uma segunda chance. Muito bem, Arlete, muito boa a sua fala. E aí, olhando para nós adultos, né, eh, se dar uma segunda chance, vamos lá, Valéria, como é que a gente faz essa ressignificação? a gente precisa ressignificar, né, tudo que de repente nos trava e nos leva a esse medo de fracassar, porque a gente sabe que o medo paralisa e quando a gente tem medo de fracassar, a gente não consegue ir além. E aí a gente tem que voltar lá atrás, pegar toda a nossa bagagem, espalhar ela no chão e começar a juntar tudo e colocar cada coisa no seu devido lugar. Aí vem a ressignificação. Nossa, como faz isso? Você faz falando isso, você lembre da metáfora que eu uso para psicoterapia, que é quando o meu cliente chega na primeira sessão, ele traz as peças do quebra-cabeça e o processo de psicoterapia é montarmos. Não é, eu não vou eu montar sozinha, mas nós, terapeuta e cliente vão montando eh esse quebra-cabeça, né, onde tem peças lá da infância, dos traumas, que Arlet coloca muito bem, eu acho que eh a culpa e o julgamento. Eu vejo muito isso na nossa sociedade hoje. As pessoas acham que porque eu tô dando uma opinião, eu tô mostrando um outro caminho, eu tô julgando aquele comportamento e não é isso. Eu tô só querendo ajudar a pessoa, né? Então, no processo psicoterapêutico, eu acho que é entendendo a raiz, né? o o por eu sinto essa culpa e desconstruindo isso. E aí não tem uma regra, é caso a caso. Uhum. Né? Depende de cada indivíduo, de cada ser humano que chega ali para conversar com a gente. Nossa, eh quando a gente para para analisar, eu acho que isso acontece com a maioria das pessoas. Esse medo do fracasso, ele vem em algum momento da vida, né? E pode ser que se você continue com esse medo de fracassar, você não seja uma pessoa bem-sucedida. Porque se você tem ali um momento de virada de chave da sua vida, com certeza, Arlete, quem traz esse medo de fracassar, que não trabalha esse medo, pode sim ter consequências devastadoras, vamos colocar assim, para o sucesso. Seria isso. Pode. E, e é muito triste a gente ver que às vezes algumas pessoas e principalmente quando ela não recebe ajuda, Uhum. ela vai remoendo isso. Uhum. Ela vai, eu digo que tem uma contabilidade oculta que todos nós fazemos. E nós temos que tomar muito cuidado com essa contabilidade oculta, porque quando ela é negativa, ela vai se tornando uma espécie de toxina que eu vou gerando de mim para mim mesmo, né? Então não precisa mais ninguém me culpar nada de nada, não precisa mais ninguém me acusar de nada. Eu me torno o juiz ao gosto do carrasco de mim mesmo. Então, a gente vai observar processos muito significativos de autossabotagem. É, é, é visível para quem tá de fora. Uhum. Que esse medo do fracasso leva a pessoa a não ter energia. Ela não chega a ver a possibilidade de uma nova tentativa. Ela não enxerga. ela fica realmente vedada por as preocupações, pelas pelo medo, pela insegurança e aí gera essa paralisia que você acabou de colocar. Então, é claro que quando nós podemos eh oferecer o que estamos fazendo aqui agora, por exemplo. Uhum. Mas depende da pessoa assistir ao programa e praticar essas ideias, praticar essas referências e às vezes ela não consegue sozinha. Por isso é que é super importante, né, seja a família, seja os amigos, eh, trazerem essa contribuição de sugerir a pessoa novas possibilidades. A terapia é um caminho e muito poderoso, eu diria, porque, por exemplo, uma das técnicas que a gente utiliza na transpessoal, existem vários nomes, um chamo de roteiro de vida, linha da vida, mas é a gente realmente rever passo a passo cada etapa da vida, mas olhando não só o fracasso, mas também o que teve de positivo naquele momento. Uhum. Uhum. Então, na transpessoal a gente trabalha muito esse contraponto, né? Você teve isto de fracasso, mas se você está aqui agora, se você existe aqui agora, décadas depois, anos depois, tem sucessos também. Então a gente vai ajudando a pessoa a observar, perceber, conhecer, validar os potenciais dela, as habilidades dela, as competências dela, que ela pode equilibrar essas inseguranças e esses medos. Ou seja, é a própria força da pessoa que ajuda ela a superar as fraquezas dela. Perfeito, perfeita colocação, porque a gente tá aqui falando dos fracassos, né, do medo de fracassar, mas claro que a parte, bom, a gente viu eh os exemplos que nós colocamos aqui no programa justamente para isso, né? Eh, eh, porque teve o fracasso, mas também a partir do fracasso teve ali uma continuidade que chegou na no processo que você conseguiu o que você almejava, né, que os nossos eh exemplos conseguiram o que eles almejavam, que era o sucesso, né, que eram eh eh era aí a conclusão de um de um planejamento. E isso acontece comigo, acontece com você, acontece com todos. E é por isso que a gente traz esses temas e esse tema específico aqui no estúdio Câmara com profissionais que eh nos orientam, né, sobre como a gente deve se comportar diante dessa situação. No caso de hoje é o medo do fracasso e a importância da terapia. Eu digo sempre que eu sou a favor da terapia em todos os momentos da vida, né? Principalmente lá desde criança, porque é algo, gente, que nos ensina a caminhar. A terapia é bom, é uma conversa, é um bate-papo, é isso que a gente tá fazendo aqui. A gente tá em momento de terapia porque nós estamos com profissionais que estão nos ensinando o caminho que a gente deve seguir, né? E aí, se você deixa para buscar ajuda, para ter o autoconhecimento depois que você já trilhou um caminho, na verdade a gente tem que fazer uma pausa e voltar lá atrás. E se você já vem entendendo, se conhecendo, buscando, aperfeiçoando, você consegue aí eh abertura para caminhos onde você vai obter um sucesso na sua vida. Então é por isso que a gente traz aqui, tenta explicar para você a importância, né, do conhecimento e a importância da terapia. E a gente fica muito feliz aqui porque essas duas mulheres aqui, tanto Arlete quanto a Valéria, elas têm o conhecimento e o conhecimento, elas usam esse conhecimento dentro do consultório e elas se disporam eh se dispuseram a vir compartilhar com a gente esse conhecimento. E para nós isso é algo muito significativo. E se a gente puder lançar uma sementinha e conseguir mais para frente colher aí frutos, né, dessa planta que vai germinar, a gente fica feliz demais. Então, já agradeço vocês duas, agradeço também você que tá aí do outro lado, você que tá participando conosco. Agora 8:35 a gente tem algumas perguntas e nós vamos eh falar com as nossas psicólogas sobre as dúvidas dos nossos telespectadores. A produção tá me avisando aqui. Vamos lá, então. Hoje a gente termina um pouquinho mais cedo, 10 para as 9, porque nós temos evento lá no Legislativo Campineiro, né, direto do eh plenário José Maria Matozinho. a gente vai transmitir aqui pela TV Câmara Campinas, tá certo? Vamos lá, produção, pode mandar. Tem pergunta aí, manda pra gente. A Marina do Cambuí tá conosco. Bom dia para você, obrigada pela sua participação. Ela diz: "Sempre que recebo elogios no trabalho, penso que foi pura sorte, que na próxima vez vou decepcionar como quebrar esse ciclo de autossabotagem constante." E realmente é uma autossabotagem mesmo, porque a gente tem que aprender a receber, né? Valé? É, eh, eu acho difícil responder a pergunta, né, porque é uma coisa muito específica, né? A gente não sabe, preciso conhecer a essa vida, mas ã o que que eu posso dizer? Como quebrar o ciclo da auto sabotagem? Confie em você. Uhum. Né? Preste atenção naquilo que foi elogiado. Escute aceite aquilo, né? Porque muitas vezes a gente, as pessoas falam assim: "Não, mas você foi super bem, tava ótima". Só que aquilo que você tá sentindo a mesma coisa que o outro tá dizendo. E como acredito no outro, né? Acredite em você primeiro, depois você passa a acreditar no outro. Então, mas é aqui, vamos falar uma coisa interessante, ó. Eh, o medo do fracasso eh, na maioria das vezes, como vocês pontuaram paraa gente, eh, o medo da gente não superar a expectativa que o outro tem da gente, né? E aí, no caso da Marina, ela recebeu o elogio, então a expectativa, né, foi concluída com sucesso, mas ela para ela, ela não conseguiu eh aceitar esse elogio, né? Então é é bem interessante porque vai um pouquinho na contramão, né, Arled? Vai. É, eu vou usar uma expressão aqui que talvez seja um pouco estranha, mas é o que acontece com a gente. O que tá aqui dentro eu coloco no mundo, mas o que tá no mundo entra para cá também e fica lá dentro. Então, uma um dos trabalhos que eu sempre faço no consultório é avaliar junto com a pessoa quantos Zeus existe dentro dela. E nesse caso, eh, a Marina fala muito claramente de um eu bem perverso, né? de um eu assim bem carrasco, mesmo ela tendo um dado de realidade bem concreto, onde uma pessoa que tá fora diz que para ela o que ela recebeu é suficiente, a Marina tem um outro eu aqui que faz uma outra avaliação e que questiona isso. Então a gente aqui abre espaço para refletir um pouco sobre as distorções de autoimagem. que nós vamos criando ao longo do tempo, né? E aí é importante a gente olhar esses diferentes eus que está dentro de mim e que cria às vezes idealizações, né? Então, às vezes, o idealizado é um grande obstáculo pra gente se sentir satisfeito com o que nós estamos fazendo e com o que nós estamos recebendo do outro. Porque se eu idealizado, ele tem uma meta, uma régua muito alta. Por isso é que eu disse que a gente precisa trabalhar bastante dado de realidade e ajudar essa pessoa a perceber o que que é real dentro dela e o que que é a fantasia. Nossa, porque às vezes a pessoa exige algo dela própria que é impossível de atingir. E é importante perceber isso. E é muito complexo, né? Quando a gente começa a conversar, é, todos os programas acontece isso. A gente começa a conversar com os entrevistados e aí a gente vai percorrendo um caminho que a gente começa a esmiçar o ser humano, né? A nossa cabeça é complexo demais, gente, que coisa, né? E é importante a gente trazer esse momento de reflexão aqui no nosso estúdio Câmara. Agora 8:40, temos 10 minutos ainda, então dá tempo para eh responder mais algumas perguntas. Daqui a pouquinho a gente já vai paraas considerações finais do programa de hoje. Pode mandar aí, produção, por favor. Vamos lá. O Thaago do Jardim Chapadão. Cresci ouvindo que falhar não era opção. Hoje evito desafios por medo de frustrar meus pais. Como reconstruir minha minha identidade sem essa antiga pressão? Oi, Thaago. Bom dia para você. Vamos lá então, né, passar paraa Arlete agora, eh, tentar responder ã pro Thago lá do Jardim Chapadão. Arlete, por favor. Thago, obrigada pela sua pergunta e talvez ela representa a dor de muitos. Por isso é que a gente tá falando aqui hoje, né, que o medo do fracasso pode sim estar na infância e ligado a essa história de vida. Eh, há um momento na vida que a gente precisa compreender que os nossos pais são outras pessoas e que fizeram o melhor que puderam. Então, se eles trouxeram para você esta orientação, essa cobrança, talvez, é porque eles acreditavam que eles iam te ajudar com isto, né? Mas agora, na medida em que a gente vai avançando no tempo, um dos desafios de vida do adulto é perceber que o pai e a mãe também são pessoas e por serem seres humanos, eles não são perfeitos e eles falham. E aí a gente precisa ressignificar esses conceitos que eles nos entregaram, né? E internamente a gente precisa tomar uma decisão. Eu entendo que vocês acharam que isso era bom para mim, mas agora eu preciso desenvolver os meus parâmetros, os meus valores de vida, né? Então eu diria que talvez vale a pena você refletir um pouco o que faz sentido que os seus pais te entregaram e o que não faz sentido, né? E aí você buscar novas possibilidades que te dê novas oportunidades. Muito bem, obrigada. É isso, né? A gente são as crenças que limitam e a gente precisa se libertar delas, né, Valéria? Sim. Eu acho que principalmente em relação aos pais, nós adultos temos que pensar e depois quando a gente é pai e mãe, a gente também identifica isso, né? que o pai e a mãe naquele momento eles estão dando o melhor deles. Uhum. Né, para aquele filho. Mas nem sempre o melhor que um pai e uma mãe pode dar para um filho, isso eu digo emocionalmente em afeto, né? Pensando nesse lado mais emocional mesmo, não é aquilo que o filho espera. O filho precisa de mais, ele quer mais. Mas não adianta brigar e pedir, porque esse pai e essa mãe não conseguem. aquele é o máximo que eles conseguem, né? E aí vem, né? Eu preciso entender o que esses pais estão conseguindo e aceitar. Bom, é isso que eles podem dar. Eu vou buscar aonde, né? Então eu vou fazer terapia, eu vou conversar com amigos, eu tenho um relacionamento, vai ser nesse relacionamento. E aí eu ressignifico, né, essa essa questão que o Thiago coloca de eh errar não é opção, não. O Skinner tem uma frase que ele diz: "Eh, errar é humano e insistir no erro é burrice, entendeu? Então assim, eh, eu posso errar, não tem problema. Bom, mas a hora que eu olho para aquilo, bom, eu errei. Mas então eu vou fazer de outro jeito. Ah, eu fui pela porta A, a porta A não deu certo. Então agora eu vou na X. Quem sabe a X vai me dar uma opção melhor, né? Então eu vou conversar com uma pessoa aqui. Não deu certo, minha mãe não conseguiu me orientar. Ah, mas eu vou ali com meu tio e meu tio consegue. Uhum. Né? Então eu acho que isso que é muito importante, a gente sempre ir buscando. Eu acho que o o mais importante, né, e às vezes a gente escuta isso na clínica, somos sempre nós que temos que dar o passo, né? Então a gente escuta, mas por que eu tenho que fazer se é o outro que tá fazendo errado? Porque a partir da do seu movimento, né, na contingência de reforçamento, você altera o ambiente, faz com que o outro te dê uma resposta diferente. Uau! Muito bom. Ótimo. Com essa pontuação bem legal e profunda, né? Que coisa da Valéria. A gente vai já para as considerações finais, porque já são 8:46. Eu quero agradecer você aí de casa. obrigada pela sua participação. Tem algumas eh perguntas que ficaram sem respostas aqui, mas depois você vai ver a sua resposta na programação da TV Câmara Campinas, tá bom? A gente precisa encerrar agora. Então, eh, eu quero agradecer a Arlet pela participação, pela contribuição, pelos conhecimentos que foram lançados aqui no programa hoje. Muito obrigada pela sua participação, viu, Arlet? Gratidão. E e o que eu posso dizer, talvez, né, para todo ser humano, eu sempre tenho isso como filosofia de vida desde muito cedo. Eh, diante do fracasso, uma pergunta muito interessante pra gente fazer é que oportunidade que surge aqui? A gente vai ver muitas pessoas que mudaram completamente a vida delas e para melhor porque algo não deu certo. Então eu fui dispensado de um trabalho, eu tentei uma coisa que não funcionou. Que oportunidade que a vida tá me dando aqui, né? Já entendi muitas pessoas que tentaram vestibular para um certo curso e não entrou e depois foi fazer outra coisa completamente diferente. E aí a pessoa diz assim: "Aqui eu me encontrei". Uhum. Muito bem. Muito bem. Maravilha, né? É bem importante essa fala de vocês, porque é uma uma fala que nos traz a visão da superação, né? a o medo de fracassar que vira uma superação. Valéria, muito obrigada pela sua participação. Gratidão mesmo. Assim, acho que a gente super contribuiu e lançamos a sementinha. Uhum. Com certeza. Espero realmente ter contribuído e ter lançado essa semente, que ela comece a brotar e que as pessoas, né, olhem paraa psicoterapia de uma forma não como se eu estou doente, então eu vou fazer psicoterapia. Não, a psicoterapia é autoconhecimento, né? Se você tem uma dificuldade, se você tentou com amigos, familiares e você não conseguiu, uma pessoa de fora pode te ajudar, né? Então, pensem muito com carinho mesmo na psicoterapia, sem vergonha, sem nada, porque a psicoterapia é exatamente, a Rúbia disse, é isso que nós fizemos hoje, né? com o diferencial de que tem uma pessoa com um olhar diferente, com uma teoria, né, com técnicas que ela estudou e que ela consegue fazer você olhar de uma forma diferente, você tentar, né, a passar por cima desse fracasso e ter um sucesso, assim como Steve Jobs, eh, Walt Disney, e fugiu nome do terceiro. Tá certo? Mas é isso, gente. É isso. E que a gente possa acolher aí os nossos fracassos e ressignificar para que a partir do fracasso a gente possa obter o sucesso. Tá bom? Quero agradecer a sua audiência, a sua companhia, dizer que você é muito especial paraa gente, porque você completa a nossa missão, você participa com a gente e lembrar, né, de enxergar o erro como aprendizado. Amanhã tem mais Estúdio Câmara e o tema de amanhã será mastigação e dor de estômagos. estômago. Aliás, vamos entender porque a forma de mastigar interfere na digestão e como isso afeta a nossa saúde. Então, você está super convidado para participar e, claro, participar também dessa cerimônia que acontece em instantes direto do plenário José Maria Matozinho. É a posse e e diplomação dos jovens vereadores eleitos para a sétima edição do Parlamento Jovem. Então tá certo, gente. Obrigada pela sua audiência, pela sua companhia. Continue na programação da TV Câmara Campinas. Lembrando, ao meio-dia nós temos Câmara Notícia com informação do legislativo campineiro e também de toda a nossa metrópole. Eu entrego agora então ao vivo, né, pra nossa equipe que está lá no plenário José Maria Matozinho. Fique ligado. Valeu time. Valeu pessoal de casa, valeu os nossos convidados. Muito obrigada. E a gente se vê amanhã a partir das 8 da manhã ao vivo com mais uma edição do nosso estúdio Câmara aqui pela TV Câmara Campinas. Beijo. Uma ótima terça-feira para você. Valeu, tchau. Tchau. [Música] [Música] [Música] auxili Yeah.