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Olá, [Música] bom dia. Estúdio Câmara no ar direto dos estúdios da TV Câmara Campinas. Feriadão, hoje, feriado de Corpos Crist hoje, dia 19 de junho, quinta-feira. E você com a gente, né? É um prazer ter a sua companhia. Hoje nós vamos explorar um tema que une paixão, cultura e identidade. Como uma criança escolhe o seu time de futebol e um clube de qualquer outro esporte, como por exemplo o basquete e o vôlei. Em tempos de globalização em redes sociais, cada vez mais crianças optam por torcer por clubes internacionais, deixando de lado os times locais ou tradicionais da família. Mas o que está por trás dessa escolha? Para discutir esse fenômeno, já estamos recebendo os nossos convidados. estão conosco o jornalista esportivo Pedro Lino e também ele tá presente aqui no estúdio e a nossa psicóloga clínica e psicóloga do esporte, né, a Andressa Daniele Silvestre via Zoom e vai conversar conosco daqui a pouquinho sobre a escolha do time de futebol das crianças, do seu filho, da sua filha e a gente atualiza algumas informações, a previsão do tempo e já já a gente inicia o nosso bate-papo com os nossos convidados. Bom, vamos lá. Celebrações Corpus Cristinas. A Igreja Católica celebra a solenidade de Corpus Criste. Hoje, dia 19 de junho, a confecção de tapetes coloridos nas ruas, por onde passa a procissão, é uma tradição, né, gente? No Brasil, essa prática foi introduzida pelos colonizadores portugueses e é mantida viva por comunidades católicas em diversas cidades. Os tapetes são feitos com materiais como serragem colorida, borra de café, areia, flores e outros, formando desenhos que representam símbolos religiosos e passagens bíblicas. Na Arquidiocese de Campinas, a data será marcada por missas solenes, procissões e a tradicional confecção de tapetes coloridos, né, em diversas cidades da região, com destaque, gente, para a celebração na Praça José Bonifácio, em frente à Catedral Metropolitana, hoje às 4 da tarde. Mais informações você pode acessar arquidiocesecampinas.com. E temos informações para você de eventos, porque estamos em clima de festa junina, eventos culturais durante o feriado. Temos comidas típicas, quadrilhas e muita música embalam este mês de junho. E o Jardim Esmeraldina será palco da primeira festa junina Arraiá em sexta, sábado e domingo. Então, dia 20, 21 e 22 de junho, às 19 horas, né? inicia às 7 da noite, vai até às 11 da noite e a festa vai acontecer na Associação dos Moradores, que fica na rua Herculano Florense, Teixeira 262, no Jardim Esmeraldina. Barraquinhas com comidas típicas, clima familiar e diversão garantida para todas as idades. E você, claro, é convidado especial. Aproveite o feriadão, aproveite para ficar com a família e também para se divertir. E falando em feriado, como é que será que fica o tempo para hoje, né? Hoje, feriado de Corpus Crist aqui em Campinas, sol muitas nuvens, períodos de nublado, mínima 20, a máxima 26º. Vamos lá, então. Vamos abordar o nosso tema de hoje. Escolha de um time de futebol na infância. é mais do que uma simples preferência esportiva. É uma decisão que pode refletir influências familiares, sociais e culturais. Hoje a gente analisa então os fatores que levam uma criança a torcer por determinado clube, considerando aí o papel dos pais, o impacto da mídia e a influência das redes sociais e também a idolatria por jogadores internacionais. Por isso a gente conta com a presença dela, né? Ela que vem com a gente via Zoom, a nossa psicóloga clínica e também ela é psicóloga do esporte, a Andressa Daniele Silvestre. Seja muito bem-vinda. Bom dia para você. Bom, acho que caiu a nossa conexão com ela. Então, enquanto a nossa produção tenta retomar a conexão com a nossa psicóloga, a gente dá o bom dia especial. Ele que já é da casa, né? É nosso jornalista esportivo Pedro Lino, que participa conosco ao vivo aqui no estúdio. Muito bom dia, Pedro. Seja bem-vindo. Bom dia, Rúbia. Bom dia, Andressa. Bom dia, amigos da TV Câmera Campinas. Estamos aqui para falar um pouco mais da das crianças, né? como escolhem os times de futebol e como as crianças vêm no no dia a dia. Vamos lá então, né? E você já tem o time de futebol? Já escolheu o time de futebol do seu filho? É você ou é ele que vai escolher, né? Andressa já voltou com a gente? Será que já? Produção, só dá um OK para mim, senão a gente já começa a conversar com o Pedro e daqui a pouquinho a gente reconecta com a Andressa, porque é muito importante a participação dela, porque é o seguinte, tem uma uma visão, uma questão psicológica toda, né? eh, em torno dessa escolha do time que você vai levar paraa sua vida. Enquanto a produção tenta a conexão com a Vanessa, a gente vai com o Pedro, que é jornalista, né, e entende de futebol. E eu pergunto para você, como é que você observa a tendência crescente de crianças brasileiras eh torcendo por clubes, né, e principalmente por clubes internacionais. Acho que a rede social influencia o que que tá acontecendo ou é falta do pai e da mãe de repente mostrar a tradição que nós brasileiros temos com o futebol? Qual que é a sua avaliação por essa crescente aí com crianças brasileiras, um time de futebol, principalmente no internacional? Ô, Rúbia, a crescente de crianças torcendo para time internacionais tem muito a ver com as redes sociais, como você falou, videogames também, eh, o pessoal acaba escolhendo aquele jogador que é mais conhecido, Cristiano Ronaldo, Messi, os jogadores que eh principalmente ligas da da Inglaterra, Espanha, que são bem fortes, rede social e também que cresceu bastante as transmissões de partidas no YouTube. Eh, as detentoras e conseguiram transmissões pro YouTube. Também tem canais, antes era só canal fechado, né, que transmitia a partida internacional. E tem também que hoje em dia o pai não leva muito a criança no estádio. O pai prefere ficar em casa, o pai prefere ficar tranquilo em casa para curtir com a família do que levar a criança ao estádio. Isso daí eh cresceu bastante, né, e ajudou a criançada a escolher o time internacional. Olha só, né? Uma análise bem interessante do Pedro. E olha que legal que ela voltou com a gente. Vou apresentar ela novamente, a nossa psicóloga clínica. Ela também é psicóloga do esporte. É a Andressa Daniele Silvestre, participa com a gente via Zoom. Seja bem-vinda. Que bom que você voltou com a gente. Prazer te receber aqui no nosso estúdio Câmara. Prazer é meu, Rúbia. Muito obrigada. Voltando aí já entrando no meio da resposta. Então, a a minha a minha análise sobre isso, né, sobre por esse interesse, né, perdido pelo futebol e tá vindo mais esse interesse por outras modalidades, até mesmo por times estrangeiros, né? Eh, é a é como se dá essa escolha por time, como se dá o nosso interesse pela pelo esporte, né? Isso entra muito a nossa análise aí da psicologia, né, sobre esse fenômeno que é emocional e também social. tem muito a ver com o que ele já comentou, né, essa globalização, o aumento das redes sociais também, o aumento de eh jogo jogos televisionados, né, que a gente não tinha tanto antes, agora a gente tem um leque de opções, né, a gente consegue ver outras ligas, ligas internacionais que a gente não tinha tanto acesso, então a gente consegue ter mais opções. Então esse leque vem aumentando e vem mudando muito e essa nova geração, né? Vem mudando muito a escolha. E o fato também de ter mudado um pouco esse nosso a nossa ida aos estádios, né, por vários fatores. Aí a gente entra em várias discussões do por que isso vem acontecendo, né? eh também tem influenciado nessa escolha por outras modalidades, não só o futebol, porque às vezes ir numa partida de vôlei e numa partida de basquete acaba sendo até financeiramente mais barato aqui no Brasil, né? E às vezes até mais seguro também por conta da violência nos estádios de futebol. Então, às vezes, as famílias têm preferido levar em outros esportes, né, até luta, juizo, eh, karatê, enfim, ter aumentado muito o público também por essa modalidade. Então, entra uma discussão assim que eu posso dizer que a escolha em si por esse esporte também, eh, a deixa do interesse pelo futebol é muito facetada, né? Tem várias causas. Muito bem, muito bem. Olha só, a gente fala, né, de escolha de time de futebol. Eu me lembro que antes, eu não sei se é assim ainda hoje, você é de casa, me corrija se eu estiver errada, a gente eh tem uma tradição de família, né? Aí a mãe, o pai, a família torce por determinado time, daí a criança nasce, já ganha a camisa do time, né? Então aí você vem com essa tradição. Hoje em dia, Pedro, você acha que isso tá se perdendo? eh eh esse esse resgate familiar, essa questão de uma cultura que a gente trouxe, né, eh eh por diversos anos. Você acha que isso se perdeu? Então tem se perdido. Só que o eh o pai mais raiz, aquele pai mais raiz já vai já quando a criança nasce já entrega, já dá dá a camiseta do time pra criança. Só que tem é como a como ela falou, eh a violência no estádio tem atrapalhado bastante essa de levar o as crianças, a família no estádio. Aí você junta a violência, o preço do ingresso. Aí o pai leva a mãe, o filho, vamos, tem dois, três filhos. Aí você tem que pagar ingresso para todo mundo. Tem estádio que até 12 anos não paga, mas só que aí você pega, leva o ingresso eh leva a família, aí você tem que comprar pipoca, o refrigerante e não é só um, é duas, três pipocas e o fora o ingresso o orçamento já fica bastante. Aí entra a parte que ela falou, eh, o pessoal prefere levar no vôlei, que aí você pega o do vôlei Campinas, aqui a gente tá em Campinas, o vôlei Campinas, a pessoa tira o ingresso gratuitamente na internet, vai no Taquaral com eh vê o jogo aí, depois pode sair, não gastou até agora não gastou nada. Uhum. pode sair para jantar, curtir. Isso tende bastante a criançada que tá que tá não tá pegando os times dos pais, né? Eh, opta por torcer por time diferente. No meu caso já é meio complicado. Eu cresci em estádio. Uhum. Hum. Meu pai sempre me levou desde que eu era pequeno. Não posso falar o time que eu torço. E é a criançada de hoje em dia é diferente, que nem tenho, tenho amigos que eh já levam filhos desde criança, desde pequeno, de colo estádio. Sim. Aí tem de pai para pai, né? É isso mesmo, né? de como a família se comporta diante, né, de desse desse time do coração. Agora, a identidade do torcedor se constrói mais pela influência eh familiar ou pela o desejo de autonomia, o desejo de de pertencimento. Qual que é a avaliação que você faz, Andressa, da construção da idade do pequeno torcedor? Como que começa tudo? Bom, a gente pode falar aí por experiências, né, de várias pessoas que a gente já no Brasil já nasce aí realmente com uma camisa, né? No futebol era mais assim, agora a gente tem essas outras escolhas de de esporte, mas ela se dá assim no processo de crescimento da criança e se consolida, vamos dizer, na época da adolescência mesmo, que é quando a gente tá ali se firmando, né, tendo mais essa autonomia. tendo um pouco mais desse processo de identificação. Então, a gente quer escolher algo que a gente se identifique mais, né, que tem a ver comigo, não só com a minha família. E claro que entra também influência familiar, as memórias afetivas, as emoções que a gente tem com as lembranças que a gente viveu com os nossos pais torcendo por algum time, né, ou por alguma modalidade. Isso vai influenciando, assim como também influencia a identidade que a gente tem, a identificação que a gente tem com o nosso ídolo, né, dentro do esporte pode ser qualquer um. Agora com as Olimpíadas, muitas meninas ficaram Rebeca Andrade, né, como um ídolo. Eh, cresceu muito interesse pela ginástica. Então, eh, a pessoa, né, eh, atleta, chama muita atenção e faz com que a gente tenha essa esse processo de identificação, de admiração, de orgulho, né? E isso influencia muito nas nossas escolhas. Então, se no nosso time tem um um jogador que brilha os nossos olhos, né, que a gente se identifica com atitudes dentro, fora do campo, isso vai influenciar a gente a torcer por aquele time, mesmo que talvez a nossa família não tenha o mesmo time. Muito bem. É isso mesmo. Exatamente. Agora, a falta de ídolos nacionais, né, com grande projeção, você acha que é um um fator que enfraquece a identificação das crianças com o clube eh eh do Brasil? Porque você percebe que você vai perguntar pra criança, ela antigamente falava: "Ronaldo, né? Agora, eh, são nomes internacionais. O que que tá faltando na sua visão de jornalista e e que trabalha, né, eh eh na linha esportiva? O que que falta para pra gente pra criança ter assim aquele o ídolo brasileiro que qual o seu jogador de futebol favorito? A criança vem num jogador brasileiro, né? E hoje já a gente percebe que não tá sendo assim. Eles vão mais para jogadores internacionais. Tá faltando mais um pouco de identificação com o clube. Hoje em dia, antes os jogadores gostavam de jogavam no clube por de coração. Hoje é mais pelo dinheiro. Perfeito. As os jogadores tendem mais aí pelo dinheiro do que a se identificar com o clube. E que nem você pega o Neymar. Neymar é um jog um bom jogador, só que as atitudes dele fora do campo às vezes refletem para pra criançada e a criançada não vê ele como tipo não vê ele como ídolo. Eh, tirando Neymar hoje, não tem um jogador no Brasil que dê para falar assim: "Ah, esse é esse é craque, esse é ídolo". Você pega times como Flamengo, eh, Corinthians, o jogador do Corinthians, o mais conhecido hoje, é holandês. O do Flamengo é uruguaio. Não tem um jogador brasileiro para você falar assim: "Ah, esse é ídolo e dá para jogar na seleção". Claro que no futebol brasileiro tem bons jogadores, mas não dá para falar que aquele aquele se destaca, aquele é ídolo, muito por causa do dinheiro. Hoje em dia é mais na base do dinheiro do que no amor ao clube. Poxa, vida, você falou algo bem interessante, né? Qual que é a sua avaliação sobre essa fala do Pedro, Andressa? Bom, é uma fala super válida e importante, que eu acho que contribui muito realmente para esse processo da criança escolher esse ídolo brasileiro, né? Hoje a gente vê valores, né? Tá muito atrelado também com os nossos valores. Quando a gente fala assim, o cara tem sucesso, o cara geralmente vai para fora. Uhum. Né? Então essa ida dele para fora acaba que nossa, o sucesso só tá atrelado ele jogar fora do Brasil, não tá atrelado vir aqui. Então acaba que eh a falta de investimento dos clubes, né? Eh é saída precoce dos jogadores para fora do Brasil, não mantém essa essa base, né, no time brasileiro forte, faz com que a gente tenha perdido ídolos muito cedo. Então não dá tempo nem da gente conhecer eles mais, né? Às vezes a gente conhece eles jogando fora do Brasil, não dentro de um clube aqui. Então acaba que realmente a gente acaba migrando nossos interesses para times estrangeiros e também para para jogadores estrangeiros, porque daí vem alguém de fora para cá, a gente cria aquela coisa, nossa, ele tá valorizando o nosso futebol, ele tá aqui, caramba, ele tem um peso para ele, tá aqui, tem um peso, essa camisa tá sendo valorizado, então o comportamento dele acaba sendo de reforço pra gente, né? Porque a gente valoriza isso, né? Só completando ela. Sim. Eh, o próprio Palmeiras, o Palmeiras tem o Estevan, que ele vai completar 18 anos agora em junho, vai jogar o Mundial de Clubes nos Estados Unidos e já tá vendido pro Chelsea. Nem nem mal completou 18, já vai pro Chelsea da Inglaterra. E muitos jogadores da base de qualquer clube do Brasil, eles vão embora antes de estreiar no time profissional. Mas por que que isso acontece, né? Por causa do dinheiro. Então, mas poxa vida, Brasil tem que valorizar o que é do Brasil, a gente deixa embora, né? A gente deixa embora. Ô, Vanessa, socorro. Tem um pouco disso mesmo, investimento, né? Enquanto a gente não mudar a nossa forma de investir no nosso esporte, principalmente no futebol, né? Eh, a gente vê aí um um movimento da SAPS acontecendo, né? É a mudança de investimento dentro do clube, a forma de gerir diferente. Ele citou o Palmeiras, o Palmeiras é um dos clubes que tá com uma forma diferente de gestão, né? O técnico ele tá muito tempo na frente do clube e isso muda também bastante a nossa forma de ver, né? a a análise de vitórias, a análise de derrotas, a estabilidade do time, isso também tem um peso pra gente continuar interessado, né? Os resultados. Então, o investimento vem através dessas análises e a gente precisa mudar a nossa forma de investir para segurar um pouco mais a nossa base, para ela não querer ir para fora, né, com com outros interesses, né? Também consta, né, que se a gente parar para pensar que a violência, né, e a nossa moeda tem sido muito desvalorizada e o aumento da violência no Brasil, muitos jogadores têm optado por morar fora. Então, é uma questão social e política também, não só econômica. Uhum. Perfeito, perfeito mesmo. E aí a gente alia essa questão um da da da situação eh social, política, econômica, né, em torno do futebol. E aí a gente traz para essa questão também eh das bets, né, esse negócio de bet, essas coisas assim, o que que acontece? a criança, você acha que a criança ela acaba desvalorizando um pouco mais? Porque a gente perdeu um pouco da naturalidade, né? A gente perdeu um pouco assim da identidade. Claro que toda a tecnologia ela vem para agregar, ela vem para melhorar, mas qual que é a sua avaliação eh referente a futebol, as bets, né? online, você pode acompanhar um jogo, você pode apostar em um jogador, enfim, e a criança que tá ali, eh, crescendo e vendo esse mundo do futebol já de uma maneira totalmente diferente de que nós víamos quando éramos crianças. As Bet tem atrapalhado bastante o futebol, tanto pra criança como pro adulto. Uhum. Eh, tem gerado vícios, bastante vícios, bastante gente, eh, como que eu posso falar? Eh, bastante gente caindo por causa de bets e o futebol também. Eh, tem aquele jogo que acontece um lance errado para assim: "Ah, atrapalhou por causa de Bet." A criança assistindo isso, eh, o pensamento da criança é diferente do adulto. A criança vai ficar mais traumatizada, não sei se ela vai concordar. Mas a criança vai ficar traumatizada porque não tá vendo futebol do jeito que é. Ah, tudo é bet, tudo é bet. Hoje em dia tudo é bet, só que se você parar para ver, muitas coisas são bet e muitas coisas não são bet. É um mundo bem complicado. É verdade, né? Você sabe que essa essa questão de betes né, é é interessante de um lado, né, por conta da do avanço da tecnologia, né, Andressa, mas se a gente for parar para analisar, acaba complicando outro lado. Qual a sua visão eh sendo psicóloga, entendendo do esporte, né, e do comportamento do ser humano? Qual a visão que você traz pra gente hoje referente à análise da criança? o time de futebol e essa e as betes que é estão explodindo aí no mundo todo. É, e essa questão da Bet é muito importante porque ela acaba trazendo pra gente uma sensação de manipulação, né, de resultado, de não veracidade, de tipo não ganhar quem é o melhor, não ganhar quem merecia ou às vezes e ai, nossa, esse pênalti foi dado por conta disso e não por conta do futebol em si. né? E isso vem desvalorizando a credibilidade do futebol. Eh, a gente acaba perdendo realmente o interesse porque não é aquele jogo de verdade, né, que a gente fala assim: "Nossa, é qualidade contra qualidade", né? Eh, é uma disputa eh igual e uma disputa honrada. Isso tem a ver com valores, né? E e aí a gente acaba migrando realmente para outras esportes que têm menos influência disso, né? a as apostas têm contribuído muito para isso, pra gente perder esse interesse nessa modalidade, justamente porque a gente tem visto muitos escândalos, muitas descobertas sobre isso e a criança de fato vai falando: "Caramba, por que que meu ídolo se submeteu a isso? Como isso pode acontecer?" Quer dizer, às vezes os valores de casa, tá? Não faça isso, não faça aquilo, não pode assim, não pode assar. E de repente eu vejo isso entrando em conflito com, sei lá, o meu time ou mesmo com um ídolo que eu tenho, né, que acaba se tendo até que se submeter às vezes. Nem é que ele eh seja uma escolha, né, mas é o próprio sistema às vezes que tá atrelado a tudo isso. Como eu disse, muita política também por trás do futebol, né? Então a gente vai acompanhando as notícias e isso vai interferindo, querendo ou não, né, na nossa, no no nosso gosto, na nossa decepção, no nosso sentimento. É verdade, né? E e como que você avalia que os os times, né, os clubes brasileiros, eles têm se conectado com o público infantil? Porque aqui a gente tá falando de de clubes, né, de futebol, mas a gente tá falando do público infantil. existe uma conexão, existe um trabalho, né, eh, de marketing, enfim, porque a gente sabe que todo hoje é marketing, né? E o futebol, ele, os clubes, eles trabalham para, eh, buscar para poder aproximar esse público infantil, tem um trabalho ou é algo bem superficial? É, então hoje eh eles têm investido um pouco mais nessa questão do marketing, né, principalmente televisivo, né, para tentar atrair de novo esse público, como o Pedro colocou, tem muitas atrações dentro dos estádios hoje. Então você não vai só ver o futebol, de repente você vai comer uma pipoca, você vai ter uma lanchonete muito atrativa dentro do estádio, né, que antigamente não tinha, né? E então eles tentam trazer até pela a camisa com uma cor mais assim ou num formato que chame a atenção da criança, né? eh esse convite de novo paraa criançada entrar mais no nos estádios com os seus jogadores. Então a gente tem visto mais a participação, a inclusão de crianças com alguma deficiência, começaram a também a trazer isso para dentro dos estádios, trazer essa consciência que também tem que ser um espaço mais diverso, mais respeitoso. Tá tendo uma uma ação de marketing para voltar a ter esse público dentro do estádio, né, para trazer a família. Mas de novo, precisamos combater a violência, precisamos tornar de fato o estádio um lugar acessível também financeiramente diminuindo o valor dos ingressos, né? Então acho que o marketing tem colaborado muito para que a gente comece a olhar de novo como uma opção, mas precisa ter a prática junto, né? a gente precisa ver ações acontecendo de fato. Uma coisa bem legal, Rúbia, eh, os clubes, tem alguns clubes que tão colocando nos estádios salas para crianças eh com aspecto autista. Show, muito bom. O próprio Alians Park, o estádio do Internacional são algumas do alguns dos estádios que colocam salas pro pai levar essa criança e a criança não ficar assustada. Uhum. A criança vai, fica na sala, fica tranquila, o pai assiste o jogo e é o clube querendo cuidar do do patrimônio, né? Exatamente. E trazendo o público de volta pro estádio, né? Porque a gente percebe que eu não eu eh gosto de futebol, assisto algumas vezes, mas não sou entendedora do assunto, né? Mas a gente percebe que o o estádio ele já não é mais o mesmo que era antigamente. E aí as pessoas não estão mais frequentando, né? As pessoas assim eh eh a família a gente já não vê muito mais criança, então tem se perdido um pouco essa magia, né, de torcer pro seu time, de ir lá ver o jogo. Meu time vai jogar hoje, veste a camisa, vamos embora. mesmo que eh não é permitido entrar com bebida no estádio, né, com eh eh entorpescentes lícitos ou ilícitos, mas mesmo assim ainda existe uma resistência da família. Por mais que a gente veja um ou outro ali pai com filho, mas a gente percebe que já que não é mais como era antigamente, né? A avaliação que você faz é por conta mesmo eh eh dessa violência e a violência ela tem sido exacerbada, ela diminuiu? Como que tá essa questão de violência nos estádios, Pedro? É por conta assim da violência. A violência tem crescido bastante, não só perto dos estádios. Você pega em São Paulo, na capital, a torcida vai e marca briga na no metrô. no metrô do outro lado da O estádio é na zona sul, eles brigam na zona leste, eles marcam briga lá e acaba mostrando na televisão o pai com medo de levar o filho criança por caso aconteça alguma coisa e deixa deixa prefere ficar em casa lá em casa, em casa o pai assiste o na televisão, fica tranquilo, come uma pipoca, come uma pizza, um lanche e prefere ficar em casa que nem tem eh casos de pessoas morrendo na porta dos estádios por conta de briga. É complicado. Como que o pai vai levar um filho criança, sendo que não tem segurança? Poxa, vida, é uma situação bem delicada quando a gente fala de crianças e futebol e amor ao time, né? Eh, você vai lá, dá uma camisa, ensina a a criança, mostra o time, apresenta para ela, mas aí você acaba não levando essa criança pro estádio por conta da segurança, né? Mas é uma questão que a gente precisa explicar que é é uma segurança eh que eu acredito que todos nós devemos fazer a nossa segurança, né? Pode ter a segurança fora do estádio, pode ter a segurança ao redor do estádio, mas o negócio é que as pessoas precisam se conscientizar que o futebol é uma cultura e é algo família e a gente quer voltar aos estádios e a gente também tem o desejo que as nossas crianças voltem a ter brilho no olhar quando a gente fala do futebol brasileiro. Agora pergunto pra Andressa, Andressa, você acha que o futebol brasileiro ele perdeu o espaço no imaginário infantil de uns tempos para cá, Andressa? Eu acredito que sim, no sentido da gente realmente ter outras opções, né? Então, antes tinha muito mais contato com o futebol, até no Giibis, né? Na no nos desenhos, a gente via desenhos animados e tinha esse futebol representado ali de alguma forma. Então acabava que a criança ela tinha mais contato aquilo, né? Na educação física, por exemplo, era uma das modalidades mais trabalhadas, né, pelo interesse do público mesmo, né, pela nossa cultura que valorizava o o esse tipo de esporte e tudo mais. E com o tempo, como a gente veio tendo outras opções, né, e outros interesses e agora com as mídias, né, com a questão do esportes, né, jogos eletrônicos e tudo mais, a criançada dessa geração tem se interessado muito por essas modalidades. Então, tem aumentado, vamos dizer assim, esse leque de opções, né, para que a criança possa escolher mais, ser criativa, né, falar: "Poxa, de repente não me dou tão bem aqui com com a bola no pé, mas com a mão vai que vai, né?" É, então eu hoje eu tenho a possibilidade de encontrar um time de basquete mais próximo que antes eu não tinha, né? E agora assim, eh, a gente tem essas opções de de fazer parte, né? Que antes era a pelada é no campinho era muito de fácil acesso. Jogar um cricket não era tanto. Hoje já é mais fácil, você encontra. Então tudo isso tem feito com que as crianças consigam se imaginar em outros lugares, né, de outras formas, né? E como eu comentei, as olimpíadas também, a televisão transmitindo outras eh formas de praticar natação e tal e valorizando isso, né? E a gente tendo outros ídolos em outras modalidades, faz com que as crianças começam a imaginar que é possível para elas também de alguma forma. É verdade, concordo sim com a sua fala. Agora, a escolha, né, de um time de futebol para você que é uma psicóloga, eh, na linha esportiva também, achei bem interessante, né, essa linha de psicologia do esporte, essa eh, a escolha do time de futebol, ela pode ter impactos aí na construção da identidade de uma criança, eh, eh, na avaliação psicológica da Andressa, né? O que que você traz paraa gente quando a criança está escolhendo o seu time de futebol? Eh, tem impacto eh eh na vida dessa criança? O que que qual que é a importância dessa escolha, né? Eh, pro paraa vida eh você começa lá pequenininho, mas daí eu me eu eu já vi pessoas que falam: "Eu ganhei essa camisa quando eu tinha 2 anos, né? E e segue com a mesma camisa até a vida adulta". Então, qual o impacto traz a decisão, a escolha pelo time de futebol do coração? Eu acho que a primeira coisa é essa coisa do pertencimento. Quando a família já d essa camisa tão novinho para ele, né, e ele cresce no meio da da das memórias familiares, regionais daquele clube, com esse processo de identificação, com a história do clube, com a história da família, né? eh, é muito emocional, é muito afetivo. Então, a gente se sente pertencente daquele grupo, a gente se sente acolhido, a gente sente que os nossos valores ali são iguais, tem uma comunicação, isso faz com que a gente mantenha esse time talvez pro resto da vida. Então, quando a gente perde essa conexão, talvez com o nosso time aí de origem, né, por vários motivos, como a gente colocou agora, eh, abre que a gente começa a buscar interesses de novo em outros clubes que tenha essa, esses valores, que tenha eh talvez alguma coisa que me chamou atenção que tem a ver com a minha personalidade, que tem a ver com a história, algo na história deles que me chamou atenção ali e que tem a ver com os meus valores. né? Então, de repente, a gente tem aqui vários clubes do Brasil com histórias lindas, né? E que se a gente parar para ver, tem pequenas diferenças de um clube pro outro, né? A gente consegue falar: "Poxa, eh, vamos vou dar um exemplo aqui, eh, o Corinthians, né? O Corinthians é uma nação fiel, uma torcida que tá ali, faça sol, faça chuva, né? Enfim, é uma torcida muito apaixonada, acalorada, né? Aí de repente uma um outro time, ah, ele esse time aqui ele já é mais contigo, não se apresenta tanto nos estádios, enfim, a gente vai se adequando ao estilo da torcida também, ao estilo do jogo. Então, tipo, nossa, fui naquele jogo do São Paulo e senti que, nossa, tinha presença mais feminina na torcida, me senti muito acolhida com isso. Então, acaba que você vai indo também por esse processo social, né? é um processo de identificação e um processo social de pertencimento, de de identificação mesmo, de valor. Ô, Rúbia, uma coisa que tem atrapalhado bastante também é a identificação com a seleção brasileira. Percebo a identificação com a seleção brasileira de uns tempos para cá, a criança não assiste mais, porque antes era uma loucura, né? tive que comprar a roupinha, a camisa do Brasil e fazer festa, porque as crianças paravam, realmente. Eu vivi isso na frente da televisão para torcer para o a seleção brasileira e sabiam o nome de todos os jogadores. Hoje, na Copa de 2002, eu tinha 10 9 para 10 anos. Uhum. Eh, eu acordava de madrugada só para as jogos da seleção. Tá vendo só? Se fosse hoje em dia, a criançada não ia acordar para assistir uma Copa do Mundo, porque a identificação com a seleção brasileira acabou se perdendo. Agora com a chegada do Carlo Ancelot pode ser que aumente um pouco, porque era um técnico que era do Real Madrid. O Real Madrid é um time que a criançada gosta por ter jogadores conhecidos, jogadores badalados. Com a chegada do Carlo Angelot pode ser que aumente, só que não tem aquele craque na seleção brasileira. Teve uma entrevista algumas semanas atrás, eu não sei quem falou, mas falou mais pura a verdade. A seleção hoje não se cria mais jogadores bons, talentosos e ídolos. Cria jogador pra seleção. O jogador prefere jogar no clube. Uhum. do que jogar na seleção. Antes era diferente. O jogador fazia de tudo para tá na seleção. Perdeu a perdeu totalmente o brilho. Poxa, a vida é é triste, lamentável, né, a gente entender, eh, essa situação, mas a gente espera, né, que a nossa seleção brasileira, poxa a vida. Brasil, né, a gente fala Brasil, se já lembra do futebol, né, seleção brasileira. E aí a gente fala que sobre a identidade, o pertencimento, né, o seu time de coração. Quem é que não tem um time de coração, gente, né? E aí, eh, de repente hoje você já não pode mais levar sua criança até o estádio e aí a criança, ela acaba perdendo, né, essa essa questão de de gostar do futebol e vai ter assim o seu time de coração, como disse a Andressa e o Pedro, mas vai torcer para um time de vôlei, vai torcer para um time de basquete e muit das vezes também vai torcer para um time internacional, porque ali estão jogadores que t uma grande visibilidade, podemos dizer assim, que tem um nome, né, e que estão fazendo sucesso pelos campos por onde passam. E aí as crianças acabam eh optando por torcer por um time internacional, para um time internacional, né? Agora, eh, o desejo de pertencimento de um grupo tem a ver com a torcida. Você acredita, Pedro, que a como a Andressa falou, né, a criança ela ela olha também paraa torcida do time no momento em que, no caso da decisivo agora, né, que a criança decide, não que ela ganha a camisa e vai torcer por esse time, mas tipo assim, ela cresceu, ela já tem mais ou menos uma ideia do que ela gosta, do que ela não gosta e aí ela vai definir se realmente ela vai ficar com aquele time que ela ganhou a camisa ou se ela vai agora ter o time de coração que ela acha que ela deva. deva ter. Você acredita que a torcida eh influencia nessa questão de definição aí do time influencia até certo ponto. Uhum. É, o que influencia mais é o futebol dentro de campo, se o time tá ganhando, eh, a criança vai lá, gosta, gostou da, que nem você disse, da torcida, mas o que influencia mais são jogadores que estão no time e se o time tá ganhando, se o time ganha títulos, o time ganhou títulos, a criança falou assim: "Nossa, esse time é bom, eu vou torcer para esse time". Se for o time do pai, o pai agradece. Se não for o time do pai, eh, tem estudos que revelam que o Santos quando tinha Neymar antes, não de agora, antes cresceu quase 100% de torcida criança. Olha que legal. Não só em Santos. Uhum. O eh a criança começou a torcer pelo Neymar e pelos títulos que o Santos ganhou. Então não é só a torcida, envolve tudo. Eh, título, o time, um time bom, aí junta a torcida. Aí a criança quer ir no estádio, o pai leva para conhecer. São muitas coisas que envolvem para pro pra criança escolher seu time. Que legal, né? E uma delas é o time do pai e da mãe. Andressa, como psicóloga, né, e entendedora do comportamento humano, como que os pais eles podem participar eh nessa influência esportiva quando a gente fala de da escolha do time de futebol eh da criança, sem impor nas próprias escolhas daquele ser, porque na verdade é é natural, a gente falou aqui antes, né, da camisa do time de futebol que você dá pra sua criança, mas a gente precisa lembrar que É o a a essa camisa é o time de futebol que o pai ou a mãe torce, né? Não que a criança quer, entendeu? Então, ah, nasceu, vai ser corintiano, vai ser flamenguista, vai ser palmeirense. Mas e aí, essa imposição, né? Como é que a gente faz para trabalhar isso? E se depois essa criança cresce e ela não quer ser nenhum, né? Ela não quer torcer para nenhum desses times e ela quer escolher o time de coração dela que tem a ver com a personalidade dela? como que o pai e a mãe ele deve eh influenciar sem h eh como é que eu vou te falar, influenciar sem pressionar na verdade, né, essa criança no momento da escolha. Eh, para para fechar, então aqui eh, só para complementar o que Pedro falou, é realmente uma escolha eh de eh composta por várias facetas, né? Então tudo isso contribui pra gente se manter fã de um time, fã de uma pessoa, de um atleta e pensando assim, a família também, né? Então como a gente respeita como como pais, né, essa escolha, essa decisão, assim como a gente tem que respeitar de qualquer outra decisão que a criança venha tomar em relação ao esporte. Muitos pais eh querem colocar já numa escolinha de futebol quando é um menino, né, que tem um pouquinho mais ali de habilidade ou de repente até a menina hoje e e talvez aquela criança só queira brincar com a bola, ela não queira ser profissional, ela não queira se tornar um jogador de fato, né? Ela só queria brincar com a bola. Então a gente precisa analisar, observar bastante o comportamento da criança, introduzir a um esporte, deixar ela escolher, deixar ela ter esse leque de opções para ver o que que ela se identifica, qual é a aptidão dela, a aptidão física também, o quanto ela tá ali interessada naquilo. E é normal que a criança mude algumas vezes de escolha, porque é um processo, né? um processo de desenvolvimento e que ele vai se consolidar ali pela adolescência, né? E aí vamos dizer que a criança mude completamente de time, né? Vai de um de um Corinthians para um Palmeiras ou vice-versa, né? Eh, é a questão de respeito mesmo, de entender que aquela criança é um indivíduo, não é uma projeção minha, não é uma extensão minha, né? e que ela tem suas preferências, que ela teve por algum motivo uma identificação com aquele time ou com aquele ídolo, né, como o Pedro colocou. muitas crianças que eh gostavam de futebol começou a se interessar pelo Santos, né, que tradicionalmente era uma torcida mais velha, né, de uma geração mais velha e que na época de Neymar, na primeira parte, né, que é dividido, né, o antes e depois, eh, foi de sucesso, tremendo. E ele tinha uma conexão com as crianças muito grandes através do corte de cabelo, né, da forma que ele brincava. Então, se comunicava muito bem com a criança e isso fez com que muitas crianças mudassem de time, né, por toda essa identificação, por todo esse processo que a gente veio trazendo aqui nessa análise do que faz a gente se interessar por aquele clube, né? E os pais tiveram que aceitar, tiveram, poxa, faz sentido, o cara joga bem, tá dando, né, brilho nos olhos aqui de novo, né? Então a gente precisa aceitar, não pressionar, né, entender a escolha da criança, conversar, né, até para escutar o que a criança vem falando. Que que chamou atenção no Neymar? Me conta um pouco, né? Isso também é uma aproximação, uma forma da gente, né, conversar sobre alguma coisa com os nossos filhos, tirar um pouco do dos eletrônicos, né? Então, eh, é aproximação, entendimento e respeito. Maravilhosa, né, Andressa, psicóloga comportamental e do esporte também. E é muito interessante a gente trazer a fala da Andressa e a fala do nosso jornalista, né, jornalista esportivo que entende de futebol, né, a maior parte do tempo dentro dos estádios. Eu queria que você trouxesse então uma avaliação aí de o que que você vê para o futuro referente a tudo que a gente falou aqui, Pedro. Nós falamos eh sobre a escolha, né, do time de futebol, do coração, mas a gente falou da escolha da criança, né, uma criança que tá tá chegando agora nesse mundão aí do futebol, começou a entender agora e, infelizmente, nesse início de entendimento sobre o sobre o futebol, sobre o esporte, já está prospectando aí ídolos internacionais, né? Então, na sua visão, o que que precisa ser feito? O que que precisa ser mudado? qual que é a avaliação que você faz de de tudo isso que a gente tá vivendo nessa era referente ao esporte e à escolha de, né, de de times, de de jogadores, de nomes que já estão, não estão mais no Brasil, infelizmente. A avaliação é que tende a crescer a escolha para times internacionais, eh, tende a crescer também a escolha para jogadores internacionais. Se o clube brasileiro eh não trabalhar eh a criança de hoje, vai acabar perdendo o torcedor. Vamos pegar, por exemplo, aqui em Campinas, o Ponte Preto e Guarani. Uhum. sempre 3 4.000 torcedores por jogo. Eh, tem jogo que tem cinco, seis, mas não passa disso. E daqui 10 anos, daqui 20 anos, o torcedor de hoje não vai tá mais aqui. A criança não tá acostumada a ir pro estádio. Eh, que que vai tornar tornar esse clube? que a fonte de renda de alguns clubes do interior é o dinheiro. Você pega o sócio torcedor, venda de camiseta, venda venda de artigos do clube, que que vai virar esse clube daqui 20, 30 anos. Então eu acho que o clube, o clube menor, o clube do interior deveria trabalhar mais essas crianças de hoje, que é a famosa geração Z. Exato. Eh, trabalhar a criança de hoje para poder prospectar mais torcedores. Ah, a criança vai no estádio, eh, tem uma modernização do estádio, tem não sei o que novo, tem uma pipoca, um salgado, isso daí já tem, mas pega um pastel. Eh, se não tiver melhorias paraa criança, pro adulto também no geral, esse clube vai acabar largado. Esse clube não vai mais ter nada, não vai ter mais clube, não vai ter mais torcida, porque é a torcida que leva o clube. A o pega times da capital Palmeiras, São Paulo, Santos, Corinthians, já tem um público maior. Mas e esses times do interior? É verdade. Você eh eu fui no num evento da NBA semana passada, tava cheio de criança com os pais, com as mães, eh, em São Paulo, NBA House. Uhum. Eh, tava cheio de criança e no estádio não, no interior. Em São Paulo até que tem mais que o pai leva, vai pra Itaquera, vai para pra Barra Funda que é do Palmeiras, desce para Santos. Mas a torcida do Santos já tá reclamando que não tem tanta torcida que vai, mesmo com o Neymar, não tem que que vai acontecer com esses clubes daqui 20, 30 anos. Poxa vida, é uma análise bem profunda e bem interessante pra gente trazer aqui para o programa, né, Andressa, porque a gente fala muito de geração Z, né, e a gente percebe que a geração Z ela tá diferente, não é mais igual a minha geração que que é a geração de estádio. Eu torci muito, fui para estádio, eu lembrava do de todos, eu sabia, aliás, todos os jogadores do meu time, né? Então assim, e eu tive o time de coração, eh, quando eu fui realmente ter o time de coração, eu tava na escola, eu jogava vôlei, eu comecei a conhecer o esporte, né, o futebol também. Então, por estar inserida no esporte, eu fui conhecer o futebol de verdade, né? Não da forma que que foi colocada para mim ali. Ah, ó, essa aqui é sua camisa, você vai torcer para esse time. Ah, legal. Mas e aí, né? eu não me identifico com esses jogadores. E aí quando eu fui e eh definir o meu time ali de coração, eu já tava já já era atleta, já tava jogando eh num time de voleibol da cidade. E na nessa época era diferente a galera, a a o jovem, a criança, eles eu acho que gostava mais de esporte, porque a gente ia mais pra rua, a gente tinha mais contato, o pessoal jogava esporte na jogava futebol na pracinha, né, no domingo para ou jogava na rua, parava tudo e todo mundo ia pra rua jogar futebol. Hoje não. Hoje nós temos aí as famosos, os famosos filhos do quarto. Nós estamos com uma geração um pouco diferente, mais tecnológica, né? A avaliação que você faz sobre eh essa pontuação que o Pedro trouxe paraa gente daqui a 20 anos, porque os torcedores de hoje, né, de repente já não estarão mais no estádio daqui a 20 anos. E essa geração Z, qual que é a avaliação que você faz disso com toda essa tecnologia e a gente perdendo essa questão do contato, de estar junto, de sentir o arrepio quando eh a torcida vibra? O que que você traz pra gente sobre essa essa essa essa questão da geração Z e daqui 20 anos o estádio com o time de coração e a sua torcida? Eh, é uma análise muito importante que a gente precisa pensar realmente nas consequências disso, né? Dessas toda geração para geração tem mudanças, né? Que nem a gente colocou aqui, a sua geração tem uma relação com o esporte completamente diferente da relação de hoje, mas ao mesmo tempo as suas escolhas também são de forma diferente do que a da geração de hoje, né? Então, vai mudando mesmo, né? de uma geração para outra e a gente busca sempre se adaptar, se adequar, né, a essa nova forma de pensar, né, e conviver em grupos de com formas diferentes de pensamento, né, e de ação. Então, como a gente absorve isso para daqui a um tempo, né? Como que vai ser esse comportamento dessa geração? É, é muito evidente que a gente vai ter que introduzir de alguma forma mais tecnologia aos estádios, né, como vem crescendo já essa mudança de reformas nos estádios, trazendo mais eh telões, eh coisas que chamem a atenção, né, eh hashtags, né, eh divulgação por alguns influencers, né, que torcem por alguns times e estão lá assistindo. Então, dá aquela visão de que aquilo é legal e de repente a criança queira ir porque se identificou que viu algum vídeo na internet. Então essa é a forma de de comunicação deles hoje. Então a gente chega nessa geração através muito da tecnologia e é a tecnologia também para o esporte, por exemplo, alguma coisa que eles vejam que poxa, aquele time tem essa tecnologia que traz para aqueles atletas essa eh esse resultado. Que bacana. Deixa eu ver o que que é isso. Então, é em todos os setores mesmo, né, que vem atribuir esse interesse pelo futebol. Aí a gente pensar nisso que futuramente a gente vai ter que se adaptar um pouco ao nosso formato. Talvez não seja como a geração anterior, né, como a gente colocou. os nossos avós de repente escutavam no rádio, as transmissões não eram tão globalizadas, a gente não tinha acesso a outras informações. Hoje a gente tem, então nem toda mudança é ruim, né? A gente vê que o esporte nunca vai deixar de existir, porque nós somos humanos, nós não somos robôs, então a gente gosta de movimento, nós nós precisamos de movimento para ser saudáveis. E essa geração busca isso também, por mais que a gente veja eles muito na tecnologia, eles têm uma tendência a praticar mais esporte, a buscar mais isso, né, de uma forma saudável. E talvez a gente tinha uma relação diferente com o esporte anteriormente. Nós tínhamos uma relação de tipo eh não profissionalizar, talvez, ou só ver, dependendo eh se a gente pegar o futebol como uma tábua de salvação, muitas vezes social. Essa criança da geração Z não vê dessa forma. Muitas vezes ela já tem uma outra relação, né? Ela vê como uma possibilidade, ela vê como eh uma forma de uma relação com o esporte de que me traga saúde. Muito bem. É verdade, sim, né? Então, eh eh cada fase é uma fase, cada momento é um momento e é engraçado e interessante que a gente vai se adaptando, né? E no caso do futebol também a gente percebe a diferença dos estádios lá de 20, 30 anos atrás para hoje, né? Só que o que chama a atenção é a falta de de crianças, né, no estádio. E aí a gente conversando aqui com Andressa, conversando com Pedro, a gente percebe que eh é preciso é preciso que as nossas crianças voltem a ter o time de coração. E quando a gente fala do Brasil, é interessante que as nossas crianças voltem a ter um time de coração brasileiro, né? Vamos valorizar o que é nosso. É muito importante que você leve seu filho no estádio. É muito importante que você ensine para ele. É importante também que você dê a camisa do seu coração pro seu filho, mas que deixe ele depois, quando ele tiver no momento assertivo da vidinha dele, escolher o time do coração. É tão gostoso, é uma sensação de pertencimento magnífica. E a gente agradece a audiência. Você que tá com a gente, você que de repente hoje vai dar uma camisa, né, de futebol aí, de um time para o seu filho. Pense muito bem, fala para ele: "Ó, esse aqui é para você torcer hoje, mas depois quando você crescer, aí você escolhe o seu time de futebol do coração. É mais assertivo assim que vai aí você acaba não impondo, né, algo que a criança ela vá crescer com isso e de repente ela nem goste tanto assim. Então vamos deixar que as crianças vivam da forma que elas eh eh entenderem, né? Escolher o time de coração e que realmente seja do coração delas. Eu quero agradecer a participação, Pedro. Obrigada, viu? Acho que um um bate-papo bem interessante. Nós trouxemos eh a semana passada eh aqui no Estúdio Câmara a questão dos nomes, né? A influência dos nomes que são escolhidos pelos nossos pais e o que eles influenciam na nossa vida. E aí a gente pode trazer isso para hoje também, né? A influência da escolha do time do coração da sua criança. Então é importante que os pais se atentem para que seja uma escolha, não uma imposição. É uma importância. Inclusive, eh, relembrando a conversa de semana passada que vocês tiveram, meu nome era para se chamar Elivelton. Olha aí. Aí você pega el Por que Elivelton era um jogador que jogava num clube de Campinas. Aham. Meu pai torce para esse clube e queria colocar esse nome, só que a minha mãe falou assim: "Tá doido?" Aí quando ele crescer vai chamar de Veltinho, vai chamar de Eliton. Aí colocaram o meu nome, o sobrenome, o nome do meu avô e tudo certo. Eu que agradeço ter me chamado pro programa de hoje. Obrigado para você, obrigado paraa Andressa e estamos aqui. Qualquer coisa. Maravilha, Pedro. Obrigada, viu, Andressa, sua contribuição de grande valia, né? uma psicóloga eh da área do esporte também comportamental, trazendo eh a sua avaliação, a sua visão e compartilhando, né, com a gente, com o pessoal de casa eh nessa data. O pessoal tá todo mundo em casa, tá assistindo aí a gente agradece você de casa e agradecemos a sua disponibilidade por estar conosco, viu, Andressa? Muito obrigada. Eu que agradeço o convite. Foi um bate-papo muito gostoso. Eu acho que isso também faz com que a gente se interesse mais pelo futebol, né? a gente conversar sobre isso, debater, né, trazer em pauta essas questões tão importantes, né? E eu agradeço muito a oportunidade. Pode me chamar, contem comigo aqui. Foi muito gostoso. Obrigada, Pedro, também pelas contribuições. Maravilhosa. Muito obrigada, então, aos nossos convidados de hoje. Obrigada a você de casa e também obrigado à nossa equipe, né? Ninguém faz nada sozinho. Isso aqui é um timaço, né? para poder trazer essas informações para você. Tem a produção, tem o pessoal da reunião de pauta, tem o pessoal da técnica, né? Tem o pessoal que fica aqui no estúdio, tem o pessoal que fica lá no Twitter. Gente, é maravilhoso, é um time grande, é disso que a gente gosta. Eu agradeço a sua audiência, a sua companhia, desejo a você um feriado lindo e lembrando que a programação da TV Câmara Campinas, ela é bem diversificada para todos os públicos. Então, a gente eh lembra você que nós temos uma programação legal e que você pode ficar ligadinho aqui durante todo o dia. Eu tenho certeza que você vai ter muita informação e muito conhecimento, tá certo? Agradecemos a sua audiência, então desejamos um ótimo feriado a você, aos nossos entrevistados, mais uma vez, gratidão. E a gente se vê amanhã. Amanhã tem programa novamente. Então, Estúdio Câmara, a partir das 8 da manhã. Amanhã nós temos o encontro marcado, tá bom? A gente te espera. Beijo. Fica com Deus. Ciao. Ciao. [Música] [Música] [Música]