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Histórias de Vida | Aparecido Góes
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Histórias de Vida | Aparecido Góes

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Resumo editorial

Aparecido Maciel Góes relata sua trajetória de 14 anos convivendo com hepatite, que evoluiu para cirrose hepática, e o transplante de fígado que recebeu. O entrevistado enfatiza a importância vital da doação de órgãos e sangue para salvar vidas, conscientizando sobre tabus culturais ainda presentes na sociedade.

Citados nesta edição

Descrição do vídeo

Aparecido Maciel Góes conviveu 14 anos com hepatite até o diagnóstico evoluir para cirrose hepática e a indicação de transplante de fígado. Vindo de Londrina, no Paraná, para Campinas ainda criança, ele relata como o índice Meld, que mede a gravidade da doença hepática, subiu de 13 para 23 entre 2021 e os meses seguintes, cruzando a marca de 17 que garante a entrada na fila de transplante. Casado há 33 anos e pai de dois filhos, ele descreve o apoio da família durante a espera e defende a doação de órgãos como uma segunda chance de vida.

Transcrição completa do vídeo

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[música] [música] Depois de conviver com a hepatite por 14 anos, ele enfrentou uma cirrose hepática e precisou passar por um transplante de fígado. Uma jornada difícil, mas marcada pela presença e apoio da família. No História de Vida de hoje, vamos conhecer a trajetória do Aparecido Maciel Gois, que vai contar um pouco sobre a importância e também o significado de receber uma nova oportunidade de vida através da doação de órgãos. Parecido, seja muito bem-vindo ao História de Vida também. Muito obrigada por nos atender e nos receber na sua casa. Eu que agradeço aí a oportunidade que vocês estão dando de eh transmitir a importância de uma doação de órgãos, né? eh para as pessoas que às vezes têm medo dessa doação e o quanto ela é importante para as pessoas. É realmente um uma doação de vida, né? Então seria isso e é aparecido, mas o pessoal te conhece como Maciel. Para começar, eu queria que você contasse um pouquinho quem é o Marciel para além eh [música] do transplante, como a gente vai mencionar aqui hoje mais profundamente. A minha história de vida é, eu vim do Paraná, né, com 9 anos, vim de Londrina, viemos para Campinas na época da Giada, que houve no Paraná. E aí, eh, nesse período, eh, fui trabalhar logo muito cedo, com 14 anos. Trabalhei em supermercado, né, e trabalho ainda na área de comércio durante [música] 45 anos, né? Sou casado com a minha esposa, conheci ela também no trabalho. Eh, namoramos 12 anos, faz 33 de casado, estamos junto a 45, tenho 60 anos, tenho uma filha e eu um filho, né? são as pessoas mais importante da vida da gente, a família, né? Tem um pouquinho da da minha história aí. Maciel, quando que você recebeu o diagnóstico de hepatite? Eu recebi o diagnóstico quando eu fui a um cardiologista e ele detectou que havia uma alteração no sangue, né, [música] de dois exames chamado TGO e TGP. tava muito alterado. Ele me encaminhou para um infectologista e aí esse infectologista por algum tempo, ele ficou ali estudando o que seria aquelas alterações e detectou que eram hepatite, né? E durante um tempo eu acompanhava isso eh eh frequentemente lá com ele e acompanhando esse processo do TGO e TGP nessas mudanças aí, né? E você conviveu bem com a hepatite durante 14 anos até [música] receber diagnóstico que evoluiu para uma cirrose hepática? É isso? Sim. A gente fazia o acompanhamento dessas e tomava alguns cuidados, né? Eh, não tinha cuidados rigorosos. É, eh, eh, mas era realmente eh, para não correr o risco de passar para outras pessoas, né? Então, isso era acompanhado, [música] né? E aí até o diagnóstico que houve, né? O que aconteceu? Esse primeiro eh infectologista meio que ele desistiu de mim e ele fez uma carta a esse médico dizendo que não ia cuidar mais de mim porque eu não tava lá eh me cuidando com relação à gordura no fígado, tal. E eu fazia algumas dietas, mas não tinha conseguido realmente, né? Aí o diagnóstico depois desse tempo veio eh que eu estava já com eh uma eh condição de era outro fração de de de como vamos se dizer de exames. Era o melde que tava sendo acompanhado e não mais o TGO, TGP, que o Meld é a medida de como o fígado vai evoluindo para uma hepatite. E o Meld foi aumentando aos poucos, né? era 13, 14, tava ali na média. Quando foi em 2021, né, eu fui já eu tava afastado por conta da COVID da empresa, mas fui ao médico. Em 2021, eh, detectou que o Meld tava subindo para 17, 18 e aí o Meld chegou a 23, 25 e quando ele entra em 17 já vai pra fila do transplante. Aí eu recebi essa notícia que já tinha que ficar na fila do transplante. E como foi para você receber essa notícia? Para mim foi tudo muito novo, né? a gente não esperava isso e eh começou o médio a subir e ele chegou eh nisso até 27 e era um estado crítico. 29 era o número máximo. No início a a fila tava bem longe, 200 na minha frente por aí. E depois quando esse melde subiu, eh, eles, eh, aceleraram essa [música] minha fila, porque eu tava num estado já muito crítico, grave, né? Então, isso eh eh já foi um pouco adiantado, né? E e aí continuei acompanhando isso daí. Então, aconteceu tudo muito rápido. O que que mais pesou para você eh emocionalmente também nesse período? você já ficou eh internado, ficou em casa, como que era também a rotina nessa época? Não, nessa época eu tava acompanhando e ia ao médico na consulta e nunca tinha ido a um hospital. E um certo dia, né, eu tava eh acontecia o quê? A memória ela ficava, eu esquecia alguns esquecimentos, fui no neurologista e esses esquecimentos eh eh eram frequentes. E aí, passado um tempo, um dia eu tive um quadro de encefalopatia. A gente desconhecia isso, né? E aí foi a primeira vez que eu tive que ficar internado. Uhum. É interessante, acho que a gente abordar sobre a encefalopatia, explicar também para quem tá em casa o que se deriva muito por conta da hepatite, como que isso funciona também. A encefalopatia [limpando a garganta] é o seguinte, o intestino não funciona, ele para de funcionar, né? Apesar de eu tomar laxantes ali pro intestino, ele deixava de funcionar. E a a orient a explicação médica era que eh a encefalopatia, o intestino gerava uma amônia, subia pro cérebro e eu perdia a memória, né? Mas nesse perder a memória também vinha outros quadros de agressividade, de falar coisas que eh não faziam sentidos. E eu não me lembro dessas falas, desses eh eh que os familiares me dizem. Ah, o senhor falava isso, o senhor falava aquilo. Então, e eu sentia um negócio estranho na cabeça, uma angústia, um um meio que um desespero. A primeira vez que eu [música] fui internado com encefalopatia, eu não conhecia a minha esposa e não conhecia meus filhos. Voltarei a conhecer depois de uns dois dias, um, dois dias que eu estava internado. Então, toda vez que dava encefalopatia, eles já percebiam. Mas eu eh não eh lembrava de muitas coisas que eles [música] falavam. E durante esse período, eh quanto tempo você ficou esperando até conseguir o transplante? Eu comecei a a internação em março, fevereiro, março de 2021 e o transplante aconteceu em novembro, né? E o que acontecia? as encefalopatias e o aite, que é a água na barriga. A barriga ficava muito grande e ela eh dificultava eu a falar [música] e sentia muitas dores, tinha que tomar morfina para dor. [música] E aí eles tiravam eh quando ia fazer essa paraentese que chama, que ia tirar essa água da barriga, chegava a tirar de 9 a 10 L de água. [música] eh quando acumulava, né? Então aí quando tirava essa água, pegava a infecção e aí vinha a necessidade das internações por conta das infecções que pegavam. E você ficou muito tempo internado, né? Quem eh mais te apoiou nesse período? Eu sei que você recebeu muito apoio da sua família. Como que foi também para você a importância de ter sua família sempre ao lado durante todo esse período? O quadro de aite, ele era quase que semanal, né? E toda vez que eh quando ficou mais crítico, eu ia fazer esse exame para tirar a água da barriga e aí necessariamente já tinha que internar para cuidar da bactéria que pegava, né? E aí a importância da família foi muito grande. Os filhos não podiam sair de casa para ir ao hospital. Ninguém podia porque era eh eh a COVID e a minha esposa que acabou acompanhando eu durante essas internações que foram uma quase 100 dias ou mais. Então, todas essas internações, ela estava junto comigo e ficava eu deitado numa cama e ela sentado numa cadeira. Então, ela foi uma grande companheira minha, né, em todo esse período. Eu digo que ela sofreu mais do que eu, porque eu dormia na cama e ela na cadeira. Então isso foi muito importante. Os filhos ficavam em casa e não podiam fazer muito, porque ela até dizia: "Não vão ao hospital, eu vou porque tá no período de COVID", né? Então fiquei por esse período e nesse período também peguei COVID. No período da COVID peguei também, né? E graças a Deus deu tudo certo. Maciel, você contou que teve muito apoio da família, da sua esposa, que te acompanhou durante todo esse período de internação. Eh, que que você se apegou também, [música] além de emocionalmente, se apegou em religião? Sim, [música] eu me apegava muito a Deus, sempre fazia minhas orações, né, todo dia. Eh, os próprios médicos disse que naquele estado crítico que tava e que eu consegui passar por isso, que as minhas orações das dos familiares foi muito forte, né? [música] Eh, a gente é da igreja messiânica, da religião messiânica e a minha esposa eh fazia a prática do jorei, que era fazer uma oração com as mãos. E então, eh, os meus familiares também fizeram muitas orações, amigos e eu encontrava amigos depois que dizia que fez muitas orações por mim. Então isso além da própria medicina, a religião e a fé, isso me ajudou muito, me fortaleceu muito no período que eu tava internado. Em algum momento desse [música] período, você pensou que não ia conseguir superar a doença? Eu eh eh pensei, né? Pensei assim em algum momento porque a COVID trouxe também muita ansiedade, então achava que eu não ia sobreviver. né? E eu tive alguns parentes que faleceram com a COVID e eu fiquei sabendo disso no hospital. [música] Isso eh deixou eu mais nervoso. E durante esse período eu acredito que eu entrei num quadro de depressão e aí eu também não queria mais viver. a minha maior parte do tempo, no final, eu ficava chorando e e pedia que eu queria morrer. E aquilo hoje é inexplicável essa esse momento, mas eu tava num momento fraco de tanta dor que sentia por conta da aite e eh eu já tinha desistido nesse momento, né? Não queria mais. Eu falava: "Não, eu quero morrer" e tal. Então isso foi uma fase, eu acho que acredito que seja uma depressão, né? Uma coisa da fraqueza do próprio momento da gente. Uhum. Marcel, tem um momento que é importante a gente comentar da sua história também, que é bem bonito, que foi que sua filha adiantou o casamento para que você pudesse participar. Foi isso? Isso, né? Ela falava de casar, até queria casar numa igreja, tudo, né? E aí eu estava no quadro e vinha mais próximo, uma piora desse quadro, né? Eu tava internado e aí ela decidiu casar, né? O que eu tenho de entendimento que ela achou que eu não ia sobreviver, né? naquela fase, a Covid, tudo, tudo era um risco. Então isso levou ela a adiantar o casamento. No hospital, os médicos eh cuidaram disso, fizeram alguns procedimentos e eu tava internado. Eles fizeram isso, liberaram eu para ir ao casamento. O casamento só foi no cartório, foi feito na casa dela mesmo. E eu fui acompanhar o casamento. era um dos momentos mais importantes da vida, né, pra gente ali naquele momento, ela casar e ela também fez a vontade dela, né, que eu estivesse presente. Então, isso foi uma das coisas muito importante, ajuda médica e estar junto com a família nesse momento importante da vida dela. Com certeza. E quando que chegou a notícia que você passaria pelo transplante finalmente eu tava na fila, né? E eh em novembro, né, eh veio a notícia, né, que eu tinha chegado entre um e dois já da fila eh pela urgência, então no número um e dois e eu tava aguardando. Quando foi em novembro, lá pro dia 13, 14, chegou um fígado, né, que era para ser feito transplante. E aí esse fígado, eu me preparei tudo lá na Unicamp para poder fazer o transplante, fez os exames toda hora de fazer o transplante, detectou que o fígado não estava bom. Aí foi uma alegria e depois uma tristeza pra gente no momento. E fiquei, voltei para casa, voltei para casa na expectativa de receber um novo fígado, né? E esse novo fígado veio no dia 16 de novembro, né? E quando eu vim para casa, anteriormente era dia 15, feriado, acho que prolongado, alguma coisa assim. É muito difícil a gente falar sobre isso, mas às vezes eu ficava na expectativa, alguém vai morrer e vai ter um fígado para mim. Então, que que situação difícil. Mas a gente às vezes entendia que o momento daquela outra pessoa chegou, né, e aí poôde salvar a vida de uma outra pessoa, né? Então era muito difícil pensar dessa forma, mas às vezes você ficava na expectativa, vai acontecer alguma coisa e vai ter um fígado para mim. E aconteceu no dia 16 de novembro. E como que foi também depois [música] que você recebeu o novo fígado? mudou para você um pouco a sua perspectiva de vida depois de receber essa nova oportunidade de viver? Sim, sem dúvida nenhuma, né? Então, até hoje quando eu encontro algum amigo, algum conhecido que já faz tempo que eu não vejo, para mim, eu fico até emocionado. Parece que é um momento que eu tô eh renascendo ali naquele momento, né? E eu fico muito feliz por isso, né? E mudou a importância disso para mim. Tudo, tudo a gente dá valor mais, passei a dar mais valor à vida e não me preocupar às vezes com pequenas coisas que os outros falam em alguma coisa assim. Não vale a pena você discutir ou, né, com outras pessoas. É muito pequeno perto da importância que a gente tem [música] e o momento que a gente tem de vida. né? Então isso para mim mudou muito, valorizar cada momento junto com a família, né? Isso é muito importante. E pra gente encerrar, deixar uma mensagem aqui para quem tá nos assistindo. Que que você falasse sobre a importância da doação de órgãos que salvou a [música] sua vida? Eh, a mensagem eh, para quem está do lado de cá, que teve essa oportunidade, foi salvo, teve uma outra vida, vamos se dizer, [música] eh, que doem órgos. Eu tenho uma história de um irmão. [música] Eu sou gêmeo, era, né, Gêmeos que ele faleceu [música] aos 33 anos e meu pai na época não tinha entendimento com doação de órgãos. [música] E aí eu que tive que ir na Unicamp também dizer que ele não ia doar os órgãos. [música] E aí é ironia do destino. Lá na frente eu tive que esperar um órgão. Então isso a importância. Tive vários amigos que queriam doar um pedaço do fígado para mim e não [música] podia, tinha que ser um fígado inteiro, né? E pessoas que muitos vieram me dizer que eh não tinha essa pensamento de fazer uma doação de órgãos. [música] após a minha história, eles também passaram a entender que é importante. Então, é de muita importância doar órgãos para outra pessoa, é doar vida, né? Doar sangue também é muito importante. Eu precisei de várias bolsas de sangue e às vezes o sangue é o momento da vida também ali da pessoa. Marcial, muito obrigada [música] pela participação aqui conosco, por contar um pouquinho sobre a sua história de vida e por enfatizar também essa mensagem tão [música] importante sobre a doação de órgãos, que ainda é um tema muito desconhecido e cheio de tabus, mas através da sua vida a gente percebe a importância desse ato. Muito obrigado a vocês e é realmente muito importante doar órgãos. [música] Agradeço você também pela audiência em mais uma História de Vida. Espero que você tenha gostado do programa e até a próxima. [aplausos] Enquanto muitos te ajudaram, Deus te ajudou. Mas cada marca [aplausos][música] te deixava te ensinar. Quando [aplausos] você pensou, acabou a história. Ele pegou em tua mão e disse que não deixa o filho só [aplausos] para trás. teus dias mais difíceis, ele também mostrou que esteve hoje [música][canto] você é o resultado dos dias no olha você [canto] aqui. [música] [música]
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