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Estúdio Câmara | Efeitos psicológicos da guerra
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Estúdio Câmara | Efeitos psicológicos da guerra

51 views Publicado 10/07/2025 HD · 59:51

Descrição do vídeo

Mesmo estando a milhares de quilômetros de distância, muitas pessoas sentem os impactos emocionais dos conflitos armados como se estivessem vivendo no centro da guerra. Em um mundo hiperconectado, cenas de destruição, sofrimento e violência chegam até nós em tempo real, por meio da televisão, das redes sociais e dos aplicativos de mensagens. A guerra entre Rússia e Ucrânia, os recentes ataques entre Irã e Israel e outros conflitos em andamento expõem diariamente a humanidade a uma avalanche de imagens dolorosas — e isso tem consequências psicológicas. No programa Estúdio Câmara desta quinta-feira, 10 de junho, vamos discutir os efeitos da guerra na mente de quem observa de longe, mas sente como se estivesse dentro do campo de batalha. Afinal, o que acontece com o nosso cérebro e com as nossas emoções quando somos bombardeados constantemente por notícias trágicas? Como o nosso corpo reage ao sofrimento alheio? E mais importante: como se proteger emocionalmente e manter-se informado sem adoecer? Para esse bate-papo essencial sobre saúde mental em tempos de crise mundial, receberemos duas especialistas que vão aprofundar essa discussão: 🧠 Carina D'Alcante Valim — Neuropsicóloga, vai explicar o funcionamento do cérebro diante de traumas indiretos, ansiedade coletiva e estresse contínuo provocado pela exposição a conteúdos de guerra. 💫 Marianna Lamas — Psicoterapeuta transpessoal, trará um olhar mais integrativo sobre como lidar com o medo, a angústia e o sentimento de impotência diante da dor do mundo. Entre os temas que serão abordados no programa: O que é o trauma vicário ou sofrimento indireto? Como as guerras nos afetam emocionalmente mesmo à distância? Qual o papel das redes sociais no agravamento da ansiedade coletiva? O que é a fadiga da compaixão e como ela impacta nosso cotidiano? Estratégias para manter o equilíbrio emocional diante do excesso de notícias ruins. Técnicas terapêuticas e práticas para reduzir o impacto emocional causado por conteúdos violentos. Quando é hora de desligar e preservar a saúde mental? Se você sente angústia, medo, tristeza ou uma sensação constante de impotência diante das notícias, este episódio é pra você. Não se trata de alienação, mas de autocuidado. Entender nossos limites emocionais é essencial para continuar sendo solidário sem adoecer. ✨ Assista, compartilhe e venha refletir com a gente: como viver em um mundo em conflito sem se perder de si mesmo? Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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[Música] Olá, muito bom dia para você. Estamos aqui Estúdio Câmara ao vivo aqui na TV Câmara Campinas. Hoje é dia 10 de julho. Hoje não é segunda-feira, tá bom? Hoje é quinta-feira, gente. Quinta-feira. Obrigada por começar a sua manhã com a gente. E o Júlio segue seu curso, né? As férias escolares chegaram para muitas famílias, enquanto a cidade, né, desperta aí um ritmo mais tranquilo a partir dessa semana. Em outras partes do mundo, a realidade é bem diferente. A gente liga a TV, abre uma rede social e é como se o mundo todo coubesse em uma tela, né? Nós vemos cenas duras, ouvimos relatos de dor e sem perceber esses sentimentos atravessam eh e chegam na gente também. No programa de hoje, nós vamos falar sobre como os horrores da guerra, mesmos vistos de mesmo vistos de longe, afetam o nosso emocional. Como seguir bem informados sem adoecer, como acolher a dor do outro sem se afogar nela. Essas e outras reflexões você acompanha aqui no estúdio Câmara. Daqui a pouquinho nós vamos entender como proteger a saúde mental diante de tantas tragédias com as nossas convidadas que já estão com a gente aqui no estúdio e daqui a pouquinho a gente conversa com elas. E gostaríamos também de conversar com você que tá aí do outro lado, qual o sentimento que você tem quando vê notícias, imagens e áudios sobre a guerra. Manda pra gente sua mensagem. WhatsApp tá na tela, tá? 199729377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza para você previsão do tempo e também algumas informações, tá certo? Vamos lá, então. Eh, chegando previsão do tempo para você, pode colocar a previsão do tempo pra gente na tela. Hoje, quinta-feira, as temperaturas máximas devem permanecer em torno de 23º, porém as mínimas devem ocorrer aí, eh, foram, né? Aliás, é de 12º. Hoje não tá tão frio não, né? A previsão de ventos um pouco mais intensos hoje, eh, particularmente durante a tarde. Aí quando tem vento, o negócio fica mais difícil, né? Fica mais desafiador, porque aí o frio fica mais intenso. Mas hoje, então, a mínima foi de 12, máxima de 23. A previsão indica ventos à tarde. Prepare-se. Vamos lá. Chegando informações para você agora. A SEASA Campinas aposta em conexões e negócios no Enflor 2025. O mercado de flores da Seasa Campinas marca a presença em mais uma edição do Enem Flor que acontece neste final de semana, viu gente? De 13 a 15 de julho em Olambra, considerado um dos principais eventos nacionais da floricultura, o encontro reúne fornecedores, parceiros e compradores do setor. Com 30.000 1000 m² de área construída. O mercado de flores movimentou 6,8.000 toneladas de produtos no último ano e recebe diariamente cerca de 4.500 visitantes. Atualmente, o Entreposto eh conta com 195 módulos disponíveis para novos permissionários. A edição 2025 traz grandes oportunidades ao público profissional, além da feira de negócios com standes, comercializando produtos à pronta entrega, haverá áreas temáticas, viu? como o espaço inspiração, espaço novos talentos, a floricultura viva e a rua das flores, todos lindamente decorados, onde os visitantes poderão acompanhar a apresentação de arte floral e compartilhar momentos, né? Então, uma boa pedida aí lambra para este fim de semana. Vamos lá. Olha só, as crianças em férias, né? E agora é brincar, gente. Brincar é pique. É isso mesmo. Tem sugestões para as férias escolares. A galerinha da rede municipal de Campinas já entrou em férias e aí começaram eh um incentivo familiar, né, de convívio também desenvolvimento das crianças ao longe das telas. O site Brincar é pique do plano primeira infância campineira está disponível, reúne diversas sugestões de brincadeiras ao ar livre e também dentro de casa. Entre as atividades propostas estão trenon com papelão, uma delícia. Piquenique em família, então nem fala. Desenhar no box durante o banho. Uau, terapêutico. E até a caçar o tesouro com objetos do cotidiano, né? Olha, eh, é importante reforçar que brincar é um direito da criança e essencial para o desenvolvimento, né? Então, o acesso pelo site é gratuito, então anota aí. Vamos lá. Campinas.sp.gov.br/sites eh/sites/brincar/apresentação, tá? Então, aí você vai eh conferir todas as brincadeiras que você pode fazer aí com a sua criança nestas férias, né? principalmente porque tá um friozinho, é gostoso ficar em casa. Mas lembrando que é importante também retirar as crianças das telas e lá no site, eh, que você encontra informações importantes de como se divertir, porque você vai divertir a sua criança e vai se divertir junto. Bom, notícias e previsão do tempo, OK? Agora a gente inicia então o nosso a nossa entrevista, né, e o nosso tema central, guerras, tragédias, desastres. Se a gente parar para pensar, estão bem longe, mas chegam muito perto. E sim, acabamos passando por uma guerra psicológica, né? Somos bombardeados por imagens dolorosas que, mesmo sem perceber, elas nos afetam. Mas como se informar sem se adoecer emocionalmente? Como é que a gente mantém empatia sem se afogar na dor do mundo? Hoje o estúdio Câmara conversa com duas profissionais da psicologia que vão nos ajudar a entender esse cenário complexo e muito sensível, né? Então, a gente já dá as boas-vindas, considerações iniciais. Mariana Lamas, psicoterapeuta transpessoal, muito bom dia. Obrigada pela sua participação aqui no Estúdio Câmara. Obrigada. Bom dia. Eu que agradeço a oportunidade. Maravilha. Para completar o nosso time, a gente recebe a Karina DC Valim, neuropsicóloga. Seja muito bem-vinda, Karina. Bom dia. Bom dia. Bom dia. Obrigada pelo convite. Muito bem. E você aí de casa está com a gente também. É um prazer ter você, tá? já vai mandando a sua mensagem, vai falando pra gente o que que acontece quando você assiste na televisão ou vê na internet essas notícias, né, da guerra que tá acontecendo lá do outro lado do mundo, mas que deixa a gente aflito e às vezes com ansiedade, com uma depressão, uma vontade de ajudar, um sofrimento que a gente não consegue entender o que acontece dentro da gente quando vemos diariamente imagens de guerra, tragédias e mortes, né? Eh, o chamado luto coletivo é real. mesmo quando a gente não conhece as pessoas. Eu vou perguntar então pra Marina pra gente iniciar o que que acontece dentro da gente, por que a gente tem esse sofrimento coletivo, sendo que a gente nem conhece quem tá lá do outro lado e parece que tá tão longe? Eh, eh, bom, nós, seres humanos, né, nossa principal habilidade que nos diferencia de qualquer outro outro ser, né, eh nós temos uma capacidade muito grande de sentir, né, eh, em tempos de inteligência artificial, né, eu costumo dizer que um robô ele pode ser programado para pensar e ele pode ser programado para agir. Uhum. Mas só a só o ser humano ele é capaz de sentir, né, e pensar e agir a partir mediado pelo seu sentir, né? E nossa biologia também, eh, a nossa constituição biológica também é feita para que a gente, além de sentir, a gente estabeleça conexões, né, desde que nós nascemos. Nós nascemos e nós não temos condições de existir se nós não estivermos conectados a um outro ser humano, né, que no caso a mãe, né, que vai nos dar todo o suporte ou algum outro adulto que possa fazer outro ser humano que possa fazer isso por nós. Então, eh o sentir e o se conectar faz parte da essência humana, né? Eh, e nós sentimos e nos conectamos com outras pessoas a partir daquilo que existe dentro de nós, a partir da história de vida, da biografia que a gente tem, das dores, né, e dos sabores, né, dos de tudo aquilo da sombra e da luz que existe dentro de nós, das nossas experiências vividas, né? Tudo isso contribui para formação eh do nosso do nosso funcionamento, da nossa personalidade e da nossa individualidade. E quando a gente fala de personalidade, a gente tá falando de uma instância psíquica que é o ego, né? O ego que traz a que faz a nossa mediação com a realidade, com o princípio da realidade, com o exercício da razão, com a formação da nossa personalidade, a nossa adaptação, nossa autoimagem, né? E esse ego, quando ele é bombardeado com todas essas informações, com situações eh catastróficas, com situações de violência, de dores, né, esse ego, ele vai se fragilizando, né, gerando uma desorganização mental e um desequilíbrio emocional. Quando a gente fala de desorganização mental, a gente tá falando de preocupações excessivas, de pensamentos intrusivos, de crenças limitantes, fantasias que muitas vezes são catastróficas. E quando a gente fala de desequilíbrio mental, a gente tá falando de um medo excessivo, de um excesso de insegurança, de baixa autoestima, de angústia. Então, a depender de como nossa história de vida se configurou, nós vamos ter dentro de nós um funcionamento eh desse ego que pode estar mais fragilizado ou mais rígido, o que vai fazer com que a gente ou mais saudável, né, que não é nem o nem o frágil, nem o rígido. E a depender da de como a gente eh tem esse funcionamento do nosso ego e da nossa personalidade, a gente e a história e a nossa própria história de vida, a gente vai se identificar com essas situações de guerra, né, e com as consequências, né, de formas diferentes. Então, pessoas que estão que viveram ou viveram situa que já viveram situações eh de dor, de perda, né, ou que tiveram na história da sua vida familiar situações semelhantes, elas vão se identificar de uma forma e outras pessoas vão se identificar de outras formas, né? Pessoas que vão conseguir se identificar pela dor, outros pela empatia. Eh, é algo bem impactante, porque mesmo a gente não conhecendo as vítimas, né, às vezes a gente sente e o corpo sente, o coração fica acelerado da angústia, da insônia, às vezes a gente nem sabe o que que tá acontecendo, né, Kina? E aí a gente tá sofrendo e nem sabe que esses sintomas têm relação com o excesso de notícia, que são notícias que nos trazem eh uma sensação ruim. Eu gostaria que você explicasse pra gente, Kina, eh, essa essa questão do chamado luto coletivo. Isso é real mesmo? Isso isso existe. E, eh, mesmo quando a gente não conhece as vítimas, a gente pode sentir muito. Pode, pode. E um pouco, como a Mariana falou, é uma questão biológica também, né? Precisamos do coletivo, né? Então nós, eh, o ser humano, ele é formado para que ele vive em sociedade. Então, qualquer ameaça em relação a isso, ela vai desestabilizar um equilíbrio, né? E se se trouxermos isso pro individual, pro âmbito do individual, o que que nós temos? Nós temos que muitas vezes hoje o conteúdo da violência ele acaba sendo mais acessível por todos, por adultos, por crianças, por adolescentes, pela quantidade de informações que nós temos acesso. E essas informações muitas vezes elas acabam não sendo controladas, né? E o fato da informação não ser controlados, você dá um clique ali numa determinada notícia e você e essa notícia verá referência para cada vez trazer mais notícias a respeito daquilo. É como se todo mundo tivesse ali recebendo uma quantidade de informações ao mesmo tempo, quase, eh, e que acaba assustando e que a pessoa acaba ficando ali eh quase que presa, vamos dizer assim, né, naquele conteúdo. E esse luto coletivo, ele vai se construindo por essa atmosfera, né, de todo mundo consumir aquilo e todo mundo vai ficando mais ansioso e vai gerando aí uma uma tristeza. E você vai vivendo aquilo no dia a dia, você vai convivendo, você tem que gerir a sua rotina, mas você tem uma coisa ali que te incomoda, que alguma coisa que te deixa desconfortável, que você vai vendo, você fala: "O que é isso?" É porque o tempo todo você tá imerso num conteúdo ali de violência. Eh, é importante falar, nós passamos por um, saindo um pouquinho só da questão da guerra, mas falando de uma outra tragédia, uma outra tragédia muito próxima nossa. que aconteceu foi a enchente no Rio Grande do Sul, por exemplo. Exato. Uhum. A enchente no Rio Grande do Sul, eh, foi o possível observar eh, a dois tipos de comportamento muito claros assim, né, ao meu ver. Um foi, ah, eu vou racionalizar paraa questão política, né? Então eu falo: "Ah, foi uma questão política, eh, olha o que fizeram, o governo não investe nada, foi isso, aconteceu por conta disso, como a gente como se fosse fácil justificar só por isso." Então, teve uma racionalização por esse lado e por outro lado, muitas pessoas começaram a se mobilizar, né? e tiveram uma empatia, uma coisa como se elas estivessem vivendo ali. Então, logo chegaram os caminhões, as pessoas tinham a doação, elas se mobilizaram para salvar os cachorros, os animais, né? Enfim, todo mundo acompanhou o resgate do cavalo, né? E as pessoas comentando. Então, assim, ter tem uma sensação ali de um de um de um coletivo que vai pro lado da empatia e isso é do ser humano, isso é normal. né? Eh, e aí as pessoas fazem um plano de ação para tentar amenizar essa ansiedade com uma ação que eu quero eh fazer algo por alguém, porque isso vai fazer melhor para mim e eu estou fazendo algo pelo outro. E tenho a os outros que fazem uma leitura assim crítica, né? só ah, porque aconteceu isso, aconteceu aquilo ou tem o mundo tá tá perdido mesmo, olha só, tá tudo muito ruim, que nós também temos que observar muito essa essa forma de interpretar, porque muitas vezes quando a pessoa enfatiza muito esse lado negativo, só ela precisa entender se não está muitas vezes transferindo uma questão dela. ela da vida pessoal dela, que ela não tem muita clareza, mas que tá deixando ela mais triste ou já que já deixa ela mais angustiada, mais ansiosa. E aí ela tem isso como um gatilho, né, de uma situação de guerra ou da situação da tragédia para dizer: "Olha, tudo ali tá muito ruim, o mundo tá muito horrível, as coisas são muito ruins e tudo tá muito péssimo, mas na verdade ela não acaba não olhando para uma questão individual e transfere para esse coletivo. Então, nesses momentos de de tragédias ou na questão da guerra, que é uma situação de violência extrema, a gente tem que saber eh ter cuidado de entender o quanto eu preciso me informar para ter uma uma ideia do que acontece no mundo, que é importante, né? essa noção do que está acontecendo interem de decisão, em planejamento futuro, isso é importante, mas o quanto também eu não estou envzado às vezes a fazer uma leitura pessimista ou uma leitura trágica, né? E às vezes é algo mais da minha vida, né, do que só do coletivo. Muito bem. importante, né, que a gente transborda. Então, como que você está para você, a a visão que você tem referente a essa questão da guerra, da tragédia também. Então, pelo que você falou, eh, tem muito a dizer como você está se sentindo, né? O que que você está transbordando aí? Eh, Mariana, uma diferença aí, você falou sobre empatia, né, Karina? Então, uma empatia saudável e um sofrimento empático. Como que a gente identifica? E quando a gente tá tá cruzando esse limite, é quando a gente eh quando a gente fala dessa empatia, né, a a Karina falou muito bem, né, de que a gente eh é no a gente tem essa esse encontro com o outro, a gente tem um encontro com a gente mesmo, né? O psicólogo Rolando Touro dizia isso, né? É no encontro com o outro que eu tenho notícias de mim, né? Então, o que tá acontecendo com o outro indivíduo ou com a sociedade eh reflete, né, espelha aquilo que está acontecendo dentro de mim. Então, quando a gente fala eh da empatia, que é sentir, né, o que o outro sente se colocando no lugar do outro, eh isso é algo que é da natureza humana, mas também é algo muito difícil, né, de de ser feito, eh, com zero imparcialidade, porque normalmente a gente vai ter a empatia com a dor ou a alegria do outro, né, a partir da de uma identificação que tem correlação com a nossa história. Então, o sofrimento empático, eh, muitas vezes pode vir carregado de empatia, mas de um sofrimento que é catalisado pelo sofrimento que eu tenho em relação àquela questão. Então, eh, isso vai afetar diretamente como a pessoa se identifica empaticamente com o sofrimento daquela, daquele coletivo, daquela sociedade ou daquele indivíduo, né? Lembrando que nós, seres humanos, somos seres biopsicossociais. Então, a gente tem a biologia, a psique e a sociedade como elemento, né? A sociedade é esse coletivo maior do qual a gente faz parte. E aí, então, eu posso ter por natureza humana empatia, mas o sofrimento empático, né, ele pode vir eh catalisado por esse sofrimento interno que eu tenho em relação à aquela questão, né, e vai balizar, né, então essa identificação, no fundo, é uma identificação empática que cada indivíduo tem com cada situação, como a gente acompanhou aí também, né, as semanas, essas semanas que passaram, né, com a brasileira que faleceu, né, no na queda no vulcão. Então, a gente tem todo, como a Kina trouxe, a questão das enchentes e a gente também vive uma série de outras guerras, né, na nossa sociedade. Então, assim, a gente tem uma soma de guerras, né? Tem a guerra que tá acontecendo lá entre Rússia e Ucrânia, que tá acontecendo entre Israel e Irã, né, que tá acontecendo ali entre Israel e e ali na faixa de gás, na Palestina. Mas a gente tem as nossas guerras também aqui no no Brasil, guerras cotidianas e a gente ainda tem as nossas guerras internas, né? Então são são muitas, né? A gente vive tempos assim bastante desafiadores pra saúde mental. Verdade. São tempos desafiadores mesmo, porque como é que a gente administra, né? Como é que a gente administra tudo isso tendo que ser ã não digo forte, porque esse negócio de ser forte já era, né? Acho que a gente não tem que ser forte coisa nenhuma, mas a gente eh precisa administrar todas essas situações e ter aí um um uma leveza e uma assertividade para poder continuar a vida, né, Karina? Agora, a questão da depressão, da ansiedade, que todo esse tipo de conteúdo que a gente eh acaba consumindo acelerado, né, de forma acelerada, ela tende a aumentar também. Tende. Já aumentou muito, né? Eu acho que ela já aumentou. Eh, tivemos assim uma pós-pandemia, né? foi o auge, as pessoas tiveram que se reinventar de diversas formas nos relacionamentos familiares, pessoais, na carreira, muitas vezes na forma de trabalhar, ter que trabalhar em casa, ninguém tava acostumado. Então, assim, a pandemia, acho que foi o auge disso das pessoas olharem e falar: "Opa, eu preciso me equilibrar, preciso me cuidar, porque senão não vou dar não vou dar conta". E depois disso, quando o mundo começou a voltar ao normal, a rotina das pessoas voltou ao normal, aí as pessoas quando olharam para dentro elas falaram: "Hum, acho que tem alguma coisa que mexeu demais, né? Além do que do próprio fato da pandemia, as pessoas perderam familiares, ficaram com medo, né? Eh, tudo isso desequilibrou muito o estado emocional de todo mundo, o fato de ficar confinado, né? Eh, enfim, a preocupação com a saúde, né? Então, agora eu preciso me cuidar. Às vezes pessoas que estavam vindo assim: "Ah, eu não faço exercício, né? Não como direito, tal, vou levando." Aí vem um negócio, você fala: "Não, ou se cuida, ou você tem um risco real, né?" Então, todo mundo começou a olhar mais tanto pra saúde física quanto a mental, né? depois desse período e com essa eh e com essa com esse stress que nós vivemos nesse período da pandemia, que foi um período de estress muito grande, muitas coisas começaram a a desencadear ali, desequilibrar em termos de saúde mental para muita gente. Eh, então a ansiedade absurdo, né? O Brasil é um dos países mais ansiosos do mundo. Isso é, já tem pesquisas que comprovam isso. É, é relatado já, eh, por conta até da, do tipo de vida que a gente tem, né, a questão eh eh econômica, a questão de violência, né, a instabilidade. Então, assim, e isso é é muito comum no Brasil, os os transtornos de ansiedade, né, que é já algo preocupante. E a depressão, ela também vem com esse momento de estress que as pessoas viram de repente que talvez aquela atividade que ela fazia não é aquilo que ela queria continuar fazendo do trabalho, a forma que ela trabalha eh ou que que o trabalho funciona não estava feliz. relacionamentos pessoais, quantos casamentos não terminaram na pandemia, porque as as pessoas ficaram ali muitas vezes confinadas e reavaliaram ou muitas discussões por conta do confinamento e não suportaram, né, e acabaram eh eh se separando. Então, assim, eh isso é eh é algo que hoje nós prestamos mais atenção, né? Eh, é bom, tem esse lado bom de hoje. É normal a pessoa falar: "Vou ao terapeuta, que bom, né? Eu tenho um psiquiatra, né? E eu assim que que trabalho com saúde mental há 20 anos, né? um pouquinho mais até. Eh, antes as pessoas tinham vergonha, eu vi isso. As pessoas não queriam falar, né? Ai, eu fazer, vou, vou na terapia, aí hoje eu tenho terapia. Falava assim, né? Nossa, porque o meu psiquiatra, é, meu médico, sabe? falava meio escondido assim, hoje não fala não, tem um psiquiatra, estou tomando um remédio, tô me cuidando porque eh é isso, ou a gente assume que precisa de ajuda, né, e busca, ou o sofrimento vai ficando cada vez maior e consome, né? e consome consome energia, as pessoas ficam menos produtivas, elas ficam eh o relacionamento interpessoal, né, também é prejudicado, né? Eh, tem um outro ponto que eu gostaria de falar depois, mas o quanto afeta as crianças, eu que trabalho muito com criança e adolescente também, o quanto as crianças são afetadas hoje, né, com a depressão dos pais ou ansiedade dos pais e isso acaba causando nelas também esses sintomas, né, indiretamente? Então, é, é, tem que se cuidar, é, precisa se cuidar. Aí quando a gente fala de cuidados, fala de sentimentos, a gente também pode inserir nisso tudo a tecnologia, porque a tecnologia, hoje a gente tá falando sentimento da e eh com a guerra, né? Mas a guerra são todos os tipos de guerra. Eu acredito que essa questão da pandemia também, né, a a questão das nossas guerras internas, então a gente fala guerra, eh, mas eu acho que são e são realmente todas as guerras, né? Mas essa guerra que tá lá do outro lado, a gente acaba trazendo ela para dentro da nossa sala através da tecnologia. E aí a nossa responsabilidade de escolher quando a gente vai abrir essa porta, né, da nossa casa. A informação é essencial, gente, sim, mas ela precisa vir acompanhada de um filtro, de pausa, de cuidados, né? Aí, Mariana, eu falo para você, algumas pessoas se afastam totalmente das notícias, porque aí elas dizem: "Eu não vou ficar sabendo de nada ruim, porque daí eu vou ficar bem". E outras pessoas se informam compulsivamente, quer saber, quer saber e não para de ver. E aí tem os algoritmos que você viu uma vez, ele vai trazer para você novamente, mesmo que você não queira, você acaba vendo, né? Então, eh, como é que a gente busca o caminho de um equilíbrio para esse consumo diário de informações, né? a gente elimina de vez, é oito, é 80, ou a gente vê um pouquinho só para saber o que tá acontecendo e depois a gente tenta eh sair um pouco dessa eh dessa linha de raciocínio. Como é que a gente faz para manter o equilíbrio? Olha, eh eu acho que o equilíbrio é sempre o caminho, né? Nem o oito, nem o 80, é sempre o equilíbrio, né? Como a Carina também já disse, né? Saber o que tá acontecendo no mundo é essencial, né? saber o que tá acontecendo na sua cidade, no seu país, na sua região, no mundo, né? É fundamental para você poder tomar decisões, para você estar a par do que tá acontecendo, né? E existir, porque você faz parte desse mundo, né? Então, a alienação, né, que é o não, não vou me informar, não vou ter notícia, não quero saber, vou fingir que não sei, vou fingir que nada tá acontecendo. Esse não é o caminho, né? não é o melhor caminho. Acho que o caminho é a busca do equilíbrio. Como que a gente pode buscar esse esse equilíbrio, né? Uma das formas é a gente buscar as notícias, estar a par das notícias, mas com certo eh cuidado, porque eh como a gente tem o acesso muitas vezes além da da TV, né, dos noticiários, né, jornal Impresso acho que mais ninguém, quase ninguém mais lê, mas eh a gente tem a notícia na palma da mão através de smartphones, então a gente muito rápido, né, num volume muito grande, então é volume e velocidade, né? Eh, então você vai entrar, você vai entrar, por exemplo, num Instagram, você vai ter um, dependendo de como você configurou o seu feed de notícias, vai vir na CNN, vai vir do Globo News, vai vir da Wall, vai vir no N, vai vir de várias outras eh fontes, né? Então você pode buscar se informar, mas você não precisa ficar repetida repetidas vezes se informando daquilo várias vezes, por exemplo, ao dia, né? Você tem porque normalmente as notícias elas se repetem, né? Elas t poucos acréscimos, né? Então, eh, em vez de você ficar ao longo do dia, várias vezes ao dia, buscando aquela notícia, então você pode se informar num determinado horário do dia que é que é seguro para você emocionalmente, no sentido de que você tem ali uma qualidade de presença para ter a notícia e pensar sobre ela, né? Sentir sobre ela, né? Não, assim, tô dirigindo e tô ouvindo a notícia, eu tô dando a comida pro meu filho e tô com a TV ligada, passando a notícia e submetendo muitas vezes a criança, né, ou adolescente, a mais uma carga de notícias que envolve um grau de violência, né? Então, buscar a notícia, mas não ficar repetidas vezes acompanhando isso ao longo do dia, né? Então tem gente que vai gostar de ver isso no comecinho do dia, no final do dia, para porque daí você já pega o desenrolar daquela notícia ao longo do dia. Mas eu acho que acho super importante também eh, como você mesmo falou, Rúbia, no numa fala anterior, sentir no corpo, né? Eu que trabalho com com manejo de traumas, emoções reprimidas, né, a partir da abordagem somática, eh sentir no corpo como aquela notícia chegou para você, né? Eh, como que que aquilo trouxe no seu corpo? Aquilo trouxe um uma aceleração do seu batimento cardíaco? Aquilo trouxe uma sudorese? Aquilo movimentou seu corpo, te deu, te deixou um pouco agitado, né? Porque se você a antes da mente produzir uma linguagem, o corpo já está se comunicando com a gente. Então, a partir do momento que você sentiu aqui, você falou: "Opa, acho que acho que essa notícia pesou para mim, acho que essa notícia chegou forte, né? e para e sente o corpo, né? E a partir que sensação no teu corpo essa notícia desencadeia, que emoção você acessa a partir dessa notícia, que pensamento isso te traz, né? Porque isso é uma forma de você e se autoconhecendo para ver como você reage essas notícias e aí você vai conseguindo também eh construir um relacionamento saudável. Olha, quando eu vejo essas notícias, eu fico bastante eh desestabilizado ou aquilo mexe comigo. Então, eu vou ver isso no momento em que eu eh não vou não vou estar sujeito a a ter esse descompasso ali numa situação que não deve. Vou dar um exemplo. Eh, eu tenho uma filha pequena e eu evito ver essas notícias no momento que eu estou com ela. Sim. Porque isso pode me desregular, né? o que pode também submetê-la a regulação dela, existe uma corregulação, né, entre nós. Então eu acho que assim, a busca do equilíbrio é a gente buscar a informação, ter acesso a ela, mas também se autoconhecer para saber como eu funciono em relação a essas notícias, para saber em que momento, que situações, a que contexto que eu vou ter acesso a elas, mas nunca deixar de ter, né? Porque a alienação não é um caminho. Exato. Até porque a gente, às vezes, as pessoas estão tão acostumadas, né, a ver notícias, a rolar o vídeo. A gente tá falando aí de notícia na palma da mão, mas notícia na televisão, enfim, eh estão tão acostumadas a a a consumir esse conteúdo que nem percebem eh o corpo, né? O que acontece quando você vê esse tipo de notícia. E aí você falou das crianças e a próxima abordagem nossa e eu pergunto já direciona pra Karina. Eh, no caso das crianças que muitas vezes acompanham os adultos, né, né, nessa eh nessa nessa nesse consumo desse conteúdo de notícias. E aqui a gente fala de tragédias, de guerras, como é que a gente pode proteger essas crianças emocionalmente? Como é que a gente vai explicar para uma criança que tá acontecendo uma guerra lá do outro lado do mundo? E aí a de repente você tá assistindo aí uma televisão e vem um plantão de notícias e aí e estourou uma bomba lá do outro lado do mundo. Seif várias vidas e aquela a criança tá do seu lado. E aí como que a gente faz para explicar para essa criança o que tá acontecendo e como que isso vai impactar a cabecinha desse ser tão pequenininho que não entende nada que tá acontecendo do outro lado do mundo? É muito difícil. É difícil, né? É muito difícil, mas é um mundo Uhum. nós estamos, né? Então eles precisam também eh entender de alguma forma como funciona eh essas questões. Lógico que em diferentes idades tem diferentes abordagens. O ideal seria não expor muito as crianças, né, a esse tipo de notícia. O que você puder proteger, é melhor você proteger. Mas as perguntas elas acabam aparecendo, que é o que a gente estava conversando. Você não fala sobre isso na tua casa, mas aí a criança vai pra escola e tem um colega falou: "Você viu? Explodiu a bomba, não sei aonde, morreram não sei quantos ou aconteceu, tá acontecendo guerra não sei aondde?" E aí a criança volta e fala: "Mãe, né, pai, tem que que acontece na guerra? Por que que tem a guerra, né? morre, não morre, o que é a bomba, como funciona? E aí você tem que explicar, né, eh, na medida que é possível você explicar para uma criança como funciona dependendo da idade e colocar assim a sua a sua empatia, a sua indignação, a tristeza desse fato, né? eh eh e compartilhar com ela que também não não fica eh bem com uma notícia dessa, né? Agora, saber como colocar isso é muito importante, não é fácil no dia a dia. Aqui nós estamos falando de duas pessoas que eu também tenho filhos que são especialistas da área da saúde mental, a gente já tem um todo um cuidado e quem tá na rotina no dia de não tem essa formação, né? Eh, mas é ter esse cuidado que você tem para tem que ter para você. O próprio adulto tem que filtrar as informações e ele precisa saber como ele vai falar isso paraa criança, filtrando também, tentando proteger ela de alguma coisa. Então, eh, mas que seja um conteúdo que seja mais agressivo, né? O problema é que hoje eh, as crianças elas têm o acesso direto, né, pelo celular, pelo computador, na a internet, né? E aí muitas vezes esse filtro não dá tempo de ser feito porque a criança já viu, né? E esse é o problema, né? Então assim, o que puder ainda limitar a criança de acessar em termos de rede social, de site de notícia ou de internet livre, né, o que puder fazer, eu acho que isso ainda é o mais importante. É a primeira, é a primeira escolha, né? devemos fazer primeiro. Ah, não deu. A criança viu algum conteúdo que não era para para ter visto ou ficou muito impactada e vem trazer para você que ela está preocupada, que ela tá ansiosa, que ela ficou com medo, né? Porque a criança, a gente tem que entender que muitas crianças às vezes começam a ter medos e desenvolver muito medo por conta de coisas que ela viu, que ela leu, né? eh, e que ela acessou e que talvez ela não tivesse preparada para esse conteúdo, né? Então, eh, filtrar e depois, se não deu para filtrar, você precisa conversar com ela a respeito disso e precisa tentar entender o que você viu, o que é, mas eh vamos tentar não olhar mais isso, não foi legal. Eh, fala para mim por que você tá com medo. Eu vou tentar te explicar o que acontece. Eh, realmente não é uma situação agradável, né? não tá certo fazer isso, enfim, eh, não é assim que se resolve, né? O que é um paradoxo é que hoje a maioria das escolas elas têm um trabalho de educação socioemocional, né? A gente ouve falar muito disso. As crianças têm uma educação socioemocional para não entrar em conflitos, para aprender a lidar com as emoções, eh para ter mais habilidade social, para ser mais assertiva, né? controlar eh o o essas explosões, né, e saber como manejar, lidar com um colega, não ser agressivo. E aí de repente você fala que dois líderes, né, mundiais resolveram na tão resolvendo na bomba. E aí você fala: "Como eu vou explicar?" Eu já tive esse tipo de pergunta, por exemplo, em casa, né, assim, e de crianças no consultório, né, do meu filho e de crianças. Pô, mas não dava para conversar se a gente tá resolvendo uma conversa, a gente tá aprendendo que é assim, né? Sentam e conversam e ele precisa jogar a bomba lá. E o Aí nessa hora você fala: "É, é o certo". É, né? Eh, seriam eles tentar conversar, tentar resolver porque que precisa ser assim. Então, aí é eh tem esse lado. A gente faz todo um trabalho às vezes de educação, de uma, espero, né? Quem sabe que essa geração aí com socioemocional, com tanta tanta eh com pais, né, que buscam mais cuidar da saúde mental, que a gente consiga ter aí uma geração emocionalmente mais saudável, né, vamos ver. Mas por outro lado tem esse paradoxo, né? Ainda eh tem coisas que são resolvidas com uma violência bruta e a gente precisa tentar eh explicar para eles isso e dizer: "Olha, eh não, realmente não é a melhor forma. Não sei porque isso tá acontecendo. Deveria tem que se pensar numa solução talvez um pouco mais inteligente. A gente espera que tenha uma solução mais inteligente do que essa, né? desafiador chegar em um denominador comum para explicar para uma criança, né, o porquê disso, né? É desafiador, realmente, gente. Olha só, né? Então, eh, 8:39. Eu tô, parei para pensar aqui, nunca tive uma situação dessa. E vocês falando, eu pensei agora, falei: "Gente, mas falar o quê, né? Falar como?" É por isso que a gente precisa estar atento em tudo que tá acontecendo ao nosso redor, mas também eh conhecer um pouquinho sobre isso que a gente tá falando aqui hoje, né? Eh, das várias formas que a gente tem de lidar com a situação. Nessa situação que a gente tá comentando hoje aqui, né, abordando é sobre guerra. Então, eh eh tem que tomar muito cuidado que você vai repassar paraa sua criança, porque pode causar sim transtornos, né, como elas, as nossas profissionais afirmaram aqui, transtornos de ansiedade, depressão, até uma síndrome do pânico, porque a pessoa não tá preparada. Se a gente que é adulto, né, com todo o conhecimento que nós temos, às vezes a gente acaba nos impactando de uma forma assim que nos paralisa, você imagina uma criança diante de tanta informação e informação com esse peso que é e é eh uma guerra acontecendo. Agora 8:40, a produção tá avisando que nós temos perguntas e é tão bom saber que você tá aí do outro lado participando com a gente. Vamos lá então, produção, pode colocar na tela para nós. A gente começa a responder você que tá aí ligadinho aqui na TV Câmara Campinas. Muito bom dia. Hoje é quinta-feira, hein? É isso mesmo. É quinta-feira. Tem gente tá meio perdido no tempo aí, mas é quinta-feira. Vamos lá atender a Paula do Jardim Proença. Bom dia para você, Paula. Ela diz: "Ó, curtir e compartilhar ataques em tempo real nas redes muda a maneira como jovens jovens lidam com a dor e a segurança do mundo. Uau, que pergunta, hein, Paula? Vamos lá, então. Mariana. Sim, com certeza, né? Eh, primeiro porque, como a gente já falou, né, a gente tá vivendo tempos bastante desafiadores em termos de violência, de insegurança, né, no mundo como um todo, né, uma escalada da violência em todos os sentidos, né, e para essa geração de jovens, muitas vezes isso vai se banalizando, né? Então, a gente tem, a gente já tem uma banalização dessa violência no cotidiano dos jovens, que, por exemplo, tem acesso a jogos violentos. E aí essa violência que tá ali dentro dos jogos, de repente tá acontecendo aqui na na vida real, né? Tá acontecendo na cidade que ele mora, tá acontecendo no país que ele mora, tá acontecendo do outro lado do mundo, mas é igual o jogo que ele que ele joga, né? Então assim, e a partir do momento que você tá ali o tempo todo, como eu falei, se você tá todo dia o tempo todo, ao longo do seu dia, compartilhando, curtindo e vivendo essas notícias, né, eh, você tem uma certa banalização, né, desse dessa violência, dessa segurança e ao mesmo tempo você tem uma fragilização eh dessa personalidade que tem acesso a essas notícias, né, o que eu falei no começo, né, isso gera uma desorganização, pode gerar uma desorganização mental, um desequilíbrio emocional, né? E isso pode desencadear, né, eh, situações traumatizantes para esses jovens que muitas vezes nem sabe que estão se traumatizando a partir daquelas da daquelas informações e daquelas notícias que estão chegando, né? Mas isso constrói uma sensação de insegurança. Então, todo dia ele ele tem acesso a milhares de notícias de tudo de ruim que está acontecendo no mundo, né? Que mundo que que identificação que ele tem com esse mundo, qual é o construção dele de identificação, de reconhecimento e identificação do contexto do mundo que ele vive? Então, o mundo é mau, o mundo é ruim, né? O mundo não é bom, né? Então isso aumenta muitas vezes, por isso que a gente também eh eh acompanha, né, o crescimento aí dos índices de ansiedade, síndrome do pânico, depressão em populações cada vez mais jovens, né? E a gente tava conversando, né, no começo no no começo do programa, a Karine ela trabalha com isso também, né, e ela e ela também, né, identifica, né, esse crescimento desses índices, né? Então assim, eu me pergunto também o que que é possível, né, nós como pais ou adultos responsáveis, o que que a gente pode fazer para ajudar esses jovens? Porque tudo isso existe, mas existe também coisas boas no mundo, né? como é que a gente vai buscar o equilíbrio, né, de ter acesso também a outras realidades, a outras notícias e viver o mundo real também fora dessas telas, né, no cotidiano e pensar o que que eu posso fazer em relação a isso. Tem algo, né, da questão da empatia, tem algo que eu possa fazer, né, trabalhar com esses jovens, como a Karina também tava falando, né, trabalhar com esses jovens o como lidar com essas questões de insegurança e de dor no mundo, mas a partir também daquilo que a gente pode fazer, como é que a gente pode fazer diferente, né, não ser catalisador desse processo, mas possivelmente transformador disso. Maravilha. É importante, gente, lembrar que não se trata, tá, de ignorar o que acontece no mundo, mas de cuidar dos nossos sentimentos, né, de como a gente adere e recebe tudo isso, tá? 8:45. Tem mais perguntas? Vamos lá. Pergunta agora nós vamos direcionar. Deixa eu ver, é a Flávia do Cambuí. Oi, Flávia, tudo bem com você? Bom dia. Olha só, ela diz aqui: "Assisti horas de bombardeios e fiquei enjoada. É normal o cérebro transformar choque visual em mal-estar físico e tão rápido?" Nossa, Flávia, Karina. E aí esse enjoa aí? O que que aconteceu com a nossa telespectadora vendo esses vídeos de bombardeiros? Quando nós então entramos em contato com esse com o conteúdo violento, né, eh existe uma liberação do hormônio do estress. Uhum. Né? É um um evento estressor, não tem como. E aí essa liberação do hormônio do stress, ela gera uma série de alterações fisiológicas. Então é ou é luta ou é fuga, né? Ou você vai enfrentar o inimigo ou você precisa fugir do inimigo. No caso ali, eh, não tem um enfrentamento inimigo. Você tá passivo, você recebe ali. Então, você tem que, o seu corpo fala: "Eu tenho que fugir disso." É uma situação ameaçadora. E aí tem toda uma eh esse hormônio gera toda uma alteração fisiológica. A Mariana pode até me ajudar melhor depois nisso. Eh, que a pessoa tá ali num num strress é como ela precisa correr, ela precisa fazer alguma coisa, aquele corpo tá se sentindo ameaçado. Então, eh, boca seca, né? Eh, às vezes visão turva, dor de cabeça, eu tenho como efeito uma dor de estômago, né? eh, tremedeira, eu posso ter sudorese, eh, enfim, uma série de de situações ali fisiológicas acontecem, porque eu estou me expondo a isso o tempo todo e o corpo vai ter uma reação. Sim. Agora você imagina fazer isso uma vez, aí você tem, separa, aí você faz isso uma, aí duas, aí três, uma hora desregula, né? uma hora você desregula e você perde a mão disso. Uhum. Que muitas vezes eu não tô dizendo que é essa a lógica do transtorno do pânico, tá? É só isso que gera um transtorno do pânico, não é isso, mas pode ser um gatilho importante. Então, a pessoa tá lá, ela tá vulnerável, ela já está ali de repente vivendo um momento ansioso, não tem clareza disso ou está mais triste, mais deprimida e de repente ela se expõe a esses conteúdos diversas vezes, gera esse evento estressor no corpo dela, que que vai acontecer? ela vai ter uma desregulação, muitas vezes neuroquímica, uma desregulação além de física, emocional, e pode, né, isso eh acabar acontecendo diversas vezes, perder o controle e sim, quem sabe se configurar aí um transtorno do pânico, né? Eh, então é muito é um problema real, né? É um problema real e muito sério. E quando a nossa telespectadora diz que ela ficou, ela viu esse tipo de vídeo por horas, aí as pessoas pensam: "Nossa, mas como é que você assistiu isso por horas?" É importante a gente lembrar que tem a questão, né, do do tal do algoritmo lá que traz para você, você viu o conteúdo uma vez, ele vai entender que você quer assistir aquele tipo de conteúdo e vai te mandar. E essas questões assim, esses vídeos eh eh de coisas que estão acontecendo lá do outro lado do mundo, de guerras, o nosso cérebro ele tem uma cer um certo tipo de recompensa eh quando a gente assiste isso. Por que que a tendência é você querer assistir mais? Além do tal do algoritmo que vai te trazer entregar mais, eu tenho a impressão de que me corrijam e me ajudem e nos ajudem a entender o que que acontece no nosso cérebro quando a gente vê esse tipo de situação, esse tipo de ocorrido. Um exemplo, né? Eh, é tão ruim falar, mas vamos lá. A bomba explodiu em um prédio e aí esse prédio está em ruínas e corre o risco de desabar e o local está sendo bombardeado e continua e as pessoas estão correndo e você tá vendo esse vídeo e aí você fala: "Não, vou parar de ver não, você não fala isso. O seu, você pode falar, mas seu cérebro quer ver mais". Porque o que que acontece dentro do cérebro da gente? É uma reação química. O que que é? Mariana, por favor. É, a gente na verdade eh nessa, na nesse funcionamento a gente, o nosso sistema nervoso, ele é ativado, né? E como a Carina falou, essa sensação de luta e fuga, né? O sistema simpático, né? Ou eu luto ou eu ou eu fujo, né? Eh, muitas vezes eu a eu acredito que a partir do momento que a gente tem essa eh aciona esse sistema nervoso, né, a gente passa a ter uma conexão a depender de novo, né, o que eu já falei no início, a depender da sua história, né? Então, se aquilo é sofrido, talvez eu não queira ficar vendo aquilo várias vezes. Se aquilo para mim é banalizado, eu posso querer ver aquilo várias vezes. Se aquilo para mim é assustador, eu posso ver ao mesmo tempo em que eu por curiosidade e o medo me faz ter a curiosidade, me faz querer saber mais, porque se eu me informar mais, eu posso de repente me proteger, né? Eh, mas aquilo pode me fazer mal ao mesmo tempo, né? Como a telespectadora colocou aqui, se sentiu enjoada, né? Ela tem uma o sistema o sistema nervoso é ativado e o primeiro a falar é o corpo, né? Antes da gente elaborar uma emoção, antes da gente elaborar um pensamento, a gente vai elaborar uma reação física à aquilo, né? Então, por isso que é importante a gente se autoperceber, a gente se autoconhecer, porque se eu tô assistindo esse bombardeio e aquilo tá me causando sensações físicas ruins, é porque o meu sistema tá o meu sistema nervoso está sobrecarregado, tem muito. Então, eu acredito que na verdade assim, eh, existem pessoas que vão assistir, vão escrever, vão, né, vão ter uma curiosidade, porque ela já tem uma uma relação com aquele grau de violência que permite que ela se tenha interesse. Uhum. Existem pessoas que a partir da sua da sua autorregulação, né, vão olhar aquilo e vão se sentir nojadas, vão se sentir assustadas, com medo, amedrontadas. E tem aquele que vai buscar informação ainda com medo, ainda amedrontado, ainda inseguro, ainda incomodado, porque precisa como forma de já tentar, já num processo de ansiedade, né, Carina, de tentar se informar o máximo possível para ver o que que ele pode fazer para se precaver, para que isso não aconteça, né, ou que ele não seja afetado. Então, acho que tem vários funcionamentos psíquicos nesse nesse nesse caso, né? É um tema bem interessante, muito importante, que a gente precisa falar sobre, né, falar sobre as reações, né, do nosso corpo, do nosso cérebro, a nossa saúde mental e como é que a gente aprendia a regular tudo isso. Agora, 8:52, dá tempo paraa última produção? Será que dá? Se der, manda aí pra gente. Eh, senão fala aqui no meu ouvido, tá bom? Isso. Muito obrigada. O Bruno da Vila Industrial. Posso notícias de guerra e amigos quase não reagem. Dividir tragédias afasta laços e traz frustração. Ô Bruno, tudo bem com você? Bom dia. Vamos lá, Kina. Eh, pergunta interessante. Muitas vezes a gente tem os grupos, né? Eh, tem os grupos familiares ou de amigos e você faz isso até numa tentativa de ter um acolhimento, né? Falou: "Olha, me impactou". Aham. Será que eu posso, né, compartilhar com vocês? Impacta também, né? Eh, e aí você muitas vezes não vê a reação. É porque para cada um é diferente aí, é diferente. É tudo aquilo que a gente estava falando, né? Você não sabe exatamente como cada um vai reagir. Eh, um vai achar: "Ah, é normal". O outro vai falar: "Nossa, fiquei mal, não consigo nem falar a respeito". Outro vai pensar: "Por que que ele postou isso no grupo? o que que ele tá querendo dizer com isso? E aí cada um reage de uma forma, mas eu acho que importante falar também a questão dessa exposição da violência. Muitas muitas pessoas às vezes têm um perfil de se expor mais a situações de risco. Uhum. Tá? E a internet ela permite isso hoje de uma forma controlada. Então, como, né, eu vejo o vídeo eh que é um pouco mais violento, eu jogo joguinho que tem violência e tô ali, né, lidando com isso, com essa ambivalência do gosto, não gosto, é arriscado, não é, porque eu quero me expor a risco, né? E aí, às vezes, a pessoa que fica vendo repetidamente essa questão, né, essa essa esse conteúdo de violência, eh, ela tem um efeito, eh, do pinérgico que a gente fala, que é de um prazer imediato, né? fala: "Ai, nossa, eu me coloquei no risco, deixa eu ver". Nossa, era isso. Mas depois ela se assusta às vezes. Ou às vezes ela fala: "Ah, não, já vi tanto que nem tá me assustando. Deixa eu ver se tem um pouquinho pior aqui". E aí vai calando, né? Deixa eu ver se tem um pior. Ah, não. Ah, esse aqui. Deixa eu ver se tem outro. Deixa eu ver se tem mais informações lá do pessoal. Caiu a bomba um pouco mais para lá ou como é? Então, assim, eh, é um conteúdo que também vai viciando, né? é uma uma se a pessoa não tomar cuidado, quando ela vê, ela vai se tornando ali uma dependente dessa emoção, né, de ver alguma coisa que tem um risco, mas é um risco para mim tá controlado, porque eu tô do outro lado do mundo, o negócio tá longe, não tá perto de mim, mas eu tô vendo ali, eu me exponho a um risco. Então isso é uma situação que a também é importante prestar atenção se você não busca esse tipo de situação, de conteúdo, de notícia para tentar viver um risco, uma sensação vamos colocar uma aspas, uma aventura, uma sensação de adrenalina, né? O ser humano é uma caixinha de surpresas, né, gente? O que é isso? Que coisa. 8:56. É isso. Nós estamos eh encerrando o nosso estúdio Câmara. Então quero falar para você aqui que a dor do outro também dói na gente, né? Mas para continuar sendo empáticos, humanos e solidários, a gente precisa cuidar das nossas emoções. O silêncio também é sagrado. Pedir ajuda sinal de coragem. Então, pare, pense o que você está consumindo e como você está se sentindo com isso, né? Diante de tudo que as nossas entrevistadas falaram, é isso que eu tenho para dizer para você. Então eu quero agradecer duas entrevistadas, né, convidadas que trouxeram luz a um tema tão sensível e um tema necessário que quase não se fala, mas é importante falar. Você percebeu a importância de tudo isso, né? A importância é do impacto e a importância de se reconhecer. Mariana, muito obrigada pela sua participação. Gratidão. Que contribuição maravilhosa nessa manhã de quinta pra gente. Obrigada. Eu que agradeço a oportunidade e foi um prazer estar aqui. Prazer todo nosso. Eu quero agradecer também a Karina. Obrigada aí pela sua contribuição, Karina. Obrigada pelas informações. Vocês compartilham conosco informações que eh não é todo dia que se tem em um canal de televisão, né? Então assim, as pessoas já estão acostumadas e entendem que nesse momento aqui no estúdio Câmara a gente tem profissionais que vão falar de algo do nosso cotidiano e o assunto de hoje é algo do nosso cotidiano, né? Então eu acredito que lançamos aí mais uma sementinha, Carina, obrigada, viu? Obrigada, obrigada pela oportunidade. Eh, sempre bom poder compartilhar, né, Mariana, um pouco do conhecimento. A gente estuda tanto, né, tanta coisa e poder dividir e que isso possa ajudar as pessoas a perceber dentro delas, né, se será que eu tô um pouquinho fora, será que eu preciso de ajuda, será que eu preciso conversar com alguém, né? Então, acho que é importante esse espaço. Maravilha, né? E que legal também que a gente vai quebrando aquele tabu, né? Eh, terapia é bom, conversar é bom conversar, trocar informações, trocar experiências. E é isso que a gente faz todas as manhãs, segunda a sexta, aqui no nosso estúdio Câmara, que volta amanhã a partir das 8 da manhã ao vivo com um assunto leve, cheio de afeto, já que estamos, quer dizer, estamos não, né? As crianças estão de férias, como que os pais podem se adaptar às brincadeiras dos filhos agora nessas férias, né? Então, amanhã dicas, eh, histórias e um bate-papo bem divertido sobre convivência, vínculo e criatividade em família a partir das 8 da manhã, combinado? Então, a gente agradece você que tá aí do outro lado. Obrigada pela sua audiência, pela sua companhia. Lembrando que a programação da TV Câmara Campinas é produzida com muito carinho por profissionais com todo cuidado, né? levando a você a melhor informação de qualidade, credibilidade também. E ao meio-dia nós temos Estúdio Câmara levando informação do legislativo e também da nossa metrópole. Fique conosco, aproveite os nossos conteúdos, repasse para os seus amigos. Esse programa já está no YouTube também. Foi um prazer ter você com a gente e um prazer também, uma satisfação receber duas mulheres magníficas aí com tanto conteúdo para compartilhar conosco. Obrigada mais uma vez. Valeu, gente. Valeu, equipe. Beijo grande para você. Fique bem, se cuide, né? Cuide aí com todo esse conteúdo que você tem consumido. Fica aqui com a gente no estúdio Câmara. Fica com a gente aqui na TV Câmara Campinas. Tem coisa boa rolando para você na nossa programação. Valeu, beijo grande, até amanhã. Se cuida. [Música] [Música] [Música]
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