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Estúdio Câmara | Cuidar da casa cansa: por que o trabalho doméstico ainda é invisível?
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Estúdio Câmara | Cuidar da casa cansa: por que o trabalho doméstico ainda é invisível?

43 views Publicado 31/07/2025 HD · 1:32:36

Descrição do vídeo

🧽 Lavar, passar, cozinhar, cuidar dos filhos, organizar a rotina. Essas atividades, que fazem parte do cotidiano de milhões de brasileiros, são tarefas essenciais para o funcionamento de uma casa — e para a sustentação da vida. No entanto, seguem sendo subestimadas, invisibilizadas e, na maioria das vezes, não reconhecidas como trabalho real. No programa Estúdio Câmara desta quinta-feira, 31 de julho, vamos discutir por que cuidar da casa ainda cansa tanto — e por que ninguém parece valorizar esse esforço diário. Mesmo com os avanços nas discussões sobre igualdade de gênero, a divisão das tarefas domésticas segue desigual, recaindo majoritariamente sobre as mulheres. É um acúmulo de funções físicas, mentais e emocionais que impacta diretamente a saúde e o bem-estar. Para aprofundar essa conversa, receberemos três especialistas que atuam diretamente com as questões emocionais, comportamentais e sociais relacionadas à sobrecarga no ambiente doméstico: Marco Antonio Brandini Argento, psicólogo e mestrando em Psicologia com foco na avaliação de Altas Habilidades/Superdotação nas Artes; Juliana Caetano, psicanalista clínica, psicopedagoga e especialista em depressão e dificuldades comportamentais; Adriana Simionato Castrogiovanni, psicoterapeuta clínica com abordagem em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Juntos, vamos debater temas como: Por que o trabalho doméstico continua sendo visto como “obrigação natural” de algumas pessoas, e não como um trabalho? Quais os impactos físicos e mentais de quem assume toda a carga da casa? A culpa e a cobrança: por que quem faz mais ainda se sente insuficiente? Como a educação e os padrões culturais moldam a divisão de tarefas desde a infância? Existe alguma valorização econômica do cuidado doméstico nas políticas públicas? Como as famílias podem repensar a divisão de responsabilidades de forma mais justa? Por que muitas mulheres sentem que precisam “dar conta de tudo” — mesmo quando já estão exaustas? A proposta do programa é dar visibilidade ao trabalho doméstico, muitas vezes invisível, silencioso e solitário. Mas também é um convite à reflexão coletiva: como sociedade, o que podemos (e devemos) fazer para mudar essa realidade? 💡 Neste episódio, você vai entender que cuidar da casa é trabalho, sim — e merece respeito, valorização e partilha. Assista ao Estúdio Câmara e compartilhe com quem vive essa rotina todos os dias. Participe nos comentários, envie sua pergunta e ajude a ampliar essa conversa que é urgente, necessária e transformadora. 📌 Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

Transcrição completa do vídeo

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[Música] Olá, bom dia. Seja muito bem-vindo. Estamos chegando aqui pela TV Câmara Campinas com mais uma edição do nosso estúdio Câmara. Hoje já é quinta-feira, gente, acabou o mês de julho, né? Hoje é dia 31, é a vida que segue. Vamos embora. Hoje vamos falar sobre uma realidade que está presente na vida de milhões de brasileiros, mas que segue sendo invisível para muita gente. Hoje a gente fala do trabalho doméstico não remunerado. Lavar, passar, cozinhar, limpar, cuidar dos filhos, dar conta da lista de compra, dos horários das crianças, dos remédios dos pais. Ufa, até cansei. São tarefas que exigem tempo, atenção, responsabilidade, mas que quase nunca recebem o devido reconhecimento, né? E aí que surge a pergunta que guia o nosso programa de hoje. Por que cuidar da casa cansa tanto e ninguém valoriza esse trabalho? Nós já estamos com dois profissionais aqui no estúdio que vão conversar com a gente já sobre esse tema. E você aí de casa, conta pra gente, já sentiu uma exaustão por cuidar de tudo? e ainda ouviu aquele, não fez nada o dia inteiro, manda pra gente a sua mensagem, compartilha conosco a sua experiência através do WhatsApp, tá na tela 199729377. Gente gostaria muito que você compartilhasse a sua experiência conosco, viu? A sua participação é muito importante. Vamos lá, atualizando então notícias de capa dos principais jornais. Folha. Governo avalia entrar na justiça dos Estados Unidos em defesa de Morais. Uma das propostas inclui a contratação de escritório para representar ministro do Supremo Tribunal Federal nos Estados Unidos. Correio Brasiliense, Banco Central interrompe ciclo de aumento de juros e mantémic em 15% ao ano. Após sete reuniões de aumento dos juros, COPOM decidiu manter a taxa básica em 15% ao ano e demonstra a preocupação com questão tarifária dos Estados Unidos e os efeitos na inflação. Correio Popular. Região Metropolitana de Campinas termina primeiro semestre com saldo positivo de 22.000 empregos criados. Resultado, no entanto, foi negativo no último mês, em junho, quando houve o fechamento de 68 postos de trabalho. Previsão do tempo para hoje. Eu não sei você, mas hoje, olha, para sair da cama, o negócio foi assim, ó. Não pensa e só vai, porque tava frio, viu? Quando eu acordei, gente, nós estávamos aí com umas sensação térmica de 4º. Que que é isso? Agora já deu uma melhorada, né? Mas ainda tá frio, né? Olha, a previsão do tempo diz que hoje nós teremos aí uma mínima de nove, máxima de 23º, o céu azul, o sol lá em cima, lindo, brilhando, aquele céão azul de brigadeiro, né? Vamos aproveitar o dia, hidrate-se e se cuide, tá bom? que você tenha um dia ensolarado. E agora a gente vai ao nosso tema central. Nosso estúdio Câmara traz um tema que, apesar dos avanços conquistados pelas mulheres e da crescente presença feminina no mercado de trabalho, a realidade dentro de casa mudou pouco. Dados do IBGE mostram que no Brasil as mulheres ainda dedicam em média cerca de 9 horas a mais por semana do que os homens à tarefas domésticas e aos cuidados da família. E mesmo entre aquelas que também têm emprego formal, a diferença continua. São quase 7 horas a mais por semana em relação aos homens que também trabalham fora. Bom, isso significa que a tão fala da divisão de responsabilidades ainda está bem longe de ser equilibrada. Enquanto cumprem jornadas duplas ou até triplas, muitas mulheres continuam assumindo sozinha o peso do cuidado com a casa, com os filhos e com outros membros da família. E o mais grave, sem nenhum reconhecimento, remuneração ou benefício por esse trabalho que é invisível, mas essencial. Além disso, não são poucas as que ainda sofrem cobranças, críticas e até represalhas quando não consegue dar conta de tudo ou quando simplesmente pedem ajuda. Hoje, para conversar sobre esse tema tão importante, eh, sobre o impacto da carga mental e da invisibilidade do trabalho doméstico na vida das mulheres, a gente dá as boas-vindas. Vamos lá. Com a gente o Marco Argento, ele é psicólogo, especialista em saúde mental. Seja muito bem-vindo. Trabalha também com questões sociais. Bom dia. Olá, Rúbia. Bom dia. Isso é muito importante trabalhar esse assunto aqui, muito mesmo. Eh, quando eu recebi essa proposta, eu falei assim: "Meu, a gente precisa realmente falar disso. Eu preciso dar uma estudada para fundamentar e entender a história, porque é uma história que vai realmente colocando a mulher num papel de a cuidadora da casa como se fosse um processo natural, quando na verdade tem muitas questões históricas, culturais, sociais que atravessam esse papel que não é tão natural assim, não. Olha aí que beleza, né? para completar o nosso time, gente. Ela tá de volta com a gente também, a Juliana Caetano, psicopedagoga, a Juliana e ela acompanha de perto as rotinas de muitas mães, de muitas famílias e está com a gente para somar, para completar esse time no primeiro bloco. Seja muito bem-vinda, Ju. Obrigada, Rubert, mais uma vez pela oportunidade. É um tema assim importantíssimo. Existem mulheres hoje que estão em estress de guerra, né? Nossa, gente. E olha, eh quando a gente fala isso, você pode parar, analisar, faz uma análise aí eh no seu entorno, né? Você que está em casa nesse momento, você que tá ouvindo a gente, tá assistindo a gente, já tá pensando, né, que você tem que fazer de almoço, tirar a mesa do café, dar uma limpada na casa, mas depois à tarde você tem que trabalhar ou então tem que dividir essa tarefa de casa com o home office, por exemplo. Esse tema pode parecer simples, mas carrega muitas camadas, né? E a gente vive numa sociedade que naturaliza o cuidado como obrigação feminina. Eh, e quando isso não é nem nomeado, nem dividido, gente, o desgaste emocional é enorme. A gente já começa então perguntando pro Marco, por que que o trabalho doméstico, mesmo sendo essencial, ainda é tão desvalorizado socialmente, né? O que que você traz pra gente referente à questão social, à história? Porque desde que o mundo é mundo, a gente percebe que a mulher ela ela é cobrada por esse trabalho e se ela não consegue dar conta, ela é cobrada também. E todo mundo fala e a gente sabe que trabalho de casa não acaba nunca. Muito interessante eh abordar esse assunto que, como eu falei, né, é um assunto que historicamente coloca a mulher num certo papel, num certo uma certa condição e da vida privada, né? Um cuidado racionado à vida privada que não é valorizado. Para isso, eu vou precisar de algumas teorias para me apoiarem aqui eh nesse nessa construção de pensamento. Por que que isso é bom, né? a teoria, ela consegue iluminar pra gente certos certas condições da realidade e nos permite nos apoiar pra nossa pra nossa caminhada e para entender os fenômenos e talvez para refletir sobre esses fenômenos também se libertar na medida do possível dessas amarras que nos prendem. Uma dessas autoras que eu vou trazer então hoje é uma feminista italiana. Ela é a Silvia Federich, se eu não me engano. E ela propõe, eh, ela trouxe um texto, né, na década de 70, ainda em 1975, falando justamente sobre esse tema, sobre a importância do de ter um salário pro trabalho doméstico. Uhum. Aí você fala: "Bom, isso aqui não se efetivou, a gente percebe que hoje em dia não tem." Mas qual que foi a questão? A questão foi uma troca de perspectiva e uma uma um colocar um olhar de dessa importância do trabalho doméstico ser valorizado com o salário, porque pensa, eh, temos um salário da vida pública, vamos dizer assim, né? Então, trabalhos como jornalismo, psicologia, como psicanálise, nós temos fora da esfera privada um salário que nos que nos visibiliza enquanto pessoas, vamos dizer assim, né? e parece que dá uma uma condição diferente. E essa questão que ela traz que o salário ele dá uma ele ilumina, vamos dizer assim, o trabalho que a pessoa faz e tira da vida privada uma coisa que aparentemente é natural e tudo mais. E a mulher foi colocado por muito tempo também nessa condição de de fazer por amor, vamos dizer assim, um trabalho que é um trabalho. E ela faz questão a Silvia de colocar isso como um trabalho doméstico que é difícil, obrigações inclusive. E ela fala, ela vai longe, coloca um texto bem importante, coloca até que a mulher acaba tendo uma função de psiquiatra, às vezes de arrumar, de acolher os problemas familiares, uma função de de secretária também, de organizar as coisas, de limpadora da casa, quando na verdade isso deveria ser um trabalho, isso deveria ser um uma divisão de tarefas, como você bem colocou, mas o que não é eh o que não acontece, porque mais uma vez historicamente coloca-se que a mulher tem um um papel de a cuidadora do lar e da de pessoa que fica ali realmente cuidando daquilo como se fosse por amor, como se fosse uma coisa até divina que ela é essa função, esse é o papel da mulher, quando na verdade não é, é uma coisa que é construída, que tem até questões desdobramentos de capitalismo também envolvido nisso. É uma é um tema assim bem transversal que assim eu coloco até essa essa questão social por cima da questão psicológica porque Uhum. Na verdade, é isso que a gente tá falando, é coisa eh envolve economia, envolve sociedade, envolve cultura, gênero, raça, eh orientação sexual, tudo tá envolvido aqui nesse trabalho doméstico, nesse tema tão transversal que até eu não sei se eu fugi muito da pergunta aqui, mas é que é bastante coisa. É, você tá certo. E aí eu venho pra Juliana e pergunto para ela no seu trabalho, Ju, né? que a gente sabe que você trabalha com famílias, as mães te relatam mesmo esse cansaço invisível, porque a gente tá falando, falar é uma coisa, ter eh eh prioridade para falar é outra, né? Então, igual vocês têm prioridade para falar disso, vocês vivem isso, né? no dia a dia, no consultório. Então, eu gostaria que você explicasse pra gente eh eh trouxesse pra gente se realmente esse relato existe dentro do consultório. Existe, Rube. É uma mistura de frustração e desejo, né? É um paradoxo. E como o Marco colocou, uma questão assim muito séria, principalmente em relação ao estresse feminino, né? a falta dessa valorização. Então, as mães chegam esgotadas, cansadas, eh, a mistura da frustração e do desejo de eu não poder ser mulher, da falta de tempo do cuidar, eh, do me ver como pessoa. E aí, eh, entra numa questão muito séria, que é a questão do pertencimento. Será que eu pertenço aonde eu estou? Será que eu sou pertencente a esta família? Será que eu sou um ser humano pertencente a este mundo? Então, gera crise de ansiedade, angústias, né, que encaminham aí possivelmente para uma grande depressão. Olha aí, né? Tem um dado do IBGE aqui que diz que mulheres gastam quase o dobro do tempo com tarefas domésticas, né? Mais do que o dobro do tempo com tarefas domésticas do que os homens. E aí é outra questão, né, Ju, que a gente precisa entender o porquê disso. Isso é cultural, né? Isso vem lá de trás, mas a gente pode mudar essa cultura. Ah, eu não sei, mas eu acho que essa cultura não é tão boa assim. A gente precisa de entendimento, de autoconhecimento para poder fazer essa mudança, não é? Não. Sim. Se a gente for pensar, vem desde a época da escravidão, né? onde a mulher era a provedora de leite, a cama, a mulher que guardava a proteção dos filhos e depois com o passar do tempo nós conseguimos começar a trabalhar, que foi uma luta imensa também política e cultural e agora assim ainda temos muito valores enraizados, né? Então a gente precisa trabalhar isso de uma forma diferente para que as coisas sejam divididas, até porque ainda ganhamos menos que os homens, né? uma diferença significativa de 40 a 60% em algumas empresas. Chegamos em casa com um terceiro trabalho, então é muito complicado. Pois é, eu vi um vídeo na internet esses dias que tinha uma senhora que ela é a matriarca, né, da família e filhos adultos ainda moram com ela. E aí ela postou na internet ela de roupão, assim, bem bonitinha. A senhorinha falou assim, mostrou a mesa, né, do café da manhã, eh, desfeita já, porque as pessoas já tinham se alimentado e ela conta que os filhos saíram para trabalhar. E o que que sobrou para ela? O que que restou para ela? ela sozinha de roupão dentro de casa, com toda aquela, entre aspas, né, bagunça, a mesa desfeita e a solidão. Isso me fez pensar muito sobre a questão da família e do papel da mulher dentro dessa família, porque ela dizia, eh, a, cada um foi para o seu convívio diário, né, a sua rotina. E eu fiquei aqui sozinha e vou viver a minha rotina, que é limpar, cozinhar, arrumar e esperar para que eles voltem, se alimentem. Aí cada um vai novamente para pra sua rotina, né? Vai ou vai descansar ou vai dormir ou vai sair e eu novamente vou ficar sozinha aqui. Então, como é que a gente faz, Marco, né? essa essa divisão desigual, essa essa essa questão estrutural de eu cuido da casa, trabalho fora e ainda que fico de boa o dia todo. Ou então eu não trabalho fora, mas eu fico só dentro de casa, sozinha, com as minhas responsabilidades. Gente, se a gente parar para pensar, isso dá um impacto mental muito grande, o impacto emocional que a gente às vezes não tem nem noção. a gente que, eu digo, a gente que que vive assim trabalhando e tal, agora quem fica dentro de casa ali, eh, realmente eu acho que precisa de um cuidado especial, porque a saúde mental ela vai entrando em colapso. Perfeito. Eu acho que são bons pontos importantes pra gente começar a se apropriar em relação a aos termos de saúde mental. Primeira coisa é reconhecer que esse essa condição que a Rúbia bem colocou faz parte de um sintoma macrossocial. Por isso que a gente tá, por isso que eu trouxe também essa questão de tentar resgatar um pouco de aspectos históricos, culturais. E a Juliana também trouxe essa questão eh real da questão de da questão salarial em si, dessas diferenças. trouxe também a escravidão, muito importante esse tema também que tá relacionado com o que a gente vê na sociedade hoje. E primeiro ponto é então é realmente entender. Isso aqui é uma questão que vem sendo estruturalmente colocado na cabeça das pessoas, vamos dizer assim, para as coisas serem assim e não terem questionamentos em relação a isso. Então foi assim, tá dado porque eh a sociedade quis tudo mais. Não, pera aí, pera aí, pera aí. Vamos com calma nisso pra gente entender que não é tão natural assim e que isso é, se é uma construção social, então essas construções sociais também podem ser mudadas. Uhum. Acho que esse é um primeiro ponto. O segundo ponto é entender que esse trabalho doméstico ele é ele é fundamental assim para pra sustentação da sociedade de uma forma geral, porque sem uma casa limpa, sem uma casa estruturada, sem uma casa onde tem uma uma ordenação, as nossas vidas, vamos dizer assim, psíquicas, simbolicamente também não conseguem bagunção, né? É bagunça tudo. Não consigo ter uma estruturação, não consigo ter uma ordem minha pessoal, particular. Então assim, é um trabalho assim de extrema importância, mas que mais uma vez é subvalorizado. E na minha opinião, eu concordo com a com a Silvia nesse nesse ponto teórico, que essa questão do salário quando não tem uma uma visão de que olha, tem uma remuneração por trás, como você bem colocou, é o salário é um trabalho não remunerado, isso coloca numa posição diferenciada, como se fosse um favor, como se fosse uma coisa que tá que é feita por amor, vamos dizer assim, que pode ter também, que pode ter, mas que revela essa essa subvalorização. E não há uma recompensa visível, né, nem verbal. uma verbal e isso trabalha também autoestima na mulher, que é fundamental e importante. Mas veja, nós estamos falando aqui de donas de casa que tem filhos típicos e as mães que têm a atipia dentro de casa entra numa seara gigantesca. Então, além de eu cuidar da casa do meu marido e dos filhos, eu tenho um filho atípico, um autista ou alguma com alguma outra comorbidade, né, que precisam de uma atenção maior. Eu tenho muitos na clínica. Então elas chegam, como eu te disse no início do programa, com estress de guerra, né, com tremedeira, é, com dificuldades de alimentação, eh, muitas coisas assim. Então, engloba tudo se a gente não cuidar. E cuidar de uma casa é tão importante e tão grande o trabalho quanto cuidar de uma empresa. Olha, a conta, o mercado, organização, né, como ele tava colocando, não só organização visual, como funcional. Então, se eu não tiver eh esse momento para eu me cuidar, olhar para mim enquanto ser humano, cai por terra, né? Aí a saúde mental embola e complica bastante. E nesse ponto também eu acho importante, quando a gente fala, quando a gente tá aqui nesse programa falando sobre isso, a gente já tá dando voz a um tema que às vezes pode parecer que para alguém que tá assistindo, dona de casa, tá ouvindo, tá falando assim: "Nossa, eu já senti essas coisas, mas eu achei que era loucura. Eu achei que era coisa minha". Porque eu eu quando eu falo pro meu marido, alguma coisa assim, ele fala: "Não, é besteira". Ou pro meu filho, ele não entende o que eu tô passando. Só reclama, só reclama. essa solidão que eu sinto quando todo mundo vai embora e eu tenho que ficar fazendo as tarefas de casa. Nossa, eu me sinto tão mal, mas eu tenho que fazer porque olha, a gente tá dando aqui uma oportunidade para você reconhecer que sim, isso existe, é um problema real, isso aqui não é coisa da cabeça, não. Acho que isso também já é um ponto de solidez assim para você poder pisar e poder se apropriar e falar assim: "Não, tem alguma coisa acontecendo, essa coisa é real". E a gente vai aqui discutir como, olha, discutir como sair disso é uma questão complicada, porque não depende só da gente, mas a gente começa a dar pequenos fundamentos para construir um pensamento mais uma vez para se apropriar dessas funções que são muito importantes e que são subvalorizadas. Acho importante colocar. É, e como você colocou no início do programa, né? Ah, você ficou em casa o dia todo, você não fez nada, você não tá cansada, né? Então eu tive situações essa semana de uma mãe colocando, tem filho atípico, marido chegou em casa, não são todos, mas alguns não colaboram. E aí ele deitou no sofá e disse: "Ah, você fica em casa o dia todo com filho de atipia", né? Então assim, é complicado. E aquele choro vem doloroso pela falta de reconhecimento e de de estar presente, né? Não é só de se fazer, é estar presente no contexto. Então, muito difícil. É um tema bem abrangente que a gente precisa discutir o tempo todo. É. E daí a gente fala com você que tá em casa, você pode mandar pra gente aí a sua mensagem através do WhatsApp. Você manda de repente a sua pergunta, a sua dúvida ou compartilha com a gente, né, o que você vive nesse momento, eh, o seu depoimento. Isso é muito importante para nós, é importante para você também. E acredito que falar é muito bom, né? E e trocar experiências também, compartilhar conhecimentos é magnífico. Então, a gente faz isso com você. Eh, graças aos nossos entrevistados que têm assim um uma propriedade para falar dos nossos temas e hoje a gente tá falando sobre o serviço invisível, né, da dona de casa. E quando a gente diz serviço invisível é tão fácil, de repente a mulher ela sabe que ela que ela vive sob essa essa questão, esse julgamento aí do serviço invisível. De repente o homem ou os filhos, né, a o pessoal que do convívio dessa mulher não percebe. Agora deixa ela parar de fazer. Aí ele fica visível, né? Deixa ela parar de levar a roupa até a máquina e apertar o botão para que a máquina lave as roupas e depois ela tira a roupa da máquina e estende no faral para ver o que acontece, né? Aí, ah, você tá reclamando, a máquina faz tudo? Não, a máquina não faz tudo. A máquina ela vai bater a roupa. Mas quem vai colocar a roupa na máquina? Se a máquina faz tudo, então que faça. E aí fica um mês, uma semana sem tirar a roupa do sexto e levar e colocar da máquina, tirar da máquina, botar no varal para ver se realmente a máquina faz tudo. É muito fácil falar, né? Muito fácil falar. Mas quando você entra mesmo no profundo, na vida dessa mulher, no coração, na mente, gente, é algo assim que realmente precisa de um olhar, precisa de um acolhimento e precisa de companheiros, né? Filhos companheiros, eh, companheiros de verdade. É isso, né, Mar? Nossa, e até assim, vou tornar a conversa mais pessoal aqui e contar também um pouco dessa minha experiência, porque assim, como eu falei, se tem uma questão social, uma construção envolvida nisso, é difícil também perceber enquanto homem o que que tá acontecendo e como isso pesa pra mulher mesmo e pesa mesmo para ela mais do que pra gente. E essa minha percepção, ela foi moldada justamente por essa, quando eu vim morar em Campinas sozinho, e comecei a perceber certas coisas que as coisas não eram, não aconteciam sozinhas, assim, que por mais que seja besteira falar isso, né? É, mas mas é uma questão séria assim, é até um exemplo meio banal, mas eh lavar louça, por exemplo, são coisas que tinha já uma organização familiar que minha mãe já tava mais acostumada a fazer isso e exato. Fica uma uma ideia, é uma ideia que a coisa é assim que funciona e tudo mais. E aí eu fui percebendo a dificuldade que é manter uma casa organizada, a dificuldade que é ter um espaço limpo, eh, cheiroso, um espaço que seja acolhedor também, que passe essa mensagem de acolhimento através da ordem, da função. E foi aí que eu comecei a despertar e falei assim: "Não, pera aí, pera aí, tem alguma coisa acontecendo. Eu preciso realmente olhar pro que pro minha mãe tá fazendo e e despertar e agradecer mesmo de deixar essa essa mensagem para ela, porque o que foi feito ali foi muito importante e o que é feito ainda é muito importante. E foi a partir da necessidade, da dificuldade que isso foi despertado. Mas será que precisa ser assim também pros homens tomarem mais consciência disso? Até para as meninas também para romperem, entenderem que a mãe tá fazendo um baita de um trabalho ali, será? É como isso se dá desde pequeno, né? Aí entra numa outra questão. Então entra numa outra questão mesmo, Ju. E eu gostaria que você falasse pra gente dessa questão, porque como eu disse aqui, é natural, mas a gente coloca uma aspas nesse natural. Por quê? Porque nós mulheres, a gente tem eh da nossa natureza cuidar. E aí o que acontece? eh, vem a família, vem os filhos, você vai o quê? Cuidar. E aí, nesse cuidado você acaba super protegendo. Nesse super proteger, você acaba eh não ensinando que aquela criança que está em fase de desenvolvimento é é de responsabilidade dela também eh a partir do momento que ela começa a entender e que pode fazer alguma coisa, arrumar uma cama, guardar uma louça, juntar um lixinho, organizar a caixa de brinquedos e a partir do momento que você não faz isso e não exige disso, não exige isso e não mostra para criança que isso é responsabilidade dela, aquela criança, ela vai crescer uma pessoa achando que você resolve tudo. E se você é forte, e se você se mostra forte, por que que eu tenho que ajudar uma pessoa que é forte a vida toda? Então, a gente trabalha a rotina clínica desde a infância, né? Então, os pais chegam e falam: "Ah, Juliana, qual a idade ideal para que essas crianças comecem a exercer uma pequena função dentro de casa?" Então eu sempre aconselho dos quatro aninhos em diante, 5 anos, ele pode começar a guardar o brinquedo, esticar o lençol do jeito dele. Ai tem mãe fala: "Mas não fica do jeito que eu gosto, não tem problema". É como quando o seu marido diz: "Ah, eu vou lavar a louça". Aí ele lava de um jeito que não é como o teu. Mas a mulher Aprendi isso. Ai que bom. ser perfeccionista quer ir lá e lavar de novo, então depois não reclame que seu parceiro também não ajuda. Eu acho que com o tempo a gente vai moldando as questões. Inclusive na clínica também eu tenho famílias fazme que me procuram para trabalhar rotina dentro de casa. Então eu tenho uma família com três filhos, uma jovem de 21, uma outra menina de 14 e um garoto de 15. E dentro deles tem um atípico, né, que é o garoto. Então nós sentamos, fizemos rotina para que cada um tivesse as suas funções dentro de casa, para que a casa voltasse a funcionar e as guerras comportamentais diminuíram significativamente. Então, olha só a dica, né? Então, ainda que a criança comece a fazer pequenas tarefas e realizar, deixe a fazer da forma como ela consegue parar com essa proteção, né? Até porque agora a gente entra depois aí se eu não deixo a criança fazer, ela não pode se frustrar, vai virando uma confusão. Então a gente precisa aceitar essa ajuda desde pequeno para que eles saibam como funciona o dia a dia, o cansaço, organização e essa rotina aí que a mãe faz, como né, o Marco colocou a importância. Exatamente. A gente precisa aprender a aceitar a ajuda, porque às vezes, igual a gente tá falando aqui, o trabalho doméstico é um trabalho invisível, cansativo, não acaba nunca. a responsabilidade da mulher. Só que a gente também precisa entender que nós precisamos nos permitir sermos ajudadas, né? Aí o marido, o companheiro ou a pessoa que vive com você, enfim, seja quem for, vai lá lavar a louça e não lava direito. Você vê que não colocou o detergente, né? O tanto de detergente ali de sabão na bucha e tá lavando só com água e com a bucha, né? E não tá tirando a gordura. É, mas tá lavando. Deixa lá, faz conta que não vê. Depois quando a pessoa não tiver olhando, vai lá, lava do seu jeito, coloca lá. E quando vocês puderem ter um diálogo assim que eh eh for mais tranquilo, sugere, ó, eu vivo você lavando, muito obrigada, mas que que você acha de colocar um sabãozinho a mais, né? Porque na verdade a gente precisa ter uma comunicação mais eh efetiva. É isso. E sabe porque quando a gente não valoriza o que o outro faz, você não dá um reforço comportamental e aí passa a ser desvalorizado a pequena ajuda que você teve. Para que ela se torne, você precisa estimulando isso, que é como você colocou, se a gente começar a fazer por cima ou não deixar. Ó, tive uma adolescente segunda-feira que ela falou assim: "Mas tia, eu arrumo a cama, minha mãe puxa tudo, joga no chão e quer arrumar de novo." 14 anos, gente. Então assim, né? Vamos lá, vamos ajudar também, né? Contribuir para que essas crianças, jovens e adolescentes consigam fazer, realizar a atividade, porque se tiver não perfeito aos meus olhos, tá bom para ela. E assim que começo o trabalho eh do lar, né? Começo a educar para que as coisas aconteçam. Então vamos deixar eles trabalharem um pouquinho. Não, olha que interessante, né? Porque a princípio a gente estava trazendo apenas algumas reflexões a respeito disso, da dinâmica, mas como já tá saindo então algumas estratégias de como escapar desse desse fenômeno, né? Dicas, né, pra gente poder trabalhar isso. Eu, olha que que interessante, quando vocês começaram a falar mais sobre isso, me vio a muita a impressão de que tá estamos falando de uma dinâmica familiar, né? Então, nós estamos falando, na verdade, sobre sobre estratégias de comunicação, como valorizar certos trabalhos, como colaborar com parceiro, com parceira. Eh, que que coisa mais interessante isso, né? Que coisa mais conversa vai se abrindo, né? Vai se abrindo. E bonito isso, perceber que a gente realmente tá dependendo um do outro pra gente poder eh eh sair dessa situação, a gente precisa também tá unido, né? Eu trago outra outra teórica agora feminista também, a chama Bel Hooks. Uhum. E ela traz assim na visão dela, diferentemente da Silvia, uma visão de casa assim super importante, como um ponto de resistência também. E mas como se tornar uma um ponto de resistência, né? Aqui a gente começa a falar também das relações familiares, como elas podem ser esses pontos assim de fortalecimento, de entendimento, de divisões de tarefas, de valorização entre as duas pessoas que estão lá coordenando a casa, enfim. Mas olha que que relevante isso, a gente começar a pensar isso e e deixar a casa não se tornar apenas uma casa, mas um lar, um lar pro desenvolvimento de relações. Isso vai implicar no sofrimento da mulher, no sofrimento do homem, no sofrimento das crianças também, que vão se tornar adultos posteriormente e vão estar coordenando casos e, enfim, uma série de coisas, mas muito interessante a gente tá falando sobre esse assunto, viu? É, sim. E eu queria pontuar aqui com vocês dois a questão da culpa, né? Porque a gente tá falando do trabalho invisível da mulher, né, do trabalho doméstico, enfim, eh, que às vezes a gente nem percebe, mas que ele ele precisa ser feito para que a gente possa eh gerir a nossa vida, entendeu? Imagina ficar sem lavar roupa, como é que você vai trabalhar na semana que vem, né? E se não lavar louça, como é que você vai comer depois? Como é que você vai fazer comida novamente? Se não limpar não limpar a casa, você vai viver na sujeira? Entende? Então tem alguém fazendo e esse alguém precisa ser valorizado. Esse serviço ele é feito todo dia e ele não acaba nunca. E essa mulher que vive dentro de casa especificamente para cuidar de tudo isso, ela se sente culpada às vezes por ela achar que ela não deu conta. Como é que faz com essa culpa, Juliana? É, aí entra na questão da definição de culpa que nós falamos uma vez já, né? O que é culpa? É algo que é intencional. algo que a intenção em fazer, né? A responsabilidade é diferente. Então eu tenho a responsabilidade, mas não a culpa, né? Nós sempre fazemos o melhor aí com os recursos que a gente tem. O fato é que a culpa é diferente. A mulher sente essa culpa por obrigação, né? E não é dessa forma que acontece. E ele até tá falando assim: "O Marco tá colocando do sistema funcional do lar". Mas nós também temos um tema que também vai paraa culpa e é sério, que é as famílias que não são só a mãe, né, que a mãe é é pai e mãe ou o pai que também faz a função de pai e mãe ou casas, né, onde os pais são separados. A criança traz o argumento na clínica, mas na minha mãe eu não preciso fazer isso. Nossa, no meu pai eu preciso ou vice-versa, né? Então, gente, a culpa é algo que você faz com intenção, né? Eu sempre falo isso no consultório, quando não há intenção, você fez o melhor. Então, parem de se culpar, né, pelo melhor que vocês podem entregar. Então, devagar com isso, pra gente não ter essa responsabilidade a mais, esse plus a mais, né? Então, sempre que a gente faz, você faz para dar certo, a gente não faz para dar errado. Muito bem. Agora, Marco, assim, muitas mulheres, né, eu já ouvi relatos já, imagina, a gente tem um grupo de mulheres enorme, a gente conversa, a gente bate-papo, a gente vive e aí acabam surgindo algumas frases ditas dentro de casa, como assim, eh, meu marido me fala que ele tá me ajudando e sempre me diz que tá fazendo um favor para mim. Poxa vida, como é que uma mulher ouvindo isso, né? Moram todo mundo junto na mesma casa e aí o cidadão vem e fala: "Não, tô fazendo um favor para você, você tá reclamando ainda". E aí, complicado. Qual que é a sua visão? Vamos lá. São frases. Se a gente pegar frases de mulheres, frases que mulheres ouvem dentro de casa referente a esse trabalho invisível, gente, é é de é de cair o queixo, sabe? É impressionante como em 2025 a gente ainda tem mulheres que passam por essas situações, né? É, tem uma questão do machismo cultural embutido fortíssimo e significativo e vai um tempão ainda pra gente trabalhar, mas quanto mais a gente fala melhor, né? Perfeito. Esse esse é o grande ponto que mais uma vez estamos fazendo aqui. Estamos veiculando certas informações, certas percepções que a coisa tá caminhando para um caminho meio estranho assim. Então, eh, realmente isso revela um machismo muito grave, assim, que que permeia as relações e permeia. E é interessante assim que, eh, o machismo ele pode estar presente em diversas formas, vamos dizer assim, né? Mas essa é uma forma sutil, vem numa fala assim: "Pô, mas eu tô te ajudando". Quando na verdade a pessoa não tá fazendo nada. Ô, nossa, você tá assim, tá cansada por quê? Como você falou, são pequenas frases, não fez nada hoje. Tá reclamando do quê? Só ficou em casa. Exato. São são coisas tão sutis assim que, na minha opinião, é difícil até de perceber como machismo. É sim. Perfeito. É de reconhecer primeiro que há o machismo embutido na fala. E depois também o que eu sempre peço também na clínica é: "Por favor, mães, criem seus meninos para serem homens, não para serem filhos das suas esposas". Então, a gente tem que trabalhar isso para que esse machismo comece a cair por terra e que haja assim um colaborador, um parceiro e não mais uma pessoa que exerce machismo em casa. E muitas vezes não é percebido. É como ele falou, às vezes a gente aprende tanto que a mulher que é dona desse serviço, que é obrigada a fazer esse serviço, que mas eu não sou machista, eu faço o que eu posso, como você colocou, mas há um machismo embutido aí muito forte. Então, mães, ensinem os meninos a serem homens e filhos também, por favor. homens, vamos também ajudar e se interar esses assuntos que a gente tá numa conversa assim, parece, não, mas isso aqui é conversa de mulher, eu não preciso tá aqui, eu não preciso estar falando sobre isso, por que que eu vou me interessar sobre esse assunto, né? Mas meu, isso aqui é nosso, na verdade, isso aqui implica em todo mundo. Machismo, feminismo, são coisas que vão incidir em todo mundo na realidade. E a gente precisa realmente estar se apropriando disso para não reproduzir essas formas de sofrimento que, como a gente tá conversando aqui, marcam a vida de principalmente mulheres aqui sofrendo com isso, como a Juliana colocou aqui, de futuras esposas, enfim, namoradas. Vamos reproduzir isso, o que nossas mães sofreram, vamos dizer assim, a gente vai reproduzir com com as pessoas que vão estar na nossa vida. ou enfim, é uma questão assim ser pensada. A gente vai tem que parar com isso. Primeiro ponto, mais uma vez, tomar consciência disso que tá acontecendo, que é uma coisa séria, muito séria, mas mais uma vez sutil, sutil. Eu e eu acho que isso é é a coisa mais perversa, eu acho história, quase imperceptível, né? Então a pessoa sente, mais uma vez ela sente um incômodo, não sabe nem da onde vem esse incômodo. Por isso a importância da gente tá aqui mais uma vez refletindo sobre esses assuntos, veiculando essas informações, essas ideias para dar base pra pessoa falar assim: "Isso aqui tá errado, isso aqui não tá legal". e encontrar sustentação e e grupo em pares, assim, encontrar um grupo, na verdade, que possa dar eh apoio também, como a gente tá fazendo aqui de forma eh assim com duas pessoas aqui, com três pessoas conversando sobre isso, mas que possa chegar até você que tá na tua casa assistindo isso, tá no carro, tá no tá no Uber, enfim, tá no ônibus também ouvindo essa essa matéria aqui, porque quanto mais a gente começa a criar uma rede também que de proteção em relação a isso, que consegue eh perceber certas coisas e oferecer estratégias, como a gente tá tentando oferecer aqui, melhor pra gente poder diminuir essas opressões, pequenas opressões que acontecem diariamente. Você sabe que eu tava num encontro semana passada de amigos, né? Eu tive um amigo que tava desempregado alguns meses e ele foi contratado por uma empresa e ele falou: "Graças a Deus eu voltei a trabalhar. Eu não dou conta de ficar em casa e fazer tudo que vocês fazem, né?" Já ouvi isso também. Olha aí, Que bom, que alívio, Juliana. Eu falei: "É para vocês darem valor no trabalho da mulher em casa, né?" Ele falou: "Mas é insano, eu não sei como vocês aguentam". Então é isso, né? Sobre é olhar com cuidado e dividir, né? A parceria é muito importante. Isso também termina casamento. Então é isso que enquanto vocês estão falando aqui e a minha cabeça tá indo e voltando e tal e eu li tantas coisas para poder a gente tem que estudar, né, para poder trazer esse tema, porque eu tenho aqui duas pessoas que t a informação, né, mas eh referente a isso que nós estamos falando hoje, mas eu preciso estudar. Claro, sou mulher, passei por diversas situações parecidas. Eu acho que 99,9 das mulheres passam por isso. E em relação em relação a essa situação aí, a casamento, eu já vi vários depoimentos e nesses estudos que eu fiz ontem, eu acabei vendo alguns vídeos de mulheres e de psicólogas, enfim, as mulheres falando que eh eh geralmente depois dos 45, 46 o casamento acaba finalizando, tipo, deu certo lá 22, 23, 24 anos e no e e encerrou o ciclo. Só que a vida dessa mulher que fechou esse ciclo de casamento, a vida pós casamento dela, é uma vida assim que os depoimentos que eu ouvi, eu falei: "Gente, olha isso. A mulher ela ela se sente realizada. Por quê? Porque olha só o peso, né? Porque ela não vai ter mais cobrança de, ah, você não fez o almoço ainda. Ela não vai ter mais cobrança. Onde é que tá minha roupa, né? Você não lavou isso aqui. Ela não, ela vai viver. Os filhos já estão criados, o casamento deu certo. Eu costumo falar, a gente não pode falar assim: "Ah, meu casamento não deu certo". Não, o casamento deu certo até onde tinha que dar. A gente e inicia e encerra ciclos, então tá tudo bem. Só que o o que mais me chamou atenção é como essas mulheres eh mostraram o interesse em viver depois de um pós-casamento de uma forma mais leve. E elas mostraram a leveza que elas estão vivendo. Isso é chama muita atenção, porque daí você vai falar assim: "Ah, porque você é contra casamento". Mas gente, não sou eu, não. É, é, é o que eu vi. É o que eu ouvi em depoimentos e vi na internet, tá lá, tem um monte. Que que você me diz disso, Rúbia? É, também já fui casada, né? É, é, a gente tem uma falsa sensação de liberdade, eu acredito, porque teve o esgotamento no casamento, isso depois vem com uma sensação de tô livre para que eu não precise mais fazer as demandas do lar. Uhum. Porém, algo invisível que ninguém fala também e que é muito sério. Além da mulher ter toda essa demanda da casa, do lar de se cuidar, o que as pessoas esquecem. A primeira coisa que eu peço no consultório é um exame hã de vitaminas, porque além da mulher ter que ser provedora, cuidadora, trabalhar, cuidar dos filhos, depois dos 30 anos, nós começamos a perder algumas vitaminas significativas que mexem profundamente com questões biológicas que dificilmente os homens entendem, não por falta de compreensão, pelo amor de Deus, mas pela sensação do sentir, né? vem salta vitamina. Então eu vou primeiro geriatra, eu vou cuidar, vou no endocrinologista para ver, porque eu tenho pacientes com depressão por falta de vitamina D, falta de vitamina B12 e tá ali numa depressão profunda e a falta de ajuda em casa. Então isso vira um pacotão e isso explode. E aí por que que quando eu me separo eu tenho essa falsa sensação de liberdade ou talvez de não precisar mais fazer? Eu passo a cuidar de mim de novo aí, ó. Tá vendo? É simples assim. Eu vi um vídeo de uma mulher deitada no chão assim, daí a pessoa perguntava para ela: "Você não vai querer casar nunca mais?" Ela falou: "Não, nunca mais. Tô livre, não vou precisar. Eu vou poder comer a hora que eu quiser, fazer as coisas a hora que eu quiser, sem ninguém precisar ficar mandando em mim. Gente, que é isso? Que coisa eu não é a gente quando vê isso fala: "Nossa, olha". Mas não deveria ser assim, né? Não. Olha, e é interessante você trazer esses exemplos porque são de pessoas que passaram por isso e passam por isso. Então, eu passei por isso também, né? Eu acho que é a gente depois é, passamos depois dos 40, 45, 50, a mulher ela ela vai tendo uma visão um pouco mais ampliada das coisas, ela vai aprendendo falar não, né? Os filhos já cresceram. Então, assim, ela começa a ver, poxa vida, mas eu fiz tudo isso até aqui, mas e agora? Quem sou eu? Para onde vou? Vou continuar lavando louça aqui, lavando, passando, cozinhando? É igual essa senhorinha que eu acabei, que eu falei agora a pouco, né? Que eu vi na internet, ela dizendo: "Fiz tudo para todo mundo, todo mundo tomou café, eu tô aqui de roupão, olhando a janela, o pessoal foi embora. Eu vou ficar aqui fazendo o qu comigo mesmo?" Uhum. Vou ter que continuar lavar, passar, cozinhar, fazer. E aí um ciclo que se repete. Por isso o diálogo e a parceria são fundamentais no relacionamento, não só na divisão de tarefas, como pra gente reorganizar todo um sistema funcional, né, da casa. Ajuda a sua esposa, deixa ela se cuidar, ela precisa ir ao médico, ela precisa fazer uma terapia, ela precisa estar ali, ela precisa estar inteira. É verdade. Então é um papel muito duro e importante da mulher. Então assim, quanto mais próximo eu tiver, mais essa parceria se alonga. Perfeito. E aí eu coloco eh nesse ponto, né, como a Rúbia trouxe, Juliana também dessas experiências, enquanto homem, o que fazer nesse contexto, né? Porque há diferenças, como você bem colocou, existem questões hormonais que me impedem de sentir certas sensações e e talvez entender certas experiências, certos sentimentos que a mulher vai estar trazendo. Eh, mas veja, escutar, a gente consegue fazer isso. Hum. Escutar. E isso já é um um dos primeiros passos pra gente ter um diálogo honesto, aberto e tentar remover certos preconceitos. Ah, porque eu não passei por isso, então não quer dizer que ela tá se sentindo assim, eu acho que é besteira. Isso pode acabar diminuindo as minhas, as meus mais uma vez meus vieses de interpretação em relação ao que tá sendo trazido. Eu posso me tornar muito mais compreensível. Então, quando a mulher chega e fala realmente, olha, eu tô cansado, não sei o que, não sei qu, eu não vou simplesmente invalidar o que ela tá trazendo. Dá para pelo menos o que eu tento fazer, por isso que eu tô falando isso aqui, porque realmente são experiências diferentes, é, é diferente ouvir e mais uma vez a questão, as questões sociais, culturais vão incidir diferentemente em pessoas de gênero, raça, tudo diferente. Então assim, se eu tô aberto, pelo menos para ouvir essas experiências, eu posso já ter comportamento diferente diante disso. Isso, por mais mínimo que pareça, é bastante coisa. É a sensação de acolhimento, reconhecimento, que seja o mínimo, né, que você faça, engrandecem o nosso cuidado com o lar. Muito bom. Então, há uma necessidade fundamental de reconhecimento, de acolhimento, da escuta ativa, não de ouvir, tá gente? De escutar, ouve um lado, sai pelo outro, né? Ouve, ouvir são coisas diferentes, né? totalmente diferente. Então, a escuta ativa é fundamental, que seja 15, 20 minutos ali no final do dia, né? É importante para nós enquanto mulheres também, né? Então esse alerta que você trouxe fica para que a gente participe mais, esteja ali junto e funcionando de outra forma. Olha aí, tá vendo? Isso alonga relações. Alonga relações. Esse nosso bate-papo tá tão gostoso que agora já são 8:51 já. Tá vendo só? Agora, então, vai, a gente vai fazer o seguinte, eh, a gente vai para um break e daqui a pouquinho a gente volta trazendo mais um convidado para poder entrar nesse bate-papo com a gente, para poder conversar um pouquinho mais e a gente também traz a sua pergunta, a sua a dúvida, o seu depoimento, né, aqui para os nossos convidados. Então, pra gente encerrar esse bloco, eu pergunto pra Ju e pro Marcos, é o seguinte, o que que vocês diriam para quem acha que cuidar de casa não é trabalho? Pra gente encerrar esse bloco, vamos lá. Já para cuidar de casa. É, o que que vocês diriam? Para quem acha que cuidar de casa não é trabalho? Você não fez nada o dia inteiro. Pô, tá cansada do quê? More sozinha. Eu ia falar a mesma coisa. Cuide de casa. Cuide de casa. Vai morar sozinho e vejamos como você se desenrola no dia a dia, né? É isso. Brincadeiras à parte. É isso. Cuide de uma casa e entenda o que é cuidar de um lar. Muito bom. Exatamente. Mas exatamente a fal cuide de casa. Cuide. Veja as responsabilidades que existem embutidas, né? Exato. Que estão embutidas em cuidar de casa, que de certa maneira também é um cuidado de si. Uhum. Experimente fazer isso. Experimente para ver isso. Se aventure depois conte para nós aqui. Deixe seus comentários e conte para nós a experiência. Como é que foi a sua aventura? Uma semana cuidando de casa. Estabelecemos um prazo. Então, exatamente uma semana. É um prazo longo. Uns dois, três dias. Eu acho que dá para É uma semana. Uma semana já não vai ter mais roupa para trabalhar, já não tem mais panela para fazer comida. Tá uma bagunça doida. Gente, brincadeiras à parte. Claro, a gente precisa falar sério, mas é legal a gente descontrair também. É por isso que a gente dá risada, a gente, né, eh, brinca um pouquinho, mas eh o assunto é muito sério. E daqui a pouco, depois do nosso break, então a gente volta e nós continuamos a conversar sobre isso. Mas fica aí a dica. Vai morar sozinho então uma semana cuidando de casa. Depois você conta pra gente. Já já voltamos. [Música] [Música] Muito bem, estamos de volta. Você está no estúdio Câmara aqui pela TV Câmara Campinas. Estamos ao vivo. Nosso programa hoje fala sobre o trabalho invisível, né, das donas de casa. Nós estamos aqui com Marco, também com a Juliana. Já estamos recebendo eh mais uma entrevistada pelo Zoom. Mas antes de dar as boas-vindas a ela, nós vamos atualizar algumas informações aqui da cidade de Campinas. Vamos lá. Mais 10 ônibus novos com ar condicionado começam a circular na região do Nova Aparecida. O acréscimo será destinado para a linha 260 com oito carros e a linha 264 com dois carros. A Campbus receberá outros 36 veículos nas próximas semanas, completando a previsão de 60 ônibus novos. Isso é muito bom. Vamos lá. Programa de voluntariado da Mata Santa Genebra está com inscrições abertas, viu? São 15 vagas. Os interessados podem se inscrever de 10 de agosto, aliás, até 10 de agosto, né, pelo site do ICM Bill. Os selecionados irão colaborar com diversas ações, com o apoio às atividades com escolas públicas e entidades filantrópicas, a orientação das visitas abertas à comunidade, também a realização de cursos e palestras. Gente, vamos lá. Essas foram algumas informações para você. Agora vamos dar uma pincelada que a gente falou no primeiro bloco, né? a gente falou sobre esse peso invisível desse trabalho que parece natural, mas exige muito emocionalmente, né? E agora a gente vai ampliar esse olhar com a participação da nossa terceira convidada, a Adriana Simonato. Ela ela é psicóloga na linha terapia cognitivo comportamental e veio para completar o nosso time do estúdio Câmara de hoje. Adriana, bom dia, seja bem-vinda. Bom dia. Eh, obrigada pelo convite, né? E eu tô aqui para complementar o que aquilo que já foi falado. Muito bem. Então, vamos lá. O que que chega no seu consultório? Quais os principais sintomas emocionais da sobrecarga doméstica e qual que é a visão da terapia cognitivo comportamental sobre esse assunto que a gente trouxe hoje em discussão aqui no programa? Eh, é, é um assunto bem delicado mesmo, né? Eh, e primeiramente o queria tá falando, contextualizando um pouquinho, né, porque eh a gente precisa eh o por que o trabalho doméstico ele costuma ser desvalorizado. Então, ele tem quatro pontos importantes pra gente tá observando. Primeiro, ele é associado ao papel da mulher, né, historicamente. Eh, foi, né? E ainda é a mulher, ela é eh o esse papel ele é uma obrigação feminina, né? Principalmente na na na sociedade patriarcal. Um outro ponto é que não gera dinheiro, né? Não é remunerado. Então, na sociedade capitalista o que que acontece? o que não é não tem tanta importância. E o invisível, né, é um trabalho invisível quando bem feito. Ele é só visível quando ele é bem feito, né? Então assim, quando ele não é bem feito, a primeira coisa a gente observa e a gente chegou, o marido chegou, viu que tá lá todo a piaça, isso é é visível. né? O resto já está habituado de ver tudo organizado, repetitivo, né? Que é bem diferente de um trabalho, né? Quem trabalha eh no no trabalho de que tem uma hora para chegar, a hora para chegar, a hora para sair. Já o trabalho doméstico não, né? é um trabalho que não tem começo, não tem meio e tem, fim, né? É um é um trabalho que nunca termina, né? Então, assim, as mulheres eh quando chegam no consultório e a pauta éta eh é quando elas começam a sentir com uma autoestima eh eh elas começam a sentir desvalorizada, né? Da mesma forma que quear doméstico e desvalorizado, elas também começam a sentirta forma, né? Desvalorizada, inútil, substituível e isso vem junto uma depressão, algumas vezes, né? Uma depressão, uma eh aonde que eu estou, né? o seu pertençoel diante dessa sociedade. Muito bem, muito. Acho que ela ela pontuou bem tudo que nós falamos aqui, né, e trouxe essa essa visão é um pouco mais assim delicada, porque a gente falou da mulher, tudo, mas e aí quando a depressão pega, né? Tenho crises de ansiedade, nunca relacionei com o fato de cuidar sozinha de tudo. Esse tipo de associação é é um pouco comum. Assim, não imaginei que eu fosse cuidar sozinha de tudo e agora não tô conseguindo dar conta. Então, começa as crises de ansiedade, começa aquela questão aí da ansiedade, vem a depressão, a depressão, vem o pânico e aí gente, infelizmente vai ser difícil retornar porque vai precisar de terapia, de cuidado. E a mulher nessa fase da vida, nesse momento que ela tem que dar conta de tudo, aí ela tem um problema de saúde mental, né? Como é que ela vai dar conta daí? O que que acontece? Como é que ela vai fazer? Porque ela vai ter que parar para se cuidar. Sim. O primeiro passo é parar para se cuidar, né? Como nós já colocamos aqui também, né? Então, primeiro eu vou vou ao médico, eu vou ver como eu tô biologicamente, como eu tô com minhas vitaminas, como eu tô funcionando, né? Eu vou buscar uma terapia para que eu comece a entender e trabalhar autoconhecimento, que a mulher tem isso como eh é se fosse embutido, obrigatório dela fazer. Não é assim que funciona. Ainda que ent a gente entende que é social, cultural, os valores, etc. Mas eu preciso me cuidar. fazendo a terapia e fazendo um trabalho aí de todo o cuidado de como ela está, eh isso começa a apresentar sinais de melhora e depois o autocuidado, como a Adriana colocou e nós já havíamos colocado aqui para eu entender que eu volto a pertencer a algo, a um espaço, a um lugar, a um ambiente. E a Adriana trouxe também uma questão interessante que é a mulher se sente desvalorizada tal como ela sente quando ela não é reconhecida no trabalho do dia a dia. Então vem uma desvalorização conjunta, isso é sério, né? E aí vem as crises de ansiedade que geram uma depressão e aí se torna uma depressão ansiosa. E pra gente retomar isso com o paciente não é tão simples assim, né? Porque a busca do eu é o valorizar-se de novo. Então é preciso buscar urgente. E é isso, né, Juliana? E e assim acho que a abordagem, né, da psicologia, ela vai trabalhar eh numa a TCC, que é a terapia cognitiva comportamental, a gente vai trabalhar com a reestrutura, né, quando essa mulher ela começa a se sentir eh responsável, eh aí vem a pergunta, né, na TCC, no trabalho cognitivo. E isso é 100% eh real, né? É 100% verdadeiro. A ideia dessa reestruturação cognitiva é da gente enfraquecer esses pensamentos, essas crenças que a mulher tem, né, e que ela vai formando ao longo da sua vida, até porque vai passando de geração para geração, né? Então é enfraquecer esses pensamentos que aprisionam, né? que acham ela incapaz, que acham ela que ela tá presa nisso para abrir espaço para novas ideias mais equilibradas, né, e para que ela se sinta mais eh pertencente mesmo. Exato. E a pergunta que eu faço, Adriana, né, e marco no consultório, é tá bom, você cuida de todo mundo e quem tá cuidando de você? E vem um choro involuntário imediatamente. Não tem como segurar, que você cuida da casa, cuida de todo mundo. E quem cuida de você? Então, o primeiro passo é passar a se olhar dentro já da terapia psicanalítica que a gente fala, né? Eu uso um viés humanista mais lacaniano, né? Que é de trazer a realidade. Eu volto um pouco lá na infância para trabalhar os sonhos da menina. Hum. Quem era essa menina? Quem era esta mulher? Quem era esta pessoa? O que você gostaria de ter quando você crescesse? Então, a gente volta um pouquinho atrás para voltar na reestruturação e ressignificar a vida dessa pessoa para que ela possa voltar a colocar o pé no chão. E nesse ponto eh eh fico sensibilizado com essas falas que vocês trouxeram, porque veja, existem sonhos por trás de uma pessoa que tá vivenciando uma situação dessa, seja uma questão clínica ou não, mas que está vivenciando um sofrimento gerado por uma situação, vamos dizer assim, gerado ou mantido por uma situação de desvalorização do trabalho doméstico. Que sonhos são esses? Que sonhos foram eh obliterados, que foram ocultados da existência? Porque devido a um trabalho repetitivo, desvalorizado, não remunerado, eh considerado como natural para as mulheres. E é muito, é muito triste pensar, então que a pessoa pode ter construído, pode ter pensado tantas possibilidades de existência e aí chega no momento em que percebe que ela se se depara com uma realidade que não foi aquela que ela imaginou, um sonho que não se concretizou, mas que e que tá longe, na verdade, se tornou um pesadelo. às vezes um casamento, como a gente estava conversando aqui, que ela esperou que fosse ser a chave para uma para uma nova etapa da vida, se tornou, na verdade, uma prisão, um aprisionamento. Então, assim, muito difícil. Eu me coloco aqui, na verdade, como uma pessoa que tá ouvindo isso e com muita sensibilidade, digo, sinto muito pelo que tá acontecendo. Se você tá passando por essa situação, realmente, como a gente tá aqui conversando, busque apoio. Busque apoio, porque é necessário muitas vezes eh sair de uma situação dessa nessa magnitude eh não será possível apenas com as próprias mãos, vamos dizer assim, mas sim contando com outras para te ajudar. É, eu sempre coloco que também há uma romantização da família, né? maternidade do de ter o lar, né, daquela famosa propaganda lá da manteiga, que é tudo perfeito, né, a família de manteiga, né? E não é assim, é muito difícil. Eu vejo mulheres dilaceradas, não só dentro de casa, como socialmente, né? Ainda que eu trabalhe fora, eu estou dilacerada por dentro. Então, retomar, resgatar esse ser humano e trazer de volta não é tão simples assim. Então a gente sempre pede esse olhar, esse cuidado para que você se abrace, se ame e se cuide mais. Olha só que interessante. E a gente pode falar, por favor, Adriana, por favor. E a gente tá falando de mulheres donas de casa, né? E a gente pode ampliar um pouquinho mais das mulheres donas de casas e que trabalham fora também, que mesmo trabalhando fora, muitas vezes elas ficam com essa função sozinha, né? Eu tenho uma paciente que ela ela fala para mim que ela chega e era algo que tava incomodando demais, que ela chegava do trabalho e a louça tava arrumada. E ela foi lá, foi fazer um sanduíche, pegou o sanduíche, foi paraa sala. Quando ela chegou na sala, o marido falou para ela: "Você não viu a cozinha arrumada? Você nem me agradeceu, né?" E aí ela falou: "Ué, né, por que que eu teria que te agradecer? você me agradece de ver a sua roupa lavada, né? Então, mas é isso que tá faltando, né? Diálogo. Então, assim, quando essas mulheres, né, procuram ajuda, não só de uma amiga, porque ela tá conversando com amiga, conversando com a com a família, eh tá eh tá sendo um momento de eh terapêutico, né? Mas quando ela procura terapia, essa terapia vai ajudar ela a se reorganizar, né? Vai ajudar ela arrumar eh recursos para lidar com tudo isso, né? E ver diferente, né? Então assim, perceber quais são as tarefas domésticas que existe aqui nesse lar, né? Diário, qual que é eh o semanal, qual que é o mensal? É importante que ela deixe e por escrito isso para toda a família participar até aqui tornar o invisível visível, né? Porque é muito invisível. Quando ela coloca ali e quando ela mostra pro outro, olha, eu tô fazendo tudo isso, né? E eu quero que vocês participem também. E pode ser que seja uma jornada menor, mas é importante que a família participe dessa construção, porque só assim vai haver uma valorização. Perfeito, Adriana. Perfeito. Esse negócio de colocar. Já pensou você de casa colocar no papel tudo que você faz? Tudo, tudo, tudo, tudo. Aja papel, hein? Não caberia. Não caberia, né? E eu acho que é é uma estratégia bem legal, né, Marcos, porque você acaba dando visibilidade a aquilo que as pessoas não enxergam, que que tá lá na sua frente, mas você não vê. Perfeito. Começamos a dar nome às coisas, nome a essas sensações, esses sentimentos que não tem nome, aparentemente, nome a atividades que aparentemente são feitas, mas sem são sem ser vistas, começamos a a organizar as coisas. Olha, tem coisas que são feitas aqui. Você sabia que isso é feito para isso estar limpo, para isso estar dessa forma que você adora tanto? Você sabia que foi usado esse produto? Sabia que, enfim, como uma lista de ingredientes mesmo, ingredientes, procedimentos, não é? É, é isso mesmo. Porque assim, eh, as pessoas só vão notar quando não tá feito, né? Uhum. Quando tá tudo cheirosinho, quando tá tudo arrumadinho, passa batido, né? que ensinar a quem tá dentro da nossa casa, como vocês falaram, né? Falou, né? Vocês estão criando homens, né? é eh criar os nossos filhos sabendo elogiar, sabendo agradecer aquela comida que que tá ali que os pais ou a mãe e saber aquela roupa. Ah, obrigada por ter feito isso. Isso é valorizado. Como no trabalho demunerado, o seu chefe vai dizer para você: "poxa, que trabalho bacana". E na no trabalho doméstico não tem isso, né? é como se fosse mes feminina, né? E e a importância também, né, eh, dessa dessa pessoa, né, ou dessa mulher, enfim, que trabalha em casa, dela ter o tempo dela, né? Então mesmo a gente coloca no automático e você não para nem para comer. Então temário para almoçar, ter atenção no que tá comendo, eh a atividade, parar para ler um livro, para assistir um filme, é porque eu não tenho tempo, não, a gente arruma, né? E é importante para essa saúdeal. Muito bem. E há uma coisa que me ocorreu agora com a fala da Adriana, que normalmente assim nós estamos falando do serviço de casa, da correria, né, do tempo a mais que a mulher tem. Mas o que a gente também não pensa é que além de tudo do fazer, a mulher tem que elaborar o que vai ser feito. Então, por exemplo, uma mãe outro dia, ela falou assim: "Juliana, eu me pedi pedindo, de eu me vi pedindo desculpas pro meu filho, porque ele disse: "Mãe, carne de novo". Oxe. E eu falei: "Nossa, né? Como assim?" ela tinha descongelado lá e acabou fazendo dois dias, né, um prato semelhante e ela disse de novo: "Eu não tive tempo, ela trabalha fora, cuida da casa". Então, além de fazer toda essa organização, eu tenho que ainda pensar no que e o como eu vou fazer. E aí também vem essa reclamação e de um menino de 12 anos, já é um menino em construção, percebe? Então é isso que você tava comentando. Uma uma ótima ideia. em vez de eu orientar as minhasentes de fazer eh a lista, mas ao contrário de fazer a lista, fazer a o planejamento com a família, né? Assim, vamos planejar, né, o que vai ser feito durante a semana, né? É, eu tava colocando aqui também, Adriana, que há famílias que a gente faz essa instrução. Então, algumas famílias eu tenho combinados de toda segunda-feira após o jantar que eles se sentem e organizem a rotina da casa da semana. E isso tem funcionado muito, diminuindo os conflitos comportamentais em casa. a gente já falou agora, né, há um tempinho atrás aqui já, mas isso tá ajudando muito nesse processo e as mulheres têm gostado e aí o homem assume esse papel como um a força, divisor, né, organizador, isso melhora muito a relação, né? Então foi isso que a gente colocou aqui. Perfeito. Muito bem. essa questão do homem assumir o papel como reforço, né, e tal. Você vê no primeiro bloco nós falamos da questão da e eh do homem ele eh colocar no pedestal a ajuda que ele deu para a mulher. Daí a Adriana trouxe pra gente aqui, né, algo de de consultório que o homem fez lavou a louça, né, e poxa vida, você não vai me parabenizar porque eu lavei a louça, não vai me reconhecer, né? reconhecer que eu lavei a louça para você. Ô gente, moramos no mesmo teto, né? Embaixo do mesmo teto. Eh, precisamos dividir, né? E são tarefas diárias da nossa casa e uma casa que vivem duas, três ou mais pessoas e todo mundo vive ali. Então, eu acho que é importante essa questão da divisão, né, de tarefas, não? Eh, tipo, eu fiz uma tarefa e você tem que me elogiar porque eu lavei a louça. Ah, não, né? Ah, não dá, né? Aí não. Ô, gente, ó, 9:18. Produção tá avisando aqui que nós temos algumas perguntas, então vamos lá, vamos começar a responder algumas perguntas, depois a gente volta também. Eh, e na verdade essas perguntas elas dão pra gente mais gancho pra gente ir conversando sobre o assunto e é legal que o pessoal de casa tá participando, né? Então, produção tá avisando aqui. Já vamos eh respondendo essas perguntas, uma para cada um e a gente vai fazendo aí um rodízio, tá? Vamos lá, então. Quem é que tá com a gente? Vamos ver o Wagn, o Wernick. Nossa, eu acho que é isso, né? Desculpa se eu não consegui falar direitinho seu nome, tá? Ver. Vernec, você conhece? Ah, Wagner Vernec, bom dia. Passando só para elogiar a convidada do programa de hoje. Ela é um exemplo de força e determinação. Juliana Caetana. Ah, Juliana é Wagno Vernec. Isso, Vagnou. Obrigada, viu? Olha aí que legal, Ju. É gostoso ter esse reconhecimento, né? Quando a gente trabalha com as famílias foi uma surpresa para mim. Me pegou de surpresa aqui. Quando a gente trabalha e vê que esse resultado chega, né? Nem esperava. Mas esse é o nosso papel de mediar, né, Adriana, né, Marco, de cuidar, de ajudar, de auxiliar e ter esse olhar, né? E quando a gente vê que isso dá frutos, isso retorna. Olha aí. Então, a gente tá sempre presente. Ah, que legal. Fico muito feliz, viu? Que show. Vamos lá. Pode mandar. Tem mais alguma pergunta? Alguém falando o que com a gente? O Carlos Eduardo do Nova Campinas. Existe uma explicação psicológica para a resistência de algumas pessoas em dividir as tarefas domésticas. Ai ai ai. Vamos passar para pra Adriana. E aí eu gostaria que cada um de vocês pontuasse sobre essa essa essa pergunta aí que é bem interessante, né, Adriana? E volta só para mim esse a a pergunta que deu uma falhada, tá? Existe alguma explicação psicológica pra resistência de algumas pessoas em dividir as tarefas domésticas? E eu acredito que não uma uma explicação, mas eu acredito que exista uma, né? Então, foi como a gente falou, é algo que é passado muitas vezes de geração para geração, que vocês já tinham mencionado a questão do machismo, né? eh, desse papel, né, né, que foi que historicamente foi imposto, né, em em algum momento foi colocado e e que ele perpetua, né, as pessoas vão aprendendo e vão que é importante a terapia, né, para tá ressignificando as coisas que a gente aprendeu, mudando eh os pensamentos, as crenças que a gente tem e automaticamente o comportamento, né? Uhum. Muito bem. Quer pontuar alguma coisa, Ju? É, eu entraria aí na questão também, Adriana, da educação, né, de como foi feita essa educação e da questão dos valores que o outro carrega para que ele resista essa questão de ajudar, de colaborar. Então, se esse serviço é só da mulher e é só seu. E eu aprendi que é assim, é difícil a gente mudar comportamento. Enquanto terapeuta, a gente sabe para reelaborar, né? Não é mudar, mas para reelaborar e ressignificar. Então, dentro desse contexto, se eu aprendi que isso é uma tarefa feminina, eu não vou fazer, então vou resistir. Então, uma forma, como nós colocamos agora a pouco, sobre o diálogo, a parceria, a conversa, se eu não entender o quanto denso e pesado está pro outro, eu não vou dar valor, tá? Então não é nem psicológico, é enraizado, né? É, é, exatamente, exatamente. E eu fiquei pensando também eh quanto isso é assim, é delicado, na verdade, assim, muito mais do que buscar uma explicação, mas quando você percebe que com conversas, com assim com exemplos que você pede, né, olha, eu tô tô realmente fazendo essa atividade aqui, não tem como ajudar ou enfim, se isso não sensibiliza a pessoa que tá do teu lado ou que tá contigo, isso isso me deu um alerta aqui. Só, só digo isso. Só me deu esse se não sensibiliza e passou anos e anos e anos e anos se continua ali tipo um um ratinho na rodinha. Ah, uma atitude você tem que tomar, né? Porque senão daí e é tão desculpa, pode falar, Dri. Pode falar, pode falar. E é tão aprendido que é o que a Juliana falou, né? Ela e eu não sei como que você chama. Eh, a, eu falo de reunião familiar, né? você falou um outro nome, sistema funcional do lar. Isto. Então, quando você faz isso, né, você tá reeducando, né, essa família a a integrar essa criança, né, nessa aprendizagem para que ela não se torne um adulto nesse lugar, né, nesse lugar de resistência. Ex. É você falou, você disse uma palavra aqui, é enrejecido, enrijecido comportamental, né, social? Enrijecido social é aquele que olha a sociedade rígida e fechada, a mulher faz isso, homem aquilo e acabou. Então isso sim é difícil, eu entendo a sua questão, mas isso sim é difícil você quebrar. Humito. Porque aí é uma educação rígida que não muda. E aí a gente vai falar de um outro assunto que eu não vou entrar aqui, mas é uma rigidez cognitiva que é séria. E a gente pode trazer isso como um tema pro programa, né? É isso, é isso, aquilo é aquilo e acabou. E eu não quero flexibilizar para você porque eu não tô a fim de falar sobre isso. Nossa, então é muito sério. Aí entra numa outra seara, mas é dessa forma que acontece, que acredito que seja ligado aí a pergunta mais profundamente. Muito bem. Vamos para outra pergunta então. 9:24. Vamos lá. Quem é que tá com a gente? Vamos ver. Renata Silva de Barão Geraldo. Como o acúmulo das funções domésticas pode afetar a autoestima e a saúde mental das pessoas? Vamos lá, Marco, jogar para você que você o Marco, ele tá aqui de ouvinte, né? Ele fala, claro, tá falando as a fala do Marco tem um peso mestre hoje, né? Mestre, né? É mestre, né? Agora mestre quando ele veio na outra, ele tá minoria aí, né? programa, ele era um mestrando, ele estava estudando a e agora ele já é um mestre. Olha só, parabéns, viu? Parabéns. A gente fica muito feliz e obrigada por voltar com a gente aqui. Então, vou jogar para você essa pergunta, Renata Silva Barão Geraldo. Como o acúmulo das funções domésticas pode então afetar a autoestima e a saúde mental das pessoas? É interessante quando você fala das pessoas porque a gente engloba e todos, né? Porque a gente tá falando aqui da mulher, mas de repente tem homem que mora sozinho, que tá ficando pirado porque ele não consegue se virar com tudo o que é e é de de do dia a dia de uma casa. É importante a gente falar. Eu acho que a própria a sua pergunta e a sua explicação já carrega também uma resposta de certa maneira, porque eh veja, quando começa a ter um acúmulo e é interessante isso, é a palavra acúmulo não é simplesmente estar fazendo as funções domésticas, as atividades domésticas, mas quando tem um acúmulo, uma sobrecarga, existe um momento, então, que existe um excesso e nesse excesso eh eu tenho alguma coisa que está superando as minhas, vamos dizer assim, as minhas habilidades para dar conta daquilo. se aquilo e está superando as minhas habilidades para dar conta, significa que de certa maneira eu preciso de mais eh arrumar forças para conseguir fazer isso, mas no momento eu não tenho. Então as consequências que seriam eh desejadas pelo pelo meu trabalho, vamos dizer assim, ou elogio em casa ou a casa limpa ou aquilo, aquilo não atinge o a expectativa. Não atingindo essa expectativa, o que que acontece? Eh, de um ponto de vista comportamental, as consequências passam a ser mais aversivas do que boas, mais reforçadoras. Então, acaba que os meus sentimentos gerados por aquelas por aquela relação comportamental entre fazer e a consequência não é boa. Uhum. Isso acaba implicando em como eu me vejo também, como eu me sinto, começando com eu me sinto, depois como os meus pensamentos vão sendo estruturados a partir daquela situação. Eu começo a pensar: "Meu, eu acho que eu não dou conta daquilo. Eu acho que eu, eu começo a duvidar, não, eu não tô tô fazendo meu trabalho certo." Quando na verdade existe um acúmulo de tarefas devido também, não foi colocada essa hipótese, né? Mas eu eu levanto aqui essa questão da falta de divisão de trabalho doméstico. Então eu começo a duvidar se eu sou capaz de de executar aquilo. Começo a duvidar da minha da minha capacidade enquanto pessoa, coisa que a Adriana levantou inclusive na na primeira fala dela, que isso pode estar afetando a própria autoestima da pessoa. Então quando começa a vir nesse nesse movimento, é realmente um momento de parar e de falar: "Meu, eh, será que não é um acúmulo de coisas ou será que realmente eu que tô sendo um problema? Ou é a divisão de trabalho?" Enfim, a gente começa a pensar sobre diversos anos e e começa a acontecer uma perda de identidade, né? Realmente eu sou. E todo o excesso, eu costumo dizer, na clínica esconde uma falta. Perfeito. O excesso esconde uma falta. E aí nós estamos falando da falta de saúde mental, que foi o que você colocou. E as demais. E aí entram outras questões, entra compulsão, ah, entram comportamentos aversivos, entram outras tantas questões perigosas que afetam aí a saúde mental virando um grande bolo, né? Então, todo excesso esconde uma falta. E perfeito. É isso. Muito bem. Olha só, a gente tá falando aqui do trabalho da dona de casa que é invisível e olha onde nós fomos parar. Você tá vendo como é além, né? O negócio ele ele se estende tanto e é preciso estar atento aos sinais, é preciso perceber quando você já não tá, sabe, quando acendeu o alerta, né? Vai procurar ajuda, sabe? Não, não acha que é natural, não acha que é normal, porque quando a gente normaliza as coisas, a gente tende a ir para um fundo de poço e só lá você vai entender e vai descobrir que não, que não era normal e que você foi cavando, cavando e depois para você sair dessa é bem complicado, é bem delicado. Então assim, ajuda a gente busca antes que o a bomba estoure, né? Então, sentiu um negocinho aqui, não tá legal, percebeu que tem algo errado, vai buscar ajuda, sabe? Pede um socorro, conversa com alguém, busca um profissional, porque tem jeito, né? A gente pode sim, tem a terapia de família, né? Tem o autoconhecimento. Então, é importante que você busque ajuda e vamos ajudar a quebrar esse ciclo, né? Vamos quebrar esse negócio, esse tabu, essa coisa de que a mulher ela vai ter que ficar aí fazendo serviço de casa e tá tudo bem. E é assim mesmo, você nasceu para isso. Tem que se virar com o serviço de casa e para de reclamar. Você reclama demais. Ô gente, que que é isso, né? Ser humano que tem aqui, não é mesmo? Pulsa um coração, ferve um sangue também. Uhum. É. Não. E assim, e se ela quiser ser sua dona de casa também tá tudo bem. Sim, claro. É, eu acho que a gente tem que, né, quem tá ali morando com essa dona de casa que tem que aprender a ver de uma forma diferente, né? Porque até a hora que você tava comentando de eh eh isso o anterior que você tava falando eh veio para mim assim: "Poxa, eh ela pode querer ser essa dona de casa, né? Mas ela adoece por ela ficar tão invisível. Então vamos trazer a visibilidade para ela, para que ela também se sinta bem, né? Feliz, se é onde ela quer tá, né? É, mas traz também uma situação, né? Não sei se vocês concordam comigo, que depois que eu me tornei dona de casa, óbvio que eu posso fazer minhas escolhas enquanto ser humano, enquanto mulher, que aí os filhos vão embora e aí vem a síndrome do ninho vazio. Vai cuidar de quem? uma outra esfera que é um problema de saúde mental também, de qualidade de vida, que aí para quem eu vou trabalhar, como eu vou exercer agora o meu papel, aja vista que eu só fui ou escolhi, optei? Então, tenha sempre um hobby, um descanso, uma divisão, uma carta na manga, uma carta na manga para que você se sinta um plus a mais, né? Que tem alguma coisa mais exatamente, exatamente. É isso, né? como quando a gente, né, a gente eh muitas vezes a gente faz o inverso, né, a gente eh fora e aí a gente quer o plano B, que que eu vou fazer dia depois, né? Ah, eu vou pro sítio, eu vou plantar, eu vou, sei lá. E é e é importante também que uma dona de casa tenha o seu plano B a hora que ela tiveru, né? Exato, exatamente. Eu dei risada aqui. O Marcos, ele é o nosso pensador. Vocês não tão olhando aí. Eu tô, eu tô aqui, as meninas estão falando, né, conversando entre si, assim, eu dou meu pitaco no meio. O Marcos fica só observando, só pensando. Eu acho que o que você é homem, então o que que que você tá imaginando? O que que você tá pensando disso? Tudo que você tá ouvindo, hein? O que que eu assim eu pensei agora, nossa, eu fui tão longe, eu percebi, mas eu fui longe pensando assim no que foi esse programa de hoje, na verdade, porque a gente agora no final chegamos a falar mais especificamente sobre o adoecimento mental em decorrência da invisibilidade desse trabalho doméstico. Só que a gente foi levantando ao longo do programa tantas possibilidades que levam a entender qual que são as raízes, quais são as verdadeiras raízes disso, tanto do ponto de vista cultural, histórico, eh, familiar, político da coisa. Então assim, eh, veja só que interessante o adoecimento mental, como até a Rúbia colocou, procure ajuda quando isso for isso, quando isso acontecer, mas também não deixe isso chegar nesse ponto. Então, a gente tá levantando aqui diversas possibilidades para você ficar alerta, porque são várias possíveis causas que estão rondando toda essa problemática que no final, como se a gente tivesse desenhado um iceberg aqui. E a gente tá falando da pontinha do iceberg agora, que é a questão da saúde mental, ao meu ver, quando na verdade tem toda uma questão submersa, que foi o que a gente discutiu ao longo desse programa, que serve pra gente alertar a formação desse iceberg para não chegar a um ponto de acontecer um Titanic na nossa vida, né? Uau! Foi isso que eu pensei. Quando eu ouço você falar isso, eu fico super feliz, porque essa é a proposta, né, do programa, trazer o problema, mostrar como ele acontece e mostrar que sim, tem solução. E a e se a gente tá conseguindo fazer isso, eu fico muito feliz. E claro, porque nós estamos fazendo isso porque a gente conta com profissionais, né, maravilhosos como vocês, que nos direcionam para que isso aconteça dessa forma. Fico feliz demais. 9:33 a gente vai pra última pergunta. E daí a gente daqui a pouquinho já ah vai encerrar, né, produção? É isso. Só vai me avisando aqui o tempo, tá? O horário que aí a gente vai direcionando já paraas considerações finais. E se tiver mais pergunta pode mandar para mim, que eu tô adorando isso aqui. Vamos lá. O Fernando Lima do Jardim Nova Europa. Filhos que crescem em casas onde só as mulheres fazem tudo, tendem a repetir esse padrão quando formam suas próprias famílias. Se sim, como quebrar isso quando adulto? Um detalhe muito interessante e importante, não é? É. Vai lá, então, explica pra gente. Vai lá, cada um vai falar um pouquinho aí, porque olha, quando é criança a gente consegue manejar, agora quando é adulto já não sei não. Então, Fernanda, é como nós colocamos, né? Eh, é difícil porque não sei se é o seu caso pelo que você colocou, mas a gente vem de uma demanda toda de criação cultural. Como quebrar isso? Um diálogo, conversa, mudando rotina, criando rotina, perdão, específica para isso. E e quebrar isso quando adulto depende só de você. Hum. Depende de um esforço diferenciado, porque você aprendeu na sua rigidez que o correto era as mulheres fazerem. Veja, eu não tô recriminando a atitude de uma mãe no cuidar, mas a gente precisa entender que tem que haver espaços de discussão e mostrar para essa criança desde pequeno que ela também tem suas obrigações e suas funcionalidades. Senão eu fico aqui, ó, eu não sei o que eu devo fazer. Imagino que hoje como adulto você se sinta perdido se você foi criado nesse tipo de ambiente de fato. Então assim, conversa, dialoga, se esforça, mas faça da forma com a qual você acha adequado. Comece. O ideal é iniciar. do seu jeito para que a gente comece a melhorar essa essa qualidade comportamental junto a à esposa, a mulher, a namorada. Muito bem. Vai lá, Mar. Primeiro eu já aproveito aqui para reforçar então positivamente o seu comentário aqui colocado, porque isso já demonstra um interesse de mudar ou uma preocupação também com outras pessoas que estão nessa situação. Você pode também estar observando outros casos, né? E veja, eh, só de estar aberto à experiência de mudar, de estar aqui ouvindo sobre esses temas, ouvindo conversas e também eh aí na uma outra possibilidade, né, estando possivelmente morando sozinho, você consegue mais uma vez estar diante de das situações da realidade, como é que ela é, e poder quebrar com esses ciclos padrões que foram às vezes incutidos em comportamento familiar ou que foi também visto em novelas, em na mídia e tudo mais, porque nós não falamos, nós não falamos disso, mas existe esse padrão cultural que é estabelecido em filmes, em músicas, que é uma questão super compa, livros, que é super complexo, mas só de estarmos abertos a essa experiência de querer mudar, de querer fazer o diferente, para mim já é uma disposição extremamente importante que pode determinar muito bem assim um desfecho diferente daquilo que você viu, presenciou na na infância, se isso aconteceu, né? Muito bem, agora 9:36 produção, vamos jogar, joga a pergunta de novo para eu eh ler pra Adriana, pra gente poder repetir, para ela responder pra gente também. Olá, Adriana, vamos lá. Fernando Lima do Jardim Nova Europa. Ele diz assim, ó: "Filhos que crescem em casas onde só mulheres fazem tudo tendem a repetir esse padrão quando formam suas próprias famílias? Se sim, como quebrar isso quando adulto?" Eu ouvi o que vocês falaram, né? Eh, mas é quebrar os padrões mesmo, né? E quebrar os os padrões tem que ter toda uma disponibilidade da pessoa e também eh a necessidade. Isso, né? Então, muitas vezes eu quebro esse padrão por necessidade, ou porque eu tô morando sozinho, então eu preciso e ou porque uma outra pessoa tá comigo e tá me solicitando para que eu quebre esse esposa, uma namorada, enfim. Mas a o ser humano tá sempre em desenvolvimento e com certeza ele consegue. Ai que bom, né? Que bom saber. A gente tá em desenvolvimento o tempo todo mesmo, né? E a gente tá em evolução. Você hoje é de um jeito, amanhã você é de outro, depois você é de outro. E que bom se você puder evoluir e quebrar esses padrões, né, gente? Num agora 9:38. Está na hora da gente encerrar. Então a gente já vai pras considerações finais. Passou tão rápido isso aqui, a gente falou tanto e eu fico tão feliz que a gente consegue, né, eh, desenhar, mostrar para você e traçar um caminho. Então, você que tá aí do outro lado, que participou com a gente, gratidão, muito obrigada por participar conosco. A gente já vai então para as considerações finais. Eu começo com você, Marco. Poxa, obrigada mais uma vez obrigada por participar. É muito bom ter vocês com a gente. Nossa, eu tô assim super realizado com essa conversa. Para mim é uma oportunidade muito rica para aprender também. Toda vez que eu venho aqui com convidadas e convidados diferentes, eu fico assim admirado. Eu até paro, começo a refletir que nem um filósofo aqui, porque realmente toca em mim. Eh, são temas que que me atravessam enquanto pessoa, enquanto profissional. Agradeço pela oportunidade e agradeço você também que está nos assistindo, que destinou um tempo da tua atenção e sabemos que hoje em dia o que que a gente escolhe para dar atenção é uma coisa muito preciosa. Então agradeço. E você que vai assistir esse programa também que não está mais ao vivo, obrigado. E nos colocamos à disposição também pra gente poder conversar mais sobre isso. E converse também com outras pessoas sobre isso. lá atrás de discutir, de conversar, conversar com com a sua mãe, por exemplo, ou irmã, namorada, enfim, que tá mais nessa questão que onde tá incidindo mais o trabalho doméstico. E e escute, eu acho que esse é meu essa é minha dica dessa minha mensagem final. Enquanto o homem, no caso pros homens é que escute mais, julgue menos. E aí consiga, com isso a gente consegue elaborar a nossa visão de mundo, expandir e criar um mundo talvez com mais rupturas de comportamentos e padrões não tão legais para nossas pra nossa vivência social. Maravilhoso. Obrigada mais uma vez. E você, Ju? Sempre, né? A Juliana já veio aqui, já conversou com a gente, já trouxe eh experiências, né? Já trocamos aqui informações, a gente já lançou sementinha, essa sementinha já deu frutos e aí a gente tá aqui novamente com você, lançando mais uma sementinha. Você é especial para nós, assim como todos os nossos convidados. Então, gratidão, obrigada por aceitar o nosso convite, viu, Rúbia? Eu que agradeço, né? É mais um tema super pertinente. E se eu puder deixar uma mensagem para as pessoas de casa, é um tema super delicado até, que você possa sentar hoje de repente com seu marido, com a sua esposa, que você possa conversar, que você possa redimensionar seus sonhos e projetos de vida. É assim que as coisas começam a mudar. Então, essa pergunta do Fernando veio muito a calhar para que a gente possa pensar mesmo sobre como melhorar, né? Menos culpa e mais responsabilidade a dois. Nossa, gente, que que convidados são esses, né? Tô adorando isso aqui. Adriana, você veio para completar esse timaço desta manhã, né, de quinta-feira, que nós trouxemos aí esse esse tema do dia a dia, né, das famílias brasileiras. E você veio, complementou, somou e a gente só tem agradecer a sua participação. Adriana tá falando de São Paulo, né? Disponibilizou de um tempo para conversar com a gente via Zoom. Então, muito obrigada. Gratidão, viu? Eu também agradeço, né? eh pelo convite, eh um tema que tava mecido, né, que às vezes acontecia de aparecer no consultório, mas que a gente trouxe uma visibilidade muito importante, né, da gente pensar eh como eh cuidar melhor dessas mulheres. Então, agradeço muito, viu? Nós é que agradecemos os nossos convidados, você de casa e é isso, gente. Cuidar de casa é trabalho, sim. Exige tempo, sim, energia, atenção, mas principalmente exige exige respeito, tá bom? que a gente siga falando sobre isso, eh, nomeando o que antes era invisível e buscando relações mais equilibradas, mais eh quentinhas, com mais aconchego. Tá bom? Vamos lá. E amanhã nós vamos falar sobre as férias. Ué, mas não acabou? Sim, acabou. E agora? Hum. A casa precisa de ordem, os horários precisam de ajustes e a energia das crianças nem sempre combina com o relógio da rotina. E aí, como retomar, né, com um ritmo, eh, mais tranquilo, eh, com leveza, sem estress, né, e aí com mais acolhimento, tanto pra família quanto pra criança. Então, é sobre isso que nós vamos falar amanhã, eh, a partir das 8 da manhã, ao vivo para você com mais uma edição do nosso estúdio Câmara aqui na TV Câmara Campinas. Vamos encerrando por aqui, então, agradecendo a sua audiência, a sua companhia. Lembrando que meio-dia nós temos Câmara Notícia com informação do legislativo campineiro e de toda a nossa metrópole. E a gente só agradece você e aos nossos convidados mais uma vez. Adorei o programa de hoje. Olha, curte, compartilha, tá no YouTube, manda pra sua família. Eu tenho certeza que tem algum ponto do programa aí que vai pegar. E é legal porque aí você vira a chavinha e mostra pra galera, ó. Vamos lá, vamos fazer esse trabalho se tornar visível, vamos pontuar. Escreve aí no papel, coloca na geladeira o que que é que tem que fazer. Bem na porta da geladeira, assim, onde todo mundo vai ver. Aí o pessoal vai falar: "Nossa, não sabia que você fazia tudo isso". Aí você fala: "Claro, tá vendo? Eu faço". E você pode fazer também. De repente isso pode ser o início de uma a criação de uma nova rotina aí na sua casa, combinado? Valeu, gente. Beijo grande. Até amanhã. Fica bem. [Música] [Música]
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