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[música] Nascido no interior de São Paulo e criado em [música] meio às dificuldades, ele encontrou no teatro não apenas uma profissão, mas também um propósito de vida. e há quase cinco décadas se dedica a manter viva uma das mais importantes histórias da literatura brasileira. Muito obrigada por nos receber, Vado, e seja bem-vindo. Obrigado a vocês. Obrigado a atenção e o carinho da TV Câmara, né? Obrigadão mesmo. [risadas] Vado. Vamos começar do começo mesmo. Eu queria que você falasse um pouco sobre a sua infância. [música] Você nasceu em Mji Iguaçu. Em qual contexto veio para Campinas? Bom, eu fui trazido, né, para Campinas com 2 anos de idade. Agora meu pai veio falecer com 4 anos [música] eu tinha. De repente tudo mudou porque minha mãe era doméstica e acostumada [música] ao trabalho de roça. E meus irmãos me criaram. Graças a Deus eu tive uma boa educação, porém muito pobre. pobre economicamente, [música] situações difíceis e de repente os anos foram passando. Me lembro que eu fiz meu primeiro gol, [risadas] acho que eu tinha seis [música] para seis se anos para sete. Uhum. Eu fiz o primeiro que eu gostei muito do [música] futebol. Aí dali a pouquinho minha vida foi mudando, mudando. Me lembro algumas coisas de infância, né? Infância triste, meus irmãos. sempre dedicados à minha pessoa, ao meu trabalho. E o melhor de tudo foi quando entrei para Bosch. Entrei na Bosch. Uhum. Bosch uma empresa de alemães e devo ser, sei lá, né, um dos criolinhos do SENAI. 1967, não, 1963. 67 já era formado, ferramamenteiro. Sou da primeira turma de ferramenteiro de Campinas. Você falou um pouco sobre o futebol já [música] e como que o futebol entrou na sua vida? Bom, a princípio estava treinando na Ponte Preta, porque jogava quem de nome era só o de cá mesmo, que era ex-aluno do SENAI e eu também fazia o Senai. Então a gente descia ali do Senai aqui na bom e aqui na Ponte Preta, descíamos, chegava lá na ponte tal, tal, tal, mas era peneira. De repente alguém lá da Bosch, sabedor da Ponte Preta, que eu tava treinando, falaram, falaram e de repente eu já tô no guarani. Seu Zé Duarte era o técnico do infantil e do juvenil dali a pouquinho, porque foi muito rápida essa transição, que eu sou de janeiro, né? Uhum. Daí a pouquinho já tô no juvenil, que é onde começa a engrenagem maior. Jogava junto com amigos bons, futebol, Dr. Marquinhos, Dr. Marquinhos, mas era [música] Marquinhos, Betão, enfim, a turma do futebol, graças a Deus. Daqui a pouquinho, entre Bosch e a [música] a timidez, né, que eu era muito tímido, a Bosche achou melhor me colocar no teatro para desenvolver um pouco do teatro. e futebol e bosch me ajudaram muito porque eu no te o o já estava no teatro, comecei com Alvin Alves, peças pequenas, dali a pouquinho eu já fui convidado, fui fazer a Bosch me ajudou muito também porque de repente eu tô em São Paulo fazendo algumas novelas, ponta dali a pouco pouquinho. Amigos meus, Dr. Lécio Martinez me aconselhou, olha, Fábio, talento você tem agora. Se você não pode caminhar em dois, montar no mesmo cavalo ao mesmo tempo, em dois cavalos, você tem que optar por esse ou por esse, ou futebol ou teatro. E eu fiz a grande escolha, que eu acho que foi uma grande escolha, foi a arte dramática, né? Graças a Deus. E aí dali a pouquinho surgiu na vida na igreja. Uhum. E você falou que o teatro entrou na sua vida para perder a timidez. Como que ele contribuiu para você com isso e também como foi subir no palco pela primeira vez? Olha, veja bem, foram 11 meses de ensaio com o navio na igreja. Agora eu já tinha subido no palco com a peça R lá em São Paulo. Para mim tudo era novidade. Que que é novidade? É o diferente. Quando eu vi todo mundo nu em cena, meu Deus do céu. [risadas] Então, da pouquinho eu eu fic fiquei nu também. E de repente os laboratórios, [música] a preparação do ator é muito grande. Eram muito grandes. Mesmo em novelas, a gente tem que se preparar para o texto, tem que buscar o máximo. E para mim, meus 20 e poucos anos, ainda nessa idade, tudo era o tudo era encantador, né? muito encantador. Agora, Camila, é o seguinte, eu gostei mesmo foi de interpretar o navio negreiro, porque o navio negreiro me deu aquela chance, começou em 1971, foi a estreia. Uhum. Foi lá no Andurinha, como eu falei, e aproveitando que eu jogava futebol, uni futebol entre Guarani, Andurinha e os times amadores que joguei, eu fiquei no Rio Branco lá de Americana e etc, etc. De repente surgiu navio negreiro na minha vida e Castro Alves foi me ajudando e o melhor aconteceu. Os mais sábios vieram ao meu encontro. sábios que eu quero dizer Nolando Meles de Almeida, J França, depois eu conheci outras e outras outras pessoas. Daí a pouquinho o rei Pelé também me ajudou. Enfim, tantas pessoas colaboraram com o navio negreiro que vou te contar. Se contar a história, levaríamos o ano inteiro contando história, falando dos meus amigos. Sim. E Vado, por que o navio negreiro? Porque essa [música] obra mexeu tanto com você a ponto de você ficar com ela em cartaz todos esses anos? Bom, o navio negreiro, Castroves, quando li o o poema do Castroves, já me apaixonei pelas escritas. Aí eu fui conhecer o autor Castroves, [música] Antônio Frederico de Castroves. Primeiro que ele era branco, aquilo me surpreendeu. Falei assim: "Caramba, ele era branco, sangue espanhol e sangue português." De repente, Castro foi entrando, entrando em mim. Eu falei: "Meu Deus, a princípio eu tinha um pouco mais da metade da obra". Se Casturos levou 3 anos, porque eu não ia dedicar o máximo para decorar os versos de Castrolas. Enfim, daí a pouquinho chegou a estareia. Agora aquele poema foi me acompanhando, acompanhando e de repente fui e fiz uma adaptação em cima do poema de Castroles. [música] E a minha adaptação me lembrava tempos difíceis, né? lembrava o tempo de escola, o primário, principalmente, construir um personagem e dentro da do espetáculo, que é um preto velho, faz de conta que eu estivesse no colo do meu vovô, eu tinha 7 anos ou 8 anos. De repente eu tô conhecendo [música] meu avô e meu avô tinha umas marcas no corpo dele. Ele andava meio com uma bengalinha na mão e aquilo veio para o Paulo. O senhor [música] também e conseguiu e estar no Guinesbook, né, na peça. Como que foi esse momento? Olha o Guinburg. Puxa vida, eu estava fazendo show no teatro lá de Não, eu tô em São Paulo de novo. Eu tô lá no Bom, vou falar, eu tô no Corinthians lá, conheço a um tal 2010. Vado, pô, mas você já é bur você já tá no Guines. Não tô, não tô, que eu não tô. Olha, vou te contar. Eu não sabia que ia ter tanto trabalho assim, por eu tive que recortar e encadernar todos os meus documentos. Quer dizer, o maior documento que a gente tinha na época eram os jornais. Uhum. Então, pega jornal de São Paulo, pega jornal de isto, daquilo, de lá e tal, Rio Grande do Sul, dali a pouquinho os outros países. Porque eu fazia o navio negreiro em inglês, mas eu não sabia que era importante aqueles jornais. Dali a pouquinho o pessoalzinho de de Cuba me deu uma mão. Dali a pouquinho o pessoal lá de do Chile me deu uma mão. Países que eu já tinha feito, já já estamos no meio do caminho. E começa a me mandar reportagem. Unicamp aqui de Campinas também me cedeu muito material instituto Histórico da Unicamp. Daí a pouquinho entrego tudo na mão do Guines. Falei assim: "Ó, gente, o que eu tenho é isso aqui. Meu sobrinho me deu uma mão, William me deu uma mão porque eu não entendia muito de computad de computação. Uhum. Daí a pouquinho, Camila que posso dizer uma coisa. O Guin estava chegando, tava chegando, mas eu não tinha o navio negreiro em inglês. Eu tinha, eu já tinha feito shows para o colégio objetivos, tal, tal, mas em colégios, né? Porque o navio negreiro é matéria do do estudante. Todo estudante que se preza, ele precisa do navio negreiro. E daí a pouquinho já a raça já está falando, já estão falando as grandes escolas. Daí a pouquinho eu viro, falo assim: "Caramba, é em inglês. Bom, vamos, eu tenho que mostrar". Eles falaram assim: "Olha, se ele vier aqui, aí eu como a séde lá em Londres, lá estou lá pela primeira vez lá em Londres fazendo na Venegreiro uma bancada pequena para o Judi. Daí a pouquinho saiu na Vinegreira Inglês dali a pouquinho em espanhol não foi necessário porque eu já tinha o Guines. E Vado, pra gente finalizar, eh, eu queria que você falasse que hoje [música] em dia quem é o Vado para além dos palcos. E eu também sei que o senhor tá estreando uma novela aí, né? [risadas] Bom, a novela é Nobreza do Amor, vai estar em cartaz a partir do dia 16 de março. Já podemos ligar na Globo, na telinha da Globo e vendo o artista, é lógico, o Lázaro [música] Ramos, que é meu amigo, meu irmão, ele é o ator principal. Agora eu faço uma ponta, mas uma ponta bem valorizada. Meu personagem é Oruca, que é um ancião que frequenta Batanga, é o lugar da África, né, que é fictíssimo. Embora os escritores que são maravilhosos, eles contam a história de Batanga, unindo com os irmãos [música] brancos. O bonito que que me convenceu é que pela primeira vez nós nele somos os atores principais da novela e a gente tá torcendo, né? Sim. Falei que era útima pergunta, mas eu vou fazer mais uma também que fiquei curiosa. Eh, o senhor citou agora sobre os protagonistas, né, negros [música] da novela. Pro senhor que veio lá de antigamente e estreando uma uma peça [música] própria, você vê evolução em relação ao racismo culturalmente? Eu posso afirmar que nós estamos evoluindo como as jovens senhoras, mulheres também estão evoluindo. Então eu faço um, sempre fiz esse paralelo, o homem negro e a mulher e a mulher juntos. Aí vamos subindo, estamos caminhando. Agora a gente não sabe aonde a a gente aonde a gente vai chegar. Alguém tem que continuar, continuar e continuar falando de amor, porque Castolos era branco. E ele escreveu: "Se um é negro, se o outro é branco, se existe o vermelho, se existe o amarelo, foi porque Deus assim o diz. Porque Deus não quis todos os negros. Eu estive em países, por exemplo, cheguei na Holanda, ai meu Deus do céu, é negro. Vem [risadas] aqui, vem aqui. Sim. Pô, aqui mesmo no Brasil pessoas estranharam, passaram uma mão em mim por eu ser negro. Aí agora também de repente eu vi um curandeiro vermelho índio, a primeira vez que eu estive no Amazonas, né? De repente eu fiz o teatro Amazônas, de repente dali a pouquinho vou para uma cidade, vou para outra. De repente eu vi o curandeiro e tava fal assim: "Não, eu quero tocar nele porque ele era índio vermelho." Então essas coisas existem entre nós. Agora compete a nós, nós neles. [risadas] Tá certo, Vado? Muito obrigada por nos receber, por contar a sua história, compartilhar com a gente. Foi muito gratificante ouvir [música] da sua boca, da sua história. Obrigada. Obrigado você, Candila TV Câmera. Um beijão para vocês, pessoal. E esse foi mais uma história de vida. Até mais. เฮ [música] [música] [música] [música] [música]