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Histórias de Vida | Wagner luta de braço
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Histórias de Vida | Wagner luta de braço

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Resumo editorial

Trajetória de superação e força no quadro Histórias de Vida da TV Câmara Campinas. Atleta campeão mundial de luta de braço, treinador e palestrante, nascido em Itatuba, ele perdeu a mãe ainda bebê e enfrentou um caminho difícil até descobrir o esporte por acaso, plantando tomate no sítio do tio aos 14 anos. Conta como a luta de braço se tornou refúgio em um período de depressão e como, depois de cinco anos perdendo competições, conquistou o título paulista em 2005 e seguiu construindo uma carreira esportiva internacional ao lado de outras modalidades como Strongman e Power Biceps.

Descrição do vídeo

Wagner começou a treinar luta de braços com 19 anos, porém acabou se perdendo por conta de vícios em uma fase da vida. Até que um dia, ele conversou com Deus e teve um sinal que precisa mudar de vida. Foi nesse momento, que ele pediu ajuda e mudou toda sua história para ter um novo recomeço.

Transcrição completa do vídeo

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[música] [música] No Histórias de Vida de hoje, vamos conhecer uma trajetória de superação, força e recomeço de um homem que conheceu o esporte ainda jovem, mas que também conheceu cedo os desafios da vida fora das competições. Wagner Bortolato é atualmente atleta de luta de braço, [música] campeão mundial, treinador e palestrante e vai contar pra gente um pouco dos desafios que enfrentou para alcançar esses sonhos. Wagner, muito obrigada por aceitar nosso convite e seja bem-vindo à história de vida. Obrigado, muito prazer. Eh, obrigado pelo convite. [música] Então, eu eu atualmente também eu entrei pro Power Bíceps. Uhum. [música] Onde eu fui campeão no Arold Class, que eu também sou atleta de Strong Man. Eh, sou personal trainer e sou contratado da Grof. Então, [música] tem uma pacoteira aí que dá para Ah, muita coisa. E pra gente começar, eu queria que você contasse um pouquinho eh da sua vida antes das competições, [música] a sua infância, onde você cresceu. Eu sou nascido aqui em Daatuba mesmo. Eu sou [música] de, tenho 46 anos, né? Uhum. E cresci aqui, não cheguei sair. E eu perdi minha mãe cedo, eu tinha [música] um ano de um ano quando ela faleceu. Uhum. Ela enfartou. Não sei muito bem o as consequências [música] desse Aí. Quem me criou foi minha avó paterna. Uhum. Até os os nove. Daí meu pai casou de novo. Aí começou a saga. Certo. E no caso é a luta de braço para você nessa fase assim da infância era uma brincadeira? A luta de braço entrou depois que eu fui pro sítio. Uhum. que eu eu acabei [música] eh saindo eh meu pai se casou de novo, eu tinha nove e daí com 12 anos eu eu meio que fiquei [música] sim eh saindo pra rua, enfim, fiz de tudo, não desmerecendo nenhum trabalho. Eu já catei papelão, engrachei sapato, vendi sorvete, enfim. [música] Aí eu estava meio que me perdendo aqui em Daatuba. Aí a minha avó acabou eh falando para eu e meu irmão se a gente não queria ir pro sítio [música] morar com meu tio para ver se meu tio Vir tia Jana para ver se eu eu [música] não me me perderia nesse caminho. Aí nós aceitamos, fomos para lá [música] e foi lá plantando tomate. Uhum. que tirando nos barracões lá e na e nas [música] vendinhas lá que eu acabei descobrindo que tinha um pouquinho de força. [música] Isso foi na minha fase de crescimento, né? Eu tinha qu uns 14, 15 anos. Então, foi a partir daí que eu aí depois de de eh só resumindo, depois de tudo isso aí, eh desse momento no no sítio [música] que eu voltei pra cidade, eu bebi, eu bebi dos 12 aos 37 [música] e fumei dos 12 aos 25. Aí eu voltamos pra cidade, os patrões foram embora de [música] eh pro Japão. Uhum. E aí eu tava numa fase de [música] depressão, né? Naquela época depressão era taxada até como como fala? [música] Hoje é uma doença, né? Mas ontes era tipo sem tipo frescura, né? Uma frescura. É. E nunca foi, né? Nunca foi, né? [música] E tem que ser tratada, né? Uhum. Eh, e quando que depois é dessa que você descobriu a sua força, você começou a competir, viu que ali poderia ser [música] um esporte mesmo para você? Foi quando eu voltei com com uma uma possível depressão, falei, preciso ocupar minha cabeça, né? Eu falei: "A luta de braço, foi onde eu procurei a confederação de [música] a confederação brasileira que se encontrava no Sesi. Aí lá eu eh era no SESI, na e na SES que era em frente o Sesi. [música] Aí lá eu comecei treinar entre 1999 e 2000. Comecei junto a musculação e a no de braço. Aí entre 2000 e 2005 eu só perdi. Eu ganhei um estreante [música] aqui atua mesmo, que foi em 2001. E [música] aí até 2005 eu só levei paulada. [música] Fui muito otimista porque ganhava uns regionalzinho ali. Aí em 2005 foi campeão paulista [música] em cima de um atleta de ponta que é o Marcos Mosca, que já faleceu há algum tempo. Aí foi onde eu apareci. Quem que é esse cabeçudo? [música] Eu era, eu pesava 90 kg, né? Uhum. Hoje eu peso 160, né? Quem que é esse cabeçudo? Até meu primo da cabeção, né? Ainda é, né? [música] Da onde saiu esse cara que ganhou do Mosca, né? Aí eu 2005 eu fui campeão paulista. Em 2006 e foi o ano que eu parei de fumar. [música] Fumei dos 12 aos 25. Então eu parei de fumar em 2005. É, eu sou de 80. Uhum. Eh, foi onde eu fui campeão paulista. Aí eu já me achei o gigantesco. [música] Eu foi onde a soberba precede a queda, né? Uhum. já subi em saltos altos. Aí o brasileiro foi aqui em Datatuba, eu achando que ia bagaçar, levei paulada aqui. Aí foi onde eu conversei com a força maior, baixei a bola. [música] Aí em 2006, em 2006 começou a minha ascensão. Uhum. [música] Aí, nesse rolê eu fui 26 vezes campeão brasileiro, quatro vezes campeão mundial, duas vezes campeão sulamericano, uma pan-americano, campeão de Clesque, campeão top oito na Bulgária [música] e regional a perder de vista. Uhum. Mas ainda durante aí quando eu quando eu tava com a história eh concluída, eu consegui. Aí eu tive algumas perdas na vida que fiquei sem chão e acabei me entregando pro álcool. Eu já bebia, só que de 2000 e [música] 14 até o final de 2017 eu me entreguei. Uhum. Era um praticamente um suicídio indireto. Eu sabia o que eu estava fazendo. Bebi em torno de 3 L de vodica [música] por dia. Aí o pessoal fala assim: "Nossa, é mentira que ninguém consegue beber durante 3 anos bebia". [música] O que aconteceu? Eu tinha massa muscular para comer. Uhum. Então eu perdi 50 kg nesse nesse período. [música] Aí eu tive um sinal de novo, uma conversa [música] com a força maior e vi que eu não ia morrer daquele jeito. Vi, não decidi não morrer daquela forma. Uhum. Aí começou-se [música] a começou-se a volta por cima de novo do fundo do poço, que eu cheguei a ficar na rua assim, as pessoas se afastaram de mim, ficaram, ficou meia [música] dúzia, né? E não tá errado, né? porque ninguém quer ficar do lado aqui, não quer se ajudar, né? Então eu acabei [música] eh aí foi onde eu conscientizei, tive algumas ajudas, [música] né, quando eu arrumei o emprego de novo. Mas foi foi um processo de formiguinha, né, para eu voltar. Eu parei de beber dia 18 de fevereiro de 2018, então faz 8 anos que eu parei, né? É casa encerrada. Uhum. Assim, existe [música] a frase só por hoje, mas o meu caso é encerrado. Nada na terra faz me beber mais. [música] A gente fala que não, que não. No meu caso, eu respeito, mas o meu caso é encerrado. Uhum. Você pode desfregar um copo na minha cara que não tem problema. Sim. Todo mundo pode beber que eu eu me blindei quanto é [música] isso, sabe? Sim. E sei que eu não sei que eu não é que eu não posso, [música] eu não quero. Ponto, né? você tomou essa decisão e o que fez você [música] eh reverter aquela situação que você estava passando naquele momento? É uma coisa, é uma coisa bem espiritual, sem sem citar religiões, né? Uhum. Eh, eu jogava baralho perto da minha casa, [música] dava o quê? Dava uns 10 minutos a pé, tranca, tranca. Aí eu tava jogando o baralho lá, só que eu não olhava no espelho, fazia mais de dois anos, né? Eu não olhava no espelho. [música] Eh, daí eu sempre fui sarrista, até hoje sou sarrista. Adoro um sarro. [música] Uhum. Aí eu tirei sarro de um tiozinho lá que perdeu, fez umas cagadas lá e perdeu. Desculpa, mas [música] aí eu tirei sarro dele, ele me peitou um tiozinho de uns 450 anos, sabe? Morto. Aham. Mas eu tava mais morto que ele, né? Por isso que ele me peitou. Uhum. Aí foi onde eu assustei. Falei: "Nossa, o tiozinho peitou". Eu tinha tomado uma garrafa de voda, então eu tava sóbrio seus padrões da época, né? Dos três livros. Aí eu fiquei com aquele tiozinho na cabeça. Eu acho que aquele tiozinho era um anjo. Aí o tiozinho na minha cabeça, tem deixa disso, né? Falei: "Caramba, o tiozin peitou, [música] que que aconteceu comigo, né?" E fui para casa. Aí eu acho que eu sentia que alguma coisa falando, eu ia morrer naquela semana, né? [música] Eu tenho certeza que eu ia morrer naquela semana. Eu tive, eu tive cirrose, entrei em seis como alcoólico [música] nesse decorrer tudo tive índice de esquizofrenia e aí tipo é agora, tipo, é agora, esse é o último sinal. Eu tinha, eu tive vários sinais ali, só que não pegava, né? Mas essa foi a puxada de tapete, né? Esse tiozinho peitava. Aí eu fui para casa, eu carregava a tag do portão no no pescoço porque eu já tinha perdido tudo, pelo menos para entrar em casa. Eu ficava na rua, mas eu já eu tinha minha casa ainda que eu tenho até hoje, né, do apartamento. [música] Eh, aí eu subi, alguma coisa me empurrou pro espelho. Quando eu abri a porta, algo me empurrou pro espelho. Olha pro espelho. Uhum. E te enxerga, né? Nossa, quando eu me vi no [música] espelho, falei: "Ai, é por isso que o tiozinho me peitou". Eu tava literalmente zumbizando, [música] sabe? Olho muito fundo, muito magro, irreconhecível. RP. [música] Foi aí que eu eu coloquei a culpa em Deus, como eu tinha colocado em outros momentos da minha vida. Eu falei assim: "Por que que o Senhor me abandonou de novo?" Né? Eu sempre lá atrás, antes de de adquirir [música] determinado conhecimento, eu coloquei a culpa em Deus por ele ter tirado minha mãe. Uhum. Aí eu, [música] ao decorrer da vida, eu evoluí em alguns quesitos e entendi. Só que daí eu culpei ele de novo. [música] Por que que o Senhor me abandonou de novo, né? Aí eu senti um peso no ombro. Era Deus conversando comigo [música] naquele momento. Uhum. É até difícil. É difícil até de acreditar, né? Mas eh ele falou assim: "Não, eu nunca te abandonei. Eu sempre [música] estive aqui. Foi sua escolha e agora está nas suas mãos de novo". [música] Aí eu descambi, né? Chorar ali mesmo, né? Aí eu coloquei na cabeça que eu não ia morrer daquele jeito. [limpando a garganta] Falei: "Não, ainda tem história para eu [música] para eu escrever ainda. Aí para eu parar de beber trin de vódica por dia. Nossa, que tremedeira. [música] Eu tive que tomar, tive que ter atitude [música] formada, né? Uhum. E aí vem as provas de expiações para você não eh não conseguir concluir a meta, né? Uhum. Vem as as coisas [música] ruins, né? Sim. E nesse tempo que você eh se entregou a ao né, você parou totalmente de competir e como que foi para você retomar as competições? Em 2017 eu ainda fiz uma luta com Mirtalé A9. Uhum. [música] Eu tive uma tive uma queda ali em 2016. Eu subi um pouquinho em 2017. Eu lutei com Mirtalé em Campinas. [música] Eu ganhei 3 a do mas ali foi Deus também. Eu não tava comendo, não tava suplementando, não tava treinando. Sei [música] o que me fez, o que me clareou também, né? Mais uma, né? Tó para você aí para você [música] seguir em frente. Aí isso foi no final de 2017. Aí ainda dei uma, chutei o balde no final do ano. [música] Aí foi onde eu parei de beber em 2018, dia 18 de fevereiro. Aham. E voltei competir em dezembro, que eu lutei contra o Michael Tod em Campinas. gan de 5 a 0. Aí eu explodi [música] de novo. Sim. Aí em 2019 e eu consegui uma luta com Devon Lahat no Canadá. Eu [música] perdi de 3 a 1, mas por eu ter ganhado uma luta, os holofotos giraram para mim de novo. [música] Sim. Aí cada mergulho um flash, né? Uhum. Aí deu voltou a a dar uma guinada na carreira, né? Sim. E atualmente e [música] você faz também treinamento, né? Treina outros atletas. Eu eu sou técnica do da equipe de Indatuba, né? Uhum. que tem em torno de aproximadamente 70 atletas. [música] Sim. E também é palestrante. Como que é para você eh essa outra [música] fase da vida? Ah, sensacional, porque eu acredito que nada na vida por acaso, né? Eu tinha que passar por isso. [música] Eh, a minha [música] mãe, ela foi retirada de cena para que isso, para que eu estivesse aqui hoje dando essa entrevista, né? Sen não estaria. Sim. ou ou talvez para [música] eu acredito que para ajudar algumas pessoas na minha história de vida, não que a minha história tenha sido a pior de todas, senão acaba causando um vitimismo, né? Existem histórias bem piores que a minha, né? Mas eu tive, eu tenho a chance de contar a minha história, [música] essa volta por cima do fundo do poço, a a supostamente o topo da montanha de novo. Então é um sonho realizado de poder ajudar as pessoas através do que aconteceu comigo. É claro que olhando de fora [música] da ilha agora é diferente, né? Uhum. Aí você vai me perguntar assim: "Mas você voltaria lá atrás e passaria tudo de novo? [música] Pera aí. Se fosse para estar aqui, eu passaria tudo de novo. Mas se fosse sem saber, não. Acho que não. Passar todo aquele rolê. [música] Nossa, agora se eu soubesse que esse seria o desfecho, com certeza passaria tudo que eu passei de novo para principalmente para conseguir ajudar as pessoas que precisam. [música] E Wagner, pra gente encerrar, se você pudesse passar uma mensagem para alguém que se encontra na mesma situação que você se [música] encontrava naquela época, é, tecnicamente assim, no fundo do poço, o que que você diria? [música] que você, independente de qualquer coisa, você nunca está sozinho. [música] Tem pessoas que gostam de você, assim como falei de Deus, agora Deus está ao seu lado, ele tá ali. Então, [música] e você e ninguém consegue nada nesse mundo sozinho. E você não está sozinho. E tem muita coisa para todos, [música] tem muita coisa a ser vivida, ou seja, viver e não sobreviver. A minha fase da vida, eu passei uma fase sobrevivendo, né? esqueci de viver. Foram três anos perdido, né? Jogada no lixo, entre aspas, né, que eu consegui resgatar, aprender com [música] esses erros, né? Mas então, nunca é tarde para ser feliz e [música] você merece o melhor. Então, é sua escolha. Livre arbítrio é o maior poder da terra. Livre arbítrio. Então, ninguém tem culpa de nada. Como eu [música] coloquei culpa em Deus, ele não tem culpa. A culpa era minha, eu que tava escolhendo. Então é sua escolha, ação e reação. Se você plantar morango, você colhe morango. Se você plantar abacaxi, você pode plantar abacaxi. Você vai colher o que plantar. Então, plante o bem que você [música] vai colher o bem. Às vezes demora, mas tem que ter paciência, né? Um exemplo que eu dou é que a partir do momento que você cria uma dúvida na sua mente, [música] você já sabe o que é certo e que é errado. Só que tá pendendo pro erro, porque a porta do erro é gigantesca. O que é certo passa, você passa apertado, caminho estreito, né? É. Daí você cai para onde? Por mais fácil, né? Então respira, [música] pensa no que vai fazer, porque uma atitude, a questão de um minuto, pode mudar sua vida, né? Tanto pro bem como [música] pro mal. Então, respira, pensa, faz o certo que [música] um dia vai dar certo. Wagner, muito obrigada por compartilhar com a gente a sua história de superação e de [música] recomeço. Eu agradeço, pessoal. E esse foi História de Vida. Espero que você tenha se inspirado com a história do Wagner e até o próximo programa. [música] [música] [música] [música] [música] [música]
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