Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
De uma infância na lavoura em Campinas aos pódios internacionais. No Histórias de Vida de hoje, vamos conhecer a trajetória da atleta olímpica Conceição Jeremias. Conceição, muito obrigada por nos receber e seja bem-vinda ao História de Vida. Agradeço muito o convite. Eu sou Conceição Jeremias, atleta olímpica. Eh, sou campeã pan-americana do Epitatlo. Já participei de três olimpíadas como atleta, participei da olimpíada do Rio de Janeiro como voluntária e bom, comecei eh o esporte, para dizer a verdade, lá na roça, né, que as minhas brincadeiras já eram voltadas para o atletismo e comecei praticar na na escola, na quinta série do ginásio. E eu não parei desde então. É, Conceição, você já falou um pouco sobre a infância, né? Você cresceu na lavoura ajudando os seus pais e nesse meio tempo de trabalho você brincava com seus colegas de correr. Então, o esporte ainda nessa época para você era uma brincadeira? Ainda era uma brincadeira, mas era a brincadeira que mais me atraía. Uhum. Né? E sempre que chegava as meninas da da que tinha outras fazendas em torno e ah, vamos brincar. Eu falei assim: "Não, primeiro vamos apostar a corrida, pular pauzinho, depois a gente brinca do que vocês quiserem". Então, eh, sempre eu puxava para o meu lado porque já era aquela vocação que eu acredito que é coisa que Deus planta na gente desde pequena. E e eu comecei assim e aí depois já comecei no no ginásio. Eh eh eu trabalhava meio período na roça e outro período eu treinava e aí passei a estudar de noite e toquei as três coisas. Me destaquei muito rapidamente dentro do esporte, né? Ah, e a gente enfrenta todo tipo de dificuldade por ser mulher negra, a todas aquelas por ser mulher e por ser mulher negra, né? Isso, aquelas dificuldades que a gente encontra no meio do caminho, mas eu nunca me deixei abater. Sempre eu eu procurei contornar e lutar e brigar para melhorar e essa condição. E hoje eu tô aqui, eu continuo lutando pra melhoria da nossa categoria, para, enfim, para que o nosso caminho seja mais fácil. E Conceição, a senhora já falou sobre as dificuldades, né, de ser uma mulher e uma mulher negra nesse cenário. E a senhora, nesse meio tempo, participou de três Olimpíadas. Como que foi esse processo para chegar até as Olimpíadas, essas competições? Ah, nossa, muita luta. Ai, nossa, muito sacrifício. Nossa, muita, sabe? Eh, eu tive que mudar de cidade porque aqui no interior era mais complicado. Eu precisava de tratamento, de um treinamento especializado e no interior não tinha. Eu tive que mudar paraa capital para fazer a minha preparação lá. Aí você deixa família, filho pequeno. Foi muito difícil para mim, mas em nenhum momento eu pensei em desistir e, enfim, consegui realizar assim o maior sonho de todo o atleta, que é participar de uma olimpíada. Uhum. E como foi mim foi para você, uma mulher que saiu da roça, né? Visitar outros países, o estrangeiro, conhecer outras pessoas. Então essa aí foi a parte assim mais, né, interessante, porque eu eu nem nem sonhava com isso, né? Aí de repente é avião para lá, avião para cá, ah, é uma coisa que na verdade motivava para eu treinar mais ainda. Falei assim, bom, eu preciso treinar muito, muito para eh poder viajar para todos os torneios. Era um desafio constante. Sim. E também olhando para trás, assim, eh, tem algum momento marcante nessa trajetória que você fala, olhando para trás, você lembra com mais carinho? Olha, eh, é assim, eu eu lembro assim que, né, apesar de todas as dificuldades que a gente tinha, a gente era muito pobre, tinha dificuldade para tudo. Eh, eu pude contar com o apoio da família. Uhum. Meus pais eram muito simples, com pouco estudo, mas eles me apoiaram o tempo todo, nas dificuldades, em tudo. Então, foi difícil, mas eh eu pude contar com o apoio da família, os outros irmãos, todo mundo ajudava, porque uns trabalhavam, outros não. Então, fazia tipo uma vaquinha, ó, um dinheirinho para você levar. Eh, enfim, o apoio da família é o que, né, o que mais ajuda a gente assim momentos de dificuldade. Sim. E a gente tá aqui rodeada de medalhas que a senhora conquistou nesse processo, né? Como que é olhar para essas medalhas, relembrar esses momentos também? Como foi essa batalha? A senhora já falou que passou por muitas batalhas e lutas para conquistar essas medalhas, essas conquistas. Então aqui tem algumas medalhas, na verdade as últimas conquistas minhas, né? A competição do ano passado nesse nesse paralímpico. Aí tem aqui a medalha de de medalha de homenagem, né? Eh, da Confederação Brasileira de Atletismo. Eles fizeram um evento e na medalha foi cunhada a minha a minha imagem. Eh, achei, né, muito interessante eh, essa homenagem que eles fizeram para mim, muito, muito bacana e de saber que a confederação não não não abandona no nada, tá dando todo o apoio, todo o suporte. Até hoje ten contato direto, o pessoal fala comigo, pergunta, precisando de alguma coisa, sempre apoio. Então é tipo assim, não menosprezando as outras medalhas, que eu tenho medalhas muito tops ali de participação de Olimpíada, medalha de pan-americano, mas eu acho que cada medalha conta uma história diferente. Então todas elas têm muito valor para mim. Que bom. E Conceição, é em 2024 a senhora passou por um processo difícil, né? Como que se deu essa internação e que culminou que a senhora perdeu a perna? Olha, eh, era para ser uma simples cirurgia, mas no decorrer do processo, eh, teve complicações e, e não tive muita muito esclarecimento do que aconteceu comigo. E, e aí chegou a hora que teve que optar entre amputar ou perder a vida. Eu eu já tava 4 meses em coma, entada. Então, as minhas irmãs que estavam ali do meu lado o tempo todo, elas optaram pela amputação. Sim. E a partir do momento que o médico veio, chegou para mim e falou assim: "Olha, nós tivemos que amputar sua perna, eu simplesmente eu agradeci a Deus pela vida que ele tava me deixando e perguntei pro médico: "Amputação foi acima ou abaixo do joelho?" O médico falou que foi abaixo do joelho. Eu falei assim: "Ah, então tudo bem, eu vou continuar competindo". Falei assim: "Eu sei que com amputção abaixo do joelho é mais fácil paraa aquisição da prótese, para e encarei eh como é uma fatalidade que a vida é assim, que tem que continuar e que eu não posso desistir. Certo? E no caso é o que te levou a ir pro hospital? um uma um problema na face plantar. Uhum. Né? que eu sentia muitas dores ao caminhar e para mesmo paraa prática esportiva, muita dor. E o ortopedista falou assim: "Não, é uma cirurgia simples e você vai sair do hospital andando e e foi o que aconteceu. Fiz a cirurgia, saí andando e nossa, e foi complicando, complicando o tempo todo, hemorragia e tudo." Aí eu eu falei assim: "Não, eu vou voltar pro hospital porque não dá para ficar em casa que eu sentia dores 24 horas por dia." E aí falou assim: "Não, vou voltar pro hospital para resolver essa coisa". Aí voltei pro hospital e fiquei 8 meses lá internado. Nossa. E durante esse tempo de internação, até receber a notícia, né? O que que te mantia firme para não desistir? Olha, eh eh quando eu estava consciente e eh e não tinha sido amputada, eh aí eles faziam um tratamento paliativo, não sei quê, mas não melhorava nunca não melhorava. E o hospital também não tava dando muita atenção, não não tinha muitos cuidados ali. Depois a pessoal da confederação, da Federação Paulista, vieram até Campinas e pediram uma melhor postura. Eu fui transferida do hospital de Hortolândia para o hospital samaritano aqui de Campinas e mudou totalmente eh o tratamento, a atenção, colocaram lá numa sala só, enfim. Mas no começo foi duro. Eu pensei que eu ia morrer lá. Meu Deus. E que bom que a senhora tá viva, né? Isso. Então, por isso eu disse, agradeço a Deus pela minha vida, porque e eu já tinha até olhado do outro lado como que era. E Conceição, ano passado a senhora voltou pro esporte e começou na Paraolimpíada, né? Desde o hospital e eu já estava mensurando, né, como seria. Então, logo que eu saí, eh, eu procurei saber se aqui em Campinas tinha uma entidade que com essa prática. Aí descobri e assim que eu pude, que eu fiquei ainda em casa com cama hospitalar, assim que eu me livrei da cama, eu já procurei fazer o treinamento, eh me orientei com com a equipe e tudo, comecei a fazer o treinamento, tipo, comecei treinar em janeiro e quando foi março eu já fui competir e já ganhei duas e já ganhei duas medalhas. Até porque, por eu ser atleta de muitos anos, eh, eu conheço a a os movimentos técnicos da modalidade. Então, eu só tive que fazer adaptação à cadeira, que é uma cadeira de arremesso, né, específica. Então, os movimentos em si eu já conheço de muitos anos, então não foi muito difícil fazer essa transferência. Sim. E a senhora pretende continuar? Ah, pretendo. Não sei até quando. Não tenho assim eh pretensões de ir para uma olimpíada nem nada. Eu só quero praticar. Eu quero estar no meio esportivo e ver o que que acontece. Sim. E Conceição, olhando pra sua trajetória, né, eh, da lavoura com os seus pais, aos pódios olímpicos, eh, teve esse processo eh, de internação, eh como que você resumiria essa história? Eh, qual palavra assim você fala, tipo assim, olhando para trás, gente, olha, olhando para trás eu vejo assim tudo de maravilhoso que aconteceu comigo na minha carreira, sabe, no nos planos como profissional. Eh, eu sou presidente de uma associação eh de atletismo, trabalho com o projeto de iniciação esportiva para crianças. Eh, então eu vejo assim, eh, tudo foi muito bom para minha construção. E eu hoje eu não penso em desistir nunca. Eu quero continuar sempre. Então é tipo assim, se tem alguém que tá ouvindo a minha história, que tá meio eh perdido sem saber, falou assim: "Não, gente, não desista nunca do sonho, porque ele não acaba de repente a gente tem que buscar coisa, eh, eu tô me reinventando, né?" Então, buscar coisas novas e seguir em frente, não desistir nunca. Essa que é a minha mensagem, tá? Ótimo, Conceição, muito obrigada por compartilhar com a gente sua história inspiradora. Espero que a senhora continue aí nas Olimpíadas conquistando mais medalhas. É, é isso aí. Eu tô treinando para isso. É isso aí. Muito obrigada por compartilhar com a gente. Agradeço, eu que agradeço a oportunidade de poder tá contando a minha história e, né, e para incentivar mais pessoas. E esse foi o Histórias de Vida com Conceição Jeremias. Até a próxima.