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[Música] bom é o quadro de olho na educação e olha só hoje a gente vai falar sobre vestibular indígena aqui da Unicamp a importância da inclusão social tô aqui com o nalbert ou nalbert que vem lá do Amazonas né de São Gabriel é isso da Cachoeira é tá longe né cara tava perguntando eu perguntei para ele quanto tempo eles são Gabriel de Manaus aí ele falou três dias de barco porque lá não dá para chegar de carro ou de ônibus ou avião que é muito caro né geralmente ou de barco Mas enfim tá feliz aqui em Campinas gostou da cidade Há quanto tempo você tá aqui eu cheguei agora no segundo semestre pelo vestibular da Unicamp indígena 2022 e eu estou desde agosto aqui dia nove tô gostando o clima é bom cheguei no inverno né então foi bem diferente porque na Amazonas geralmente faz 36 38 graus e é bem úmido e aqui chegou uns 12 graus 12 graus e seco né então foi bem diferente foi um processo de adaptação e Eu tô bem aqui agora dezembro final de semestre então a gente se adaptou bem aqui eu acho que gostei da cidade a da Unicamp das pessoas aqui são bem educadas Então é isso uma cultura diferente você tá cursando história sim licenciatura bom e o que que Como você se interessou aí é pela Unicamp né É como soube desse vestibular indígena que que tem aqui a primeiramente a gente estudava muito da UFSCAR querem que já faz desde 2017 se eu não me engano e a Unicamp foi feito o primeiro vestibular em na minha cidade em 2019 que foi a primeira edição Então a partir daí a gente já começou a se interessar porque e alguns parentes que vinha para cá para São Paulo estudar e falava o quanto era bom Como ter essa experiência diferente fora que lá em São Gabriel não tem assim uma universidade com vários cursos o próprio fã do Amazonas não tem vários cursos para oferecer então vim para cá e fazer um curso que você gosta que a Universidade oferece tipo abrir esse sim esse leque de curiosidade para testarmos o vestibular e tanto que na primeira edição teve 700 800 inscritos e essa última edição agora de 2022 por cerca de 3.000 estudantes então subiu muito então o interesse foi aumentando e aumenta cada vez mais então E fora que a Unicamp né cara sem dúvida prestigiado então e tem todo um processo de permanência de ações afirmativas então a gente se interessa mais em vir para cá Pois é no início da entrevista você disse que são costumes diferentes e tudo mais o que tem mais de diferente aí comida né a comida lá na cidade onde comer um beiju um peixe um açaí uma comida fresca assim e aqui já é uma coisa bem mais industrializada a comida do RU é diferente como você ah de lá com certeza mas natural né nossa Com certeza farinha faz muita falta bom e seus amigos enfim é que também são indígenas também se interessaram algum deles prestou como é que é essa situação teve o da UnB agora da UnB e da USP então muita gente que não fez da Unicamp prestou da UnB agora e ano que vem já terminou agora dia 30 de novembro a inscrição aí vai ter a prova agora em Janeiro Então vai ter muita gente vindo para cá eu tenho os colega inclusive meu irmão vai também prestar vestibular e é isso Qual que é a importância da do vestibular indígena No que diz respeito a inclusão social assim não dá para dizer em uma frase ou exemplificar mais eu posso eu tenho que puxar os meses atrás só para você ter uma noção eu era um cara aspirante a estudar história tem mais históricos via no YouTube e Lia livros e sonhava em estar numa sala ser professor um dia e eu tudo isso vendendo lanche com minha avó para garantir o sustento e hoje tá aqui depois de sei lá uns seis meses tá numa sala com professores renomados e tá aqui pela luta engajado na luta pela luta social por uma luta que corre nas minhas veias então é isso não tem como dizer eu só posso dizer isso mesmo é o exemplo você tá emocionado é porque é uma coisa assim que a gente gosta de dizer porque muda totalmente a nossa vida então é isso e você espera o que para sua vida Olha bem como professor de história a princípio sim é objetivo mas quando você chega assim aqui na Unicamp você vê que tem várias lutas para cá não é uma coisa assim só chegava me formar e vou trabalhar você vê que tem toda uma luta um movimento uma causa Tem parentes ainda que não tem essa oportunidade que eu tive então a gente estando aqui a gente quer que ela vai para outros lugares que é quer fazer esse movimento crescer cada vez mais Então é isso mais alguma coisa para a gente encerrar entrevista e bater um papo com o professor que é também seu professor né sim o José Alves ele foi meu professor agora de história da América 2 e foi bem interessante o nosso as aulas que lhe deu porque fala sobre a América Latina então ter um indígena falando sobre América Latina na sala foi bem interessante e que foi abordado principalmente aí o que mais chama atenção na aula do professor José Alves foi questão de identidade né porque na questão de ser identificar com latino-americano o os indígenas ficam um pouco fora disso por mais que ele seja o povo originário eles ficam um pouco de fora e hoje só hoje que a gente tá tendo essas ações afirmativas para incluir eles na sociedade Poxa vida é isso aí valeu um abraço obrigado abraço bom e pra gente dar sequência que nesse assunto extremamente importante vestibular indígena também a importância da inclusão social tô aqui mais uma vez não é tem cadeira cativa já aqui no quadro de olho na educação professores José Alves tudo bem professora Olá André é um prazer conversar com você mais uma vez de fato fazer um papo aqui nesse programa Super necessário para informar a sociedade Muito obrigado Professor bom para falar Justamente a respeito dessa importância da inclusão social gostaria que você falasse um pouco mais então o vestibular indígena ele é uma característica tem uma característica muito peculiar muito específica que ele é um vestibular próprio para estudantes que tiveram experiências educacionais aproximadas porque nós sabemos que dentre as várias políticas de inclusão que a universidade tem a gente não faz isso do afogadinho a gente faz a partir de estudos a partir de experiências e quando Geralmente se tem né nas políticas de inclusão cotas para pretos pardos e indígenas nós percebemos que os indígenas não são efetivamente contemplados porque a prova ela é feita a partir de um parâmetro em que um tipo de escolaridade que pretas e pardos frequentam junto com estudantes brancos e os indígenas não então só para você ter uma ideia na Unicamp antes de ter um vestibular próprio para os indígenas nós tínhamos o ingresso de 4 a 7 estudantes por ano que se declaravam indígenas e agora com o vestibular próprio e específico para os indígenas nós temos tido aí no último ingresso foram 130 alunos aprovados diferenças enorme por quê Se eu colocar todo mundo na mesma na mesma na mesma tipologia de exame os estudantes pretos e pardos terão rendimentos muito superior em relação aos indígenas que muitas vezes vivem em comunidades muitas vezes tem um tipo de educação bem diferenciado agora o que isso significa que é uma prova diferente sim significa que é uma prova menos exigente não porque estamos exigindo outro tipo de sabedoria deles raciocínio lógico né porque boa parte deles Inclusive tem o português como sua segunda língua então isso também Marca uma das diferenciações de fazer esse vestibular indígena como funciona até em cima disso que você colocou Professor muito interessante esse ponto essa questão da adaptação do indígena aqui na jumping que é certamente né uma das principais universidades aí da América enfim como que funciona essa questão da adaptação então nós temos uma preocupação muito grande para que os alunos se sintam bem acolhidos para todos os estudantes serem bem acolhidos agora sabemos que especificamente o grupo estudantes indígenas tem outras experiências muitos deles pela primeira vez estão saindo das suas comunidades muitas vezes primeira vez estão ouvindo morar numa cidade grande numa Metrópole como é Campinas então tem uma adaptação de sair de casa sair da sua comunidade uma certa ruptura Com certas características da sua tradição até mesmo na alimentação e a outra é adaptação dentro da sala de aula das exigências feitas aqui por isso que a Unicamp criou um percurso de formação interdisciplinar para os estudantes indígenas para que eles possam ter um contato entre eles porque eles vendem diversas regiões do país de comunidades muito diferentes muitos deles a maioria não se conhece são mais de 30 etnias existentes aqui na universidade e aí é ter aulas né de de alguns conteúdos ou de algumas práticas como nós chamamos de letramentos né letramentos acadêmicos Então como é que faz um trabalho um pouco de estrutura o que que se exige na universidade como é que eu devo orientar os meus estudos tô precisando um pouco mais de aula de exatas Então vamos lá vamos ter algumas informações conhecimentos que serão importantes são importantes que eu diria que são conhecimentos prévios aquilo que ele vai que vai ser exigido na faculdade diretamente Então na verdade eles estudantes passaram na experiência destes alunos deste ano um semestre fazendo esse percurso formativo que passa então portanto produção textual linguagens de exatas linguagem Matemáticas e também debates culturais vida acadêmica eles poderem conhecer a dinâmica da Vida Universitária e eles fazem uma das disciplinas dos cursos originários e na prática Eles começam os semestre a faculdade para valer no ano que vem então foi esse é uma maneira que é uma foi desenvolvido isso depois André porque a gente sentiu que os alunos do primeiro da primeira vez que Chegaram Chegaram diretamente no curso tiveram uma ruptura muito grande então essa foi uma demanda dos próprios estudantes foi uma demanda dos professores para que esses alunos possam efetivamente acompanhar o curso quando eles ingressarem efetivamente nas diversas carreiras nos diversas graduações que Eles escolheram fazer aqui na Unicamp bom Qual o próximo passo quando vai ser a prova então nós temos aí uma felicidade de anunciar um novo recorde de inscritos do vestibular indígena na parceria com a UFSCAR São mais de 3.400 pensar que o nosso primeiro vestibular a quatro anos cinco anos foram 670 candidatos aí passamos para 1.200 1.500 aí 28 e agora 3.400 candidatos É há uma demanda muito grande ou que eu acho que a gente tem que pensar do ponto de vista de uma política nacional a respeito das populações indígenas povos que foram severamente perseguidos nos últimos tempos né que vivem sob ameaça por conta da direita da sua cultura direito a sua terra e sabemos que a questão da sustentabilidade e o próprio a própria salvação do planeta passa pelos saberes dos povos originários então é muito importante a universidade se aproximar deles não é apenas a questão do que a Universidade oferece a eles mas também o que que eles nos trazem Como contribuição Mas falando objetivamente a prova chega a prova no dia 22 de janeiro tá chegando em 2023 faremos prova em três cidades no Amazonas né Manaus a capital São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga que são as duas cidades com maior número de inscritos mais de mil inscritos e cada uma dessas duas cidades depois a prova também Recife agregando aí o pessoal que tá no sertão nordestino e outras regiões do nordeste aqui em Campinas né e dourados no Mato Grosso do Sul Então são essas belezas que fazemos a prova do vestibular indígena 2023 bom uma pergunta importante é todos os cursos para os indígenas inclusive medicina todos os cursos para os indígenas inclusive medicina no ano passado os dois estudantes indígenas aprovados em medicina era do Amazonas outro de Alagoas mas fez a prova em Pernambuco né e alunos que tiveram um altíssimo desempenho na prova e estão indo muito bem sei porque tem essa curiosidade ai acompanha o curso estão indo muito bem do que nós temos de informação até aqui a respeito deles que legal qual o recado final mais alguma coisa que você queira aproveitar que o espaço no quadro de olho na educação bom André eu acho que Campinas tem uma oportunidade de ver a experiência que na Unicamp de que quando nós falamos de povos indígenas e saberes de povos originários saberes profissionais eles estão aqui estão agitando Inclusive a vida cultural da nossa cidade né É em feira é dando palestras em escolas eu sei que várias coisas dessas acontecem porque eu acompanho aí o desempenho e o perfil desses estudantes é um ganho para nossa universidade é um ganho para nossa sociedade para nossa região sermos a única Universidade Estadual a fazer um vestibular indígena é um diferencial da Unicamp dificilmente Alguém entra na Unicamp hoje circula e não encontro um estudante indígena Então isso é bonito de se ver porque você não tá falando de alguém que está na página de um livro de história que muitas vezes ficou guardado aí tá quase cheirando mofo eu sou Historiador então por favor livro de história é muito livro vivo agora vê-los aqui e falando e defendendo seus interesses defendendo seus princípios as suas questões são fundamentais e do que nós estamos acompanhando parece que vem a criação de um ministério dos povos origem dos povos originários que é exatamente para cuidar de políticas horas para a população indígena é fundamental termos esses profissionais formados porque eles vão ocupar cargos e funções na estrutura administrativa do país na mesma maneira que os nossos estudantes que fazem engenharia que fazem direito que fazem história que fazem arquitetura ocupam cargos e Postos importantes tanto na iniciativa privada quanto no serviço público então a universidade também é esse celeiro de formação de gestores direto e indiretamente são essas pessoas que vão gerenciar o país nas próximas décadas então a universidade se orgulha muito de formar estudantes indígenas com o perfil que a Unicamp tem e não ganha apenas Unicamp ganha a sociedade como um todo bom obrigado professora Obrigado André bom pessoal é isso aí eu sou André Aranha já sabe né tô sempre de olho na educação tchau [Música]