[Música] Olá, bom dia, seja bem-vindo. Estamos começando o nosso estúdio Câmara aqui na TV Câmara Campinas. Hoje é quinta-feira, dia 24 de abril e hoje é dia nacional da língua brasileira de sinais, Libras. E a TV Câmara Campinas tem toda a sua programação com a equipe de Libras, né? É muito importante essa inclusão. E o tema do programa de hoje é profundamente humano. Gente, nós vamos falar de luto. Ao contrário do que muitos pensam, o luto não acontece apenas diante da morte. Ele pode surgir em diversas situações de perda, como o fim de um relacionamento, a perda de um emprego, a mudança de cidade, o diagnóstico de uma doença, entre tantas outras rupturas que mexem com a nossa identidade e rotina. E hoje nós, para falar sobre luto, nós estamos recebendo duas convidadas muito especiais que vão nos ajudar a compreender esse tema com profundidade. Recebendo aqui no estúdio ao vivo com a gente a psicóloga Júlia Gomes. Ela é autora do livro Saudade, caderno terapêutico. E daqui a pouquinho você vai interagir com ela e ela vai falar pra gente sobre luto. E pelo Zoom, nós estamos recebendo a vice-presidente da ABM Luto Associação Brasileira Multiprofissional, ela que é professora também, Marília Ávila Freitas, daqui a pouquinho conversando com a gente, participando aqui ao vivo do nosso estúdio Câmara. E aí, você que tá do outro lado também, é claro, participa conosco com o seu depoimento, com a sua dúvida, com o seu comentário. Conta pra gente: "Você sabia que o luto não é só pela morte?" Então manda pra gente aí a sua mensagem. Nosso WhatsApp está na sua tela, 1997829377. Enquanto você manda sua mensagem, a gente atualiza para você as notícias e a previsão do tempo. E parece que o tempo vai mudar na nossa região, viu? Atualizando as notícias, gente, tem uma notícia bem legal para vocês. Olha só, pacientes da oncologia do Hospital Mário Gate vão receber perucas da ONG Cabelegria. Uma peruca pode gerar um grande sorriso. Esse é o mote da ONG Cabalegria, que estará na unidade de alta complexidade em oncologia do Hospital Municipal Mário Gat hoje, daqui a pouquinho às 9 da manhã e ficará lá das 9 até às 4 da tarde. Durante a ação solidária, serão entregues perucas a pacientes em tratamento contra câncer e também haverá corte de cabelo gratuito para a doação, viu? aberto aos colaboradores do hospital e também a toda a comunidade que quiser fazer essa doação. Então, para doar é necessário ter no mínimo aí 15 cm de cabelo e a entrega das perucas será feita no charmoso banco de perucas móvel. A cabalegria transformou um caminhão em um mini salão todo rosa, onde as perucas elas ficam expostas em prateleiras e os pacientes oncológicos eles recebem atendimento humanizado e exclusivo para escolherem suas perucas. Ao todo, 21 pacientes poderão escolher perucas e ter o atendimento especializado no local. A parceria da ONG Cab Alegria com a UNACOM acontece desde 2001 com apoio às pessoas que enfrentam o câncer, especialmente aquelas em processo de quimioterapia. O objetivo dessa parceria é resgatar a autoestima e o bem-estar dos pacientes durante o tratamento, visando a recuperação física e também a recuperação emocional. A ONG Cabel Alegria, gente, exige existe desde 2013 e tem o objetivo de levar autoestima e sorriso aos pacientes oncológicos e pessoas com patologias que tenham como sintoma a queda de cabelos. A instituição social já recebeu mais de 420.000 doações de cabelos e doou mais de 14.000 perucas. A ajuda pode ser feita de três maneiras, tá? Pode ser feita financeira. A cada R$ 100 doados, uma peruca é produzida e doada. Doação de cabelos também, além de apoio e patrocínio. O setor de humanização da rede Marugate é um ponto de coleta de cabelos em Campinas e o material doado é posteriormente enviado à cabelegria para a confecção de perucas. Para quem quiser se interessar na doação de cabelo, é só entrar em contato. Olha aí o telefone 19 377 580. 1937725880 das 8 às 4 da tarde ou então por e-mail humanizaçã
[email protected]. Super vale a pena e é uma ação magnífica que transforma. Com certeza. Vamos lá gente, mais informação chegando. Hoje na Câmara de Campinas tem audiência pública e audiência pública hoje vai debater o fim da escala 6 por1. Essa audiência acontece às 7 da noite, será presidida pela vereadora Fernanda Solto para debater aí o fim da escala 6x1 e também os impactos da redução da jornada de trabalho em Campinas. A audiência eh integra as atividades da Frente Parlamentar, também criada pela vereadora, com apoio à proposta de emenda constitucional sobre o fim da escala 6 por1 no Brasil. Segundo os dados apresentados pelo requerimento que criou a Frente Parlamentar, Campinas eh possui mais de 433.000 trabalhadores com carteira assinada, o que, segundo o documento, demonstra o impacto positivo da medida a médio e longo prazo para a população campineira. O debate eh, conta com a presença da pesquisadora da Unicamp, a Marilane Teixeira, especialista no tema jornada de trabalho, além de lideranças sindicais, que vão tratar da perspectiva dos trabalhadores sobre os efeitos da carga horária atual e as possibilidades da mudança. A audiência pública vai ser realizada no plenário da Câmara, entrada pela Avenida da Saudade, 100, bairro Ponte Preta. Você pode participar presencialmente ou então acompanhar a transmissão ao vivo aqui pela TV Câmara Campinas, sinal digital 11.3, 4 da NET, 9 da Vivofibra e também no canal da TV Câmara Campinas no YouTube. Lembrando que daqui a pouquinho às 10 da manhã tem no plenário da Câmara a terceira reunião ordinária da Comissão Permanente de Pessoas com Deficiências ou Mobilidade Reduzida. Notícias, OK? Previsão do tempo. É previsão de mudança brusca no tempo ao longo desta quinta-feira, viu? Tem aproximação de áreas de instabilidade no estado, a previsão de chuva moderada, a forte a qualquer hora do dia em todas as regiões paulistas. Durante a chuva forte a risco de rajadas de vento forte, raios e queda de granizo. Tá de acordo com Cepagre, mínima 17, máxima 27. Então, pode ser aí que eh no período da tarde já tenhamos a mudança de tempo. Vamos lá, então, gente. Olha só, vamos falar de perda, de luto, né? Cada perda significativa pode gerar um processo de luto e esse processo precisa ser vivido com respeito, acolhimento e sem pressa. Hoje nós vamos conhecer melhor o conceito de luta humanizado, que propõe uma escuta empática e o acolhimento real da dor, sem julgamentos ou imposições, sobre como cada pessoa deve se sentir. E para essa abordagem nós vamos dar as boas-vindas às nossas convidadas, né? Vamos lá recebendo com a gente ao vivo aqui no estúdio psicóloga especialista em luto, autora do livro Saudade, caderno terapêutico. Com a gente a Júlia. Júlia Gomes, seja bem-vinda. Bom dia. Obada. Obrigada, Rúbia. Bom dia. Maravilhosa. A gente tem muito que conversar hoje, né? Sem dúvida. Muito bom. Tá aqui. Muito bem. E com a gente também estamos com a Marília. A Marília, ela trabalha, gente, ela é vice-presidente da ABM Nuto, Associação Brasileira Multiprofissional. Seja muito bem-vinda, Marília Ávila de Freitas Aguiara. É com muito prazer que a gente recebe você eh pelo Zoom e com certeza a gente tem aí muito que conversar pra gente falar eh desse momento que todos nós vamos passar um dia que é o momento de luto. Bom dia. Bom dia. Para mim é um prazer e uma alegria estar aqui com vocês eh nesse programa. Esse tema é muito importante. Precisamos conversar muito sobre o luto até para desmistificar o tema. E como você mesmo disse, né, R? Eh, este tema diz respeito todos nós. Todos nós em algum momento da nossa vida, vamos viver a perda de alguém querido, a perda de algo significativo. Muito bem. em algum momento da nossa vida. Muito bem, gente. E você aí de casa, né, você teve algum momento eh eh da sua vida que você já passou pelo luto, mas quando a gente fala de luto, a gente não está falando só da morte. Claro que quando a gente perde alguém, a gente entra assim nesse período de luto. É um período que a gente precisa viver ele. Mas o luto também, como nós falávamos no início do programa, ele pode ser de uma perda. E a Júlia Gomes, ela é autora do livro Saudade de Caderno Terapêutico. Ela traz uma abordagem mais humanizada pro luto. E eu pergunto paraa Júlia, o que que te levou a a escrever esse livro e qual que é a importância de proporcionar eh aos enlutados um espaço para revisitar memórias e integrar os sentimentos, né? Eh, saudade de caderno terapêutico. Gente, olha só, olha esse livro aqui. É o livro da Júlia e é sobre a motivação desse livro que eu pergunto para você agora, tá? Vamos lá. Bom, eh, acho que a primeira a motivação imediata de criar um livro foi a partir da minha perda, de uma perda vivida pela minha avó. Mas antes disso acontecer, eh, eu já atuo com luto, né, há bastante tempo. E em um determinado momento, em 2019, uma mãe me procurou pedindo por espaço, pedindo por espaço para poder falar sobre a sua dor, de ter passado pela perda de dois filhos durante a gestação e logo após o nascimento. E quando eu percebi que não era algo, era uma dor que ela tava me trazendo, mas que eram de tantas outras mulheres, de tantas outras famílias, que não tinham essa dor legitimada, reconhecida e validada, eh, me trouxe esse espaço, como é necessário a gente ter espaço para falar sobre as nossas dores, né, numa sociedade que pouco a gente tem espaço para falar sobre as nossas tristezas, sobre a nossa humanidade, sobre aquilo que nos torna humanos, né? a gente eh sente, nós somos seres de relação, a gente sente, a gente se vincula. Então, é claro que a gente vai sentir essas rupturas. Então, para mim, assim, acho que a primeira motivação do caderno, eh, do livro foi abrir espaço, foi dar algum lugar para que a pessoa pudesse se expressar, para que ela pudesse atravessar essa experiência, vivenciar esse processo de luto. Como você mesmo disse, né, o luto ele acontece de várias maneiras. Alguns são mais fáceis de serem reconhecidos pela sociedade. Então, quando a gente fala de uma perda de uma avó, de um filho, eh de um pai, eh de uma mãe, a sociedade de alguma maneira já consegue se aproximar um pouco mais dessa experiência, valida um pouco mais, dá um um tempo maior pra gente sentir. Mas quando a gente tá falando às vezes de uma perda de um trabalho, né, de uma perda de uma separação, de um vínculo importante, quando a gente tá falando da perda de um animal de estimação ou de alguma de uma aposentadoria que eu me reconhecia, eu me constituí enquanto pessoa a partir daquela relação, essa perda muitas vezes não tem lugar, né? Então, a própria gestacional, eh, muitas vezes, como as pessoas não se relacionaram ou não tinha consciência do quanto aquilo era importante para mim, esse luto não tem lugar, não tem espaço. Então, eu sinto que quanto mais espaços a gente tem como esse para falar sobre essas dores, eh, mais possibilidade a gente tem também de validar essa experiência, de trazer de volta essa essa autorização pro sentir, né, que eu sinto que muitas vezes a gente não tem. Exato. E isso pode vir de fora quando como pode vir da gente mesmo. Muitas vezes na nossa experiência eh singular a gente não se autoriza a sentir. Ah, não, mas eu tenho que seguir. Ah, mas a vida continua. E sim, a vida continua, mas naquele momento o que eu tô sentindo é dor, o que eu tô sentindo é saudade, o que eu tô sentindo é ausência, é um um desencontro de mim mesma, né? Um estranhamento de mim. Então, como é importante a gente reconhecer esse processo que, como você disse, precisa ser vivido, não é algo a ser superado que eu passo esse obstáculo e acabou. Não, o luto é uma experiência que eu vou vivendo diariamente, que eu vou eh me experimentando nessa nova forma de ser, nesse novo momento de vida e abrindo espaço para esse novo chegar. Muito bem, que fala, né? Que fala maravilhosa, que fala importante nessa manhã de quinta-feira eh da Júlia. E agora eu pergunto paraa Marília, Marília, que é membro da ABM Luto, tem acompanhado, né, Marília, várias famílias, várias histórias, várias situações. Aí eu pergunto para você como profissional, qual que é a sua avaliação? Como que as pessoas têm eh hoje eh vivido esse momento, né? Eh, qual que é a importância de se viver esse momento de perda, de aceitar o luto, viver o luto e entender que ele vai passar? Qual que é a importância disso? Eh, talvez o momento agudo da dor, eh, essa isso diminui um pouco, né? O processo de luto aquele momento que não é breve, né? Não dá pra gente colocar em em termo em termo cronológico de coabitação entre a vida e a morte. Como a Júlia falou, né? a a morte de alguém dos impacto que eh muda inclusive a nossa identidade. Então, nós precisamos ter esse tempo de nos realocar nessa vida sem a presença física daquele que se foi, né, ou daquela atividade emocional ou daquela condição com que eu estava eh onde eu me identificar, né? A importância de falarmos disso é exatamente isso, para que nós tenhamos esse tempo de reconstruir a nossa identidade a partir daquela né? Perdi, não serei mais um. Quem serei eu, então? Então é este o tempo. Então esse tempo do luto, quando eu digo que não vai passar, né? Eh, a dor aguda assim, ela ela passa, mas em algum momento ela pode cele cheirinho de brigadeiro, o brigadeiro que a mãe fazia, eh, aquele lugar de estacionamento que lembra, ah, eu sempre parava aqui quando eu vinha com meu marido, tudo isso vai nos conhecer aquela história de novo, né? E essa história é uma história de amor. O amor não morre quando a pessoa morre, ele continua. Então é esse período de cohabitação da gente aprender a viver esse amor sem a presença dessa pessoa, porque a vida continua. Uhum. Mas a história também continua, né? Ela tá ali, mas está ali. Ela continua nos acompanhando. Muito bem. Agora, sobre o tratamento, né? Qual que é o tratamento, Marília, que nós devemos eh ter com as pessoas que estão sofrendo o luto, né? Porque às vezes a dor é a tal da empatia, né? é a empatia você se colocar no lugar do outro e a sua dor é a minha dor. Mas não é bem assim quando a gente para e pensa e na questão do luto. Então, para a outra pessoa, a dor ela pode ser imensa, intensa, mas para o o para mim pode ser que não seja. E aí, qual é o tratamento que eu devo ter? como eh deve ser esse tratamento humanizado paraa pessoa, o colega, enfim, que esteja passando por esse estágio de luta falou da empatia, né? Os eh essa essa condição de colocar no lugar do outro é impossível, né? Eu me coloco ao lado do empatia é eu tenho a capacidade de me tocar emocionalmente com a dor do outro. a dor do outro me toca. Eh, e desde que ela me toca, eh, eu me sinto, eh, compido, inclusive a acolher essa. Aí a gente, a partir da empatia que a gente vai para a compaixão. Eh, primeira coisa, mais importante é validar a experiência de quem está vivendo o livro. Eh, muitas vezes nós falamos: "Ah, não fica assim, não, não chora, não vai passar, vai passar". Mas para quem tá vivendo a dor naquela hora, pensar que vai passar não faz o menor sentido mesmo, porque a pessoa ela não tá conseguindo olhar, tá vivendo que Então, a talvez nossa primeira postura é nos colocar ao lado. Olha, eu estou aqui ao seu lado para te ajudar. dentro do que em que eu posso te ajudar. Perguntar assim que são ações eh de ajuda para pessoa, para cada um é de a o que é ajuda para cada um é único, né? Para alguém pode ser: "Opa, você pode me trazer um café ou você não quero ajuda, OK? Eu fico aqui ao seu lado. Se você mudar de ideia, eu Então esta ação de colocar ao lado, de validar que a pessoa está experimentando, né? É usadoraística, não tem tempo, não é termo de relógio que vai marcar início fim ou, né? Como eu disse o nós vamos aprender a lidar com ausência e alguns momentos essa ausência dói mais porque momentos ela dói menos. A medida que o tempo vai passando, nós podemos aprender a lidar com E pode ser que um pouquinho menos, mas pode ser que não. Verdade, né? É isso, Marília. É muito, é muito importante a gente falar sobre luto, né, e principalmente sobre essa questão de como eh nós devemos lidar com a pessoa que está no seu momento de luto, o respeito e aquela questão da empatia que eu coloquei e a Marília pontuou muito bem, eh você não vai conseguir colocar, se colocar no lugar da pessoa que está inutro, não vai. Você precisa estar ao lado, né, Júlia? O que que você traz no seu caderno terapêutico chamado Saudade, eh, que nos ensina sobre o luto humanizado. E eu quero te perguntar também sobre aquela questão da pessoa que eh eu fiz algumas pesquisas sobre luto na internet e me deparei com algumas situações de pessoas que elas não conseguiram eh finalizar o ciclo do luto. Tem pessoas que vivem eh se fecharam com o momento de luto e elas estão nesse momento de luto que é o momento sem fim. E as pessoas elas entraram em um ciclo de depressão, em um ciclo de não querer continuar. Então eu gostaria que você explicasse pra gente um pouquinho sobre o luto humanizado que tem no seu livro e também sobre essa questão do fechamento, né, da interiorização, eh, de não entender que tem um ciclo ou para todos tem um ciclo de início, meio e fim, como é? Acho, acho já isso super importante. Eh, e vou começar talvez por esse lugar. Muito bem. Na ideia de ter um ciclo e ter fim, a gente vem com aquela grande frase de que luto tem superação, né? A gente se supera um luto. E e Marília, né, me ensinou isso. Maria Elena Franco também. Eh, luto não é como um obstáculo que a gente vai passar por ele e ele vai ficar lá atrás. Uhum. Luto ele vai atravessando a nossa experiência, a nossa vida. Como a Marília disse, não é algo que tem um fim. necessariamente. Eh, pode ser que venha uma data específica, um momento especial e aquela memória, aquela saudade vai vir e vai doer. O que a gente eh acho que o que você trouxe é como eu lido com essa dor que às vezes fica e eu não consigo às vezes dar lugar, né? ela não dá vazão. E eu acho que dentro dessa experiência do do caderno, né, do caderno terapêutico, do livro Saudade, a ideia foi abrir possibilidades, eh oferecer caminhos, oferecer possibilidades para que a pessoa possa encontrar na sua maneira como atravessar essa experiência. Eu entendo que a gente não tem algo que o luto precisa ser vivido dessa, dessa, dessa forma. Não acredito que tenha um jeito certo ou errado de viver o luto. Cada um vai viver dentro da sua possibilidade, com os recursos que tem, com a estrutura às vezes que tem ao entorno, né? Esse entorno tá dando suporte? Como que é a história de vida dela? Quais outros lutos ela já atravessou? Todas essas informações vão dizer pra gente eh talvez a complexidade daquela experiência, o quão difícil, né? O quão desafiador e quão complexo vai ser esse atravessar, esse viver. E por isso que a gente fala que é algo que é muito eh singular mesmo, é muito pessoal. Eh, no entanto, na ideia do do livro, eu trouxe uma forma que para mim fez muito sentido, que pode não fazer sentido para todo mundo, né? mas que eu entendo que às vezes algumas ações a gente poder falar sobre aquela pessoa, acessar o que é muito significativo, falar sobre aquela história vivida, falar sobre aquilo que eu sinto saudade quando a Marília falou: "Ah, o cheiro do brigadeiro na panela, né? Eh, são coisas que vão que foram marcando a nossa história. Sim. E muitas vezes quando eu trago isso para perto, eh, eu vou atendendo essa necessidade do meu corpo, da minha saudade. Então, eu sinto que a saudade de alguma maneira ela manifesta aquilo que a gente sente falta, aquilo que era importante, aquilo que tem um lugar dentro de mim. Uhum. E quando eu posso me aproximar daquilo que, nossa, que que saudade disso. Então, hoje, por exemplo, eh, num dia que tá mais doído o meu luto aqui, eu vou pro pro pra horta, pego um pouquinho de cidreira e faço um chá de cidreira como a minha avó fazia. E dessa maneira eu vou me aproximando dessa relação. Eu vou encontrando outras formas de me relacionar com aquela pessoa que é muito importante. Porque na experiência do luto, eh, o que a gente já trouxe aqui, eu vou precisar me despedir sim daquela forma física, daquela relação do toque, né, da conversa, da voz, mas eu vou também encontrando outras maneiras de me relacionar. E aí, nesse sentido, claro que a para algumas pessoas esse processo de viver, de se adaptar, pode ser mais desafiador, dependendo da experiência dela, né? Mas eu a aqui dentro do livro a proposta é abrir esses caminhos, abrir possibilidades para que a pessoa possa encontrar quais são esses caminhos para ela, né? quais possibilidades ela tem dentro da história dela, dentro da possibilidade dela. Então, né, você que tá aí nos ouvindo, eh, eu não sei qual é a sua história, eu não sei o que você atravessou, quais experiências você já teve, só você sabe. E só você sabe o tamanho dessa dor, dessa ausência, né, desse buraco que tá aí, do quanto essa perda desmoronou tudo aquilo que você tinha construído, todas as ideias, todos os planos, os sonhos, os projetos. Então esse caminho também de reconstruir pode ser bastante desafiador, mas eu acredito que quando a gente dá espaço, dá lugar para que isso possa existir de reconhecer, não, isso dói. Dói porque tinha uma importância para mim, tem um lugar aqui dentro de mim que isso ocupa e que muitas vezes a gente não quer que deixe de ocupar. Eu falo que eu não quero deixar de de lembrar da minha avó, eu não quero que ela seja esquecida. Sim. Então, o luto também é esse processo de como que eu integro essa pessoa na minha experiência, como eu integro essa pessoa no meu dia a dia, porque relações significativas, eh, situações que me constituíram enquanto pessoa, elas vão fazer parte de mim, da minha história, né? Então, eu acho que é é muito nesse caminho. Então, o livro ele traz um pouco esse eh uma possibilidade, né, de caminho, de atravessamento, de contar e recontar a sua história, porque muitas vezes a gente vai mudando a nossa narrativa, a gente vai contando a nossa história de um outro jeito. E aí o livro, a ideia é que ele possa ser esse espaço, né, de ir acomodando as ausências, eh, de porque as ausências vão vão estar ali. Mas como que eu acomodo ela? É como se eu pegasse um armário e falasse assim: "Ó, aqui tem espaço para essa dor existir. Nem sempre eu vou olhar para ela, nem sempre eu vou precisar, né, olhar para ela de cara, mas vai ter dias que eu vou precisar olhar para essa dor de frente e falar: "OK, Dor, que que você tá me contando hoje? Que que você quer me me sinalizar no dia de hoje, né? às vezes é essas ausências que vão fazendo e que como que a gente acomoda. Então eu acho que a nossa história vai contando pra gente como que a gente acomoda isso. Que fala profunda, que maravilhoso te ouvir. Mostra o livro, por favor, pra gente. Ó lá, ó, a produção já Olha só, olha que que livro eh você olhando ele assim já você sente um um negócio, né, uma coisa assim. É muito bom. Ele vai tendo espaços, né, de de colocar receitas afetivas. vai tendo espaço pra gente ir acessando quais eram as nossas memórias, o que que tinha de significado, né, que símbolos representavam aquelas pessoas, porque às vezes também é uma forma de me aproximar. Então eu, por exemplo, te dei um dente de leão, né, que é até o a capa do livro. Sim, é, ganhei um livro também, uma caixinha toda toda carinhosa, né? É algo assim muito gostoso, uma eh é é um é um carinho, é um sentimento. O seu livro traz isso. Se a gente olha a capa do livro, né, Marília, a gente sente um um um é uma sensação gostosa. É muito bom. Foi muito assertiva. Muito bom mesmo, viu? Eu espero que possa ser esse espaço de acolhimento para muitas pessoas. Muito bem. Agora você e a Marília tem algo em comum que eu percebi, né? É isso, né? Vocês Mar é minha professora. é minha mestre, é com quem eu tenho a a honra, né, de compartilhar e hoje me aproximar mais dela. Então, Marília é uma referência hoje, né, para mim e aprendo muito com ela, então, tenho aprendido eh cada vez mais e sou muito grata. Eh, então, para mim é um carinho poder estar aqui com ela também, porque aprende muito eh com com tudo que ela traz, com esse lugar humano, com essa fala sensível. Então, que bom que a gente tem esses bons professores, né, esses bons mestres. E eu acho que no processo de trabalho com luto, como é importante a gente buscar esse conhecimento. Então, Marília, é um caminho, né? A Bem Luto traz essa formação também para para profissionais da saúde eh terem esse olhar voltado pro luto, porque a gente não aprende isso na faculdade. Sim, né? Então isso não vem já ali dentro do nosso curso. Então buscar conhecimento, porque o o olhar para quem tem essa, né, esse conhecimento de luto, ele vai ser, ele vai acessar esse colocar do lado, não arrancar a dor. E tudo isso eu fui aprendendo muito com essas professoras, né? Maravilhoso. Olha aí, Marília, tá vendo só? Olha só que que maravilhoso a gente poder ver, né? eh o resultado do nosso trabalho, né? né, o pessoal da ABM Luto trabalhando e fazendo aí uma formação. Eu gostaria que você explicasse pra gente eh a importância do profissional de saúde entender, estudar e executar, né, toda essa esse conhecimento eh referente ao luto. Hoje, primeiramente, eu quero falar que eu fico muito espongiada de responder hoje assim, eh, na, né? Mestre é aquele que de repente aprende e eu aprendo muito com ela também, né? Eh, a ABM Luto é uma associação que reúne profissionais eh da área de saúde, educação, da área jurídica que interessar processos de enrutamento, né? Então, esta é a função da Buda. Estamos inclusive agora eh em julho de 23 a 26, estamos realizando o quarto congresso brasileiro sobre o luto e quinto congresso luz brasileiro sobre o luto. Vai ser na cidade de Vitória. presta exatamente a inclusão, a inovação e a transformação, porque nós acreditamos, né, eh, que o o humanizado não é uma superação do é aprender essa coabitação, essa acomodação de ausência, como a Júlia tanto falou, eh, esse processo de e talvez eu acho que é importante a gente falar disso, você provavelmente na sua, eh, pesquisa aí na internet, você deve se ter se depado bastante com as fases do luto e tudo mais, eh entendendo que luto não tem fase, né? Não é eh não é um processo estante, ele ele é eh ele não é um estábel processo. Então, como tal, não tem as pres. O que que a gente trabalha? O que que o a ideia a gente não ideia melhor como que luta acontece? Vamos pensar num pêndulo. Tem horas horas que o pêndulo tá para cá, né? Então assim, eh, eu preciso abrir esse armário, reviver minhas memórias. Eu vou lá no caderno terapêutico, eu anoto, eu escrevo, eu busco uma fotografia, eu pego uma receita afetiva, né? Mas tem hora em que eu tô, né? A vida tá seguindo, estabelecendo novas relações, a vida tá continuando, né? Então é este movimento doular, ora voltado para essa vida que continua e ora voltado para para essa ausência que se presente, né? Eh, é muito importante que os profissionais que lidam com pessoas eh compreendam como acontece processo eh que dê acolhimento dessas pessoas, porque o Luto vai fazer parte da vida de independente de pens é um fenômeno universal, né? Eh, a maior parte das pessoas vai passar por esses processos de um modo tranquilo, eh, podemos dizer até assim funcional, consegue consegue seguir com sua vida a despeito do ou trazendo essa caminhando e acomodando essa dor da sua caminhada. Algumas pessoas não. E é importante que nós conheçamos como que acontecem os processos de tudo, porque nós precisamos identificar quais eh como que podemos agir ali para que esse se complique. Uhum. Né? Eh, se talvez o primeiro, como eu vou me repetir aqui, né? A primeira eh providência é essa atitude de acolhimento, de validação. Quando a Júlia contou, recebeu eh solicitação de mães que queriam falar sobre as perdas sobre as suas perdas de filhos, que nem tinham nascido ainda, né? Eh, que são, você imagina quantas pessoas não têm esses sentimentos validados e que nós trazemos. da importância de ser luto é poder reconhecer sinais eh que possam eh nos eh nos guiar essa condução para que a gente possa viver um luto de uma forma saudável. Muito bem, professora mestre, né? Que maravilhoso, que que dia gostoso, que manhã eh importante paraa vida de cada um de nós, porque nós estamos tendo aqui compartilhamento de conhecimento referente a uma situação em que todos nós vamos passar um dia, né? Então, é importante a gente entender esse e eh o luto, né? É importante a gente saber como lidar consigo mesmo e também com as pessoas próximas que irão passar por essa situação em algum momento da vida. Agora 8:43 nós abrimos o nosso WhatsApp para os nossos telespectadores, Marília e Júlia. Então, o pessoal já mandou perguntas, dúvidas e também depoimentos. Vamos fazer o seguinte, vocês falam muito bem. Eu tô adorando ouvir as duas. Isso aqui é uma aula, isso que tá maravilhoso. Vocês têm uma sensibilidade no falar assim que me muito me admira e e assim já tô fã, adorei falar com vocês duas e com certeza o pessoal de casa também. Então a gente vai fazer o seguinte, a gente vai fazer um ping-pong, tá? A Marília responde uma e a Júlia responde outra pergunta, porque agora 8:43, daqui a pouquinho a gente tem que encerrar e quando o papo é bom a gente nem percebe que a hora está passando. E veja bem, nós estamos falando de luto, nós estamos falando de algo que dói, mas é importante a gente fazer essa abordagem. Vamos lá. O Marcos do Jardim Nova América. Sempre achei que luto era só quando alguém morre, mas ouvi falar de luto simbólico e antecipatório. Quais são os tipos de luto que existem? Eu vou puxar essa pergunta e pedir a resposta eh da Marília, por gentileza. Marília, vamos responder o Marcos. Ah, muito obrigada. Eh, gosto muito de falar sobre oatório, né? Eh, quando estudamos, muitas vezes nós ficamos faz os tipos de luto. Eh, quem vai estudar vai ver que que é o luto a gente chama eh de normal luto funcional. Ã algumas situações de culpa diáogo, algumas situações de luto inibido, os lutos não reconhecidos, não validados, né? Eh, luto simbólico, quer dizer, não não não seria não não não seria não seria algo específico, né? Eh, mas talvezado a não necessariamente quando alguém morre, mas quando perdemos eh em relação ao luta doório, essa é uma ideia que vem muito atrelada aos lutos do adoecimento, eh, luta antecipatóriao pela perda que está cura, né, tão comum em adoecimentos graves que hoje inclusive estamos revendo este conceito que nós Nós estamos vendo que quem está no conhecimento grave não tá vivendo a dor do mundo a pena que está por vir. Eh, já tiveram várias coisas que já aconteceram, eh, como a perda de saúde, a perda, né, que da dos status de saudável, eh, a perda de autonomia, a perda de estado social, eh a perda de potência emocional, eh essa perda de eh de papéis, né? Então são várias perdas que vão se sucedendo e vão se acumulando e também chamamos de luta antecipatória, que é desta perda que está então a este comp esse conjunto de perdas eh ligadas aos graves, potencialmente fatais, eh que nós hoje chamamos instituto total. É um conceito novo que estamos desenvolvendo agora. eh estudando cada pouquinhas mais, buscando as referências queão que que já pesquisaram e e sobre luto, em especial os grupos do ano nascimento para consolidar essa ideia. Então ampliar con lutoal, por exemplo, nós temos mais de estar junto com essas pessoas que estão vivendo adoecimentos graves e suas famílias, né? Porque não é só aquele quem quem é o portador do diagnóstico, mas todos nós estamos indos eh aí nessa caminhada desses adoecimento para poder dar um suporte para que possam ter uma vida de qualidade enquanto vida, mas precisando também uma morte digna e do acolhimento daqueles eh que ficam depois da morte do ente querido. Espero ter te respondido. Muito obrigada. Muito obrigada, Marcos. Marília também. Vamos lá, produção. Tem mais? Pode mandar pra gente se tem mais perguntas, depoimentos, pessoal participando, pode colocar na tela. Nós estamos aqui falando sobre luto aqui no estúdio Câmara ao vivo e a Luciana do Jardim Leonor fala pra gente: "Perdu e meu e meus dois filhos reagiram de formas opostas, tá? Ela perdeu o marido e os dois filhos reagiram de formas opostas. Um se fechou totalmente e o outro finge que está tudo bem. Como viver meu luto sem culpa? Olha a situação da Luciana, hein? Desafiador. Primeiro, eu sinto muito pela sua perda, Luciana. Eh, e eu sinto que aqui a gente traz exatamente o que a gente trouxe, o quão eh, pessoal é, né, cada experiência de luta. Então, dois filhos que perderam o pai e cada um vai experienciar e viver de uma maneira. E temos essa esposa também na possibilidade, na necessidade de viver o seu luto da sua forma. Então, claro que eu entendo que enquanto mãe talvez exista um um anseio, né, um desejo muito grande de acolher ou de dar suporte ou de arrancar aquela dor deles e e tentar fazer com que não o que não tá sentindo talvez não sinta ou que tá eh se fechando totalmente fale. Mas talvez, né, e aí cada um vai encontrar a sua possibilidade, compreender que cada um encontrou a sua forma dentro da possibilidade do repertório, do dos recursos ali que cada um tinha. Então, eh, eu acho que compreender que isso é algo pessoal e ao mesmo tempo vocês estão dentro da minha da mesma casa, né? Então, se para você falar sobre isso é algo que acalenta, que conforta, que você possa encontrar esses espaços. Eh, se pro seu filho talvez seja mais estruturador e é o que ele dá conta, né? É aquele que ele dá supe suporte para para atravessar, seja silenciar, embora seja difícil, eh, que ele também possa ter essa forma. Então eu acho que eh claro que cada acho que nessa experiência dela de culpa, fico aqui pensando o que que ela pode, né, para onde que essa culpa foi, né? Mas eu sinto que muitas vezes a culpa ela vem na nossa na nossa necessidade, talvez de de controlar, de dar conta de algo que a gente não controla. Então eu quero buscar aquilo como o que que eu posso fazer para arrumar isso, para para tirar esse sofrimento deles ou para fazer com que eles lidem isso de uma outra maneira e que na experiência do luto a gente não vai ter controle. Então talvez compreender que nessa experiência é e acho que isso que torna ela tão complexa, a gente não tem controle mesmo dessa experiência. Cada um vai viver da sua maneira. Então, poder se acolher também de que você tá vivendo da sua maneira, da sua possibilidade e que eles também vão fazer esse caminho, eh, talvez possa ser algo que reconforte um pouco, né, esse processo. Muito bem, 8:50, faltando 10 minutos para as 9. Nós estamos ao vivo estúdio Câmara, aqui na TV Câmara Campinas. Estamos falando hoje sobre luto e atendendo, né, conversando com você também que está aí do outro lado acompanhando a nossa programação. Muito bom dia aí para o Bruno da Vila Marieta. Ele diz: "Perder a minha irmã foi devastador, mas entrar em um grupo de apoio me fez sentir menos sozinho. Falar sobre a dor ajudou a respirar de novo." É um depoimento, né, do Bruno da Vila Marieta. Importante falar. a gente precisa eh falar no caso do Bruno, Marília, ele entrou em um grupo e isso o ajudou. Qual que é a importância da gente eh expressar, transbordar, colocar para fora o que a gente tá sentindo? Os grupos de apoio eles têm um um trabalho muito legal e bastante afetivo. Eh, nós estamos com com os nossos semelhantes. O princípio da homeopatia, por exemplo, tem semelhante e cura semelhante, né? Então, nós temos o espaço para poder nos expressar. Eh, e às vezes nem expressão, só ficamos escutando porque são histórias muito semelhantes. Apesar dos fatores que desencadeiam que devem à morte de alguém ser diferente, a repercussão é uma só, é a dor. É a dor da ausência, é a saudade. essa dor de ausência eh nos grupos de apoio, nós vamos aprendendo que ela pode se transformar numa saudade e numa saudade gostosa. Eu tô imaginando aqui, né, o o caderno terapêutico da Júlia e nós escrevendo historinhas gostosas que vivemos com aquela pessoa que perdemos. E aí, Bruno, né? você e tua irmã, imagino quanto quantas quantas histórias vocês tiveram do mundo e como que é importante reviver essa história, falar dessas histórias com ouvidos atentos, ouvidos eh que vão acolher a história. Então, a função do grupo de apoio, eh, dos grupos de apoio, é exatamente isso. entre iguais, nós temos mais a liberdade de falar, porque a sociedade chega no tempo e fala assim, mas não é possível, já tem tanto tempo, você ainda tá falando nessa dor, né? Quantas vezes ouvimos de pessoas viúvas, por exemplo, chegam eh nos nossos consultórios que ouviram o próprio mentório do marido, assim, não, daqui a pouco arruma outro o outro outro namorado, né? mesmo eh pais que perdem bebês que eh escutam, falam: "Não, vocês são jovens, daqui a pouco vocês tem muito filho". Como se a vida de pessoas não tivesse, fosse algo assim que a gente vai ali na na desculpa o termo no btiquinho da esquira compra o outro para recur. Não, não é assim, né? A vida das pessoas é valiosa e as a ausência delas porque são exatamente porque tem valor. Tem valor por quê? Porque tem amor envolvidos. E o amor não acaba quando a pessoa se vai. Ele continua. E nos grupos de apoio, nós vamos encontrar pessoas falando amorosamente de pessoas que se foram e que vão escutar as palavras também dessa dor e com essa escuta. Então assim, eh, o que nos acalenta no culto é o amor. Se é o amor que causa essa dor tão profunda que é a dor do Lu, é também o amor que nos acalos. Nossa, eu estou aqui pensando, observando, analisando, aprendendo muito com vocês duas. Eh, cada fala de vocês vai toca no profundo, porque é o amor, né? A gente sofre por conta do amor, mas é o amor que também traz o acalento. Isso é importante demais pro nosso dia a dia. A gente vive num automático muito louco, né? Você corre para lá, corre para cá e às vezes a gente não percebe, mas o amor ele está em todos os momentos da nossa vida e também nesse momento que nós estamos falando hoje aqui, que é o momento de luto. Agora 8:55. Tem mais? Tem. Agora temos uma pergunta, a Marta do Jardim das Paineiras. A sociedade pressiona por superação rápida do luto. Como explicar para os outros que cada pessoa tem um tempo diferente? Então, né, Júlia? a gente falando sobre isso e a Marta tá trazendo essa pergunta que é muito importante, a resposta de pessoas que têm sim a informação e que estudam, né, referente a esse processo de luto, porque a sociedade pressiona assim por uma superação muito rápida. Foi o que a Marília falou, tipo assim, ah, vai passar, ah, né, não é não é para tanto assim, né? como como a gente explica para as pessoas que cada um tem o seu tempo diferente? Eh, eu me o a primeira coisa que me atravessa é que talvez eu preciso estar muito ancorada nessa certeza para mim mesma antes disso. Hum. Porque claro que eu vou querer que o outro compreenda e que me dê esse tempo e que não me fale essas frases. E eu posso até colocar: "Olha, cada um tem seu tempo, eu tô vivendo a minha experiência". Ao mesmo tempo, se eu tenho isso muito certo em mim, eu já validei que a colha é o seu luto, é o seu processo, não importa o que o outro diz, é como coloca um filtro, porque também às vezes a gente quer que o que o mundo todo mude, mas eu acho que a gente tá trabalhando para isso, né? Acho que a gente abrir esses espaços é abrir espaço pra gente falar e para que cada vez mais as pessoas percebam e tenham essa sensibilidade. Mas enquanto isso talvez não seja possível, coloca um filtro, né, e possa fazer essa eh essa o que que vai ficar disso que a pessoa falou. Às vezes ela tá querendo me arrancar a dor, porque para ela talvez seja muito difícil também me ver Uhum. sofrendo, me ver doída. A gente é difícil a gente, né, ter lidar ali com as pessoas que estão próximas da gente. Naquela experiência a gente não sabe o que fazer. Então, às vezes, na ânsia da pessoa de querer tirar a sua dor, ela fala: "Nossa, mas vamos, né? Você precisa, você precisa seguir". E ela quer arrancar a gente daquilo então poder filtrar, tá? Aquela pessoa tá talvez querendo me acolher, mas ela não tá sabendo. Nessa fala não me acolhe. Mas se eu já fiz esse processo de isso é importante, eu tô vivendo no meu tempo, no meu processo, eu vou me respeitando, talvez seja um caminho possível também, pelo menos é o que me atravessou agora. Muito bem. E a gente precisa entender e aprender todos os dias. É isso que a gente tá fazendo aqui, porque o conhecimento liberta, né? E às vezes a pessoa que está eh repassando para você aquela aquele naquele momento de dor, para de sofrer, vai passar, não é assim? Ela também não tem o conhecimento, né, de que cada um vive no seu momento, cada um tem o seu processo. Ou então às vezes ela ainda não passou pelo luto, sim, né, por um luto. Então é, eh eh fica essa questão aí do conhecimento, a importância da gente eh trazer esse esse assunto e falar sobre isso, a importância de entender e aplicar no nosso dia a dia. 8:58. Tem mais depoimentos ou perguntas? A Helena do Jardim Carlos Gomes. Quando meu pai faleceu, me apeguei à fé. Saber que ele foi salvo me trouxe paz. A espiritualidade pode mesmo ajudar a transformar a dor em esperança. Marília, a Helena do Jardim Carlos Gomes. Ela perdeu o pai e se apegou à fé. Olha, Helena também. muito pela sua dúvida. Eh, e sim, a fé é mais do que um recurro, é um caminho, eh, e sim, é um transformador em esperança, né? Eh, entendendo que esse caminho foi bom para você. Ele se pediu para você que é um solo, é um caminho onde que você percorre de modo suave, às vezes não, mas que você se sente acolhida e eh essa é sua dor transformada. Eh, mas isso pode não ser para todo mundo. Eu espero que todos tenhamos fé e entender que fé independe credo religioso, né? Eh, talvez o processo de transformador em esperança seja um dos processos mais difíceis para todos nós, independente daquela questão que nos encadeou eh a dor. No caso da perda do seu pai, por exemplo, fico feliz que você tenha encontrado este caminho. Sim, continue brilhando por ele enquanto ele fizer para você. E espero que faça sentido bom para você pela sua vida, né? Porque a espiritualidade não é algo que põe de fora. Todos nós temos ah a nossa espiritualidade. Por que que acreditamos que é maior do que nós aquilo que nos que nos remete à nossa franez? E que bom que você está nesse caminho. É um belo, mais do que um recurso, é um belo caminho para seguir em momentos de luta, não só em momentos de luta. É verdade. Muito bem. 9:1 minutinho. Que legal, gente. Nós temos mais uma pergunta. Quer dizer, nós temos muitas perguntas, né? Mas dá tempo para mais uma pergunta. Então vamos lá. A produção colocando na tela pra gente a Ana Paula do Jardim Flamboiã. Minha avó faleceu ontem, meus sentimentos. Ainda estou em choque, mas ver esse programa hoje me trouxe um pouco de consolo. É bom saber que a dor pode ser acolhida. Ana, sinta o nosso carinho, eh, a nossa energia positiva para você e o nosso acolhimento, né, Júlia? Sim, fiquei aqui emocionada, né? E e que importante esse depoimento. Eu acho que esses espaços eles são exatamente para esse lugar. Que bom que você sentiu que essa dor pode ser acolhida, que você possa dar lugar para essa experiência, para poder acomodar, né, tudo isso que tá vindo. Às vezes, nesse imediato, a gente às vezes fica até meio entorpecido ainda tentando se localizar. Mas que bom que você pode encontrar aqui hoje na nossa conversa nesse espaço, um lugar também de de consolo, de acomodação de tudo isso. Sinta meu abraço, viu, Ana, né? Um forte abraço em você. É, Marília, eu também me emocionei aqui. É, eu também. E assim, claro que momento que receberemos a notícia da morte de alguém, mesmo que seja uma morte esperada, claro que a gente fica em choque. Eh, mas eu fico muito feliz de saber que a nossa conversa que hoje com Boa Mineira, a nossa prosa trouxe um pouco de consolo. ideia de viver luta, exatamente, acolhimento de luta, é exatamente essa, que nós possamos ter consolo para o outro, né? Por isso que os grupos de apoio funcionam legal, por isso que cadernos, os cadernos terapêuticos eh que Júlia se propôs a escrever e que escreveu com o primô, né, trazem também essa ajuda. Mas fico feliz, Ana Paula, eh viva a sua experiência, né, mas entendendo. E é interessante que a experiência da morte, ela vai caminhando e nos remendo à vida de novo, porque até a dor do mundo tá está nos falando de uma vida que foi vivida. É muito bem. E aí, como é que a gente termina? marcando um programa novo, marcando uma nova, uma nova prosa, uma nova conversa, gente, uma nova, porque é exatamente isso que nós precisamos, né? Ah, a pessoa que esqueci o nome da pessoa que falou do da do acolhimento da sociedade que fica querendo que que a pessoa volte logo pra vida, né? Então assim, eh, são esses espaços de conversas que vão desmistificando esse tema e trazendo essa experiência paraa nossa vida. E aí a gente pode selando melhor. Eh, eu anotei aqui essa acomodação das ausências vai ficando, a gente vai fazendo para dizer mais ma simples, vai colocando as nossas saudades, né? Cada um vem trazendo umainha, um pedacío, um pedacinho de carinho aqui, outro carinho ali. E nós vamos nos sustentando as nossas dores pelas ausências daqueles novos amados. Esses espaços são muito importantes para que a gente perceba que todos nós enquanto sociedade podemos sim serimento para esses que estão nessa dor cabuda. Quando eh acho que Ana Paula Ana Paula é perdeu a sua volta e meu carinho. Muito bem. Pois é, gente, 9:05 eu encerro o programa desse jeito. Mas é isso. Eh, eu também tenho a minha dor, né, e também perdi a minha avó e isso faz parte. E assim, olha isso. É isso. É, hoje eu não consegui segurar. É isso. E porque é é nesse lugar que a gente se encontra na nossa humanidade. E que bom, né? Que bom, Rú. Que bom que a Ana Paula pode dividir a dor dela e que me tocou porque no meu lugar também de quem já perdeu, né? E que vai tocando porque aí me coloca nesse lugar de humano. É isso. Eu sinto, eu vou sentir e tá tudo bem. Deixa eu me acolher aqui. Examente. Exatamente. Somos seres humanos. Sentimos alegria, sentimos dor e é importante a gente sentir, né? É importante que nós possamos sentir. Bom, gente, vamos lá. Ó, peço desculpas, sou jornalista, apresentadora, mas sou ser humaninho também. E é isso, a gente encerra o programa de hoje agradecendo imensamente a sua participação aí do outro lado, a participação das nossas entrevistadas, né? Considerações finais, por favor. Eh, Marília, que que programa que trouxe assim um algo muito bom para todos nós. Muito obrigada pela sua participação. Olha, agradeço mais uma vez a oportunidade, né, do pelo convite. E aqui, Rúbia, é isso que é isso que nos irmana, as nossas emoções nos irmandam. Eh, e o trabalho que fazemos enquanto profissionais trabalhem com pessoas em pontuação de luto é exatamente isso, eh, trazer essa possibilidade de vivência e sabendo que eh a tô te perdendo de exemplo a despeito da sua emoção e não não tem como a gente se desculpar por emoção, né? Eh, a despeito das nossas emoções ficarem às vezes mais exacervadas, outras vezes menos, eh é o amor que nos sucede e são as nossas emoções diante das dores alheias que nos irmanam e que nos humaniza. Exatamente. É bem isso mesmo. 97. Ai, Júlia, Júlia, considerações finais, por favor. Ah, eu só quero agradecer, quero agradecer a você, quero agradecer a Marília por essa companhia gostosa, por essa conversa boa e que que bom, né, que a gente poôde abrir esses espaços, que bom que a gente poôde se emocionar. Então que cada um, né, que assistiu, que acompanhou aqui com a gente ou que ainda vai acompanhar, possa sentir esse abraço mesmo quentinho, né, desse lugar de pertencimento e e que a gente possa cada vez mais abrir esses lugares. Isso para mim é algo que faz muito sentido. Então, muito obrigada. Gratidão. Gratidão. Gratidão a você de casa, gratidão às nossas entrevistadas e gratidão a quem sentiu o que eu senti, o amor, né? O amor que transborda. A gente agradece a sua participação. Lembrando que daqui a pouquinho às 10 da manhã será realizada no plenário da Câmara a terceira reunião ordinária da Comissão Permanente das Pessoas com Deficiência ou Mobilidade Reduzida. E amanhã é sexta-feira. Amanhã a gente vai tratar de outro tema importante. Amanhã a gente fala da autossabotagem. O que leva uma pessoa a se autossabotar? Você reconhece aí esse autossabotamento, né? E você sabe lidar com esse comportamento que de repente nos impede de atingir o nosso potencial. Esse é o nosso tema de amanhã e você, claro, vai participar conosco, porque eu tenho certeza que é mais um tema que vai te impactar, assim como o de hoje. Agradeço a sua audiência, a sua companhia. Desejo a você uma ótima manhã e um ótimo dia, uma ótima quinta-feira. Fique com Deus, se cuide, viva, ame e se permita a viver o seu momento, combinado? Beijo grande, fica com Deus e até amanhã. Valeu, pessoal. Valeu, produção. E é isso, gente. A gente precisa transbordar o que a gente sente. E é isso que eu senti hoje e transbordei para você. É amor, é emoção e assim é o nosso estúdio Câmara. Fica com Deus, tudo de bom. [Música] [Música] [Música]