Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
Deficiente visual desde o nascimento, ela encontrou no esporte um caminho para conquistar autonomia. superar limites e até inspirar outras pessoas. No História de Vida de hoje, vamos conhecer a trajetória de Gisele Pacheco, atleta paraolímpica de natação. Gisele, muito obrigada por ter aceitado o nosso convite. Seja bem-vinda. Eu que agradeço a oportunidade. É sempre muito importante uma oportunidade como essa de contar um pouco da minha história e quem sabe até incentivar outras pessoas também. Exatamente. E para começar, eu queria que você contasse um pouquinho. Eh, eu falei que você é deficiente visual desde o nascimento, só por conta que você nasceu prematura, é isso? Sim, eu nasci prematura de 5 meses e meio de gestação, pesando 800 g e precisei ficar na incubadora durante 3s meses. E aí eu tive um descolamento de retina. E como que foi sua infância? Você falou que não tem memória visual por conta disso. Eh, como que foi sua infância? Minha infância e foi muito boa. Eu considero que eu tive o privilégio de ter uma infância praticamente normal. Eh, os meus pais sempre foram muito tranquilos em relação às brincadeiras. Então, assim, tudo que você imaginar que uma criança faz na infância, inclusive as artes, eu fiz. Eu andei de bicicleta, de skate, subir, ah, escalei parede, escorreguei em barranco, eh, andei de bicicleta, de patins, fiz tudo que todas as crianças fazem. Soltei pipa, joguei bola, corri, brinquei de pega pega, enfim, subi em árvore, caí da árvore, fiz todo um pouco. Que bom. Então, já era uma criança com bastante autonomia. Sim. E quando que a natação entrou na sua vida? Eh, na verdade eu fui pra natação com um ano de idade na Provisão, a escola que me reabilitou, né, que foi que deu os meus primeiros passos na reabilitação, no meu aprendizado. E desde um ano de idade que eu frequento o ambiente aquático, as piscinas. E quando eh você se tornou atleta, eh, como foi também para você conquistar medalhas? Conta um pouco pra gente também sobre essas competições que você participou. Bom, foi por acaso que eu comecei a competir. Eu nadava para saúde, qualidade de vida. Por conta da prematuridade, eu tenho asma, né? Eh, e para um melhor controle da doença, paraa diminuição do uso de medicação, a natação sempre foi muito importante para mim. E por acaso uma época eu tava nadando, me convidaram para uma competição. Clar, vai lá representar a cidade, a gente tá precisando de gente, nada lá, umas provinhas. Eu fui, mas assim, não tinha nenhuma expectativa, não entendia nada de competição, nem de resultado. E foi uma competição muito boa. Tive bons resultados, fiquei entre as melhores daquela competição naquela época e desde então nunca mais parei de competir, de viajar. Que legal. E para além das medalhas, o que a piscina significa para você? A piscina hoje representa mais do que saúde, qualidade de vida, eh socialização. Ã, também trabalha muito as questões relacionadas com orientação, com mobilidade, com percepção espacial. Isso faz muita diferença na vida de uma pessoa com deficiência visual. Então, eh, o esporte também traz independência, muita, muita independência, muita autonomia, certo? E ele exige da gente disciplina, né? É muito importante. E você comentou comigo que chegou a ser considerada uma das três melhores atletas paraolímpicas de natação. As três melhores do país de natação, sim, até 2022. E aí em 2022 eu tive uma trombose cerebral. Aí deu uma complicada aí na vida. Nossa, como que foi para você receber essa esse diagnóstico? Na verdade, aconteceu ã logo após uma competição. Eu voltei de uma competição e aí eu desmaiei. Enfim, fui hospitalizada e diagnosticada com uma trombose cerebral. Eh, é como se fosse um AVC eh extenso. Então, naquele momento, eu perdi o movimento do meu lado esquerdo, do meu braço e da minha perna do lado esquerdo. Uhum. Isso me possibilitou ficar em casa durante um tempo, acho que uns dois meses. Aí eu retornei pra natação, mas eh mas como reabilitação. Eu não podia nadar o quanto eu nadava antes, o volume menor, as velocidades, né, mais lentas, né? Então era tudo mais terapêutico do que auto rendimento naquela época, certo? E como que foi para você a recuperação? A natação foi fundamental. Eu acho que ela fez o papel de uma fisioterapia. Eu hoje tenho 99% dos meus movimentos recuperados. E nesse momento você também descobriu a dança? Sim, a dança. Como que foi isso também? Eh, foi através de uma amiga que fazia parte de um projeto de dança em Hortolândia, a Paula, e ela me convidou para conhecer. Eh, e desde então, já faz dois anos que eu tô fazendo parte dos projetos de dança hoje aqui em Campinas. com a professora Keila. Ã, e foi uma descoberta incrível, porque a danca também ela trabalha uma noção corporal muito grande, que é aquilo que a gente já trabalha no esporte. Uhum. Então, além da natação, a dança também te ajudou muito nesse processo. Muito. Certo. E voltando a falar um pouco sobre as medalhas, eh, tem alguma conquista ou competição que você guarda e no coração assim, de uma forma mais especial que te marcou mais? Eu acho que mais me marcou foi foram as competições pós trombose. Uhum. Eh, a primeira competição foi muito importante para mim voltar pro pras piscinas, pro ambiente competitivo. Foi muito importante. Certo. Então, eh, falando sobre a trombose, hoje você diria que você já se recuperou totalmente. Sim, hoje eu já recebi alta médica, não preciso mais de fazer uso de nenhuma medicação. Eh, vida normal. Que bom. E além de atleta, você também é mãe, né? Como que foi para você também esse processo de se tornar mãe? Sim, eu sou mãe, minha filha tem 14 anos hoje. Eh, foi um sonho realizado, né? Eu falo que maternar eh é uma dádiva, foi uma experiência única, maravilhosa. Tive as minhas dificuldades, principalmente quando ela era recém-nascida, mas sempre tive uma rede de apoio muito grande que me ajudou. Eh, mas assim, me ensinando e não fazendo por mim, que eu acho que é o papel mais importante da rede de apoio, eh, em qualquer deficiência, que os pais, os familiares e amigos, eh, nos ensinem a fazer e não façam por nós. Importante essa sua fala, eh, que no caso também você luta muito por políticas públicas voltadas à pessoas com deficiência, pras mulheres também. Qual que é a importância de levantar essa bandeira, como você falou, essa rede de apoio e te apoiar e não fazer por você? Sim. Em 2015, eu fiz parte da fundação do movimento brasileiro de mulheres cegas e com baixa visão. É um movimento livre, ah, que tem como principal objetivo desenvolver ações pontuais em, né, cada qual no seu município, na sua região. Então, hoje é o meu papel enquanto divulgadora desse movimento é conscientizar essas mulheres daquilo que são direito delas, daquilo que elas podem fazer e daquilo que elas não podem deixar a sociedade fazer por elas, da importância de não deixar ah de não viver um relacionamento abusivo, por exemplo. Uhum. E quando eu digo relacionamento abusivo, não é por parte de marido, não. Pode ser por parte de um familiar, de um amigo, de um chefe, né? São tipos de relações abusivas. Sim. E infelizmente ainda hoje em dia, né, tem um as pessoas ainda têm muito preconceito com deficientes, pessoas com mobilidade reduzida, eh, ou até mesmo falta de conhecimento. Como que você lida com isso também? Eu acho que o preconceito ele faz parte do ser humano. Todos nós temos preconceito em relação a alguém ou alguma situação, alguma coisa. O que a gente precisa fazer é não deixar que esse preconceito influencie nas nossas decisões e na nossa forma de agir com as outras pessoas dentro da sociedade. Sim. E atualmente você continua competindo, continua nadando. Continuo competindo, continuo nadando. Agora um pouco mais devagar, com menos intensidade, mas treinando firme, competindo, sim. Certo. E pra gente encerrando, o que que você espera daqui pra frente? É, a gente fala um pouco sobre eh melhorias, né, que podem acontecer referente a pessoas com deficiência, as mulheres. O que que você espera que melhore para essas pessoas? Olha, eu acho que mais de melhoria de acessibilidade fívica e arquitetônica, nós precisamos que a sociedade melhore sua forma de enxergar a pessoa com deficiência. eh que ela entenda que eu, tendo uma deficiência, não ter que provar o tempo todo paraa sociedade que eu posso, que eu sou capaz, que eu sei, eh, que eu consigo. Que as pessoas entendam que a deficiência é só um detalhe na minha vida, que a deficiência não me define. Exato. E assim, olhando para trás também na sua trajetória, você é nasceu prematura, é deficiente visual, teve problema com a trombose também, você como que você se classificaria assim, uma palavra para te definir perseverante. Olhando para trás, uma mulher perseverante. Sim. Que bom. Então, na sua a sua trajetória, você enxerga ela com uma trajetória bonita, de de persistência. Sim, de muita persistência. Eh, eu acho que o que eu tenho mais que fazer hoje é agradecer por estar aqui, pelas oportunidades que eu tive. Eh, eu não não tenho direito de ficar assim reclamando e me lamentando pela por aquilo que aconteceu ou que deixou de acontecer. Eu só preciso agradecer a Deus e a todos, né, que participaram da minha vida direta ou indiretamente e ser perseverante e continuar eh com alegria, certo? E continuar nadando também, né? Vai continuar nadando até ficar mais velhinha para sempre. Que bom. Então, Gisel, eu agradeço sua participação aqui conosco, por contar um pouco sobre sua trajetória, sua história, muito importante. Eu que agradeço a oportunidade e por mais pessoas praticando esporte, natação, por uma sociedade mais inclusiva e mais compreensiva acima de tudo. Perfeito. Para quem tá em casa, espero que a história da Gisele ajude a inspirar também um pouco. Esse foi Histórias de Vida. Espero que vocês tenham gostado. Até o próximo programa. เฮ