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[Música] bom é o quadro de olho na educação e olha só que bacana que assunto curioso não é porque nós vamos falar sobre dialetos brasileiros eu estou aqui com a Cristina que é professora não é de letras sabe tudo e mais um pouco tudo bom professora prazer em recebê-la aqui no nosso quadro de hoje na educação tudo bem Prazer é meu Obrigado pelo convite valeu Bom vamos lá em casa entender direitinho né do que se trata de fato essa nossa entrevista esse nosso bate-papo aqui bem legal no quadro de olho na educação O que são esses dialetos brasileiros a gente costuma definir como dialeto É algumas especificidades no uso do português brasileiro determinadas por certos recortes geográficos então a gente costuma observar por exemplo definir né um conjunto de particularidades que o uso falado do português brasileiro tem uma determinada região caracterizam esse dialeto então por exemplo a gente um traço que eu acho que é muito perceptível para quem é aqui da região né Onde nós estamos da região de Campinas no interior de São Paulo essa essa esse uso por exemplo que a gente observa do R do interior né que é esse R que a gente chama de R retroflexo que é o r de porta né é por exemplo um traço de português falado que caracteriza o dialeto o chamado dialeto caipira né então é todas essas características que são comuns a falantes de uma determinada região e que a gente vê que caracteriza os falantes Daquele mesmo espaço é definir um dialeto e Olha nós estamos no Brasil que tem muitos locais diferentes né e com muitos jeitos diferentes que as pessoas falam você Estou aqui não é o nosso interiorzão de São Paulo né que é bem bacana o pessoal realmente fala esse porta né Aí você vai no Nordeste é de um jeito você vai no sul é de um jeito completamente diferente né é quando um nordestino conversa não é com alguém do Sul parece que são pessoas de países diferentes conversando né porque cada um se expressa de uma maneira e às vezes nem é tão tranquilo assim de porque o que o outro tá falando né Professor sim é isso se explica muito por questões históricas de formação da língua né então a gente tem a gente precisa lembrar também que no Brasil além do português brasileiro a gente tem ainda falado centenas de línguas indígenas vivas Olha só então historicamente dialetos também ou não aí não não línguas mesmo línguas indígenas e historicamente quer dizer na verdade esse número enorme ele já foi muito maior né mas essas línguas foram desaparecendo com o passar dos séculos e tudo mais né sobretudo por Impacto pelo impacto da colonização Então a gente tem nas diversas regiões do Brasil que é um país gigantesco além da influência da presença das línguas indígenas das diversas línguas espalhadas pelas diversas regiões a gente também teve o impacto das línguas africanas que também adentraram por conta da escravidão né no Brasil e a gente também teve os fluxos imigratórios para cá Olha só gente que aconteceram Diferentemente em diferentes regiões né então todo toda essa dinâmica histórica da presença de diferentes línguas das maneiras diferentes como essas línguas entraram em contato impactaram Diferentemente nas diferentes regiões Então a gente vai ter como resultado histórico disso falares com características Tão Diferentes né porque a gente como a gente tem um país que tem dimensões quase continentais é a sensação é essa mesmo né quase como se a gente tivesse muitas vezes um falante do Sul é se deparando quase que com estrangeiro é bem isso mesmo né do Norte enfim do sotaque que isso é óbvio né o paulista tem um sotaque carioca encontro não é o baiano tem outro Gaúcho tem outro Goiano tem também né um sotaque bem característico é Mas a questão também de algumas palavras algumas expressões que que a gente não conhece todas a gente que não é por exemplo do Sul ou não é do nordeste do norte do centro-oeste né Tem muito isso né professor de cada região isso também é isso também tá conectado a essas questões históricas né porque a depender das línguas que influenciaram que impactaram na formação desses dialetos muitas vezes o que a gente conhece hoje entre os falantes deles né dos dialetos é trazem expressões que tem origem diferentes acaba como a gente tem as diferenças regionais muitas vezes o que a gente fala por aqui a gente não reconhece no que fala nesses lugares mais distantes da gente no próprio país né eu separei algumas expressões aqui não é de alguns locais é diferentes do Brasil por exemplo é na Bahia o pessoal fala e aí meu rei e aí meu rei é Olá amigo né aonde tipo Não mesmo não vou mesmo e aí vamos morrer para Praia Aonde tá me comediando é está me fazendo de bobo aí o Brasiliense o Aff é Ave Maria baú essa eu acho que nem você vai saber viu professora baú Eu também não sabia tô olhando aqui ônibus Olha só vou pegar um baú se a gente desce lá a gente vai entender nada mas será que é um baú o caipira né é com uma fonética marcada pelo R retroflexo né E por trocar o LH por L é isso e por não flexionar o verbo ah por exemplo em vez de mulher mulher exatamente tá aqui o exemplo também mulher é o LH pelo i o LH pelo I Deve ser isso né Porque mulher igual a mulher é nós e nós é igual a nós ele é um coió ele é um bobo é o carioca olha só que bacana é essa entrevista com a professora não é Cristina falando para gente e eu tô mostrando alguns exemplos dessas anotações aqui tá bolado tô preocupado qual é Qual é né esse projeto fluiu esse projeto deu certo até aí o gaúcho que some da minha frente sai da minha frente é preteou o olho da gatinhada a coisa ficou complicada O Mineiro O Mineiro é curioso também né quantas horas a quantas horas Que horas são Que legal as frutas estão apodrecendo tudinho todas as frutas estão apodrecendo e assim eu citei Olha que o Paulistano né que é quem nasce na capital de São Paulo né Nós somos Paulistas aqui do estado do interior Paulistano também é paulista mas o Paulistano é É de fato Quem nasce na capital Se pá talvez vai ter um filho dá uma telefonada ficar na moral fica quieto fica na sua aí é impressionante né professora você a gente eu acabei citando alguns exemplos né Para a gente contextualizar aqui e é inacreditável Como muda não é esse dialeto sim e tem uma coisa assim engraçada e curiosa né porque tem na circulação dessas expressões tem Muita criatividade também né a gente vê que que o povo brasileiro é muito criativo na no uso dessas expressões e elas variam muito e muitas vezes até difícil da gente detectar de onde ela surgiram né porque tem tantas coisas que influenciam a origem dessas expressões muitas vezes num determinado num determinado lugar às vezes é por exemplo em grandes centros né a gente tem determinados nichos que começam a utilizar uma determinada expressão que vai se disseminando e de repente ganha grandes proporções e passa a ser né Muito falado ou às vezes a gente tem a influência da própria mídia né da televisão do cinema né das mídias de comunicação que começam a divulgar certos salários e influenciam pessoas de regiões diferentes aí a gente é capaz de ver muitas vezes né um personagem de uma novela né ou de um filme que faz muito sucesso que usou muito uma determinada expressão que era Regional aí acaba pegando né Assim como tem outras que não pegam né que desaparecem tem isso também desaparece com o tempo não vingou muito tchau isso E aí é sempre muito difícil a gente entender e tentar explicar por que que essas coisas acontecem porque a dinâmica é social né das interações ela é tão rápida e ela e ela tem tantos elementos que a gente não consegue achar mais o ponto de partida né o ponto de início e o ponto de término né daquele uso específico e assim professora é acho que é muito difícil a gente saber todos os dialetos né tudo que acontece em regiões do Brasil né em outros países isso acontece também com certeza né é toda língua também que é um país grande certamente a região norte diferente da do Sul a forma como falar né porque a gente sabe que o inglês americano ele é diferente do inglês britânico né mas assim dentro dos Estados Unidos Por exemplo também tem essa questão de Com certeza tanto que eles têm até às vezes eles mesmos na cultura norte-americana terem a brincar com isso com essas diferenças né que tem o inglês texano por exemplo que é muito diferente né e é natural que qualquer língua falada no mundo né que tenha que seja falada num território de proporções razoáveis né tem a variações tem a variedade linguísticas diferentes espalhadas pelo território né isso da própria natureza da língua mesmo o professor pegando o gancho aqui para a gente encerrar já deu para para a gente né Essa questão dos dialetos mas esse Pode até ser um assunto para uma próxima oportunidade aqui no quadro de olho na educação mas só para não perder o gancho ficar até de repente uma é uma sugestão de pauta para gente aí essa diferença do português de Portugal para o português brasileiro né sim né que são tão diferentes e tem ficado cada vez mais porque são a gente considera como variedades do português né o português europeu português brasileiro e já são tantas as diferenças dessas duas variedades que já se fala hoje na possibilidade da gente a longo prazo ter línguas diferentes mesmo Ah é com gramáticas diferentes né a forma de escrever e tudo é assim com estruturas gramaticais diferentes tamanho é tamanho tem sido as diferenças e os processos de mudança e cada vez mais afastamento das duas variedades E aí assim eu acredito que o que que a gente possa dizer que mais diferencie as características das duas variedades é que é justamente o processo de formação do português brasileiro como a gente tem a gente teve uma formação do português aqui com o Claro a contribuição com a vinda do português europeu mas estando em contato com outras línguas constantemente a gente tem diversas hipóteses né sobre esse processo quer dizer que a gente tanto pode ter ter como resultante um português que se deu por esse pelo intenso contato e portanto pelas influências que essas diversas línguas tiveram na estrutura da nossa quanto a gente também tem também se defende a hipóteses né especialistas defendem a hipótese de que talvez a gente tenha mantido características do português arcaico e o português europeu tomou um rumo diferente do nosso Então essa é uma hipótese que também se sustenta que a o português do Brasil mantenha muitos traços e características do português lá do português do século 16 17 que veio para cá no período da colonização e foi como se tivesse havido uma manutenção de certos traços daquele português e o português europeu moderno tomou rumos que diferenciaram muito desse então tem essas duas hipóteses a hipótese da mistura com línguas africanas línguas indígenas e a hipótese da manutenção do arcaico e afastamento do português europeu moderno É isso aí vale um quadro simbora produzir obrigado viu professora é isso aí pessoal eu sou o André Aranha e já sabe né tô sempre de olho na educação tchau [Música]