Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
[Música] Olá, muito bom dia. Estamos chegando com a Estúdio Câmara aqui na TV Câmara Campinas. Hoje de quarta-feira, dia 25 de junho, e a gente já começa o dia com tema essencial para os pais, as mães e os responsáveis, né? Até que ponto a vontade da criança deve prevalecer na criação? É uma busca constante, gente, de equilibrar a liberdade da expressão dos nossos filhos com a necessidade de impor limites e regras, né? Qual que é o impacto da superproteção ou da permissividade excessiva no desenvolvimento emocional e social saudável das nossas crianças? A gente vai tentar entender essa situação com os nossos convidados que já estão aqui com a gente, né? Eh, tenho ao vivo aqui no estúdio também pelo Zoom. Nós vamos conversar com os convidados e tentar traçar um caminho para eh a educação pros nossos filhos, né? E agora a gente atualiza algumas informações. É a previsão do tempo para hoje. E daqui a pouquinho a gente já inicia o nosso bate-papo. A gente já convida você para fazer parte desse nosso programa de todas as manhãs aqui na TV Câmara Campinas. Bom, hoje é dia de reunião ordinária no plenário da Câmara. Você pode participar presencialmente, lembrando que as reuniões ordinárias são abertas ao público e também eh são transmitidas aqui pela TV Câmara Campinas. nos canais digitais 11.3 do da TV Digital, quatro da Claro, nove da Vivofibra, também tem transmissão pelo site oficial, pelas redes sociais da casa, né, e também nosso YouTube, TV Câmara Campinas. A pauta da sessão sempre inclui debates e votações de projetos que impactam diretamente a vida da população. Então, é importante que você participe, acompanhe e exerça a sua cidadania. Se você quiser participar presencialmente, é só você ir até o plenário do legislativo. Campineiro, fica na Avenida Engenheiro Roberto Manj 66, no bairro Ponte Preta. Você é convidado especial. Reunião ordinária hoje, a 4ª reunião ordinária, a partir das 6 da tarde. Muito bem, vamos lá com mais uma informação para você. O Jardim Nova Europa recebe edição junina da Feira RIP itinerante no dia 26, né? Portanto, amanhã, então, a Feira RIP itinerante de Campinas está promovendo uma edição especial junina na Praça Américo Buffo, no Jardim Nova Europa, região sul da cidade. O evento acontece das 4 da tarde até às 10 da noite, reúne mais de 35 expositores e oferece uma programação cultural e gastronômica para toda a família. A entrada é gratuita e a feira vai ter delícias típicas da festa junina, aquele pastel, milho verde, doces caseiros, o tradicional doce de abóbora, entre outras opções, né? Também eh o público pode visitar barracas de artesanato e artigos diversos, todos feitos por produtores locais. Lembrando que a trilha sonora fica por conta de músicas caipiras e sertanejas. A feira, gente, é organizada pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e reúne trabalhadores cadastrados no programa Municipal de Economia Criativa. As próximas datas vão ser divulgadas no nos canais oficiais da prefeitura. Estão previstas aí para vários pontos da cidade de Campinas. Previsão do tempo para hoje, quarta-feira, dia 25. Olha, hoje o tempo está com sol, depois vem chuva, depois vem nublado. Então tudo é um dia só, né? Deve ser de sol, pancadinhas de chuva isoladas em alguns pontos da cidade e períodos de céu nublado, mínima 17, máxima 25º. Essa é a previsão do tempo, de acordo com o climatempo para a nossa metrópole. Muito bem, informação e previsão do tempo. OK. Agora a gente retorna ao nosso tema central e a gente fala e pergunta, né? Qual que é o limite da individualidade de uma criança no momento da criação? Uma questão que gera muitas dúvidas e debates e a gente sabe que a lidar com limites é importante, mas aplicar isso no dia a dia é delicado. E para ajudar a gente refletir sobre essas questões, a gente trouxe dois especialistas. Aqui comigo no estúdio está a Viviane Secato. Ela é neuropsicopedagoga, psicanalista, já esteve presente em vários programas aqui da TV Câmara Campinas, nossa parceira Viviana. A gente agradece a sua disponibilidade mais uma vez por estar com a gente aqui para tentar nos ensinar hoje sobre a criação dos nossos filhos. Bom dia. Bom dia. Eu que agradeço. É sempre bom estar aqui com você, Rúbia. A gente sempre faz uma discussão super proativa que vai ajudar muitas famílias aí com as suas crianças. maravilhosa. Obrigada pela parceria e pela participação. E olha só, pelo Zoom nós vamos receber o Afonso Antônio Machado. Ele é psicólogo de terapia cognitivo comportamental, também ex-presidente da Sociedade Brasileira de Psicologia do Esporte, está com a gente pelo Zoom. Olá, bom dia, seja muito bem-vindo. Muito obrigado, Rúbia. É um prazer estar com vocês. É a primeira participação no programa. Espero que é a primeira de muitas e fico feliz de estar dividindo o espaço com a Viviane e tenho certeza que nós teremos muita coisa a conversar. Maravilha. Pode ter certeza. Sim. É a primeira de muitas que a gente precisa de profissionais especialistas como vocês para nos orientar, né? Para nos dar aí um ponto de partida em várias eh eh faces da vida. E a gente fala de comportamento. Quando a gente fala de comportamento, a gente já traz aí essa relação entre pais e filhos, né? Eh, e hoje é o nosso tema. E eu pergunto paraa Viviane, do ponto de vista da neuropsicopedagogia e da psicanálise, Viviane, como é que você vê a relação entre a individualidade da criança e a necessidade dos limites? Olha, falar sobre limites é primordial. A criança é um ser individual, mas ela tá aprendendo, ela tá crescendo, ela tá experienciando o mundo. E a gente como adulto tem que ajudar ela a vir a ser um indivíduo funcional, né? Um indivíduo que nos ajude, ajude a sociedade a ser melhor. Então estabelecer limites assim não tem negociação. A gente não pode simplesmente falar: "Não, não vou fazer isso". A gente vai fazer um desfavor à sociedade, à criança, à família em geral. Se a gente não trabalhar limites com essas crianças. Uau, né? E limite serve para toda a vida, mas quando a gente fala de criança fica um pouco mais delicado, porque às vezes a gente dói mais na gente do que neles, né? O tal do limite. Aí eu pergunto pro Afonso, né? Como você eh eh qual que é a sua consideração inicial, Afonso, sobre a importância do limite e da frustração pro amadurecimento das crianças sobre essa perspectiva? perspectiva, aliás, da terapia cognitivo comportamental. Pois é, Rúbia, eu diria para você assim, é um casamento muito claro entre a minha fala e a fala da Viviane, porque é é óbvio, nós precisamos de ter sim esse equilíbrio sempre e nós temos que lembrar de duas situações que são devem ser muito bem observadas. A primeira situação é a situação do limite. A segunda situação é a situação da autonomia. Existe um ligeiro, uma ligeira confusão entre autonomia e limite, porque algumas pessoas, alguns pais, alguns eh adultos entendem que o autônomo não tem limite e é exatamente o contrário. Ele é tão autônomo porque ele consegue respeitar os limites. Então, o limite é um caminho paraa autonomia. Não há eh como bem disse a Viviane, não dá pra gente pular essa etapa e não dá para nós eh protelarmos eh o limite para um outro momento. Então o limite agora, ele tem que ser estabelecido e ele tem que ser cumprido. Dói na pele. Uhum. corta a carne, mas ele estrutura o adulto futuro. Maravilhoso, Afonso. Realmente dói na pele, sim, porque são nossos filhos, são as nossas crianças. E aí a gente tem aquela premissa. Vou fazer eh eh para ele o melhor, né? Mas às vezes o melhor é dizer não, né, Viviane? E como é que a gente lida com essa questão de falar não para as nossas crianças e o a aceitação do não, tanto para nós adultos, né, quanto para as crianças. Como é que a gente lida com isso? E a importância do não é muito importante, né? falar não, eh, e aprender a ouvir o não é muito importante. Quando eh vocês estavam falando, né, sobre dói na carne, a gente colocar limites e regras, dói mesmo. Por isso que um dos conselhos que eu dou aos pais é: cuidado com as regras que você está colocando, cuidado com os combinados que você está fazendo, porque se você combina uma coisa que depois o seu coração não vai conseguir fazer com que você cumpra Uhum. você perdeu a rédia dessa educação. Então, eh, dê regras e limites que você vai sustentar posteriormente. Essa é a primeira regra. Eh, então, se você falou não, então cuidado inclusive quando você fala um não, porque às vezes a gente fala o não automático para essa criança e aquele não, de repente não precisava ter sido um não. Então, também cuidado. Será que precisa ser um não agora? Será que eu não poderia ser um pouco mais maleável nesse sentido? e dar uma outra resposta para essa criança. Às vezes a gente fica viciado em falar não. Então qualquer coisa que a criança nos peça, nos solicite, é não, não, não. Porque e se você falou não, você vai precisar manter o não depois. Então e esse limite também até do do que a gente está impondo, falando, ensinando, a gente tem que tomar cuidado com a gente mesmo. É verdade, né? Porque você pode dizer não agora, mas aí daqui a pouquinho, num curto prazo de tempo, a criança vem, te pede a mesma coisa. Aí você diz: "Sim, isso vai causar nessa criança uma confusão, uma certo um certo tipo de confusão, não é, Afonso?" Ô Rúbia, mas veja só, se nós seguirmos o pensamento que a Viviane está liderando a fala, né, por por estar trabalhando primeiro a mensagem, a gente vai lembrar do seguinte, eh, é muito claro, se é não para o outro, é não para mim também. Uhum. Agora, se o não para o outro não for o não para mim, cabe uma explicação. Por que eu não tenho que seguir essa regra? Porque a criança vai perguntar para nós: "Ué, mas eu não posso e como você pode?" Então, quando nós estamos diante de uma situação dessa, para que ela não seja tão traumática, é necessário que o exemplo do adulto seja um exemplo muito justo, muito claro, muito regrado em primeiro lugar. Uhum. A segunda coisa é a tal questão da flexibilidade. Talvez seja não agora no período da manhã. Eh, agora de manhã você não pode nadar, a piscina está fria. Se você for para uma academia com uma piscina de água aquecida, você poderá nadar. Caso você esteja resfriado, você não pode nadar nem aqui, nem na água aquecida. Então essa flexibilidade ela tem que ser bem eh bem colocada, bem exposta. E diante disso a gente consegue criar um equilíbrio para a autonomia, porque a própria criança vai aprendendo a caminhar, ela vai aprendendo eh eh aonde pisar, quais são os próximos passos. Eh, eu não posso até aqui eu posso avançar porque se nós formos pensar na autonomia, a autonomia me leva aos avanços do limite. Agora, isto tudo é testado e isto tudo é muito bem solidificado. Cada vez que o adulto eh vacila na sua negatividade, negou, não vai, não pode. Eh, isto não pode acontecer. e existe a possibilidade de se burlar a regra, nós começamos a sair da autonomia para entrar na permissividade. Uhum. Esse é um grande problema que nós vemos no momento atual. Exatamente, né? E aí, crianças livres ou sem limites? Essa é a pergunta que paira no ar. Agora, eh, Viviane, o papel da escutativa nessa criação, né? E e nessa nesse limite de liberdade? Oi. Sim. Me permite porque assim, olha, ela pode ser livre com limites. Sim. Ela pode ter autonomia com limites, que é o que todos nós temos. Nós somos autônomos, nós não podemos matar, não podemos roubar. Então são limites. Então a nossa autonomia ela é balizada por alguns limites. O que acontece é que alguns pais, alguns educadores, eles se perdem porque a hora que eles permitem tudo, então a permissão de tudo é o caminho paraa permissividade. Aí aí não tem nada. Exatamente. Exatamente. Essa questão, né, de ser pai e mãe, principalmente agora. Eu acho nessa nessa geração que está vindo eh nessa forma de se viver bem diferente de anos atrás, hoje a gente tem todas as informações, eh é tudo muito no automático e aí a gente acaba querendo oferecer tudo, né? E tem também a questão de oferecer tudo, porque a gente precisa que a criança ela esteja com a mente ocupada para que ela nos deixe trabalhar. E aí não se tem uma escuta, mas quando eu digo quando eu digo escuta, é uma escuta ativa, não entrar por ouvido e sair pelo outro. Então, Viviane, qual que é a importância da escutativa na criação eh dos filhos e principalmente eh nesse tema que a gente tá lidando hoje, né, que é a questão eh de equilíbrio de autonomia, de criança com limites, de autoridade na criação dos filhos. Ah, é super importante, tem tudo a ver que o Afonso falou, super concordo com as pontuações dele. Eh, essa escutativa, eh, nada mais é do que você não ter a aquela autoridade, eh, ser autoritário, na verdade, como pai e como mãe, mas você abrir a conversa, né? Então, você, a criança te pediu, vou pegar o exemplo que ele mesmo nos deu, eu quero nadar e você vai lá e conversa. Olha, você não pode nadar porque hoje está frio. Você não pode nadar porque hoje você está gripado. Ah, mas eu quero. Eu entendo. Me fala o que você tá sentindo. Você tá, você tá chateado por causa disso. Então você abre essa conversa. Ah, eu tô muito chateado. Eu também ficaria chateado, né? O pai pode ah replicar. E aí você vai e costurando essa conversa. Eu entendo o seu sentimento, eu valido o seu sentimento, mas a minha resposta por enquanto vai ser: "Não, daqui a dois dias, quando sua gripe melhorar ou quando o frio passar, eu vou tentar te levar para nadar novamente, né? Eh, mas eu entendo a sua frustração. Me fala mais sobre ela, vamos conversar sobre ela. Se você tá querendo chorar, não tem problema. estou aqui do seu lado para te dar esse conforto. Eh, então eu não estou sendo autoritário, eu estou ouvindo ativamente e conversando e dialogando com aquela criança independente da idade dela. E é só que aí a gente não tem tempo, que é o que você falou, eu tenho que trabalhar, eu tenho reunião, né? Eu tenho que entrar eh eu tenho no que no dentista. Como que eu faço? Você tem que dar um jeito na sua vida. você quis ter filhos, né? Foi uma opção sua. Normalmente é uma opção. Eh, você vai ter que arrumar esse tempo dessa conversa, dessa escuta, desse acolhimento, porque senão você não pode jogar pra escola fazer isso. Viviane, vamos conversar nós dois. Claro. Olha que lindo. Eh, Rúbia, olha que lindo o que a Viviane falou. Na verdade, a gente atualmente, hoje, hoje especificamente está muito modernoso a escuta ativa, mas a escuta ativa me remete a um diálogo ativo, porque assim como eu estou com meu ouvido pronto para te ouvir, você também deve estar com o teu pronto para me ouvir. é a questão do acolhimento, que me parece que atualmente a gente tá distanciando e não está atendendo, não está atingindo ao tal acolhimento. No exemplo brilhante que a Viviane acabou de dar, veja que interessante, eu estou distante de casa, eu tenho que emitir ordens. A escuta ativa vai funcionar muito pouco, porque a ordem vai funcionar por aqui, quando muito, por aqui. Uhum. Então aí é assim: "Ah, eu posso tal coisa?" Não, eu posso ir em tal lugar? Não é não, não, não. Então não dá para nós termos eh nem a possibilidade de pensar numa escuta ativa. Nós temos uma brincadeira de estímulos e respostas, certo? É, é posso, não quero, não vou, entende? Então é um pingpong. Isto eh não possibilita uma flexibilização. Para nós adultos, é razoável nós termos o entendimento do conjunto para o jovem, para o jovem, não somente para a criança, eh, em formação, em crescimento, em desenvolvimento. E isso não dá tempo dele processar todas essas informações. Ele processa as negativas. Não pode, não quero, não vai, não terá. E dessa maneira o que nós vamos ver, nós vamos ver que são dois caminhos que geralmente são propostos. ou não pode nada, ou pode tudo. Então, nós temos ou uma criança totalmente eh abafada, diminuída, limitada nos seus quereres, nos seus desejos, ou uma criança com uma liberdade excessiva e com pouca responsabilidade. Então vai caber aos pais uma cartilha interna, né, que faça com que ele tenha um modelo bom, um modelo razoável e flexibilizado para que a tal eh eh educação em desenvolvimento em processo seja equilibrada e que leva a autonomia. Caso contrário, não teremos essa autonomia. Poxa vida, né? É delicado, não é não. A linha é tênue para você errar a mão. Sim, né? Entre falar muito não ou ser permissivo demais. É isso mesmo. A linha é muito tênua e a gente tem que tá sempre tomando cuidado e fazendo essa autorreflexão de como que eu tô fazendo isso. Ô Viviane, e lembrando que a dose do xarope não é a mesma situações. É isso mesmo. Não é? Eh, tem que cada família é um universo, né? Cada criança é um universo, porque a gente hoje a gente tem as crianças típicas e as neuroatípicas, inclusive a gente não pode esquecer disso. Então, todo o contexto precisa ser analisado. Se você tá falando de uma criança neuroatípica que vai entrar num chilique, por exemplo, o não vai ter que ser muito mais cuidadoso. Se você tá longe, essa criança tá sozinha e você fala: "Não, é uma criança que bate a cabeça na parede", será que você vai poder falar esse não? Talvez. você vai ter que mudar a estratégia. Ô Viviane, então novamente o batebola entre nós dois e o que, desculpe, mas é o que é interessante, não é? Nós já estamos chegando na geração de pais também atípicos, não é? Então aí também temos os pais que têm o gelique que batem a cabeça na frente da criança. Numa situação dessa, se a gente for tirar dos os nossos livros de estudos, né, a teoria da reprodução do Albert Bandura, a criança tá aprendendo com o pai aquele chilique, né? Ah, eu não vou não vou poder. Nós havíamos pensado umas férias na Disneylândia, não vamos poder ir. Daí os pais tilique porque não vão poder ir. E a criança assistiu ao clique. Obviamente que quando a criança pedir um tênis que não receber, vai ter o mesmo chili que ela já aprendeu. Aquele é o modelo. Muito bem, Afonso e Viviane. Olha só, né? Que dobradinha. Quanta informação pra gente aqui no nosso estúdio Câmara. a gente falando sobre até onde vai aí o respeito à individualidade infantil, regras, autoridade, né, na criação dos nossos filhos. Agora eu gostaria de pontuar a questão da superproteção, né? Essa super proteção que os pais têm com os filhos, ela está relacionada a anseios e ansiedades ou então a crenças limitantes eh dos próprios pais. É isso que eles passam para os filhos quando eles eh decidem ter um filho e vou super proteger. Por que essa super proteção e até que ponto, Viviane, essa super proteção, ela é benéfica paraa criação? Excelente pergunta. Eh, indo pelo viés psicanalítico, já que eu sou psicanalista, eu posso dizer que muitos pais fazem projeção nos seus filhos. Uhum. Eh, então traumas que eles passaram que não foram resolvidos, situações que eles queriam que tivesse sido diferente na vida deles, eh, que não foi, a hora que chega a vez do filho, eles não querem que o filho passe por questões que eles passaram. A gente sempre ouve, cortando você aqui, mas sempre ouve, eu vou fazer pro meu filho que não foi feito para mim. Eu já ouvi isso muitas vezes de várias pessoas. Eu apanhei tanto que eu não vou bater. E não é para bater mesmo, mas é só um exemplo, né? A minha a era tão, a, meus pais eram tão violentos verbalmente comigo que eu não vou gritar, né? Os meus pais negavam tudo, então eu não vou negar nada pro meu filho. Não pode fazer isso, senão a gente vai ver exemplos como houve, eu acho que foi essa semana ou a semana passada que um pai invadiu uma apresentação de crianças porque uma criança estava pegando no pé do filho dele, uma criança específica e ele foi lá chacoalhar aquela criança que estava o filho dele. É. inaceitável. Olha o exemplo, é o que o Afonso falou anteriormente. Eh, olha o que que o que que o esse filho tá aprendendo com esse pai. Então, porque a criança estava sendo oportunada, o pai vai lá defender e vai tirar satisfação com uma criança de 4, 5 anos. Isso não pode existir, né? A gente tem que tomar muito cuidado. Eh, e exatamente novamente comentando o que o Afonso falou, eh, olhe os seus atos. Olha o que você anda fazendo, porque o seu filho é uma esponjinha e ele tá absorvendo tudo que você fala. Ele observa, ele vê e ele guarda e depois ele replica. Então, cuidado com as suas atitudes. Olha aí, né? É importante a fala da Viviane, porque às vezes você nem tá percebendo, mas o filho tá de olho em tudo que você tá fazendo. E aí ele tem uma atitude, você vai criticar a criança e de repente você pode se deparar com uma criança falando para você: "Mas você fez porque você pode e eu não posso". Né? Agora Afonso, a questão da super proteção, ela impacta muito na saúde mental da criança, né? pelas pela fala da Viviane, esse impacto ele é muito presente quando existe uma super proteção. Rúbia, eu queria dar os parabéns a você pela maneira como você está conduzindo o nosso diálogo, mas eu acredito que tanto a Viviane está eh me eh excitando a lembrar de coisas, como a minha fala leva a Viviane a excitar eh alguns pensamentos, o que é lógico nisso tudo, porque eu diria assim, o grande problema primeiro da da pergunta anterior que você fezane fica parada na situação de que nós vivemos uma outra época. Os nossos filhos não são da nossa época. Uhum. Certo. Então, a cada vez que eu tenho uma mudança de época, eu tenho uma mudança deumes. O que é natural, o que é lógico, é a evolução natural da humanidade. Então, diante disso, os perigos são outros, certo? Porque, por exemplo, a minha a minha adolescência, minha infância e adolescência conviveu com o LSD e com a maconha. Isso hoje já não é nada diante do que nós temos de drogas, certo? eh eh crimes eh de grande perversidade, a gente não tinha noção. Hoje nós temos plena noção que as coisas estão acontecendo à luz do dia aos borbulhões. Então é uma outra sociedade, é uma sociedade que cobra de mim culto um limite diferente daquilo. Veja, eu adulto, eh, eu adulto idoso, já tenho limites que eu não tive na minha adolescência, na minha idade adulta. Então, obviamente que as crianças que estão chegando estão sendo trabalhadas, estão sendo eh educadas de uma maneira tal que elas enxerguem a problemática existente, percebam qual é o limite e que busquem a sua autonomia diante desse limite. Certo? Agora, vindo paraa tua questão, eh, é interessante, sim, claro que muito, um excesso de limite vai me trazer um conjunto de frustrações e traumas, lógico, mas isso será comum a todos. Nunca teremos tudo que nós queremos. Agora, no processo educacional, no processo de formação desse desta criança, desse jovem, esse desenvolvimento vai fazer vai fazer com que os seus domínios afetivos, psicomotores, cognitivos, espirituais tenham centrados aquilo que é cabível neste momento. Então, algumas coisas serão perceptíveis que não é cabível, que não pode, não dá, que não é o momento, o que de uma certa forma facilita o entendimento da negativa, certo? Que deve abrandar este processo eh traumático. Uhum. Mas eu creio pessoalmente, e daí eu ficaria eh num diálogo mais fechado com a Viviane, que a questão da autonomia e a questão da autoridade dos pais é uma coisa ser vista com mais cuidado, em especial porque os pais estão se descarazando da sua função de pai e me desculpe da sua função de adulto, o que faz com que com que a sua autoridade fica duvidosa, porque ela é dúbia. Uau! É isso, Viviane. Perfeito. É isso mesmo. Eh, tem pai e mãe que não deveria ter filho. Poxa, vida. Eles eles deveriam tomar eh fazer algum curso parental, eles, né, fazer terapia, né, Afonso? para se tornarem melhores indivíduos para estarem prontos para exercerem essa capacidade parental. Exal em especial, porque veja, eh, gozado quando a gente vi aquele agora, não mais que não tenho localizado na televisão, mas aquela senhora que faz o papel de psicóloga e que vai na casa da família que certo, na verdade, ela vaiar o pai, ela não vaiar as crianças. Eh, e a Viviane deu experiências e exemplos que caem, né, de tantos, de tão grande que são, de que, na verdade, o problema não está centrado na criança, está centrado na desatenção, na falta de autoridade, na falta de regras do pai, da mãe. Eh, Rúbia, só presta atenção numa coisa interessante. O pior dos mundos. O pior dos mundos. Mãe, posso ir à balada? Pergunta pro teu pai. Daí vai lá. Pai, posso ser abalada? O que a tua mãe falou? Pronto, já desorganizou tudo. Nem regra, nem autonomia, nem autoridade, nem nada. É sim. Sim. Não, não. Dói, dói. Mas você deve ter os teus motivos. Como disse a Viviane no começo da nossa fala, você sentou e conversou, por que não? Não conversou, você só deu a regra, uma regra sem explicação. Ela não é autoexlicativa. E isso não é autoridade, isso é autoritarismo. Muito bem. Nossa, quanta fala aqui. Eu fico só olho para um lado, olho pro outro, olho para um lado, olho pro outro, porque assim, é magnífico ver vocês dois conversarem e e traçarem assim um um caminho. a gente fica analisando pela fala de vocês que realmente tem pessoas que não estão preparadas para a educação de uma criança e principalmente eh na modalidade da educação de hoje, que é bem diferente da época com que eu fui educada. E hoje nós temos telas, nós temos, eh, infelizmente uma exacerbação aí da questão da saúde mental, porque as crianças estão sim ficando, né, eh precisando de mais terapia, precisando de de um psicólogo, às vezes um psiquiatra, mas se a gente for parar para analisar, a criança não vai na loja comprar a tela. Se a gente for parar para analisar, a criança, ela vem para esse mundo sem nenhum tipo de problema, né? Ela vem para ser lapidada. E aí, com a fala de vocês, me fez pensar isso. Quem que vai lapidar essa criança? Somos nós, os pais e as mães. Então aqui a gente tá falando como equilibrar autonomia, regras, autoridade, uma criança se sentir livre, uma criança ter limites. Mas pera aí, se a gente parar para pensar, não é sobre a criança, é sobre os pais. Vocês, eu acho que abriram aí um ponto de luz muito interessante para mim, né? Eu tenho uma filha de 27 anos, eu vou falar que eu fui assertiva na criação dela. Eu tive uma criação assertiva também e hoje eu vejo que eu fui assertiva na criação dela, porque eu criei uma mulher que hoje ela tá pronta paraa vida, mas até que ponto eu fui assertiva? Até que ponto eu estabeleci limites e o que eu privei dela, né? buscando eh analisando ela já num futuro e de repente não deixando ela viver aí o tempinho dela, aquela aquela coisa gostosa da criança. Pode ser que eu tenha errado, né? Mas hoje eu vejo que legal, ela tá mulher formada, beleza, mas eu errei em algum momento. E você aí de casa já parou para pensar como que é o futuro que você vê na criação do seu filho? E aí a gente tem costume de falar: "Essa criança não para, não é esse menino. Mas será que é o menino mesmo? Nossa, maravilha, maravilhosa. E essa essa colocação de vocês, Afonso, eu acho que abriu aí um um leque muito grande pra gente parar e pensar se realmente são as crianças ou são os pais que estão precisando aí de uma educação assertiva. Veja só o negócio, Rúbia. Eh, eu eu queria dar os parabéns à Viviane pela pelas frases brilhantes que ela está colocando, porque ela está me excitando a lembrar de outros fatos. Na verdade, quando a gente pensa no respeito à individualidade infantil, não são os pais que estão ajudando a ajustar a individualidade infantil? São as telas, infelizmente são as telas. Por quê? Porque a criança com do anos tá no bercinho com o celular brincando. Ah, ele fica vendo a pepa. Ah, ele fica vendo o desenhinho. E cadê o pai? Cadê a mãe? Em que momento vai mudar a tela? Certo? Então são coisas muito interessantes. E eu diria assim, eu não sei se a Viviane conhece esse livro, A Fábrica dos Cretinos Digitais. Uau! Conheço sim. Olha, esse livro, esse livro fala sobre os perigos das telas para nossas crianças. Uhum. E num determinado momento eu entrei em contato com a editora e eu comprei um lote de livros. E daí, Viviane, eu passei a dar o livro pros pais e o que aconteceu? Alguns pais tiraram os filhos da terapia. Poxa vida. Eu pensei que ele ia dizer: "Tiraram os filhos das telas". Pois é. Não foi. Não foi. Não tiraram os filhos da terapia. Por quê? Porque não dá para ah, eu trabalho fora, meu marido trabalha fora. Não dá para deixar ele sem o celular. Então são opções. Eh, Rúbia, foi a tua primeira pergunta. Quem perdeu o limite? Os pais perderam o limite? Eu queria acrescentar, eh, realmente assim, é sobre os pais, é muito sobre os pais, mas a gente não pode esquecer de que esses pais foram crianças, que esses pais têm uma história, né? E essa história moldou este pai e esta mãe. E ele tem que honrar essa história, mas ele pode a qualquer momento mudar essa história também, né? Procurando especialistas, procurando ajuda, procurando um terapeuta, um médico. Mas também se a gente falar pro pai começar a chicotear as próprias costas porque tudo é culpa dele, a gente invalida a história do próprio pai. Perfeito. Então, o pai e a mãe precisam também ser acolhidos, eles precisam ser escutados. Eu faço muito isso. Às vezes em consultório, eu peço que não venha a criança naquele dia, chamo os pais, acolho esses pais, escuto o por que aquela família chegou naquele ponto, que que aconteceu com esse pai, que que aconteceu com essa mãe ou às vezes, né, o que aconteceu alguma tragédia já com eles casados para eles ficarem então eh super protetores, perderam alguma criança, eh, e aí ficaram super protetores. Então, a gente tem que entender da onde vem isso, fazer esse acolhimento e ajudar esse pai a mudar essa história, né? Depois eu quero falar sobre tela um pouquinho também, mas eu vou jogar de volta pro Afonso isso, que eu sei que ele vai querer pontuar, porque eu acho que não vamos também massacrar tanto esses pais, né? Vamos tentar acolher. Exato. Sim. E é exatamente isso, Viviane. O grande problema é assim: o que houve para que houvesse o desequilíbrio? né? Então, em que momento houve o desequilíbrio? Em que momento houve a ruptura de alguma coisa que vinha caminhando, vinha flexibilizada, vinha vindo para autonomia, com regras saudáveis, com uma autoridade eh é adequada, né? que o problema é sempre adecaução, é a gente lembrar que a gente sempre lembrar que nunca tem o certo totalmente certo e o errado totalmente errado. Existem lampejos de situações que nós temos a nítida impressão que está adequada, mas é adequado. Então, em que momento perdemos a adequação? Porque evidentemente que eh alguma coisa aconteceu para que a gente saísse daquele locus que estava tranquilo para nós. E a partir de então passamos a ter uma atitude um pouco mais, eu brinco, um pouco mais de sentinela, não é? Um pouco mais eh uma conduta de controle mais rígida. E aí a gente perde a naturalidade. Concordo plenamente com a Viviane. Inclusive diria que terapia não é apenas para filhos. Uhum. Terapia é para todo mundo, independente de ser pai e mãe. Todos. Todos deveríamos estar no processo terapêutico. Super. Concordo com Afonso. Eu também. Mundo seria melhor. Cada dia que passa concordo mais, né? Porque assim, a gente traz eh eh temas sobre comportamento humano aqui no programa. a gente tem sido muito assertivo eh com os nossos convidados, que todos vêm contribuem e e traz informações assim magníficas que ah ajudam, né, a melhorar aí a nossa qualidade de vida, o nosso dia a dia. E cada dia que passa, eu tenho mais certeza. Todos nós precisamos de terapia, porque a terapia, na verdade, é você eh buscar um autoconhecimento e dessa forma você entender como lidar com aquela situação que você está vivendo. Então nós temos aqui professores, na verdade, né? são professores que nos ensinam a lidar com a nossa vida, com o nosso dia a dia. E hoje a gente fala eh da educação dos nossos filhos e dessa individualidade infantil, dessa autoridade dos pais, eh dessa questão aí da da super proteção. E aí a gente cai para o celular, né? A gente cai pras telas, o celular, o computador, enfim. Ah, eu gostaria que você pontuasse aquela questão eh sobre o o celular paraa criança, né? o que que isso vai impactar eh na questão da individualidade, na questão das regras, da autonomia e da criação desse pequeno que já nasce, entre aspas, né, com um celularzinho na mão. Exatamente. Eles nascem com o celular na mão. Eu vou te dar um exemplo do que aconteceu logo após a pandemia. Uhum. Começaram crianças que não que nasceram na pandemia, então elas chegaram com um ano e meio mais ou menos e elas ficaram presas em casa, os pais em home office trabalhando e ficaram na frente da televisão ou com o celular e o tablet nas mãos dessas crianças e elas não aprenderam a falar. Então começou a aparecer uma, duas, três, uma dúzia de crianças mudas e muito pequenas. Eu nem trabalhava com crianças tão pequenas, mas como eu trabalho com autismo, criança não fala, deve ser autismo. Começou a chegar para mim, falei: "Tem alguma coisa errada, eu não vou fazer rastreio de autismo porque eu saquei que tava algo muito errado." E aí eu comecei a falar o seguinte, falei: "Olha, eu não vou fazer nada. Você vai, agora que a pandemia já está melhor, você matricule numa creche, numa escolinha, vai começar a socializar essa criança e vamos ver o que que acontece. Se uns dois meses a criança não começar a falar, você volta. Uhum. Ninguém voltava. Raríssimos foram os que voltaram. Então eu tô falando de uma situação, de uma época muito diferente, que eu espero que a gente nunca mais passe, mas que a tela fez com que a criança tivesse sintomas autísticos, então ela ficava se balançando, ela ficava irritada, ela não falava, ela ficou muda. E na verdade foi falta de estímulo. Então essa é primeiro ponto sobre tela, né? é um exemplo que eu acho que vale a pena a gente pensar. Segundo é que o córtex pré-frontal das crianças, ele está em pleno desenvolvimento. Na verdade, ele é desenvolvido até os 24 anos, mas na primeira infância de zero a seis é uma evolução muito grande. Ela precisa de estímulos de todas os aspectos. Então não pode ser estimulada somente no visual. Ah, e a gente às vezes nem sabe o que elas estão vendo no celular, porque nem sempre a mãe e o pai estão ali acompanhando ou nem sempre colocam um controle parental, né? Então fica a dica também, por favor, coloquem controle parental, aplicativos de controle parental para você não deixar com que essa criança acesse qualquer site, vá qualquer lugar e veja qualquer coisa. E também pode eh limitar o tempo de uso. Então você imagina uma criança que está em pleno desenvolvimento cerebral vendo coisas que a gente nem sabe o que ela tá vendo, né? É, é, são estímulos demais, prazeres demais e vai amaciando errado esse cérebro. Não, não vai dar muito certo isso. Poxa vida. E aí vem o vício tecnológico. Aí vem o vício tecnológico, né? É vício, né? São consequências aí das nossas atitudes, né? e que a gente precisa analisar e muito bem, eh, principalmente nessa questão do celular paraa criação dos nossos filhos, né, Afonso? Ô, Rúbia, olha que interessante, que bonito, eh, esta fala da Viviane. A Viviane fez para nós um recorte no tempo. Uhum. Não é? Porque veja, hoje, eh, Viviane, atualmente eu trabalho com psicologia do desenvolvimento e na faculdade de psicologia e eu supervisiono estágios e olha que maluco que é. aparenta que todos os nossos eh alunos que chegam no estágio, eles entendem que, ah, eu penso assim por causa da pandemia, então é um corte no tempo. Uhum. Realmente é um fato. Porém, o estagiário quando teve o advento da pandemia era adolescente. Então, todo e toda a marcação que a pandemia trouxe na vida dele não foi tão sensível quanto ao da criança, porque a criança teve uma educação totalmente norteada por conta do mundo pandêmico, que é isto que a Viviane falou. As crianças mal ouviam e mal falavam. E nós vivemos essa segregação, esse holocausto, este campo de concentração por longos do anos. Eu me lembro que na Unespar dentro do campus no terceiro ano, quando o governador liberou com todas as restrições, máscara, distanciamento, é a sala de aula totalmente espaçada. já no terceiro ano. Então, veja, isso trouxe uma lacuna na humanidade. Uhum. Então, a humanidade sofreu isso. Estes resquícios nós vamos ver daqui a pouco. Hoje está chegando para nós no vestibular os jovens que foram adolescentes ou o início de pré-adolescência no momento pandêmico. Isso traz sim traz um comportamento diferente. Eu tenho um outro tipo de pessoa. Obviamente que eu tenho pessoa, pessoas com autonomias diferentes, com regras diferentes, com visão de autoridade diferente. E lógico que nós não podemos e enxergar que isto é uma geração que espontânea, porque eles têm pais e esses pais também têm nova autonomia, nova regra e nova autoridade. Como bem disse a Viviane, todos nós, todos nós, sem exceção, eu creio que o pior dos seres humanos espera nunca mais viver um momento pandêmico, porque foi caótico e trouxe na nossa sociedade este desarro. Então, esse desarranjo é um desarranjo cultural fruto da pandemia. E aí, então, o que acontece? as telas eh multiplicam-se a 1000 porque era a maneira que nós tínhamos de nos contatar. Perfeito, né? Perfeita pontuação. Agora, eh, aí hoje estamos vivendo aí um, entre aspas, um novo normal. As telas estão nas mãos das crianças, né? Nós trouxemos isso da pandemia, assim, porque, como disse o Afonso, isso se aperfeiçou, né? A gente só podia se comunicar com as telas e foi assim que aconteceu. E em toda ação tem uma reação. Se eu me comunico com a tela, o filho também quer se comunicar com a tela. E é assim que estamos vivendo hoje. Agora, essa comunicação com a tela esconde aí um excesso de liberdade, né? Agora, esse excesso de liberdade, ele pode gerar eh na criança um sentimento de abandono ou falta de referência, porque a liberdade é boa. Mas até que ponto? Nossa, meu pai me deixa tão minha, meu pai, minha mãe me deixa tão assim livre. E será que é assim mesmo, né? É uma falta de de cuidado. Pode gerar na criança essa essa questão, essa falta de pertencimento, essa eh um abandono assim? Sim, pode gerar n emoções e sentimentos aí porque a criança fica desconectada com a própria família, né? Ela fica tanto dentro do próprio quarto jogando um videogame ou dentro do celular, né? Isso, crianças e adolescentes, a gente tá perdendo as os nossos adolescentes pro quarto. Exato. O quarto, a gente não pode nem entrar no quarto desses adolescentes. Eles quarto, tem tudo lá. Aí eles ficam, eles comem lá, eles ficam por lá, diz que estuda, que a gente não sabe se estuda, a gente não sabe com quem eles estão conversando, a gente não sabe com quem e eh eles o que eles estão vendo, como estão vivendo, na verdade. Então, há uma desconexão e sim um um sentido de não pertencimento, porque primeiro que que essa criança ou adolescente acha que ele pode fazer qualquer coisa e segundo que a hora que ele tem um problema, cadê o referencial? Porque ele não tem aquele pertencimento, né? Porque não tem mais o vínculo familiar e e aí dá n problemas, né? Vai parar num consultório psiquiátrico. Muitas vezes a série adolescência. Sim. É um exemplo disso. Uhum. Verdade, né? Verdade. E era uma família razoavelmente funcional, o que é raro hoje em dia, porque a maioria das famílias não é tão funcional assim. E mesmo assim eles perderam aquele adolescente para dentro do quarto. Poxa, os filhos do quarto, né, é algo que a gente precisa sempre se atentar antes a gente pedir pras crianças eh na minha época assim para vir para dentro. A mãe saía no cair da no entardecer, né, no início da noite, vem para dentro tomar um banho, criança. E hoje a gente fala pra criança: "Vai para fora brincar um pouco, criança. Tempos modernos. Exatamente, né? as coisas vão se invertendo e a gente precisa estar atento, manter o nosso cuidado, buscar eh uma análise mais aprofundada de especialistas, como a gente tá fazendo aqui hoje, para virar aquela chavinha, para tentar ajudar a gente entender que a gente precisa reconectar, né, Afonso? Mas não reconectar com a internet, reconectar com nós mesmos, com os nossos filhos, né? Vamos, é o caminho que temos, não é? A grande questão, eu creio que seja, eh, Rúbia e Viviane, eh, a gente entender essa descaracterização, não é? Porque houve uma descaracterização. Eh, a gente, eh, perdeu a ideia ou a gente perdeu a vivência do pertencimento. Uhum. Né? Porque de uma maneira ou de outra, lógico, eu acho muito estranho ou eu não acho muito saudável também falar eh ter aquela conversa de no meu tempo, o meu tempo já foi. Quando eu tô em sala de aula, eu nem uso no meu tempo, porque eu tenho que formar os meus alunos, futuros psicólogos para daqui do tr 5 anos. Uhum. Então não é mesmo meu tempo. Meu tempo já passou. Eu estou na formação deles. Agora é interessante eu perceber que a própria leitura do vínculo parental mudou. Eh, então, houve uma descaracterização da família que levou a descaracterização do pertencimento. Aquele grupo social é um grupo de estranhos, né? Não tem aquele meme do no Instagram ou nos próprios res do Facebook. Eh, eh, estou sentado, uma pessoa com o celular, uma criança, um monte de adultos ao lado numa mesa jantando ou almoçando, sei lá, e ele diz assim: "Dizem para mim que eles são da minha família, mas quem são eles?" Nossa. Certo? Então, eh, quando a Viviane nos coloca da família funcional mais funcional da série adolescentes, realmente era uma família de uma certa forma até centrada. Mas veja o resultado é que chegaram. Agora imagine quando não tem regra alguma, quando não tem equilíbrio para autonomia e para a autoridade, o o descaminho que isso vai causar. Então é todo um conjunto. Muito bem. É todo um conjunto que a gente é um combo, né, que a gente precisa estar atento a todo tempo, né, Viviane? Olha só, eh, você que tá em casa, leve esse programa para mais pessoas. Quantas preciosidades os nossos entrevistados estão deixando pra gente aqui nesse momento, né? E que bom saber que você tá aí do outro lado e que está aprendendo, né, com com a as informações que eles estão compartilhando. E eu sinto informar, mas a gente já tá caminhando aí para as considerações finais. A gente pincelou um pouco, né? tem tanta coisa para ser abordada ainda, mas eu acredito que é um ponto inicial para você aí em casa dar uma olhada, uma analisada, assistir o programa, refletir um pouco e quem sabe se precisar você tem sim a ajuda de profissionais. Então, busca a ajuda de profissionais para eh te orientar caminhos que você deve seguir aí com a assertividade paraa criação dos seus filhos, que é muito importante. Eu quero agradecer a participação do Afonso, né, pela primeira vez aqui no no estúdio Câmara. Achei muito boa a sua participação, contribuiu muito com a gente. Eh, sinta-se convidado para mais vezes, sim, porque o nosso estúdio Câmara traz eh uma a uma abordagem eh um pouquinho diferente, né, para para os nossos telespectadores. A gente sempre pede para que tanto os entrevistados quanto os telespectadores se sintam em casa, né, no sofá de casa. e que o que a gente traz aqui é eh são temas que fazem parte do nosso dia a dia e é para isso que nós estamos, para compartilhar informação e para contribuir com uma vida um pouquinho mais descomplicada e você fez isso com muita destreza. nosso muito obrigada pela sua participação, considerações finais, por favor, Afonso Rúbia, eu diria para você uma coisa que de uma certa forma me toca. Me toca. E quando eu digo que me toca, eu estou falando do meu domínio afetivo. Por quê? Porque eu acredito, eu ainda eh, Viviane, eu ainda sou daqueles que acredito que tem jeito. Eu acho que dá. Eu acho que a luta não está perdida. Eu creio que dá certo. Nós temos chance de mudar as coisas. Óbvio que eu não terei crianças e adultos como nós tínhamos há 5 anos atrás, há 10 anos atrás, há 15 anos atrás, porque é o caminho da humanidade, certo? E quando eu digo que eu creio que há possibilidade, eu digo assim: "Hoje eu sou coordenador de uma clínica escola". A faculdade padre Ancheta, a Uniancheta, é uma, é um conglomerado muito grande. Em Jundiaí, ele está distribuído pelo Brasil. E quando nós falamos em clínica, escola, nós dizemos assim: "É o local de atendimento gratuito". Então, hoje não tem mais desculpa paraa pessoa dizer que não faz terapia. E fazer terapia não é cuidar de processos de loucura, é cuidar de processos de centralizar, equilibrar, adequar, melhorar essa historização da nossa vida. Então, procurem clínicas, escolas, os que não têm recursos financeiros para um atendimento psicoterápico. E aqueles que estão numa situação razoável, procurem as pessoas que possam ajudá-los, procurem psicólogos que ajudem a pensar na vida. Essa é a nossa função e eu agradeço a oportunidade e coloco-me à disposição para as próximas. Maravilhoso. Muito obrigada, Afonso. E você, Viviane, nossa parceira. Obrigada, né? Sempre muito sensata nas suas colocações e nos ajudando sempre a trilhar o melhor caminho. Muito obrigada pela sua participação. Eu que agradeço. É sempre um prazer tá aqui. Eh, concordo com tudo que o Afonso falou. Também concordo que sempre há jeito. Não precisa ficar do jeito que está, né? Ninguém nasceu, mãe e pai. que a gente aprende a ser mãe e pai no processo. Assim como você falou que teve acertos e erros na criação da sua da sua filha, eu tive acertos e erros na criação dos meus filhos. E só que o a diferença é se você percebe que não tá legal, pede ajuda. Então, dá para mudar essa história, dá para fazer melhor, dá para a gente entregar crianças melhores pra sociedade. É isso, gente. É disso que precisamos. É por isso que estamos aqui. E que prazer, né, receber profissionais tão especiais aqui no estúdio Câmara, eh, compartilhando informações, experiências e virando a nossa chavinha, né? Importante que o Afonso falou, clínicas, escola, você que de repente fala: "Ah, mas psicologia, né, uma terapia não é para mim". É sim, hoje em dia as coisas estão ness nesse quesito um pouquinho mais fácil. Então é importante a construção da individualidade da criança, gente, aliada a limites bem definidos, é um pilar para que ela se torne um adulto seguro, autônomo e capaz de lidar com suas complexidades, né? as complexidades da vila, da vida, aliás, não é sobre controlar, mas sobre guiar com afeto e com responsabilidade. E se você não conseguir, você pode contar com ajuda e está tudo bem, porque é por isso que nós temos profissionais especializados, cursos, né, especializados para quê? Para nos oferecer a ajuda que a gente precisa. Então não se frustre não. Se você não tá conseguindo, busque aí um profissional especializado, busque uma clínica escola e siga, porque como disse eh eh como eles dissem, né, pra gente, tanto a Viviane quanto o Afonso, há jeito sim, sempre tem jeito. A gente só precisa querer, buscar e seguir, tá bom? Agradeço a sua audiência, a sua companhia. Quero convidar você para continuar ligadinho aqui na programação da TV Câmara Campinas. Em instantes nós temos eh Câmara Notícia trazendo informações do Legislativo Campineiro para você. A partir das 6 da tarde tem eh a nossa reunião ordinária, né? E você pode participar ao vivo direto lá no plenário ou então fica ligadinho com a gente aqui na TV Câmara Campinas. Mais uma vez agradecendo aos nossos convidados Viviane e Afonso. Muito boa contribuição a você de casa. Grande abraço. Valeu, turma. Valeu, equipe da TV Câmara Campinas, pessoal do grupo Mais eh Comunicação que nos ajuda, né, a buscar, a trazer esses profissionais que trazem tanta informação preciosa pra gente. Beijo grande para você, fica com Deus e até amanhã com mais uma edição do Estúdio Câmara. É bem cedinho, é a partir das 8 da manhã, é ao vivo aqui na TV Câmara Campinas. Até lá. Valeu, [Música] [Música] [Aplausos] [Música]