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[música] [música] O histórias de vida de hoje traz mais uma história de superação, mas muito mais que a história de superação é a história de uma mãe e um filho, Vilma e João Lucas, que mostraram como aceitar o que existe. Vilma João Lucas é um jovem de 23 anos que se formou na faculdade, né, mas ele é um jovem que nasceu com paralisia cerebral. como é que aconteceu toda essa essa história dele conseguir entrar paraa faculdade, conseguir se formar? Como que a senhora participou disso? Então, [limpando a garganta] porque assim, ele teve [música] aparóxia que deu fos de oxigênio no cérebro, só que afetou a coordenação motora e a fala, mas o congenitivo dele ficou preservado. Ele sempre estudou na escola pública desde o não foi pra creche porque ele ia na casa da criança, lá tinha sala de aula. Então ele durou na sala de aula com 2 anos, por seis ele foi pro prezinho e foi normal nas escolas. Aí com 17 [música] anos disse o sonho dele sempre foi fazer faculdade. Sempre desde pequeno que ele falava queria fazer faculdade. Só que eu falava para ele: "I João, você vai ter que estudar porque faculdade a mãe não tem como pagar, então você vai ter que entrar numa faculdade pública." Aí ele fez o terceiro ano, o último ano foi online, né? Que foi começo da pandemia. Ele fez o Profis, que é um curso profinalizante da Unicamp, não sei se devam [música] falar. Uhum. E ele fez eh o vestibular da Fatec. Ele entrou no Profis da Unicamp e entrou em primeiro lugar na Fatec. Que legal. E assim, a casa da criança paralítica, né, foi aquele que ele estudou, né? Ele ficou um tempo lá, né, participando, né? Isso na verdade ele ficou 18 anos lá. Ele entrou lei tinha 10 meses. Só que assim, ele era muito curioso, assim, ele aprendia muito fácil. Ele aprende muito fácil. E com dois anos eles já viram que ele aprendia já as coisas, o número das coisas, eles já colocaram ele numa sala de aula. Então eu falo para ele, ó, tem se estudo há 20 anos já. [risadas] Porque aí já começou na sala de aula, já começou. Quando ele foi pro prezinho, ele já sabia muita coisa. Então, a Casa da Criança foi um assim, vamos falar, um alice bom para ele, porque lá assim eles, como ele aprendia, eles eh incentivavam muito ele lá. Ele é o primeiro aluno PCD do Brasil, né? [música] Como é que foi pra senhora quando a senhora, porque eu imagino que quando a senhora [música] recebeu o diagnóstico dele, deve ter sido um momento difícil, né, em saber, [música] poxa, como é que ele, como é que vai ser a vida do João Lucas? Será que ele vai poder estudar? Será que vai ter suporte? [música] Teve esse pensamento quando ele nasceu, quando foi diagnosticado com a doença? Assim, na verdade, ele ele teve a quando ele nasceu, ele ficou no hospital cco dias na UTI. Aí depois me mandaram para casa, deram um laudo e só que eu acho que eu nem olhei, nem vi. E mandou para casa, tá bom? Só que aos poucos fui perceber, não é? Não me falaram nada assim que ele ia ter ficar com deficiência, nada. Aí em casa que eu fui percebendo porque ele tinha a mãozinha muito fechada, ele não, ele tinha que ficar apoio para ficar sentado. Eu levava ele na pediatra e ela falava: "Ai, cada criança tem um desenvolvimento é assim mesmo, essas [música] coisas assim". Com se meses eu levei ele no, eu pedi para mandar pro neuro. Aí passou no neuro, ele fez a o elétro e a ressonância. Aí deu que ele que na [música] hora que teve a parada, a falha de oxigênio no cérebro, ele deu anóxido, né? Então afetou a guardação nourar fala dele. Só que aí ele já tava com seis meses. Só que nesse tempo eu já tinha percebido. Então para mim não foi um baque assim, eu já tinha percebido que tinha alguma coisa errada. Então eu eu já levei. Aí eles indicaram [música] ele para pai. Eu levei na pai, só que a pai foi fez uns testes lá e falou: "Não, é pra casa da criança". [música] Aí ele foi pra casa da criança, com 10 meses ele entrou lá. Então não teve muito tempo assim de eu ficar me lamentando, porque eu falei: "Nossa, para mim eu tinha morrido". Porque assim, quando ele nasceu, ele não respirava, ele não chorou, ele não fez nada, então parece tinha morrido e depois viveu. Então, então como, que, né? Então para mim não não foi um bac assim muito forte. E depois ele começou na salinha de aula da criança e aprendia. Aí teve muito suporte. [música] Aí foi pra escola com 17 anos e meio ele entrou na faculdade. Então foi assim levando. Eu ia sempre pra casa da criança todo dia com ele, pra escola eu ia com ele também. É entrava com processo para coisadoura, para [música] sabe essas coisas assim. E sempre deu certo. E a senhora participou então de toda a vida escolar dele, né? Porque a senhora [música] tinha que tinha que levar, buscar em alguns momentos teve que ficar presente também. A maioria das vezes eu ficava presente porque assim quando igual quando ele foi pro ensino médio, não tinha na época não tinha esse negócio de cuidador ainda. Depois que começou então eu ia marcar com ele. Aí depois [música] que eu que eu fiz o processo, aí veio cuidadora, veio professora auxiliar para ajudar. [música] Mas assim, eu sempre acompanhei e na faculdade eu ia todo dia. E como é que vocês descobriram que [música] essa área de tecnologia era uma área interessante pro João? Como é que [música] ele que ele despertou esse esse interesse? Na Casa da Criança? Porque lá tinha um curso de informática. Aí no curso de informática descobriu que ele usando esse mouse ele conseguia fazer algumas coisas. É, é o que eu falo para você. Aí ele foi aprendendo, aprendendo, aprendendo. Só que ele tinha um mouse desse lá na casa da criança. Aí quando ele foi pra escola, o diretor da escola comprou um, mas ele nem praticamente não usou. Só que quando ele da escola, ficou na escola. Aí depois eu fiz uma vaquinha e compramos um para ele. Só que ele tinha só um. E eu falava só. E só esse mouse que serve para ele. Eu já já tentou vários e não dá. E ele só tinha uma. Eu falei: "Se esse mouse estragar, o que vai fazer?" Não tem outro mouse. Aí fiquei pesquisando, pesquisando, não achava. E numa reportagem que eu fiz, eu falei sobre isso, sobre o mouse. E quem faz esse mouse é um senhor daqui de Campinas. A esposa dele viu a reportagem, entrou em contato no Facebook, no Messagem e falou [música] que ele tava fazendo um mouse mais avançadinho um pouco se o João queria um que ele vinha aqui trazer. [música] Aí ele trouxe aqui. Que legal. Quer dizer, as coisas foram [música] caminhando para que desse certo, né? É isso que eu falo assim, ó. É de uma coisa foi encaixando e e ele e ele é bom no inglês também, né? Ele tá no no avançado já. [música] Pois é, eu soube que no dia da colação de grau, né, no dia da formatura, ele soube que ele tinha passado na prova de inglês, né? Mas não era uma prova qualquer, né? É o é o toik, né? Um teste de inglês. Ele foi a primeira pessoa que parece cerebral no Brasil a fazer o stoic, só que a gente fez na porque assim, é um teste pago e a mas a faculdade disponibilizou pros alunos fazer. Eram 200 questões para fazer [música] em 3 horas. Aí ele fez o teste, só que eles não falaram nada assim que ele tinha que tinha sido bem, não falaram nada. Aí no dia da formatura, depois que já tinha dado o canudo para ele, aí chamou o Dário, né? Foi o Dário que entregou o Canudo. Aí falou: "Nossa, foi aí falou que ele tinha sido a primeira pessoa que pareceu celebrar no Brasil a fazer esse teste. É emocionante pra senhora reviver esse momento junto do seu filho? É porque assim, eh, o sonho é porque é uma realização de um sonho, né? A faculdade para ele foi a realização de um sonho assim, porque ele sempre quis fazer, sempre, ele sempre pensava em fazer essa faculdade. E depois para pr aí ele começou a faculdade, só que o João começou a faculdade sem saber nada de de porque ele fez análise de desenvolvimento do sistema saber nada de de código, né? Ele não sabia nada. Aí na primeira semana ele falou: "Mãe, eu vou desistir da faculdade porque eu não consigo, eu não entendo, não sei o quê, desse jeito." Eu falei: "Faz o seguinte, então você fica um mês na faculdade. Se com mês você não conseguir fazer, se você não conseguir mesmo, aí você desiste. Nossa, mês já tava craque já. E pra mãe, como é que foi, Vilma? Porque não é fácil, né? Não é fácil ser mãe, né? E aí, eh, com todas as condições dele, ele precisa de uma atenção especial e eu imagino que 24 horas, né? [música] Como é que você fez para participar da vida dele, [música] cuidar dele? E ao mesmo tempo você tinha a sua vida, né? O que que você fazia no momento, [música] por exemplo, que ele tava na escola? Como é que você trabalhou? Você contou com apoio de familiares, amigos para ajudar na [música] criação dele? É, eu eu faço um pouco de artesanato, né? Faço pou então porque assim, não tem como eu trabalhar e porque qualquer momento pode te chamar, né? E é só eu. Eu não tenho parente aqui e nem o pai dele. Então [música] é, viv eu e ele assim, não tem como. E na faculdade é porque assim, eu ia pra faculdade porque ele usa, ele usava aquele transporte [música] adaptado para serviço, né? Eu ont na justiça para conseguir aí porque eles você tem que agendar, né? E eu precisava para levar todos os dias. Uhum. eh, certinho. Então, eu tive que entrar com ação para conseguir [música] e lá e eu ia pôr ele pra faculdade porque esse transporte ele não pode andar sozinho. E ele conseguia fazer tudo no computador. Eu ficava do lado só. Então eu fazia minhas coisas ali do lado, eu levava e fazia lá. E a faculdade foi muito, nossa assim, o diretor muito bom, muito [música] prestativo assim, ó, os alunos, colegas, tudo. Então, tinha um apoio de todo mundo. Financeiramente teve dificuldades, teve momentos difíceis, [música] eu recebo o benefício dele, né? Agora no momento está bloqueado. Eu recebo benefício, então a gente vive com benefício, bebe assim com benefício, né? Só que igual eu pago convênio para ele, só o convênio é 600 e pouco. Aí já fica fica difícil. Esse mês mesmo bloqueou porque tem que fazer perícia, né? E você não consegue marcar perícia, né? Eu consigo marcar uma perícia daqui 1000 km daqui. Nossa. E aí, como é que faz [música] para ir, né, até a perícia? Ô Vilma, eh, são hoje a gente tem um dado aqui, existem mais de 17 milhões de pessoas no mundo com essa condição que o João tem e ele é diferente de todas essas outras pessoas, né, justamente pelas conquistas que ele teve. Qual sentimento a senhora tem diante disso, sabendo que que ele conseguiu realizar esse sonho, que a senhora pôde participar e encaminhar ele paraa realização desse sonho? Assim, sa eh eh nós fomos junto, eu e ele assim, ó, vamos tentar, vamos [música] igual a a faculdade mesmo, ele porque, ó, ele queria fazer o Enem, tinha que fazer o Enem, né? Só que para ele levar esse enem, eu tinha que que mandar o e-mail para ele levar esse mouse, eu tinha que mandar o e-mail para Brasília falando que ele ia usar o o aparelho tudo. Só que aí eles autorizar e além deles autorizar, ele mandar, ele mandou um professor lá de Brasília para fazer a prova com ele do Enem. V um professor que era, ele era, ele já tava acostumado a fazer prova com pessoas surdas e ele veio lá de Brasília faz dois dias do Enem para fazer a prova com ele. Então assim, você vai, né, como é que vai fazer para ir se fazer a prova do Enem? Então vamos atrás, vamos mandar um e-mail pra Brasília. Vai, vai que eles lê, né? É, leu, mandou resposta, autorizou, mandou esse papel e mandou o professor para fazer com ele a prova. Então assim, vai indo, né? E ele é muito esforçado, muito, muito. Ele é um presente para você. É, né? [risadas] Ele é um pouquinho temoso. Quer, que quer fazer. Mas como que é então o convívio de vocês no dia a dia, o João no dia a dia? Assim, como [música] é que esse convívio de você? Você falou que ele é teimoso, mas para estudar parece que não, né? Não, não é assim. É porque assim igual não é não é que não é que ele é teimoso, ele é ele quer e quer e fica [música] assistindo e quer e quer e acaba, tá? Igual agora mesmo ele tá trabalhando, ele tá fazendo um projeto com o pessoal aí, aí ele fica aí tem vez que o tá negando lá no cálculo, ele fica, ele fica um pouco nervoso. Aí [risadas] passa, passa uns três dias, aí eu falo: "João, calma. Aí depois ele sabe assim, ele vai conseguir. [música] Mas hora que eu falo para ele para e ele não para, vai jogar um pouco, distrai [música] um pouco essas coisas e ele não, ele fica focado ali. Aí [música] e eu levo ele para entrando, né? Aí ele faz esse, ele tá fazendo esse serviço, ele faz a aula de inglês [música] também. Senhora se sente realizada? É igual eu falo assim, ó. É, é, eu eu acho que eu já fiz a é 90% do que eu podia fazer, né, que é ajudar ele a chegar até aqui, que agora ele tá pronto para trabalhar. Sim, tu ach sei lá, [risadas] mas é porque [música] as pessoas falam assim, nossa, é porque ele é inteligente, ele é isso. Mas assim, mas eu falei porque ele é esforçado também, porque tem muita pessoa que é inteligente, ele não consegue, né, mas ele é esforçado e apesar de toda dificuldade, né? Porque assim, na escola que ele estudava o terceiro ano, a professora ela faz uma uma reunião com ex-alunos, né? [música] E esse ano João participou assim, os alunos do terceiro ano, aí [música] vai ex-alunos da escola para dar um incentivo. Nossa, o João chegou lá e contou a história dele. Nossa, ficou todo mundo assim, sabe de meu caderno. Porque não tem deficiência nenhuma assim e desanimada com tudo, né? Aí João contava eles, nossa, eles aplaudia tanto assim, né? Porque fal conseguiu igual inglês. Apesar da dificuldade, ele consegue ele fazia as provas de inglês na faculdade todinha. Ele participava dos grupos, ele falava inglês. A professora falava assim: "Nossa, que ela dava aula na americana, ela fala: "Eu eu vou fazer trabalho com os meninos". E a fica tudo com vergonha. João não, João fala, entra. Toda a dificuldade que tem, ele conseguia fazer. Ele se tornou um exemplo então paraas outras, pras outras pessoas, pras outras crianças. É, né? Então, tá bom. Dá um abraço nele, faz um carinho nele para João. [música] Obrigada, viu? [música] Oi, por compartilhar essa história de vocês. Não é fácil, né? Eu imagino é um pouco complicado assim, mas se você aí você fala assim: "Ai, Deus, Deus, Deus já fez tanta coisa boa, né?" É tudo você pediu assim, ó. [música] Porque aonde que eu imaginava que ele ia entrar na faculdade, né? Aí o dia, o dia assim, eu acho que o dia mais feliz assim nosso [música] foi o dia que nós abrimos o a lista de do do da faculdade, né, João? Nós não queria abrir, nem queria abrir, sabe? Com medo de A nós fomos lá pro finalzinho, né? Vamos olhando, subindo, subindo. Não tá, não tá. Quando chegar tava lá, olha só. Agora ele tá com 23 anos, [música] ele se formou com 21. Só falta trabalho. Agora é uma empresa para pagar o plano de saúde, que é a preocupação maior, plano de saúde, né? Sim. [música] [música] [música] เ [música]