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Estúdio Câmara | Luto e saúde mental: por que é tão difícil elaborar uma perda?
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Estúdio Câmara | Luto e saúde mental: por que é tão difícil elaborar uma perda?

33 views Publicado 10/06/2025 HD · 1:02:58

Descrição do vídeo

A dor da perda é uma das experiências mais profundas e transformadoras da vida. O luto, embora universal, é um processo individual que mexe com todas as nossas estruturas emocionais, mentais e até físicas. No episódio desta segunda-feira do Estúdio Câmara, vamos conversar sobre os desafios da elaboração do luto, a importância dos rituais de despedida e como é possível promover um acolhimento mais humano para quem sofre com a ausência de quem ama. Recebemos duas especialistas que vão enriquecer esse debate com diferentes olhares e abordagens terapêuticas: 🧠 Sabrina Javaroni Müller, psicóloga com especialização em Psicologia Positiva, Neurociência e Comportamento, e 💬 Kellin Lotrario, psicóloga especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e Saúde Mental da Mulher. Entre os temas abordados estão: 🔹 A importância dos rituais de luto como forma simbólica de despedida; 🔹 Os impactos emocionais da pandemia de Covid-19 nas famílias que não puderam se despedir; 🔹 O luto invisibilizado por perdas gestacionais e natimortos — e o avanço de políticas públicas de acolhimento, como a Lei nº 15.139; 🔹 Estratégias para enfrentar o luto com mais equilíbrio emocional, sem ignorar a dor; 🔹 Como apoiar quem está enlutado, mesmo sem saber o que dizer. Esse episódio é um convite à empatia e à escuta. Falamos também sobre a diferença entre luto e depressão, o tempo de cada pessoa para ressignificar a perda e os sinais de que é hora de buscar ajuda profissional. Entender que o sofrimento precisa de espaço e tempo é fundamental para evitar o adoecimento emocional. Além disso, abordamos os efeitos duradouros da ausência de rituais na pandemia, quando velórios foram proibidos ou reduzidos a cerimônias simbólicas. Essa ruptura agravou o sofrimento emocional e deixou marcas que ainda persistem em muitas famílias brasileiras. A conversa também destaca o luto materno, muitas vezes negligenciado pela sociedade. A perda de um bebê na gestação ou no parto exige acolhimento digno, respeitoso e empático. E o reconhecimento dessa dor é parte essencial do processo de cura. Assista ao episódio completo e compartilhe com quem está enfrentando uma perda ou deseja compreender melhor esse tema delicado, mas necessário. Porque falar sobre luto é também falar sobre amor, memória, e recomeço. 🗣️ Comente aqui embaixo: como você enfrentou o luto? O que mais te ajudou nesse processo? 👍 Curta, compartilhe e ajude essa mensagem a alcançar quem mais precisa. Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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Olá, [Música] muito bom dia. dia para você. Está começando o nosso estúdio Câmara ao vivo nesta manhã de segunda-feira, dia 9 de junho. E o tema de hoje é sensível, necessário e humano. Nós vamos falar sobre o processo do luto, como entender que uma pessoa se foi se nós não conseguimos nos despedir de forma digna. é um processo de luto diferente. E essa é uma pergunta que atravessa o coração de muitas pessoas que passaram por perdas, seja por situações inesperadas, né, eh, distantes, ou mesmo durante períodos difíceis, como o da pandemia, a ausência de rituais, o silêncio repentino, a sensação de que algo ficou inacabado, tudo isso pode dificultar a elaboração do luto, que é um processo natural, mas que precisa de tempo, espaço e acolhimento. E para nos ajudar a entender melhor essas dores e também os caminhos possíveis para lidar com a perda, hoje nós temos duas convidadas especiais. Elas já estão com a gente aqui no estúdio e você vai participar através do nosso WhatsApp, já está na sua tela. Vamos conversar, mande seu relato ou até mesmo uma mensagem para quem está passando por um momento de luto. O telefone tá na tela. Vamos lá. 1997829377. Nós queremos ouvir você, tá bom? mande sua mensagem daqui a pouquinho você tem a oportunidade também de conversar com as nossas psicólogas que já já nós vamos falar sobre esse tema delicado e necessário. E agora é hora de atualizar algumas notícias e a previsão do tempo e daqui a pouquinho a gente inicia a nossa entrevista. Enquanto isso vai mandando mensagem pra gente, tá? Quero lembrar você que hoje tem reunião ordinária no plenário da Câmara de Campinas. Você pode participar lá presencialmente no plenário. Entre os projetos que devem ser votados na 35ª reunião ordinária, está o projeto de decreto legislativo que concede o diploma de honra ao mérito Manuel Ferraz de Campos Sales à Fundação Eufratem. A iniciativa é do vereador Luiz Carlos Rossini, presidente do da Câmara de Campinas. Essa proposta, gente, reconhece o trabalho da fundação, que atua há mais de quatro décadas em projetos voltados à educação e ao desenvolvimento humano, especialmente entre crianças e jovens, em situação de vulnerabilidade social. Foi criada oficialmente em 1982. A Fundação Eufrat foi idealizada por Paulo Zebeu e hoje mantém cinco unidades em Campinas. Entre os diferenciais da instituição está a metodologia pedagógica própria chamada de pedagogia eófica, que integra conhecimento e ética e autoconhecimento. A fundação já beneficiou mais de 10.000 pessoas ao longo de sua história. A reunião será transmitida pela TV Câmara Campinas, começa às 6 da tarde, é no plenário da Câmara. Você pode participar presencialmente também, tá? Na Avenida Engenheiro Roberto Mes, número 66, bairro Ponte Preta. Esse é o endereço do legislativo de Campinas e você também pode conferir a reunião através do nosso canal no YouTube. É o oficial, tá? TV Câmara Campinas no YouTube para você. Mais uma notícia. Vamos lá. Vacinação contra a gripe. Você já se vacinou? A saúde de Campinas aplica doses em terminais de ônibus, shoppings e mercados. A Secretaria de Saúde de Campinas inicia hoje uma nova série de ações para reforçar a vacinação contra a gripe fora das unidades básicas de saúde. A aplicação das doses será feita em locais de grande circulação, como terminais de ônibus, shoppings e supermercados. A meta é aumentar a cobertura vacinal, principalmente entre os grupos prioritários. A vacina é indicada para todas as pessoas a partir de 6 meses de idade. Além dessas ações externas, dois centros de saúde que normalmente não abrem aos sábados também vão funcionar, tá? Em datas especiais. O Centro de Saúde Costa e Silva no dia 14 de junho e o Centro de Saúde Campo Belo no dia 28. A vacina contra a gripe continua disponível em todas as unidades básicas de saúde da cidade, sem necessidade de agendamento. Você só precisa levar um documento com foto. E se tiver a carteirinha de vacinação. A dose deste ano protege contra os vírus da gripe A, tá? H1N1 e H3N2 e contra a gripe B também. E pode ser tomada junta junto com outras vacinas do calendário regular, tá? Durante a programação dessa vacinação, também será oferecida dose aí contra outras doenças de acordo com a recomendação para cada público. A lista completa você encontra no site vacina.campinas.sp.gov.br. Mas atenção, vacinas contra a dengue e BCG só aplicadas nos centros de saúde, combinado? Agora a previsão do tempo. Vai mandando sua mensagem pra gente. Já já nós vamos conversar com as nossas psicólogas que já estão com a gente aqui no estúdio. Previsão do tempo para hoje, segunda-feira, começando a semana com 16º de mínima, máxima de 23, dia nublado, né, com chuva agora pela manhã, chuviscos e à tarde o tempo dá uma firmadinha à noite sem nuvens, mas a previsão é de que essa semana nós tenhamos muito frio. por hoje, mínima 16, máxima 23. Bom, agora sim, nós vamos falar sobre algo que inevitavelmente atravessa todas as nossas vidas. A perda. O luto é a expressão do amor que continua existindo mesmo depois da ausência. Mas quando essa despedida não acontece de forma completa, sem o último abraço, sem um adeus, sem aquele ritual de encerramento, o processo de entender a ausência pode se tornar ainda mais doloroso. Como aceitar o fim quando não vivemos o momento de dizer a Deus? Como seguir em frente quando o ciclo parece não ter sido encerrado? Para refletir sobre esse tema, nós vamos dar então as boas-vindas às nossas convidadas. Quero dar muito bom dia, agradecer a presença da psicóloga Sabrina Javarron Miller, que trabalha com psicologia positiva e também é formada em neurociência e comportamento, tá com a gente aqui no estúdio. Muito bom dia, obrigada pela sua participação. Bom dia, Rúbia, bom dia, Ken. Bom dia a todos que estão assistindo. Bom dia. É uma alegria estar aqui. Agradeço o convite e a oportunidade de discutir um tema tão necessário e tão complexo que muitas vezes é evitado, mas não deveria ser. Então, agradeço a oportunidade. Nós que agradecemos e também damos as boas-vindas e já agradecendo a participação da psicóloga Kelly Lotrário, especialista eh especialista em terapia cognitivo comportamental, com foco em mulheres também, né? Que importante esse foco em mulheres, porque hoje nós vamos falar também eh da perda de filhos, de mulheres que ficaram grávidas e, infelizmente, não puderam eh concluir o ciclo da gravidez. Seja muito bem-vinda, obrigada pela sua participação. Eu que agradeço o convite. Bom dia. Bom dia, Sabrina. É um prazer estar aqui com vocês falando, né, de um tema, como a Sabrina disse, tão importante e no caso, né, de do luto materno, muitas vezes pouco validado socialmente, mas a gente vai falar disso, eh, de uma forma um pouco mais aprofundada. Muito bem. Você já viu que o programa de hoje está emocionante, é um processo delicado, mas a gente precisa falar, né? O luto é um processo que envolve dor, saudade, readaptação e sobretudo um encontro consigo mesmo, né? Então assim, é importante eh nós falarmos dessa questão do luto materno. Agora, o tempo, né? Como funciona o tempo na questão do luto? Será que o tempo ele realmente ele está ao nosso favor sofrer demais, né? Eu gostaria de começar com você, sabe? Eh, é difícil regrar o processo de luto e e muitos dos processos psicológicos, né? Porque é muito subjetivo quando se trata de pessoas. Então, de fato, com o tempo, a pessoa vai processando aquele luto, o cérebro vai readando a ausência daquela pessoa. Porém, e existem diferentes períodos de luto. Para alguns é mais breve e para outros o luto, nós chamamos de luto prolongado, um luto que se estende. Em alguns casos, como você mencionou na abertura, quando não há um fechamento, essa pessoa acaba estendendo esse luto por ainda mais tempo. Então, de fato, com o tempo, há um entendimento maior da ausência daquela pessoa. Uhum. Ah, o cérebro consegue ressignificar aquela relação, aquela ausência. Porém, é difícil dizer quanto tempo ou realmente o tempo resolveu. Depende muito da situação daquela pessoa, daquele luto, daquela história. Muito bem, Kellen. Quando a gente fala, hoje nós estamos aqui falando de luto, mas um luto diferente, né? Eh, aquele luto que você não pôde entender que realmente aquela pessoa se foi. Vamos citar aqui o caso da pandemia, pra gente poder entender melhor, para as pessoas de casa poderem entender melhor, né? Eh, a falta desses rituais pode afetar o funcionamento do nosso cérebro no entendimento de que realmente eh aquela vida encerrou o ciclo? Pode, pode sim, Rúbia. Eh, em toda a cultura nós temos eh rituais para nos despedimos dos entes queridos que se foram. Eh, quando a gente deixa, né, de eh exercitar esse ritual, o nosso cérebro ele tende a ter sim essa dificuldade de de administrar esta perda. Eh, do ponto de vista até da neurociência, a gente sabe que eh o nosso cérebro ele consegue lidar melhor, consegue elaborar melhor aquilo que de alguma forma ficou eh concretizado. Quando a gente não consegue fazer isso num processo de luto, esse processo ele fica muito mais difícil, muito mais doloroso e desafiador paraa pessoa que perdeu alguém. Então, eh, esse ritual ele é de extrema importância, sim, paraa saúde mental. Eh, quando a gente fala de luto, né, a gente já imagina todo aquele ritual e aí na pandemia nós tivemos pessoas eh sendo sepultadas sem sequer o familiar estar perto, né? E a gente percebeu que a saúde mental foi muito afetada na pandemia e é algo que se estendeu, né? E hoje tem gente que faz terapia e que tem a saúde mental abalada por tudo que aconteceu na época da Covid, né? Então, quando a gente fala de pandemia, a gente entende, pela explicação que vocês nos deram, a importância desse ritual do luto. Agora, eh, há tempos atrás, dias atrás, eh nós tivemos a informação, né, da Tati Machado, né, que tava grávida e foi um bebê muito esperado, eh, foi noticiado. Então, não só ela, não só o pessoal da TV, mas todo mundo estava esperando esse bebê, né? E aí o que que aconteceu? Ela também noticiou a perda desse bebê. Como que fica psicológico, a saúde mental dessa mulher que esperou por tanto tempo, né, essa criança? E do dia paraa noite ela sabe que acabou, que o ciclo encerrou. Só que daí vem aquela aquela pergunta, como faz? Retira e vela, não vela? A criança hoje tem uma lei que permite que seja registrado, né, dado nomes. Mas e depois desse processo, eu gostaria sabendo que você falasse pra gente eh depois aqu a que ela é completa a essa questão do luto materno, por luto materno, na sua, no seu ponto de vista, na sua visão psicológica, ele ainda ele é, entre aspas, desconsiderado? Porque na maioria das vezes a gente não ouve falar e ah, perdeu o bebê e só a mulher parece, né? pelo que me parece, me desculpa se eu tiver errada, mas parece que é só a mãe que sofre. E aí às vezes ainda essa mãe encontra, ah, mas não era para dar certo, tenta de novo. Espera aí, né? É uma vida que se perdeu. Qual que é a sua avaliação, a sua visão sobre isso? É todas essas formas de luto, né? Você tem a perda gestacional, né? Que é quando o feto vem a óbito ainda no ventre. Uhum. Tem o nascimento do bebê, o parto do bebê nato, né? quando é feito o parto e o bebê não sobrevive e também o o quando o bebê vem a óbito logo após o parto, né, que é o falecimento neonatal. E essa lei que você menciona foi muito importante porque ela vem regulamentar como abordar situações como essas. Uhum. Porque alguns hospitais, algumas equipes faziam sim um trabalho humanizado. Eh, mas isso quando não é regulamentado, nem todo mundo faz da mesma forma. Uhum. E o que é o correto fazer? O que é melhor? Então, quando há uma lei, eh, você tem regras, você tem direitos. Então agora essa mãe pode registrar esse bebê, pode fazer eh eh velar, enterrar o bebê, ela tem direito a ficar em um local específico da do hospital. Até pouco tempo atrás, a mãe que passou por um parto de bebê natimorto ficava na maternidade, no mesmo lugar que outras mães estavam com os seus bebês. Então essa é a importância da lei. Você regulamenta a abordagem. Agora o que é o certo fazer? Essa mãe deve ver, esse bebê que faleceu, ela não deve ver, ela deve enterrar, não deve. Eu acho que isso é um direito de escolha da mãe e da família. Então é ela quem vai escolher o que ela quer fazer. e ela ter esse direito, assim como ter o direito de acompanhamento psicossocial, que essa lei também garante, é muito importante, porque uma dor que não é vista, como você mencionou, e acontece muitas vezes no caso da perda gestacional, principalmente, essa dor é minimizada. E na verdade, como quando uma dor não é vista, não é reconhecida pelas outras pessoas, ela se potencializa, ela aumenta. Aquela pessoa tá sozinha com aquela dor, ela não é acolhida naquela dor, ela começa a questionar a própria dor. E independente do tempo de gestação, é uma perda, é um luto. Ela esperou aquele bebê, ela está sofrendo aquele luto. Porque para estudar o luto, para estudar o processo de dor da perda, é necessário estudar o processo de vínculo, o processo de afeto, de apego. Então, falar de luto é falar de amor, porque sem amor não há luto. E essa mãe já amava esse bebê desde quando ela se preparou pra gestação. Uhum. Então, é um luto que tem que ser respeitado, sim. Uma dor que tem que ser acolhida, sim. E essa mãe, assim como o pai e a família, deve ter o direito de escolher o que querem fazer nesse momento. É muito boa abordagem, né? Eh, faz a gente entender com a sua fala a importância do acolhimento, porque Kathlem, oi, King, Kellin, as pessoas tende muito a minimizar, né? Tipo assim, não é comigo mesmo. E aí tem também aquela questão de eu não consigo entender, mas ah, tenta de novo, né? Esse não deu certo, tenta de novo. Não é por aí, né? Não. Eh, eu vou pegar um gancho no que a Sabrina falou, porque assim, a questão da do projeto de lei que foi, né, colocado agora em vigor em abril, eh, eu acho que ele é um primeiro passo extremamente importante, né, eh, que dê direitos e amparos às mães, pais, né, e familiares que passam por essa situação. Agora, eh, de nada adianta um projeto de lei se não houver uma uma preparação, uma informação em massa a respeito de como lidar eh com esse luto específico, né, de mães que passam por essa perda. Eh, eu tô falando de preparação e de informação da população de uma maneira geral, mas também dos profissionais que trabalham eh na linha de frente com essas famílias, porque como disse a Sabrina, né, eh na maior parte, porque essa lei é de abril, né, gente, ela tem dois meses aí. Então, eu acredito que muita muito pouca coisa se mudou ainda. Acho que isso vai levar um tempo eh para se consolidar em termos de mudanças efetivas na prática. Eh, então, eh, eu tenho acesso assim a informações de muitos hospitais em que, como a Sabrina disse, a família às vezes recebe eh, a notícia da morte do do bebê que nasceu e morreu, ou até de uma perda eh por aborto espontâneo, enfim, ali numa sala cheia de outras pessoas, com outros profissionais, todo mundo falando alto, eh, e de outros assuntos em meio a outras mães ali que estão, né, ou eh com filhos já nascidos. Então assim, um ambiente completamente despreparado para lidar com o momento de tanta dor e de tanto sofrimento. Então eu acho que se a lei, o projeto de lei e depois futuramente a lei não vier amparada por uma educação e informação, de nada ela vai adiantar. Eh, porque eu acho o seguinte, Rúbia, eh, as pessoas, eu não acredito que as pessoas não queiram acolher, né? Eu acho que na maior parte dos casos, eu penso que elas não sabem como fazer. Por isso que eu vejo que a informação é de extrema importância. O que fazer no momento de luto? O que eu devo falar para esses familiares e o que eu não devo falar? como que eu posso ajudar de uma forma mais efetiva essa família, como que eu posso acolher? Como que eu posso amparar? Eh, então esse comentário que a Rúbia fez, né, de as pessoas às vezes não validarem e falarem: "Ah, depois você tenta de novo? Ah, não deu certo", né? Eh, muitas vezes eu acredito que não é a pessoa não querendo acolher, é a pessoa não sabendo fazer, né? Então, eu penso que a lei tem que ver eh junto com um preparo, com um trabalho. Exatamente. É uma falta de reconhecimento social, porque as pessoas não estão preparadas e não sabem como fazer. Perfeito. A gente, tá vendo? A gente conversando, a gente consegue chegar, né, em um denominador comum. Agora, essa falta de reconhecimento eh torna mais complicado paraa mulher, paraa família lidar com esse luto, né? Porque a pessoa que está tá enlutada ali, ela também, poxa vida, ela tá precisando de um acolhimento, mas a pessoa que está próximo dela não sabe como acolher. Então é uma falta de reconhecimento social. As pessoas, a sociedade não sabe como lidar com isso, né? Mas o por quê? Porque isso acontece, né, se a gente for parar para pensar eh hoje quantas crianças estão nascendo e infelizmente quantas crianças não puderam nascer. Então isso acontece. Qual que é a avaliação que você faz, você que é especialista, né, na saúde da mulher e tal, o porquê essa falta de reconhecimento, porque desde quando o mundo é mundo, infelizmente crianças vêm e crianças não vêm. E a falta de reconhecimento ainda existe. Uhum. Eu acho que de uma maneira geral a nossa sociedade, eh, a nossa cultura, ela tá muito pouco preparada para lidar com situações de fracasso. Uhum. Né? Eh, os médicos, no caso, né, dessas mães, eh, eu até vi uma reportagem de uma médica falando, nós fomos feitas para resolver, né, formadas para resolver problemas. A partir do momento que a gente perde uma vida, perde uma criança, é como se nós tivéssemos fracassado. Eh, então eu acho assim, eu acredito que a nossa sociedade, de uma maneira geral, ela lida muito bem com o sucesso, mas com o fracasso, com a perda, com aquilo que não deu certo, de uma maneira geral, a gente lida muito mal. E quando a gente fala de um assunto, eh, porque não é natural, né, eh, para as pessoas, eh, você morrer antes de nascer para, né, paraa evolução da espécie. Pra maioria das pessoas, elas podem pensar que isso não é uma coisa natural. Então, como lidar com isso? Como que eu faço, né? Por isso que eu falo, a informação e o preparo das pessoas é de extrema importância. E a questão do luto, ela permeia toda a nossa vida, praticamente todos os dias, né? Porque às vezes você perde um emprego, você perde um parceiro, você perde, não é só a perda da morte, você perde muitas coisas na sua vida ao longo dela. Então lidar com lutos, né, diversos é de extrema importância. Eh, e cada vez mais eu acho que a gente precisa enquanto cultura, enquanto sociedade, aprender a lidar com aquilo que não deu certo também, porque faz parte, né? Eh, e no caso da da das mães, né, de uma forma mais específica, como você perguntou, Rúbia, eu ainda acho que é a falta de informação mesmo. Eh, é por isso que nós estamos aqui levando informação pros nossos telespectadores, né, e aprendendo. Todos os dias a gente tem a oportunidade de aprender. E eh eu pergunto para você, Sabrina, quais estratégias psicológicas, né, que podem ajudar os pais a lidar com a dor da perda de um bebê nato e seguir a vida eh respeitando o tempo das emoções. Porque quando você perde uma pessoa que ela já está, né, com com saúde comprometida, você vai tendo uma preparação. Caso da mãe que perde um bebê que ela está gestando, a preparação dela qual que é? É se preparar para receber a criança. Então, já tem lá o quartinho, já comprou as roupinhas, já tá assim esperando aquela criança com o maior amor do mundo e aquela criança ela não vem. como que a psicologia ela pode trabalhar na preparação psicológica nesse a partir desse ponto da perda com os pais. Quando a gente fala de luto, né, tem aquela perda que é a perda natural. Uhum. Então, como você disse, a pessoa já vinha num processo de adoecimento ou eh é o processo natural da vida, então já não é algo traumático e tem a perda traumática quando é um acidente, ã, uma situação inesperada ou nesse caso, essa mãe tá se preparando pro nascimento, não paraa morte, né? Então é uma situação traumática. Por isso que é tão necessário que seja reconhecido ou pelo menos que seja respeitado, né? Pensando aqui na fala da Kellen, eh, me veio muito a palavra empatia. É necessário essa educação. É necessário essa educação, mas e empatia? Porque a gente costuma dizer que empatia é se colocar no lugar do outro, o que de fato não é possível. Eu não perdi um bebê, eu não sei me colocar no lugar dessa mãe. A empatia verdadeira é respeitar o lugar do outro, é buscar entender o lugar do outro. Então, mesmo que você não consiga se colocar no lugar dela, respeita, respeita o lugar dela, respeita essa dor. Mas é uma dor que as pessoas, não sei se a Kellen também percebe isso, elas não sabem como lidar com aquilo muitas vezes e elas se afastam. Exatamente. Por não saber o que fazer, por não saber como lidar com aquela dor, né? E em se tratando da sua pergunta, né, do processo psicológico, é como todo luto. É necessário buscar ajuda profissional, sim, um acompanhamento psicológico. Eh, é necessário acompanhar. Você mencionou no começo que já teve essa conversa sobre as fases do luto, né? E realmente existem fases do luto, são emoções, eh, dentre as quais a pessoa oscila. Uhum. Ela passa pela tristeza, ela passa pela raiva, pela revolta. Aí tem um dia que ela tá em aceitação, aí no outro dia ela já tá barganhando com Deus, né? E ela volta pra revolta e volta pra tristeza. Então, a pessoa, a pessoa oscila entre as emoções. E por isso que é tão importante o acompanhamento psicológico. O que costuma ajudar muito, eh, é quando a pessoa consegue engajar psicoterapia, quando ela consegue engajar em atividades que vão promover seu bem-estar, né? E isso é um esforço nosso no trabalho da psicoterapia de pessoas enlutadas, buscar reconhecer o que promove o bem-estar dessa pessoa e ajudá-la a engajar naquela atividade novamente, ajudá-la a encontrar ou reencontrar o seu propósito de vida, né, e acompanhar com muita paciência o tempo que ela vai precisar para retomar todas essas atividades. Por isso que é tão necessário o acompanhamento. Então, um dia aquele paciente vem pra sessão muito triste, muito abalado, chorando muito, você vai acolher, vai conversar sobre a dor, porque ao contrário do que o senso comum pensa, a gente não evita a dor. A gente senta e conversa com a dor. A gente entende aquela dor, tira aprendizado dali, que significa, mas ela vem para uma outra sessão bem. Ai, Sabrina, hoje eu tô bem. Vamos aproveitar esse dia que ela tá bem e direcionar de alguma forma. Vamos tentar começar uma atividade, buscar estudar algo de interesse, buscar trabalhar o cognitivo, que a memória também é muito afetada no luto, né, Kell? Então, buscar estudar algo de interesse para estimular o cognitivo, buscar uma prática que promova o bem-estar para estimular a saúde como um todo e conseguir ali a produção de alguns neurotransmissores que vão promover bem-estar. Então é esse caminho que é complexo do luto é muito subjetivo. Você vai acompanhando a pessoa no seu tempo, mas entendendo que essa perda gestacional é um luto. Então deve ter o tratamento como todo toda outra ã tipo de perda. Muito importante, né, Kenin? Até porque, eh, a mulher que tem a perda gestacional, ela além da dor, da perda, da frustração, a culpa também acompanha essa mulher. Você concorda comigo? E aí, como que essa mulher vai trabalhar com essa culpa? Por quê? Porque ela tá gestando, ela tá trabalhando para que as coisas deem certo. Ela tá esperando para que chegue o nascimento e o nascimento não vem. Isso está dentro do corpo dela, ela está nutrindo e ela passa por uma perda. E a primeira coisa, eu li algumas alguns artigos para poder falar sobre isso, porque eu não passei por isso e eu não tenho nem noção da dor dessa situação. Mas pelo que eu li, a primeir o primeiro sentimento vem a dor, mas depois vem a culpa, porque ela é responsável por aquela vida e aquela vida não se concretizou. Então, além da dor, vem a culpa e vem o luto. Como uma mulher faz para lidar com essa culpa? E por que sentir culpa? Ela não é culpa dela. Ela não tem culpa nenhuma. Não é isso? Você concorda? Sim, concordo, Rúbia. Eh, quando a gente fala em mãe, eu falo que junto com a mãe nasce a culpa. né? Parece que a mãe é a personificação da culpa. Então, são muitas as culpas maternas. Eh, eu acredito que isso tem a ver com uma questão do nosso instinto de proteção, né? A partir do momento que você tem um filho ou que você está gerando um filho, que você tem conhecimento que dentro do seu corpo existe ali uma vida que você está gerando, eh, você se sente responsável por aquela pessoa, por aquele serzinho ali. Eh, e isso percorre a vida da mãe eh para sempre, né, depois do nascimento de um filho. É, especificamente no caso da das mulheres que não conseguem realizar, né, a maternidade e acabam perdendo seus filhos antes. É como esse sentimento de culpa, eu imagino que ele deva ser muito avaçalador mesmo, porque é como se ela não tivesse conseguido proteger o filho dela, como se ela tivesse falhado nessa missão. E sempre vem a pergunta: será que eu poderia ter feito alguma coisa diferente? Será que foi alguma coisa? Eu já vi mulheres às vezes falando, será que foi alguma coisa que eu comi? Será que foi um copo de vinho que eu tomei? Eh, então elas ficam tentando buscar, né, eh, explicações muitas vezes, né, totalmente na maior, acho que na maior parte das vezes enfundadas, eh, para que aquela aquela perda tivesse acontecido. Então, essa situação de culpa ela acontece. Eh, a lidar com a com a culpa exige vários movimentos aí da pessoa, né? Um deles, como a Sabrina enfatizou aqui bastante, é a questão da busca de ajuda profissional, né? Eh, você tá amparada profissionalmente nesse momento é de extrema importância. Eh, e fora isso, a questão da rede de apoio é extremamente importante, né, para acolher essa mulher nesse momento. Eh, e o a parceria dela, né, eh, com quem ela está, né, a o pai da criança, enfim. Eh, então eu acho que todas essas instâncias trabalhando junto e ao longo do tempo essa mulher ressignificando tudo que aconteceu e entendendo que provavelmente eh aquilo não teve nada a ver com algo que ela pudesse ter feito. e ter esse entendimento, né, de que o filho está no seu corpo, mas você não tem controle sobre absolutamente tudo. É um processo que exige eh um trabalho e um apoio muitas vezes no âmbito profissional. Exatamente. Até porque eh quando essa mulher ela perde esse bebê, dependendo eh do tempo, né? Não não não tem um eh o veló em si, né? E aí fica mais difícil ainda, não fica? Sim, com certeza, né? Eh, porque ali é aquilo que a gente falou, o nosso cérebro, de uma maneira geral, ele lida melhor com aquilo que é concreto, né? aquilo que eu pude realizar até em termos culturais, que foi, né, nos imprimindo aí ao longo da nossa evolução enquanto espécie, enquanto cultura. Eh, existe esse ritual. Uhum. Quando a gente não pode, através de um ritual, nos despedimos de uma pessoa querida, eh, o processo fica mais complicado e doloroso e mais lento. E só complementando, né, acho que quando a gente fala em luto, uma coisa super importante, Rúber, da gente enfatizar que a a Sabrina falou sobre isso, o luto ele não é um processo linear, ele é cheio de altos e baixos. eh e longo, né? É um processo muitas vezes longo, doloroso e não linear. Então, esses altos e baixos, eles são eles são eh normais dentro de um processo de luto, porque às vezes a pessoa espera que o processo ocorra de forma exponencial, né? Que a pessoa amanhã esteja melhor que hoje, depois melhor que, né? Então, não é assim que o processo de luto ocorre. Eh, trabalhando com mulheres, eu percebo quando elas se referem a luto, elas usam muito essa metáfora. Elas falam: "Luto, eu me sinto às vezes numa montanha russa. Tem dias que eu tô bem, tem dias que eu tô péssima, né?" Então você vê que é um o luto é um processo cheio de nuances, né? Eh, e cada pessoa vai lidar com aquela situação de acordo com repertório comportamental, história de vida, eh o suporte que ela tem ali, né, os recursos internos que ela tem. Eh, então é um processo árduo. É verdade. Agora, é importante a gente salientar também a importância do falar, né? Porque falar cura, falar é bom, porque você põe para fora. E aí a mulher ela, a gente tá falando daqui do luto gestacional, né, que é da da mulher que perdeu o seu bebê, mas a gente tá falando também do do luto eh que acontece com a pessoa que perdeu o ente querido na pandemia, que de repente por conta de um acidente, que não pôde fazer ter esse ritual, as pessoas elas acabam se retraindo, né, e elas acabam não falando. Então, Sabrina, eu gostaria que você explicasse pra gente qual que é a importância eh de falar, de colocar para fora, porque às vezes, analisa só, a pessoa teve uma perda e aí ela vai paraa vida social dela, né? Ela precisa continuar e ela se encontra triste porque ela está vivendo essa fase do luto, mas aí ela não expõe, ela não coloca para fora para que as pessoas que estão a à volta dela possam fazer a rede de apoio e entender e de repente, né, prestar para ela um um apoio eh eh ouvindo às vezes ou dando um abraço. Isso acalenta. A gente sabe que sim, mas é importante falar, né? Porque as pessoas não sabem o que tá passando dentro de você. Então, se você tá triste, a pessoa olha para você: "Ah, que que tá acontecendo, né? Tá triste por quê?" E na maioria das mulheres que que infelizmente tem aí a perda, se não é pessoas, se não são pessoas do vínculo, as outras pessoas não, elas acabam não sabendo, porque ela não fala qual que é a importância de expor, de colocar para fora. A fala é curativa, na verdade. Daí um dos grandes benefícios da psicoterapia, porque a pessoa tem um espaço de fala onde ela sabe que não é julgada, que não é interrompida. Eh, então falar é de extrema importância, porém tem um um agravante nessa situação. Uhum. É que é a falta que nós, de forma geral, seres humanos, temos na na habilidade da escuta. Exatamente. Então, Uhum. Para que essa mulher possa falar dessa dor ou qualquer pessoa possa falar da sua dor, alguém tem que ouvir. Uhum. E muitas vezes as pessoas não estão dispostas a oferecer ou nem sabem como oferecer aquela escuta verdadeira, onde eu apenas escuto, eu não julgo, eu não vou interromper, eu não vou minimizar a dor. Então, em muitos casos, Rubia, na verdade, a pessoa desiste de falar. Uhum. Ela tentou falar aqui, ela tentou falar ali, a dor dela foi minimizada ou algum comentário que mesmo sem querer acaba sendo tóxico que a gente fala ou a pessoa falou: "Ah, eu sabe". Sim. Começa a falar de sempre alguém está pior do que a pessoa que está falando. Isso é lamentável. Então, é até importante a gente ter essa oportunidade de falar disso aqui. A importância da escuta, a importância de estar atento. Tem uma frase que eu não lembro de quem é, infelizmente, mas que é tão verdadeira que diz: "Há sempre dor na sala". Será que eu tô atenta às pessoas ao meu redor, voltando à empatia? Sim. Será que eu tô atenta e eu tô ali? Porque muitas vezes eu penso que para exercitar compaixão eu tenho que entrar num num trabalho voluntário, algo assistencial. E será que eu ouvir alguém que está ao meu lado não é também um ato de compaixão, de empatia extremamente necessário? Sim. Então, para essa pessoa se sentir segura, psicologicamente segura para falar, ela tem que saber que ela vai ser ouvida, sim. Então, eh, normalmente ela se apega a uma ou outra pessoa da rede de apoio que oferecem essa escuta. E ela se sente forçada às vezes até a não falar sobre o assunto porque ela pensa, as pessoas não querem ouvir. Exatamente, né? Então daí a importância da busca profissional para ela ter esse espaço de fala, a rede de apoio, como a Kellen disse, é extremamente importante. Eu vejo na clínica, tenho certeza que a Kelin também, a diferença no tratamento das pessoas que têm uma rede, uma rede de apoio sólida, amorosa, afetuosa e das pessoas que não têm. Isso faz muita diferença sim no processo de cura e de ressignificação daquele luto. Então tem as duas coisas aí. Tem sim a importância da pessoa falar e pedir ajuda. Eu preciso conversar Uhum. Para alguém que ela confie e ela se abrir para falar. Mas tem também a importância de que a pessoa esteja disponível para ouvir, porque o julgamento ele está presente em todos os momentos, né? Infelizmente a gente ainda não aprendeu, acredito que a lidar com o outro, né? Porque a gente julga, né? Tem o pré-julgamento, tem o julgamento. Isso é do ser humano. E a gente precisa, né, eh, Kelin, aprender a minimizar essa questão do julgamento também, porque isso não faz bem. Sim. Eh, as pessoas às vezes elas tendem, né, a além dessa a questão do silêncio, só queria retomar um pouco que ela falou, né, que a Sabrina falou, eh, eu acho que o silêncio, eh, ele acontece, no caso das mulheres enlutadas por perda gestacional, eh, muito em função já de uma expectativa de que a sociedade não vai eh validar aquela dor, aquele sofrimento. Então eu vejo que muitas vezes elas preferem o silêncio nesse caso e acabam tendo dificuldade para falar. Por muitas mulheres às vezes quando vão falar da perda eh vai ouvir é: "Ah, mas né, nem tinha nascido ainda." Eu vi uma profissional que virou para uma pessoa que tinha acabado de perder um bebê, falou: "Mas era só um combinado genético, não era uma um uma criança ainda". Então você vê que as pessoas estão bem despreparadas para essa escuta empática baseada na compaixão que a Sabrina está falando, né? Eh, então por isso que eu acho que as mulheres acabam silenciando mais. Eh, e com relação o que que você tinha me perguntado, Rúbia, da Eu perguntei para você das pessoas eh não do julgamento. Oi. Do julgamento. Do julgamento, das pessoas estarem julgando o tempo todo, né? Sim. Eh, o julgamento, eu acredito que ele suja muito porque as pessoas comparam o sofrimento, né? Eh, elas tendem a fazer essa comparação. Ah, mas o seu filho nem tinha, você não tinha vínculo ainda com ele, você não criou seu filho. Então, eh, a sua dor não pode ser maior do que a dor de uma mãe que já perde um filho grande, por exemplo. Então elas ficam querendo mensurar muitas vezes aquele sofrimento, aquela dor e entram numa coisa de julgamento e comparam: "Ah, mas fulana de tal perdeu um filho e no mês seguinte já tava ótima. Você, nossa, já faz seis meses e ainda não não elaborou isso?" Então são perguntas aqui que eu tô comentários cruéis que eu tô fazendo, mas que eles acontecem, né? Então esse tipo de julgamento não pode haver, é ter a sensibilidade de que cada luto é específico, um processo totalmente individual e cada mulher vai ter o seu tempo ali, né? Muito bem. Você vê uma conversa eh um pouco hum dolorida, mais necessária, a gente pode dizer assim, né? Porque falar de luto, gente, é algo que mexe profundamente, eu acho que com todos nós, né? Então, é por isso que nós estamos com as nossas psicólogas especialistas, né? para poder eh conversar conosco, para nos mostrar o melhor caminho a ser seguido. Claro, a terapia é algo que eu acredito, hoje eu entendo que a gente precisa fazer terapia o tempo todo e não esperar que eh vire uma bola de neve, que estoure uma bomba para você ir buscar a terapia, né? E aí, é por isso que a gente eh eh traz sempre aqui no programa profissionais. O programa Estúdio Câmara é um programa eh baseado em comportamento, né? E a gente sempre tem aqui profissionais especialistas que nos direcionam em determinados assuntos. E hoje a gente tá falando da importância da concretização do luto, né? A gente fala eh do luto eh gestacional e também eh de perdas que você teve de forma abrupta. E é importante a gente discutir com eh as nossas profissionais sobre esse assunto. Agora 8:51, a produção tá me avisando que nós temos perguntas, né? Então vamos atender os nossos telespectadores. Você que tá aí do outro lado, quero agradecer sua audiência, a sua companhia. Pode colocar na tela pra gente, por favor. Vamos lá. A Ângela do Jardim Santa Genebra. Participar de grupos de apoio online substitui o acolhimento presencial. Trocar histórias pela tela pode criar vínculo suficiente para curar a perda? Hum. Grupo de apoios online substitui. Pode, pode ir lá, Kenny. Super substitui, Angela. Eh, não é questão de substituir, é questão de ser tão eficaz quanto, né? Eh, eu tenho uma experiência pessoal, né, profissional, que eu tenho um grupo de apoio a mulheres eh em processo de separação e divórcio, que são mulheres muitas vezes enlutadas. Então, o luto é um tema muito presente desse grupo. Ele é um grupo feito de forma online. Eh, e funciona muito bem. É possível acolher, amparar. As mulheres estabelecem, né, porque ali todo mundo tem lugar de fala. Então, se você for participar de um grupo de pessoas enlutadas pelo assunto que for, né, em função do assunto que for, eh, todo mundo ali de alguma forma tem um lugar de fala porque já passou por aquela situação. Então, isso traz pertencimento, né? você vai poder entrar em contato com outras pessoas, outras eh mulheres, outras pessoas que passaram pela mesma dor que você está passando. Então, eh ou online ou presencial, os dois são muito efetivos. Vai muito de cada pessoa eh ver aquilo que ela tem preferência, né? Porque tem gente que gosta do contato, do da questão, né, do contato físico ali, mas eu acredito que ele seja, né, tão eficaz quanto. O importante é você ter algum tipo de suporte. É importante, né? Importante ter aí algum tipo de suporte, porque nesse momento você não pode ficar sozinha. Às vezes as pessoas elas querem se encolher, né? Ficar quietinho. Olha, eu quero ficar quieto, não quero falar. Mas é importante sim uma rede de apoio e que seja esse grupo que a nossa telespectadora mencionou. Vamos lá. 8:53. Tem mais perguntas pra gente? Se tiver pode mandar. O Bruno do Jardim Chapadão. Após perder alguém, fico no piloto automático na hora resolvo tudo sem lágrimas. Meses depois, o vazio me derruba de repente. Por que o luto chega tão tarde? Hum. Bruno do Jardim Chapadão. Eh, Sabrina, você entendeu o que que ele disse ali. Ele é forte, né, naquele momento. Isso, isso acontece comigo também. Tive algumas perdas e no momento eu ajudo, arrumo, resolvo, faço, corro. Às vezes quem não me conhece fala: "Nossa, que que fria, né?" Mas depois que passa, aí eu vou pro fundo do curso. O que que acontece, né? Por que esse esse luto chega tão tarde para algumas pessoas, assim como o nosso telespectador Bruno tá dizendo? Eh, por isso que tanto eu quanto a Kellin reforçamos aqui algumas vezes o quanto esse processo é individual e subjetivo, né? O quanto ele não é linear. Sim. Então, se tivesse uma regra para todos, seria até mais fácil, mas não tem, né? Mas porque cada pessoa é única, tem ali o seu histórico de relacionamentos, tem ali as suas crenças quanto a afetividade, o seu sistema de apego cerebral, como ele foi formado, as suas ferramentas interiores, os as suas experiências, a sua história de vida, tudo, cada pessoa muito única. Eh, porém existe, né, eh, a gente vê nos estudos sobre o luto, essa fase de entorpecimento da dor quase, né? quando você é a pessoa que tem que resolver. Uhum. Se eu tenho que resolver, de fato, o Bruno diz, entra no piloto automático é quase que isso mesmo, porque depois quando você conversa com o paciente que passou por isso, tem coisas que a pessoa nem lembra, ela não processou informações ou porque realmente ela entrou nesse modo resolução. Preciso resolver o que tem que ser resolvido e a dor é como se ela ficasse em eh amortecida ali um pouco. Quando tudo está feito e essa pessoa relaxa. Uhum. Aí sim ela se depara com a dor do luto de fato, né? Algumas outras pessoas já não, por isso que a gente não consegue generalizar, né? Mas nesse caso que você menciona e que o Bruno menciona, então é isso. A pessoa vai resolver as coisas práticas que têm que ser resolvidas e coloca a dor em entorpecimento por por um momento. Não que ela não esteja sentindo, ela não é fria, né? Como você disse, ela sente, mas ela ainda não parou. Quando há uma perda ou qualquer situação traumática, o cérebro eh tem um mecanismo que faz liberar cortisol no nosso sistema corporal todo, né? E o cortisol é uma resposta, ele virou até vilão, né, para muitas pessoas, mas não, ele é uma resposta do corpo ao estress até para te ajudar a resolver aquilo, a resolver um strress, eh, dependendo da situação. É que agora a gente com o nosso, a nossa habilidade de pensamento abstrato, muitas vezes nós estamos imaginando uma situação de perigo e o cérebro libera cortisol da mesma forma, né? Sim. Mas de fato, nesse caso, uma situação traumática tem a liberação de cortisol, que até ajuda a pessoa a ficar nesse modo em que ela consegue resolver as coisas. E aí quando ela se acalma, se aquiieta, esses níveis de cortisol eh diminuem um pouco, aí ela consegue se deparar com a dor e aí inicia de fato o processo do luto. Uhum. é algo assim bem eh, eu sou assim, já passei por situações e me comportei dessa forma, só que é algo assim que depois vem um peso muito grande, né? Parece que você carregou o mundo nas costas. Eu já tentei, tipo, não vou ser assim, mas não tem jeito. Vira uma chavinha, vamos lá, vamos resolver, arruma tudo, aí depois senta e quando para realmente vem e vem com tudo mesmo, né? E é importante a gente sentir. A gente é ser humano e a gente precisa de sentir, né? Tem o sentimento bom, tem o sentimento não bom, mas a gente precisa sentir. 8:57 tem mais perguntas? Se tiver, pode mandar pra gente. A Marisa do Jardim Nova Europa. Ô Marisa, bom dia. Meu luto virou insônia constante. Noites em claro pioram meus sentimentos. Distúrbio do sono é comum nessa fase ou é um sinal de que eu preciso buscar ajuda? Poxa vida, Marisa. Vamos lá, Ken. É, eh, o luto ele pode desencadear vários sintomas e um deles, sim, pode vir com a insônia. Dependendo do tempo, eh, como que ela chama? Marisa. Dependendo do tempo, Marisa, que você tiver com insônia, é importante você buscar ajuda médica, ajuda profissional. Sim. Eh, porque a gente sabe que o sono ele nos regula de uma forma global, né, em termos do nosso organismo, inclusive o nosso humor. Então, uma pessoa que tá com insônia por tempo prolongado, ela fica mais prédisposta a ter quadros de ansiedade e depressão, né? Eh, então é importantíssimo você investigar a questão da da sua insônia, eh, se ela já for aí uma uma questão pouco mais persistente. E quando eu falo aqui persistente, você já dura mais de 15 dias. Não é um persistente de meses não, porque o sono ele é um fator, hoje a gente estuda muito sobre esse assunto, é um fator importantíssimo na regulação do seu corpo como um todo e também do humor. Muito bem, Maris, um abraço para você, viu? Obrigada pela sua participação, você que tá com a gente participando aqui do nosso estúdio Câmara desta segunda-feira, muito bom dia, obrigada por estar conosco. 8:59, dá tempo para mais uma pergunta, depois a gente já vai para as considerações finais. Produção, por gentileza. Daniel da Vila Boa Vista: "Perdo para quem não pedir desculpas que devia. Como lidar com remorço por coisas não ditas quando não há mais chance de consertar a relação?" Daniel, bom dia para você, querido. Vamos lá, Sabrina, respondeu Daniel. É, e tá importante essa pergunta do Daniel, porque isso acontece em muitas situações. Algo ficou não dito, né? Algo ficou não resolvido, um pedido de desculpas que não aconteceu. Então, o primeiro passo, como a gente falou muito aqui de acolhimento, é ele também se acolher, né? a acolher essa dor, esse remorço. E existem técnicas eh que nós usamos até em terapia, Daniel, que você pode ver se funciona para você. Experimente escrever uma carta como se você escrevesse uma carta para esse amigo dizendo tudo que ficou não dito. Eh, se fosse com acompanhamento de uma psicóloga, de alguém e de para te dar o apoio nesse momento, seria melhor. Mas eh de qualquer forma você pode tentar, porque a escrita, assim como a fala, também é muito curativa, né? A escrita também é muito terapêutica e é uma técnica que utilizamos no tratamento do luto. Então você pode tentar escrever uma carta para esse amigo dizendo tudo que você gostaria de dizer e ver se isso te ajuda a resolver essa questão e a se sentir melhor. Muito bem. 9:1. Nós chegamos ao final, né, do nosso estúdio Câmara desta segunda-feira, trazendo a importância da concretização do luto, né, trazendo falas muito eh importantes e significativas das nossas psicólogas que se disponibilizaram logo cedinho na segunda-feira para estar conosco. Então, eu quero agradecer a sua participação, considerações finais, por gentileza, né? deixe uma fala aí pros nossos telespectadores. Quero lembrar também que esse programa já está no YouTube, a gente tá transmitindo ao vivo, né, aqui da do canal Digital 11.3, o canal 4 da Claro e o 9 da Vivofibra. E também estamos ao vivo no YouTube. E esse programa vai ficar no YouTube. Então para as pessoas que estão assistindo, que vão assistir mais tarde, eh uma fala, por gentileza, Sabrina, referente ao nosso bate-papo de hoje, considerações finais. Eu agradeço o convite, Rub. Agradeço Kell aqui pela conversa, a todos os ah participantes e de novo agradecer e parabenizá-los, toda a equipe, por trazer esse tema, né? Aproveitar esse espaço para que ele seja educativo, né? Como a Kellen aproveitou para trazer, a importância de não apenas a pessoa que sofre o luto, mas de todos entenderem melhor esse assunto. É um tema que nós evitamos e quase que é tabu. Uhum. mas que é necessário olhar para ele, que é a única certeza que nós temos nessa vida, é que um dia todos vamos passar por essa situação, né, de perda, de luto, e encarar a nossa finitude pode ser desconfortável, mas é importante. E lembrando que eu trouxe lá no começo, né, que talvez aqueça um pouco os corações, que falar de luta é falar de amor, né, pois não haveria luto sem amor. Então, a gente fala aqui de afetividade, de vínculos e de como isso pode ser prolongado de uma forma saudável, não? Após o tratamento da dor, eu posso manter através das memórias afetivas, que você conversou sobre isso sexto? Sim. Através das memórias afetivas, eu posso manter ali dentro de mim uma relação saudável com essa pessoa que se foi. Muito bem, mais uma vez, meu muito obrigada, tá? você, né, Kelin, trazendo essa sensibilidade nas falas. E eu acredito que a gente lançou uma sementinha aqui muito importante paraas pessoas que estão assistindo e que vão assistir depois e que passaram por isso ou conhecem alguém. São eh falas bem importantes que às vezes as pessoas não têm oportunidade de conversar sobre porque como a Sabrina disse, é um tabu, né? Sim. E tem gente que pensa, é melhor nem começar a tocar no assunto porque depois não sabe como continuar. E aqui a gente lançou uma sementinha. Eu quero agradecer a sua participação. Muito obrigada pela sensibilidade com que você eh trouxe esse tema paraa gente quando a gente falou de mulheres, né, de mulheres que eh não concluem a gestação. Então, só gratidão. Obrigada mesmo. Eu que agradeço a oportunidade, como a Sabrina disse, de falar de um assunto tão importante, fundamental, que permeia a vida de todos nós, né? a gente lida com o fim da vida, o fim de situações e eventos diariamente. Então, o luto é é algo presente na nossa nas nossas vidas. E a única forma da gente naturalizar eh e saber lidar ou se preparar para para para pro luto, né, paraas nossas perdas, é falar sobre, né, falar de uma forma natural, como tudo na vida tem começo, meio e fim, né, de todas as situações da vida. Então, eu acho que quanto mais a gente puder falar sobre esse assunto, trazer ele à tona, eh, mais naturalizada essa questão fica. Então, obrigada mais uma vez pela oportunidade, Ruben. Imagina, nós que agradecemos. E você aí de casa, né, a gente agradece a sua audiência, a sua companhia. Desejamos a você uma semana linda, tranquila, tá bom? E amanhã nós temos mais uma edição do Estúdio Câmara. E amanhã nós vamos eh falar sobre um tema que afeta muito a gente e que vem ganhando cada vez mais espaço nas conversas sobre a saúde e bem-estar. Você já ouviu falar de terrorismo alimentar? Pois é, o excesso de informações contraditórias, a pressão por um corpo ideal e a cultura da dieta estão transformando algo natural que é o ato de se alimentar, de comer, né? Aí a pessoa tem culpa, tem ansiedade, tem insegurança e comer se torna, ao invés de ser algo e especial, se torna um terror no seu dia, né? A gente vai entender porque que isso acontece e como recuperar uma relação saudável com a comida. Então, amanhã não perca, a gente vai falar de terrorismo alimentar. Você já ouviu isso? você tem uma relação saudável com a sua comida ou você tem medo de comer, né? Às vezes a a a sociedade nos impõe algo perfeito que para nós não é. E aí você quer entrar nesse mundo e acaba tendo problemas em relação com a comida. E a gente vai falar sobre isso amanhã, tá certo? A gente conta com a sua audiência, com a sua companhia. Obrigada por estar conosco. Amanhã é ao vivo a partir das 8 da manhã. Quero lembrar você que daqui a pouquinho, né, ao meio-dia, nós temos Câmara Notícia trazendo informações do Legislativo Campineiro. Às 6 da tarde inicia a reunião ordinária também lá no plenário José Maria Matozinho. Você pode participar eh chegando lá na na Avenida Engenheiro Roberto Man 66 lá no Legislativo na Câmara de Campinas ou então pode acompanhar aqui pela TV Câmara Campinas e também no YouTube sempre as informações da Câmara de Campinas, combinado? Agradecemos a sua audiência e a sua companhia. Valeu, turma aí eh da técnica, né? Muito obrigada, produção, todo mundo aí trabalhando junto para concretizar mais uma edição do Estúdio Câmara e você de casa que nos ajuda a completar, né, a nossa missão que é de informar. Valeu, gente. Beijo grande para todo mundo, as nossas convidadas mais uma vez. Gratidão. Vocês são sensacionais. Obrigada mesmo. E você de casa também. Valeu, beijão. Fica com Deus. E amanhã encontro mercado a partir das 8 da manhã com mais uma edição do estúdio Cama. [Música] [Música] เฮ [Música] [Música]
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