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[Música] Muito bom dia para você que está aqui com a gente. Estúdio Câmara chegando através da TV Câmara Campinas. Manhã de quinta-feira, 8 de maio de 2025. E hoje nós vamos conversar sobre um tema que mexe com o coração de muita gente, especialmente quem já se mudou de cidade alguma vez na vida. Campinas é grande, desenvolvida, cheia de oportunidades, mas tem uma fama de ser uma cidade difícil, difícil de fazer amizade, difícil de seurmar. Será que é mesmo? Para ajudar a entender esse cenário, hoje nós vamos receber, quer dizer, já estamos com eles aqui, né? Eh, dois convidados especiais. com a gente pelo Zoom. Nós estamos com a psicóloga Alana Welker, que irá participar e conversar conosco sobre esse estigma que a cidade de Campinas carrega. E ao vivo com a gente aqui no estúdio, nós temos ele, o professor de história, o Sydney Lisboa Rocha, que ele também é criador do perfil Histórias de Campinas. Daqui a pouquinho professor com a gente. Olha só, hein? Um professor e uma psicóloga. Hoje a gente vai eh quebrar aí esse tabu. Será que é? Será que não é? Campinas, né? Povo campineiro é fechado. É, será? Então, e você que tá aí do outro lado, vai nos ajudar a refletir sobre esses aspectos emocionais e sociais e esse sentimento de isolamento urbano. Será que é isso mesmo? Então, nós queremos conversar com você. Manda para nós a sua pergunta, sua dúvida ou o seu depoimento, né? Seu relato falando sobre a cidade de Campinas 1997829377. Você sentiu dificuldade de seurmar? Você acha o campineiro um povo fechado? Conta pra gente. E antes da gente mergulhar nesse tema, vamos aí às principais notícias do legislativo campineiro e claro, a previsão do tempo para você se organizar aí do outro lado, combinado? Olha gente, você que vai para o trânsito, ruas de Campinas tem bloqueios totais por obras da SANASA, tá? Quem dirige pela região do Jardim do Lago terá que ter atenção redobrada. Desde ontem, a SANAS está realizando obras de remanejamento da rede de esgoto e para isso, a INDEC programou bloqueios em diversas vias do bairro, sempre das 8:30 da manhã até às 5: da tarde. Hoje, quinta-feira, o bloqueio acontece na rua José Elias Jorge, entre as ruas Reverendo, Professor Herculano Golveá Júnior e Nazareno Mingone. Como alternativa, o desvio sugerido é pelas vias José de Souza Galvão, Avenida Senador Antônio Lacerda Franco e Rua Abel Luiz Ferreira. Então, motoristas, vamos redobrar a atenção e seguir a sinalização no local até a conclusão dos trabalhos. E falando em trabalho, olha, hoje a partir das 9 da manhã tem reunião extraordinária no plenário da Câmara de Campinas. Durante a reunião deve ocorrer a votação de três projetos de lei complementar de autoria do executivo que fixam os subsídios mensais de dirigentes de órgãos municipais. As propostas tratam da remuneração dos presidentes da rede Mário GAT de urgência e emergência do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Campinas, o Campreve, e da Fundação José Pedro de Oliveira. Cada um dos projetos será analisado em duas votações, em primeira e segunda discussão, durante as sessões que serão extraordinárias, né? Todos receberão aí eh todos receberam, os projetos já receberam o parecer favorável da Comissão de Constituição e Legalidade. Os três projetos seguem o mesmo conteúdo base e fixam o valor de R$ 37.082,36 R$ 1082,36 como subsídio mensal para os cargos de direção das respectivas autarquias e fundação com vigência a partir do dia 1o de janeiro de 2025. O valor é proposto é equivalente ao que foi definido para os secretários municipais pela lei 16.503 do ano de 2023. estabeleceu os salários de alto escalão do executivo para a legislatura de 2025 a 2028. Segundo a justificativa do executivo, o objetivo é manter a isonomia entre os cargos de natureza semelhante no âmbito da administração municipal, respeitando o histórico padrão, né, de equiparação entre os subsídios de presidentes de autarquias e secretários municipais. Lembrando que a reunião será aberta a partir das 9 da manhã no plenário do legislativo. É entrada pela Avenida Engenheiro Roberto Mange 66 no Ponte Preta. E quem não puder comparecer a reunião, eh, pode assistir aqui pela TV Câmara Campinas. Estamos no Sinal Digital 11.3, canal 4 da Net e também nove da Vivo Fibra, além da transmissão simultânea no canal da TV Câmara Campinas pelo YouTube. Notícias. OK. Vamos para a previsão do tempo. Previsão para Campinas hoje é de um dia ensolarado, céu de brigadeiro. As temperaturas mais altas podem atingir até 31º. Além do calor, a umidade relativa do ar pode atingir valores abaixo dos 30%, tá gente? Então isso pode causar problemas de saúde, como ressecamento de pele, das mucosas, irritação nos olhos e na garganta e também sangramentos nasais. Por isso é importante se hidratar. Já arrumou sua garrafinha de água? Então, bora lá. Mínima 18, máxima 30 e um para metrópole. Metrópole, essa que tem aí uma fama, né? E a gente vai falar disso a partir de agora. Vamos lá. Então, sabe quando você chega em uma nova cidade, quer fazer amizades, mas parece que tá todo mundo já num grupo fechado e já todo mundo já tem suas rotinas definidas e você simplesmente não se encaixa? Pois é, muita gente que se muda para Campinas sente exatamente isso. Apesar de ser uma das maiores, mais desenvolvidas cidades do Brasil, Campinas carrega a fama de ser um lugar difícil, não pelas oportunidades, mas pelas relações sociais. O campineiro seria um povo mais fechado ou será que a gente tá diante de um estereótipo construído com o tempo? No programa de hoje, a gente mergulha nesse tema que mistura comportamento, história, cultura e afeto. Para entender um pouco mais então sobre esse estigma que o campineiro carrega, nós vamos dar as boas-vindas à psicóloga que fala com a gente pelo Zoom, a Alana Welker, que irá conversar com a gente sobre essa questão psicológica de pertencimento. Alana, bom dia, seja muito bem-vinda. Obrigada pela sua participação. Bom dia. Eh, obrigada, né, pelo convite. E eu achei muito interessante, né, eh, eu ser convidada para falar justamente no dia que nós temos um historiador, porque a minha especialidade é psicanálise, né? E a psicanálise ela não entende um comportamento simplesmente ali no aqui, no agora, né? a gente sempre vai entender o hoje como uma construção do passado, né, de tudo que aconteceu. Então, ter o professor aqui falando de história, casa muito bem com a psicanálise, porque é isso, para psicanálise coisas elas não são como elas são, né? Elas são através de todo uma construção de experiência, né, de vivências. E se a gente olhar a cultura de uma cidade, né, o estilo da cidade, ele não é simplesmente imposto, vai ser assim e pronto. A cultura ela é construída ao longo dos anos, né? E e se a gente olhar a essência de Campinas, ela é uma cidade muito potente, porque a gente tem um polo universário, um polo industrial, então é uma cidade cheia de progresso, de possibilidades, né, e de expectativa. E se a gente for olhar, né, eu tava até ontem eu fui dar uma olhadinha no hino de Campinas que eu nunca tinha lido, né, ouvido. E e o hino fala, reforça muito isso, né? E o hino é uma identidade, né? é o tempero, né? É, é, é a roupagem de uma cultura, né? É o concreto do que se acontece. E o hino fala disso, né? Progresso, polo industrial, né? Então vai reforçando que aqui é um espaço de conquista, de progresso, e isso é muito atrelado a a as coisas serem aceleradas, né? Porque eu quero progredir, né? Eu quero crescer, eu preciso de foco, então eu preciso ser prático, eu preciso ser eh muito focado e de certa forma, não só, né, Campinas, mas a a cultura, eh, em geral, ela divide as coisas em polos, né, bem e mal, eh, afetivo ou objetivo, né? Então, a cultura campineira é esse convite, né? Olha, aqui é um espaço para crescer, aqui é um espaço que nós temos ciência, tecnologia, universidades, empresas, muitos polos, né? Então ela faz esse convite pro progresso, para focar no futuro, focar no seu desempenho. E quando a gente tem muito, né, esse foco no fazer, né, a essência afetiva, ela fica um pouquinho em segundo plano. Então, talvez a pergunta, nem seja o campo inteiro é fechado, né? Mas a pergunta seria eh que tipo de cultura a gente vem costurando ao longo desses anos que o campineiro ele veste essa roupagem, né, de aqui é um espaço de fazer, né, isso fica em segundo plano afetivo, né, porque isso não é só Campinas, né, a sociedade em geral, né, a gente tem filósofos contemporâneos que falam muito disso, né, sobre a sociedade do cansaço, né, que tem uma cultura, né, acelerado, de fazer, né, e a gente no fazer, na aceleração, a gente acaba não dando conta do afetivo, que ele é um convite para pausa, para construir algo, se vincular, que leva um tempo, né? Legal, Alana. Muito bom. essa primeira fala, né, da nossa psicóloga Alana, ela traz pra gente já uma visão, né, bem ampliada, uma visão macro da cidade de Campinas. E agora dou as boas-vindas e claro que ele vai falar de história, ele vai contar histórias pra gente que a coisas que aconteceram lá atrás e que trouxeram Campinas para esse estigma, que trouxeram Campinas para essa fama de uma cidade fechada. é o professor de história Sidney Lisboa Rocha, que também é criador, gente, do perfil Histórias de Campinas e confesso que aprendo muito com esse perfil, viu? Ô, professor, bom dia, seja muito bem-vindo, prazer te receber. Bom dia, bom dia. Bom dia a todos. É uma satisfação muito grande estar aqui. Agradeço muito pela oportunidade de poder compartilhar um pouco mais da cultura, da história da nossa cidade, que é uma história tão rica, uma cultura tão rica. E vou pegar a carona na fala da doutora aqui. De fato, eh, Campinas é uma cidade que concentra pessoas que vieram para cá com um objetivo definido. Qual é o objetivo definido? sair de uma situação de desconforto social e encontrar uma oportunidade melhor. E todo mundo que tá aqui, todo mundo que tá aqui veio de fora. Em algum momento a gente tem alguém lá atrás que veio de fora para começar a vida aqui. Então a gente cresce muito em Campinas exatamente com esse foco de de olhar paraa frente, de trabalhar, de produzir, de criar, de se fortalecer. Nisso talvez brote algum individualismo, né? Eh, o cara que fundou Campinas, por exemplo, era de Taubaté. O Francisco Barretolem vem de Taubaté. O cara que o o padre, o cofundador da cidade de Campinas, o o padre Frei Antônio de Pádua, eh ele veio de Minas Gerais, era mineiro e e os mineiros têm uma contribuição importantíssima com a com a história da cidade de Campinas. Eh, Campinas já foi até bombardeada, até aviões da da força do exército sobrevoaram Campinas bombardeando a cidade porque vinham os trens carregados com reforços de Minas Gerais para apoiar uma revolução que acontecia aqui em São Paulo. Então, essa conexão Campinas e e Minas Gerais, ela é muito forte desde a de a nossa fundação e gente que não acaba mais vindo para cá. Eh, no século XIX tem alguns viajantes que passaram por Campinas. Então, teve um português chamado Zaluar, teve um alemão eh um alemão, francês, enfim, muitos estrangeiros passaram por aqui e deixaram registrados as impressões que eles tiveram da cidade e muitos deles iam registrando eh interesse em permanecer aqui, como a cidade é próspera, como a cidade é pujante, como a cidade eh aponta para um desenvolvimento já no século XIX. E e todo mundo que vem para cá sempre tem uma vinculação com profissão. Por exemplo, o Barretoleme quando vem para cá era agricultor. O Frei Antônio de Pada quando vem para cá vem para exercer o ofício religioso de padre e traz os irmãos que eram também agricultores. O os os militares que vieram para cá vieram para cá para criar um polo militar que é importantíssimo aqui em Campinas também. a gente não fala muito, mas, por exemplo, para se a pessoa quiser ser general do exército hoje, ele é obrigado a morar em Campinas, porque ele tem que passar pela escola de cadetes. Eh, então quem vem para cá ou vem para trabalhar ou vem para estudar, não vem necessariamente para fazer amizades, vem para trabalhar ou para estudar. Talvez isso contextualize o o o que a doutora falou agora, que realmente a gente foca no trabalho e e em prejuízo da nossa vida afetiva, né? Muito bem. Olha só a explicação do professor, né? E a gente entendendo aí a questão eh de Campinas ser considerada eh como uma cidade fechada e no estado do Paraná, eu sou do estado do Paraná, vim para Campinas e eu vou falar um negócio para vocês que eu eu tive um acolhimento tão gostoso aqui em Campinas que eu para a minha visão não é essa, né? Eu não vejo assim porque de repente não sei se é por conta do meu do momento em que eu vim para Campinas e e as pessoas que me cercavam naquele momento que me deram um acolhimento assim maravilhoso. Então eu não vejo Campinas assim, mas tem outras pessoas que vê Campinas assim. O meu intuito de Campinas foi, claro, trabalho, né? Então a gente segue esse ritmo frenético e eu venho de um ritmo frenético de trabalho e aqui eu só continuei o meu caminho nessa estrada de trabalho da correria do dia a dia. Pode ser que por esse motivo eu não tenha sentido essa sensação de não pertencimento, porque eu tenho uma sensação de pertencimento nessa cidade que é maravilhosa. Agora eu quero perguntar pra Alana o que que leva a comunidade a ser percebida como fechada e qual que é a importância dessa dessa questão da sensação de pertencimento quando você chega a algum lugar? O que que o que que faz com que a gente tenha essa sensação de pertencimento? A gente precisa na questão psicológica que o outro nos acolha, né? A gente precisa da afirmação do outro para que a gente tenha a sensação de pertencimento daquele lugar. Quando você tá bem resolvido com você mesmo, onde você chegar, você vai lá, manda ver, faz amizades. Agora eu te pergunto, quando você cumprimenta alguém, se você cumprimenta alguém, bom dia, a pessoa vai te responder assim: cumprimentar alguém e falar: "Bom dia, tudo bem? Poxa vida, a pessoa vai responder para você da forma com que você e entregou para ela." Então, no meu ponto de vista, é mais ou menos assim. Agora eu gostaria que você explicasse na questão psicológica e depois a gente fala então da questão da história que vem, né, de uma longa data e a gente chega eh nesse ponto aí da sensação de pertencimento. Alana. Uhum. Eh, a visão da psicologia, né, ao longo dos autores, dos estudos, elas foram mostrando que a saúde emocional ela não se faz sozinha, né? Nós somos seres que a gente precisa da relação com o outro. a gente se constitui a partir da relação com o outro, né? Seja relacionamentos de amigos, né, em núcleos menores do seu grupo de trabalho, né, e a sociedade em geral, né? Então, nós só, né, acho que a nossa grande particularidade, né, como seres humanos, é essa capacidade social, né, de se vincular. E quando a gente não tem, né, não se sente pertencido, quando a gente não consegue se vincular, isso afeta extremamente diretamente o nosso emocional, né? Então, se a gente chega numa cidade, num espaço, sinto que eu não tô me sentindo acolhido, pertencido, e eu vou me isolando e me sentindo sozinho, né? Isso tem um prejuízo emocional muito grande. É isso mesmo. Então, a gente precisa dessa sensação de pertencimento. E, pelo que a Alana falou, a gente também eh para que essa sensação de pertencimento aconteça, a gente precisa de pessoas que estejam nos acolhendo. Agora, na questão do acolhimento, professor, eh, qual que é a sua avaliação do acolhimento das pessoas aqui de Campinas? É relativamente frio mesmo ou é algo assim que depende da pessoa, como eu falei, né? depende do bom dia que você que você oferece pra pessoa que tá passando do seu lado na rua. Qual que é sua avaliação sobre isso? Campinas. Amo cidade de Campinas. Eu acho que a cidade de Campinas de alguma forma ela é muito acolhedora, porque as pessoas continuam vindo para cá, as pessoas continuam construindo, trabalhando e produzindo e continuam vindo e os parentes continuam vindo e as pessoas que vêm para cá ligam pros parentes e os parentes vêm. Então, em algum momento, em algum ponto, nós somos bastante acolhedores. Agora, Campinas tem algumas características bastante interioranas. Basta você tomar um metrô em São Paulo e entrar num ônibus aqui em Campinas. Os comportamentos das pessoas são diferentes. A as relações entre as pessoas são diferentes. O trânsito em Campinas, você pode dar seta, pedir pelo amor de Deus, mostrar que você vai entrar, que você não entra. Em São Paulo, as pessoas se conversam até no trânsito. Você tem que entrar, a pessoa deixa você entra. São Paulo muito mais fácil dirigir do que em Campinas. Então, Campinas nós somos do interior, nós somos ainda muito eh eh tímidos nos nossos relacionamentos. Uhum. Talvez não seja o mau humor do campineiro, talvez seja aquela aquele recalque do interior ano que eu, por exemplo, tenho uma dificuldade, a minha esposa é mineira e a minha esposa para em todos os lugares para conversar com todo mundo, para sorrir para todo mundo, para bater papo com todo mundo. E eu sou campineiro, digo: "Vamos, minha filha, a gente tem coisa para fazer". Não, mas espera só mais um minutinho que eu vou conversar aqui. A gente mudou, a gente mora num condomínio. Eh, eu levei uns dois, três, 5 meses para conhecer os nomes dos vizinhos. Em uma semana, minha esposa, que é mineira, já tinha feito amizade com todo mundo, já tava levando bolo na casa da vizinha, recebendo bolo da casa da vizinha. Então, eh, essa nossa característica talvez de de de timidez, de interiorando, talvez ela deixe deixe bem eh visível. Isso é uma marca nossa. Mas não é uma cidade ruim, é uma cidade que não, talvez não sorria muito para as pessoas, mas acolhe, né, do do seu jeito tímido, do seu jeito, eh, sem eh eh sem demonstrar talvez com sorrisos, mas é uma cidade que acolhe bastante. Tanto é assim que nós somos feitos de de pessoas que vê de fora, né? Exatamente. E acolhe bastante mesmo, né? Tem um equilíbrio aí bem legal aqui na cidade de Campinas. Esse é o meu ponto de vista. Eu quero saber de você que tá em casa. Eh, você recebeu um acolhimento, você é de Campinas, você é campineiro, você não é, você veio para cá para trabalhar, né? Como é que você avalia aí eh eh o comportamento do campineiro aqui na cidade de Campinas, hein? Conta pra gente. 1997829377. Agora a gente fala com a Lana e eu gostaria que você explicasse pra gente porque algumas pessoas elas têm dificuldade e outras não, né? eh tem assim um algo na psicologia, eh, na psicoterapia, enfim, que que defina essa esse comportamento? Sim. Eh, a gente tá falando do campineiro de uma forma geral, cultural, né? Mas na psicologia a gente entende a individualidade do sujeito, né? E a maneira como a gente vai se relacionar, claro que é muito atravessada pela cultura, pelo clima de onde nós estamos, né? a gente acaba sendo influenciado. Tanto é que um ser humano ele se comporta de maneira diferente. Na praia você é contagiado pelo clima da beira da praia, então você fica um pouquinho mais ali descontraído no ambiente empresarial, né? Você tem uma persona, um pouco mais fechada, mais séria, né? Com um limite assim pro afeto, pros amigos, porque é um clima corporativo, né? E e o individual ele é atravessado pelas experiências, né? Então, tenho o externo, mas tenho o interno, que é a nossa história de vida, as nossas experiências, né? Qual era, né? Porque antes de eu estar em sociedade, a primeira sociedade, o primeiro núcleo social que a gente se desenvolve é uma família, meu pai, minha mãe, a dinâmica da casa, né? É como se fosse a primeira cidade. É ali que eu vou aprender como eu me, como eu pertenço, né? como são os valores, as regras, a maneira ali de se organizar as coisas. E quando eu chego pro máximo ali, né, a escola, a cidade, o shopping, o elevador, os vizinhos, né, eu vou reproduzir tudo aquilo que eu aprendi no meu minucleo social com a minha família, né, os meus valores, as experiências, né, como eu fui acolhido pela minha família, como é era mais rígido, era mais afetivo, né? a as coisas que eu fui vivendo, as experiências, elas foram me fortalecendo emocionalmente ou eu fui uma criança muito criticada e com isso eu fui ficando mais retraída, então eu chego na sociedade mais retraído, né? Então o indivíduo ele tem as experiências únicas, pessoais, né, que vão tando, dando todo o contorno para como essa personalidade vai se desenvolvendo. Muito bem, né? São experiências únicas, como você disse, e que a gente vai desenvolvendo no decorrer da nossa vida e que em um momento eh chega nessa situação aí. Ah, eu tô numa cidade onde as pessoas são fechadas, mas como é que como é que foi a sua infância? Como é que foi o seu desenvolvimento? E falando em desenvolvimento, eu volto para o professor e a gente fala, a Alana eh tocou num ponto bem legal que é o hino, né? né? O hina aqui de Campinas que fala muito sobre progresso. Se a gente for ver o símbolo de Campinas e andorinhas, né? E também a fênix, porque Campinas quase foi devastada por conta de uma febre amarela, né? Me corrija se eu tiver errada. Não sou de Campinas, mas estudo eh sobre a cidade, gosto desse lugar e acho interessante a gente saber da história, né, do lugar onde a gente vive. E Campinas, ela ela tem a o símbolo de fênix. Por quê? Porque a fênix ressurge das cinzas, né? eh no seu ponto de vista, toda essa história, tudo isso que ocorreu com Campinas, Campinas quase foi devastada. Então, Campinas teve que ser reconstruída, né? essa reconstrução, eh, no seu ponto de vista, ela traz também, eh, essa, essa questão da pessoa ela ficar mais interiorizada, mais assim, mais dentro do do seu do seu quadrado, assim, no seu cantinho e deixar que as pessoas, ah, você quer chegar aqui, chega, quer seguir, segue. Aqui tem lugar para todo mundo. E é só você seguir a vida, mas a gente não precisa de est em muita conexão. Você acha que tem a ver com tudo que Campinas passou? Tem, se você analisar a história de Campinas, ela nos mostra que a cidade foi crescendo segmentada. A questão da fênix na nossa bandeira, ela de fato representa muito bem o que é Campinas. É uma cidade que vai pra frente, vai enfrentando seus percalços e continua indo pra frente. Então, por exemplo, como é que surge a cidade de Campinas? 1722, mais ou menos, pessoal, os tropeiros começam a parar aqui. Essa é a versão oficial, mas é uma versão que já foi contestada. Costa, por exemplo, fez um trabalho lindíssimo contestando bastante isso. Mas o que se entende, a maioria dos historiadores entenda que a partir de 1720 a tropeiros paravam aqui para descansar, estavam indo em direção a Goiás para para Garimpaouro. Paravam aqui para descansar em três campinhos, três campinas, como a gente chama em geografia. Daí que vem o nome da cidade. Uhum. Só que de repente o ouro acabou. Os métodos de extração do ouro foram muito prejudiciais, não conseguiam extrair mais ouro. Acabou o ouro. Acabou. Ah, acabou a necessidade de ter uma Campinas pro tropeiro parar e descansar. E agora o que que a gente faz? Agora vamos plantar cana de açúcar, porque agora a gente vamos ganhar dinheiro plantando cana de açúcar. A nossa cana de açúcar foi desbancada no mercado internacional. Campinas quebrou. E agora o que que a gente faz? Vamos plantar café, né? Campinas cresce com café. Aí vem a crise internacional, década de 1930. Acabou o café. A gente não tem mais para quem vender café. Que que a gente vai fazer agora? Indústria, vamos falar indústria. Então, Campinas, ela vai renascendo o tempo todo. Essa fênix, acho que vale a pena mencionar a história. 1889, Campinas mergulha numa febre amarela. E para entender o que foi a febre amarela em Campinas, basta pegar Covid-19, que judiou bastante, multiplica isso por 1000. Au. Você vai ter uma uma ideia do que foi a a febre amarela em Campinas. E ficou anos aqui. Ah, a população diminuiu de 25, 30.000 pessoas, diminuiu para 5, 6.000, né? Quem não morreu fugiu. Há relatos de pessoas que tropeçavam em corpos no meio da rua. Realmente foi terrível. A cidade quase se desfez quase literalmente foi abandonada de fato. E e aí o Dr. Ricardo Gambleton Down, tem um uma rua na cidade com esse nome, Dr. Ricardo, ele propôs esse, ele era vereador na cidade, ele propôs fazer o desenho da Fênix, mostrando que Campinas ressurge da cinzas. ressurge nesse contexto, sim, Campinas vai se segmentando, as pessoas vão buscando os seus iguais para fazer os seus grupinhos. Vamos ver, por exemplo, a Hospital Casa de Saúde foi criado, se a gente passa na frente do hospital, tá escrito lá círculo italiano NIT. Uhum. Era um grupo de italianos que se reunia ali para defender interesses do grupo de italianos. Sociedade beneficência portuguesa foi feita pelos patrícios portugueses para defender os interesses deles. A Santa Casa de Campinas foi feita na época para ah para atender escravizados, para atender gente pobre, marginalizada. Então a cidade ela foi crescendo toda segmentada, cada um defendendo o seu segmento. As crises foram nos empurrando para buscar os nossos iguais e e buscar os interesses desses pequenos grupos. Talvez por isso a gente note uma grande diferença a partir da década de 1950, 60, 70, com uma industrialização mais forte. Ah, da rodovia Anguera para lá é outra cidade de Campinas. da Rodovia Anguera para cá é uma cidade, da Rodovia Anguera para lá é outra cidade, com gente que veio de fora e muito recente. Então são pessoas que de fato não estão eh eh adentradas na história da cidade. São pessoas são personagens que chegaram depois e conhecem ou pouco ou muito nada. Isso ou muito pouco ou nada da história da cidade. Isso diminui a sensação de pertencimento. Com certeza. Exatamente. Acho que a gente conhecer onde a gente vive ou onde a gente tá eh eh com planejamento de viver é muito importante, porque você acaba eh tendo mesmo essa sensação de pertencimento e adentrando no lugar já com um conhecimento que te faz entender, né, nesse caso, como como nós estamos dizendo aqui, a situação, essa fama que Campinas tem de um povo fechado, né? Campinas, gente, tem mais de 1 milhão eh 200.000 habitantes, né? E mais de 40% dessa população nasceu fora da cidade. A cidade sempre foi vista, como disse o professor, com destino de migração e de de várias eh eh várias regiões do país. Tem pessoas aqui, se você for analisar, né, a gente até perde as contas. Você encontra pessoa aqui do Paraná, você encontra pessoa do Mato Grosso, você encontra pessoa até do exterior que veio para Campinas, né? Então, eh, Campinas é sim uma cidade acolhedora, do meu ponto de vista, porque se não fosse essas pessoas não continuariam vindo para Campinas, se desenvolvendo em Campinas e trazendo suas famílias para Campinas, né, professor? Foi como o senhor pontuou. É verdade. E a a cidade ela acolhe, atrai, as pessoas continuam vindo para cá, mas talvez nos falte também eh esse entendimento da nossa própria história aqui na cidade, porque as pessoas passam, por exemplo, em frente o a estátua do Carlos Gomes. Cara, Carlos Gomes foi o maior maestro do mundo na época dele. O cara foi o maior músico do mundo, campineiro, nasceu aqui na rua Regente Feijó. E e as pessoas quando o Carlos Gomes faleceu, ele trocava cartas, ele estava na Itália, trocava cartas aqui, depois veio pro estado do Pará, foi acolhido lá. É razão pela qual tem uma praça no centro de Campinas, chama-se Largo do Pará. Uhum. E o Carlos Gomes, ele dizia: "Campinas não gosta de mim. Campinas não, ele morreu magoado com a cidade porque ele pedia para vir para cá. Ele queria morrer em Campinas e os campineiros disseram que não, mais paraa frente você volta, viu? Ele dizia, mas não tem mais pra frente, eu vou morrer. Aí hoje a gente vê as pessoas indo na sepultura dele, que é aquele aquele monumento em frente à igreja do Carmo, é a sepultura dele, tá sepultado ali. As pessoas levam cachorro para fazer cocô na sepultura do maior maestro da história da cidade de Campinas. Então nós não conhecemos a nossa história. A gente vê a estátua do Bento Quirino lá em frente a Igreja do Carmo também. A estátua tá toda pichada, toda judiada. Cara, o Bento Quirino foi um herói. O cara era podre de rico. E na época da febre amarela, se eu fosse o Bento Quirino, eu tinha fugido, eu tinha ido paraa praia para a febre amarela passar. Ele ficou na cidade, arriscou a vida para defender os pobres, para ajudar as pessoas mais pobres. Falei, levar cesta básica para quem não tinha. O aquele padre que está retratado na frente da da Catedral de Campinas é o primeiro bispo da cidade de Campinas, o Dom João Correani. O cara era um herói, ele entrava nas casas das pessoas com febre amarela para dar extrema unção pro católico poder morrer sabendo que foi perdoado, para dar conforto na hora da morte, arriscando a vida a ponto de pegar a febre amarela e depois sarou só para voltar e continuar ajudando as pessoas. Então a gente precisa se interar um pouco mais disso pra gente sentir vontade de preservar. Olha isso, né? Que história interessante que a gente tá eh eh trazendo para você, que é a história da cidade de Campinas. E a gente traz a história da cidade de uma outra forma, né? A gente tá falando aqui eh desse estigma que Campinas carrega, de que o povo campineiro é um povo fechado, mas é importante você conhecer a história da cidade para você ter a sensação de pertencimento e valorizar, né, os pontos, as pessoas. Campinas é para mim uma cidade maravilhosa, viu? É isso mesmo. Agora você que tá em casa, conta pra gente. 8:32. A produção tá avisando que a gente tem perguntas, tem depoimentos. Então pode vir em produção, porque a gente já começa falando com a Fernanda do Jardim Ouro Verde. O medo de perder espaço ou a própria identidade pode levar alguém a rejeitar novas pessoas no convívio social. Isso é meio psicológico. Então a gente passa pra nossa psicóloga Alana. Responde pra gente, por favor, a Fernanda. Oi, Fernanda. Eh, uma pergunta muito interessante, né, porque eu acho que o vínculo social ele é um convite, né, a essa interação, a essa troca. E dependendo do que eu tenho internamente, isso pode ser tanto motivador quanto ameaçador, né? Então, se eu carrego as minhas inseguranças, o meu medo de misturar com outro, né, isso pode ser um pouco ameaçador, né? eu me sinto ameaçado, será que a minha identidade vai se misturar, vai se diluir? Então eu crio um retraimento, uma abertura emocional mais fechada, né? Claro que vai depender aí do de cada indivíduo. Muito bem. 8:33, lembrando que hoje 9 horas nós temos reunião extraordinária direto do plenário José Maria Matozinho, transmitida aqui pela TV Câmara Campinas, aqui na TV e também eh no YouTube, tá? Aí você pode participar ao vivo se você quiser ir até o plenário José Maria Matozinho. Então, engenheiro Roberto Manches, 66, bairro Ponte Preto. É só chegar e entrar. É a casa do povo, combinado? Vamos lá. 8:33, mais perguntas pra gente chegando. A Márcia do Cambui. Oi, Márcia. Bom dia. Quem vive nos bairros mais antigos tem um jeito diferente de se relacionar do que quem mora nas regiões mais novas? Professor, com certeza. as pessoas que estão juntas há mais tempo formam vínculos eh diferentes do que aquelas pessoas que estão chegando agora. Os interesses são diferentes, as estruturas sociais são diferentes, naturalmente que as relações também vão ser diferentes. A gente nota isso com muita facilidade nos comportamentos, principalmente dos jovens. Eu já dei aula eh em escolas em bairros mais novos e já dei aulas em bairros mais tradicionais. Os comportamentos dos jovens são diferentes, os interesses da sociedade são diferentes, são sociedades distintas. Muito bem. Tem mais perguntas, produção? A gente tá aqui falando da cidade de Campinas, professor, contando um pouco da história dessa cidade e a Alana trazendo pra gente a questão psicológica, né? Eh, dessa dessa situação aí de que Campinas é uma cidade que tem um povo fechado, né? Será que tem mesmo? Bom, vamos lá. Tem mais perguntas? Pode colocar na tela pra gente, por favor? A Juliana do Jardim Chapadão. Ó, enquanto a gente vai falando da Juliana, é esse QRcode que tá na tela aí, você pode apontar seu celular, a câmera do seu, a câmera do seu celular, tá? E já fala direto com a nossa produção, manda pergunta pra gente ou então o seu depoimento sobre a cidade de Campinas e a população que vive nessa cidade, principalmente os campineiros, né? Eh, se são pessoas mesmo fechadas, sim ou não? Que que você acha? A Juliana do Jardim Chapadão, chegar em uma cidade nova e não conseguir fazer amigos pode afetar o emocional. Como lidar com isso, Alana? É, quando a gente não tem uma boa relação social, não se vincula, né? Isso afeta diretamente o nosso psicológico, porque a gente eh vai constituir, vai se constituir, né, a nossa individualidade no meio, né? Então, se eu tô num num local onde eu não consigo fazer bons vínculos, me desenvolver, né, isso com certeza vai afetar meu emocional, porque a gente se constitui na relação com o outro, né? E e aí eu sempre falo, a gente precisa também olhar para dentro porque às vezes a gente terceiriza um pouco, né, as nossas questões. É a cidade, é a escola, é é o lugar que eu frequento, né? Mas e eu, né? Qual é a minha abertura, né? Será que eu tô me mostrando o suficiente para que as pessoas me conheçam e passam a se interessar por mim? Porque se eu ficar na minha bolha quietinha esperando que o outro chegue até mim, nem sempre isso pode vir acontecer, né? Agora, se naturalmente eu me abro, eu vou me apresentando, né? Isso naturalmente vai mostrando pro meio um certo interesse, né? Puxa vida, deixa eu me conectar com essa pessoa, né? Porque ela parece ser legal. E é isso que a relação é uma troca, né? Então é eu no meio e como o meio chega até a mim. Muito bem. É, é isso que acho que aconteceu na na no meu caso, como sou comunicóloga, né? Gosto de falar demais e aí jornalista, você chega no lugar, você chega falando, você chega falando, tem gente que quer ouvir, tem gente que interage, tem gente que não quer e tudo bem. E a gente vai seguindo e hoje eu vivo muito bem aqui na cidade de Campinas. Eu falo para todo mundo que é uma cidade que me acolheu e eu sou grata pelo acolhimento da cidade de Campinas e também desse povo maravilhoso aqui dessa cidade que eu ainda estou conhecendo aos poucos, mas para mim é uma cidade muito boa. Claro, tem sim, gente, em todo lugar nós temos problemas, situações, né? E a vida é assim, a gente só precisa seguir em frente, né? Em frente com M e em frente com N, entendeu? enfrentar e seguir em frente. É isso. 8:37. Tem mais perguntas? Ô produção? Se tiver, vamos com perguntas. Ã, o Edu de Barão Geraldo. Alô, Baron Geraldo, bom dia. Existe uma diferença visível de comportamento entre quem nasceu aqui e quem veio de fora e se adaptou? Tem, né, professor? Em momentos históricos distintos, a gente percebe essa diferença mais acentuada ou menos acentuada. Você sabe que tem um amigo meu, um senhor de 97 anos. Aham. Ele é médico aposentado. A a madrinha de casamento dele era a filha do Barão de Tapura. Uau. Eu fico espantado quando eu vou na casa dele e eu vejo objetos assim na casa dele. Ele diz assim: "Olha, tá vendo esse anjinho aqui? Tá com a mãozinha roída? Aham. Foi a Iá que roeu. A Iaiá é a dona Isolete Augusta de Souza Aranha, que dá nome pra rua na cidade era filha do Barão. E a estátua tá lá na casa do homem e outros objetos que pertenceram a ela também. Eh, então o comportamento, imagina o comportamento, a a dona Isolete era daqui, nasceu aqui, mas eh não só por ter nascido aqui, o contexto social na época, a religiosidade, o o padrão de vida, o modo de vida, a vida menos corrida. Hoje essa diferença ainda existe, mas como a gente quando a gente para para estudar períodos históricos, a gente percebe uma tem diferença, mas em relação a outros momentos históricos, é uma diferença que foi bastante diluída, porque hoje tá muito globalizado, o mundo tá tá universalizado de uma maneira que nunca teve. Então, eh, eu, por exemplo, tenho um rapaz, eh, eu dou aula de língua portuguesa para um rapaz que é ucraniano, arranjou uma namorada brasileira, que aprender a falar português. Ele é ucraniano e mora na China. Todo sábado à noite eu fico uma hora com ele no meet fazendo uma aula ali de de língua portuguesa. Uhum. Percebe como o mundo tá todo próximo, tá todo globalizado? E eu perguntei para ele, falei: "Cara, o que que vocês comem na China?" Arroz, feijão, igual a gente aqui. Ah, sério mesmo? Igual a gente aqui. Falei: "Cara, mas você não come escorpião? Não, a gente come arroz, feijão, salada, igual igual aí mesmo. E o que que você comia na Ucrânia? A mesma coisa. O mundo tá muito, os nossos comportamentos estão muito mais assemelhados hoje do que antes. Então, sob o ponto de vista histórico, que eu diria, sim, existe diferença, mas em comparação com outros momentos históricos, essa diferença foi bastante diluída. Muito bem. 8:39. Ainda nos restam 10 minutos porque hoje a gente entrega um pouquinho mais cedo. Daqui a pouquinho, às 9 da manhã, tem reunião extraordinária no plenário José Maria Matozinho. Reunião essa que você pode assistir presencialmente no plenário ou então aqui pela TV Câmara Campinas e também no canal do YouTube da TV Câmara Campinas, tá certo? 8:40. Tem mais perguntas, produção? Se tiver pode mandar, senão a gente continua aqui. A Sônia do Jardim Olina. Oi, Soni, bom dia. Ter uma rede de apoio é fundamental, mas como criar isso em uma cidade onde pessoas parecem não se abrir facilmente? Ixe, e agora? O que que a psicologia diz? A rede de apoio é muito bom. Eu tenho uma muito sensacional. a equipe da redação, pessoal do grupo Mais pessoal me acolheu. Então, acho que de repente isso também é um dos motivos que eu me senti eh com eu tive a sensação de pertencimento na cidade. Além disso, também fui estudar um pouquinho e andei por, olha, eu conheço assim, não conheço inteira Campinas não, mas hoje eu já sei onde estou, sei ir e vir sem precisar de GPS. Então eu busquei pesquisar sobre a cidade onde eu está e e iria eh eh fazer a minha vida novamente, né? Então, eh, a Sônia pergunta da rede de apoio, mas como que a gente cria uma rede de apoio se a gente chega num lugar, as pessoas não se abrem e como é que vai fazer essa rede sem abertura? Muito legal essa pergunta. Acho que eu posso falar tanto como psicóloga, mas como alguém que viver essa experiência, porque eu moro há 18 anos, né, aqui em Paulíia, que é do ladinho de Campinas. Então, eu senti um pouco, né, empiricamente como é mudar. Eu vim do Rio Grande do Sul, né, para aqui paraa região. Então, comecei minha faculdade na PUC de Porto Alegre e terminei aqui na PUC de Campinas, né? E isso que você falou é muito interessante, né? Porque é muito legal a gente ter a rede de apoio, mas eu acho que tudo na vida, tudo que nos acontece e que nos afeta, é muito importante o nosso movimento. A vida é movimento, é como a gente reage às coisas. Então, se eu venho sempre com uma idealização, com uma expectativa, né, que o outro vai me dar abertura, que o outro fará por mim, né, e que eu fico nessa posição passiva esperando, a chance dessa idealização se quebrar e eu me frustrar é muito grande. E às vezes na frustração a gente acaba tendo uma interpretação muito distorcida das coisas, né, e até denegrindo, que cidade chata, eu não gostei daqui, né, porque houve uma quebra de idealização. Então eu acho que é isso, é como eu vou chegar no novo espaço, né? Como eu vou reagir a essa mudança, o que me aconteceu? E com a mente bem aberta mesmo, no sentido de que eu vou encontrar coisas diferente do que eu internalizei, né? que foi o que me aconteceu. Cheguei aqui com 17 anos, eu tinha uma idade do que era grupo, o que era faculdade, o que era eh a sociabilidade. E quando eu cheguei em Campinas, eu eu concordo muito com essa ideia de que Campinas ela acolhe, ela recebe, ela tá de braços abertos para onde você quiser se desenvolver, mas ela tem ali uma abertura emocional um pouquinho mais fechada. Então, se você entender isso, né, que você vai, tem amigas campineiras maravilhosas, né, onde elas abraçavam menos, né, faziam as coisas menos juntas ali na rotina, mas tinha, né, um me permitiram pertencer ao grupo, né, e aí nós vamos ser afetada pela cultura e pelas coisas que a gente vive o tempo todo. Até o professor falou da comida. Eu cheguei há 18 anos pensando, nossa, no sul comi feijão preto todo dia, que estranho comer aqui na P esse feijão claro. 18 anos depois, eu amo comer o feijão claro todos os dias, né? Então a gente também se permite essa mobilidade emocional de ir se adaptando a essa troca. Exatamente. É uma troca, eh, são trocas de experiências, é movimento, é adaptação e quando você vê, você já está pertencendo, né, ao lugar que você decidiu continuar. É a cidade de Campinas. Tem mais uma pergunta. A gente direciona então essa pergunta para quem? Vamos ver. Eh, Henrique do Jardim Nova Europa. Quais fatos históricos ajudam a entender? Porque Campinas sempre prezou tanto pela imagem de cidade, entre aspas, exclusiva. Uau, que pergunta, hein, professora? Essa aí, olha, eu não diria uma cidade exclusiva, mas eu diria que Campinas tem um orgulho muito grande da sua história, do do seu da sua importância. Campinas é uma cidade muito importante. O Antônio da Costa Santos, o nosso saudoso prefeito, eh, escreveu um tratado sobre a cidade de Campinas, no qual ele mostra que ele discorda, desse ponto de vista, que Campinas surgiu por acaso como parada de tropeiros. Ele aponta que Campinas foi planejada para ser construída num conjunto de outras cidades para formar um escudo para impedir que os espanhóis tomassem a nossa região, que havia uma disputa entre Portugal e Espanha na época. Então, Campinas já nasce como cidade estratégica a partir daí. Eh, ao longo da nossa história, personagens importantíssimos passaram por aqui. Dom Pedro II visitou a nossa cidade cinco vezes. O, as tropas do Duque de Caxias, não ele, mas a tropa dele, veio lutar aqui em Campinas, porque Campinas fazia parte de um movimento que pretendia chegar até até o Rio de Janeiro, que era capital na época. Ah, o Regente Feijó, a rua Regente Feijó, é porque nós tínhamos aqui um padre que abriu a nossa primeira primeira escola de Campinas, inclusive, antes de ser padre. E esse cara foi regente do império do Brasil. Campinas já deu o Campo Sales, que é presidente do Brasil. O o a a a proclamação da República só aconteceu por causa dos campineiros. Embora a a ata da reunião da formação do partido republicano tenha se dado em ITU, alguns historiadores apontam que a a ata da a convenção do do partido republicano foi feita em IT, porque os campineiros fugiram para lá porque estavam sendo perseguidos aqui na época. Então, a a cidade de Campinas, a história de Campinas se confunde com a história do próprio país. Algumas coisas trazem prejuízo para essa questão de de de mostrar Campinas como uma cidade eh que não gosta de gente de fora, uma cidade fechada. Algumas das coisas que contribuem para isso é o nosso não conhecimento, nosso desconhecimento da história da cidade. Por exemplo, o que eu já vi de gente dando entrevista falando que Campinas foi a última cidade do Brasil abolir escravidão, isso não é verdade. Isso uma mentira absurda sobre a nossa cidade. Ah, e outra coisa que se fala muito, nossa, Campinas foi a cidade mais escravagista, cara. O Francisco Glicer era negro, ele foi vereador na nossa cidade. O o mestre Tito era um dos maiores curandeiros da cidade, um cara negro que comprou a própria forria, construiu a igreja de de São Benedito com ajuda da dona Ana, que era uma senhora branca da sociedade, a uma das primeiras escolas, talvez a primeira escola para atender o negro do Brasil em Campinas, um hospital construído para atender o negro lá no século XIX, que é a Santa Casa de Campinas. Então, tem muitas eh histórias. 1863 foi construída uma escola eh do Antônio Cesarino. Antônio Cesarino era negro, a esposa negra, as filhas negras, era a melhor escola de Campinas, a mais badalada escola da cidade de Campinas, o colégio de perseverança. Então, assim, a gente tem algumas ignorâncias a respeito da nossa cidade, alguns não conhecimentos, né? Ignorância no sentido de não conhecer que nos fazem ter uma má impressão da cidade que não é verdadeira. Essa questão da cidade exclusiva, eu não usaria a palavra exclusiva. Eu diria que a é uma cidade importante e que quem conhece a história da cidade, quem conhece a nossa formação, sabe que a cidade é muito importante. Por isso a gente preza por eh preservar esse status de cidade importante, porque de fato é muito bem. Olha só quanto esclarecimento, né, em pouco tempo aqui com a nossa psicóloga Alana, o professor trazendo pra gente essas informações tão importantes, porque assim, a gente precisa saber, né, o lugar que você o lugar que você vive ou o lugar que você nasceu. Você, você nasceu em Campinas, você conhece toda a história da cidade de Campinas? Você chegou em Campinas, você conhece toda a história ou então um pouquinho dela, você já parou para pensar eh o que aconteceu no lugar que você vive hoje, né? E aquela questão, né? Não vamos falar mal do lugar que a gente consegue se desenvolver, né? Vamos trazer pra gente, vamos ter a sensação de pertencimento, vamos fazer o movimento, né? E disseminar coisas boas, que eu acho que isso é muito importante. Agora 8:48, a gente tinha muito mais que falar aqui, queria muito falar, a gente tá com o professor, a gente tá com a psicóloga, mas é o seguinte, a TV Câmara Campinas em instantes transmite para você a reunião extraordinária, tá? direto do plenário José Maria Matozinho. Então, a gente precisa encerrar o programa. É, considerações finais, por favor, Alana. E muito obrigada pela sua contribuição com a gente nessa manhã. Obrigada eu pelo convite. Foi muito gostoso estar aqui contribuindo para essa reflexão, né? Eu acho que fica isso, a gente não eh olhar e criar um rótulo simplesmente pelo que a gente vê, pelo comportamento. Acho que o professor trouxe aqui toda uma um uma história de fatos que aconteceram, né? E a gente pode entender que isso foi afetando o campineiro, né? A história dele e que talvez essa abertura emocional fechadinha é muito mais uma defesa, né? que foi se criando por tudo que a a cidade foi vivendo, bombardeio, invasões, né? Enfim. Então, acho que as coisas nunca são como elas são, né? Sempre por trás. Exato. Exatamente. Muito obrigada mais uma vez. Um ótimo dia para você, viu, Alana? Ô professor Sidney, eu quero agradecer a sua participação tão rápida, né, aqui no nosso programa, mas com uma contribuição muito grande. Gratidão. Obrigada mesmo. Obrigado. Obrigado pela oportunidade. Obrigado pelo por eh ter aberto esse espaço aqui pra gente. Se você me encontrar na rua, provavelmente você vai me encontrar assim. Me cumprimenta, por favor. Fala oi que aí eu faço assim. Eu sou campineiro, eu sou eu eu sou tímido, tá? É só timidez isso. Obrigado, professor Sidney. Valeu, pessoal aí de casa também. Super valeu. Você sabe que você aí de casa ajuda a gente completar essa missão de trazer para você todos os dias informação de qualidade, de um jeito bem diferente, né? Eh, com contribuição, compartilhamento. Seguinte, gente, amanhã nós vamos falar de astrologia. Isso mesmo. Olha, eh, aquele universo da astrologia, uma prática milenar que continua despertando curiosidade, paixão e polêmica, né? Afinal, o que é a ciência que estuda crença quando alguém fala em signos, mapas astrais e trânsitos planetários, né? Como é que a astrologia influencia a vida das pessoas e porque ela se mantém tão presente mesmo em tempos tão racionais? Uma conversa leve, profunda e cheia de descobertas. Então a gente te espera amanhã a partir das 8 da manhã ao vivo aqui no estúdio Câmara. Comportamento e reflexão do jeitinho que você gosta. Em instantes plenários José Maria Matozinho tem reunião extraordinária. Agradeço a sua audiência, a sua companhia. Desejo uma ótima quinta-feira para você, aos nossos entrevistados. Mais uma vez, gratidão pelo compartilhamento. E a você de casa, beijo grande. Fica com Deus e continue ligadinhos aqui. TV Câmara Campinas. Até amanhã, pessoal. [Música] [Música] [Música] [Música]