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Música Bom, é o quadro de Olho na Educação e olha só que assunto importante. Será que é possível estudar depois dos 40 anos? Vale a pena estudar? Quais as dicas, as orientações para quem já passou dos 4.0, não é verdade? e quer prestar vestibular, concurso público, enfim, estou aqui com o Alfredo Neto, que é orientador pedagógico, professor, vai bater um papo conosco, falar a respeito dessa situação. Tudo bom, Neto? Antes de mais nada, muito obrigado por atender a nossa reportagem aqui, o quadro de Olho na Educação. Tudo jóia, é um prazer estar aqui com vocês e poder auxiliar. Boa! Essa é uma pergunta, certamente, que muita gente faz, né? se é de fato possível estudar após os 40 anos de idade. Então, eu já passo para você de imediato. É possível? É possível, não tem nenhum empecilho, não tem nenhuma contraindicação. Tem mais que 40, 50, bora estudar. Nenhum problema, inclusive vai conseguir ter um bom rendimento, assim como qualquer jovem. Talvez até melhor do que muitos jovens. Opa! Bela resposta aí do Neto, hein? Talvez até muito melhor do que muitos jovens. Por quê? Vamos lá. A pessoa com 40 anos ou mais, pelo menos em teoria, ela já sabe o que ela quer da vida. E ela também já sabe o que ela não quer. Então a possibilidade dela se organizar para separar aquele momento em que ela vai estudar e estudar com qualidade, é maior do que a de um jovem que ainda acaba se perdendo muito pelo excesso de informações, por não saber necessariamente o que é na vida. Então, muitas vezes, a pessoa um pouco mais velha, com 40 ou mais, ela fica preocupada em será que eu vou aprender, será que eu vou absorver, mas faz muito tempo que eu estudei, faz muito tempo que eu parei. Toda essa situação de muito tempo Que parou, etc Ela é superada pelo fato da pessoa conseguir focar Então vale muito a pena Se programar, organizar a mente Organizar o material Definir o que vai estudar Para que vai estudar Deixar a meta clara E seguir em frente Vai compensar qualquer dificuldade Pelo fato de conseguir ter mais foco Que os mais jovens É a mesma coisa, né? Professor, num time de futebol, às vezes a gente vê uns jogadores mais velhos, rendendo mais que o jovem, que tem aquele pulmão, aquele garoto de 19, 20 anos, aí você vê um cara lá de 36, comandando o meio de campo, passe pra lá, por quê? Vai na experiência, né? É mais ou menos por aí? Vai na experiência e aquela questão de saber fazer um bônus do tempo. Esse jogador de 36 Certamente Ele já foi pra balada Ele já não tem mais muito o que aprender em balada O jovem tá descobrindo a balada Tá querendo ir pra balada E o estudar compete com a balada Agora, o cara de 36 No caso do futebol E o de 40, que é o nosso exemplo Ele já conhece a balada Então ele fala, bom, foi bom Mas não é mais o que eu quero, não é mais o que eu preciso Então, ele certamente vai saber usar melhor o tempo dele. Bom, mas vamos lá, em termos físicos, a pessoa que passou dos 40, ela tem mais dificuldade talvez de armazenar, de memorizar ou não, fisicamente, independentemente dessa questão de foco, de concentração, como que funciona isso? Do ponto de vista cognitivo, se ela estiver com a saúde normal, não estiver com nenhum problema de saúde, não tem nenhum problema em processo de foco, armazenamento, retomada de informação. Tudo isso vai funcionar de forma plena, desde que, obviamente, ela tenha a saúde em dia. E aí, já foge um pouquinho da parte de educação ou não, quais os problemas de saúde que podem dificultar isso. Mas resolvida essa questão junto de um médico, caso haja problema, vai conseguir formar memória, memória de curto prazo, longo prazo, memória de trabalho de forma normal como jovem. Bom, professor, certamente tem muita gente acompanhando o quadro aqui com mais de 40 anos e, evidentemente, se sentindo mais animado após as suas respostas ao longo dessa entrevista. Puxa vida, olha lá o professor Neto falando, é possível, quero começar a estudar, prestar vestibular ou, de repente, prestar um concurso público. Qual a estratégia? Existe uma estratégia diferenciada na hora de estudar, de repente, de voltar a estudar, né, gente? De repente, pegar as matérias que você tem menos conhecimento, menos habilidade, ou não? Não é por aí? Sempre vai existir uma estratégia. É importante entender o que a pessoa quer fazer, se ela quer fazer uma graduação, Então, para que ela está estudando? O para que vai determinar a estratégia. Estudar para um vestibular exige um tipo de estratégia, estudar para um concurso pode ser parecido, mas a estratégia é diferente, porque o tempo de estudo para concurso acaba sendo menor do que o tempo de estudo para um vestibular. E voltar a fazer uma graduação e estudar para conseguir acompanhar uma faculdade, ou simplesmente estudar para adquirir conhecimento, seja ele qualquer, é diferente. Então, a primeira coisa é entender o que a pessoa quer fazer em função do que ela quer fazer, montar a estratégia adequada. Mas tem aquilo que nunca falha para processo nenhum, que é ter sempre uma rotina que envolve dormir no mesmo horário, acordar no mesmo horário, ter um horário fixo de estudo na medida do possível. Às vezes a pessoa, por ser mais velha, não consegue ter esse horário fixo, Mas se puder, sempre estudar no mesmo horário. Porque o cérebro acostuma, a mente acostuma. E ao acostumar, o rendimento é maior. Então, é como se o cérebro ali já estivesse esperando que você fosse estudar naquele momento. Então, se puder, seguir sempre o mesmo horário. Lembrando, alimentação adequada, coisas que são necessárias para manter a saúde acabam aumentando o rendimento no estudo também. Baixo consumo de gordura, baixo consumo de carboidrato. Tudo isso acaba contribuindo também para você conseguir mais foco, mais concentração Alguns erros comuns Vou começar a estudar, tenho uma vida de pouco tempo, agitada E estou cansado, começo a ingerir muito café É um erro, o excesso de café vai liberar muito cortisol Vai gerar estresse E na primeira dificuldade que você tiver ali, você vai querer parar Eu cortei o café, viu, professor? Eu só tomo chá. Será que chá é bom? Café de forma moderada. O chá tem menos cafeína que o café, também de forma moderada. O pessoal na redação brinca que eu estou sempre tomando um chazinho, mas na verdade é pouca coisa, dentro do limite. Professor, me fala uma coisa. Professor Neto conversando conosco, orientador pedagógico, falando a respeito deste assunto importante, porque, como eu disse, muita gente é que já passou dos 40 querendo prestar vestibular pela primeira vez ou já tem uma profissão, já prestou vestibular e, ah, puxa vida, eu gostaria de voltar a fazer uma faculdade. Tem muito isso, né, professor? Tem muito isso, tem muito isso. E aí, será que eu vou conseguir ou não? O que muita gente pergunta é esporte. É legal fazer esporte para dar aquela relaxada, não é? Gastar energia e tudo mais, principalmente as pessoas que passaram dos 40? Sim, todos os estudos hoje comprovam que a prática esportiva é moderada, por quê? Por uma questão de conciliar tempo, ela vai auxiliar. Claro, se a pessoa fala assim, vou praticar esporte, mas vou gastar duas, três horas por dia na prática esportiva, ela não vai ter o tempo necessário para estudar. Então a prática regular, a regularidade, pode ser uma hora, pode ser um pouco menos ou até mais. Aí depende de ver qual é o esporte, mas a regularidade desse esporte comprovadamente aumenta a capacidade cognitiva. Isso já é consenso na neurociência. Então o esporte vai ajudar sim. Você que é professor de história, tem bastante gente com mais de 40 anos estudando pré-vestibular ou não é tão comum mais? Tem aumentado, tem aumentado. Tem aumentado o número de pessoas com mais de 40 anos procurando curso pré-vestibular ou voltando a estudar, indo direto para uma graduação ou para uma pós-graduação. Tem aumentado e a gente percebe que são pessoas que elas têm muito receio, elas têm medo, mas rapidamente também elas percebem que elas têm uma capacidade grande. Elas acham que vão ficar para trás, se comparando com jovens da sala de aula, mas rápido elas percebem que elas adquirem o mesmo nível ou se conseguem estudar, se conseguem o tempo adequado, passam até o jovem em muito pouco tempo. Maravilha, mais alguma coisa para a gente concluir, suas considerações finais Alguma coisa que você queira colocar, passar aí de dica final para a galera que está em casa Certamente é bastante empolgada com essa entrevista Muita gente pensando em voltar para os estudos Acho que mais até do que no campo da dica é lembrar, fazer as pessoas lembrarem Contando aqui, tivemos pelo menos uma aluna recentemente Olha só que legal Já não estava com 40, mas algo em torno de 35 anos E que veio a entrar num curso de altíssima demanda, curso concorrido Medicina Medicina Ela tinha sido aluna nossa, mais jovem Aí pelos caminhos da vida Ela fez outra faculdade Seguiu para outra faculdade e posteriormente voltou com a gente, nesse meio tempo estudou, não deixou de estudar para a medicina, voltou para lapidar aqui com a gente e conseguiu o ingresso dela em uma universidade pública inclusive. E tivemos já também casos de pessoas daí com mais de 40, também já graduadas, conseguindo ingressar em universidade pública. Então é possível, e se a gente for lá, o que é muito comum hoje escrever no Google, reportagens de pessoas mais velhas na universidade, Certamente vai aparecer casos que vão ser uma grande referência E que permitem que a gente olhe e possa se espelhar e seguir em frente Professor, você citou essa aluna que não parou de estudar e tudo mais E quem, por exemplo, está super enferrujado Precisa ir aos pouquinhos ou já manda ver? Se tiver tempo, manda ver Se não tiver tempo, vai aos pouquinhos, vai desenferrujando Não tem nenhuma contraindicação, já começar mais forte Se tiver tempo, segue com força. Se não tiver, vai desenferrujando aos poucos. É isso aí. Muito obrigado pela entrevista. Eu que agradeço. Foi um prazer. Espero poder contribuir com vocês e com todos os estudantes acima de 40. É isso aí, pessoal. Eu sou o André Aranha e já sabe, né? Estou sempre de olho na educação. Tchau!